20 de jun de 2013

Bala na testa de repórter da Globo; carro do SBT incendiado, JN antecipado

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Pedro Vedova, da GloboNews, foi atingido pela polícia no Rio; nas proximidades, um carro de reportagem do SBT estava em chamas; Jornal Nacional entrou no ar mais cedo, diante da tensão; presidente Dilma Rousseff despachava no Palácio do Planalto, onde milhares de manifestantes ainda cercam a Praça dos Três Poderes

Dilma, assuma o comando

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Só ela tem poder e autoridade para restabelecer a ordem; cenas de destruição diárias têm potencial para arruinar a imagem do País num momento crítico; Itamaraty em chamas e um repórter com uma bala de borracha na testa foram as imagens mais fortes do dia; se, dias atrás, o “Brasil amanheceu mais forte”, como disse a presidente, hoje ele está mais fraco, muito mais fraco; festival de irresponsabilidade da mídia, sobretudo da Globo, que narra os protestos como se fosse um desfile de Carnaval, contribui para o avanço da violência
No 247
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Policial se recusa a cumprir ordem e é retirado de posto

Policial foi obrigado a entregar a arma e foi retirado do trabalho depois de se recusar a cumprir a determinação de um comandante.

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Contrabandos autoritários em boa fé alheia

É frenética a competição pela atribuição de sentido a manifestações deste junho que já não possuem sentido unívoco algum. Da tentativa de apropriação pela mídia conservadora, que obteve sucesso em pautar as demandas e insinuar o roteiro das caminhadas, às solenes reflexões sobre o aprofundamento da participação popular e o esgotamento da democracia representativa, nada faltou para obscurecer o já espinhoso desafio de compreender o sucesso e eventuais explosões de coletividades. Até mesmo a subserviente beatificação da juventude pelos velhotes assustados com o estigma de superados, caso não adotem o corte de cabelo à moicano, compareceu. Mas em seu tempo, a bem da verdade, nenhum deles foi preservado de cometer sandices pela juventude de que desfrutavam.
É razoável atribuir ao aumento nas tarifas dos transportes coletivos a força causal que pôs em movimento as primeiras manifestações. A repressão bruta, na cidade de São Paulo, à passeata de quinta-feira, 13 de junho, forneceu uma razão suficiente para a velocidade inédita com que manifestações semelhantes se disseminassem horizontalmente em várias capitais. Ao saírem às ruas, na segunda-feira, dia 17, o que as marchas conquistaram em adesão extensa perderam em unidade reivindicatória. Do mesmo modo, a causalidade que mobilizava o povaréu tornou-se múltipla e não automaticamente coerente. A lista de reivindicações avolumou-se, fragmentando os grupos de interesse e anunciando o óbvio: é impossível atender completa e instantaneamente a todas as deficiências do país. Insistir nisso é torcer por um impasse sem negociação crível. O clima ficou grávido de sinais disparatados, com a ausência de coordenação de legitimidade reconhecida. Paraíso para todos os oportunismos, charlatanices, além dos equívocos de boa fé.
Nada a ver com os “cara pintadas” do “Fora Collor”. À época, todos foram às ruas com o mesmo e único propósito: o impedimento do presidente . Princípio causal único do movimento, indicava o que era apropriado e o que não era apropriado fazer. Não havia sentido, para o objetivo comum, promover depredações, alienar aliados ou desrespeitar adversários. Muito menos aproveitar a audiência para fazer propaganda de algum interesse faccioso. Agora, a que vem a PEC 37, por exemplo, nas manifestações sobre aumento de passagens de coletivos? – Trata-se de um aprofundamento do processo decisório, dirão alguns de meus colegas. Sim, e por conta disso lá virá a mídia conservadora sugerir que as manifestações não parem, apenas substituam as bandeiras, quem sabe sabotar as próximas licitações ferroviárias, rodoviárias e aeroviárias fundamentais para o país? Ou, ainda melhor, alterar o sistema de partilha do pré-sal e revogar a exigência de participação da Petrobrás? As suaves apresentadoras do sistema golpista de comunicação passaram a perguntar ao repórter que cobria manifestação na cidade de Niterói se os protestos não iriam se dirigir à ponte Rio-Niterói, justo depois dos prefeitos do Rio e de Niterói revogarem o aumento nos transportes. Em qualquer democracia que se preze essa incitação à desordem não ficaria sem conseqüência.
Ao contrário de ser uma beleza de movimento sem líderes, o espontaneísmo infantil se revela um desastre na confissão de alguns de que não conseguem impedir a violência de sub-grupos. Nem por isso deixam de ser responsáveis por ela na medida em que continuarem recusando a adesão cooperativa das instituições com alvará de estabelecimento reconhecido, instituições capazes de assegurar a virtude pacífica das manifestações. É politicamente primitivo, nada vanguardista, impedir a associação de movimentos organizados e, inclusive, de partidos políticos, desde que submetidos ao objetivo central da manifestação. Em movimentos de boa fé democrática há a hora de desconfiar e a hora de convergir. Ou estão sub-repticiamente provocando o descrédito de legítimas instituições democráticas a pretexto de alargar a esfera de liberdade do espaço público?
Não são só os de boa fé e bem intencionados que se manifestam e pautam o “espontâneo” alheio. Reconheço o odor fétido dessa teoria de longe.
Wanderley Guilherme dos Santos
Do O Cafezinho
No Conversa Afiada
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Globo derruba a grade. É o Golpe!

Cobertura da Globo, na tevê aberta, é um incitamento à derrubada da Dilma, à força
http://www.dinheiroganhar.net/wp-content/uploads/2012/11/alerta-de-golpe.jpg 
A Rede Globo, em tevê aberta, nesta quinta-feira, um dia depois de os prefeitos do Rio e de São Paulo reduzirem as tarifas, derrubou a grade de programação e se dedicou, sem comerciais !, a abrasileirar o Golpe pela tevê que a Direita conseguiu, por 48 horas, contra o Chavéz, na Venezuela.
Clique aqui para ler “tem um monte de Cabo Anselmo nas ruas”.
A Globo, tão boazinha, fala em democracia, não violência, paz, luta contra a corrupção e entra no Brasil inteiro com imagens ao vivo do quebra-quebra, do desmando, da falta de Governo !.
É a pseudo – informação.
Porque a Globo não desce lá embaixo.
É do alto, do helicóptero.
O repórter fala do que vê na tevê.
Não vê o que se diz lá embaixo.
A “cobertura” não tem contexto.
Não tem outro lado.
Outra versão.
Não tem uma autoridade.
Por duas horas seguidas, a Globo não põe no ar uma única palavra de alguém, com o manto da autoridade, para jogar agua na fervura.
É pau, ao vivo.
Pau!
O desmando, a desorganização.
A saturação do caos.
Os repórteres, coitados, vítimas do gás lacrimogênio.
É o “jornalismo catástrofe”!
Invadam o Itamaraty! Subam no Congresso. Fechem a ponte Rio-Nietroi. Esculhambem o Governo!
Porque o William Bonner esta aqui, desde cedo, para dar visibilidade!
Ponham fogo que fica mais “televisivo”.
Lamentável, diz a repórter!
E tome fogo!
Lamentável.
E tome pau!
O Palácio do Planalto cercado!!!
É um Golpe.
Manjado.
Na Venezuela, deu certo, por 48 horas.
Lá não tinha Copa do Mundo que a Globo não pode permitir que dê certo – clique aqui para ler “Globo boicota e fatura com a Copa”.
Aqui tem.
De repente, o brasileiro passou a odiar futebol.
A próxima cobertura da Globo, depois de derrubar a grade de programação, é o impeachment da Dilma.
Palavra de ordem que já se viu na Avenida Paulista, ao lado de “ditadura, já!”
Viva a Democracia!
Como disse o Conversa Afiada, a Globo embolsou o Movimento do Passe Livre.
Não existe passeata de 50 mil pessoas apartidária.
Ou não dá em nada, ou derruba o Governo.
A Globo vai derrubar!
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A direita nos protestos

 
Recife (PE) - No momento em que esta coluna entra no ar, o trânsito no centro do  Recife está parado. Os jovens nas ruas em manifestações de protesto viraram o maior carnaval fora de época em Pernambuco. A parada geral recebeu a providencial força de uma greve de motoristas de ônibus em toda região metropolitana. Natural e coerente, pois o  protesto é contra o aumento das passagens, não? Não. É contra tudo. E, justiça seja feita, o mundo todo, tudo da terra aos céus precisa de mudanças, do campo à cidade, das mulheres aos homens, das crianças aos jovens, do povo ao povo. Tudo precisa de mudanças reais, radicais e na maior urgência. Pelas trombetas de toda a imprensa, tudo tem que ser agora, a hora é esta. “Vem para a rua” virou um grito de oprimidos sob o patrocínio do capitalismo.    
Isso longe está de ser um fenômeno do acaso, uma aparição marginal à lógica do tempo.  Se só víssemos a realidade com os olhos de hoje, seria inexplicável notar que toda a mídia esteja unida na divulgação e no apoio aos jovens nas ruas. No rádio, jornais, revistas e televisão, os caras são a juventude revoltada. Projeta-se até mesmo uma telenovela com os novos heróis, numa assimilação rápida do instante presente, numa criação inédita, pois nenhuma arte fez isso até hoje. O sistema é esperto e multiforme. Há até quem diga que a depredação de bancas de revista e lojas será um ótimo negócio para os bancos: os pequenos empresários, falidos, procurarão empréstimos a qualquer taxa de juros.
O protesto virou um happening. É a maior festa do Face. Um evento de sucesso. Mas a “juventude indignada” é mais que um movimento nascido no Facebook. Além de ser o que dele falam alguns sociólogos, quando o veem como resultado das condições sociais e econômicas do Brasil, os protestos nas ruas parecem ser, de imediato, um acúmulo da doutrinação da mídia que, à semelhança de música do hit parade, martelou denúncias diárias e frequentes do mensalão, na fúria contra os governos Lula e Dilma. Ele, o espantalho Lula/Dilma, com as suas bolsa família, perdão, Bolsa esmola e prounis, ameaçou diminuir o poder secular da elite brasileira. Mas como pode um protesto de jovens ser conservador, pois tudo que é jovem é novo e belo, pois não? Como poderia um protesto contra o mundo  se voltar contra governos à esquerda?
Pois sim. Em São Paulo, militantes de partidos políticos foram expulsos do ato na Praça da Sé. Mais, em maioria, os jovens nas ruas negam a existência de partidos políticos, quero dizer, negam o direito à existência dessas legítimas expressões da democracia. Em seu lugar, nas ruas levantam bandeiras e lemas velhos, desde a Itália e Alemanha dos anos 30: falam em  “nação”, em “pátria”, quando mais próprio deveriam falar no fascínio do fascismo sobre as suas cabecinhas. O movimento, aqui e ali, tem se transformado em algo sujo e excludente, que todos conhecemos como a direita. Em página do facebook, as múmias da ditadura aproveitam e criam um Golpe Militar 2014, com quase 5.000 pessoas. É essa a primavera brasileira?
Alegam, os velhinhos à moda paizão, que  isso é a minoria, que tais ocorrências não refletem o caráter dessa coisa nova, linda e inexplicável de um movimento de massa independente. Então, como assimilar jovens universitários com bandeiras do gênero “Foda-se o Brasil”? Seria isso a revolta justa de alguém excluído dos benefícios dos últimos governos? Um programa de construção para a identidade nacional? Ou será algo mais próximo de velhíssimos fascistas que sobrevivem em peles de pouca idade, malhadas, dos grupos neonazistas ou alienados em geral que se referem a nordestinos como os mendigos do Bolsa Família? Mas isso é um fenômeno marginal, fala-se, em um movimento de mais de 100 mil em passeata, em multidões de Galo da Madrugada em pacífica reivindicação.
Sim, com tais extremos, é minoritária a expressão do fascio. Mas há uma imensa massa despolitizada onde tais apelos impressionam. Numa pesquisa empírica, que os órgãos de melhor método poderão confirmar, perguntem aos revoltados da hora quais os problemas do Brasil. A maioria vai declarar que o maior deles é a  corrupção. Em cartazes, todos vemos nas passeatas “Cadê a Dilma da guerrilha?”. Vídeos no YouTube com falas de carinhas moças chamam para as ruas com “Vamos parar a roubalheira do governo... Vamos parar com essa palhaçada do governo do Brasil... O Inimigo é o Governo”.  
A terra é fértil para a pregação de coisas antigas em rostinhos e corpos jovens. Esse é o dado novo, que se desconfiávamos não adivinhávamos. O gigante acordou, o gigante de nossas consciências acordou. Chega de afagos demagógicos.
Urariano Mota
No Direto da Redação
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O Fator Garanhuns

Não sei se choro ou dou gargalhada da sagacidade de O Globo que, finalmente, deu um jeito de ligar o nome de Lula aos atos de vandalismo cometidos em São Paulo!
Leiam e me digam se não é incrível:
"Nascido em Garanhuns (PE), cidade do ex-presidente Lula, e morador da Penha, bairro de classe média da capital, o rapaz de 20 anos teria ficado nervoso quando, segundo seu advogado, foi atingido por spray de pimenta."
Agora, ficou clara a ligação de Lula com os manifestantes radicais que macularam o show de democracia levado a cabo pelos ex-vândalos e ex-desocupados de Arnaldo Jabor.
Nascido em Garanhuns, o playboy que depredou a prefeitura de São Paulo, claro, também deve ter herdado a má índole do ex-presidente, notório ex-baderneiro do ABC paulista.
Isso nos leva a crer, contudo, que toda vez que se referirem em matérias a Elias Maluco, o assassino do jornalista Tim Lopes, O Globo irá citar que o traficante, "nascido na mesma cidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", irá cumprir mais 300 anos de cadeia.
Jornalismo, a gente se vê por aqui.
Só que não.
Leandro Fortes
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“Crise profunda” com indústria e emprego em alta?

 
Os dados divulgados esta manhã pelo IBGE mostram que “crise”, mesmo, só existe no mercado financeiro e cambial, puxada por fatores externos: basicamente, a perspectiva de alta dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA.
O índice de desemprego continua em patamares baixíssimos, 5,8%, de fazer inveja a uma Europa que se debate com um índice de desocupação que anda nos dois dígitos e, mesmo com a recente recuperação, nada pelos 7,5% e que, para os otimistas, só em 2016, baixará para 6,5%,
Também parou a erosão do rendimento do trabalho de fato ocorrida em janeiro.
Mas estamos “em crise”, não é?
E os adversários políticos e a mídia deitam falação sobre o que tem e o que não tem de ser feito.
Então, vamos dar uma refrescada na memória que não termina no gráfico aí de cima.
Em maio de 2003, logo após a posse de Lula, a renda média mensal dos trabalhadores brasileiros era de R$ 1.444,14, em dinheiro de hoje, corrigido pela inflação.
Dez anos depois é de R$ 1.863,60, 29% maior, em valores reais, deflacionados.
A massa total de salários, que soma tudo o que é recebido como rendimento do trabalho cresceu ainda mais, com o aumento da população empregada.
Passamos de R$ 26,8 bilhões, em 2003 (sempre em valores de hoje) para R$ 43.3 bilhões. Um salto de 62,8%, em valores reais.
Alguém duvida que foi isso que alimentou a expansão da economia brasileira, muito mais do que qualquer fluxo de capital estrangeiro?
É preciso manter o sangue-frio e não jogar fora a criança junto com a água do barco.
Estamos assistindo a um possível refluxo da “enxurrada de dólares” que a crise nos países desenvolvidos despejou sobre nós. As reservas brasileiras, imensamente maiores do que eram há uma década, são uma espécie de “tanque” que tem capacidade além da necessária para equilibrar a maré.
O que não é possível é, em nome do fluxo de capitais financeiros, destruirmos as bases reais da economia: produção, emprego, renda e consumo.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Protestos: não confie na grande mídia


Atualmente, estima-se que sete grupos controlam 80% de tudo que é visto, ouvido e lido na mídia brasileira:
1) Família Marinho - Detém 223 veículos de comunicação próprios ou afiliados, dentre eles a emissora de TV de maior audiência (Rede Globo), o terceiro jornal em tiragem no país (O Globo), a maior operadora e distribuidora de TV a cabo (NET), um dos portais mais acessados da internet (Globo.com), uma produtora e distribuidora de cinema (Globofilmes), 30% das emissoras de rádio FM e AM (incluindo a rede CBN) e um sistema de produção de canais para TV a cabo (GloboSat).
2) Família Civita - Possui a maior editora de revistas, fascículos e periódicos do país (Abril), uma divisão de distribuição e produção de vídeos (Abril Vídeo), uma emissora de televisão (MTV), uma operadora de sistema de TV a cabo (TVA), além de participação na DirecTV. São sócios do maior portal de conteúdo de língua não-inglesa do mundo (UOL).
3) Igreja Universal do Reino de Deus - Possui a segunda maior rede de TV do país (Record) e outras emissoras menores, como a Rede Mulher e a Rede Família.
4) Família Abravanel - Controla a 3ª rede de emissoras de televisão do país (SBT), mantém parcerias com produtoras e estúdios de cinema multinacionais.
5) Família Frias - Possui o jornal mais lido do país (Folha de S.Paulo), um instituto de pesquisas de opinião pública (DataFolha), outros jornais menores, parte do UOL, uma agência de notícias (Agência Folha ) e parte de um dos mais influentes jornais de economia (Valor Econômico), em parceria com O Globo.
6) Família Saad - Controla a Rede Bandeirantes, as emissoras da Rádio Bandeirantes AM e FM e detém ainda o Canal 21, de grande alcance na capital paulista.
7) Família Mesquita - Possui a segunda maior circulação em jornais no país (O Estado de S.Paulo), os tradicionais Jornal da Tarde e Rádio Eldorado FM, a Agência Estado e uma emissora de televisão no interior do Maranhão (TV Itapicuru Ltda).
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As manifestações de junho e a mídia

http://lh5.ggpht.com/-Iwjgjvag77c/Ub8oQshn_gI/AAAAAAAARyU/_iFdrpfRSQs/400734_10151689400785491_1725039975_n_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800 
Apesar da proximidade cronológica, parece razoável observar que o estopim para as manifestações populares que estão ocorrendo no país foi o aumento das tarifas do transporte coletivo e a repressão violenta da polícia (vitimando, inclusive, jornalistas no exercício de sua atividade profissional) – não só à primeira passeata realizada em São Paulo, mas também à manifestação realizada antes da abertura da Copa das Confederações, em Brasília. A partir daí, um conjunto de insatisfações que vinha sendo represado explodiu.
A primeira reação da grande mídia, bem como das autoridades públicas, foi de condenação pura e simples das manifestações que, segundo eles, deveriam ser reprimidas com ainda maior rigor. No entanto, à medida que o fenômeno se alastrou, autoridades e mídia alteraram a avaliação inicial.
A grande mídia, então, passa a cobrir os acontecimentos como se fosse apenas uma observadora neutra, que nada tem a ver com os fatos que desencadearam – para o bem ou para o mal – todo o processo.
Centralidade da mídia
Nas sociedades contemporâneas, apesar da velocidade das mudanças tecnológicas, sobretudo no campo das comunicações, a centralidade da mídia é tamanha que nada ocorre sem seu envolvimento direto e/ou indireto. Qual teria sido esse envolvimento no desencadeamento das atuais manifestações?
Um primeiro aspecto chama a atenção. Pelo que se sabe as manifestações têm sido convocadas por meio de redes sociais. Isto é, através de um sistema de comunicação independente do controle da grande mídia.
Na verdade, a se confirmar que a maioria dos participantes é de jovens (em Brasília, um dos “convocadores” da “Marcha do Vinagre” tem apenas 17 anos), trata-se de um segmento da população que se informa prioritariamente pelas redes sociais na internet e não pela grande mídia – jornais, revistas, radio, televisão.
Apesar disso, um aspecto aparentemente contraditório, mas fundamental – revelado inclusive em cartazes dispersos nas manifestações – é que os manifestantes se consideram “sem voz pública”, isto é, sem espaço para expressar e ter a voz ouvida.
Desnecessário lembrar que a grande mídia ainda exerce, na prática, o controle do acesso ao debate público, vale dizer, das vozes que se expressam e são ouvidas.
Além disso, a cultura política que vem sendo construída e consolidada no Brasil, pelo menos desde que a televisão se transformou em “mídia de massa” hegemônica, tem sido de desqualificação permanente da política e dos políticos. E é no contexto dessa cultura política que as novas gerações estão sendo formadas – mesmo não se utilizando diretamente da velha mídia.
Emerge, então, uma questão delicada.
A mídia e o system blame
Independentemente das inúmeras e verdadeiras razões que justificam a expressão democrática de uma insatisfação generalizada por parte de parcela importante da população brasileira, não se pode ignorar o papel da grande mídia na construção dessa cultura política que desqualifica sistematicamente a política e os políticos. E mais importante: não se pode ignorar os riscos potenciais para o regime democrático da prevalência dessa cultura política.
Recorri inúmeras vezes, ao longo dos anos, a uma arguta observação da professora Maria do Carmo Campello de Souza (já falecida) ao tempo da transição para a democracia, ainda no final da década de 1980.
Em capítulo com o título "A Nova República brasileira: sob a espada de Dâmocles", publicado em livro organizado por Alfred Stepan Democratizando o Brasil (Paz e Terra, 1988), ela discute, dentre outras, a questão da credibilidade da democracia. Nas rupturas democráticas, afirma ela, as crises econômicas têm menor peso causal do que a presença ou ausência do system blame (literalmente, "culpar o sistema"), isto é, a avaliação negativa do sistema democrático responsabilizando-o pela situação.
Citando especificamente os exemplos da Alemanha e da Áustria na década de 1930, lembra Campello de Souza que "o processo de avaliação negativa do sistema democrático estava tão disseminado que, quando alguns setores vieram em defesa do regime democrático, eles já se encontravam reduzidos a uma minoria para serem capazes de impedir a ruptura".
A análise da situação brasileira, há mais de duas décadas, parece mais atual do que nunca. A contribuição insidiosa da mídia para o incremento do system blame é apontada como um dos obstáculos à consolidação democrática. Vale a pena a longa citação:
A intervenção da imprensa, rádio e televisão no processo político brasileiro requer um estudo linguístico sistemático sobre o "discurso adversário" em relação à democracia, expresso pelos meios de comunicação. Parece-nos possível dizer (...) que os meios de comunicação tem tido uma participação extremamente acentuada na extensão do processo de system blame (...). Deve-se assinalar o papel exercido pelos meios de comunicação na formação da imagem pública do regime, sobretudo no que se refere à acentuação de um aspecto sempre presente na cultura política do país – a desconfiança arraigada em relação à política e aos políticos – que pode reforçar a descrença sobre a própria estrutura de representação partidária-parlamentar (pp. 586-7). (...)
O teor exclusivamente denunciatório de grande parte das informações acaba por estabelecer junto à sociedade (...) uma ligação direta e extremamente nefasta entre a desmoralização da atual conjuntura e a substância mesma dos regimes democráticos. (...) A despeito da evidente responsabilidade que cabe à imensa maioria da classe política pelo desenrolar sombrio do processo político brasileiro, os meios de comunicação a apresentam de modo homogeneizado e, em comparação com os dardos de sua crítica, poupam outros setores (...). Tem-se muitas vezes a impressão de que corrupção, cinismo e desmandos são monopólio dos políticos, dos partidos ou do Congresso (...). (pp.588-9, passim).
Avanços e riscos
As manifestações populares devem, por óbvio, ser vistas por aqueles em posição de poder como uma oportunidade de avançar, de reconsiderar prioridades e políticas públicas.
Do ponto de vista da grande mídia, é indispensável que se reflita sobre o tipo de cobertura política que vem sendo oferecida ao país. Encontrar o ponto ideal entre a fiscalização do poder público e, ao mesmo tempo, contribuir para o fortalecimento e a consolidação democrática, não deveria constituir em objetivo da grande mídia? A quem interessa a ruptura democrática?
Apesar de ser um tema delicado e difícil – ou exatamente por essa razão – é fundamental que se considere os limites entre uma cobertura sistematicamente adversária da política e dos políticos e os riscos de ruptura do próprio sistema democrático.
A ver.
Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros -
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Governo de Minas se apropria de obra do Governo Federal

O Governo Federal anuncia a duplicação da BR 381 e os deputados da base do Governo tucano em Minas que até outro dia batiam na presidente Dilma por causa da BR 381 agora querem se apossar da obra como se ela fosse do governo mineiro.

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Como se comporta o internauta brasileiro nas mídias sociais?

Hoje busquei por alguns números que mostram o que realmente o internauta brasileiro acessa. Quais são as mídias sociais que ele considera em suas visitas diárias? Localizei um infográfico da comScore que apresenta alguns dados de grande relevância.
  • 90,8% dos internautas brasileiros acessam as mídias sociais e gastam em média 4,9 horas nestes sites de relacionamento;
  • as redes com mais usuários são: Facebook (94%), Google+ (75%) e Twitter (73%);
  • quando se trata de frequência de uso temos: Facebook (88,9%) e Twitter (41%) ;
  • 58,7% do volume de acessos nas mídias sociais é das mulheres;
  • quando se trata de compras, 41% dos internautas pesquisam nas mídias sociais antes de comprar; 2 em cada 3 dão feedback para as marcas via mídias sociais; 54% seguem empresas no Twitter e 74% curtem empresas no Facebook.

Lucas Lima
No Blog da Midiaria
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Copa das Manifestações

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Charge online - Bessinha - # 1823

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Gatsby S.A.

Para coincidir com o lançamento do filme, que abriu o festival de cinema de Cannes deste ano, inaugurou-se uma espécie de indústria de Grandes Gatsbys. Várias editoras aproveitaram o estardalhaço para publicar suas versões do livro de Scott Fitzgerald.
Nas diversas edições em inglês só o que muda de uma versão para outra, claro, é a apresentação gráfica (com ou sem Leonardo Dicaprio na capa, por exemplo), mas nas novas traduções que pipocam pelo mundo imagina-se que a qualidade do texto de Fitzgerald nem sempre sobreviva.
No Brasil há umas quatro ou cinco traduções do “Gatsby”, entre antigas e novas. A melhor das novas no mercado deve ser a que a excelente Vanessa Barbara fez para a Companhia das Letras.
Essa variedade de versões espelha, de certa forma, a variedade de interpretações possíveis do livro. Não que ele seja um texto obscuro a ser decifrado. Pode-se até dizer que é uma lição de narrativa clara, junto com “Suave é a noite”, exemplos máximos do estilo elegante de Fitzgerald e do romance tradicional.
Costuma-se comparar a literatura de Fitzgerald com a do seu contemporâneo Ernest Hemingway, cujo estilo lacônico, “seco”, em contraste com a prosa fluente de Fitzgerald, seria o futuro da literatura moderna. No entanto hoje rele-se “O grande Gatsby” com o mesmo prazer da primeira leitura, enquanto reedições do Hemingway mostram um autor a caminho da pior armadilha que espera um escritor que se repete, a da autoparódia.
Mas, se “O grande Gatsby” não “quer dizer” nada além do que diz com perfeição, o que, exatamente, simboliza aquele estranho personagem enfeitiçado pela luz verde do outro lado da baía que separa o velho do novo dinheiro, a classe legitima da classe comprada, o seu mundo de negócios suspeitos e escroques do mundo encantado da sua amada Daisy?
“Os ricos são diferentes de nós” é a primeira frase de um conto de Fitzgerald, anterior ao “Gatsby“. “É, eles têm mais dinheiro”, teria comentado Hemingway. Mas Fitzgerald era fascinado pela diferença.
Gatsby é martirizado pela diferença, que o impede, com todo o seu dinheiro, de ter tudo o que quer — Daisy. Simboliza a mentira do sonho americano, pois há sempre pelo menos uma baía separando as categorias de ricos. Ou simboliza a moral mais banal possível, a de que o dinheiro não compra a felicidade.
Nunca uma banalidade foi tão bem escrita.
Luís Fernando Veríssimo
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A tentativa de usar as manifestações contra o PT e seus governos

http://portal4.files.wordpress.com/2013/06/globo-e-citada-em-protesto-contra-ricardo-teixeira-em-sao-paulo-13082011-1313259103487_1920x1080.jpg 
Esta terça-feira marcou uma inflexão não nas manifestações, que continuam no mesmo ritmo e crescendo, pacíficas, com uma agenda ampla, com participação variada, incluindo desde movimento como o Passe Livre até anarquistas, punks, jovens de classe média e da periferia, profissionais, entidades estudantis, movimentos sociais e populares, movimentos culturais e de protesto e luta de todos os tipos e das redes.
A novidade, para pior, foi a tentativa de virar o movimento contra o PT e seus governos, de levar para dentro do movimento temas ausentes. A tentativa de dar uma guinada no movimento conta com a cobertura – como não poderia deixar de ser – da mídia, a mesma que pediu repressão contra “os vândalos e baderneiros” e foi atendida. Foi a mesma repressão típica das ditaduras. O repúdio a essa repressão foi uma das principais razões das manifestações gigantescas de segunda-feira.
O problema, para a mídia, especialmente a Globo, é que ela é alvo das manifestações. E pior, a Copa é sua principal fonte de receita.
O mais grave foi a retirada de propósito da Polícia Militar da cidade de São Paulo e a depredação da sede da Prefeitura e os saques na avenida Paulista e em outros locais da cidade por grupos organizados, que podem ser identificados pelas autoridades.
E mais grave ainda foram as TVs Record e Globo, sem nenhum pudor, depois de exigir repressão e desqualificar os protestos, de tentar virar e se apoderar os movimentos e transformá-los em atos políticos contra o governo.
Frente a essa nova realidade, cabe ao PT e todos que apoiam e acreditam no nosso projeto político, e mesmo os insatisfeitos e críticos, cerrarem fileiras na defesa da democracia, já que não podemos vacilar.
O que está em jogo é a democracia, ameaçada não pelas manifestações pacíficas – onde muitos setores legitimamente são de oposição e críticos do governo –, protestando contra a Copa, por melhores condições de transporte e vida, por mais educação e saúde, contra a corrupção, contra o atual sistema político.
O que, sim, nos importa é a tentativa de usar e dirigir as manifestações não apenas contra os governos do PT, mas também para desestabilizar, repito, a democracia brasileira.
Só há uma maneira de responder a essa tentativa que nos remete ao passado, quando a mídia manipulava movimentos de protestos contra governos de esquerda e democráticos: ir para as ruas e ao mesmo tempo atender as demandas das ruas, aprofundando as reformas e as mudanças no país. Mudando radicalmente a política de transportes e de mobilidade, de ocupação do solo, fazendo uma reforma tributária para destinar mais recursos para a saúde e a educação, saneamento, transporte, lazer e cultura. Para inverter o caráter regressivo e injusto, social e regional de nosso sistema tributário, no qual quem ganha menos paga mais, um resquício do passado.
E também fazendo a reforma política, acabando com o predomínio do dinheiro nas campanhas, bandeira pela qual o PT solitariamente tem lutado.
Avançar, e não recuar, no modelo de desenvolvimento, não aceitando em hipótese alguma a volta às políticas neoliberais em que o mercado e o rentismo – e não a nação, o Estado e o povo – são os beneficiados do crescimento e da riqueza.
No Blog do Zé
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Quando a Rede Globo amava Sarney

No dia 12 de junho de 2008, o Jornal Nacional da Rede Globo produziu um noticiário que falseava seu próprio passado.
A VERDADE:
Após a ditadura, durante o governo civil de José Sarney, a censura já havia acabado.
A Globo fazia noticiário favorável a Sarney para trocar "gentilezas" com o poder.
A inflação alta era a principal preocupação nacional. Informar a taxa mensal era notícia negativa ao governo. A caderneta de poupança rendia a inflação e mais 0,5% ao mês.
Então a Globo informava o alto rendimento da poupança como se fosse uma boa notícia para o poupador.
A FALSIDADE HISTÓRICA:
A Globo usou montagem e frase enviesada para insinuar que a censura à inflação, que ela praticava por decisão própria no Jornal Nacional, seria por imposição da ditadura. Não era. O governo Sarney já era democrático e a censura já tinha acabado. Além disso, a Rede Globo quis confundir, como se fosse uma prática no setor bancário, e não de sua redação.
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Ronaldo e Pelé podiam ter passado sem mais essa

A bambuzada merecida que os dois ex-craques estão tomando por causa de seus vídeos.
Eles
Eles
Demorou para sobrar para Ronaldo e Pelé. Não que eles não mereçam.
Um vídeo de 2011, recuperado pelo Lance, em que o Fenômeno diz que “Copa do Mundo não se faz com hospitais” transformou-se em viral. As reações negativas motivaram um pedido de desculpas do ex-jogador – também equivocado.
“Posso de fato não ter me expressado tão bem e a edição que eu vi na internet é bastante tendenciosa”, disse ele. “Era outro contexto. Não é justo usar como se fosse dito essa semana. Tenho sentido orgulho de ver os protestos pacíficos e democráticos pelo país. Espero que se espalhem cobrando, todos os anos, a melhor gestão do gasto público”.
As imagens têm dois anos, mas a bobagem resistiu ao teste do tempo graças ao que Ronaldo faz e representa hoje.
Apesar de seus esforços sobrehumanos para justificar o indefensável – trabalhar como dirigente do Comitê Organizador Local do Mundial do Mundial, comentarista da Globo e empresário de jogadores que estão em campo –, pouca gente acredita em suas boas intenções. Ninguém mais é tão bobo.
Ronaldo não pode achar que não tem nada a ver com isso, que é apenas o entregador de pizza e está na farra por acaso.
O vídeo de Pelé é novo em folha – mas consegue ser pior. O maior jogador de futebol de todos os tempos aparece com uma clássica camiseta canarinho da finada CBD fazendo um apelo patético: “Vamos esquecer todas essas confusões acontecendo no Brasil, todas as manifestações, e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, é o nosso sangue”.
Esquecer o que, Pelé? Como? Era brincadeira, então?
Pelé é cobrado, há muito tempo, pelas besteiras que diz. Eu acho que existe uma dose de má vontade com ele. Não concordo com os ataques cafajestes de Romário. Mas Pelé não ajuda. Essa declaração infeliz ecoa, de certa maneira, aquela dita em 1969, quando fez o milésimo gol: “Vamos proteger as criancinhas necessitadas”.
Na época, Pelé tomou bambuzadas da esquerda, que o chamou de demagogo e cobrou-lhe uma posição firme sobre a ditadura. Mas quem achou que era coisa de patrulheiro, por amor às maravilhas que ele fez no gramado, é obrigado a concordar que Pelé tem um problema grave em enxergar qualquer coisa que aconteça fora da Vila Belmiro. (Sem contar, claro, que ele não tem um assessor ajuizado para aconselhá-lo a simplesmente ficar calado).
Não há ninguém, neste momento, com estatura moral para pedir que os brasileiros botem a viola no saco, voltem para casa, sentem-se na poltrona com um pacote de Pringles sabor barbecue e ouçam Galvão Bueno berrar. Nem o Papa.
Pelé tem negócios na Copa. Ronaldo também. O mundo tem conhecimento disso. O fato de os dois acreditarem que as pessoas não saibam como eles atuam ajuda a explicar por que tanta gente os considera relíquias suspeitas.
Kiko Nogueira
No DCM, com acréscimo deste blog
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Integrantes do MPL celebram a vitória, falam em infiltrados e expõem próximos passos

Momento em que o governador paulista Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciavam a redução das tarifas em São Paulo. Em seguida, o mesmo anúncio foi feito no Rio (foto LCA).
Fomos convidados para um encontro com integrantes e apoiadores do Movimento Passe Livre (MPL), que nas últimas duas semanas protagonizaram um episódio histórico: levaram o povo de volta às ruas para reivindicar. Desde crianças a pessoas da terceira idade. Foram vítimas de repressão só comparável àquela empregada pela Polícia Militar paulista na desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos.
No meio da conversa, a notícia: o governador Alckmin e o prefeito Haddad anunciaram a redução das tarifas conforme o reivindicado pelo movimento.
Houve celebração.
Dentre os convidados, os blogueiros Rodrigo Vianna, Altamiro Borges, Leonardo Sakamoto e este que lhes escreve, o empresário de mídia Joaquim Palhares, o ativista Sergio Amadeu e a jornalista Maria Inês Nassif.
O objetivo era, basicamente, dizer que “sim, somos de esquerda e temos uma pauta de esquerda”. Ou: “Não, não seremos manipulados pela pauta da direita”.
O professor de História Lucas Oliveira, o Legume, falou em nome do MPL. Ele e ativistas ligadas ao movimento descreveram a unidade que conseguiram forjar com integrantes de partidos de esquerda nos últimos dias — PSOL, PSTU e PCO, entre outros — além de militantes do PT e de um grande número de movimentos sociais, dentre os quais se destacam o MST, a UJS (do PCdoB) e a UNE.
Sim, sim, estavam todos extremamente preocupados com a possibilidade de infiltração e manipulação da pauta do movimento por grupos de direita, que buscavam se apropriar das manifestações para atacar o governo federal.
Negaram que os anarquistas estavam na origem da tentativa de retirar as bandeiras de partidos do movimento, dizendo que a iniciativa era de “caras-pintadas” recém-chegados.
Lembraram que era impossível controlar as multidões que se juntaram às manifestações — segundo uma pesquisa, a grande maioria saia às ruas pela primeira vez.
Confirmaram o ato desta quinta-feira, comemorativo, na avenida Paulista.
Para as próximas mobilizações, pretendem reforçar os coletivos de segurança, comunicação e primeiros socorros.
O ativista digital Sergio Amadeu exibiu um gráfico mostrando que nos últimos dias o MPL tinha perdido protagonismo nas redes sociais relativamente a grupos de direita, ou seja, os direitistas tinham conseguido um maior poder de mobilização digital — o que talvez explique a aflição de muitos apoiadores do movimento.
A próxima mobilização talvez tenha relação com a PEC 90, de autoria da deputada Luiza Erundina, que torna o transporte um direito social. Além disso, trabalhando com o vereador petista Nabil Bonduki, o MPL pode tentar aprovar o passe livre na Câmara Municipal de São Paulo.
Todos estavam certos da presença de provocadores e agentes infiltrados durante as manifestações. Alguns, provavelmente da Polícia Militar, encarregados da coleta de imagens e informações. Outros, de grupos de extrema-direita, empenhados em promover vandalismo atribuído posteriormente ao MPL.
Numa avaliação coletiva, os blogueiros presentes concordaram que o prefeito Fernando Haddad foi o grande perdedor no processo — poderia, por exemplo, ter anunciado sua disposição de reduzir as tarifas depois de ouvir opiniões do Conselho da Cidade, que praticamente endossou a pauta do MPL.
O papel desempenhado por Haddad — que foi ao Palácio dos Bandeirantes para acompanhar o anúncio, falando depois do governador Geraldo Alckmin — também causou estranheza. Como a redução das tarifas foi anunciada quase ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, especulou-se sobre um acordo de governantes para aliviar o establishment da pressão das ruas.
A celebração foi grande, tendo em vista que o MPL tem um núcleo duro bastante reduzido de militantes, com idade média calculada no chute em 23 anos de idade. Ainda assim, conseguiu a maior vitória desta geração de jovens militantes nas lutas sociais.
Abaixo, Sergio Amadeu expõe o gráfico demonstrando a perda relativa de protagonismo do MPL nas redes sociais, relativamente a outros grupos — alguns dos quais conservadores.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Comunicado Importante, não ria!

Temendo anarquia, príncipe pede que monarquistas não apoiem protestos

Herdeiro da Coroa brasileira prega "prudência" para apoiadores da monarquia diante de manifestações populares pelo País
Casa Imperial do Brasil divulgou comunicado pregando afastamento de protestos Foto: Reprodução
Casa Imperial do Brasil divulgou comunicado pregando afastamento de protestos
 O príncipe dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil (sic), recomendou que os apoiadores da restituição da monarquia no País se mantenham afastados da onda de protestos registrada em diversas cidades brasileiras nas últimas semanas. Segundo o herdeiro da Coroa brasileira, os protestos evidenciam manifestações anarquistas que não devem ser compartilhadas pelos monarquistas.
"Em vista da onda de protestos que se generaliza por todo o País, refletindo um fundo de insatisfação geral e evidenciando que pode haver nos bastidores quem esteja procurando tirar proveito desses acontecimentos, e ademais considerando o risco de envolvimento em atos de anarquismo, (o príncipe) julga que a prudência impõe aos monarquistas absterem-se de qualquer participação em tais manifestações", diz comunicado divulgado na terça-feira pela Casa Imperial do Brasil.
No Terra
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Marilena Chauí: 'Baixar tarifa não resolve, é preciso quebrar oligopólio das empresas de ônibus'

Marilena Chauí
Chauí afirmou que as manifestações pela revogação do
aumento das passagens são legítimas e justas
A filósofa e professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Marilena Chauí, avalia que a eventual revogação do aumento da tarifa de ônibus, embora importante, não resolverá o problema do transporte público de São Paulo. “Enquanto o prefeito não quebrar o oligopólio dos empresários de ônibus, vamos andar sempre mal das pernas, não vai funcionar, mesmo que no curto prazo ele atenda às exigências do movimento e revogue o aumento da tarifa. No longo prazo o problema não estará resolvido”, disse à Rádio Brasil Atual.
Ela lembrou de quando era secretária municipal de Cultura, na gestão da prefeita Luíza Erundina (1989-93), quando foi elaborado o Projeto de Lei da Tarifa Zero, que pretendia custear o transporte público através de uma reforma tributária muncipal. “Erundina enfrentou a máfia dos ônibus, e uma reação em cadeia provocada pelos grandes empresários da construção civil e dos lojistas. Movimentos contrários dos chamados bairros nobres, como Cidade Jardim, Higienópolis, Moema, pipocaram. Foi uma coisa medonha no nível da sociedade civil, e os empresários de ônibus se mancomunaram com a Câmara Municipal para impedir a aprovação do projeto.”
Ontem o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, admitiu que os empresários são um grupo difícil de enfrentar. “São um setor atrasado, tanto que foram contra a criação do Bilhete Único. É um setor cartelizado. Hoje é muito difícil retirar um operador do sistema”, avalia.
Chauí afirmou que as manifestações pela revogação do aumento das passagens são legítimas e têm de estar na pauta dos movimentos sociais. “As manifestações não poderiam ser mais justas, significa que a luta pela dignidade do cidadão na luta pela educação, pela saúde, pelo trabalho, na moradia, tem de incluir aquilo que é condição de mobilidade, que é o transporte.”
A professora, que é uma das conselheiras que esteve presente na reunião de ontem (18) do Conselho das Cidades, afirmou que a convocação do Movimento Passe Livre como participantes da reunião pelo prefeito foi democrática, mas ressalta que o prefeito Fernando Haddad (PT) demorou a agir.
“As reações do governador Geraldo Alckmin e do prefeito foram diferentes, embora as duas demoradas. Alckmin reagiu com a polícia e com prisão. E Haddad foi pego de surpresa, demorou na resposta. Mas a atitude do prefeito foi de grandeza política porque ele chamou os movimentos, todas as lideranças, o conselho, o secretariado, para um debate transparente.”
A filósofa ressalta, porém, que o momento atual de mobilização e protestos é importante para a democracia, mas não configura um momento histórico. “Não é momento histórico, é um instante politicamente importantíssimo, no qual a sociedade vem às ruas e manifesta sua vontade e sua opinião. Mas a ação política é efêmera, não tem força organizativa do ponto de vista social e política, não tem uma força de permanência, caráter dos movimentos sociais organizados, de presença organizada em todos os setores da vida democrática.”
Ouça aqui a entrevista de Chauí à repórter Marilu Cabañas:
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