13 de jun de 2013

A resposta é mais democracia


 

Não enxergar o elo entre as ruas e o ciclo histórico costuma ser fatal às lideranças de uma época.
Acreditar que o elo, no caso dos recentes protestos em São Paulo, está no aumento de 20 centavos sobre uma tarifa de transporte congelada desde janeiro de 2011, é ingenuidade.
Supor que a ordenação entre uma coisa e outra poderá ser restabelecida à base de cassetetes e pedradas é o passaporte para o desastre.
Desastre progressista, bem entendido.
A lógica conservadora nunca alimentou dúvidas existenciais ou políticas quanto a melhor forma de manter o caos nos eixos.
Esse é um apanágio do seu repertório histórico.
O colapso do trânsito, inclua-se nesse desmanche o custo e o tempo despendidos nos deslocamentos, é apenas o termômetro mais evidente de um metabolismo urbano comatoso.
Cerca de 1/3 dos paulistanos, aqueles mais pobres, residentes nas periferias distantes, levam mais de uma, a até mais de duas horas no trajeto da casa ao trabalho.
Os tempos indicados são referentes à ida; não consideram o gasto no retorno.
Os dados são de pesquisa recente do Ibope.
Não se produz uma irracionalidade desse calibre sem um acúmulo deliberado.
Estudos do Ipea reiteram a piora nas condições de transporte urbano das principais áreas metropolitanas do país desde 1992.
O Brasil tem a taxa de urbanização mais alta em uma América Latina que lidera o ranking mundial nesse indicador, diz a ONU.
O país concluiu a transição rural/urbana em três décadas, açoitado pela política de modernização conservadora do campo.
Isso se fez sob a chibata de uma ditadura militar .
E não poderia ter sido feito exceto assim.
A virulência do Estado ditatorial fez em um terço do tempo aquilo que as nações ricas levaram um século para realizar.
A coagulação da insensatez na atual ‘imobilidade urbana’ reflete o saldo de perdas e danos dessa marcha batida da história.
O crescimento populacional desordenado das grandes cidades, agudizado pelas referidas migrações é um dos alicerces da ruína.
Ancorada na omissão pública de décadas, a expansão irracional e especulativa da mancha urbana ganhou vida própria.
Com os desdobramentos logísticos sabidos: aumento das taxas de deslocamento e motorização; explosão dos congestionamentos e do custo do transporte.
Na vida da cidade e no bolso de cada cidadão.
Não é figura de retórica dizer que esses ingredientes acionam o pino de cada bomba de gás lacrimogênio e faíscam o pavio de cada enfrentamento irrefletido nas batalhas campais registradas na cidade de São Paulo em menos de uma semana.
Repita-se: o conservadorismo tem certezas esféricas quanto a melhor forma de lidar com a nitroglicerina social contida nas cápsulas de concreto que ergueu no país nas últimas décadas.
Suas escolhas não podem ser as mesmas das forças progressistas.
O nivelamento regressivo acontecerá caso a inércia política ceda o comando dos acontecimentos à lógica da violência.
No caso dos protestos em São Paulo, a responsabilidade da autoridade municipal é superlativa.
Cabe-lhe reafirmar o divisor entre a gestão progressista de uma sociedade e a visão conservadora sobre os seus conflitos.
Carta Maior saudou a vitória de Fernando Haddad em 2012 por entender, como entende, que ele representa o resgate do cimento da democracia na reconstrução de São Paulo.
Mais que isso.
Por entender que a sorte de São Paulo sob a liderança da nova administração marcará o destino da agenda progressista brasileira no período em curso.
A maior metrópole latino-americana constitui um gigantesco laboratório de desafios e recursos.
Tem a escala necessária para gerar contracorrentes vigorosas, a ponto de sacudir e renovar a agenda da esquerda brasileira, após mais de uma década no comando do país.
A deriva em que se encontram os serviços e espaços públicos da cidade é obra meticulosa e secular de elites predadoras.
Ao longo de décadas, a Prefeitura consolidou-se aos olhos da população como um anexo dessa lógica expropriatória, quando deveria funcionar como um escudo do interesse coletivo.
Incapaz de se contrapor à tragédia estrutural que marca a luta pela vida em São Paulo, tornou-se uma ferramenta irrelevante aos olhos da cidadania.
A tragédia se completa com o descrédito da população em relação ao seu próprio peso na ordenação institucional da cidade.
Daí para acender uma espiral de enfrentamentos bastam 20 centavos de diferença na tarifa.
Sim, há outras nuances e interesses entrelaçados ao destaque esquizofrênico com que a mídia convoca e, depois, alardeia o caos a cada protesto.
Tais motivações são as mesmas que fizeram do tomate um astro olímpico na modalidade ‘descontrole dos preços’, há menos de um mês.
As mesmas que hoje alardeiam ‘a explosão’ do dólar – e, ontem, denunciavam o ‘populismo cambial’ e os malefícios, verdadeiros, do Real sobrevalorizado.
Essas motivações exercitam sua sofreguidão cotidianamente na mesmice de uma mídia que se esboroa sob o peso de sua própria irrelevância jornalística.
A resposta da Prefeitura de São Paulo aos protestos não deve se pautar pelos uivos do jogral conservador.
Não se trata, tampouco, de conciliar com a violência gratuita.
Mas, sim, de encarar as manifestações como um mirante privilegiado para fixar uma nova referência na vida da cidade.
Qual seja, a de calafetar o abismo conservador que predominou secularmente na relação entre a Prefeitura e os moradores da metrópole, sobretudo a sua parcela mais pobre.
O trunfo do prefeito Fernando Haddad é ter sido eleito para isso.
Ele tem legitimidade para subtrair espaços à engrenagem opressora e devolve-los a uma cidadania há muito alijada das decisões referentes ao seu destino e ao destino do seu lugar.
Um salto de qualidade e intensidade na participação democrática na gestão da cidade; essa é a resposta para a fornalha da insatisfação.
Da qual os incidentes de agora podem representar apenas um prenúncio pedagógico.
São Paulo é o produto mais representativo do capitalismo brasileiro.
Um labirinto de contradições, uma geringonça que emperra e se arrasta, desperdiça energia e cospe gente enquanto tritura e refaz o seu concreto de desigualdade.
Não há solução administrativa ou orçamentária imediata para o caos deliberadamente construído aqui.
A resposta à lógica que sequestrou a cidade dos seus cidadãos é devolvê-la a eles fortalecendo os canais existentes e abrindo outros novos, que dilatem o seu discernimento e a capacidade de erguer linhas de passagem entre o presente e o futuro.
A alternativa é a anomia, eventualmente sacudida de gás lacrimogênio e pedradas.
(*) NR: a menção ao uso de coquetéis molotov nas manifestações foi suprimida do texto por se tratar de informação divulgada pelo aparato policial, sem comprovação até o momento (12/06/2013; 23h51)
Saul Leblon
No Blog das Frases
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Crimes de Maio ainda sem solução

No dia 13 de Junho de 2012, há exato 1 ano, foi exumado o corpo do guerrêro Edson Rogério Silva dos Santos, no cemitério Areia Branca, em Santos (SP). Ele, que era gari e trabalhava naquele dia com atestado de licença médica, mesmo assim foi assassinado durante os Crimes de Maio de 2006, na Baixada Santista, por grupos de extermínio ligados direta ou indiretamente à Polícia Militar do Estado de São Paulo. Sua mãe, a guerêrra Débora Maria da Silva, é uma das fundadoras e coordenadora do nosso movimento Mães de Maio.
A exumação foi uma vitória parcial da Débora, de nosso movimento e de tod@s que lutam contra o Genocídio Periférico no Brasil. O principal objetivo da exumação era retirar uma bala que ficara alojada na coluna cervical de Edson e que, apesar dos insistentes alertas da Débora durante 6 anos após a morte de seu filho, as chamadas autoridades competentes negavam que ela pudesse estar lá alojada. Débora insistia que a bala havia sido enterrada com seu filho, queria (e ainda quer) compará-la com uma arma apreendida com um policial, em Cubatão (SP), entre outros agentes exterminadores.
“Um corpo não poderia ser enterrado com a principal prova do crime alojada em sua coluna”, insistia sempre Débora, mãe de Edson, sobre a situação do corpo do filho. O erro do Instituto Médico Legal de Santos (IML) forçou a família a solicitar ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que a exumação fosse feita pelo IML de São Paulo. O corpo passou por uma radiografia para localizar a bala, o que de fato aconteceu. Débora estava falando a verdade durante todo esse período em que foi desacreditada e humilhada por muitas das "autoridades competentes"!
Essa exumação poderia ter sido uma vitória de tod@s que lita por Justiça e Paz. Estávamos diante de um crime de estado que o Ministério Público de SP não investigava, e que a União também se negava a investigar. O pedido da exumação, feito então por processo administrativo interno do MP-SP, poderia (e ainda poderá) significar um importante passo na luta pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça para o caso de Edson Rogério - que o TJ-SP já julgou ter sido assassinado por negligência e ação direta do Estado, e para todas as vítimas dos Crimes de Maio de 2006. Foram cerca de 562 pessoas assassinadas em menos de 15 dias (entre 12 e 20 de Maio de 2006), um número que não existe nem em violentas guerras internacionais.
Ocorre que, passado 1 ano desde a exumação, ainda não chegou nem à família nem ao movimento Mães de Maio qualquer DESDOBRAMENTO CONCRETO deste laudo balístico e da respectiva comparação do projétil com armas apreendidas de policiais exterminadores da região.
"Nosso movimento não irá se calar enquanto a Verdade e a Justiça não vier completamente à tona!”, assegura nossa coordenadora-guerrêra Débora Maria.
Nós do “Mães de Maio” acreditamos que essa “vitória” - ainda parcial, incompleta e insuficiente - possa estimular a federalização dos Crimes de Maio, assim sendo, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal poderiam passar a investigar os assassinatos praticados por agentes policiais. Além da importante criação da Comissão Nacional da Verdade e da Justiça para os Crimes do Estado Democrático contra a Juventude Pobre, Negra e Periférica (de 1988 até os dias de hoje).
Mas o Tempo é Rei: Seguiremos Firmes na Luta!
13 de Junho de 2013,
Movimento Mães de Maio da Democracia Brasileira
#CRIMES DE MAIO NUNCA MAIS!
#CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE POBRE E NEGRA!
#VERDADE, JUSTIÇA E PAZ ÀS PERIFERIAS DE TODO BRASIL!
No Mães de Maio
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A rico, incentivo; a pobre, populismo

 
Quando o caro amigo ou a cara amiga ler ou ouvir a palavra populismo, cuidado.
Em geral, é um adjetivo usado para desqualificar o que é bom para o povo.
Hoje, em editorial, o Estadão diz que o crédito facilitado para que os beneficiários do programa “Minha Casa, Minha Vida” comprem móveis e eletrodomésticos é “um ato populista”.
Porque “o Tesouro terá de subsidiar o novo programa de estímulo ao consumo”.
Curioso é que esse argumento não vale quando quem é estimulado é o capital, não o consumo.
Não há preocupação com quanto sai do Tesouro para bancar a elevação da taxa de juros. Nem com quanto deixa de entrar com o fim do IOF sobre investimentos estrangeiros.
Exigem superávits cada vez maiores, a qualquer preço, no Brasil. Mas os europeus, os EUA, o Japão, todos eles têm déficits astronômicos e ninguém os chama de populistas.
Quando Lula, em 2009, tirou o IPI de uma série de produtos para enfrentar a crise européia também não faltaram críticas deste tipo: populista, irresponsável, eleitoreiro.
E, se não fosse isso, a marolinha teria sido mesmo um tsunami.
O financiamento oferecido ao público do Minha Casa, Minha Vida, além do benefício imensurável que traz à vida doméstica de milhões de brasileiros de baixa renda, tem outros méritos.
Inclusive no combate à inflação.
Ao fixar valores máximos para os produtos elegíveis para a compra, a linha de crédito contribuirá para segurar os preços de várias linhas de consumo. Que empresa desejará, por alguns reais, deixar seus produtos fora dos limites do que pode ser financiado? Além disso, com a alta do dólar, o que é produzido aqui, com custos em real, será mais competitivo, certamente.
A roda da economia vai girar e é isso o que mantém a bicicleta equilibrada.
A finalidade das políticas econômicas é produzir bem estar, não superávits a qualquer custo social.
Isso não é populismo. Isso é considerar a economia um bem de todo o povo, não a economia para os bens de uns poucos.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Casamento

O tão discutido casamento homossexual não deixa de ser uma sequência natural da longa e estranha história de uma convenção, a união solene entre duas pessoas, que começou no Éden. A Bíblia não esclarece se Adão e Eva chegaram a se casar, formalmente. Deve ter havido algum tipo de solenidade.
Na ausência de um padre, o próprio Criador, na qualidade de maior autoridade presente, deve ter oficiado a cerimônia. No momento em que Deus perguntou se alguém no Paraíso sabia de alguma razão para que aquele casamento não se realizasse, ninguém se manifestou, mesmo porque não havia mais ninguém. A cerimônia foi simples e rápida apesar de alguns problemas — Adão não tinha onde carregar as alianças, por exemplo — e Adão e Eva ficaram casados por 930 anos. E isso porque na época ainda não existiam os antibióticos.
Mais tarde, instituiu-se o dote. Ou seja, as mulheres, como caixas de cereais, passaram a vir com brindes. O pai da noiva oferecia, digamos, dez cântaros de azeite e dois camelos ao noivo e ainda dizia:
— Pode examinar os dentes.
— Deixa ver...
— Da noiva não, dos camelos!
Houve uma época em que os pais se encarregavam de casar os filhos sem que eles soubessem.
Muitas vezes, depois da cerimônia nupcial, os noivos saíam, ofegantes, para a lua de mel, entravam no quarto do hotel, tiravam as roupas, aproximavam-se um do outro — e apertavam-se as mãos.
— Prazer.
— Prazer.
— Você é daqui mesmo?
Eram comuns os casamentos por conveniência, pobres moças obrigadas a se sujeitar a velhos com gota e mau hálito para salvar uma fortuna familiar, um nome ou um reino. Sonhando, sempre, com um Príncipe Encantado que as arrebataria. O sonho era sempre com um Príncipe Encantado. Nenhuma sonhava com um Cavalariço ou com um Caixeiro Viajante Encantado.
Mais tarde veio a era do Bom Partido. As moças não eram mais negociadas, grosseiramente, com maridos que podiam garantir seu futuro. Eram condicionadas a escolher o Bom Partido. Podiam namorar quem quisessem, mas na hora de casar...
— Vou me casar com o Cascão.
— O quê?!
— Nós nos amamos desde pequenos.
— O que que o Cascão faz?
— Jornalismo.
— Argk!
A era do Bom Partido acabou quando a mulher ganhou sua independência. Paradoxalmente, foi só quando abandonou a velha ideia romântica do ser frágil e sonhador que a mulher pôde realizar o ideal romântico do casamento por amor, inclusive com o Cascão. Só havendo o risco de o Cascão preferir casar com o Rogério.
Luís Fernando Veríssimo
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Espionagem e o cinismo de Barack Obama

 
O mundo não conseguiu ainda sair do espanto causado pelas revelações do soldado Bradley Manning — cujo julgamento por traição começou há dias — e uma denúncia ainda mais grave foi encaminhada ao Guardian pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden. O denunciante era, até o dia 20 de maio, um dos maiores especialistas em segurança de informações da Booz Allen, contratada pelo governo norte-americano para assessorar a NSA (Agência Nacional de Segurança).
De acordo com os documentos oficiais, filtrados por Snowden, e não desmentidos, Obama determinou a invasão dos sistemas de comunicação eletrônicos do mundo inteiro — também no próprio território norte-americano. Os meios técnicos permitem aos invasores capturar mensagens e documentos, apagar, reescrever, reendereçar e-mails. Mais ainda: os hackers oficiais poderão intervir no sistema de comandos dos computadores. Em tese, e de acordo com a tecnologia disponível, serão capazes de alterar a rota dos aviões, provocar incidentes militares nas fronteiras, falsificar telegramas diplomáticos, de forma a intrigar governos contra governos.
Atos de espionagem e de provocação são comuns na História, mas os meios tecnológicos de hoje os tornam catastróficos. A única esperança de que planos como o do presidente Obama sejam divulgados está nos cidadãos dos próprios países agressores que, os conhecendo, como é o caso de Bradley Manning e de Edward Snowden, se disponham a denunciá-los ao mundo.
Snowden, como Manning, é um homem ainda jovem. Aos 29 anos, ganhando um bom salário, de 200 mil dólares brutos por ano, vivia com conforto no Havaí, com sua jovem namorada, quando, ao tomar conhecimento das 18 páginas das diretivas de Obama aos serviços de segurança, resolveu revelá-los.
O governo norte-americano tenta minimizar a gravidade da denúncia, ao afirmar que um tribunal criado para supervisionar os serviços de informação e segurança aprovou a medida, da qual, também as comissões especiais do Congresso tomaram conhecimento e lhe deram endosso.
Há várias questões postas, que devem ser examinadas com serenidade. Em primeiro lugar, aquela velha presunção norte-americana de que eles foram predestinados ao domínio universal, e foi definida pelo senador Fullbright como "a arrogância do poder". Sentindo-se os mais poderosos, assim como os soberanos, julgam-se irresponsáveis pelos seus atos e inimputáveis. Não consideram que haja acima deles nenhum poder punitivo. Seus fundamentalistas protestantes, entre eles Bush II, acreditam agir com a cumplicidade de Deus. Foi assim que o então presidente justificou a segunda guerra contra o Iraque: — em conversa com o Todo-Poderoso, dele ouviu a ordem de caçar Saddam Hussein e eliminá-lo.
Outra lição do fato é a de que não há mais segredos no mundo, principalmente quando o rege a lógica do mercado. Há, de acordo com as informações oficiais, 25 mil pessoas envolvidas no sistema nacional de segurança dos Estados Unidos, a maior parte delas funcionárias de empresas privadas, como a Booz Allen, cujo faturamento, em 98%, é obtido em contratos com a Agência Nacional de Segurança. É impossível, assim, manter essas operações em sigilo.
Outra grande surpresa é o cinismo do presidente Barack Obama, que irrompeu no cenário norte-americano como aquele predestinado a recuperar os mais altos valores dos "pais fundadores" da grande república. Na campanha eleitoral de 2008, ele qualificou os vazamentos do mau comportamento do governo como "atos de coragem e patriotismo, que podem, muitas vezes, salvar vidas e, com frequência, poupar dólares dos contribuintes, e devem ser encorajados, em lugar de combatidos", como ocorria durante a administração Bush.
Na reação contra Manning e Assange, Obama absolve o "guerreiro" Bush. Snowden, em entrevista ao Guardian, diz que se sente mais ou menos seguro em Hong Kong, aonde chegou há três semanas. Mas os republicanos do Congresso pediram ao governo que exija a sua extradição. Como se sabe, a autonomia da antiga colônia britânica é limitada: o território está sob a soberania estatal chinesa. Será interessante verificar se o governo chinês decidirá acatar um pedido de extradição que um pequeno país, como o Equador, se nega a atender, no caso de Julián Assange.
Os observadores se dividem, na previsão do que virá a ocorrer, diante desse novo escândalo mundial. A maioria, com a mente já colonizada pela hegemonia norte-americana, acha que nada há a fazer. Em suma, é inevitável aceitar o mando norte-americano, para que nos salvemos do "terrorismo islamita", assim como foi melhor aceitar as inconveniências da Guerra Fria, para que nos livrássemos do comunismo ateu.
Há, no entanto, os que sabem ser necessária uma aliança da inteligência e da dignidade dos homens, a fim de reagir, enquanto há tempo, contra essa tirania universal.
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Imbecil completo protesta em São Paulo e outro nos EUA

O recente movimento de estudantes, como todo mundo sabe, foi infiltrado por grupos oportunistas e fascistas, que efetivam suas atividades historicamente em terras bandeirantes e paulistanas
Depois de ler a revista Veja, a Folha de S. Paulo e O Globo no decorrer de toda sua vida e ter assistido ao Jornal Nacional, a partir da hora que nasceu, o imbecil completo, alvo constante de lavagem cerebral da mídia entreguista e colonizada, resolveu sair de casa para fazer o seu "protesto" durante as manifestações estudantis em São Paulo, sem qualquer noção de ridículo e um pouco de sabedoria.
O recente movimento de estudantes acontecido em São Paulo, como todo mundo sabe, foi infiltrado por grupos oportunistas e fascistas, que efetivam suas atividades historicamente em terras bandeirantes e paulistanas, o que acarretou em mais violência da polícia tucana e oportunismo da imprensa conservadora para criticar eloquentemente os protestos dos estudantes contra o aumento no preço das passagens dos ônibus.
O idiota da foto é mais do que um completo beócio, neófito ou um bestalhão colonizado e despido de quaisquer noção da realidade e sentimento de brasilidade. Ele não passa de um pulha, o exemplo fidedigno da classe média lacerdista, egoísta, individualista, violenta e racista, que, para a desgraça dela, nunca vai ser rica e sempre vai ser barrada na porta do baile dos ricos, apesar de imitá-los, ridiculamente, em seus valores e princípios.
 
Esse paspalho é tão panaca e mentalmente obtuso que ele mesmo não sabe que tem uma visão colonizada do mundo, que para o "protestante" deve se resumir a Miami e Orlando. Culturalmente servil e portador de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, o mentecapto representa, exemplarmente, o reacionário moderno e "mauricinho", que odeia e despreza o Brasil e o grande povo brasileiro — o maior responsável por este poderoso País ter abraçado o seu destino e futuro, bem como luta, incessantemente, por sua autonomia e independência.
Tal troglodita de direita entregaria, se necessário, a sua própria mãe e os seus amigos em prol de causas alienígenas ou externas. Bobalhão e ignaro por essência, além de ser imbecil por opção, o energúmeno demonstra a sua "revolta" de butique da forma mais alienada e mequetrefe possível, mas, porém, contudo, todavia, e, entretanto, tal persona não passa de um ser desprezível, ignorante e babaca, que, por via das dúvidas, preferiu esconder o rosto, pois direitista covarde enfiou a cara em um capuz. É isso aí.
Davis Sena Filho
No Blog Sujo

Outro imbecil

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Imagens que falam por si

PM agredido é protegido por manifestantes


Jornalista Pedro Ribeiro é espancado por PM na mesma manifestação

No Educação Política
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Pesquisas pró redução da maioridade são contaminadas pela mídia

O sensacionalismo, como se sabe, é seletivo, não estatístico


Pesquisa da CNT aponta que 93% dos brasileiros querem a redução da maioridade penal.
Mas há outros dados também significativos na mesma pesquisa: 69% dos brasileiros têm a convicção de que cresceu muito o número de crimes praticados por adolescentes, e outros 25% tem certeza de que eles pelo menos aumentaram.
Os números se equivalem, portanto: se 93% quer reduzir a maioridade, 94% tem a percepção de que o número de crimes envolvendo adolescentes aumentou.
É o que se pode chamar de política da comoção – quero mudar, porque sinto que piorou.
A percepção, no entanto, não reflete estatísticas, mas a abundância da cobertura policial pela mídia, e o destaque preferencial aos crimes de adolescentes.
Não bastassem os programas policialescos que vibram e multiplicam violências, também os telejornais gastam hoje mais da metade de seu tempo exclusivamente com as notícias policiais.
Da política à cultura, do futebol à economia, tudo é subtítulo do grande noticiário policial em que os meios de comunicação se transformaram.
Mas o sensacionalismo, como se sabe, é seletivo, não numérico.
Mais tempo é gasto com notícias de crimes que provocam mais emoções, e isso nada tem a ver com estatísticas.
A intermediação da imprensa provoca o resultado da pesquisa que depois é colhido pela própria mídia como base para justificar seus programas e suas campanhas, fechando o círculo vicioso das profecias que se auto-realizam.
Se ao invés de focar nos crimes praticados por adolescentes, por exemplo, fosse enfatizado no noticiário os crimes praticados com armas de fogo, é possível que as pessoas tivessem a percepção - real, pelo que se vê no cotidiano forense - de que o que aumenta mesmo é o número de crimes à mão armada, de menores ou maiores.
Quem sabe isso pudesse se refletir numa pesquisa acerca da retomada do referendo das armas?
Mas a imprensa tem uma responsabilidade maior ainda do que apenas o de indutora de pautas, e assim provocadora de anseios.
Na área da criminalidade, a reprodução contínua dos crimes, com a sua espetacularização tende a multiplicar a própria criminalidade.
Exemplo conhecido foi o número expressivo de sequestros de quintal que cresceu vertiginosamente com a intensa exposição das extorsões praticadas a empresários e industriais.
Muitos pequenos comerciantes ou profissionais liberais sofreram sequestros rudimentares na cola daqueles de grande repercussão midiática. É o que se teme ressurgir com os roubadores incendários – em relação aos poucos criminosos que hoje não têm acesso a armas de fogo.
Diversamente do que se pode supor, pelo registro das reportagens de maior impacto e destaque na televisão, não são os latrocidas que superlotam os locais de internação. Quase a metade dos adolescentes que cumprem medidas fechadas na Fundação Casa em São Paulo, foi levada para lá presa como microtraficante.
Uma alteração na legislação de entorpecentes, por exemplo, poderia ter um impacto relevante na desinternação, mas a falida guerra contra as drogas continua a amealhar inúmeros combatentes.
O que a pesquisa não soluciona é o intuito pragmático dos entrevistados, que dificilmente será alcançado.
A maioria das pessoas quer a redução da maioridade justamente porque espera que com isso reduza o número de crimes.
No entanto, a mesma punição já praticada aos maiores não tem tido esse efeito – e a Lei dos Crimes Hediondos foi o exemplo mais evidente do fracasso dessa política. As penas aumentaram, o encarceramento dobrou e o número de crimes não diminuiu.
O espanto de muitos pode ser explicado pelo desprezo absoluto da mídia ao fator criminógeno da prisão.
O convívio com criminosos mais perigosos, a falta de dignidade dos cárceres, a ausência de trabalho e de mecanismos de ressocialização, a omissão do Estado na segurança, enfim, tudo contribui para que a reincidência seja maior entre aqueles que cumprem pena dentro do sistema carcerário do que fora.
O senso comum pode indicar que o crime floresce com a sensação da impunidade.
Mas depois de preso, o abandono da família, as dificuldades no mercado de trabalho, o convívio com as lideranças do crime que cooptam numa teia de facilidades e ameaças, estabelecem vínculos ilícitos que serão cada vez mais difíceis de serem rompidos fora das grades.
Quanto mais cedo colocarmos os jovens na cadeia, é provável que tenhamos mais crimes e não menos.
Mas aí é só fazer uma nova pesquisa para saber se o brasileiro quer abaixar ainda mais a maioridade, aumentar as penas, instituir a tortura, pena de morte…
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Ponte binacional construída há dois anos não foi inaugurada

A ponte binacional, que liga o Amapá à Guiana Francesa, custou R$ 61 milhões. Antes da inauguração, é necessário construir um posto de fiscalização no lado brasileiro e asfaltar uma região próxima à ponte. Ouça a matéria:
No Radioagência Nacional
http://amapabusca.files.wordpress.com/2011/06/2008-017-maquete-ponte-binacional.jpg http://www.portalamazonia.com.br/editoria/files/2012/07/PonteBinacional.jpg
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A Bolsa ou a Vida

Recife (PE) - Esta semana, a socióloga Walquiria Leão Rego pôs uma luz científica no programa Bolsa Família, desenvolvido pelo governo Lula. Por ocasião do lançamento do seu livro e de Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família”, Walquiria foi entrevistada pela Folha de São Paulo. Ali, ela afirmou que o Bolsa Família é uma ação de Estado que enfraquece o coronelismo. Espanto geral. Como assim? O programa assistencialista, o Bolsa Esmola, como o PSDB e assemelhados o chamam, que incentiva a vadiação, como poderia diminuir o poder dos chefões no Brasil profundo?
Imaginem o assombro. Os de melhor renda no Brasil são useiros e vezeiros em falar que as mulheres do povo agora querem ter mais filhos somente pra mamar no dinheiro do governo. Perdoem a forma chula de expressão, mas é assim que a nossa educada elite se expressa em público. Na intimidade, entre os da sua marca, a coisa é mais feia. O “povo”, que são sempre os outros, aos quais os ricos e meio ricos não se misturam, a gentinha de celular e com motos atrapalhando o trânsito, são a própria afirmação de votos de cabresto, que seriam mantidos pelo Bolsa Família, nos governos populistas de Lula e Dilma. Imaginem na Copa. Que vergonha, os que não deveriam passar da copa, da cozinha, a se exibir nas ruas com os filhos pagos pela Bolsa Esmola.
Pois a patadas do gênero respondeu a pesquisa de 5 anos do livro “Vozes do Bolsa Família”, nas palavras de Walquiria Leão:
“O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?
Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome da mulher, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro”.
Ainda assim, há quem argumente que o programa Bolsa Família reforça o coronelismo, de Lula e Dilma, que seria um governo – para a direita brasileira é assim, Lula e Dilma são uma só pessoa - cujo objetivo é dominar o povo brasileiro para entregá-lo aos corruptos, de Cuba e dos comunistas em geral. Esse nível de argumento é de uma pobreza e estupidez tamanha que difícil é respondê-lo. Entendem? Seria algo como provar a um homem que a terra é redonda, apesar de ele só ver lugar plano. No cerne desse preconceito está a ideologia de que o povo é imbecil, por um lado. Por outro, que ele não pode receber políticas compensatórias que amenizem uma exclusão secular, porque tais políticas seriam puramente eleitorais. Dizer o quê, amigos?
O senador Jarbas Vasconcelos certa vez declarou à Veja que “há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família”. E sobre isso escrevi uma reportagem publicada na Carta Capital, em que relatava a minha busca inútil, cômica, do garçom rico de Bolsa, depois de horas a entrar em beco e sair em beco.
Naquela reportagem, que reduzida está no Direto da Redação, clique aqui pude observar que o valor máximo do Bolsa Família era então de 182 reais por família. Isso significava que o garçom afortunado, se profundamente carente, trocaria seus cerca de dois mil reais por mês pela fortuna de 182. Porque a Bolsa é concedida por família, não seriam duas Bolsas, uma para o garçom, outra para o seu filho, como declarou a nobre ética do ainda mais nobre senador.
Para encerrar, nada melhor que as palavras da socióloga, quando contou uma ternura testemunhada em um homem miserável no Vale do Jequitinhonha:
“Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse:
`A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto`.
Essa delicadeza... a gente se surpreende muito”.
Urariano Mota
No Direto da Redação
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Por que Cuba tem tantos médicos?

A exportação de serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.
cuba
O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo.
O texto abaixo foi publicado originalmente no site da BBC Brasil
Mas como, afinal, Cuba chegou a ter tantos médicos? E por que tem tanto interesse em “exportar” seus serviços para outros países?
Em Cuba, os profissionais da área de saúde têm uma função bem mais ampla do que simplesmente atender à população local. Já há algum tempo, a exportação de serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.
Segundo informações repassadas pela chancelaria do país ao correspondente da BBC Mundo em Havana, Fernando Ravsberg, o contingente de profissionais de saúde cubanos fora da ilha incluem atualmente 15 mil médicos, 2,3 mil oftalmologistas, 5 mil técnicos de saúde e 800 prestadores de serviço trabalhando em 60 países e gerando lucros milionários ao regime – as cifras mais otimistas falam em até US$ 5 bilhões (R$ 10,6 bilhões) ao ano.
O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela, por exemplo, permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo. E também há profissionais em outros países da região, cerca de 4 mil na África, mais de 500 na Ásia e na Oceania e 40 na Europa.
Segundo fontes oficiais, a Venezuela pagaria esses serviços por consulta – e a mais barata custaria US$ 8 (R$ 17) em 2008. Já a África do Sul pagaria mensalmente US$ 7 mil (R$ 14,9 mil) por cada médico da ilha.
Para muitos países em desenvolvimento, o atrativo dos médicos cubanos é que eles estão dispostos a trabalhar em lugares que os locais evitam, como bairros periféricos ou zonas rurais de difícil acesso – onde moram pessoas de baixíssimo poder aquisitivo. Além disso, em geral eles também receberiam remunerações mais baixas.
História
Boa parte dos médicos que ficaram na ilha após a Revolução viraram professores, foram abertas faculdades de medicina em todo o país e se priorizou o acesso de estudantes ao setor. Tudo facilitado pelo fato de o ensino ser gratuito.
A primeira missão de saúde ao exterior foi organizada em 1963. Apesar da escassez de médicos, Cuba enviou alguns de seus profissionais à Argélia para apoiar os guerrilheiros que acabavam de obter a independência. Eram os primeiros de 130 mil colaboradores que, ao longo dos anos, já trabalharam em 108 países.
O tema dos profissionais de saúde cubanos no exterior é um dos muitos que dividiram Cuba e EUA – e Washington chegou a criar um programa para facilitar os vistos para médicos cubanos que estejam trabalhando em terceiros países.
Incentivos
No exterior, esses profissionais de saúde recebem salários muito mais altos do que os que trabalham dentro de Cuba, como explicaram a Ravsberg duas médicas, sob a condição de anonimato.
Alicia (o nome é fictício) disse ter trabalhado na Venezuela durante 7 anos e garante que, apesar de já estar aposentada, “se me pedissem para voltar, aceitaria sem pestanejar”.
“O que me motivou foi a possibilidade de trabalhar com o apoio a diabéticos, porque padeço da doença. Comecei (atendendo) gente que perdia a visão por causa disso”, diz, agregando que “também buscava uma melhoria econômica, porque o salário (em Cuba) não era suficiente”.
“Cheguei à Venezuela ganhando 400 bolívares (R$ 135), mas foram subindo (o salário) e, antes de voltar, ganhava 1,4 mil (R$ 474)”, diz. “Foi uma experiência maravilhosa, que não dá para esquecer. (Atendia) pessoas pobres e algumas delas me ligam até hoje em Cuba.”
No Brasil
Juana (outro nome fictício) tem 35 anos e é médica em Cuba. Quando recém-formada, deixou marido e a filha de 4 anos na ilha para trabalhar na Venezuela, com a ideia de se desenvolver profissionalmente, conhecer o mundo e melhorar sua situação econômica.
“Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha casa.”
Agora, ela tem a chance de voltar a viajar. “O Ministério me chamou para trabalhar no Brasil, em condições muito melhores do que na Venezuela”, disse à BBC.
Segundo o projeto inicial, anunciado no início de maio, o governo brasileiro estudava contratar 6 mil médicos cubanos para trabalhar principalmente em áreas remotas do país.
O Conselho Federal de Medicina, porém, expressou “preocupação” com a possibilidade de médicos estrangeiros atuarem no Brasil sem passar por exames de avaliação, alegando que isso poderia expor a população a “situações de risco”.
Nos cinco continentes
Até em Cuba a “exportação de médicos” causa alguma polêmica.
A formação de tantos profissionais de saúde permitiu que a ilha criasse a figura do Médico de Família, profissionais que atendem em todos os bairros e encaminham os pacientes para especialistas ou hospitais.
Mas esse é justamente o programa mais afetado pela saída dos médicos ao exterior.
O fechamento de algumas das casas de saúde gera insatisfação entre os cubanos, aumenta a concentração de pacientes por médico e o tempo de espera.
“Ainda assim, 60 mil médicos ficaram em Cuba, 1 para cada 200 habitantes – média melhor que a de muitos países desenvolvidos”, diz Ravsberg.
“A ilha também tem uma expectativa de vida próxima aos 80 anos e programas de prevenção a Aids e HIV reconhecidos internacionalmente.”
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Google explica como cede informações a departamentos dos EUA

| Foto: seankenney.com
Conforme o Google, os dados são entregues ao
governo dos EUA através de um sistema de transferência
de dados FTP seguro
O gigante da internet Google deu nesta quinta-feira (13) alguns detalhes de como cede informação solicitada pelo governo norte-americano quando investiga casos que afetam a segurança nacional.
O diretor do departamento jurídico do Google, David Drummond, explicou numa entrevista ao canal público PBS que, quando recebem uma ordem judicial para entregarem dados ao governo norte-americano, o fazem através de um sistema de transferência de dados FTP seguro.
David Drummond explicou que o servidor FTP é estabelecido pela agência governamental implicada no caso, que o Google facilita a informação, e que em nenhum caso o governo tem acesso direto aos servidores da multinacional.
Recentemente, os diários “The Guardian” e “The Washington Post” revelaram os detalhes de um programa da Agência de Segurança Nacional (NSA) chamado PRISM que lhes permitia ter informações dos servidores de nove das maiores empresas da internet.
O Google reiterou em várias ocasiões que não facilita o acesso direto aos seus servidores por agentes ou agências governamentais e que apenas cede informação quando esta é solicitada por ordem judicial.
Tanto o Facebook como o Google solicitaram às autoridades federais norte-americanas autorização para revelarem dados de como atuam quando o governo lhes solicita informação em casos que afetam a segurança nacional dos Estados Unidos.
Apesar das explicações do Google, ainda pende uma explicação mais detalhada sobre o programa PRISM, que segundo o perito Edward Snowden, que denunciou o caso, permite recolher diretamente informações dos servidores.
No Sul21
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Hackers invadem site da Secretaria de Educação e divulgam ato contra aumento da passagem

'Exigimos a redução da tarifa! Os supostos representantes devem ouvir a vontade do povo!', diz a mensagem deixada pelo grupo Anonymous
hackers
Mensagem divulgou nova manifestação do Movimento
Passe Livre nesta quinta-feira (13)
São Paulo - O site da Secretaria Estadual de Educação foi invadido na noite de ontem (12) e usado para divulgar mensagem cobrando a revogação do aumento das tarifas de transporte público na capital paulista.
“Exigimos a redução da tarifa! Os supostos representantes devem ouvir a vontade do povo! Basta de políticos inócuos! Estamos acordados! Seus dias de fartura estão contados!”, escreveram os hackers no site.
Os manifestantes também reafirmaram a convocação para um novo protesto nesta quinta-feira: "Dia 13 de Junho, 17h no Teatro Municipal de São Paulo! Todos às ruas!".
A mensagem deixada incluía duas imagens: uma delas é de um dos protestos realizados pelo Movimento Passe Livre (MPL), que lidera as manifestações dos últimos dias cobrando a redução do preço da passagem para R$ 3.
“Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar”, alerta uma faixa na foto. A outra imagem é de um grupo de pessoas usando máscaras de Guy Fawkes, identificadas com os ciberativistas do grupo Anonymous.
Nas redes sociais, a invasão da página da secretaria está sendo creditada ao MPL, porém o grupo ainda não se manifestou sobre o assunto. Na última terça-feira (11), a manifestação do MPL terminou com conflito entre manifestantes e a Polícia Militar, que culminou em 20 prisões.
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Terceiro ato contra aumento da passagem São Paulo (11/06/2013)



A placa do carro que atropelou os manifestantes que estavam na Avenida Paulista. EUZ-1907

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Após incitar violência em ato, promotor será desligado do Mackenzie

O promotor Rogério Leão Zagallo, que causou polêmica ao escrever um comentário no Facebook pedindo à Tropa de Choque que atirasse contra os manifestantes do Movimento Passe Livre, será desligado da Universidade Mackenzie, onde dá aulas no curso de Direito.
O próprio professor declarou aos seus alunos que não mais fará parte do corpo docente da universidade a partir do próximo semestre. Segundo ele, a universidade decidiu não renovar o seu contrato.
Preso no trânsito durante o protesto da última quinta-feira (6), o promotor escreveu em seu perfil pessoal: "Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial?".
Após a repercussão do comentário, Zagallo justificou o seu comentário dizendo que foi um "desabafo" de alguém que estava há muito tempo parado na trânsito e que tinha um filho pequeno a sua espera. Ele disse ainda que a manifestação era legítima e que o comentário sobre o arquivamento de inquérito foi apenas uma "forma de expressão".
Sobre o comentário do professor Zagallo, a universidade Mackenzie afirmou que mantém uma posição contrária a qualquer tipo de ação que desrespeite a liberdade e incite à violência. A assessoria de imprensa da universidade, no entanto, não confirmou o desligamento do professor Zagallo. 
Postagem do promotor em rede social na noite de sexta-feira (7)
Comentário do promotor no Facebook na noite de sexta-feira (7) durante protesto contra o aumento da tarifa
Marcelo Almeida
No fAlha
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Charge online - Bessinha - # 1819

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Perdeu Playboy!

A Playboy e a crise da Abril

Está se disseminando na internet uma crítica supostamente bem pensante diante da possibilidade do fim da revista Playboy, editada pela Abril. O lamento indica que a revista perdeu qualidade nos últimos tempos. Em lugar de capas com Cristiane Torloni, Sônia Braga, Maitê Proença e outras, temos agora desconhecidas que se notabilizaram em algum desfile de carnaval ou em programas vulgares de televisão.
Sejamos claros: o principal atrativo de Playboy são as mulheres. Sempre foi. Diferentemente de outras revistas masculinas nos anos 1950/60, que eram discretas no apelo sexual - como a Esquire nos EUA e a Sr. no Brasil -, a Playboy tinha um marketing genial para vender mulher pelada: entremeava as fotos com artigos e entrevistas de qualidade.
Mas os textos sempre foram salada de churrascaria, ou seja, complemento do prato principal. Tanto que nunca a revista colocou como capa uma entrevista com Fidel Castro ou um conto de Garcia Marquez ou Hemingway. Com isso ela podia ser lida sem culpa por executivos modernos, senhores respeitáveis e chefes de família. Quase uma coisa cabeça.
As mulheres também eram "finas" e "classudas". Ou seja, inatingíveis e destinadas ao deleite dos olhos. Um editor me falou nos anos 1980: “São para punheta, não para se comer, pois a revista nunca estimula o adultério”. Mulheres para consumo na solidão de banheiros e nunca para amantes.
A desculpa de que nos últimos anos a publicação se vulgarizou e se tornou uma revista de BBBs e de subcelebridades é avaliação das mais cafajestes que se pode fazer. Enquanto as moças eram da "elite" (com cachês supostamente milionários), a revista era boa; agora, com “essas vagabundas aí” (que devem receber muito menos), ela perdeu a linha.
Na verdade, o que leva Playboy à decadência é a superoferta de pornografia na internet (sim, é isso que a revista sempre vendeu, em versões mais ou menos soft). Mulher em suas páginas sempre foi objeto, seja em seus áureos tempos, seja nesses anos de elevação das camadas populares ao consumo de massas.
No fundo, a crítica limpinha e cheirosa à “vulgarização” da Playboy é muito semelhante àquelas que deploram os aeroportos por parecerem rodoviárias, com aquela gente de chinelo e bermuda tomando avião.
Só que o pessoal de bermuda e chinelo busca o produto na rede.
Playboy é vítima do mercado que ajudou a abrir.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC. Doutor em história pela Universidade de São Paulo, é autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
No Carta Maior
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Ferro critica silêncio da mídia brasileira sobre monitoramento ilegal dos EUA

fernandoferrotribuna
 Foto: Gustavo Bezerra
Em pronunciamento na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (11), o deputado Fernando Ferro (PT-PE) não poupou críticas ao “silêncio” da mídia brasileira sobre denúncias a respeito da vigilância ilegal promovida por órgãos de segurança dos Estados Unidos tanto em território norte-americano como em outros países.
“Estranho o silêncio da imprensa brasileira, que sempre acusa Venezuela, Argentina ou Cuba de procedimentos autoritários, quanto ao que nós assistimos em relação à denúncia de ex-agente da CIA sobre o monitoramento de ligações telefônicas da vida privada”, disse.
O deputado se referiu a Edward Snowden, ex-agente da NSA (Agência Nacional de Segurança, na sigla em inglês) que revelou ao jornal inglês The Guardian a prática corrente, por parte dos EUA, de monitorar ligações telefônicas, e-mails e outros tipos de meios de comunicação utilizados por milhões de pessoas em todo o mundo.
“A NSA criou uma infraestrutura que lhe permite interceptar quase tudo. Eu não quero viver num mundo onde tudo que eu faço e digo é registrado”, explicou Snowden em entrevista ao Guardian.
Ferro atacou o que chama de “volta da censura e do autoritarismo” e afirmou, ainda, que a mídia brasileira é submissa. “Cobro da imprensa brasileira o mesmo rigor que tem com os outros países. Isso é uma submissão, um neocolonialismo típico da imprensa nacional”, disparou o petista.
Ferro lembrou que o fundador do WikiLeaks, Julian Assenge, está sendo perseguido pelos EUA por ter revelado telegramas secretos nos quais é denunciada a diplomacia deste país por crimes e barbaridades cometidas em nome da “liberdade e da democracia”. O parlamentar citou também o caso de jornalistas da Associated Press que foram recentemente grampeados pelo governo Obama.
Confira aqui e aqui,  em inglês, as reportagens do The Guardian com Edward Snowden. 
Rogério Tomaz Jr.
No PT na Câmara
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