17 de jun de 2013

Dilma é vaiada pelos miamiplayboys de Brasília

Os barões da imprensa de mercado sabem e os jornalistas que formulam as suas manchetes e opinam em seus espaços compreendem muito bem, apesar da proposital manipulação e dissimulação, o que aconteceu, de fato, no belíssimo e magnífico Estádio Nacional de Brasília, quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi anunciado pelos alto-falantes para dar início à cerimônia de abertura dos jogos da Copa das Confederações e foi vaiado, por um público em festa, e, portanto, irreverente e açodadamente mal-educado.
Enquanto vaiado, Blatter reclamou e pediu "fair play" à torcida, que, evidentemente, não o atendeu, bem como não representa a maioria do povo brasileiro, até porque as quase 70 mil pessoas presentes ao estádio pagaram pelos ingressos, em média, R$ 280,00, sendo que os assentos mais caros foram vendidos por R$ 800,00. Preços, como se percebe, altamente “salgados”.
Além do mais, cerca de dez mil torcedores foram agraciados com entradas gratuitas concedidas pelos patrocinadores do evento esportivo, que adquiriram os ingressos junto à Fifa, o que significa que a maioria do público do jogo Brasil e Japão era composta por pessoas da classe média tradicional e da classe média alta, sendo que muitos deles convidados VIP e acostumados a viver nas altas rodas sociais.
O que se esperar de uma torcida com esse perfil, que admira o Brasil em jogos de futebol, veste a camisa amarela, canta o hino com a mão no peito, pinta o rosto com as cores amarela e verde ao tempo em que, no seu dia a dia, ou seja, na sua rotina detesta o Brasil, despreza o povo pobre, trata mal seus empregados e os cidadãos mais humildes, pois considerados por essa gente sub-raças, mestiços e que insistem em não ficar “no seu lugar”.
Quero dizer com isso, obviamente, que a torcida que esteve presente no espetacular Estádio Nacional de Brasília não reflete o povo brasileiro, que aprova o Governo Dilma Rousseff e que não participou do rega-bofe destinado, naquele momento, a uma torcida conservadora, reacionária, branca, e que, seguramente, foi contrária à Copa do Mundo no Brasil e à construção dos estádios.
A presidenta trabalhista Dilma Rousseff ou o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, deveriam ter combinado com o governador petista Agnelo Queiroz e seus secretários, com a participação dos promotores do evento de futebol, a viabilização de conceder ingressos ou vendê-los a preços populares à população mais pobre, porque o que percebi é que o público que se divertiu no Estádio Nacional de Brasília era majoritariamente branco, bem nutrido e disposto a vaiar os responsáveis por trazer eventos grandiosos, lucrativos, midiáticos e que, sem sombra de dúvida, colocam o Brasil em um patamar igual aos dos países considerados desenvolvidos.
Não se pode esperar nada de uma classe média branca, titular de bons empregos e salários e que tem em sua memória genética a escravidão e tudo o que é desumano que deriva dela. Esperar uma atitude assertiva e de compreensão das mudanças que estão a acontecer no Brasil nos últimos 11 anos, por parte de tal classe, é como acreditar que algum dia a imprensa corporativa e seus áulicos vão deixar o País crescer em paz. Um país que busca conquistar sua total independência, por intermédio de projetos e ações de um governo trabalhista que tirou o País da estagnação econômica, do desemprego e livrou o povo brasileiro de seu incômodo complexo de vira-lata. Uma verdadeira revolução silenciosa, a respeitar o estado democrático de direito.
Temos uma classe média que em pleno século XXI, diferentemente dos povos dos países considerados desenvolvidos, que ainda tem em suas casas empregadas domésticas tratadas como “animais” de estimação, como observei no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, sendo que no Sul e no Sudeste o maltratar é disfarçado, porque a fiscalização do estado é presente, bem como os empregados têm mais consciência de seus direitos trabalhistas, talvez por morarem em regiões mais desenvolvidas.
A vaia foi dada por uma classe média reacionária, que habita os melhores lugares de Brasília, a exemplo do Plano Piloto. Lagos Sul e Norte, Águas Claras, Taguatinga e condomínios privados, que existem às centenas ou, quiçá, aos milhares. A classe média de Brasília, para quem não sabe, é uma das mais privilegiadas do Brasil, ocupa cargos bem remunerados na iniciativa privada e no setor público, por intermédio de concurso, além de ser titular de cargos de relevância, com salários altos, bem como tem o poder de deliberar, conforme o cargo que ocupa.
Eis que esta classe, consumidora de revistas como a Veja e a Época, de jornais como o Estadão, a Folha e O Globo e telespectadora de jornais televisivos, como os da Globo News, além de evidentemente do Jornal Nacional, resolve vaiar a mandatária que trabalhou pela realização da Copa e que, juntamente com o ex-presidente Lula, é responsável pelo Brasil ser respeitado no mundo como nunca foi, além de o País experimentar um ciclo econômico virtuoso, que está classe média despolitizada, rancorosa e preconceituosa nunca vivenciou em toda a sua existência.
Por seu turno, tal classe recalcitrante no que tange a ser negativa, sempre foi beneficiada pelos governos trabalhistas, no que concerne à sua vida melhorar, pois teve facilitado o seu acesso ao consumo, aos empréstimos bancários, à compra de carros, de casas e apartamentos, bem como passou a viajar mais e a comprar como nunca comprou produtos de informática, eletroeletrônicos, da linha branca, além de ter o acesso facilitado para comprar automóveis e viajar de avião e navio, a trabalho ou simplesmente a fazer turismo.
E sabe por que a classe média, inquestionavelmente, melhorou de vida? Porque o Brasil vive uma época de pleno emprego e as classes média tradicional e alta estão também empregadas, como nunca estiveram, porque no tempo do ex-presidente que vendeu o Brasil, Fernando Henrique Cardoso, o Neoliberal I, essa classe reacionária e que acha que o mundo se resume a Miami e Orlando, ficava à mercê da boa vontade do governo tucano, que no máximo lhe doava migalhas, no que diz respeito ao seu desenvolvimento social, à sua autoestima e até mesmo ao seu direito de estudar. Era uma dura lida, só para dar um único exemplo, conseguir uma bolsa para estudar no exterior.
No decorrer do Governo Lula e agora com o intermédio do Governo Dilma, a classe média e média alta passaram também a ter facilitado o acesso para entrar na faculdade, fazer cursos técnicos, cursos complementares e estudar no exterior, aos milhares de indivíduos. Se alguém duvidar, que tenha o trabalho de pesquisar nos portais do Ministério da Educação e das universidades públicas federais, e, consequentemente, levar um choque de realidade e de verdade sistematicamente sonegadas pela imprensa corporativa e alienígena, para talvez assim passar a questionar o que ouve, vê e lê, além de parar de acreditar piamente em tudo o que diz a imprensa colonizada e de negócios privados, inimiga do Brasil e golpista por tradição histórica.
A verdade é que vaia de playboy não vale. Conheço muito bem os miamiplayboys de Brasília, que nunca passaram trabalho na vida, bem como conheço os do Rio de Janeiro e de muitas outras capitais e estados brasileiros. Chega a ser ridículo ver aquelas pessoas brancas, bem alimentadas, donas de bons empregos, carros e moradias, com dinheiro no bolso a vaiar a presidenta trabalhista, porque tais “patricinhas” e “mauricinhos” têm em seus DNA o germe da escravidão, mesmo sem saber ou ter noção do que é o passado real deste País.
Por instinto e, evidentemente, por serem politicamente conservadores, vaiam tudo aquilo e todos aqueles que representem mudanças, mesmo se os novos tempos não os prejudiquem. A verdade é que existe uma grande parte da classe média que odeia ver e perceber a ascensão da classe pobre, no que tange a ter acesso ao consumo e às coisas boas da vida, como, por exemplo, ocupar as cadeiras dos restaurantes, os bancos das universidades públicas ou os saguões dos aeroportos à espera de viajar de avião.
Aliás, o fato de o pobre viajar de avião me leva a relembrar uma das socialites deste País — a senhora Danuza Leão. A “dama” e colunista demitida recentemente da Folha de S. Paulo retratou, indelevelmente e fidedignamente, o preconceito que viceja nas almas de alguns seres presunçosos e por isto ignorantes. Danuza disse certa vez que ir a Paris e a Nova Iorque não tinha mais graça, porque ela poderia encontrar o porteiro do seu prédio nas ruas das duas cidades. Não há nada mais brega e babaca do que as palavras de uma das representantes da nossa colonizada, subserviente e moralmente decadente “elite”. Ponto.
A verdade é que a vaia a Dilma não traduz, de forma alguma, uma possível insatisfação do povo com a mandatária, uma das responsáveis, volto a afirmar, pelo visível e concreto desenvolvimento do Brasil nos últimos 11 anos, queiram ou não queiram os pessimistas, os intolerantes, os fracassomaníacos e os mentirosos. O Brasil vai seguir o seu destino, que é tão grande quanto o seu tamanho geográfico, pois País influente no mundo, de economia e moeda fortes e que tem um povo trabalhador, que é a melhor coisa do Brasil, porque é um luxo, enquanto a “elite” é retrógada, reacionária, subserviente aos desmandos do establishment, além de traidora, entreguista, colonizada, e, por fim, gigolô do povo brasileiro.
Os estádios espetaculares brasileiros, para o desgosto dos que detestam o Brasil, têm de ter ingressos populares, com preços baixos. O futebol sempre foi popular e os estádios sempre foram ocupados pelo povo. Nessas rodadas já iniciadas, ver cidadãos negros nos estádios é como procurar agulha no palheiro. Os governos e as prefeituras têm a obrigação de observar com responsabilidade essa importante questão social. Já assisti a três jogos pela televisão e verifiquei, quando as câmeras mostram as arquibancadas, que a presença de negros é um número irrelevante.
Além disso, muitos podem pensar: “Nem todos da classe média vão a Miami ou são colonizados ou detestam o Brasil”. Contradigo: É verdade. Porém, grande parte das diferentes classes médias pensa e age de forma arrogante, mesmo a parte que não tem tanto dinheiro, mas que é igualmente portadora dos princípios e dos valores dos ricos que detestam o Brasil. Ser e proceder dessa maneira é também uma questão ideológica, porque as ideologias ainda existem, e, por conseguinte, diferentemente do que apregoam os direitistas e os fundamentalistas do mercado, a fim de se darem bem, não acabaram. O Brasil se tornou, definitivamente, um dos países protagonistas de grandes eventos mundiais.
Alô! Alô!, lorpas e pascácios: vaias de miamiplayboys não vale! Torcer pela Seleção agora e a vida inteira contra o desenvolvimento do País e a emancipação do povo brasileiro também não vale. Nacionalismo mequetrefe e alienado não dá para aturar. E viva o Brasil! É isso aí.
Davis Sena Filho

Carta-resposta a Joseph Blatter

“Onde está o respeito?”, você pergunta? Nas vaias a você.
Fanfarrão
Prezado sr. Blatter,
Em reposta a seu questionamento (“Onde está o respeito, onde está o fair play?”) dirigido à torcida brasileira durante sonora vaia recebida tanto pelo senhor quanto por sua vizinha Dilma, acredito que posso ajudá-lo.
Não me alongarei demais pois não se trata de meros vinte centavos e, se o senhor pergunta, seria inútil tentar explicar-lhe.
Serei breve.
O respeito, senhor Blatter, estava naquelas vaias mesmo. Era uma demonstração de respeito por si próprio e “amor à camisa” que a torcida estava expressando.
O nível de insatisfação com a entidade que o senhor dirige e com a inoperância de sua vizinha Dilma misturaram-se ontem num coro forte, uníssono e sem o acompanhamento das caxirolas, felizmente.
E observe que o senhor só presenciou metade da barulheira por estar confortavelmente protegido no interior de sua “arena”. Afinal, enquanto as classes média e média-alta estavam vaiando do lado de dentro do estádio, a “nova classe média”, composta pelas antigas classes C e D e mais alguns inclassificáveis (mas sempre denominados vândalos), protestavam lá fora contra o oba-oba da Copa do Mundo.
Se no lado de dentro estava a camada da população que pode pagar R$ 280 por um ingresso e mais absurdos R$ 8 por um cachorro-quente e R$ 12 por uma cerveja, no lado de fora estavam manifestantes protestando contra seu evento (e assim como ao longo das últimas semanas, ontem também tomaram tiros de bala de borracha e bombas de gás, atiradas por uma polícia despreparada, violenta e mal paga).
Mas vamos aos pontos que lhe dizem respeito:
Não gostamos de suas arenas. Não precisávamos de estádios. Talvez uma ou outra reforma, mas aqui é o país do futebol, lembra-se? Possuímos centenas deles. Qual era, por exemplo, o problema com o Morumbi? Temos jogos duas a três vezes por semana há mais de meio século, portanto não cheiram bem essas convenientes negociações com os governos para transformar o país num canteiro de obras facilitando o desvio de dinheiro público.
Até porque o mais importante para um jogo de futebol, o gramado, ontem estava um lixo, o senhor não achou? De que adiantou gastar R$ 1,2 bilhão no Mané Garrincha se o gramado estava semelhante ao de qualquer várzea que conheço?
Por falar no craque das pernas tortas, não nos agradam, ainda, as imposições feitas de modo arrogante por sua entidade de que não querer aceitar que se mantivesse o nome do estádio como homenagem a Mané Garrincha (que, se o senhor não souber quem foi, não serei eu quem irá lhe ajudar com isso).
É visto com muita desconfiança também que uma empresa parceira de Ronaldo (que é dirigente do Comitê Organizador da Copa-2014 e comentarista da Globo) seja a responsável por fornecer e instalar as cadeiras em algumas dessas novas arenas.
Assim como ocorrido em outras inaugurações das “arenas” que obedecem aos altíssimos padrões de sua entidade, ontem não havia água nos banheiros. O senhor e sua honrada FIFA devem acreditar que, como país terceiro-mundista, ainda sejamos adeptos de urinar na rua, mas não gostamos dessas visões arcaicas.
Repudiamos por completo a intromissão de sua imaculada FIFA para forçar uma alteração em nossas leis visando que bebidas alcoólicas sejam vendidas nos estádios. Sim, sr. Blatter, em nosso terceiro-mundismo selvagem nós já não permitíamos isso há anos e só colhemos resultados melhores com a proibição, pois as reações de uma massa insatisfeita e turbinada pelo álcool podem ser bem piores do que simples vaias, não acha?
Portanto sr. Blatter, devolvo-lhe agora sua pergunta: Onde está o respeito?
Atenciosamente,
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Dapena faz pesquisa e tenta manipular resultado

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Protesto expulsa equipe da "Central Globo de Mentiras"

:
Equipe do jornalista Caco Barcellos foi impedida de acompanhar manifestação no Largo da Batata, em São Paulo; parte dos manifestantes, que já são 30 mil, se encaminha para a sede da Globo em São Paulo; transmissão da Globonews força a barra e tenta se apropriar da agenda dos protestos, incluindo temas de interesse da Globo, como a PEC 37
Sobrou também para a Rede Globo. Ou melhor, para a "Central Globo de Mentiras", segundo as palavras de ordem que foram proferidas nesta segunda-feira, em São Paulo. À tarde, uma equipe do jornalista Caco Barcellos, do programa Profissão Repórter, foi impedida de acompanhar os protestos no largo da Batata, na região da Faria Lima, em São Paulo.
Os manifestantes expulsaram o jornalita e seus repórteres com gritos de "Fora Globo" e "Central Globo de Mentiras". Uma parte dos 30 mil manifestantes em São Paulo se dirige à sede da Globo na capital paulista.
Na GloboNews, a âncora Leilane Neubarth tenta, a qualquer custo, vincular os protestos à PEC 37. Em editorial recente, o jornal O Globo condenou a iniciativa do Congresso de limitar poderes do Ministério Público, com a proposta de emenda constitucional. Forçando a barra, Leilane tem tentado associar os protestos à defesa que a Globo tem feito do MP. Segundo ela, os manifestantes que subiram no topo do Congresso Nacional estariam tentando pressionar parlamentares contra a PEC.
Patético.
No 247
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Bastidores: cisão no comando explica recuo no uso da Tropa de Choque

Uma cisão no comando da PM está por trás do descontrole da tropa e dos erros de planejamento e execução nas manifestações de terça-feira e quinta-feira passadas. Primeiro, os Comandos de Policiamento de Choque (CPChoq) e o da Capital (CPC) resistem em cumprir as ordens do coronel Sérgio Merlo, da Coordenadoria Operacional. Depois, ambos queriam a presença da Tropa de Choque na terça-feira, que ficou de prontidão. Mas o desejo de usá-la foi frustrado pelo comandante-geral, Benedito Meira, que temia o desgaste político que o uso pudesse causar. Só homens de batalhões do centro entraram em ação na terça-feira - oito PMs ficaram feridos e um não foi linchado por pouco. Diante disso, Meira foi acusado por coronéis de ter deixado a tropa exposta e concordou com o uso do Choque na quinta. Não só. Enviaram-se reforços de batalhões de outras áreas.
Com o emprego de unidades diferentes, o que falhou foi a coordenação. O comandante do Choque, coronel César Morelli, é quem mais resiste às ordens do coordenador operacional. O problema tem origem nos usos e costumes da caserna: Merlo é mais "moderno" do que Morelli, e "antiguidade" é posto na PM. De fato, os coordenadores anteriores eram todos mais antigos do que os coronéis dos grande comandos. Por isso, as unidades da PM ficaram sem coordenação. Somando o fato de o Serviço de Informações não ter identificado os grupos violentos que atuam nos protestos - como os Black Blocks -, chega-se ao quadro que levou o governo a prometer uma operação sem Choque e sem bombas hoje.
Marcelo Godoy
No O Estado de S.Paulo

“O tiro no olho foi intencional”

Um cabo da PM conta ao Diário como os confrontos e abusos nos protestos repercutem na corporação.
"Houve abuso"
“Houve abuso”
Um cabo da PM com 13 anos de serviço falou ao Diário sobre os abusos que resultaram numa batalha campal na quinta-feira, em São Paulo. Por motivos óbvios, pediu para não ser identificado. “Os chefes dão a ordem, o soldado as cumpre e se, futuramente, isso resultar em responsabilização para o soldado, quem deu a ordem se esquiva e o subordinado é punido. Ou seja, o autoritarismo começa dentro dos quartéis e resulta no que vemos nas ruas nestes últimos dias”, diz.
Como a maioria dos seus colegas vê o comportamento da PM?
Sinceramente, muitos não têm discernimento para entender o que é manifestação e acabam generalizando tudo como vandalismo. Muitos são enviados aos locais de manifestação contra sua vontade e acabam ficando contra os manifestantes naturalmente. É uma situação complicada, pois apenas cumprem ordens como: “Não deixem ninguém passar por aqui, façam as pessoas se dirigirem para este ou aquele lado”.
Houve abuso?
Houve. A ordem vem de cima para coibir, mesmo. Só que, quando vão a público, o secretário e o governador mudam o discurso.
E as prisões de gente que andava com vinagre?
É assim mesmo, é ordem. Muitos daqueles policiais têm menos de cinco anos de serviço, são recrutas e cumprem qualquer ordem à risca.
O Alckmin é fraco, o secretário de “Insegurança” é fraco, o comando da PM é mais fraco ainda e mostra despreparo para essas situações. A tropa de choque serve para isso: encerrar qualquer tipo de conversa e descer a borrachada no povo.
Havia policial não treinado usando armas de borracha?
Não, o policial que porta essa arma deve ser bem treinado, pois ele cumpre uma função inicial de dar proteção para aqueles que ficam em linha com os escudos e, num segundo momento, inibir qualquer ato hostil por parte de manifestantes. A orientação é somente atirar se esse ato hostil vier a se concretizar – como, por exemplo, alguém arremessar pedras ou qualquer objeto que possa causar risco à integridade dos demais policiais. Em suma, essa é a função desse policial atirador.
Não é todo PM que pode manusear esse tipo de arma. É dada preferência aos mais experientes e após muito treinamento. No curso, aprendemos que só pode utilizá-la quando houver risco à integridade física de algum PM ou civil, e da linha da cintura para baixo. Embora seja de borracha, se ela atingir determinada área da cabeça pode matar.
Dá para concluir que, se ele é treinado e atirou no olho da pessoa, foi intencional?
Sim, foi intencional. Uma viatura passou e atirou contra os repórteres que estavam em um estacionamento, contrariando toda norma de procedimento sobre o uso da munição de borracha (tecnicamente, chama- se munição de elastômero; ele passou o endereço de um site com informações sobre a bala: http://www.cbc.com.br/cartuchos-cal-12-de-uso-policial-subcat-9.html).
Por que atirar contra jornalistas?
Penso que foi um ato intimidatório, não tem outra justificativa.
Sabiam que eram jornalistas? Os policiais têm alguma prevenção?
No geral, não. Temos boa convivência com a imprensa. Se foi um ato despropositado contra os jornalistas, foi um ato isolado.
Como será a atuação da PM na segunda-feira?
Ficaremos de prontidão. Caso haja necessidade, a PM será enviada aos locais de manifestação.
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"No Olho do Furacão"

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Comandante da Gestapo tucana pede que manifestantes ataquem o PT


O comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, Benedito Roberto Meira, sugeriu aos representantes do Movimento Passe Livre (MPL) que incluíssem na pauta do quinto protesto pedido de prisão dos condenados do processo de Mensalão, segundo relato ao iG de dois participantes da reunião.
Segundo participantes da reunião, Meira teria dito que foi um erro da polícia (ação da tropa de choque), que é a favor das manifestações não só pelas passagens, mas que tem muita coisa errada, como os mensaleiros. Ainda conforme os relatos, os representates do MPL, ignoraram a sugestão do coronel, que foi classificada como uma tentativa de politizar a manifestação.
"Ele queria demarcar uma posição", explicou Mayara Vivian uma das representantes do MPL, que também participou do encontro. Manifestantes rejeitaram também todos os pedidos feitos pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella.
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Brasília vai receber memorial em homenagem a João Goulart

A nave principal do Memorial João Goulart tem 1.760 metros quadrados, enquanto o prédio anexo administrativo, 450 metros quadrados (Foto: Divulgação)
Memorial da Liberdade Presidente João Goulart será construído no Eixo Monumental, em Brasília
Segundo o governo do Distrito Federal, obra deve ficar pronta em 2014.
'Memorial da Liberdade Presidente João Goulart' ficará no Eixo Monumental.
O projeto do Memorial da Liberdade Presidente João Goulart foi o último do arquiteto Oscar Niemeyer aprovado para a cidade. A construção foi viabilizada por meio de um convênio entre a Secretaria de Cultura do Distrito Federal e o Instituto João Goulart.
O futuro memorial terá uma peculiaridade: uma flecha vermelha com o ano “1964” gravado, referência ao ano do golpe militar que derrubou o então presidente João Goulart.
A previsão é que a obra fique pronta no próximo ano. O representante do instituto e filho do ex-presidente, João Vicente Goulart, afirmou que a expectativa é que o memorial seja concluído antes de 31 de março de 2014, data que marca os 50 anos do golpe militar.
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O oportunismo de Arnaldo Jabor

 
Em seu comentário na manhã desta segunda-feira na CBN - a rádio que toca mentira -, o colunista Arnaldo Jabor fez autocrítica das besteiras que esbravejou na TV Globo contra os jovens que lutam pela redução das tarifas de transporte em São Paulo. Naquela ocasião, ele disse que os manifestantes "não valem nem 20 centavos". Agora, diante do força da mobilização e da saraivada de críticas que recebeu, ele confessa que se equivocou. "Amigos, eu errei. É muito mais do que 20 centavos. O Movimento Passe Livre tinha toda a cara de anarquismo inútil, e temi que toda a energia fosse gasta em bobagens, quando há graves problemas no Brasil. Mas desde quinta-feira, com a violência policial, ficou claro que há uma inquietação tardia".
Por falta de oportunidade não faltam oportunistas neste mundo! Arnaldo Jabor é tinhoso, metido a esperto. Desde que galgou altos postos na Globo, ele sempre tentou desqualificar os movimentos sociais brasileiros - são famosos os seus ataques rasteiros e rancorosos ao MST, ao sindicalismo, à luta da juventude, às forças de esquerda. Ele tem nojo dos que lutam por transformações estruturais no Brasil e virou um porta-voz da elite tacanha, inculta e egoísta do Brasil. Como assíduo frequentador do Instituto Milleniun, o antro dos barões da mídia e dos ricaços, ele se tornou um cabo eleitoral da oposição demotucana.
No seu comentário desta segunda-feira na CBN, ao mesmo tempo em que afirma que "errei", Jabor tenta desviar os protestos dos jovens para os seus propósitos políticos. Ele pede que o movimento assuma suas bandeiras direitistas, emoldurados no maroto udenismo. Mas os jovens não são seduzidos por estas falsas autocríticas. Nos protestos destes dias, um coro sempre aparece: "Fora Rede Globo, o povo não é bobo"! Arnaldo Jabor não engana mais ninguém, nem quando pede "desculpas"!
Altamiro Borges
No Aldeia Gaulesa
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Se jornalista não pode apanhar, manifestante também não

http://sicnoticias.sapo.pt/incoming/2012/03/27/rc_coletejornalista_0018.jpg/ALTERNATES/w960/RC_coleteJornalista_0018.jpg 
Vou cobrir nesta segunda (17), novamente, a manifestação contra o aumento nas passagens do transporte público em São Paulo.
Mas me nego a usar colete para jornalista, conforme foi sugerido pelo governo do Estado. Um governo decente é aquele que respeita a liberdade de imprensa, mas também a liberdade de expressão. Em outras palavras, se jornalista não pode apanhar, manifestante também não.
Entendo os colegas que lembram que não são pagos para isso. E que têm família. Mas quem não tem? Além do mais, já contamos com identificações funcionais para apresentá-las em caso de questionamento policial. Para quê um colete que vai nos diferenciar à distância?
Muitos dos casos de violência contra jornalistas, na última quinta (13), ocorreram com a polícia tendo plena consciência de quem eram os agredidos. Vide os relatos da repórter da TV Folha, por exemplo. Ou do grupo de jornalistas acuados na rua da Consolação, que levaram bala mesmo tendo se apresentado como tais.
Um comandante afirmou que os jornalistas sabem do risco que correm ao cobrir esses eventos. Bem, se estava se referindo à conhecida violência da Polícia Militar de São Paulo na repressão a essas manifestações, sim, concordo.
E que deveriam ficar atrás da linha dos policias para se protegerem. Onde é que vi essa política mesmo?…Ah, do Tio Sam ao “embutirem” seus jornalistas para que caminhassem com as tropas e publicassem o que as forças armadas desejavam.
Se não usei colete para cobrir a guerra pela independência em Timor Leste ou a guerra civil angolana, por que usaria aqui já que não estamos em guerra?
Ou o Estado pretende tratar sua população como se estivesse?
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Minas Sem Censura recriado na Assembleia de Minas

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A vez do Rio: a covardia da PM de Cabral

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Enquanto isso, no Palácio dos Bandeirantes...

Ele

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Bomba brasileira na pele turca (e brasileira)

gas brasileiro e utilizado contra protestantes na turquia 
Enquanto o Itamaraty diz não poder investigar abusos com gás lacrimogêneo brasileiro da empresa Condor no exterior, Apex fomenta exportação
Em 2012, quando a inscrição “Made in Brazil” estampava projeteis de gás lacrimogêneo usados contra manifestantes pró-democracia no Bahrein e ativistas denunciavam inclusive a morte de um bebê supostamente vítima do gás brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que iria averiguar se houve alguma irregularidade na exportação. Porém, um ano depois, o Itamaraty informa que apenas observa o caso, sem conduzir investigações ou tomar medidas. Em resposta indignada, um ativista americano-saudita Rasheed Abou-Alsamh, autor da denúncia, escreveu: “O Itamaraty deve achar que somos ingênuos”.
Na ausência de restrições à exportação de armas não-letais, o mesmo gás, fabricado pela empresa Condor SA, do Rio de Janeiro, é agora empregado pela polícia da Turquia na repressão aos crescentes protestos contra o governo de Recep Tayyip Erdogan, que se espalharam por mais de 60 localidades em todo o país, deixando centenas de feridos e estimativas de 2 mil pessoas presas.
A Anistia Internacional confirma o uso de gás lacrimogêneo brasileiro durante as manifestações – que se iniciaram após um protesto pacífico contra a derrubada de 600 árvores na Praça Taksim, em Istambul. A professora americana Suzette Grillot, que está em Ankara, fotografou um dos projeteis brasileiros utilizadas pela polícia. “Um membro do nosso grupo encontrou a cápsula na noite de ontem (3 de junho) em Ankara”, relatou à Agência Pública.
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Professora americana fotografou um dos projeteis de gás lacrimogêneo brasileiros utilizados pela polícia turca. Imagem: Suzette Grillot
O gás lacrimogêneo brasileiro vem sendo usado desde o começo dos protestos, em 31 de maio, em Istambul. “Naquele dia, havia apenas um grupo pequeno de ambientalistas. A polícia invadiu o parque às 5h da manhã enquanto essas pessoas dormiam nas barracas. Os policiais queimaram barracas e atacaram os manifestantes com gás lacrimogêneo”, conta um participante do movimento Occupy Gezi, que preferiu não se identificar por medo de represálias. “Os policiais deveriam atirar os projeteis de gás para cima, mas eles miram nas pessoas. Alguns perderam a visão por serem atingidos diretamente (pelos projeteis), outros são atingidos nos braços e pernas. Existem centenas de vídeos mostrando efeitos do gás: lágrimas, náusea, vômito, dificuldade em respirar”.
O escritório de Direitos Humanos da ONU pediu à Turquia que conduzisse uma investigação independente sobre a conduta das suas forças de segurança em relação aos protestos. “Estamos preocupados com relatos de uso excessivo de força por agentes legais contra manifestantes”, disse a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Cecile Pouilly.

Armas “não-letais” que, sim, matam

A cápsula fotografada pela americana Suzette Grillot é o resto de um projétil lacrimogêneo de longo alcance (GL 202) produzido pela Condor, líder em produção deste tipo de arma na América Latina. O projétil chega a uma distância média de 120 metros e tem a capacidade de passar por cima de obstáculos como muros e barricadas “para desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores da lei”, segundo descrição da própria fabricante. No entanto, a Condor explica, no seu site, que a má utilização dos projéteis pode causar danos sérios à saúde – e até a morte.
Outra foto tirada pelos manifestantes mostra uma granada lacrimogênea de movimentos aleatórios (GL 310), também conhecida como “bailarina”. Ao tocar o solo, a bomba salta e faz movimentos em diversas direções, espalhando o gás por uma grande área e evitando assim que o “alvo” a jogue de volta, em direção às forças policiais. O site da empresa explica que, em contato com materiais inflamáveis, a granada pode gerar chamas.
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Na foto divulgada pelos manifestantes, aparecem as armas GL 310 e Gl 202 da Condor (1º e 3º itens da esquerda para direita). O 2ª armamento da esquerda para direita é da Nonlethal Technologies, companhia dos Estados Unidos que é a principal exportadora de armas não-letais para a Turquia, ao lado da brasileira Condor.
Além dos projeteis de longo alcance e da granada “bailarina”, a Condor produz sprays de gás lacrimogêneo e pimenta, bombas de fumaça, balas de borracha e pistolas elétricas incapacitantes, conhecidas como “taser”. A Condor é a única empresa brasileira que vende esses equipamentos para o governo da Turquia, conforme divulgou sua assessoria de imprensa. Em 2011, a empresa já havia confirmado a venda de armamento para países árabes, embora tenha negado a venda direta para o Bahrein. Entre seus clientes estava o governo dos Emirados Árabes Unidos, que enviou tropas de apoio ao governo baremita.
Em abril deste ano, a Condor assinou mais um contrato com o governo dos Emirados Árabes, no valor de US$ 12 milhões, para o fornecimento de 600 mil unidades de munições não-letais. O acordo foi anunciado durante a Laad, a maior feira de defesa e segurança da América Latina, realizada no Riocentro em abril.

Em maio, empresas de armas foram à Turquia com apoio do governo brasileiro

Menos de um mês antes do início dos protestos na Turquia, o governo brasileiro apoiou um encontro de empresas de armamento nacionais com compradores estrangeiros em Istambul. Durante a mostra Internacional de Defesa IDEF 2013, realizada entre 7 e 10 de maio, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) – cujo vice-presidente, Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, é presidente da Condor – montaram um vistoso estande no pavilhão do Brasil.
Na parte que coube à Condor, uma vitrine estampava variados projéteis metálicos, granadas e latas de sprays coloridas, iguais àqueles que seriam utilizados poucas semanas depois nas ruas do mesmo país. Sob o nome da empresa, em um letreiro vermelho, também foram expostos a granada “bailarina” e “diversas soluções em defesa” - segundo o jargão da indústria – como 13 tipos de munições incapacitantes de 40 x 46mm para lançadores.
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Estande da empresa Condor em pavilhão brasileiro na Turquia em maio de 2013. Alguns dos itens expostos são os mesmos que seriam utilizados contra a população em menos de mês depois.
Questionada sobre o incentivo à Condor e a outras empresas brasileiras na Turquia, a Apex não respondeu à reportagem da Pública até o momento de publicação. De acordo com o jornal turco Sozcu, o ministro de Comércio Hayati Yazici informou que nos últimos 12 anos, o país importou 628 toneladas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta sobretudo do Brasil e Estados Unidos. O valor das importações chegou a US$ 21 milhões.
Em fevereiro deste ano, a Abimde já havia participado de outra feira de armamento, dessa vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Novamente, a Condor participou do evento como a única empresa brasileira produtora de armas não-letais.

E no Brasil… Armas não-letais são questionadas pelo MPF

O Brasil assinou no último dia 3 de junho o Tratado sobre Comércio de Armas (ATT, em inglês) na Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o texto, que visa a eliminação do comércio de armas para genocidas, terroristas e crime organizado internacional, “será regulado o comércio de armas convencionais estabelecendo critérios para a exportação e trazendo mais transparência às transferências”. Considerado um grande avanço para um país que evita a transparência quando se trata de venda de armas brasileiras – o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior se nega a divulgar números das empresas que exportam armas, por exemplo – o tratado não tem definições específicas sobre comércio de armas não-letais.
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Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior se nega a divulgar dados de empresas brasileiras que exportam armas.
Os produtos da Condor são vendidos para mais de 40 países. Mas enquanto a Apex incentiva a exportação para países como Turquia e Emirados Árabes, o uso das mesmas armas não-letais é questionado pela justiça brasileira. Em novembro do ano passado, a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos decidiu investigar as consequências para a saúde do uso dessas armas dentro do país. A pedido da organização Tortura Nunca Mais, de São Paulo, foi criado um grupo de trabalho (GT) composto por representantes dos Ministérios da Justiça, Defesa, Saúde e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além das Polícias Federais, Estaduais e Guardas Municipais, para acompanhar Projetos de Lei sobre o tema. Isto porque não existe uma norma nacional para balizar condutas e garantir o uso adequado de tais armamentos.
O GT também deve realizar estudo comparativo dos programas de treinamento policiais e estudos sobre as consequências para a saúde das pessoas alvejadas, em especial, por armas que utilizam eletrochoque e componentes químicos. “Nossas polícias estão usando este tipo de armas supostamente não-letais de maneira ostensiva”, diz Wilson Furtado, do Tortura Nunca Mais-SP. “O policial, em vez de deter a pessoa, atira e pronto, atingindo principalmente jovens que estão protestando”.
O grupo pede uma legislação que discipline e regulamente os armamentos não-letais, definindo os tipos de armamentos autorizados e normas para compra, controle e uso, além de mecanismos de informação aos cidadãos.

Condor, vendendo Brasil afora

As armas não-letais da Condor são amplamente usadas por polícias em todo o país – e pelo Governo Federal. Programas federais compram tais armas, por exemplo, para as UPPs no Rio de Janeiro e para forças policiais de 12 Estados envolvidos no programa “Crack, É Possível Vencer” – incluindo pistolas de choque, as “tasers”, e sprays de pimenta. Apenas para os megaeventos Copa das Confederações e Copa do Mundo de 2014, o Brasil já destinou R$ 49 milhões para a Condor.
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Gás lacrimogêneo exportado para a Turquia também foi comprado pelo Governo Federal para utilização durante a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas.
Em abril de 2012, segundo o Portal da Transparência, o Governo Federal gastou R$ 1,5 milhão na compra de munições não-letais da Condor para uso do Exército na “garantia da lei e da ordem dos complexos do Alemão e da Penha”. Entre os itens adquiridos estavam 1125 granadas explosivas de luz e som (GL 307), 500 granadas multi-impacto pimenta (GM 102) e 500 granadas fumígenas, 29,5 mil cartuchos de bala de borracha e 700 granadas lacrimogêneas de movimentos aleatórios (GL -310) – a mesma usada contra os manifestantes na Turquia.
Em junho, foi a vez do governo comprar armamentos da Condor para a segurança da Rio+20, num total de R$ 1,3 milhão. Entre os eles mais de 900 sprays de pimenta, 1,3 mil granadas lacrimogênea tríplice, 870 granadas explosivas de luz e som e 5 mil cartuchos calibre 12, com projétil de borracha.

Até na Copa – pela bagatela de R$ 50 milhões

Por um total de 49,5 milhões, o Governo Federal fechou a compra de milhares de armamentos não-letais da empresa Condor – a mesma que forneceu as bombas usadas contra manifestantes na Turquia – para serem usados pelas polícias de todas as cidades-sede durante a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014.
O contrato com a Condor S.A. Indústria Química, assinado em 26 de novembro de 2012 e com vigência até 31 de dezembro de 2014, prevê o fornecimento de diversos tipos de armamentos, como 2,2 mil kits não-letais de curta distância, contendo sprays de pimenta e de espuma de pimenta, granadas lacrimogênea com chip de rastreabilidade, granadas de efeito moral para uso externo e indoors e granadas explosivas de luz e som; além disso, 449 kits não-letais de curta distância com cartuchos de balas de borracha e cartuchos de impacto expansível – balas que se expandem em contato com a pele, evitando a perfuração.
Além disso, o contrato inclui a compra de 1,8 mil armas elétricas para lançamentos dardos energizados – as pistolas “taser”, 8,3 mil granadas de efeito moral, 8,3 mil granadas de luz e som, 8,3 mil granadas de gás lacrimogêneo fumígena tríplice e 50 mil sprays de pimenta.
No Pública
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Efeitos imorais

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Geraldo Alckmin é médico, tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar
Já na passeata de terça-feira, alguém levava um cartaz bem visível para os PMs e mostrado várias vezes na TV: "Bala de borracha cega". Não era novidade para os soldados, era um lembrete. Não só para os soldados. Também para os meios de comunicação, dos quais, que me conste, nenhum fez alguma advertência contra o uso dessa arma. E cartaz dirigido também ao governador Geraldo Alckmin.
Um caso, entre tantos. Por um centímetro ou apenas milímetros, a repórter Giuliana Vallone, que não estava nas ruas como manifestante na quinta-feira, não perdeu um olho ao ser atingida por bala de borracha. Isso, no mínimo. Se uma dessas "balas não letais" atingir o flácido globo ocular, perfura-o e o cérebro está ao seu alcance. O resultado provável é a morte. Outras partes do corpo são também vulneráveis e tornam a vida vulnerável às balas de borracha. Agora mesmo um torcedor morreu, na Argentina, atingido por bala de borracha.
Qual é a finalidade dessa arma? É ferir, com todos os riscos de consequências além disso. Armas para afugentar, dispersar, conter à distância, sem o contato corpo a corpo do cassetete, são as bomba de gás lacrimogêneo e de gás de pimenta.
Em razão do seu cargo, o governador Geraldo Alckmin é o responsável pelo uso das balas de borracha e pelos riscos que impõem à integridade e até à vida de civis desarmados. Ainda que nem sejam participantes de atos vistos pelo governador como hostis ao seu governo.
Mas Geraldo Alckmin não é só governador. É médico. Tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar. E como médico tem o dever e o compromisso de servir à integridade e à vida de todo ser humano. É sua, no entanto, a responsabilidade pelo porte, pela autorização de uso e, portanto, pelas consequências das armas tão perigosas. Na linguagem convencionada, a sua é a posição de mandante do que quer que ocorra. E do que tenha ocorrido e venha a ocorrer às vítimas dos tiros com balas de borracha.
É no mínimo indecente que ainda hoje, sob o que consideramos regime democrático, chamemos os gases lacrimogêneo e de pimenta, os revólveres de choque e os tiros de borracha de armas de efeito moral. Denominação adotada pelos regimes de opressão policial-militar.
A volta de manifestações na semana entrante é mais provável do que uma solução para os protestos. Perspectiva idêntica fez aparecer na manhã de quinta-feira, nesta coluna, um trecho assim: "Quem lhes dá [aos oportunistas da arruaça] a oportunidade é sempre a polícia. As bombas de gás, os tiros, os cassetetes incitam as respostas desafiadoras: é a hora dos arruaceiros". À noite isso se confirmava, com reconhecimento até dos que afirmavam o oposto. É o que tende a ser visto outra vez, se as ordens dos mandantes da violência inicial não as retirarem. Ou até que haja morte. Com decorrências imprevisíveis.
O vídeo, posto na internet, do soldado quebrando vidros de um carro da PM, pode ficar como símbolo fiel dos acontecimentos em que um médico autoriza e avaliza o uso de armas perigosas contra pessoas em manifestação pacífica, a PM é que incita a desordem, e tudo é imoral nesses efeitos morais ao estilo das ditaduras, disfarçadas ou não.
Janio de Freitas
No fAlha
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Massa Cheirosa se prepara para protesto

Les Chics
Glória Kalil

Moda para protesto, roupa de guerra

RG Quer! Livro “Chic: Um guia de moda e estilo para o século XXI” (R$ 115) by Gloria Kalil... 
É tendência, concorde você ou não. E está nas ruas.
Há semanas, o Brasil entrou na rota mundial dos protestos populares. Inflados pelo aumento das passagens de ônibus, os manifestantes entraram no espaço público e tomaram uma cacetada desproporcional da Polícia Militar - principalmente na última quinta-feira (13.06), em São Paulo, e neste domingo (17.06), no Rio de Janeiro.
A semana começa com vontade ainda maior de se fazer ouvir. Há uma agenda de manifestações por todo o país, nos próximos dias. A maior, novamente na capital paulista, está marcada para a tarde desta segunda-feira (17.06). Pelo Facebook, 200 mil pessoas já se reúnem virtualmente a favor da manifestação.
Em uma hora dessas, é hora de manter a cabeça fria e pensar com calma na roupa que se usa. Mais que cores partidárias ou máscaras fantasiosas, é preciso pensar em peças utilitárias para enfrentar a guerra - ainda que unilateral - e se proteger, por mais que todos queiramos uma manifestação pacífica.
Para isso, consultei quem entende do assunto - de São Paulo à Turquia - para uma lista rápida sobre como se proteger. A elas:
. O tecido é o mais importante. Impermeáveis são uma boa defesa contra gás lacrimogêneo, impedindo que o químico se prenda ao algodão e chegue à pele. Capas de chuva entram nessa lista.
. Muito se fala em panos embebidos em vinagre para diminuir os efeitos do gás. Nesse caso, quanto menos sintético o tecido, melhor. Leve camisetas, bandanas, pedaços de algodão, que seguram melhor a substância e também te ajudam a respirar. Acetinados, sedas e acrílicos não são tão eficientes.
. Tecidos grossos ajudam a proteger a pele contra balas de borracha e estilhaços de bombas de efeito moral. Pense em casacos grossos, jeans ou ceroulas de lã sob as calças.
. Quanto menos pele à vista, melhor - contra gás lacrimogêneo ou spray de pimenta. Cubra pescoço e braços para minimizar a química nas terminações nervosas.
. Conselho óbvio: use calçados confortáveis. Se tudo der certo, você vai andar muito. Se algo der errado, você pode ter que correr. Em ambos os casos, o que vale é a sua segurança.
. Deixe acessórios em casa - brincos, colares, piercings -, para evitar acidentes. Mas pense em algo para proteger os olhos, como óculos de natação, e luvas para as mãos.
É isso. Nos vemos nas ruas.
http://img.estadao.com.br/fotos/5A/16/CF/5A16CF7E453740B3A9EC39E72BE69001.jpg Se você encontrar Glória Kalil nas ruas... corra!
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Governador age ilegalmente. Prefeito assume desgaste. Autoridades se omitem.

O prefeito de São Paulo não percebeu a continuidade da estratégia de Alckmin: mandar a PM cruzar os braços contra os arrastões na Virada Cultural e ordenar a violenta repressão aos estudantes e manifestantes pela redução das tarifas.
O objetivo do governador era criar um clima de pânico na cidade com duas finalidades: 1) dar a sensação que Haddad representa a insegurança e o caos na cidade; 2) dividir com Haddad a crise do sistema de segurança pública promovida pelos tucanos em 20 anos de gestão.
Os deputados e a direção estadual do PT, perdidos em uma política cada vez mais parecida com o clientelismo do tucanato, não foram às ruas para coibir a violência da polícia.
A cúpula do Ministério Público paulista, dominada pela completa simpatia à política desastrada do governador, nada fez para exigir que a Constituição fosse respeitada. O MP paulista se omite diante das declarações do Secretário da Segurança que irá impedir a livre manifestação de pessoas que são contrárias ao aumento das pessagens de ônibus.
As cenas de agressão inequívocas praticadas por policiais, não sensibilizaram os fiscais da lei. Nenhum policial foi processado até agora pelos membros do Ministério Público.
O Ouvidor Geral da Polícia, criada pelo governador Mário Covas, não se pronunciou até o momento, nem exigiu que a Corregedoria da PM investigasse os abusos praticados pela polícia e fartamente relatados nas redes sociais e pela imprensa.
O grande desgastado nestas manifestações parece ter sido o Prefeito de São Paulo e o Ministro da Justiça. Os tucanos há muito tempo já romperam com os preceitos democráticos. O eleitorado de Alckimin elegeu o Coronel Telhada. Alckimin fala e age para uma parte do eleitorado paulistano que apoiou até o fim o regime militar. Pessoas que não se importaram quando Erasmo Dias jogou napalm, fósforo branco, na invasão da PUC, em 1977. Quanto mais ele reprimir os jovens, mais se consolidará sua liderança retrógrada. O Ministro da Justiça errou a acenar para os retrógrados que não se conformam com a existência de direitos de cidadania.
Todos sabemos o quanto é grave aceitarmos a política de Geraldo Alckimin de imputar a jovens estudantes o crime de formação de quadrilha. Quem diverge da política de Alckmin não pode ser considerado criminoso. Quem organiza passeatas não pode ser enquadrado no Art.284-A do Código Penal: "Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código".
Espero que até amanhã, o senso de dever democrático reapareça em algumas autoridades e que o senhor governador seja impedido de se divertir mandando sua polícia agredir jovens cidadãos que se manifestam pelos seus direitos. Espero que o Prefeito exija que a Polícia desocupe a praça da manifestação, pois quem dirige a cidade e diz como se organiza o trânsito não é a Secretaria de Segurança, mas a Prefeitura e a CET.
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