14 de jun de 2013

Cientistas calculam probabilidade de uma quarta guerra mundial

Cientistas calculam probabilidade de uma quarta guerra mundial 
O intervalo de tempo que foi concedido à humanidade entre a terceira e a quarta guerra mundial está perto do fim, foi a conclusão a que chegaram os cientistas da Academia das Ciências Militares russa com base na teoria dos ciclos de Kondratiev.
De acordo com essa teoria (também chamada de teoria das "ondas longas"), desenvolvida pelo economista soviético Nikolai Kondratiev, a próxima guerra mundial poderá ter início na próxima década, na opinião de Serguei Malkov, membro da Academia das Ciências Militares e Professor da Universidade de Moscou. A pedido da nossa estação de rádio, o professor expôs a sua visão das perspetivas previsíveis que a humanidade irá enfrentar.
De forma extremamente resumida, os ciclos de Kondratiev são períodos de desenvolvimento econômico da civilização moderna com uma duração de quarenta a sessenta anos.
Nikolai Kondratiev delineou um total de seis ciclos que abarcam um período histórico entre os anos de 1803 e 2060. O quarto ciclo decorreu aproximadamente entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a primeira metade dos anos oitenta. Neste momento nós estamos a viver o quinto ciclo que, segundo as previsões de Kondratiev, deverá terminar em 2018. Os adeptos dessa teoria ligam cada ciclo econômico diretamente ao seu nível ou padrão tecnológico. O período atual é caracterizado pelo desenvolvimento das IT, das telecomunicações e da robótica. O ciclo seguinte, o sexto, deverá ficar assinalado por um grande avanço das nano e biotecnologias e das tecnologias da informação e do conhecimento.
Cada ciclo, no entanto, além dos avanços tecnológicos, é acompanhado por crises e guerras. O fim do ciclo atual e a transição para o padrão tecnológico seguinte será acompanhado pelo menos por uma fortíssima instabilidade política, ou mesmo por uma guerra mundial, na opinião do Professor da Universidade de Moscou Serguei Malkov:
"Nós encontramo-nos agora na fase de crise, esta evoluiu para uma depressão e estamos à procura de possíveis saídas desse estado de depressão. Nomeadamente graças às novas tecnologias de ponta que serão os controladores do crescimento. São as chamadas tecnologias NBIC: nano e biotecnologias, tecnologias da informação e ciências cognitivas. Mas este período é muito perigoso porque ainda não se vislumbra uma saída, enquanto já se acumularam as contradições. Nessa altura, normalmente, acontecem as guerras mundiais. Tanto as comerciais, financeiras, econômicas e políticas, como as guerras propriamente ditas. Acontece uma espécie de reordenamento do mundo".
Realmente, se considerarmos a teoria dos ciclos como um modelo a seguir, podemos verificar que, durante os dois últimos séculos, os acontecimentos mais sangrentos da história mundial ocorreram no final de cada uma das chamadas ondas de Kondratiev. A crise já passou e agora estamos a aproximar-nos do ponto fatal. Segundo as previsões dos partidários da teoria de Kondratiev, o momento crítico irá ocorrer nos anos 2016-2017.
É obviamente difícil prever neste momento se irá rebentar uma guerra mundial em grande escala no sentido tradicional. Mas o professor Malkov não tem dúvidas que irão começar as guerras informativa, psicológica, econômica e comercial:
"A anterior, a Terceira Guerra Mundial ocorreu precisamente na fronteira entre o quarto e o quinto ciclos de Kondratiev. Ela teve lugar sem um uso generalizado das armas, mas os resultados estão à vista: o mapa geopolítico mundial foi redesenhado, a URSS, pretendente ao domínio mundial, e os seus aliados, sofreram uma derrota avassaladora e deixaram de existir na sua forma anterior. Na situação atual, o papel de União Soviética pertence ao novo candidato á supremacia mundial que é a China".
No novo ciclo da espiral do desenvolvimento da humanidade, os acontecimentos principais irão se desenvolver à volta da interação entre a China e os EUA. De resto, o conflito em gestação na Península Coreana está perfeitamente de acordo com o modelo de reordenamento do mundo, é a opinião de Serguei Malkov. Neste caso, estas são consequências da política dos EUA que provocam o surgimento de zonas de conflito dentro das fronteiras das zonas dos interesses norte-americanos. Na Região da Ásia-Pacífico, estão presentes, lado a lado, todos os concorrentes "tecnológicos" dos EUA: a Rússia, a China, o Japão e até a Coreia do Sul.
Na opinião de Malkov, neste momento os EUA estão a perder as suas posições por todo o mundo. A instabilidade econômica mundial valoriza o dólar norte-americano e a instabilidade política aumenta a necessidade de os Estados Unidos atuarem como um árbitro internacional. Como os EUA já não conseguem sustentar as suas pretensões à liderança mundial com base no seu poderio econômico, eles irão começar a usar para isso as suas ferramentas políticas, financeiras e mesmo tecnológicas. Os norte-americanos estão simplesmente obrigados a provocar a instabilidade no mundo.
É completamente evidente que, no contexto atual, se trata realmente de uma utopia. Já a realidade é tal que, independentemente da teoria dos ciclos, o reordenamento mundial não é um cenário irrealista.
Nikita Sorokin
No Rádio Voz da Rússia
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Comissão da Verdade para os crimes da PM paulista em 2006

http://www.96fmarapiraca.com.br/public/modules/news/18384/1371186128409004307-13jun2013---manifestantes-e-policiais-entram-em-confronto-nas-ruas-do-centro-de-sao-paulo-durante-protesto-contra-o-aumento-da-tarifa-do-transporte-coletivo-1371171394018_956x500.jpg
Ontem, policiais da Rota saíram a campo armados de balas de borracha e passaram a atirar aleatoriamente em qualquer ser vivo. Esse é o relato dos jornais sobre os abusos da PM.
Não deram sorte. As balas atingiram jornalistas, transeuntes, pessoas que estavam dentro dos ônibus. Foi um exercício sádico no alvo errado. Por isso, é possível que haja punições.
No dia 15 de maio de 2006, comandados por um Secretário da Segurança alucinado, Saulo de Castro, esses mesmos PMs, em São Paulo e na baixada santista, em carros da Rota ou encapuçados em motos, saíram matando jovens nas periferias. Mataram estudantes, transeuntes, pessoas que bebiam em bares. Mas acertaram o alvo: eram quase todos inocentes; mas eram todos anônimos de periferia.
Foram mais de 500 mortes. Mais de 500 mortes!
Foi uma ação planejada, na qual até os rádios das viaturas foram desligados, para não haver testemunhas. Para pegar a todos de surpresa, no dia anterior a Secretaria de Segurança avisou os cidadãos que poderiam ir tranquilamente a seus trabalhos, escolas. Dentre os assassinados, jovens sem antecedentes criminais, que foram para as aulas, por acreditar nos avisos da Secretaria, e terminaram executados na porta da escola.
O morticínio só interrompeu quando a sociedade civil, médicos do Conselho Regional de Medicina, procuradores, advogados, montaram plantão no Instituto Médico Legal. Não havia nenhumn jornalista testemunhando para não atrapalhar as eleições de 2006.
Procuradores com experiência em chacinas tiveram o cuidado de pedir para que se preservassem os atestados de óbitos. E o que se viu foram corpos crivados de balas, pelas costas, na nuca, em claro sinal de execução.
Quando foi feito o levantamento final, 80% dos mortos não tinham antecedentes policiais. Liberados por chefes tão assassinos quanto eles, os celerados comportaram-se como ontem, atirando a esmo, em que cruzasse com eles. E a sociedade paulista acovardou-se, miseravelmente acovardou-se. Os jornais esconderam o assassinato. O Ministério Público estadual não levou os inquéritos adiante. Nas ações cíveis, pouquíssimos juízes tiveram coragem de emitir sentenças condenatórias.
ONGs de direitos humanos pediram a federalização dos crimes e o Procurador Geral da República Roberto Gurgel acovardou-se e engavetou o pedido.
Não eram jovens de classe média, como ontem. Entre as vítimas, não havia jornalistas de grandes jornais. Os assassinatos não foram cometidos no centro da cidade, mas em bairros distantes. Foi um assassinato contra a população anônima.
Essa operação plantou no seio da antigamente valorosa PM o ovo da serpente, da criminalização, da perda de controle.
Enquanto não se tiver uma Comissão da Verdade para os crimes de maio de 2006, a sociedade paulistana continuará doente.
Que as balas de borracha de ontem sirvam para levantar os crimes cometidos em 2006 com balas de verdade.
Luis Nassif
No Advivo
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Prender manifestantes por formação de quadrilha é AI-5 contra a luta social

(Foto:Pedro Chavedar)
Os momentos históricos são diferentes, mas o que está acontecendo em São Paulo precisa ser discutido do tamanho que merece. Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país. E que ganhou hoje o apoio, em editorial, da Folha e do Estado de S. Paulo.
Na última terça-feira foram 20 presos. Hoje, fala-se em mais de 60. Muitos deles jovens que carregavam apenas vinagre para se defender do já previsto ataque de bombas da Polícia Militar. Entre esses que carregavam vinagre, um fotógrafo da Carta Capital.
O jornalista da Carta Capital já foi solto, mas a grande maioria dos jovens ainda está amargando o gosto da cela. Quem não está sendo acusado de formação de quadrilha, pode obter a liberdade pagando 20 mil reais.
Ou seja, a partir de agora quem for para a rua lutar é bandido de alta periculosidade. E o pior disso tudo é que tem gente que se diz de esquerda que está aplaudindo essa ação nefasta.
Cansei de ver os metalúrgicos do ABC parando a Anchieta para reivindicar aumentos. Cansei de ver os bancários de São Paulo fechando as ruas do centro de São Paulo em suas campanhas salariais. Participei de greves gerais convocadas pela CUT e que interrompiam avenidas de todo o país. E muitas vezes vi gente com pedaço de pau e o que tivesse na frente indo para cima de policiais e da cavalaria. E também vi muitos sindicalistas com o rosto jorrando sangue.
A polícia brasileira sempre foi violenta com os movimentos sociais. E é essa violência que estamos assistindo contra os manifestantes no centro de São Paulo que está engordando o caldo das manifestações do Passe Livre. Essa violência que o jovem da periferia vive no seu cotidiano é também a gasolina dos protestos. Não é só os vinte centavos.
Muito mais gente vai para a rua da próxima vez. E Alckmin está dando risada. Porque isso vai fazer bem para a sua popularidade. Afinal, em São Paulo há um eleitorado que quer o xerife na rua. Quer ver sangue. E quer ver quem luta, quem protesta, quem para avenidas, na cadeia. Que sonha em ver a extinção “dessa raça”.
A questão é que se os movimentos sociais que não estão diretamente envolvidos nos protestos atuais aceitarem essa criminalização absurda do Movimento Passe Livre, estarão assinando o seu atestado de óbito. Quando quiserem lutar serão tratados da mesma forma.
A não ser que já tenham abdicado da luta como um instrumento de construção de uma sociedade mais justa. E aí também já terão assinado seu atestado de óbito. Movimento que não luta numa sociedade tão desigual como a nossa não é movimento.
Para o movimento social agora não é hora de se discutir os exageros. É hora de defender os direitos. O que está em curso é muito mais perigoso do que pode parecer à primeira vista. A continuar assim, em breve, líderes sociais estarão sendo presos acusados de terrorismo.
Renato Rovai
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Dilma: "Não deem ouvidos ao 'quanto pior, melhor'"

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Dentro da maior favela do Brasil, a Rocinha, presidente fala em "terrorismo informativo" como ação inaceitável; "Críticas todos têm de aceitar, mas terrorismo não"; com endereço certo à mídia tradicional, Dilma Rousseff atacou "estardalhaço"; "Aqueles que acham que vamos cair no conto do vigário podem esperar sentados"; ela citou a alta taxa de emprego para justificar política econômica; "Vocês se lembram como era antes?", perguntou; presidente anunciou R$ 2,66 bilhões em investimentos para Rocinha, Lins e Jacarezinho
Os críticos da situação econômica do País voltaram a ser alvo da presidente Dilma Rousseff, que nesta sexta-feira 14 anunciou R$ 2,66 bilhões em investimentos nas comunidades da Rocinha e nos complexos do Lins e do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. A presidente defendeu que o Brasil é hoje "um dos países mais sólidos do mundo" e, mesmo em meio à crise internacional, tem a menor taxa de desemprego.
"Vocês lembram como era antes? Tínhamos uma taxa alta, enquanto Europa e Estados Unidos tinham uma baixa", disse a presidente. "E eles vêm dizer que o Brasil é um país em situação difícil. Interessa a eles criar essa ideia", criticou. Segundo Dilma, não são muitas as "pessoas que não acreditam em nada e torcem pra dar errado", mas foram elas que disseram que o governo não conseguiria "fazer nada aqui na Rocinha".
Em resposta a uma série de críticas sobre sua gestão econômica, Dilma Rousseff afirmou que temos "uma das melhores relações entre dívida líquida e PIB" e que "somos muito preocupados em não gastar mais do que temos, somos sérios em relação à política fiscal". Quanto à inflação, mais uma vez garantiu, como em discurso feito na última quarta-feira, em Brasília: "Nós jamais deixaremos que a inflação volte a esse País. Hoje ela está sob controle, ontem estava sob controle, e continuará sob controle".
Em seguida, a presidente fez um apelo à população. "Por isso peço a vocês que não deem ouvidos a esses que jogam no 'quanto pior, melhor'. Críticas todos têm que aceitar, mas terrorismo não. Fazer estardalhaço, terrorismo informativo sobre a situação do Brasil, não". Segundo ela, os críticos são os mesmos que anunciaram que haveria falta de energia no País, no início do ano. Dilma disse ainda que "vamos continuar fazendo com que o Brasil cresça de forma sustentável", e que "aqueles que acham que cairemos no conto do vigário, podem esperar sentados".
A presidente afirmou que o governo não irá diminuir os investimentos que beneficiam o povo brasileiro, e que há recursos suficientes para manter investimentos e gastos sociais. "O bolo no tamanho do Brasil só cresce se ele for também distribuído", concluiu. No Rio de Janeiro, a presidente anunciou R$ 2,66 bilhões para intervenções nas comunidades da Rocinha e nos complexos do Lins e do Jacarezinho.
Cabral
Durante seu discurso, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), reforçou seu apoio à presidente Dilma, depois de especulações sobre a hipótese de ele romper com o governo. "Tentam nos dividir, mas não vão conseguir nos dividir, presidenta", gritou o peemedebista. "Esse amor é um amor para uma parceria e para o bem do povo do Rio", finalizou, sob os gritos de "um, dois, três, Dilma outra vez".

Pessimistas, jornais criticam discurso do Velho do Restelo

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Estadão, Folha, Globo e Zero Hora não se consideram comparáveis ao personagem de Luís de Camões, que dizia que nada poderia dar certo nas navegações de Portugal; em vários editoriais, eles afirmam haver razões para o pessimismo
No 247
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Procurador Geral que livrou Dantas do mensalão ganhou contrato da Brasil Telecom

Em sua sabatina no Senado, o jurista Luiz Roberto Barroso  considerou o julgamento do chamado mensalão “ponto fora da curva”.  Barroso é considerado o maior constitucionalista brasileira, unanimidade, saudado tanto pela direita quanto pela esquerda. Sua opinião foi corroborada pelo Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos julgadores mais implacáveis.
Externou o que todo o meio jurídico comenta à boca pequena desde aquela época: foi um julgamento de exceção. E não apenas pelo rigor inédito (para crimes de colarinho branco) das condenações, mas pela excepcional seletividade na escolha das provas, sonegando informações essenciais para a apuração completa do episódio.
Houve o pagamento de despesas de campanha dos novos aliados do PT. Utilizaram-se recursos de caixa dois para tal. Havia o intermediário das transações – o publicitário Marcos Valério e a agência DNA. Na outra ponta, os beneficiários. E, no comço do  circuito, os financiadores.
Se poderia ter se obtido a condenação fazendo o certo, qual a razão para tantas irregularidades processuais anotadas? Não se tratou apenas dos atropelos à presunção da inocência e outros princípios clássicos do ordenamento jurídico brasileiro. Há também a suspeita de ocultação deliberada de provas.
1. Ignorou-se laudo comprovando a aplicação dos recursos da Visanet.
2. Esconderam-se evidências de que o contrato da DNA com a Visanet era anterior a 2003.
3. Desmembrou-se o processo para que outros diretores do Banco do Brasil - que compartilharam decisões com o diretor de marketing Antonio Pizolato e assumiram responsabilidades maiores - não entrassem na AP 470.
4. Ignoraram-se evidências nítidas de que a parte mais substancial dos fundos do DNA foi garantida pelas empresas de telefonia de Daniel Dantas.

O contrato de Antonio Fernando

Aparentemente, desde o começo, a prioridade dos Procuradores Gerais da República Antônio Fernando (que iniciou as investigações), de Roberto Gurgel (que deu prosseguimento) e do Ministro do STF Joaquim Barbosa (que relatou a ação) parece ter sido a de apagar os rastros do principal financiador do mensalão: o banqueiro Daniel Dantas. Inexplicavelmente, ele foi excluído do processo e seu caso remetido para um tribunal de primeira instância.
Excluindo Dantas, não haveria como justificar o fluxo de pagamentos aos mensaleiros. Todos os absurdos posteriores decorrem dessa falha inicial, de tapar o buraco do financiamento, depois que Dantas foi excluído do inquérito.
Responsável pelas investigações, o procurador geral Antônio Fernando de Souza tomou duas decisões que beneficiaram diretamente  Dantas. A primeira, a de ignorar um enorme conjunto de evidências e  excluir Dantas do inquérito - posição mantida por seu sucessor, Roberto Gurgel e pelo relator Ministro Joaquim Barbosa. A segunda, a de incluir no inquérito o principal adversário de Dantas no governo: Luiz Gushiken. Aliás, com o concurso de Antonio Pizolatto - que acabou tornando-se vítima, depois de diversas decisões atrabiliárias dos PGRs.
Foi tal a falta de provas para incriminar Gushiken, que o PGR seguinte, Roberto Gurgel, acabou excluindo-o do inquérito.
Pouco depois de se aposentar, Antônio Fernando tornou-se sócio de um escritório de advocacia de Brasília - Antônio Fernando de Souza e Garcia de Souza Advogados -, que tem como principal contrato a administração da carteira de processos da Brasil Telecom, hoje Oi, um dos braços de Dantas no financiamento do mensalão. O contrato é o sonho de todo escritório de advocacia: recebimento de soma mensal vultosa para acompanhar os milhares de processos de acionistas e consumidores contra a companhia, que correm nos tribunais estaduais e federais.

Os sinais de Dantas

Qualquer jornalista que acompanhou os episódios, na época, sabia que a grande fonte de financiamento do chamado “valerioduto” eram as empresas de telefonia controladas por Dantas, a Brasil Telecom e a Telemig Celular. Reportagens da época comprovavam – com riqueza de detalhes – que a ida de Marcos Valério a Portugal, para negociar a Telemig com a Portugal Telecom, foi a mando de Dantas.
Dantas possuía parcela ínfima do capital das empresas Telemig, Amazônia Celular e Brasil Telecom. O valor de suas ações residia em um acordo “guarda-chuva”, firmado com fundos de pensão no governo FHC, que lhe assegurava o controle das companhias. Tentou manter o acordo fechando aliança com setores do PT – que foram cooptados, sim. Quando o acordo começou a ser derrubado na Justiça, ele se apressou em tentar vender o controle da Telemig, antes que sua participação virasse pó.
No livro “A Outra Historia do Mensalão”, Paulo Moreira Leite conta que a Polícia Federal apurou um conjunto de operações entre a Brasil Telecom e a DNA. A executiva Carla Cicco, presidente da BT, encomendou à DNA uma pesquisa de opinião no valor de R$ 3,7 milhões. Houve outro contrato, de R$ 50 milhões, a ser pago em três vezes. Era dinheiro direto no caixa da DNA - e nao apenas uma comissão de agenciamento convencional, como foi no caso da Visanet.. Pagaram-se as duas primeiras. A terceira não foi paga devido às denúncias de Roberto Jefferson que deflagraram o mensalão.
Apesar de constar em inquérito da Polícia Federal – fato confirmado por policiais a Paulo Moreira Leite – jamais esse contrato de R$ 50 milhões fez parte da peça de acusação. Foi ignorado por Antônio Fernando, por seu sucessor Roberto Gurgel e pelo relator Ministro Joaquim Barbosa. Ignorando-o, livrou Dantas do inquérito. Livrando-o, permitiu-lhe negociar sua saída da Brasil Telecom, ao preço de alguns bilhões de reais.

As gambiarras no inquérito

Sem Dantas, como justificar os recursos que financiaram o mensalão? Apelou-se para essa nonsense de considerar que a totalidade da verba publicitária da Visanet (R$ 75 milhões) foi desviada. Havia comprovação de pagamento de mídia, especialmente a grandes veículos de comunicação, de eventos, mas tudo foi deixado de lado pelos PGRs e pelo relator Barbosa.
Em todos os sentidos, Gurgel foi um continuador da obra de Antonio Fernando. Pertencem ao mesmo grupo político - os "tuiuius" - que passou a controla o Ministério Público Federal. Ambos mantiveram sob estrito controle todos os inquéritos envolvendo autoridades com foro privilegiado. Nas duas gestões, compartilhavam as decisões com uma única subprocuradora  - Cláudia Sampaio Marques, esposa de Gurgel. Dentre as acusações de engavetamento de inquéritos, há pelos menos dois episódios controvertidos, que jamais mereceram a atenção nem do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nem da Associação Nacional dos Procuradores da República  (ANPR) - esta, também, dominada pelos "tuiuius": os casos do ex-senador Demóstenes Torres e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.
Tanto na parte conduzida por Antonio Fernando, quanto na de Gurgel, todas as decisões pareceram ter como objetivo esconder o banqueiro.
É o caso da  “delação premiada” oferecida a Marcos Valério. O ponto central – proposto na negociação – seria imputar a Lula a iniciativa das negociações com a Portugal Telecom. Sendo bem sucedido, livraria Dantas das suspeitas de ter sido o verdadeiro articulador das negociações. A "delação premiada" não  foi adiante porque, mesmo com toda sua discricionariedade, Gurgel não tinha condições de oferecer o que Valério queria: redução das penas em todas as condenações.
Quando iniciaram-se as investigações que culminaram na ação, Antônio Fernando foi criticado por colegas por não ter proposto a delação premiada a Marcos Valério. Acusaram-no de pretender blindar Lula. A explicação dada na época é que não se iria avançar a ponto de derrubar o presidente da República, pelas inevitáveis manifestações populares que a decisão acarretaria. Pode ser. Mas, na verdade, na época, sua decisão  blindou Daniel Dantas, a quem Valério servia. Agora, na proposta de "delação" aceita por Gurgel não entrava Dantas - a salvo dos processos - mas apenas Lula.
O inquérito dá margem a muitas inteerpretaçòes, decisões, linhas de investigação. Mas como explicar que TODAS as decisões, todas as análises de provas tenham sido a favor do banqueiro?

Os motivos ainda não explicados

Com o tempo aparecerão os motivos efetivos que levaram o Procurador Geral Roberto Gurgel e o relator Joaquim Barbosa a endossar a posição de Antonio Fernando e se tornarem também avalistas  desse jogo.
Pode ter sido motivação política. Quando explodiu a Operação Satiagraha – que acusou Daniel Dantas de corrupção -, Fernando Henrique Cardoso comentou que tratava-se de uma “disputa pelo controle do Estado”.
De fato, Dantas não é apenas o banqueiro ambicioso, mas representa uma longa teia de interesses que passava pelo PT, sim, mas cujas ligações mais fortes são com o PSDB de Fernando Henrique e principalmente de José Serra.
Uma disputa pelo poder não poderia expor Dantas, porque aí se revelaria a extensão de seus métodos e deixaria claro que práticas como as do mensalão fazem parte dos (péssimos) usos e costumes da política brasileira. E, se comprometesse também o principal partido da oposição, como vencer a guerra pelo controle do Estado? Ou como justificar um julgamento de exceção.
Vem daí a impressionante blindagem proposta pela mídia e pela Justiça. É, também, o que pode explicar a postura de alguns Ministros do STF, endossando amplamente a mudança de conduta do órgão no julgamento. Outros se deixaram conduzir pelo espírito de manada. Nenhum deles engrandece o Supremo.
Poderia haver outros motivos? Talvez. Climas de guerra santa, como o que cercaram o episódio, abrem espaço para toda sorte de aventureirismo, porque geram a solidariedade na guerra, garantindo a blindagem dos principais personagens. No caso de temas complexos - como os jurídicos - o formalismo e a complexidade dos temas facilitam o uso da discricionariedade. Qualquer suspeita a respeito do comportamento dos agentes pode ser debitada a uma suposta campanha difamatória dos “inimigos”. E com a mídia majoritariamente a favor, reduz a possibilidade de denúncias ou escândalos sobre as posições pró-Dantas.
É o que explica os contratos de Antonio Fernando com a Brasil Telecom jamais terem recebido a devida cobertura da mídia. Não foi denunciado pelo PT, para não expor ainda mais suas ligações com o banqueiro. Foi poupado pela mídia - que se alinhou pesadamente a Dantas. E foi blindado amplamente pela ala Serra dentro do PSDB.
Com a anulação completa dos freios e contrapesos, Antonio Fernando viu-se à vontade para negociar com a Brasil Telecom.
De seu lado, todas as últimas atitudes de Gurgel de alguma forma  vão ao encontro dos interesses do banqueiro. Foi assim na tentativa de convencer Valério a envolver Lula nos negócios com a Portugal Telecom. E também na decisão recente de solicitar a quebra de sigilo do delegado Protógenes Queiroz – que conduziu a Satiagraha – e do empresário Luiz Roberto Demarco – bancado pela Telecom Itália para combater Dantas, mudando completamente em relação à sua posição anterior.
A quebra do sigilo será relevante para colocar os pingos nos iis, comprovar se houve de fato a compra de jornalistas e de policiais e, caso tenha ocorrido, revelar os nomes ou interromper de vez esse jogo de ameaças. Mas é evidente que o o resultado  maior foi  fortalecer as teses de Dantas junto ao STF, de que a Satiagraha não passou de um instrumento dos adversários comerciais. Foi um advogado de Dantas - o ex-Procurador Geral Aristisdes Junqueira - quem convenceu Gurgel a mudar de posição.
Com seu gesto, Gurgel coloca sob suspeitas os próprios procuradores que atuaram não apenas na Satiagraha como na Operação Chacal, que apurava envolvimento de Dantas com grampos ilegais.
Em seu parecer pela quebra do sigilo, Gurgel mencionou insistentemente um inquérito italiano que teria apurado irregularidades da Telecom Itália no Brasil. Na época da Satiagraha, dois procuradores da República – Anamara Osório (que tocava a ação da Operação Chacal  na qual Dantas era acusado de espionagem) e Rodrigo De Grandis – diziam claramente que a tentativa de inserir o relatório italiano nos processos visava sua anulação.. Referiam-se expressamente à tentativa do colunista de Veja, Diogo Mainardi, de levar o inquérito ao juiz do processo. Anamara acusou a defesa de Dantas de tentar ilegalmente incluir o CD do relatório no processo.
Dizia a nota do MPF de São Paulo:
"Para as procuradoras brasileiras, a denúncia na Itália é normal e só confirma o que já havia sido dito nos autos inúmeras vezes pelo MPF que, a despeito dos crimes cometidos no Brasil por Dantas e seus aliados e pela TIM, na Itália, "a investigação privada parecia ser comum entre todos, acusados e seus adversários comerciais". Além disso, o MPF não pode se manifestar sobre uma investigação em outro país, por não poder investigar no exterior, e vice-versa.
Para o MPF, as alusões da defesa de que a prova estaria "contaminada" não passam de "meras insinuações", pois a prova dos autos brasileiros foi colhida com autorização judicial para interceptações telefônicas e telemáticas, bem como, busca e apreensão. Tanto é assim que outro CD entregue à PF, em julho de 2004, por Angelo Jannone, ex-diretor da TIM, também foi excluído dos autos como prova após manifestação do MPF, atendendo pedido da defesa de Dantas".
Agora, é o próprio PGR quem tenta colocar o inquérito no  processo que corre no Supremo e, automaticamente, colocando sob suspeição seus  próprios procuradores.. E não se vê um movimento em defesa de seus membros por parte da ANPR.
Quando a Satiagraha foi anulada no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o Ministério Público Federal recorreu, tanto em Brasília quanto em São Paulo.  Na cúpula, porém, Dantas conseguiu o feito inédito de sensibilizar quatro dos mais expressivos nomes do MInistério Público Federal pós-constituinte: os ex-procuradores gerais Antonio Fernando e Aristides Junqueira (que ele contratou para atuar junto a Roberto Gurgel), o atual PGR e o ex-procurador e atual presidente do STF Joaquim Barbosa.
Levará algum tempo para que a poeira baixe, a penumbra ceda e se conheçam, em toda sua extensão, as razões objetivas que levaram a esse alinhamento inédito em favor de Dantas.
Luis Nassif
No GGN
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Manifestação SP - Alvejados pela polícia dentro de casa

"Fomos alvejados com bombas de gás lacrimogênio no sétimo andar, dentro do apartamento de uma amiga, onde inclusive reside uma bebê de 02 meses de idade, enquanto víamos e filmávamos manifestantes que foram obrigados a desviar de seu trajeto sob saraivada de bombas de efeito moral disparadas também por policiais que causaram alvoroço e confusão em uma manifestação que tinha tudo para ser pacifica. Meu amigo foi ferido no pulso ao ser atingido por um desses disparos.
No vídeo podemos ver bem como foi a ação truculenta da PM!"

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Não é uma luta sobre vinte centavos

130613-PM
Temos presos políticos! Cenário em S.Paulo, sob brutalidade da polícia, truculência do governador e omissão do prefeito em que votei
Na segunda-feira, dia 10 de junho, expliquei aos meus alunos do primeiro ano do ensino médio: o Estado detém o monopólio legítimo sobre o uso da violência física. Mal sabia eu que no dia seguinte o Estado, essa supra-organização fundamentada na dominação racional (já diria Weber) daria um exemplo claro da minha explicação, nas ruas da cidade onde nasci, cresci e participei de manifestações.
Venho de uma família de militantes. Aprendi desde bem cedo que ir às ruas causa mudanças sociais, incomoda. Aprendi também que ir às ruas é, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, colocar a sua própria segurança e integridade física em jogo. É uma troca. Nos colocamos vulneráveis ali porque a causa é maior. A causa pode ser o direito à cidade, o direito de ir e vir, o fim de um regime autoritário ou eleições diretas. É uma causa sempre maior do que julgamos ser nossa segurança pessoal, individual.
[Aos que ainda não aprenderam, que fique claro: cidadania não tem nada de “individual”. “Individual” é direito do consumidor. Cidadania é necessariamente coletivo.]
Cidadania é a coragem de arriscar sua individualidade pelo bem-estar do maior número de pessoas o possível. O risco que protestar representa à segurança dos indivíduos felizmente nunca fez ninguém deixar de exercer a própria cidadania. Mesmo nos tempos em que ela foi proibida.
Esse é um dos melhores motivos para no indignarmos com o que aconteceu em São Paulo no dia 11 de junho, e com o que está acontecendo hoje, dia 13 (apenas dois dias depois). Para saber mais, recomendo a cobertura da Fórum, a cobertura em tempo real da Folha (apesar dos pesares), o incrível tumblr “O que não sai na TV”, a cobertura da Agência Pública de notícias em seu Facebook e, claro, a página do Movimento Passe Livre.
Um resumo dos fatos poderia ser o seguinte: temos presos políticos. O fato de termos, nesse momento da história do Brasil, presos políticos, diz muito sobre a relação entre Estado e cidadania que estamos vivendo. Jornalistas, trabalhadores e estudantes foram deliberadamente encarcerados no dia 11. Mesmo com alvará de soltura de dois presos, eles foram transferidos para presídios, dificultando a liberação. Fianças desproporcionais foram estabelecidas. Na manifestação marcada para hoje, estima-se que 60 pessoas tenham sido presas na primeira hora de concentração (ou seja, antes mesmo de começar a manifestação), entre elas um jornalista da Carta Capital. Sessenta cidadãos e cidadãs foram detidos pela possibilidade de haver protestos. Líderes do movimento estão sendo investigados pela Abin com base em atuação nas redes sociais e alguns foram caçados e presos no ato agora há pouco, pelo que informam os manifestantes.
Aí eu pergunto: que porra é essa? Que porra é essa?
Em 2013 precisaremos cobrir o rosto para que a polícia não nos filme, como já avisou por meios dos jornais que faria? Precisaremos combinar local de manifestações no boca-a-boca, usando codinomes, como se fazia durante o regime militar? Foi pra isso que centenas de pessoas arriscaram sua segurança, sua integridade física e suas vidas durante a ditadura?
Minha mãe, meus professores, meus heróis e heroínas foram presos, torturados, mortos para que eu pudesse ter o direito constitucional de me manifestar numa democracia. A PM corrupta (mantida corrupta e mantida no poder pelo PSDB que ocupa o governo do estado há 20 anos) empoderada pela ausência e omissão do prefeito em quem eu votei e pra quem fiz campanha, está jogando esse direito no lixo. Está fazendo pouco com a nossa cara. Está impedindo o exercício da cidadania.
Como bem disse o blogueiro no “Esquema”, essa luta obviamente não é mais sobre 20 centavos (leia aqui). Assim como a luta em Istambul não é sobre o Parque Gezi. Assim como a luta em Belo Monte não é (e nunca foi) sobre uma usina hidrelétrica.
Marília Moschkovich é socióloga, editora do site Mulher Alternativa e co-editora de Blogueiras Feministas.
No QTMD
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Ação da PM foi de vingança contra a população

Quem melhor resumiu os acontecimentos da noite de quinta-feira, que mais uma vez transformaram o centro de São Paulo numa praça de guerra, foi o prefeito Fernando Haddad:
"Na terça, eu penso que a imagem da violência que ficou foi a da violência dos manifestantes. Infelizmente, hoje, não resta dúvida que a imagem que ficou foi a da violência policial".
cavalaria Ação da PM foi de vingança contra a população
É exatamente o que eu penso que aconteceu, depois de acompanhar por horas ao vivo na televisão esta última manifestação contra o aumento de 20 centavos (de R$ 3 para R$ 3,20) nas passagens dos ônibus da cidade: a PM já chegou chegando, com todo aparato bélico a que tem direito, batendo e atirando para todo lado, disposta a se vingar dos atos de vandalismo e agressões a alguns policiais praticadas durante a manifestação anterior na última terça-feira.
O grande problema é que a violência policial não se limitou a conter o protesto dos estudantes, mas atingiu indiscriminadamente a população paulistana que passava elas ruas a caminho de casa ou do trabalho ou tomando sua cervejinha num bar. Na fúria policial deliberadamente desencadeada para mostrar quem manda na cidade, sobrou para todo mundo.
Quando a Tropa de Choque armada até os dentes se perfilou no começo da rua da Consolação, por volta das 7 da noite,  para impedir que os manifestantes seguissem em direção à avenida Paulista, foi a senha para que o caos se instalasse na cidade, atingindo quem estava em carros e ônibus, e espalhando a baderna pelas ruas vizinhas. Estava na cara de ódio dos policiais que eles tinham carta branca para retomar o controle de segurança da cidade a qualquer preço.
choque Ação da PM foi de vingança contra a população
Se no primeiro texto do Balaio sobre os confrontos perguntei quem estava por trás de todos aqueles atos de vandalismo dos que protestavam contra o aumento dos ônibus, agora cabe perguntar quem deu a ordem para que a Polícia Militar agisse com tamanha violência contra qualquer pessoa não fardada que encontrasse pela frente.
O governador Geraldo Alckmin, que tinha acabado de voltar de Paris e passou o dia na Baixada Santista, limitou-se a postar mensagens nas redes sociais repetindo que a PM "não vai tolerar depredação, violência e obstrução das vias públicas" (e ainda encontrou tempo para cumprimentar a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade).
Nada disso, porém, havia ainda acontecido quando a Tropa de Choque entrou em ação, com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha. O secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, que não foi visto na manifestação, comentou placidamente que  a polícia agiu para "garantir a ordem", quando todos vimos que foi a própria polícia que deu início à desordem que avançou noite adentro.
A primeira função da polícia é garantir a segurança dos cidadãos; a segunda, proteger o patrimônio público e privado e, a terceira, combater crimes como atos de vandalismo, utilizando a força necessária. Desta vez, a PM fez o contrário disso: provocou a insegurança geral e deixou no caminho um rastro de violência com 105 feridos, entre eles dezenas de jornalistas, sete deles da "Folha". Como sabiam que estavam agindo fora da lei, não queriam que ninguém registrasse o que eles estavam fazendo, e repórteres e profissionais de imagem acabaram sendo os principais alvos.
jornalistas ok Ação da PM foi de vingança contra a população
Depois do estrago, o secretário Grella prometeu "apurar o ocorrido. Isso é  inadmissível. Se ficar comprovado, vai haver responsabilização". Nem é preciso abrir rigorosos inquéritos que nunca dão em nada: basta pegar as imagens não confiscadas produzidas pelos próprios profissionais agredidos e tudo o que foi para o ar nas emissoras de televisão na noite de quinta-feira.
A próxima manifestação já está marcada para segunda-feira, às 17 horas, em frente à estação Faria Lima do Metrô. Há tempo mais do que suficiente para que as autoridades de segurança do Estado, desta vez, planejem seu trabalho com mais inteligência e menos armas e truculência, para evitar novas vítimas e prejuízos para a cidade, tirando de circulação os policiais que participaram deste grande ato de vingança contra a população indefesa.
Se o Movimento Passe Livre, que organiza as manifestações, já admitiu na terça-feira que perdeu o controle sobre os revoltosos, o mesmo não pode acontecer ao governo em relação aos seus policiais. Ou vai acontecer, como o Elio Gaspari escreveu hoje, mais "um conflito dos canibais com os antropófagos".
Ricardo Kotscho
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“Estamos enfrentando o AI-5 do governador Geraldo Alckmin”

 
Guardo na memória alguns episódios do governo de Mário Covas, que considero um político importante na história, que fazia política com convicção e sangue nas veias. Líder mais autêntico da história do PSDB, Covas foi governador de São Paulo e sofreu uma pressão muito forte por conta do crescimento dos índices de violência.
Era uma São Paulo saudosa de Malufs e Fleurys, que acabara de viver o Massacre do Carandiru, e cobrava medidas enérgicas contra o crime. Havia uma forte pressão comparável à campanha em curso pela redução da maioridade penal. As cobranças eram para que o governador se manifestasse de forma dura contra os criminosos.
Covas respondeu o seguinte ao ser questionado pela imprensa: qualquer manifestação do governador naquele contexto seria entendida pelo policial, lá na ponta, como uma autorização para matar. O então governador, que tinha toda a razão, “apanhou” bastante dos setores conservadores e da mídia que o acusavam de “bundão”. Covas queria dizer que qualquer sinal desse tipo vindo das autoridades é entendido pelos policiais como uma ordem para usar todos os meios possíveis para “resolver” a situação.
De lá para cá, muitas coisas mudaram. O PSDB já foi um partido preocupado com os direitos humanos, que tinha ainda memória da participação de seus dirigentes no processo de luta pela democracia na década de 80.  A postura do governador Geraldo Alckmin não lembra em nada a postura responsável de Covas. As declarações do governador não só legitimam como estimulam e liberam as ações de violência da Polícia.
Aqui vai uma das declarações do governador, o responsável político pelas ações da PM: “Manifestação é legítima, natural. Outra coisa é fazer depredação de patrimônio público, deixar um rastro de destruição por onde passa, prejudicando o usuário do sistema”.
Esse discurso aparentemente democrático, de respeito às manifestações, entra nos ouvidos dos policiais como uma orientação de agir para impedir a realização desses protestos, ainda mais com o clima criado por uma cobertura criminalizadora da mídia. A mensagem entendida pelos policiais é a seguinte: essas manifestações são ilegítimas, violentas e devem ser reprimidas com toda a força.
E foi justamente o que os soldados da PM fizeram na noite desta quinta-feira. Prisões arbitrárias (de portadores de vinagre), espancamentos covardes, agressões a jornalistas, tiros e bombas jogadas em grupos de manifestantes que gritavam “sem violência, sem violência”.
A disposição da polícia era encerrar o ato o quanto antes, independente da postura dos manifestantes. A intolerância de uma polícia revanchista, que começou a fazer revistas e prisões de cidadãos na saída do metrô antes do ato, teve como resposta a ampliação da consciência dos manifestante de que a violência só joga água no moinho de quem está contra os protestos.
A palavra de ordem “sem violência, sem violência” é uma demonstração dos objetivos dos manifestantes, que repetindo em coro a frase constrangem a polícia e envergonham uma minoria – aparentemente ainda menor – disposta a acirrar os ânimos.
Um país com a democracia consolidada, diante dessa situação de violência institucionalizada contra a população, faria um movimento pelo impeachment do responsável pela ação da PM, o governador Geraldo Alckmin. Se o prefeito Fernanda Haddad comete um erro político ao sustentar a posição de manter o aumento da tarifa de ônibus, Alckmin ameaça com a sua polícia a democracia e as liberdades civis ao impedir a realização de uma manifestação que tem uma causa justa.
Diante disso, estamos enfrentando o AI-5 do governador Geraldo Alckmin, que suspende várias garantias constitucionais e consolida uma  “linha dura” militar em pleno regime democrático. A generalização de ações ilegais pelo Estado, especialmente as arbitrariedades do seu braço armado portador do monopólio da for ça, obriga uma ação em defesa da democracia que passa pelo afastamento imediato do responsável por essa situação, o governador Alckmin, que não mostra condições de conduzir esse processo.
Por outro lado, enquanto não der uma declaração firme contra a violência da polícia e a concreta ameaça à democracia, Haddad será considerado condescendente e pagará um preço político pela postura titubeante.
Os atos dos jovens, que versam sobre temas de fundo relacionados à questão urbana, ganham importância cada vez maior porque passaram a tocar em uma ferida que marca o nosso país. No processo de redemocratização da década de 80, setores da classe dominante evitaram que se levasse a cabo o potencial das transformações defendidas pelo movimento político que estava em luta.
Assim, não houve uma ruptura com o regime militar para a instauração de uma democracia que levasse até as últimas consequências a participação do povo na política e a destruição da estrutura de repressão criada na ditadura. Por isso, a polícia que agora reprime jovens manifestantes é a mesma que prendia, espancava e torturava aqueles que lutavam contra a ditadura.
Com isso, a questão central não é mais o aumento de 20 centavos nas tarifas (embora esse seja o problema motivador). Estão em jogo os limites da democracia, cada vez mais estreitos ao não tolerarem a realização de manifestações, a ocupação de espaços públicos e a participação popular na política.
Cada vez mais jovens saem às ruas para protestar e os atos estão ficando maiores. Cresce o sentimento de que é necessário lutar e, mesmo com o clima de terror e medo criados pela violência da PM, esses jovens se somam às manifestações de cara aberta e com um brilho especial no olhar. Muitos vivem pela primeira vez, com seus 16 ou 17 anos, a experiência de participar de protestos de massas.
Esse processo pode contribuir na construção de uma força social no futuro, se for conduzido de forma responsável, estiver colado nos anseios mais sinceros da sociedade e criar condições de converter o ativismo de animados e corajosos jovens em uma organização política capaz de enfrentar os problemas estruturais, que necessariamente fará a ruptura adiada na década de 80 e, enfim, consolidará a democracia no país.
Igor Felippe
No Viomundo
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Começa a caça a Guido Mantega

 
Há dois dias, este blog advertiu:
(…)os grandes tubarões brancos sabem que o Brasil é uma das maiores presas em todo o planeta.
O ministro Guido Mantega tem sido o principal anteparo a essas pressões sobre Dilma Rousseff.
É, portanto, o principal obstáculo a ser removido pela “turma da bufunfa” e pelos que não aprenderam aquele ditado antigo e impublicável do “quem muito se abaixa…”
Nesta quinta-feira (13), o dublê de comentarista econômico e apresentador de rádio Carlos Alberto Sardenberg larga a temperança e enfia o pé na jaca, em artigo publicado no Blog do Noblat.
Sugere, com a arrogância que lhe é peculiar, que Dilma troque o Ministro da Fazenda por alguém tipo Palocci que teve, segundo ele, a “virtude” de ter produzido “um superávit primário maior que o obtido no governo de FHC”, usado para pagar os juros que Henrique Meirelles empurrou lá para cima.
Diz que algo precisa ser feito, e dá a receita do “algo”:”Esse algo só pode ser um forte ajuste nas contas públicas — ou seja, corte severo de gastos — anunciado com credibilidade. Daí a necessidade do Palocci. Ele já fez isso, já propôs uma política de longo prazo para zerar o déficit geral do governo e tem a confiança do mercado”.
Mas admite: ”(o)problema é que Palocci está com a reputação abalada. O mercado, os agentes econômicos continuam tendo saudades dele. Já no ambiente político, a rejeição é óbvia”".
E se sai com uma solução magistral: Mas esse obstáculo também poderia ser driblado. Não pode o Palocci? Pois arranjem um “tipo Palocci”. E já estando com a mão na massa, poderiam buscar também um “tipo Meirelles” para o Banco Central”.
Cuidadoso, diz que não vai citar nomes para não “queimar” os “tipo Palocci”.
Antigamente, era o Doutor Roberto Marinho quem nomeava ministro. Agora, até o apresentador da rádio dele quer ditar regras sobre como a presidenta eleita pelos brasileiros deve escolher seus ministros.
Fernando Brito
No Tijolaço
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A verdadeira agenda e os interesses da revista "The Economist"

 
“Nenhuma organização midiática carece de um conjunto de conteúdos para demarcar a agenda (que está ligada a seu país de origem)...nem a BBC, nem a CNN prejudicariam os interesses nacionais” da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, respectivamente, afirmou Liu Chi, editora-chefe da CCTV, a televisão estatal da China, que destinou 8,5 bilhões de dólares para a expansão de seu sistema de informações destinado especialmente ao público ocidental.
A tese de Liu Chi, sobre o vínculo umbilical entre grandes meios de comunicação, de projeção global, e seus interesses nacionais, é perfeitamente aplicável ao influente, mas já não tão infalível New York Times (que teve a credibilidade arranhada após seu alinhamento patriótico com George W. Bush, na Guerra do Golfo), ao The Wall Street Journal, ao Financial Times e também a essa velha dama de ferro do jornalismo, The Economist, que retornou ao centro da agenda noticiosa brasileira com seus disparos dirigidos contra o ministro Guido Mantega.
Ainda que antiga, a revista que este ano celebra seu 170º aniversário, não perdeu o ímpeto e segue pressionando de modo um tanto imperial as potências emergentes, aqueles países que, em sua opinião, precisam receber lições sobre como superar a idade da barbárie econômica (leia-se: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizatório superior: o do livre mercado absoluto.
Por sua fé neoliberal (ou liberal, simplesmente), The Economist às vezes evoca aquela Margaret Thatcher enlouquecida na “missão” de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador, em uma cruzada tão exitosa que acabou por deglutir o ideário econômico dos outrora reformistas quadros do Partido Trabalhista, degradados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do decálogo neoliberal.
A falecida primeira ministra Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Grã Bretanha a política mais regressiva desde o pós-guerra por meio de reformas (melhor seria chamá-las de contrarreformas) legislativas e uma repressão pinochetista contra os mineiros que tentaram, em vão, impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado mínimo.
Bem escrita, cuidadosa nos adjetivos que usa, editada com maestria, refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-saxã: The Economist é um produto de qualidade, muito distinto do às vezes vetusto The Wall Street Journal.
Mas essa fleuma não impede que The Economist seja um órgão ideológico e um instrumento político com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunicação de porte global. Seu compromisso é impor sua agenda radical no debate econômico e aniquilar todo vestígio do que considera ser populismo estatista.
Seu último capricho, que põe a prova sua capacidade de pressão, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vestígio do pensamento e da ação econômica que julga uma “herança do atraso”: o risco de regressar a uma era pré-thatcherista.
Um editor e o colunista de economia do Jornal das Dez, da Globo News, concederam amplo destaque às recomendações escritas por The Economist em sua última edição, na qual, com um senso de humor impregnado de desprezo, disse que não recomendará mais a queda de Mantega, sabendo que a presidenta Dilma Rousseff rechaça imposições, como ela mesmo afirmou na cúpula do BRICS realizada na África do Sul, frente a primeira investida da publicação londrina.
Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”.
Como já foi assinalado acima não está em discussão a qualidade dos textos, nem o rigor da informação publicada pelo semanário, mas seu principal traço, muito mais que o prestígio, é sua influência, e esta é filha da repercussão propagandística de seus ataques políticos na forma de artigos jornalísticos.
O que a política econômica personalizada em Mantega ameaça, para publicações como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e para agências de risco como a Standard and Poors, não são ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial.
Quando as multinacionais da informação, que elevam a The Economist à condição de bíblia, demandam “confiabilidade” e “segurança jurídica”, na verdade estão utilizando um eufemismo para chantagear governos periféricos para que renunciem a toda soberania econômica e eliminem todo tipo de regulações. O modelo a ser imitado é o Chile e, mais recentemente, a Aliança para o Pacífico.
Dessa forma, inventa-se uma espécie de Pensamento Único Econômico, um consenso imposto a força, que não é filho da liberdade de expressão ou do pluralismo, mas sim da imposição e dos ataques aos interesses nacionais de países do sul.
Está certo Mantega quando assinala que “The Economist aposta em uma política conservadora...porque critica as políticas de estímulo (à produção e ao consumo), que é uma política que dá resultados, como deram, por exemplo, em 2008”. Na contramão do grosso dos economistas, Mantega, não fugiu da polêmica com a publicação britânica, identificando-a como um órgão alinhado com a direita europeia.
A revista, disparou o ministro brasileiro, “deve ter a mesma opinião que o governo de seu país (Grã-Bretanha) e dos estados europeus em geral (cujas políticas econômicas) que tiveram um resultado o qual não preciso mencionar”. Como era de se esperar, as afirmações de Mantega não mereceram nenhuma repercussão nos veículos de imprensa dominantes em nível global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.
Dario Pignotti, Correspondente, Doutor em Comunicação e Mestre em Relações Internacionais (@DarioPignotti).
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Charge online - Bessinha - # 1820

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Editorial do blog: Chegou a hora do basta

Giuliana Vallone, da TV Folha, atingida no olho por uma bala de borracha de policiais militares da Rota
(Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo)
No quarto dia de protesto contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos, o Estado policialesco que o reprime ultrapassou, ontem, todos os limites e, daqui para a frente, ou as autoridades determinam que a polícia não aja feito um animal que baba, ao contrário do que vem fazendo, ou a capital paulista ficará entregue à desordem, o que é inaceitável. Durante sete horas, numa movimentação que começou na Praça Ramos de Azevedo, passou pelo Centro – em especial pela Praça da República e a Rua da Consolação – chegando à avenida Paulista, os policiais provocaram conflitos com os manifestantes, agrediram  jornalistas e aterrorizaram a população.
A violência desmesurada, que tem sido a marca da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma corporação que mantém ranços desenvolvidos durante o último período ditatorial brasileiro, só tem feito aumentar. Por onde passaram, os 900 policiais deixaram um rastro de desrespeito aos direitos humanos – estudantes feridos, pessoas detidas por carregar vinagre (usado no combate à intoxicação das bombas), idosas senhoras que não participavam do ato e até uma universidade atingidas por bombas de gás lacrimogênio. Spray de pimenta foi jogado em um cinegrafista na Praça Patriarca e um policial, de acordo com imagens que aparecem em um vídeo, quebrou o vidro de sua viatura. Para quê, não se sabe. Em algumas das ruas e avenidas por onde passaram, especialmente na rua da Consolação, aterrorizaram a população e lançaram bombas para impedir a passagem dos manifestantes e inviabilizar uma passeata que seguia, até então, pacífica.
Atacada com bombas e tiros de borracha sempre que tentava seguir com a caminhada pacífica, uma minoria nem de longe representativa dos manifestantes devolveu com pedras e paus, sendo que a maioria correu desesperada para longe. Também uma minoria depredou ônibus, lixeiras e fez barricadas com sacos de lixo. O saldo foi de 235 pessoas detidas e outros tantos com ferimentos graves, entre eles jornalistas.
A PM agiu com ignorância, ao contrário do que disse o poder público, que a defendeu da truculência para justificar a contenção da manifestação. Num episódio em que isso ficou bem claro, um PM que passava pela rua Augusta, feriu gravemente o rosto de uma jovem repórter do jornal Folha de S.Paulo. Sacou a arma, mirou e atirou com bala de borracha. Outros seis jornalistas do periódico ficaram feridos.
Em suma, foi mais um dia de cão, pior do que os outros na região central, no qual a violência da polícia assustou e comprovou que as leis que garantem os direitos de paulistanos que vivem na cidade não vale absolutamente nada. O comportamento da polícia deixou apreensivos outras centenas de milhares da classe média que descobriram pela televisão que esse tipo de violência existe. Mas não assustou milhões de moradores da periferia, que experimentam desde cedo a truculência da polícia, que – não raro – os trata – como cidadãos de segunda classe. Ontem, o Centro virou Periferia.
O reconhecimento por parte do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo de que excessos podem ter sido cometidos, assim como a incapacidade do poder público de garantir que sua própria força policial aja de forma adequada, não atenuam a sua responsabilidade pelo fogo que atearam. Embora tenha afirmado que abrirá sindicância para apurar os fatos, o governo mantém a confiança na polícia, mesmo já tendo demonstrado sua incapacidade de lidar com manifestações e seu comportamento em momentos de enfrentamento social. Sabem todos muito bem o que estão fazendo.
A reação do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad às manifestações indica que eles se dispõem a endurecer o jogo. A atitude excessivamente moderada do prefeito cansa a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer um transporte público de melhor qualidade e com preço mais baixo – e isso depende de coragem política, coisa que parece faltar.
De Paris, onde se encontrava para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Depois das cenas de violência desta quinta, espera-se que ele segure seus policiais e determine que a PM aja com o máximo rigor para apurar a selvageria e conter a fúria de alguns de seus policiais, que se mostraram mal-preparados, mal-intencionados e alheios à sua função de proteger o cidadão, antes que esse comportamento violento tome conta da cidade.
Haddad, que se encontrava em Paris pelo mesmo motivo, também foi afirmativo ao dizer que “os métodos (dos manifestantes) não são aprovados pela sociedade. Essa liberdade está sendo usada em prejuízo da população”. Nesta quinta, reclamou da violência policial, mas disse que a tarifa não vai baixar. E o ministro da Justiça de seu partido político, José Eduardo Cardozo, ofereceu ajuda do governo federal para a contenção dos protestos. A gravidade da situação exige que o prefeito esclareça se com isso o seu partido quis dizer que concorda que manifestações populares devem ser reprimidas à bala.
Em tempo: Todos têm direito a ter uma opinião e divulgá-la. Por isso, respeito (praticamente) todas. Mas como percebi que a minha era diametralmente oposta à do jornal Estado de S.Paulo, desta quinta (13), no caso das manifestações contra o aumento no preço da passagemaproveitei o texto do editorial de lá para uma paráfrase. A bem da verdade, o texto é o mesmo, invertendo o “sinal”. Certamente, o Estadão não vai se importar com este exercício de retórica vindo de alguém que respirou gás lacrimogênio na noite de ontem. E como fui informado que boa parte dos jornalistas que lá trabalham também discordam desse posicionamento, acho que estou absolvido.
No Blog do Sakamoto
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Arruaça policial

 
Estupidez é palavra de diferentes sentidos. A polícia paulista quer adotar todos para caracterizar seu fracassado papel contra os protestos que perturbam o centro paulistano.
Depois da estupidez dos tiros de balas de borracha e das bombas de gás lançadas a esmo contra os manifestantes, em enorme quantidade, vem o indiciamento por formação de quadrilha de dez detidos na terça-feira. Uma polícia que não distingue entre os que se valem de um momento caótico para fazer baderna, mesmo com vandalismo, e os que se organizam com a finalidade de ganhar pelo crime, não pode se impor nem a arruaceiros.
É inacreditável que as polícias, não só as nossas, jamais pensem em ações mais simples diante de manifestações coletivas. Ou, ao menos, desprovidas de violência. Com a quantidade de policiais, carros e motos postos no centro de São Paulo terça-feira, é incrível que à PM não tenha ocorrido alguma coisa como um cerco à manifestação em determinadas quadras. Para depois estreitar o aperto, fora das ruas necessárias ao trânsito intenso. Em vez da tentativa de desmontar a manifestação a poder de gás e balas de borracha.
Aqui ou fora, as manifestações são sempre as mesmas, com dificuldade de variação maior. E as polícias são sempre as mesmas na estupidez inútil da sua violência armada e da irracionalidade. Logo, os oportunistas estarão sempre prontos, entre os manifestantes, para entrar em ação. E quem lhes dá a oportunidade é sempre a polícia. As bombas de gás, os tiros, os cassetetes incitam as respostas desafiadoras: é a hora dos arruaceiros.
LER E SABER
O afastamento da vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, por Roberto Gurgel, procurador-geral, ressalta a grandeza da discordância por ela exposta quando defendeu, no Supremo, a soberania de cada um dos Poderes. Gurgel dera parecer aceitando a interferência do Supremo no Congresso, ocorrida por liminar de Gilmar Mendes que sustou a meio a tramitação de um projeto.
A atitude de Gurgel coincidiu com outro parecer importante de Deborah Duprat, contrário ao atual direito de veto à produção literária e à circulação de biografias não autorizadas pelo biografado, ou até por parentes seus. É a combinação de censura prévia e de cassação por censura posterior.
Aos argumentos jurídicos contra tal direito, que não cabe lembrar aqui, junto uma comparação a meu ver bastante ilustrativa. A edição de uma biografia normal é, em geral, de 3.000 livros, chegando uma biografia de grande sucesso a algumas dezenas de milhares. É essa a dimensão do que o veto rejeita, em nome da proteção aos direitos individuais de privacidade e aos de descendência.
Se a publicação do indesejado pelo personagem, ou por parente seu, sair sem prévia autorização em um jornal com 300 mil exemplares ou revista com mais centenas de milhares de exemplares, a divulgação não será impedida. E o biografado, ou parente seu, poderá entrar com ação judicial em busca da indenização a que se julgue com direito.
É assim, no caso de jornais e revistas, porque o Estado de Direito democrático não comporta o veto antecipado ao que o cidadão tem o direito de ler e saber. Mas, no Brasil, o livro pode ser uma negação do Estado de Direito.
ESTARREÇA-SE
O aspecto não é atraente, já pelo título hermético: "Cypherpunks - Julian Assange". Mas não se precipite. Esse livro à venda no Brasil tem grande atualidade quando o mundo se estarrece com a infiltração informática do sistema de segurança na vida privada dos americanos. São diálogos de Assange, o cabeça da WikiLeaks, sobre "a liberdade e o futuro da internet". Nas palavras de Pablo Ortellado, Assange, a rigor, não faz "um alerta para o futuro, é um alerta para o presente". A CIA e a NSA (outro monstro da espionagem americana) confirmam. E o livro estarrece mais os já estarrecidos.
Janio de Freitas
No fAlha
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Datena tenta manipular telespectador sobre protestos e se dá mal

Datena faz pergunta sem noção e não gosta da resposta. A imagem diz tudo: uma pergunta totalmente despropositada e a resposta de quem se sentiu ofendido pela desonestidade
datena manipula protestos passe livre
Datena tenta manipular público e não gosta do resultado
(Imagem: Reprodução blog Maria Frô)
A cada três espectadores, dois reagiram a um jornalismo que escolhe o lado antes que a história começa. Quando a derrota se mostrou flagrante, apesar dos apelos do apresentador, a Bandeirantes tirou a questão do ar.
As manifestações pela redução das tarifas do transporte público em São Paulo (e que agora se estendem por outras cidades do Brasil) têm sido duramente criticadas não apenas pelo apresentador da TV Bandeirantes, mas por quase todos os grandes telejornais e programas policialescos da grande imprensa.
A propósito de coberturas jornalísticas em manifestações, o colunista Haroldo Ceravolo, da revista Samuel, traçou um paralelo entre Portugal e Brasil. “Enquanto em Portugal a mídia buscava ouvir líderes grevistas e autoridades que negociavam, no Brasil a grande preocupação é com o trânsito”, disse. “Trânsito em dia de manifestação é a menor das questões”, completou.
No Pragmatismo Político
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Os vândalos do tucano Alckmin

Vídeo gravado na manifestação do dia 13/06/2013 contra o aumento das passagens de Ônibus, Metrô e Trem. Em São Paulo, na Consolação.

Polícia Militar de São Paulo muito bem preparada para lidar com a imprensa que cobre as manifestações

Policial usa de legitima defesa quando um vândalo apontava uma arma perigosíssma para ele!

Jornalistas são presos e feridos em protestos de SP

Repórter da Folha atingida por bala de borracha da PM
Foto: Diego Zanchetta
O repórter Piero Locatelli, de CartaCapital, foi detido e depois solto. Seis jornalistas da Folha ficaram feridos. De forma irresponsável, Estadão e Folha incitaram a violência da PM em editorial
jornalista cartacapital preso
O repórter de CartaCapital Piero Locatelli detido pela PM
por porte de vinagre; ao centro, de camisa branca
Foto: Marina Dias – Terra Magazine
Durante o quarto protesto por conta do aumento da tarifa de ônibus hoje em São Paulo, seis repórteres do grupo Folha foram alvejados à queima-roupa por um policial da Rota, na rua Augusta, em São Paulo. A bala era de borracha, mas os estilhaços feriram 6 profissionais. Dois deles, nos olhos. Essa foi apenas uma das dezenas de cenas de violência protagonizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo nesta quinta-feira na capital paulista. As prisões, muitas com indícios de arbitrariedade, contam-se às dezenas. Poucas horas antes, pela manhã, os dois maiores jornais do Estado chegavam às bancas e às casas dos assinantes com editoriais defendendo uma ação mais dura da PM. O Estadão incitou a violência dos policiais claramente. A Folha, por sua vez, colocou a desocupação da avenida Paulista como ponto de honra, desde o título. Ambos foram atendidos:
“Chegou a hora do basta”, O Estado de S. Paulo:
“A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo (...) A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna - e isso depende do rigor das autoridades (...) De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que "é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável". Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.”
“Retomar a Paulista”, Folha de S. Paulo:
“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (...) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”.
Lino Bocchini
No CartaCapital

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