16 de jun de 2013

O gato socialista

Um gato que bancava o socialista,
com o fim de chegar a deputado,
estava a comer um frango assado
na cozinha de um capitalista.

Outro gato, com lógica sectária
ao primeiro afirmou: - Estou contigo.
Pensa tu que eu também, querido amigo,
pertenço à mesma classe proletária.

E bem sei que se nestas revoadas,
eu quiser esse frango que dispões,
o partirás já, já, em duas porções,
pois não somos, debalde, camaradas.

- Isso não, disse o outro sem pudor,
eu não divido nada, ó meu artista.
Porque, se em jejum sou socialista,
comendo, sempre sou conservador.

Do poeta satírico italiano Carlo Alberto Salustri (1871-1950). 
Tradução de Breno di Grado.
No Diário Gauche
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As vaias de Dilma, no estádio "do povo": Quais as razões?

 
Fiquei feliz com a vaia que Dilma levou ontem no Estádio Mané Garrincha, pois o "povo" que lá estava, tinham até R$ 4.200.00 (vide tabela aqui) - para pagar um ingresso. É o mesmo "povo" que reclama do tomate caro, e diz que o Bolsa Família é esmola, mas sonega direitos trabalhistas da empregada e torcem o tempo todo, pra tudo dar errado, pois "eles" tiveram 490 anos no poder, tempo suficiente para fazer alguma coisa, e nada fizeram, agora cobram em 10 anos seus 5 séculos de atrasos. Risível.....

Um jeito diferente de torcer

Fim da arquibancada, restrições à movimentação, maior proximidade do campo e valor alto dos ingressos irão mudar o perfil e o comportamento da torcida nos estádios brasileiros
A imagem da torcida desfraldando enormes bandeiras em meio a coros em animados batuques nos estádios não poderá ser vista na Copa das Confederações que começa em 15 de junho. As rígidas regras de comportamento estabelecidas pela Fifa para as arenas esportivas dos seis Estados-sede, e que valerão também para os 12 da Copa do Mundo de 2014, tirarão muito da empolgação – e até do charme – do público brasileiro. “Criamos um estádio para uma nova cultura de futebol. O torcedor vai se moldar”, acredita o engenheiro Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, que comandou a remodelação do Maracanã.
As exigências arquitetônicas irão criar um novo jeito de torcer no Brasil e serão um legado definitivo dos dois eventos. O espectador estará muito mais próximo dos jogadores – no Maracanã, agora, 14 metros os separam e, no brasiliense Mané Garrincha, apenas 7,5 metros. Com o fim da arquibancada, ele não poderá ficar trocando de lugar nos degraus, pois terá de ocupar somente o seu assento numerado. O objetivo principal dessas alterações é a segurança. Em 1989, quando 96 torcedores morreram durante um jogo na Inglaterra, as mudanças começaram a ser pensadas. Todos os obstáculos entre arquibancada e gramado, como alambrados e fossos, foram eliminados para que a rota pudesse ser usada como opção de escape em caso de tumulto na multidão. Essa proximidade do campo demandará um comportamento civilizado do torcedor e maior efetivo policial para garantir a integridade de quem vai ao estádio.
As regras de conduta só valem para os jogos da Fifa, mas são muitas. A entidade proíbe que o espectador fique de pé, obstrua a visão dos outros, incomode jogadores e grite xingamentos. Mesmo manifestações efusivas de torcedores – como fazem os fluminenses, que jogam pó branco para o ar no início das partidas, ou os corintianos, conhecidos pelo show de papel picado – não poderão acontecer nos jogos oficiais da entidade. As bandeiras sem mastro não devem ultrapassar o tamanho de 2 m x 1,5 m e com mastro só serão admitidas as de plástico flexível de até 1 cm de diâmetro e no máximo um metro. Há, ainda, obstáculos físicos: barras de ferro foram instaladas para impedir a movimentação entre algumas fileiras, de modo a tentar organizar uma eventual confusão.
Para a torcida brasileira, entretanto, o maior golpe é a proibição de instrumentos musicais. “Nossa forma de torcer sempre foi carnavalizada, com samba, música. Esse veto é uma barbárie”, lamenta Marcos Alvito, historiador especializado em futebol, da Universidade Federal Fluminense (UFF). De maneira artificial, a Fifa tentou emplacar a caxirola, instrumento inventado sob encomenda pelo músico Carlinhos Brown para ser usado pela torcida nos dois eventos. Mas ela terminou proibida na Copa das Confederações por ter sido usada como arma ao ser lançada, em massa, no gramado durante um jogo na Bahia, em abril.
Outra mudança significativa é no perfil do torcedor. Há uma elitização imposta pelo aumento dos preços dos ingressos. Com menos plateia devido à colocação de cadeiras em substituição às arquibancadas, a entrada ficou mais cara, para garantir o lucro de clubes e federações. Em dez anos, o valor do tíquete mais barato subiu 300% no País, contra uma inflação de 78% no período, segundo Fernando Ferreira, economista da Pluri Consultoria. O jogo entre Santos e Flamengo, realizado em Brasília no domingo 26, arrecadou R$ 6,9 milhões, valor muito acima do que costuma render a bilheteria. A partida entre Brasil e Inglaterra no domingo 2, no Maracanã, deve auferir R$ 10 milhões. O custo elevado de um programa que sempre foi barato no Brasil está afugentando os torcedores. A média de público no Brasileirão em 2012 foi de 12,9 mil pessoas por jogo. O ex-técnico inglês Alex Ferguson, atualmente dirigente do Manchester United, comparou o silêncio da torcida a um cemitério, o que ilustra o clima nos arenas assépticas da atualidade. “Assim é o estádio que oferece conforto sem emoção”, diz o historiador Marcos Alvito. Resta torcer para que isso não aconteça também no Brasil.
Tamara Menezes
Do IstoÉ
No Blog do Paulinho

Ainda sobre as VAIAS...

No
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Marilena e a turma do farol

http://www.semanaonline.com.br/edicoes/2013/75/dados/capa/marilenaChaui.jpg 
A luta dos setores populares por melhorar suas condições materiais, cria as condições para elevar espiritualmente o conjunto da sociedade. Ao contrário, a luta de setores da burguesia e de parte dos setores médios para manter o status quo ou até para reduzir direitos, cria as condições para deprimir espiritualmente o conjunto da sociedade.
Hélio Schwartsman dedicou sua coluna de 9 de junho na Folha de S. Paulo ao tema da “classe média”. O texto, intitulado “Farol do iluminismo” é curto e pode ser lido na íntegra. Aí vai:
“Cobram-me um posicionamento em relação às invectivas que minha antiga professora de filosofia Marilena Chaui fez contra a classe média. Para os que não tomaram ciência, ao falar no lançamento do livro “10 Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”, no mês passado, Marilena declarou: “A classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”.
Eu também gostaria que nossas elites estivessem um pouco mais à esquerda do que estão, pelo menos no que diz respeito às liberdades e à defesa de soluções pacíficas para todo gênero de conflito, mas não podemos esquecer que vivemos num país basicamente conservador e, na comparação com as camadas populares, a classe média brasileira desponta quase como um farol do Iluminismo.
E nem é preciso muito malabarismo filosófico para chegar a essa conclusão. Trata-se, na verdade, de uma questão empírica fácil de verificar. As várias pesquisas Datafolha que exploraram a opinião do brasileiro em temas controversos publicadas ao longo dos últimos anos mostram que são invariavelmente os mais ricos que manifestam as posições mais progressistas. Eles apoiam proporcionalmente mais do que os pobres o aborto, a eutanásia e a legalização das drogas. São mais tolerantes em relação ao homossexualismo e menos religiosos. Tendem a ser mais severos com políticos corruptos.
Quem primeiro chamou a atenção para esse fenômeno foi o sociólogo Alberto Carlos Almeida no livro “A Cabeça do Brasileiro”, lançado em 2007 e que, à época, despertou bastante polêmica. Se pensarmos bem, entretanto, tais conclusões não deveriam surpreender ninguém. É mais do que conhecida a correlação entre renda e nível de instrução, e uma das principais razões por que mandamos as crianças para a escola é torná-las pessoas mais sábias e esclarecidas.”
Não tive a oportunidade de ter Marilena Chauí como professora, nem estava presente no momento em que ela lançou suas “invectivas” sobre a “classe média”. Mas recebi os ecos no dia seguinte, durante uma atividade em que tanto Lula quanto Dilma fizeram referência ao ocorrido.
Infelizmente, criticam Marilena pelo secundário. Pois a preocupação essencial da professora é apontar que o critério para definição das classes sociais não deve ser a capacidade de consumo, mas sim o lugar ocupado no processo de produção. Motivo pelo qual os setores que ampliaram sua capacidade de consumo, graças às políticas desenvolvidas pelo governos Lula e Dilma, não devem ser considerados como “classe média”.
Aliás, mesmo que adotássemos como critério os padrões de consumo, ainda assim caberia perguntar: “médios” em relação ao quê e a quem?
Não devemos chamar aqueles setores de classe média, porque é sociologicamente incorreto, qualquer que seja o critério adotado. E não podemos chamar tais setores de classe média, porque para a esquerda é simplesmente decisivo que adotem a visão de mundo e o comportamento político da classe trabalhadora. E não a visão de mundo e o comportamento que se atribui à chamada “classe média”.
É este comportamento e visão de mundo que Marilena criticou, ao falar da classe média como “abominação política, porque é fascista; abominação ética porque é violenta; abominação cognitiva porque é ignorante”.
Embora Marilena esteja certa no essencial e embora compartilhe plenamente de sua indignação, acho que suas “invectivas” abrem caminho para um erro sociológico e outro político. O sociológico é não perceber que não existe uma “classe média” homogênea, mas sim setores médios heterogêneos, que enxergam o mundo e atuam nele de formas também distintas.
Quem seriam estes “setores médios”? Por um lado, aqueles proprietários de meios de produção cuja pequena escala exige que o proprietário e seus familiares trabalhem, ainda que possam também contratar assalariados. Por outro lado, aqueles assalariados cuja remuneração lhes permite converterem-se em proprietários de meios de produção (ou equivalente) e, também, contratar outros assalariados.
Segundo estes critérios, setores importantes do PT integram sociologicamente os tais setores médios. Parte importante dos quais já votou e segue votando no PT e nas candidaturas de esquerda.
Assim, ainda que seja verdade que nos setores médios há segmentos violentos, fascistas e ignorantes, é um erro generalizar e agir como se o conjunto dos setores médios estivesse do lado de lá da trincheira.
Ao contrário, devemos disputá-los, algo que a burguesia faz com muito sucesso, vide Chile de 1973, as marchas no Brasil em 1964, o “mensalão” e tantos outros episódios similares.
Isto posto, vamos ao texto de Hélio Schwartsman.
Ele começa dizendo que “também gostaria que nossas elites estivessem um pouco mais à esquerda do que estão”.
Aqui há um daqueles “deslizes conceituais” que só Freud explica. Afinal, nada mais “classe média” do que considerar-se “de elite”.
O texto prossegue dizendo que “vivemos num país basicamente conservador e, na comparação com as camadas populares, a classe média brasileira desponta quase como um farol do Iluminismo”.
Opa, opa!!! Novamente, surge o equívoco de tratar a “classe média” como um setor homogêneo (para ver como não é assim, basta pensar no perfil do leitor padrão de Veja e de Carta Capital). Mas surge junto o ranço reacionário que Marilena tão bem apontou: achar-se melhor do que “as camadas populares”. E atribuir o seu próprio conservadorismo “ao país”.
O “povo”, os “setores populares”, são categorias sociologicamente imprecisas. Politicamente, não: na linguagem da esquerda, os termos “povo” e “setores populares” vêm carregados de significado positivo.
Mas seja qual for o sentido empregado, não é correto dizer que os setores médios em geral são mais “iluministas” do que os setores populares em geral. Para Hélio, trata-se de uma “questão empírica fácil de verificar”. Confesso que temo quando questões que exigem um pouco de reflexão são apresentadas como “questões empíricas”; mas sigamos adiante.
Diz Hélio que as “várias pesquisas Datafolha” publicadas ao longo dos últimos anos “mostram que são invariavelmente os mais ricos que manifestam as posições mais progressistas. Eles apoiam proporcionalmente mais do que os pobres o aborto, a eutanásia e a legalização das drogas. São mais tolerantes em relação ao homossexualismo e menos religiosos. Tendem a ser mais severos com políticos corruptos”.
Esta é outra característica “classe média”: a auto-referência. Assim, o Datafolha converte-se em algo como um oráculo. Para facilitar, aceitemos os dados fornecidos por Hélio. Mas agora nos coloquemos a pensar um pouco sobre eles.
As pesquisas indicam uma correlação entre “valores iluministas” e “condições de vida”. Entre outros motivos, pela razão indicada por Hélio: “a correlação entre renda e nível de instrução”. Dispensemos aqui a insinuação classe média segundo a qual passar por uma escola tornaria as pessoas mais “sábias e esclarecidas”.
Cabe perguntar: expressar “valores iluministas” quer dizer o quê mesmo? A posição sobre aborto, eutanásia, legalização das drogas, homossexualidade e religião são os únicos critérios a separar trevas e luz, conservadorismo e progresso? Ou a complexa pauta político-ideológica da sociedade brasileira e mundial inclui além destes, outros temas, como salários, jornada de trabalho, tributos, políticas sociais etc.?
O que impressiona é que, ainda que vivam em condições materiais melhores, amplos setores médios adotam posições retrógradas, conservadoras, de direita, sobre todos os temas. Em sentido contrário, embora em condições materiais muito piores, amplos setores populares defendem posições iluministas, progressistas, de esquerda sobre todos os temas.
Portanto, ao contrário do que parece, a propensão iluminista dos setores populares é relativamente mais intensa do que a dos setores médios. E isto tem relação com fatores simultaneamente subjetivos e objetivos: quanto mais as condições materiais da classe trabalhadora são produto da ação coletiva, mais tendem a prevalecer posições de esquerda. Motivo pelo qual é preciso uma atenção toda especial para politizar os setores da classe trabalhadora que ascenderam materialmente desde 2003.
Dizendo de outra forma: se existe correlação entre “condições materiais” e “atitude iluminista”, então é preciso considerar na equação não apenas a fotografia, mas também o filme.
A luta dos setores populares por melhorar suas condições materiais, cria as condições para elevar espiritualmente o conjunto da sociedade. Ao contrário, a luta de setores da burguesia e de parte dos setores médios para manter o status quo ou até para reduzir direitos, cria as condições para deprimir espiritualmente o conjunto da sociedade.
Por isto, tanta gente que se acha “farol do iluminismo” acaba servindo de limpa-trilhos da direita. E que viva Marilena Chauí, que exageros a parte, colocou o debate nos termos adequados.
Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT
No PT
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Tucano Álvaro Dias gastou R$ 1.463 para vaiar Dilma. Foi o povo que vaiou?

Foto “dos pobres” que vaiaram Dilma!

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Fifa bloqueia Rádio Band

Clique na imagem e confira.

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Nas favelas, uma década de conquistas

Dados do IBGE revelam que renda de moradores cresceu 109% entre 2000 e 2010
Além dos bons ventos da economia, grandes eventos impulsionam empreendimentos

O bairro da Gávea e a Rocinha, vistos do alto, são os dois lados de uma cidade que, agora, assiste a uma transformação na economia das favelas
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
O bairro da Gávea e a Rocinha, vistos do alto, são os dois lados de uma cidade que, agora, assiste a uma transformação na economia das favelas
Custódio Coimbra / Agência O Globo
RIO - Há 18 anos, Rosana Batista teve um estalo: decidiu ampliar a casa onde mora no alto do Morro da Providência, no Centro, pertinho de onde há atualmente uma das estações do teleférico, e criar um bar. De lá para cá, o negócio de Rosana, que nasceu e se criou na comunidade, vai de vento em popa. Até alvará ela conseguiu para o Sabor das Louras e Gelada do Moreno, em 2010. Com subsolo e três andares — incluindo o terraço —, o prédio se destaca na favela. Hoje, ela vende de 30 a 40 refeições por dia. De noite e nos fins de semana, são a cerveja e os petiscos que fazem sucesso. Especialmente o salgadinho com massa de abóbora e recheio de camarão, que acabou num livro sobre gastronomia lançado em abril. Por mês, Rosana consegue faturar de R$ 3 mil a R$ 4 mil.
A empresária não sabe, mas faz parte de um movimento que está levando mais dinheiro para as favelas cariocas. Uma equação que, em uma década, juntou bons momentos da economia, programas de distribuição de renda, pacificação e investimentos públicos visando a preparar a cidade para os grandes eventos que desembarcam por aqui a partir deste ano. Isso fez com que a renda das favelas cariocas crescesse mais que a das comunidades do restante do país. Os números são do IBGE e mostram que, em dez anos, o valor do rendimento nominal mediano mensal das pessoas que moram em favelas do Rio cresceu 109% entre 2000 e 2010, passando de R$ 244 para 510 (metade ganha acima e metade abaixo desses valores). Um crescimento acima até da inflação do período, que foi de 99%. Já em todo o país, o aumento da renda nos aglomerados subnormais — termo usado pelo IBGE para classificar as favelas — foi de cerca de 85% (de R$ 200 para R$ 370). Essa nova realidade da cidade será mostrada na série Retratos Cariocas, que O GLOBO publica a partir de hoje. As reportagens tiveram como base informações do IBGE e um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP), da prefeitura, realizado a partir de dados dos censos de 2000 e 2010.
— O crescimento da renda nas favelas cariocas tem diversas causas. A primeira é histórica: aqui as favelas são mais antigas, mais consolidadas. Não são só um lugar dos mais pobres entre os pobres — explica Luiz Cesar Queiroz Ribeiro, do Observatório de Metrópoles do Ippur/UFRJ.
Ribeiro explica ainda que o momento pelo qual o Rio vem passando levou as favelas da cidade a viverem, nos últimos anos, um estado quase inédito de pleno emprego:
— O país passou por um momento de crescimento econômico, de geração de empregos formais, e os mais pobres no país inteiro foram beneficiados com programas de distribuição de renda. Mas, no Rio, o dinamismo ganhou mais força ainda com as obras de preparação da cidade para os grandes eventos. Isso levou as favelas do Rio a uma situação de pleno emprego. As UPPs, que em 2010 já estavam em algumas favelas, até ajudaram, mas é esse movimento econômico que gerou um efeito mais efetivo no Rio que no resto do país.
Rosana espera que este bom momento seja duradouro:
— Meu sonho é ter um belo de um restaurante. Quero achar um lugar na comunidade. E eu vou conseguir.
Celso Athayde, fundador da Central Única de Favelas e da Favela Participações S/A, uma holding de empreendimentos em comunidades de todo o país, afirma que o crescimento da renda nas favelas cariocas também se explica pelo desenvolvimento da sua economia:
— À medida que a renda cresce, passa a circular na comunidade, o que melhora a economia local como um todo. Isso, com certeza, gera mais oportunidades.
Ribeiro, no entanto, faz uma ressalva. Lembra que mais renda nas favelas não está se traduzindo em melhores condições de vida para seus moradores:
— Com mais dinheiro, as pessoas constroem em áreas mais íngremes ou acabam adensando ainda mais locais já ocupados. E há a questão dos serviços. Os moradores das favelas estão consumindo mais, mas ainda estão vivendo de forma precária.
A cidade tem hoje 763 favelas, segundo o IBGE. São 48,4% a mais que as 514 comunidades contabilizadas em 2000.
Natanael Damasceno | Selma Schmidt
No O Globo
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Ecuador: Ley de Comunicación democratiza acceso a los medios

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, aseguró que la nueva Ley de Comunicación democratiza el acceso a los medios.

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A cobertura homicida dos protestos de SP feita pela Veja

Os manifestantes são chamados de ‘terroristas’, ‘vândalos’ e ‘vagabundos’ —  e um artigo no site sugere passar ‘fogo neles’.
Gianca com o pai
Gianca com o pai
Por um curto período, respondi a Giancarlo Civita na Abril.
Eu era diretor superintendente das revistas masculinas da Abril, na época, começo dos anos 2000.
Gianca, hoje com 50 anos, era um chefe de cabeça muito mais arejada que a média dos comandantes da Abril.
Lembro uma vez que o alto comando da Abril ficou indignado porque a Vip, então em minha órbita, publicou um artigo de humor sobre como montar uma suruba.
Era um artigo que não ‘cabia’ na arvorezinha da Abril, conforme se falava naqueles dias quando aparecia algum texto que fugisse do convencional.
Os queixumes chegaram a mim, e fui conversar com Gianca. Ele riu.
Tinha mente aberta: como seu irmão caçula, Titi, chefiara a MTV, muito mais liberal em costumes que a Abril.
Fiz esse introito porque me pergunto se Gianca e Titi concordam com a cobertura que a Veja vem dando em seu site às manifestações de protestos de jovens paulistanos.
É uma cobertura odiosa e que incita à violência policial ao se referir aos manifestantes como ‘terroristas’, ‘baderneiros’, ‘vândalos’, ‘vagabundos’ e ‘remelentos’.
O tom remete ao do promotor Rogério Zagallo, que disse que se a tropa de choque atirasse nas pessoas que o prendiam no trânsito ele trataria de arquivar o inquérito em sua jurisdição.
Não vou entrar no mérito da desconexão com a sociedade: como mostra o Datafolha, a maioria expressiva dos paulistanos apoia os protestos mesmo enfrentando, eventualmente, algum transtorno pessoal, como um trânsito parado.
Não vou me deter nessa desconexão, repito, embora todos saibamos quanto faz mal a uma publicação ir tão acintosamente contra um movimento a que as pessoas são favoráveis.
(Lembremos quanto a Folha lucrou ao apoiar o movimento Diretas Já, e quanto a Globo ficou manchada em sua reputação por ignorá-lo.)
Vou me limitar à cobertura escabrosa, em si.
Titi é agora a voz da Abril
Titi é agora a voz da Abril
É o triunfo da ignorância radical, do conservadorismo desvairado, do reacionarismo enraivecido e da violência jornalística.
Gianca, hoje no lugar do pai como presidente, lê isso? E Titi, como responsável pela voz da casa?
Por textos nesse tom destrutivo a Veja acabou se tornando, como notou a Forbes ao falar da morte de Roberto Civita, uma das publicações mais odiadas do Brasil.
É incrível, mas até os anos 1990 a Veja era uma revista intensamente admirada.
Perdeu o pé com a entrada de Lula. Isso já foi falado no Diário algumas vezes. A perda de pé estava ligada a Roberto Civita. Ele se tornou obcecado com Lula num grau que o fez transformar o que fora uma grande revista num panfleto desprezível.
A questão é que a revista já está sob nova administração, a de Gianca e Titi.
Vai continuar do mesmo jeito?
O ódio extremo jorra do blog de Reinaldo Azevedo, uma aberração. Os adjetivos que usei alguns parágrados atrás estão todos em seu blog.
Já seria um problema, em si. Mas a coisa ganha ainda mais dimensão pela influência sinistra que Azevedo exerce sobre os outros dois blogueiros da Veja, Augusto Nunes e Ricardo Setti. Ambos, num comportamento de manada, basicamente reforçam o que Azevedo escreve.
Setti reproduziu em seu blog um artigo do publicitário Neil Ferreira que manda dar ‘fogo neles’, os manifestantes.
“São Paulo está sob intenso ataque, numa guerra suja e covarde, que a mídia assustada chama de ‘Protesto’”, diz o artigo (?) copiado e colado por Setti. “Protesto uma pinoia: terrorismo.”
Vamos entender.
Se a percepção de “terrorismo” se consagra – o que não vai acontecer, felizmente – estará justificado o assassinato dos manifestantes.
Não acredito que o jovial Gianca, a quem respondi por algum tempo, compartilhe ideias tão selvagens, tão perigosas – e que além do mais são tão amplamente rejeitadas pelas pessoas.
Também não acredito que Titi concorde com tanta brutalidade jornalística.
Mas eles, os herdeiros do pai, estão assinando, indiretamente, essas barbaridades.
Paulo Nogueira
No DCM
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Que as manifestações não sejam passageiras

 
Diante das mobilizações contra os aumentos e pela reversão das tarifas do transporte coletivo em diversas cidades do país, a Direção Nacional da Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores, manifesta seu repúdio à repressão: a questão social não é caso de polícia e, portanto, não deve ser tratada dessa maneira. O direito à livre manifestação foi conquistado duramente e não podemos permitir que seja ameaçado.
A ação truculenta da PM-SP já virou rotina em toda e qualquer manifestação popular, o que reforça a necessidade de rever o modelo de polícia militarizada vigente no país e demonstra o autoritarismo do governo estadual e seu desprezo pelas demandas populares. Atos isolados de provocadores inconsequentes não podem servir de pretexto para a ação violenta dos órgãos de repressão, especialmente da Polícia Militar do estado de São Paulo, sob comando do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Consideramos que frente às legítimas reivindicações de setores da população, cabe aos governos negociar. Neste caso, negociar na perspectiva de reverter o aumento das passagens e, principalmente, alterar os parâmetros que organizam o transporte público nas cidades brasileiras, que deve ser financiado cada vez mais coletivamente, pelos impostos, e não individualmente, pelos usuários, via pagamento de tarifas.
É importante lembrar que as manifestações das juventudes brasileiras dos grandes centros urbanos demonstram que a insatisfação com os transportes não se limita ao preço da tarifa. Constituem também uma reação contra um modelo que privilegia a lucratividade da iniciativa privada, que explora economicamente o direito fundamental de mobilidade, que é especialmente prejudicado nas regiões metropolitanas.
Para esquerda brasileira, em especial para o Partido dos Trabalhadores, estas manifestações devem servir como um alerta acerca do mal-estar existente nas juventudes, nos setores populares, nos grandes centros urbanos. Afinal, apesar do Brasil estar hoje muito melhor do que na era neoliberal e muito melhor do que estaríamos se os tucanos tivessem vencido as eleições de 2002, 2006 e 2010, ainda assim o país continua sendo brutalmente desigual.
Uma desigualdade que está presente na vida pessoal e na vida pública. O acesso à habitação, à saúde, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, à comunicação, ao transporte e, de maneira geral, o acesso a tudo aquilo que a vida urbana pode nos oferecer, ainda é distribuído de maneira totalmente desigual. A isto se agrega a violência, que atinge especialmente as periferias e os setores populares, inclusive por obra de uma polícia tantas vezes racista e brutal.
Também por isto, o PT deve enxergar nesta explosão de parcelas da juventude de nossas cidades não apenas um sinal de alerta, mas um sinal de vitalidade, um ponto de apoio fundamental para nós que desejamos prosseguir na obra que iniciamos em 1980 e que continuamos desde 2003.
Por isto dizemos aos nossos governos que negociem. Por isto propomos aos nossos parlamentares e militantes, que estejam presentes nas manifestações. Para defender o direito à mobilização, para isolar os provocadores e, principalmente, para apoiar a luta por uma vida melhor. Pois é a luta que faz a lei.
O papel de defender a ordem e o status quo é das forças da direita. A nós cabe lutar para ultrapassar os limites do possível. Por isto, nós do PT devemos ser os primeiros a dar um viva às manifestações e clamar para que não sejam passageiras.
Direção Nacional da Articulação de Esquerda
15 de junho de 2013
No Valter Pomar
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A jogatina de Cachoeira não para

Casas de bingos ilegais, comandadas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, continuam a funcionar nas cidades vizinhas a Brasília. A polícia confirma: "Ele nunca parou"
Em uma rua da periferia de Valparaíso (GO), distante 30 quilômetros da capital do País, uma casa de pouco mais de 100 metros quadrados, com portas e janelas lacradas por esquadrias de ferro, passa despercebida em meio a residências simples e à poeira que se acumula pela falta de asfalto. Na porta, um homem sentado em um banco de plástico analisa o movimento e dá uma batida no portão velho como sinal de permissão para abri-lo. O local é um ponto de jogatina e de bingos ilegais que continua desafiando a polícia e colocando em xeque a estrutura do Estado. Lá dentro, 22 máquinas de caça-níqueis estavam à disposição dos 13 jogadores que se enfileiravam em uma sala com pouca luz e um silêncio opressor na noite da quarta-feira 12. Os cinco funcionários que trabalhavam na área interna conversavam discretamente sobre uma possível mudança de endereço e combinavam de telefonar para os clientes mais cativos informando o novo destino, que seria o terceiro em cinco meses. Delegados envolvidos no combate aos jogos ilegais são unânimes em afirmar que casas como essa ainda são comandadas pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Condenado a 39 anos e oito meses de prisão por corrupção ativa, peculato, violação de sigilo e formação de quadrilha, além de indicado como comandante da máfia dos caça-níqueis na região Centro-Oeste, Cachoeira é considerado por policiais um contraventor na ativa, que continua a acumular poder e a contar com as ramificações políticas do esquema de jogos ilegais montado por ele.
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EM PLENA ATIVIDADE
Condenado a 39 anos e oito meses de prisão, Cachoeira opera
por meio do tesoureiro José Olímpio Queiroga (leia documento)
e do irmão, Paulo Cachoeira
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De acordo com o delegado Alexandre Lourenço, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado de Goiás, todas as investigações sobre a propriedade das casas de bingo fechadas nos últimos meses levaram aos mesmos contraventores: os integrantes da família de José Olímpio Queiroga. Queiroga é apontado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como tesoureiro de Cachoeira e responsável por viabilizar a abertura dos locais utilizados pelo grupo para explorar o jogo. “Posso dizer que essas casas que continuam operando são comandadas pelo grupo do Cachoeira. Nossas investigações levam sempre às mesmas pessoas e à pirâmide da organização denunciada durante a Operação Monte Carlo. A verdade é que Cachoeira nunca parou. Pior: será difícil pará-lo definitivamente”, lamenta o delegado, que tenta criar uma força-tarefa para possibilitar uma ação conjunta de combate aos jogos ilegais.
No último mês, seis pessoas avisaram sobre o funcionamento de casas de jogos ilegais espalhadas em diversas cidades do entorno de Brasília. IstoÉ encontrou uma delas em Formosa (GO), distante 100 quilômetros da capital. Com uma estrutura bem mais modesta do que a casa que abrigava as máquinas em Valparaíso, a segurança é menos reforçada e a clientela é composta basicamente por idosos. Há três mulheres se revezando no atendimento cordial aos clientes e apenas um homem com a responsabilidade de interrogar visitantes. “Esses funcionários que atendem raramente encontram os verdadeiros chefes. Muitas vezes, não sabem mesmo quem eles são. Por isso, documentar quem está no topo da pirâmide é o grande desafio”, diz o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado do Distrito Federal, Fernando Cocito. Ele comemora o fato de 45 casas de bingos terem sido fechadas desde fevereiro do ano passado, quando Cachoeira foi detido pela primeira vez.
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A estrutura do esquema de jogos ilegais indica a existência de novos personagens. Um deles é Paulinho Cachoeira, irmão de Carlinhos, que tenta alçar voo solo na contravenção. Pelo menos três casas fechadas pela polícia nos últimos cinco meses apontavam que ele era o comandante dos grupos. Sempre que é chamado a depor, Paulinho diz que monta a própria estrutura e que não depende do irmão. “Meu cliente está recolhido com a família, não chefia nada disso. Ele não comanda nada”, diz o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões. Os policiais, porém, não consideram verdadeira a versão, uma vez que manter e reestruturar os grupos depois de cada ofensiva é considerado um trabalho que exige experiência, habilidade e, claro, muita influência política, requisitos que Cachoeira preenche.
Izabelle Torres
Foto: Adriano Machado
No IstoÉ
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ABL celebra o novo casamento de FHC

A noite da posse da escritora Rosiska Darcy de Oliveira, na cadeira Número 10 da Academia Brasileira de Letras, teve mais conteúdo e substância do que supõe a vã filosofia.
A solenidade em torno da oitava mulher acadêmica, a também professora, conferencista e ensaísta Rosiska, tida como a melhor amiga da saudosa primeira dama dona Ruth Cardoso, também homologou, aos olhos da intelligentsia nacional, o casamento do ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso com Patricia Kundrat.
Pelo menos é o que se depreende na leitura do boletim oficial timbrando, expedido pela Academia Brasileira de Letras sobre o evento, expedido para toda a imprensa, em que está textualmente escrito:
abl 
“Estiveram presentes, também, o ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Patricia Kundrat, a Ministra do Superior Tribunal Federal Carmen Lucia Oliveira e o editor Paulo Rocco”.
 (o negrito é meu)
Pano rápido.
fhc 2 
No carnaval, em foto da coluna de Lu Lacerda, FHC e Patricia, até então ainda apresentada como namorada
No Hildegard Angel
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Fernando Haddad e a militância digital



Em plena efervescência do Movimento Passe Livre, o prefeito Fernando Haddad recebeu o Jornal GGN em seu gabinete, na prefeitura de São Paulo.
Contou sobre os convites para que o MPL viesse negociar, a dificuldade de identificar os líderes do movimento, a surpresa quando viu reprtagem com uma das lídreres - que parecia ser da idade de sua filha.
Mostrou a impossibilidade da tarifa zero, os custos dos transportes nos últimos anos.
Finalmente, discorreu sobre o novo personagem político, o militante virtual. Muitos de seus assessores foram às ruas pelas diretas e com os caras pintadas. No momento, debruçam-se em reuniões para aprender como abrir a porta e trazer a rapaziada para as salas, em vez de ficarem batendo a cabeça nos corredores.
É cuidadoso na análise dos incidentes, para não contaminar as relações com o governo do Estado.

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Haddad deveria ir à próxima manifestação do MPL

O prefeito pode seguir o exemplo de Mário Covas em 2000.
Ele
Ele
“Haddad, cuzão, vai pegar buzão!”, gritou a multidão nos três protestos em São Paulo.
Eu perguntei a um dos rapazes do MPL: “Vocês não vão negociar com o prefeito?”
“Só se ele vier aqui”. E riu, voltando a seus afazeres.
Agora: por que Fernando Haddad não vai a uma manifestação? A ideia não é dialogar?
Ele teria um precedente interessante. Em 2000, o então governador Mário Covas resolveu entrar pela porta da frente no prédio da Secretaria da Educação. Professores estavam acampados ali. Covas discutiu in loco com os grevistas. Levou alguns sopapos, mas sobreviveu. A greve tomou outro curso.
Haddad disse em entrevista para o “Bom Dia São Paulo” que o MPL protocolou um pedido de audiência. “Eu disse que os receberia se não houvesse violência. Mas, na terça, nós tivemos 80 ônibus depredados”, afirma. “A cidade não pode se submeter a um jogo de tudo ou nada pela redução das tarifas. Não vamos iludir a população com a possibilidade de zerar a tarifa como se isso possível do dia para noite, envolvendo 6 bilhões de reais em investimento que precisariam sair de outras áreas da prefeitura”.
O MPL acusou-o de mentir. “A prefeitura nunca procurou formalmente o movimento para discutir a pauta do aumento”, disseram num comunicado oficial. Um encontro, ainda não confirmado, estaria marcado para terça.
A Câmara Municipal, um dos maiores ninhos de picaretas do universo, já deu seus sinais do costumeiro divórcio com a realidade. Na sessão de quarta-feira, petistas e pessedebistas chamavam os membros do MPL de “vândalos”, “criminosos”, “delinquentes” e por aí vai. Arselino Tatto (PT) falou em “agentes infiltrados”. Floriano Pesaro e Andrea Matarazzo, do PSDB, os xingaram de “criminosos” e “delinquentes”. Ninguém que importa ouviu, evidentemente.
Os manifestantes conseguiram galvanizar uma insatisfação. São escutados e ganham apoio da população, apesar das restrições aos confrontos. Eles estão aí e não adianta fingir que não existem ou achar que a polícia vai eliminá-los na porrada.
Haddad deveria dar esse passo corajoso. A próxima manifestação acontece na segunda-feira. Prefeito, dê um pulo no Largo da Batata. Só não esqueça o vinagre, por favor.
Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma: estamos preparando o país para os próximos vinte anos

O ar aparenta um certo cansaço. Mas os olhos brilham e Dilma Rousseff é capaz de discorrer por duas horas sem perder o pique sobre seu tema preferido: o Brasil.
Garante que no segundo semestre o país testemunhará o deslanche das concessões e parcerias público-privadas. Entusiasma-se ao falar da construção naval, da lei dos portos e de como a reserva do campo de Libra impactará o país.
Criaram-se lendas de que Dilma irrita-se com críticas, a ponto de romper com o crítico. Não é o que transpareceu na conversa de duas horas, na quinta-feira no Palácio do Planalto. Mostrou sua visão de país e informou ter alertado alguns ministros mais suscetíveis sobre a importância de se dar atenção às críticas fundamentadas.
Um dos interlocutores de Dilma garante que a imagem da “gerentona” não faz justiça a ela. Segundo ele, poucos presidentes na história tiveram a visão estratégica de futuro de Dilma. “Ela sempre pensa no país daqui a 10, 15 anos”, explica o interlocutor. “Não se inebria com resultados imediatos”.
Tem pressa. Entende que presidentes passam, o país fica. E quer deixar o máximo possível de sementes plantadas. Talvez explique o fato de empurrar conflitos com a barriga, ceder em muitos pontos, não parar sequer para colocar o Ministério em ordem, por não ter tempo a perder para colocar em pé um trabalho que – segundo sua mesma expectativa – só começará a frutificar daqui a dez, quinze anos.
E é o que talvez explique a condescendência imprudente com seu Ministério.
Na hora da operação, esbarra na fragilidade de alguns Ministros e no acomodamento de outros. Aí, é obrigada a perder parte relevante do tempo corrigindo problemas operacionais. O álibi “Dilma truculenta” é invocada por muitos Ministros para justificar sua própria mediocridade e apatia.
A entrevista revela uma presidente com plena clareza sobre os caminhos estratégicos do país. Mas, para consolidar sua obra, falta a freada de arrumação, uma mudança maiúscula no Ministério, uma reestruturação no modo de gerenciar os Ministros – agrupando núcleos de Ministérios em torno de algumas figuras-chave, que possam ser a Dilma da Dilma -, uma reformulação na articulação política. E determinar aos seus Ministros que corram riscos, busquem iniciativas, demitindo os que se dizem com medo de cara feia.
Ao ouvir o nome do jornal GGN, pergunta a relação com o Grupo Gente Nova (GGN), organização de lideranças jovens cristãs, que vicejou em Minas nos anos 60. O berço do GGN foi Belo Horizonte e, através das freirinhas do Sion, Dilma e outros jovens faziam trabalho social em bairros pobres, discutiam política e o Concílio Vaticano 2 de João 23. O GGN transbordou para Poços de Caldas, também através de freirinhas - na caso, as dominicanas.
Dilma recorda desses tempos, compara com o que seu neto encontrará pela frente. E dá o mote para o início da entrevista.
O novo país
GGN – Que país a senhora pretende que nossa geração entregue para a de nossos netos?
Dilma -  Está vindo por aí uma nova geração totalmente diferente, que encontrará um país totalmente diferente do que nossa geração recebeu. Nós vamos transformar o Brasil em um país rico, de classe média. Pessoalmente acho que essa herança ficará não apenas eliminando a pobreza, mas conseguindo uma educação de altíssima qualidade. Só a educação permite um ganho permanente, irreversível. Por isso defendo os royalties para educação.
GGN – Qual a próximo ciclo da economia?
Dilma – A etapa do combate à miséria absoluta está prestes a terminar. Hoje em dia, existe o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o apoio ao microempreendedor, o Luz Para Todos. Essa foi a primeira grande leva de transformações e só tem dez anos. Os frutos ainda nem começaram a aparecer. A segunda grande leva será a busca da competitividade.
GGN – E as frentes da próxima batalha?
Dilma – A principal é a Educação, que serve ao lado social e à competitividade. Há um amplo investimento no Prouni (Programa Universidade para Todos), no FIES (Financiamento Estudantil), na ampliação das escolas técnicas, de universidades e novos campis. E na interiorização da educação. Levar a educação para o interior muda padrão de vida de toda uma região.
Os analistas ainda não se deram conta da extensão do trabalho em educação. Financiamos R$ 1,5 bilhões para o Senai ampliar a formação de mão de obra. A Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) da CNI (Confederação Nacional da Indústria) irá formar 8 milhões de trabalhadores até 2014. O MEC (Ministério da Educação) está entrando com recursos para formação de técnico para nível médio.
A parte relevante é o treinamento de mão de obra com vários escalões, até chegar à Tereza Campello (do Ministério do Desenvolvimento Social). Há várias turmas de filhos do Bolsa Família se formando. Já chegam a um milhão de alunos.
Essa mesma parceria do Senai estamos fazendo com o Senar (da Agricultura) e com o Senac (do Comércio). O Senai e o Senar são os parceiros mais ativos.
O mais interessante é a quantidade de mulheres que saem do Bolsa Família e se tornam operárias especializadas. Na cerimônia de formação dos alunos do BF, a oradora da turma era uma moça que se tornou eletricista.
Os marcos regulatórios
GGN – E a outra frente?
Dilma - A segunda frente são os novos marcos regulatórios. No período Lula houve o marco do setor elétrico. Depois, o pre-sal. Como se sabia onde havia petróleo, com risco menor de prospecção, mudou-se a exploração para o sistema de partilha, para o país beneficiar-se o máximo possível da nova riqueza.
GGN – E a Lei dos Portos?
Dilma – O marco regulatório dos portos é fundamental. No lançamento afirmei que seria a segunda abertura dos portos. A primeira, de Dom João VI, foi para o comércio com as nações amigas. A segunda, agora, é a abertura para o investimento privado. Há a necessidade de um padrão de eficiência compatível com a sofisticação industrial, agrícola e a extração de minérios.
No caso dos portos, ampliar os terminais de uso privado, deixar quem quiser exportar através de container, sem reserva de mercado, e ampliar a capacidade de comunicação do país com o exterior.
Na sequencia, o desafio será priorizar a cabotagem (navegação da costa).
Um de nossos principais atos foi o de desobstruir a infraestrutura. Todo mundo tem o direito de passar. Para não penalizar quem faz a infra, quem quiser passar paga o mesmo que o concessionária cobra de si próprio.
A expansão dos portos abrirá um novo mundo, permitindo a integração com ferrovias, com o transporte aquaviário.
Hoje em dia, temos condições de planejar estrutura ferroviária, porque os portos são importantes, porque rodovias estão sendo duplicadas.  Eisenhower, quando assume governo norte-americano, duplicou todas as estradas. Chefiou as Forças Aliadas na Segunda Guerra. Planejou atravessar a França para chegar e Berlim em determinado prazo. O planejamento fio em cima da experiência antiga com as estradas francesas, estreitas. Quando entrou nas autobans, a chegada em Berlim foi abreviada. Aí ele entendeu a importância das autoestradas. Levou 15 anos para duplicar as estradas norte-americanas. Nós duplicamos os principais eixos.
O salto agrícola
GGN – Resolve-se, com isso, o problema do transporte das safras?
Dilma - Ninguém notou muito, mas lançamos recentemente uma política fundamental, a de armazenagem. Precisamos de 65 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazéns. No último Plano de Safras, foram destinados R$ 136 bilhões para a agricultura comercial e R$ 21 bi para a familiar. Foram colocados R$ 5,5 bilhões, a 3% ao ano de juros e prazos de 15 anos, para a ampliação da rede de armazéns.
Ao mesmo tempo, será recriada uma estrutura de assistência técnica e extensão rural.
A Embrapa é uma instituição voltada para a pesquisa. A nova organização será voltada para a assistência técnica, como agência de difusão de tecnologia. Será enxuta e seu papel consistirá em articular consultorias privadas para atuar em duas áreas prioritárias: agricultura de precisão e produção de hortifrutigranjeiros em áreas protegidas (estufas), além de pesquisas em biotecnologia, nas áreas de DNA, pecuária leiteira.
O campo de Libra
GGN – E a licitação do campo de Libra?
Dilma - Ainda não caiu a ficha geral sobre a próxima licitação do pré-sal, em 22 de outubro. Será licitado apenas um campo, o de Libra. Dentro da política da ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobras foi contratada para furar um poço. Fez a prospecção e constatou, inicialmente, uma capacidade potencial de 5 bilhões de barris equivalente de petróleo. Depois, pegaram os mapas de sísmica em 3D e enviaram para análises em Londres. Os últimos dados apontam para uma capacidade de 8 a 12 bilhões de bpe. É algo em torno de 2/3 do total das reservas brasileiras descobertas em toda sua história.
As análises iniciais indicam um preço bastante competitivo, na faixa de 40 dólares o barril. O gás de xisto dos Estados Unidos, tão falado, não sairá por menos de 80 dólares.
GGN – Recentemente fizemos em Porto Alegre um seminário sobre a indústria naval e houve relatos entusiasmados sobre os avanços no setor.
Dilma – Você não sabe a satisfação que é quando se percebe que um objetivo foi alcançado. Lembro-me que em 2003 o presidente Lula me chamou e disse que o Brasil já tinha sido um dos maiores produtores de navio nos anos 70. E que queria que voltasse a ser. Fui com a Graça Foster, titular de uma das secretarias do Ministério, até um estaleiro abandonado.
Era um areal imenso, a perder de vista, sem nada em cima. As pessoas caçoavam, diziam que seria impossível o Brasil construir navios, que estava muito acima da nossa capacidade. Ora, construir navios é a capacidade de transportar chapas e de soldar. Como, impossível?
Hoje, quando volto aos mesmos lugares, vemos guindastes gigantescos, o estado da arte, equipamentos sofisticados. E com o campo de Libra, vai ser um salto ainda maior. Haverá uma demanda gigantesca por equipamentos, de 14 a 17 plataformas, exigindo acelerar substancialmente a indústria naval.
GGN – Porque concessões e investimentos demoram tanto a deslanchar?
Dilma - O país paga um preço de 20 anos com austeridade fiscal e baixa projeção econômica e de investimento. Ninguém passa imune por isso.
As consequências foram a hipertrofia das estruturas de fiscalização em detrimento da execução. O funcionalismo fiscal tornou-se importante; o de execução perdeu status e incentivo. Esse fenômeno espalhou-se pelo setor privado, com os engenheiros de produção cedendo lugar aos engenheiros voltados para a área financeira e de gestão. Desapareceram as grandes empresas de consultoria de engenharia.
O planejamento de longo prazo retornou ao país em 2007, com o primeiro PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Ninguém mais fazia projetos, nem a União, nem os estados nem a iniciativa privada estavam preparados para enfrentar o desafio.
De lá para cá houve expressiva mudança qualitativa. Hoje em dia União, estados e iniciativa privada estão mais aparelhados, as empresas de projetos são bem melhores, com impacto no ritmo das obras. Houve modificações nos sistemas de contratação, reduzindo o tempo, melhoria na capacidade de planejar.
GGN – Quando as concessões deslancharão?
Dilma - Na segunda metade do ano, haverá um festival de licitações. Serão licitados 7.500 km de rodovias, aeroportos, ferrovias, o poço de Libra, gás em terra, armazéns, linhas de transmissão e geração e o TAV (Trem de Alta Velocidade). Os empresários internacionais já acordaram para isso.
Luis Nassif
No GGN
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Início da Copa é derrota dos fracassomaníacos

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A despeito de uma capa de Veja, que previa que os estádios ficariam prontos apenas em 2038, a Copa das Confederações começa neste sábado com uma grande festa em Brasília; pesquisa Datafolha, feita para o Ministério dos Esportes, revela que 77% dos brasileiros são favoráveis à realização do Mundial de 2014 no Brasil e 67% apostam que o evento será um grande sucesso, deixando como legado positivo as grandes obras de infraestrutura
http://www.asmelhoresrevistas.com.br/wp-content/uploads/2011/05/capa-revista-veja-06.jpg
Para os brasileiros, a Copa do Mundo de 2014 já é um grande sucesso. Uma pesquisa Datafolha, feita para o Ministério dos Esportes, já foi entregue ao ministro Aldo Rebelo, com os seguintes resultados:
1) 77% dos brasileiros defendem a realização do Mundial no Brasil.
2) 67% acreditam que o evento será um grande sucesso, comprovando a capacidade de realização dos brasileiros.
3) 54% creem que o grande legado positivo será a entrega de grandes obras de infraestrutura.
Além disso, 67% dos entrevistados apostam que o Brasil levantará a taça, no Maracanã, em 2014.
Esta pesquisa, que entrevistou nada menos que 10.336 pessoas em 17 capitais, será repetida regularmente para aferir o humor dos brasileiros em relação ao andamento das obras e dos preparativos para o Mundial.
Esta imagem contrasta frontalmente com uma capa recente de Veja, que previu que as arenas ficariam prontas apenas em 2038. Todos os seis estádios da Copa das Confederações foram entregues e aprovados pela Fifa - os demais estão perto da conclusão.
Além disso, aeroportos importantes, como os de Guarulhos e Brasília, passam por melhorias. Galeão e Confins serão concedidos à iniciativa privada ainda neste ano.
O que se vê, na pesquisa Datafolha, é que os brasileiros estão bem mais felizes com a Copa do que seria possível deduzir a partir do relato de jornais e revistas.
No 247
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Rede Globo esqueceu de mostrar

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16 de junho

Hoje, 16 de junho, é o “Bloomsday”, um dia na vida de Leopold Bloom em Dublin, narrado por James Joyce no seu “Ulysses”.
Estive uma vez em Dublin. De certa maneira, conhecer Dublin é trair James Joyce. Stephen Dedalus, o herói autobiográfico de Joyce, precisou trocar a familiaridade de Dublin pelo silêncio e a sabedoria do exílio — “silence, exile and cunning” — para começar a forjar, na usina da sua alma, a consciência ainda por criar da sua raça, como anunciou, com típica grandiloquência irlandesa, no final de “Retrato do artista quando jovem”. Dedalus/Joyce voltou a Dublin na memória e a transformou num lugar mítico, uma das cidades chaves da literatura moderna, em “Ulysses” e “Finnegans wake”.
Mas você não chega à Dublin transfigurada de Joyce, chega em apenas outra capital do McMundo. O Rio Lifey, mesmo com uma simbólica lua cheia em cima, é apenas um rio que divide a cidade, não é o rio recorrente da vida que passa pelo Eden e deságua em si mesmo, ou Anna Livia Plurabelle, a mulher-rio, de “Finnegans wake”. Nem o homem sentado ao seu lado no “pub” é a condição humana incorporada na última versão do Leopold Bloom. Aliás, provavelmente é um turista alemão, nada mais longe da condição humana.
A cidade dá a devida atenção a Joyce. Há uma estátua dele numa rua central, um centro de estudos e um museu com seu nome e um Hotel Bloom (com um previsível “Molly Bar”, em homenagem à lânguida sra. Bloom, cujo “stream of consciousness” em “Ulysses” fez história literária e escândalo e levou o livro a ser proibido em vários países).
Imagino que o dia 16 de junho em que se passa toda a ação de “Ulysses” seja comemorado de algum modo na cidade. Mas é impossível evitar a sensação de que Joyce representa para Dublin o mesmo problema que Freud representa para Viena.
São dois filhos complicados, com ideias e obras não facilmente reduzíveis para folhetos turísticos, e que têm pouco a ver com o espírito do lugar. Em Viena, o desconforto é maior. A Dublin mitificada de Joyce, afinal, não era um lugar lúgubre. Já Freud lembra tudo que a cidade da valsa e da torta de chocolate nem quer saber.
Mas a Dublin que a gente espera é a vista do exílio, o que quer dizer que chega-se lá para desconhecê-la. Depois de passar quatro dias em Dublin e gostar da sua jovialidade e alegre familiaridade, você se sente tentado a pedir desculpas a Joyce. Por confraternizar com o inimigo.
Luís Fernando Veríssimo
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O poder público não consegue entender as manifestações de São Paulo

Muitos representantes políticos não entendem como manifestações como os protestos contra o aumento das passagens em São Paulo não são conduzidos por partidos, sindicatos e associações, mas sim em um processo descentralizado. Há lideranças no movimento, mas elas estão lá para organizar, não necessariamente controlar o que brotou da insatisfação popular tanto à persistência de problemas existentes quanto aos tipos de soluções que vêm sendo dadas pelos próprios representantes políticos a esses problemas. Por conta disso, vi declarações de analistas que, beges e em pânico, afirmavam que não sabiam como dialogar com uma situação dessas.
Ótimo. Que fujam do comodismo estanque e reaprendam a se comunicar. Pois as demandas, agora, são outras.
Antes de mais nada, vale dizer que os políticos tradicionais têm dificuldade em assimilar como movimentos utilizam ferramentas como Twitter e Facebook. Acreditam que são apenas um espaço para marketing pessoal ou, no máximo, um canal para fluir informação ou atingir o eleitor. Há também os que crêem que redes sociais funcionam como entidades em si e não como plataformas de construção política onde vozes dissonantes ganham escala, pois não são mediadas pelos veículos tradicionais de comunicação. Ou seja, onde você encontra o que não é visto em outros lugares, por exemplo.
Essas tecnologias de comunicação não são ferramentas de descrição da realidade, mas sim de construção e reconstrução desta. Quando a pessoa está atuando através de uma dessas redes, não reporta simplesmente. Inventa, articula, muda. Vive. Isso está mudando aos poucos a forma de se fazer política e as formas de participação social. O poder concedido a representantes, tanto em partidos, como em sindicados, associações, entre outros espaços, tende a diminuir e a atuação direta das pessoas com os desígnios da sua polis, consequentemente, aumentar.
Voltando às manifestações em si. Muitos desses analistas bravejam contra o uso da força, representado pelo bloqueio de uma avenida, por exemplo. Mas o uso dessa força que incomoda é um instrumento político legítimo. É claro que devido à sua natureza, se utilizada, deve ser apenas em circunstâncias extremas. Pode contribuir para alcançar um objetivo, mas também gerar impactos negativos sobre a imagem de determinado grupo junto à sociedade. É, contudo, uma alternativa, muitas vezes desesperada, diante da incapacidade do poder público de agir diante do desespero alheio. Ou, pior, quando o Estado é ele próprio agente de desrespeito aos mais fundamentais direitos. Nesse caso, recorrer a quem? Às divindades da mitologia cristã?
O diálogo e as vias legais devem ser a primeira opção e, se possível, a única. Mas nem sempre o outro lado, hegemônico, está disposto a negociar – principalmente se isso significar perda de regalias (note-se que não falei de perda de direitos, mas sim de re-ga-li-as). Muitos diálogos terminam em muros intransponíveis pelas vias legais. E, vale a pena lembrar, muitas das leis que impõe desigualdades foram implantadas pelas classe sociais mais abastadas da sociedade, através da ação de seus representantes políticos em parlamentos.
Desigualdades que, sobrepostas e reafirmadas ao longo do tempo através de instituições como igrejas, família, escolas, setores da mídia, enfim, os instrumentos à mão, transformam exploração em tradição. O explorado esquece a razão da exploração e acaba aceitando-a, mais ou menos na linha do “Deus quis assim” ou “a vida é assim mesmo”. E, antes que eu me esqueça, maldito seja o “homem cordial” brasileiro. Pessoa do deixa-disso do para-com-isso, que não bate-boca, que não debate porque lhe foi ensinado que isso é feio. Com isso, não evolui, nem ajuda a evoluir.
Jovens ingleses desempregados, sem esperança e perspectivas, sob uma longa recessão econômica e uma polícia despreparada para ligar com protestos, iniciaram uma revolta e foram chamados de vândalos lá e aqui. O estopim do protesto, os “20 centavos” deles, pouco importa. Pois não era o estopim a razão da revolta, mas um acumulado de fatores que giravam em torno de sua qualidade de vida. Na verdade, da falta dela. Muita gente no Reino Unido não entendia porque eles faziam aquilo já que, durante tanto tempo, aceitaram coisa pior em silêncio.
Nesse ponto, manifestações públicas que causem impacto urbano, como congestionamentos, devem ser consideradas como legítima defesa e não como violência gratuita. Da mesma forma que uma ocupação em praça pública no Egito, que impeça o país de funcionar normalmente enquanto um ditador não deixar o poder. Ou o bloqueio de rodovias que chegam a La Paz, enquanto os direitos de populações tradicionais não forem respeitados. E até mesmo a resistência contra o salve-se-quem-puder do capitalismo global, atormentando a vida do mercado financeiro em Wall Street, em Saint Paul ou na ruas de Roma.
Muitas vozes se levantam para reclamar da “violência” resultante dessas ações, mas se calam diante de massacres, chacinas e genocídios que ocorrem diariamente. Ou das pequenas violências do dia-a-dia, como ter que espremido feito bagaço de laranja em um busão após um dia cheio de trabalho ou ir acomodado, feito sardinha em óleo, voltando para casa de metrô. Só quem nunca pegou transporte público pode pedir calma à população mediante a passagens caras e serviço ruim.
“Ah, mas esses jovens que resolveram, de uma hora para outra, questionar como a vida foi organizada antes deles nascerem são muito novos para entender.” Não, não são não. Já perceberam o que significa ordem, hierarquia e tradição e não gostaram. Até porque são valores de uma civilização representada por fuzis, colheitadeiras, motosserras, terno e paletó que, mais cedo ou mais tarde, vai ter que mudar. Isso não é o mundo, nem a política, que muitos deles querem.
O paradigma do sistema político representativo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Aos mais jovens, sobretudo. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle. O Estado continua servindo aos interesses de alguns privilegiados.
A incapacidade do sistema político de gerar respostas satisfatórias levou também ao fortalecimento da luta em outras frentes, além daquela representada pelo capital-trabalho. A vanguarda dos progressistas foi ocupada por grupos que discutem as liberdades individuais e a qualidade de vida nas grandes cidades – da mobilidade urbana, passando pelas demandas de direitos sexuais e reprodutivos ao poder de dispor do próprio corpo.
Os mais velhos vêm isso como uma pauta que não altera em nada a estrutura social. Bem, como já disse aqui, o problema entre a velha e a nova “esquerda” (na falta de uma outra palavra de contestação ao status quo usei essa, mas podem também chamar de “jujuba” ou “picanha” se não gostarem de “esquerda”) está no contexto histórico em que seus atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com padrões paleozóicos de interpretação da realidade.
A meu ver a solução desse embate se dará com os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos, formados em uma matriz diferente.
Protestos contra o aumento de passagens do transporte público; sobre estações de metrô que têm sua localização alterada em benefícios de um grupo social privilegiado; ocupações de reitorias por estudantes, de prédios abandonados por sem-teto; manifestações pelo direito ao aborto, pelo uso de substâncias consideradas como ilícitas e outras liberdades. Todas têm um objetivo muito maior do que obter concessões de curto prazo. Elas não servem apenas para garantir transporte público, tapar as goteiras das salas de aula, destinar um prédio aos sem-teto ou ainda conquistar direitos individuais. Os problemas enfrentados pelos movimentos urbanos envolvidos nesses atos políticos não são pontuais, mas sim decorrência de um modelo de desenvolvimento que enquanto explora o trabalho, concentra a renda e favorece classes de abastados, deprecia a coisa pública (quando ela não se encaixa em seus interesses) ou a privatiza (quando ela se encaixa).
Como muitos dizem, a luta não é por “20 centavos”. É por dignidade.
As ações são, sim, uma disputa de poder feita simultaneamente em âmbito local e global que, no horizonte histórico, poderá resultar na manutenção da pilhagem econômica, social e cultural da grande maioria da sociedade ou levar à implantação de um novo modelo – mais humano, livre e democrático.
A história mostra que apesar da esquerda ter capacidade de influenciar a realidade no país, ela não foi capaz de transformá-la. E a menos que novas respostas se imponham para romper com a estrutura atual, continuaremos vendo fracassos se repetirem. A reconquista do espaço público traz uma lufada de esperança para a busca de respostas. Você, que reclama dessa molecada, deveria levantar e aplaudir de pé. Pois talvez essa nova geração, auxiliada pela tecnologia, faça a diferença na forma que os que vieram antes ainda não conseguiram fazer.
No Blog do Sakamoto
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Prender alguém por portar vinagre não é só ilegal. É ridículo

A tentativa absurda do estado de criminalizar os movimentos sociais.
pm
A detenção de manifestantes que portavam vinagre e a prisão em flagrante de outros por crime de quadrilha são atos ilegais e uma clara tentativa de criminalizar os movimentos sociais.
É difícil um autoritário praticar um ato de opressão e não resvalar no ridículo. Na ditadura militar, por exemplo, a par da violência, agentes da repressão, não raro, expunham-se ao ridículo com sua ação estúpida. Basta lembrar a proibição pela censura da música “Torturas de amor”, de Waldick Soriano. Talvez esse seja o ponto em comum dos reacionários: eles perdem o senso do ridículo.
Sexta-feira, a nota ridícula foi a detenção de manifestantes que portavam vinagre. Fosse apenas uma ação ridícula, e estaríamos todos a nos deliciar com as piadas e quadrinhos nas redes sociais. O problema é que o ridículo não exclui a ilegalidade e o abuso de poder.
É uma coisa elementar, diria até primária, que a Constituição consagra como direito fundamental a regra de que a pessoa só pode ser impedida de fazer algo se houver proibição em lei. Esse direito é essencial em toda democracia e só desagrada pessoas de espírito autoritário.
Convenhamos, é um direito de uma simplicidade desconcertante. Há alguma lei que me proíba de portar vinagre? Portar vinagre se encaixa em alguma proibição genérica? Claro que não. É abuso de autoridade.
Acrescente-se a isso o absurdo jurídico que é a prisão por crime de quadrilha de manifestantes que foram flagrados em algum ato de vandalismo ou violência contra policiais. Não há dúvida que a finalidade de protestar não justifica ações criminosas, como dano ou lesão corporal. É uma visão maniqueísta supor que qualquer ato praticado com o fim de protesto é legal. Isso não significa, porém, que se pode usar todo o poderio do Estado para incriminar alguém além de sua responsabilidade.
Se um manifestante quebra uma vitrine, há dano; se atira pedra em um policial e o fere, há lesão corporal. Ocorre que tais crimes, fora das hipóteses qualificadas, não permitem a prisão em flagrante, por serem crimes que se enquadram na lei dos juizados especiais criminais. Ah, mas nesse caso não se satisfaz a sanha opressiva das autoridades, e por isso se inventa o crime de quadrilha. Reuniões efêmeras e ocasionais como essas, ainda que se tenha a prática de crimes de dano ou de lesão corporal, não configuram quadrilha.
Os atos de abuso não param aí. Houve caso de fixação de R$ 20 mil para a fiança, o que é evidentemente um valor extorsivo, e a violência policial foi a tônica dos confrontos de sexta-feira. Todo esse quadro deixa claro que os agentes do estado não fazem outra coisa, senão manipular a lei penal, para que seus interesses políticos prevaleçam.
O que se tem visto é um esforço monumental dos agentes do estado para criminalizar os movimentos sociais, o que não é democrático e nem legal. É apenas patético.
José Nabuco Filho
No DCM
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Elitizaram os estádios e Dilma é vaiada por público que não é de futebol nem vota no PT

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Brasil x Paraguai em 1969, o povo vendo sua Seleção, 183 mil pagantes
Elitizaram os estádios e Dilma é vaiada por público que não é de futebol nem vota no PT
Brasil x Japão, lugares vazios e o povo afastado da Seleção
Ao se submeter às pressões da FIFA e elitizar os novos estádios ─ agora batizados de Arenas, o que não deixa de ser justo, afinal, por ironia do destino, ou do desatino, no caso, ARENA era o partido de apoio à ditadura militar, que tinha como base social as nossas agora denominadas elites, pois não é de bom tom o uso do tradicional mas mais agressivo e marxista "classe dominante" ─, o governo está colhendo o que plantou, resultado: a presidente Dilma foi vaiada pelo público presente ao jogo de abertura da Copa das Confederações entre as seleções da Rede Globo, ex-Seleção Brasileira, e a do Japão. Querem saber: Bem feito! Quem se mistura com porcos, farelo come.
Para resumir: não vi, grosso modo, um negro ou "pobre" no Estádio Nacional Mané Garrincha, todos brancos, "bem-nascidos" e mal-educados, como é característico de nossa... "elite". E ainda batizaram o estádio, homenagem mais que justa, diga-se de passagem, exatamente com o nome do jogador mais amado por nosso povo: Mané Garrincha, A Alegria do Povo ─ povo que hoje não pode mais frequentar o estádio que leva seu nome. Triste.
O jogo? Bem, a Seleção da Globo venceu os japoneses por 3 x 0. Sei quem fez os gols mas não digo, aqui neste democrático espaço só o glorioso Botafogo Internacional faz gols. Vão ver quem os fez lá no site da dona da Seleção. Saco!
No Interrogações, com pequena adaptação deste blog
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