18 de jun de 2013

TV Record incita o reacionarismo e tem caminhão queimado por manifestantes

Na manifestação em São Paulo, em frente à prefeitura, na noite desta terça-feira (18), manifestantes mais violentos que depredaram vidros, também tocaram fogo em um caminhão gerador de link da TV Record, daqueles com equipamentos e antenas para transmissão do sinal.
A maioria dos manifestantes eram pacíficos e tentaram apaziguar os ânimos. O Movimento Passe Livre defende manifestações pacíficas.
Por coincidência, o apresentador da emissora, Marcelo Resende, fazia pregação reacionária interpretando as manifestações com um discurso típico de leitor da revista Veja.

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O recado político maior da rua sob a bandeira do aumento dos ônibus

Que não se tirem conclusões irrefletidas das manifestações de jovens contra o aumento de passagens de ônibus e outras mazelas dos serviços públicos. Nem é o começo da revolução, nem a simples baderna, nem a manipulação por grupos extremistas de uma grande massa ingênua. É simplesmente o brado inconsequente de uma juventude frustrada pela falta de perspectiva de vida, indiferente ao prato feito comum de uma liderança política esgotada em seus slogans de pretensa mobilização que já não traz apelo algum a ninguém.
As manifestações de rua no Brasil definharão aos poucos, como definharam Occupy Wall Street nos EUA e os Indignados da Espanha. Diferentemente da Primavera Árabe, não havia nesses movimentos, como não há no Brasil, o objetivo da derrubada de uma ditadura. Havia lá, como aqui, uma sensação difusa de ausência de diretivas políticas que façam vibrar a nação em torno de um projeto de destino. Isso seria tarefa da esfera política. Mas a esfera política se revela amorfa e oportunista, centrada em seus próprios interesses corporativos.
O campo de esquerda de nossos partidos políticos perdeu sua identidade interna e sua identificação com as massas. Falo do campo de esquerda porque, no da direita, prevalece o conservadorismo que se vale do status quo. Não é um problema só nosso. É também na Europa. Sacudido pela maior crise econômica da história, o bloco de esquerda europeu não sabe o que fazer. Basta ver o exemplo da França: a que veio o socialista François Hollande, a não ser para respaldar a infame política econômica que a Alemanha impõe ao sul da Europa?
Nossos jovens atuam com a intuição de que a democracia política é um instrumento de mudança em favor da democracia social. Contudo, não vêem isso na prática política. O partido que sequestrou a sigla da democracia social foi o que mais avançou na penetração do neoliberalismo no Brasil. Contra ele, no discurso, o PT pretendeu oferecer uma alternativa. Contudo Lula, o líder carismático da abertura política como dirigente sindical, recuou assustado da possibilidade de promover uma verdadeira democracia social enquanto presidente, para além do simples assistencialismo.
Qual é a mensagem que o campo de esquerda tem hoje para nossos jovens? Claro que não é o “tripé meta de inflação, superávit primário e câmbio livre”. Isso não pode ser o projeto de uma nação. Isso não pode ser uma utopia progressista. Isso não pode ser uma fantasia mobilizadora da juventude. Ao contrário, ela quer sobretudo justiça social. Generosos como são, não há jovens que se oponham à Bolsa Família. Contudo, que destino está reservado para aquela faixa da sociedade entre o Bolsa Família e um empresariado contemplado com múltiplas bolsas  sob o pretexto de incentivar um investimento que não fazem, e o Estado abriu mão de fazer?
O que os manifestantes de rua estão fazendo é radicalizar a democracia política no sentido de uma afirmação inequívoca de demandas de destino ao sistema político. Seu movimento se esgotará, provavelmente sem resultados práticos imediatos, mas é uma sinalização clara de outros que virão no futuro por outros pretextos. Os radicais se aproveitarão deles para se afirmarem, pode haver confrontos, feridos e até mortes, mas a mensagem essencial prevalecerá: dêem-nos um destino.
Se o campo de esquerda não apresentar uma utopia, corremos o risco de instabilidade permanente. Não adianta esperar que, no interior do próprio movimento, saiam teses propositivas. Isso só acontece enquanto miragem de esquerdistas vulgares. Alguém, algum partido tem que se apresentar com a proposta. Lula seria o líder natural, mas não é possível saber se seria capaz de exercer pela terceira vez, depois da democratização e, em parte, da presidência, um papel realmente transformador da esfera política, com toda a carga de inovação do discurso e da ação que isso representa.
Por outro lado, não há muito o que se esperar do campo da direita. Ele vai muito bem. Temos um Governo que protege a propriedade privada e o lucro, como convém numa democracia de cidadania ampliada. Mas é bom que a direita se acostume com a ideia de que os níveis indecentes de concentração de renda funcional e de propriedade no Brasil não perdurarão eternamente. A democracia social implicitamente exigida nas ruas diz respeito a um Estado orçamentariamente forte para garantir os direitos sociais básicos de saúde, de educação, de previdência, de salário decente,  de justo equilíbrio entre trabalho e capital. Conscientemente ou não, isso continuará sendo exigido nas ruas, num momento em que, se podemos não saber para onde vai o mundo, podemos ao menos tentar querer para onde ir.
J. Carlos de Assis, economista, professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outros livros de Economia Política, de “O Universo Neoliberal em Desencanto”, co-autoria, e “A Razão de Deus”, pela Civilização Brasileira.
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Sobre o que dizem as ruas

A forma menos adequada de buscarmos a compreensão de um fenômeno social complexo é a simplificação. Não encontraremos uma única motivação para os recentes protestos que se espalharam pelas principais cidades do país, se o procurarmos. Temos questões mais gerais e universais ao lado de outros muitos temas locais e setoriais. Há aspectos que aproximam os manifestantes de São Paulo aos do Rio e de Porto alegre e, outros tantos, que os distanciam.
O papel da internet e das redes sociais é central e, em geral, os políticos e formadores de opinião não o tem compreendido minimamente. Buscar algum grau de compreensão do atual fenômeno, a partir do ponto de vista de uma esquerda que se coloca diante do dificílimo desafio de governar transformando, é o objetivo desse breve artigo.
O que se pode dizer preliminarmente é que estamos diante de uma expressão política do novo Brasil. A revolução democrática, levada a termo pelos governos Lula, redefiniu a estrutura de classes da sociedade brasileira, incluiu milhões de brasileiros à sociedade de consumo e possibilitou a emergência de novas expressões culturais e políticas. Mas o inédito processo de inclusão social e econômica ainda é imperfeito, inconcluso e contraditório. As dinâmicas políticas decorrentes do processo massivo de inclusão social em curso ainda são imprevisíveis, mas algumas pistas são visíveis e exigem da esquerda brasileira uma reflexão mais adensada.
As conquistas sociais dos últimos anos vieram acompanhadas da despolitização da política, de uma onda conservadora que constrange o Congresso Nacional e paralisa os partidos de esquerda, distanciando, ainda mais, a juventude da política tradicional. Lembremos que, recentemente, tivemos manifestações espontâneas, em todo o país, contra a indicação de Marcos Feliciano à Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional. Na oportunidade, nenhum manifestante propunha o fechamento do Congresso ou a criminalização dos políticos. E o que fez nosso Parlamento enquanto Instituição? Nada. Esperou solenemente o movimento se dispersar. Frente à onda conservadora que estimula a homofobia, o racismo e a violência sexista, o que têm feito os partidos políticos? Os ruralistas de sempre se organizam no Congresso Nacional para anular os direitos dos indígenas e o que dizem nossos parlamentares progressistas?
Os dez anos de governo de esquerda no país nos deixam um legado de grandes conquistas, entretanto, há incerteza e imprecisão quanto aos próximos passos. Demandas históricas não atendidas carecem de respostas mais amplas. Além disso, novas questões sempre se impõem num cenário de conquistas sociais e políticas. Pois, se é verdade que os governos do PT incluíram milhões e possibilitaram acesso a inúmeros serviços antes inacessíveis, também é verdade que temos, em diversas áreas, serviços de baixa qualidade e, fundamentalmente, caros.
O transporte nas grandes cidades é um drama cotidiano para milhões de brasileiros. Temos pleno emprego em diversas regiões metropolitanas do país e, no entanto, ainda temos um oceano de precariedade e informalidade. E aqueles que ingressaram na sociedade de consumo nos últimos anos, legitimamente, querem mais: anseiam por cultura, lazer, mais e melhores serviços, educação de qualidade, saúde, segurança e transportes. São os efeitos colaterais de toda experiência exitosa de redução das desigualdades sociais e econômicas.
Evidentemente, há ainda o afastamento e o desencantamento com a política e os políticos. A denominada "crise da representação" não é um conceito acadêmico abstrato. O déficit de democracia e de legitimidade das Instituições políticas colocam em xeque a capacidade dos atuais representantes em absorver e compreender as novas dinâmicas sociais e políticas que se expressam nas ruas do país. Nossa jovem democracia corre o risco de caducar precocemente, caso não tenhamos êxito em ressignificá-la e reaproximá-la dos setores sociais mais dinâmicos.
Essas seriam algumas das questões mais gerais que aproximam os movimentos do Sul, sudeste e nordeste. Mas há ainda temas locais que incidem sobre dinâmicas especificas e mobilizam pessoas a partir de questões mais sensíveis a partir de sua vivência concreta nos territórios.
O Rio de Janeiro, por exemplo, se tornou uma das cidades mais caras do mundo. Há uma reorganização em grande escala do espaço urbano e há setores sociais que se sentem completamente alheios (e marginalizados) ao processo de "modernização" da cidade. Em São Paulo, temos uma polícia orientada para o uso desmedido e desproporcional da força e da violência – e isso não diz respeito somente aos dias de protestos. Também há ali um tipo de violência estrutural contra homossexuais e mulheres sem que o Poder Público organize qualquer resposta mais contundente. Poderíamos estender a lista.
Por fim, cumpre registrar que seria recomendável aos dirigentes políticos do campo progressista afastar o risco de reproduzir aqui os erros da esquerda espanhola que, inicialmente, criminalizou o 15-M e terminou falando sozinha nas últimas eleições. Também seria recomendável não outorgar, de forma alguma, às elites brasileiras uma capacidade de mobilização que ela não possui e jamais possuirá. Refutar a ideia de que os jovens estão nas ruas em função da mídia ou de qualquer tipo de conspiração das "elites" é o primeiro passo para não cair em um erro elementar que seria bloquear qualquer possibilidade de dialogo com esses novos movimentos.
Melhor acreditar que é possível extrair do atual momento elementos para a renovação da agenda da esquerda brasileira e reforçar os laços que unem os governos progressistas da América Latina a todas as lutas contra as diversas formas de privatização da vida. É hora de reforçarmos nossa capacidade de dialogo, de escuta, e ouvir a voz nada rouca das ruas – a mesma que nossos adversários sempre buscaram silenciar. Estamos diante de uma oportunidade singular para renovarmos nossos discursos e nossas práticas, projetando o próximo passo da Revolução Democrática no Brasil com base na força sempre renovadora das mobilizações da juventude.
Vinicius Wu, Secretário-geral do governo do Estado do Rio Grande do Sul
No Carta Maior
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Novo estilo de golpe: direita busca as ruas e ressuscita inflação

- Filho, você vai no ato amanhã?
- Claro, mãe. Por quê?
- Olha, realmente não sei nada de política, mas peço que não, porque acho que vai rolar um Golpe de Estado.
Parece absurdo, mas esse diálogo – que de fato ocorreu com um amigo – é sintomático.
No meio da manifestação desta segunda-feira (17), em São Paulo, começou a se falar sobre uma suposta ocupação do Congresso Nacional.
Foi preocupante.
- Sabe como se chama isso?
Disse um companheiro de organização.
- Golpe de Estado.
Felizmente, como sabemos, não foi o que ocorreu. Mas esse momento de tensão nos leva a algumas reflexões.
Logo após a manifestação da última quinta-feira, a linha editorial dos principais meios de comunicação mudou de tom radicalmente.
Se na quinta pela manhã eles inescrupulosamente pediam à Polícia Militar agir com violência, na sexta as principais manchetes repudiavam a ação dos PMs. Se não pode vencê-los, junte-se a eles, e busque cooptá-los.
A mudança de discurso é significativa. Representa um oportunismo da direita para criar um clima de instabilidade nacional. Agora, as manchetes centralizam suas forças principalmente sobre o governo federal.
A preocupação com os megaeventos esportivos, o distanciamento do PT com as massas e sua incapacidade de diálogo, a suposta popularidade da presidência em queda, as vaias na abertura da Copa das Confederações.
A pauta política está dada. Agora, a direita busca a pauta econômica para concretizar seu discurso e desestabilizar o governo. E, com isso, começam a retomar a questão da inflação.
O editorial da Folha desta segunda diz que, com exceção dos beneficiados do novo programa federal Minha Casa Melhor, “todos os outros brasileiros, em contraste, veem sua capacidade de consumo estreitar-se de forma acelerada, sob o golpe duplo do aumento da inflação (que já corrói os salários) e dos juros (que deve onerar as compras a prazo)”.
A história nos ensina que as contra-ofensivas se realizam com mais sucesso se for respaldada de um artefato sólido, ao entrelaçar elementos políticos aos econômicos.
E é o que estão buscando. “Dilma Rousseff resvalará para o autoengano, porém, se desconsiderar que as vaias vieram na semana em que se espalharam pelo país protestos contra altas de preços (tarifas de transportes) e contra o que alguns percebem como mau emprego de verbas públicas (nos eventos esportivos, entre outros)”.
E já atestam como fato dado que, no ano pré-eleitoral, “são fortes os sinais de que se rompe a bolha de otimismo que levou Dilma ao Planalto”.
“O que aflige os brasileiros é a perda de poder aquisitivo, com a inflação, e a incapacidade do Estado de apresentar soluções concretas para a crise nas áreas vitais de saúde, educação, segurança e transportes. Mais consumo e mais futebol não resolvem nada disso”, termina o editorial.
Mentira. Os espasmos inflacionários que a tese dominante tanto aposta evolui pouco perto do estardalhaço. A última nota técnica do Dieese (abril), mostra que entre março de 2012 a março de 2013, o IPCA evoluiu 6,59%, enquanto os preços dos alimentos, 13.49%.
Se não fosse o problema do subgrupo alimento, que ocorre devido a problemas sazonais e estruturais da agricultura brasileira (como bem coloca Gerson Teixeira em seu artigo O agronegócio é ‘negócio’ para o Brasil?), o IPCA teria sido de 5.07%, segundo simulação feita pelo Ministério da Fazenda. A meta central de inflação dentro do intervalo de tolerância é de 6,5%.
Tentam misturar as coisas, confundir e influenciar sobre um movimento ainda bem descentralizado. Soma-se a isso o fato da grande maioria (a redundância aqui é proposital) dos que participaram das manifestações não serem organizados e, ainda, rechaçarem violentamente partidos políticos e não terem uma compreensão clara sobre a necessidade organizativa.
Ao longo da marcha, bandeiras do PSTU foram tomadas por algumas pessoas. A Juventude do PT foi ameaçada por outro grupo e teria apanhado, não fossem outras organizações que estavam por perto e apaziguaram a situação. Boa parte do clima era de ódio com a política, com políticos e com partidos.
O momento é delicado. É necessário que a esquerda tenha isso em mente e, se ainda é possível, também colocar uma responsabilidade e necessidade do PT deixar de ser bundão, ser mais protagonista, polarizar o debate e politizar as massas.
E é o momento das forças de esquerda unificarem a luta, incidirem sobre o debate político ideológico e pressionar o PT a tomar alguma posição. Sempre reforçando a pauta central: diminuição dos preços do transporte público, e não ampliando como a direita pretende.
A direita, longe de ser boba, está se aproveitando. E para capitalizar essa gente e servir a ela como massa de manobra, não é preciso muito devido o grau de despolitização que o período neoliberal nos deixou.
Sem dúvida, as políticas sociais dos governos petistas melhoraram a vida do povo em muito, mas apenas no âmbito do consumo. Sem nunca se preocuparem com o processo de politização da classe trabalhadora. O que nada garante que num momento de polarização do debate e uma ofensiva da direita, as massas saiam às ruas em defesa desse governo ou partido.
Se outrora o trabalho de base pelo PT era uma das prioridades, há muito ele foi abandonado. E esse vazio político deixado tem que ser preenchido e aproveitado por essa aliança de forças dentro da esquerda.
Ainda resta um dilema ao PT: ou o maior partido político que ainda se diz de esquerda vai para a ofensiva, ou corre um sério risco de dar um tiro no próprio pé.
Enfim, de fato, não acredito que as angústias de Golpe de Estado estejam colocados por hora, mas sem dúvida é um importante momento de reflexão para ocasiões futuras.
Luiz Felipe Albuquerque
No Viomundo
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Bolsa-Serra/Kassab já dá os R$ 0,20 da passagem!

Há uma hora, na Folha online:
“O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu pela primeira vez a possibilidade de revogar o aumento da tarifa de ônibus. “Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], eu vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade”, disse o petista em reunião, na manhã de hoje, com o Conselho da Cidade e líderes do Movimento Passe Livre.
No entanto, Haddad frisou que reduzir a passagem de ônibus de R$ 3,20 para R$ 3,00, como pediram ontem mais de 65 mil pessoas pelas ruas de São Paulo, custaria à prefeitura da cidade mais de R$ 8 bilhões até 2016. A estimativa é da Secretaria Municipal de Transportes.
“Eu não posso negar a verdade para as pessoas”, disse o prefeito sobre o custo da redução. “Preciso explicar à população que se tivermos de aumentar os subsídios [no transporte], vai sair de outras áreas”, continuou.
“Vou fazer uma reflexão sobre os números, sobre o que ouvi [na reunião] e vou dar uma resposta para o movimento e pronto”, acrescentou.
Segundo Haddad, a prefeitura está disposta a discutir redução de lucros dos empresários do transporte e pedir mais desonerações ao governo federal.”
Isso, prefeito, aceite as pressões e as faça também.
Não se está sugerindo encampar ou tirar nada dos empresários, além de lucros extraordinários. Veja se algum deles quer largar a concessão por alguns centavos a menos nas passagens.
Afirme-se diante dos que os escolheram e não se submeta àqueles que queriam Serra, o do reajuste generoso às passagens.
Pois ele era mesmo generoso com os empresários do setor.
No dia 5 de março, dois meses depois de assumir, fixou o valor das passagens em R$ 2,00 (março de 2005, Decreto 45.749). No dia 26 de dezembro, recém ganhas as eleições e com Kassab em seu lugar, as passagens foram para R$ 2,30 (decreto 47.919, de  30/11/2006), reajuste de 15%.
Como a inflação no período ficou entre  4,04% (IGP-M) e 7,23% (IPCA-IBGE), os valores deveriam ser R$ 2,08 ou R$ 2,14, dependendo do índice adotado.
Mas foram para R$ 2,30.
Você pode ver os dados completos clicando aqui.
Só aí já tem, com a correção, os R$ 0,20 que a galera está pedindo.
É só tirar o Bolsa-Serra que as empresas ganharam
Fernando Brito
No Tijolaço
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Dilma e os jovens: Não é apenas um problema de comunicação

http://imgsapp.diariodepernambuco.com.br/app/noticia_127983242361/2013/06/18/445524/20130618154620164647o.jpg 
O blogueiro Altamiro Borges costuma falar sobre a capilaridade dos grandes conglomerados de mídia do Brasil apontando para as agências de distribuição de fotos e notícias, que espalham o conteúdo gerado no Rio de Janeiro ou em São Paulo mesmo para os pequenos jornais ou emissoras de rádio do interior de Goiás ou da Amazônia.
Quando a Secom, a Secretaria de Comunicação ligada à Presidência da República, diz que mudou a distribuição de verbas publicitárias para fomentar e apoiar órgãos locais e afirma que isso contribuiu para a democratização de conteúdos, está falando uma meia verdade: isso pode até resultar na contratação de jornalistas locais, mas não garante que a pauta seja distinta da dos grandes meios, que ocupam espaço nas publicações com seus colunistas e ditam o que é ou não pauta nacional.
De minha parte, tenho escrito sobre o paradoxo da chamada “crise da mídia”. As empresas demitem jornalistas e reduzem custos ao mesmo tempo em que aumentam sua influência sobre o público através da apropriação das ferramentas disponíveis aos usuários das redes sociais.
No passado, o leitor de Arapiraca, em Alagoas, provavelmente teria de esperar o dia todo até receber sua edição de O Globo impressa no Rio de Janeiro. Agora, via Facebook, ele recebe o artigo do Merval Pereira pregando a prisão de José Dirceu disseminado pelos próprios internautas. Mais que isso, recebe o artigo recomendado por um parente ou amigo, o que acrescenta um peso — vamos dizer, “emocional” — ao conteúdo.
O poder dos conglomerados se ampliou na medida em que eles dispõem de mais recursos para disputar espaço nas redes sociais.
Surgiu, no entanto, uma inédita capacidade dos mais jovens, antenados e digitalizados, de influir na pauta nacional através da formação de redes de opinião múltiplas e não necessariamente ligadas a partidos políticos.
Como tenho dito desde o primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, a disputa agora já não é apenas pelo controle dos meios de produção de notícias, que de fato se democratizaram pelos padrões capitalistas (montar um blog e comprar uma câmera digital exige muito menos capital que o que Roberto Marinho usou para montar uma rede de TV). A disputa hoje é também sobre a capacidade de disseminar em rede conteúdos de seu interesse.
O erro do Partido dos Trabalhadores em geral e do governo Dilma em particular foi descuidar da informação na era da informação.
Lembro-me de quando Ronald Reagan, o Grande Comunicador, estava em minoria no Congresso dos Estados Unidos e decidiu falar diretamente aos eleitores, por cima dos mandatos distritais, usando para isso a visibilidade garantida ao púlpito presidencial.
Donald Regan, assessor de imagem do presidente norte-americano, bolava os eventos. Reagan desembarcava no interior do Texas e, ao lado de fardos de feno, falava sobre a política agrícola, garantindo espaço na mídia local e regional.
A presidente Dilma aparentemente não gosta de usar o púlpito para fazer política, ou seja, para contestar as versões sobre os fatos apresentadas como verdades absolutas pela mídia  (como o apagão elétrico que, afinal, nunca aconteceu), para defender suas próprias ideias e influir na pauta de debates.
Com isso, perante a opinião pública, está sempre na defensiva. Ainda que o apagão tenha, afinal, se mostrado uma ficção midiática, a nova dinâmica das redes sociais disseminou fortemente a impressão de um governo acuado, sem respostas, vacilante — com implicações para a imagem de Dilma que podem ter tido algum impacto inclusive nas pesquisas de opinião.
Ossificado, o PT parece não ter entendido até agora a importância da batalha da comunicação. Em desvantagem nos espaços da grande mídia, o partido já deveria ter desenvolvido uma estrutura para produzir e disseminar conteúdos nas redes sociais.
Falo de discursos, notas oficiais e posicionamentos individuais dos parlamentares do PT, partido que dispõe ainda de um amplo corpo de técnicos e intelectuais que poderiam influir nos debates nacionais e se contrapor à pauta proposta pelas grandes redações.
É irônico que Dilma tenha sido vaiada justamente no estádio mais bonito dos que foram construídos para a Copa das Confederações e que, dizem os que estiveram lá, deveria servir de orgulho para a engenharia nacional.
O que me leva ao segundo ponto. Não se trata apenas de um problema de comunicação, mas também e principalmente de prioridades políticas.
Ao abraçar as empresas de telefonia — sejam quais forem os motivos para isso — e engavetar um Plano Nacional de Banda Larga baseado na universalidade, no investimento público e no livre acesso em praças ou pontos de encontro de jovens, o governo Dilma fechou as portas para que milhões de seus apoiadores ingressassem no mundo digital, disseminando suas ideias e opiniões nas redes sociais. A culpa é de Paulo Bernardo?
Ao abraçar os ruralistas — sejam quais forem os motivos para isso — e demolir a Funai, o governo Dilma se afastou dos indígenas, causando o desgosto de centenas de milhares de jovens internautas com grande capacidade de mobilização nas redes. A ironia suprema é que hoje a direita usa a causa indígena… para atacar um governo cujo partido principal de sustentação sempre teve compromisso histórico com os indígenas. Culpa da Gleisi Hoffmann?
Ao abraçar os fundamentalistas — sejam quais forem os motivos para isso — e cancelar campanhas de esclarecimento sobre a AIDS, além de demonstrar ambiguidade na questão do Estatuto do Nascituro, o governo Dilma perde o apoio de outro tanto de jovens militantes políticos que também são militantes digitais capazes, articulados e influentes. Culpa do Alexandre Padilha?
Ao abraçar Gulherme Afif Domingos, o vice-governador de Geraldo Alckmin, e torná-lo ministro — sejam quais forem as justificativas para isso –, além de prometer apoio federal para a repressão a um movimento social em São Paulo, o governo Dilma se distancia profundamente de sua própria base (a Juventude do PT, saibam, faz parte das manifestações). Culpa de José Eduardo Cardozo?
Notem, portanto, que não se trata apenas de um problema de comunicação.
O fato é que existe uma nova dinâmica da informação, comandada em parte por jovens inconformados, que querem mudanças.
Porém, os compromissos do governo Dilma contribuiram para alijar das redes sociais uma parcela significativa de seus apoiadores, que se encontram entre os excluídos digitais.
Além disso, deram motivo para que militantes com poder de influência multiplicassem as críticas aos rumos da coalizão cada vez mais conservadora liderada pelo PT.
É como se houvesse um choque geracional entre o mundo digital e o mundo analógico (na observação de gente como Marcelo Branco e Sergio Amadeu) — com o PT encarnando, sem reação, o papel de um governismo conservador e desatento às pressões sociais que, lá atrás, estiveram na origem do próprio partido.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Retomada das ruas deve ser comemorada e servir de exemplo

http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Captura-de-Tela-2013-06-12-%C3%A0s-00.16.08-e1371007605425.png 
O dia de ontem pode ser considerado um marco na história recente do Brasil. Em todo o país, jovens e cidadãos de classe média, mas também populares, saíram às ruas em sua maioria pacificamente para protestar.
Protestar contra a repressão – não vamos apagar essa demanda, como fez a mesma mídia que pediu repressão histericamente dois dias antes em editoriais, incluindo todos os três jornalões dos barões da mídia –, por melhores condições de vida, transporte melhor e mais barato.
Os atos mostraram sua natureza democrática, pluralista e aberta, espontânea em parte, organizada pelas redes por centenas de grupos de jovens que protestam contra os gastos na Copa e mais recursos para a educação.
Houve ainda setores políticos protestando contra governos, sejam os de Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad ou Dilma Rousseff. Mas é importante ressaltar que foram poucos e pontuais os protestos contra o governo Dilma, ao contrário do que gostaria a direita e certa mídia. Até mesmo nas reportagens dos jornalões isso fica claro.
Mesmo assim, o editorial da Folha de S.Paulo de hoje recorre à manipulação da direita ao dizer que os brasileiros estão "aflitos" com a situação econômica do país e com a "incapacidade" do Estado de apresentar soluções. Tenta fazer uma associação que não encontra eco na realidade.
Não é à toa que uma das razões dos protestos é a própria cobertura da mídia sobre as manifestações. Volto a dizer: a mesma mídia que clamou por repressão contra os manifestantes.
A imensa maioria dos participantes era e é de jovens protestando e nos dizendo claramente que é hora de avançar nas reformas e nas mudanças, começando pela forma de governar e fazer política.
Claro que a direita sempre vai procurar tirar proveito e manipular as manifestações a favor de seus objetivos, mas a retomada das ruas deve ser comemorada e deve nos servir de exemplo. Fizemos mal em sair das ruas. E precisamos ouvir a voz das ruas e da juventude que luta.
A mobilização é nosso DNA, ao lado da negociação, do diálogo e da democracia, principalmente a participativa. Nunca devemos esquecer ou abandonar nossa origem democrática e popular, o nosso objetivo de continuar mudando o Brasil.
No Blog do Zé
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“Precisamos chegar à presidência da República”, diz Marco Feliciano

Em discreta passagem pelo Rio Grande do Sul, para fugir dos holofotes da imprensa e da mira dos protestantes, o deputado federal Marco Feliciano (PSC – SP) participou do 5º Congresso Internacional de Missões, em Sapucaia do Sul. Aos fieis, introduziu argumentos políticos enquanto contava sua história e lia trechos bíblicos. O principal foco do discurso foi o ataque aos homossexuais, dos quais para ‘combater’ seria necessário, segundo ele, que pessoas como ele alcançassem o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Presidência da República.
“Na França, permitiram o casamento gay e hoje perderam essa luta. Por isso estou lá na Câmara Federal e precisamos chegar no Supremo Tribunal Federal. Precisamos chegar à Presidência da República, ao comando dos estados, prefeituras e câmara de vereadores”, disse no evento organizado pela Associação Missionária e Evangelística Luz das Nações. E falou que o início do processo de tomada de poder pelos evangélicos, chamado por ele de ‘avivamento do país, deveria começar pelo Rio Grande do Sul, já que os gaúchos “preservam suas raízes”.
Por 90 minutos, o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal fez a plateia chorar, gritar, aplaudir e ovacioná-lo. Os fieis também contribuíram com doações em dinheiro, cheque e cartão de crédito. “É a semente. Em 2014, quando voltar, vou reservar dez minutos para ouvir testemunhos de quem está dando a semente hoje. Se não tiver resolvido seus problemas financeiros, se a semente de hoje não tiver se multiplicado em casa própria, carro, emprego ou seja lá qual for a sua necessidade, desisto de ser pastor”, disse Feliciano.

‘Cura gay’ é aprovada em Comissão presidida por Feliciano

Com todas as atenções voltadas para os protestos em várias cidades brasileiras, Comissão de Direitos Humanos aprova ‘cura gay’. Votação é vitória de Feliciano e da bancada evangélica, que tenta avançar com o projeto há dois anos
Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou, nesta terça-feira (18), a proposta conhecida como “cura gay”. O projeto permite que psicólogos realizem “tratamento” com o objetivo de reverter à homossexualidade.
A proposta aprovada nesta terça-feira anula um artigo da resolução que determina que “os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
Na justificativa do documento, o deputado João Campos (PSDB-GO), autor do projeto, afirma que o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”.
A votação é uma vitória da bancada evangélica, que tenta avançar com o projeto há dois anos.
Antes de virar lei, o projeto ainda terá de ser analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça até chegar ao plenário da Câmara. Se aprovada pelos deputados federais, a proposta também terá de ser submetida à análise do Senado. Somente então a matéria seguirá para sanção ou veto da Presidência da República.
Sessão
Em contraste com as primeiras sessões presididas por Marco Feliciano, marcadas por tumultos e protestos de dezenas de integrantes de movimentos LGBT e evangélicos, a sessão desta terça atraiu poucos manifestantes. No fundo do plenário, um rapaz e uma garota ergueram cartazes durante o encontro do colegiado protestando contra o projeto da cura gay.
Uma das cartolinas dizia “não há cura pra quem não está doente”. Já o outro manifesto ressaltava “o que precisa de cura é homofobia”.
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À procura de Arnaldo Jabor

Os manifestantes em São Paulo falam ao Diário o que acham do apoio do colunista e respondem se o viram nos protestos.
O colunista Arnaldo Jabor fez um dos mea culpas mais espetaculares na história do jornalismo mundial, notável em dois aspectos: pela convicção e truculência do primeiro comentário, devidamente renegado; e pela velocidade da mudança de ideia.
“Só os tolos e os mortos não mudam de opinião”, disse o poeta e diplomata abolicionista James Russell Lowell. Entendido. Mas uma autocrítica dessa violência, em menos de uma semana, é um caso de estudo.
No Jornal da Globo, Jabor dirigiu palavras virulentas aos manifestantes do Movimento Passe Livre. Apoplético, comparou-os ao PCC, classificou-os de revoltosos de classe média, xingou-os de filhinhos de papai. “No fundo, tudo é uma imensa ignorância política. Uma burrice misturada a um rancor”, cravou.
Na segunda-feira, na CBN, cinco dias mais tarde, era um homem diferente. “Outro dia eu errei, sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em São Paulo. Falei na TV sobre o que me pareceu um bando de irresponsáveis fazendo provocações por causa de 20 centavos. Era muito mais que isso”, disse o jornalista. “Hoje, eu acho que o MPL se expandiu como uma força política original. Na mídia só aparecem narrativas de fracasso, de impunidades, de derrotas diante do mal. Essa energia do Passe Livre tem que ser canalizada para melhorar as condições de vida no Brasil”.
Jabor está pegando uma carona oportunista no MPL. Lançou um anzol para ver se pesca alguma coisa. O movimento capturou uma insatisfação, com sua bandeira da redução da tarifa de ônibus; hoje, o espectro das manifestações é amplo. Calcula-se que 235 mil pessoas saíram às ruas em todo o Brasil para protestar. O MPL vai na vanguarda, batendo bumbo. Atrás, gente gritando slogans contra Dilma, contra a Copa, contra a lei da maioridade penal, contra prefeitos, contra governadores, contra os hospitais públicos, contra a corrupção etc etc. Alguns estão ali pela farra.
Mas e Jabor? Onde estava o redivivo Arnaldo Jabor? Ali, junto do povo?
Nas ruas de São Paulo, 65 mil andaram do Largo da Batata até diversos pontos. Multidões foram para a Paulista e para a Ponte Estaiada. Um grupo rumou para a TV Globo. Outro para o Palácio dos Bandeirantes, onde houve uma tentativa de invasão.
Andres Vera, nosso cinegrafista, e eu saímos à procura de Arnaldo Jabor nos protestos em SP. Perguntamos a diversas pessoas se o haviam visto. Nada. Teria ele mudado de ideia novamente?
“Não o vimos”, disse Dayane Esteves Nogueira, que estava com o namorado Marcos Aurélio. “Ele viajou. É hipocrisia”, continuou Marcos. “A gente já está crescido para acreditar nesse tipo de coisa”.
“Não faz diferença o que ele pensa. Intelectualmente, ele é insignificante”, disse o professor de português Paulo Monteiro, que também não avistou o colunista em lugar nenhum.
“Jabor percebeu a cagada e tentou voltar atrás. É patético vê-lo dando uma de esperto”, afimou a professora particular de italiano Tatiara Pinto.
Não houve notícia de Arnaldo Jabor em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro – nenhuma das capitais onde houve manifestações. Se o encontrassem, os líderes do MPL provavelmente não o receberiam bem. “Sob hipótese alguma podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés”, disse Paulo Motoryn, membro do grupo, num artigo.
“Esse cara é um palhaço”, declarou o estudante Marcos Azêdo, numa pausa de um grito de guerra. “Se ele começar a gostar muito de nós, é sinal de que precisamos repensar alguma coisa”.
Kiko Nogueira
No DCM
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Homenagem à Rede Globo

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Movimento Passe Livre no Roda Viva

O programa traz dois líderes do Movimento Passe Livre: a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira. A edição repercute a onda de protestos em São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no Brasil.

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Meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança, afirma Dilma

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Proposta concreta

 
Há várias maneiras de esconder uma grande manifestação. Você pode fazer como a Rede Globo e esconder uma passeata a favor das Diretas-Já, afirmando que a população nas ruas está lá para, na verdade, comemorar o aniversário da cidade de São Paulo.
Mas você pode transformar manifestações em uma sucessão de belas fotos de jovens que querem simplesmente o "direito de se manifestar". Dessa forma, o caráter concreto e preciso de suas demandas será paulatinamente calado.
O que impressiona nas manifestações contra o aumento do preço das passagens de ônibus e contra a imposição de uma lógica que transforma um transporte público de péssima qualidade em terceiro gasto das famílias é sua precisão.
Como as cidades brasileiras transformaram-se em catástrofes urbanas, moldadas pela especulação imobiliária e pelas máfias de transportes, nada mais justo do que problematizar a ausência de uma política pública eficiente.
Mas, em uma cidade onde o metrô é alvo de acusações de corrupção que pararam até em tribunais suíços e onde a passagem de ônibus é uma das mais caras do mundo, manifestantes eram, até a semana passada, tratados ou como jovens com ideias delirantes ou como simples vândalos que mereciam uma Polícia Militar que age como manada enfurecida de porcos.
Vários deleitaram-se em ridicularizar a proposta de tarifa zero. No entanto, a ideia original não nasceu da cabeça de "grupelhos protorrevolucionários". Ela foi resultado de grupos de trabalho da própria Prefeitura de São Paulo, quando comandada pelo mesmo partido que agora está no poder.
Em uma ironia maior da história, o PT ouve das ruas a radicalidade de propostas que ele construiu, mas que não tem mais coragem de assumir.
A proposta original previa financiar subsídios ao transporte por meio do aumento progressivo do IPTU. Ela poderia ainda apelar a um imposto sobre o segundo carro das famílias, estimulando as classes média e alta a entrar no ônibus e a descongestionar as ruas.
Apenas nos EUA, ao menos 35 cidades, todas com mais de 200 mil habitantes, adotaram o transporte totalmente subsidiado. Da mesma forma, Hasselt, na Bélgica, e Tallinn, na Estônia. Mas, em vez de discussão concreta sobre o tema, a população de São Paulo só ouviu, até agora, ironias contra os manifestantes.
Ao menos, parece que ninguém defende mais uma concepção bisonha de democracia, que valia na semana passada e compreendia manifestações públicas como atentados contra o "direito de ir e vir". Segundo essa concepção, manifestações só no pico do Jaraguá. Contra ela, lembremos: democracia é barulho.
Quem gosta de silêncio prefere ditaduras.
Vladimir Safatle
No fAlha
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Em BH: "Ele não estava rezando", diz PM que negou socorro a jovem que caiu de viaduto

Vídeo: "Ele não estava rezando", diz PM que negou socorro a jovem que caiu de viaduto
Imagens mostram policiais negligenciando socorro a vítima em confronto
O rapaz de 18 anos que caiu de um viaduto durante a manifestação realizada na segunda-feira (17), na região da Pampulha, em Belo Horizonte, segue internado no Hospital Risoleta Tolentino Neves, em Venda Nova. Gustavo Magalhães Justino teria sido jogado do local, segundo informações da Record. Ele não corre risco de morte. A unidade de saúde informa que a equipe clínica ainda está avaliando o estado de saúde do jovem, que está com uma fratura na bacia. Ele chegou ao local sem perda de consciência, mas com algumas lesões no rosto, que já foram suturadas pela equipe de cirurgia plástica.
Na noite do acidente, o jovem foi socorrido por companheiros de marcha e, posteriormente, por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A reportagem do jornal Hoje em Dia estava próximo à vítima no momento do acidente e presenciou a PM atirando uma bomba de gás lacrimogêneo depois que o jovem já estava no chão. De acordo com o prontuário médico, ele foi levado ao hospital pela PM. Testemunhas que estavam no local, no entanto, negam a informação.
Policiais militares, ao serem avisados sobre a queda de Gustavo, disseram frases como: "pode deixar, ele não estava rezando não" e "não, meu amigo, ele estava aqui na confusão". Assista no vídeo abaixo:
Procurado, o Tenente Coronel Alberto Luis afirmou que a PM tomará as providências cabíveis. "Vamos olhar essas imagens, verificar quem são os responsáveis e eles serão punidos. As cenas serão mostradas para o Corregedor e para o Comandante Geral da PM. Não tem policial orientado a não cumprir seu dever. Se alguém ficou ferido, deve ser socorrido. O policial tem dever legal de socorrer quem precisa de ajuda. Vamos apurar com rigor qualquer desvio de conduta, escutar quem estava por perto", ponderou.
Durante a mesma confusão, Natália Nascimento Dantas, de 21 anos, caiu de uma trincheira da avenida Antônio Carlos e também foi socorrida pelo SAMU. De acordo com a Record, ela teria descido de um ônibus, em um bloqueio da PM, quando tropeçou no meio-fio e caiu de uma altura de cinco metros. Apesar de não ter sido divulgado boletim médico, ela estaria com uma fratura exposta no fêmur. A vítima também foi encaminhada ao Risoleta Neves.
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Repressão em BH e bravatas de Aécio

“O governador Antônio Anastasia (PSDB-MG) deixou seu tutor, Aécio Neves, pendurado na brocha. Pelo Facebook, o cambaleante presidenciável tucano tentou se aproveitar dos protestos contra o aumento das tarifas para fazer demagogia. Famoso por sua truculência, ele elogiou os manifestantes. "São brasileiros que enviam um recado à sociedade, em especial, aos governantes, e que precisam ser escutados", escreveu. Na sequência, a PM tucana de Minas Gerais reprimiu com violência o protesto no centro de Belo Horizonte.
Segundo reportagem do UOL, "cerca de 15 mil manifestantes que marchavam em direção ao Mineirão, em Belo Horizonte, no fim da tarde desta segunda-feira, foram parados em um bloqueio da Polícia Militar na avenida Presidente Antonio Carlos, a cerca de 200 metros da entrada da UFMG (Universidade Federal de MG)". A PM disparou balas de borracha e lançou bombas de gás. Pelo menos um ativista foi preso.
Em outro ponto da capital mineira, "homens da PM chegaram por trás e jogaram bombas de efeito moral. O grupo se dispersou e a polícia alvejou os manifestantes com balas de borracha a curta distância - um a cinco metros de distância. O estudante de geografia Gabriel Teles, 19, estava sentado no chão com uma faixa de protesto contra o aumento da tarifa e foi agredido por golpes de cassetete. Um grupo de moradores de um prédio saiu pela janela e começou a gritar palavras de ordem contra a PM, classificada como 'covarde'".
Os professores de Minas Gerais e os trabalhadores de outras categorias, que já apanharam muita da polícia tucana do estado, já conhecem a conversa fiada do cambaleante presidenciável tucano. Ela tenta se travestir de democrata, mas não tolera qualquer protesto social. Aécio Neves também adora bravatear em defesa da liberdade de expressão, mas controla como um ditador a mídia local. Ele deveria avisar o seu filhote no governo estadual antes de escrever bravatas pelo Facebook.”
Altamiro Borges

Polícia Civil se junta a manifestantes em BH e alerta turistas sobre falta de segurança

Cerca de 12 mil manifestantes se reuniram, no início da tarde desta segunda-feira (17), na praça Sete, região Central de Belo Horizonte, e protestam contra o preço das passagens de ônibus, os gastos com as Copas do Mundo e a repressão. 
Membros da Polícia Civil de Minas Gerais se juntaram ao grupo, com mensagens surpreendentes escritas em diferentes idiomas.
Facebook/ Bruno Rabelo
Foto: Reprodução/ Facebook Bruno Rabelo
“Tourist, in Minas Gerais State we cannot ensure your safety! The police is scrapped!”, que na tradução livre significa: “Turista, em Minas Gerais nós não podemos garantir a sua segurança. A polícia está sucateada” e  ”Turista. En Minas Gerais usted no está seguro!!!”, em português, “Turista, em Minas Gerais você não está seguro!!!” são frases usadas pelos policiais.
policia civil
Foto: Reprodução/ Facebook
No BHAZ
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#Vinagre


Muito cuidado se você esta pensando em comer uma salada em São Paulo
Na cidade onde um olho estourado com uma bala de borracha vale menos que lixeiras

Mantenha seus temperos bem guardados
ou vai ser condimentado
com spray de pimenta

Cuidado, presidenta
acho que a sua cozinheira
conspirou contra você!

O que é isso que ela usou para lavar a alface?

Vinagre, vinagre é o novo Anthrax

Por isso meu amigo vândalo
vagabundo, baderneiro
classe media, estudante

Quando o gás lacrimogênio
te fizer desmaiar
e bater com a cabeça no chão

Por favor seja
pisoteado na calçada
que é pra não atrapalhar

O transito de quem volta do litoral

Vinagre, vinagre é o novo Anthrax!
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Merdal, o Imortal, explica o motivo das manifestações

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‘Globo fascista, sensacionalista!’

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Central Globo de Mentiras se defende

Âncora da Globo News viu o que não mostrou

A Globo falou em impeachment, impeachment?
Âncora da GloboNews, em êxtase diante das manifestações, informa que é jornalista há 30 anos.
E diz que só viu mobilização igual com o movimento para o impeachment de Collor e a campanha das Diretas Já.
A âncora deve ter tido um surto histórico.
O impeachment de Collor e a campanha das Diretas Já não foram tema de cobertura da Globo.
Deve ter assistido num canal concorrente …
A Globo apoiou o Governo Collor até o fim.
E ignorou solenemente a campanha das Diretas.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada

Microfones da Globo sem o logotipo da emissora?

Repórteres da Rede Globo não usam o logotipo da emissora nos microfones durante cobertura de manifestações. Carros da emissora para que levaram repórteres até locais de protestos também não tinham identificação
Repórter da TV Globo usa microfone sem o cubo
com logotipo da emissora
Temendo pela integridade física de seus repórteres, a Globo adotou uma estratégia inédita durante a cobertura das manifestações que acontecem em São Paulo nesta segunda-feira. Tanto o repórter Jean Raupp, que cobriu o evento para o “Jornal Nacional”, como seu colega Fabio Turci, apareceram na Globo sem o chamado “cubo” no microfone.
Jornal Nacional tenta se justificar
O Jornal Nacional noticiou nesta segunda-feira que os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a TV Globo ao longo da marcha.
Eles se concentraram na ponte estaiada, sobre a marginal do rio Pinheiros, frequentemente mostrada nos estúdios da Globo localizados nas proximidades.
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Charge online - Bessinha - # 1821

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Juventude do PSDB não decepciona

Em nota, agremiação paulistana diz que não vai participar dos protestos por acreditar que “o mesmo tenha se transformado em movimento político  onde  um dos intuitos é de enfraquecer o governo do estado de São Paulo”
Abaixo, nota oficial da Juventude paulistana do PSDB
Senhores,
Diante dos acontecimentos e da manifestação que acontece hoje em pinheiros promovida inicialmente pelo movimento de militantes partidários ao PCdoB “Passe Livre”, entre outros: A JPSDB Paulistana (Juventude do PSDB do município de São Paulo) acordou que não participará deste manifesto em virtude de acreditarmos que o mesmo tenha se transformado em movimento político  onde  um dos intuitos é de enfraquecer o governo do estado de São Paulo.
 
Faz lembrar, enquanto maior defensor brasileiro da democracia e da liberdade, o PSDB sempre defendeu e estimulou as ações das pessoas por seus direitos, e em muitas esteve presente. No entanto, a JPSDB Paulistana não pode compactuar com os excessos que causaram depredações e agressões dos protestos ocorridos nos últimos dias em São Paulo em referência ao aumento da tarifa do transporte público.
É importante que a população perceba que a superlotação no Metro e na CPTM está diretamente ligada a incapacidade do prefeito de assumir suas responsabilidades e fazer funcionar devidamente os ônibus da cidade, e a um preço justo. Além de os excessos nas manifestações ter um culpado: o prefeito Fernando Haddad, por não cumprir suas próprias promessas de campanha.
Somos a favor à livre manifestação de ideias, porem de maneira civilizada, democrática e pacifica, e parabenizamos os jovens que hoje estarão com esse intuito.
Desse modo, se houver pessoas na manifestação que estejam em nome da JPSDB Paulistana, reafirmo que não nos representam e não fazem isso de acordo com as orientações desse grupo.
A JPSDB Paulistana entregará seu manifesto cívico, pedindo explicações da necessidade da alta dos preços das passagens ao Governador Geraldo Alckmin, e discutirá com o mesmo formas de melhorias para a população.
Vamos em frente!
 Igor Cunha
Presidente da JPSDB da Capital São Paulo – Juventude Paulistana 
No Revista Fórum
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PM usa fuzil em manifestação no Rio de Janeiro

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‘Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés’

Um militante do MPL alerta para a tentativa da direita de ‘adotar o movimento’ com interesses escusos.
Protestos em São Paulo
Desde o ato da última quinta-feira contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo, em que a violência e a repressão policial viraram notícia em todo o planeta, mais uma ameaça ronda o sucesso das manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre: a instrumentalização do povo.
A evidente mudança de postura da imprensa em relação aos protestos deve ser motivo de desconfiança, não de festa. Isso porque nos últimos dias imperou o comentário: “Agora até a grande mídia defende as manifestações”. Como se isso fosse algo positivo.
Por um lado, a máxima “não é só pelos 20 centavos” conseguiu convencer diversos setores da população a ir às ruas. Por outro, abriu uma questão polêmica: se o aumento da passagem foi só o estopim, o que mais nos incomoda? Quais são os reais motivos do fim da letargia política em São Paulo?
É fato, o reajuste do preço transporte só provocou a revolta necessária para que o paulistano percebesse o óbvio: política se faz nas ruas. No entanto, a recusa ao modelo de sociedade atual tem de ser deixada clara. Isso porque os perigos da apropriação do movimento são reais.
Na sua última edição, Veja contrariou sua linha editorial e se posicionou a favor das manifestações. Quando um veículo que representa o que há de mais reacionário na sociedade apoia movimentos sociais, há no mínimo um ponto de extrema relevância para refletir.
Mas as páginas de Veja só revelam a nova postura dos veículos da imprensa dominante: já que não podem mais controlar ou evitar a multidão, manipulam seus objetivos. De acordo com a revista, o descontentamento dos manifestantes se deve também à corrupção, à criminalidade… Falácia.
É evidente que essas questões também são importantes, mas os jovens que estão nas ruas estão preocupados com questões muito mais profundas. A juventude está mostrando que não quer compartilhar dos valores individualistas, consumistas e utilitaristas da geração de seus pais.
O grito dos jovens está longe de bradar contra os “mensaleiros”, contra a inflação, contra as políticas sociais de transferência de renda. O movimento é progressista por natureza e agora tem de saber lidar com uma ameaça feroz: a direitização.
O aparelho midiático que serve a esses interesses já foi acionado. A grande imprensa já está mobilizada para maquiar o movimento de acordo com um ideário conservador, por isso o povo precisa fazer seu recado ser entendido.
Sob hipótese nenhuma podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés.
O que queremos é derrubar as barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas. Nada mais. E nada menos.
Vamos à luta!
Paulo Motoryn, colaborador da Revista Vaidapé, estudante de Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).
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