27 de mai de 2013

A cegueira política e o viés ideológico da Folha de S.Paulo

Até onde vai a cegueira política e o viés ideológico da Folha de S.Paulo e de suas matérias? Hoje, o jornal traz reportagem com o título “Viés liberal da Aliança do Pacifico desafia Mercosul ”, um exemplo dessa cegueira.
O jornal diz que a Aliança do Pacífico - bloco formado por Colômbia, Chile, Peru e México - "divide" a região e desperta interesse como "alternativa pró-mercado" no continente, em contraponto ao Mercosul, que estaria fragilizado por decisões políticas tais qual a suspensão do Paraguai.
A reportagem ouve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem o Brasil não conseguiu exercer uma liderança capaz de impedir a fragmentação da América do Sul. Ouve também Armando Castelar Pinheiro, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, para quem a Aliança tem mais "qualidade política", inflação baixa e economia menos fechada.
São duas avaliações em nenhuma base na realidade recente. Qualidade política no México e na Colômbia?
Economia menos fechada ou economia totalmente dependente dos Estados Unidos no caso do México? E o caso do Chile, com uma economia totalmente dependente de um produto ou três?
Nem vou comentar a declaração de FHC, fruto da cegueira política que não condiz com seu nível de conhecimento dos fatos.
No Blog do Zé
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Medicamento para combate ao câncer pode levar à cura do Alzheimer

 Atualizando com comentário de José Antônio: 
Sinto muito, mas parece ter havido um erro de tradução das notícias veiculadas pelas agências internacionais.
O estudo realizado pelo Profesor Gary Landreth, relatado pela notícia acima, data de mais de um ano, conforme pode ser visto em: http://www.npr.org/2012/02/10/146697648/drug-rapidly-counters-effects-of-alzheimers-in-mice
Já os trabalhos efetuados por 4 equipes independentes, infelizmente não conseguiram reproduzir os mesmos resultados obtidos pelo Prof. Landreth.
Acho que houve um erro na tradução desta última notícia.
Assim, infelizmente, essa notícia pode fazer com que pessoas acometidas do mal de Alzheimer e/ou seus familiares fiquem falsamente esperançosos.
Gostaria muito que essa notícia fosse verdadeira e confirmada. Mas, infelizmente, parece não ser.

Medicamento para combate ao câncer
pode levar à cura do Alzheimer
Quatro equipes de cientistas independentes concluíram que um medicamento usado normalmente no combate ao câncer pode levar à redução da placa amilóide no cérebro e contribuir para a cura do Mal de Alzheimer. Os testes foram feitos em ratos e obtiveram sucesso. A pesquisa foi publicada  na revista norte-americana Science. Porém, cientistas advertem que é necessário ter cautela sobre os efeitos do tratamento.
O estudo concluiu que ratos tratados com bexaroteno demonstravam mais rapidez e inteligência e que a placa no cérebro, que causava o Mal de Alzheimer, começava a desaparecer em horas. “Queríamos repetir o estudo para verificar o que pode ser analisado e conseguimos fazê-lo”, disse o professor de neurologia da  Universidade da Flórida, David Borchelt. “Mas é preciso ter certa cautela sobre o futuro no que se refere aos pacientes”, alertou.
Os cientistas observaram que o medicamento funcionava incrementando os níveis da proteína apolipoproteína E (ApoE), que ajuda a eliminar a acumulação da placa amilóide no cérebro, uma característica considerada chave do Alzheimer.
O principal autor do estudo, Gary Landreth, professor no Departamento de Neurociências da Case Western Reserve University School of Medicine, não escondeu a surpresa. “Ficamos surpresos e assombrados. Isso jamais havia sido visto antes”, ressaltou.
No Sul21
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Franklin: mídia “finge” não ser concessão

Foto: Cristiano Sant´Anna/Conexões Globais
“Todos os serviços explorados em regime de concessão pública no Brasil têm um marco regulatório, menos a radiodifusão, porque ela se recusa a discutir e acusa qualquer tentativa séria de estabelecer algum tipo de regulação como atentado à liberdade de imprensa. É um discurso que não cola mais”.
A frase dita, ontem, em Porto Alegre, pelo ex-Ministro da Comunicação Social de Lula, Franklin Martins, toca no ponto essencial, que as empresas de comunicação teimam em “fingir” que não existe: TV e rádio são concessões públicas, precisam seguir regras democráticas.
Leonel Brizola fazia uma ótima comparação: emissoras de de rádio e TV são como linhas de ônibus concedidas pelo poder público. Não podem transportar uns e não transportar outros.
No caso da mídia brasileira, não só não transportam alguns como, sempre que têm chance, tentam atropelá-los.
Nosso Código de Telecomunicações é de 1962 e, mesmo assim, não representa como deveria o pensamento do governo de João Goulart, que vetou 52 pontos do projeto aprovado, mas teve seus vetos derrubados pelo Congresso, sob pressão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Abert, recém criada.
Embora a TV ainda fosse incipiente, os seus donos também eram o das rádios e dos jornais e se serviram  da situação de dependência de Jango – o parlamentarismo golpista de setembro de 1961 só terminaria oficialmente com o plebliscito de janeiro de 63 – e os capitães da indústria da informação moldaram o Código de Telecomunicações de acordo com seus interesses.
Leia a íntegra da matéria do Sul 21 com Franklin Martins, que me chegou via Viomundo.
Fernando Brito
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Esposas a tiracolo

Para deputado, gastos do STF com viagens de mulheres de ministros para o exterior precisam ser investigados
Gilmar Mendes STF
O ministro do STF, Gilmar Mendes, participa do 3º Seminário
Internacional de Direito Administrativo e Administração Pública
Foto: Fábio Rodrigo Pozzebom-Ag.Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) gastou 608 mil reais com passagens para esposas de ministros acompanharem os maridos em viagens ao exterior entre 2009 e 2012. A corte apontou uma norma interna como amparo legal para as despesas. Auditor-fiscal, o deputado Amauri Teixeira (PT-BA) acredita que um ato interno não serve como justificativa. Por isso, pedirá ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue o assunto e, no limite, cobre a devolução do dinheiro.
“Imagine o STF diante de resoluções internas de tribunais menores ou das cinco mil câmaras de vereadores autorizando pagar passagens para esposas de agentes públicos. Não dá para aceitar um ato interno desse”, diz.
Segundo ele, o Supremo recorreu a uma resolução interna legal porque não existe na legislação uma lei a amparar despesa com viagens de mulheres de servidores públicos.
Na ausência de um respaldo mais geral, e diante da autonomia orçamentária do STF, o gasto com as passagens passa a ser uma decisão tomada com base em princípios.
“Na Câmara, estamos em um esforço para ter um mínimo de moralidade, cortando salários extras, cortando gastos. O STF deveria dar o exemplo, mas continua com essas regalias”, diz Teixeira.
“O Judiciário é hoje a verdadeira caixa-preta da República. Precisamos abri-la à sociedade.”
Dos 608 mil reais gastos com as mulheres dos ministros do STF, 437 mil custearam viagens de Guiomar Feitosa de Albuquerque Ferreira Mendes, esposa do ministro Gilmar Mendes. Entre 2009 e 2011, ela acompanhou o marido 20 vezes ao exterior, gasto médio de quase 22 mil reais por viagem – em 2012, não há registro de viagens dela. O ato interno citado pelo STF como fundamento legal para o gasto com as passagens também respalda que elas sejam de primeira classe.
Os gastos com passagens de esposas de ministros foram objeto de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira 20. Estão divulgados na página oficial do tribunal na internet (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=transparenciaPassagens)
As passagens mais caras foram emitidas em nome de Guiomar Mendes: 48 mil reais para uma viagem descrita como “China e França”, em setembro de 2009. No caso de destino único, as mais caras também foram dela: 46 mil reais em viagem ao Egito, em março de 2009.
Nas duas ocasiões, Gilmar Mendes presidia o STF e teve agendas oficiais no exterior. Dos 437 mil reais em passagens para a esposa, 350 mil referem-se a deslocamentos durante a administração de Gilmar, que comandou a corte entre abril de 2008 e abril de 2010. Foi na gestão dele que, em 2009, o Supremo concluiu o julgamento de um processo administrativo cuja decisão deu origem a uma resolução de setembro 2010 que disciplinou o gasto com passagens para as mulheres de ministros.
Até esta resolução ser editada, a despesa com passagens para esposas de ministros tinha amparo em outras duas normas internas do STF, uma dos anos 70, outra dos anos 80.
Para Amauri Teixeira, esse tipo de gasto é mordomia e deveria merecer o questionamento da mídia e dos demais poderes da República. Mas, diz ele, “todo mundo tem medo do Judiciário” porque se trata de uma instituição com um poder único: o de condenar. “Há receio de arbitrariedade nos julgamentos. Mas a imprensa livre não pode ter medo.”
André Barrocal
No CartaCapital
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Como Marina, Aécio fala em "Mensalão da internet"

Marcos Bezerra/Futura Press/Folh: OSASCO,SP,23.05.2013:AÉCIO NEVES/PROGRAMA DO RATINHO - O senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, participa do Programa do Ratinho, na sede do SBT em Osasco na Grande São Paulo, na noite desta quinta-feira (23). . (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Folh
Senador mineiro critica o que chama de "exército especializado em disseminar mentiras e agressões" na rede. "Esse tipo de ação covarde é um lado da moeda que, na outra face, tenta controlar a imprensa, impedir a formação de novos partidos, defender a remoção do direito de investigação do MP e a submissão das decisões do STF à maioria governista no Congresso", disse o presidente do PSDB e presidenciavel

Vade retro

Marina Silva, tal qual Aécio Neves, são dois desmemoriados ou agem de má fé. Tanto um como outro citam que FHC teve como marca de seu governo a queda na inflação. 
Pois é, na era FHC a inflação caiu, ficando sempre em torno de 9%. Bem mais alta que na era Lula/Dilma, em torno de 5,6%. Mas no governo de FHC a inflação caiu às custas de desemprego recorde, baixos salários, baixo salário mínimo. À custa da falta de crédito: as pessoas não tinham dinheiro para o básico, para comprar comida. 
A miséria reinava no Brasil. Levantamento do IBGE 2002 mostra o Brasil com 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha pobreza. Os juros na era FHC eram estratosféricos, chegando ao patamar de 61,34% a.a. em 01/06/1995. Um absurdo. 
Hoje a taxa SELIC é de 7,5% a.a. A queda vertiginosa da taxa de juros teve início no governo Lula e se perpetuou no governo Dilma. Uma coisa é certa: no governo FHC, bancos, agiotas, financeiras ganharam muito dinheiro fácil com os juros alto. Marina Silva e Aécio Neves se esquecem do FMI que, ao emprestar dinheiro para o governo de FHC, mandava e demandava na nossa economia. 
O Brasil ficou travado, não havia investimentos em nada: Educação, Saúde, Infraestrutura, Moradias ou na Erradicação da Miséria. As privatizações escusas causaram mais desemprego, dinheiro sendo levado para fora do país, propinas e enriquecimentos de poucos. O povo, ora o povo, ele que se lascasse, como de fato ocorreu. 
FHC foi um dos piores presidentes que o Brasil já teve, foi um longo pesadelo. E ainda comprou parlamentares para sua reeleição. 
Marina Silva anda pelo Brasil rastejando como cobra, querendo assinaturas para criar mais um partido, e Aécio Neves criou site na internet para elogiar a desgraça do governo FHC e falar que vai fazer igual. 
E ainda conta com ajuda de economistas da era FHC, que afundaram o país três vezes, dos donos dos jornalões, do PIG, que pregam o desemprego, e juros altos para controlar a inflação. Vade retro, Marina Silva e Aécio Neves!
Jussara Seixas
No Terra Brasilis
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Suplicy reverencia Robert(o) Civita

Melhor que Suplicy, só o Mercadante…
Para competir com a carta que Aloysio Mercadante enviou ao Otavinho para enaltecer a memoria do “seu” Frias, grande democrata, agora o PT sai-se com essa:
O senador Eduardo Suplicy (PT) disse que Civita deu uma colaboração extraordinária como editor, jornalista e líder do maior grupo empresarial de revistas do país, assim como Ruy Mesquita, do Grupo Estado, que morreu na semana passada.
- Foi um empresário importante. A Veja muitas vezes fez críticas severas ( sic)ao PT, mas neste momento de dor é importante prestar sentimento de pesar à sua família e a todos que trabalham no grupo. Uma pessoa que deu uma colaboração imensa à liberdade de imprensa (liberdade do Policarpo – PHA). Podemos ter tido divergências, mas isto faz parte da democracia – disse Suplicy.
Leia mais sobre esse assunto aqui.
Em tempo: entenda-se como critica severa a capa, a quatro mãos, com Daniel Dantas, para “demonstrar” que Lula tinha uma conta secreta num paraíso fiscal. “Liberdade de imprensa” foi o grampo sem áudio…
No Conversa Afiada
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Radialista que coordenava Rádio Nacional do Alto Solimões é assassinada em Tabatinga

http://portaltabatinga.com.br/wp-content/uploads/2013/05/533359_371692366199885_23412465_n-660x330.jpg
A radialista Lana Micol Cirino Fonseca (30anos)
 Brasília – A radialista Lana Micol Cirino Fonseca, coordenadora da Rádio Nacional do Alto Solimões, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), morreu na noite desse domingo (26), assassinada em frente a sua casa em Tabatinga, no Amazonas. O motivo do crime ainda está sendo investigado pela polícia, mas há suspeita de crime passional.
Segundo colegas da emissora, Lana estava em um momento de lazer com a filha e o namorado, o sargento Alan Bonfim, quando duas pessoas chegaram em uma moto e efetuaram vários disparos. O sargento socorreu a radialista, mas ela chegou sem vida ao hospital.
Para a companheira de trabalho e amiga, Mislene Fereira, o momento é de profunda tristeza na cidade. “A cidade toda parece que perdeu a voz. Está todo mundo calado. É uma tristeza muito grande ter perdido a nossa querida Lana, sabe? A nossa amiga era mais que uma chefe de trabalho. Era uma pessoa que lutava pela segurança pública, para trazer informações que mudassem a vida das pessoas”, declarou.
A polícia de Tabatinga investiga o caso. Durante a madrugada, policiais saíram a procura de suspeitos mas não encontraram pistas. O laudo deve ficar pronto no final do dia. Lana deixou dois filhos, uma criança de 7 e outra de 11 anos.
A Rádio Nacional do Alto Solimões está de luto oficial durante todo o dia de hoje (27) e vai retransmitir a programação da Rádio Nacional da Amazônia.
No Agência Brasil
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Democracia e revolução europeia

O grande movimento que deverá ser feito pelos oligopólios financeiros globais que tutelam as políticas dos países em crise será, processualmente, transferir os ônus da “recuperação” aos países pobres e aos chamados “emergentes”. Não somente através de um desequilíbrio ainda maior, no intercâmbio comercial, mas também desencadeando ondas especulativas sobre as economias que não consigam colocar sob controle sua dívida pública.
Estes oligopólios vão se esmerar – a partir da insegurança generalizada já em curso – em provocar crises de governabilidade instigando, a partir delas, mais uma onda de privatizações, cujos recursos se “esfumarão” rapidamente, como ocorreu aqui no Brasil na era FHC. Ao mesmo tempo irão financiar e incentivar governos tecnocráticos, “choques” de gestão e mais destruição das funções públicas do Estado, como já está ocorrendo em Portugal, na Grécia e na Espanha.
O impasse político gerado pela crise reergueu a Alemanha à condição de potência política de primeira grandeza e ainda não demonstrou todo o seu potencial destrutivo, nem na Europa nem na América Latina. No Brasil, porém, a centro-direita já manifestou que “aceita” o desafio de representar a “saída” desejada pelos credores da dívida pública global. O candidato Aécio Neves colocou na sua agenda a defesa da era FHC, inclusive para sustentar novas privatizações, sinceridade que visa, não só provocar a formação de um bloco neoliberal e conservador, no seu entorno, mas também oferecer o Brasil como território disponível para assimilar aquela transferência da crise.
Trata-se, na Europa, de uma situação aparentemente sem saída, pois as classes trabalhadoras dos países mais atingidos, os setores médios, as empresas endividadas – premidos por uma situação que ameaça o financiamento estatal e os direitos sociais e do “Welfare”- nem conseguem maiorias eleitorais para formar governos de oposição à dogmática neoliberal, nem conseguem constituir um bloco social de caráter contestatório, capaz de por em risco o atual regime do capital. Ou seja: no enfrentamento da crise, nem reforma neo-socialdemocrata, nem revolução social novo tipo, até agora.
Como esta situação de bloqueio às conquistas da socialdemocracia europeia vai interferir na democracia política, com consequências em todo o mundo, ainda não se sabe. Proponho-me, aqui, a levantar algumas hipóteses, para contribuir com o debate sobre a nossa questão democrática, no interior da esquerda que defende a necessidade de governar dentro da ordem democrática e que isso, não só é válido, mas é um “front” elementar para bloquear os avanços da pior direita, que pode levar o mundo a uma nova ordem neofascista.
Entendo que o fato político mais marcante deste período é a subjugação da França pela Alemanha, quebrando as esperanças de um vasto contingente popular de esquerda e de centro-esquerda – algo que vai de Hollande a Mélenchon – que esperava por parte do governo Hollande um processo restaurativo dos direitos e benefícios que vinham sendo sucateados pelo governo Sarkozi, que levou este à derrota eleitoral. Algo de bem significativo – em termos político-eleitorais – apresentou-se naquele cenário, com um crescimento eleitoral expressivo, à direita à esquerda da socialdemocracia tradicional, já demonstrando a emergência de inconformismo radicalizado com os partidos da ordem que se renderam à Alemanha.
Entendo que o presidente Hollande pretendia, por convicção e necessidade política, restaurar o pacto socialdemocrata, esquecendo que ele fora erguido sob pilares sem fundo, o que frustrou as expectativas sobre o seu governo. Nem foram encaminhadas medidas alternativas de longo curso, para organizar um novo modelo de bem-estar que, pelo menos, repartisse os sacrifícios necessários para sair da crise. Sair da crise dentro do regime do capital, diga-se de passagem, pois ninguém com força política real na França estava defendendo, por exemplo, uma nova onda de nacionalizações ou a estatização dos bancos, com ocorreu na era Mitterrand.
Aqui reside, na minha opinião, a questão-chave. O que devemos nos perguntar é se, moldada a União Europeia tal qual foi moldada, Hollande poderia fazer reformas “pela esquerda” sem romper com União. Ou, ainda, sem usar “medidas de exceção” no terreno econômico (como aumentar o déficit público, exigir financiamento para os governos e empresas, não para os bancos privados), para proteger especialmente as pequenas e médias empresas, os empregos, bem como distribuir a proteção social mínima, necessária em momentos agudos de desmantelamento social, como está ocorrendo nos principais países do euro.
O que Hollande não fez a União Europeia fez, pois o que se observou nas saídas engendradas para a crise – por parte das autoridades da União Europeia – foi precisamente a declaração de uma emergência política, com um “estado de exceção” não declarado, para a tomada de decisões. E isso foi feito a partir de um “constitucionalismo de urgência”, no qual as regras gerais da União foram subjugadas por decisões intergovernamentais, bancadas pelo Banco Central Europeu.
Em especial estas medidas foram orientadas pela política nacional alemã, pois, de um só golpe, as medidas de austeridade (de caráter “excepcional”) sequestraram a soberania política dos países em crise e interferiram duramente nos seus orçamentos: “os perdedores, até o momento, neste processo, são os parlamentos, tanto os nacionais, como o Parlamento Europeu.” (Carlos Closa, “El Estado da Unión Europea”, El fracaso de la austeridad, Fundación Alternativas, 2012, pg.24). Resultado: o sequestro da política, que esvaziou o sr. Hollande, foi capitalizado na ação política alemã, sob o comando da sra. Merkell.
Em síntese: a “exceção”, com o nome de “intergovernamentalismo” já começou, comandada pela direita alemã, sem que sejam consideradas as consequências para o projeto democrático europeu e os seus efeitos destrutivos sobre a juventude, os idosos, os aposentados, os trabalhadores do setor público, os precários e intermitentes, os imigrantes e os desempregados. O que farão os cidadãos europeus, quando descobrirem que não adianta mudar governos? Eis a pergunta recentemente lançada pelo professor Boaventura Souza Santos, em artigo memorável.
Sugiro, como agenda para debate, que o impasse europeu poderá desdobrar-se em três possibilidades: 1. as reformas de austeridade são implantadas e forma-se a famosa sociedade dos três terços, como vinha sendo encaminhado aqui no Brasil, pela saudosa aliança tucano-pefelista (um terço incluído e feliz, um terço que come mais ou menos e não se educa e o outro terço nos guetos sociais das periferia, tratados predominantemente pela Polícia); 2. ou as reformas de austeridade se desdobrarão por muito tempo, comandadas por governos tecnocráticos semi-fascistas, com sustentação nas mídias e fortes repressões seletivas contra os imigrantes e miseráveis, com o apoio envergonhado das classes médias (nenhum dos blocos em confronto, nesta hipótese, tem força para impor-se); 3. ou processa-se um novo episódio da revolução social europeia, que se arrasta desde a Comuna de Paris, reinventando-se ali algo como um novo pacto “socialista-social-democrata” – um novo contrato social europeu – para enfrentar a direita alemã (com seus tentáculos tecnocráticos e políticos em todos os países europeus) cuja pior face já vem crescendo no interior da própria Alemanha: o neonazismo. Um bloco que suponha que preservação da democracia só ocorrerá com o sequestro, desta feita, da economia pela política.
Isso tem muito a ver conosco, que a duros custos estamos remando contra a maré: criando empregos, reestruturado o setor público, contratando servidores, investindo incomparavelmente mais em inovação, ciência e tecnologia, fortalecendo o mercado interno ao incluir no consumo milhões de famílias. Mesmo conciliando com o domínio pleno do capital financeiro sobre a economia global – o que inclusive Cuba vem tentando fazer e é impedida pelo bloqueio político e econômico dos Estados Unidos – o Brasil constitui uma ameaça mundial às saídas ofertadas pela dogmática neoliberal, porque mostra que as opções no terreno da política podem fazer frente à visão de que “não existem alternativas.”
É visível, porém, que um certo tipo de desenvolvimento que desafia e se contrapõe às leis de bronze do capital financeiro pode perdurar, com o mesmo bloco de forças que lhe dão sustentação, pelo tempo do cumprimento das tarefas que impulsionaram a sua formação. E que nos próximos cinco anos, certamente, nosso modelo atingirá o apogeu e a sociedade brasileira não será “inteiramente outra”, mas terá uma estrutura de classes e novos sujeitos sociais e políticos novos.
Milhões de pessoas estarão no mundo da política, dos negócios, dos movimentos sociais, na intelectualidade acadêmica, à frente das técnicas de indústria e da inteligência, indiferentes à memória política do processo de mudanças que o país sofreu. A partir daí os desafios serão outros, mais complexos e difíceis de resolver dentro do sistema político atual, com a fragmentação federativa ainda mais exposta e com um sistema tributário que funcionará de forma mais arcaica do que nos dias de hoje.
O difícil sistema de alianças que trouxe o Brasil até hoje dá sinais de cansaço, não porque os políticos são vilões ou corrompidos, até porque a taxa de vilania e corrupção, em cada época, é mais ou menos a mesma. Ela adquire é tinturas diferentes, desperta interesse ou alimenta indiferença na grande mídia, segundo seus interesses conjunturais (onde estão as cobranças para o julgamento do mensalão mineiro?). Os processos de corrupção no Estado, é elementar, são dependentes das formas pelas quais se realiza a acumulação de capital e como esta reflete inclusive no financiamento das mídias, com as suas regras “morais” mais, ou menos rígidas. Na era do capitalismo financeiro global os multimilionários esquemas de corrupção se transladaram das relações da burguesia industrial com Estado, para as relações diretas da burguesia financeira com o Estado.
O sistema de alianças dá sinais de cansaço, porque as mudanças no sistema tributário, a fragmentação federativa e a necessidade da reforma política, despertam reações diferentes nos distintos grupos de classes e nas diferentes regiões do país. Esta fadiga dos metais imobiliza as bases parlamentares, proporcionando que grupos de parlamentares troquem de posições em cada tema, sem nexo com as suas bancadas e com os seus compromissos de fidelidade ao governo ou à plataforma oposicionista.
Enquanto na Europa o tecido político dominante cumpre o seu papel de transmissor do programa do Banco Central Europeu, no Brasil este mesmo tecido fragmenta-se porque não mais corresponde aos desafios políticos que os partidos devem enfrentar, em nome das suas bases sociais e regionais: enfrentá-los para o país completar seu ciclo de mudanças, capazes de nos integrar no mundo, no polo de resistência a um neoliberalismo agônico, mas, por isso mesmo, mais capaz de radicalizar os ataques à democracia, para destruir as conquistas históricas do conjunto das classes trabalhadoras no século passado.
Creio que a esquerda brasileira – parlamentar ou extra-parlamentar – socialista, comunista, socialdemocrata, ou simplesmente republicano-democrática – deveria se unir em torno de um amplo movimento político e social para preparar um calendário de lutas, com um programa mínimo muito simples, de resistência democrática ao impasse que a Europa neoliberal está apresentando ao mundo: novos marcos regulatórios para democratizar o acesso à comunicação e garantir o direito à livre circulação da opinião; reforma política, no mínimo para acabar com o financiamento privado nas eleições e valorizar os partidos através da votação em lista; reforma do pacto federativo, principalmente tributário, para reduzir drasticamente as desigualdades sociais e regionais.
Estou tentado a pensar que se não conseguirmos avançar, nos anos imediatos, nesta agenda democrática de resistência, os avanços que tivemos até agora poderão ser revertidos, porque sabemos muito bem: o nosso centro do espectro político não é majoritariamente programático, mas vincula-se a um complexo de conveniências, que não raro lhe aproximam da pior direita, tanto neoliberal, como autoritária.
Tarso Genro, Governador do Estado do Rio Grande do Sul.
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Dilma discursa na comemoração do Cinquentenário da Organização da Unidade Africana

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Por que eu discuti com Obama

Uma jornalista conta por que não pôde deixar o presidente americano se comportar como um funcionário do Congresso ao falar de Guantánamo e dos drones.

A jornalista e ativista Medea Benjamin é cofundadora do grupo pacifista Code Pink. No último dia 23 de maio, ela interrompeu o discurso de Obama sobre os drones e Guantánamo (você pode assistir no vídeo acima). Foi aplaudida. Depois acabou escoltada para fora do auditório pelos seguranças. Ela explica suas razões neste artigo, publicado originalmente no site Common Dreams.
Depois de trabalhar durante anos com questões como os drones e Guantánamo, eu fiquei deliciada de conseguir uma entrada (a fonte vai ficar anônima) para o discurso de Obama na National Defense University. Eu li muitos relatórios antecipando o que o presidente diria. Falou-se muito sobre grandes mudanças políticas que incluiriam transparência, novas diretrizes públicas para o uso de drones e, no caso de Guantánamo, o começo da transferência de presos inocentes para outros lugares e sua subsequente libertação.
Sentada nos fundos do auditório, eu ouvi com atenção cada palavra do presidente. Fiquei esperando um pronunciamento que representasse uma mudança significativa. Infelizmente, eu ouvi palavras bonitas, mas não a redefinição de políticas fracassadas.
Em vez de anunciar a transferência de ataques aéreos da CIA para o domínio exclusivo dos militares, Obama nem sequer mencionou a CIA e muito menos reconheceu a onda de assassinatos que a CIA vem realizando no Paquistão durante sua administração. Enquanto havia uma expectativa de que ele fosse declarar um fim aos ataques “com assinatura”, baseados apenas no comportamento suspeito e que têm sido responsáveis ​​por muitas mortes de civis, ele não disse nada.
A maior parte do discurso do presidente foi dedicada a justificar ataques aéreos. Fiquei chocada quando o presidente afirmou que seu governo fez tudo o que podia para capturar suspeitos em vez de matá-los. Isso não é verdade. A dependência de Obama dos drones vem precisamente do fato de ele não querer se incomodar com a captura de suspeitos e levá-los a julgamento. Tomemos o caso do paquistanês de 16 anos Tariz Aziz, que poderia ter sido apanhado quando participava de uma conferência em um grande hotel da capital, Islamabad, mas foi morto por um ataque de drones com seu primo de 12 anos dois dias mais tarde. Ou o ataque de drones sobre o qual Yemini Farea al-Muslimi, 23 anos, falou quando testemunhou no Congresso. Ele disse que o homem alvejado em sua aldeia de Wessab era conhecido, reunia-se regularmente com representantes do governo e poderia facilmente ter sido levado para interrogatório.
Quando o presidente estava chegando ao final de seu discurso, ele começou a falar sobre Guantánamo. Como no passado, declarou seu desejo de fechar a prisão, mas culpou o Congresso. Foi quando eu me senti obrigada a falar. Com os homens em Guantánamo em greve de fome, brutalmente forçados a ingerir comida e desprovidos de toda a esperança, eu não podia deixar que o presidente continuasse a agir como se fosse algum funcionário desamparado à mercê do Congresso.
“Desculpe-me, senhor Presidente,” eu disse, “mas você é o comandante em chefe. Você poderia fechar Guantánamo amanhã e liberar os 86 presos que foram inocentados”. Seguiu-se uma discussão.
Embora eu tenha recebido uma avalanche de apoio, há outras pessoas, inclusive jornalistas, que me chamaram de “rude.” Mas aterrorizar vilarejos com mísseis Hellfire que fazem pessoas inocentes evaporar é rude. Violar a soberania de nações como o Paquistão é rude. Manter 86 prisioneiros em Guantánamo muito depois de eles terem sido liberados é rude. Empurrar tubos de alimentação goela abaixo dos prisioneiros em vez de fazer-lhes justiça é certamente rude.
Em um ponto de seu discurso, o presidente Obama disse que a morte de pessoas inocentes nos ataques com drones irá assombrá-lo enquanto ele viver. Mas ele ainda não está disposto a reconhecer essas mortes, pedir desculpas às famílias ou recompensá-las. No Afeganistão, os militares americanos têm uma política de compensação para as famílias de mortos ou feridos por engano. Nem sempre é feito, e muitas famílias se recusam a aceitar o dinheiro, mas pelo menos isso representa alguma responsabilidade por tirar a vida de pessoas inocentes. Por que o presidente não pode criar uma política semelhante quando ataques aéreos são utilizados ​​em países com os quais não estamos em guerra?
Há muitas coisas que o presidente poderia e deveria ter dito, mas ele não o fez. Portanto, cabe a nós falar.
Medea Benjamin interrompe o discurso de Obama
Medea Benjamin discute com o presidente americano
No DCM
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Em defesa da dita

O editorial da Folha de São Paulo de sábado (25/5), “Em defesa da Anistia”, engendra um discurso de teor autoritário que só poderia estar a serviço da impunidade dos criminosos do regime militar.
Logo no segundo parágrafo aparece “persecutório”, adjetivo discutível no contexto das atribuições da Comissão Nacional da Verdade e cheio de implicações revanchistas. Pior é encontrar, logo em seguida, “seus membros são livres para fazer constar no texto as recomendações que julgarem mais convenientes”. Por que a reiteração da obviedade? Quem pediu o aval da Folha?
“A proposta de mudar a Lei de Anistia”, segue o texto, “fomenta a discórdia no próprio grupo”. A iniciativa é associada à intriga, em oposição a um suposto espírito conciliador da maioria. Exatamente a tese dos ditadores civis e militares que redigiram a Lei. Então ressurge explicitamente o usual “revanchismo”, para justificar a falta de colaboração dos militares nas audiências. Coitados, eles estão apenas se protegendo.
Citar o endosso do Supremo Tribunal Federal é uma tentativa de conferir estatuto inquestionável a uma decisão de legitimidade no mínimo duvidosa. E também joga um apelo demagógico aos leitores que corroboram a atuação recente da corte. A frase seguinte inclui um trecho da medida de 1979, sem aspas, naturalizando a inaceitável expressão “motivações políticas” usada para unificar os crimes de agentes do Estado e de seus adversários, como se tivessem os mesmos recursos, meios e objetivos.
A idéia dos “ímpetos” e “conflitos e divisões” refreados insiste no caráter intransigente e irracional dos que defendem a punição dos bandidos. E que lutariam contra “o reencontro da sociedade consigo mesma” e “a reconstrução da democracia”. O estranho teor psicanalítico da primeira figura talvez se refira ao apoio majoritário recebido pelo golpe militar, inclusive da própria Folha. Mas o complemento lhe traz uma conotação apaziguadora, pois, “reencontrando-se”, os defensores do autoritarismo descobrem o âmago republicano desde sempre incutido nas suas boas intenções. Não foi assim que os ditadores explicaram a derrubada do fantasma comunista?
Reproduzo o nono capítulo: “Goste-se ou não, a passagem do regime de exceção para o Estado de Direito foi fruto de lutas, mas também de entendimentos. Antes de uma imposição, a anistia ampla foi um pacto que assegurou a transição democrática.” A expressão inicial é bem característica do vocabulário da autoridade. Mas o veredito da Folha independe mesmo de “gostarmos” dele? O próprio texto contradiz a negativa da “imposição”, outorgando um “pacto” que não permite discordância.
O indulto a assassinos, estupradores e torturadores “tem contribuído para que o país não se dilacere em lutas internas”, finaliza o editorial. As últimas palavras são fortes, algo ameaçadoras, típicas do alarmismo golpista. E completam-se muito coerentemente sugerindo que a comissão “deveria se concentrar em sua tarefa em vez de abraçar propostas inoportunas que extrapolam o seu próprio escopo”. A Folha ordena que os inconvenientes se coloquem nos seus lugares. Senão...
De fato, a defesa do indefensável exige uma retórica apropriada.
Guilherme Scalzilli
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Vinte anos nas capas da 'Veja'

Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca com a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.
Antes, porém, reveja o que foi publicado aqui:
Saiba o que o Roberto Civita, presidente da editora Abril e editor da revista Veja, pensa a respeito das capas da Veja.
O vídeo tem 3min14seg, mas você não precisa ir além dos primeiros 30seg.

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.
A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.
A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.
Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.
Gilberto Maringoni
No Carta Maior
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O canibalismo comunista da Veja

 
Praticamente nenhuma pessoa séria leva a revista Veja a sério. Sabe-se que é uma publicação humorística. Faz um humor meio sem graça, apelativo, rasteiro, como é o humor dominante na mídia brasileira atual. Mas há um traço de original nesse humor: ele é ideológico. Nesta semana, porém, Veja caprichou no ridículo. O texto “Os ossos do socialismo” é uma obra-prima de charlatanismo, de reacionarismo delirante e de besteirol histórico. Segundo o repórter, que assina a matéria, há uma relação direta entre canibalismo e comunismo. Em 1609, os primeiros colonos ingleses instalados em Jamestown, na América, loucos de fome, comeram os seus semelhantes.
Arqueólogos descobriram os ossos de Jane, vítima do canibalismo dos seus parceiros de aventura no Novo Mundo. A revista Veja não tem a menor dúvida: “Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu”. Uau! A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo. A saída viria com a propriedade privada. É reportagem para prêmio Esso de estupidez. Longe de mim defender o comunismo. O buraco é mais embaixo. Vejamos.
O autor tem a segurança dos tolos encantados com o lugar que ocupam na escala social: “Se não fosse o sistema fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados. O reducionismo ideológico surge como uma iluminação. A solução chega com um novo administrador, que impõe à propriedade privada: “A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. Disso teria decorrido que, em 1775, os americanos “já eram mais altos que os ingleses”. Tem gente batendo os dentes nos consultórios de dentista, onde Veja é campeã de leitura, de tanto rir. É um riso nervoso.
Nem os primatas do Pânico fariam melhor.
Para a pragmática revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção. Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.
Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li.
Juremir Machado
No Blog Sujo
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Veja mente até na morte de Roberto Civita

Roberto Civita morreu. Não sou daqueles que se regozijam pelo falecimento de alguém, pelo contrário, lamento por seu familiares e amigos. Não tem o que comemorar em uma morte.
A morte de Roberto Civita não irá mudar a linha editorial na editora Abril,  pelo contrário. Sem "festejos" ou "lamentos", não pretendia dedicar nenhuma linha a este fato aqui no blog. No entanto, após ler algumas das barbaridades que estão sendo publicadas pelos funcionários da Abril na sua revista principal revista: a Veja, não pude me furtar de fazer alguns comentários a respeito.
Era esperado que fossem publicadas uma grande quantidade de matérias exaltando as inúmeras e variadas qualidades que, supostamente, o falecido dono da revista tinha. Afinal, se nem a Veja rasgar elogios para o falecido patrão, quem o faria?
No entanto, estes elogios exagerados, ainda que esperados, tem caído naquilo que é a maior especialidade da Veja nos últimos anos: a mentira sobre os fatos.
Morreu o criador da Veja?
A começar pela própria manchete principal do site da revista, onde ela afirma que seria Roberto Civita o "criador de Veja". Na verdade foi Mino Carta (hoje editor da revista Carta Capital) o criador. O pai de Roberto Civita, Victor, é que teve a ideia de fazer uma revista semanal de informações. Para esta tarefa chamou o Mino, que já tinha dirigido a Quatro Rodas na Abril, para criá-la. Estes fatos são amplamente conhecidos, uma rápida googlada comprovará a "paternidade" da revista.
No entanto, é importante registrar que há uma meia-verdade nesta manchete da Veja: foi Roberto Civita que redefiniu a revista para seus padrões atuais. Foi Roberto que impulsionou a revista em sua atual orientação editorial, tornando a Veja a principal publicação do conservadorismo brasileiro, mais do que isso, a converteu em uma publicação de um notório reacionarismo delirante.
Roberto Civita, de aliado a opositor da ditadura
Roberto Civita tinha relações estreitas com a ditadura. Um bom exemplo desta relação foi a saída do Mino Carta da Veja.
Conforme o próprio Mino relatou em editorial publicado na Carta Capital (ed. 661/2010): “Veja sofria censura feroz”, conta ele no editorial, “enquanto a Editora Abril pretendia um empréstimo de 50 milhões de dólares (estamos em meados dos anos 70) para consolidar no Brasil dívidas contraídas no exterior. O próprio ditador Geisel, pela boca de Armando Falcão, ministro da Justiça (Justiça?), decretou seu niet, a não ser que se livrassem do acima assinado. Quem tiver dúvidas a respeito, leia o livro Fragmentos de Memória, de Karlos Rischbieter (Travessa dos Editores, 2007), que presidia então a Caixa Econômica Federal, à qual a Editora Abril recorrera”.
E conclui: “Tirei o meu modesto time de campo antes da expulsão. Pela elementar razão de que me recusava a negociar minha saída. Quem sabe levasse um bom dinheiro, espécie de comissão sobre o empréstimo da Caixa a ser concedido juntamente com o fim da censura. Ocorre que não queria um único, escasso centavo saído dos bolsos de Victor e Roberto Civita. Vici e Arci: assim hão de ser pronunciadas suas iniciais”.
O empréstimo aconteceu e Mino abandonou a revista Veja.
A foto a cima ilustra bem esta relação umbilical que havia entre o empresário da comunicação e a ditadura. Roberto Civita é visto nessa foto atrás do general João Figueiredo e ao lado do jornalista Augusto Nunes (Revista Veja) e de Elio Gaspari. Em primeiro plano, o "honrado" Paulo Maluf.
Roberto Civita como defensor da democracia
Se as suas ligações com a ditadura militar já seriam motivos para colocar em dúvida uma alcunha de "defensor da democracia" para Roberto Civita, as suas recentes atividades como um dos maiores impulsionadores do Instituto Millenium colocam em xeque está afirmação.
O instituto é integrado por empresários, executivos, jornalistas, economistas, comentaristas políticos e até humoristas que trabalham para a grande imprensa e destilam um discurso que flerta com o moralismo udenista. Instituto Millenium inspira-se nas extintas Ipes e o Ibad, organizações que datam do fim dos anos 1950 e início dos anos 1960 e que foram criadas para combater os movimentos sociais e o comunismo. Naquela oportunidade, tiveram um papel central para o golpe militar de 64. Tanto o Ibad quanto o Ipes serviram, como o Millenium, para organizar um fórum multidisciplinar, com forte financiamento empresarial, calcado no anticomunismo e na ideia de que o Brasil, como o mundo, estava prestes a cair na mão dos subversivos.
Derrotada nas urnas, o Millenium é uma tentativa de reproduzir este expediente em uma nova conjuntura, a ideia de um golpe, ainda que impraticável, não deixa de povoar o pensamento dos organizadores deste instituto. Roberto Civita era mais do que um simples apoiador, tinha posicionado a editora Abril como a principal "espinha dorsal" desta organização direitista e claramente anti-democrática.
Algo que, evidentemente, jamais será escrito ou comentado nas páginas da Veja.
Erick da Silva
No Aldeia Gaulesa
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Nota de pesar da presidenta Dilma Rousseff pelo falecimento de Roberto Civita

Lamento a morte do empresário Roberto Civita. Sob o seu comando, a Editora Abril consolidou-se como uma referência. Nesse momento de tristeza, envio meu abraço solidário para sua mulher, Maria Antônia, seus filhos e amigos.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
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Imagina na Copa

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IBGE faz 77 anos e comemora reconhecimento nacional e internacional

No próximo dia 29 de maio (quarta-feira), o IBGE comemora 77 anos de atuação em prol da construção da cidadania brasileira, através da produção e disseminação de informações sobre a realidade do país. O instituto iniciou suas atividades em 1936, ainda com o nome de Instituto Nacional de Estatística (INE), tendo entre seus objetivos articular e coordenar as pesquisas estatísticas, unificando a ação dos serviços especializados em funcionamento no país àquela época. No ano seguinte, foi instituído o Conselho Brasileiro de Geografia, incorporado ao INE, que passou a se chamar, então, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Para saber mais sobre a história do IBGE, visite o site da Memória Institucional, http://memoria.ibge.gov.br.
Entre maio de 2012 e o fim deste mês, o IBGE terá realizado 225 divulgações entre resultados de indicadores conjunturais, pesquisas estruturais e especiais e produtos de geociências – quase dois lançamentos a cada três dias. A coroação desse trabalho cotidiano de produção de informações geocientíficas e de estatísticas demográficas e econômicas se materializa nos inúmeros prêmios que o instituto e seus funcionários receberam no último ano e na sua inserção internacional cada vez maior, que culminou, em abril, na eleição do Brasil para a Comissão de Estatísticas da ONU, mais representativo organismo internacional nessa área.
Como forma de compartilhar o aprendizado da bem-sucedida operação do Censo Demográfico 2010, o IBGE está repassando conhecimentos técnicos, logístico-operacionais e tecnologia para outros países. Colaborou com a realização do Recenseamento de População e Habitação de São Tomé e Príncipe; está auxiliando no planejamento e atualização da base cartográfica para a realização do Censo Demográfico do Haiti; e emprestou 20,2 mil computadores de mão para a operação censitária no Senegal.
No cumprimento de sua missão institucional, o IBGE mantém aprimoramentos constantes. Neste ano, além de dar continuidade à atualização da metodologia do Sistema de Contas Nacionais e à implantação das pesquisas domiciliares contínuas (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – e Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF), o instituto passa a divulgar a Pesquisa Mensal de Serviços e planeja, em convênio com o Ministério da Saúde, obter o mais completo raio-X das condições de saúde dos brasileiros, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde – PNS. Merecem ainda ser mencionados a divulgação, em 2013, da primeira edição da Pesquisa Perfil dos Estados Brasileiros – ESTADIC 2012; o projeto de ampliação da cobertura do Sistema Nacional de Índices de Preços (SNIPC) para outras regiões metropolitanas; os testes visando à incorporação da Indústria Extrativa ao Índice de Preços ao Produtor – IPP; e os testes da Pesquisa Nacional da Atividade Agropecuária – PNAG, no âmbito da implantação do Sistema Nacional de Pesquisas Agropecuárias – SNPA.
O ano de 2013 também marca quatro décadas da atuação do IBGE na área ambiental. Em 1973 era criada a Superintendência de Recursos Naturais, atual Coordenação de Recursos Naturais (CREN), da Diretoria de Geociências (DGC), cujos estudos contribuem para consolidar a atual posição brasileira na linha de frente das discussões mundiais sobre meio ambiente e para orientar políticas de preservação. Hoje, o IBGE está à frente, por exemplo, dos debates, no Brasil, sobre as Contas Econômicas Ambientais, coordenando o Comitê das Contas da Água.
Com o intuito de disseminar cada vez mais o conhecimento geoespacial, o IBGE também continua investindo na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE - www.inde.gov.br), para torná-la mais completa e acessível ao público mais amplo possível. Uma das soluções criadas pela Diretoria de Informática, que permite às instituições produtoras de dados georreferenciados disponibilizá-los na INDE para toda a sociedade (o Visualizador da INDE, ou VINDE), foi premiada como um dos projetos do governo que melhoraram os serviços prestados à população.
Ainda na área de Tecnologia da Informação (TI), entre outros prêmios, o IBGE também foi um dos vencedores, em novembro do ano passado, do Concurso Inovação na Gestão Pública Federal, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública – ENAP. A experiência premiada destacou-se, entre outros fatores, por fortalecer a proteção da rede de computadores do instituto, que busca sempre atingir altos graus de segurança dos seus bancos de dados, garantindo o sigilo das informações estatísticas, sua confiabilidade e sua divulgação transparente e democrática.
Outro aniversário comemorado em 2013 foi o de 60 anos da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE, instituição federal de ensino superior integrada ao IBGE. Além da perspectiva de implementar seu Doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas em 2014, a primeira faculdade de estatística do Brasil teve, no fim do ano passado, um de seus pesquisadores, Pedro Luis do Nascimento Silva, eleito presidente do Instituto Internacional de Estatística (ISI), a maior organização internacional de estatísticos e interessados em estatística, com status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.
À medida que celebra o reconhecimento pelo que foi realizado nesses 77 anos, o IBGE também se prepara para encarar os desafios por vir. Nesse sentido, o Planejamento Estratégico 2012-2015 funciona como um plano de voo para o IBGE do futuro, estabelecendo ações e metas a serem realizadas nos próximos anos, para assegurar a qualidade do trabalho do instituto. Com o mesmo objetivo, o IBGE recebeu autorização para a contratação, por meio de concurso público, de 440 novos funcionários, que deverão reforçar as equipes do instituto em todo o país.
É também com o olhar no futuro e na comunicação cada vez mais estreita com a sociedade brasileira que o portal do IBGE na Internet está em constante atualização, para se tornar um canal cada vez mais funcional e amigável. Em dez anos, o número de usuários do site passou de 320 mil para 2,6 milhões por mês. Com esse mesmo espírito, o IBGE também busca consolidar sua participação nas redes sociais. O perfil oficial do instituto no Twitter (http://twitter.com/ibgecomunica), iniciado em 2010, conta atualmente com cerca de 34 mil seguidores, e a página no Facebook (http://www.facebook.com/ibgeoficial), inaugurada em novembro de 2012, já tem 7,7 mil fãs.
Dessa forma, mantendo seus padrões de excelência, confiabilidade e transparência, o IBGE pretende continuamente ampliar sua produção e cumprir sua missão de retratar o Brasil, ajudando o país a se conhecer mais e cada vez melhor.
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Tributo de Bessinha à Veja

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A Folha, o Sírio e Civita. Viva o Brasil!

No Sírio e na Folha só vaza se a vítima for do lado de cá (Lula, Dilma, José Alencar).
O Conversa Afiada gostaria de aproveitar o grave momento para prestar tributo ao profissionalismo e à generosidade dos funcionários do Hospital Sírio Libanês e da empresa Folha da Manhã (sim, porque a da Tarde fechou…) por ocasião da passagem de Robert(o) Civita.
Clique aqui para ler “Cadê o Policarpo? Cadê o Mino?”.
O Sírio e a Folha tiveram comportamento exemplar.
Em respeito à família e para evitar versões desencontradas, constrangedoras e ofensivas, não vazou uma única informação, boato, rumor ou maledicência durante os três meses em que Robert(o) Civita padeceu no Sírio.
A Folha e o Sírio merecem o comovido agradecimento da família e dos leitores, que foram poupados de vexames, falsas informações, partidarismo incontido e solidariedade hipócrita.
O mesmo comportamento exemplar da Folha e do Sírio se observou com o internamento e a morte de Ruy Mesquita, do Estadão.
O Conversa Afiada saúda os funcionários da Folha e do Sírio.
Com Ruy e Robert(o) eles demonstraram que o Brasil merece um … Viva!
(Até que um petista lá se interne.)
Paulo Henrique Amorim
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Homenagem a Civita

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Cadê o Policarpo? Cadê o Mino?

A Veja sofrerá mudança radical: vai ficar pior.
O PiG conseguiu noticiar a morte de Robert(o) Civita sem mencionar o Policarpo, aquele a quem o senador Collor se refere como o “Caneta”.
O PiG tratou das obras de Robert(o) e cometeu leves equívocos.
Robert(o) fundou a revista Realidade.
Clique aqui para ler sobre o livro do Miltainho a respeito da Realidade.
Quem fez a Realidade foi o Paulo Patarra, que, por esperteza, sugeriu ao patrão nomear o filho diretor.
Quem fundou a Veja – hoje por Robert(o) transformada num detrito de maré baixa - foi o Mino Carta.
O pai, “seu” Victor, é que teve a ideia de fazer uma revista semanal de informações.
E chamou o Mino, que já tinha dirigido a Quatro Rodas na Abril, para criá-la.
Clique aqui para ler sobre “O Brasil”, de Mino Carta, que é pior do que você pensa, onde há passagens sobre Robert(o).
TODA a diretoria da Abril, inclusive Robert(o), quis fechar a Veja, quando ela começou a cair dos 700 mil exemplares da estreia.
Quem não deixou fechar a Veja foi o “seu” Victor.
Mas, hoje, é preciso glamorizar o empreendedor que quis fazer aqui o que via nos Estados Unidos: Time, Life, Playboy …
Não há uma única publicação desta árvore que tenha enriquecido os brasileiros do ponto de vista intelectual, jornalístico ou em autoestima.
Robert(o) menosprezava o Brasil.
Vivia num mundo à parte, em algum pedaço dos Estados Unidos, que já não o reconhecia.
E, aqui, como já disse esse ansioso blog, foi um “loser”, um perdedor.
Vamos combinar que a Veja se tornou uma revista pós-fascista, Golpista, um coito de bandidos com pseudo-jornalistas, como lembrou Collor.
Como se sabe, quando se instalou a CPI do Robert(o), o Michel Temer recebeu a recomendação do Fabio Barbosa, o banqueiro (sic) que hoje dirige a Abril, e de filho do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – para seguir a seguinte rota:
Quando ouvir falar em Veja, entenda imprensa.
Quando ouvir falar em imprensa, entenda Globo.
Robert(o) e o Policarpo não foram chamados a depor.
Como pretendia o deputado Fernando Ferro.
Venceu a lógica do Miro Teixeira, que não deixa a bandeira da Globo cair.
Depois, o PT odarelou e a CPI deu no que deu.
O Policarpo está aí, e não surpreenderá o ansioso blogueiro se, breve, assumir a chefia de redação da própria Veja, em sua remodelação radical, que se avizinha: vai ficar pior!
Na Argentina, mandaram a Abril embora.
Aqui, ela é um simbolo da liberdade de imprensa!
Viva o Brasil!
Não deixe de ler “Civita, o Sírio e a Folha”.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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A verdade?

"A imprensa brasileira procura minuciosamente por notícias ruins para o governo federal e, quando não consegue, usa a conjunção 'mas' para negar os acertos. Trata-se de um ataque frontal a democracia. A História do Brasil guardará esses tempos como o início do fim da porta-voz da 'elite' escravagista e inconformada com o progresso do povo brasileiro".
No Justiceira de Esquerda
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A morte de Roberto Civita

 
Foi o principal responsável por ter trazido os padrões jornalísticos norte-americanos para o Brasil, convencendo o pai a criar revistas informativas.
A primeira foi a Realidade. Segundo jornalistas que trabalharam com ele, como Luiz Fernando Mercadante, o jovem Civita tinha tino jornalístico, sabia trabalhar com talento as fórmulas importadas dos Estados Unidos.
Algum tempo depois, a Veja, copiando o modelo de jornalismo-produto norte-americano.
O padrão vinha do Times. Consistia em trabalhar a notícia como se fosse um produto da dramaturgia. Na segunda-feira, havia reunião de pauta em que se escolhiam as matérias que fossem mais atraentes para os leitores. A pauta era montada de acordo com critérios que tornassem a notícia atraente. Depois, os repórteres saíam atrás de declarações que convalidassem as teses defendidas pela revista.
Teve alguns períodos áureos. O primeiro, com Mino Carta. Depois de três anos para se firmar, atingiu o ponto de equilíbrio e nos anos 70 já se tornara a mais influente publicação brasileira.
Apesar do estilo superficial – próprio para atingir a dona de casa de Botucatu - (como era o lema da revista) -, a revista primava pelas pautas criativas, pelo texto rigoroso embora um tanto parnasiano nas aberturas, pela capacidade de enfiar enorme quantidade de informações (nem todas essenciais) em textos curtos.
Após a saída de Mino, a revista manteve a influência e cresceu em tiragem, acompanhando o crescimento da economia brasileira.
Nos anos 90, assim como o restante da grande imprensa, experimentou seu período de maior brilho, após ajudar a construir e a demolir a imagem de Fernando Collor.
Brilhante na criação de um universo de revistas especializadas ou temáticas, Roberto Civita falhou na transição para a era digital.
Com ACM, conseguiu concessões de TV a cabo, montou alguns canais, que não lograram se desenvolver. A experiência em TV foi um desastre financeiro. Teve oportunidade de montar o primeiro grande portal brasileiro, o BOL, tendo muito mais conteúdo para expor do que a UOL, da Folha. Mas não possuía a agilidade demonstrada por Luis Frias, à frente da UOL.
Com poucos lances, Frias propôs a fusão UOL-BOL, assumiu a gestão da nova empresa e, mais à frente, aproveitou a enorme liquidez do mercado financeiro para adquirir a metade da Abril. Hoje a UOL deve valer bem mais do que a Abril inteira.
Um dos principais obstáculos para a transição da Abril foi a resistência de um corpo de conselheiros de Civita, fortemente amarrados à tradição do papel. Mesmo quando a Internet tornara-se irreversível, a Abril não acordou. Pelos menos a duas empresas de tecnologia que foram oferecer sistemas para ela – uma das quais, a Abril – a resposta dos executivos é que a Abril iria apostar todas suas fichas em gibis e revistas para a classe C.
O advento do jornalismo online acabou consagrando outros portais, a própria UOL, o G1 e dois entrantes, o Terra e o iG.
Cachoeira chora
A última aposta da Abril foi tentar ganhar protagonismo político imitando o estilo de Rupert Murdoch. A campanha contra o desarmamento revelou um perfil de leitor classe média intolerante, preconceituoso, conservador até a medula. E a Abril, que sempre buscou o leitor classe média alta, apostou todas suas fichas no novo modelo.
Foi a primeira a trazer o estilo de jornalismo tosco e virulento da Fox News. E a cometer assassinatos de reputação em larga escala, cujos casos mais conhecidos foram as guerras do Opportunity e de Carlinhos Cachoeira.
Alguns anos atrás, em péssima situação financeira, a Abril recebeu aporte de capital do grupo Nasper, da África do Sul, mais 20% de empresas offshare de Delaware, afrontando a legislação brasileira. Posteriormente, quando vendeu a TV A para a Telefônica, as duas holdings desapareceram do bloco de controle da empresa.
Nos últimos anos, o grupo passou a investir todas suas sobras de caixa no setor educacional. Com a morte do seu líder, o futuro da Abril torna-se incerto.
Luis Nassif
No Advivo
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Morre Roberto Civita

Roberto Civita, presidente do grupo Abril, na Sala São Paulo, em outubro de 2012
Roberto Civita morreu neste domingo (26) em São Paulo, aos 76 anos, vítima de complicações cardíacas. Filho de Victor Civita, fundador do Grupo Abril, Roberto Civita estava internado no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.
Morreu por volta das 21h45min em decorrência de complicações provocadas por um aneurisma de aorta. Civita foi operado durante o carnaval para a colocação de uma prótese na aorta, mas teve complicações causadas por uma hemorragia. O quadro foi revertido, mas o estado de outros órgãos se complicou até chegar à falência múltipla.
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