24 de jun de 2013

O último apelo radical do Anonymous no Brasil

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MPL a corrupção e o PSDB

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Globo perde audiência após substituir novelas por cobertura de protestos

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Audiência total atingiu apenas 20 pontos
A sequência de protestos realizados pela população nas principais cidades do Brasil fizeram com que a TV Globo alterasse a programação de última hora, o que acarretou em uma queda brusca de audiência.
Sem exibir as novelas "Flor do Caribe" e "Sangue Bom" para acompanhar as manifestações em tempo real na quinta-feira (20), a emissora garantiu apenas 20 pontos de média de audiência no período das 17h49m às 21h23m, de acordo com o jornal "Folha de S. Paulo".
Para se ter uma ideia da diferença nos números, nas últimas quinta-feiras, as tramas das 18h e 19h marcaram cerca de 20 e 25, respectivamente.
Já o "Jornal Nacional", que teve 35% de participação na transmissão dos manifestos, chega a marcar 30 pontos de audiência em dias de grandes acontecimentos.
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Como iniciou o conflito...

Kayser
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Dilma propõe plebiscito para reforma política

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Que venha a Constituinte

A política brasileira tem que ser reformada urgentemente.
Antes tarde que mais tarde
Antes tarde que mais tarde
Agora sim a frase que Dilma pronunciou dias atrás, no calor dos protestos, vai fazer sentido: o Brasil vai, amanhã, acordar melhor.
Diante do quadro complexo que se criou com as manifestações que mostraram o tamanho da insatisfação com a situação da política brasileira, não poderia haver sugestão melhor do que uma Constituinte que reflita o que a sociedade merece, deseja e exige.
O tamanho da confusão se expressou na reação dos principais protagonistas da cena política nacional.
A mídia, por exemplo, inicialmente fuzilou os manifestantes por julgar, erradamente, que se tratava de coisa dos petistas mais radicais.
Depois, numa meia volta espetacularmente cínica, ao descobrir que não as manifestações não tinham nada a ver com o PT, a mesma mídia passou a adular quem saiu nas ruas porque isso teoricamente mostraria, aspas, o cansaço do brasileiro com a corrupção, aspas de novo.
O PT, igualmente perplexo ao perceber que perdera o controle das ruas, tentou festejar uma vitória que na verdade era uma derrota.
Já é um clássico das asneiras políticas a decisão de Rui Falcão de mandar a “onda vermelha” comemorar com o MPL a redução da tarifa de ônibus.
Num quadro em que ninguém parecia estar entendendo nada,  e no qual a única lucidez persistente e admirável repousou no MPL, os brasileiros viram jovens mascarados de Guy Fawkes agirem de maneira oposta àquilo que ficou associado aos integrantes e simpatizantes do Anonymous.
Nossos mascarados mostraram uma ignorância política chocante e um reacionarismo repulsivo.
Fazia tempo que conservadores hostilizavam as administrações petistas e tentavam, sempre sem sucesso, promover manifestações. Os protestos só se materializaram efetivamente quando a insatisfação bateu na esquerda — pela insuficiência das ações governamentais que mitigassem a monstruosa desigualdade social brasileira.
O rumo das mudanças que advirão deve levar isso em consideração: qualquer arranjo novo tem que resultar em claros avanços sociais, e em menor disparidade de riqueza.
O que emergirá da Constituinte — considerado que o plebiscito será fatalmente aprovado – será, com certeza, muito melhor do que o que o que está aí, um mundo político viciado e imobilizado que a rapaziada do MPL teve o mérito milionário de mostrar o quanto estava atrasado em relação ao resto da sociedade.
Paulo Nogueira
No DCM
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Em carta, médico afirma que polícia dificultou ajuda a feridos em manifestação

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Uma carta escrita pelo médico Giovano Iannotti sobre sua participação nas manifestações deste sábado (22) em Belo Horizonte têm ganhado a atenção dos usuários na internet. O texto, que relata a suposta violência da Polícia Militar de Minas Gerais no trato com os manifestantes, já foi compartilhado mais de 600 vezes na rede social Facebook.
No relato, Giovano, que também é professor de medicina, explica que foi à manifestação juntamente com a esposa, também médica, preparados para tentar ajudar a atender vítimas, levando uma mochila com alguns insumos para tratamento de pequenos ferimentos e limpeza de olhos irritados por gás. No texto, ele relembrou que o protesto foi pacífico durante todo o trajeto praça Sete-Pampulha, mas ao chegar ao limite imposto pelo cordão policial, que impede a chegada ao Mineirão, a violência teve início.
Segundo ele, os policiais militares dificultaram em todo o momento a tentativa de ajuda por parte dos médicos e alunos de medicina, que estavam no local com o professor. Em um dos momentos, Giovano conta que identificou-se à polícia como profissional da área da saúde para atender a um senhor ferido na cabeça. “A resposta foi uma arma apontada contra meu peito. Pedi para falar com algum oficial, mas a PM recomeçou a atirar”, conta.
Além disso, ele afirma que, em determinado momento, um sujeito com o rosto tampado por uma camiseta o viu ajudando uma vítima, se aproximou dele e disse que era policial e iria pedir aos demais militares para que não atirassem neles, para que o ferido pudesse ser retirado do local.
Giovano também fala sobre a solidariedade recebida por parte de pessoas com camiseta vermelha, na qual se lia “bombeiro civil”. “Eles nos ajudaram a improvisar uma maca com um cavalete da empresa de transportes e faixas de manifestantes”, conta. Ele afirma ter pedido ajuda aos policiais para que trouxessem equipamentos da ambulância da PM para imobilização e infusão, porém, foi recusada a ajuda.
OUTRO LADO A Polícia Militar foi procurada para comentar o caso, mas informou que se pronunciará sobre o caso nesta segunda-feira (24).
O relato do médico Giovano Iannotti pode ser visto aqui, no Facebook ou logo abaixo.
Relato do muito querido amigo Giovano Iannotti, que esteve na manifestação de ontem!

Querem colocar um cadáver no colo da Presidente

Ontem, 22 de junho de 2013, minha mulher e eu fomos à manifestação ocorrida em Belo Horizonte na qualidade de médicos. Somos professores e vários de nossos alunos estavam presentes. Como já havíamos testemunhado a violência no ato da segunda-feira anterior, fomos preparados para atender possíveis vítimas, levando na mochila alguns elementos muito básicos para pequenos ferimentos e limpeza dos olhos irritados por gás.
A manifestação foi tranquila durante todo o trajeto. Até mesmo a intolerância com militantes de partidos de esquerda foi pouco vista. Uma grande bandeira vermelha era orgulhosamente carregada e, salvo um ou outro, respeitada. Contudo, o clima começou a piorar quando a manifestação encontrou o cordão policial. Como tem ocorrido, a maioria aceitou o limite imposto, mas os provocadores instavam os moderados a enfrentarem a polícia. Parecem colocados estrategicamente entre o povo, porque se repartem em certo padrão e gritam as mesmas frases.
Como é sabido, eventualmente o conflito aconteceu. Retiramo-nos para a pequenina área verde que sobra naquele encontro as avenidas Abraão Caran e Antônio Carlos. E ali ficamos tratando sobretudo intoxicações leves e ferimentos superficiais causados por estilhaços e balas de borracha. Em um momento, fui chamado para atender um senhor ferido na cabeça. Fui correndo, mas ele já passara o cordão de isolamento da polícia. Identifiquei-me como médico aos policiais do Governo de Minas Gerais e disse que poderia atender o senhor ferido. A resposta foi uma arma apontada contra meu peito. Pedi para falar com algum oficial, mas a PM recomeçou a atirar. Voltei para nosso pronto-socorro improvisado. De dentro do campus da UFMG começaram a atirar bombas de gás sobre nós que atendíamos os feridos e recuamos ainda mais, para o meio da Antônio Carlos.
Minutos depois, chamaram-nos com urgência informando que alguém caíra do viaduto José de Alencar. Quando chegamos, um jovem com o rosto sangrando estava sofrendo uma pequena convulsão. Fizemos a avaliação primária e, na medida em que surgiam problemas, tratávamos da melhor forma possível. Aquele paciente precisava de atendimento avançado urgentemente, em um centro de trauma, mas a polícia não arrefecia. Aproximou-se de mim um sujeito com o rosto tampado por uma camiseta. Ele descobriu parcialmente a face e me disse no ouvido que era policial e que pediria que não atirassem para que pudéssemos evacuar a vítima (penso ter visto esse autodeclarado policial perto de mim, quando eu tentava falar com um oficial, e depois correndo ao meu lado. Se for a mesma pessoa, ele era um dos exaltados que instavam à violência). Chegaram algumas pessoas com camiseta vermelha, na qual se lia “bombeiro civil”. Eles nos ajudaram a improvisar uma maca com um cavalete da empresa de transportes e faixas de manifestantes. Algum tempo depois, por coincidência ou não, os tiros pararam e fomos, com dificuldade, levando a vítima em direção do cordão policial. Minha mulher ficou na barreira.
Quando passamos a barreira, vi uma ambulância parada a uns 20 metros. Gritei para os que ajudavam para que fôssemos para ela. Todavia, para meu horror, a polícia não permitiu. Disse que aquela viatura era somente para policiais feridos. Tentei discutir, mas vi que seria improdutivo. Disse a um oficial, então, que conseguisse outra. Não tínhamos muito tempo. Colocamos a vítima no chão, imobilizando sua coluna cervical e iniciei a avaliação secundária. Na medida do possível, limpamos o rosto ensanguentado do jovem e realinhamos os membros fraturados. Pedi aos policiais que, pelo menos, trouxessem equipamentos da ambulância “deles” para imobilização e infusão. Recusaram-se.
Esperamos um bom tempo até que uma ambulância do resgate do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais chegasse. O veículo praticamente não tinha nenhum equipamento. Somente a prancha, talas, colar cervical e oxigênio para ser usado com máscara. “Soro” não havia. Transferimos e imobilizamos o paciente. Nesse tempo, tentávamos descobrir para onde levar a vítima. Respostas demoravam a chegar. Pensamos no Mineirão, bem próximo de nós, mas primeiro disseram que era para torcedores e depois que não dispunha de centro de trauma. Fomos para o Pronto Socorro de Venda Nova, Risoleta Neves. Lá uma colega assumiu o tratamento do ferido.
Entrei em contato com minha mulher e ela me disse havia se juntado a meu irmão, que dois outros haviam caído do viaduto e que havia vários feridos, mas que eles não estavam conseguindo mais atender.
Mais tarde, quando os reencontrei no metrô de Santa Efigênia eles me contaram uma história de terror. Depois de me deixar com a primeira vítima, minha mulher se identificou aos policiais e disse que queria passar também para me ajudar. A polícia não deixou e ameaçou atirar nela. Como as agressões reiniciaram logo depois, ela ficou presa entre bombas e pedras, até que conseguiu fugir e retomar a antiga posição para socorro, no meio da Antônio Carlos. Foi quando encontrou meu irmão. Logo depois, receberam um chamado, avisando que outro rapaz havia caído. A situação clínica desse paciente era muito pior do que a do anterior. Não interessa escandalizar ou ofender com detalhes médico-cirúrgicos. Relato somente que o quadro que os dois descrevem é gravíssimo. A vítima não reagia, estava em coma, mas respirava e o coração batia. Meu irmão, sabendo da primeira experiência, correu para os policiais, desta vez um outro cordão formado na Antônio Carlos, levantando as mãos, agitando uma camisa branca e gritando que havia um ferido morrendo. Os policiais, vários, apontaram-lhe armas e gritaram para que ele fosse embora. Quando ele tentou avançar um pouco mais, os tiros começaram e ele correu em direção de minha mulher para ajudá-la.
Ali, ao lado da vítima, perceberam que a polícia atirava neles. Relatam que já não havia ninguém próximo. Somente a vítima, ele e minha mulher de jaleco branco. Os tiros e as bombas de efeito moral e de gás vinham com um único endereço. O deles. Ficaram o quanto aguentaram; mais não puderam fazer. Desesperados, tiveram que abandonar o rapaz que morria e buscar refúgio.
Depois, tiveram a notícia de que um terceiro homem caíra do mesmo viaduto. A cavalaria já estava em ação e não havia como atravessar a avenida para socorrer essa terceira vítima. Quando cheguei em casa, alguns alunos relataram que socorreram um homem que caíra do viaduto (perece que foram quatro, no total). Quando a polícia passou, eles conseguiram chegar à vítima e ficar com ela até que o SAMU chegasse.
Algumas ideias ficam em minha cabeça. Quem já conviveu com militares sabe na maioria das vezes reconhecer um por sua forma de agir, andar, cortar o cabelo e de falar. Sem leviandade, acredito que vários dos provocadores eram militares infiltrados. Vi o homem de rosto coberto dizer ser policial e que pediria para que os policiais alinhados dessem uma trégua e nos deixassem passar. Isso aconteceu. Outra imagem simbólica foi ver a tropa de choque da Polícia Militar de Minas Gerais dentro de uma universidade federal (deveria ser um território livre e sagrado da paz, da inteligência e da cultura) fechada para os estudantes. Da universidade vinham bombas que machucavam a juventude. Já ampliando o horizonte, o Itamaraty em chamas, a bandeira de São Paulo queimando, o Congresso quebrado, um governador sitiado em sua casa. Há que se ler nos símbolos e nos fatos. Amplie-se mais esse horizonte. Não se vê que os métodos são os mesmos usados nas “primaveras” árabes, em Honduras, no Paraguai, no Equador, na Venezuela e que começa também a ser usado na Argentina?
Nada há de espontâneo no que está ocorrendo e não é à toa que os meios de comunicação têm promovido e estimulado a agressividade e a multiplicidade de slogans e bandeiras. Não é verdade que não haja líderes nessas manifestações. Os líderes estão nas sombras, colhendo os frutos das últimas tecnologias. São discretos. Quem sabe o que são o Instituto Millenium, o instituto Fernando Henrique Cardos, o Council on Foreign Relations, a Trilateral Commission, o Carnegie Council? Preparam o Brasil para a guerra global idealizada pelos think tanks? É essa a forma de chegar aos recursos naturais do imenso território brasileiro sem a mínima resistência de governos mais progressistas? Incomoda o acordo com a Rússia para a compra e desenvolvimento de armas?
Uma certeza: querem atacar a democracia. Em vez de atacar partido, tome partido. Você está sendo manipulado. Pelo que vi e vivi é certo que querem jogar um cadáver no colo da Presidente Dilma.
Giovano Iannotti
Professor de Medicina
No O Tempo
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Manifestantes avançam contra a cavalaria da polícia em Belo Horizonte


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Até Veja adverte: desordem só favorece a direita

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Em longa edição dedicada à revolta das ruas, sobre os "sete dias que mudaram o Brasil", Veja lembra que movimentos desse tipo podem começar pela esquerda e desaguar em outra direção; o Maio de 1968, na França, culminou com a eleição de Georges Pompidou, um presidente conservador; o movimento pacifista americano, chamado de "flower power", contribuiu para a eleição de Richard Nixon; depois não adianta dizer que Veja não avisou
Desta vez, a revista Veja, ao menos, avisou. Numa edição que celebra a revolta das ruas, qualificada como "os sete dias que mudaram o Brasil", e que poderão mudar ainda mais se o PT for finalmente desalojado do poder, a principal publicação da família Civita faz um alerta importante: a desordem ajuda, sobretudo, a direita.
É o que conclui a série de reportagens coordenada pelo editor Otávio Cabral, autor da polêmica biografia sobre José Dirceu:
"A história mostra que grandes espasmos populares nem sempre prenunciam mudanças políticas da mesma coloração e envergadura. O famoso Maio de 68 na França culminou com a eleição de um presidente conservador, Georges Pompidou. No mesmo fim de década, o movimento pacifista americano, "flower power" conquistou corações e mentes de milhões, mas quem se elegeu presidente foi mesmo o direitista Richard Nixon. O certo, porém, é que as ruas das grandes cidades brasileiras parecem agora vacinadas contra o proselitismo, as ideologias velhas e o populismo. Essa é a verdadeira revolução".
Na carta ao leitor, o diretor Eurípedes Alcântara celebra a chegada do "novo" e o fato de militantes da CUT terem sido "vigorosamente afastados" de uma manifestação no Rio de Janeiro. Afinal, o PT, segundo Eurípedes, por estar no poder, é um dos "alvo da indignação".
A julgar pela edição, coalhada de rostos bonitos pintados de verde e amarelo, Veja quer que a revolta continue nas ruas lutando agora pelas bandeiras que a revista tem defendido. E se o desfecho político for aquele preconizado na reportagem de Otávio Cabral, tanto melhor.
No 247
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A presidenta Dilma Rousseff falou, mas não disse

Não se cura tuberculose por decreto ao fim de passeatas. Mas as gangues de ladrões e depredadores que desde terça-feira, dia 18 de junho, receberam de presente a mais legítima carona da sociedade – desfiles pacíficos em nome da democracia – estão pouco se lixando. Os articuladores anônimos dos grupos violentos de direita, neo-nazistas inclusive, e dos radicalóides sociopatas, conhecem muito bem o tempo das políticas, mas não é o que os interessa. Para os atraídos de boa fé para a trapaça reivindicatória, enfim, o discurso da presidente Dilma não trouxe novidade. Investimento em saúde e educação, ensino técnico como nunca visto, transparência na administração, através da lei de acesso à informação, apuração de desvios administrativos, com inédita demissão de ministros, são políticas já em vigor e rotineiras, isto é, não há mais discussão sobre se devem ou não devem ser executadas. São políticas de Estado, compromisso do país. Isso para não enumerar sucessivas inovações na política social que, estupidez que o amanhã julgará, passou a ser impudico mencionar em meios de classe de renda mais elevada.
A mensagem da presidente arrisca ser ineficaz, do mesmo modo como são absolutamente vazias as reivindicações marchadeiras: saúde, educação, transparência, ética na política – sem que se indiquem os acusados de objetá-las. Por isso, as provocações tendem a perdurar enquanto os de boa fé não se derem conta de que são equivocadas as manifestações com tanta virulência contra o que de fato já está em execução, obtendo variados graus de sucesso. O cerne da contestação não está nas demandas fragmentadas. Está no ataque à democracia como sistema capaz de prover e operar uma sociedade justa. Em outras palavras: segundo os mentores e comentaristas convertidos os grandes feitos dos últimos governos não seriam tão significativos, antes revelando ser a democracia, pelo menos em sua forma atual, um desastre governativo. Recusa enfática a esse niilismo não constou, mas devia ser crucial, do discurso presidencial.
A mensagem subliminar dos arquitetos da desordem (com exceção do Movimento pelo Passe Livre fora) e dos aproveitadores de todas as idades tem consistido em insinuar que as instituições democráticas – governo representativo, parlamentos, movimentos sociais organizados, partidos políticos – são os obstáculos à construção de uma sociedade mais justa e livre. Golpistas crônicos, anarquistas senis em busca de holofote, muitos jovens anencéfalos e assustados da classe média em geral, formam a retaguarda deste exército do obscurantismo e da violência. A essência desse arremedo intolerante de participação é uma reação à democracia e suas realizações. Faltou ao discurso de Dilma Roussef uma declaração de que reconhecia as manhas dos que se aproveitam das boas intenções para conduzi-las ao inferno. E de que não se submeterá a elas.
Enquanto a empulhação televisa continua a descrever as manifestações “cívicas até aqui pacíficas”, no meio das passeatas, como se as apresentadoras não soubessem o que viria ao fim da encenação, registro que, em minha opinião, se trata do maior cerco reacionário, nacional e internacional, que este país já sofreu nos últimos vinte anos.
Wanderley Guilherme dos Santos
No iG
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Copa não tirou $ de nenhuma creche

As obras do PAC foram antecipadas. Não tem nada a ver com a FIFA
A Copa é um investimento privado.
BNDES emprestou dinheiro aos Estados para construir estádios, com garantias tão severas quanto as que exige de qualquer outro tomador.
O BNDES, assim, é apenas um emprestador de recursos aos Estados que, aí, sim, contratam com as construtoras e os consórcios – também em condições usais de licitações.
Contrata a construção de um estádio da mesma forma que compra, em licitações, papel higiênico ou uma hidrelétrica.
Com uma única exceção: o GDF, o Governo do Distrito Federal contratou a obra por conta própria, sem pedir empréstimo ao BNDES.
As outras obras estavam previstas no PAC e, por causa da Copa e da Copa das Confederações, foram antecipadas.
Mas, teriam que ser construídas, de qualquer maneira.
No plano Federal, Estadual ou Municipal.
Assim, obras do metrô, VLT, aeroportos, viadutos – tudo isso teria que ser feito para facilitar o transporte – não é isso, Passe Livre?
Essas obras não tem nada a ver com a FIFA.
Para cada US$ 1 investido em eventos como a Copa do Mundo, o país recebe US$ 3,4.
Segundo estudo da FGV e da consultora Ernest Young, as obra da Copa criarão 3,6 milhões de empregos no país.
A China já se movimenta para ser a sede da Copa de 2040.
Ao falar sobre as manifestações, a Presidenta Dilma lembrou que a Copa não se realizará – com absoluto sucesso – em detrimento de nenhuma obra de interesse social.
Que não saiu um tusta do Orçamento.
Aí, perguntaria o amigo navegante: por que os manifestantes apartidários não sabem disso?
Porque não há uma Ley de Medios.
Assim, como a ESPN, numa dimensão financeiramente menor mas equivalente no plano moral.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Esperem sentados a mídia divulgar isso

 
Os jornais e o PSDB insistem que saíram do Tesouro Nacional as verbas para os estádios para a Copa.
Já se provou fartamente que não houve um real do Orçamento Público nestas obras, embora tenha havido, sim, em obras associadas ao evento, sobretudo na área de mobilidade urbana: corredores de transporte, metrô, obras viárias em geral.
Ah, mas houve dinheiro do BNDES, dizem.
Sim, houve. E daí? O BNDES é um banco, que empresta dinheiro a juros. Mais baixos que os bancos privados, é verdade, porque são empréstimos de longo prazo, que banco privado no Brasil não faz, como todo mundo sabe.
São empréstimos com taxa de risco, remuneração pela intermediação e garantias líquidas, sobretudo o empenho das transferências federais aos Estados e Municípios.
Tem limite de valor (até R$ 400 milhões) e de participação (75%).
Igualzinho a um financiamento imobiliário.
Isso é público e publicado.
Mas vamos aceitar isso e perguntar: ah, então tem financiamento para a Copa, mas não tem para outras coisas.
Não?
Sexta-feira mesmo, em meio à confusão toda, o BNDES aprovou um empréstimo de “apenas” R$ 2,3 bilhões – ou se quiserem, seis estádios – para o Governador tucano Geraldo Alckmin expandir o Metrô de São Paulo para  Vila Prudente, São Lucas, Água Rasa, Vila Formosa, Aricanduva, Cidade Líder, Sapopemba, São Mateus, Parque do Carmo, São Rafael, Iguatemi, José Bonifácio, Guaianazes e Cidade Tiradentes e também Orfanato, Água Rasa, Anália Franco e Vila Formosa.
São, além das linhas, 71 trens. Um milhão e trezentos mil beneficiados.
Já são mais de 6,2 bi de grana para expandir o metrô paulista, entre Serra e Alckmin.
Mas o Governo Federal, estranhamente, é uma galinha que bota ovo e não cacareja.
É o contrário do que Millôr Fernandes dizia dos políticos, que cacarejam e não botam ovo.
Fica esperando que a nossa isenta e equilibrada mídia divulgue.
O Millor também dizia que”quem não anuncia, se esconde”.
Tomara que isso tenha mudado.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Post exclusivo para quem gosta de teorias de conspiração

Gráfico desenvolvido por Sergio Amadeu demonstra que os perfis ligados ao Anonymous Brasil e AnonymousBR foram os mais importantes para a disseminação de conteúdo relacionado às manifestações do Movimento Passe Livre no dia 17 de junho de 2013
Luiz Carlos Azenha, respondendo ao que lhe perguntaram aqui e ali e testando hipóteses
REVOLTA ANTICAPITALISTA?
Se fosse, os manifestantes teriam se dirigido à fábrica da Volks em São Bernardo, para cercá-la. É o símbolo do capitalismo industrial no Brasil e de onde saem os automóveis que entopem as ruas das metrópoles e inviabilizam o transporte público. Provavelmente os manifestantes teriam de enfrentar os trabalhadores da Volks, que não querem perder os próprios empregos.
Se fosse uma revolta anticapitalista, os manifestantes teriam cercado a sede do Itaú, que tem lucros bilionários graças aos juros e taxas escorchantes. Provavelmente seriam rechaçados pelos bancários, que não querem perder os próprios empregos. Uma coisa eu garanto: se a revolta se tornar anticapitalista, some do Jornal Nacional.
REVOLTA DA CLASSE MÉDIA?
O comando é da classe média urbana que tem bom acesso à internet nas regiões metropolitanas. Frações da classe trabalhadora remediada, aquela que ascendeu  ao longo do governo Lula, aderiram.
O lúmpen vai no bolo. Quando ele se manifesta politicamente através do saque, é reprimido.
Parar uma rodovia estratégica, causando milhões de reais em prejuízo para o público em geral, é aceitável; invadir uma loja de automóveis e “espancar” os veículos, causando um prejuízo de alguns milhares de reais, é um horror! O que guia esta rebelião juvenil são valores da classe média e seus interesses de classe — pelo menos é o que nos quer fazer crer a mídia.
CONTRA O ESTADO?
Os ataques se concentram em prédios públicos ou obras públicas consideradas desnecessárias pelos manifestantes, como os estádios da Copa. O ex-presidente Lula, em seus dois mandatos, trouxe o debate ideológico para dentro do governo, resolvido em conchavos de bastidores a portas fechadas.
Os manifestantes agora batem na porta, de forma espontânea e desarticulada. Só acredito tratar-se de um movimento progressista quando surgir algum cartaz pedindo a taxação da fortuna da família Marinho para financiar o transporte público gratuito;  quando os manifestantes se dirigirem às garagens das grandes empresas de ônibus que financiam campanhas políticas e tem lucros extraordinários para protestar; quando incluirem na pauta do debate sobre corrupção a Privataria Tucana, corruptores, empreiteiras e o jabá que a Globo paga às agências para manter o monopólio das verbas publicitárias. Por enquanto, só se debate a corrupção pública, nunca a corrupção privada.
NOSSO GUIA?
Um estudo de Sergio Amadeu demonstrou que vários perfis dos Anonymous são os mais influentes na disseminação das mensagens dos manifestantes que se organizam em redes sociais. Quem faz a cabeça dos Anonymous? A cabeça dos Anonymous é feita no Brasil ou fora do Brasil?
P2 E INFILTRADORES?
Houve várias denúncias de que infiltradores e provocadores agem em manifestações. Um grande número de despolitizados nas ruas, sem lideranças conhecidas e organizados de forma horizontal ficam sujeitos a todo o tipo de manipulação. São alvo fácil para todo tipo de agenda. Desde a dos militares que se revoltam contra a Comissão da Verdade a outros agentes interessados em criar algum tipo de instabilidade institucional.
CONJUNTURA INTERNACIONAL INDICA CONSPIRAÇÃO?
O Brasil é o pilar central de sustentação de um projeto alternativo à hegemonia completa dos Estados Unidos na América do Sul. Não fosse Lula e Dilma, o risco de uma derrota de Nicolás Maduro em recentes eleições na Venezuela teria sido muito maior. O apoio do Brasil é essencial ao Mercosul, à Unasul e a outras iniciativas de caráter regional.
Desde a ascensão de Hugo Chávez os Estados Unidos desenvolvem planos abertos — via sociedade civil — e secretos para instalar um governo que garanta acesso às maiores reservas de petróleo do mundo em condições mais vantajosas para Washington. Pelo seu tamanho, as reservas da Venezuela são o fiel da balança na determinação dos preços internacionais do petróleo. Em menor escala, o mesmo podemos dizer sobre o pré-sal. Portanto, não devemos descartar 100% a possibilidade de ação subterrânea, especialmente através das redes sociais, onde muita gente atua atrás da cortina do anonimato. O ciberespaço é hoje território de guerra. Mas, repito, não há qualquer indício, nem prova de que isso de fato esteja acontecendo.
BOICOTE TARDIO À COPA?
Sei lá, mas o vídeo bombou.
REVOLUÇÃO COLORIDA?
Duvido. Ou, pelo menos, não existe qualquer prova disso. O dado concreto é de que temos um tremendo descontentamento dos jovens com as instituições brasileiras — e este é o motor principal. Porém, como se perguntou Gilberto Maringoni durante ato da Paulista: como explicar a revolta num país com alta taxa de emprego e com crescimento econômico razoável?
As revoluções coloridas, como se sabe, foram promovidas através de investimento direto ou indireto de ONGs dos Estados Unidos, algumas delas com financiamento público, como o National Endowment for Democracy (NED), que desenvolve programas de “promoção de democracia” em várias partes do mundo; ou a Open Society, do especulador George Soros. Há vários livros ou artigos, como este, descrevendo a atuação mundial destas organizações. Elas foram bem sucedidas em diversas rebeliões que derrubaram governos na Europa Oriental, com a mobilização de jovens através das mídias sociais.
As campanhas obedeciam técnicas inovadoras de marketing, símbolos e palavras de ordem de fácil entendimento. Também há relatos sobre a atuação destes grupos antes ou durante a Primavera Árabe. Argumenta-se que o objetivo dos Estados Unidos é promover governos mais dóceis ou causar instabilidade interna que deixe os governos mais vulneráveis a seus interesses. Na Líbia, a derrubada do ditador pela via militar teria tido o objetivo não de “promover a democracia”, mas de obter melhores condições na exploração do petróleo e eliminar um governo que sustentava o projeto político da África para os africanos, muito parecido com o papel que o Brasil desempenha na América do Sul.
A jornalista canadense Eva Golinger escreveu um livro, chamado USAID, NED e CIA, Uma Agressão Permanente, sobre a atuação destes organismos dos Estados Unidos na Bolívia, Cuba, Honduras e Venezuela (clique no link para baixar o livro em PDF). A possibilidade de um golpe institucional foi aventada por leitores depois que a embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, Liliana Ayalde, foi indicada para ocupar o cargo no Brasil. Ela teve uma longa trajetória na USAID, a agência de desenvolvimento internacional de Washington e estava em Assunção quando o presidente Fernando Lugo foi derrubado.
ATAQUES COMBINADOS?
Muito embora não exista uma coordenação nacional organizada, chama a atenção o fato de que ações parecidas tenham acontecido em lugares distintos, como a repressão a ativistas de esquerda ou de movimentos sociais que portavam seus símbolos. O mesmo se pode dizer dos ataques a viaturas da mídia, uma para cada emissora: Record, SBT e Bandeirantes. Isso é garantia de que a mídia não fará uma cobertura negativa dos acontecimentos? Não sei.
INFILTRADOS NA ESQUERDA? 
Nem um fio de indício ou prova desta teoria conspiratória. Ela é sustentada aparentemente pelos leitores do livro Quem Pagou a Conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura. Este e outros livros demonstram que, ao longo da guerra fria, a agência de espionagem dos Estados Unidos financiou direta ou indiretamente muitas pessoas ou organizações tidas como “de esquerda”.
AÇÃO CLANDESTINA NACIONAL?
Aí, sim. Improvável, mas possível. Hoje, pela segunda vez, a Globo mostrou em jogo da seleção brasileira a marca #ogiganteacordou em cartaz. A primeira foi no jogo Brasil vs. México. Agora, reaparece na partida Brasil vs. Itália. Onde anda aquele guru indiano do José Serra?
COINCIDÊNCIA?
Houve uma campanha midiática contra Lula no ano que antecedeu sua reeleição, em 2005. As denúncias foram formuladas no laboratório de Carlinhos Cachoeira e propagadas pela revista Veja. Dilma Rousseff vive o ano que antecede aquele em que poderá ser reeleita sob várias crises: apagão elétrico que nunca se materializou, hiperinflação do tomate de 5% ao ano e agora rebelião juvenil organizada através das redes sociais. Coincidência? Mas o cavalo-de-pau dado pela mídia na cobertura da rebelião juvenil reforça a tese do oportunismo, não de uma ação pré-organizada.
No Viomundo
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O fator Joaquim Barbosa em 2014

O que significa a pesquisa do Datafolha que pôs JB na frente.
JB dança o Gangnam Style
JB dança o Gangnam Style
O que significa Joaquim Barbosa como o preferido dos manifestantes de São Paulo segundo um levantamento do Datafolha?
Essencialmente, uma coisa: os protestos do MPL, quando foi realizada a pesquisa, já tinham sido usurpados pela direita.
Ou pela classe média “corrupta, egoísta e reacionária” da já clássica definição da filósofa Marilena Chauí.
Joaquim Barbosa, não há surpresa aí, é o herói dessa classe média.
E é, ao mesmo tempo, um instrumento do 1%, representado pelas grandes empresas de mídia.
Isso tudo quer dizer o seguinte: uma coisa é JB ser o mais votado num ambiente dominado por um público reacionário que chama o Bolsa Família de Bolsa Esmola.
Outra coisa, muito diferente, é enfrentar o julgamento das urnas, quando os 99% se manifestam.
É só ver o resultado das três últimas eleições, quando Alckmin e Serra representaram para a classe média, e para a grande mídia, o que JB é hoje.
JB não fala para os 99%. Fato. Logo, seria um candidato natimorto em 2014.
Pode-se imaginar também como, na campanha, se daria a reação à torrente extraordinária de ódio que ele gerou no julgamento do Mensalão.
Sua vida pessoal será devassada impiedosamente, e fatos recentes como a boca livre abjeta que ele proporcionou a uma jornalista da Globo numa viagem à Costa Rica voltarão à cena para assombrá-lo.
A proteção que ele receberá da mídia valerá cada vez menos, é importante lembrar, dado o crescimento avassalador da internet.
Tudo isso posto, é difícil crer que JB seja tolo o bastante para uma aventura na qual será provavelmente destroçado.
Para os brasileiros, a vantagem de uma candidatura de JB seria se livrar dele no STF, de preferência para sempre.
Não é pouca coisa.
Paulo Nogueira
No DCM
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Entre democracia e fascismo

 
O movimento de caráter semi-insurrecional que vemos no país de hoje exige uma reflexão cuidadosa.
Começou como uma luta justíssima pela redução de tarifas de ônibus.
Auxiliada pela postura irredutível das autoridades e pela brutalidade policial, esta mobilização transformou-se numa luta nacional pela democracia.
Se a redução da tarifa foi vitoriosa, a defesa dos direitos democráticos também deu resultado na medida em que o Estado deixou de empregar a violência como método preferencial para impor suas políticas.
Mas hoje a mobilização assumiu outra fisionomia.
Seu traços anti-democráticos acentuados. Até o MPL, entidade que havia organizado o movimento em sua primeira fase, decidiu retirar-se das mobilizações.
Os manifestantes combatem os partidos políticos, que são a forma mais democrática de participação no Estado.
Seu argumento é típico do fascismo: “povo unido não precisa de partido.”
Claro que precisa. Não há saída na sociedade moderna. Às vezes, uma pessoa escolhe entrar num partido. Outras vezes, é massa de manobra e nem sabe.
A criação de partidos políticos é a forma democrática de uma sociedade debater e negociar interesses diferentes, que não nascem na política, como se tenta acreditar, mas da própria vida social, das classes sociais.
Em São Paulo, em Brasília, os protestos exibiram faixa com caráter golpista.
“Chega de políticos incompetentes!!! Intervenção Militar Já!!!”
No mesmo movimento, militantes de esquerda, com bandeiras de esquerda, foram forçados a deixar uma passeata na porrada. Uma bandeira do movimento negro foi rasgada.
A baderna cumpre um papel essencial na conjuntura atual. Reforça a sensação de desordem, cria o ambiente favorável a medidas de força – tão convenientes para quem tem precisa desgastar de qualquer maneira um bloco político que ocupa o Planalto após três eleições consecutivas.
A baderna é uma provocação que procura emparedar o governo Dilma criando uma situação sem saída.
Se reprime, é autoritária. Se cruza os braços, é omissa.
Outro efeito é embaralhar a situação política do país, confundir quem fala pela maioria e quem apenas pretende representá-la.
É bom recordar que a maioria escolhe seu governo pelo voto, o critério mais democrático que existe.
Nenhum brasileiro chegou perto do paraíso e todos nós temos reivindicações legítimas que precisam de uma resposta.
Também sabemos das mazelas de um sistema político criado para defender a ordem vigente – e que, com muita dificuldade, através de brechas sempre estreitas, criou benefícios para a maioria.
Olhando para a maioria dos brasileiros, aqueles que foram excluídos da história ao longo de séculos, cabe perguntar, porém: os políticos atuais são incompetentes para quem, mascarados?
Para a empregada doméstica, que emancipou-se das últimas heranças da escravidão?
Para 40 milhões que recebem o bolsa-família?
Para os milhões de jovens pobres que nunca puderam entrar numa faculdade? Para os negros? Quem vive do mínimo?
Ou para quem vai ao mercado de trabalho e encontra um índice de desemprego invejado no resto do mundo?
Mascarados que arrebentam vidraças, incendeiam ônibus e invadem edifícios trabalham contra a ordem democrática, onde os partidos são legítimos, as pessoas têm direitos iguais – e o poder, que emana do povo, não se resolve na arruaça, pelo sangue, mas pelo voto.
É óbvio que a baderna, em sua fase atual, não quer objetivos claros nem reivindicações específicas. Não quer negociações, não quer o funcionamento da democracia. Quer travá-la.
Enquanto não avançar pela violência direta, fará o possível para criar pedidos difusos, que não sejam possíveis de avaliar nem responder.
O objetivo é manter a raiva, a febre, a multidão eletrizada.
É delírio enxergar o que está acontecendo no país como um conflito entre direita e esquerda. É uma luta muito maior, como aprenderam todas as pessoas que vivenciaram e estudaram as trevas de uma ditadura.
A questão colocada é a defesa da democracia, este regime insubstituível para a criação do bem-estar social e do progresso econômico.
O conflito é este: democracia ou fascismo. Não há alternativa no horizonte.
Quem não perceber isso está condenado a travar a luta errada, com métodos errados e chegar a um desfecho errado.
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Charge online - Bessinha - # 1830

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Grupos fascistas pagos jogaram bombas em passeata

Em São Paulo, jovens fazem saudação nazista na manifestação da quinta-feira 20. No Rio de Janeiro, agressões a quem portava uma bandeira de partido político ou movimento social
Na última quarta-feira 19, deputados federais do Rio de Janeiro divulgaram uma carta aberta aos manifestantes sobre os atos que tomaram as ruas de várias cidades do Estado:
 Nós, deputados federais do Rio de Janeiro, sentimo-nos estimulados e saudavelmente cobrados por essas manifestações que tomam as ruas das nossas cidades. Aos milhares que, mobilizados pela internet, saem para as passeatas, transitando do virtual para o presencial, dizemos: VOCÊS NOS REPRESENTAM! Inclusive quando questionam o padrão rebaixado da política movida a interesses menores e também distante de ideias e causas.
 Temos orgulho de nossos mandatos políticos e queremos colocá-los à disposição das justas demandas por transportes públicos eficientes, redução das tarifas, educação e saúde pública de qualidade, ética na política, transparência e prioridade social nos orçamentos públicos. As grandes lutas sociais de nossa história, que alcançaram vitórias concretas, tiveram a participação de organizações partidárias vinculadas ao povo.
Entre os signatários, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB, que me concedeu esta entrevista.
Viomundo – Na quinta-feira 20, houve atos de violência e depredações em alguns pontos da cidade do Rio de Janeiro. Os manifestantes continuam representando- a?
Jandira Feghali – Mantenho a mesma posição de apoio, pois a grande maioria da manifestação não tem nada a ver com a confusão que aconteceu. Majoritariamente ela continua agindo de maneira democrática, com bandeiras justas pela educação, saúde, mobilidade urbana, contra o fundamentalismo em relação à diversidade.
Viomundo – E a destruição de patrimônios históricos do Rio?
Jandira Feghali – Aí está o problema. Existem dois grupos minoritários, que estão quebrando, destruindo, partindo para a violência, que nós não apoiamos. Acredito que também a sociedade e os manifestantes também não os apoiam.
Viomundo – Quais seriam?
Jandira Feghali – Um é o anarco-punk, que desde o início sabíamos que existe e está presente em vários lugares. Seus integrantes acham que os símbolos do capital e do poder tem de ser depredados, destruídos. Daí os ataques a bancos, assembleias legislativas, patrimônios históricos. Eles acham que uma revolução se faz assim.
Existe outro grupo que, no Rio de Janeiro, só ficou mais explícito na manifestação da última quinta-feira. É um grupo fascista, de direita, que atacou não apenas as poucas bandeiras de partidos e  entidades, tocando-lhes fogo, rasgando-as, mas que jogou bombas nos próprios manifestantes, machucando muitos. Eles são nitidamente pagos e organizados. Isso é grave e nos preocupa, pois podem partir para agressões mais pesadas e gerar uma tragédia.
Viomundo – Como a senhora sabe que são grupos pagos?
Jandira Feghali – Eles foram identificados  por pessoas de entidades democráticas. Eram caras que usavam jaqueta e gravata, davam ordem para agredir aqui, ali, acolá.  Não jogaram bombas em bancos, prédios, polícia.  Jogaram no carro de som da manifestação, diretamente nas lideranças, nos ativistas, que estavam celebrando. Eles acabaram produzindo uma série de confusões para dentro da passeata.
São típicos grupos de fascistas. São pagos para gerar confusão entre os manifestantes e gerar uma mídia antipartidária, antidemocrática. Repito: acho isso muito grave e tem de ser denunciado abertamente por nós, pois fere o estado democrático de direito, a livre liberdade de manifestação.
Viomundo – O que acha  de bandeiras de partidos e movimentos sociais terem sido destruídas e militantes de partidos agredidos? 
Jandira Feghali – Nós não estamos na época da ditadura em que as pessoas eram proibidas de se manifestar. Os partidos são parte da luta democrática. Aliás, essa liberdade de estarmos nas ruas como hoje é também consequência da luta dos partidos, que perderam militantes na ditadura e lutaram para que houvesse essa liberdade de manifestação.
Portanto, os partidos são parte do processo. Ninguém quer tutelar nada. Eu acho que não tem de ter a tutela de absolutamente ninguém. E o movimento tem que ser amplo, suprapartidário mesmo, com os movimentos sociais.
Nós queremos que essas manifestações legítimas de desejos tenham vitórias, conquistas concretas, nas bandeiras importantes. Mas não queremos que isso seja confundido com bandeiras da direita, atrasadas, contra a liberdade de expressão e de manifestação de partidos políticos, de LGTB, do movimento negro ou de uma juventude que não milita em partido.
Viomundo – O que fazer agora?
Jandira Feghali – Nós  não podemos admitir que atos fascistas, provocatórios, que se expressam através de movimentos organizados e pagos, possam gerar alguma tragédia, algum mártir.  Ou confundir o processo que está se dando nas ruas. Nós temos de denunciar isso. Também temos de excluir esse esse comportamento fascista para que a beleza do que foi para as ruas movimento possa avançar de maneira democrática.
Os jovens têm que ficar antenados para se definir de forma ampla. Precisam aprender que a liberdade e a democracia são os maiores bens da sociedade brasileira.
Conceição Lemes
No Viomundo
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O fascismo mostra sua face - (vídeo)

:
As "minorias radicais", que têm marcado presença nas manifestações, já perderam o pudor e espalham vídeos na internet fomentando o ódio político; um exemplo é o vídeo "Se liga, Roussefão"; confira o vídeo em que ele promete invadir o Planalto e "estrangular o castor selvagem"
Os fascistas, aos poucos, mostram sua face. E disseminam materiais na internet que fomentam o ódio político. É o caso do vídeo "Se liga, Roussefão", postado pelo internauta Scarpelly, que defende sua revolução e promete invadir o Palácio do Planalto para estrangular o "castor selvagem". Confira:


SCARPELLY SE LIGA ROUSSEFFÃO por RABISKDO
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Fascismo no Brasil de hoje*

http://www.mises.org.br/images/articles/2012/Junho/fascismo.jpg 
Os regimes fascistas em muitos aspectos não eram diferentes de outras experiências históricas caracterizadas pelo terror do Estado contra movimentos populares, etnias, trabalhadores, sindicatos e organizações de esquerda. Mas o que apareceu na Alemanha e na Itália tinha algo específico. No primeiro momento ninguém se deu conta. Os soviéticos usaram um conceito genérico. Disseram que era uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários do grande capital.
Se fosse isso apenas não seria uma novidade. O fascismo tinha de fato em comum com outras ditaduras burguesas vários aspectos: era uma forma de dominação com métodos terroristas, impedia o exercício de direitos, liberdades e garantias básicas dos indivíduos e esmagava movimentos populares e organizações de esquerda. Podemos identificar algo assim na Comuna de Paris, muito tempo antes. Um governo popular foi esmagado com extrema crueldade e 20 mil “comunards” foram executados. No entanto, soaria meio estranho dizer que Thiers era fascista.
Quem pôs o ovo em pé foi Palmiro Togliatti, histórico dirigente do Partido Comunista Italiano. Ele viu que era uma ditadura de direita, mas de novo tipo. Além do terror, buscava o consenso e queria capturar a consciência das massas. O objetivo era transformar a sociedade em um organismo e eliminar conflitos. Isto sim era novidade histórica.
Um novo tipo de dominação naquele momento era necessário porque surgira o poder bolchevique. Até então o socialismo era uma ameaça detida pela só violência. Mas comunistas tomaram o poder na Rússia e se consolidaram no poder. Um desafio novo exigia respostas novas: não bastavam a violência e o terror do Estado, era preciso tornar a sociedade imune a transformações uniformizando-a. Era preciso dominar a consciência de uma parte da sociedade para excluir a outra parte.
Domina-se uma consciência operando com a ideia de verdade. Uma visão de mundo, um interesse de classe, um ponto de vista, a ideia de conservação, todo o ideário reacionário torna-se “verdade”. Particularmente no caso do nazismo isto se deu por uma apropriação perversa do romantismo filosófico. A base do romantismo filosófico era uma ruptura com a ideia usual de verdade. No conceito clássico imaginava-se que a consciência se apropriava de uma verdade como se fosse, digamos, uma máquina fotográfica. No romantismo filosófico o eu cria a verdade. O espírito livre passa a ser senhor absoluto do dever ser. Quando está apenas submetido às leis necessárias da natureza o espírito está morto. Quando faz suas próprias regras o espírito está vivo.
Para Fichte, escrevendo em plena invasão napoleônica, esse eu criador seria o povo alemão. Fichte inspirou o “volkisch”, movimento que grassou na Alemanha no século XIX. “Volkisch” significava mais ou menos poder do povo, espírito do povo, mas com uma conotação étnica. Abarcava o sangue, a tradição, a pátria, o ambiente, a terra e permeando isso tudo a etnia. O filósofo romântico pensava que o povo alemão emanciparia a humanidade. Lançaria “massas rochosas de pensamentos” sobre os quais “eras vindouras construiriam suas moradas”. O espírito alemão era uma “águia cujo poderoso corpo se impele ao alto e paira sobre asas fortes e experientes no céu para poder ascender para perto do sol, de onde ele gosta de observar”. (Discursos à Nação Alemã)
Conhecemos os resultados dessa apropriação do romantismo pelo regime nazista. O sujeito - o povo alemão - cria seu mundo, cria a moral. Tudo que estivesse na perspectiva do povo alemão - entendido como “volkisch” , etnicamente - seria bom e verdadeiro. Tudo que não estivesse seria mau e falso. Ou uma doença para o “organismo”.
O Estado nazista criou uma polícia e um processo penal volkisch. Um historiador do nazismo os descreve assim: “esse tipo de polícia “volkisch”, ou biológica, da polícia foi apresentado ao povo alemão como a base racional para o que a polícia fazia. Himmler informou tranquilamente em março de 1937, que a tradição do Estado mínimo estava morta, assim como a velha ordem liberal na qual, pelo menos em teoria, a polícia era neutra. Enquanto a velha polícia vigiava mas não interferia para cumprir agendas de seu interesse, a nova polícia, disse ele, não estava mais sujeita a quaisquer restrições formais para realizar sua missão, que incluía fazer valer a vontade da liderança e criar e defender o tipo de ordem social que esta desejava. Segundo Hans Frank, era impensável que a polícia ficasse meramente restrita à manutenção da lei e da ordem. Ele disse que esses conceitos costumavam ser considerados neutros e livres de valores, mas na ditadura de Hitler ‘a neutralidade filosófica não existe mais’, isto é, apoiar ou abraçar qualquer outra visão política a não ser o nazismo era um crime. Para a nova polícia, a prioridade era ‘a proteção e o avanço da comunidade do povo’, e contramedidas policiais eram justificadas para deter toda “agitação” oposta ao povo, que precisava ser sufocada”. A polícia podia tomar quaisquer medidas necessárias, incluindo a invasão de lares, ‘porque não existe mais esfera privada, na qual o indivíduo tem permissão para trabalhar sem ser molestado na base da vida da comunidade nacional-socialista. A lei é aquilo que serve ao povo, e ilegal é aquilo que o fere’”.(Robert Gellately, Apoiando Hitler – Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista, p. 79/80)
Nesse momento desaparece a herança iluminista do processo. A polícia pode tudo. Basta entender que certa conduta é contrária ao “povo”. Provas e procedimentos são desnecessários porque o processo é outro: um simples juízo a cargo de uma autoridade qualquer.
Sempre que de algum modo o diferente é tratado como inimigo, excluído do povo, desqualificado em sua humanidade, associado a desvalores, mau, falso, injusto, sujo, sempre que alguém procura uniformizar o meio social como um organismo por tal método, estamos diante de uma atitude fascista. A chave é essa: alguns são “o povo” e devem ser protegidos; outros não são o povo, não tem direitos e podem ser excluídos.
O ódio à diferença é o fenômeno social fascista por definição. Há hoje no Brasil problemas com a diferença. Devemos prestar atenção quando a luz amarela acende.
A inculta e selvagem classe média brasileira tem horror à diferença. Não gosta de negro, não suporta homossexual, não quer pobres por perto a não ser para limpar suas privadas. Quando é de direita – quase sempre – tem ódio da esquerda. Não é apenas contra. Não é que discorda. Odeia. A classe média brasileira é a favor da pena de morte, da redução da maioridade penal, da execução sumária de transgressores, repete frases como “bandido bom é bandido morto” e seu ideal de polícia é tal qual o “volkisch” da Alemanha nazista, mas isso, claro, quando o acusado é pobre, negro, puta, gay, etc.
O julgamento da AP 470 (o “mensalão”) teve a ver com a rejeição do diferente. Não se tratou de uma questão meramente partidária. Engana-se quem pensa isso. Pau que bate em Chico bate em Francisco. O PT não é hoje exatamente um partido rebelde, mas a questão era simbólica. O PT está associado no imaginário social à esquerda e muitos dos seus quadros são “outsiders” em relação à elite branca universitária que sempre foi dona do poder e sempre ganhou eleições presidenciais. Colocar seus quadros na prisão no vislumbre de uma edição do Jornal Nacional em que aparecerão algemados será o início do pretendido processo de “higienização” da política. Subliminarmente faz-se a associação de uma concepção não conservadora do mundo ao crime.
O STF distorceu doutrinas jurídicas, desrespeitou a própria jurisprudência, decidiu diversamente do que havia decidido pouquíssimo tempo antes para declarar-se competente (apenas três dos trinta e sete réus teriam foro privilegiado, e nesse caso o processo deveria ter sido remetido a outra instância). Um ministro declarou em sessão, ao vivo para todo o país, que estabelecia a pena sob medida para que não houvesse prescrição. Confessou um ato de vontade à margem da lei para que houvesse a condenação. Nesse momento desapareceu a figura do julgador e surgiu a do inquisidor. Não queria julgar, queria condenar. Uma ministra reconheceu que não havia provas suficientes, mas a “literatura” permitia condenar...
Tudo isso foi possível porque existe em parte da sociedade (com apoio aberto da grande midia) um ambiente favorável à exclusão de outra visão do mundo que não a conservadora. Não um mero combate, o que seria normal da política, mas exclusão. Esse é o ponto. O diferente deve ser excluído e para isso vale o ordenamento jurídico do lobo e do cordeiro, a norma que permite ao lobo jantar o cordeiro e que pode ser qualquer uma.
Colunistas ou comentaristas políticos de direita costumam agora utilizar o mais rasteiro e pobre dos recursos de argumentação, o argumento ad hominem. A estratégia é desqulificar a pessoa, a história familiar, um suposto problema do pai, da mulher, do tio, etc. As pessoas de esquerda são assim, gente sem valor desde a origem familiar. Subrepticiamente afirma-se que o desvalor está na constituição genética ou foi impresso pelo ambiente de onde vieram. A contrario sensu os que os combatem são limpinhos e saudáveis. Às vezes aparece uma descarada eugenia, como a chocante matéria de uma revista semanal que dizia que, segundo uma pesquisa científica, pessoas altas ganham mais dinheiro. O sucesso dependeria de uma condição biológica que em geral se desenvolve nas camadas privilegiadas da sociedade, constituída por descendentes de europeus, mais altos na média do que o brasileiro não branco.
O trágico episódio do Pinheirinho escancarou a violência de que essa gente é capaz de praticar ou de apoiar. Os diferentes nunca têm os mesmos direitos. Mais uma vez, contra eles pode-se tudo. A vida de 6 mil pessoas foi destruída por máquinas passando em cima de suas casas às 5,30 hs de uma manhã de domingo, com o aviso prévio suficiente para tirar o bebê do berço e correr. Não sei o que pode ser mais parecido com o Judiciário alemão sob o nazismo do que isso.
Uma parte desta sociedade pensa que o Brasil deve ser o espelho deles, do mesmo modo como a cultura “volkisch” queria que a Alemanha fosse o seu espelho.
Esta sociedade protegerá os direitos dos brancos, dos negros, dos amarelos, dos gays, dos travestis, dos indígenas, dos drogados, dos loucos, dos bêbados, das putas e será a sociedade de toda incusão. Não será a sociedade dos brancos de classe média heterossexuais (supostamente).
É escolher entre democracia ou barbárie.
* Texto baseado em apresentação feita no seminário “Resistência Democrática - Diálogos entre Política e Justiça”, promovido pela Escola da Magistratura do Rio de Janeiro de 15 a 17 de maio deste ano.
Márcio Sotelo Felippe, jurista, ex-Procurador Geral do estado de São Paulo (1995-2000), autor do livro Razão Jurídica e Dignidade Humana, publicado pela editora Max Limonad.
No GGN
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Globo e Gurgel querem você contra PEC 37. É bom?

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A Globo, maior grupo de mídia do País, comandado por João Roberto Marinho, escalou todos os seus colunistas para bombardear a PEC 37, que disciplina os poderes do Ministério Público; enquanto isso, o procurador-geral Roberto Gurgel, publicou anúncio em Veja, afirmando que a eventual aprovação da PEC 37 significa tapar os olhos e a boca de cada brasileiro; por trás dessa pressão nem tão anônima, existe uma aliança espúria que pretende desmoralizar de vez a política, o que interessa, sobretudo, à Globo; sem a urna, prevalece a rua, manipulada por quem fala mais alto
Se você é um indignado sem causa e encontrou na Proposta de Emenda Constitucional 37 um bom motivo para protestar, cuidado. É grande a chance de que você esteja sendo manipulado.
A começar pela Rede Globo, que, de forma escancarada e quase patética, escalou todos os seus colunistas para gritar contra a PEC 37.
Foi o que fez, por exemplo, a jornalista Miriam Leitão, que, não satisfeita em abordar o tema na sua coluna, disse que deu uma aula sobre a PEC para a sua arrumadeira (leia mais aqui).
Assim como ela, João Ubaldo Ribeiro, também tratou da PEC 37. Disse que o assunto não tem nada a ver com as passeatas, mas soltou um "tomara que tenha" (leia mais aqui).
Merval Pereira, óbvio, também é contra a PEC 37. E disse que essa manifestação espontânea acabou sendo sabotada pela agenda do Movimento Passe Livre!!! (leia mais aqui).
Se isso não bastasse, foi ainda patética a cena em que uma repórter da GloboNews tenta impor a um dos líderes do MPL que abrace a causa contrária à PEC 37 (assista aqui).
E houve ainda a cena impagável no Bom Dia Brasil, em que um repórter da Globo pergunta a uma jovem da periferia sobre o que ela protesta – e ela responde, antes de olhar para o cartaz que tinha nas mãos: "Deixa eu ver... é sobre essa PEC".
Tudo isso, sem falar na campanha ostensiva contra a PEC de nomes como Leilane Neubarth, Renata Lo Prete e todos os outros que passam pela tela da Globo.
Está claro, portanto, que a família Marinho é contra a PEC 37. Os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto ainda não assumiram suas posições publicamente, mas não faltam colunistas que falem por eles.
A questão é: por que a Globo se coloca de forma tão contrária à PEC 37?
Ah, porque isso é coisa de mensaleiro petralha, que não quer ser investigado pelo Ministério Público.
Será mesmo?
A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, fechou posição em defesa da PEC 37, argumentando que o papel do MP não é presidir inquéritos criminais, mas sim, supervisionar e fiscalizar investigações conduzidas pela Polícia Judiciária (leia mais aqui).
Ah, mas isso é porque advogados defendem bandidos. Bom, se esse argumento fosse válido, tanto melhor para os advogados, que teriam mais clientes, sem a PEC 37.
Agora, responda duas questões. Quem, em sua história, defendeu mais as liberdades democráticas: a Rede Globo ou a OAB? Quem se preocupa mais com as garantias individuais: a família Marinho ou a advocacia?
Antes de tomar uma decisão sobre a legitimidade ou não da PEC 37, faça o confronto entre duas personalidades.
O procurador-geral Roberto Gurgel, que autorizou a compra de vários equipamentos de escuta telefônica pelo Ministério Público e tem sido acusado de escolher alvos de acordo com suas preferências políticas, naturalmente, é contra a PEC 37.
O novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, é favorável.
O MP, chefiado por Gurgel, publicou anúncio na revista Veja, cuja mensagem é ameaçadora. Se a PEC 37 vier a ser aprovada, os brasileiros terão olhos fechados e boca tapada.
Barroso fez um parecer cristalino (leia mais aqui).
O que merece maior confiança: o senso de Justiça de Gurgel ou de Barroso?
Se você já tomou sua decisão, um ponto ainda merece reflexão.
Afinal, por que tanto barulho em torno dessa PEC 37?
Simples.
Por trás disso, há uma disputa de poder.
A democracia brasileira vem sendo vilipendiada e desmoralizada pela grande imprensa nos últimos anos.
Em parte, claro, por culpa dos próprios políticos.
Mas o que resta sem a política?
A barbárie.
Sem a urna, prevalece o barulho da rua.
E quem manipula a rua?
Quem fala mais alto.
Pensou Globo?
No 247
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