9 de mai de 2013

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Confirman pena de cuatro años de prisión para Silvio Berlusconi

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Tucano Álvaro Dias: O pastor Marcos Pereira é um enviado

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Veja quem votou contra a PEC do Trabalho Escravo

Deputados que votaram contra a PEC 438/01 "PEC do Trabalho Escravo"!
Apresentada pelo Senado em 2001, a Proposta de Emenda à Constituição tem por objetivo fazer com que sejam expropriadas as terras onde sejam constatadas a exploração de trabalho escravo. Tais propriedade então serão destinadas para fins de reforma agrária ou para a construção de moradia popular, caso a propriedade esteja situada em área urbana.
A proposta já foi aprovada no senado e, depois de dois turnos de votação, passou pela Câmara Federal (11 anos depois de apresentada) com duas propostas de modificação.
Vejam quais foram os deputados federais que votaram contra! A quais partidos eles pertencem, e lembrem-se deles nas próximas eleições! Nesse ponto o Paraná leva um marco vergonhoso: O ESTADO QUE TEM O MAIOR NÚMERO DE DEPUTADOS QUE VOTOU CONTRA A PEC!
Por que alguém votaria contra uma lei que visa punir o trabalho escravo? Fica a pergunta e a dica para os eleitores!
Luciano E. Palagano
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Pastor João e a Igreja invisível


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Sexo em nome da fé

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O deputado e pastor Marco Feliciano, que se tornou uma celebridade ao levar para o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados suas ideias arcaicas sobre direitos de minorias, volta ao noticiário por conta de suas relações com outro religioso, Marcos Pereira da Silva, que acaba de ir para a cadeia.
O pastor Marcos Pereira da Silva é presidente da igreja denominada Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio de Janeiro. Pesam contra ele denúncias de associação com traficantes de drogas, homicídios e violência sexual contra seguidoras de sua organização. Os jornais divergem quanto ao número de mulheres que teriam sido estupradas pelo sacerdote. Segundo o Estado de S.Paulo, ele teria abusado de seis fiéis, usando a alegação de que elas estariam possuídas pelo diabo e que o ato sexual as libertaria. Na versão da Folha de S. Paulo, foram quatro as vítimas e, segundo o Globo, os depoimentos colhidos em um ano de investigações identificam pelo menos 26 casos.
O acusado se tornou conhecido por negociar o fim de rebeliões em presídios e libertar reféns de traficantes, impedindo suas execuções, mas, segundo a polícia, ele na verdade era uma espécie de líder espiritual de traficantes e outros bandidos, aos quais era associado, e esses episódios eram simulações combinadas com os criminosos.
O conjunto das reportagens compõe um roteiro escabroso de exploração da fé, abusos, manipulação de consciências, homicídios, lavagem de dinheiro e roubo puro e simples. Embora seja um caso extremo de delinquência associada à religiosidade, a carreira do pastor Marcos Pereira da Silva deveria inspirar um esforço de investigação jornalística em torno do fenômeno das seitas que proliferam por todo o país e avançam sobre o campo político.
As relações entre Pereira da Silva e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados merecem uma atenção maior do que a mera reprodução de declarações que tem marcado a ação da imprensa. Uma das pistas a serem seguidas é a da lavagem de dinheiro: o pastor é acusado de receber comissão de traficantes para dissimular a receita do crime por meio da venda de CDs e DVDs de evangelização. Além disso, sua ascendência sobre chefes do crime organizado o coloca como um dos líderes da onda de ataques que aterrorizaram o Rio em 2006 e 2010, como reação contra o programa de ocupação de favelas pela chamadas unidades de polícia pacificadora.
Considerar que o deputado Feliciano ignorava tal folha corrida seria chamá-lo de alienado – coisa que ele, definitivamente, não é.
O estelionato da fé
O inquérito contém preciosidades, como a descrição de orgias que teriam sido promovidas pelo dublê de líder religioso e chefe de quadrilha em um apartamento na Avenida Atlântica, registrado em nome da igreja e avaliado em R$ 8 milhões: segundo testemunhas, o pastor teria o hábito de realizar encontros que incluíam relações homossexuais de homens e mulheres. Também há referências a troca de favores com políticos e autoridades policiais, o que indica a extensão da influência do personagem, e que pode ser medida pelo empenho do deputado Feliciano em defender o acusado.
A imprensa precisa esclarecer essa relação suspeita.
Preso, o pastor Marcos Pereira da Silva tem sua vida vasculhada pelos jornais, que fazem descrições espantosas sobre sua longa carreira de abusos. No entanto, o noticiário ainda se limita ao relato puro e simples dos crimes de que ele é acusado, quando o episódio deveria levar a imprensa a analisar com mais profundidade o fenômeno de entidades supostamente religiosas que são, na verdade, organizações criminosas.
Não importa se a delinquência se limita ao estelionato mais primário em nome de angústias espirituais ou se chega ao estágio sofisticado de criminalidade que é atribuído ao líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. No livro intitulado Mídia e poder simbólico, o jornalista e cientista social Luís Mauro Sá Martino já tratou com detalhes a questão do mercantilismo no campo religioso.
O caso do pastor Pereira da Silva abre uma oportunidade para a imprensa investigar a verdadeira natureza de organizações que colocam no poder político figuras como o deputado Marco Feliciano, capaz de transformar um órgão do porte da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em um circo místico de crendices e preconceitos. Pode-se ir um pouco além, analisando-se, por exemplo, como a sociedade contemporânea ainda se mantém vulnerável à penetração de arcaísmos e mistificações, que contaminam as instituições da República, e de que modo tais manifestações de irracionalidade atrapalham o desenvolvimento do país.
Mas isso seria esperar demais. Desmascarar outros falsos religiosos associados ao crime já seria um bom começo.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Charge online - Bessinha - # 1774

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Muere décima víctima de violencia generada por derecha venezolana

Los desmanes respondieron a los llamados de la derecha,
que se niega a reconocer su derrota.
El venezolano Gerardo Rico perdió la vida este miércoles en el Hospital Dr. Patrocinio Peñuela Ruiz del Seguro Social de San Cristóbal, estado Táchira, luego de pasar 23 días en coma a causa de la golpiza que le propinara un grupo antichavista el pasado 15 de abril.
Con ello, Rico se convierte en la décima víctima mortal a nivel nacional, y la quinta en el estado Táchira, como consecuencia de los hechos de violencia ocurridos tras el llamado que realizaran líderes de la oposición, que se negaron a reconocer su derrota en la pasada justa electoral del 14 de abril.
La diputada al Parlamento estadal, Nellyver Lugo, lamentó el fallecimiento de Rico, e informó que éste resultó herido por “una golpiza tan fuerte que lo dejó en coma por daño cerebral”, luego del llamado a la violencia realizado por el candidato perdedor Henrique Capriles, el cual “rompió la línea entre lo que es una batalla electoral y una batalla delictiva”, consideró la asambleista.
El hecho “enluta a otra familia tachirense, y llegamos así a la cifra de cinco fallecidos que hasta ahora se vinculan con esta situación”, agregó Lugo. Recordó que además de Rico, también han perdido la vida Henry Rangel, en el municipio Córdoba; Keller Garizabal, quien se desempeñaba como Policía Nacional en San Cristóbal; Leonardo Vera, en San Cristóbal; y José Ospino en el municipio Junín.
“Desde el Parlamento seguimos haciendo solicitudes a todos los organismos jurisdiccionales con el fin de que se practiquen las actuaciones necesarias para que logren detener a los actores materiales e intelectuales de estos hechos, y para que en el país pueda haber paz”, expresó.
La diputada extendió sus condolencias a los familiares de estas personas, a las que no dudó en considerar “héroes de la patria, porque entregaron sus vidas por defender el ideal que el comandante Hugo Chávez sembró en cada uno de sus corazones”.
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O jornalista que inventou a manchete

Joseph Pulitzer foi muito provavelmente o editor mais sensacional que o jornalismo já conheceu.
Pulitzer
Ao longo da história, qual foi o jornalista mais inovador?
Uma resposta boa para essa pergunta é Joseph Pulitzer, alemão de origem que fez história nos Estados Unidos no final do século 19 com seu jornal World.
Foi Pulitzer quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete, assim, bem como a primeira página. Era um jornalista brilhante, ambicioso, e inevitavelmente acabou tendo seu próprio jornal. Sua lógica como empreendedor no jornalismo era irretocável: “Circulação significa anúncio, anúncio significa dinheiro, dinheiro significa independência.”
Essa independência não era estendida para os jornalistas que trabalhavam para ele. Pulitzer disse a um deles: “Acima de tudo, você é pago para veicular minhas idéias, meus anseios, meu julgamento.” Se aquele funcionário fosse talentoso como ele próprio, Pulitzer lembrou, já teria “seu próprio jornal”. Nunca um barão da imprensa foi tão claro, como Pulitzer, em relação a quem manda na redação.
Sua visão de jornalismo é ainda hoje perfeita. “Para se tornar influente, um jornal tem que ter convicções, tem que algumas vezes corajosamente ir contra a opinião do público do qual ele depende”, afirmou.
Era um idealista, um liberal, um homem quase de esquerda. “Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”, escreveu.
Tinha uma frase que me me tem sido particularmente cara na carreira: “Jornalista não tem amigo.”  Como a “Deusa Cega da Justiça”, afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. “O World, por isso, é absolutamente imparcial e independente.”
Era um intelectual, um leitor voraz. Certa vez reconverteu Shakespeare do alemão  para o inglês apenas para ver a qualidade da tradução alemã. Lia Platão e Aristóteles em grego. Quando problemas nos olhos o deixaram cego, empregou secretárias para que lessem para ele.  Tinha um prazer particular em ouvir histórias eróticas em alemão.
Seu catálogo de inovações inclui a fundação de uma escola de jornalismo na Universidade de Colúmbia, na qual o principal ensinamento deveria ser “ética”, e a criação de um prêmio jornalístico que se tornaria o mais importante do mundo, e que hoje conserva vivo o sobrenome do seu mentor.
Não bastasse tudo, Pulitzer inventou indiretamente ainda o formato dos tablóides. Pouco antes de 1900, ele contratou um jovem jornalista que vinha sacudindo a imprensa inglesa  para cuidar de uma única edição: a da virada do século. Foi dado ao inglês, Alfred Harmsworth, poder total nessa edição. Ele decidiu reduzir o formato do jornal para algo mais aproximado de um livro. Surgia o tablóide.  (Harmsworth faria posteriormente história no jornalismo inglês.)
Ele só não conseguiu uma coisa: ser feliz.  Foi essêncialmente um gênio atormentado. Epicuro escreveu que felicidade é saúde, é ausência de dor – e a cegueira foi apenas um dos males de Pulitzer. Não suportava barulho em seus últimos anos. Nos hotéis em que ficava, nenhum quarto no andar do seu era ocupado para a obtenção de silêncio.
Jamais chegou “perto da felicidade”, segundo o relato de seu filho Joseph.
Se você quer aprender a viver, esqueça Pulitzer. Mas se quer aprender jornalismo estude-o com profundidade.
Paulo Nogueira
No DCM
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A terceira via na integração das redações

http://pierrebarth.files.wordpress.com/2010/08/redacao-da-antiga-sede-na-praca-castro-alves.jpg 
O maior dilema de quase todos os jornais ainda não foi resolvido, apesar de a maioria ter optado pela coexistência numa mesma redação de profissionais das versões online e impressa. O principal atrativo da fusão de redações foi, e ainda continua sendo, a possibilidade de cortar despesas. A rearrumação de mesas e computadores nas redações foi tranquila, mas o mesmo não aconteceu na conduta e nos valores dos profissionais formados na tradição do papel e nos que chegaram ao jornalismo pela internet.
Mesmo nos jornais norte-americanos, que foram os pioneiros na fusão de redações, as diferenças culturais entre profissionais do impresso e do online não foram eliminadas enquanto os executivos continuam sem saber se abandonam de vez o sistema tradicional ou se insistem na combinação dos sistemas de produção de notícias. É o pior dilema de quem dirige um jornal, revista e agora também departamentos de jornalismo na televisão.
É neste contexto que surge a ideia do consultor e ex-professor da Universidade Harvard, Clark Gilbert, que propõe uma terceira via nesse processo de transição para o digital. Trata-se de uma espécie de grupo de “sábios” formado dentro de cada jornal ou revista, reunindo as cabeças mais antenadas tanto do impresso como do digital.
Gilbert definiu a missão do grupo como sendo a de “gerenciar o intercâmbio de capacidades”, preocupação que está sendo testada na prática na empresa Deseret,conforme o ex-professor de administração explicou na mais recente edição do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ, sigla em inglês para Internacional Symposium of Online Journalism), um evento anual do Centro Knight para Jornalismo nas Américas – realizado na Universidade do Texas, em Austin, entre os dias 19 e 20 de abril – e que é o mais concorrido fórum reunindo jornalistas, executivos e acadêmicos no âmbito da produção de notícias.
O dilema dos executivos da imprensa tradicional é que os jornais impressos continuam sendo a fonte principal de receita das empresas jornalísticas, embora quase todos eles já tenham percebido que o modelo de negócios que os sustentou durante as últimas décadas está com seus dias contados. Até agora quase todos os especialistas na indústria de jornais recomendavam a fusão como caminho mais adequado para a transição de modelos de negócio.
Clark Gilbert garante que o modelo impresso não deve ser abandonado totalmente porque ainda tem potencial econômico, embora ninguém possa mais pensar nos lucros de 20% a 25% ao ano, registrados no setor no até o fim do século passado. Também alega que os valores jornalísticos tradicionais como independência, objetividade, exatidão e relevância serão adaptados ao ambiente digital.
Num artigo publicado na Harvard Business Review, em dezembro de 2012 (ver aqui), Gilbert desaconselhou uma mudança radical porque os riscos ainda seriam muito grandes – como mostra o cada vez mais congestionado cemitério de empresas jornalísticas norte-americanas. Os empresários convencionais sabem que seu lucro cairá no futuro próximo, mas também já perceberam que a viabilidade financeira do jornalismo online ainda é uma grande incógnita.
A terceira via, em teste na empresa Deseret,baseada em Salt Lake City, um reduto mórmon nos Estados Unidos, parte do princípio de que um novo modelo de negócios para as empresas jornalísticas depende da transição cultural dentro das redações. Os profissionais do impresso têm um ritmo de trabalho, prioridades editoriais e regras bem diferentes do pessoal da área digital.
Há inúmeras questões em jogo. Desde a diferença de idades até o fato de que nas redações online a maioria dos programadores e designers não fizeram faculdade de jornalismo, sem falar no fato de que, na média, os profissionais do impresso ganham mais do que os mais jovens. Com tantas diferenças em jogo fica fácil deduzir que a convivência em redações integradas costuma ser bastante tumultuada.
Para Gilbert, um dos principais testes da eficiência do Comitê Gerenciador de Capacidades é a questão do relacionamento com as comunidades de leitores. O pessoal do impresso nunca teve um interesse especial pelos leitores, considerados um incomodo inevitável. Já a garotada (e alguns nem tão jovens) dão tanta importância ao diálogo com o público que muitas vezes se esquecem da notícia. 
No caso do site de noticias Deseret News, a função do comitê é convencer os profissionais oriundos do impresso de que a fidelidade do leitor é condição vital para a sobrevivência do negócio jornalístico e que este objetivo só pode ser alcançado por meio da valorização do diálogo e da participação dos leitores na agenda jornalística.
Mas será preciso mostrar também os profissionais online que a relação com o leitor não deve ser do tipo bate-papo, mas sim voltada para a inclusão do público no processo de coleta, verificação e disseminação de notícias.
Não há dúvida de que se trata de um esforço complexo, demorado e com resultados incertos. Será muito importante acompanhar a experiência do Deseret News dando especial atenção ao fato de que ela provavelmente apresentará mais erros do que acertos. Lidar com valores humanos é muito mais complicado e imprevisível do que trabalhar com softwares e equipamentos informáticos.
A proposta de Clark Gilbert pode não ser a sonhada solução para o dilema das empresas jornalísticas contemporâneas e seguramente não produzirá nenhum modelo revolucionário, mas pode funcionar como uma opção séria à alternativa tudo ou nada, enfrentada pela maior parte dos executivos da imprensa contemporânea.
Carlos Castilho
No Observatório da Imprensa
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Charge online - Bessinha - # 1773

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“Quero ver se acontece com tua família…”. Uma reflexão sobre Justiça, Direito e Estado

justica 
Em debates envolvendo direitos humanos, especialmente quando os humanos em questão são presidiários, rapidamente alguém esgrime a frase: “quero ver se acontecer com tua família…”. É uma expressão muito usada, por exemplo, em debates cotidianos sobre a pena de morte. Para os defensores desta máxima, tudo se passa como se ela fosse uma espécie de premissa fundadora da justiça. O complemento – nem sempre expresso – da frase é: (se acontecer com alguém da minha família)…tem que arrebentar e matar.
O uso da premissa ameaçadora “quero ver se acontecer com a tua família” apoia-se em sentimentos compreensíveis de raiva e vingança comuns em caso de violência. Ela é acompanhada, muitas vezes, por outra premissa, mais ameaçadora ainda, que consiste em invocar episódios particulares de violência extrema com requintes de crueldade para justificar teses gerais sobre o tratamento de presos. A maioria das pessoas tem hoje um integrante da família ou alguém próximo que foi vítima de um ato violento, seja um assalto, um roubo, um acidente causado por imprudência, um episódio de violência doméstica ou mesmo um assassinato. Estes casos particulares, porém, por mais dramáticos e dolorosos que sejam, não justificam a adoção da “justiça pelas próprias mãos”. Essa é uma das razões pelas quais existem coisas como o Direito, a Justiça e o Estado. Se quisermos abrir mão dessas instituições, por maiores que sejam suas imperfeições, em pouco tempo estaremos de quatro urrando nas matas.
A frequência no uso da expressão citada mostra como esses conceitos (Direito, Justiça e Estado) ainda são um tanto contra-intuitivos, ou seja, seu significado e suas implicações ainda escapam a muita gente. A construção desses conceitos e sua transformação em ordenamento jurídico e instituições levaram séculos e custaram muito sangue derramado. A instituição do conceito de Estado, em especial, exigiu algumas renúncias, entre elas, a de querer fazer justiça com as próprias mãos, ou de querer criar e legitimar normas e preceitos particulares a partir, por exemplo, do que ocorre com cada um de nós e suas respectivas famílias. A pretensão de fundar a Justiça e o Direito em apelos desta natureza significa, na verdade, a implosão desses conceitos, ou, pelo menos, de sua universalidade, o que, no frigir dos ovos, dá no mesmo.
É sintomático que esse tipo de expressão tenha ampla circulação no Brasil e seja geralmente apontado contra defensores dos direitos humanos, reduzidos então à categoria de “amigos de bandidos”. O Brasil, ao contrário do que certa historiografia tenta construir, foi construído na base de muita violência, racismo e desigualdade. A “cordialidade do brasileiro” é um mito. Milhões de índios foram massacrados, com requintes de violência. O Brasil foi um dos últimos países a abolir oficialmente a escravidão. Os resquícios desses episódios fundadores da nação brasileira estão aí para quem quiser ler, ver, ouvir e sentir.
Essa é uma das razões centrais pela qual os conceitos de Direito e Direitos Humanos precisam avançar no país, tanto do ponto de vista de sua efetivação como no de sua compreensão. Esta última, aliás, parece ser uma condição para a primeira. O problema do país não é, como disse recentemente um editorial do jornal Zero Hora, a existência de um excesso de direitos e uma escassez de deveres.
Esse chavão é uma expressão típica da cultura da Casa Grande que está impregnada na nossa cultura. Não há país que tenha perecido por algo como “excesso de direitos”. O reconhecimento de novos direitos é uma conquista civilizatória. Acenar com um suposto desequilíbrio na balança Direitos-Deveres é um velho artifício retórico que mal consegue disfarçar seu mal-estar com a consolidação de certos direitos. Isso aparece, mais uma vez, hoje, nos debates sobre direitos trabalhistas de empregadas domésticas, reconhecimento de territórios quilombolas e sobre o casamento gay, apenas para citar três exemplos. Aliás, esse artifício costuma dar as caras no debate público justamente quando ele versa sobre o reconhecimento de direitos.
Esse mal-estar evidencia que nossa sociedade está fundada em uma cultura de violência, de aversão ao Direito, ao Estado e à Justiça como conceitos universais, de perpetuação da desigualdade e de práticas discriminatórias variadas. Todo esse caldo de cultura indigesto é retroalimentado diariamente pelos meios de comunicação que, ao mesmo tempo, bebem dele e o vitaminam com falácias, preconceitos e doses maciças de desinformação.
O debate sobre a situação dos presídios é paradigmático neste sentido. Merece registro a observação feita pelo ex-secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Luiz Fernando Zachia, ao relatar sua experiência no Presídio Central ao jornal Zero Hora (edição de 07/05/2013). Zachia foi um dos presos pela Polícia Federal na Operação Concutare, que investiga um esquema de fraudes ambientais no Estado. “Teve uma noite que dormi muito mal. Fui político, presidente da Assembleia, secretário de Estado, mas fiz muito pouco pela questão prisional. Os presos têm de pagar a conta, mas têm de ser reintegrados. Hoje, têm expectativa de vida zero. Isso me incomodou. Eu poderia ter ajudado, pelos cargos que ocupei”, afirmou.
Esse é um debate difícil, mas que precisa ser feito. Se a população carcerária não para de crescer e a sociedade não está disposta a considerar esse assunto como seu, então estamos diante de um grave problema, a saber, a constatação de uma sociedade doente que quer fechar os olhos para as enfermidades que a ameaçam. Em tempo: eu já perdi “alguém da minha família”, uma querida irmã no caso, vítima fatal de um motorista imprudente, para dizer o mínimo. Ele já foi julgado e condenado pela Justiça. As marcas dessa morte ficaram gravadas na alma e no corpo da família como se fossem feitas por ferro em brasa. Querer usar esse tipo de marca para justificar teses gerais sobre o mundo é simplesmente indecente.
Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Las intenciones encubiertas de Israel para atacar a Siria

Los bombardeos israelíes en territorio sirio: un acto "amistoso"
Los bombardeos israelíes en territorio sirio: un acto "amistoso"
Israel vuelve a atacar a Siria desde el aire. Se podría calificar este acto como una acción de apoyo a la oposición siria. Sin embargo, el papel y los intereses de Tel Aviv en el conflicto del país vecino son mucho más complicados de lo que pueda aparentar.
Una guerra no declarada
Aviones de Israel bombardearon el 3 y el 5 de mayo territorio sirio. Todavía no están claros los detalles de lo ocurrido. La información que divulgan en los medios los opositores sirios no resulta demasiado fiable: un ataque de 18 aparatos contra 48 objetivos sin ni siquiera entrar en el espacio aéreo de Siria no parece otra cosa que una exageración.
Israel no hizo comentarios a las especulaciones de la prensa occidental relativas a que el ataque apuntaba contra un convoy de misiles (Fateh 110) transportados a las milicias libanesas de Hezbolá desde Irán, que por su parte lo niega todo.
No es la primera agresión israelí contra el país vecino. Israel, según la televisión siria, lanzó misiles contra el centro de investigación Jamraya, que el pasado 30 de enero ya fue blanco de un ataque israelí, aunque otras fuentes informaron que en aquella ocasión se bombardeó un convoy con armas. Esta vez los medios aseguran que el ataque del viernes 3 de mayo, tenía como blanco un lote de misiles destinados para las milicias de Hezbolá, en el Líbano, mientras que dos días más tarde los aviones isralíes atacaron Jamraya, cerca de Damasco.
¿Es una guerra? ¿Intenta Israel asestar un golpe a traición a su antiguo enemigo? Es lo que parece. A primera vista.
Sin posibilidad de elegir
Lo más original del 'montaje' consiste en que Israel es casi el único país de la región, además de Irán, que no está interesada en la caída del régimen alauita de Asad. El mito de que Tel Aviv se desvive por hacerle alguna jugada sucia a Damasco es muy extendido, pero infundado.
Es verdad que el régimen sirio, aunque hostil, pero centralizado y laico, no le gusta nada a Israel. Pero la única alternativa a Bashar Asad es el caos, la guerra y la pérdida de cualquier control sobre la situación en el país, que se convertirá en el baluarte del extremismo islamista. La elección es nefasta pero evidente.
Tel Aviv está actuando de manera cínica pero a la vez racional: Siria en estos momentos representa para el gobierno israelí un estado desestructurado en cuyo territorio pasan cosas muy peligrosas para Israel.
Hasta hace poco Tel Aviv no se podía permitir bombardear cada convoy que transportase a través de Siria armas iraníes para Hezbolá. Pero el debilitamiento de Damasco hace posible la intervención de Israel, que se aprovecha para aumentar las presiones contra sus enemigos afincados en el país vecino desde mucho antes de aparecer la insurgencia actual. Una insurgencia que, por cierto, se va radicalizando cada vez más.
Por ejemplo, el Frente Al Nusra, uno de los grupos armados que lucha en Siria contra el régimen de Bashar Asad, en diciembre de 2012 fue incluida por Washington en su lista de organizaciones terroristas. La propia organización reconoce ser una rama de Al Qaeda y estar bajo la autoridad del sucesor de Bin Laden, Ayman Al Zawahiri.
La química política en Oriente Próximo
Un vivo ejemplo de lo que teme el gobierno israelí es la turbia historia del uso de armas químicas en Siria. Desde diciembre de 2012 se han multiplicado las denuncias tanto de los grupos opositores armados como del régimen de Bashar Asad sobre el uso de armas químicas por parte del bando contrario, pero sobre las cuales no se han recabado evidencias irrefutables.
Al principio los medios internacionales responsabilizaron de ello, naturalmente, al Gobierno sirio, pero ahora parece que no es tan simple.
La magistrada suiza Carla del Ponte, miembro de la comisión especial creada por Naciones Unidas para investigar los crímenes perpetrados durante la actual guerra civil en Siria, anunció recientemente que los grupos rebeldes sirios podrían haber usado armas químicas.
"Disponemos de testimonios sobre la utilización de armas químicas en particular de gas sarín. No por parte del Gobierno, sino de los opositores", dijo Del Ponte, quien también actuó como fiscal en los tribunales internacionales para la antigua Yugoslavia y Ruanda. Al mismo tiempo manifestó que no se ha podido demostrar el uso de este tipo de armas por el gobierno del país árabe.
Occidente difícilmente podrá pasar por lo alto estas declaraciones, convirtiéndose el conflicto en Siria en una mezcla explosiva. Por un lado están las revoluciones árabes y la democracia, por el otro, el radicalismo islamista y sus consecuencias que los estadounidenses sienten en su propio pellejo. Tras las explosiones en Boston los medios de EEUU no tardaron en vincular los atentados con el conflicto sirio.
Todo ello se agrava por las cada vez más limitadas posibilidades de Washington de intervenir en la situación en Siria y la cada vez más intensa actividad islamista en Qatar y Arabia Saudita.
Enemigos a la vez que aliados
Dadas las circunstancias ¿qué le queda al Gobierno israelí? Al norte de los Altos del Golán, en un país hostil pero previsible, está gestándose algo muy sospechoso. Si llega a extenderse por todo el territorio de Siria, éste se convertirá en un territorio fuera de la ley y del control.
Es más, en parte ya lo es, lo cual queda demostrado por el uso de armas químicas por parte de los insurgentes. Mientras tanto, el gas sarín (que proviene seguramente de los arsenales de armas sirios saqueados) es una substancia extremadamente tóxica, incluso en pequeñas dosis, y es considerado como un arma de destrucción masiva desde 1991 por Naciones Unidas.
Esta situación en ajedrez se llama Zugzwang (literalmente en alemán “obligación de mover”), cuando cualquier movimiento provoca empeorar la posición del jugador. El principal interés de Tel Aviv es debilitar al máximo el régimen de Asad pero al mismo tiempo no permitir que se derrumbe y pierda el control sobre Siria.
Entonces, los alauitas del país árabe serán más dóciles y se concentrarán en sus problemas internos dejando de intervenir, en particular, en la política interior de Líbano y, posiblemente, de apoyar a Hizbulá que molesta bastante a los israelíes.
Sin embargo, Tel Aviv no puede apoyar abiertamente a Bashar Asad, lo único que puede hacer aprovechando la debilidad actual de su régimen es intentar cazar a los activistas de la organización islamista libanesa que trafiquen con armas en el territorio del país vecino. Y a todos los que muestren interés hacia los arsenales sirios.
Recientemente los islamistas del Sahel crearon un antecedente muy peligroso armándose por el saqueo de Libia con arsenales de armas gracias al caos que acompañó la caída de Gadafi. Si algo similar sucede en Oriente Próximo, las consecuencias serán impredecibles.
Damasco, por su parte, es consciente que en esta situación no es capaz de responder ante los ataques israelíes. Tampoco le conviene ya que esto no mejoraría las posiciones del régimen ni le ayudaría a luchar contra la insurgencia sunita. Pero el Gobierno sirio no está dispuesto a reconocerlo para no perder el resto del prestigio ante los ojos de los ciudadanos.
Konstantín Bogdánov
No RIA Novosti
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Extermínio e tortura tiveram aval dos presidentes militares

Paulo Sérgio Pinheiro, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, afirmou estar surpreso com os documentos e informações que revelam a participação da cúpula do regime: 'A estrutura do aparelho de repressão vinha desde as alturas do poder até os executantes'
Autoridade com assento na ONU e coordenador da Comissão Nacional da Verdade, o cientista político e professor da USP Paulo Sérgio Pinheiro, em entrevista exclusiva ao iG, se diz surpreso com os documentos e informações que revelam a participação dos presidentes militares nas ações que resultaram na tortura, extermínio e ocultação dos corpos de militantes de organizações armadas que enfrentaram a ditadura.
Ao contrário da história oficial, segundo ele, a máquina repressiva não funcionou descolada do Palácio do Planalto. À exceção de Castelo Branco e de João Batista Figueiredo, todos os outros generais que se revezaram no poder sabiam e ordenaram os horrores dos anos de chumbo.
“A estrutura do aparelho de repressão vinha desde as alturas do poder até os executantes”, afirma Pinheiro. O extermínio de militantes e o aniquilamento das organizações foi, segundo ele, uma opção da cúpula do regime militar.
A Comissão aguarda apenas a conclusão da autópsia dos restos de João Goulart para revelar que o presidente golpeado em 1964 teria morrido, em 1976, na Argentina, em decorrência de envenenamento, e não de ataque cardíaco, como consta no atestado de óbito.
Pinheiro diz que são normais as críticas de familiares sobre a lentidão das investigações, mas garante que a CNV vai apontar o paradeiro dos corpos de militantes de esquerda desaparecidos.
Serão esclarecidos também os casos de 20 brasileiros exilados na Argentina. Nesse grupo se encontra o pianista Francisco Tenório Júnior, o Tenorinho, sequestrado em 1976, a poucos metros do hotel onde se encontravam seus companheiros de excursão, Vinicius de Morais e Toquinho.
A Comissão já listou, segundo o coordenador, 250 agentes da repressão envolvidos em tortura e mortes. Eles serão chamados a depor. Caso não atendam a intimação, serão levados à força pela Polícia Federal e ainda responderão na Justiça por desobediência. A máquina envolvida diretamente nos 437 casos de mortos e desaparecidos tinha cerca de 1.500 militares e policiais.
As investigações apontam que o Judiciário brasileiro aderiu “gostosamente” ao arbítrio, sem que fosse necessário alterar ou criar legislação de exceção. “Dá para contar nos dedos das mãos os (juízes) que resistiram”, cutuca o cientista.
A CNV também já tem indícios de que várias empresas e instituições financeiras de peso na economia financiaram a repressão que aniquilou as organizações de esquerda.
Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, as Forças Armadas estão colaborando com as investigações, mas, apesar do contínuo avanço da democracia, não há ainda garantia de que o País esteja livre de novas aventuras militares golpistas.
“O antídoto é a democracia e o bom funcionamento das instituições”, diz Pinheiro. O relatório, segundo o coordenador, vai propor a revisão na Lei da Anistia.
No iG
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O Pensamento de Eça de Queirós

 
Política de Interesse
Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)
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Xaropadas barbosianas de Roberto Damatta

O antropólogo do Instituto Milenium afirma que Joaquim Barbosa
ganharia “com certeza” no primeiro turno as
eleições presidenciais de 2014. E votaria nele.
Se havia alguma dúvida sobre a aliança espúria entre o STF e a mídia, um texto publicado hoje no jornal da maior empresa de mídia no país esclareceu tudo.
“Joaquim Barbosa seria meu candidato definitivo à presidência da república e estou certo que ele venceria no primeiro turno”, afirmou hoje, em sua coluna semanal, o antropólogo Roberto Damatta.
Repare bem a convicção! “Estou certo que ele venceria no primeiro turno”. No primeiro turno! O artigo revela bem a triste patologia golpista do conservadorismo brasileiro. Porque golpista? Admito que o termo golpista permite interpretações bem diversas. Para a direita, a esquerda é golpista. Para a esquerda, é a direita. No entanto, vejamos quem é o candidato que, segundo o colunista do Globo, “venceria no primeiro turno”. É um político? Pertence a partido? É ligado a alguma legenda? Expressa claramente suas opiniões políticas ou ideológicas? A resposta para todas as questões é: NÃO!
A asserção de Damatta flerta com uma gravíssima ilegalidade, ao sugerir que Barbosa, representante máximo do Judiciário, ambiciona controlar também o Executivo. Juízes estão proibidos, constitucionalmente, de fazer política partidária, de maneira que a declaração de voto em Barbosa, por parte de um antropólogo erudito, é, para dizer o mínimo, de um mau gosto atroz  e desastrado.
O pior mesmo é o “eu tenho certeza”, que revela apenas a  arrogância sem limites, à beira da esquizofrenia, de quem vê o jardim que descortina da janela da Casa Grande como se contemplasse o mundo inteiro.
Esses não são os únicos problemas do texto. Ele é um amontoado de – como diria Manoel de Barros – “ignoranças” sobre política, ideologia e história.
Concordo que não devemos tratar a dicotomia “direita” X “esquerda” com um viés maniqueísta. Suponho que há canalhas de esquerda e pessoas íntegras na direita. Alguns diriam que, se a pessoa é canalha, é porque, na verdade, não é de esquerda, e que se é de direita, também não pode ser tão legal assim. Não vou entrar nesse tipo de juízo.
Entretanto, quando se observa a dialética ideológica no mundo hoje, não estamos avaliando a integridade ou valor subjetivo de ninguém, mas apenas constatando a permanência de um conflito muito natural entre o trabalho e o capital, que atravessa a história da humanidade desde seus primórdios. Os termos “esquerda” e “direita” nasceram no âmbito da revolução francesa, mas as lutas sociais vêm de muito mais longe.
O renomado historiador francês León Homo, que escreveu um dos maiores clássicos sobre Roma antiga, “Les Instituitons politiques romaines”, uma obra profundamente documentada e filiada aos critérios mais rígidos da tradição historiográfica europeia, não hesita em dividir as facções políticas da república romana em “esquerda” e “direita”. De fato, ao se estudar a realidade daqueles tempos, não é difícil constatar que a classe dos nobres, dos aristocratas, o partido dos “optimates”, representava a direita romana; plebeus, estrangeiros, trabalhadores, o partido dos “populares”, correspondiam à esquerda. Havia pessoas boas e más em ambos os lados. A esquerda vivia infestada de traidores, oportunistas, corruptos, espertalhões. A direita sofria com seus ambiciosos, ególatras, corruptos. Entretanto, mesmo com os problemas de cada lado, o partido popular, a esquerda romana, é que representava a maioria (outra característica da esquerda), e a sua evolução significou a modernização democrática da civilização romana. Não fossem as espetaculares vitórias plebeias, Roma jamais teria chegado onde chegou: seria consumida muito antes disso, de dentro. Foram as conquistas trabalhistas e políticas plebeias que injetaram orgulho e autoestima no povo romano. Foi assim na França napoleônica e foi assim nos Estados Unidos. Sem conquistas sociais, trabalhistas, políticas, por parte de sua classe trabalhadora, nenhum país consegue olhar a si mesmo com a dignidade necessária, não consegue ser um país de verdade, permanece apenas um casual aglomerado geográfico na periferia do mundo.
Damatta fala que a “esquerda tem sofrido de estadofilia, estadomania e estadolatria. Daí a sua alergia a tudo que chega da sociedade e de seus cidadãos”.
Pelo amor de Deus, quanta besteira! A esquerda quase sempre esteve afastada do poder, no Brasil. Suas forças se desenvolveram no chão, na terra, longe das benesses, das mordomias, do Estado e sua clientela. Quem sempre sofreu de estadomania é a direita brasileira, tradicionalmente dependente do Estado. Tanto é que, fora do Estado, não consegue mais ganhar eleições, porque jamais aprendeu a botar a mão na massa.
Agora, é evidente que a esquerda tem uma visão de Estado bem diferente. A esquerda é o partido, em suma, dos pobres. Sim, porque a direita brasileira, diferente de suas primas no primeiro mundo (que tem um discurso nacionalista e, em alguns casos, trabalhista), é fundamentalmente antipobre e antinacional. Os pobres precisam muito mais do Estado do que os ricos.
Mas Damatta é um grande hipócrita. O jornal para o qual ele escreve recebeu R$ 6 bilhões do governo federal apenas nos últimos 10 anos. Acabamos de saber que o STF pagou a passagem de repórter do Globo para acompanhá-lo à Costa Rica. Agora faça um exercício de imaginação e tente adivinhar quanto dinheiro as organizações Globo já ganharam do Estado nos últimos 50 anos? E a esquerda é que sofre de estadofilia?
Quando o Brasil convivia com juros estratosféricos, o Estado permitia que a direita rentista ganhasse bilhões de dólares por dia, sem trabalhar, sem fazer nada, mas é a esquerda, segundo Damatta, que  sofre de “estadolatria”…
O antropólogo acusa a esquerda de querer um “Estado forte”, como se isso fosse algo errado. Na verdade, queremos um Estado justo para um país que pretende se desenvolver. Compare o tamanho do Estado brasileiro, em arrecadação fiscal per capita, em número de funcionários por 100 habitantes, com os países desenvolvidos, e verá que temos um Estado pequeno, insuficiente, pobre.
Sem contar que Damatta repete, qual papagaio terceiromundista, a grande mentira americana contra o tamanho do Estado: os EUA tem um Estado gigantesco, encarnado num aparato militar monstruoso. O Estado americano, com suas armas de destruição em massa, com seus aparelhos de repressão doméstica e externa, com seus serviços secretos e seus gastos trilionários com guerras, não é um “Estado forte”?
Pior, Damatta envereda para o golpismo quando usa a sua coluna do Globo para fazer proselitismo político com a imagem do presidente do STF, Joaquim Barbosa. Toda aquela história de separação de poderes, de Montesquieu, de democracia, vai pro ralo quando ele confere a um membro do judiciário o poder de governar o Brasil. Sim, é o que ele faz, simbolicamente, ao dizer que votaria em Barbosa e que este ganharia as eleições no primeiro turno. Damatta chancela a não-política, e sacrifica a democracia brasileira no altar sagrado de um STF submisso ao Globo. O círculo se fecha. O Globo desqualifica a política e o congresso; exalta e glorifica o STF,  sobretudo os juízes que seguem a sua cartilha.  E daí se empolga e quer ver o presidente do STF como presidente da República!
A promiscuidade do STF com a Globo atingiu as raias do insuportável. O ex-presidente do STF, Ayres Brito, não esperou um dia:  assim que saiu do STF correu para assinar o prefácio do livro de Merval Pereira sobre o mensalão – não teve nem a decência de aguardar o processo terminar; participa regularmente dos programas da Globonews; e pleiteia, com ajuda global, uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Joaquim Barbosa foi o grande campeão do prêmio Faz Diferença, promovido pela Globo. Logo depois correu para os EUA para receber outro prêmio, de outra publicação direitista, a revista Time. Ele e o cozinheiro Atala. Quando Lula ganhou o prêmio e saiu na capa da Time, a mídia esnobou e procurou diminuir. Agora não. Barbosa viajou aos EUA para receber o prêmio da Time com passagens e hotel pagos pelo contribuinte.
Vejam só. Barbosa reclama (com razão) de juízes que produzem eventos em ressortes com patrocínio de empresas, mas ele faz pior. Esses eventos podem ser pouco éticos, mas pelo menos geram empregos no Brasil e tem patrocínio privado. Barbosa vai aos EUA, promover uma revista conservadora norte-americana, hospedar-se em hoteis estrangeiros, gerando empregos lá fora, com dinheiro público. E tudo para ganhar um prêmio que vai para subcelebridades e cozinheiros (com todo o respeito aos cozinheiros!).
Esse é o candidato à presidente da república no qual Damatta votaria. No artigo, o articulista faz uma tremenda confusão conceitual, sempre para justificar seu próprio conservadorismo. Além de, naturalmente, festejar a Ação Penal 470, sem sequer esconder a ideologia “justiceira” que lhe serviu de base. Os réus do mensalão não foram condenados porque cometeram os crimes dos quais foram acusados, mas porque a esqueerda “revelou-se incapaz de honrar com os papeis sociais cabíveis na administração pública e dizer não aos seus projetos autoritários”. Que significa isso? A linguagem remete aos articulistas do tempo do império, mas o sentido é sinistramente claro. Não se culpam os réus, a culpa é da esquerda! Toda a tradição do direito moderno, de que a culpa de um crime é uma responsabilidade absolutamente individual, vai por água a abaixo, e a Damatta tenta criminalizar genericamente todo um espectro ideológico em função dos supostos crimes.
Vivemos tempos sombrios, em que poderosos atores políticos tentam a todo custo levar a luta para fora do ringue democrático, onde a disputa se vence pelo debate, na sociedade, no parlamento, nas urnas. Os velhos setores do golpismo querem travar a luta exclusivamente em seus órgãos de comunicação e no judiciário. E num gesto de comovente amor pela democracia montesquiana, querem fazer do presidente do STF o presidente da República!
Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Após dar surra no São Paulo, Atlético-MG é enquadrado na lei Maria da Penha

Agressores dão risada e debocham da vitima (FOTO: Ney Franco)
Agressores dão risada e debocham da vitima 
(FOTO: Ney Franco)
Covardia: assim a redação do Olé do Brasil e os amantes do esporte definem o que ocorreu no estádio Independência, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. O Atlético-MG surrou, espancou, chutou, amassou e humilhou o São Paulo, de forma bruta, absolutamente covarde. Após a partida, o presidente do Galo, Alexandre Kalil, foi notificado pela polícia que o clube foi enquadrado na Lei Maria da Penha:
“Todo mundo viu como o São Paulo apanhou e a lei existe para proteger o direito feminino. Além disso, foi ao vivo e em público, o que agrava demais o caso.”, disse com pompa Felipe Nis, advogado do clube tricolor paulista.
A equipe investigativa do Olé do Brasil, melhor portal de notícias esportivas do país, descobriu que o caso é grave e já há um histórico de acusações contra o Galo em Minas Gerais. Segundo o delegado de polícia, Heloíso Antonelli, o time mineiro carrega um histórico de violação da Lei Maria da Penha.
“Vira e mexe o Galo aparece aqui e bate nas Marias. Não tem jeito, eles gostam. Tem vez que as Marias lutam, mas na maioria das vezes acaba apanhando mesmo. É uma pena”, disse o delegado Heloíso.
Para piorar, pelo fato de o São Paulo ter levado de 4, o Atlético pode ser indiciado por estupro.
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