15 de mai de 2013

Para a CIA, Brizola era o perigo

“Não resta dúvida que toda a pressão e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo“, diz Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos – um dos maiores especialistas em documentação sobre a ditadura militar brasileira.
A frase de Jair está em reportagem do jornal ‘Zero Hora”, que traz importantes documentos da CIA e mostra que o ex-governador Leonel Brizola era considerado o grande inimigo da ditadura brasileira.
Claro que o diário gaúcho, de uma das famílias conservadora, “compra” a versão da CIA, especialmente nesse trecho:
“Brizola comandava operações, treinava guerrilheiros e recebia auxílio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A versão sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na América Latina estão descritos em um calhamaço de papeis da CIA”.
Para o “Zero Hora”, “grupos extremistas” eram os que lutavam contra as ditaduras. Extremistas não eram os militares que deram o golpe, nem os civis que financiaram a ditadura e as torturas. Ok. E Brizola vira um “ultranacionalista”  – na típica tentativa de desqualificar todos aqueles que lutaram ou lutam pela soberania, sem tirar os sapatos para os Estados Unidos. Ok, de novo.
Mas, tirando essas escorregadas, o material do “Zero Hora” é precioso.  Brizola era respeitado pelo inimigo. E isso não é pouco quando se sabe qual era esse inimigo.
A memória desse brasileiro deve ser sempre reverenciada. Resistiu ao golpe em 61 (Campanha da Legalidade), e teria resistido em 64 se Jango ficasse no Brasil. Voltou após a Anistia para comandar uma corrente nacionalista e socialista. os militares lhe roubaram a sigla PTB. Brizola fez o PDT. Enfrentou, com coragem, 3 questões ainda nao resolvidas no Brasil: racismo, oligopólio midiático e Educação.
Teve a coragem de questionar o poderio da Globo, porque logo compreendeu que aquilo era incompatível com a Democracia. Com Darcy Ribeiro, colocou a Educação no centro de sua administração no Rio. E fez do PDT o primeiro partido a ter uma secretaria ligada ao Movimento Negro.
Na hora “H”, Brizola nunca fugiu da luta. Perdeu a vaga no segundo turno para Lula em 89, por meio ponto. No dia seguinte estava onde? No palanque de Lula. Sabia que há momentos em que a luta política não permite titubeios. É preciso tomar partido e lutar, ainda que a vitória seja incerta. Lutou. Ganhou algumas vezes, perdeu outras. Jamais mudou de lado, nem titubeou na defesa dos interesses nacionais.
Um grande brasileiro era Brizola. Já sabíamos. Se faltava alguma prova, aí está: era ele o grande inimgo da CIA, dos EUA e da ditadura brasileira.
Confira mais detalhes na reportagem do “Zero Hora”.
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por Guilherme Mazui e Klécio Santos
Nos primeiros anos do regime militar (1964-1985), os focos de insurgência armada haviam sido sufocados e a maioria dos líderes políticos de esquerda estava presa ou vivia no exílio. Nesse clima de aparente legalidade, a população se inclinava a apoiar os militares, instigada pelo discurso oficial de combate à ameaça subversiva. Um nome, contudo, era temido nos bastidores do poder: Leonel de Moura Brizola.
Enquanto respirava a brisa do Rio da Prata, no Uruguai, Brizola comandava operações, treinava guerrilheiros e recebia auxílio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A versão sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na América Latina estão descritos em um calhamaço de papeis da CIA — a agência de inteligência americana — enviados ao governo brasileiro, ao qual ZH teve acesso.
Intitulado Intelligence Handbook, o dossiê da agência se detém em descrever em dezenas de páginas a ação dos grupos contrários ao regime, com foco sobre o Movimento Nacional Revolucionário (MNR) de Brizola, considerado como o mais “ativo” grupo de oposição ao regime. A documentação é datada de fevereiro de 1968.
A teia de relações de Brizola é descrita em minúcias, bem como os homens que formavam o seu establishment: Paulo Shilling — um dos fundadores do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), uma organização precursora do MST —, o ex-deputado Neiva Moreira e o coronel do Exército Dagoberto Rodrigues, ex-diretor do Departamento de Correios e Telégrafos no governo João Goulart. Os tentáculos de Brizola se estenderiam pela Europa, onde seu contato era o ex-deputado Max da Costa Santos, que se encontrava exilado em Paris. Era ele quem viajava para Cuba através de uma conexão por Praga em busca de suporte para ações guerrilheiras. Para a CIA, a indicação mais clara do envolvimento de Cuba é seu apoio ao grupo de exilados de Leonel Brizola. “Os couriers (mensageiros) cubanos contataram e financiaram insurgentes brasileiros no Uruguai e financiaram sua viagem a Cuba para treinamento em campos de guerrilha”, aponta o relatório.
Tancredo, Simon e Brizola em Nova York: ex-governador prepara seu retorno
Um estilo centralizador
Ainda segundo os documentos, Brizola arranjou um grau de proteção para ele próprio e sua organização no Uruguai desenvolvendo relações próximas com vários políticos e oficiais, bem como com grupos revolucionários daquele país, entre eles o Movimento Revolucionário Oriental e a Frente de Esquerda de Libertação (Fidel), ambos ligados ao regime cubano. Àquela altura, Brizola já sofria com escassez de homens dispostos a “encarar os perigos e dificuldades encontradas pelas guerrilhas” e os relatos apontam o recrutamento de possíveis combatentes até no Paraguai. Embora fosse financiado pelos revolucionários de Sierra Maestra e que membros do MNR eram constantemente treinados na ilha, Brizola se recusava a aceitar cubanos como integrantes do seu grupo, segundo a CIA, “provavelmente temendo perder o controle de sua organização”.
— Não resta dúvida que toda a pressão e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo — atesta Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que considera fundamental que toda documentação venha à tona, mesmo que sob a ótica americana dos fatos.
Para a CIA, a “insistência” de Brizola em ser o único comandante de qualquer operação o teria colocado em desacordo com outros grupos brasileiros e contribuído para o seu “fracasso” em obter apoio unânime até entre os exilados no Uruguai. Centralizador, o gaúcho em 1968 estaria cedendo espaço para outras agremiações guerrilheiras, como a Resistência Armada Nacionalista (RAN), sob a liderança do ex-almirante Cândido de Assis Aragão e que reunia antigos oficiais do Exército e da FAB. O grupo contaria, conforme os dados da CIA, com uma rede de escape e uma base guerrilheira de apoio na Bolívia, onde foram encontrados contatos e nomes e endereços em Porto Alegre.
Até mesmo o suporte de Cuba Brizola estaria perdendo, em detrimento de outras lideranças como Carlos Marighella. Diante do suposto isolamento, o ex-governador estaria buscando outras fontes de financiamento através do governo da Argélia, onde Miguel Arraes estava exilado. A atuação de Arraes é tida pela CIA como mais voltada para esfera política, sem ação “proeminente nos círculos revolucionários”. Já Brizola era mais temido, principalmente por, dois anos antes, ter posicionado um grupo paramilitar na serra do Caparaó, divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, naquela que é tida como a primeira guerrilha da ditadura. “O grupo foi recrutado, organizado, treinado, financiado e dirigido por Leonel Brizola”, enfatiza o relatório da CIA.
— Caparaó era a menina dos olhos do Brizola, mas foi um grande fracasso. Era um grupo muito bem preparado militarmente, mas que acabou se isolando da população e ficou sem condições psicológicas de resistir — relata o jornalista Flávio Tavares, que questiona a maioria dos informes da CIA já que eram baseados em dados do regime que nem sempre traduziam a verdade.
Rodrigo Vianna
No Escevrinhador
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Receita da Abril Educação cai. Barbosa descontente

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Lucro cai 33% e receitas diminuem 10% no primeiro trimestre; administração Giancarlo Civita enfrenta rumores de descontentamento de banqueiro que não assumiu comando; analistas de mercado consideram resultado "aquém do desejado"; nos últimos anos, principal receita da empresa que publica as revistas Veja e Exame, entre outras, não vem mais da área editorial; carro-chefe Abril Educação ainda prevê receitas de R$ 1 bilhão para 2013 
Em declínio, as receitas do braço editorial do Grupo Abril, que edita as revistas Veja e Exame, entre outras, já não são as principais do conglomerado há alguns anos. Os maiores resultados na arrecadação da organização têm sido obtidos pela Abril Educação, setor do grupo da família Civita que administra as redes de ensino Anglo e pH e vende material didático para suas próprias franquias e clientes diversos, entre os quais o governo federal e administrações estaduais e municipais. A má notícia para a Abril é que também as receitas desse setor estão em queda.
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Acusado de estupro, pastor já foi herói na TV Globo

O Pastor Marcos Pereira, da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, está sendo acusado de estupros em série. Teria atacado mulheres que viviam em alojamentos mantidos pela Igreja dele, no Rio de Janeiro. Os indícios são graves. A mídia, em especial o jornal conservador “O Globo”, partiu pra cima do pastor. E não apenas por conta do estupro: investiga-se a vida de Pereira, o patrimônio, tudo.
O curioso é que, há cinco ou seis anos, o mesmo pastor era tratado como herói pelas Organizações Globo. A dica veio de um colega jornalista. Acompanhem: em 2008, “O Globo” denunciou um “Tribunal do Tráfico” em favelas do Rio. Jovens infratores eram julgados, condenados e executados pelos traficantes. O repórter acompanhou de perto um desses “julgamentos”. Quem abriu as portas pro jornalista subir o morro? O pastor Marcos Pereira. Mais que isso: o líder evangélico era apresentado como o homem que – na última hora – impedia a ação cruel dos traficantes. Vejam esse trecho da reportagem:
“Capturado de madrugada, o menor foi algemado e barbaramente torturado: tomou choque elétrico, teve garrafas quebradas em seu corpo, foi espancado com pedaços de madeira, sufocado com fita crepe e recebeu uma facada nas costas. Os traficantes estavam decididos a matá-lo, quando o pastor Marcos Pereira intercedeu e começou a sua defesa.”
O repórter Mauro Ventura ganhou o “Prêmio Esso” de jornalismo com essa matéria. E foi até entrevistado no Programa  do Jô. Os dois – apresentador e jornalista de “O Globo” – exaltaram o trabalho de Marcos Pereira: “impressionante a coragem desse pastor”; “ele é muito respeitado”; “trabalho fantástico”.  
Não passou pela cabeça de ninguém que o pastor tinha feito um tabalho de RP (Relações Públicas) usando a audiência da Globo? Ou passou pela cabeça, sim, mas a Globo estava na fase de “aproximação” com os evangélicos e aí não era o momento de questionar aliados? Há ainda uma terceira hipótese (foi Ali Kamel, da Globo, quem nos ensinou a importância de “testar hipóteses” no jornalismo): Marcos Pereira é um homem de bem, foi acusado de forma vil e injusta, estaríamos diante de um novo caso “Escola Base”… Será?
Seja como for, não acho que devemos condenar – de forma hipócrita e isolada – o repórter Mauro Ventura. Quantos não agiriam da mesma forma que ele? O caso serve pra mostrar como funciona o moderno jornalismo: essa mania de glorificar o repórter que passa por cima de qualquer risco, e se alia a qualquer um, para conseguir a informação. Vale tudo mesmo?
É bom fazer a ressalva: uma coisa é ter um bicheiro ou pastor de conduta duvidosa como fonte (isso eu não considero absurdo, já que muitas vezes é a única forma de acessar um ambiente ou um esquema criminoso); outra coisa é transformar sua fonte em “herói” para assim manter a “parceria”.
Cinco anos depois, assistir a entrevista do repórter ao Jô é mais do que constrangedor. É revelador. O jornalismo dos novos tempos está nu, e o que vemos não é bonito.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador

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Barbosa prevê vitória dos réus sobre embargos

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Presidente do STF já conta com o fato de que ao menos cinco ministros pensam diferente dele na questão dos embargos infringentes; ou seja, se metade do plenário decidir que cabe esse tipo de recurso no caso de Delúbio Soares - o primeiro a recorrer -, o placar de empate é favorável aos réus; sem contar que ainda seriam escolhidos novos relator e revisor, praticamente um novo julgamento, com grandes chances de vitória aos acusados
No grupo que defende a tese de que os embargos infringentes não podem ser apresentados ao Supremo Tribunal Federal, o presidente da corte, Joaquim Barbosa, conta com a possibilidade de vitória dos réus no julgamento da Ação Penal 470. Ele já negou o primeiro, apresentado por Delúbio Soares à frente dos outros 24 condenados, mas o caso deve ir ao plenário, uma vez que a defesa pretende recorrer da decisão.
No 247
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Roberto Gurgel cobre de lama a Procuradoria Geral da República

A politização irrefreável de Gurgel
Até seu último dia na Procuradoria Geral da República, Roberto Gurgel tratará de submeter o Ministério Público aos seus objetivos políticos. Pouco importa se aumentarão as resistências contra os procuradores, se o adversários tratarão de obscurecer o trabalho legítimo de procuradores na linha de frente com as jogadas políticas de Gurgel.
Hoje, nos jornais, mais dois episódios.
O primeiro, o vazamento, por parte da PGR, de mais um inquérito para a mídia, agora visando o Ministro da Saúde Alexandre Padilha. Pouco importa a vida limpa do Ministro e a enorme probabilidade de que seja inocentado da acusação. A manobra consiste em jogá-lo na mídia, para desgastá-lo; e, depois, esse material poder ser utilizado na campanha político, caso saia governador.
O segundo ponto, foi seu parecer contra a invalidação da Reforma da Previdência. Parlamentares do PSOL argumentaram - com razão - que se o STF e o PGR sustentaram que houve compra de votos para cada votação, havia vício de origem.
Gurgel, no entanto, admite que as pessoas envolvidas no mensalão tiveram pouco peso na votação da reforma previdenciária.
Qualquer conhecedor mínimo dos meandros do Congresso sabia que a operação mensalão visou comprar apoio de partidos para a composição da base aliada, jamais para votações específicas. Embora o método seja condenável, a montagem da base de apoio é essencial para a governabilidade de qualquer governo, e foi praticada por todos os presidentes, pós-redemocratização, que permaneceram no cargo até o fim. O único que não seguiu a regra, caiu: Fernando Collor.
Mas a PGR e o STF julgaram que, para poder condenar os acusados, havia a necessidade de indícios mais veementes: por exemplo, casar os dias de pagamento om as votações ocorridas.
Consumadas as condenações, agora pode-se voltar ao bom senso e reconhecer que os pagamentos não visaram compra de votos.
O problema do julgamento do mensalão não foram as condenações: foi se saber que bom senso, análises de causalidade, análises de indícios e de provas dependem exclusivamente da posição política do julgador.
Luis Nassif
No Blog Sujo
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Vingança não leva a nada

A mídia de mercado e os que só pensam em vingança tentam de todas as formas induzir os congressistas a apoiarem a redução da maioridade penal para 16 anos.
Uma das manchetes de O Globo (quarta-feira - 8 de maio) é sintomática: “Estuprador do ônibus é menor solto pela Justiça”. E na sustentação: “Maioridade penal em questão”.
O leitor, sobretudo a maioria que apenas lê as chamadas de primeira página nas bancas de jornais acaba concluindo o quê? Simplesmente que o menor, assaltante e estuprador em um ônibus no Rio de Janeiro foi solto depois de se apresentar ao Juizado de Menores com a mãe. Mas não, ele foi solto em outra ocasião, depois que os responsáveis se comprometeram a apresentá-lo mensalmente a um Juizado de Infância, o que deixou de acontecer. Essa informação só aparece na leitura da pagina da matéria.
E a defesa da redução da maioridade penal é colocada de tal forma como se menores infratores não fossem punidos. E quase nada se informa sobre os crimes hediondos cometidos por menores que são absolutamente minoritários nas estatísticas. Esses criminosos, ao contrário do que diz a mídia de mercado, cumprem penas.
Moral da história: daqui para frente os meios de comunicação de mercado vão intensificar a campanha pela redução da maioridade penal, como se no Brasil as condições carcerárias estivessem em condições de abrigar menores de 18 anos e não apenas transformá-los em ainda mais criminosos, como acontece nos presídios.
É o tipo da vingança que no final das contas acaba saindo pela culatra, ou seja, a transformação de um menor de 18 anos infrator em um criminoso total.
Ao contrário do que apresenta o senso comum, estimulado por publicações como O Globo, o papel do Estado não é a vingança, mas punir infratores e procurar recuperá-los. Se não consegue, é outra história. É preciso saber o motivo.
Nas cartas aos leitores dos jornalões só são divulgadas notas favoráveis à redução da maiordiade penal, como se não fossem encontrados leitores com pensamento discordante. Nas televisões as matérias induzem os telespectadores a aceitar a redução.
O debate pode estar posto, mas só que a tese em favor da redução da maioridade penal aparece de forma avassaladora, praticamente sem contraponto. Prevalece o pensamento único.
Por estas e muitas outras é necessário, aí sim, um debate profundo sobre a necessidade de uma nova legislação midiática, como estão fazendo os movimentos sociais, que possibilite dar vez e voz a todos os setores em pé de igualdade, o que não acontece com a mídia concentrada sob controle de algumas famílias proprietárias de veículos de comunicação.
Lei da Anistia - A Deputada Luiza Erundina (PSB-SP) realmente é uma das mais importantes representantes do povo no Congresso. Sempre atenta a questões de interesse nacional, desde a democratização dos meios de comunicação até a defesa dos direitos humanos, Erundina apresentou projeto reinterpretando a Lei de Anistia. O objetivo é o de evitar que se perpetue a impunidade de agentes do estado que cometeram torturas e assassinatos no período da ditadura civil-militar.
O projeto está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça, onde aguarda ser votado. O relator da proposta, deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), deu parecer contrário à aprovação. Mesmo com parecer contrário, os integrantes da CCJ podem rejeitar o parecer de Pitiman e aprovar o texto de Erundina.
É certo que impunidade gera impunidade.
Barbaridades
Praticamente todos os jornalões brasileiros deram destaque às declarações do torturador Brilhante Ustra, mas relegaram a segundo plano o informe de um outro militar dizendo que corpos de combatentes do regime eram colocados a mostra no DOI-Codi como se fossem troféus. Por que será?
SIP 
O governo do Equador achou por bem não atender pedido da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O motivo alegado é que a entidade que reúne o patronato das Américas não defende nem a liberdade de imprensa, nem a liberdade de expressão. O que a SIP defende mesmo, segundo Fernando Alvarado, Secretário de Comunicação do governo Rafael Correa, é simplesmente a liberdade de empresa.
Alvarado foi mais adiante ao afirmar que os temas defendidos pela SIP “perpetuam os privilégios e o poder de um círculo de propietários de imprensa, que escondem seus desejos econômicos e políticos na defesa sublime de direitos”.
O mesmo tipo de raciocínio deve ser estendido às entidades do gênero aqui no Brasil, como a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
De quebra deve ser incluído nesta lista o Instituto Milleninum, que reúne a fina flor do conservadorismo em todas áreas neste Terceiro Milênio
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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Rosário e Fantástico traficaram o futuro de cinco crianças

Jeroncio, o pai modelo das cinco crianças de Monte Santo - de acordo com a tipificação criada pela Ministra Maria do Rosário (da Secretaria Nacional de Direitos Humanos) e pelo Fantásico - foi preso por assalto. Três dias antes da devolução das crianças a Monte Santo, foi detido por tentativa de estupro.
Na entrevista que fiz com a Ministra Maria do Rosário - sobre a adoção das cinco crianças de Monte Santo - insisti para que ela saísse das considerações gerais sobre adoção, eivadas de preconceito, e se debruçasse na análise da situação específica das famílias envolvidas.
Sua resposta, de um maniqueísmo primário, foi dividir a questão entre dois pais pobres - e dignos - e famílias de classe média que integravam uma quadrilha.
Insisti que pensasse no bem estar das crianças. Respondeu que pobreza não poderia ser motivo para tirar do pobre seu bem mais precioso, os filhos. Insisti que o ponto central de análise deveria ser o bem estar das crianças; assim como na classe média, entre os pobres há pais que cuidam dos seus filhos e pais desajustados, que as informações sobre os pais biológicos - Sillvania e Jerôncio - indicavam pessoas desequilibradas. Respondeu que ambos estavam sendo vítimas de campanhas difamatórias.
Pedi provas da existência de ação de quadrilha no episódio. Respondeu que a SNDH tinha elementos abundantes. E não tinha. A Ministra mentia.
Pergunto: como ficam as crianças, expostas a esse show de irresponsabilidade e exibicionismo de uma alta autoridade e de um dos programas de maior audiência da televisão e entregues de volta a pais sem nenhuma condição - financeira (de menos), psicológica (fundamental) - de criá-los? Como ficarão depois que os holofotes forem apagados e cessar a maquiagem da situação?
Na reportagem do SBT, foi entrevistada uma amiga de 15 anos de Silvania, que falou do arrependimento dela em ter pedido as crianças de volta. É evidente que sua decisão foi motivada pelos holofotes do Fantástico e pela ação política de Maria do Rosário.
Não fosse o show irresponsável da vida, a esta altura autoridades responsáveis estariam, no mínimo, promovendo a aproximação entre pais biológicos e afetivos, visando o bem estar da criança.
Mas aí significaria Maria do Rosário ter de abdicar de sua cruzada de criminalização da adoção; e o Fantástico ter que explicar que embarcou em uma barriga monumental, produzida por seu repórter José Raimundo.
O que são cinco crianças perto das bandeiras políticas de Rosário e da audiência do Fantástico? Nada. Apenas instrumentos manipulados pela politização mais rasteira e pelo jornalismo mais irresponsável.
Lá na frente, quando o lar desestruturado produzir crianças desestruturadas, Maria do Rosário fará um discurso criticando o Estado brasileiro - que ela representa - por não ter dado condições à família para educar os filhos. E o Fantástico produzirá uma bela reportagem sobre como uma decisão jurídica erronea, de um juiz desequilibrado - o tal do Luiz Cappio - afetou a vida de cinco crianças. E confiará na falta de memória do telespectador e na falta de visão crítica da mídia.
Luis Nassif
No Advivo
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O Petróleo é Nosso

A Petrobras desfigurou-se quando o governo dos tucanos paulistas e cariocas decidiu entregar a exploração do petróleo a empresas estrangeiras. Uma evidência da entrega: todos os países exportadores de petróleo cobram das empresas estrangeiras royalties, em média, de 80%: em petróleo. O Brasil, por decisão desses senhores, só cobra dez por cento do óleo extraído — e em moeda. Na realidade, essas empresas são donas de todo o petróleo produzido, cuja descoberta se deve à própria Petrobras.
Mais do que o petróleo, vindo do solo, a Petrobras extraiu da alma brasileira a sua orgulhosa consciência de povo. Essa consciência vinha sendo construída em difíceis passos políticos, confrontada com a cumplicidade das oligarquias coloniais com a Metrópole, na exploração do trabalho escravo e no saqueio sistemático da natureza, desde o século 17. É bom registrar que ela sempre se associou aos nossos recursos naturais, do pau-brasil ao ouro e a outros minerais.
A Independência, em 1822, serviu para o surgimento de grupos mais atilados, com ideais democráticos e republicanos, ainda que prevalecessem os interesses oligárquicos. A confluência do movimento abolicionista com a campanha republicana, a partir de 1870, acabaria com as duas instituições caducas, a escravatura e a monarquia. Mas, fora a pequena elite pensante das grandes cidades, não havia consciência de nação. No campo, os grandes fazendeiros viam o país como um território repartido entre eles, senhores das terras e dos que nelas trabalhavam e viviam.
Só na segunda década republicana houve quem associasse o desenvolvimento industrial ao bem-estar dos trabalhadores — mas esses visionários foram violentamente reprimidos pelos governos, a serviço das oligarquias e das empresas estrangeiras. Elas controlavam as incipientes manufaturas e o comércio exterior com a venda de nossos produtos primários - e a importação de bens de consumo, em sua maioria supérfluos.
A partir dos anos 20, começou a esboçar-se o que podemos entender como a assunção do Brasil, como ele é: uma nação de imigrantes, mestiça de mamelucos e cafuzos, de negros e brancos, de europeus nórdicos e meridionais — e de gente do Oriente Médio e da distante Ásia. Nesse sentido, apesar de seus críticos, a Semana de Arte Moderna, de 1922, teve a sua marcante influência. O Brasil desembarcou definitivamente da Europa com o atrevimento dos intelectuais, muitos deles brasileiros de primeira geração, que tornaram nobre o que antes se considerava vulgar.
Foi então que despimos as sobrecasacas, trocamos as ceroulas por cuecas, e as mulheres se livraram dos espartilhos para que suas formas desabrochassem sob a regência de uma sensualidade tropical.
Nesses anos 20, em certos momentos sem uma orientação política e ideológica coerente, surgiram os partidos de esquerda e os movimentos de rebeldia militar com os tenentes, como a gesta heroica, mas prematura, da Coluna. Tudo isso conduziria à Aliança Liberal de 1930, empurrada, como sempre ocorre, pelo confronto de interesses políticos pessoais de personalidades fortes, associado ao conflito das forças econômicas regionais.
É interessante notar que, nesses decênios iniciais do século 20, o petróleo já se situava no centro da disputa geopolítica das grandes potências — e desde a Primeira Guerra Mundial, com o desembarque inglês, comandado pelo coronel Lawrence, na Península Árabe. O livro de Essad Bey, A luta pelo petróleo, é a melhor fonte para entender as intrigas entre os estados e os milionários no esforço pelo controle das jazidas.
Em 1928, como narra Monteiro Lobato em seu livro sobre o assunto (O escândalo do petróleo), os soviéticos, preocupados em diminuir o elevado consumo de álcool entre seus soldados, propuseram ao Brasil trocar petróleo - do qual grande parte de seu território era, e continua, encharcado - por café brasileiro. Acreditavam que a nossa bebida contribuiria para aliviar o alcoolismo de suas tropas. Os Rockefeller, donos da Standard Oil e líderes das grandes petroleiras, impediram que fizéssemos o negócio.
Com Getulio, dentro das amarras do tempo, começamos a levar o problema a sério, com o Conselho Nacional do Petróleo, criado em 1938, e sob a chefia do general Horta Barbosa. Todas as atividades petrolíferas se encontravam sob o controle do Estado, que poderia conceder a exploração e o refino, dentro dos interesses nacionais. Enfim, em 1953, criou-se a Petrobras.
O lema da campanha popular, O petróleo é nosso, transcendia de seu enunciado. Não era só o petróleo que era nosso. Queríamos dizer que o Brasil, com o petróleo e tudo mais, pertencia-nos, como povo. Na medida em que a Petrobras se consolidou — mesmo sobre o cadáver de Getulio — entendemos que éramos um povo capaz de conduzir, soberanamente, o seu próprio destino.
Se não fosse essa consciência, adquirida nas lutas populares, Juscelino não teria sido eleito em 1955, e não teríamos dado o grande salto, dos cinqüenta anos em cinco, durante o seu qüinqüênio: construímos trechos de ferrovias, grandes eixos rodoviários e erigimos Brasília, porque a criação e os primeiros êxitos da Petrobras diziam-nos que éramos um povo tão capaz como qualquer outro, e poderíamos, com isso, construir definitivamente a nossa soberania.
No entanto, a partir do governo presidido por Fernando Henrique Cardoso, a Petrobras tem sido submetida a lenta, mas criminosa, desconstrução. O Estado vendeu, no exterior, as ações preferenciais da empresa, transferindo assim, em forma de dividendos, os esforços dos técnicos e trabalhadores brasileiros, que, com o seu êxito, ajudaram-nos a criar a consciência de nação soberana.
A Agência Nacional do Petróleo, ao que parece a isso autorizada pelo cimo do governo, decidiu colocar em leilão, hoje, e pelas regras que remontam a Fernando Henrique, centenas de lotes de exploração de petróleo na costa brasileira. Trata-se de áreas em que a Petrobras investiu centenas de milhões em pesquisa e que serão entregues, em sua maior parte, e ao que se prevê, a empresas estrangeiras.
Segundo cálculos da Associação dos Engenheiros da Petrobras, divulgados pelo seu ex-presidente Ricardo Maranhão, e pelo seu atual vice-presidente, Fernando Siqueira, o valor desses depósitos fósseis é superior a um trilhão e cem bilhões de reais. As entidades representativas dos trabalhadores da Petrobras estão sem recursos para custear as ações na Justiça, e a empresa não pode ou não quer tomar estas providências. É o caso de os donos do petróleo, ou seja, os cidadãos brasileiros, abrirem uma conta e contribuírem com o que cada um puder, para constituir um fundo de defesa do petróleo. De novo temos de ir às ruas para dizer que "o petróleo é nosso".
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O que O Globo não viu no assentamento Itamarati, no Mato Grosso do Sul

No dia 5 de maio, o jornal O Globo publicou uma matéria intitulada “De antigo império da soja à maior favela rural no interior do Brasil”. O repórter visitou o assentamento Itamarati, no Mato Grosso do Sul, e, de acordo com a matéria, o local é a prova concreta de que a Reforma Agrária no Brasil fracassou.

Leia a matéria na íntegra: Da Majestade para o povo

De acordo com O Globo, a maioria dos assentados, carentes de assistência técnica e meios para produzir, arrenda seus lotes para grandes fazendeiros: “sem financiamentos ou assistência técnica, os pequenos agricultores não conseguem sobreviver da lida no campo. Até traficantes de drogas arrendam terras por lá. Tem fazendeiro que arrenda até 15 lotes”.
O Globo também alega que os “silos e armazéns de grãos estão apodrecendo”, e que “a prefeitura de Ponta Porã aguarda até o dia em que o Incra conceda a área para o município. Ali, quer que nasça uma nova cidade”.
Estive no assentamento Itamarati no ano passado para fazer uma matéria sobre a produção local para uma revista especial que o MST irá lançar, e posso afirmar que a reportagem do jornal O Globo não corresponde à realidade.
“A maior favela rural do Brasil”, como afirma o título da reportagem, conta com duas formas de trabalhar a produção agrícola: áreas individuais e coletivas. Nos lotes individuais, de até 10 hectares, as famílias produzem frutas e vegetais, como acerola, laranja, mandioca e criam animais. Essa produção é voltada ao consumo interno e venda em pequena escala.
Já as 66 áreas coletivas têm por volta de 120 hectares e um pivô de irrigação compartilhado, capaz de concentrar a produção em larga escala, de onde se extraem os alimentos para a comercialização. Há plantação de milho, soja, amendoim, feijão e pastagem para o gado.
A produção em larga escala passa, então, para as cooperativas, criadas pelos assentados para desenvolver o assentamento. Dados da Cooperativa dos Agricultores Familiares do Itamarati (Cooperafi), responsável pela produção de leite e grãos do assentamento, apontam que a produção de leite no Itamarati chega a 500 mil litros por mês; soja, milho e feijão atingem um milhão, 800 mil e 200 mil sacas por safra, respectivamente.
Os silos e armazéns de grãos estão longe de apodrecer. Pelo contrário, a Cooperafi revitalizou o maquinário que já existia na fazenda e se encontrava deteriorado, e hoje o Itamarati, com dez silos ativos, armazena 70 mil sacas de grãos em cada um, além de contar com um silo maior capaz de comportar 1,5 milhão de sacas.
Este silo maior se encontra desativado, mas Jacob Alberto Bamberg, presidente da Cooperafi, afirma que ele terá pelo menos 25% de sua capacidade reformados ainda este semestre.
O Itamarati conta com uma segunda cooperativa, chamada Cooperativa Agroindustrial Ceres (Coopaceres). Ela é responsável pela produção de sementes: na safra do ano passado, 180 produtores do assentamento receberam sementes e produziram 500 toneladas de feijão. Parte dessa produção e das sementes foi exportada para a Venezuela, que comprará mais mil toneladas na próxima safra.
O arrendamento de lotes e a falta de assistência técnica por parte do governo são problemas de fato enfrentados pelo Itamarati. No entanto, à medida que as iniciativas das duas cooperativas se solidificam, esses problemas começam a ser superados.
A Cooperafi contratou técnicos que atualmente vivem no assentamento, especializados na recuperação do solo, além de uma veterinária, também residente lá. Além disso, há planos de construção de um laticínio para agregar mais valor ao leite, de frigoríficos e de cisternas para o período das secas.
O assentamento Itamarati surgiu de uma ocupação em 2002. Nos dois primeiros anos de assentamento, porém, os agricultores perderam muito dinheiro por conta de uma seca.
Segundo Olívia de Moraes, diretora do colégio Carlos Pereira, “nos dois primeiros anos de assentamento as pessoas foram convencidas por agrônomos da região de que estas terras eram uma mina de ouro, e que todos ficariam ricos rápido. A maioria dos produtores investiu nas lavouras, mas como tivemos um período de seca, eles perderam tudo. Muitos inclusive deixaram o assentamento por conta desses primeiros anos”.
Some-se a isso o fato de que a produção de leite na região era alvo de um cartel das empresas leiteiras, que obrigavam os produtores a vender o litro de leite a R$ 0,30 centavos, e muitos produtores deixaram seus lotes ou passaram a arrendá-los por não ver uma saída.
Somente após o surgimento das cooperativas (a Coopaceres surgiu em 2006 e a Cooperafi, em 2010), é que a situação começou a melhorar para os assentados: hoje, o litro do leite, graças à Cooperafi, é vendido a R$0,78 centavos.
As sementes de feijão produzidas pela Coopaceres começam a se difundir, aumentando a produção do grão no assentamento, oferecendo mais uma alternativa economicamente viável aos produtores. Assim, mais produtores deixam de arrendar para voltar a produzir, pois notam que isso é economicamente viável agora.
A reportagem de O Globo é mais uma tentativa de descreditar a Reforma Agrária frente à opinião pública por meio da manipulação dos fatos. Estranho é que na mesma página o jornal publica uma matéria sobre os resultados positivos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul, mas não cita uma única vez que a cooperativa em questão é organizada pelo MST. É uma pena que a nossa grande imprensa seja capaz de um jornalismo tão ruim e tendencioso.
José Coutinho Júnior
No MST
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Charge online - Bessinha - # 1780

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O Supremo tem que dizer não a Joaquim Barbosa

Seguir os passos de JB vai levar o grupo todo à desmoralização.

Sede do STF, em Brasília
A única explicação para a ferocidade com que Joaquim Barbosa vem lidando com qualquer coisa relativa aos recursos do mensalão só pode repousar numa tentativa de apagar os próprios rastros naquele que foi um dos piores momentos da história judiciária nacional.
É como se ele acreditasse que mantendo as sentenças duríssimas os erros colossais como que desapareciam sob o tapete.
Mas não é bem assim. Ele não tem o poder de controlar as evidências que foram se acumulando pós-veredito sobre o tortuoso trabalho do STF.
Poucos meses fizeram toda a diferença.
Desmontado o circo, desfeita a gritaria manipuladora e interessada, foi ficando cada vez mais claro que o julgamento foi tragicômico.
O pior papel coube exatamente a Barbosa, que deu o tom vitriólico (e equivocado, como sabemos agora) do julgamento.
Ele teve seus minutos de glória como heroi da mídia. Chegou a ganhar uma capa da Veja na qual era chamado – risos, por favor – de “menino que mudou o Brasil”.
Ora, ele não mudou sequer o STF. Foi incapaz de impedir agressões éticas elementares como as relações entre Fux e um escritório de advocacia.
Foi incapaz ele próprio de estabelecer um padrão ético exemplar ao fazer coisas como convidar – pagar — jornalistas para que dessem a sua miserável visita à Costa Rica, da qual afinal nada restou de relevante, um tom retumbante de excursão napoleônica.
Isso para não falar nos 90 000 gastos numa reforma de banheiros, por causa dos quais ele chamou um jornalista de “palhaço”.
Inepto para mudar o STF ele mudaria o Brasil?
Que ele já deixou de ser heroi para se converter no que é, uma figura lastimável pela mesquinharia e prepotência, está claro.
Para a posteridade ele aparecerá do jeito real, e não fantasiado de Batman ou Super-homem.
Mas o STF não precisa acompanhá-lo em sua louca cavalgada.
O plenário do Supremo, que examinará a pertinência dos recursos, está desde já na obrigação de deter Joaquim Barbosa.
Pelos erros, e pela severidade das penas físicas e morais, os réus têm que poder esgotar todas as formas de recursos.
Para a história, Joaquim Barbosa já é um caso perdido.
Mas os demais ministros não têm por que acompanhá-lo.
O Supremo tem que se erguer moralmente.
Meio século atrás, o Supremo era respeitado quase que nos limites da veneração.
O jornalista Carlos Castelo Branco, em seu livro sobre a renúncia de Jânio, lembra um episódio que mostra isso.
Corria o boato de que o ministro da Justiça de Jânio, Pedroso Horta, sairia do gabinete para se transferir para o Supremo.
Castelinho, que era assessor de imprensa de Jânio, perguntou a Horta sobre o boato.
“Não”, disse Horta. “Eu não tenho estatura moral para o Supremo.”
Uma frase dessas hoje pareceria, infelizmente, uma piada.
Paulo Nogueira
No DCM
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