24 de mai de 2013

A publicidade governamental do governo do tucano Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene
Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”?
“Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo.
Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra, proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará.
Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo: R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará.
Ainda que tenha faltado dizer que a maior parte desse dinheiro serve para alimentar os veículos de comunicação dominantes do estado, Ana Célia está certíssima na sua leitura desse processo. A simbiose contemporânea entre política e comunicação acaba produzindo situações complexas de poder, com essa. Situações anti-democráticas e de corrupção que tornam a política refém de processos de comunicação que não obedecem ao interesse público, mas sim, exclusivamente, ao interesse privado.
Ana Célia estabelece uma diferença fundamental, que deveria ser compreendida pela sociedade civil e, sobretudo, pelos alunos de comunicação, futuros atores desse cenário:
E é preciso fazer esta diferença: jornalista é aquele que quer a informação para repassá-la ao distinto público. Lobista da comunicação é aquele que quer a informação apenas para negociá-la em troca de dinheiro, cargos, ou sabe-se lá o quê.
E sua conclusão, que todos conhecemos muito bem, é evidente:
E, infelizmente, neste governo do chefe de quadrilha que é Simão Jatene, os lobistas dão as cartas no jornalismo do Pará.
É evidente que o mal não é exclusivo do Governo Jatene. Sejamos honestos: essa simbiose está presente na base do sistema político contemporâneo. Independentemente do lugar no espectro político, que os governos ocupem, é a política que é vulnerável. Alguns países encontram meios para regulamentar e para acompanhar a comunicação governamental e pública. Não é o caso do Brasil.
Província dominada por interesses privados, colônia eterna, o Pará é apenas um caso dramático. Os sintomas são uma comunicação que obedece a influxos de intriga, compadrio, calúnia, medo, rancor... A tarefa de informar cede espaço a
Especialistas em retorcer informações, (que) bisbilhotavam até as cuecas das lideranças oposicionistas, para transformar qualquer coisa em escândalo. E quando nada encontravam, simplesmente, inventavam. Bastava um copo de uísque em um bar para que o sujeito virasse um “alcoólatra”; um comentário incisivo, para que virasse um “desequilibrado cheio de ódio”.
É todo um modus operandi. A ação orquestrada do boato sobre a extinção do Bolsa Família vem, muito, muito provavelmente, das hostes tucanas. O PSDB é o partido que, no Brasil, faz com profissionalismo esse tipo de comunicação. E como sempre, no Pará, excessos.
Aconselho a leitura. E aguardemos os próximos posts, porque eles começam a pautar o jogo eleitoral de 2014.
No Hupomnemata
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PF identifica empresa de telemarketing do Rio que espalhou boatos do Bolsa Família

Descoberta reforça a tese de que a ação tenha sido organizada
Boato sobre suspensão do Bolsa Família provocou uma corrida às agências da Caixa Econômica Federal em pelo menos 12 estados do país Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
Boato sobre suspensão do Bolsa Família provocou uma corrida às agências da Caixa Econômica Federal em pelo menos 12 estados do país
Fabio Rossi / Agência O Globo
Em menos de uma semana de investigação, a Polícia Federal descobriu indícios de que uma central de telemarketing com sede no Rio de Janeiro foi usada para difundir o boato de que o Bolsa Família, o principal programa social do governo federal, iria acabar. Mensagem de voz distribuída pela central anuncia o fim do programa, conforme dados do inquérito aberto no início da semana a partir de uma determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A descoberta reforça a tese de que a ação tenha sido organizada.
A polícia tentará agora descobrir quem contratou os serviços de telemarketing e se, de fato, existe algum grupo com interesse político-eleitoral por trás da tentativa de se assustar os beneficiários do Bolsa Família. A polícia decidiu também interrogar, a partir da próxima semana, as 200 primeiras pessoas a fazer saques logo após o início da disseminação dos boatos sobre o fim dos programas. A polícia quer saber como cada um deles foi informado sobre o fim do programa.
— Está comprovado o uso do telemarketing — disse uma fonte que está acompanhando de perto as investigações.
Os boatos sobre o falso fim do programa começaram a ser difundidos no sábado passado e provocaram uma corrida em massa à agências da Caixa Econômica Federal, pagadora do benefício. Os primeiros saques foram feitos no Maranhão, Pará e Ceará por volta de 11h do sábado passado, 30 minutos depois do registro de uma das ligações da central de telemarketing sobre o falso fim do programa. No dia seguinte, os terminais da Caixa registravam 900 mil saques no valor total de R$ 152 milhões.
A presidente Dilma Rousseff classificou a ação de criminosa. Cardozo disse que a hipótese mais provável é que se tratava de uma manobra orquestrada. A ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, chegou a insinuar, no twitter que os boatos teriam partido da oposição. Líderes da oposição reagiram e passaram a levantar suspeitas sobre setores do governo que, no fim das contas, acabariam obtendo dividendos políticos com o caso.
Os investigadores do caso tentam se manter longe dos embates políticos, mas não descartam que o episódio tenha alguma conotação eleitoral. O Bolsa Família tem sido motivo de debate nas principais eleições nos últimos anos. A partir do aprofundamento sobre o uso do telemarketing e de declarações dos beneficiários, a polícia entende que poderá esclarecer o caso.
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Carta abierta a Barack Obama por la cárcel de Guantánamo

Buenos Aires, 23 de mayo del 2013
Carta abierta al
Sr Presidente de los Estados Unidos de Norteamérica
Barack Obama       
Reciba el saludo de Paz y Bien
Esta carta, de carácter urgente, esta motivada por la grave situación que viven los prisioneros en la base militar y cárcel que los EEUU. tiene en Guantánamo, en territorio cubano
Organizaciones sociales, iglesias y gobiernos en el mundo, reclaman el cierre inmediato de la base militar y cárcel, donde se cometen graves violaciones de los derechos humanos contra los prisioneros, a quienes someten a trato cruel y degradante  y les niegan el  derecho a la justicia y a su defensa.
Reclamamos a su gobierno, que cumpla con el derecho humanitario y  decrete la inmediata libertad de los prisioneros, hacer efectivas sus promesas electorales de cerrar la cárcel de Guantánamo
La grave situación carcelaria y condiciones de vida, llevaron a los prisioneros a declarase en huelga de hambre y corren el riesgo de muerte.
Sus torturadores los  someten a  la alimentación forzada, contra su voluntad.
Señor Presidente, el poder no da la razón,  imponer la violencia y llevar a situaciones límites y a la degradación humana a los prisioneros, no  es el camino que  le permitirá resolver los conflictos.
Su gobierno es responsable de violar los derechos humanos, los Pactos y Protocolos internacionales  de las Naciones Unidas  y la misma Constitución de los EEUU
Tenga la decisión y coraje de revertir esa grave situación y construir la Paz y cumplir con las promesas a su pueblo
Usted fue galardonado con el Premio Nóbel de la Paz y  como presidente de los Estados Unidos, tiene la responsabilidad  de trabajar y contribuir en la construcción de  un mundo más justo y fraterno para todos.
Señor Presidente, tiene asignaturas pendientes que resolver,  sólo puede hacerlo si actúa con dignidad y coraje frente a las injusticias.
Le deseo mucha fuerza y esperanza
Adolfo Pérez Esquivel
Premio Nobel de la Paz
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Luís Roberto Barroso, lançou a visão de que julgamento político do mensalão foi só até a metade

Boa ou ruim a escolha de Luís Roberto Barroso para ministro do STF? Por seu currículo e atuação como advogado em causas de interesse público, tem perfil progressista. Mas Joaquim Barbosa e Luis Fux também tinham, e deu no que deu. Então é difícil saber se será republicano, como se espera, depois de empossado, ou susceptível às pressões da mídia e dos holofotes como ocorreu com outros.
A presidenta Dilma deve ter tomado cuidado na escolha, mas só o tempo poderá dizer.
Como advogado de causas privadas, não conta muito para avaliar o perfil de Barroso, pois advogado tem que defender sempre o interesse do cliente. Então a visão pessoal pode até ser diferente daquilo que defende para o cliente. Recentemente ele trabalhou defendendo os interesses das empresas de mídia nacional contra a entrada no mercado de novas empresas jornalísticas estrangeiras. Como trata-se do interesse da Globo, Folha/UOL, Estadão, Veja, em impedir portais de notícias como Terra (controlado pela Telefonica da Espanha), nós blogueiros não gostamos. Se ele fosse advogado da outra parte, provavelmente os argumentos defendidos seriam os inversos. São coisas da advocacia. Nilo Batista foi vice-governador de Leonel Brizola, fiel ao trabalhismo e ao povo mais pobre como político, defendeu muitas causas dos movimentos sociais de graça e, por outro lado, já foi advogado de defesa de Naji Nahas. Marcio Thomaz Bastos foi um bom ministro da Justiça no governo Lula e, como advogado, já defendeu José Serra no passado e chegou a ser contratado para defender o bicheiro Cachoeira recentemente. Continua sendo amigo de Lula. Para os advogados o trabalho é uma coisa, e a vida pessoal e política é outra.
O fato é que Barroso sempre foi um dos nomes mais lembrados para o STF nos últimos tempos. Nos meios jurídicos não quem não o veja como um dos mais qualificados ao cargo.
Mensalão
Enquanto ele não toma posse, a maior curiosidade hoje, é saber como ele atuará no julgamento dos recursos do mensalão. Porém essa curiosidade permanecerá em aberto, pois ele concedeu uma entrevista à revista "Poder" sobre o mensalão, em outubro de 2012, e não deixou escapar pistas sobre como julgaria o caso.
Nessa entrevista, ele foi hábil o suficiente para direcionar as repostas para a defesa da reforma política. Argumentou que a denúncia do chamado "mensalão" decorre das relações fisiológicas no Congresso, e que uma reforma política favoreceria a eleição de melhores quadros parlamentares, além de diminuir a influência do poder econômico em detrimento dos interesses populares. Com isso todos nós concordamos.
Essa habilidade, evitando fazer juízo de valor sobre as decisões do STF no julgamento do "mensalão", sem entrar no mérito das acusações contra os réus, lhe garantiu legitimidade para participar do julgamento dos recursos. Diga-se que, do ponto de vista do que se espera de um juiz, essa postura é louvável, mostrando responsabilidade e cuidado no que fala em público a respeito do que irá julgar e dos limites de um comentarista sem conhecer profundamente os autos. Quem dera todos os magistrados do STF tivessem essa cautela.
Perguntado sobre mudanças de postura do STF no julgamento do mensalão, Barroso fez uma análise distanciada, apontando as mudanças como elas aconteceram, sem declarar-se a favor nem contra. Eis sua resposta:
O Supremo, que sempre teve uma posição bem liberal em defesa do acusado, principalmente do princípio de presunção da inocência, revela uma guinada um pouco mais dura e punitiva, superando, inclusive, alguns precedentes, como no entendimento de que não e mais necessário um documento assinado pelo acusado ou um ato oficial dele para que o crime de corrupção seja configurado. Minha avaliação é que houve certo endurecimento do STF, talvez com resultado de uma interação com a sociedade. Não acho justa a afirmação de que o Supremo seja pautado pela sociedade, mas ele é permeável aos seus anseios. Há uma mudança de postura. Se isso vai ser bom ou mau, o tempo dirá. "
Nota-se que ele adota uma posição mais de cautela do que de entusiasmo. Isso poderia indicar uma postura "garantista", na linha de que seu voto seria mais favorável aos réus sobre quem não há provas. Mas... ele também não se mostra avesso a um endurecimento para atender aos anseios de mudança na sociedade. Impossível decifrar como exatamente seria seu voto.
Em outro trecho ele responde à pergunta "Esse julgamento é político ou técnico?":
É impossível um julgamento desse porte, com essas consequências não ter uma dimensão política. Mas os votos tem sido técnicos. No direito em geral, existem extremos em que há a certeza positiva, a significar que algo aconteceu, e há extremos em que há certezas negativas, quando é possível afirmar que algo não aconteceu. Porém, para o bem e para o mal, entre um extremo e outro, existem muitas possibilidades e aí as interpretações dependerão da visão de cada um. E é isso que estamos vivenciando agora.
Na resposta acima, Barroso evita fazer o julgamento do julgamento, "pisando em ovos". Na posição delicada em que ele se encontrava, de possível ministro do STF, ele não poderia afirmar que o julgamento foi político, tampouco podeira dizer que votos de seus futuros colegas não fossem técnicos. Até porque, cá para nós, existe técnica para todos os gostos, podendo ser usada para dar um verniz de legitimidade às decisões políticas.
Julgamento político só até a metade?
Em outro trecho da entrevista, ele disse:
Portanto se acreditarmos no procurador-geral (...) o interesse público precisou ser comprado. É um sistema que de certa forma joga os bons e maus no mesmo pântano.
Barroso estava apenas argumentando a favor da reforma política, mas, ele, sem querer, acabou despertando um pensamento mais sofisticado no caldeirão do julgamento. Ou seja, se é para julgar politicamente, o julgamento no STF só chegou na metade do caminho. Para completar o caminho teria que haver uma separação dos "bons" e dos "maus" para se fazer justiça completa.
Mensalão tucano
Barroso herdará de Joaquim Barbosa a relatoria do "mensalão" tucano. A princípio ele parece ser mais equilibrado, e se vier a ter uma postura mais garantista no julgamento dos recurso da AP-470, terá também a mesma postura com os tucanos, o que pode ser uma vantagem para a tucanada. Será interessante observar o comportamento da bancada de senadores demotucanos na sabatina no Senado.
Reforma política
Como dito, o tema da entrevista acabou sendo uma defesa da reforma política. Apesar de ser assunto para o legislativo, ele tem direito de opinar como cidadão, e assuntos políticos não judicializados e não partidarizados, a opinião de qualquer cidadão é válida, e não há nenhum mal em ministro do STF emitir, desde que não queira interferir em outros poderes, para impor sua opinião pessoal.
Ele defende mudança na eleição para deputados, com cada eleitor tendo direito a dois votos. Um, o voto ideológico no partido, em lista pré-ordenada, para eleger metade da Câmara. Outro voto seria distrital, elegendo deputado aquele que for mais votado no distrito, como se elege um prefeito. Essa fórmula chama-se voto distrital misto, com lista pré-ordenada.
Cada pessoa tem sua reforma política na cabeça, e não me agrada o voto distrital, mesmo que para eleger apenas metade da Câmara. O Brasil teria que ser dividido em 257 distritos, o que daria distritos com 755 mil habitantes e 539 mil eleitores cada. É um eleitorado muito grande para se dizer que o eleitor conheça bem seu candidato, e também continuaria havendo eleições muito caras nos distritos, pois não é barato fazer uma campanha individual para atingir meio milhão de eleitores. Esses dois fatores tiram as supostas vantagens atribuídas ao voto distrital.
De qualquer forma, se viesse acompanhado do financiamento exclusivamente público de campanha, mesmo com esse sistema misto que agrada metade aos tucanos e metade aos petistas, já seria um avanço, pois o maior mal que há é a influência do poder econômico financiando campanhas.
De qualquer forma, nessa questão, a opinião do futuro ministro vale tanto quanto a sua e a minha. Vale o mesmo que a de qualquer cidadão brasileiro. Não é algo que caiba ao STF decidir.
A íntegra da entrevista de Luis Roberto Barroso à revista "Poder" pode ser vista em arquivo pdf aqui.
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Perguntas do Senado ao Dr Barroso

O senhor acha que o artigo 52, Inciso X da Constituição é inconstitucional?
Com a indicação da Presidenta Dilma, cabe agora proceder-se à sabatina no Senado, para homologar a escolha.
O que costuma ser, apenas, um ritual, embora a indicação de Gilmar 'Dantas' – a mais maldita das heranças de Fernando Henrique – tenha sido polêmica, sob a pressão moral e intelectual de um artigo do professor Dalmo Dallari.
Para que a sabatina no Senado possa revelar à opinião pública as ideias que o professor Barroso levará à Corte, o ansioso blog sugere um conjunto de perguntas, especialmente à inoperante bancada do PT – clique aqui para ler o artigo do professor Wanderley sobre o cerco à Presidenta Dilma.
Por exemplo:
O senhor considera o Golpe de 1964 um “mal necessário”?
Os partidos brasileiros uma mentirinha?
O senhor anistiará a Lei da Anistia?
O senhor acha que o Brasil deveria rasgar a adesão à Carta dos Direitos Humanos da OEA?
O senhor votará fora dos autos?
O senhor gosta dos holofotes da Globo?
O senhor votará de olho na câmera da Globo instalada pela TV Justiça, a tempo de sair no jornal nacional?
O senhor é favor de fechar a TV Justiça?
A festa dos seus 60 anos será no Golden Room do Copa, financiada pelo advogado Sergio Bermudes?
O senhor tem algum parente que trabalhe no escritório do Dr Bermudes?
O senhor tem algum parente candidato a desembargador, ministro ou qualquer outro posto na Magistratura?
O senhor tem alguma parente que mantenha atividades profissionais advocatícias em torno do Supremo, mesmo que não seja a serviço do dr Bermudes?
Quando vai a Nova York, o senhor se hospeda no apartamento do Dr Bermudes na Quinta Avenida?
Apesar de ter sido advogado de Daniel Dantas, o senhor legitimará a Operação Satiagraha, prestes a ser submetida ao plenário pelo presidente Barbosa?
O senhor daria HCs Canguru, mesmo depois de assistir a essa histórica reportagem do jornal nacional?
O senhor manterá negócios particulares, ainda que na área de educação à distância, depois de ministro?
O senhor pretende reforçar o salário de ministro com aulas na escolinha do professor Gilmar?
O senhor acusará a Presidenta que o nomeou do crime de “gigantismo”?
O senhor vai à noite de autógrafos do 'Ataulfo Merval de Paiva'?
O senhor acha que o domínio do fato dispensa prova?
Que “provas tênues” bastam para condenar?
Que a “verdade é uma quimera”?
O senhor toca guitarra em público?
Troca de gravatas para a Globo?
A Visanet é estatal?
O senhor acha o Genoino ladrão?
O senhor acha que Genoino é quadrilheiro, ou que ele entrou na quadrilha só para pegar o Dirceu?
O mensalão foi provado, ou, como o Neymar, ainda está por provar-se?
Se o mensalão para comprar deputados não invalida a Reforma da Previdência, que mensalão é esse – como se perguntou o Mauricio Dias ?
O senhor acha que o professor Luizinho, líder do PT na Câmara, levava grana, todo mês, para votar no PT?
O senhor acha que coligação de partidos deve acabar no momento em que se realiza a eleição, com o pregou o Big Ben de Propriá ?
O senhor condenaria alguém se a única “prova” contra ele fosse uma entrevista muitas vezes desmentida do 'Thomas Jefferson' à Folha?
O senhor considera o 'Thomas Jefferson' um Herói da Pátria?
Nos seus julgamentos o senhor rasgará pareceres do Tribunal de Contas da União?
Considera que o Duda não tem direito à dupla jurisdição?
Que o artigo 52, Inciso X da Constituição foi abduzido pelo Gilmar e pelo Eros e se tornou “inconstitucional”?
O senhor acha que é o Barbosa quem deve cassar o Genoino?
Ou a Câmara, por voto aberto?
O senhor reconhece a plenitude da liberdade de expressão, tal qual a histórica decisão do Ministro Celso de Mello, em ação de Daniel Dantas, seu ex-cliente, contra o ansioso blogueiro?
O senhor acusará um repórter de “chafurdar na lama”?
O senhor considera o Presidente Lula “um safo”?
O senhor concorda com o Ministro Pertence que, ao se referir ao MP, disse “criei um monstro”?
O que o senhor entende por “soberania popular”?
O senhor será um juiz apartidário, ou expressará suas inclinações politicas no PiG e nos votos?
Por fim, o senhor acha que o Brasil tem que ser governado pelo Supremo?
Em tempo: o PT elegeu algum senador?
Paulo Henrique Amorim
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O novo ministro do STF defende a reserva de mercado da mídia

A escolha de Barroso não é exatamente animadora.
O novo ministro não é exatamente animador
O novo ministro tem muita proximidade com a Globo
Se alguém tivesse que dar uma instrução ao novo integrante do STF, Luís Roberto Barroso, seria mais ou menos assim: “Amigo, observe tudo que seus companheiros fazem com atenção. E depois faça o oposto.”
Barroso substitui uma pequena calamidade chamada Ayres Brito. O maior legado de Ayres Brito foi privar a sociedade brasileira do direito de resposta na mídia em casos de calúnia e difamação.
Depois, ele conseguiu entender que não havia conflito de interesses na relação justiça e mídia e fez um sofrido prefácio para o livro – a esta altura completamente morto, dados os novos fatos – de Merval Pereira sobre o mensalão.
Seria de supor que Dilma, depois da barbeiragem espetacular na escolha de Luiz Fux, tenha sido mais cuidadosa ao optar por Barroso.
Mas uma visita ao blog de Barroso não chega a ser exatamente animadora. Para começo de conversa, ele foi advogado da Abert, a associação de empresas de rádio e televisão que obedece ao comando da Globo.
Logo, suas relações com a Globo estão, desde já, sob suspeita de promiscuidade.
Isso fica claro num artigo que está em seu blog, e que ele escreveu exatamente para o Globo, em 2011. Nele, defendeu, com argumentos bisonhos, a manutenção de reserva de mercado para as empresas jornalísticas brasileiras.
É a chamada pataquada.
Considere.
“A primeira questão a ser enfrentada diz respeito ao fato de que as empresas genuinamente brasileiras que atuam nesse mercado não podem ter mais de 30% de capital estrangeiro, por imposição constitucional. Admitir-se empresas com 100% de capital estrangeiro fazendo jornalismo ou televisão no Brasil não apenas viola a Constituição como cria uma competição desigual. Imagine se um jogo de futebol em que um dos times devesse observar as regras tradicionais e o outro pudesse pegar a bola com a mão, fazer faltas livremente e marcar gols em impedimento. A injustiça seria patente.”
Ora, por que as regras seriam diferentes? Por que qualquer empresa estrangeira de mídia no Brasil poderia pegar a bola com a mão? A legislação de mídia seria a mesma, como acontece com qualquer outro ramo.
Nos anos 1990, o Brasil se livrou da reserva de mercado para automóveis, com ganhos expressivos para os consumidores, que se livraram das carroças caríssimas.
As novas fábricas que se instalaram no país, como a Fiat ou a Toyota, viveram desde o primeiro instante sob as mesmíssimas regras das demais montadoras.
Se essa lógica patética valesse, estaríamos sob reserva de mercado em todas as áreas. Você talvez estivesse condenado a ter um laptop da Itautec.
Mas Barroso foi adiante em sua insana cavalgada a favor do atraso.
“Existem (…) razões mais substantivas para que as regras sejam mantidas e respeitadas. O Brasil é um país cioso de suas tradições culturais, que  incluem uma belíssima música popular, o melhor futebol do planeta, novelas premiadas mundo afora e cobertura jornalística acerca dos fatos de interesse nacional.
Entregar o jornalismo e a televisão ao controle estrangeiro poderia criar um ambiente de surpresas indesejáveis. No noticiário e na programação, teríamos touradas ou jogos de beisebol. Ou, quem sabe, de hora em hora, entraria em tela cheia a imagem do camarada Mao, grande condutor dos povos. Como matéria de destaque, uma reportagem investigativa provando que Carlos Gardel era uruguaio e não argentino. Pura emoção. À noite, um documentário defenderia a internacionalização da Amazônia.”
Raras vezes foram ditas tantas estupidezes num só parágrafo. Raras vezes uma situação de inaceitável privilégio foi defendida com tamanha pobreza de argumentos.
Um homem que escreve essas coisas — que deveriam ter efeito desqualificador em qualquer escolha — ter chegado as STF mostra quanto é baixo e primário o nível do sistema judiciário brasileiro, e quanto é frágil o critério de opção dos governos.
Paulo Nogueira
No DCM
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Pré-sal: eu queria ser o Adriano Pires

Os interesses comerciais dos clientes do CBIE se confundem com as consultas do consultor à Globo?
Saiu na primeira página do Globo:
“Brasil fará maior leilão de petróleo do mundo”
“ANP decide licitar área com até 12 bilhões de barris na Bacia de Santos”
“A decisão foi tomada após confirmação de reservas de 8 bilhões de barris de petróleo e gás na área de Libra.”
“É a maior reserva do mundo que vai a leilão”
“A motivação é tão política que o leilão será em Brasília”, alerta (sic) o consultor (de quem ? – PHA) Adriano Pires”
Quando eu crescer eu quero ser o Adriano Pires.
O pré-sal tem entre 70 e 100 bilhões de barris.
A Petrobrás é a quinta maior empresa de petróleo do mundo.
A segunda maior empresa de capital aberto da América Latina.
Segunda empresa de energia do mundo.
Em 2010, com o Nunca Dantes, fez maior operação de capitalização em Bolsa da História do Capitalismo.
Acaba de lançar com retumbante sucesso títulos no valor de US$ 11 bilhões.
E o único “consultor” do Globo é o Adriano Pires.
Consultor de quem?
Adriano Pires é do CBIE, Centro Brasileiro de Infra-estrutura.
Que serviços presta a empresa do Adriano Pires?
Atuamos nos mercados de petróleo e seus derivados, gás natural, energia elétrica e fontes de energia renovável; levando em conta a interdependência existente entre estes mercados.
Nossos serviços apóiam os tomadores de decisão na formulação de estratégias de sucesso face às rápidas mudanças e incertezas do mercado.
Assessoramos nossos clientes no desenvolvimento de estratégias para explorar novas oportunidades de negócios e para minimizar novos riscos.
Apoiamos o desenvolvimento de estratégias regulatórias e o relacionamento com órgãos reguladores e de defesa da concorrência.
A quem presta esses notáveis serviços?
Nossos clientes são empresas atuantes nos vários segmentos do mercado de eletricidade, gás natural, petróleo e fontes renováveis de energia.
Portanto, ele não é apenas “consultor”: ele presta serviços pagos de assessoria.
Portanto, a consultoria dele ao Globo – por hipótese – pode se confundir com os serviços que presta aos clientes.
Quem são os clientes da consultoria do Adriano Pires, além do Globo?
Não seria interessante identificá-los, para que o leitor tivesse uma ideia da inclinação, pelo menos emocional do Adriano Pires?
Vamos supor, por hipótese, que ele dê uma opinião sobre o regime de exploração do pré-sal.
Se de concessão, (como querem a Chevron e o "Cerra", segundo o WikiLeaks) ou de partilha, como decidiu o Congresso Nacional.
A posição Adriano Pires será no plano estritamente pessoal, ou se confundirá com os interesses comerciais de alguma empresa a quem presta consultoria?
Não seria interessante o Globo dizer assim: “Adriano Pires, que tem como clientes em sua empresa particular, as empresas tais e tais acha que …”?
Não seria uma forma de orientar os leitores que, eventualmente, leiam a opinião de Adriano Pires como a de um imparcial consultor?
Será que o Globo já ouvir falar em “conflito de interesses”?
Ou o Globo pensa que você é um parvo, amigo navegante?
O Adriano Pires deve ser um jenio!
O Requião se irritou com os especialistas “multi-uso, que nada sabem de tudo”.
A Globo vive deles.
Não, é esse, absolutamente!, o caso do Adriano Pires.
Ele sabe tudo… de energia!
Quando o presidente Lula anunciou a descoberta do pré-sal, o ansioso blogueiro, incauto, entrevistou, por telefone, o consultor Adriano Pires.
E ele viu tanto defeito, mas tanto defeito na descoberta do pré-sal que o ansioso blogueiro se lembra de ter dito… “sim, mas foi uma boa notícia, não?”.
O ansioso blogueiro não se lembra da resposta.
E nunca mais o entrevistou!
Mas, quando crescer, o ansioso blogueiro quer ser o Adriano Pires!
Clique aqui para ler “Mataram Vargas por causa da Petrobras”.
Paulo Henrique Amorim
http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2013/05/charge-bessinha_hortifrutigranjeiro.jpg
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Para entender a exploração do pré-sal

Diante da notícia de que o Governo resolveu marcar para outubro a primeira licitação para a exploração de uma nova área do pré-sal, muita confusão  vai se formar na cabeça das pessoas e é preciso fazer alguns comentários.
A primeira delas é afirmar, sem medo de patrulhismos, que isso não é o ideal, mas o possível. O desejável seria que a exploração ficasse totalmente em mãos do Estado brasileiro, sem participação alguma de empresas privadas e, mais ainda, estrangeiras.
Mas o volume de petróleo – e o de investimentos necessários à sua retirada – é tão grande que isso não é, objetivamente, factível. Uma simples olhada nas projeções da Agência Internacional de Energia da ONU  sobre as exportações de petróleo em 2035, no gráfico aí em cima, dá ideia do tamanho do desafio.
Só o campo de Libra, o primeiro – e único – do pré-sal que irá a leilão este ano, tem reservas recuperáveis entre  8 e 14 bilhões de barris. Se estiver na estimativa máxima, essas reservas equivalem a todo – vejam bem, todo mesmo – o petróleo contido nas reservas provadas do país até hoje.
Mas para esse petróleo valerá a nova lei do petróleo, que nada tem a ver com o regime de concessão implantado por Fernando Henrique Cardoso e vigente até agora. Essa regulamentação dá à Petrobras a condição de operadora das perfurações e da produção, com uma participação mínima de 30% nos poços de Libra.
E nada impede, sobretudo agora que a empresa fez caixa com o lançamento de títulos no mercado internacional, que ela aumente sua parcela. Mesmo assim, é possível que ela faça novas captações, para poder aumentar seu poder de negociar a formação de consórcios de exploração.
E, ainda, quando o Governo entender que for conveniente, pode adjudicar áreas, sem leilão ou outra forma de licitação, à Petrobras.
Além dessa fatia, o Brasil ficará com uma percentagem – o que vai ser propriamente o “lance” do leilão – do petróleo produzido que exceder aos custos da exploração – daí uma das necessidades de a Petrobras ser a operadora exclusiva – além de dar à empresa o controle das encomendas de equipamentos e serviços, o que garante o máximo de indução à economia brasileira, o que não ocorreria com empresas estrangeiras, que tenderiam a adquirir fora todo o necessário para desenvolver e operar os poços.
Fica assegurado, assim, controle da estatal dos pontos de medição da extração, que jamais ficarão sob responsabilidade de empresas privadas. Isso é ainda mais importante porque parte do petróleo será exportada centenas de quilômetros mar adentro, sem sequer vir à terra, gerando insegurança sobre o volume produzido.
Nada disso acontece no atual modelo, o de concessão.
Ainda é cedo para especular de quanto serão as ofertas, mas certamente não serão pequenas, tanto nos valores pagos pela concessão quanto na parcela entregue ao Estado brasileiro.  Mas, ao contrário, já se sabe que serão imensas as necessidades de capital para colocar em operação essas áreas a curto e médio prazo.
Calculados os custos de produção à razão de 8,5 dólares o barril, o mesmo usado na operação de capitalização da empresa, em 2010, isso pode levar os investimentos e custos operacionais, só em Libra, a mais 100 bilhões de dólares.
E a Petrobras não teria como fazer frente a isso senão se endividando de maneira suicida, porque boa parte dos investimentos precede a produção e os preços do petróleo não são previsíveis. Logo, também não é o fluxo temporal de receitas. Nem, também, o que isso impacta sobre a velocidade de extração, vencida a etapa de implantação dos poços de produção.
Traduzindo: é muito importante “controle da torneira”, porque reserva de petróleo é um estoque o qual se vende não apenas conforme a procura, mas do preço de mercado.
Embora as multis do petróleo estejam interessadíssimas nos campos do pré-sal, o modelo vai ser mais convidativo às empresas estatais, como é o caso das chinesas, que se pouparam do leilão de petróleo de extração convencional para esperar pelas áreas do pré-sal. A razão é simples: sua visão de negócios é mais estratégica que imediatista e a negociação com a petroleira estatal brasileira será facilitada pelas relações governo a governo.
Se a licitação, como é provável, subdividir o campo em muitos blocos, isso será ainda mais conveniente ao país, pela multiplicidade de parceiros possível à Petrobras, reduzindo percentualmente a participação de cada um dos outros sócios na área total de exploração e, portanto, elevando a concentração de poder decisório da estatal.
É por essas razões que a Petrobras está se preparando financeiramente para o imenso desafio de explorar o campo gigante de Libra. Ela irá, certamente, ao limite de suas forças.
E ela tem forças imensas, mas o que vem pela frente é tão grande que, mesmo assim, elas não bastariam para tirar do fundo do mar o oceano de petróleo que está lá.
Fernando Brito
No Tijolaço
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A droga de Ronaldo Laranjeira é o poder

Médico-político, bem conectado com o poder, recebedor de farto financiamento público, defensor radical da Guerra Contra as Drogas, Laranjeira é movido pela sensação de mandar nos outros.
Laranjeira quer a guerra de sempre às drogas
Laranjeira quer a guerra de sempre às drogas
O artigo abaixo, do jornalista Denis Russo Burgierman, foi publicado originalmente no site da Superinteressante.
Todo mundo tem a sua droga. A da minha mãe, por exemplo, é a endorfina, nome que é uma abreviação de “endo-morfina”, ou “morfina interior”.
A endorfina é um opióide, ou seja, uma droga da mesma classe do ópio e da heroína. Os opióides agem como desentupidores nas sinapses do cérebro: eles abrem os caminhos pelos quais a dopamina flui.
E a dopamina é a mãe de todas as recompensas: aquela sensação gostosa, aconchegante, de bem estar, que chamamos de prazer.
É a dopamina que nos dá aquele gosto doce que acaba formando hábitos. É ela, também, que, quando algo sai do controle, causa a dependência.
Minha mãe busca a dopamina dela de maneira saudável, correndo pelas ruas e pelos parques de São Paulo, subindo em pódios com medalhas douradas no pescoço – exercício físico faz o corpo produzir endorfina.
Há quem busque o prazer em outras coisas. Glutões produzem dopamina quando se empanturram. Yogues produzem quando respiram profundamente.
Jogadores vão em busca dela na emoção das apostas do bingo ou do carteado. Futebol, chope, sexo, novela, dança, festa, trabalho, cinema – tudo aquilo que tem o potencial de dar prazer pode estimular a produção de dopamina. Inclusive drogas, como álcool, tabaco, nicotina, açúcar, maconha, cocaína, heroína.
Ontem participei da entrevista com o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, no programa Roda Viva, da TV Cultura. Laranjeira é um médico-político, bem conectado com o poder, recebedor de farto financiamento público, com larga experiência em dependência, defensor radical da Guerra Contra as Drogas.
Colegas de Laranjeira no mundo acadêmico já haviam me advertido que a droga dele é o poder. É a sensação de mandar nos outros aquilo que ativa seu sistema dopamínico.
A entrevista foi bem frustrante para mim. Laranjeira tomou a palavra e falou sem parar, sem dar atenção às perguntas que lhe faziam.
Citou uma série de dados inventados, como a informação de que todos os países desenvolvidos estão abandonando as políticas de redução de danos – basicamente o contrário da realidade, já que há uma clara tendência pela adoção global da filosofia da redução de danos, até mesmo nos Estados Unidos, onde pelo menos o discurso já mudou.
Num dos intervalos do programa, uma das entrevistadoras, a especialista em segurança pública Ilona Szabo, deu uma bronca no entrevistado fora do ar, criticando a forma irresponsável como ele manipulava os dados.
Laranjeira virou agressivamente sua cadeira para ela, aumentou o volume da voz, e brandiu o argumento da autoridade: “Cresça e apareça, menina. Quem é você? Eu tenho 30 anos de experiência nisso”.
Ilona respondeu tranquila: “Eu trabalho com gente que tem o dobro de sua idade e que teve a humildade de mudar de ideia. Você pode mudar também.”
Aos 34 anos, Ilona é coordenadora do secretariado da Comissão Global de Políticas sobre Drogas, o órgão internacional cujo presidente é Fernando Henrique Cardoso (81 anos) e que tem entre seus membros gente como o ex-presidente do banco central americano Paul Volcker (85) e o ex-secretário de Estado dos EUA George Schultz (92), braços direito e esquerdo do ex-presidente Ronald Reagan, principal comandante da Guerra Contra as Drogas na década de 80.
O objetivo da Comissão é acabar com a guerra e buscar soluções mais pacíficas e racionais para evitar que nosso apetite natural por dopamina nos destrua.
Nos anos 1980 e 90, FHC, Volcker, Schultz e Reagan eram generais da Guerra Contra as Drogas. Laranjeira, naquele tempo, era um soldado raso, talvez um jovem oficial dedicado a dar alguma sustentação científica para a ofensiva militar.
Hoje os generais não apenas estão cansados de lutar mas pedem desculpas pelos erros do passado: eles reconhecem que a guerra foi um equívoco.
Mas o soldado Laranjeira quer continuar lutando. Afinal, ele não está preocupado em saber se a guerra dá certo ou não. O que ele quer é poder – e, consequentemente, dopamina.
No fundo, ele sabe que a guerra é inútil, mas sabe também que, se ela acabar, ele perde poder. Ele é dependente de poder.
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O cinema brasileiro encaretou Cazuza e Renato Russo

Renato & Cazuza
Dois ídolos, duas cinebiografias e algo em comum: a tentativa de amenizar a homossexualidade de ambos. Em cartaz nos cinemas, Somos Tão Jovens, de Antonio Carlos da Fontoura, sobre a vida de Renato Russo, comete exatamente o mesmo erro de Cazuza – O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, de 2004. A homossexualidade assumida de Renato, assim como a de Cazuza, é transformada em uma bissexualidade que não houve em nenhum dos casos. É como se, ao apresentar os dois à juventude atual, os diretores/produtores quisessem torná-los mais palatáveis, quase “normaizinhos”, algo que tanto um quanto o outro odiariam.
Cazuza e Renato Russo se foram cedo deste mundo, vítimas da Aids: Cazuza, em 1990; Renato, em 1996. Em sua vida louca, vida breve, nenhum dos dois jamais almejou ser modelo de comportamento para ninguém. Qual é! Renato brigou do palco com um estádio inteiro, o Mané Garrincha, em 1988. Cazuza mostrava a bunda para a platéia em suas últimas apresentações. Eram autênticos, verdadeiros, viscerais. Nunca abriram mão de suas convicções e de sua loucura poética, até o último momento.
Na época em que foi lançado o filme de Cazuza, o próprio pai do cantor, João Araújo, veio a público criticar os cortes nas cenas de sexo. ”Quiseram ter muito cuidado com o lado homossexual de Cazuza. No que começaram a tomar cuidado demais, para não transparecer e para não virar filme proibido para menores, afastaram-se bastante da realidade”, disse Araújo aos repórteres Pedro Alexandre Sanches e Silvana Arantes, da Folha de S.Paulo. Parceiro de Cazuza no Barão Vermelho, Roberto Frejat estranhou o tratamento dado no filme ao amigo, que aparece transando com mulheres. “Nunca vi prática heterossexual nele. Teve, sim, mas quando não estava completamente convencido de ser gay, bem antes de me conhecer”. Sintomaticamente, Ney Matogrosso, amigo íntimo e ex-namorado de Cazuza, simplesmente desapareceu da versão final.
Com o líder do Legião Urbana a coisa foi parecida – com a diferença de que o filme sobre Cazuza é razoável, e o sobre Renato, ruim. Um desperdício, aliás, porque encontraram um ator, Thiago Mendonça, bastante semelhante a Renato Russo e com boa voz para viver o protagonista, mas o filme se perde em um roteiro fraco, digno da série Malhação se fosse feita pela Record.
Todo mundo que conviveu com Renato em Brasília sabe que ele era muito menos comportado (para dizer o mínimo) do que o garoto sensível e “família” retratado no filme. E que, apesar de ter escrito “gosto de meninos e meninas”, seus casos mais notórios sempre foram com homens. Em Somos Tão Jovens, provavelmente também para fugir da censura 18 anos, como aconteceu com o filme de Cazuza, a questão gay se transforma em algo lateral na vida de Renato e a história se centra em uma personagem feminina que nunca existiu, espécie de amiga-namorada do jovem compositor.
Pior: Renato transa com Aninha, mas não aparece beijando um homem na boca nem uma só vez no filme, como se fosse bacana para uma obra cinematográfica se pautar pelos mesmos (e condenáveis) parâmetros das novelas das nove globais. Os produtores podem até recorrer à desculpa de que o filme aborda a época anterior à fama de Renato Russo, ainda adolescente: é o “retrato do artista quando jovem”, já que o longa termina quando o Legião Urbana começa a fazer sucesso. Mas, mesmo neste período, é conhecido o fato de que o cantor já tinha um namorado fixo. Homem. Então não se trata de licença poética, mas de uma mentira contada a platéias adolescentes inteiras. Renato não tinha nada do menino pueril que aparece no filme. E era gay. Não “mais ou menos gay”. Ponto.
Para os fãs mais velhos de Renato e de Cazuza, fica na boca um gosto de traição. Por que os filmes feitos sobre os nossos ídolos precisam suavizar as biografias deles? Qual o problema em escancarar que eles tinham uma vida louca, sim, que experimentaram drogas, que bebiam e que eram felizmente gays, assumidos? Sinal dos tempos neoconservadores que vivemos? Como diria Cazuza, vamos pedir piedade, Senhor, piedade. Para essa gente careta e covarde.
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Extrema direita francesa saúda suicídio na Notre-Dame como “gesto político”

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A líder da extrema direita da França, Marine le Pen, saudou a atitude do ativista que, em protesto contra o casamento gay e os imigrantes, matou-se com um tiro na cabeça perto de um altar da catedral de Notre-Dame, em Paris, nesta terça-feira (21/05).
Ele foi identificado como Dominique Venner, de 78 anos, um ensaísta conhecido por suas publicações extremistas.
Le Pen, líder da Frente Nacional, partido político de extrema direita, qualificou o suicídio como um ato político.
“Todo respeito a Dominique Venner, cujo ato derradeiro, eminentemente político, foi tentar despertar as pessoas da França”, escreveu ela no Twitter nesta quarta-feira.
A Frente Nacional, que defende uma política antiimigratória e se opôs aos esforços do governo para legalizar o casamento gay, é a terceira maior força política do país.
Venner se matou perto de um altar da catedral, por volta das 15h. Na catedral havia cerca de 1.500 pessoas, que foram evacuadas sem maiores incidentes.
Venner deixou uma carta, que foi lida por um amigo na rádio conservadora Courtoisie, e um texto final em seu blog.
Ambos os textos denunciavam o casamento homossexual e a imigração não europeia.
Venner teve uma vasta carreira como ensaísta, tendo publicado textos, ensaios e livros sobre história militar, armas e caça. Ele foi membro da Organização do Exército Secreto, grupo paramilitar de direita ativo durante a guerra da Argélia.
No DW
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Os clubes mais endividados do futebol brasileiro

A consultoria BDO divulgou o ranking com os clubes mais endividados do futebol brasileiro. O levantamento é referente ao período de 2008 a 2012. O Palmeiras foi o clube que registrou a maior alta em seu endividamento. Em cinco anos, o clube paulista viu sua dívida saltar em 320%, de 68,3 milhões para 287,2 milhões de reais, ficando em sexto lugar na lista. Confira no vídeo quais são os 5 mais endividados.

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Quinta noite consecutiva de distúrbios nos subúrbios de Estocolmo

Carros incendiados, mais duas escolas e uma esquadra de polícia vandalizadas. Na noite de quinta para sexta-feira, as autoridades detiveram 8 pessoas.
Esta vaga de violência, na Suécia, um país tradicionalmente pacífico, tem incendiado também o debate sobre a integração dos imigrantes: são cerca de 15% da população, concentram-se normalmente nos bairros mais pobres das grandes cidades. Além disso, a taxa de desemprego entre os imigrantes é bastante maior que no resto da população.
Só em Husby, bairro onde começaram os incidentes, um em cada cinco jovens não trabalha nem estuda. A taxa de desemprego e de pessoas a viver dos apoios estatais é de 8,8% e 12%, respetivamente.
Os incidentes começaram na semana passada, depois de um homem de 69 anos e com problemas psíquicos ter sido abatido a tiro pela polícia. O indivíduo estava fechado com a companheira em casa e terá ameaçado os agentes com um machado. A população do bairro indignou-se e acusa a polícia de ser racista e violenta com crianças e idosos.

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Rafael Correa asume nuevo mandato como Presidente de Ecuador

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, inicia este viernes un nuevo mandato de cuatro años, una vez sea juramentado como jefe de Estado para el período 2013-2017, luego de haber sido reelecto en los comicios del pasado 17 de febrero con el 57,17 por ciento de la votación en la primera vuelta.
La agencia Andes reseñó que a las 08H00 locales (13.00 GMT) iniciará el evento de posesión del mando presidencial, con el ingreso del Gabinete Ministerial, el Gabinete Ampliado y Alto Mando Militar a la Asamblea Nacional, lugar donde se efectuará la ceremonia de investidura.
Para la posesión se espera la asistencia de, al menos, una decena de jefes de Estado de todo el mundo. Los primeros en llegar a Quito este jueves fueron los presidentes de Haití, Michel Martelly; de Georgia, Mikhail Saakashvili: de Bolivia, Evo Morales; además del Príncipe de Asturias, Felipe de Borbón, en representación de España.
En las próximas horas se espera la llegada de otros seis mandatarios: Laura Chinchilla (Costa Rica), Porfirio Lobo (Honduras), Sebastián Piñera (Chile), Nicolás Maduro (Venezuela), Danilo Medina (República Dominicana), y Juan Manuel Santos (Colombia).
Está previsto que los dignatarios y altos funcionarios invitados ingresen al recinto legislativo a partir de las 09H00 locales (14.00 GMT), para que acto seguido haga su arribo el vicepresidente electo, Jorge Glass; delante del vicepresidente saliente, Lenín Moreno.
En tanto, a las 09H55 (14.55 GMT) ingresará el presidente Correa y cinco minutos más tarde iniciará la ceremonia de posesión. El acto iniciará con el ingreso del Pabellón Nacional, el Himno Nacional y el discurso de la presidenta del Parlamento, Gabriela Rivadeneira, quien tomará el juramento del Jefe de Estado.
Posteriormente, Correa se colocará la banda presidencial y firmará el Decreto que lo posesiona como Presidente de la República en el periodo 2013-2017, al igual que Glass en calidad de Vicepresidente. Por último, el Mandatario realizará su intervención y finalizará la posesión con la salida de los asistentes.
Por otro lado, en horas de la tarde está programado un almuerzo en el Palacio de Carondelet con los Jefes de Estado, de Gobierno, Príncipes de Casas Reinantes y Secretarios Generales de Organismos Internacionales.
En la noche, Correa realizará otro acto de posesión en el Centro de Eventos del Parque Bicentenario, junto a la presencia del pueblo organizado. Finalmente, a las 21H00 (02.00 GMT del sábado) se realizará una recepción en el Palacio de Gobierno, en honor a las delegaciones especiales que asistan a la posesión.
Éste será el segundo mandato consecutivo de Correa, quien llegó a la presidencia en 2007, aunque dos años más tarde reformó la Constitución y fue ratificado en el cargo por un período de cuatro años, que finaliza este viernes. Además del triunfo, su partido, Alianza País (AP) obtuvo en los comicios generales 100 de los 137 escaños de la Asamblea.
Seguridad
El Parlamento es custodiado por 700 militares durante los actos de este viernes. Desde la medianoche local está cerrado el perímetro, de acuerdo a los planes de movilidad y de seguridad que están a cargo de la Policía Nacional y la Policía Metropolitana, además del cierre de vías circundantes.
Considerando el número de personas que llegarán entre las delegaciones oficiales, invitados y periodistas acreditados de los medios de comunicación nacionales y extranjeros. Se estima un total de cuatro mil personas.
El ministro de Exteriores, Ricardo Patiño, es el encargado de recibir a las delegaciones de 90 países y organismos internacionales que asistirán a la asunción de Correa.
Los gobernantes de Irán, Mahmoud Ahmadinejad; y de Perú, Ollanta Humala, cancelaron su participación en el acto de posesión de Correa.
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CPI da Petrobras: factóide do PMDB

A notícia de que o deputado Leonardo Quintão, do PMDB, conseguiu as assinaturas para uma CPI sobre a Petrobras tem toda a pinta de um factoide na briga de setores do partido que vêem seus apetites contrariados.
É apenas uma manobra para manter a pressão do partido sobre Dilma Roussef, o que se tornou, infelizmente, “normal” nas relações partidárias da base aliada.
Manobra que, eles sabem, vai ter todo apoio da mídia, que não engole a “mania” de querer que o petróleo brasileiro seja dos brasileiros.
Não há nada de obscuro na Petrobras que justifique uma CPI. Ao contrário, se falta publicidade é sobre o sucesso e o potencial de uma empresa que vai, em sete ou oito anos, duplicar toda a capacidade que construiu ao longo dos 60 anos que completará em outubro, 60 anos de imensos serviços ao Brasil.
A turma da grana, embora diga o contrário, sabe disso.
É por isso que a Petrobras completou, segunda-feira, a maior emissão de títulos corporativos da história nos mercados emergentes. Vendeu nada menos que US$ 11 bilhões em títulos, com vencimento entre 2016 e 2043, pagando os menores juros entre os papéis já colocados no mercado pela empresa: entre 2,1% e 5,7%, dependendo do prazo.
E mais venderia, se quisesse. A procura foi quase quatro vezes maior que a oferta, porque os gringos não são bobos de acreditar nos nossos “analistas econômicos”.
A CPI vai ficar na chiação da oposição. O PMDB, que é espertíssimo, vai usá-la apenas como fator de pressão para cargos e para a votação que realmente interessa. Porque, todos sabem, o comando de sua bancada não engoliu a derrota imposta a Daniel Dantas na MP dos Portos.
Agora, se prepara para o segundo round em defesa do empresário, na votação do novo Código Mineral, que é onde moram os interesses dantistas.
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 1795

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Pentágono pide 450 millones de dólares para mantener cárcel de Guantánamo

EE.UU. mantiene al menos 166 prisioneros en la cárcel de Guantánamo
 El Departamento de Defensa de los Estados Unidos solicitó este miércoles al Congreso de su país un presupuesto superior a los 450 millones de dólares para el mantenimiento y remodelación de la prisión ubicada en la ilegal base naval de Guantánamo (sureste de Cuba), dejando de lado la promesa del presidente Barack Obama de cerrar dicho centro de detención.
Según el diario USA Today, ese capital será destinado a modernizar las oficinas militares, conectar un cable submarino de fibra óptica desde Florida (sur de EE.UU.) y mantener completamente operativa la instalación, abierta en un territorio ocupado ilegalmente en Cuba desde hace más de un siglo.
El rotativo reseñó que solamente las labores de remodelación requerirán 200 millones de dólares y podrían tardar un década, ya que el Pentágono deberá trasladar a la base los trabajadores y materiales necesarios, tomando en consideración que las viviendas son limitadas en esa área.
En tanto, unos 79 millones de dólares serían destinados a las operaciones de detención, otros 20 millones para costear comisiones militares (casi el doble de la cantidad actual)y alrededor de 40 millones para el cable de fibra óptica y casi 100 millones para gastos de operación y mantenimiento.
Por ello, el proyecto del Pentágono pone en evidencia la contradicción que existe entre la supuesta lucha política del presidente Obama para cerrar la prisión y los planes de los militares, quienes expresan abiertamente su intención de mantener operativa la instalación.
Según datos oficiales, actualmente Washington destina al menos 177 millones de dólares anuales al centro de detención y el sistema judicial marcial de la base naval, Incluso, recientemente aprobó otros 50 millones para mejorar los campamentos militares, construir un comedor y más dormitorios.
En términos individuales, la cárcel tiene un gasto anual de 903 mil 614 dólares por recluso, un presupuesto superior al asignado a las prisiones estadounidenses de máxima seguridad, que destinan al año alrededor de 70 mil dólares por cada detenido.
Huelga de hambre
El pasado seis de febrero, un grupo de prisioneros inició una huelga de hambre en rechazo a los abusos cometidos por los custodios, las malas condiciones de reclusión y la falta de juicios y proceso judiciales sobre muchos de los reclusos.
Actualmente, alrededor de 130 prisioneros se han unido a este acto de protesta contra las violaciones de los derechos humanos en el recinto, convirtiendo su queja en un reclamo internacional que involucra a decenas de países organizaciones humantarias.
Debido a esta huelga, el presidente Obama retomó en abril pasado su promesa incumplida de intentar cerrar el reclusorio, que data desde la campaña electoral de 2008, antes de ser electo por primera vez.
El alto coste del centro penitenciario y sus repercusiones negativas en los vínculos con países aliados fueron las únicas razones citadas por el Mandatario el las últimas semanas, obviando así el uso de prácticas violentas en los interrogatorios, la imposición severas medidas disciplinarias y la violación de los derechos humanos de los reos.
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A explosão da bomba no Riocentro seria queima de arquivo?

A farsa dentro da farsa no caso do Riocentro
Entre os mais importantes depoimentos de militares envolvidos nas violências contra opositores da ditadura civil-militar de 64 está o de um personagem pouco conhecido.
Falando publicamente em 16 de maio à Comissão da Verdade Rubens Paiva, da Assembléia Legislativa de São Paulo, após ter deposto a portas fechadas à Comissão Nacional (CNV), o ex-paraquedista Valdemar Martins de Oliveira, que operou no serviço de espionagem e tortura do Exército em fins dos anos 1960 e início dos 70, levantou uma hipótese nova sobre a explosão da bomba no Riocentro em 1981.
A versão mais aceita até hoje é que a explosão atingiu somente os militares do serviço de repressão que a manuseavam, mas que originalmente o artefato era dirigido às 20 mil pessoas que, lá dentro do centro de convenções, assistiam a um show de Música Popular Brasileira para comemorar o 1º de maio, Dia do Trabalhador.
Oliveira, que participou do grupo em que funcionava um dos chefes daquela operação no Riocentro, entretanto, disse haver outra possibilidade.
Ele suspeita que a explosão tenha sido queima de arquivo perpetrada pelos comandos dos próprios militares atingidos. “Quem disse que eles não queriam explodir os dois para limpar? Dispositivo de disparo à distância já existia havia muito tempo” — disse à Comissão paulista o ex-soldado.
“Eles” seriam os chefes do aparato de repressão, ainda por serem nomeados. “Os dois” eram o então sargento Guilherme do Rosário (morto na explosão) e o ex-capitão e hoje coronel Wilson Machado, ambos então lotados na seção carioca do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), que funcionava no quartel da Polícia do Exército localizado até hoje na rua Barão de Mesquita, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio.
Confirmada suspeita, haveria então uma reviravolta importante em um dos mais dramáticos episódios da fase final da ditadura, que ainda hoje não é conhecido em sua totalidade.
A hipótese da farsa dentro da farsa levantaria também outras questões: quem operou remotamente as bombas? Por que a queima de arquivo? Que informações tão importantes guardariam os dois militares do “atentado” fracassado, a ponto de seu próprio comando ordenar a sua morte? Que segredos os operadores guardavam e que ainda guardaria o ex-capitão, hoje coronel, Machado, protegido que está pelo Exército Brasileiro?
Depois que vieram a público, em fins de 2012 e em início de 2013, os arquivos pessoais do comandante do DOI-Codi do Rio de Janeiro em 1981, coronel da reserva Júlio Miguel Molina Dias, sabe-se que aquela era uma até agora mal contada missão dupla, a Missão 115 — Operação Centro.
De acordo com os arquivos de Molina, assassinado em Porto Alegre, onde morava, em novembro do ano passado, “a ação previa que os militares fizessem a espionagem do show no Riocentro, celebração do Dia do Trabalhador, que virou manifesto contra a ditadura.
Foram escalados dois agentes, com previsão de saída às 18h40min e retorno às 4h20min, usando um Fusca. Outros dois, de forma clandestina, usaram um Puma particular”, escreveram no jornal gaúcho Zero Hora (ZH) os jornalistas José Luis Costa e Humberto Trezzi, baseados nos arquivo de Molina.
“Quarta-feira, 20 de maio de 1981 – Em um documento reservado, enviado ao chefe do serviço de inteligência do 1º Exército, Molina comunica os nomes dos agentes do DOI-Codi escalados oficialmente [note-se o “oficialmente”] para “cobrir” o show: sargento da Aeronáutica Carlos Alberto Henrique de Mello e o soldado da Polícia Militar Hirohito Peres Ferreira. O ofício afirma que o chefe da Seção de Operações, capitão Machado, e o sargento Rosário [os vitimados na explosão no Puma] foram ao Riocentro para supervisionar a equipe. Seria a primeira vez que o nome de Machado e Rosário aparecia em um documento oficial como tendo participado da desastrada Missão 115”, continuou o ZH, reproduzindo as anotações do coronel Molina.
O Inquérito Policial Militar, arquivado em 2001, registra ainda que no local também estavam o coronel Freddy Perdigão (morto em 1997), que chefiou o DOI-Codi em 68 quando Oliveira fazia parte dos grupos de espionagem, e um civil, identificado como o carpinteiro Hilário José Corrales, conhecido ativista da direita subversiva daqueles anos.
Na época da bomba no Riocentro, a versão sustentada pelo Exército, já em si reconhecida pela CNV como uma farsa, dá conta de que o artefato que explodiu no colo de Rosário foi colocado ali pela Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR, um dos grupos da esquerda armada que resistia à ditadura.
A tese, frágil, sempre foi questionada por vários pesquisadores e jornalistas, que sustentavam a hipótese de o artefato ter explodido por erro do seu operador, Rosário, matando-o, e ferindo gravemente o então capitão Machado, que sobreviveu a essa típica ação de terrorismo dos órgãos militares de repressão política.
A novidade está não apenas na hipótese levantada por Oliveira, que desde o início dos anos 2000 vem aparecendo aqui e acolá na imprensa, dando novos elementos a alguns casos escabrosos.
Entre suas denúncias recentes, em São Paulo, está a revelação do duplo assassinato em 1968, em São João de Meriti (RJ), a tiros na nuca, com balas de pistola 45, do casal de estudantes Catarina Helena e João Antônio Abi-Eçab, por Freddie Perdigão, àquela época comandante do DOI-Codi na PE da Barão de Mesquita. Perdigão, descobriu-se depois, era muito próximo do sargento Rosário , e também se encontrava no local do atentado.
As denúncias de Oliveira vêm à tona poucos meses após o coronel da reserva Molina ter sido assassinado com três tiros, em 1 de novembro de 2012, em Porto Alegre, no bairro Chácara das Pedras. A primeira linha de investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul seria a de que ele reagiu a uma tentativa de assalto à sua casa, onde guardava uma coleção de 20 a 23 armas, entre pistolas, espingardas e revólveres.
Poucos dias depois do crime, o armamento foi recolhido em uma operação que envolveu dois Jeeps e um caminhão do Exército. “A família solicitou que as armas fossem recolhidas e atendemos o pedido. Elas foram fotografadas, catalogadas e guardadas em local seguro”, disse ao ZH o coronel José Carlos Vianna, chefe do Estado-Maior do Comando da 3ª Região Militar do Exército.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul tem como principal linha investigatória a tese de crime sem motivação política e, desde novembro do ano passado, trabalha até com a hipótese de crime passional. Mas, a quantidade (10 a 15) e a variedade de cápsulas de projéteis (de 9mm, de .45 e de .380) encontrados no local do crime, e o fato de testemunhas e câmeras de segurança da área registrarem que o Citroen C4 de Molina foi seguido por um Gol vermelho, abrem também a possibilidade de crime encomendado.
Em 18 de dezembro passado, a polícia gaúcha prendeu por suspeita de terem assassinado Molina o soldado da Polícia Miliar do RS gaúcha Denys Pereira da Silva, de 23 anos, e um suposto comparsa, de 31. Exame de balística mostrou que as balas recolhidas no local do crime, e que supostamente mataram Molina, saíram de uma pistola apreendida na casa do militar.
O cenário composto pelas revelações de Oliveira e pelo assassinato do coronel Molina abrem novas hipóteses para o Caso Riocentro, um evento central que ajudou muito a acelerar o fim da ditadura.
Assim, ainda que as novas informações não se confirmem, nem que a morte de Molina não tenha mesmo passado de crime sem motivação política, a série de depoimentos à CNV de militares ligados à repressão precisa dar passos maiores do que os foram dados até aqui.
Uma decisão importante seria a reconvocação, em fala aberta ao público, do ex-paraquedista Oliveira e, finalmente, o depoimento, também público, de peças-chave nessa história do Riocentro: o hoje coronel Wilson Machado, o ex- sargento da Aeronáutica Henrique de Mello (que em julho de 2012 ganhou patente e soldo de capitão, por decisão do juiz federal no Rio Iorio Forti) e, se ainda estiverem vivos, o soldado da PM do Rio Hirohito Peres Ferreira e o “carpinteiro” Corrales.
Carlos Tautz, Jornalista e coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas
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