19 de mai de 2013

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Serra só não é uma ameaça à democracia porque não tem poder

Serra é hoje um Lacerda sem carisma e sem talento — graças a Deus.
A cantilena golpista de Lacerda mais uma vez na convenção tucana
A cantilena golpista de Lacerda mais uma vez na convenção tucana
O discurso de Serra na convenção do PSDB é uma mistura de obtusidade, má fé e cinismo.
Serra se transformou num Lacerda: fala obsessivamente em “riscos à democracia”, como se não fossem atitudes como a sua o maior risco à democracia.
Por ter carisma, por ser brilhante em sua maldade, e porque as circunstâncias eram outras, Lacerda levou o Brasil à ditadura militar.
Porque não tem carisma, e nem brilho, e por serem outras as circunstâncias, Serra apenas conduzirá a si próprio ao desprezo amplo, geral e irrestrito de brasileiros de boa fé – petistas ou não.
Lacerda, porque não conseguiu a presidência nas urnas, quis chegar a ela pelos tanques militares.
Serra também fracassou nas urnas, mesmo sob apoio maciço da imprensa que o PT “quer calar” – uma afirmação que apenas dificulta, malandramente, uma discussão vital para a sociedade: a regulamentação da mídia.
Temos uma situação de monopólio de três famílias, lideradas pelos Marinhos, e isso é uma calamidade para a democracia porque elas defendem seus próprios interesses disfarçados de interesses públicos.
Não fosse a internet, que dá espaço a outras vozes menos comprometidas e menos viciadas, o quadro seria ainda pior.
Importante notar que Serra vem sendo amplamente beneficiado pela mídia do jeito que é – e mesmo assim não conseguiu se eleger sequer prefeito de São Paulo.
O que é bom para Serra é ruim para o Brasil, porque ele põe na frente apenas aquilo que favorece a ele, a ele e ainda a ele.
Serra fala também em ‘aparelhamento’ do Estado, como se ele  próprio não aparelhasse tudo que caiu nas suas mãos.
Ora, por causa de Serra, a família de Soninha tem excelentes posições em São Paulo, sem concurso público, e ela própria foi brindada com a sinecura do Conselho de Administração da Cetesb – e ele vem falar em ‘aparelhar’?
Serra sempre usou sua posição pública para alavancar a carreira e os negócios de sua filha Verônica, e vem posar como se fosse Mujica?
Era presumível que, depois de ser rechaçado fortemente pelos eleitores, Serra se retirasse com dignidade da política.
Mas não.
Seu apego doentio ao poder impediu renovação no PSDB, obrigado por causa disso a tratar o veterano Aécio como se fosse uma promessa, um fato novo.
Seus gestos mesquinhos, sua fala hipócrita, sua megalomania napoleônica desprovida de fatos nos quais se sustentar sem cair no ridículo – lamentavelmente teremos que aguentar isso por mais tempo do que deveríamos e gostaríamos.
Paulo Nogueira
No DCM
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A cartilha da repressão na ditadura

 
Documentos inéditos revelam como funcionavam os cursos de formação para vigiar e interrogar
Logo que as organizações de esquerda intensificaram as ações armadas contra o regime, no fim dos anos 1960, os militares se apressaram em criar centros especializados e formar agentes destinados a combatê-las. Por essas escolas da repressão, ativas até 1989, passaram nomes que, mais tarde, figurariam nas listas de torturadores. Nas aulas, eles aprenderam a conduzir interrogatórios, a disfarçar-se, a penetrar em residências sem deixar vestígios e a pensar e agir como guerrilheiros, razão pela qual estudaram textos proscritos no país, de autores como Che Guevara e Mao Tse Tung.
Um pedido com base na Lei de Acesso à Informação franqueou ao Globo os planos de aulas, as apostilas e a bibliografia dos cursos oferecidos pela Escola Nacional de Informações (EsNI), a formadora dos agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI) a partir de1972 e herdeira do curso de Informações do Exército, que funcionou até o ano anterior no Forte do Leme (RJ). Das oito caixas de documentos consultados, emerge a pedagogia da segurança interna, a paranoia dos militares com a ameaça comunista e a necessidade de uma guerra sem limites contra o inimigo.
Os cursos da EsNI eram divididos em quatro categorias: A, B, C1 e C2. As duas últimas, reservadas a oficiais e suboficiais de Operações (responsáveis por interrogatórios e missões de rua), tinham em média uma carga de 800 horas — o mesmo tempo de um ano letivo escolar fixado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
No curso C1, para oficiais, 300 horas eram dedicadas à disciplina “Operações de Informações”, que reservava 40 horas para aulas de “Interrogatório” e outras 38 horas para “Vigilância”. Já no curso C2, além do foco em Operações, os agentes (sargentos e civis do mesmo nível no SNI), eram especializados em utilização de meios cinefotográficos (uso de câmeras fotográficas e de imagem, além de gravadores de som). Com 43 horas, as aulas de interrogatório representavam a maior carga horária da disciplina.
Inspiração em Escola dos EUA
Criada pelo decreto 68.448, em 31 de março de 1971, a EsNI era inspirada na Escola das Américas, que funcionou de 1946 a 1984 no Forte Gullick, território americano no Canal do Panamá. Entre os 60 mil militares latinos treinados no forte, aparece o nome do brigadeiro João Paulo Burnier, ex-comandante da Base Aérea do Galeão em 1971 e acusado pelo desaparecimento do militante do MR-8 Stuart Angel Jones.
Em 17 anos de atividades (1972-1989) no SNI, em Brasília, a EsNI promoveu 83 cursos, a maior quantidade para as categorias B (analistas e coordenadores regionais de Informação) , C1 e C2 — a categoria A era destinada a oficiais de alta patente, diplomatas e outras autoridades. Os planos de aula continham 12 disciplinas semelhantes, variando apenas em carga horária e tópicos, e dividiam os estudos em dois ciclos: conhecimentos gerais e especializados. O primeiro incluía conteúdos relacionados à estrutura do governo, à filosofia, ao marxismo, à realidade brasileira, entre outros.
Ao ser fundada, a EsNI absorveu as demais escolas de Informação existentes no país, entre as quais a do Centro de Estudos de Pessoal (CEP), no Forte do Leme. Os cursos eram tão minuciosos que as aulas contemplavam noções de psicologia para entender a formação da personalidade e as influências familiares na adolescência. Eram obrigatórias as aulas de idiomas estrangeiros (com opção até para o chinês), tiro e lutas. No final, os formandos faziam uma viagem.
Os cursos tinham como público alvo militares e civis, agentes do SNI. O objetivo era formar quadros para diferentes níveis da rede de repressão.
O curso A, por exemplo, formava agentes para as funções de analista e chefia de informações. O curso B visava às funções de analista e planejador de nível regional e setorial. Os cursos C1 e C2 formavam as chefias de seções de operações e os agentes que iam a campo, respectivamente. Após a formação, os agentes atuavam em diferentes locais, entre outros nos conhecidos DOI e Codi (Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna).
Ao folhear alguns planos de aulas da disciplina “Operações de Segurança Interna”, de 1975, por exemplo, foi possível notar entre os itens citados as experiências extraídas do combate às guerrilhas rurais brasileiras: “Primeiras tentativas — Caparaó — Registro”, “Tentativa do MR8 em Brotas de Macaúba” e “Tentativa Xambioá”.
Os livros depois de 1975 também já fazem referências às operações do Araguaia, e um deles chega a dizer que Maurício Grabois, um dirigente do PCdoB desaparecido, foi morto em combate.
O Globo pediu acesso aos nomes dos instrutores dos cursos, mas a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), herdeira do SNI, não forneceu, justificando que as informações estão sob sigilo por segurança da sociedade e do Estado. Já o Exército se negou a fornecer os dados da escola que funcionou no Leme.
Juliana Dal Piva - Chico Otávio
No O Globo
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Jornalistas e jornaleiros, jornalismo e propaganda

José Geraldo Riva (PSD)
Quem mora em Mato Grosso só fica sabendo dos rolos da política em seu próprio Estado quando eventualmente algum grande jornal nacional resolve estreitar o foco sobre os problemas locais. Que, diga-se, não são poucos.
Os periódicos locais, num obsequioso exercício de subserviência, jamais noticiam nada que possa expor as vísceras da baixa política que ali se pratica.
É lá que atua o maior ficha-suja do País, o multiprocessado deputado estadual José Geraldo Riva (PSD). Contra ele há mais de 180 ações civis, penais, e de improbidade administrativa.
Riva responde por peculato, corrupção e acaba de ser afastado da presidência da Assembleia Legislativa pelo Tribunal de Justiça. Foi o artífice do chamado “Escândalo das Calcinhas”.
Está incurso na Lei da Ficha Limpa e não pode mais concorrer a nenhum cargo eletivo. Antes, teve dois mandatos cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos.
Desinformado, o eleitor mato-grossense continua cedendo votos para essa elite delinquente. Pleito após pleito, gente como Riva vai aumentando seu cacife eleitoral – a despeito do aumento vertiginoso de seu passivo judicial.
Contra eles resta apenas a combatividade de blogueiros como Adriana Vandoni, do Prosa e Política, que segue denunciando as falcatruas.
A estes, a máquina de delinquir da política cuiabana responde com dezenas de processos que têm por objetivo intimidar, censurar e silenciar.
Para quem busca explicações para o acumpliciamento dos jornais, o Diário Oficial começa a oferecer respostas.
Nos últimos dias, no apagar das luzes da gestão Riva, foram publicados vários extratos de contratos para a aquisição de assinaturas de periódicos pelo parlamento local. Todas elas superfaturadas.
O objeto de um desses contratos era a aquisição, por R$ 33 mil, de 60 assinaturas anuais de um tal Diário de Alta Floresta ao custo unitário de R$ 660,00.
No varejo, a Diário Editora e Radiodifusão, empresa cujo capital social é de apenas R$ 40 mil, oferece o mesmo pacote por apenas R$ 290,00. O superfaturamento chega a espantosos 127%.
O jornal A Tribuna, de Rondonópolis, cobrou da Assembleia R$ 680,00 por um pacote anual oferecido ao púbico por R$ 375,00 (81% de sobrepreço). E o misterioso Correio Varzeagrandense conseguiu emplacar um contrato semelhante por R$ 500,00.
Digo misterioso porque nem os funcionários do suposto departamento comercial sabem informar qual é a periodicidade da publicação.
Os rolos, no entanto, não se restringem aos hebdomadários dos grotões. Os dois maiores jornais cuiabanos surfam na mesma onda.
O jornal A Gazeta, por exemplo, emplacou a venda de 71 assinaturas anuais pelo valor unitário de R$ 700,00, num negócio que totalizou R$ 49,7 mil reais.
Sabe quanto paga o assinante pessoa física ou jurídica pelo mesmo serviço ? No máximo R$ 450,00. Percentual de superfaturamento: 55%.
Seu concorrente mais forte, o Diário de Cuiabá, conseguiu um sobrepreço mais modesto na venda de um pacote de assinaturas anuais para o parlamento, de “apenas” 44%.
Vendeu à Assembleia 71 assinaturas, igualmente com dispensa de licitação, por R$ 650,00 cada. Assinantes sem mandato nem colarinho branco pagam pelo mesmo serviço um preço bem menor, R$ 450,00/ano. O sobrepreço é de 44%.
Mais do que uma teia de relações espúrias, o levantamento feito por Adriana Vandoni desmascara a promiscuidade que explica e justifica o silêncio dos jornais sobre os malfeitos dos políticos mato-grossense que, desses pastiches jornalísticos, só merecem elogios.
Ao leitor, diante do quadro de acumpliciamento geral dessa imprensa oportunista e servil, resta apenas conformar-se com essa espécie de estelionato que transforma jornalistas em jornaleiros, vendedores de material impresso, locadores de penas, e jornais em meros veículos propagandísticos.
E o que é pior: ainda ter que pagar isso.
Fábio Pannunzio
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Meteoros e cometas

A "síndrome de Collor" é comum em candidatos que aparecem muito mal pontuados em pesquisas de opinião. Todos se acham capazes de reverter os números e vencer. É um engano recorrente 
A irrupção meteórica de Fernando Collor no cenário nacional e o que aconteceu nos breves meses em que esteve à frente do governo federal marcaram a cultura política brasileira contemporânea.
Algumas consequências são óbvias, como o aumento da aversão ao risco do eleitor comum, que desenvolveu, a partir daquela experiência, ojeriza aos “candidatos-surpresa”, os que lhe são apresentados na última hora e parecem sedutores. Como vimos nas principais eleições realizadas desde então, o espaço para invencionismos diminuiu de forma considerável. Na dúvida, a vasta maioria dos eleitores prefere não arriscar.
Outros efeitos são menos evidentes, mas também significativos.
Um dos mais curiosos poderia ser chamado de “síndrome Fernando Collor” e atinge os políticos profissionais e os aspirantes a sê-lo.
É uma condição típica dos candidatos que as pesquisas mostram ter poucas chances nas disputas majoritárias. Ante qualquer ponderação realista a respeito de suas possibilidades de vencê-las, respondem: “Se Collor terminou ganhando a eleição de 1989, apesar de não ter mais de 5% no início do ano, por que isso não poderia ocorrer comigo?”
Ao pensar assim, enchem-se de brios e vão adiante, lançando-se a aventuras que o bom senso recomendaria evitar. Acham que são Collor, no sentido de vencedores contra prognósticos razoáveis.
Já tivemos inúmeros candidatos a prefeito, governador e presidente da República afetados por essa síndrome. Nos institutos de pesquisas, aparecem a cada eleição, sempre a carregar na algibeira aquele repto em tom de pergunta: “E se eu for o Collor de agora?” É seu modo de lidar com a decepção de ver números que desanimariam qualquer cidadão normal.
Nos dias de hoje, o mais saliente exemplo de político acometido por essa moléstia é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. Não é o único.
Campos já esteve do outro lado: quando disputou seu segundo mandato de governador, manteve-se durante toda a campanha favorito a permanecer no Campo das Princesas, sede do governador pernambucano. Se olharmos a série de pesquisas do Datafolha naquela eleição, ele nunca obteve menos de 59% das intenções de voto.
O adversário mais próximo, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) – hoje seu aliado, diga-se de passagem –, chegou a 28%, mas não se sustentou e foi a menos de 15% no último levantamento do instituto, às vésperas das eleições. Os demais candidatos, entre eles Edilson Silva (PSOL), Fernando Rodovalho (PRTB) e Sérgio Xavier (PV), alcançavam no máximo cerca de 1%.
Ante Dilma, Campos é atualmente uma espécie de nanico, não muito diferente, em termos numéricos, daqueles seus antigos adversários. Ela beira atualmente os 60% e ele tem menos de 3%. O socialista por pouco não repete o desempenho dos Rodovalho em 2010.
Apesar de ter estofo e densidade política maiores, algo semelhante acontece com o ex-governador Aécio Neves, do PSDB mineiro. Também o tucano, quando disputou a reeleição em Minas Gerais, era uma barbada. Segundo o mesmo Datafolha, sempre teve cerca de 70% das intenções de voto, enquanto seu principal oponente, Nilmário Miranda (PT), ficava, de acordo com o instituto, em torno dos 6% (na urna, recebeu 22% dos votos válidos, mas essa é outra história).
Se Campos está para Dilma como Rodovalho estava para ele, para Aécio o caso seria uma comparação a Nilmário. Candidatos respeitáveis, mas, tudo indica, a caminho da derrota. E, de fato, terminaram por perder a corrida eleitoral.
Mas lá está o “caso Fernando Collor” para encher de esperança os dois oposicionistas. Ambos, juntamente com os que torcem por eles e os que nem sequer os apreciam, mas querem que derrotem o PT, preferem ignorar sua trajetória, a fim de continuar a crer que a eleição de 2014 “está em aberto”.
O problema? O “caso Collor” é irreproduzível. Nada daquela eleição vai se repetir no próximo ano. O Brasil é outro, os eleitores são outros, o governo é outro, os candidatos são outros. E porque o “caso” já aconteceu e deixou sequelas.
De parecido, só uma coisa: em uma estranha coincidência, a cada 12 anos, como se fosse um cometa que orbita o Sol nesse período, surge, no Nordeste, um jovem governador, audaz e bem falante, querendo ser presidente.
Em 1989, Collor conseguiu e sabemos em que acabou. Em 2002 foi a vez de Ciro Gomes, que ficou pelo caminho. E Campos?
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
No CartaCapital
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Tucano corrupto (desculpe o pleonasmo) ataca Lula

Nunca foi tão difícil ser oposição ao maior canalha deste país. Eu sei o que é enfrentar esse poderio. Um dia eu alertei esse canalha que no governo dele havia mesada para comprar deputados e, desde então, fui escolhido ao lado de José Agripino, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati como os seus adversários maiores. 
Marconi Perillo, PSDB, governador de Goiás, sobre Lula

* * *
Óleo de Peroba

O problema não é o governador Marconi Perillo, de Goiás, na convenção do PSDB, chamar Lula de canalha. A inveja, como se sabe, é uma merda.
O problema é Perillo, governador de um estado dominado pelo crime organizado, prestes a sofrer uma intervenção federal, chamar qualquer pessoa de canalha.
Aliás, que convenção partidária é essa a do PSDB, na qual todos os discursos só se referem a outro partido?
Parece grupo de ajuda de oposicionistas anônimos!
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A causa esquecida

A medida provisória levou ao Congresso inovações para o sistema portuário. Inovações ─ eis o problema
Entre os vários motivos que provocaram quase 40 horas de discussão e votação em apenas dois dias na Câmara, o mais autêntico não foi lembrado.
Por fim aprovada ali e, em seguida, no Senado, a medida provisória 595 levou ao Congresso, e aos grandes interesses empresariais, inovações que modificam estrutural e economicamente todo o sistema portuário brasileiro. Inovações -eis o problema.
Propostas de reformas levam sempre ao mesmo. Ou, nos pouquíssimos casos de aprovação, exigem batalhas ferozes no Congresso, com o choque dos interesses econômicos que mobilizam e dividem os parlamentares acima dos partidos, ou ficam como inovações de reconhecida necessidade, mas sem condições de efetivação.
É a predominância histórica do reacionarismo diante de toda inovação econômica e estrutural proposta no Brasil. Foi isso mesmo que se deu outra vez: a reação à mudança, pelos interesses financeiros beneficiados no sistema portuário vigente, com os seus centuriões de ocasião no Congresso.
Não se trata de realidade exclusiva do Brasil. Viu-se há pouco a batalha no Congresso americano, tão semelhante às dos parlamentares brasileiros, quando Barack Obama propôs uma reforma até tímida do sistema de saúde americano, para dotá-lo de uma extensão pública. Viu-se o mesmo com intenções de François Hollande na França. Lá e cá, é o poder econômico em ação, que é também poder social.
A diferença é que o Brasil precisa muito mais de reformas. E aqui é muito mais difícil fazê-las. Nos casos incomuns em que o poder econômico se divide entre duas ou mais linhas de interesse, abre-se alguma possibilidade de reforma. Desde que limitada, para preservação dos interesses aparentemente vencidos.
Faz 125 anos que é assim. Desde a abolição da escravatura.
Os autores
O Senado proclama-se decidido a não mais aceitar que a Câmara, depois de esbanjar todo o tempo de tramitação dado às medidas provisórias, ponha os senadores em correria para votar nas últimas horas do prazo.
O problema é real. Mas foi criado pelo Senado. As regras de tramitação de medida provisória foram aprovadas lá, sem a determinação de tempo para sua passagem pela Câmara. E seria preciso prazo delimitado também para o Senado, que pode emendar o texto recebido e assim fazê-lo voltar à Câmara. Logo, seria necessário prever a possível segunda tramitação na Câmara.
Tudo o que se refere às medidas provisórias é uma bagunça que completa 25 anos.
A Arma
Lula na Argentina, sobre os meios de comunicação: "Quando nós os criticamos, eles dizem que estão sendo atacados. Quando nos atacam, falam em democracia".
Pegou em cheio a sabedoria criada pela imprensa, e depois estendida ao rádio e à TV. No Brasil, com um aprimoramento: se um jornal falasse do outro, ou uma rádio da outra, todos se tornariam vulneráveis, logo é da "ética dos meios de comunicação" a moita mútua.
Janio de Freitas
No fAlha
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Outrage – Enrustidos no Congresso

Em 2009, o premiado cineasta norte-americano Kirby Dick revelou, no polêmico documentário Outrage – Enrustidos no Congresso, que vários dos parlamentares que encabeçam o lobby contra os homossexuais nos EUA vivem uma vida dupla. O filme conta a história do jornalista homossexual Michael Rogers, que investigou os congressistas longe das câmeras da imprensa e demonstrou a hipocrisia destes políticos.
Em troca de poder e de uma carreira, eles vendem a imagem de conservadores, casados e com família, enquanto, às escondidas, frequentam bares e banheiros em busca de sexo anônimo com homossexuais. Ou seja, fazem de tudo para impedir a aprovação de leis que beneficiam gays e lésbicas, mas são, eles mesmos, gays no armário. Chocante. O filme reforça a teoria de que por trás de todo homofóbico se esconde um homossexual mal-resolvido. Será que no Brasil é diferente?
Clique aqui para ver a lista dos parlamentares e políticos anti-gays que Mike Rogers revelou terem vida dupla. 

No Socialista Morena
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Gorila surreal

James Agee (1905-1955, segundo o Google) era um romancista, poeta, roteirista e crítico de cinema americano. Certa vez ele descreveu uma cena de um filme do Gordo e o Magro (Oliver Hardy era o gordo, Stan Laurel o magro) que considerava uma síntese não só do humor da dupla como de todo o humor surrealista do cinema da época.
O Gordo e o Magro transportam um piano de cauda de um lado para o outro de um abismo, em cima de uma tábua estreita sobre a qual mal conseguem se equilibrar. Não se sabe de onde eles vêm e para onde vão e por que estão carregando um piano. A situação já é insólita, mas ainda não é crítica, ou surrealista, o bastante.
Subitamente, vindo na direção contrária à deles na tábua estreita, aparece um gorila. Também não se sabe de onde saiu o gorila e por que está atravessando o abismo numa tábua estreita. Para Agee, a cena acontece num universo separado onde antecedentes e explicações são desnecessárias, ou apenas distrairiam a atenção da sua singularidade maluca.
Como termina a cena? Infelizmente, ou o Agee não contou o fim ou eu me esqueci. Talvez, para não destoar da improbabilidade abstrata do resto, o gorila acabe tocando piano.
Quando os comediantes do cinema ainda não falavam (Oliver e Hardy falavam, W. C. Fields e Groucho Marx falavam até demais) discutia-se quem era o melhor, Charlie Chaplin ou Buster Keaton. Como trabalhavam em silêncio, a comédia dos dois dependia da sua dinâmica visual.
A mecânica das situações era tudo, e seu desafio constante à inventividade levava ao surrealismo também constante, mesmo que os dois não se dessem conta disto.
Lembro de um curta do Buster Keaton que era, simplesmente, ele contra o vento, quase ele contra a natureza: uma ventania varre uma pequena cidade e vai derrubando todas as suas construções, e o filme todo é sobre Keaton sobrevivendo à tempestade nos vãos do cenário que cai à sua volta. Chaplin foi mais famoso, mas Keaton foi mais inventivo. Talvez soubesse que estava sendo surreal.
Mas eu queria escrever mesmo sobre os fatos insólitos desta semana em Brasília, quando o governo pensava ter todos os votos para aprovar a tal nova lei dos portos e levar o piano tranquilamente para o outro lado do abismo quando surgiu, vindo na direção contrária, o seu maior aliado, o PMDB, fantasiado de gorila da oposição.
Surreal, surreal.
Luis Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 1787

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