25 de jun de 2013

POSTV, de pós-jornalistas para pós-telespectadores

New York Times. “One group, called N.I.N.J.A., a Portuguese acronym for Independent Journalism and Action Narratives, has been circulating through the streets with smartphones, cameras and a generator held in a supermarket cart – a makeshift, roving production studio” (NYT, 20/6/2013, íntegra aqui).
Como diria Henfil, deu até no
N.I.N.J.A., sigla em português para Narrativas Independentes Jornalismo e Ação é o grupo responsável pela POSTV, sua mídia digital independente. E não nasceu agora, mas há um ano e meio, e está ancorada no movimento nacional Circuito Fora do Eixo. Nas manifestações que tomaram as ruas de várias capitais, ganhou maior visibilidade e chegou a picos de audiência de 120 mil espectadores. O que significa uma marca de 1,2 dos ibopes oficiais – e não é pouco, pois muitos programas da TV aberta não o atingem.
Nesses tempos fora do eixo e de paradigmas, talvez seja este o embrião da nova mídia do futuro que já é hoje – uma POSTV feita por pós-jornalistas, para pós-telespectadores.
Com seus smartphones e câmeras, eles protagonizam uma grande novidade na cobertura dessas manifestações e na alternativa à mídia tradicional. Segundo um dos ninjas, Bruno Torturra, trata-se de outra concepção de mídia. E sua diferença com a tradicional começa pela “honestidade, a ética, o posicionamento integrado dentro dos protestos e não lançando mão de analistas; sem drones, sem helicópteros, mas testemunhando. E a credibilidade pela não edição, a não mediação de interesses comerciais. A grande mídia teve e tem grande papel no tamanho da alienação política do país”.
“Tenho de ficar”
Mas o que é, e como é feita a POSTV? Na semana passada, no meio das manifestações, um garoto tuitava: “Não precisamos de mídia partidarista, temos celulares!”.
Síntese perfeita de novos tempos aos quais os jornalistas da mídia tradicional precisam ficar atentos. Enquanto a Globo ficava do alto de edifícios, sitiada, a mídia independente sempre esteve no meio das ruas nesses dias de rebelião. “Estamos aqui, do alto deste edifício”, diziam os repórteres globais. Mas quem quer ficar vendo manifestação do alto de edifícios?, eu me perguntei. E fui às redes, onde encontrei www.postv.org por meio de chamadas no Facebook, onde o N.I.N.J.A. tem uma página.
E vi, na noite/madrugada de terça-feira (18/6), a cobertura de Filipe Peçanha, 24 anos, comunicador da Casa Fora do Eixo já há alguns anos, documentando ao vivo, em São Paulo, durante horas e sem edição, os embates entre manifestantes e a tropa de choque da Polícia Militar, desde a Praça da Sé até a Avenida Paulista. “Antes de a polícia chegar, a manifestação era totalmente pacífica. Saímos por volta das 17 horas, demos a volta pelo Parque Dom Pedro, subimos de novo para a Sé, partimos para a Augusta. Em todo o trajeto que acompanhei, enquanto não houve polícia não houve tumulto. Daí voltamos porque soubemos dos incidentes na sede da Prefeitura. E voltamos para a Paulista, porque a tropa de choque foi para lá.”
Chegaram às 20 horas, não havia mais muitos manifestantes. Mas o painel da Copa do Mundo, da Fifa com Coca Cola, foi incendiado. Caíram muitas latinhas, um catador veio retirar e os manifestantes disseram: “Que bom, pelo menos alguém aproveita alguma coisa da Coca Cola”.
Estes relatos todos foram feitos pela POSTV. Quando chegou a polícia, manifestantes foram muito agredidos e um deles praticamente enforcado por meia dúzia de policiais. Filipe entrevistou dois rapazes de branco que ajudaram a apagar o fogo.
– Quem são vocês? Bombeiros?
– Não, nós somos protestantes.
– Protestantes? Da igreja?
– Não, viemos aqui por vontade própria protestar, mas somos contra o vandalismo.
“Depois”, conta Filipe, “entrevistei os dois de novo, sentados no meio fio. Um deles disse que tirar as latinhas do painel tudo bem, mas incendiar não, e que a PM estava de parabéns por ter acabado com aquilo.”
O repórter comentou: “Não, eu vi muita violência da PM, acho que você não viu o que eu vi”.
“Coloquei o meu ponto de vista”, diz Filipe.
Alguns criticam, via Twitter, e dizem que a cobertura não é plural. Responde Filipe: “Nós documentamos o que está acontecendo do ponto de vista de quem participa também. A Mídia Ninja se compreende como narrativa independente de jornalismo e ação, e essa ação é o ativismo, que nos coloca em movimento em tempo real, não só fazendo produção de conteúdo, mas também nos envolvendo com o processo. O Ninja está envolvido com as manifestações de rua. A gente estava dentro, junto com os manifestantes”.
Portanto trata-se de uma cobertura com lado. Mas quem não tem?
No meio das manifestações, eles dão voz a gente de todos os tipos e matizes, numa espécie de método socrático de entrevista. Como o rapaz que se dizia a favor do Movimento Passe Livre (MPL), mas contra partidos.
– E como você acha que deveriam dirigido o país?
– Ah, eu acho que quem devia dirigir é uma mulher de cabelos vermelhos que começou o movimento, não sei o nome dela.
– O país deveria ser dirigido por ela?
– É, eu acho. E não devia ter partidos.
– Mas o MPL não é contra partidos, você não apoia o movimento?
– Apoio, mas não nessa parte.
Um certo major Felix, durante os conflitos na Paulista, também foi entrevistado. Depois de muito tempo, deu este nome.
– Por que o senhor não está com a identificação na farda?
– (Sem resposta)
– Quem é seu comandante?
– Não sei.
– O senhor é comandando por ele e não sabe o nome dele?
Outra entrevista, feita em Belo Horizonte, palco de repressão violentíssima da Força Nacional em dia de jogo, no sábado (22/6), houve outra entrevista parecida feita por Gian Martins. Transmiti a íntegra do Facebook, onde muitos de nós sabemos que há censura e a sentimos, mas foi deletada, junto com vários outros posts referentes às manifestações. Mais ou menos assim, era uma espécie de coletiva de um coronel no meio da rua:
POSTV- A proibição de manifestações em capitais onde há Copa, imposta pela Fifa, na cria um Estado de exceção?
Coronel - Não posso opinar, mas quando você elege um representante político, está dando a ele um cheque em branco...
Depois de algum tempo a POSTV se retira e comenta: “Jornalistas são muito redundantes em suas perguntas, só querem saber quantos feridos.
Repórter do Hoje em Dia: “Que pergunta não foi feita?”
POSTV quer que conversem, mas o colega vai embora.
“É uma pena”, diz ele, “poderia ser um bom debate.”
Em certo momento a POSTV, junto a várias pessoas, leva gás lacrimogêneo e ninguém tem vinagre. Um fogo de artifício desencadeou o gás e muitas cacetadas.
“Estou com medo”, diz o repórter da POSTV na Praça Sete, que já estava havia doze horas trabalhando direto.
Já em Salvador, um colaborador que se juntou à POSTV no sábado (22/6), também dia de jogo de Copa e de manifestações, e de repressão violenta, que conquistou 8 mil pós-espectadores, exclamava: “Quero ver agora quem diz que baiano é preguiçoso”, enquanto corria esbaforido da polícia pelas ruas de Salvador. Atingido por gás pimenta, foi se recuperar no banheiro do Shopping Iguatemi, teve de tirar a camiseta e lavar, porque “ardia como churrasquinho”.
“Eu não vou embora, eu tenho de ficar” ele dizia. Em outro momento, comentou que um policial pediu para diminuírem o gás. Nem eles estavam aguentando.
Colaboradores no Brasil e no exterior
Pós-repórteres “precisam ter disposição e também coragem de ficar no meio dos manifestantes, questionar a polícia e os próprios manifestantes”, diz Bruno Torturra.
O bravo pós-repórter de Salvador é novíssimo membro da mídia, ofereceu seus serviços em cima da hora. Assim tem acontecido na POSTV por esses dias. Muita gente chegando, de todo o país e do exterior - onde várias transmissões são feitas na Europa, com brasileiros se solidarizando ao movimento.
No domingo (23/6), a página do NI.N.J.A. no Facebook postou uma convocação de correspondentes para ajudar na cobertura em tempo real dos protestos:
“Fotógrafos, repórteres, cinegrafistas, cidadãos a fim de entrar em nossas tropas, escrevam para midianinja@gmail.com dizendo de onde são e como podem colaborar. Estamos começando a cadastrar gente do país todo. Primeiro passo na montagem de uma rede nacional de jornalismo independente antes do lançamento do nosso site. Quem anima?”
Em 30 minutos já havia 125 compartilhamentos. No dia 24, até às 19 horas, havia 735 “curtir” e 413 compartilhamentos. Gente oferecendo material de todos os cantos, gente perguntando o que é preciso, muita gente.
Segundo Bruno Torturra, é impossível dizer o número de colaboradores porque, devido ao caráter de rede, há pessoas que se dispõem a ser um ninja por um dia, ou por horas. Na quinta-feira (20/6), o N.I.N.J.A. cobriu 50 cidades. Em São Paulo, o núcleo é de seis a oito pessoas, com idade média de 22 anos e nenhum com formação jornalística.
A cobertura via internet chama-se streaming. Da Wikipédia:
Streaming, fluxo de mídia, é uma forma de distribuir informação multimídia numa rede através de pacotes. É frequentemente utilizada para distribuir conteúdo multimédia através da Internet. Em streaming, as informações multimédia não são, usualmente, arquivadas pelo usuário que está recebendo o stream (a não ser a arqueação temporária no cache do sistema ou que o usuário ativamente faça a gravação dos dados) - a mídia é reproduzida à medida que chega ao usuário, desde que a sua largura de banda seja suficiente para reproduzir os conteúdos em tempo real. Isso permite que um usuário reproduza conteúdos protegidos por direitos de autor, na Internet, sem a violação desses direitos, similar ao rádio ou televisão aberta. A informação pode ser transmitida em diversas arquiteturas, como na forma Multicast IP ou Broadcast.”
A POSTV utiliza o TwitCasting, mas é possível usar também o Android, entre outras plataformas. E o trabalho é completamente copyleft. Em todas as praças, eles explicam como transmitem e convocam as pessoas a também serem o que chamam de “midialivristas”. Com um celular, uma banda 3G e um laptop na mochila para recarregar. A cada meia hora saem do ar, recarregam e voltam em minutos. Claro que perdem espectadores; os insistentes voltam, outros chegam.
Há dificuldades de sinal quando há muita gente com celular, há raros locais com wi-fi. “Fazemos cobertura de rua faz tempo, criando tecnologia há um ano e meio”, conta Bruno Torturra. E não é só streaming. A mídia tem fotógrafos que mandam da câmera para o fone, do fone para a rede, e a cobertura é instantânea na página do Facebook. “A gente faz o que dá, mas vai até o fim. Se não tem 3G, temos alguém com carro, que leva o cartão do fotógrafo até onde encontra internet e volta”.
Liberdade de expressão e força da rede
O projeto começou em junho de 2011, após o sucesso das transmissões ao vivo das Marchas da Maconha e da Liberdade, em São Paulo, Depois, foram lançados alguns programas, como o Supremo Tribunal Liberal (Claudio Prado), o Segunda Dose (Bruno Torturra) e Desculpe a Nossa Falha (Lino Bocchini). E começaram as transmissões de festivais independentes de música em todo o país.
Eles explicam que a POSTV, na prática, reinventa e potencializa a tecnologia do streaming, baseando-se em dois pontos centrais: “Liberdade de expressão absoluta (aproveitando que não temos anunciantes nem padrinhos) e a força da nossa rede, que é grande e divulga forte todos os programas”.
Os formatos também são livres: programas de debate, transmissão de shows, sofá armado no meio da rua com o apresentador entrevistando os passantes. E como estão na internet sempre ao vivo, a interatividade é outro ponto responsável pelo sucesso da iniciativa. Quem está assistindo manda comentários e perguntas por Twitter, e-mail e até mesmo entra por Skype e participa do papo. Já deram vários furos, como as imagens da prisão do rapper Emicida durante um show em Belo Horizonte. E também foi o veículo escolhido pelo ex-ministro Franklin Martins para sua primeira entrevista após deixar o governo.
E o financiamento? Quem sustenta?
A rede Ninja faz parte do Circuito Fora do Eixo; em São Paulo tem base em uma das Casas, no Cambuci. Circuito Fora do Eixo é uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais das regiões centro-oeste, norte e sul no fim de 2005. Começou com uma parceria entre produtores das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR) que queriam estimular a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos nesta rota desde então batizada de Circuito Fora do Eixo.
Hoje o circuito está em 25 das 27 unidades federativas do Brasil. O sul, o centro-oeste, o sudeste e o norte são regiões totalmente associadas, já que contam com todos os estados inclusos. Há 72 pontos espalhados pelo país, que “gostam de produzir eventos culturais, debater comunicação colaborativa, pensar sustentabilidade, pensar políticas públicas da cultura”.
Dezesseis gestores de diferentes pontos do Brasil migraram para São Paulo, formando a Casa Fora do Eixo SP, nos limites da Liberdade. “Mas basicamente, nós experimentamos, compartilhamos e aprimoramos tecnologias livres de se produzir cultura”, dizem em seu site.
Atualmente a sustentabilidade da POSTV se dá via Circuito Fora do Eixo, mas continuam as discussões sobre crowdfunding – ou financiamento coletivo, que consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo por meio da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas nos projetos – e toda e qualquer ideia de autossustentabilidade.
Aliás, na terça-feira (25/6) foi convocada uma discussão aberta na Praça Roosevelt, em São Paulo, atual “Praça Rosa”, para “discutir as saídas para garantir a comunicação como um direito e não como um simples negócio comercial”.
Esta é a integra da convocação
“A cobertura das manifestações mostrou que a velha mídia está mais caduca do que nunca, mas que ainda tem um grande poder. A mídia tradicional no Brasil é concentrada, nada plural e nada diversa. Muitas vezes ela se comporta como um partido político, tentando dar a pauta e organizar os setores mais conservadores. Enquanto isso, a internet tem sido o espaço arejado de diálogo e organização, mas o acesso à rede ainda é limitado a 40% das residências, com um serviço péssimo das empresas de telecomunicações, que ainda querem acabar com a neutralidade da rede. As grandes corporações que atuam na rede faturam bilhões sobre a violação de privacidade dos usuários, e vários governos usam essas informações para controlar os cidadãos. Venha discutir as saídas para garantir a comunicação como um direito e não como um simples negócio comercial.
Censura no Facebook
No sábado (22/6), amigos denunciaram no Facebook o bloqueio da página do N.I.N.J.A.
“Fomos denunciados por conteúdo impróprio ou pornográfico. Estão ‘analisando o caso’. Mas não tivemos qualquer argumento detalhado ou chance de defesa escrita. Acreditamos que pode ter sido fruto de denúncias de usuários contra fotos da manifestação anti-cura gay, anti-Feliciano de ontem. Fotos em que não havia qualquer pornografia, apenas material de afeto e felicidade explícita. Pedimos que compartilhem e pressionem o Facebook a recolocá-la no ar. Infelizmente, por enquanto, essa é nossa principal plataforma de divulgação da nossa dedicada cobertura independente dos protestos no Brasil.”
A página foi desbloqueada depois de cerca de quatro horas. O mesmo não aconteceu com a do jornal Brasil de Fato, bloqueada desde o dia 16 de junho. Os jornalistas não conseguem postar a não ser com um programa especial (ver aqui).
Portanto, não se trata de paranoia, e existem páginas em todo o mundo denunciando a censura no Facebook. No ano passado, jornalistas, escritores, poetas e artistas protagonizaram um “Dia contra a Censura ao Nu no Facebook”. O robô censor de Mark Zuckerberg atira a esmo e censura qualquer nu, seja de Michelangelo, Leonardo, os grandes clássicos e/ou menos famosos. Nem Lady Godiva escapou. Além de mães amamentando, que são alvos planetários da censura facebookiana. O protesto consistiu em publicar nus variadíssimos e foi parar nos jornais.
Instalou-se a discussão sobre quem censura. Robôs? Censores contratados? Denúncias de anônimos? Muitos concluíram que se trata de todas as alternativas, em vigor até hoje. O portal UOL divulgou texto, no ano passado, afirmando a existência de censores contratados em todo o mundo por um dólar a hora de trabalho. Além de imagens, textos também são censurados. O que se estranha é que, por mais que denúncias sejam feitas, páginas como “Golpe Militar 2014” continuem no ar, assim como páginas neonazistas e propagadoras de violência (ver aqui).
O poeta, ensaísta e tradutor Claudio Willer deste então compõe um dossiê sobre censura nesta rede, que até o dia 24 de junho contabilizava 61 relatos (ver aqui).
Elizabeth Lorenzotti é escritora e jornalista, autora de Suplemento Literário – Que Falta ele Faz (ensaio), Tinhorão, o Legendário (biografia) e As Dez Mil Coisas (poesia)
No Observatório da Imprensa
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Plebiscito para a Reforma Política


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Deputados que votaram pela “cura gay”

Estes foram os deputados que votaram a favor desta barbaridade chamada “cura gay”. Além das legendas nanicas, há algumas como PV, PSB e PDT. Vamos cobrar destes partidos. Compartilhem aos ventos.
Deputados a favor da cura gay 1
Deputados a favor da cura gay 2

No Lidiane Ramos Leal
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Chamem os garis!

Não é recomendável, para quem não tem estômago forte, assistir o vídeo acima.
Boris Casoy, cujo amor ao povo brasileiro foi bem expressado no seu comentário sobre os garis, esmera-se em caras e bocas contorcidas para atacar a proposta de reforma política do Governo Dilma Rousseff.
Sem contraditório e usando uma concessão pública, Boris chega a dizer, sobre a destinação dos royalties do petróleo à Educação, que estes virão de um “pré-sal que ninguém conhece” e que pode “demorar 10 anos, pelo menos, para render dividendos”.
Não é falta de informação, não.
É ódio, que transparece no rosto e na forma grosseira e debochada que sua face não esconde.
Em outros tempos e contexto, lembra o gestual do Dr. Strangelove do filme de Stanley Kubrick
Seria melhor que os garis, do alto de suas vassouras, comentassem em lugar de Casoy.
Não ia ser tão “artístico”, mas certamente ia ser bem mais equilibrado.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 1833

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O Coxinha – uma análise sociológica

Um fenômeno se espalha com rapidez pela megalópole paulistana: os “coxinhas”. É um fenômeno grandioso, que proporciona uma infindável discussão. A relevância do mesmo já faz com que linguistas famosos se esforcem em entender a dinâmica do dialeto usado por esse grupo, inclusive.
Afinal, quem são os coxinhas, o que eles querem, como esse fenômeno se originou?
O que eles são?
“Coxinha”, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado, e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não-mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade parecer engraçado ou bom moço.
Os coxinhas, basicamente, são pessoas que querem ostentar um status superior, com códigos próprios. Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação.
Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são “politicamente corretos”, dentro de sua noção deturpada de política, e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica.
A Origem
Existem muita controvérsia a respeito do tema. Já foram feitas reportagens para elucidar o mistério, sem sucesso, mas é hora de finalmente  revelar a verdade a respeito do termo.
 A origem do termo “coxinha”, como referência a esse grupo diferenciado, não tem nada de nobre. O termo é utilizado, ao menos desde a década de 80, para se referir aos policiais civis ou militares que, mal remunerados, recebiam também vales-alimentação irrisórios, também conhecidos como “vales-coxinha” (os professores também recebem, mas não herdaram o apelido). Com o tempo, a própria classe policial passou a ser designada, de forma pejorativa, como “coxinhas”. Não apenas por causa do vale, mas por conta da frequência com que muitos policiais em ronda, especialmente nas periferias das grandes cidades, acabam se alimentando em lanchonetes, com salgados ou lanches rápidos, por conta do caráter de seu serviço.
Reação da coxinha, o salgado injustiçado, ao ver seu nome associado ao grupo social
Os policiais, apesar de mal remunerados, são historicamente associados à parcela mais conservadora da sociedade, por atuarem na repressão aos crimes, frequentemente com truculência. Com o a popularização de programas policialescos como Aqui Agora, Cidade Alerta e Brasil Urgente, o adjetivo coxinha passou a designar também toda a parcela de cidadãos que priorizam a segurança antes de qualquer outra coisa. Para designar essa parcela que necessita de “diferenciação” e é individualista ao extremo, foi um pulo.
Expoentes
Não cabe citar socialites ou coisa do tipo. São pessoas que vivem em um mundo paralelo essas daí. Mas vou citar três criadores de tendências no universo coxinha:
1) O “engraçado”: Tiago Leifert
Um exemplo do que o Tiago Leifert trouxe pro jornalístico Globo Esporte: apostas
babacas envolvendo a seleção da Argentina
Uma característica importante do coxinha padrão é tentar ser descolado, descontraído e não levar as coisas a sério. E nisso o maior exemplo é esse figurão da foto acima. Filho de um diretor da Globo, cavou espaço na emissora para introduzir o jornalismo coxinha na grade de esportes da Globo. Jogos de futebol valem menos do que as piadas sem graça sobre os jogos, metade do Globo Esporte é sempre sobre vídeo-game ou sobre a dancinha nova do Neymar, e TUDO vira entretenimento, não esporte.
Prova disso são declarações do próprio, como a declaração em que ele diz que não leva o esporte a sério, ou quando fala que o Brasil não é o país do futebol, é o país da novela. Isso revela duas características do coxinha default: ele não aceita críticas (e isso fica claro pelo número imenso de usuários bloqueados no Twitter pelo Tiago Leifert – incluindo este que vos escreve) e ele não tem conteúdo, provocando polêmicas para aparecer. Tudo partindo, obviamente, da necessidade quase patológica de diferenciação.
2) O “bom moço”: Luciano Huck
A aparência de bom moço – só aparência
O apresentador, que revelou beldades como a Tiazinha e a Feiticeira na Band, na década de 1990, virou, na Globo, símbolo do bom-mocismo coxinha. Faz um programa repleto de “boas ações”, que, no fundo, são apenas uma afirmação de superioridade, da mesma forma que a filantropia dos Rockfellers no início do século XX. Puro marketing.
Quando você reforma um carro velho ou uma casa, além de fazer uma boa ação, você se autopromove. Capitaliza com o drama alheio mostra que, além de “bondoso”, você é diferente daquele que você está ajudando. Como preza a cartilha do bom coxinha.
Além disso, Luciano Huck é a representação da família bem sucedida e feliz. Casado com outra apresentadora da Globo, Angélica, forma um dos “casais felizes” da emissora. Praticamente uma cartilha de como montar uma família coxinha. “Case-se com alguém bem sucedido, tenha dois ou três filhos, e leve eles para festinhas infantis junto com outros filhos de famosos”.
Para se mostrar engajado e bom moço, Huck deu até palestra sobre sustentabilidade na Rio+20. Irônico, pra quem foi condenado por crime ambiental, em Angra dos Reis. Ele fez  uma praia particular sem autorização. Diferenciação, novamente. Isolamento. Características típicas do coxinha default. Assim como “ter twitter”. Mas o twitter dele é praticamente um bot, só serve pra afagar seus amigos famosos e mandar mensagens bonitinhas.
3) A “Coxinha Política”: Soninha Francine
Soninha, em evento do PPS: “onde foi que eu me enfiei?”
O terceiro e último (graças a Deus) exemplo de coxinha é a figura da imagem acima. Soninha Francine deve ser o maior caso de metamorfose política do Brasil. Até 2006 era petista convicta, mas o vírus da COXINHICE já afetava seu cérebro, a ponto dela sair na capa da Época em 2001 falando “eu fumo maconha”, provavelmente por um brilhareco.
Daí ela saiu do PT, entrou no PPS, caiu nos braços de José Serra e do PSDB paulista e se encontrou. Tenta conciliar a fama de “descolada”, adquirida nos anos como VJ da MTV, com uma postura política típica de um coxinha padrão: individualista e conservadora. E, pra variar, manifesta tais posturas via… Twitter. Emblemático foi o dia em que Metrôs BATERAM na Linha Vermelha e ela, afogada em seu individualismo, disse que não encarou nenhum problema e que o Metrô estava “sussa”. Assim como a acusação de “sabotagem” do Metrô às vésperas da eleição de 2010.
Soninha ajuda a definir o estereótipo do coxinha default. O coxinha tenta de forma desesperada parecer um cara legal, descolado e antenado com os problemas do mundo. Mas não consegue disfarçar seu individualismo e sua necessidade de diferenciação. Não consegue disfarçar seu rancor quando os outros passam a ter as mesmas oportunidades e desfrutar dos mesmos serviços que ele.
Conclusão
O coxinha é um fenômeno sociológico disseminado em vários lugares, mas, por enquanto, só “assumido” em São Paulo (em outras cidades, os coxinhas ainda devem ter outros nomes). Não por acaso, tendo em vista que São Paulo é um dos ambientes mais individualistas do Brasil.
São Paulo é uma das cidades mais segregadas do país. É uma cidade de grande adensamento no centro, com as regiões ricas isoladas da periferia. A exclusão é uma opção dos mais ricos. Eles não querem  se misturar com o restante da população. E, nos últimos anos, isso ficou mais difícil: não dá mais pra excluir meramente pelo poder econômico. Daí, é necessário expor um personagem, torná-lo um padrão, pra disseminar essa mentalidade individualista e conservadora: é aí que surge o coxinha.
E isso é bom. Porque o coxinha, hoje, é exposto ao ridículo pelo restante da sociedade. Até algum tempo atrás, ele era apenas um personagem latente. Ele não aparecia, portanto, não podia ser criticado ou ridicularizado. No final, o surgimento dos coxinhas só reflete a mudança do nosso perfil social. E, por incrível que pareça, o amadurecimento de nossa sociedade.
Leo Rossato
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A triunfal ascensão à base de asneiras de Marco Antônio Villa

Como o reacionarismo ululante de Villa deu a ele os holofotes da mídia apesar dos erros constantes.
Pobres leitores e pobres alunos: "O MPL não vale 20 centavos"
Pobres leitores e pobres alunos: “O MPL não vale 20 centavos”
Não tenho grandes expectativas em relação à academia brasileira, mas mesmo assim me surpreendi ao ler um artigo sem nexo na Folha, nas eleições de 2010, e ver que o autor era professor da Universidade Federal de São Carlos.
Pobres alunos, na hora pensei.
Não conhecia o professor Marco Antonio Villa, historiador não sei de que obras. No artigo, depois de ter entrado na mente de Lula, ele contava aos brasileiros que a escolha de Dilma se dera apenas para que em 2014 Lula voltasse ao poder, nos braços da “oligarquia financeira”. Villa, com as asas de suas teorias conspiratórias, voara até 2014 para prestar um serviço à Folha e seus leitores.
Não sei se Villa conhece a história inglesa, mas deveria ler uma frase de Wellington, o general de Waterloo: “Quem acredita nisso, acredita em tudo”.
Minha surpresa não pararia ali. Saberia depois que, graças a seu direitismo estridente e embalado numa prosa com as vírgulas no lugar, Villa virou presença frequente em programas de televisão cujo objetivo era ajudar Serra, notadamente na Globonews sob William Waack.
Mais recentemente, ele  participou de animadas mesas redondas no site da Veja sobre o Mensalão. Vá ao YouTube e veja quantas pessoas vêem as espetaculares discussões de que Villa participa ao lado de Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo. O recorde de Psy pode ser batido antes do que imaginamos.
Soube também que ele lançou um livro sobre o Mensalão. Abominei sem ler. Zero estrela de um a cinco.
No site da Veja, ele é presença frequente, para infortúnio de leitores que se desinformam espetacularmente com suas opiniões. Vale a pena reproduzir aqui a visão convicta de Villa sobre o MPL nos primeiros dias de protesto. O blogueiro Augusto Nunes fez questão de publicá-la em, acredite, dezesseis pontos que estavam errados do primeiro ao último.
Alguns deles:
1. não é o que pode ser chamado de movimento social, sociologicamente falando;
2. é um ajuntamento de pequenos grupos ultra-esquerdistas sem qualquer importância política;
3. tem uma prática típica de grupos fascistas, são eleitoralmente inexpressivos;
4.  a passagem de ônibus virou um eficaz instrumento para as lideranças desses grupelhos dar satisfação às suas inquietas “bases”, cansadas de ouvir discursos revolucionários, negadores da democracia (chamada depreciativamente de “burguesa”), sem que tivessem o que chamam de prática revolucionária;
5. para estes grupelhos, o vandalismo é um excelente instrumento de propaganda. Eles se alimentam do saque, da violência e da destruição do patrimônio público e privado;
6. o poder público não sabe agir dentro da lei para conter os fascistas. Ou se omite, ou age como eles (ou da forma como eles querem);
7. agir com energia, dentro dos limites legais, é a forma correta de conter os fascistas;
9. é evidente a tentativa de emparedar o governador do estado. O prefeito – sempre omisso – não está na linha de fogo;
10. O “movimento” está desesperadamente procurando um cadáver;
11. E como bem disse um comentário, este movimento não vale vinte centavos.
Este é Villa, na sua essência. Este o comentarista que a grande mídia usa incessantemente para deseducar o público.
Passados alguns dias, quando ele percebeu que os que lhe pagam estavam gostando do MPL por supostamente emparedar o governo, ele desmentiu tudo o que tinha categoricamente afirmado. Mais uma vez Augusto Nunes lhe deu microfone em seu blog.
Este movimento tem características que, sinceramente, não encontro paralelo no que li e estudei.
Ora, ele não estudou os protestos de 68 na França? Ou os do Ocupe Wall St? Você pode ver a estatura de Villa ao confrontar suas observações rasas, erradas e giratórias com as do filósofo Renato Janine Ribeiro, num artigo que o Diário publicou hoje.
Villa confunde com seu desconhecimento. Janine aclara com seu conhecimento.
O blogueiro Augusto Nunes frequentemente se socorre de Villa para desinformar os leitores da Veja
O blogueiro Augusto Nunes frequentemente se socorre de Villa para desinformar os leitores da Veja
Minha única surpresa em relação a Villa derivou de uma chancela importante de Elio Gaspari, um dos melhores jornalistas (sic) que vi em ação como diretor adjunto da Veja nos anos 1980. Ele fez parte da equipe de Elio na elaboração de seu livro “A Ditadura Derrotada”.
Villa, conta Elio, “conferiu cada citação de livro ou documento. Foi um leitor atento e pesquisador obsessivo. Villa tem uma prodigiosa capacidade de lembrar de um fato e de saber onde está o documento que comprova sua afirmação. Ajuda como a dele é motivo de tranqüilidade para quem tem o prazer de recebê-la. Além disso, dá a impressão de saber de memória todos os resultados de jogos de futebol”. Foi o que escreveu Elio.
Uau.
Villa trabalhou com Elio, portanto. Não aprendeu nada?
Não parece. Elio tem uma independência intelectual perante os partidos e os políticos (sic) que passa completamente ao largo de Villa e congêneres. Isso lhe dá autoridade para criticar e elogiar situação e oposição, e credibilidade para ser levado a sério.
Villa, em compensação, é fruto de uma circunstância em que se procura desesperadamente dar legimitidade acadêmica a um direitismo malufista. Em outros tempos, Villa – caso acredite mesmo nas coisas que escreve e fala — seria um extravagante, um bizarro, imerso num mundo que é só só seu. Você poderia imaginá-lo jogando dardos num pôster de Lula.
Nestes dias de confronto, é um símbolo de como alguém pode chegar aos holofotes e virar “referência” falando apenas o que interesses poderosos querem ouvir.
As “referências” gozam de impunidade torrencial. Podem, como Villa, errar sempre que não serão cobrados. Continuarão a ser procurados para espalhar sua ignorância cínica — comprada pelo 1% como vil mercadoria.
Paulo Nogueira
No DCM
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Recordar é viver…

 
Vão começar agora os joguinhos de “procura e publica” para combater a ideia de uma mini-constituinte para sabotar a proposta da Presidenta Dilma Rousseff de chamar o povo a decidir o que tem de mudar na representação política da população.
O Noblat deu a partida republicando um artigo de Michel Temer, onde o hoje vice de Dilma se posiciona contrariamente à ideia de uma constituinte exclusiva.
Só que lá no meio do texto tem um parágrafo interessante:
“Em suma, uma constituinte exclusiva para a reforma política significa a desmoralização absoluta da atual representação. É a prova da incapacidade de realizarmos a atualização do sistema político-partidário e eleitoral”
Parece que as ruas mostraram que há essa “desmoralização absoluta”, não é?
Mas a gente também pode fazer esse jogo de buscar no Google e colar, quer ver?
Do Estadão, em dezembro de 2009:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou e envia hoje ao Congresso um projeto de lei que caracteriza como hediondos os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, peculato e concussão. “Pode ser que não resolva, mas pelo menos a gente começa a passar para a sociedade (a ideia de) que não há impunidade. Está muito forte na cabeça das pessoas que o cara que rouba um pão vai preso e que o que rouba R$ 1 milhão não vai preso”, disse o presidente, durante discurso na reunião realizada em um hotel de Brasília pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar o Dia Internacional contra a Corrupção.
O presidente anunciou que levará ao G-20 (países ricos e principais emergentes) sua proposta de aumento das penas a serem aplicadas aos condenados por corrupção. “O que é um paraíso fiscal senão corrupção? As pessoas não querem discutir isso porque mexe com direito de quem tem bala na agulha.” Lula disse que, às vezes, o corrupto “é o cara que mais tem cara de amigo, é o que mais denuncia, porque acha que não será pego”. E acrescentou: “Temos que fazer o que estiver ao nosso alcance, para que, se não for possível acabar com toda a corrupção, pelo menos acabar com a maior parte dela.”
Por que não passou no Congresso? Será que passa numa constituinte exclusiva?
Enquanto formos corajosos e sinceros, o medo é deles, não nosso!
Fernando Brito
No Tijolaço
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FHC defende constituinte restrita

No CNN
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Deputada é acusada de usar verba pública em carro particular

Um gasto de R$ 386,12 com combustível num só dia - dinheiro suficiente para abastecer dois tanques e meio de um Bora - e o relato de um ex-motorista da deputada do Rio Myrian Rios (PSD) podem comprovar a suspeita levantada pelo GLOBO: recursos do cartão-combustível da Alerj são facilmente desviados. Anderson Souza da Silva, de 35 anos, que por cerca de um ano e meio dirigiu o carro da parlamentar, diz que ela usou verba pública para abastecer o carro particular dela e até o da irmã, Maria Helena. A deputada não quis comentar as acusações.
Os casos teriam acontecido em 2011, quando o sistema de abastecimento da frota da Alerj era administrado pela Sodexo do Brasil. Em abril deste ano, como a coluna noticiou, os cartões-combustível passaram a ser gerenciados Trivale Administração (Vale Card), cujos sócios são réus em processos de lavagem de dinheiro e até uso de trabalho escravo. O contrato é de R$ 2.656.800. Ainda em abril, o MP do Rio abriu inquérito para investigar o caso.
Anderson Silva conta que o cartão ficava com a própria deputada ou com Maria Helena, irmã dela, que não é funcionária do gabinete. Com isso, todo o abastecimento era feito com permissão de uma das duas.
- O chefe de gabinete dizia para ela não usar o cartão no carro particular, mas ela falava que era benefício dela. Lembro que, por duas vezes, usaram o cartão até para abastecer o carro da Maria Helena, que era um Vectra na época.
O GLOBO teve acesso a uma planilha com os gastos do cartão-combustível da deputada Myrian Rios entre agosto e outubro de 2011. Uma análise nesses dados reforça as acusações do ex-motorista. Naquele trimestre, houve dia em que o cartão foi usado três vezes e a soma dos gastos permitiria comprar mais combustível do que pode comportar o tanque de 55 litros de um Bora, o carro oficial dos deputados.
Foi o que aconteceu em 17 de agosto. Há um gasto de R$ 164,64 no Piraquara Auto Posto, em Realengo, um de R$ 161,50 no Posto Aconchego, em Senador Camará, e outro de R$ 59,98 no Posto Quatro Estrelas, no Humaitá.
O total é de R$ 386,12. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, o preço médio do litro da gasolina naquele período era de R$ 2,82. Portanto, pela média, seria possível comprar somente naquele dia 137 litros, o que equivale a dois tanques e meio de um Bora.
O gasto no Piraquara é suficiente para encher o taque do carro oficial. Contudo, um abastecimento semelhante é feito no Posto Aconchego, que fica distante 7,2 km. Aliás, com o volume comprado naquele 17 de agosto de 2011, o carro oficial da deputada teria combustível para ir a Belo Horizonte e voltar.
No dia 3 de outubro de 2011, cartão da parlamentar foi usado novamente três vezes num mesmo dia. O gasto total foi de R$ 206,59. Em outras oito ocasiões, o gasto diário passou dos R$ 200, tendo o cartão sido usado duas vezes num mesmo dia. Em 10 de agosto, por exemplo, o gasto foi de R$ 333,28.
De agosto a outubro de 2011, o cartão da deputada Myrian Rios foi usado para pagar 70 abastecimentos. Todos na cidade do Rio. Quinze deles foram feitos no Posto Pequena Cruzada, na Lagoa, próximo à casa da parlamentar.
- O cartão da Alerj só era usado nesse posto para abastecer o carro particular da deputada. Eu abastecia o carro oficial em postos na Zona Oeste, perto da minha casa – conta Silva.
Nesse período, o total de gastos do cartão-combustível neste posto na Lagoa foi de R$ 1.632,33. Aliás, no Pequena Cruzada, o cartão da Alerj foi usado, no dia 21 de outubro, para realizar uma compra de R$ 3. O ex-motorista diz não saber o que foi comprado.
Anderson Silva revela algo ainda mais grave do que o uso do dinheiro público para fins particulares.
Uma vez por mês, Myrian Rios vai à sede da rádio católica Canção Nova, em Cachoeira Paulista, em São Paulo, gravar um programa religioso, atividade sem qualquer relação com seus compromissos parlamentares.
O ex-motorista conta que, nestas viagens, eles iam no carro particular da deputada. Mas o veículo era sempre abastecido com o cartão da Alerj. E na sede da Canção Nova, segundo Anderson, Myrian apresentava as notas fiscais referentes ao abastecimento e pedia ressarcimento.
- Uma vez até levei uma bronca porque esqueci de pegar a nota - conta.
Segundo um deputado estadual do Rio, que pediu para não ser identificado, há uma orientação para que o cartão-combustível só seja usado apenas em "missões parlamentares".
- O deputado pode até abastecer o carro particular desde que esteja usando o veículo para algo que tem relação com seu mandato, com suas obrigações parlamentares. Cabe a corregedoria da Alerj analisar se houve quebra de decoro nesses casos - explica o político, que analisou o caso sem saber das acusações contra a colega de parlamento.
Anderson trabalhou com Myrian Rios de meados de 2010 até 1º de novembro de 2011. Ele foi indicado por um membro do PDT, antigo partido dela. Mas, em outubro de 2011, a deputada migrou para o PSD e demitiu os funcionários com ligação com o PDT, inclusive Anderson. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial de 3 de novembro daquele ano. No dia em que foi demitido, ele fotografou com o próprio celular o painel do carro. Segundo ele, para se proteger de qualquer acusação. Em outubro, o veículo, que era usado há nove meses, tinha 34.163 quilômetros rodados.
- Eles poderiam dizer que eu tinha rodado a mais com o carro, então tive a ideia de fazer a foto - conta.
A deputada Myrian Rios foi procurada e no dia 27 de maio deste ano informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não tem nada a declarar sobre esse assunto". Quase um mês depois, a parlamentar permaneceu em silêncio.
No Ancelmo.com
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Constituinte: oposição sente o tiro no peito

“Soberania popular”? O Agripino foge mais disso que o Gilmar
Saiu na Folha:

Oposição acusa Dilma de atropelar o Congresso ao propor plebiscito da reforma política

Gabriela Guerreiro
“É uma competência exclusiva do Congresso convocar plebiscito. Para desviar atenção, ela transfere ao Congresso uma prerrogativa que já é do Legislativo e não responde aos anseios da população”, disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).
A oposição diz ser favorável à consulta popular, mas discorda da convocação de Assembleia Constituinte específica para discutir a reforma política. “Nenhum de nós é contra consulta popular, mas fazer plebiscito sobre o que o Congresso precisa fazer? Não adianta querer entrar agora com manobra diversionista. A reforma é importante, mas vamos cuidá-la com o devido amparo legal”, atacou o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN).
A Oposição perdeu o Golpe no Supremo.
Chora, Agripino, chora!
Em tempo: o jornal nacional gastou mais tempo com umas manifestações de araque do que com as decisões da Dilma. O jn continua a jogar no caos. O jn também sentiu no peito o plebiscito para convocar uma constituinte. Estrebuchou, com a rotineira ajuda de “juristas” de plantão. Não deixe de votar na enquete trepidante: você é a favor de uma constituinte para acabar com o Caixa Dois em campanha política (e o poder da Globo numa eleição) ?
Paulo Henrique Amorim

Dilma tira a Constituição do Gilmar e devolve ao povo!

O povo vai convocar a Constituinte e referendá-lo. Bye, bye Fux!
O passarinho pousou na janela lá de de casa e contou.
O ex-Ministro Franklin Martins trouxe na bandeja para a Presidenta Dilma a limonada feita com o limão das manifestações.
É uma ideia do deputado José Genoino, de 2008.
Foi quando fracassou mais uma tentativa de fazer uma reforma política.
Genoino desencavou um projeto de Luiz Carlos Santos, que previa exatamente a revisão constitucional, pontualmente.
Em abril deste ano, Genoino propôs de novo, com a dificuldade de se aprovar uma reforma política.
A ideia de Genoino é cristalina.
Primeiro, um plebiscito autorizativo para convocar uma Constituinte com a finalidade de fazer uma reforma política e eleitoral.
Ou seja, devolver o poder ao povo.
O povo convoca a Constituinte.
Foi o que a Dilma anunciou hoje e que o Fontana já elogiou.
Segundo, a Constituinte é unicameral.
Não tem distinção entre Senado e Câmara.
E decide por maioria absoluta.
A Constituinte tem que concluir seu trabalho num prazo de um ano.
Depois, a Constituinte é promulgada por um referendo popular.
Para, de novo, dar legitimidade.
O povo decide na entrada e na saída do processo.
O que significa isso, amigo navegante?
Que a Dilma estourou a bolha do Golpe da Big House.
A Dilma reestabeleceu o primado da Democracia: a fonte da legitimidade é o povo e, não, a Justiça.
Onde seria perpetrado o Golpe?
Na caverna que liga a Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, iluminada, apenas, pelos holofotes instalados nos helicópteros da Globo.
Começaria nas ruas, com as manifestações do Passe Livre embolsadas pelo Golpe mediático da Globo.
Morre um, morre outro, dá-se a anomia completa, a vivo e a cores, nas edições de quatro horas consecutivas do jornal nacional.
Instalado o caos, cria-se uma questiúncula jurídica qualquer, ela vai ao Supremo e o Supremo depõe a Presidenta.
Como no Paraguai.
Era o modelito da Direita.
Substituir a soberania popular pela Justiça, tal qual definida na caverna que liga a PGR ao Supremo.
Pluft!
A bolha explodiu.
Em tempo: por falar nisso, por onde andou o zé ministro da Justiça nesses dias todos ?
Em tempo2: e o Ministro Fux, acusado de plágio ? O ilustre Ministro não dá credito ao usar texto do advogado José Roberto Ferreira Gouvêa, que o acusa de “contrafação”. Amigo navegante, o que falta para o Supremo abrir o processo de impeachment deste juiz que se arvora a dizer o que é Constitucional ou não?
Paulo Henrique Amorim

Dilma em nota: quero plebiscito!

As ideias da OAB são muito boas, mas elas lá e eu aqui
Agora, amigo navegante, compare essa nota clara, insofismável com a vacilante, ambígua declaração do Ministro zé Cardozo, depois da mesma reunião com o presidente da OAB:
Após encontro, nesta terça-feira (25), com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o governo considera fundamental a participação popular no processo de reforma de política. A medida foi proposta pela presidenta Dilma Rousseff durante reunião com prefeitos de capitais e governadores nesta segunda (24). “O povo tem que ser ouvido para que tenhamos um sistema político legítimo, que seja expressão maior da posição dos brasileiros. (…) Achamos fundamental que a reforma política passe por um processo de ampla discussão com a sociedade. E o plebiscito tem o papel muito importante para que essa reforma ocorra. (…) A presidenta quando falou, falou de um processo constituinte específico, não falou de uma constituinte, não falou de um plebiscito com questões que orientassem as decisões do Congresso. Ela falou que era necessário um processo constituinte específico. Como seria esse processo? Não foi discutido. Se vocês pegarem o discurso da presidenta, foi isso que foi dito. Óbvio que temos diferentes teses. Uma das teses é a da assembleia constituinte, que muitos defendem. Nenhumas das teses deve ser ignorada. Aliás, a decisão é do Congresso”, afirmou.
Este ministro é ou não é uma ameaça à estabilidade do Governo?
Esta nota é ou não é ambígua, lá e cá?
Um olho na Dilma e outro na Globo (de São Paulo).
Como disse a Folha, na seção Painel, nesta terça-feira, Cardozo foi levar a ideia do plebiscito a Fernando Henrique.
Fernando Henrique foi contra e Cardozo também.
Pode, amigo navegante?
É este o Ministro da Justiça que vai pilotar a batalha do plebiscito vs o Caixa Dois?
Ele é o ministro do mesmo partido do Dirceu, que vai para as ruas pelo plebiscito?
Ou ele é do partido do Bernardo, que leva a Dilma para fora do núcleo do PT?
Clique aqui para ler “Mentira: Dilma não recuou do plebiscito”.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Charge online - Bessinha - # 1832

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Nota à Imprensa

Em relação às declarações de hoje do presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, a Presidência da República esclarece:
1. A presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, e o diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Márlon Reis, que lhe apresentaram uma proposta de reforma política baseada em projeto de lei de iniciativa popular.
2. A presidenta da República reiterou a relevância de uma ampla consulta popular por meio de um plebiscito.
3. A presidenta ouviu a proposta da OAB, considerou-a uma importante contribuição, mas não houve qualquer decisão. O governo continuará ouvindo outras propostas de reforma política que lhe forem apresentadas.
Secretaria de Comunicação Social
Presidência da República
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FHC, o Tartufo, quis uma Constituinte

Stanley Burburinho desmascara o FHC e a Folha, o zé da Justiça.
Em 1998, FHC defendeu a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte restrita, que funcionaria a partir de 99, para discutir três temas: reformas tributária, política e do Judiciário. Hoje, todos os partidos de oposição, liderados por Aécio estão contra a Constituinte.

FHC defende nova Constituinte

Assembléia Nacional seria restrita a discutir as reformas tributária, política e do Judiciário a partir de 99
BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte restrita, que funcionaria a partir de 99, para discutir três temas: reformas tributária, política e do Judiciário. Fernando Henrique fez a proposta durante a instalação do gabinete do ministro extraordinário da Reforma Institucional, Freitas Neto, no terceiro andar do Palácio do Planalto. Freitas Neto lembrou que está em tramitação no Congresso emenda do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) sobre o assunto.
A emenda já foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara e aguarda apenas votação no plenário. O novo ministro, porém, apontou dois problemas na emenda: ela não inclui a reforma do Judiciário, como quer o governo federal, e estipula um prazo curto para a realização do plebiscito – manda coincidir com as eleições, 4 de outubro, para saber se a população aprova uma Constituinte restrita.
SIMPATIZANTE
Segundo Freitas Neto, o presidente “é simpático” à proposta do deputado Miro Teixeira. O ministro disse que já começou a fazer um levantamento de todas as emendas existentes no Congresso Nacional que propõem reformas nas três áreas de interesse do governo. Ele destacou a sua preocupação com a demora que pode haver na votação da emenda de Miro Teixeira, que precisaria ainda ser apreciada pelo plenário da Câmara e do Senado, em duas votações cada.
Sobre a emenda de reforma tributária encaminhada pelo governo, o ministro Freitas Neto informou que ela precisará ser alterada porque o seu texto, encaminhado no final de 1995, já está ultrapassado em muitos pontos. O ministro informou que já está conversando com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, para verificar o que precisa ser modificado no antigo documento e apresentar novas sugestões.
IMPOSTO FEDERAL
Freitas Neto citou, como exemplo, a necessidade de criação de um imposto federal, como o IVA, e outros estaduais e municipais, como IVV, além de um imposto seletivo cobrado sobre fumo, bebidas e telecomunicações. Como forma de compensação, se eliminaria o IPI, o ICMS, o ISS, o PIS e a Cofins.
O deputado Miro Teixeira, autor da única proposta de Constituinte restrita em tramitação no Congresso, não acredita em empenho da base governista que dá apoio ao presidente Fernando Henrique na votação do texto, “porque ele contraria muitos interesses”. Ele lembrou que não há possibilidade de incluir a reforma do Judiciário na sua proposta, porque o prazo para apresentação de emendas já acabou.
Segundo Miro, há uma grande diferença entre o discurso do presidente e a mobilização da base governista para viabilizar a aprovação e futura instalação da Assemboléia Nacional Constituinte. Ele acha que se a emenda não for aprovada até junho não há mais tempo de ela ser colocada em prática porque, depois de votada, ainda há necessidade de regulamentação do plebiscito por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em seu discurso, o presidente reconhece que as eleições gerais podem dificultar as votações no Congresso. Para ele, é natural que as eleições tenham consequências sobre as votações, “mas não sobre o pensamento”, numa referência à defesa das idéias apregoadas pelo governo. Ele acrescentou que as eleições deste ano não podem interferir no equacionamento das questões mais importantes para o país, e nem sobre a possibilidade de as grandes questões nacionais serem articuladas, à margem do debate eleitoral.
Em relação ao atraso das votações, o presidente lembrou as dificuldades enfrentadas por outros países, aexemplo dos europeus.
No caso dos Estados Unidos, comentou, a reforma tributária levou cinco anos só para ser debatida no Poder Legislativo. Na Itália, a reforma previdenciária levou anos em discussão e, na Alemanha, sequer ela foi concluída. Apesar de considerar as reformas difíceis, o presidente afirmou que opaís está conseguindo mudar o quadro político-institucional.
Em tempo: Roberto Freire foi “simpático” à Constituinte exclusiva, quando proposta por Luiz Carlos Santos, que tinha sido Ministro da Articulação Política do Fernando Henrique. O cordão dos Tartufos cada vez aumenta mais …
No Conversa Afiada
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Quem tem medo das ruas e das redes?

http://3.bp.blogspot.com/-g6w1UBaJkD8/Ucjk7-lZFBI/AAAAAAAArRY/hCuuVLs0WhQ/s1600/pacto+dilma+5.jpg 
A oposição piscou, não esperava a proposta de pacto feita ontem pela presidenta Dilma Rousseff . Pacto se constrói com a sociedade e não apenas com os três Poderes, partidos e governantes. A oposição preferiu não discutir e não participar, pelo menos por meio de seus partidos, o PSDB, o DEM e o PPS.
Fez um manifesto contra a proposta e pediu uma CPI para as obras da Copa, que envolve prefeitos e governadores de seus partidos. Diz que cabe ao Congresso Nacional fazer a reforma política, proposta pela presidenta via plebiscito para convocar uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva com esse objetivo.
A oposição e a maioria da Câmara se recusam a aprovar qualquer reforma política, inclusive a já aprovada pelo Senado com financiamento público e voto em lista, fim das coligações proporcionais e outras medidas.
Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que a proposta de plebiscito e constituinte é autoritária. Dizer que consultar o povo, devolver ao povo o poder de decisão, é autoritário é típico do DNA tucano elitista e temeroso da soberania popular. Quem fala em nome do Brasil são as urnas, o voto soberano popular.
Por que os tucanos temem as urnas e o Plebiscito
Não se trata de uma discussão jurídica e constitucional. Na verdade, os tucanos – FHC à frente – e a oposição não querem devolver o poder ao povo. Temem o povo. Não querem que o povo faça aquilo que eles bloqueiam no Congresso Nacional, a reforma política.
Uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva com o objeto determinado não é o mesmo que uma que seja produto de ruptura com toda a institucionalidade e constitucionalidade anterior. Portanto, tem legitimidade e é, sim, constitucional.
Mas, de qualquer forma, o que interessa é que o povo decida, seja por uma Assembleia Nacional Constituinte ou por um plebiscito, e faça a reforma política que o Congresso não quer fazer e ponha fim ao atual sistema político eleitoral totalmente dominado pelo poder econômico.
A proposta da presidenta sobre os 100% dos royalties do petróleo para a educação também é fundamental. É decisiva para uma revolução social e tecnológica no Brasil. Mas vale recordar que os governadores se opuseram aos 100% dos royalties para a educação e orientaram suas bancadas a votar contra.
As propostas para a saúde, mobilidade urbana, e responsabilidade fiscal precisam ser analisadas, já que propõem mais investimentos e gastos em saúde e transporte. E sabemos que um pacto de estabilidade, de crescimento sem inflação, implica medidas quase sempre incompatíveis com o aumento dos investimentos e gastos. Falta então a reforma tributária, que deve fazer parte do pacto de estabilidade, uma vez que a presidenta anunciou R$ 50 bilhões de reais de investimentos em transportes; e a saúde exige mais recursos.
Vamos para as ruas!
Assim, essas propostas também passam por um amplo debate com a sociedade e exige a partir de agora que os partidos e movimentos sociais que apoiam que essas iniciativas mobilizem a sociedade de baixo para cima para apoiá-las não apenas nos partidos, sindicatos, ONGs, movimentos populares e centros acadêmicos, mas também nos bairros e nas ruas, nas redes. Sim, nas redes, onde se trava a principal batalha de comunicação e mobilização. Vamos lutar pelo plebiscito e pelos 100% dos royalties para a educação.
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Por uma Constituinte que tire a tinta do rosto dos caciques

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Em meio à miudeza de pensamento que ronda nosso Congresso, será que nossos parlamentares reconhecerão que estão derrotados pelas ruas? Será que, depois de terem deixado inúmeros projetos de reforma política parados por mais de 25 anos, eles finalmente  admitirão que nossa democracia é incompleta e que precisa se aprimorar? Depois de tanta gente ter decidido pintar a cara para manifestar as mais diversas insatisfações, será que cairá a tinta do rosto dos caciques?
Ninguém vive sem política, afinal, bem dizia Aristóteles que “o homem é um animal político”. Dito isso, o problema está em como você a conduz. O saudoso Ulysses Guimarães, timoneiro da democracia, trazia escrito em seu leme: “Política não se faz com ódio, pois não é função hepática.”
Mas quantos acreditam nisso? Os que foram para as ruas rasgar bandeiras? Os que estavam ali achando que tinham acordado e repudiando quem nunca dormiu? A que podemos atribuir o rumo violento que tomaram as manifestações gigantescas desse junho de 2013? Talvez a 30 anos de um processo despolitizante pós-ditadura. Voltamos à democracia através de um pacto mal costurado, feito de cima pra baixo e que, além de manter impunes os algozes de outrora, manteve todo o aparato midiático herdado dos anos de chumbo. Aparato este que tudo faz para despolitizar o povo.
Quantos se lembram que a política está nas menores coisas do dia-dia e, mais do que isso, quantos acham importante envolver-se com ela? Quantos param para pensar que quando alunos escolhem representantes para sua turma estão fazendo política? E tantos outros exemplos poderiam ser dados. Você algum dia já foi à reunião de condomínio do seu prédio? Pronto, é política pura! E aquele voto que você deu para escolher o capitão do time em que você joga futebol aos domingos? Pois é, mas política não é só voto, ela passa pela influência do homem sobre o homem e não dá para fugir disso.
Então, como pode ir para frente um país em que a população não acredita na força da política? “Ah, são todos corruptos!”, ouve-se pelas esquinas. E grita-se contra a corrupção como se ela não estivesse entranhada na própria sociedade. Só sérias mudanças nos nossos sistemas partidário, eleitoral e de representação podem trazer de volta a crença do povo na política.
Por exemplo, a legislação que define como devem funcionar os partidos ainda é a mesma do período militar.  Outra coisa quase nunca questionada é a “invenção” chamada Senado. Basta fazer uma rápida pesquisa para se constatar que a esmagadora maioria dos países democráticos do mundo não tem Senado. Mas hoje em dia o congresso brasileiro é que nem coração de mãe, sempre cabe mais um.
Daí a importância da ousadia de Dilma ao propor, nesta segunda-feira, 24-06-2013, um plebiscito para a composição de uma constituinte exclusiva para a reforma política. Ela enfrentará inúmeras resistências da oposição, muito fogo amigo, e até mesmo empecilhos jurídicos. Mas só o fato  de colocar uma discussão importante como essa em pauta já é muito louvável.
Voltando no tempo, relembrando nossa última Constituinte, que reuniu numa mesma causa nomes como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Luís Inácio Lula da Silva, creio que ela significou um grande passo à frente no que toca aos direitos, mas deixou lacunas em alguns pontos bem críticos, tais como o que se pode chamar de “profissionalização da representação”. Ou seja, acredito que seria importantíssimo haver leis que forçassem os políticos a uma rotatividade de cargos.
Assim, os candidatos a vereador, deputado estadual ou federal, e, claro, os candidatos ao famigerado Senado (já que ele existe e certamente os seus 81 senadores estão dispostos a “defendê-lo” com todas as forças) não poderiam se reeleger indefinidamente dentro do mesmo cargo, como ocorre hoje. E, dessa forma, representação não seria equiparável a um emprego, o que creio que é um câncer para o parlamento. Isso porque leva muitos políticos a mirar de tal forma no mandato e nos outros tantos que poderão se suceder, que contribui e muito para instalar-se na mente deles uma das idéias mais venais que um político pode ter: a de que é ele o dono do mandato e não o povo. Nesse caminhar, onde fica a cidadania? Como cobrar do povo integração com aqueles que não se integram a ele?
Claro que certos políticos fazem diferença, afinal todas as regras têm suas exceções. Mas no país do “jeitinho”, do “adapta aí para não termos que implodir tudo”, de vez em quando também é bom rever as regras. E, por que não, implodir tudo para, em vez de viver de remendos, ver se surge algo aprimorado para as próximas gerações.
Inúmeras questões apontam para a importância de uma reforma política profunda. Fala-se muito na controversa questão do financiamento de campanha, que tem, claro, sua importância, mas acredito que o debate maior deveria ser em torno de como é possível se respeitar mais a igualdade dos direitos democráticos conferidos pela Constituição de 1988.
O peso do poder econômico sobre o poder político e anomalias como as causadas pelas oligarquias partidárias têm que entrar na pauta dos pretensos reformistas de 2013.
Um cidadão deveria equivaler a um voto. Uma matemática simples que não necessariamente é respeitada. A manipulação que permite a compra de votos é uma aberração, uma facada para a democracia. É preciso criar dispositivos para controlá-la e, obviamente, puni-la. E a urna eletrônica? Já está provado que é sujeita a falhas. Por que não implantar a impressão do voto?
Por que nossa última Constituinte, apesar de ter deixado lacunas, pode ser considerada progressista? Porque é preciso reconhecer-se derrotado para que seja possível começar de novo. Naquele ano de 88, os constituintes reconheciam os estragos de 21 anos de ditadura.
Mas e agora? Em meio à miudeza de pensamento que ronda nosso Congresso, será que nossos parlamentares reconhecerão que estão derrotados pelas ruas? Será que, depois de terem deixado inúmeros projetos de reforma política parados por mais de 25 anos, eles finalmente  admitirão que nossa democracia é incompleta e que precisa se aprimorar? Depois de tanta gente ter decidido pintar a cara para manifestar as mais diversas insatisfações, será que cairá a tinta do rosto dos caciques?
Um Congresso só quando de fato pressionado pelo clamor social é que toma decisões realmente elevadas. Assim foi em 88. Neste ano de 2013, a presidente Dilma já ouviu o grito das ruas e a sociedade já percebeu que tem o poder nas mãos, mas, com a visão medíocre e provinciana de olhos voltados para o bolso, que nos apresenta todos os dias a maioria de nossos parlamentares, fica difícil sonhar com uma reforma justa.
Então, por que eles têm que deliberar sozinhos a forma como vão nos representar? Não tem muita lógica isso. Só uma sociedade decidida a promover mudanças é capaz de lavar o rosto daqueles que escolheu para representá-la. Em outras palavras: para legitimar-se uma nova Constituinte, só me parece viável que não seja nos mesmos moldes da última, mas, dessa vez, originária, formada por cidadãos do povo eleitos de forma exclusiva para isso. Não é remendo, é remédio.
E para você que, mesmo depois de todo esse turbilhão, ainda está dormindo, nunca é demais lembrar que “quem não se interessa por política, não se interessa pela vida”, concluiria o saudoso timoneiro.
Em tempo: esse artigo é uma versão atualizada, aprimorada e ampliada de um texto que escrevi em 2009. Ou seja, já venho há alguns anos pedindo uma Constituinte que tire a tinta do rosto dos caciques.
Ana Helena Tavares, jornalista, editora do “Quem tem medo da democracia?
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Marin usa grade e se apropria de terreno público que vale R$ 2,8 milhões

Com uma grade, o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014, José Maria Marin, se apropriou de um terreno público em São Paulo cujo valor se aproxima de R$ 2,8 milhões. Trata-se de uma praça no Jardim América, na zona sul da capital, que fica ao lado de uma área pertencente ao cartola. Uma obra executada sob responsabilidade legal do dirigente derrubou uma árvore no local e construiu uma cerca baixa, unindo o espaço público à propriedade privada dele.
O terreno de Marin fica na Rua Colômbia, na esquina com a Rua Peru. O dirigente decidiu reformá-lo e iniciou o trâmite junto aos órgãos fiscalizadores em 2009. Desde 2011, a área está locada por uma concessionária da Hyundai, que pertence ao grupo Caoa.
Em resposta ao UOL Esporte, Marin disse que a responsável pela colocação da grade é a Caoa. A concessionária, por sua vez, afirma que o objetivo da cerca é a proteção da praça. Como dono, o dirigente é o responsável legal pela obra. Além disso, a reportagem apurou que o cartola da CBF visitou o local após a colocação da grade e aprovou a obra.
Encaminhada no seu nome, a proposta de reforma foi aprovada pelos órgãos fiscalizadores, o Aprov (Departamento de Aprovação de Edificações), na prefeitura, e o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), do governo do Estado. Esses organismos avaliam se os projetos estão de acordo com as leis de zoneamento para o bairro, bem restritas neste caso. A reportagem teve acesso aos processos nestes organismos e constatou que o que foi executado é bem diferente do que o que havia sido autorizado.
Pelo que foi referendado pelas autoridades, fica claro que a praça pública na esquina da Rua Colômbia com a Rua Peru não estava incluída no projeto. O espaço estava fora do terreno do cartola da CBF e tinha uma palmeira, que existia há pelo menos 15 anos, como mostram fotos. O que foi aprovado é que deveria haver um gradil de 2,5 metros em curva para limitar a área total do terreno de Marin do espaço não-privado.
O gradil que limitaria a área do cartola não foi colocado. A praça, pública, foi substituída por um gramado. E a grade, mais baixa do que a que constava do projeto, avançou metros e metros rumo à rua. Há apenas uma pequena interrupção nesta cerca. De resto, sobrou espaço só para a calçada.
Não há nenhuma divisória entre o terreno de Marin e a praça. Pelo contrário, o gramado termina na exposição de carros, com tudo formando um conjunto em apenas uma construção. A palmeira caiu durante as obras realizadas por Marin.
A diferença fica ainda mais nítida quando se observa fotos antigas do terreno de Marin, que constam dos processos de aprovação. Há um muro bem mais recuado que a cerca atual no limite do terreno do cartola.
Em outras fotos, já era possível ver que outras concessionárias, que também alugaram o terreno do cartola anteriormente, avançavam sobre a área pública para usá-la como estacionamento. Mas não havia uma cerca para limitar o espaço. Questionada pela reportagem, a prefeitura do São Paulo confirmou que não havia previsão de grade mais extensa.
"A praça pública, embora representada na planta do projeto aprovado, não faz parte do terreno objeto da aprovação. Portanto, não consta a metragem da praça na planta aprovada. O projeto foi aprovado com as árvores existentes no lote a serem mantidas e com um gradil de 2,5 m de altura, respeitando as divisas do lote. Não consta "cerca" no projeto aprovado em volta da área pública", explicou a Secretaria de Habitação.

VEJA, EM DETALHE, A ÁREA APROPRIADA POR MARIN

Embora a prefeitura não tenha informado a metragem da área pública, o UOL Esporte apurou com fontes envolvidas no projeto que foi feita uma medição no local que constatou serem cerca de 280 metros quadrados. Todo esse espaço foi ocupado por Marin. Ouvidos pela reportagem, corretores que atuam no Jardim América avaliam que o metro quadrado neste lado da Rua Colômbia vale R$ 10.000. Ou seja, ao cercar o terreno, Marin se apropriou de um terreno que vale R$ 2,8 milhões.
Pelo menos de fora da concessionária, há outras diferenças entre o que foi aprovado no projeto e o que se verifica na realidade. O projeto previa a plantação de 27 árvores de tipos específicos, como nove palmeiras e três ipês, em volta do prédio principal. Segundo o processo, seria uma reparação por Marin ter cortado 30 árvores em 1994. Também era obrigatória a preservação de uma árvore que já existia no terreno -ela sumiu.
De fora, é possível ver pouco mais de 10 árvores, a maioria delas de pequeno porte. Sem as árvores, é possível ver melhor a fachada da concessionária.
A área de permeabilidade do solo também não parece atender o que foi aprovado, embora não tenha sido possível realizar medição. A área total do terreno é de 1,6 mil metros quadrados. Deveria haver 491 metros quadrados de área permeável. A maior área de gramado, ou seja de solo permeável, é justamente na área pública ocupada por Marin.
Os documentos do Condephaat demonstram que deveria ter havido uma fiscalização posterior para saber se a obra tinha executado o que fora previsto. Não há nenhum outro documento que indique que isso tenha sido feito. Apesar disso, o álvara de funcionamento do local foi emitido pela prefeitura de São Paulo em julho do ano passado e é válido por dois anos.
Não é a primeira vez que o cartola comete irregularidades neste terreno. Documento da prefeitura mostra que o terreno esteve fora das regras de zoneamento de 1994 a 2005. Durante esse período, o Condephaat emitiu cinco pareceres apontando o desrepeito a normas de permeabilidade do solo e plantação de árvores. Por conta disso, a concessionária que funcionava no local chegou a ser fechada em blitz de autoridades de fiscalização.
Marin, então, enfrentou um processo judicial por essas irregularidades. Ele ganhou a ação em 2006 ao alegar que as construções foram feitas antes de 1986, quando foram instituídas regras restritivas em relação ao Jardim América.
Em 2009, Marin decidiu reformar o imóvel e, portanto, adequá-lo às novas regras do bairro. Inicialmente, houve resistências a aprovação no Condephat, mas em janeiro de 2010, o órgão estadual aprovou o projeto de reforma do imóvel de Marin.
Já a prefeitura aprovou os projetos intermediários com assinaturas do ex-diretor do Aprov, Hussain Aref Saad, que depois foi exonerado por corrupção no orgão. Em seguida, o DHP (Departamento do Patrimônio Histórico) deu a autorização final para a execução das reformas.
Seria a conclusão para regularizar um terreno comprado em maio de 1983 por Marin. Ele adquiriu a área por CR$ 100 milhões, dois meses após deixar de ser governador do Estado de São Paulo, cargo que herdou de Paulo Maluf durante a ditadura, quando não havia eleição direta. Durante sua gestão e a de Maluf, o cartola da CBF foi acusado de desvios de verba pública.
Juca Kfouri, Mauricio Duarte e Rodrigo Mattos
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