23 de mai de 2013

Senado devolve mandato histórico de Luiz Carlos Prestes

Luiz Carlos Prestes, recém-eleito senador em 1946
O Senado, durante sessão solene, devolveu na noite desta quarta-feira, simbolicamente, o mandato de senador a Luiz Carlos Prestes, que morreu em 1990. Durante o ato, o presidente da Casa, Renan Calheiros, leu mensagem da presidenta Dilma Rousseff na qual ela elogia o “ato de reparação histórica” à memória de Prestes. O ex-senador, que era membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi o responsável pela chamada Coluna Prestes, movimento político que percorreu vários estados das regiões Sudeste e Nordeste entre os anos de 1925 e 1927 se insurgindo ao governo da República Velha e às elites agrárias. Em 1947, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro do PCB e o mandato de Prestes.
A devolução simbólica do broche e diploma de senador foi feita à mulher de Luiz Carlos Prestes, Maria do Carmo Ribeiro Prestes. O suplente do senador comunista, Abel Chermont, também teve o mandato devolvido. O broche e diploma foram entregues ao neto, Carlos Eduardo Chermont.
– Ele (Prestes) foi respeitado e considerado um político de caráter que sempre defendeu seus ideais. Com a iniciativa do Senado Federal, eu quero expressar minha certeza de que a democracia e a liberdade sempre serão valorizadas em nosso país – declarou Maria do Carmo Prestes.
No Correio do Brasil
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La NASA invierte en impresoras 3D de alimentos

La impresora 3D desarrolló con éxito la reproducción de
un pastel de chocolate
Programando aplicaciones de la impresora de comida 3D, el consumidor podría mezclar los diferentes cartuchos de alimentos en polvo, no solo según sus gustos, sino también según sus necesidades nutricionales, con lo que se abriría un nuevo campo en su dieta.
La Administración Nacional de Aeronáutica y del Espacio (NASA, por su sigla en inglés) pagó una beca de 129 mil dolares al ingeniero de la Compañía de Investigaciones de Sistemas Y materiales (Systems and Materials Research Corporation, SMRC), Anjan Contractor, para que desarrolle en seis meses una impresora de diseños en tres dimensiones (3D), capaz de reproducir alimentos.
La máquina del ingeniero y fundador de SMRC, de origen indio, empleará la tecnología de código abierto RepRap, una iniciativa que busca crear una máquina auto-replicable que puede ser usada para prototipado rápido y manufactura.
Explicó que, en principio, lo más fácil de crear es una pizza, por su estructura de rodajas, compuesta por tres capas de polvos nutritivos, a los que le agrega aceite y agua.
Contractor añadirá paulatinamente a los contenidos del software, recetas culinarias para que la impresora mezcle adecuadamente los diferentes productos, todos ellos en estado líquido o espolvoreado. De momento Contractor ha desarrollado con éxito la reproducción de un pastel de chocolate.
La donación de la NASA, realizada en el pasado mes de marzo, es para que en seis meses haya resultados concretos. Mientras tanto, en las próximas semanas, el ingeniero comenzará a fabricar la máquina.
La noticia llega también poco después de que la Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO, por su sigla en inglés) recomendara la ingesta de insectos para cubrir la necesidades alimenticias de la población mundial.
Contractor explicó que piensa igual que muchos economistas, quienes coinciden en que el actual sistema alimentario no se da abasto para satisfacer a las 12 mil millones de personas que habitan el el mundo, estimando así que la impresora 3D pueda convertirse en un recurso masivo, más allá de los ocasionales viajes espaciales.
“Es necesario que la humanidad cambié la percepción de lo que vemos como alimentos”, aseguró el ingeniero de la NASA.
Agregó que otro punto a favor de la impresora es que los cartuchos nutritivos no caducan, pues “los viajes espaciales requieren alimentos con 15 años de vida, pero nosotros estamos trabajando con proteínas macro y micro nutrientes en polvos que mantendrán sus propiedades por lo menos 30 años".
El ingeniero también cree que el consumidor podría mezclar los diferentes cartuchos de alimentos en polvo, no solo según sus gustos, sino también según sus necesidades nutricionales, con lo que se abriría un nuevo campo en la dieta personal.
"Una de las mayores ventajas de las impresoras de comida es que permite la nutrición personalizada, según seas hombre o mujer. Una impresora 3D puede programar exactamente lo que cada persona necesita", detalló.
Aunque no se trata de la única iniciativa respecto a comida, sí parece la más seria. La empresa Modern Meadow trata de reproducir carne para consumo humano. “No es carne sintética, es carne auténtica porque está hecha de sus mismas células, creo que la mejor palabra sería vitrocarne”,explicó uno de los directivos de la empresa.
Igualmente, en la universidad europea de Maastricht, el científico Mark Post, consiguió la pasada semana reproducir una hamburguesa partiendo de células madre e ingeniería de tejidos animales.
De momento, las cadenas de comida rápida no tienen de qué preocuparse, la vitrohamburguesa tiene un costo de 325 mil dólares.
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Dilma Rousseff indica novo ministro do Supremo

A presidenta Dilma Rousseff indicou, nesta quinta-feira (23), Luís Roberto Barroso para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria do ministro Ayres Britto. Para a presidenta, Barroso, que é professor de Direito Constitucional e procurador do Estado do Rio de Janeiro, cumpre todos os requisitos para o exercício do mais elevado cargo da magistratura do país.
Confira a nota:
A Presidenta Dilma Rousseff indicou hoje o advogado Luís Roberto Barroso para compor o quadro de ministros do STF, ocupando a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ayres Britto. A indicação de Barroso, professor de Direito Constitucional e Procurador do Estado do Rio de Janeiro, será encaminhada nas próximas horas ao Senado Federal para apreciação. O professor Luís Roberto Barroso cumpre todos os requisitos necessários para o exercício do mais elevado cargo da magistratura do país.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
http://www.sisjern.org.br/novo/images/noticias/190.jpg
O futuro ministro do STF é natural de Vassouras, no interior do Rio. Seus pais atuaram na área Jurídica ─ o pai foi membro do Ministério Público do Rio e a mãe foi advogada. Barroso é casado e tem um casal de filhos. Atualmente, vive entre o Rio, Brasília e Petrópolis, na região Serrana.
O advogado mantém um blog, onde reúne seus artigos, entrevistas, além de opinar sobre temas diversos e divulgar poesias e músicas.
Segundo currículo divulgado pelo Palácio do Planalto, Barroso fez carreira em assuntos ligados à defesa dos direitos humanos.
Foi responsável pela defesa, no Supremo Tribunal Federal, de causas como a legitimidade das pesquisas com células-tronco embrionárias, equiparação das uniões homoafetivas às uniões estáveis convencionais, legitimidade da proibição do nepotismo, legitimidade da interrupção da gestação de fetos anencéfalos. Foi membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça.
Formou-se em direito na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), é mestre em direito pela Universidade Yale e doutor em direito público também na Uerj. Foi professor visitante da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
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Ninguém controla o Supremo

A ausência de uma monitoração efetiva do STF é um problema para o país, segundo o cientista político Frederico Almeida, ouvido pelo Diário.
Funcionários públicos
Funcionários públicos
O cientista político Frederico Almeida, professor doutor da Universidade São Judas Tadeu e coordenador de graduação da Fundação Getúlio Vargas, conversou com o Diário sobre as viagens de ministros do STF e de suas mulheres entre 2009 e 2012, pagas com dinheiro público. De acordo com o Estadão, as passagens foram emitidas durante as férias. Joaquim Barbosa fez 27 viagens. “Barbosa e os ministros estão blindados”, diz Almeida.
A tolerância com o STF é excessiva?
A questão das viagens dos ministros tem dois aspectos que precisam ser analisados: se ela está de acordo com as regras e se é moral. Ela está no regulamento, mas é moralmente um absurdo. Quando se descobriu que deputados gastavam sua verba com viagens de mulheres e parentes, a reação foi barulhenta. Por que não agora? De onde vem essa enorme tolerância com o STF? Joaquim Barbosa e os colegas estão blindados. O Joaquim é visto como o cara que bate no Congresso e na Câmara. Os ministros do Supremo não são eleitos e a maneira como eles tratam os outros poderes é perigoso.  No caso das viagens, não adianta nada dizer que eles estão dentro do regulamento. As viagens são inaceitáveis.
É como se os ministros fossem inatacáveis?
Sim. O Judiciário tem, para nós, um certo aspecto nobiliárquico. É como se fosse especial. Mas eles não são “melhores”, necessariamente, do que os congressistas – fora que esquecemos que também são funcionários públicos e devem explicações à sociedade. Eles apenas desempenham funções diferentes. É preciso colocá-los num patamar equivalente. Eles podem viajar de primeira classe com as mulheres e os outros não?
O STF padece de falta de transparência?
Sim. A existência desse tipo de regalia é histórica. Há alguns anos, o Lula foi malhado porque disse que o Judiciário era uma caixa preta. Ele estava certo. É mesmo. Em 2011, foi criada a Lei de Acesso à Informação, também chamada de Lei da Transparência. O Judiciário é o poder que mais tem dificuldades para cumpri-la. As informações sobre essas viagens do STF não foram publicadas, como manda a lei. Elas tiveram de ser requisitadas.
Quem controla o STF?
Ele mesmo. O CNJ, Conselho Nacional de Justiça, que faz o controle de todos os poderes do país, não controla o STF porque os dois têm o mesmo presidente, Joaquim Barbosa. Existe um conflito de interesses evidente. Que transparência poderia haver? O CNJ não tem independência nenhuma para avaliar o Supremo. Quando o STF se coloca como imune ao controle externo, está se pondo acima da sociedade. Os membros indicados são aprovados pelo Senado sem quaisquer problemas. Na história do Brasil, apenas cinco indicações  foram vetadas pelo Legislativo – e há mais de cem anos. Nos Estados Unidos, o cara passa por uma longa sabatina em que o questionam sobre sua vida pregressa, suas posições políticas, sua carreira.
Barbosa se considera um ser superior?
O pensamento de que o Barbosa é melhor do que todos os 513 deputados eleitos é um perigo para a democracia. Ninguém pode se colocar como salvador da pátria. O Supremo não é salvação de nada. Um caso desses, como o das viagens, não é para impeachment porque não poderia ser  julgado com base em argumentos morais. Mas é um péssimo sinal. Nenhum órgão público deve ser imune ao controle externo. O Exército, por exemplo, é muito mais controlado do que o Supremo Tribunal Federal. A Justiça Militar tem juízes civis. Sem contar o código interno dos militares, tradicionalmente muito duro. O STF é incontrolável.
stf
Kiko Nogueira
No DCM
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O estilo Barbosa de esculachar a política

O estilo consiste em quebrar regras de convívio democrático e respeito entre instituições. Depois, dá uma volta sobre o próprio passo.
O Conversa Afiada reproduz artigo de Paulo Moreira Leite, extraído da revista IstoÉ:
Joaquim e seu estilo
Aos poucos, Joaquim Barbosa autoriza o país a identificar um estilo político.
Sabendo do risco de ser adorado pelos conservadores, que tentam enfeitá-lo com o mito de “menino pobre que mudou o Brasil”, agora reproduzido até pela revista Time (se houve tal “menino pobre” nós sabemos quem ele é, como se chama, de onde veio e o que fez, certo?),
Joaquim achou necessário colocar-se como pessoa de esquerda.
Apenas por isso declarou que a imprensa brasileira é de “direita”.
Tempos atrás, fez questão de revelar seu voto em Lula e Dilma, lembram?
Sempre de olho no povão, xingou o Congresso e disse que temos partidos de mentirinha. Como isso é sempre chato e incomoda quem lê jornais, mandou dizer que falou como acadêmico.
O método de Joaquim Barbosa para construir seu próprio mito político já é conhecido. Consiste em quebrar regras de convívio democrático e respeito entre instituições. Depois, dá uma volta sobre o próprio passo.
Quem procura, de uns tempos para cá, conseguir um lugar na turma do gargarejo finge que não vê a coerência em determinados movimentos apenas porque são duplos.
Joaquim disse em tom de crítica:
“O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo. Cabe a ele a iniciativa da lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar.”
Sob a presidência de Joaquim, o Supremo inaugurou uma fase na qual tem feito o possível para diminuir o Congresso e interferir em sua atividade.
O Congresso tentou legislar sobre royalties do petróleo. Foi impedido pelo Supremo. Tentou regulamentar a distribuição de verbas públicas e tempo na TV para partidos políticos – Gilmar Mendes assinou uma liminar. O Congresso quer resolver o que fazer com o mandato de deputados condenados no mensalão, como diz a Constituição. O Supremo manda cassar de qualquer maneira.
Já aposentado, o ex-presidente do Supremo, Ayres Britto, justifica a atuação extrajudicial do STF sem muitos pudores.
Diz que “o experimentalismo” do Supremo se explica pela “inércia do legislador.” Ou seja: com este Congresso lento, sem lideranças (quem sabe preguiçoso e corrupto, não é assim?), o STF se acha no direito de fazer mais do que a lei manda. É a Constituição à moda de Ayres Britto.
Eu acho muito estranho que alguém reclame da omissão do Congresso semanas depois da aprovação de uma lei crucial para o bem-estar do país — a legislação que regula o trabalho doméstico, última herança do regime escravocrata.
Considerando que foi uma legislação criada pelos parlamentares e aprovada por eles, após pressões, manobras protelatórias e ataques de todo tipo, que se prolongaram durante anos, pergunto como alguém pode reclamar do Congresso nesses dias, como se fosse possível esquecer um avanço numa área que se encontrava estagnada desde 13 de maio de 1888.
Ou melhor: entendo perfeitamente porque se fala mal do Congresso por esses dias. Uma pena.
Há outras coisas, também.
Jornalistas que integram a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, que possui tantos profissionais respeitáveis em seu quadro de sócios e dirigentes, resolveram convidar o presidente do STF para uma palestra.
Pergunto se aquele jornalista que deveria chafurdar na lama estará na plateia.
E aquele outro, brother, que ousou perguntar pela serenidade do ministro do STF, e foi advertido que isso era visão de branco?
Podemos imaginar, desde já, o próximo release explicando, mais uma vez, que o ministro falou na ABRAJI como acadêmico, num “exercício intelectual”, numa tentativa de disfarce conhecido, pois poder não faz “análise”, nem “sociologia”, nem “psicologia”.
Poder é poder durante 24 horas do dia.
Se isso fosse verdade, não haveria motivo aceitável para um assessor do STF esclarecer opiniões privadas do seu presidente, concorda?
Não custa lembrar que movimentos temerários de aproximação com posturas autoritárias costumam fazer vítimas entre os companheiros de viagem.
Principal trombone do golpe de 64, Carlos Lacerda não demorou a perder seus direitos políticos. Articulador civil do golpe, o Estado de S. Paulo tornou-se alvo prioritário da censura.
Depois de apoiar centros de tortura, nossos espertalhões de ontem derramam lágrimas de crocodilo quando falam sobre as revelações da Comissão da Verdade.
Aliomar Baleeiro, udenista que foi golpistas em 1954, 1956 e 1964, acabou a carreira no Supremo, fazendo arrependidas manifestações a favor dos direitos humanos e das liberdades públicas. Tarde demais – mesmo para limpar biografias.
A questão de Joaquim é aqui e agora.
Em maio de 2013, o ambiente em torno do Supremo é outro. O debate sobre embargos irá abrir, necessariamente, uma discussão que ficou abafada durante o julgamento, em torno de falhas e contradições que ajudaram a produzir penas tão severas.
Será difícil repetir aquele ambiente de unanimidade cívica do ano passado.
Mas Joaquim vai tentar.
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Pela má causa

Henrique Eduardo Alves e Carlos Sampaio devem explicar atitudes contrárias ao interesse da população
Dois deputados, distinguidos na Câmara pelos postos que ocupam, estão devendo explicações sobre recentes atitudes contrárias ao interesse da sociedade.
São eles o próprio presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e o líder da bancada do PSDB, Carlos Sampaio. Por que, em iniciativas separadas, pediram ao deputado Givaldo Carimbão que retirasse do seu relatório, sobre inovações na Lei de Drogas, a obrigatoriedade de advertência contra os males do álcool nas garrafas de bebidas alcoólicas?
O crescente consumo de álcool por adolescentes, e já vulgarizado entre os jovens, é uma hoje preocupação médica tão intensa quanto derrotada pelo gasto em publicidade da indústria de bebidas alcoólicas. O Brasil é o provável recordista nos três itens: o consumo pela juventude, a preocupação médica e a publicidade de cerveja voltada para toda a vida jovem.
Ainda que não existissem os fatores de preocupação, não se vislumbraria nem um único motivo aceitável, um que fosse, para evitar a advertência oportuna sobre as possíveis consequências do consumo de álcool. Qualquer que tenha sido, portanto, e não é difícil imaginar a respeito, a motivação dos dois deputados não se vincula a uma boa causa. Nem ao menos a causa neutra.
Henrique Eduardo Alves e Carlos Sampaio devem explicar, se puderem, como se consideram representantes do povo com atitudes contrárias a interesse tão amplo e sério da população. E tão idênticas ao bem recompensado serviço de lobista junto a deputados e senadores.
Engano
A decisão do governo Alckmin de recompensar com bônus, de até R$ 10 mil semestrais, os policiais que reduzam a criminalidade em suas áreas de ação leva a questões de ordem administrativa e de justiça. Os garis, por exemplo, terão bônus se varrerem as ruas como é de sua obrigação? Os médicos terão bônus se tratarem direito os pacientes nos hospitais públicos? E os demais servidores também com encargos definidos e respectiva remuneração, serão incluídos na nova política de recompensa pelo cumprimento das obrigações? A não ser assim, estará instituído um privilégio.
No longo período em que o Rio viveu situação similar à atual em São Paulo, foram tentadas diversas formas de estímulos financeiros. O governo de Marcello Alencar foi inigualável em ideias cretinas, como a de premiar pela quantidade de tiros dados nas saídas do policial: PMs forjavam confrontos fazendo disparos para o alto, na serenidade da noite, e faturavam o extra com a prova dos cartuchos vazios.
Todas as recompensas asseguradas e fáceis acabaram em fraudes. Prêmio que funciona é o que vem a posteriori e ganha o sentido de premiação mesmo, não de compra banal da eficiência devida. Esta corrompe.
Presente
A eficiência do vice-presidente Michel Temer em domar os vivaldinos do PMDB está muito além do que seria esperável. Discreto, sereno, todos os dias responde sem palavras aos que criticaram sua escolha para a vice ou, há pouco, tentavam já encaixar outro ao lado de Dilma Rousseff no ano que vem.
E, melhor, não constam cobranças pessoais pela eficiência.
Janio de Freitas
No fAlha
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Um plus a mais

Passei por uma loja que vendia roupa “plus size” para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era “plus size”. “Plus”, em inglês, é mais. “Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do que o normal.
Só não entendi isto logo porque a loja não ficava em Miami ou em Nova York, ficava no Brasil. Não sei como seria uma versão em português do que ela oferecia, mas o “plus size” presumia 1) que a mulher grande ou gorda saberia que a loja era para ela, 2) que a mulher grande ou gorda se sentiria melhor sendo uma “plus size” do que o seu equivalente em brasileiro, e 3) que ninguém mais estranha que o inglês já seja quase a nossa primeira língua, pelo menos no comércio.
A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando “entrega” virou “delivery”.
Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser “delivered” na porta. Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto.
O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser “plus” a ser mais e ter “size” em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega — ou devo dizer “delivery”? — de identidade de um país com vergonha da própria língua.
Papo Vovô
Engana-se quem acha que os avôs vivem num paraíso enquanto os pais padecem com as crianças. Ser avô também requer pratica e habilidade e, acima de tudo, versatilidade. Ainda mais quando a neta tem uma imaginação ativa, como a Lucinda, e vive mudando a distribuição de papéis nos seus faz de contas.
Você um minuto é príncipe e no outro é pai, no outro é caçador e no outro é monstro, e pode passar rapidamente de rei a cachorro. O que exige do avô um talento histriônico fora do comum, além de preparo físico.
Uma das minhas encarnações é a de marido. Já nos casamos várias vezes, e como marido tenho um direito que nenhum outro personagem tem, nem o cachorro: o de ser chamado de “meu amor”. É o meu papel preferido.
Luis Fernando Veríssimo
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Brasil tem déficit de 54 mil médicos para vagas criadas na última década

http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/Saude/grande-medicos_paralisacao_01032009.JPG 
Dos 13 mil profissionais pedidos pelas prefeituras para áreas carentes, apenas 3.800 foram contratados pelo programa que paga R$ 8 mil e concede bônus para carreira de especialista
Ao longo dos últimos dez anos, o número de postos de emprego formal criados para médicos ultrapassa em 54 mil o de graduados no País. De 2003 a 2011, surgiram 147 mil vagas neste mercado de trabalho, contra 93 mil profissionais formados, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A este quadro de carência de profissionais, soma-se a perspectiva de contratação de 26.311 médicos para trabalhar nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) cuja construção está sendo custeada com recursos do Ministério da Saúde até 2014.
Com estes dados, o Brasil tem 1,8 médico para cada mil brasileiros, índice abaixo de outros latino-americanos como Argentina (3,2) e México (2). Para igualar-se à média de 2,7 médicos por mil habitantes registrada na Inglaterra, em cujo sistema de saúde se inspirou o Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil precisaria ter hoje mais 168.424 médicos.
Este déficit, que é um dos principais gargalos para ampliar o atendimento no SUS, está sendo enfrentado por medidas do Governo Federal para levar mais médicos para perto de onde as pessoas vivem. Entre estas ações destaca-se o Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), que oferece bolsa mensal de R$ 8 mil e bônus de 10% na prova de residência aos médicos participantes do programa.
“O SUS agora tem três desafios: financiamento, esforço da gestão compartilhada ─ federal, estadual e municipal ─ e a oferta de qualidade e quantidade de profissionais de saúde para a dimensão de um país como o nosso. A solução não é só trazer médicos estrangeiros. Essa é só uma parte da solução. Precisamos também abrir vagas de graduação, formar mais especialistas e continuar investindo em infraestrutura”, afirmou o ministro durante o evento em Belo Horizonte (Minas Gerais), nesta quinta-feira (23), onde apresentou balanço do Provab na região Sudeste.
Neste ano, a população de 333 municípios dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo recebeu 821 médicos a mais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) – contingente que só deu conta de atender 32% da demanda por 2.519 por profissionais apresentada pelos municípios da região Sudeste.
Em todo o Brasil, são 3.800 participantes, em 1.307 municípios, o equivalente a 29% da necessidade apontada para contratar 13 mil profissionais. Na edição deste ano do programa, o Sudeste foi a segunda região do país que contou com maior número de médicos e participantes, atrás apenas do Nordeste. Minas Gerais é o estado do Sudeste com maior número de participantes: são 398 profissionais em 182 municípios. Em São Paulo, são 186 médicos em 91 municípios; no Rio de Janeiro, 148 profissionais em 32 cidades. A região Nordeste foi a que contou com o maior número de médicos e municípios participantes. Ao todo, são 2.241 profissionais em 645 cidades.
Em todo país, a região Nordeste foi a que contou com o maior número de médicos e municípios participantes, são 2.241 profissionais em 645 cidades. Em seguida vem o Sudeste com 821 médicos em 333 cidades; o Centro-Oeste, que recebeu 227 médicos em 91 cidades e o Norte, que recebeu 199 profissionais em 86 municípios.
“O PROVAB se consolida como algo que olha para o processo de formação do médico, e se potencializa na formação de especialistas para o melhor atendimento à população”, disse o secretário de Gestão Estratégica do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Salles durante a apresentação do balanço do Provab em Belo Horizonte.
“Esperamos que essa ‘sedução’ do médico que o Provab faz gere frutos. Quem sabe o SUS consiga fazer os médicos entenderem que a atenção básica é, sim, uma atenção complexa e essencial”, declarou o secretário de Saúde de Minas Gerais, Antonio Jorge de Souza Marques.
Mais médicos
Além do Provab, o Ministério da Saúde tem outras iniciativas para suprir a carência nacional de médicos, como o programa que abate 1% ao ano da dívida do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) para médicos que atuarem na Atenção Básica.
Realiza ainda esforço junto ao Ministério da Educação para abrir vagas de medicina em regiões que carecem desses profissionais e com uma estrutura de saúde adequada à formação.
O Ministério da Saúde também estuda a possibilidade de trazer médicos estrangeiros para atuar na atenção básica do país, o que foi feito em alguns países como Inglaterra e Canadá, que enfrentaram a dificuldade de levar médicos ao interior.
Balanço
Dos 3.800 médicos que aderiram ao Provab, cerca de 20% estão em municípios com população rural e pobreza elevada. As periferias dos grandes centros (regiões metropolitanas) também receberam 20% dos profissionais. Outras regiões prioritárias que contam com os médicos do Provab são: população maior que 100 mil habitantes (5%); intermediários (33%); população rural e pobreza intermediária (21%); e populações quilombola; indígena e dos assentamentos rurais (1%).
Os municípios e regiões que contam com médicos do Provab foram indicados pelos gestores locais devido à carência de profissionais. As demandas apresentadas pelos municípios foram disponibilizadas para que os médicos interessados em participar da iniciativa escolhessem entre cinco opções em quais cidades gostariam de trabalhar.
Neste ano, dos 2.856 municípios inscritos pelos Secretários de Saúde municipais, 1.291 conseguiram médicos interessados em atuar nessas regiões. Nesta edição, em relação à do ano passado, o número de profissionais que participam do programa é dez vezes maior – passando de 381, em 2012, para os 3.800 atuais.
Remuneração
Os médicos participantes do Provab recebem uma bolsa mensal de R$ 8 mil, paga integralmente pelo Ministério da Saúde e devem cumprir 32 horas semanais de atividades práticas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 08 horas semanais de curso de pós-graduação em Saúde da Família com duração de 12 meses.
Para garantir a qualidade do serviço prestado, a atuação desses profissionais é supervisionada por 55 instituições e Hospitais de Ensino. A supervisão é feita mensalmente. Os médicos que cumprirem as atividades estabelecidas pelo programa e receberem nota mínima de sete na avaliação terão pontuação adicional de 10% nos exames de residência médica, conforme resolução da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). A avaliação final é realizada de três formas – pelo supervisor, que vale 50% da nota, 30% pelo gestor e pela equipe na qual ele atuará, e 20% por autoavaliação.
Suporte
Os médicos participantes têm acesso às ferramentas do Telessaúde Brasil Redes, programa do Ministério da Saúde que promove a orientação dos profissionais da Atenção Básica, por meio de teleconsultorias com núcleos especializados localizados em instituições formadoras e órgãos de gestão.
Outra ferramenta disponível é o Portal Saúde Baseada em Evidências, plataforma que disponibiliza gratuitamente um banco de dados composto por documentos científicos, publicações sistematicamente revisadas e outras ferramentas (como calculadoras médicas e de análise estatística) que auxiliam a tomada de decisão no diagnóstico, tratamento e gestão.
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Médicos cubanos são condecorados no Haíti

Os integrantes da equipe cirúrgica do Hospital Comunitário de Referência de Rabotó, no departamento haitiano de Artibonite, receberam condecoração de Honra Mérito, perto do fim da sua missão. Desde sua chegada a esse país este grupo de médicos salvou centenas de vidas e fez mais de mil cirurgias.

No Solidários
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Padilha diz "médicos da Elam de Cuba" e a mídia ignorante entende "médicos do Irã e de Cuba"

 
Às vezes a gente leva em consideração uma presumida inteligência e também a formação dos jornalistas da mídia corporativa, e acha que tal matéria evidentemente manipulada só foi produzida porque houve uma orientação da chefia de redação nesse sentido.
Mas, detalhes como o de hoje, de uma entrevista do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mostra que não. Grande parte dos erros de informação da mídia corporativa é fruto de ignorância pura e simples.
O ministro Padiilha, certamente atendendo às perguntas incessantes sobre a possível vinda de médicos cubanos ao Brasil para dar assistência a municípios que simplesmente não interessam aos médicos brasileiros, disse o seguinte:
“Descartamos buscar trazer médicos formados em universidades cujo tempo de formação não é reconhecida no próprio país, ou seja, não autoriza exercer medicina no próprio país. Um exemplo que acontece em Cuba, a Elam, ela tem um período de formação de quatro anos para programas internacionais e, depois o estudante tem que continuar fazendo internatos, estágios em Cuba pra poder depois atuar em Cuba, então, nós descartamos qualquer política de atração de profissionais médicos que sejam formados em universidades cuja formação não autoriza atuar no próprio país, isso também já foi descartado”
Só que nossos ignorantes jornalistas, em vez de dizerem que ministro descartava trazer médicos da Elam (Escola Latinoamericana de Medicina) de Cuba, disseram que o ministro descartava trazer médicos do Irã e de Cuba...
Lamentável. Deprimente, Risível. Gargalhável. Se não estivesse em jogo o direito à informação garantido na Constituição.
No Blog do Mello
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Livro sobre Pimenta Neves: contra o jornalismo real

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2013/03/213_2659-zn-livro01.jpg 
Por ter saído incompleto no Observatório da Imprensa, por estar circulando incompleto na Net, de onde o Observatório o apanhou, publico aqui uma versão mais integral de meu artigo sobre o livro sobre Pimenta Neves de Luiz Octavio de Lima: Livro sobre Pimenta Neves, obra-prima do jornalismo. Contra o jornalismo real. Renato Pompeu 
Permitam-me os leitores e leitoras da seção de livros do Diário do Comércio, sair do meu usual e proclamar, alto e bom som: este livro “Pimenta Neves – Uma reportagem – Os bastidores do crime que abalou a imprensa brasileira. E a história do homem que o cometeu”, de autoria do jornalista Luiz Octavio de Lima, colega do DC, Editora Scortecci, é na minha opinião um dos quatro livros mais importantes jamais escritos por mãos brasileiras, ao lado dos romances “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves.
Mais este livro sobre Pimenta Neves, na minha opinião, pode ser incluído entre os 350 a 400 livros mais importantes jamais escritos por quaisquer seres humanos em todo o planeta ao longo de milênios de história da escrita, tais como foram escolhidos pela Enciclopédia Britânica ou seja, escolhidos por um conjunto de centenas de especialistas em literatura, em ciências humanas, em ciências biomédicas, em ciências exatas, em artes plásticas, etc., ligados à Universidade de Chicago, a que tem mais titulares do Nobel em todas as áreas em todo o mundo. A lista da Britânica inclui 300 livros e os demais 50 a 100 provêm de regiões e países não contemplados na relação da Enciclopédia. 
Apenas algumas atrações do livro, só para espicaçar o leitor: décadas antes de matar a colega sua amante, o grande jornalista Pimenta Neves já havia estuprado e espancado uma jovem sua subordinada na Folha de S. Paulo. Como na época, ainda muito mais do que hoje, a Polícia presumia que uma queixa de estupro provinha na verdade de um ciúme da mulher após a interrupção, pelo homem, de uma relação consensual, aquela jovem não se queixou á Polícia, e sim a todos os jornalistas que pôde encontrar na redação da Folha, que simplesmente não a levaram a sério. Traumatizada, ela se mudou para os Estados Unidos.
Décadas depois, lá mesmo, ela ficou sabendo que Pimenta Neves se tornara diretor de redação de O Estado de S. Paulo, um dos poucos jornais brasileiros de renome internacional. Imediatamente ela mandou uma enxurrada de e-mails a todos os endereços de e-mails de jornalistas do Estadão, numa época em que já começava a ficar público e notório, na redação do Estado e mesmo em outras, que a relação entre Pimenta e a subordinada sua amante se estava deteriorando. 
Esses e-mails insistiam infatigavelmente em que Pimenta tinha de ser afastado daquele cargo, que o tornava um dos poucos jornalistas mais poderosos do mundo, pois, segundo os e-mails, Pimenta tendia a aproveitar suas situações de poder para tratar com violência e arbitrariedade as pessoas suas subordinadas, Os e-mails a vários jornalistas do Estadão diziam ainda que, como o poder de Pimenta havia se tornado imenso, aquilo com certeza ia acabar muito mal. Ninguém lhe deu atenção e os e-mails viraram motivo de piadas folclóricas sobre os delírios de uma mulher histérica. Deu no que deu. 
Em suma, é a crônica de uma morte ainda muito mais anunciada do que a de García Márquez. A crônica de um crime ainda mais hediondo do que o “Crime e castigo” de Dostoievski. Dos desvãos da alma humana ainda mais profundos do que os explorados em “Confissões de uma máscara”, de Yukio Mishima. 
Um livro-reportagem sobre um crime espetacular ainda mais bem feito do que “A sangue frio”, de Truman Capote, pois não tem cenas imaginárias para “ajudar a verdade”, como dizem os jornalistas quando inserem uma inverdade para tornar mais patente, aos olhos do leitor e da leitora, o verdadeiro significado de um fato. 
Um livro sobre as mazelas do jornalismo ainda mais impactante do que “O reino e o poder”, de William Shirer, pois este trata das arbitrariedades das decisões editoriais, isto é, se cinge ao mundo do pensamento e da consciência, enquanto Lima trata das relações concretas entre o físicos das pessoas e entre seus inconscientes. 
Mais descritivo de costumes hipócritas do que a “Comédia Humana” de Balzac. Mais profundo e mais contundente, psicanaliticamente, do que o filme “Psicose”, de Alfred Hitchcock. O livro mais perspicaz sobre a região paulista da Mogiana jamais escrito. O mesmo se diga sobre a vivência cultural e a rede dos artistas criadores durante o regime militar. 
Uma obra que trata direitistas e esquerdistas como eles realmente são: pessoas quase sempre bem intencionadas que se formaram em situações sociais, culturais e econômicas diversificadas e que não são tão diferentes entre si, como pessoas, em relação ao que são no campo da política. 
Um livro que mostra a estreiteza da elite de um grande país ainda mais rarefeita e ainda mais autorreferente do que a aristocracia descrita nos grandes romances russos, onde um nobre de Moscou encontrava uma sua conhecida condessa de Tsaritsin por acaso em algum vagão de trem em plena Sibéria. 
Um livro que mostra a interligação das elites culturais mundiais. Um só exemplo para cada uma dessas afirmações: Pimenta era amigo e chefe de Vlado Herzog e o pai da amante de Pimenta depois por este assassinada atendia, em sua oficina mecânica, como cliente, o delegado Sérgio Fleury. A jovem estuprada por Pimenta muitas décadas atrás era filha de uma prima do cartunista americano que criou os imortais personagens Betty Boop e Marinheiro Popeye e ela própria se tornou uma artista plástica de renome mundial. 
Um livro que, apesar de tudo, tem o tom caridoso cheio de amor da oração que aprendi como o Padre Nosso e que piedosamente pede perdão para os nossos pecados com a candura da Ave Maria. 
Um livro que chora a morte com o profundo pesar e com a consoladora solenidade do Kaddish judaico. Um livro, que na verdade, é o suspiro de uma coletividade oprimida bradada aos céus, como acontece às sextas-feiras em Meca. 
Um livro que tem a profundidade filosófica de um tratado dialético hindu. Um livro que, como o Buda, nos mostra que, na verdade, o prazer, como tudo que nos chega pelos sentidos, é apenas uma outra forma de sofrimento. 
Como toda obra-prima que se preza, “Pimenta Neves” foi com toda certeza rejeitado pelas grandes e mesmo pelas médias e pequenas editoras. Sai por uma editora especializada em bem cuidadas edições financiadas pelo autor e seus amigos. 
Apesar de seu extremo interesse para os grandes jornais, não teve a repercussão merecida na mídia, apenas neste ousado DC e na CBN, a mais ousada instituição de informações do País para o público geral, onde Lima foi entrevistado pela sempre corajosa âncora Tania Morales. Em suma, é ler para crer. 
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Pinheirinho é a praga do neoliberalismo que se alastrou pelo mundo a massacrar pessoas

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Helena Chagas cita Constituição e diz que regulamentação da mídia é “inexorável”

 
Em entrevista ao jornalista Rodrigo Manzano, do ‘Meio & Mensagem’ – maior veículo especializado em comunicação no país –, a ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Helena Chagas, defendeu a regulamentação da mídia brasileira. “A Constituição prevê que a mídia seja regulamentada, esse debate é inexorável e deve acompanhar a evolução tecnológica”, afirmou.
A ministra admitiu as dificuldades em pautar esse debate porque ele “começou um pouco enviesado, por conta do acirramento político, em um ano eleitoral”. Por isso, ele teria se tornado “uma espécie de clichê, uma expressão maldita”, mas é necessário “retirar o estigma” que cerca o tema.
“A imprensa é livre, não há controle de conteúdo, a própria Constituição proíbe isso. Mas precisamos regular os meios de comunicação, até por uma necessidade de acompanhar as mudanças que o tempo trouxe”, afirmou.
Como lembra o ‘Meio & Mensagem’, o governo federal é o maior anunciante do país, e investiu R$ 1,79 bilhão em publicidade em 2012, de acordo com os dados do Instituto de Acompanhamento da Publicidade (IAP).
Os números apontam que a tendência de diversificação dos meios que recebem verba, iniciada ainda no governo Lula, permaneceu na gestão de Chagas. Jornais e rádios regionais têm tido maior acesso aos recursos.
Entretanto, a ministra segue pressionada por setores da mídia brasileira e partidos políticos, sobretudo o PT, a ampliar a pulverização da verba publicitária federal. A análise é que a concentração ainda é grande e favorece a manutenção de oligopólios midiáticos.
A ministra contou ter preparado um estudo sobre políticas de incentivo a pequenos veículos ao redor do mundo para que se pense na possibilidade de que seja adotado algo similar no Brasil.
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Charge online - Bessinha - # 1794

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Em abril, taxa de desemprego foi de 5,8%

Em abril de 2013, a taxa de desocupação foi estimada em 5,8% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Estatisticamente, houve estabilidade tanto em relação a março (5,7%) quanto a abril do ano passado (6,0%).
A população desocupada em abril de 2013 (1,414 milhão de pessoas no agregado das seis regiões investigadas) não mostrou variação significativa, tanto na comparação mensal quanto na anual.
Da mesma forma, a população ocupada (22,906 milhões de pessoas) também não se alterou significativamente nas duas comparações. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,452 milhões de pessoas) ficou estatisticamente estável (0,1%) em relação a março passado e cresceu 3,1% em relação a abril de 2012, ou mais 342 mil postos de trabalho com carteira assinada em um ano.
Em abril de 2013, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.862,40) manteve-se sem variação estatisticamente significativa (-0,2%) frente a março e cresceu 1,6% na comparação com abril de 2012.
A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 43,0 bilhões em abril de 2013) mostrou-se estável (0,0) frente a março último e cresceu 2,4% em relação a abril de 2012.
A massa de rendimento médio real efetivo dos ocupados (R$ 42,8 bilhões em março de 2013) manteve-se estatisticamente estável (-0,1%) frente a fevereiro e cresceu 2,7% em relação a março de 2012.
A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Sua publicação completa pode ser acessada em www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.
No mês, a taxa de desocupação ficou estável nas seis regiões metropolitanas investigadas
Como mostra a tabela abaixo, a taxa de desocupação apresentou seu menor valor para um mês de abril, desde 2003. Regionalmente, na análise mensal, não houve variação em nenhuma das seis regiões metropolitanas investigadas. No confronto com abril de 2012, a taxa recuou no Rio de Janeiro (de 5,6% para 4,8%) e em Belo Horizonte (de 5,0% para 4,2%), permanecendo estável nas demais regiões.
A análise regional também mostrou estabilidade no contingente de desocupados, frente a março último, em todas as regiões metropolitanas investigadas. Em relação a abril de 2012, houve declínio dessa população nas RMs de Belo Horizonte (-16,6%) e Rio de Janeiro (15,5%), com estabilidade nas demais.
Nível de ocupação ficou em 53,6%, mantendo-se estável em ambas as comparações
Em abril de 2013, o nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em 53,6% para o total das seis regiões investigadas, não apresentando variações nem em relação a março último, nem no confronto com abril de 2012.
Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram estabilidade. No confronto com abril de 2012, houve alta de 2,0 pontos percentuais na Região Metropolitana de Salvador, e redução de 1,7 ponto percentual em Belo Horizonte. Nas demais localidades não houve alteração.
Quanto à população ocupada, regionalmente, em ambas as comparações somente houve alteração significativa na Região Metropolitana de Salvador: de março para abril, acréscimo de 41 mil pessoas e, na análise anual (de abril de 2012 para abril de 2013) acréscimo de 94 mil pessoas.
Nos grupamentos de atividade, para o conjunto das seis regiões, não houve variações significativas em relação a março último. Na comparação com abril de 2012, houve elevação em Educação, saúde, administração pública (6,3%), queda em Serviços domésticos e na Construção (8,4% e 5,5%, respectivamente) e estabilidade nos demais grupamentos.
No mês, o rendimento real habitual subiu em duas RMs e recuou em três
Regionalmente, em relação a março último, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores cresceu nas RMs do Rio de Janeiro (0,9%) e de Belo Horizonte (0,5%), recuando em Recife (2,0%), São Paulo (0,5%) e Porto Alegre (0,4%), ficando estável em Salvador. Na comparação com abril de 2012, houve alta em Recife (6,3%), Belo Horizonte (0,8%), Rio de Janeiro (2,7%), São Paulo (2,7%) e Porto Alegre (2,1%), e recuo apenas em Salvador (-9,6%).
Na tabela abaixo, os valores e as variações do rendimento real habitual segundo os grupamentos de atividade investigados pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE:
Como mostra a tabela abaixo, na comparação mensal três das quatro categorias de ocupação tiveram redução no rendimento, enquanto em relação a abril do ano passado apenas uma delas mostrou recuo (–2,0%).
No IBGE
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Globo x Petrobras, de novo

A campanha contra a Petrobras afunda a mídia no ridículo.
O Globo, nesta terça-feira, dava chamada na internet para uma pesquisa que diz que a Petrobras teria perdido quase a metade de seu valor de marca.
Medida de valor de marca tem uma subjetividade que lembra aquela história do cidadão que trocou seu cachorro virtual de um milhão de dólares por dois gatos virtuais de 500 mil cada.
Falando de dinheiro, mesmo, a situação é outra.
O jornal impresso, numa pequena nota, dizia que a Petrobras tinha sido a empresa mais lucrativa do Brasil, com R$ 9,2 bilhões de ganhos no primeiro trimestre de 2013, mesmo registrando lucros 16% menores que os do primeiro trimestre do ano passado.
Está errado. O lucro foi “só” de R$ 7,7 bilhões.
Ainda assim, a Petrobras responde sozinha por nada menos que um quinto dos lucros das 320 empresas analisadas pela consultoria Economática.
Não é a toa que a Globo, com seu império, nem aparece entre as 50 marcas de maior valor na América Latina, na edição do ano passado.
Até que a pesquisa não é tão ruim assim…
Fernando Brito
No Tijolaço
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O Globo teme a Comissão da Verdade

 
Em editorial publicado nesta terça-feira (21), o jornal O Globo confessa que está com medo do desenrolar das investigações da Comissão da Verdade. A famiglia Marinho, que apoiou o golpe militar de 1964 e que foi recompensada pela ditadura na construção do seu império midiático, faz um apelo para que as apurações sejam limitadas: “A anistia foi concedida no Brasil de forma recíproca, mediante ampla negociação entre o regime e a oposição, como parte do processo de redemocratização, realizado sem traumas, e que, por isso mesmo, resultou numa democracia estável... Não cabe à Comissão encaminhar qualquer nome ao Ministério Público e à Justiça para ser processado por supostos crimes cometidos na repressão política, nem propor qualquer inciativa neste sentido. Seria, no mínimo, ilegal”.
Na prática, o editorial tenta enquadrar os membros da Comissão. Um dia antes, alguns deles propuseram explicitamente a revisão da lei da anistia e a punição dos carrascos da ditadura. A notícia foi publicada por Roldão Arruda, no jornal Estadão. “Ganha corpo entre seus integrantes a ideia de que o relatório final da comissão, a ser divulgado no segundo semestre de 2014, deve recomendar a revisão da interpretação legal em vigor e a responsabilização penal de agentes de Estado que cometeram graves violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Atualmente, eles não podem ser responsabilizados pelos crimes que estão sendo apurados pela comissão. Integrantes que defendem a recomendação da mudança argumentam que a lei que criou o grupo, em 2011, incluiu entre as suas tarefas sugerir ao Estado brasileiro medidas eficazes para que as violações não se repitam. Uma dessas medidas seria o julgamento de militares e policiais envolvidos em casos de sequestro, tortura, ocultação de cadáveres e outros crimes na ditadura”.
Entre os proponentes desta mudança está o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, que não pode ser acusado de revanchista. “Indagado se a comissão vai recomendar que os responsáveis pelos crimes sejam julgados, ele diz que o assunto ainda está em análise. Pessoalmente, diz ser favorável a recomendar que o Brasil acate a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o tema. Em novembro de 2010, o tribunal condenou o Brasil numa ação movida por familiares dos guerrilheiros mortos no Araguaia e impôs ao Estado a obrigação de esclarecer as mortes e localizar os corpos. Ainda considerou inaceitável a concessão de anistia aos perpetradores de crimes contra a humanidade. Naquele mesmo ano, porém, o Supremo Tribunal Federal decidiu manter a Lei de Anistia”, relata o jornalista do Estadão.
O editorial de O Globo evidencia que os trabalhos da Comissão da Verdade ainda poderão resultar em avanços significativos, ajudando o superar o atraso do Brasil na condenação dos crimes da ditadura. A famiglia Marinho está preocupada, o que é um bom sinal. Ela teme, inclusive, por uma necessária convocação dos barões da mídia para explicar as suas ligações com a ditadura e seus carrascos assassinos.
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Glória Pires interpreta vilã em Goiás

Glória Pires
Com vasta experiência no mundo da ficção, a atriz Glória Pires virou vilã em Goiás após atuar em peça publicitária do governo do Estado.
O trabalho saiu caro à carioca que se auto-intitula “goiana de coração”. Centenas de mensagens de repúdio à propaganda foram publicadas na página pessoal da atriz no Facebook.
O gasto publicitário com a contratação da atriz global - ao mesmo tempo em que a JBS, do pré-candidato ao governo pelo PMDB Júnior Friboi, contratou Tony Ramos (leia mais aqui) - foi, novamente, revertido de forma negativa contra Marconi Perillo, como mostram as mensagens postadas.
A reação segue uma tendência dos últimos meses, em que o tucano tornou-se alvo de suas próprias iniciativas.
Qualquer tentativa de construção de uma mídia positiva vira desgaste. Prova disso foram os eventos patrocinados pela administração estadual que acabaram em vaias contra Perillo.
No Goiás é Show, grande evento sertanejo da Capital, o vocalista do grupo Chiclete Com Banana foi vaiado ao dizer que Marconi era “chicleteiro”.
Mais de 50 mil jovens que participavam de um show gospel, em Goiânia, também hostilizaram a entrada do governador no palco. Mais vaias.
Até mesmo na festa de fim de ano na Praça Cívica, local onde fica o Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, Marconi foi vaiado.
Um recorde de rejeição em grandes eventos.
Aproveitando a proximidade com a atriz da Globo, o governador poderia até pedir música no Fantástico. Já foi vaiado pelo menos três vezes consecutivas por grandes públicos.
Confira algumas das publicações que estão na página da atriz:
“Fazer propaganda pro governo mais sujo deste país, compactuar com mentiras q ele tenta apregoar...Vergonha é o q sinto da sua pessoa agora!!! Mercenária!” – Urânia Lima
“Não foi feliz associar a sua imagem a atual administração do nosso Estado. Nós, os professores estamos passando por um dos piores momentos na Educação. Quero acreditar que você não tem conhecimento da realidade!” – Abdulia  Brandão
“Conheça primeiro o governo de goiás que tá uma barbaridade!” – Neila Rodrigues Sousa Sales
“Olá Glória! Aqui em Goiás você é muito querida, e talvez não conheça o ditador que é nosso Governador, confesso que fiquei muuuito decepcionado com sua presença nas propagandas de Marconi Perillo. Sou estudante na Universidade Estadual de Goiás, que está em greve há quase 1 mês devido a condições precárias, e é de lá que saem a maioria dos professores de Goiás. Mesmo que seja apenas uma relação profissional, o governador está pagando para que você minta! Este ano,houve greve dos professores do ensino médio, pois o governo queria retirar gratificações para quem fosse mestre ou pós graduado. Os números de assassinatos foram altos este ano aqui em Anápolis, que sempre teve índices baixos. Além disso, o Governo de Goiás é considerado o 2° no brasil em gastos com publicidade, como outdoors ou propagandas como aquelas na tv com sua participação. Pesquise tudo isso que você vai ver! Esse governo está envolvido com máfia, (Carlos cachoeira) grampos ilegais (Mr Magoo) licitações superfaturadas (uniformes de alunos superfaturados),fora muitas coisas que devem existir por detrás dos panos. Enfim, pesquise por sí mesma, por favor, não faça parte dessa corja, não trabalhe por dinheiro público que poderia estar sendo aproveitado em saúde ou educação!! sabemos que você não colabora com corrupção! Beijos!” – Jamerson Fonseca Silva
“Glória, Goiás passa por momentos tão delicados. Não se permita ser usado por essa política suja que temos vivido aqui. Vc vai além disso. Converse com professores, policiais, médicos e cidadãos de Goiás e verás que a angústia é a mesma!
Temos sofrido com tantas coisas. Procure se informar!” – Elaine Arantes
No Diário de Goiás
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O Estadão, a democracia e a ditadura midiática

Eis o receituário contra “os ‘Big Brothers’ de todas as latitudes”, e para evitar o perigo à democracia que a “TV lixo”, aquela que é “um brevê contra a inteligência e o senso crítico dos espectadores”, pode representar em qualquer parte do país: “De um lado, uma política de concessões infensa a coronelismos, complementada por eficaz legislação antitruste, de defesa do consumidor e da concorrência, contra a exacerbação predatória da lei do mais forte no mercado da indústria de informação”; “de outro, o fortalecimento da mídia eletrônica pública, independente tanto do Estado quanto da área privada e, mais ainda, protegida do espúrio contubérnio entre ambos, que gera a ‘ditadura midiática’, na Itália, na Bahia – e em qualquer lugar do planeta.”
Não se trata, leitor, de nenhum texto inspirado na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, ocorrida em dezembro de 2009, em Brasília, que discutiu diretrizes, no âmbito da sociedade civil, para a regularização da mídia – aquela conferência que a direita tratou como uma tentativa tomada de poder do governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, via organizações populares. Não, não é nenhuma peça subversiva e nenhuma ofensiva ao status quo da mídia brasileira. É a conclusão de um editorial do conservador jornal “O Estado de S. Paulo”, intitulado “Democracia e ‘ditadura midiática’” e publicado numa nobre edição do domingo, dia 10 de junho de 2001.
Naquela época, todavia, o presidente do Brasil era Fernando Henrique Cardoso; o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, havia renunciado ao mandato de senador, depois de ter fraudado uma votação em plenário, e estava então em rota de colisão com FHC, a quem servira desde o início do mandato; e o poder econômico da mídia ainda não havia feito um pacto de não agressão contra um inimigo maior, um governo de esquerda que enterrou duas gestões tucanas que consolidaram no país o receituário conservador, político e econômico, que grassava no mundo, sob o disfarce de modernidade.
ACM, segundo o editorial, era o espécime mais bem acabado do “coronelismo eletrônico que grassava pelo país, em particular nos Estados do Nordeste: o produto político da associação com “o principal conglomerado de emissoras de TV” com os interesses de grupos políticos. Usando da associação com esse conglomerado e da “fidelidade irrestrita à ordem ditatorial”, o senador baiano construiu um “virtual monopólio de mídia e de acesso a verbas publicitárias particulares e públicas [na Bahia], a começar do próprio governo estadual e da prefeitura de Salvador, sob suas asas”.
No momento em que ACM caía no Brasil, na Itália ascendia novamente ao poder Silvio Berlusconi – que chegara a premiê em março de 1994 usando o poder econômico e um império de mídia eletrônica, renunciou em 1994 e chegava novamente ao cargo pelos mesmos recursos, exercitando o que o presidente da segunda emissora de TV italiana, Carlo Freccero, seu colaborador por mais de 20 anos, designava como “ditadura midiática” em um entrevista concedida na semana anterior ao editorial ao semanário francês “L’Express”.
O ex-colaborador do premiê italiano, diz o editorial do Estadão, “sabe perfeitamente como a hegemonia inconstrastável de um grupo de mídia sobre o conjunto do setor [grifo nosso] pode ´lobotomizar´ toda uma Nação, em proveito dos amigos políticos de seus colaboradores”.
“Se um país civilizado como a Itália pode tornar-se refém de um dublê de um czar da mídia e de autoridade governamental, não são necessários grandes voos de imaginação para prever o perigo que a “TV lixo”, como diz Frecero (...) pode representar em outras paragens”.
A associação do “principal conglomerado nacional” – assim o editorial se refere à Rede Globo – a interesses políticos variados apenas pode resultar em grande poder político e econômico, concluiu o Estadão, ao analisar o caso ACM no Brasil e antes de lembrar o caminho trilhado por Berlusconi para chegar ao poder na Itália.
O editorial lembra a resposta dada pelo senador baiano ao repórter, sobre o que faria depois de sua renúncia. ‘“Gostaria de dirigir a Globo”, respondeu, risonho’, relata o texto do jornal. “Pode-se julgar como se queira a sua longa trajetória na vida pública nacional e no seu estilo de atuação. Mas nunca, em sã consciência, alguém lhe fará a injustiça de desconsiderar o seu faro extremamente privilegiado para as fontes e os mecanismos de exercício do poder”, conclui.
“Graças a esse dom, ele foi um dos primeiros políticos brasileiros, na passagem dos anos 60 e 70, a perceber a importância decisiva que teria o controle da mídia eletrônica para a conquista de apoio popular, a consolidação das posições de mando alcançadas e o uso da influência pessoal, assim amplificada, para o comércio de favores – o que, por sua vez, asseguraria a reprodução do cacife político já amealhado”, analisa o editorial, à luz da trajetória política e da sua construção como empresário da mídia baiana, sob o abrigo e em associação com a maior rede nacional de televisão.
Ele e Sarney entenderam isso, ele na Bahia e Sarney no Maranhão. Juntos, Sarney como presidente, ACM como seu ministro das Comunicações e, ambos, associados à “maior rede nacional”, mantiveram-se, daí como mandatários, o “coronelismo eletrônico”, mesmo depois da redemocratização do país. “Ministro das Comunicações do presidente José Sarney e tão ligado como ele à maior rede nacional, ACM fez da outorga de concessões de emissoras de rádio e TV o instrumento por excelência de seu ‘coronelismo eletrônico’, na apropriada expressão do editorial de domingo passado do Jornal da Tarde”, continua o jornal, em sua sessão de Opinião. É ele quem diz.
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Maria Inês Nassif - Colaboraram os estagiários Caio Luiz Junqueira Hornstein, Roberto Campos Brilhante e Rodrigo Giordano Stella
No Carta Maior
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Dez palavras sobre laicidade

Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.
Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

Dez palavras sobre laicidade

Obrigada pelo convite para estar no X Seminário LGBT do Congresso Nacional, em particular ao deputado Jean Wyllys pelo convite. Em dez minutos, desejo explorar a tensão teórica e prática da laicidade em movimento. Farei cinco afirmações sobre o que não é o Estado laico; e cinco afirmações do que é o Estado laico.
O que não é o Estado laico
1. O Estado laico não é um Estado ateu. O Estado laico não é nem católico, nem evangélico, nem espírita. Tampouco ateu. Ser ateu não é professar uma religião, mas assumir uma posição política e ideológica sobre o mundo e seus sentidos. O Estado laico não professa nenhuma verdade em matéria religiosa ou sobre o divino. Em termos simples, o Estado laico não tem religião, tampouco religiões no plural. Isso não significa que seja indiferente às crenças religiosas; apenas que não se rege pelos valores das crenças nem mesmo pela perseguição às crenças. É uma atitude respeitosa. Ao proteger a liberdade de crença e opinião, é o Estado laico quem garante a rica diversidade. Suas ações não se confundem com o de nenhuma comunidade religiosa em particular. Não há um posição atéia a ser proferida pelo Estado. Neutralidade é uma justa posição de respeito à diversidade.
2. O Estado laico não persegue as religiões. Ao contrário. É o Estado laico quem garante a todos nós – crentes no divino, crentes nos divinos ou simplesmente crentes no humano – a liberdade de pensamento, de expressão e de culto. Somos livres para expressar nossas crenças,  nossas dúvidas, nossas inquietações porque vivemos em um Estado laico. Não há esforço do Estado para perseguir as religiões, mas sim em proteger o direito à liberdade de expressão e crença. Ao rejeitarmos a teocracia de Estado, damos espaço para nossa rica diversidade. Erra quem imagina que o Estado laico persegue as religiões – a garantia da neutralidade religiosa em atos do Estado depende da laicidade. Não há perseguição, mas justa proteção.
3. O Estado laico não delega o cumprimento de seus deveres para as comunidades religiosas. Não importa o quanto somos indivíduos bem-intencionados. Nossa participação nas instituições básicas do Estado deve ser mediada pela laicidade do Estado. Há deveres que devem ser cumpridos pelo Estado, em particular aqueles relativos à prestação de serviços para a proteção dos direitos sociais. Comunidades terapêuticas de saúde mental devem ser administradas por funcionários do Estado: não importa a trajetória penal ou de uso de drogas de seus usuários; todos são igualmente cidadãos do Estado em busca de tratamento mental. Ensino religioso em escolas públicas deve ser oferecido por professores devidamente concursados pelo Estado, com conteúdo pré-definido pelo MEC. Não importa quais religiões são hegemônicas à sociedade brasileira: ensino religioso nas escolas públicas não é escola de educação religiosa, mas de humanismo religioso sem dogma. Os deveres do Estado devem ser cumpridos por seus representantes, não importa a boa intenção das comunidades religiosas em oferecer voluntários.
4. O Estado laico não é um Estado pluralmente teocrático. Proteger a liberdade religiosa não é o mesmo que garantir o livre trânsito das religiões nas instituições básicas do Estado. Um Estado laico deve ser um Estado neutro em matéria religiosa, muito embora proteja a multiplicidade de cultos e não-cultos. A presença das religiões na esfera pública é garantida pelo Estado, mas não se confunde com a colonização das religiões nos atos do Estado. Assim,não há espaço justo para sentenças judiciais baseadas em crenças cristãs: as crenças individuais de um juiz são suas crenças privadas; ao proferir uma decisão, o juiz deve se pautar no ordenamento laico do Estado que garante direitos. Médicos cristãos ou juízes cristãos combinam dois substantivos que provocam um curto-circuito à democracia: como indivíduos somos livres para nossas crenças (ser um indivíduo cristão); como médicos do SUS ou juízes somos simplesmente cumpridores dos deveres, mas sem qualificadores íntimos sobre nossas crenças. Um médico é sempre um médico que cuida das aflições e cumpre as regras da democracia.
5. O Estado laico não financia comunidades religiosas para atos de proselitismo religioso. O financiamento público importa para a garantia de direitos. Pensar o orçamento é cuidar da justiça social. As comunidades religiosas devem ser livres para proferir suas crenças,mas para tanto não devem contar com o financiamento, direto nem indireto, do Estado: devem contar com o financiamento privado de seus fiéis. O orçamento deve ter critérios públicos e universais para sua distribuição. Não importa que algumas das ações de comunidades religiosas se harmonizem às do Estado; o Estado é quem se submete aos princípios da laicidade, portanto,de neutralidade distributiva. Crentes e não crentes devem ter suas necessidades básicas protegidas com orçamento público. E necessidades não tem religião, elas são universais. E devem ser universalmente protegidas.
O que é o Estado laico
1. O Estado laico é quem nos garante a liberdade de pensamento. Sem a laicidade do Estado, viveríamos em uma teocracia. Engana-se quem pensa que seria uma teocracia no plural – não há espaço para todos no campo do dogmatismo religioso. Não existem teocracias. Sempre há opressão, quando há hegemonia de crença. E ela se confunde com outras formas de hegemonia – seja ela de renda, de força, de cor, de sexo. Seriam os homens brancos ricos e bem educados quem determinariam os rumos de nossas consciências. A laicidade protege nossa rica diversidade, isso significa que é esse dispositivo que garante que possamos acreditar, mudar de crença, voltar a crer, desistir de crer. E não só no divino, mas no humano. É a laicidade quem resiste às tentativas brutais de perseguição religiosa, de imposição de uma única crença como possível.
2. O Estado laico é quem nos protege da perseguição religiosa. Sim, é o Estado laico quem nos conforta de que um tempo passado – e, infelizmente, ainda vivido por outros povos – não será o nosso: não há perseguição religiosa em um Estado laico. A bela transformação do cenário religioso brasileiro nas últimas duas décadas – de um país majoritariamente católico para um país crescentemente evangélico – ocorreu porque não somos um Estado teocrático. Somos um Estado laico que protege a diversidade e a liberdade. Sem a laicidade, as novas gerações não poderiam se definir sob outras rubricas religiosas; seriam compulsoriamente o que seus governantes desejassem que fossem. Sem a laicidade, não haveria divórcio.
3. O Estado laico é quem nos protege do discurso do ódio. Ninguém é livre para expressar ódio, injúrias, violência ou agressão às minorias religiosas. Nem mesmo em nome da liberdade de crença, seja ela religiosa ou não. Os adoradores de Júpiter – se é que existe esse grupo de crentes – não podem sustentar suas crenças no ódio a outros grupos. Suas crenças, mesmo que religiosas, serão pautadas pelas regras da democracia e da igualdade. E, seriamente, contidos, se carregarem ódio, injúria ou violência. É o Estado laico quem nos fortalecerá para resistir a perversões como foi a perseguição nazista. Nenhum grupo, nem mesmo o mais minoritário, pode ser ameaçado em sua integridade pelas hegemonias religiosas. É a laicidade do Estado quem garante que nossas crenças, atos e posturas não serão objeto de ódio por outros grupos. É a laicidade que nos fortalece a resistir à homofobia como uma das formas mais perversas de perseguição pelo corpo – seja ela proferida em nome de crenças religiosas ou seculares. Um homófobo será silenciado, não importam as origens de suas crenças. Nossa expectativa é que seja silenciado porque respeite o pacto democrático; caso contrário será usada a força da laicidade contra ele.
4. O Estado laico é quem nos protege da hegemonia moral da maioria. Em matéria de crenças não há maioria: há sempre qualquer minoria com igual direito de representação, proteção e participação. Em matéria de crença privada não há plebiscito. Não importa se já vivemos em um país de maioria evangélica, ou se ainda somos um gigante país católico: os espíritas e budistas têm igual direito de presença e proselitismo na vida comum. Votamos por maioria, mas podemos crer como minoria. É  da menor minoria que o Estado laico cuida: o Censo IBGE nos apresenta em formato de números; a laicidade cuida de cada um de nós, em nossa singularidade existencial – a de crentes e não-crentes. É a laicidade que nos protegerá de tentativas perversas de estabelecimentos de leis, decretos e normas que garantam direitos de maioria em matéria religiosa. É a laicidade quem nos protegerá de tentativas escusas de usar a ciência para encobrir práticas homofóbicas, como é o projeto de lei de tratamento psicológico para os fora da norma heterossexual. Se há uma doença neste debate é a perversão da homofobia.
5. Por fim, o Estado laico é quem demarca a fronteira entre religiões e funcionamento do Estado. Essa é, talvez, a principal definição de laicidade, aquela dos livros jurídicos: laicidade é o que separa religiões do Estado. Mas é uma separação justa, saudável e do interesse de todos nós – crentes e não-crentes. É a laicidade que garante que possamos ser o que desejamos ser, que possamos crer no que quisermos crer, que possamos mudar de crenças, que podemos transitar sem medo de perseguição religiosa. Neste seminário sobre sexualidade e diversidade, é a laicidade quem nos conforta em saber que homofobia não se confunde com liberdade religiosa: o discurso do ódio é abjeto, imoral e discriminatório; que os fora da norma heterossexual poderão viver em regime de conjugalidade com quem desejarem, não importam os aplausos ou vaias de comunidades religiosas: poderão constituir família, adotar crianças e viver a plenitude da realização afetiva ou parental.
Resumo, então:
Laicidade não é ateísmo; laicidade não é perseguição; laicidade não é transferir para as igrejas as responsabilidades do Estado; laicidade não é teocracia no plural; laicidade não é dinheiro público para comunidades religiosas.
Laicidade é liberdade, igualdade, não-discriminação, rejeição ao discurso do ódio e respeito à diversidade.
Muito obrigada.
Texto de autoria de Debora Diniz, apresentado no X Seminário LGBT do Congresso Nacional no dia 14 de maio de 2013.
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PMDB é o que mais trai

Como diz o professor Wanderley: a base aliada é uma baleia que dá poucos filhotes.
Saiu na Folha:

Levantamento mostra PMDB como o menos fiel da base na votação da MP dos Portos

CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA
PMDB é o que mais trai
Após a dificuldade do governo em aprovar a Medida Provisória dos Portos na Câmara, o Palácio do Planalto produziu um ranking com o grau de lealdade dos partidos durante a votação, na semana passada.
Os números – que foram apresentados à presidente Dilma Rousseff – mostram que o PMDB foi o 17º lugar na lista de fidelidade ao governo, contando os 24 partidos representados na Casa.
Segundo o levantamento concluído pela Secretaria de Relações Institucionais e encaminhado também à Casa Civil, a média de votações alinhadas com o governo na bancada peemedebista foi de 41,15% durante a votação da MP.
O PMDB foi o menos fiel dos partidos da base, atrás até dos chamados independentes, como PV (66,19%) e PSD (48,73%).
Clique aqui para ler “MP dos Portos: Que base aliada é essa?
E aqui para ler a entrevista do professor Wanderley Guilherme sobre a base aliada do Governo: uma baleia que não dá filhotes.
Vem a aí a votação do Código das Minas.
Eduardo Cunha já avisou que vai entrar de sola.
Por coincidência, Daniel Dantas, dono da Santos Brasil, é também minerador – entre outras atividades.
Em tempo: quem manda no PMDB: o Cunha ou o Temer?
Em tempo2: como o Eduardo Cunha perdeu TODAS na MP dos Portos, conclui-se que o PMDB trai e perde!
Paulo Henrique Amorim
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