12 de jun de 2013

Charge online - Bessinha - # 1818

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Papa Francisco admite “rede de corrupção gay” no Vaticano

Papa admite existência de rede de corrupção e “lobby gay” no Vaticano. Declarações foram dadas por Francisco na semana passada, segundo revista chilena
Conhecido por ser um crítico da corrupção, inclusive a de dentro da Igreja Católica, o papa Francisco reconheceu abertamente, pela primeira vez, a existência de uma “corrente de corrupção” e de um “lobby gay” no Vaticano, segundo divulgou nesta terça-feira (11/06) a revista chilena Reflexión y Liberación. A declaração teria ocorrido na última quinta (06/06), durante uma reunião com a CLAR (Confederação Latinoamericana e Caribenha de Religiosas e Religiosos).
No encontro, que durou quase uma hora, o papa admitiu a existência de uma “rede de corrupção homossexual”. “Na Cúria há gente santa, de verdade, há gente santa. Mas também há uma corrente de corrupção. Fala-se de um ‘lobby gay’ e é verdade. Temos que ver o que podemos fazer”, teria dito o pontífice. Esse lobby refere-se a um sistema de chantagens internas baseado em fraquezas sexuais que foi denunciado pela imprensa italiana em fevereiro.
As lutas de poder, os desvios de dinheiro e as relações homossexuais no Vaticano vêm sendo expostos na mídia há um tempo. A própria renúncia de Joseph Ratzinger foi atribuída, por vários veículos, ao horror e à tristeza que lhe teriam sido causados pela descoberta da existência desse grupo de poder homossexual e de suas possíveis chantagens a importantes membros da Cúria.
Segundo o jornal La Repubblica e a revista Panorama, ambos italianos, Ratzinger teria decidido renunciar ao cargo de papa após receber um relatório de 300 páginas sobre o assunto. Entretanto, até agora, a Santa Sé havia sempre rechaçado a existência de um “lobby gay”.
O papa Francisco, no entanto, admitiu ser uma pessoa “muito desorganizada” para realizar a reforma necessária na Cúria. “Sou uma pessoa desorganizada, nunca fui bom nisso. Mas os cardeais da comissão vão levá-la adiante”, afirmou, referindo-se à comissão montada por ele em março, para assessorá-lo na reforma do governo central da Igreja. A primeira reunião desses cardeais será realizada em outubro.
“A reforma da Cúria Romana é algo que quase todos os cardeais pediram nas congregações anteriores ao conclave. Eu também a pedi. A reforma não pode ser feita por mim…”, explicou o Papa.
Quando questionado sobre as declarações do pontífice, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse apenas que se tratou de uma reunião privada, sem dar maiores detalhes.
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As faces do movimento que está parando São Paulo

“Nós não temos como controlar as pessoas que vêm aqui para quebrar tudo”.
Thaís Lopes, estudante de jornalismo
Thaís Lopes, estudante de jornalismo
O terceiro ato contra o aumento das tarifas de ônibus do Movimento Passe Livre terminou com um saldo de 20 detidos, barricadas, uma agência do Bradesco e uma estação de metrô depredadas e confrontos com a polícia na Estação da Sé, na Paulista e em alguns outros pontos da cidade.
O Diário acompanhou a manifestação que juntou aproximadamente 5 mil pessoas (as fotos são de autoria de Andrés Vera).
Por que terminou assim? Tem de terminar assim? É útil para a causa do Passe Livre que termine assim? “Nós não temos como controlar as pessoas que vêm aqui só para zoar e quebrar tudo”, me disse um membro do MPL que não quis se identificar. “Nossa ação tenta ser pacífica”.
A concentração na esquina da Paulista com a Consolação era relativamente tranquila na tarde feia paulistana. Em comum, todos estavam atendendo à convocação feita pelo Facebook. “Isso tudo é importante porque mostra como temos poder de mobilização. Tudo pela internet”, disse Thais Lopes,  estudante de jornalismo. Os membros do MPL batucavam na Praça do Ciclista, no coração da aglomeração. Usavam camisetas pretas com o símbolo da organização e entoavam gritos de guerra como: “Ô motorista, ô cobrador, me diz aí se seu salário aumentou”; “Mãos ao alto, 3 e 20 é um assalto”.
Em torno deles, a multidão de jovens – muitos deles com lenços cobrindo o nariz e a boca. Faixas estendidas. Havia bandeiras do PSTU, PCO e Juventude Marxista. O MPL era, na verdade, a minoria.
“Nós todos queremos a mesma coisa”, disse Guilherme Kranz, morador de Higienópolis e membro da Juventude Às Ruas. Guilherme distribuía panfletos de sua agremiação. “Há notícias de que até mesmo a Abin (A CIA brasileira) tem se infiltrado e espionado nossos atos e isso num governo de uma ‘ex-combatente’ contra a ditadura”, lia-se.
O homem destacado pelo MPL para falar com a imprensa era Caio Martins. Magro, alto, óculos de aros redondos, Caio mora na Lapa com os pais. “Nós decidimos que eu falaria com vocês numa reunião à tarde. Eu me sinto mais à vontade”, disse. “O movimento é apartidário, mas nós aceitamos todos os partidos que queiram se unir à luta. Em geral, é a polícia que começa a violência”. Caio declarou enxergar uma inspiração no Ocupe e nos protestos em Istambul, na Praça Taksim. “Nós somos um movimento social. Queremos transformar a realidade”.
A passeata seguiu em direção ao centro. A chuva intensa fez com que muitos se refugiassem nas marquises de lojas da Consolação. “Há muitas coisas ruins acontecendo no Brasil. É preciso dar um basta. Gostaria de ver mais famílias aqui”, disse Isadora Lima, de 32 anos, hostess, que aproveitou o dia de folga do trabalho para protestar.
“A USP está engajada, especialmente a FFLECH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). O transporte tem de ser gratuito”, afirmou Renato Aguilar, morador de uma república e que vai à escola com o circular da USP — o qual, aliás, é gratuito. “Eu não me conformo com essa situação. Sou do coro de maracatu da faculdade e o pessoal do Passe Livre nos convidou a participar”.
A violência teve início na Praça da Sé, com a rotina de gás lacrimogêneo contra pedradas. “Esquecemos o vinagre”, disse Júlio Witer, estudante de geografia, de olhos vermelhos após uma bomba de efeito moral. Muitos levavam lenços embebidos em vinagre para amenizar os efeitos do gás. Sacos de lixo foram usados para acender fogueiras. Mais tarde, grupos se dispersaram e confrontos esparsos prosseguiram por algumas horas. Na Bela Cintra, bexigas com tinta foram atiradas nos policiais. Uma bomba explodiu na estação Brigadeiro do metrô. Os passageiros tiveram de sair por causa da fumaça.
“Não sei se vamos nos isolar. É possível que sim”, disse o estudante Reinaldo Carvalhosa. “Mas, enquanto estivermos irritando a esquerda e a direita, estamos no caminho certo”.
As faces da manifestação:
Adriana Martins, artista plástica
Adriana Martins, artista plástica
Guilherme Kranz, estudante e membro da Juventude Às Ruas
Guilherme Kranz, estudante e membro da Juventude Às Ruas
Stefany Marques, estudante
Stefany Marques, estudante
Enzo Santos, estudante de cinema
Enzo Santos, estudante de cinema
Isadora Lima, hostess
Isadora Lima, hostess
Melannie Schisler, estudante de geografia
Melannie Schisler, estudante de geografia
Júlio Witer, estudante de geografia
Júlio Witer, estudante de geografia
Rogério Che, diretor de fotografia
Rogério Che, diretor de fotografia
João Paulo Freire, enfermeiro
João Paulo Freire, enfermeiro

O que o MPL está dizendo ao PT

A baixa velocidade das reformas sociais levou o partido a inéditas pressões.
Preotesto do MPL em frente da casa de Kassab: não é um movimento antipetista
Protesto do MPL em frente da casa de Kassab: não é um movimento antipetista
Nunca na história do PT, para usar uma expressão cara a Lula, o partido enfrentou uma pressão social tão genuína, tão intensa e tão espontânea.
O PT se acostumou à vida mansa proporcionada por sindicatos e associações estudantis domesticadas.
A folga acabou. Se não é bom para o PT, para o Brasil é.
Sem indignação, sem mobilização, sem protesto você não consegue nada. Teríamos que nos conformar com a baixa velocidade do PT nas reformas sociais que mitiguem a vergonhosa desigualdade entre os brasileiros.
A cada lista internacional de desenvolvimento social, lá está o Brasil em colocações medíocres, abaixo mesmo dos vizinhos latino-americanos.
O PT acabou se abarrotando de alianças com setores que combatem pelo atraso social – como os ruralistas, por exemplo.
Tinha que irromper protesto no Brasil, e tinha que ser de movimentos sem compromisso com o PT.
Não estamos falando da fajutice retrógrada de pseudomovimentos como o Cansei e coisas do gênero.
Falamos de coisas reais.
Uma é o Movimento Passe Livre, o já conhecido MPL. A insatisfação de seus integrantes vai muito além, naturalmente, das tarifas de ônibus, embora se expressem por elas.
Não é um grupo antipetista, embora os petistas gostem de dizer que é. Eles já estavam fazendo os mesmos protestos contra Kassab. Apenas a mídia ignorou.
A mídia está dando destaque agora porque, presumivelmente, acha que pode fixar nos paulistanos a ideia de que Haddad não consegue gerir a cidade.
Essa percepção, eventualmente, pode ajudar o PSDB mais para a frente, nas eleições para governador, em 2014.
A Juventude do PT, que acaba de declarar apoio às reivindicações do MPL, já estava lado a lado com seus líderes nos protestos contra Kassab.
É positivo tirar o PT da zona de conforto social. Há que cobrar mais, exigir mais realizações. Dez anos no poder não são cem anos, é certo, mas também não são dez semanas ou dez meses.
Não dá para os brasileiros aturarem a mesma ladainha de sempre: a de que o PT herdou uma situação horrorosa e não teve tempo ainda de fazer o serviço.
Em outra fronte também aparece uma pressão que só pode merecer aplausos: a dos índios.
Indigenistas apontam um fato incrível: a falta de diferença entre o tratamento dispensado aos índios na ditadura militar e o que o governo Dilma dá a eles hoje.
Dilma, há poucos dias, disse que não perdia um Sai de Baixo. Ora, se ela tem tempo para ver esse lixo televisivo deveria abrir uma brecha na agenda para receber os índios.
indios (1)
Até agora, ela não falou pessoalmente com os indígenas. Mas está constantemente com os ruralistas.
Desde Collor, nenhum presidente demarcou tão poucas terras para os índios quanto Dilma.
Não basta ao PT ter discurso social. Há que ter ação.
Tremo quando ouço Lula dizer que nunca os banqueiros ganharam tanto como ganharam sob ele. Está errado. Eles tinham que ter ganhando menos, para que sobrassem mais recursos para os milhões de miseráveis brasileiros.
O que Lula pensa que é uma virtude é, na verdade, um defeito: ele mexeu bem menos do que deveria nos privilégios do chamado 1%.
Tinha que dar no que deu: a voz rouca das ruas, seja branca ou vermelha, negra ou amarela, parda ou o que for, tem um limite de paciência.
E ele se esgotou.
Se o PT não quer se tornar amanhã o que o PSDB é hoje, um partido desconectado do que acontece na sociedade, tem que se mexer.
Tem que acelerar, e muito, o pedal das reformas.
Kiko e Paulo Nogueira
No DCM
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É assim que se sai da crise

Finalmente, nestes tempos em que o discurso recessionista parecia estar se infiltrando nos corações e mentes de gente do Governo, a Presidente Dilma dá um “chega pra lá” nos urubus da crise.
Os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida terão à disposição linha de crédito especial de R$ 18,7 bilhões para comprar móveis e eletrodomésticos (veja abaixo a relação), com 48 meses para pagar e desconto de 5% sobre o preço à vista.
O financiamento valerá por 12 meses e será operado pelo Banco do Brasil e pela Caixa, por meio de um cartão magnético.
É mais barato e socialmente justo que a redução de IPI, pura e simples.
Até porque os valores têm um teto, para não permitirem aquisições de produtos luxuosos. Mas sem discriminar os pobres, que também tem direito a comprar TV digital e computador.
Estes são itens que podem ser financiados:
MÓVEIS
PRODUTO
PREÇO MÁXIMO DE VENDA
Guarda-Roupa
Até R$ 380,00
Cama de Casal, com ou sem Colchão
Até R$ 370,00
Cama de Solteiro, com ou sem Colchão
Até R$ 320,00
Mesa com Cadeiras
Até R$ 300,00
Sofá
Até R$ 375,00
ELETRODOMÉSTICOS
PRODUTO
PREÇO MÁXIMO DE VENDA
Refrigerador
Até R$ 1.090,00
Fogão
Até R$ 599,00
Lavadora de Roupas Automática
Até R$ 850,00
TV Digital
Até R$ 1.400,00
Notebook com acesso a Internet ou Computador, com teclado, mouse e monitor com acesso a Internet
Até R$ 1.150,00
Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 1816

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Tucano quer impedir pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente

O deputado aecista Marcus Pestana (PSDB-MG) apresentou projeto de lei para regulamentar a transmissão de pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente. Ele teve a ideia após contar 13 pronunciamentos de Dilma desde o início do mandato...
O PSDB está desesperado. Quer se manter na mídia, nem que para isso faça papel ridiculo como esse. Também foi de Marcus Pestana a ideia de, em janeiro, bater na porta da Procuradoria-Geral da República  para reclamar  da cor do casaco usado por ela durante pronunciamento de TV no qual anunciou a redução da tarifa de energia elétrica.
Na petição de janeiro, Pestana escreveu: "A presidente Dilma usou roupas vermelhas no pronun­ciamento oficial em uma cla­ra referência às roupas verme­lhas utilizadas na campanha de 2010 (...) fazendo alusão à cor do seu partido".
Mas o blazer  era rosa. E só o tucano viu vermelho
Será que o deputado tucano está com muito tempo ocioso?
No Amigos do Presidente Lula
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Anatomia do Movimento Passe Livre

As recentes manifestações de junho do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo surpreenderam os donos do poder. Como a justiça da causa não podia ser questionada, as armas da crítica voltaram-se contra a crítica das armas. E sendo assim, perderam.
Ainda que as armas não fossem armas. Pneus incendiados, lixeiras como barricadas e milhares de pessoas concentradas ainda não podem ameaçar nenhum grupo estabelecido no andar de cima. Mas podem desmoralizá-lo. Diante disso a “crítica” dirigiu-se à turba, à baderna, ao “trânsito”, aos arruaceiros e aos jovens filhos de papai.
Sem resultados, os críticos descobriram os partidos. Assim, pelos jornais “sabemos” que certos partidos de “extrema esquerda” dirigiam sorrateiramente o MPL. Nada mais falso. O MPL se organiza horizontalmente, ao lado, acima (por vezes abaixo) dos partidos políticos. Não é, portanto, uma frente de partidos. Decerto há nele militantes de partidos. Nada mais esperado e justificado. Os partidos de esquerda, revolucionários ou não, vivem sempre a expectativa de montar o cavalo já em disparada.
Eis que a grande imprensa lembrou o vandalismo. “Vândalos!”, berravam apresentadores transtornados nos telejornais sensacionalistas. Em movimentos assim, é natural que haja ações erradas, revoltas incontidas e gritos de ódio. A população que se movimenta não o faz segundo a etiqueta de parlamentares de terno, gravata, seguranças e jantares caros.
Uma ou outra vidraça se quebra porque, ao contrário dos militares que batem, atiram balas de borracha e lançam bombas de gás lacrimogêneo, os militantes das ruas ainda não se acostumaram a mirar com precisão. Eles não dispõem de dinheiro, da polícia e das leis ao seu lado. Mas segundo a contabilidade prática do movimento as lixeiras incendiadas e os prejuízos ao tráfego poderão ser descontados tranquilamente dos bilhões desviados dos cofres públicos nas licitações duvidosas de obras que visam melhorar exatamente o tráfego.
Mas alto lá, proclama um prefeito. O custo do passe livre o inviabiliza! É certo que poderíamos fazer outra conta. A tarifa zero, proposta hoje por vários partidos piratas europeus, foi pela primeira vez lançada pela própria prefeitura da cidade de São Paulo e pelo atual partido do Governo. O Partido dos Trabalhadores propôs durante a gestão de Luiza Erundina que a tarifa fosse paga por um imposto urbano progressivo. Sem apoio na época de um movimento social organizado foi fácil para a Câmara Municipal recusar.
Hoje desconheço os cálculos políticos que os governos fazem para se opor ao passe livre. Sei que os contábeis estão errados. E, provavelmente, os eleitorais também. Uma medida de tal impacto talvez pudesse se tornar o maior “programa social” de um partido. A economia com os gastos de cobrança e com a diminuição de automóveis nas ruas compensaria mesmo a chamada classe média.
Além disso, a população poderia se deslocar por vários serviços de saúde e educação desafogando os equipamentos públicos mais procurados. E nem precisaríamos citar os ganhos para os que frequentariam as escolas, bibliotecas, parques, praças, museus etc.
Confusos, finalmente os “críticos” dizem que se trata de um movimento comunista, anarquista, trotskista, punk, sindical, baderneiro… Mas sabemos que a finalidade do MPL não se define previamente. Apesar da evidência do motivo imediato (a livre locomoção urbana de todas as pessoas) e de ideais necessariamente vagos sobre outra sociedade, ele se define apenas como um grupo que luta. Luta por nós.
Lincoln Secco é professor de História Contemporânea da USP.

CartaCapital traz entrevista com Marcelo Hotimsky, 19 anos, estudante de filosofia da USP e um dos organizadores dos protestos contra o aumento da tarifa de transporte público em São Paulo.
Reportagem: Piero Locatelli
Imagens: Lino Bocchini e Clara Parada
Edição: Clara Parada
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Ação de Gurgel levou PGR à crise

É insólito o episódio da destituição de Deborah Duprat no cargo de vice-procuradora da República pelo chefe da PGR, Roberto Gurgel.
Um retrato de uma politização absurda que tomou conta do comando da Procuradoria e de parte do Supremo Tribunal Federal.
O motivo é a discordância manifesta da Procuradora do parecer de Gurgel a favor de sustar a deliberação do Senado sobre o direito de partidos em criação terem acesso à tempo de TV e recursos do fundo partidário.
Gurgel quer que não haja restrições, mas, curiosamente, ele deu parecer contrário quando o PSD de Gilberto Kassab  buscou e ganhou no Supremo o direito às verbas do fundo.
Mas não foi essa a discordância que levou Duprat a contrariar a posição de Gurgel, em dupla com Gilmar Mendes, de impedir o Senado Federal de apreciar e votar restrição semelhante àquela que defendia para novos partidos.
A divergência foi sobre o poder do Supremo de interromper a discussão e a deliberação do Senado sobre uma lei.
Duprat não aceitou que o Judiciário se substituísse ao Legislativo e, mais ainda, tivesse o poder de negar ao Congresso o direito de apreciar matéria legal.
O que é completamente de suspender, por inconstitucional, a aplicação de qualquer lei aprovada.
E o Supremo não ficou atrás. Ao admitir como “amicus curiae”  parlamentares contrários à medida – que, por não serem advogados no  gozo de suas prerrogativas, acabaram representados por seus advogados no plenário – o Tribunal usurpou o debate legislativo comum, numa decisão infeliz que só vem tirar o comedimento e a austeridade que devem pautar a Corte Constitucional.
Duprat não é nenhuma neófita, possui um vasto currículo em causas diretamente ligadas aos direitos sociais e, dela, não se pode dizer que se serviu de uma oportunidade para confrontar Gurgel, com quem trabalha há anos e de quem recebeu a representação da PGR para questões de controle constitucional, exatamente o tema em questão.
Ela é, pelo voto de seus colegas, uma das integrantes da lista de onde a Presidenta Dilma Rousseff escolherá o novo Procurador Geral. Os procuradores demonstraram claramente não desejar alguém que levasse a instituição pelos caminhos da radicalização e da partidarização, como se atribui à outra auxiliar de Gurgel, Sandra Cureau, que obteve 271 votos, contra os 445 dados a Duprat.
Os dois outros integrantes da lista tríplice são Ela Wiecko – que teve 457 votos – e Rodrigo Janot, com 511 votos, que rompeu com Gurgel acusando o atual procurador de centralizador e autoritário. Se a tradição for seguida, ele, como mais votado, será o escolhido.
Mas, depois de partidarizar o cargo, Roberto Gurgel conseguiu, também, colocar uma politização indevida em sua própria sucessão.
Se o Procurador Geral nos governos FHC, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido como “engavetador-geral” por barrar o curso das ações contra o ex-presidente, Gurgel bem poderia ser chamado de “usurpador-geral”, pelo poder transtornado que se atribuiu de deformar a partição dos poderes e a postura de inquisidor, em troca dos incensos da mídia conservadora.
Seu último ato, portanto, é “coerente”: uma violência contra a serenidade da instituição.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Dilma Bolada enquadra a dupla Campos-Aécio

bolad

Deu no Estadão que os presidentes nacionais (e candidatos) do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, governador Eduardo Campos (PE),acham que  o risco de aumento de inflação,que os  dois agitaram nos seus programas de TV teve forte influência nos números do Datafolha, publicado no domingo, e na CNI. “Nos dois levantamentos, Dilma tem mais de 50% dos votos, mas os potenciais candidatos acreditam que, com a campanha na TV em 2014, esse índice tende a cair.”, diz a matéria.
Bem, o risco de inflação não é algo que os programas de ambos tivessem agitado para a população. Os jornais e a TV fazem isso todo dia, o dia todo, seja com a Ana Maria Braga, seja com a Míriam Leitão, “lo que no es lo mismo, pero es igual”.
“Graças” ao terrorismo inflacionário – e, quem sabe,  aos tumultos “branquinhos” por causa dos R$ 0,20 de aumento das passagens de ônibus e São Paulo e no Rio – os dois já sonham com um segundo turno nas eleições presidenciais.
Eles deveriam dar uma passadinha no facebook do Dilma Bolada, feito  pelo estudante Jeferson Monteiro,para ler o que os jornais não deram.
Que a pesquisa CNI simula um segundo turno. E, para a oposição, não é um sonho, mas um pesadelo, como você pode ver nos quadros aí acima. Não há um segundo turno com Eduardo Campos porque, com 3,7% das intenções de voto, nem se deram ao trabalho de perguntar.
Quando a “Dilma Bolada” começa a fazer jornalismo melhor do que os jornais, ou quando o humorismo passa a ser mais jornalístico que os jornais, é grave a crise.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Chevrón: La Corte Suprema Argentina sentó jurisprudencia contra los pueblos latinoamericanos

La Corte Suprema de Justicia de la Nación emitió un fallo, basado en el dictamen que elaboró la Procuradora General de la Nación, Alejandra Gils Carbó, para levantarle un embargo por US$ 19.000 millones a la Chevrón Corporation, otorgándole impunidad a una de las petroleras más cuestionadas por violaciones a los derechos humanos, colectivos y ambientales en el mundo.
Luego de 20 años de luchas, el hermano pueblo de Ecuador le ganó un juicio a la Corporación Chevrón por desvastar intencionalmente 500 mil hectáreas de selva del Amazonas durante 30 años,  provocando muerte, destrucción y desplazamiento de miles de indígenas y colonos que habitan en esa región.
Más allá de los daños irreparables, este juicio permitió que la justicia civil argentina embargase a la filial local de Chevrón con la ratificación unánime de la Cámara de Apelaciones. Surgía de esta manera, la primera oportunidad para que la Corporación Chevrón se viese obligada a respetar la condena que desconoce y se niega a cumplir.
Pero no sólo se impidió esto sino que, gracias al fallo de la Corte Suprema, también se permitió al Gobierno celebrar, a través de YPF, un contrato con Chevrón muy desfavorable para los argentinos, por un monto de U$S 1.500 millones para explotar el yacimiento de Vaca Muerta. Tanto es así, que miembros del  directorio de YPF han renunciado para no ser cómplices de esta estafa.
Me pregunto si Ricardo Lorenzetti, quien preside un Consejo Internacional de Jueces para proteger el ambiente en el marco del “Programa de Naciones Unidas para el Medio Ambiente” sabía, cuando firmó, que Texaco-Chevrón arrojó alrededor de 16 mil millones de galones de agua tóxica a los esteros y ríos de la Amazonia, que vertió intencionalmente 650 mil barriles de crudo y que construyó 880 fosas sin recubrimiento que fueron depósitos de crudo y sus desechos.
Me pregunto si saben Enrique Petracchi, Juan Carlos Maqueda, Carmen Argibay, Raúl Zaffaroni y Helena Highton de Nolasco que con su firma le han abierto la posibilidad a Chevrón para que destruya nuestro país al igual que lo hizo en Ecuador.
Me pregunto que entiende Gils Carbó por democratizar el acceso a la justicia, si mientras se penalizan las protestas sociales de los Pueblos Originarios se absuelve a corporaciones que violan nuestros derechos como humanos.
¿Se han preguntado qué va a pasar cuando pueblos damnificados en Argentina se vean obligados a demandar a una transnacional para lograr justicia y dignidad?
Nuestra Corte Suprema ha sentado jurisprudencia en contra del propio pueblo argentino y de los hermanos pueblos latinoamericanos, que han resistido permanentemente y han actuado para preservar su identidad, su honor, sus recursos y su vida.
Por esto la Confederación de las Nacionalidades Indígenas del Ecuador (CONAIE), junto a los argentinos y argentinas que queremos soberanía y dignidad para nuestro pueblo frente a las multinacionales, rechazamos este fallo y solicitamos su urgente revisión.
Adolfo Pérez Esquivel
Premio Nobel de la Paz
Presidente del Servicio Paz y Justicia
Para ver el sitio de la campaña Chevrón Tóxico: http://chevrontoxico.com/
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Charge online - Bessinha - # 1817

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Atividade industrial registra o maior crescimento em três anos, revela CNI

http://exame.abril.com.br/assets/pictures/26932/size_590_montadora-brasil.jpg?1301528777 
Depois de um início de ano fraco, a atividade industrial registrou o maior crescimento em três anos, informou hoje (11) a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com os Indicadores Industriais, pesquisa mensal sobre o desempenho do setor, o número de horas trabalhadas (que mede a produção industrial) aumentou 2,9% em abril na comparação com março. A expansão é a maior de um mês para o outro desde março de 2010, quando o indicador tinha avançado 3%.
Os dados são desassonalizados e, portanto, desconsideram as oscilações típicas de determinada época do ano. Segundo a CNI, houve crescimento das horas trabalhadas em 17 dos 21 setores da indústria pesquisados. Em março, apenas seis segmentos tinham registrado aumento no indicador.
O desempenho positivo também refletiu-se em outros indicadores divulgados pela CNI. O faturamento real – descontada a inflação – da indústria aumentou 5% em abril em relação a março. Essa expansão recuperou o nível registrado em agosto do ano passado, quando o crescimento também tinha ficado em 5%. Nos quatro primeiros meses do ano, o faturamento real aumentou 6,8% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2012.
O emprego industrial cresceu 0,7%, sem retração pelo oitavo mês seguido. A massa salarial da indústria aumentou 0,4%, com alta pelo terceiro mês consecutivo. A utilização da capacidade instalada atingiu 83,3% em abril. De acordo com a CNI, é o maior nível desde junho de 2011.
Mais cedo, o presidente da CNI, Robson Andrade, disse que a recuperação, apesar de lenta, é consistente com a retomada do crescimento da economia. Ele, no entanto, ressaltou que ainda é cedo para avaliar se a indústria continuará a expandir-se na mesma intensidade nos próximos meses. Andrade participou de reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Wellton Máximo
No Agência Brasil
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De costas para o Brasil

http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2013/06/jornais-e1370890225343.jpg 
O colapso da mídia conservadora chegou antes da falência do país, vaticinada há mais de uma década pelo seu jornalismo.
O velho ‘passaralho’ sobrevoa algumas das principais redações que compõem o núcleo duro da oposição ao governo Dilma.
Estadão, Abril, Folha, Valor lideram a deriva de uma frota experiente na arte de sentenciar vereditos inapeláveis sobre o rumo da Nação, enquanto o seu próprio vai à pique.
De bagres a pavões, cabeças experimentam o fio gelado da guilhotina dos custos nas grandes corporações.
A ‘descontinuidade’ de títulos, a supressão de cadernos, o emagrecimento das edições, o clamoroso empobrecimento da reportagem e o rapa nos borderôs dos freelas não deixam margem a dúvida.
O setor vive uma de suas mais graves crises, da qual o leitor só tem notícia pela qualidade declinante do produto.
Enquanto uiva e torce pela espiral descendente da economia, de olho em 2014, a mídia alivia (suprime?) a discussão da efetiva, ostensiva e acelerada decadência em seu metabolismo.
Murmúrios escapam de quando em vez, como na coluna domingueira da ombudsman da Folha, Suzana Singer.
Informa-se ali que o veículo cuja manchete saliva sobre os sete pontos de queda de Dilma na corrida presidencial demitiu 24 pessoas apenas na última semana.
Não só.
Sepultou o Caderno Equilíbrio (que já rastejava há meses) e agora persegue a receita de “um jornal menor, mas mais sofisticado para fazer frente às informações gratuitas oferecidas na internet”.
Duas observações são obrigatórias.
O veículo dos Frias avoca a suavização de um fracasso com base na mudança sistêmica que apertou as turquesas da concorrência contra o modelo tradicional de jornalismo.
Mitigação equivalente é sonegada ao governo e ao país, submetidos aos constrangimentos de um mundo que se liquefaz na desordem neoliberal.
Número dois: antigamente, a expressão ‘menor, mas mais sofisticado’, uma variante do surrado ‘ fazer mais com menos’, era sinônimo de arrocho e superexploração.
A transição tecnológica da Internet talvez não explique integralmente a corrosão edulcorada nos velhos chavões patronais.
Corporações que fazem água nesse momento não são entes genéricos; não praticam qualquer jornalismo, não reportam qualquer país, tampouco adernam num ambiente atemporal.
Uma singularidade precisa ser reposta: o jornalismo dominante virou as costas ao país na última década.
Se a tecnologia envelheceu o suporte, o conservadorismo esférico, traduzido em antipetismo obsessivo, mumificou a pauta.
A saturação da narrativa antecedeu o esgotamento do meio.
Ao ocupar diariamente suas páginas com a reprodução da mesma matéria - 'o fracasso do Brasil', as corporações contraíram um vírus fatal ao seu negócio: o da previsibilidade.
Há quanto tempo as manchetes, colunas e reportagens disparadas do bunker dos Frias deixaram de surpreender o leitor?
Existe algum motivo para ler amanhã um jornal que hoje tem a frase seguinte antecipada na anterior? E na anterior da anterior e assim sucessivamente?
A recusa em discutir os reais problemas do desenvolvimento brasileiro – que existem e são sérios –, o veto às soluções que escapam à estreiteza de seu receituário, erigiu a sólida base de irrelevância desse jornalismo, esmagando-o nos limites de um universo leitor incapaz de sustenta-lo.
O golpe de misericórdia tecnológico, no caso brasileiro, talvez seja apenas isso.
Uma gota d’água adicional em um galeão perfurado de morte pelo seu próprio peso.
Se o objeto em questão parece irremediavelmente comprometido, cabe à mídia progressista ocupar o seu espaço erigindo-se em uma verdadeira caixa de ressonância dos grandes debates do desenvolvimento nacional.
Não há mandato cativo na história.
Essa função será desempenhada pela comunicação que souber contornar o vírus da irrelevância tendo como norte a certeza de que as ideias só se renovam e pertencem ao mundo através da ação.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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A revoada dos passaralhos

Demissões em massa nos grandes jornais acontecem de forma sucessiva e tornam os jornalistas mais inseguros, vulneráveis, explorados – e com menor liberdade de expressão
O maior orgulho de Vera Saavedra Durão foi ver a filha virar jornalista. Isso porque ela própria, Vera, dedicou 35 anos à profissão, com a garra de quem cumpre uma missão. “Você quer que as informações sejam publicadas da melhor forma possível, que aquilo ali venha a público. A gente se entrega”, diz Vera. “Se minha filha seguiu o mesmo caminho é sinal de que ela viu valor nisso”.
A jornalista, hoje com 65 anos, abraçou a reportagem com a mesma paixão que lutou contra a ditadura, como militante da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), onde foi companheira de Dilma Rousseff. Ficou dois anos na prisão; quando saiu, atuou como repórter de Economia nos então principais jornais do país – O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo.
Em 2000, fez parte da equipe que fundou o jornal Valor Econômico, onde ficou por 13 anos. “No início eu cobria muito tudo, o empenho era muito grande para manter o jornal, com furos, afinal ele precisava se firmar. A gente fazia muita coisa”, lembra Vera, que traz dessa época a lembrança de uma úlcera duodenal sangrante, que surgiu quando fazia uma cobertura particularmente tensa para o Valor. “Perdi dois litros de sangue, e eu nem sabia, até que caí desmaiada. Eu me alienei tanto naquela cobertura, me estressei muito”, conta a jornalista, respeitada por sua competência e dedicação pelos colegas e fontes.
No dia 24 de maio passado, Vera foi demitida sumariamente, junto com mais de 20 colegas do Valor, jornal que pertence ao Grupo Folha e às Organizações Globo. “Fui apanhada de surpresa, não podia imaginar que eu podia entrar numa lista negra, para ser cortada de uma maneira tão brusca”. A surpresa foi ainda maior porque acabara de vir à tona que ela fora alvo de espionagem da empresa Vale S.A., segundo denúncia de um ex-gerente de segurança, caso ainda investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas Vera, que estava de férias, nem chegou conversar com a direção do jornal sobre a denúncia. “O jornal não teve contato comigo sobre isso. Mandei email para a chefia para conversar sobre isso, mas acabou a gente não conversando porque eu fui demitida”, conta.
“Depois de 13 anos trabalhando para engrandecer o jornal achei que teria direito a um período sabático e não a uma demissão”, diz ela. “O meu raciocínio sobre os meus direitos era o da minha classe, que é a dos jornalistas, dos que ‘carregam o piano’, e não dos acionistas, donos do jornal, que querem ver o resultado imediato do nosso trabalho”. Vera lembra de uma fonte empresarial que lhe dissera, em 2005, que merecia um bônus já que por causa de uma série de reportagens suas, o Valor passou a ser lido no Japão. “Eu disse que jornalista não tinha bônus, só ônus”.
Enquanto Vera ainda tenta digerir a demissão na sua casa do Rio de Janeiro, a mil quilômetros dali Flávio José Cardoso, de 51 anos, atende clientes de um belo restaurante à beira mar na ponta de Sambaqui, em Florianópolis. Há quatro anos, ele escrevia os editoriais do jornal mais lido de Santa Catarina, o “Diário Catarinense”, com 40 mil exemplares diários. Hoje, é garçom.
A guinada em sua vida começou em 2010, quando mudou o editor-chefe do jornal. Ele deixou de ser editor de Opinião e foi “promovido” a subeditor de Geral, seção que inclui de polícia a comportamento. “Passei a editar também o caderno Mundo, sozinho. Depois de um tempo, me colocaram para escrever matérias especiais todos os dias”. Além das reportagens e da edição, ele passou a fazer a diagramação, montar tabelas, procurar fotos. Se antes trabalhava das 13h às 19h, passou a ficar no mínimo 12 horas dentro do jornal, todos os dias – e estava sempre atrasado. “O trabalho que estava fazendo era para ser resolvido por oito ou dez pessoas. Entrava às 13h e saía a 1h, 2h da manhã, todos os dias. Não parava para comer; comia um salgado, enquanto digitava”. Isso quando o editor não falava, em alto e bom som para todo mundo ouvir, coisas como “Eu já te expliquei isso. Uma pessoa com um neurônio entende”.
Flávio aguentou a situação por um ano. “Isso leva o indivíduo a um nível de estresse que ele começa a se achar incompetente para executar as tarefas que faz há 20 anos”. Durante esse período, teve lesões nos tendões das mãos e na córnea, porque usa lentes de contato e ficava muito tempo exposto ao computador e ao ar condicionado. “Quando voltei de licença por causa da lesão, o editor-chefe teve a cara de pau de dizer que eu inventei a doença!”. Entrou com um processo contra o Diário. Hoje, embora seja garçom, colabora com uma revista especializada em economia. E não largou o jornalismo – ainda.
As histórias de Vera e Flávio não são exceção entre os jornalistas brasileiros; o que é raro é algum deles vir a público denunciar essa situação. Acúmulo de tarefas, assédio moral, hora extra não-remunerada, insegurança sobre o próprio futuro são males que infestam a indústria das notícias no Brasil. Embora sejam fruto de decisões empresariais que já duram alguns anos, nos últimos meses a situação se agravou com diversos grandes cortes de pessoal – os chamados “passaralhos”.
Uma ave que acaba com tudo
Passaralho é um jargão agressivo para as demissões em massa nos meios de comunicação. Remete a pássaros, revoadas de algo que destrói tudo por onde passa. De março a maio de 2013, eles passaram sobre redações grandes como Estadão, Valor Econômico, Folha de S. Paulo e já sobrevoam a editora Abril, a maior do país, além de atingir a maioria dos jornalistas em redações menores, como Brasil Econômico e Caros Amigos. Isso, somente dentre as empresas sediadas na cidade de São Paulo. No estado inteiro houve demissões no jornal A Tribuna, o maior da região da Baixada Santista, e na Rede Anhanguera de Comunicações (RAC), que domina as regiões ao redor de Campinas, Ribeirão Preto e Piracicaba.
Considerando apenas os jornalistas registrados em carteira e somente na cidade de São Paulo, foram registradas 280 demissões homologadas de janeiro a abril desse ano, 37,9% a mais que no mesmo período de 2012, quando foram registradas 203 homologações por conta de demissões. Ou seja, tudo indica que 2013 será pior que o ano passado, quando mais de 1.230 jornalistas foram demitidos de redações no Brasil. Os motivos, em geral, foram “reestruturações”, que nada mais são que novas formas de organizar o trabalho usando menos pessoas e mais tecnologia.
“É um ponto fora da curva”, diz Paulo Totti, que, com quase 60 anos de jornalismo, também foi vítima do corte no Valor. Totti usa a expressão para explicar que, na indústria do jornalismo, os trabalhadores mais experientes são descartados facilmente e substituído por recém-formados – o oposto do que acontece em outras áreas. “Em nenhum outro ramo da economia se vê atitudes semelhantes. Os administradores têm a preocupação de manter a sua mão-de-obra qualificada”, diz Paulo, que sempre cobriu economia, e com excelência. Em 2006 foi vencedor Prêmio Esso, o mais respeitado do jornalismo brasileiro, com uma série sobre a economia chinesa. Meses antes de ser demitido, havia se oferecido para fazer oficinas com cada uma das editorias do Valor, para ajudá-las a melhorar a qualidade dos textos. “Há, claro, uma certa surpresa, já que a demissão não decorre de uma maior ou menor dedicação ao trabalho. Mesmo um jovem fica meio intranquilo quanto ao seu futuro. Pior: se o cara desempenhar bem suas funções, ele pode ter um aumento de salário, e esse aumento causa a sua demissão”.
Aonde os donos de jornais querem chegar?
Paulo Totti, que no momento considera a única opção que lhe foi dada pelo jornal – virar colaborador freelancer – compartilha um receio que se espalha nas redações com a mesma rapidez que o voo dos passaralhos. “Temo que isso esvazie o conteúdo do jornal. E esse é o sentimento de todo corpo de gente que integra o setor redação em todos os jornais brasileiros”, explica ele. “Não sabemos bem aonde os donos dos jornais querem chegar. A decisão no Valor, por exemplo, partiu da pressão de pessoas que integram o conselho administrativo do jornal, representantes dos acionistas. Nenhum deles tem no seu currículo alguma passagem pelo jornalismo”.
Os cortes de pessoal se devem a um investimento milionário em um serviço de informações financeiras em tempo real, o Valor Pro. Esse investimento começou a ser feito há cerca de três anos, quando os funcionários foram avisados que a redação seria unificada. “Fomos avisados de que nos dois anos seguintes ninguém teria aumento salarial. Ao mesmo tempo, todos teriam que escrever para as três plataformas: tempo real, site e impresso”, diz um jornalista que sobreviveu ao último corte no jornal e que prefere não se identificar. Segundo o repórter, o clima da redação está ruim; além do trauma provocado pelas demissões, sobrou excesso de trabalho para todos. “O site, que antes era cuidado por cada editoria, agora é alimentado por pessoas de um ‘mesão’ digital, que não tem muita familiaridade com alguns assuntos. No impresso, a cada dia está uma briga por espaço e o número de páginas está sendo reduzido”.
Também a Folha de S Paulo anunciou uma reestruturação na última semana, com o fim do caderno “Equilíbrio” e o reagrupamento de outros cadernos em três núcleos de produção. O número de jornalistas demitidos foi de 24. A direção comunicou à ombundsman, Suzana Singer, que “as redações do futuro deverão ser cada vez mais enxutas, assim como o produto impresso”. Entre os demitidos estão nomes do porte de Andreza Matais, ganhadora do Prêmio Esso de jornalismo 2011 pela série que demonstrou o enriquecimento do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. “Aos que acreditam que o jornalismo de qualidade faz bem à democracia resta torcer para que a travessia dê certo”, resumiu Suzana Singer, em artigo na Folha.
A Pública falou com um dos jornalistas cortados do Grupo Folha, da área de cultura, que pediu para não ser identificado. “Ao chegar à redação um dos colegas comentou que haveria corte e, cerca de 20 minutos depois, fui chamado para ser avisado de que seria desligado da empresa. A justificativa? Corte de gastos. Tinham de ter uma meta x de gastos, e a minha saída ajudaria a atingir tal meta”.
“Eu tenho pena de quem ficou e de quem está entrando no jornalismo”, diz, com certa serenidade, o repórter fotográfico Lula Marques, premiado jornalista da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo. No dia 1º de abril, ele acordou comemorando o aniversário de 26 anos de jornal. À tarde, foi comunicado que estava demitido. “Me falaram que eu estava ganhando muito, mais que o editor de fotografia de São Paulo, que meu nome estava na lista há dois anos e que não dava mais para me segurar na empresa”. Desde novembro de 2011 – quando a empresa cortou 10% dos seus jornalistas – os cortes, discretos e sem alardes, são constantes na Folha. Tanto, que Lula diz que já estava preparado. “Saí com um equilíbrio emocional bom, porque já estava me preparando para isso. Nos últimos dois anos, as pessoas que estavam com o salário lá no alto foram todas embora. Sabia que um dia ia chegar minha vez”.
Tensão na Abril
Era sexta-feira, dia 7 de junho, quase no final do expediente, e o clima no prédio da editora Abril S.A, zona oeste de São Paulo, estava pesado por conta dos rumores de um grande corte, previsto desde a morte do presidente do grupo, Roberto Civita, em 26 de maio. “Olha, está muito tenso e é uma tensão diferente. Eu já vivi outras demissões coletivas, mas antes era assim: os diretores das redações estavam plenamente por dentro de quantas pessoas deveriam ser cortadas de cada revista, enquanto os ‘peões’ estavam morrendo de medo. Agora não, ninguém sabe de nada direito, nem os diretores”, disse à Pública uma jornalista, que também pediu não ser identificada por medo de represálias.
Pouco depois, seis executivos foram demitidos, junto ao anúncio de que o grupo passaria por uma “reestruturação”, com agrupamento de unidades de negócios, reduzidas de dez para cinco. O objetivo, segundo a empresa, era a “racionalização dos recursos”. Há boatos de que 11 revistas deixarão de circular – entre elas nomes lendários como Playboy, Capricho e Contigo. É a senha para o passaralho. “Deve acontecer na próxima semana”, diz a mesma jornalista. “Eu acho que, se na semana que vem já anunciarem qual revista vai ser cortada, o clima vai melhorar. Não saber o que vai acontecer que é estranho. A gente faz piada o tempo todo, tipo, estou me matando pra fazer esse editorial de moda e se a revista acabar amanhã…”
“Entre os jornalistas, nesse momento o clima é de intranquilidade aguda”, diz Paulo Zocchi, diretor jurídico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e que trabalha na redação da revista Quatro Rodas, da editora Abril. “Tá todo mundo morrendo de medo. Na minha redação, que é de uma faixa etária um pouco mais velha, tá todo mundo falando: ‘vamos ver se segunda-feira vamos estar aqui’”. A jornada dupla de Paulo – na revista e no sindicato – está ainda mais atribulada desde as últimas demissões. Toda vez que corre um boato de demissão, o sindicato é acionado, e pede uma reunião de emergência na empresa, para negociar.
Foi o que aconteceu em abril, na negociação com o Estado de São Paulo – de desfecho inesperado. O Estadão anunciara a redução da quantidade de cadernos diários para apenas 3, a extinção do caderno Link, sobre tecnologia, e do caderno de Negócios. Ao mesmo tempo, passou a privilegiar as plataformas digitais, com o lançamento do novo aplicativo do Estadão, adaptável a qualquer dispositivo móvel. Segundo conta Paulo Zocchi, na quinta-feira, dia 4 de abril, ele recebeu uma ligação avisando sobre boatos de demissão em massa no Estadão. “Hoje, a redação tem 250 jornalistas. O boato era de que 100 seriam demitidos na segunda ou na terça-feira da semana seguinte”. O sindicato solicitou uma reunião de emergência com a direção do Estadão, mas o jornal não respondeu e começou a demitir já no dia seguinte, sexta-feira. No total, foram 31 demitidos.
“Na sexta-feira, 12 de abril, fizemos uma assembleia na empresa, e desceram 90 pessoas. O objetivo era reverter todas as demissões. Até que uma das trabalhadoras demitidas disse que não queria ser reintegrada”, lembra ele, revelando sua surpresa. No fim da assembleia, em que estavam 14 dos 31 demitidos, nenhum deles queria voltar a trabalhar no Estadão. “As pessoas se sentiram descartadas, afetadas emocionalmente de uma forma tal que elas não queriam voltar”.
Um dos demitidos, repórter com cerca de cinco anos de profissão, não disfarça sua revolta. Segundo ele, os rumores de cortes eram constantes no jornal, espalhando um “clima de terrorismo”: “O jornal esperava que os jornalistas continuassem a manter a quantidade e a qualidade de trabalho com menos pessoas, impossível. Jornalistas acumularam funções e a qualidade, como os leitores puderem observar, caiu”. Ao ser demitido, ele foi procurado por um dos diretores, “para deixar claro que eu não estou sendo demitido pela sua falta de competência, que é uma questão de corte de gastos”, lembra. “Querem que você não se revolte e não sai baixo astral, que saia feliz e tranquilo. Te apoiam, mas dizem: ‘vai lá’”.
Como a maioria dos jornalistas demitidos, ele prefere não se identificar publicamente. Quase nenhum dos entrevistados, principalmente os mais novos, quiseram se expor. “Sabe como é, o mercado é muito pequeno e eu posso ter dificuldade para conseguir trabalho”, diz um deles.
Do Sul ao Norte do Brasil
Na ilha de Santa Catarina, o nome do passaralho é mais poético: chamam de “barca”, como aquela, dirigida por Caronte, que levava as almas ao inferno, ou Hades, na mitologia grega. A última barca do Diário Catarinense, o maior jornal do Estado, aconteceu no dia 21 de março e levou cerca de 20 profissionais da redação. Poucas pessoas souberam. A divulgação mais ruidosa do caso foi um e-mail do jornalista Célio Klein anunciando, aliviado, sua demissão após 25 anos de casa. Nela, ele se diz alegre por ter saído do jornal, mas expressa “profundo pesar pela situação”: “É muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida”. A carta prossegue: “Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido. Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido. Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido”.
Semanas depois, em abril, o jornal “A Crítica”, no Amazonas – um veículo da RCC (Rede Calderaro de Comunicação), que tem filiadas à Rede TV!, ao SBT e à Record. – demitiu aproximadamente 15 pessoas, entre repórteres, editores e fotógrafos do jornal impresso e do site. A repórter especial Elaíze Farias, vencedora do prêmio Imprensa Embratel 2013, foi uma das cortadas. “A justificativa oficial é de que o jornal acabou com esse cargo”, diz ela. “Não sei quais foram os critérios”.
Com quase 20 anos de experiência, Elaíze dedicou metade deste período a produções de reportagens sobre questões sociais e ambientais da região. Ela lembra de uma das últimas reportagens que fez, sobre um casal de índios matis que estava sendo acusado de tentar cometer ‘infanticídio’ contra seu filho doente em Manaus – o que foi completamente desmentido por eles. “Para conseguir entrevistar este casal, me desloquei de lancha pelo rio Solimões (uma hora) de Tabatinga até outro município, Benjamin Constant, e dali peguei um táxi-lotação (meia hora), viajando pela estrada até Atalaia do Norte, onde os índios matis estavam. Fiz o retorno de carona, na moto de um indígena, porque não havia mais táxi disponível entre Atalaia e Benjamin, até novamente voltar a Tabatinga. E precisava chegar antes das cinco da tarde, pois as lanchas que fazem a travessia do rio em Benjamin operam até neste horário. Ou seja, foi um gasto extra que precisei utilizar. Depois de uma jornada de oito dias, voltei a Manaus. Bom, é assim que se faz jornalismo na Amazônia”.
Para ela a maior preocupação é ter que deixar de realizar reportagens como essa. “Fiquei muito frustrada por, após a minha saída, estes temas terem ficado parados, na minha própria gaveta de pautas. Elas continuam guardadas, para quando eu tiver algum espaço e logística para viabilizar”.
Sobre o silêncio que cerca as demissões, Elaíze diz: “No geral, a notícia das demissões ficaram restritas ao boca-a-boca e às redes sociais – eu, por exemplo, fiz um comunicado pelo Facebook e por e-mail aos meus amigos, companheiros de luta, organizações sociais e fontes”, comenta. “Hoje se fala muito nas crises dos jornais impressos e na sua dificuldade de se adaptar aos novos tempos e às notícias publicadas nos portais de internet. O enigma é: a mídia vai se conseguir se reinventar, se ressignificar, para continuar sobrevivendo? Cabe a todos nós, os que estão dentro e os que estão fora das redações, passar a refletir”, acredita.
Para o pesquisador José Roberto Heloani, da FGV, a esperança é a de que os jornalistas comecem a ter maior consciência e maior interesse nessas questões. “É isso que chamo de luz no fim do túnel. E isso vai fazer com que as pessoas comecem a perceber que a saída não é individual. A saída é coletiva”. Neste ano, em São Paulo, houve pelo menos quatro casos de organização de jornalistas contra demissões: “O Vale” e “Bom Dia”, de São José dos Campos; do “Jornal da Cidade de Jundiaí”; do “Brasil Econômico”; e a dramática greve da pequena redação de “Caros Amigos”, que se autodenomina “a primeira à esquerda” que terminou com demissões e ações na Justiça (veja box).
O jornalista Audálio Dantas, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog e foi o primeiro presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, tem uma avaliação mais pessimista. “Por mais que se lute, o panorama dos meios de comunicação concentrado em poucas mãos contribui para que as lutas sejam enfraquecidas”, diz Audálio, que considera a regulação da propriedade dos meios de comunicação essencial no debate sobre o futuro da profissão: “Há a necessidade de se regular, porque nós temos esse fenômeno: o sujeito faz o trabalho para o veículo impresso, a empresa faz uma adaptação do mesmo texto e o trabalho de um profissional é aproveitado em quatro meios”.
Nesse cenário, ele diz, não há mais distinção entre bons profissionais e medianos. “Antes os grandes jornais tinham esses cuidados de preservar os bons jornalistas. Hoje, não se distingue os profissionais e vão todos no mesmo diapasão”, observa Dantas, que identifica um ciclo vicioso para a profissão: para aproveitar o rendimento máximo – em termos quantitativos – as empresas mantêm o jornalista dentro da redação, fazendo matérias por telefone e por e-mail, o que resulta em um número maior de matérias, mas de pior qualidade. “A grande vítima, depois do jornalista, é a apuração. A qualidade da informação, que é o que garante historicamente a credibilidade, está prejudicada”.
Para os mais jovens, porém, a sensação é de que as mudanças são ainda mais profundas, como diz o jovem profissional, recém demitido do Estadão: “A justificativa [de cortes de papel e demissões] é a financeira. Se você acompanha o jornal, deve ter percebido que as editorias enxugaram, algumas sumiram… O jornal inteiro ficou menor. A sensação, dentro e fora da redação é de que o jornal está apenas adiando o seu fim”.
Desrespeito também nas pequenas redações
Tão comum é a precarização do trabalho do jornalista, que ela chega a redações grandes e pequenas, de todos os espectros ideológicos. Em março deste ano, a Revista Caros Amigos – na qual trabalharam, no passado, as duas diretoras da Pública – protagonizou uma dramática greve. Os 11 profissionais grevistas abriram uma página no Facebook, que chegou a ter mais de 1500 apoiadores; mas, ao cabo de 3 dias, todos foram demitidos pelo atual proprietário Wagner Nabuco. Os funcionários protestavam contra a ameaça de uma redução de parte da equipe ou redução dos salários. “O dono comunicou que iria fazer um corte de 50% dos custos da redação, o que significaria a demissão de metade da redação”, diz o ex-editor Hamilton Octavio de Souza. Também queriam direitos trabalhistas, como contratação formal no regime CLT. Em entrevista ao portal Sul 21, Nabuco mostrou-se indignado com as reivindicações. “Não tem carteira assinada porque ninguém entrou aqui com essa promessa. Foram crescendo devagar na empresa, muitos começaram como estagiários. A folha de pagamento da redação nunca foi tão alta, era maior que a do departamento comercial. Nunca me falaram que eu era um patrão ruim. Que instrumento eu utilizei para mantê-los acorrentados e explorados ao máximo? Por acaso coloquei um 38 na cabeça de alguém?”.
Após uma tentativa de negociação, mediada pelo Sindicato dos Jornalistas, os demitidos decidiram entrar com ação judicial contra a empresa. Gabriela Moncau, uma das jornalistas demitidas da Caros Amigos, explica que nove dos onze profissionais desligados da empresa estão se organizando para mover uma ação reivindicando os direitos mínimos trabalhistas, negados no momento da demissão, o que deve ocorrer em breve.
Camila Rodrigues, Bruno Fonseca, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana
No Pública
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Mercado publicitário atordoado com iminência de encerramento de diversos títulos do Grupo Abril; o que acontecerá com contratos de antecipação de anúncios?; longa reunião entre presidentes Giancarlo Civita e Fabio Barbosa, do Grupo Abril, e diretores de redação e editores das principais revistas da casa; ontem, patrão e seu principal executivo participaram pessoalmente da reunião de pauta da revista Veja; presença é inédita na história da publicação; cogitada desocupação do Novo Edifício Abril, de US$ 1 milhão por mês de aluguel
A crise no Grupo Abril tornou-se oficial, como já adiantava o mercado publicitário. Na tarde da segunda-feira 10, o presidente do Conselho de Administração, Giancarlo Civita, e o presidente do Grupo Abril, Fábio Barbosa, convocaram quase três dezenas de diretores de redação e editores para uma reunião que durou cerca de quatro horas. Pauta: cortes de custos, fechamentos de títulos e demissões de profissionais. Horas antes, Gianca e Barbosa participaram pessoalmente da reunião de pauta da revista Veja, numa fato inédito na história da revista fundada em 1968. A presença deles entre os jornalistas foi interpretada como a tomada do controle de decisões editoriais por parte dos acionistas. A rota de choque com o governo da presidente Dilma Rousseff poderá ser corrigida, mas a artilharia sobre alvos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu tende a continuar.
Na longa reunião com os editores, Barbosa foi quem mais falou. Objetivamente, porém, disse pouco. Ele admitiu que a direção da editora detectou uma série de cargos sobrepostos, com núcleos editoriais pequenos nos quais um diretor de área tem funções semelhantes a de um diretor de redação. Esses cargos, adiantou, serão cortados.
A respeito do fechamento de títulos – a Abril edita atualmente 52 revistas, muitas delas deficitárias --, Barbosa foi lacônico: "Estamos reavaliando todo o nosso portfolio". Ele evitou informar sobre o destino da revista Playboy, uma dos ícones da editora, cuja circulação caiu 38% recentemente.
Entre jornalistas da Abril circula a informação de que o Novo Edifício Abril será desocupado pela editora, ou compartilhado. Nesse contexto, as redações das revistas Veja e Exame seriam transferidas para um imóvel da Abril na avenida Luís Carlos Berrini. O Nea, como o atua edifício ocupado pela Abril é chamado, tem um aluguel mensal de cerca de US$ 1 milhão.
O mercado publicitário está atordoado com a condução que a cúpula da Abril está executando sobre a crise da editora. Não há informações oficiais sobre o fechamento de títulos, mas fortes rumores convergem para a "descontinuidade" de até duas dezenas ou mais das 52 revistas publicadas atualmente pela editora. Muitas agências se acostumaram a comprar pacotes antecipados de anúncios, realizando programações anuais em troca de descontos. Se revistas forem fechadas, como ficam esses contratos, perguntam-se diretores de mídia. Até o momento, a Abril não informou oficialmente as agências sobre seus planos.
Outra preocupação é a dos assinantes. Esse grupo será contemplado de que maneira no caso de revistas serem fechadas? A Abril devolverá o dinheiro pago pelos exemplares que não serão remetidos?
No Justiceira de Esquerda
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