30 de jun de 2013

Lula: "feliz é o país que tem o povo querendo mais", ouça!

Leia Mais ►

Com as medidas anunciadas, governo reúne todas as condições de retomar apoio

Pesquisa Datafolha publicada pela Folha de S.Paulo como manchetes principais da capa, da política e do caderno Cotidiano (noticiário local/geral) do jornal, prova que a imensa maioria do povo brasileiro - 81% - e dos petistas e simpatizantes do partido - 79% - apoia as manifestações que se realizam no país há três semanas. O levantamento mostra, também, que 65% dos brasileiros se opõem ao passe livre (ou tarifa zero de transporte público) se for preciso parar obras.
A pesquisa, uma das mais amplas já feitas pelo Datafolha - entrevistou 4.717 pessoas em 196 cidades do país entre ontem e anteontem - traz que 43% dos brasileiros julgam como regular a gestão da presidenta Dilma Rousseff (eram 33% antes dos protestos); 25% como ruim e péssima (eram 9% antes); e 30% classificam o governo como ótimo e bom, índice que era de 57% antes das manifestações.
A nota média do governo caiu para 5,8. A maior obtida nesses 2,5 anos de gestão Dilma foi 7,5 em abril de 2012. Mas, há dois ano era menor, também, 6,8%. A avaliação é uma lição e tanto para todos nós petistas e para o governo. Deve ter como consequência uma profunda revisão e reavaliação de nossas políticas e práticas.

Reavaliação deve ser feita sem medo e sem tabus


http://f.i.uol.com.br/folha/poder/images/131791169.gif
O que não deve nos desviar do apoio a presidenta da República, a seu governo, e principalmente às medidas propostas ao país que, de acordo com a pesquisa,  contam com amplo apoio do povo. Nada menos que 68% apoiam o plebiscito e 73% a Assembleia Nacional Constituinte para a reforma política, um dado revelador de que talvez tenhamos recuado demasiadamente rápido da proposta.
O recado enviado na pesquisa é claro: temos apoio para governar. Temos que assumi-lo, então, com consciência de que há uma queda nas expectativas com relação à economia, à inflação, ao desemprego e à própria avaliação da gestão da presidenta.
Para governar a presidenta tem o apoio dos petistas e com certeza terá da sociedade e do povo. Apoiada nos 30% de brasileiros que consideram sua administração  ótima e boa e nos 43% que a classificam como regular, ela reúne condições para reformar seu governo e reavaliar sua gestão. Para retomar, portanto, os índices de aprovação que manteve até agora.

O recado claro da pesquisa: temos apoio para governar
Índices que só tende a ser reforçados com a excelente decisão de destinar 100% dos royalties do petróleo para o social. Foram 75% para a educação e a Câmara dos Deputados em boa hora destinou à saúde os outros 25%, o que representa mais médicos, mais recursos e melhora na gestão desta área.
Com as várias outras medidas que anunciou, tais como o pacto da  estabilidade com controle da inflação e o pacto entre o governo federal, Estados e municípios destinando mais recursos para a mobilidade urbana, para melhorar os transportes públicos, estou seguro de que retomaremos o apoio do povo brasileiro. Como o retomou o presidente Lula em 2005/2006.
Governo precisa mudar a relação política
Mas, está evidente que é preciso mudar e muito a relação política do governo com a sociedade, o Congresso Nacional, os partidos, os governadores e prefeitos, as entidades empresariais, sindicais e populares. Além de mudar sua comunicação e a gestão e execução dos principais programas e obras do governo.
Precisa, inevitavelmente, reavaliar prioridades e manter o rumo da política econômica para crescer sem inflação e distribuindo renda. Precisa ouvir as críticas, demandas e reivindicações da cidadania. Precisa ouvir as ruas e ir para as ruas defender e debater com o povo o plebiscito e a reforma política. E mobilizar nossa base social e política para defender nosso governo e obra nesses quase 11 anos do PT no poder federal.
Leia Mais ►

"Dilma é a primeira líder mundial a ouvir as ruas"

Maior especialista contemporâneo em movimentos sociais nascidos na internet, o sociólogo espanhol diz que a condução da crise no Brasil mostra que há esperanças de se reconectar instituições e cidadãos
ENTRE-01-IE.jpg
PROTESTOS NA AMÉRICA LATINA
“Há um movimento estudantil forte no Chile, 
embriões
surgindo na Colômbia, no México e no Uruguai”
,
diz Castells
O sociólogo espanhol Manuel Castells, 68 anos, estava no Brasil participando de uma série de conferências quando os protestos pela redução das tarifas de ônibus começaram, ainda tímidos, em São Paulo. Um dos maiores especialistas da atualidade em movimentos sociais na era da internet, nem ele podia imaginar que o País todo seria tomado por uma onda de passeatas que se transformaria na mais importante manifestação política da sociedade brasileira em 20 anos. “Se querem mudanças, não bastam somente as críticas na internet. É preciso tornar-se visível, desafiar a ordem estabelecida e forçar um diálogo”, afirma o sociólogo. Castells analisou outros movimentos semelhantes, como a Primavera Árabe, o Occupy, nos Estados Unidos, os Indignados, na Espanha, e agora também acompanha a defesa da Praça Taksim, na Turquia. Com extenso e respeitado trabalho sobre o papel das novas tecnologias de informação e comunicação, o sociólogo diz que a grande força desses movimentos é a ausência de líderes e enxerga um esgotamento do modelo atual de representatividade. Autor de 23 livros, ele lança em breve “Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet” (Zahar Editora). Castells foi professor da Universiade de Berkeley, na Califórnia, por 24 anos. Atualmente, vive em Barcelona, na Espanha, de onde falou à ISTOÉ por e-mail, e é professor da Universidade Aberta da Catalunha e da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
ENTRE-02-IE-2276.jpg
“As críticas de José Serra (às iniciativas de Dilma) são típicas da
incompreensão dos políticos sobre o direito das pessoas de decidir”
ENTRE-03-IE-2276.jpg
“A grande força desses movimentos é que eles
são espontâneos, livres, uma celebração da liberdade.
O Occupy deixou novos valores para os americanos”
Fotos: Marcelo Justo/Folhapress; EPITáCIO PESSOA/AE; Stan HONDA/afp

Istoé - O sr. estava no Brasil quando ocorreram os primeiros protestos em São Paulo. Podia imaginar que eles tomariam essa proporção?
Manuel Castells - Ninguém podia. Mas o que eu imaginava, e pesquisei durante vários anos, é que a crise de legitimidade política e a capacidade de se comunicar através da internet e de dispositivos móveis levam à possibilidade de que surjam movimentos sociais espontâneos a qualquer momento e em qualquer lugar. Porque razões para indignação existem em todos os lugares.
Istoé - O Brasil reduziu muito a desigualdade social nos últimos anos e tem pleno emprego. Como explicar tamanho descontentamento?
Manuel Castells - A juventude em São Paulo foi explícita: “Não é só sobre centavos, é sobre os nossos direitos.” É um grito de “basta!” contra a corrupção, arrogância, e às vezes a brutalidade dos políticos e sua polícia.
Istoé - Faz sentido continuar nas ruas se os problemas da saúde e da educação não podem ser resolvidos rapidamente, como o das passagens de ônibus?
Manuel Castells - Em primeiro lugar, o movimento quer transporte gratuito, pois afirma que o direito à mobilidade é um direito universal. Os problemas de transporte que tornam a vida nas cidades uma desgraça são consequência da especulação imobiliária, que constrói o município irracionalmente, e de planejamento local ruim, por causa da subserviência dos prefeitos e suas equipes aos interesses do mercado imobiliário, não dos cidadãos. Além disso, por causa da mobilização, a presidenta Dilma Rousseff também está propondo novos investimentos em saúde e educação. Como leva muito tempo para obter resultados, é hora de começar rapidamente.
Istoé - A presidenta Dilma agiu corretamente ao falar na tevê à nação, convocar reuniões com governadores, prefeitos e manifestantes para propor um pacto?
Manuel Castells - Com certeza, ela é a primeira líder mundial que presta atenção, que ouve as demandas de pessoas nas ruas. Ela mostrou que é uma verdadeira democrata, mas ela está sendo esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais. As declarações de José Serra (o ex-governador tucano criticou as iniciativas anunciadas pela presidenta) são típicas de falta de prestação de contas dos políticos e da incompreensão deles sobre o direito das pessoas de decidir. Os cargos políticos não são de propriedade de políticos. Eles são pagos pelos cidadãos que os elegem. E os cidadãos vão se lembrar de quem disse o quê nesta crise quando a eleição chegar.
Istoé - Como comparar o movimento brasileiro com os que ocorreram no resto do mundo?
Manuel Castells - Houve milhões de pessoas protestando dessa forma durante semanas e meses em países de todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de mil cidades foram ocupadas entre setembro de 2011 e março de 2012. A diferença no Brasil é que uma presidenta democrática como Dilma Rousseff e um punhado de políticos verdadeiramente democráticos, como Marina Silva, estão aceitando o direito dos cidadãos de se expressar fora dos canais burocráticos controlados. Esse é o verdadeiro significado do movimento brasileiro: ele mostra que ainda há esperança de se reconectar instituições e cidadãos, se houver boa vontade de ambos os lados.
Istoé - O que é determinante para o sucesso desses movimentos convocados pela internet?
Manuel Castells - Que as demandas ressoem para um grande número de pessoas, que não haja políticos envolvidos e que não haja líderes manipulando. Pessoas que se sentem fortes apoiam umas às outras como redes de indivíduos, não como massas que seguem qualquer bandeira. Cada um é seu próprio movimento. A brutalidade policial também ajuda a espalhar o movimento através de imagens na internet difundidas por telefones celulares.
Istoé - Por que tantos protestos acabam em saques e depredações? Como evitar que marginais se aproveitem do movimento?
Manuel Castells - Há violência e vandalismo na sociedade. É impossível preveni-los, embora os movimentos em toda parte tentem controlá-los porque eles sabem que a violência é a força mais destrutiva de um movimento social. Às vezes, em alguns países, provocadores apoiados pela polícia criam a violência para deslegitimar o movimento.
Istoé - Como a polícia deve agir?
Manuel Castells - Intervir de forma seletiva, com cuidado, profissionalmente, apenas contra os provocadores e os grupos violentos. Nunca, nunca disparar armas letais, e se conter para não bater indiscriminadamente em manifestantes pacíficos. A polícia é uma das razões pelas quais as pessoas protestam.
Istoé - A ausência de líderes enfraquece o movimento?
Manuel Castells - Pelo contrário, este é o vigor do movimento. Todo mundo é o seu próprio líder.
Istoé - Mas isso não inviabiliza a negociação com a elite política?
Manuel Castells - Não, a prova disso é que a presidenta Dilma Rousseff se reuniu com alguns representantes do movimento.
Istoé - Qual é a grande força e a grande fraqueza desses movimentos?
Manuel Castells - A grande força é que eles são espontâneos, livres, festivos, é uma celebração da liberdade. A fraqueza não é deles, a fraqueza são a estupidez e a arrogância da classe política que é insensível às demandas autônomas de cidadãos.
Istoé - No Brasil, partidos políticos foram banidos das manifestações e há quem enxergue nisso o perigo de um golpe. Faz sentido essa preocupação?
Manuel Castells - Não há perigo de um golpe de Estado. Os corruptos e antidemocráticos já estão no poder: eles são a classe política.
Istoé - Como resolver a crise de representatividade da classe política?
Manuel Castells - Com reforma política, com uma Assembleia Constituinte e um referendo. A presidenta Dilma Rousseff está absolutamente certa, mas, nesse sentido, ela será destruída por sua própria base.
Istoé - Essas manifestações articuladas através das redes sociais demandam uma nova forma de participação dos cidadãos nos processos de decisão do Estado? Qual?
Manuel Castells - Sim, esta é a nova forma de participação política emergente em toda parte. Analisei este mundo em meu livro mais recente.
Istoé - O que há em comum entre os movimentos sociais contemporâneos?
Manuel Castells - Redes na internet, presença no espaço urbano, ausência de liderança, autonomia, ausência de temor, além de abrangência de toda a sociedade e não apenas um grupo. Em grande parte os movimentos são liderados pela juventude e estão à procura de uma nova democracia.
Istoé - O movimento Occupy, nos EUA, foi derrotado pela chegada do inverno. Que legado deixou?
Manuel Castells - Deixou novos valores, uma nova consciência para a maioria dos americanos.
Istoé - Os Indignados espanhóis conseguiram alguma vitória?
Manuel Castells - Muitas vitórias, especialmente em matéria de direito de hipoteca e despejos de habitação e uma nova compreensão completa da democracia na maioria da população.
Istoé - Que paralelos o sr. vê entre o movimento turco e o brasileiro?
Manuel Castells - São muito similares. São igualmente poderosos, mas a Turquia tem um primeiro-ministro fundamentalista islâmico semifascista e o Brasil, uma presidenta verdadeiramente democrática. Isso faz toda a diferença.
Istoé - Acredita que essa onda de protestos se espalhará para outros países da América Latina?
Manuel Castells - Há um movimento estudantil forte no Chile, e embriões surgindo na Colômbia, no México e no Uruguai.
Istoé - Países que controlam a internet, como a China, estão livres dessas manifestações?
Manuel Castells - Não, isso é um erro da imprensa ocidental. Há muitas manifestações na China, também organizadas na internet, como a da cidade de Guangzhou (no sul do país), em janeiro passado, pela liberdade de imprensa (o editorial de um jornal foi censurado e isso motivou as primeiras manifestações pela liberdade de expressão na China em décadas. Pelo menos 12 pessoas foram detidas, acusadas de subversão).
Istoé - Como o sr. vê o futuro?
Manuel Castells - Eu não gosto de falar sobre o futuro, mas acredito que ele será mais brilhante agora porque as sociedades estão despertando através desses movimentos sociais em rede.
Daniela Mendes
No IstoÉ
Leia Mais ►

Brasil: uma falsidade política permanente

A Constituição Federal de 1988 abre-se com a declaração de que “a República Federativa do Brasil é um Estado Democrático de Direito”. Na realidade, porém, o Estado Brasileiro não é republicano, nem democrático, nem tampouco um verdadeiro Estado de Direito.
Não é republicano, porque nesta terra, desde o Descobrimento, o interesse privado sempre prevaleceu sobre o bem público. Não é democrático, porque o povo nunca chegou a ter voz ativa na vida política. Enfim, não é um autêntico Estado de Direito, porque o grupo oligárquico, que sempre deteve o poder supremo e é a fonte primária de toda a corrupção, foge a qualquer controle jurídico.
Eis porque as últimas manifestações de protesto nas ruas das principais cidades do país constituem um fato histórico alvissareiro. Pode-se dizer que o povo cansou-se afinal do papel de mero figurante no teatro político e manifestou o desejo de assumir doravante a posição de verdadeiro titular do poder soberano.
Agora, é chegado o momento de o povo reivindicar o uso direto dos adequados instrumentos de decisão. Nesse sentido, tive oportunidade de elaborar e apresentar ao Congresso Nacional algumas proposições específicas.
A primeira delas é o Projeto de Lei nº 4.718, de 2004, cuja tramitação acha-se paralisada na Câmara dos Deputados. Ele dá ao povo a iniciativa de realização de plebiscitos e referendos, tendo por objetos principalmente a efetivação das normas constitucionais referentes à educação, à saúde e à previdência social. Ou seja, em vez de viver na vã esperança de receber, de tempos em tempos, pobres favores governamentais, o povo passará a exigir dos governantes o cumprimento do seu dever dar, mediante as políticas públicas adequadas, a constante efetivação dos direitos humanos de caráter social.
E se isto não acontecer? É aí que entra em jogo minha outra proposição, oferecida aos Senadores Eduardo Suplicy e Pedro Simon, e já transformada na Proposta de Emenda Constitucional nº 73, de 2005. Trata-se de dar ao povo o poder de destituir os agentes públicos por ele eleitos, antes mesmo de encerrado o seu mandato. É o recall, existente há muito tempo na Suíça e nos Estados Unidos.
Deus permita que os líderes dos principais movimentos sociais, que desencadearam as recentes manifestações de protesto, saibam unir-se para exigir a aprovação desses instrumentos de radical transformação do sistema político brasileiro!
Fábio Konder Comparato
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

A esquerda não pode piscar

http://www.rededemocratica.org/images/2013/03/mobilizacao_popular.jpg 
O Brasil ingressa num ciclo de turbulência do qual a democracia participativa poderá emergir como parteira de uma sociedade mais equilibrada e justa.
Mas a esquerda não pode piscar.
A disputa fratricida, hoje, é o coveiro das esperanças nacionais.
Nos anos 50, um pedaço das forças progressistas só foi perceber o seu lado no jogo quando o povo já incendiava os carros do jornal 'O Globo', em resposta ao tiro com o qual Getúlio encerrou a sua resistência e convocou a das massas.
Ontem, como agora, o enclausuramento ideológico, o acanhamento organizativo e a dispersão programática pavimentam o caminho da ameaça regressiva.
É a hora da verdade de toda uma geração.
Cabe-lhe sustentar um novo desenho progressista para o desenvolvimento do país.
Um notável volume de investimentos é requerido para adequar a logística social e a infraestrutura às dimensões de uma nação que incorporou milhões de pobres ao mercado de consumo nos últimos anos.
Agora lhes deve a cidadania.
O novo giro da engrenagem terá que ocorrer num momento paradoxal.
A recuperação norte-americana encoraja as apostas no fim da crise, mas complica a mecânica do crescimento na periferia do mundo, encarecendo o custo do capital.
Asfixiada antes pela valorização do Real, a indústria brasileira agora é o canal de transmissão da alta do dólar nos índices de preços, por conta das importações.
Dotado de uma base fabril atrofiada pelo irrealismo cambial, o país importa quase 25% das manufaturas que consome.
A sangria transfere empregos ao exterior e corrói o principal irradiador de inovação em um sistema produtivo, ademais de fragilizar as contas externas.
O déficit comercial da indústria este ano alcançará o equivalente a 20% das reservas cambiais.
É só um vagalhão da tempestade perfeita que cobra respostas em várias frentes: prover a infraestrutura, combater a inflação, resgatar a industrialização, dar progressividade ao sistema tributário, ajustar o câmbio, modular o consumo.
Tudo junto e com a mesma prioridade.
A urgência das ruas sacudiu essa equação que há menos de um mês tornava a economia cada vez mais permeável a uma transição de ciclo preconizada pelo conservadorismo.
Com um título sugestivo, ‘Um Plano para Dilma’, coube ao editorial da Folha de 02/06, como já comentou Carta Maior, enunciá-la em detalhes.
O ‘plano’ consistia em impor ao país o projeto derrotado em 2002, 2006 e 2010.
A saber: arrocho fiscal e monetário; entrega do pré-sal às petroleiras internacionais; redução dos gastos sociais e dos ganhos reais de salários; renúncia ao Mercosul e adesão aos tratados de livre comércio.
Essa plataforma envelheceu miseravelmente nas últimas horas.
Mas não foi arquivada.
O interesse conservador que antes pretendia usar o governo para escalpelar as ruas, subtraindo-lhe conquistas e recursos na ordenação de um novo ciclo, agora quer usar as ruas para desidratar o governo.
A bipolaridade reflete a ansiedade típica de quem sabe que joga a carta do tudo ou nada.
Não por acaso, o jornalismo a serviço do dinheiro já constata receoso: ‘o que a rua pede colide com o que o mercado pretende'. (Valor Econômico)
Curto e grosso: o espaço para um ajuste convencional se estreita na rota de colisão entre a agenda do Estado mínimo e a da Democracia Social.
Quem dará coerência ao desenvolvimento brasileiro a partir de agora? - perguntava Carta Maior há menos de um mês.
Antes turva, a resposta desta vez emerge mais limpa.
A nova coerência macroeconômica terá que ser buscada na correlação de forças redesenhada pelas grandes multidões que invadiram as ruas nas últimas semanas.
Emparedado pela lógica conservadora o governo Dilma passou a ter escolhas.
E o PT ganhou a chance de se reinventar, explicitando uma agenda clara para o passo seguinte da história.
Sua e a do país.
O bônus não autoriza o conjunto das forças progressistas a adotar a agenda da fragmentação suicida.
O focalismo cego às interações estruturais é confortável como um conto de fadas, em que a varinha de condão substitui as prioridades orçamentárias.
O descompromisso com partidos e organização dá leveza e audiência na mídia conservadora.
Mas levam ao impasse autodestrutivo e à inconsequência histórica.
Em entrevista ao correspondente de Carta Maior em Londres, Marcelo Justo, o pesquisador Paolo Gerbaldo, do Kings College, lembra que os indignados do Cairo rechaçaram os partidos na praça Tahrir. E abriram caminho a um governo desastroso da Irmandade Muçulmana no Egito.
Não se faz política sem poder; não se conquista poder sem disputar o Estado.
A responsabilidade de interferir num processo histórico pressupõe a adoção de balizas e estruturas que impeçam o retrocesso e assegurem coerência às mudanças.
Sem alianças aglutinadoras, nada feito. Sem construir linhas de passagem entre o real e o ideal, semeia-se angústia e decepção.
O jogo é pesado.
Limites estritos à ação convergente do Estado (mínimo) foram erguidos em todo o mundo nos últimos 30 anos.
A liberdade dos capitais manteve nações, projetos, partidos e governos sob chantagem impiedosa.
Domínios insulares foram instalados no interior do aparato público.
O conjunto elevou a tensão política que explode periodicamente, como agora - como em 2002, em 2006 e em 2010 - quando os mercados blindados se preparam para enfrentar a democracia insatisfeita nas urnas.
Teoricamente, essa é a hora em que o bancário e o banqueiro tem o mesmo peso no escrutínio do futuro.
Na prática, a locomotiva dos grandes levantes populares é que delimita a fronteira da democracia social em cada época. A urna, em geral, dá o acabamento do processo.
A alavanca brasileira, no caso, foram os levantes operários do ABC paulista dos anos 70/80 e a luta cívica contra a ditadura militar.
Nasceria daí o PT.
E o subsequente ciclo de governos do partido, caracterizado pela negociação permanente do divisor entre os dois domínios, o do dinheiro e o dos interesses gerais da sociedade.
Negociou-se ‘sem romper contratos’ durante os últimos 12 anos.
Com acertos, equívocos e hesitações fartamente listados.
Ainda assim, o saldo configura ‘um custo Brasil’ intolerável aos interesses acantonados no polo oposto do braço de ferro.
Um dado recente do Ipea explica essa rejeição: a renda dos 10% mais pobres cresceu 550% mais rápido do que a dos 10% mais ricos, no Brasil dos últimos 12 anos.
Avançar à bordo da composição de forças que delimitou a ação progressista até aqui tornou-se cada dia mais penoso.
Não apenas por conta do esgotamento real de um ciclo econômico.
Mas também porque se descuidou de prover a sociedade de canais democráticos para comandar o passo seguinte do processo.
A ausência de regulação que assegurasse um sistema audiovisual pluralista entregou a opinião pública à Globo.
A negligência com a organização democrática dos segmentos mais beneficiados pelas políticas públicas estreitou o seu foco nas gôndolas dos supermercados.
Faltava a locomotiva da história apitar outra vez para esticar os limites do possível na discussão do novo ciclo de crescimento que o país requer.
Foi o que as ruas fizeram.
A presidenta Dilma viu o bonde passar e não hesitou. Reagiu na direção certa.
Ao propor uma reforma plebiscitária para redesenhar os perímetros da democracia, deixou implícito - queira ou não - que a soberania popular é também o único impulso capaz de harmonizar as balizas do novo ciclo de desenvolvimento.
Não é pouco o que se tem sobre a mesa.
Vive-se um meio fio histórico.
De um lado, há a chance de uma ruptura efetiva do desenvolvimento brasileiro com a camisa de força do neoliberalismo.
De outro, a espiral descendente dos impasses pode jogar o país no abismo de uma recaída ortodoxa devastadora.
O tempo urge.
Terão as lideranças progressistas discernimento e prontidão suficiente para negociar uma agenda comum feita de bandeiras, fóruns e ações que ordenem essa travessia?
A ver.
Saul Leblon
No Blog das Frases
Leia Mais ►

Fidel Castro saluda “formidable reunión” de Petrocaribe en Nicaragua

Foto de Archivo
Foto de Archivo
Querido Daniel:
Con mucha satisfacción acabo de escuchar tus excelentes intervenciones en la VIII Cumbre de Petrocaribe. Fue muy justo que la sede de esa reunión hubiese correspondido a Nicaragua, un país que fue capaz de superar el artero golpe del imperio bajo el gobierno de uno de los farsantes más incultos y cínicos, seleccionado por la oligarquía de Estados Unidos.
Con dinero de las drogas y de las armas, extrajo de las prisiones de Venezuela al principal terrorista del grupo formado por la CIA para destruir en pleno vuelo el avión cubano de línea donde viajaban 73 personas a bordo, entre ellas, los jóvenes cubanos que acababan de ganar el Campeonato Centroamericano de esgrima.
En numerosos pueblos de Nuestra América, como Argentina, Chile, Bolivia, Ecuador, Venezuela, Panamá, México y otros, dejaron sus huellas sangrientas los asesinos a sueldo de Estados Unidos.
Sería interminable incluir en este mensaje la multitud de crímenes y saqueos que en el resto del mundo llevaron a cabo los gobiernos y las fuerzas represivas del imperio y sus bastardos cómplices.
A ti Daniel, y a Rosario, deseo felicitarlos por la formidable reunión de hoy.
No puedo dejar de mencionar, un día como este, la voz sincera, valiente y clara de Nicolás Maduro, un hombre de pura estirpe obrera, modesto, honrado y pobre, que nunca aspiró a cargo alguno y hoy se entrega a cumplir el deber que puso en sus manos el inolvidable Hugo Chávez, líder de la Revolución Bolivariana, cuando el azar de la vida le impidió seguir dedicando cada minuto, cada segundo, a lo que hoy constituye el más noble sueño de la humanidad.
Maduro ha demostrado el talento, integridad y energía que el gran líder supuso en él.
El talento brilla también entre los líderes que se reunieron en Managua. Estoy seguro de que ellos junto a la Patria de Bolívar y asociados a ella, luchan por el derecho de sus pueblos a la salud, la educación, el desarrollo y el bienestar material y moral.
No puedo concluir estas palabras sin expresar mis simpatías por Rafael Correa, Presidente de Ecuador, que en estos precisos instantes, cuando el imperio amenaza con guerras y el posible empleo de armas sofisticadas a la República Popular China y a la Federación Rusa, dos poderosas naciones que nunca fueron potencias coloniales y hoy son víctimas de actitudes amenazantes de Estados Unidos, rechazó enérgicamente las amenazas del Presidente del Comité de Relaciones Exteriores del Senado, si se le concedía el asilo político solicitado a Ecuador por Edward Snowden.
Un comunicado de la Presidencia de la República expresa: “Ecuador no acepta presiones ni amenazas de nadie, y no comercia con los principios ni los somete a intereses mercantiles por importantes que estos sean”.
Felicidades a todos, Daniel. Para ti y Rosario un fuerte abrazo.
¡Hasta la victoria siempre! Como decía nuestro Comandante Hugo Chávez.
Fidel Castro Ruz
Junio 29 de 2013
11 y 21 p.m.
Leia Mais ►

“Chega”, de Seu Jorge, é a pior canção de protesto de todos os tempos?

As manifestações ficaram órfãs de uma boa música-tema (o que talvez não seja uma má notícia).

Nenhuma música captou o espírito das manifestações.
A que ficou mais vinculada a elas, ironicamente, é um jingle da Fiat cantado por Falcão, do Rappa. “Vem Pra Rua” foi composta para a Copa das Confederações, portanto, antes das passeatas. Acabou ligada, de alguma maneira, aos protestos – mas não que fosse a trilha sonora de fato. Na verdade, se as multidões entoavam algum verso, eram os do Hino Nacional e olhe lá.
Na tentativa de ocupar esse espaço, Latino compôs “O Gigante Acordou”. Padrão Latino, ou seja, abaixo da crítica. Apesar disso, ninguém bate o trio formado por Seu Jorge, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha. Na quarta-feira, 26 de junho, eles lançaram no YouTube “Chega (Não é Pelos Vinte Centavos)”.
Não é só o timing que é equivocado. A composição é um primor de falta de noção. Desde Agepê ninguém rimava “respeito” com “direitos”, “cara” e “rara”, “saúde” e “atitude”, “impunidade” e “desigualdade” com essa desfaçatez.
Seu Jorge e Moura eram colegas no grupo Farofa Carioca, banda cult elogiada sobretudo por quem nunca a ouviu. Pretinho da Serrinha, novo protegé de Caetano Veloso, parece constrangido entre os dois colegas. É evidente que, apesar de seus esforços, eles não entenderam o que aconteceu – e, se bobear, assistiram as manifestações da sala do apartamento.
Como no caso de Pelé, que entrou de forma desastrada no debate, alguém podia tê-los aconselhado a ficar calados: “Olha, legal a ideia, bonita a intenção, mas o momento já é outro. Não dá pra mandar todo mundo pra rua se o pessoal está voltando pra casa. É ou não é, galera? Que tal o ‘Samba do Impeachment’? Hem, hem?”. Num caso extremo de ninguém concordar, talvez fosse o caso de quebrar um cavaquinho e simular um enfarto.
“Chega” é a pior canção de protesto de todos os tempos. Falta-lhe de tudo um pouco: uma letra que retrate de modo original o que acontece no Brasil; uma melodia assobiável; uma boa interpretação; a hora certa.
Esse movimento não consagrou nenhuma canção. Não houve uma “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, uma “Vai Passar” ou algo do tipo. Não chega a ser, obviamente, um problema. Além do mais diante das alternativas apresentadas.
Kiko Nogueira
No DCM

Leia Mais ►

O aclamado show dos Stones em Glastonbury


Leia Mais ►

Feliciano é a Ponta de Lança da Ameaça de Um Golpe de Estado


Todos que trabalham com a Arte
ou mesmo com seres humanos
e os que se sentem mortais, humanos,
estão putos com esta situação
na Comissão dos Direitos Humanos
que anuncia coisa pior:
o Congresso agora vai votar por uma proposta-lei
dos Evangélicos Fundamentalistas
pra derrubar o Estado Laico Brasileiro.

Esta ação política corresponde a um Golpe Militar no Estado Democrático Republicano Brasileiro,
que há mais de séculos tem sido, felizmente, um Estado Laico.

A regressão aos estados fundamentalistas tem sido a causa de inúmeras guerras e de situações estupradoras monstruosas dos direitos humanos em todo Planeta Terra.

Precisamos todos nos movimentar urgentemente para impedir este Golpe de Estado para não sermos condenados a desumanidade das Ditaduras das Religiões Fundamentalistas.

Este Infeliz Feliciano é a Ponta de Lança da Ameaça de Um Golpe de Estado tão nefasto quanto o de 1964.

Além dos artistas, nós todos, mortais humanos, que assim se aceitam
e que não temos versão única da vida, da “verdade”,
nem somos proprietários dela,
que amamos a liberdade
temos de criar juntos meios
para que esta regressão nefasta de aprisionamento da vida aqui no Brasil não aconteça.

É trabalho não somente de artista, mas de todos os humanos que tem amor ao Poder de nossa Condição Humana livre de tutela da Boçalidade Fundamentalista de uma Verdade Única.


Dia do meu renascimento aos 76 anos
Do Blog do Zé Celso
No CHEbola
Leia Mais ►

“Sinto muito”: a carta aberta que Marco Feliciano deveria ter escrito

O pastor americano que pediu perdão por tentar “curar” gays é um exemplo para MF.
UN EVANGÉLICO ACUSADO DE HOMÓFOBO SIEMBRA POLÉMICAS EN EL CONGRESO BRASILEÑO
Ele
Marco Feliciano disse que o projeto da cura gay jamais passará no Congresso. Em seu cinismo, Feliciano atribuiu isso ao recuo dos deputados diante dos protestos. Feliciano ainda vai vender seu peixe de vítima, de homem que tentou defender os valores da família, mas foi vencido pelos incréus.
A cura gay é um mito duradouro. Nunca se viu enterro de anão, cabeça de bacalhau e um, ou uma, ex-homossexual. É um absurdo fundado numa mentira. E a história de uma organização evangélica americana chamada Exodus é didática.
A Exodus foi fundada 37 anos atrás em Anaheim, na Califórnia. Chegou a ter 260 filiais nos EUA. Tinha como missão curar homossexuais e encaminhá-los para o Senhor. No ano passado, o presidente, Alan Chambers, renegou a ideia de que a homossexualidade pudesse ser curada. Há alguns dias, foi a vez da própria Exodus fechar as portas.
É um sinal de que evangélicos não são imunes aos avanços na sociedade. Por mais que Feliciano e quejandos queiram que seus seguidores vivam no século XV, uma hora seu rebanho acorda no século XXI.
Chambers – que se orgulhava de ter salvado muitas almas em seu ministério – fez uma declaração pública admitindo seus erros, dirigida ao público LGBT.
“Eu sinto muito que alguns de vocês tenham passado anos com culpa e vergonha por sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Eu sinto muito por não ter conseguido dizer publicamente que os gays e lésbicas que conheci são tão capazes de ser bons pais quanto os heterossexuais. Eu sinto muito por ter declarado que vocês e suas famílias valem menos do que eu e a minha família.”
Chambers é casado com uma mulher e tem dois filhos adotados. Admitiu que sente atração por outros homens mas vive com essa tensão. Ele entende, porém, que outros podem não ter a mesma sorte. Para Chambers, 99% de seus “pacientes” não mudaram em nada.
“Eu sinto muito por não ter objetado contra pessoas ao meu lado que chamaram gays de sodomitas – ou pior. Eu sinto muito por ter promovido tratamentos de orientação sexual que estigmatizaram pais e filhos”, escreveu.
Feliciano sabe, no fundo, que não há a mais remota possibilidade de um psicólogo ou um pastor “curarem” um homossexual. Mas ele é esperto. Continuará com essa arenga porque mentiras desse tipo o sustentam. Ele jamais pedirá desculpas pelas barbaridades que fala.
“Curar” a homossexualidade de alguém só é mais fácil do que dar um jeito na picaretagem do pastor deputado. Essa não tem reorientação possível.
Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Para a frente ou para trás

 
Prejudicar manifestações de interesse público seria manifestar-se também, mas em marcha a ré
Se as arruaças de marginais forem motivo para opor-se à continuação das manifestações pacíficas, como se começa a perceber, estará dada aos governos e suas polícias a solução mais fácil contra os protestos e reivindicações. É só incentivar baderneiros. Ou, ainda mais simples, não os reprimir.
Os ataques a bens públicos e a quebradeira são revoltantes. Mas fazem parte da movimentação de protesto em sociedades com presença grande de marginalidade e delinquência. No Brasil temos vários outros casos de oportunismo arruaceiro na violência de torcidas violentas, em festas de massa como a Virada Cultural paulistana e mais. Nem por isso se acabaram os eventos.
As manifestações provocadas pelas passagens de ônibus já trouxeram resultados muito além de sua motivação. A partir dos R$ 0,20 nas passagens, estamos discutindo questões institucionais complexas. Seja o que for que daí resulte, esses temas não terão recuo, deles só se irá adiante, mais cedo ou mais tarde.
É difícil controlar as arruaças. Mas prejudicar, por isso, manifestações de interesse público seria manifestar-se também, mas em marcha a ré.
A Correria
Uma gloriosa exibição de cinismo coletivo ─ assim se define a repentina eficiência da Câmara e do Senado, demonstrada até na quantidade de horas de atividade parlamentar, além das aprovações de projetos já amarelados pelo tempo e pela perversão política.
As duas Casas do Congresso cumprem o seu dever de ouvir as ruas, dizem os dirigentes do Senado e da Câmara, com ares de pessoas ocupadas. Nos plenários, amplíssimas maiorias aprovam o que frearam ou recusaram, como no episódio inigualável dos ruralistas dando votos favoráveis ao projeto, que os levava à ira, contra o trabalho análogo à escravidão no campo.
Até quando trabalha, o atual conjunto de congressistas é a negação de um Congresso ao menos minimamente respeitável.
O Bom-Senso
Quatro helicópteros, inúmeros carros e motos da PM, contingentes de repórteres e fotógrafos, todos acompanhando metro a metro a passeata de moradores da Rocinha à moradia de Sérgio Cabral, na praia do Leblon. Tudo preparado pela certeza de uma baderna daquelas.
A PM não deixou que a passeata se aproximasse do acampamento montado, e permitido, por um grupo da classe média diante do prédio de Cabral. Agora, na certa viria o choque. Outra frustração: a passeata apenas tomou o caminho de volta, sob a mesma vigilância. Se alguma coisa foi quebrada, nos dois percursos, é o pé de quem pisou em um dos buracos da avenida Niemeyer recém-recapeada.
A Rocinha perdeu a viagem, mas quem não estava na passeata perdeu muito mais. A mensagem levada a Cabral era uma demonstração prática, e fundamental, da distância entre as alturas políticas e a realidade social: "Não precisamos de teleférico, use esse dinheiro para o saneamento de que nós precisamos". O planejado pelos governos estadual e federal é assim: no alto o bondinho suspenso, embaixo os valões de esgoto aberto entre as casas.
Não houve a baderna, logo, ninguém se interessou pelo que merecia interesse.
Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Conta outra, Datafolha

:
:
O instituto Datafolha até que dava para enganar um pouco enquanto estava se limitando a falar em queda da popularidade. Em momento de alarmismo seria possível muita gente que avalia a gestão Dilma como Boa passar a responder Regular. E voltar a responder "Boa" de novo após a poeira baixar.
Agora que o instituto divulgou essa pesquisa de intenção de voto, nem dá mais para levar a sério, tamanha a falta de lógica dos números.
Segundo o Datafolha, as intenções de voto em Dilma teria caído a 30%. Isso é exatamente igual ao que o instituto diz ser a avaliação de Ótimo/bom. Ninguém respondeu regular ? Me parece impossível. Vá lá que nesse momento, quase de histeria no noticiário, Dilma tenha perdido alguns pontos, mas não deve ser tanto assim. É preciso aguardar outras pesquisas mais confiáveis.
Marina Silva ter subido na pesquisa (de 16% para 23%) não deixa de ser previsível, apesar do número parecer inflado. Ela está apostando na negação da política, e este pode ter sido seu melhor momento.
O que queima o filme do Datafolha de vez, e não dá para acreditar, é que Aécio Neves (PSDB-MG), tenha subido (de 14% para 17%). Aécio é político tradicional e profissional. Ele nunca trabalhou em outra coisa na vida. Só em cargos nomeados por políticos, depois foi deputado, governador e agora senador. Tem imagem associada aos privilégios daquele tipo de político que ganha muito, usufrui das mamatas dos cargos, de nepotismo e trabalha pouco. Ele vem de família oligárquica política há pelo menos três gerações. Tem a imagem nítida do político rejeitado nas passeatas recentes. Não tem a mínima chance do tucano subir nas pesquisas neste momento.
Além disso, como explicar as passeatas em Belo Horizonte estarem entre as maiores e mais violentas? As críticas que estão tentando direcionar apenas para Dilma, atinge em maior grau Aécio. O que ele fez pela saúde e educação em Minas, quando foi governador? Em vez de construir hospitais e escolas fez um palácio bilionário em um centro administrativo. E foi ele quem controlou a licitação e contrato para reformas no Mineirão, e é o responsável por aceitar e pagar os custos das obras.
Aliás, em uma pesquisa feita apenas entre os manifestantes durante em Belo Horizonte, Aécio ficou em quarto lugar entre os presidenciáveis.
Por fim, ele não mostrou liderança durante os protestos, para se favorecer. Esperou a presidenta se manifestar para apenas rebater, e ainda foi na contramão da opinião pública, indo contra o plebiscito para a reforma política, coisa que conta com amplo apoio popular.
Então não dá para engolir esse estória de Aécio subido na pesquisa.
Eduardo Campos também subiu neste Datafolha sinistro (de 4% para 7%). É outro mistério. Ele também tem um perfil de político próximo ao de Aécio.
A lógica indica que nenhum político tradicional saiu propriamente bem na fita nestes protestos. Todos precisam dar respostas à população. Se Dilma realmente tivesse caído muito, a pesquisa deveria indicar queda de todos, ou então, pela lógica, a pesquisa não está honesta.
O Datafolha tem um histórico de soltar pesquisas, digamos, anormais, e favoráveis aos tucanos, em períodos distantes das eleições. Em maio de 2010, quando todos os outros institutos já mostravam Dilma ultrapassando Serra, o Datafolha destoava, e continuou mostrando Serra na frente até julho. Em agosto, o Datafolha se ajustou aos números dos demais institutos (Figura abaixo).
Por tudo isso não dá para levar essa pesquisa a sério. Temos que aguardar outras. Isso sem negligenciar a voz das ruas
Em tempo:
Leia Mais ►

O que dizem as pesquisas pós-manifestações

http://mundojovemteen.files.wordpress.com/2012/06/e-agora.jpg 
Algumas considerações sobre a pesquisa Datafolha registrando queda de popularidade de Dilma Rousseff.
Foi uma bela queda, mas Inês não é morta.
O que ocorreria se o Datafolha incluísse em sua pesquisa a avaliação sobre outros personagens da política: Geraldo Alckmin, Antônio Anastasia, Sergio Cabral, PT, PSDB, Aécio Neves, Congresso, STF? Todos registrariam queda similar. Foi o mundo político que desabou, não apenas um personagem ou outro. Obviamente, o personagem maior - a presidente - está exposta a desgaste maior.
Esta semana, pesquisa similar ao da Datafolha – contratado por um grupo de empreiteiras – revelou o seguinte:
  1. Queda de Dilma e Alckmin, Dilma um pouco mais, Alckmin um pouco menos.
  2. Queda expressiva tanto do PT quanto do PSDB. Incluindo aí o presidenciável Aécio Neves.
  3. Quem ganha são apenas Marina Silva, que sobe um pouco e Lula, que sobe mais – tanto na avaliação pessoal quanto do seu governo.
Chama atenção, no entanto alguns aspectos da pesquisa Datafolha:
  1. Mesmo tendo desabado, os índices de Dilma ainda são positivos. A maior parte dos que saíram do campo do ÓTIMO e BOM migrou para REGULAR. Agora, são 25% de RUIM e PÉSSIMO – um salto expressivo, ante os 9% da última pesquisa. Mas são 43% de REGULAR e 30% de ÓTIMO e BOM.
  2. O Datafolha omitiu a aprovação pessoal de Dilma. Como existe proporcionalidade entre a nota e a aprovação, analistas estimam que possa estar entre 55% e 58%.
  3. Em relação aos passos pós-crise, dois pontos a favor de Dilma. Em relação ao comportamento de Dilma frente aos protestos, 26% avaliaram como RUIM e PÉSSIMA contra 32% de ÓTIMA ou BOA e 36% de REGULAR. E 68% aprovaram a ideia do plebiscito.
Em suma, a bola continua com Dilma. Passado o impacto emocional das passeatas, sua maior ou menor aprovação dependerá de seus próximos passos. Se conseguir reestruturar seu governo e dar provas maiúsculas de melhoria de gestão e de interlocução, supera o momento. Se não conseguir, seu governo irá se arrastar até as eleições.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Alternativa

http://globoesporte.globo.com/platb/files//1089/2011/06/verissimo_baptistao.jpg 
Envelhecer é chato, mas consolemo-nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir. Há dúvidas, claro.
Muitos acreditam que com a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá. Enquanto isto vamos envelhecendo com a dignidade possível, sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.
Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos, ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado.
Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia corrupção? Havia, sim, não havia era investigação para valer. Havia prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência passando de general para general sem consulta popular, repressão criminosa à divergência, uma política econômica subserviente e um “milagre” econômico enganador.
Quem viveu naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre o “pensamento militar”, que decidia nossas vidas.
Ao contrario da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. E, se para garantir que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja.
Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa.
Sequer pensar que a alternativa seria preferível — como tem gente pensando — equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso aí, prefira a vida — e o voto.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Projeto de pôr deficiente para chutar bola na Copa está 50% pronto, diz Nicolelis


Cientista Miguel Nicolelis comanda o projeto "Andar de Novo"
O projeto de dar condições para que um paraplégico caminhe e dê o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014 está 50% concluído. O balanço foi divulgado neste sábado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, líder do grupo de pesquisadores que trabalha na construção de um esqueleto mecânico controlado por sinais cerebrais que deve ser apresentado ao mundo no dia 12 de junho, no Itaquerão.
Faltando pouco menos de um ano para o Mundial de 2014, Nicolelis concedeu uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro para falar do projeto "Andar de Novo". Segundo ele, apesar de atrasos iniciais, em dezembro, os primeiro exoesqueletos (esqueletos mecânicos) devem estar prontos para testes.
"Em setembro, teremos a primeira versão mecânica dos esqueletos", afirmou o cientista. "Em dezembro, vamos entregar os primeiros exoesqueletos para testes no Brasil."
Exoesqueleto é o nome que Nicolelis dá estruturas metálicas, em formato de membros humanos, que são acopladas ao corpo de uma pessoa com deficiência motora. O deficiente, por meio de sinais cerebrais, consegue comandar o movimento do exoesqueleto. Dessa forma, consegue movimentar braços ou pernas que já não se mexiam por causa de sua deficiência.
Há 15 anos, Nicolelis estuda os sinais cerebrais e tenta desenvolver a máquina que permitirá a um paraplégico, por exemplo, voltar a caminhar. Testes com macacos já comprovaram que os princípios do exoesqueleto funcionam. O cientista, agora, corre contra o tempo para conseguir fazer um ser humano mover pernas paralisadas com a ajuda dos equipamentos que ele ajudou a construir até a Copa.
"Queremos fazer isso no dia da abertura da Copa do Mundo para mostrar ao mundo que o Brasil também é um país da ciência e da tecnologia", complementou. "Trabalhamos para que tudo esteja pronto e para que uma pessoa com deficiência possa se levantar, caminhar até o centro do campo e dar o chute inicial do torneio."
Além de Nicolelis, mais de 100 pesquisadores trabalham no "Andar de Novo". Há gente envolvida no projeto na Alemanha, na Suíça, nos Estados Unidos e no Brasil.
Será no Brasil que serão selecionadas dez pessoas para os primeiros testes do exoesqueleto. Em julho, elas começam a ser treinadas em São Paulo para poderem usar os equipamentos no final do ano.
Nicolelis disse neste sábado que, devido à complexidade do "Andar de Novo", é impossível garantir que tudo estará pronto para ser apresentado ao mundo na Copa do Mundo. Ele, no entanto, ressaltou que não trabalha com outra hipótese. "Quando você decide fazer algo de verdade, você não pode pensar que não vai funcionar. Tem que funcionar."
Vinicius Konchinski
No Edu Futuro
Leia Mais ►

Protestos: não confie na grande mídia

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1841

Leia Mais ►

Dilma canta VEM PRA RUA

Leia Mais ►

Nem sempre uma causa tem somente um lado

Leia Mais ►

Jornal da Manchete - Ministro Ricúpero flagrado


Leia Mais ►