22 de jun de 2013

Polícia Federal invade a sede da Federação Anarquista Gaúcha

Na tarde desta quinta feira, 20/06/2013, entre 12 a 15 agentes a paisana, em blazers e utilizando coletes pretos, dizendo ser da Polícia Federal arrombaram e invadiram o Ateneu Batalha da Várzea, espaço político social da Federação Anarquista Gaúcha localizado na Travessa dos Venezianos, e levaram diversos de nossos materiais. Os agentes não apresentaram mandato de busca e apreensão aos vizinhos que buscaram se informar do que se passava. Além disso, agentes, também a paisana, buscaram prender uma companheira em sua casa nessa manhã.
A FAG é uma organização política com 18 anos de existência pública. Ao longo destes anos nunca nos escondemos, sempre mantivemos nossos espaços públicos onde realizamos inúmeras atividades de ordem política e cultural assim como nossa atuação no campo popular e da esquerda gaúcha e nacional. O Ateneu é um espaço onde ao longo de 03 anos temos dado sequência a essas atividades, mantendo uma biblioteca pública e realizando periódicas atividades.
Recordamos também que em Outubro de 2009 tivemos nossa antiga sede, à época localizada na Lopo Gonçalves, invadida pela Polícia Civil por ordens da então governadora Yeda Crusius em função de um cartaz onde a responsabilizávamos, e seguimos responsabilizando, pelo assassinato do militante do MST Elthon Brum em São Gabriel. Na ocasião tivemos todos os materiais da sede apreendidos, levaram inclusive nossas lixeiras.
Desta vez, após inúmeros factóides publicados na RBS, acusando-nos de sociopatas e fantasiando que estaríamos tramando em conjunto com militantes de outros países o emprego de táticas de guerrilha na cidade, com o nítido motivo de semear pânico e instigar a repressão a nossa militância.
Assim como as provocações e factóides plantados pela imprensa reacionária, a repressão empregada pelos aparelhos de repressão do Estado burguês não é nenhuma novidade à nós. Desde nossa origem enquanto corrente política temos sido alvo da sanha repressiva dos patrões em conluio com o Estado. Há mais de um século temos resistido a todas essas investidas covardes, com o punho e a cabeça erguida e não será este episódio que irá afrouxar nossa combativa militância.
Responsabilizamos, por fim, os governos municipal, estadual e federal por mais este ataque covarde a nossa organização. Não nos intimidaremos e seguiremos empregando todos nossos esforços na construção de um povo forte, de um campo popular combativo que organize os oprimidos deste país e suas legítimas demandas.
Não passarão!
Abaixo a repressão aos que lutam!
Federação Anarquista Gaúcha - FAG
20 de Junho de 2013
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Contra a PEC 37, mídia manipula opinião pública

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Vendida à opinião pública como uma iniciativa de mensaleiros, petistas e corruptos em geral, a Proposta de Emenda Constitucional 37 apenas disciplina um artigo da Constituição Federal, que não prevê o Ministério Público no comando de inquéritos criminais, mas, apenas como organismo complementar à polícia e de controle sobre ela; além da forte campanha da Globo contra PEC 37, Folha e Abril agora se engajam na mesma causa; no entanto, OAB já se manifestou em favor da PEC, que tem também apoio de diversos juristas; saiba do que se trata para não comprar gato por lebre
No Jornal Nacional desta sexta-feira, foi chocante a tentativa da Globo de convencer o estudante Lucas Monteiro, um dos integrantes do Movimento Passe Livre, a aderir a causas da própria Globo, como é a rejeição à PEC 37, que define com mais clareza o papel do Ministério Público. Monteiro deixou claro que a agenda do MPL é apenas a questão do transporte público (assista aqui).
No entanto, aos poucos, o rumo dos protestos começa a ser determinado pela agenda também dos meios de comunicação. Neste sábado, o Uol, portal do grupo Folha, informa que o principal objetivo dos protestos é gritar contra a PEC 37 (leia aqui). Em Veja, uma pesquisa do Departamento de Inteligência e Pesquisa de Mercado Abril, que supostamente entrevistou 9.088 pessoas, apontou o "Não à PEC 37" como a segunda principal bandeira dos manifestantes – a primeira seria o combate à corrupção.
Mas será que a multidão que tomou as ruas do Brasil sabe mesmo do que trata a PEC 37? Será que sabem que a iniciativa tem apoio institucional da Ordem dos Advogados do Brasil? Será que sabem que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, autorizou a compra de equipamentos de escuta, e que, se não houver freios, milhares de brasileiros poderão ser bisbilhotados?
Confira, abaixo, reportagem recente do portal Conjur, que explica por que a OAB se manifesta a favor da PEC 37:

Presidente da OAB-SP elogia apoio institucional à PEC 37

O presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcos da Costa, cumprimentou o Conselho Federal por apoiar institucionalmente a aprovação da PEC 37. “Essa tomada de posição [em reunião na segunda-feira (20/5)] é importantíssima para restabelecer o equilíbrio de armas entre acusação e defesa e teve nos argumentos do membro nato da OAB, José Roberto Batochio, e dos conselheiros federais por São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso e Guilherme Batochio, um forte componente que ajudou no convencimento do plenário. Foi uma vitória da advocacia, que unificou seu discurso sobre tema de tamanha relevância”, disse.
A matéria foi proposta pelo conselheiro federal Pedro Paulo Guerra de Medeiros, de Goiás, e teve como relator o conselheiro Leonardo Accioly, de Pernambuco, que votou para que a OAB se exima de manifestação pública sobre a PEC 37, mas foi vencido pela maioria do plenário.
O primeiro e decisivo argumento a favor do apoio à PEC foi do membro nato da OAB, José Roberto Batochio, que preside a Comissão de Defesa da Constitucionalidade das Investigações Criminais. Ele argumenta que a edição da Resolução 13 do Conselho Nacional do Ministério Público, que atribui competência ao MP para atuar em inquéritos policiais, levou à criação da PEC. Segundo ele, a proposta de emenda é meramente declaratória, mas necessária para reafirmar o que está fixado pela Constituição Federal.
Os conselheiros federais Luiz Flávio D’Urso e Guilherme Batochio participaram ativamente do debate no plenário, explicando aos demais conselheiros a necessidade do apoio à PEC e como o MP atua ilegalmente na persecução penal. Para D’Urso, embora a proposta de emenda reprise o óbvio, é fundamental apoiá-la. “Se concedermos ao Ministério Público o poder de promover a investigação penal — que é da competência da Polícia Judiciária — seria como promover a subversão de um sistema que busca controlar a atuação do próprio Estado”, diz.
O conselheiro Guilherme Batochio refutou a tese do Ministério Público de “quem pode mais, pode menos”. Para ele, embora o MP tenha a prerrogativa de oferecer denúncia em Juízo, não pode promover a investigação de natureza criminal. Ao final da sessão, o Conselho Federal da OAB decidiu criar a Comissão de Acompanhamento e Aperfeiçoamento da proposta de emenda constitucional, que será presidida por José Roberto Batochio, e apresentará sugestões sobre a PEC 37 à Câmara. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-SP.
Assista, ainda, entrevista de Batochio, sobre a PEC 37:
No 247
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FHC se omite. Que o Minha Casa pegue fogo!

Como em 1964, São Paulo é o paiol da crise
Saiu na Folha:

Nenhum partido vai ganhar com protestos, afirma FHC

Ex-presidente diz que políticos vão fracassar se tentarem capitalizar movimento
Tucano duvida da capacidade que eles terão de entender a insatisfação expressada pelos jovens nas ruas
Há um desencantamento?
Sim. As pessoas melhoraram de vida, mas o governo é tão propagandista de uma maravilha virtual que há um descolamento. Veja os nomes de programas de governo. É tudo marquetagem: “Minha Casa, Minha Vida”, “Minha Casa Melhor”. Criaram uma camada virtual de bem-estar que agora o pessoal questiona. O dia a dia é mais duro do que o que o governo diz.
O excelente repórter Cassiano Elek Machado observa:
“A trilha sonora na sala do apartamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no final da tarde de quinta-feira, era composta por sirenes de carros e pelo barulho dos helicópteros que passavam a caminho dos protestos na avenida Paulista.“
Apesar desse clima de “guerra civil” do lado de fora da janela de um modestíssimo apartamento no bairro de Higienópolis, um ex-Presidente da República é incapaz de uma palavra pacificadora, que desarmasse os espíritos.
Um gesto para restabelecer a ordem e a tranquilidade.
Que tivesse não mais que um segundo de estadista.
Mas, não.
Ele prefere demonstrar o ressentimento, a inveja.
Ele que, em oito anos de Governo, foi incapaz de uma única obra que utilizasse pedra, tijolo e cimento, se corrói com 1,2 milhão de casas no Minha Casa.
E outras, 1 milhão, até as próximas eleições.
FHC tem a dimensão da nota de pé de página que o acolherá na História.
Em tempo: José Sarney esteve ontem, sexta-feira, no Palacio, com Dilma a analisar as manifestações. E certamente para ajudá-la. FHC, em Higienópolis, se deixava governar pelo fígado.
Em tempo2: a posição oficial do PSDB se conhecerá na segunda- feira no campeão de IBOPE em São Paulo, o programa “Roda Morta”, da TV Cultua. Semana passada entrevistaram um apartidário do Passe Livre. Nesta próxima, entrevistarão outro apartidário: o Padim Pade Cerra.
Em tempo3: como em 1964, São Paulo é o paiol da crise.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Por que Jabor e os blogueiros da Veja mudaram de opinião sobre os protestos?

Os insultos dos primeiros dias sumiram.
Os três blogueiros da Veja e mais o professor Vila formam um Quarteto Fantástico
Os três blogueiros da Veja e mais o professor Vila (segundo da esquerda para a direita)
A revista Veja parece estar sob nova administração, poucas semanas depois da morte do proprietário e editor Roberto Civita.
A capa de José Dirceu parece ter sido a última de uma era em que a revista foi, quase sempre, detestável.
O sinal de mudança está na cobertura dos protestos, primeiro no papel e depois na internet.
Na internet, nos primeiros dias, a revista pareceu seguir inercialmente a orientação anterior de reacionarismo inflamado e desconectado da realidade.
O blogueiro Reinaldo Azevedo comandou a cobertura inicialmente, e logo foi seguido por seus colegas Augusto Nunes e Ricardo Setti, como o Diário notou anteriormente.
Azevedo chamou os manifestantes de vagabundos, celerados, remelentos, terroristas e vândalos.
Ele parecia ecoar o promotor Rogério Zagallo, que pedira à Tropa de Choque que atirasse nos “bugios” porque eles estavam provocando um congestionamento no local em que ele estava com seu carro.
Nunes seguiu na mesma linha. Setti também. Ele chegou a republicar um artigo do publicitário aposentado Neil Ferreira no qual este, como Zagallo, sugerir passar fogo nos manifestantes, parte de uma “guerra suja”.
Parece claro que Azevedo e companheiros, como Zagallo, cometeram um erro de avaliação monumental: associaram o MPL ao PT.
A mudança veio na edição impressa.
A Veja, para surpresa de muita gente, não rosnou como seus blogueiros. Os jovens nas ruas já não eram vagabundos.
O que ocorreu?
Provavelmente, uma conversa. Não mais que isso.
Os herdeiros de Roberto Civita, Gianca (área administrativa) e Titi (conselho editorial) devem ter dito que não estavam de acordo com aquela visão que vinha se propagando no site. A reputação da revista já tinha problemas antigos. Mas a deles ainda não.
Quem conhece as cúpulas das empresas jornalísticas sabe bem que quinze minutos de conversas são suficientes para conversões profundas em editores que pareciam fanáticos.
O que se viu, depois que a Veja da semana passada chegou às bancas, foi uma mudança de tom veloz nos blogueiros.
O momento mais icônico – e divertido – foi um texto em que Setti dizia, do nada, que sabia que tinha “exagerado” ao chamar os manifestantes de baderneiros.
Augusto Nunes mudou de assunto por algum tempo, e ao voltar estava bem diferente. Pelo que entendi, parecia interessado em entender o significado dos protestos.
Não quer dizer, é claro, que a revista se tornará libertária. Mas é previsível que ela vá buscar um tom de conservadorismo civilizado, como a The Economist, para ficar num bom caso.
Na Globo, uma conversão súbita parecida ocorreu com Arnaldo Jabor.
Dias depois de fazer um pronunciamento histérico contra os protestos, tomado como se fosse Feliciano, ele se desculpou abjetamente.
Quem acredita que ele não recebeu uma instrução para se desdizer acredita em tudo, para usar a máxima de Wellington.
As palavras odiosas de Jabor circularam amplamente na internet e cobraram seu preço. Sempre que os manifestantes encontravam um repórter da Globo, a hostilidade era imediata.
Caco Barcellos, tido como uma voz destoante no ultraconservadorismo da Globo, levou um sopapo e foi expulso vergonhosamente de uma manifestação.
Num gesto de desespero e de automutilação, a Globo tirou a marca dos microfones de seus jornalistas, para preservar sua integridade física.
Caco apanhou por Jabor, pode-se dizer.
Nos últimos dias, o tom bem mais baixo, Reinaldo Azevedo tem repetido que seu blog bate incessantemente recordes de audiência. (Pode-se imaginar a qualidade do público atraída pela pregação de ódio obtuso de Azevedo.)
Os anúncios autocongratulatórios de recorde podem ser um sinal de que ele está sentindo que os ares mudaram na Veja, sob a nova geração de Civitas.
Paulo Nogueira
No DCM
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Isso é Brasil

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A repercussão da manifestação que começou nas redes sociais

O gigante acordou, mas tinha gente que não estava dormindo, então respeitem quem já estava acordado.

É fato que para começar um protesto basta ter um pequeno grupo insatisfeito com alguma questão. A fúria de alguns pode ser rapidamente identificada por outros que também sentem-se mobilizados para “incomodar” a sociedade em prol de seus direitos. Foi assim em 1992 no Brasil e agora é ainda maior, porque a manifestação não começa nem termina nas ruas. Ela está na internet, espalhada, compartilhada e apoiada pelas redes sociais e a pressão pela mudança já começa mesmo antes do grupo de rackers Anonymous. Todo mundo fala, marca os encontros, organiza a pauta e compartilha a “cobertura” em tempo real dos protestos.
Qual é o impacto disso? A agência Today fez um levantamento nas principais redes sociais do Brasil e mostrou que somente na última segunda-feira (17/6), os protestos que tomaram o país foram mencionados 548.944 vezes, sendo que 88% desses comentários vieram do Twitter (483.839). No Facebook, a participação foi de 10%, enquanto outras mídias responderam por 2% da repercussão. Entre os termos mais mencionados, estiveram #vemprarua, #ogiganteacordou, #protestosp, #mudabrasil e #semviolencia.
O infográfico ilustra que durante o dia, a participação nas redes sociais teve um crescimento constante a partir do início oficial das manifestações, às 17h. Neste horário, 35.668 menções foram feitas. Veja mais informações coletadas:
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Resolução do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

RESOLUÇÃO Nº 6, DE 18 DE JUNHO DE 2013


PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS
CONSELHO DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA
DOU de 19/06/2013 (nº 116, Seção 1, pág. 2)
Dispõe sobre recomendações do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana para garantia de direitos humanos e aplicação do princípio da não violência no contexto de manifestações e eventos públicos, bem como na execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse.
A MINISTRA DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, na qualidade de PRESIDENTA DO CONSELHO DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei nº 4.319, de 16 de março de 1964, dando cumprimento à deliberação unânime do Colegiado do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, realizada em sua 218ª reunião ordinária;
considerando que a Constituição Federal em seu art. 5º, IV, IX, XVI, assegura os direitos humanos de reunião e de livre manifestação do pensamento a todas as pessoas pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
considerando que a execução de mandados judiciais devem se respaldar nos ditames do Estado Democrático de Direito e no resguardo da integridade física de todas as pessoas;
considerando o disposto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, promulgado pelo Decreto nº 594, de 6 de julho de 1992, especificamente em seus Arts. 6º, 7º e 19, e na Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, promulgada pelo Decreto nº 40, de 15 de fevereiro de 1991;
considerando o disposto no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 34/169, de 17 de dezembro de 1979; nos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes, realizado em Havana, Cuba, de 27 de Agosto a 7 de setembro de 1999; nos Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução 1989/61, de 24 de maio de 1989;
considerando o disposto na Portaria Interministerial SDH/MJ nº 4.226, de 31 de dezembro de 2010, que estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de segurança pública;
considerando a Resolução nº 8, de 20 de dezembro de 2012 do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana;
considerando o disposto no Manual de Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse Coletiva, editado pelo Departamento de Ouvidoria Agrária e Mediação de Conflitos do Ministério do Desenvolvimento Agrário, recomenda:
Art. 1º - Esta Resolução dispõe sobre a garantia de direitos humanos e aplicação do princípio da não violência no contexto de manifestações e eventos públicos, bem como na execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse.
Paragrafo único - A atuação do Poder Público deverá assegurar a proteção da vida, da incolumidade das pessoas e os direitos humanos de livre manifestação do pensamento e de reunião essenciais ao exercício da democracia, bem como deve estar em consonância com o contido nesta Resolução.
Art. 2º - Nas manifestações e eventos públicos, bem como na execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse, os agentes do Poder Público devem orientar a sua atuação por meios não violentos.
Art. 3º - Não devem ser utilizadas armas de fogo em manifestações e eventos públicos, nem na execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse.
Art. 4º - O uso de armas de baixa letalidade somente é aceitável quando comprovadamente necessário para resguardar a integridade física do agente do Poder Público ou de terceiros, ou em situações extremas em que o uso da força é comprovadamente o único meio possível de conter ações violentas
§ 1º - Para os fins desta Resolução, armas de baixa letalidade são entendidas como as projetadas especificamente para conter temporariamente pessoas, com baixa probabilidade de causar mortes ou lesões corporais permanentes.
§ 2º - Não deverão, em nenhuma hipótese, ser utilizadas por agentes do Poder Público armas contra crianças, adolescentes, gestantes, pessoas com deficiência e idosos.
Art. 5º - As atividades exercidas por repórteres, fotógrafos e demais profissionais de comunicação são essenciais para o efetivo respeito ao direito humano à liberdade de expressão, no contexto de manifestações e eventos públicos, bem como na cobertura da execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse.
Parágrafo único - Os repórteres, fotógrafos e demais profissionais de comunicação devem gozar de especial proteção no exercício de sua profissão, sendo vedado qualquer óbice à sua atuação, em especial mediante uso da força.
Art. 6º - Os responsáveis pela atuação dos agentes do poder público deverão equipá-los com meios que permitam o exercício de sua legítima defesa, a fim de se garantir sua integridade física e reduzir a necessidade do emprego de armas de qualquer espécie.
Art. 7º - O Poder Público da União e de todas as unidades da federação deverá assegurar a formação continuada de seus agentes, voltada à a proteção de direitos humanos e a solução pacífica dos conflitos.
Art. 8º - O Poder Público federal deverá priorizar a elaboração, tramitação e análise de normas que versem sobre o uso da força e, em especial, sobre a utilização de armas de baixa letalidade, considerando os princípios de direitos humanos.
Art. 9º - O CDDPH oficiará os órgãos federais e estaduais com atribuições afetas às recomendações constantes desta Resolução dando-lhes ciência de seu inteiro teor.
Paragrafo único - O CDDPH instalará Grupo de Trabalho sobre Regulamentação de Uso da Força e de Armas de Baixa Letalidade com atribuição específica para aprofundar ações de estudo e monitoramento relacionados ao objeto desta Resolução.
Art. 10 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
MARIA DO ROSÁRIO NUNES
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Ainda sobre os protestos em BH

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Estátua de Pelé é "amordaçada" na cidade natal do jogador

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PeNSE 2012: mais de um quarto dos estudantes com 13 a 15 anos de idade já dirigiu um veículo motorizado

http://2.bp.blogspot.com/-GaxIMwgIm6w/T9nVduWXIvI/AAAAAAAAAMY/mwbhIkPO_G8/s1600/1.jpg 
Apesar de ser proibido pela legislação brasileira, 27,1% dos estudantes do 9º ano, com 13 e 15 anos de idade, informaram ter dirigido um veículo motorizado nos 30 dias anteriores, e 19,3% disseram ter andado de motocicleta sem usar capacete. Essas são algumas das informações captadas pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012, que entrevistou mais de cem mil adolescentes em 2.842 escolas de todo o país.
Através de um questionário eletrônico que preserva a privacidade dos entrevistados, o IBGE captou diversas informações sobre a vida dos estudantes: 28,7% deles informaram que já tiveram uma relação sexual, e 75,3% disseram ter usado preservativo da última vez. Esses percentuais estão em patamares similares aos encontrados por pesquisas semelhantes à PeNSE, realizadas pela OMS em outros países.
A violência também está presente no cotidiano de muitos escolares: 6,4% deles disseram ter se envolvido em brigas com armas de fogo, e 10,6% informaram terem sido fisicamente agredidos por um adulto de sua família. Neste caso, as agressões são um pouco mais frequentes contra as meninas (11,5%) do que contra os meninos (9,6%). Além disso, 7,2% dos escolares afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações dentro da escola, e 20,8% praticaram algum tipo de bullying contra os colegas nos 30 dias anteriores a pesquisa.
Drogas ilícitas como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume ou ecstasy já foram usadas por 7,3% dos escolares, e 21,8% dos adolescentes entrevistados já sofreram algum episódio de embriaguez na vida. O consumo de cigarros nos 30 dias anteriores foi relatado por 5,1% dos escolares e 26,1% consumiram álcool no mesmo período.
Aproximadamente um terço (31,1%) das meninas escolares estavam tentando emagrecer, sendo que 6,4% das entrevistadas afirmaram ter induzido o próprio vômito ou tomado laxantes para isso. A seguir, um resumo das principais informações obtidas pela PeNSE 2012.
A segunda edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE foi realizada entre abril e setembro de 2012, a partir de convênio entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação. A PeNSE entrevistou 109.104 escolares do 9º ano do ensino fundamental - 86% deles com 13 a 15 anos de idade - e, também, os diretores ou responsáveis pelas escolas. Integraram a amostra da pesquisa as escolas com mais de 15 alunos matriculados no 9º ano, em turmas regulares diurnas. Em 2012, a abrangência geográfica da pesquisa foi ampliada para o conjunto do País e as cinco Grandes Regiões. A edição de 2009 trazia apenas informações sobre as 27 capitais.
No Brasil, a PeNSE foi primeira a utilizar um questionário eletrônico, respondido diretamente pelos próprios adolescentes em computadores de mão, sem a interferência do entrevistador, resguardando a privacidade dos entrevistados. São investigados os seguintes temas: aspectos socioeconômicos; contexto familiar; hábitos alimentares; prática de atividade física; hábitos sedentários; experimentação e consumo de cigarro, álcool e outras drogas; saúde sexual e reprodutiva; violências, segurança; e percepção da imagem corporal.
Em 2012 foram introduzidos novos temas, como trabalho; higiene; acidentes; saúde mental; uso de serviço de saúde e prevalência de asma, entre outros. Houve algumas perguntas adicionadas ou alteradas, para facilitar as respostas e/ou permitir comparações internacionais. Além disso, foi introduzido um segundo questionário, sobre a estrutura e o entorno das escolas aplicado aos seus diretores ou responsáveis.
A PeNSE 2012 permite algumas comparações internacionais. Atualmente, mais de 100 países monitoram a saúde dos estudantes. Dois exemplos desses acompanhamentos são a Health Behavior in School Aged Children (HBSC) (http://www.hbsc.org) e o Global School-based Student Health Survey (GSHS), proovidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com a participação de mais de 40 países, além da americana Youth Risk Behavior Survey (YRBS) (http://www.cdc.gov/HealthyYouth/yrbs/index.htm).
Iniciação sexual
Os resultados da PeNSE, em 2012, para o Brasil revelaram que 28,7% dos escolares já tiveram relação sexual alguma vez na vida. A frequência deste indicador foi de 40,1%, entre os meninos e, de 18,3% para as meninas. Com relação à dependência administrativa das escolas, 30,9% dos estudantes de escolas públicas e cerca de 18% nas escolas privadas, declararam que tiveram relação sexual. A Região Norte apresentou o maior percentual (38,2%) de escolares para este indicador, seguida da região Centro-Oeste (32,1%), região Sudeste (29,1%), Sul (27,3%) e Nordeste (24,9%).
Em outros países, as pesquisas têm mostrado que a iniciação sexual de adolescentes do sexo masculino é mais precoce do que do sexo feminino. Pesquisa realizada no estado de Lara, na Venezuela, com 2.070 estudantes do 7º ao 9º anos, no período escolar 2003/04, demonstrou que 27% dos meninos e 3,8% das meninas já haviam tido relações sexuais. Deste contingente, 54,9% dos alunos e 23,5% das alunas, tiveram sua primeira relação sexual aos 12 anos de idade. A Global School-based Student Health Survey (GSHS), realizada na Europa e na América do Norte, apontou que 26% dos escolares com 15 anos de idade tiveram relação sexual.
Uso de preservativo
Os resultados da PeNSE 2012 revelaram que, quanto ao uso de preservativos pelos escolares, dos 28,7% que declararam relação sexual alguma vez na vida, 75,3% disseram ter usado preservativo na última vez. Desse total, 77,1% são do sexo masculino e 71,8% do sexo feminino. Estudos divulgados pela OMS, realizados em mais de 40 países, em 2005 e 2006, mostram que entre adolescentes com 15 anos de idade, 77% relataram o uso de preservativo na última relação.
Acesso na escola a informações sobre sexualidade
A PeNSE 2012 mostrou que 89,1% dos escolares disseram que receberam informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e AIDS na escola. A proporção dos alunos entrevistados que receberam orientação na escola de como adquirir preservativos gratuitamente foi de 69,7%. Cerca de 82,9% dos escolares responderam ter recebido orientação na escola sobre prevenção de gravidez.
Direção de veículo motorizado
A direção de veículo motorizado nos 30 dias que antecederam a pesquisa foi declarada por 27,1% do total de escolares. É importante ressaltar que os estudantes que responderam à PeNSE eram adolescentes, na sua maioria, com idade entre 13 e 15 anos. No país, a idade mínima permitida para dirigir é de 18 anos, segundo as leis que regem o Código de Trânsito Brasileiro. A proporção dos alunos que dirigiram veículos motorizados (38,6%) era mais que duas vezes superior do que a das alunas (16,6%).
Cinto de segurança e uso de capacete ao andar de motocicleta
Aproximadamente 16,0% dos escolares relataram não ter usado cinto de segurança, nas ocasiões em que estavam em um veículo motorizado dirigido por outra pessoa. Observou-se que 17,5% das meninas e 14,6% dos meninos não usaram cinto de segurança nos 30 dias anteriores à pesquisa. Tanto os resultados da PeNSE 2009 como os da PeNSE 2012 revelaram que parcela significativa de alunos do 9º ano do ensino fundamental não respeitavam as leis de trânsito ou se expunham a riscos, o que corrobora com as elevadas taxas de mortalidade de jovens no país por acidentes de trânsito.
Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 22,9% do total de escolares foram transportados em veículos motorizados dirigidos por motoristas que tinham consumido bebida alcoólica. Os estudantes de escolas privadas estiveram mais expostos a esse risco, 25,8%, do que os das escolas públicas, 22,3%.
Aproximadamente 19,3% dos estudantes declararam não ter usado o capacete ao andar de motocicleta, nos 30 dias anteriores à pesquisa. A não utilização foi maior entre estudantes do sexo feminino (21,7%) do que no masculino (16,9%).
Envolvimento em briga com armas
O envolvimento em brigas com arma de fogo foi declarado por 6,4% dos escolares, sendo também mais frequente em alunos do sexo masculino (8,8%), do que do feminino (4,3%), sendo 6,7% para estudantes de escola pública e 4,9% de escolas privadas. A região Centro-Oeste registrou a maior proporção (8,0%).
No que se refere às brigas com arma branca, 7,3% dos escolares declararam envolvimento, nos 30 dias que antecederam a pesquisa, com maiores frequências entre alunos do sexo masculino (10,1%) do que do sexo feminino (4,8%).
Estudo realizado na Europa e nos EUA apontou que 14% dos alunos com 11 anos de idade estiveram envolvidos em uma briga com luta física por pelo menos três vezes nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Agressão por adulto da família
A informação sobre agressão física por parte de um adulto da família, nos 30 dias que precederam a pesquisa, foi mencionada por 10,6% dos escolares no País. Este tipo de violência foi declarada por 11,5% das meninas e 9,6% dos meninos.
A região Sudeste apresentou a maior proporção (12,0%) de adolescentes que sofriam agressão física praticada por alguém da família. Em todas as regiões do país, a proporção de meninas que sofria agressão física praticada por familiar era mais elevada que a dos meninos. Na Região Sul e Sudeste, cerca de 13% das adolescentes informaram ter sido vítimas de agressão por alguém da família ao menos uma vez, nos 30 dias anteriores à data da pesquisa.
Bullying
Dados do HBSC, realizado na Europa e na América do Norte, mostraram que 13% dos alunos com 11 anos de idade sofreram bullying na escola, por no mínimo duas vezes nos dois meses anteriores à pesquisa: 12% aos 13 anos e 9,0% aos 15 anos de idade.
Em relação ao fato de sofrer bullying pelos colegas de escola, 7,2% dos escolares afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações, no conjunto do Brasil. Os percentuais foram maiores entre estudantes do sexo masculino (7,9%) do que no feminino com 6,5%.
Os resultados da PeNSE demonstraram que 20,8% praticaram algum tipo de bullying contra os colegas (esculachar, zoar, mangar, intimidar ou caçoar), levando-os a ficarem magoados, incomodados ou aborrecidos, nos últimos 30 dias anteriores a pesquisa.
Segurança no trajeto casa-escola e no espaço escolar
A proporção de estudantes que deixaram de ir à escola, nos 30 dias anteriores à pesquisa, por não se sentirem seguros no caminho entre a casa e a escola foi de 8,8%. Este percentual foi superior entre os alunos de escolas públicas (9,5%) do que entre aqueles de escolas privadas (5,0%). A proporção de alunos que deixaram de ir à escola porque neste ambiente não se sentiam seguros, alcançou 8,0%, com frequência foi maior entre os alunos das escolas públicas (9,1%) do que das escolas privadas (4,4%).
A PeNSE também investigou o risco de violência nos arredores da escola no questionário respondido pelo diretor ou responsável. Considerando aqueles que informaram que a escola estava situada em área considerada de risco, a maior parte do tempo ou todo o período, nos últimos 12 meses, 17,9% dos alunos do 9º ano estudavam em escolas consideradas em áreas de risco, sendo essa proporção de 5,5% para a rede privada e de 20,4% para a rede pública. As capitais com as maiores proporções foram Belo Horizonte (46,2%), Maceió (45,9%) e Salvador (41,6%) e as menores proporções em Cuiabá (8,2%), Rio Branco (10,9%) e no Rio de Janeiro (11,0%).
Uso de drogas ilícitas alguma vez na vida
A PeNSE 2012 investigou o uso de drogas ilícitas tais como: maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume, ecstasy, os dados evidenciam que 7,3% dos escolares já usaram drogas ilícitas. Considerando as grandes regiões do país, o maior foi observado no Centro-Oeste, 9,3%. Analisando os resultados por capitais, o maior percentual foi encontrado na capital Florianópolis (17,5%), Curitiba (14,4%) e os menores em Palmas e Macapá (5,7% em ambas).
Considerando os escolares que usaram drogas antes dos treze anos de idade o percentual para o conjunto do País foi de 2,6%, variando de 1,2%, no Nordeste, a 4,4%, no Sul.
Uso de maconha e crack
Entre os 7,3% de escolares que usaram drogas ilícitas alguma vez na vida, o consumo atual (nos últimos 30 dias) de maconha foi de 34,5%. Em relação ao total dos escolares, este percentual foi de 2,5%. Os escolares residentes no Sul apresentaram maior consumo atual de maconha (3,6%). O menor percentual foi observado no Nordeste, 0,9%. Considerando as capitais, Florianopolis foi a que apresentou maior proporção do consumo atual de maconha (10,1%).
Entre os 7,3% de escolares que usaram drogas ilícitas alguma vez na vida, 6,4% usaram crack, alguma vez nos últimos 30 dias, ou 0,5% do conjunto de escolares do 9º ano.
Alguns temas da PeNSE também são investigados em outros países. Segundo a Pesquisa de Comportamento de Saúde em Crianças em Idade Escolar (HBSC), 17% dos adolescentes com 15 anos de idade na Europa e América do Norte relataram uso de maconha pelo menos uma vez em suas vidas e 8% pelo menos uma vez nos últimos trinta dias anteriores à pesquisa (consumo recente). Nos Estados Unidos, 30% dos meninos e 26% das meninas fumaram maconha pelo menos uma vez na vida e 16% meninos e 12% das meninas fumaram maconha nos trinta dias que antecederam à pesquisa.
Experimentação de bebidas alcoólicas
A PeNSE 2012 inseriu uma nova questão para medir a experimentação de uma dose de bebida (correspondendo a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho ou uma dose de cachaça ou uísque): Alguma vez na vida você tomou uma dose de bebida alcoólica? Assim, o questionário ganhou comparabilidade internacional e o indicador tornou-se mais específico. Responderam que sim 50,3% dos escolares, variando de 56,8% no Sul a 47,3% no Nordeste. A proporção das meninas (51,7%) foi maior que a dos meninos (48,7%).
Consumo atual de bebidas alcoólicas
O consumo atual de bebida alcoólica entre os escolares (consumo nos últimos trinta dias), foi de 26,1% no Brasil e não apresenta diferenças significativas entre os sexos masculino (25,2%) e feminino (26,9%). As capitais com os maiores percentuais de escolares que consumiram bebidas alcoólicas nos últimos 30 dias foram Porto Alegre (34,6%) e Florianópolis (34,1%) e os menores percentuais foram encontrados em Belém (17,3%) e Fortaleza (17,4%).
Entre os escolares que consumiram bebida alcoólica nos últimos trinta dias a forma mais comum de obter a bebida foi em festas (39,7%), com amigos (21,8%), ou comprando no mercado, loja, bar ou supermercado (15,6%). Outros 10,2% dos escolares consumiram bebida alcoólica nos últimos 30 dias na própria casa.
Episódio de embriaguez
Cabe ainda ressaltar que 21,8% dos escolares já sofreram algum episódio de embriaguez na vida. Os escolares da região Sul apresentaram o maior percentual (27,4%) e os do Nordeste o menor (17,3%). A proporção de escolares com episódio de embriaguez foi maior nas escolas públicas (22,5%) do que as escolas privadas (18,6%).
Com relação ao álcool, 10% dos estudantes relataram ter tido problemas com suas famílias ou amigos, ou faltarem às aulas ou se envolveram em brigas, porque tinham bebido. O percentual de escolares que declararam esses problemas foi maior entre as meninas (10,4%) do que entre os meninos (9,5%).
Cigarro e outros produtos do tabaco
Os dados da PeNSE para as capitais brasileiras, mostraram que o número de escolares que experimentaram cigarro alguma vez na vida, reduziu de 24,2% para 22,3%, entre 2009 e 2012. No entanto, 5,1% dos escolares haviam fumado cigarro nos últimos trinta dias. As cidades com maiores proporções de escolares fumantes no período foram Campo Grande com 12,4% e Florianópolis com 9,7%.
Comparando os dados de 2009 e 2012, o percentual de escolares que fizeram uso de cigarros nos últimos 30 dias manteve-se estável, em torno de 6%. Segundo a PeNSE 2012, 29,8% dos escolares brasileiros que frequentavam o 9º ano, informaram que pelo menos um dos responsáveis era fumante. 89,3% dos escolares estudam em escolas que informaram possuir política sobre proibição do uso do tabaco.
Atitude em relação ao Peso Corporal
Aproximadamente um terço (31,1%) das meninas escolares estavam tentando emagrecer e 16,0% delas tentavam engordar, enquanto que entre os meninos um percentual menor (21,0%) tinha como objetivo perder peso e 19,6% desejavam ganhar peso.
É importante notar que 19,1% das alunas do 9º ano do ensino fundamental se achavam gordas ou muito gordas e, no entanto, uma proporção maior (31,1%) relatou que tentava perder peso.
Considerando as escolas da rede pública e privada, observou-se que existe uma diferença de mais de 12 pontos percentuais entre os alunos das escolas particulares que tentaram perder peso (36,4%) e aqueles que frequentavam escola pública e tomavam essa atitude (24,2 %).
Provocar vômitos ou tomar laxantes
A proporção de alunos do 9º ano que, nos últimos 30 dias, utilizaram o método de provocar o vômito ou tomar laxantes foi em torno de 6,0% e 6,2% recorreram a medicamentos, fórmulas ou outros produtos para ganhar peso ou massa muscular.
Para o conjunto do país, o procedimento de induzir o próprio vômito ou de tomar laxantes foi um pouco mais comum entre as meninas que entre os meninos, 6,4% e 5,7%, respectivamente.
Usar fórmulas ou outro produto
A análise dos resultados acerca da ingestão de medicamentos, fórmulas ou outro produto com a intenção de ganhar peso ou massa muscular, sem acompanhamento médico, mostrou que 6,2% dos estudantes recorreram a esse procedimento. Chamou a atenção o fato de que 8,4% dos escolares do sexo masculino declararam ter tomado essa atitude, enquanto que a metade desse percentual (4,2%) dos alunos do sexo feminino declararam tê-lo feito, nos 30 dias que precederam a PeNSE 2012.
Consumo de alimentos marcadores de alimentação saudável
Os dados da PeNSE 2012 apontaram que 69,9% dos escolares consumiram feijão, 43,4% hortaliças, 30,2% frutas frescas e 51,5% tomaram leite, enquanto 41,3% dos escolares consumiram guloseimas em cinco ou mais dias na semana anterior a pesquisa.
A quase totalidade (98%) dos estudantes de escola pública no país respondeu que a escola oferece comida, mas a oferta de alimentação pelas escolas privadas foi significativamente menor (41,4%). Entretanto, o hábito 1 de consumir essa comida oferecida não foi elevado, sendo de 22,8% entre aqueles que estudavam em escolas públicas e de apenas 11,9% para os alunos das escolas privadas.
Na edição de 2012, a PeNSE incorporou o quesito sobre o hábito de tomar café da manhã (61,9% dos estudantes do 9º ano costumavam ter essa prática cinco ou mais dias da semana). Além disso, 64,0% deles costumavam comer enquanto assistiam à TV ou estudavam.
Também foi investigada a existência de cantinas e pontos alternativos de venda dentro das escolas, e os alimentos neles comercializados. Enquanto os salgados de forno estavam disponíveis para 39,2% dos estudantes, as frutas frescas ou salada de frutas estavam disponíveis para apenas 10,8%. Já nos pontos alternativos predominavam as guloseimas (balas, confeitos, doces, chocolates, sorvetes e outros), disponíveis para 33,4% dos escolares, enquanto as frutas frescas eram disponibilizadas para apenas 3,5% deles.
Além da prática de Atividade Física a PeNSE investigou a atividade física acumulada e apontou que a maioria dos adolescentes, 45,1%, foi classificada como insuficientemente ativos. Cerca de 38,6% dos adolescentes relataram ter tido duas ou mais aulas de educação física na semana anterior à entrevista. Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 96/1996 determine a obrigatoriedade da prática de aulas de educação física nas escolas, a proporção de adolescentes por frequência destas aulas na semana anterior à entrevista variou de 18,3% (não frequentaram nenhuma aula) a 38,6% (dois os mais dias).
TV
O hábito de assistir duas ou mais horas de televisão, num dia de semana comum, foi relatado por 78% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental. A região Sudeste apresentou a maior frequência (80,2%) do hábito de assistir duas horas ou mais de televisão. A OMS recomenda que crianças não devam estar mais que uma ou duas horas em frente à TV e vídeo game.
Saúde Mental
A parte específica de Saúde Mental tem o objetivo de identificar situações de sofrimento subjetivo, como o sentimento de solidão e a dificuldade de conciliar o sono em função de preocupações. Aborda também a questão de ter ou não amigos próximos, um aspecto importante para se avaliar a capacidade de interação social dos adolescentes. 16,4% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental no Brasil declararam ter se sentido sozinhos nos 12 meses que antecederam à pesquisa. Enquanto que 21,7% dos escolares do sexo feminino declararam ter experimentado esse sentimento, entre os do sexo masculino a proporção foi de 10,7%. Em Campo Grande, Palmas e Curitiba, cerca de um quarto (25,0%, as maiores frequências) das meninas declararam terem se sentido sozinhas nos 12 meses anteriores. Já o maior percentual de meninos que se sentiram sozinhos foi em Belém (14,5%). A PeNSE também investigou os temas Perda do sono e Existência de amigos.
Asma e Uso de Serviço de Saúde
A asma é a doença crônica de maior preva­lência na infância e adolescência, que acarreta custos elevados para o sistema de saúde, interfere na qualidade de vida e no absenteísmo na escola. Além disso, quando não controlada, pode ser fatal. Os resultados apontaram que 23,2% de escolares tiveram chiado (ou piado) no peito no período. O chiado no peito foi mais frequente entre as meninas (24,9%) do que entre os meninos (21,4%). O Sudeste (24,9%) apresentou o maior percentual de escolares com chiado no peito e o Nordeste o menor (19,8%). Os escolares com asma foram 12,4% no País, variando de 18,4% no Norte a 11,4% no Sudeste. Os dados mostraram que 48,2% dos escolares procuraram algum serviço ou profissional para atendimento relacionado à própria saúde, nos últimos doze meses, sendo mais frequentes entre estudantes do sexo feminino (49,1%) do que no masculino (47,2%).
Hábitos de higiene
A PeNSE também investigou hábitos de higiene como lavar as mãos antes de comer, lavar as mãos após ir ao banheiro e usar sabão/sabonete ao lavar as mãos. Cerca de 15% dos escolares do 9º ano responderam que, nunca ou raramente lavaram as mãos antes de comer, nos 30 dias anteriores à pesquisa. A quase totalidade dos alunos pesquisados (91,8%) afirmou ter lavado as mãos após ir ao banheiro. No entanto, 9,1% dos escolares do 9º ano nunca ou raramente usaram sabão/sabonete quando o fizeram.
Saúde bucal
A proporção de escolares do 9º ano do ensino fundamental que declararam escovar os dentes três ou mais vezes ao dia foi de 68,4%, sendo maior entre as meninas (72,1%) do que entre os meninos (64,3%). Informaram terem sentido dor de dente 19% dos escolares entrevistados) e 36,4% deles declararam não ter ido ao dentista nenhuma vez no último ano.
Escolaridade dos pais
O percentual de escolares cujas mães não possuíam qualquer grau de ensino ou possuíam somente o ensino fundamental incompleto foi de 34,5%, e a proporção de escolares cujas mães tinham o nível superior completo foi de apenas 8,9%. Já o percentual de escolares cujo pai não tinha qualquer grau de ensino ou tinha somente o ensino fundamental incompleto foi de 35,7%.
Trabalho entre escolares
Na edição da PeNSE 2012 foi inserido o tema trabalho entre escolares, Os dados da pesquisa revelaram que 86,9% dos escolares responderam não ter qualquer trabalho; 11,9% responderam trabalhar e receber dinheiro para desempenhar as atividades e 1,2% responderam trabalhar sem remuneração. Os dados também revelam que o maior percentual de escolares que respondeu trabalhar e ter recebido remuneração está no Sul do País com 15,1%.
Posse de bens e existência de serviços
Os dados de 2012 mostraram que 95,5% dos estudantes das escolas privadas, versus 59,8% dos alunos das escolas públicas do País, declararam possuir algum tipo de computador (de mesa, netbook, laptop).
Com relação ao acesso à internet, 93,5% dos escolares da rede privada e 53,5% da rede pública do País responderam ter acesso à internet em casa.
Perguntados sobre se alguém que morava no mesmo domicílio do estudante tinha carro, 80,3% dos alunos de escolas privadas e 44% dos estudantes de escolas públicas do País, responderam afirmativamente.
Considerando o serviço de empregados domésticos remunerados, 27,3% dos alunos de escola privada e apenas 6,5% de escola pública, responderam ter em seus domicílios a existência desse serviço em cinco ou mais dias da semana.
Conhecimento dos pais ou responsáveis sobre o tempo livre dos escolares
A PeNSE 2012 revelou que 62% dos escolares responderam morar em lares com a presença de pai e mãe; 28,5% informaram morar só com a mãe e 4% dos escolares só com o pai. Os que responderam não morar nem com mãe nem com pai totalizaram 5,4%.
58,5% dos escolares declararam que os pais ou responsáveis sabiam o que eles faziam no tempo livre, nos últimos 30 dias e 25,8% faltaram às aulas, nos 30 dias anteriores à pesquisa, sem autorização dos pais ou responsáveis.
A pesquisa também investigou sobre Presença dos pais ou responsáveis durante as refeições, a verificação dos deveres de casa pelos pais e sobre o entendimento dos pais quanto aos problemas e preocupações dos filhos. Nesse caso, dos escolares entrevistados, 45,8% responderam que os pais entendiam com os seus problemas e preocupações. Os escolares do sexo masculino (47,2%) tiveram mais atenção dos pais ou responsáveis do que as meninas (44,6%).
Além disso, a PeNSE também traz informações sobre existência de bibliotecas nas escolas (recurso disponível para 86,7% dos escolares do 9º ano), acesso à Internet na escola (facultado a 84,2% dos escolares), acesso a computadores na sala de aula, (disponíveis a 21,3% dos escolares), estrutura para atividades físicas (pátio, quadras, vestiários, pista de atletismo e piscinas). Embora disponibilizando menor estrutura de apoio às atividades físicas é a escola pública que mais oferece atividade esportiva gratuita aos alunos, fora do horário regular de funcionamento da escola. Entre os escolares da escola pública, 61,5% contam com esse recurso, contra 38,3% na escola privada.
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1 Considerou-se como hábito de consumir comida na escola, a ingestão de merenda/almoço em pelo menos três dias da semana.
No IBGE
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A Escalada dos Protestos no Brasil

Desde sexta-feira vemos uma escalada nos protestos que começaram focados contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo. O protesto não é novo, já aconteceu em Porto Alegre há alguns meses. Entretanto, desta vez, os protestos estão escalando e escalando num nível bastante impressionante. Hoje e durante a semana, há uma agenda de protestos em várias cidades brasileiras.
Eu, o Fábio Malini e o Marco Toledo Bastos começamos a discutir isso na sexta, numa conversa que começou no Twitter e depois migrou. Passamos a coletar os dados conjuntamente, analisar e discutir um pouco o que estava acontecendo. O Malini já fez um belo post discutindo o que aconteceu em São Paulo no dia 13. Eu escrevi um resuminho para o Digital Media and Learning
Ao que parece, a escalada dos protestos deve-se simplesmente à violenta repressão, narrada ao vivo nas e pelas redes sociais dos manifestantes em São Paulo e ontem, no Rio de Janeiro. Os inúmeros relatos, vídeos, fotografias e mensagens acabaram sendo a faísca que faltava para criar uma mobilização de grandes proporções. O que eu vou tentar fazer aqui é mostrar algumas evidências disso. A rede de pessoas falando/preparando os protestos, o número de hashtags utilizadas, os públicos que passaram a mobilizar-se na mídia social agora são muito mais heterogêneos. Há várias causas e não apenas uma. Há vários motivos. Mas o vilão é um só: o Estado. 
Vejam, por exemplo, a mudança das hashtas que representam o protesto e que são mais narrativas (#sp13j, #passelivre, #protestosp) e etc. por hashtags com palavras de ordem (#todarevolucaocomecacomumafaisca, #vemprarua, #hackeiaG1, #abaixoredegloboopovonaoebobo e etc.). Vejam que ontem o Twitter amanheceu com apenas dois TTs de protesto. Hoje, depois dos eventos do Rio ontem, há um aumento dessas tags.
TTs16060907.jpg
tts17060724.jpg


(A esquerda, TTs Brasileiros do dia 16/06, as 09. A direita, os mesmos no dia 17/06, as 08.)
Vejam a diferença no uso das hashtags mais emergentes x mais narrativas dos movimentos (mapa criado via Topsy):
hashtagscomparatiba.jpg
Agora os grafos. Vejam por exemplo, como começaram as movimentações em torno da hashtag #passelivre no Twitter na sexta-feira, antes do protesto na Paulista. Observem a participação e o formato da rede. É uma rede mais clusterizada, onde há um centro de indivíduos comentando e tomando parte na movimentação. É uma rede com 457 atores e 2196 tweets que os conectam.
passelivreimagem.png
A seguir, a palavra "protesto" está nos TTs. Vejam o que acontece com a participação na conversação: Não há mais um único centro, um único grupo, mas um monte de atores participando do assunto. Há uma escalada na conversação. A rede passa a ter 3899 atores e 4219 tweets.
protesto1406.png
Tag #ProtestoRJ
Agora vejamos o que acontece com o protesto no Rio. A tag começou a aparecer pouco antes do jogo. Vejam a evolução da conversação conforme as notícias a respeito da violência na repressão vão se espalhando. O primeiro mapa começou a ser montado no meio do jogo, por volta de 17h. Temos 3006 nós e 3721 tweets. Na periferia, temos os indivíduos que apenas tuitaram usando a tag. No centro, os atores que repassaram tweets e que mencionam outros atores na conversação. A média do coeficiente de clusterização é 0,007 (o quanto a rede está interconectada).
protestosrj18connected.png
Logo a seguir começam as notícias da violência. Vejam o que acontece com a rede. Perto das 19h já são mais de 4870 nós e 6674 tweets. As cores representam os clusters. A média do Coeficiente de Clusterização passa a 0,008. As conversações se descentralizam, as notícias são rapidamente repassadas. Não há mais centros. Há inúmeros relatos circulando, inclusive, de censura de informações pela televisão, o que parece indignar ainda mais gente. Há uma maior densidade das narrativas.
grafoprotestorj16061820.png
Essa descentralização e a popularização das hashtags parecem sugerir que há uma participação cada vez maior das pessoas na mobilização (comparem com a primeira hashtag descritiva, do #passelivre) e uma tendência a que essa conversação atinja também outras redes, e que se torne menos homogênea (como no primeiro mapa). Ou seja, a movimentação parece perder uma homogeneidade de centro do protesto (contra as tarifas de ônibus) e parece pluralizar várias reivindicações e indignações (Copa, falta de hospitais e saúde pública, tarifa, rede globo e a manipulação da informação e etc.). O movimento assemelha-se ao que vimos dos Indignados na Espanha, atingindo grupos sociais diferentes daquele inicial. E ao que parece, quanto piores os relatos que chegam dos protestos, mais material sobre eles se encontra na Rede. A hashtag #ProtestoBH, por exemplo, referente as narrativas do mesmo protesto que aconteceu em Belo Horizonte, quase não tem repercussão (menos de 500 tweets) e na maioria, os relatos são referentes ao quao tranquila foi a manifestação. Em compensação, a hashtag do protesto no Rio tem um eco muito maior, principalmente relacionado aos relatos de violência. 
Hoje teremos mais protestos. Esperemos que as narrativas concentrem-se na tranquilidade das manifestações e que seja realmente um ato pacífico.
(Todos os mapas deste post gerados com o NodeXL.)
No Raquel Recuero
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E, em São Paulo, o Facebook e o Twitter foram às ruas. Literalmente

http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2013/06/Imagem1.jpg
Os atos contra o aumento nas tarifas dos ônibus trouxeram centenas de milhares às ruas. Que defendiam a ideia e discordavam da violência com a qual manifestantes e jornalistas haviam sido espancados e presos pela Polícia Militar. Uma massa heterogênea, descontente, sob um guarda-chuva de uma pauta bastante concreta e objetiva. Que  foi atendida.
A manifestação de segunda, gigantesca, acabou por mudar o perfil dos que estavam protestando em favor da tarifa. O chamado feito pela redes sociais trouxe as próprias redes sociais para a rua. Quem não percebeu que boa parte dos cartazes eram comentários de Facebook e Twitter?
Portanto, nem todos os que foram às ruas são exatamente progressistas. Aliás, o Brasil é bem conservador – da “elite branca” paulistana à chamada “nova classe média” que ascendeu socialmente tendo como referências símbolos de consumo (e a ausência deles como depressão). É uma população com 93% a favor da redução da maioridade penal. Que acha que a mulher não é dona de seu corpo. Que é contra o casamento gay. Que tem nojo dos imigrantes pobres da América do Sul. Que apoia o genocídio de jovens negros e pobres nas periferias das grandes cidades. Ou seja, não é porque centenas de milhares foram às ruas por uma pauta justa que a realidade mudou e vivemos agora em uma comunidade de Ursinhos Carinhosos.
E dentre os conservadores, temos os que radicalizam. Seja por ignorância, seja por opção.
Desde que o quinto ato contra as passagens foi anunciado, grupos conservadores se organizaram na internet para pegar carona no ato. Lá chegando, foram colocando as mangas de fora com suas pautas paralelas. Na convocação do sétimo ato, isso ficou bem evidente. Estavam aos milhares na Paulista e arredores, mas ainda minoria em comparação ao total de participantes. Mas uma ruidosa, chata e violenta minoria. Com um discurso superficial, que cola fácil, traz adeptos. Parte deles usava o verde-amarelo, lembrando os divertidos e emocionantes dias com os amigos em que se pode ver os jogos da Copa do Mundo.
Nesta quinta (20), esse grupo sentiu-se à vontade para agir em público exatamente da mesma forma que já fazia nas áreas de comentários de blogs e nas redes sociais, mas sob o anonimato. Com isso, parte desse pessoal começou um ataque verbal e físico a militantes de partidos e sindicalistas presentes no ato.
Engana-se, porém, quem diz que essa era uma massa fascista uniforme. Havia, sim, um pessoal dodói da ultradireita, que enxerga comunismo em ovo e estava babando de raiva e louco para derrubar um governo. Que tem saudades de 1964 e fotos de velhos generais de cueca na parede do quarto. Essa ultradireita se utiliza da violência física e da intimidação como instrumentos de pressão e que, por menos numerosos que sejam, causam estrago. Estão entre os mais pobres (neonazistas, supremacia branca e outras bobagens), mas também os mais ricos – com acesso a recursos midiáticos e dinheiro. A saída deles do armário e o seu ataque a manifestantes ligados a partidos foi bastante consciente
Mas um grupo, principalmente de jovens, precariamente informado, desaguou subitamente nas manifestações de rua, sem nenhuma formação política, mas com muita raiva e indignação, abraçando a bandeira das manifestações. A revolta destes contra quem portava uma bandeira não foi necessariamente contra partidos, mas a instituições tradicionais que representam autoridade como um todo. Os repórteres da TV Globo, por exemplo, não estão conseguindo nem usar o prisma com a marca da emissora na cobertura – e não é só por conta de militantes da esquerda. Alckmin e Haddad, que demoraram demais para tomar a decisão de revogar e frear o caldo que entornava, ajudaram a agravar a situação de descontentamento com a classe política. “Que se vão todos”, pensam esses jovens. “Não precisamos de partidos para resolver nossos problemas”, dizem outros, que não conhecem a história recente do Brasil. “Políticos são um câncer”, que colocam todo mundo no mesmo balaio de gatos.
Elas não entendem que a livre associação em partidos e a livre expressão são direitos humanos e que negá-los é equivalente a um policial militar dar um golpe de cassetete em um manifestante pacífico. Dito isso, creio que foi um erro de análise de militantes de partidos estarem presentes no ato empunhando bandeiras. Direito eles tinham, mas não era a hora.
Conversei com muitos deles que pediam “abaixo os partidos políticos”, pauta que comecei a ouvir na segunda (17), quando aquele perfil diferente de manifestante engrossou os atos (lembrem-se, eu sou o #chatodepasseata, adoro cutucar). Perguntei o porquê dessa agressividade. Depois de cinco minutos, eles mesmos percebiam que não sabiam me responder a razão. Compravam um discurso fácil guiado pela indignação.
Dentre esses indignados que foram preparados, ao longo do tempo, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia para tratarem o mundo de forma conservadora, sem muita reflexão, tem gente simplesmente com muita raiva de tudo e botando isso para fora. O PSDB tem culpa nisso. O PT tem culpa nisso. Pois, a questão não é só garantir emprego e objetos de consumo. Sinto que eles querem sentir que poderão ser protagonistas de seu país e de suas vidas. E vêm as classe política e as instituições que aí estão como os problemas disso.
Aí reside um problema. Porque não se joga a criança fora porque a água do banho está suja. E não se expulsa políticos ou partidos do processo democrático por vias autoritárias – por mais que o sangue suba à cabeça.
Muitos entre os mais jovens desconhecem o valor das lutas que trouxeram a sociedade até aqui – e não fizemos questão de mostrar isso a eles. Muito menos como os mais velhos foram protagonistas dessas lutas. Eles não precisam ser mitificados (não gosto de heróis), mas também não podem ser desprezados. Pois, se daqui em diante, novos caminhos podem ser trilhados é porque alguém abriu uma estrada que nos trouxe até aqui.
É claro que os grupos conservadores mais radicais estão se aproveitando desse momento e botando lenha nesse descontentamento, apontando como culpados a classe política que está no poder e suas instituições. Flertam com ações autoritárias e, é claro, adorariam desestabilizar as instituições.
Não temos uma prática de debate político público como em outros lugares. Se, de um lado, vamos ter que aprender a conviver com passeatas conservadoras sem achar que vai rolar uma nova Marcha da Família com Deus pela Liberdade nos moldes daquela que nos levou à Grande Noite, de outro, os reacionários extremistas vão ter que aprender a ser portar com decência – coisa que, nas redes sociais, já provaram que são incapazes de fazer.
O desafio é que, diante de comportamentos questionáveis e pouco democráticos desses jovens conservadores, externamos o nosso desprezo e nossa raiva. Podemos ignorá-los, enquanto crescem em número. Ou podemos conquistá-los para o diálogo e não o confronto.
Até porque, precisam compreender, por exemplo, que “o povo não acordou” agora. Quem acordou foi uma parte. Outra parte nunca dormiu, afinal não tinha cama para tanto. No campo, marchas reúnem milhares de pobres entre os mais pobres, que pedem terra plantar e seus territórios ancestrais de volta – grupos que são vítimas de massacres e chacinas desde sempre. Ao mesmo tempo, feministas, negros, gays, lésbicas, sem-teto sempre denunciaram a violação de seus direitos pelos mesmos fascistas que, agora, tentam puxar a multidão para o seu lado.
Enfim, o grosso do povo mesmo vai acordar no momento em que a maioria pobre deste país perceber que é explorada sistematicamente. Quando isso acontecer, vai ser lindo.
Uma vez, posto em marcha, um movimento horizontal, sem lideranças claras, tem suas delícias – como o fato de ser um rio difícil de controlar. E sua dores – como o fato de ser um rio difícil de controlar. Temos que aprender a não se assustar com isso.
Muitos desses jovens estão descontentes, mas não sabem o que querem. Sabem o que não querem. Neste momento, por mais agressivos que sejam, boa parte deles está em êxtase, alucinada com a rua e com o poder que acreditam ter nas mãos. Mas ao mesmo tempo com medo. Pois cobrados de uma resposta sobre sua insatisfação, no fundo, no fundo, conseguem perceber apenas um grande vazio.
O fato é que há um déficit de democracia participativa que vai ter que ser resolvido. Só votar e esperar quatro anos não adianta mais. Uma reforma política, que inclua ferramentas de participação popular, pode ser a saída. Lembrando que aumentar a democracia participativa não é governar por plebiscito – num país como o nosso, isso significaria que os direitos das minorias seriam esmagados feito biscoito. Como deu para ver em alguns momentos, nesta quinta, na avenida Paulista.
O momento é de respirar, ter calma, dialogar. Mas não abandonar o bom debate.
No Blog do Sakamoto
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Defender a Democracia. Não Passarão.

http://1.bp.blogspot.com/-aUZoApZzflo/UcP4Ms0vDkI/AAAAAAAAEAQ/0Nd3qfY0llM/s1600/o+fascismo+n%C3%A3o+passar%C3%A1+-+il+fascismo+non+passera.jpg
Lênin já dizia que 'não há prática revolucionária sem teoria revolucionária'. Não se trata apenas de bravata, de frase feita, de palavra de ordem. Em política, há momentos em que a gente acumula forças e tensiona, e há situações em que a gente se encontra para pensar e conversar, para debater e formular. Ação e reflexão, combinadas de forma inteligente.
As manifestações contra o aumento nas tarifas de transporte público, chamadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) e que tomaram as ruas do país nos últimos dias, nasceram bonitas, cheias de vida, arrebatadoras. Tinham pauta. Tinham foco. Tinham lado. Eram contra os aumentos das passagens, mas não eram só os vinte centavos - era também o desejo de destravar a discussão sobre mobilidade urbana, qualidade do transporte público, sistema de gerenciamento e lucros das empresas. Os atos mostraram uma faceta fundamental da política, com a qual talvez já não estivéssemos mais acostumados, a premissa progressista de que a cidade, a pólis, se faz e se inventa também nas ruas.
Era uma agenda de esquerda, de ampliação de direitos e de radicalização da democracia - e também por isso as primeiras manifestações foram duramente reprimidas pela Tropa de Choque da Polícia Militar. Foi bonita a festa, pá (a festa política, com conteúdo, não o oba-oba de desfiles em passarelas, como se passou a ver depois, sobretudo ontem). E importante vitória foi alcançada - a revogação do aumento, com as passagens voltando a custar três reais, por conta da pressão popular.
Mas, e aqui já escrevi exatamente dessa maneira, o destravar a caixa de bondades representou também abrir simultaneamente a caixa das maldades, e dela pularam coisas fétidas e horrorosas, sobretudo um fascismo que já andava por aí à espreita, latente. Fizemos o jogo da direita? Não. Atuamos no espaço público para ampliar direitos. Mas, e vale como autocrítica, talvez tenhamos subestimado ou avaliado equivocadamente o grau de insatisfação com a política, com os partidos, um rancor e ressentimentos profundos em nossa sociedade, ódios incontidos, e não consideramos a capacidade rápida de as forças reacionárias se apropriarem do movimento, de darem outro sentido às manifestações. Os sinais do fascismo eram evidentes - mas, sinceramente, não considerei que as raízes já pudessem ser tão profundas.
Nesta quinta-feira, nas ruas, ao menos aqui em São Paulo (e pelos relatos que ouço e leio não foi muito diferente no resto do Brasil), o fascismo venceu. Tomou conta da avenida Paulista. Deu o tom das manifestações. Fez valer o 'sem partido'. Arrancou e queimou bandeiras. Atacou militantes de esquerda. Hostilizou os movimentos sociais, o movimento negro, os homossexuais. Escancarou sua intolerância. Berrou a plenos pulmões que 'meu partido é o Brasil; o povo unido não precisa de partido', em truculenta negação do ideal de democracia. Ficou perigoso.
Está tudo muito estranho. As ruas estão estranhas. Os discursos estão estranhos. As redes sociais estão estranhas. As narrativas midiáticas estão estranhas. É hora de serenar. De arrefecer os ânimos. De acumular. Não de abandonar a luta, mas de carregá-la para outros espaços - olhar mais para dentro do que para fora. É preciso voltar a juntar, a reunir, ler, pensar, duvidar, refletir, conversar. É tempo de fazer avaliações, de tecer e costurar novas pautas, da autocrítica, do balanço de acertos e erros. Pausa para a reflexão.
Contra a barbárie, ofereço a ideia. É o que está a nosso alcance. Vamos debater? Conheço muitos que vivem as mesmas angústias, que estão na mesma sintonia, com as mesmas preocupações. Tem uma moçada muito interessante e inteligente que participou pela primeira vez de manifestações e está ávida por discutir política. Vamos juntar?
Não vou brigar com os democratas. Não vou brigar com a democracia. Nossa tarefa coletiva e histórica é defendê-la e protegê-la, contra o avanço dos fascistas - dos que são assumidos, dos enrustidos e até daqueles que não sabem que são, mas são. Não passarão.
No Blog do Chico
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Os fascistas querem tomar as ruas

 
Cenas deploráveis foram presenciadas nas manifestações desta quinta-feira (20). Pegando carona nos atos para festejar a redução das tarifas do transporte público em várias cidades, milícias fascistas e grupos de provocadores saíram às ruas para rasgar bandeiras de partidos e agredir militantes de esquerda.
Aproveitando-se de um sentimento difuso contra a política, estimulado diariamente pela mídia oligopolizada e golpista, estas hordas espalharam o pânico. As forças democráticas da sociedade precisam rapidamente rechaçar estes atentados, que colocam em risco a democracia brasileira. É preciso alertar os mais inocentes para eles não se tornem massa de manobra dos grupos fascistas.
Na Avenida Paulista, centro de São Paulo, uma minoria de vândalos atacou militantes do PT, PCdoB e MST. Aos berros, pessoas mascaradas gritavam “ditadura, já” e dirigiam ataques raivosos contra a presidenta Dilma Rousseff, eleita pela maioria do povo brasileiro. No Rio de Janeiro, sindicalistas da CUT foram cercados e agredidos e tiveram suas bandeiras arrancadas. Militantes do PSTU e do PSOL também têm sido alvo de provocações. O grito de guerra entoado por estes setores intolerantes é “sem partido” – numa negação à luta política e democrática, que traz à memória as péssimas lembranças da ascensão do nazifascismo na Europa e dos golpes militares na América Latina.
Até setores que apostaram na radicalização, sonhando com “a revolução na próxima esquina”, estão assustados. Como escreveu Valério Arcary, respeitado dirigente do PSTU, os ataques são “covardes” e partem de pessoas “mascaradas, alimentando a ilusão de que a intimidação física é o bastante para vencer na luta política... O antipartidarismo, mais grave quando se dirige contra a esquerda socialista, é uma ideologia reacionária e tem nome: chama-se anticomunismo. Foi ela que envenenou o Brasil para justificar o golpe de 1964 e vinte anos de ditadura. Não deixem baixar as bandeiras vermelhas. Foram os melhores filhos do povo que derramaram seu sangue pela defesa delas”.
A presença destas hordas fascistas já tinha se manifestado antes desta quinta-feira. Como registrou José Francisco Neto, do jornal Brasil de Fato, “na segunda e na terça-feira, a reportagem constatou sensível diferença nos atos comparando-os com a semana anterior. Os gritos não eram os mesmos puxados pelos movimentos sociais. As bandeiras de partidos não foram mais estiadas. Muitas, inclusive, foram impedidas de serem levantadas por um grupo de pessoas que pediam ‘Sem partido’... Na segunda-feira, militantes da Juventude do PT quase foram agredidos por tentarem erguer a bandeira do partido. Já pessoas ligadas ao PSTU não conseguiram recuar e foram agredidas”.
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O MPL deu uma aula de sabedoria política ao se recolher em SP

Ficou a mensagem de que o Brasil precisa de mais do que o viciado mundo político que está aí.
São Paulo mandou um recado claro
São Paulo mandou um recado claro
Os garotos do MPL de São Paulo deram uma aula de sabedoria política ao decidir encerrar os protestos.
A agenda progressista deles tinha sido tomada por grupos conservadores com motivações opostas aos ideais igualitários do movimento.
Isso ficou dramaticamente exposto ontem na avenida Paulista. Extremistas de direita se comportaram como se fossem os responsáveis por uma mobilização da qual eles tentavam ser apenas usurpadores.
O MPL estava sendo claramente usado, e ao se recolher isso acaba.
Os conservadores não têm capacidade aglutinadora nenhuma, e isso quer dizer que, para eles, a festa acabou.
A maturidade da garotada do MPL contrasta com a precipitação desastrada de Rui Falcão, presidente do PT, ao convocar os militantes para sair às ruas ontem na assim chamada “Onda Verde”.
Poderia ter havido uma tragédia em São Paulo, como ficou claro. O próprio RF aparentemente reconheceu o mau passo ao retirar o tuíte no qual fizera a convocação inoportuna.
Pela força de São Paulo, é presumível que a calma se espalhe pelo país a partir de agora.
Ficou a lição de que a política brasileira, tal como está empacotada hoje, é amplamente rejeitada por uma parcela expressiva da sociedade – sobretudo entre os jovens.
O Brasil progressista está cansado de pactos que inibem avanços sociais – Lula e Maluf, Dilma e ruralistas, Afif no governo paulista e ao mesmo tempo no gabinete presidencial etc.
O Brasil progressista não quer aturar a vida toda Sarneys, Delfins. E deseja outro tratamento para brasileiros desprotegidos, como os indígenas e os moradores de ajuntamentos como Pinheirinho.
Que o governo fez pelas comunidades removidas para obras da Copa do Mundo?
Esse tipo de política se esgotou – e não adianta o PT percorrer o país em festas autocongratulatórias para comemorar conquistas que são muito mais imaginárias que reais, como se vê em todos os levantamentos internacionais que comparam índices de desenvolvimento social.
O país quer mais do que o PT tem dado em termos sociais. Se o PT não for capaz de fazer mais, estará aberto um espaço formidável para quem fizer o que as ruas demandaram estes dias todos.
Essa é a mensagem principal do MPL de São Paulo.
Paulo Nogueira
No DCM
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Grupos tentam usar manifestações para desestabilizar democracia

As manifestações de ontem uniram a violência de pequenos grupos - não tão pequenos assim, basta assistir as cenas de Brasília e de outras oito capitais - organizados ou não, pouco interessa, com a adesão de uma minoria que tenta desestabilizar a democracia.
A maior parte dos manifestantes continua com as reivindicações por melhorias na saúde e educação, contra as tarifas e o péssimo transporte e os gastos nas Copas das Confederações e do Mundo, entre outras demandas. Mas há uma tentativa de setores políticos e sociais de tomar conta de alguns atos, deixando num segundo plano essas reivindicações majoritárias.
Com amplo apoio da mídia - que num primeiro momento taxou as manifestações de baderna e exigiu repressão -, esses setores procuram mobilizar abertamente sua base social de oposição para ir às ruas. Para tanto, inclusive explorando as palavras de ordem contra a corrupção, a PEC 37,  contra os partidos, dando continuidade a uma agenda que a mídia alimentou esses últimos anos contra a política em geral, o que sempre acaba em ditadura.

Tentam cooptar a juventude que iniciou os protestos para esse rumo
Com cuidado e insistência, a Rede Globo – que é quem mais ganha com a Copa das Confederações – separa a violência que ontem se estendeu por todo país (como reconhece a manchete da Folha), das manifestações. Mas faz isso sem condenar essa violência, como fazia no início. Apenas destacando que ela parte de minorias.
Constrói, ao mesmo tempo, uma narrativa para tentar levar as manifestações para a oposição contra o governo. Isso não tira a legitimidade e o direito dos manifestantes opositores ao governo, mas a atual onda de violência não é vandalismo apenas. São atos políticos contra símbolos do poder constituído, contra a democracia, já que os saques são exceção. Muitos destes, também, são  realizados por grupos organizados e não por saqueadores em busca de bens de consumo.
Há sinais claros, ainda, de que a Polícia Militar reprimiu grupos manifestantes pacíficos com fins políticos. Em São Paulo, assusta a passividade adotada pela PM. Ela não pode agir com repressão, mas não pode se abster de cumprir seu papel responsável de força policial.

Vamos nos unir mudando e aprofundando as reformas que fizemos
Sendo assim, é hora de o poder constituído ser exercido em defesa da democracia e das instituições.
Vamos nos unir na defesa do que fizemos, e seguir mudando e aprofundando as reformas que iniciamos, começando pela reformas política e tributária. Elas são indispensáveis para avançar nas mudanças sociais reclamadas com razão pela juventude, nos transportes, na educação e na saúde.
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A direita também disputa ruas e urnas

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Quem militou ou estudou os acontecimentos anteriores ao golpe de 1964 sabe muito bem que a direita é capaz de combinar todas as formas de luta. Conhece, também, a diferença entre “organizações sociais” e “movimentos sociais”, sendo que os movimentos muitas vezes podem ser explosivos e espontâneos.
Já a geração que cresceu com o Partido dos Trabalhadores acostumou-se a outra situação. Nos anos 1980 e 1990, a esquerda ganhava nas ruas, enquanto a direita vencia nas urnas. E a partir de 2002, a esquerda passou a ganhar nas urnas, chegando muitas vezes a deixar as ruas para a oposição de esquerda.
A direita, no dizer de alguns, estaria “sem programa”, “sem rumo”, controlando “apenas” o PIG, que já não seria mais capaz de controlar a “opinião pública”, apenas a “opinião publicada”.
Era como se tivéssemos todo o tempo do mundo para resolver os problemas que vinham se acumulando: alterações geracionais e sociológicas, crescimento do conservadorismo ideológico, crescente perda de vínculos entre a esquerda e as massas, ampliação do descontentamento com ações (e com falta de ações) por parte dos nossos governos, decaimento do PT à vala comum dos partidos tradicionais etc.
Apesar destes problemas, o discurso dominante na esquerda brasileira era, até ontem, de dois tipos.
Por um lado, no petismo e aliados, o contentamento com nossas realizações passadas e presentes, acompanhada do reconhecimento mais ou menos ritual de que “precisamos mais” e de que “precisamos mudar práticas”.
Por outro lado, na esquerda oposicionista (PSOL, PSTU e outros), a crítica aos limites do petismo, acompanhada da crença de que através da luta política e social, seria possível derrotar o PT e, no lugar, colocar uma “esquerda mais de esquerda”.
As manifestações populares ocorridas nos últimos dias, especialmente as de ontem, atropelaram estas e outras interpretações.
Primeiro, reafirmaram que os movimentos sociais existem, mas que eles podem ser espontâneos. E que os autoproclamados “movimentos sociais”, assim como os partidos “populares”, não conseguem reunir, nem tampouco dirigir, uma mínima fração das centenas de milhares de pessoas dispostas a sair ás ruas, para manifestar-se.
Em segundo lugar, mostraram que a direita sabe disputar as ruas, como parte de uma estratégia que hoje ainda pretende nos derrotar nas urnas. Mas que sempre pode evoluir em outras direções.
Frente a esta nova situação, qual deve ser a atitude do conjunto da esquerda brasileira, especialmente a nossa, que somos do Partido dos Trabalhadores?
Em primeiro lugar, não confundir focinho de porco com tomada. As manifestações das últimas semanas não são “de direita” ou "fascistas". Se isto fosse verdade, estaríamos realmente em péssimos lençóis.
As manifestações (ainda) são expressão de uma insatisfação social difusa e profunda, especialmente da juventude urbana. Não são predominantemente manifestações da chamada classe média conservadora, tampouco são manifestações da classe trabalhadora clássica.
A forma das manifestações corresponde a esta base social e geracional: são como um mural do facebook, onde cada qual posta o que quer. E tem todos os limites políticos e organizativos de uma geração que cresceu num momento "estranho" da história do Brasil, em que a classe dominante continua hegemonizando a sociedade, enquanto a esquerda aparentemente hegemoniza a política.
A insatisfação expressa pelas manifestações tem dois focos: as políticas públicas e o sistema político.
As políticas públicas demandadas coincidem com o programa histórico do PT e da esquerda. E a crítica ao sistema político dialoga com os motivos pelos quais defendemos a reforma política.
Por isto, muita gente no PT e na esquerda acreditava que seria fácil aproximar-se, participar e disputar a manifestação. Alguns, até, sonhavam em dirigir.
Acontece que, por sermos o principal partido do país, por conta da ação do consórcio direita/mídia, pelos erros politicos acumulados ao longo dos últimos dez anos, o PT se converteu em símbolo principal do sistema político condenado pelas manifestações.
Esta condição foi reforçada, nos últimos dias, pela atitude desastrosa de duas lideranças do PT: o ministro da Justiça, Cardozo, que ofereceu a ajuda de tropas federais para o governador tucano “lidar” com as manifestações; e o prefeito Haddad, que nem na entrada nem na saída teve o bom senso de diferenciar-se do governador.
O foco no PT, aliado ao caráter progressista das demandas por políticas públicas, fez com que parte da oposição de esquerda acredita-se que seria possível cavalgar as manifestações. Ledo engano.
Como vimos, a rejeição ao PT se estendeu ao conjunto dos partidos e organizações da esquerda político-social. Mostrando a ilusão dos que pensam que, através da luta social (ou da disputa elietoral) seriam capazes de derrotar o PT e colocar algo mais à esquerda no lugar.
A verdade é que ou o PT se recicla, gira à esquerda, aprofunda as mudanças no país; ou toda a esquerda será atraída ao fundo. E isto inclui os que saíram do PT, e também os que nos últimos anos flertaram abertamente com o discurso anti-partido e com o nacionalismo. Vale lembrar que a tentativa de impedir a presença de bandeiras partidárias em mobilizações sociais não começou agora.
O rechaço ao sistema político, à corrupção, aos partidos em geral e ao PT em particular não significa, entretanto, que as manifestações são da direita. Significa algo ao mesmo tempo melhor e pior: o senso comum saiu às ruas. O que inclui o uso que vem sendo dado nas manifestações aos símbolos nacionais.
Este senso comum, construído ao longo dos últimos anos, em parte por omissão e em parte por ação nossa, abre enorme espaço para a direita. Mas, ao mesmo tempo, à medida que este senso comum participa abertamente da disputa política, cria-se condições melhores para que possamos disputá-lo.
Hoje, o consórcio direita/mídia está ganhando a disputa pelo pauta das manifestações. Além disso, há uma operação articulada de participação da direita, seja através da presença de manifestantes, seja através da difusão de determinadas palavras de ordem, seja através da ação de grupos paramilitares.
Mas a direita tem dificuldades para ser consequente nesta disputa. O sistema político brasileiro é controlado pela direita, não pela esquerda. E as bandeiras sociais que aparecem nas manifestações exigem, pelo menos, uma grande reforma tributária, além de menos dinheiro público para banqueiros e grandes empresários.
É por isto que a direita tem pressa em mudar a pauta das manifestações, em direção a Dilma e ao PT. O problema é que esta politização de direita pode esvaziar o caráter espontâneo e a legitimidade do movimento; além de produzir um efeito convocatória sobre as bases sociais do lulismo, do petismo e da esquerda brasileira.
Por isto, é fundamental que o PT e o conjunto da esquerda disputem o espaço das ruas, e disputem corações e mentes dos manifestantes e dos setores sociais por eles representados. Não podemos abandonar as ruas, não podemos deixar de disputar estes setores.
Para vencer esta disputa teremos que combinar ação de governo, ação militante na rua, comunicação de massas e reconstruir a unidade da esquerda.
A premissa, claro, é que nossos governos adotem medidas imediatas que respondam às demandas reais por mais e melhores políticas públicas. Sem isto, não teremos a menor chance de vencer.
Não basta dizer o que já fizemos. É preciso dar conta do que falta fazer. E, principalmente, explicar didaticamente, politicamente, as ações do governo. Marcando a diferença programática, simbólica, política, entre a ação de governo de nosso partido e os demais.
O anúncio conjunto (Alckmin/Haddad) de redução da tarifa e a oferta da força pública feita por Cardozo a Alckmin são exemplos do que não pode se repetir. Para não falar das atitudes conservadoras contra os povos indígenas, da atitude complacente com setores conservadores e de direita, dos argumentos conservadores que alguns adotam para defender as obras da Copa e as hidroelétricas etc.
Para dialogar com o sentimento difuso de insatisfação revelado pelas mobilizações, não bastam medidas de governo. Talvez tenha chegado a hora, como algumas pessoas têm sugerido, de divulgarmos uma nova “carta aos brasileiros e brasileiras”. Só que desta vez, uma carta em favor das reformas de base, das reformas estruturais.
Quanto a nossa ação de rua, devemos ter presença organizada e massiva nas manifestações que venham a ocorrer. Isto significa milhares de militantes de esquerda, com um adequado serviço de ordem, para proteger nossa militância dos para-militares da direita.
É preciso diferenciar as manifestações de massa das ações que a direita faz dentro dos atos de massa. E a depender da evolução da conjuntura, nos caberá convocar grandes atos próprios da esquerda político-social.
Independente da forma, o fundamental, como já dissemos, que a esquerda não perca a batalha pelas ruas.
Quanto a batalha da comunicação, novamente cabe ao governo um papel insubstituível. No atual estágio de mobilização e conflito, não basta contratacar a direitas nas redes sociais; é preciso enfrentar o que dizem os monopólios nas televisões e rádios. O governo precisa entender que sua postura frente ao tema precisa ser alterada já.
Em resumo: trata-se de combinar ruas e urnas, mudando a estratégia e a conduta geral do PT e da esquerda.
Não há como deslocar a correlação de forças no país, sem luta social. A direita sabe disto tanto quanto nós. A direita quer ocupar as ruas. Não podemos permitir isto. E, ao mesmo tempo, não podemos deixar de mobilizar.
Se não tivermos êxito nesta operação, perderemos a batalha das ruas hoje e a das urnas ano que vem. Mas, se tivermos êxito, poderemos colher aquilo que o direitista Reinaldo Azevedo aponta como risco (para a direita) num texto divulgado recentemente por ele, cujo primeiro parágrafo afirma o seguinte: "o movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a direita".
Num resumo: a saída para esta situação existe. Pela esquerda.
Valter Pomar, dirigente nacional do PT e Secretário Executivo do Foro de São Paulo.
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