16 de mai de 2013

TJMG confirma: Aécio Neves é réu e será julgado por desvio de R$4,3 bi da saúde

Por três votos a zero, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu que o senador Aécio Neves continua réu em ação civil por improbidade administrativa movida contra ele pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Aécio é investigado pelo desvio de R$ 4,3 bilhões da área da saúde em Minas e pelo não cumprimento do piso constitucional do financiamento do sistema público de saúde no período de 2003 a 2008, período em que ele foi governador do estado. O julgamento deverá acontecer ainda esse ano. Se culpado, o senador ficará inelegível.
Desde 2003, a bancada estadual do PT denuncia essa fraude e a falta de compromisso do governo de Minas com a saúde no estado. Conseqüência disso é o caos instaurado no sistema público de saúde, situação essa que tem se agravado com a atual e grave epidemia de dengue.
Recurso
Os desembargadores Bitencourt Marcondes, Alyrio Ramos e Edgard Penna Amorim negaram o provimento ao recurso solicitado por Aécio Neves para a extinção da ação por entenderem ser legítima a ação de improbidade diante da não aplicação do mínimo constitucional de 12% da receita do Estado na área da Saúde. Segundo eles, a atitude do ex-governador atenta aos princípios da administração pública já que “a conduta esperada do agente público é oposta, no sentido de cumprir norma constitucional que visa à melhoria dos serviços de saúde universais e gratuitos, como forma de inclusão social, erradicação e prevenção de doenças”.
A alegação do réu (Aécio) é a de não ter havido qualquer transferência de recursos do estado à COPASA para investimentos em saneamento básico, já que esse teria sido originado de recursos próprios. Os fatos apurados demonstram, no entanto, a utilização de valores provenientes de tarifas da COPASA para serem contabilizados como investimento em saúde pública, em uma clara manobra para garantir o mínimo constitucional de 12%. A pergunta é: qual foi a destinação dada aos R$4,3 bilhões então?
No Rogério Correia
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Charge online - Bessinha - # 1783


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Editora Abril teria plano para demitir mil pessoas até setembro

Ontem, numa dessas conversas despretensiosas durante um almoço, um amigo me revelou que tinha sido informado por um executivo da Abril, que trabalha mais diretamente com a MTV, que a empresa dos Civitas teria um plano de demissão para ser anunciado que atingirá aproximadamente mil pessoas, sendo que desses, 300 seriam da MTV.
Hoje liguei para quatro ou cinco pessoas que conheço buscando confirmar a informação. Duas disseram que se o número não for de mil demissões, será próximo a isso.
A se confirmar a informação, a Abril estará batendo em retirada da área de comunicação e focando seus negócios no setor educacional. Algo que já vem se consolidando nos últimos anos.
Essa crise não é nova. A Abril tem tomado decisões equivocadas há algum tempo. Foi uma das empresas que pior operou no novo mercado. Sempre tratou a internet como uma ameaça e não como uma oportunidade.
Entendia-se como uma empresa de papel. Não de comunicação. Muito menos de jornalismo.
Erros assim num momento de transformação do mercado costumam ser fatais.
A IBM que o diga.
Renato Rovai
No Blog do Rovai
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Serra ameaça estragar coroação de Aécio

: Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, assinaram, nesta sexta-feira (05/06), no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, protocolo de cooperação para a implantação de ações conjuntas no âmbito tributário, com o objetivo
Ex-governador paulista coloca o PSDB em tensão máxima, às vésperas da convenção que irá eleger o senador Aécio Neves (PSDB-MG) presidente nacional da legenda, neste fim de semana; nota publicada hoje no Estado de S. Paulo informa que ele poderá deixar o partido no mesmo momento, para estragar a festa; preocupado, Aécio telefonou a Serra e fez um apelo para que ele permaneça na sigla
O PSDB vive momentos de tensão máxima. Uma nota publicada na coluna da jornalista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo, informa que José Serra poderá deixar o partido às vésperas da coroação de Aécio Neves como presidente nacional da legenda, na convenção deste fim de semana. Seria um gesto teatral para diminuir e estragar a coroação do senador mineiro, que será o candidato do partido à presidência da República em 2014.
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Charge online - Bessinha - # 1782

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Alta do PIB alegra Mantega e frustra derrotistas

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Basta uma conta simples: se a elevação de 1,05% do PIB no primeiro trimestre se repetir pelos próximos três trimestres, economia brasileira crescerá acima de 4% este ano; resultado divulgado hoje pelo IBGE mostra que mídia tradicional, que apostou em crescimento baixo e inflação alta, com o tempero azedo do desemprego, interpreta erradamente o cenário econômico; mas não quer nem vai aprender; apesar do derrotismo contratado, ministro Guido Mantega, da Fazenda, se fortalece; País avança apesar da poderosa torcida contra
Ao crescer pelos próximos três trimestres como subiu entre janeiro e março, em 1,05%, a economia brasileira avançará mais de 4% até o final do ano. A inflação, seguindo a tendência divulgada na semana passada, de 6,49% nos últimos doze meses, será mantida como agora, rigorosamente dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. O regime de pleno emprego, com a criação de mais de 100 mil novas vagas em março, seguirá, a prevalecer a tendência, em curso. Mas nada disso basta para convencer a esmagadora maioria da mídia tradicional de que, apesar da crise global, a remada contra a maré da política econômica brasileira está dando resultados. A alta do PIB, na verdade, é a derrota do PIG.
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Velhas ideias

Liguei o rádio no carro. Entrou de sola: "é crucial e não é bom!". Um susto. O que seria assim dramático? A caminho do almoço, o susto devorou o apetite. Claro, era mais um dado da realidade terrível que o Brasil vive. As vendas no comércio de varejo, no primeiro trimestre ou lá quando seja, caíram a barbaridade de 0,1%.
O comércio vendeu, no período, menos R$ 0,10 em cada R$ 100. Pois é, crucial e nada bom.
Os preços, como o seu e o meu bolso sabem, vêm subindo à vontade há tempos, o que fez com que o comércio precisasse vender muito menos produtos para completar cada R$ 99,90 do que, na comparação com o passado, precisara para vender R$ 100. Mas, na hora, não tive tempo de salvar o apetite com esse raciocínio, porque à primeira desgraça emendava-se a notícia de outra. A queda desanimadora nas vendas para o Dia das Mães, comparadas com 2012: queda de 1%.
É preciso lembrar o quanto os consumidores encararam em aumentos de preços de um ano para cá? O comércio brasileiro está lucrando formidavelmente, com o maior poder aquisitivo das classes C, D e E, aplicado na compra dos tênis aos eletrodomésticos, dos móveis às motos, quando não aos carros.
O terrorismo do noticiário e dos comentários econômicos martela o dia todo. Não sei dizer se o governo está aturdido com isso, como parece das tão repetidas quanto inconvincentes tranquilizações do ministro Guido Mantega. Ou se comete o erro, por soberba ou por ingenuidade, de enfrentar a campanha que está, sim, fazendo opinião.
Daí que me permito duas sugestões, se v. quer elementos para formar sua própria opinião. O primeiro é a leitura, disponível no site da Folha (folha.com/no1278158), de um artigo muito importante, publicado no caderno "Mercado" de terça-feira. Seu autor é Bráulio Borges, mais um economista que escreve em português (um dia chegaremos à primeira dúzia).
Em "Pós-crise de 2008, debate mundial começa a reavaliar 'velhas ideias'", Borges mostra que as cabeças mais relevantes da "ciência econômica" estão derrubando as teses de política econômica ainda predominantes e adotadas pelos economistas e outros contra as linhas básicas da política econômica no Brasil.
A outra sugestão é para que v. comece bem as quartas-feiras. Se lhe ficam ainda reservas vindas de longe, releve-as e leia os artigos em que Delfim Netto tem dito muito do que precisa ser dito para fazermos ideia de onde e como estamos, de fato. Descontados, pois, terrorismos e eleitorismos. Ou, no caso, são a mesma coisa?
E como crucial vem de cruz, não se esqueça: enquanto o papa Francisco não chega, reze pelos nossos comerciantes, para que recuperem suas perdas. 
Janio de Freitas
No fAlha
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Um golpe comunista no Brasil

Recife (PE) - Karl Marx, o barbudo com previsões do demônio,  havia anunciado já em 1848: “Um fantasma ronda a Europa - o fantasma do comunismo”. Mas para que Europa? Os comunistas do Brasil, incansáveis e mais duradouros que as gerações do Fantasma da história em quadrinhos, voltaram à carga com esperteza enganadora.
Para conseguir o que desejam, se uniram numa santa aliança todas as potências da velha ideia socialista, dos petistas aos comunistas de todas as tendências, dos inocentes úteis aos radicais da França e aos policiais da fronteira. Numa frase: anunciam a contratação de 6.000 médicos cubanos para o Brasil. Leram bem: SEIS MIL agentes de Cuba,  6.000 guerrilheiros, 6.000 subversivos para agitar a insidiosa e alienígena ideologia entre os pobres e miseráveis de todas as raças no Brasil. 
Duas conclusões decorrem desses fatos: 1ª) O comunismo já é reconhecido como uma força por todas as potências no poder, da Venezuela ao Brasil. 2ª) É tempo de os comunistas exporem diante do mundo inteiro seu modo de agir, seus objetivos e suas tendências, contrapondo um manifesto de esperteza do próprio partido ao fantasma do comunismo, que os revolucionários de primeiro de abril pensavam estar morto. 
Com este fim, reuniram-se em Brasília comunistas de várias nacionalidades e redigiram o manifesto antipatriótico seguinte, que será publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês:
A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas da classes. Pobres e ricos, homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, atendidos em hopitais de qualidade e indigentes, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela morte dos que nada têm, nem mesmo uma cafiaspirina para uma enxaqueca.
Por isso, estamos nos organizando para receber um maior número de médicos cubanos,  tendo em vista o déficit de profissionais de medicina de conscientização no Brasil. Trata-se de uma cooperação que tem um grande potencial de esclarecimento de direitos fundamentais dos pobres, e ao qual atribuímos um valor estratégico para o futuro social do Brasil.
A importação da melhor medicina socialista do mundo não pode ser um tabu. Nas primeiras épocas históricas, verificamos quase por toda parte uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. No Brasil, moradores da periferia e dos grandes centros. Na Roma antiga eram os patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, mestres, oficiais e servos, e, em cada uma destas classes, gradações especiais. Até atingir o caboclo perdido na Amazônia.
A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Pelo contrário, no Brasil não fez senão substituir velhas classes, velhas condições de opressão, velhas formas de luta por outras novas. Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado, com saúde e sem saúde, respectivamente”.
Assim se manifestaram o ministro que leva o injusto nome de Patriota, patriota!, depois do encontro com o seu colega de ideologia,  o chanceler de Cuba Bruno Rodríguez. E com ele o seu cúmplice, o ministro da Saúde Alexandre Padilha,
Mas não esmoreceremos. A Associação Médica Brasileira vai acionar a Justiça e levar a classe, dos MÉDICOS, para as ruas, caso a ex-terrorista Dilma Rousseff importe médicos cubanos. O presidente da associação Floriano Cardoso afirmou que o governo será o "responsável direto por erros, complicações e mortes que poderão ocorrer caso médicos incompetentes passem a atender a população".
A Venezuela de hoje não será o Brasil de amanhã. Se nos Estados Unidos 25% de médicos são estrangeiros, se na Inglaterra os alienígenas são 40%, se no Canadá os espiões chegam a 22%, e se na Austrália, 17%., aqui, não. No Brasil, os comunistas médicos ainda não chegam a 1 por cento! Disso não passarão.
 (Modesta contribuição do colunista ao movimento surgido no Facebook, Golpe Comunista 2014 no Brasil, Clique aqui )
Urariano Mota
No Direto da Redação
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A classe média é uma abominação

A filósofa Marilena Chauí apresenta o livro com seu artigo: Lula e Dilma, dez anos de governos pós-neoliberais, organizado por Emir Sader. Uma coletânea de textos de personalidades intelectuais que analisam diferentes aspectos daqueles governos. O lançamento foi organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e pela Boitempo Editorial.

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Sede da ABI é invadida no Rio de Janeiro

A sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi invadida na madrugada desta quarta-feira, 15 de maio, por um grupo que teria entrado, pelos andaimes, no prédio em reformas da rua Araújo Porto Alegre, no Rio de Janeiro. Assaltantes? Talvez, mas os bens roubados foram poucos e de pequeno valor. O andar mais danificado foi o sétimo, onde funcionam a administração, o site da ABI, a diretoria e dois pequenos auditórios. O nono andar, onde está o auditório principal, além do segundo e do 11o andares, ficaram parcialmente sem luz.
A invasão aconteceu exatamente no dia em que seria lançada, na sede da ABI, a segunda edição, ampliada e atualizada, do dossiê “Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Rio de Janeiro”, organizado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro. O lançamento foi transferido para o Clube de Engenharia.
Além do apoio ao Comitê da Copa, que reúne várias entidades populares do Rio de Janeiro, a ABI tem se empenhado para a realização de atividades publicamente contestadas pela direita, como os trabalhos da Comissão da Verdade, a abertura dos arquivos da ditadura e o projeto de lei de iniciativa popular por uma mídia democrática.
“Não afastamos a hipótese de que o ataque tenha sido feito pela extrema-direita, para atemorizar”, declarou Mario Augusto Jakobskind, da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI. “Mas aí o efeito foi contrário: vamos prosseguir nas mobilizações e em tudo o que nos propusemos”.
Baby Siqueira Abrão
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Globo coloca pressão sobre o STF e pede cadeia-já

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Em editorial, jornal de João Roberto Marinho faz lobby para que o plenário do STF siga o ministro Joaquim Barbosa e rejeite a possibilidade dos embargos infringentes; assim, os réus não teriam assegurados um direito básico, que é o chamado "duplo grau de jurisdição"; segundo O Globo, embargos, aceitos em outras oportunidades, significam "anular julgamentos"; também em editorial, Estadão reforça pressão sobre o STF e afirma que "a luta continua"
O empresário João Roberto Marinho, editor do jornal O Globo, quer liquidar o quanto antes a fatura da Ação Penal 470 – o chamado mensalão. Segundo ele, que se expressou em editorial do Globo, os embargos infringentes não devem ser aceitos pelo plenário do STF (embora sejam defendidos pelo decano Celso de Mello e tenham sido admitidos em outras oportunidades), porque isso significaria anular o julgamento. Com o editorial, O Globo recoloca a faca no pescoço dos ministros do STF e deixa claro que só aplaudirá quem seguir suas teses. Também em editorial, o jornal O Estado de S.Paulo, da família Mesquita, reforça pressão sobre o STF e afirma que "a luta continua".
Leia os dois textos abaixo:
O noticiário em torno dos desdobramentos jurídicos da condenação dos mensaleiros pelo Supremo transcorreu até agora em torno do alcance dos embargos, "infringentes" e/ou "declaratórios", impetrados pela defesa. Termos herméticos, esses instrumentos jurídicos têm, na verdade, um alcance bastante amplo, por colocar em questão a própria imagem da mais alta Corte do país e do Poder Judiciário, revigorada pela demonstração de profissionalismo e independência — como estabelece a Constituição —, ao condenar poderosos atuantes na estrutura política que manda nos últimos onze anos em Brasília.
A defesa tem todo o direito de usar o arsenal que o emaranhado de leis da Justiça brasileira oferece. Ousadia pelo menos não falta a ela e clientes, pois até já foi defendido o afastamento do ministro Joaquim Barbosa da relatoria do processo, nesta fase final, pelo fato de ele ter assumido a presidência da Corte. Exemplo acabado de Jus esperniandi, na fronteira da provocação.
A decisão, anunciada segunda-feira por Joaquim Barbosa, de rejeitar embargos infringentes de Delúbio Soares, ex-caixa do PT, condenado a oito anos e 11 meses de prisão, abre esta rodada final do julgamento do mensalão. Dela a Corte pode sair desmoralizada se passar a ideia de que tudo não passou de uma encenação para, no final, livrar mensaleiros de maiores punições.
Barbosa foi firme ao rejeitar o recurso que pede para o réu ser novamente julgado. Caso contrário, será uma derrota para o Ministério Público, o relator e todos que votaram por alguma condenação num julgamento minucioso, técnico, tendo sido garantido amplo direito de defesa.
O caminho dos embargos infringentes será explorado por mensaleiros que obtiveram pelo menos quatro votos a favor em qualquer condenação. Entre eles, as figuras estreladas de José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha. Delúbio foi apenas o primeiro.
Joaquim Barbosa se alinha àqueles que consideram não existir mais a possibilidade de embargos infringentes, embora constem do regimento interno da Corte, de 1990. Sucede que a lei 8.038, posterior, deixou de prever este tipo de recurso ao tribunal. É possível, apenas, o "embargo declaratório", para tirar dúvidas de interpretação do acórdão, mesmo assim a depender de aceitação do Pleno. O Ministério Público Federal (Procuradoria-Geral da República) já se colocou contrário à admissibilidade deste recurso, embora os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Levandowski tenham afirmado que mesmo os embargos de declaração podem levar à alteração de penas.
Caberá ao Pleno do STF decidir se acolhe a ideia de anular julgamentos. É imprescindível haver a consciência do que isso significará num processo que ajudou a consolidar o desenho republicano da democracia brasileira, com a devida independência entre Poderes e a Constituição acima dos interesses político-partidários ou quaisquer outros.
O resultado do julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inoculou na consciência cívica dos brasileiros a esperança de que uma nova era no funcionamento da Justiça relegue à condição de mera má lembrança a impunidade dos poderosos que historicamente tem comprometido a consolidação do pleno sistema democrático entre nós. Poucos meses após a condenação dos criminosos de colarinho branco que quiseram transformar a política em balcão de negócios, em benefício de interesses partidários, no entanto, já se começa a recear que o julgamento do mensalão se transforme em enorme frustração nacional.
Na última segunda-feira o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal e hoje presidente da Suprema Corte, rejeitou o embargo infringente apresentado pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a mais de oito anos de prisão, que pleiteava novo julgamento com base no argumento de que a condenação pelo crime de formação de quadrilha foi decidida contra o voto de 4 ministros.
Para Barbosa, a legislação que rege os processos no Supremo deixou de prever a existência de embargos infringentes: "Não estando os embargos infringentes no rol dos recursos penais previstos na Lei 8.038/90, que regula taxativa e inteiramente a competência recursal desta Corte, não há como tal recurso ser admitido".
Além disso, Joaquim Barbosa denunciou a clara intenção protelatória dos recursos que objetivam apenas "eternizar o feito" e advertiu para o fato de que o êxito de iniciativas desse tipo conduziria inevitavelmente "ao descrédito da Justiça brasileira, costumeira e corretamente criticada justamente pelas infindáveis possibilidades de ataques às suas decisões".
Tem razão o presidente do STF. Mas o Direito não é uma ciência exata e, portanto, depende sempre da interpretação da norma legal - o que é, aliás, a função precípua dos magistrados. Além disso, existem poderosos interesses políticos por detrás desse julgamento.
A isso se soma a circunstância de que o STF tem hoje, e terá no futuro próximo, uma composição diferente daquela que decidiu majoritariamente pela condenação dos réus do mensalão.
Tudo isso indica que não se pode deixar de considerar a hipótese de que venham a ser aliviadas as penas originalmente impostas aos mensaleiros, poupando alguns deles - e não é difícil adivinhar quais - pelo menos do cumprimento da fase inicial da pena em regime fechado.
Diz a sabedoria popular que quanto maior a altura, maior o tombo. Ao contrariar todos os prognósticos e, numa decisão histórica, condenar figurões da política pela compra de apoio parlamentar para o governo de turno, o STF levou às alturas o brio e o orgulho cívico dos brasileiros que entendem que a coisa pública deve ser espaço privativo de homens honrados e, com a mesma convicção, acreditam que numa sociedade democrática todos são iguais perante a lei.
A reversão dessas expectativas no emblemático caso do mensalão, se ocorrer, terá o efeito inevitável e absolutamente lamentável de fazer despencar das alturas a que foram alçados nesse episódio tanto o prestígio da Suprema Corte quanto a recuperada fé dos brasileiros no manto protetor da Justiça.
A construção de uma sociedade justa e desenvolvida não é responsabilidade apenas do poder público. É meta inatingível sem a adesão de toda a sociedade, que só supera a tendência natural do indivíduo de, na adversidade, pensar antes em si próprio, se realmente acreditar nos valores a serem perseguidos e tiver fé naqueles que a conduzirão nessa jornada. O descrédito nos governantes é um atalho para o caos.
Assim, a recente decisão de Joaquim Barbosa significa mais um revés para os mensaleiros e a confirmação de que a Suprema Corte continua dando uma contribuição importante para manter o País no rumo da verdadeira Justiça.
Mas ela não é a palavra final nesse lamentável e rumoroso episódio, o maior escândalo da história recente da política brasileira. É aí que reside o perigo.
No 247
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Os cães da guerra

A Convenção de Genebra pode ser vista como um monumento à hipocrisia. Ela propõe regras para a barbárie e infere que o que Shakespeare chamou de “os cães da guerra”, uma vez soltos, podem ser controlados. E que guerras podem ser cavalheirescas, desde que regulamentadas.
Um conceito que por pouco não morreu na Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo as convenções de Genebra, desde a primeira, no século dezenove, tentam preservar o que, numa guerra, nos distingue de cachorros raivosos. No caso a hipocrisia é necessária. É outro nome para civilização.
Uma das regras explícitas na atual Convenção de Genebra diz respeito ao tratamento de prisioneiros. O argumento principal de quem defende a repressão e seus excessos durante a ditadura militar no Brasil é que se tratava de uma guerra aberta entre o regime e seus contestadores armados, que sabiam no que estavam se metendo.
Só aos poucos estamos conhecendo as atrocidades cometidas na luta contra a guerrilha no Araguaia, da qual a maioria não sobreviveu e nem seus corpos foram encontrados. Mas quanto ao que aconteceu nas salas de tortura da repressão não existem dúvidas ou apenas suposições, está vivo na memória dos torturados e suas famílias.
Foi quando os cães sem controle da guerra estraçalharam o que poderia haver de simples humanidade no tratamento de prisioneiros, ou o simples respeito a regras convencionadas, por um Estado civilizado.
Se a discussão entre os que sustentam que salvaram o Brasil com seus excessos e os que querem que o Brasil conheça a verdade enterrada sem lápide daqueles tempos parece um diálogo de surdos, o grande mudo desta história toda é a instituição militar, que nunca fez uma autocrítica consequente, nunca desarquivou voluntariamente seus arquivos ou colaborou nas investigações sobre o passado, o dela e o nosso, para evitar a cobrança atual.
E o que foi feito não era inevitável. Na Itália, por exemplo, na mesma época, o governo enfrentou uma violenta contestação armada sem sacrificar um direito civil, ameaçar uma instituição democrática ou recorrer ao seu próprio terror. Sem, enfim, soltar os cachorros.
A diferença, claro, é que lá era um governo legítimo.
Luis Fernando Veríssimo
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Pastor Marcos Pereira - vídeos de 2012

SBT - Conexão Repórter - Pastor Marcos Pereira (22/03/2012)

Entrevista concedida pelo Líder AfroReggae, José Pereira de Oliveira Júnior

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