16 de abr de 2013

Henrique Capriles, o mau perdedor

Latuff
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Os funerais de uma desalmada

“Ela foi uma mulher perversa”, disse o eminente parlamentar George Galloway, o mais corajoso homem de esquerda da Grã Bretanha da atualidade, ao protestar contra a falácia da tentativa de glorificação de Margaret Thatcher pelo governo conservador.
“Nós estamos gastando 10 milhões de libras na canonização dessa mulher malvada, dessa mulher que arrasou a indústria britânica, da Escócia, no Norte, ao País de Gales, no Sul. A comparação com Churchill é rematado absurdo. Ele salvou a real existência de nosso país, enquanto Thatcher fez tudo o que pôde para acabar com 1/3 de nossa produção manufatureira e reduzir-nos ao que somos hoje”.
Os protestos populares da noite do último sábado, contra mais cortes no orçamento social britânico (que se iniciaram nos anos 80, com Margaret Thatcher) foram marcados pelas manifestações de júbilo pela morte da Dama de Ferro, que já se encontrava exilada de sua mente, acometida da doença de Alzheimer. Enquanto mantinha plena consciência de seus atos, planejou seus funerais com toda a pompa desejada: honras militares e cerimônia religiosa na Catedral de São Paulo – homenagens que não se prestaram à Rainha Mãe, quando de sua morte, em 2002.
Os cartazes exibidos pelos trabalhadores nas ruas de Londres foram impiedosos na expressão de sua revolta contra a única mulher, até agora, a chefiar o poder executivo de um país anglo – saxão.
No mesmo tom de Galloway manifestou-se Lord Prescott, que foi vice-primeiro ministro de Tony Blair: “Ela só defendeu os multimilionários, os banqueiros, os privilegiados. Nunca mostrou a menor compaixão pelos doentes, necessitados e desesperados”.
Prescott foi o primeiro a denunciar a pompa fúnebre, e sugeriu que apenas os multimilionários beneficiados por Thatcher contribuíssem para o enterro.
O consulado tirânico de Thatcher, com suas conseqüências abomináveis para os povos do mundo, deixa lições que não podem ser esquecidas. A primeira delas é a de que as massas, sem uma vanguarda política, e, assim, sem consciência social, são facilmente manobradas pelos líderes carismáticos da direita – ou de uma falsa esquerda.
Ela, como Hitler, nunca enganou. Desde os seus primeiros passos na política, mostrou logo a que vinha. Como funcionária do primeiro escalão do Ministério da Educação, no governo Heath, mandou cortar a ração diária de leite fornecida às crianças das escolas públicas, como medida de economia, com o argumento de que os pais podiam dar-lhes o leite em casa. Diante dos protestos – os trabalhistas vaiavam-na aos gritos de “Thatcher ladra de leite!” – ela decidiu que as cantinas escolares distribuiriam 1/3 de copo de leite a cada criança, a fim de “evitar sua desnutrição”.
O corolário de sua estranha teoria política se resume em poucas palavras: não há sociedade; há indivíduos. Cabe a cada indivíduo buscar o seu bem-estar, sem nada pedir ao Estado. Em suma: se o Estado não protege os fracos, ele só existe para garantir os fortes. Abole-se, desta forma, o princípio imemorial da solidariedade tribal, assumida pelo Estado, que garantiu a sobrevivência da espécie.
A segunda lição é a de que a mobilização política é sempre mais poderosa do que os atos de violência, quando há ainda espaço para essa conduta.
Em 1983, quando terminaria o seu mandato, com a renovação da Câmara dos Comuns, um fato inesperado serviu para que, ganhando o pleito para os conservadores, permanecesse no poder: a insensatez de Galtieri em invadir as Malvinas, sem dispor de poder militar para isso, nem do necessário suporte diplomático. E o atentado do IRA, no ano seguinte, que visava mata-la, em um hotel de Brighton, e que fez cinco vítimas, consolidou seu poder.
O atentado pode ser explicado pela brutalidade da repressão contra os militantes irlandeses, prisioneiros em Ulster. O líder Bobby Sands e vários outros iniciaram uma greve de fome que terminou com a sua morte e a de nove de seus companheiros.
A contra-revolução mundial de Mme. Thatcher contra os direitos do homem continua, na brutal insolência do neoliberalismo, sob o comando do Clube de Bilderberg e dos grandes bancos mundiais.
Em todos os paises do mundo, principalmente na Europa, os pobres estão morrendo, por falta de empregos, de hospitais, de teto, de vontade de viver. Há endemia de suicídios, principalmente nos países meridionais. Thatcher morreu, mas Ângela Merkel está aí, para defender as suas idéias.
 
Um cartaz impiedoso, exibido sábado à noite em Londres expressa o sentimento dos ofendidos e humilhados pelas “reformas” de Thatcher: “The bitch is dead” – a cadela morreu. Seus filhotes, no entanto, se multiplicam no mundo.
Se a Humanidade quiser sobreviver com a dignidade construída pela razão, e não se entregar a uma tirania universal, terá que reagir com a mobilização política dos cidadãos organizada em torno de iniciativas concretas que restabeleçam os direitos previstos nas leis que pretendiam assegurar, em todo o mundo, o Estado de bem estar social, antes que seja muito tarde.
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Raimundo Pereira: "José Dirceu é inocente"

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Em entrevista a Renato Dias, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, criador do Movimento e hoje dono da revista Retrato do Brasil, explica por que, na sua visão, o ex-ministro da Casa Civil está sendo injustiçado; segundo ele, houve uma interpretação oportunista da teoria de Domínio do Fato pelo STF; "Do que ele é acusado na AP 470, de comandar uma quadrilha que desviou dinheiro público para comprar deputados, eu não tenho dúvidas de que ele é inocente"; Raimundo Pereira diz ainda que não houve pagamento mensal a deputados da base aliada, garante a inexistência de dinheiro público nas movimentações e confirma Caixa 2
Renato Dias, do Diário da Manhã
No 247
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Esperando a verdade

http://www.investigacoesfilosoficas.com/wp-content/uploads/comiss%C3%A3o-da-verdade-dois-lados.png 
Desde o início, as suspeitas em relação à possibilidade de bom funcionamento da Comissão da Verdade eram muitas. Número reduzido de membros, tempo escasso, foco amplo: esses eram apenas alguns dos problemas levantados por vários críticos. Hoje, parece claro que as críticas não estavam erradas.
Com sete membros, mas funcionando realmente com cinco, a comissão sente a falta de mais participantes. Um ano depois de sua instalação, amplos setores da sociedade civil ainda esperam o acesso às informações que poderiam fornecer uma história mais honesta dos atentados contra a humanidade e do governo criminoso instaurado no Brasil durante 20 anos.
A comissão mostrou, por exemplo, como a presença de empresários em locais de tortura era uma constante. Mas queremos uma visão clara de como funcionava o aparato civil-militar na ditadura. Quais foram as empresas que financiaram a Operação Bandeirantes, responsável por alguns dos crimes mais brutais da ditadura? Até onde foi a participação das empresas na formação do aparato repressivo?
Vimos também quão plausível é a possibilidade de presidentes como João Goulart e Juscelino Kubitschek terem sido assassinados pela Ope- ração Condor. Seria a primeira vez na história do Brasil que descobriríamos governos que tramaram a morte de ex-presidentes. Mas qual foi a verdadeira participação do Brasil nessa internacional do terror? Como se deu a linha de comando?
Responder a tais questões tem razões muito claras. O Supremo Tribunal Federal tentou quebrar o trabalho da Justiça de transição no Brasil ao impedir que a Lei da Anistia deixasse de encobrir torturas, assassinatos, estupros e ocultação de cadáveres, perpetrados por agentes do Estado. O trabalho da Comissão da Verdade, no entanto, seria fundamental para os grupos de direitos humanos leva- rem o Brasil para as cortes internacionais, assim como para forçar o Estado brasileiro a fazer um verdadeiro de- ver de memória.
Nesse aspecto, é bom lembrar como a memória dos que lutaram contra a ditadura é cotidianamente insultada, enquanto o Estado permitir a existência de monumentos, logradouros, estradas e cidades que homenageiam ditadores e criminosos. É ainda pior quando livros de história para nossos alunos apresentam páginas a respeito da "revolução" de 1964.
A revelação constante de fatos pela Comissão da Verdade, em vez da proposta incompreensível de deixar tudo para um relatório final, seria importante por alimentar a mobilização e aumentar a pressão social contra a letargia do Estado brasileiro em respeitar sua própria história.
Vladimir Safatle
No fAlha
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Inflação é psicossocial

http://www.rondoniavip.com.br/arquivo/cache/2013/04/10/imagem/tomate-vale-ouro-oposicao-protesta-contra-inflacao-com-carrinhos-de-compra-na-camara542x304_40191aicitonp17nrafbgbt8s4t51hht83me11.jpg
Oposição babaca; sem discurso, apela para fazer papel ridículo
 Vamos combinar uma coisa. A inflação está caindo. Mesmo o tomate veio abaixo. A previsão do Bradesco é que no fim de 2013 ela fique em 5,4%. Uma queda de 1,1 ponto percentual em relação a hoje. Mesmo o estouro da meta, já disse aqui, equivale a 0,09%.
Vamos ver outros números. A China cresceu 7,7% menos do que o esperado. A recuperação americana está abaixo do esperado. A Europa é um pesadelo sem luz à vista.
A economia brasileira deve crescer em 2013, mas todas as projeções pioram. Quem falava em 4% ameaça falar em 3,5%. Quem falava em 3,5% agora fala em 3%. E assim por diante.
Neste cenário, nenhum economista com consciência poderia receitar uma elevação nos juros com a finalidade de recuperar a economia. Está na cara que a coisa só pode piorar.
Mas o coro a favor da elevação dos juros é real e não diminuiu.
Sua causa não é econômica. É psicossocial. Explico. Num país onde o rentismo sofreu um duro golpe com uma redução drástica iniciada pelo Banco Central em agosto de 2011, ele agora quer sua revanche.
Todos concordam que a inflação está em queda e é bom que seja assim para garantir uma recuperação, mesmo que ela seja mais lenta do que o previsto.
O argumento é que muitos empresários se queixam de uma questão comportamental. Dizem que o governo precisa dar uma prova de que realmente não quer deixar a inflação subir e que isso implica em mexer no juro.
É economia? Não, meus amigos. É política.
Elevar os juros agora implica em aceitar duas consequências. A recuperação irá se tornar mais cara. Logo, mais difícil.
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Vídeo revela prisão de neonazista que publicou foto ‘enforcando mendigo’

Vídeo mostra prisão de neonazista investigado por agredir gays e negros. Em seu perfil do Facebook, Donato divulga várias imagens em que faz apologia ao nazismo
A Guarda Municipal de Americana, cidade do interior de São Paulo, divulgou um vídeo que mostra o exato momento da prisão do neonazista que causou polêmica em Belo Horizonte ao divulgar uma foto no Facebook na qual aparece agredindo um morador de rua negro na Savassi. Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos, foi detido na tarde de domingo (14) ao chegar na rodoviária do município onde mora sua namorada.
Na filmagem, o neonazista aparece sendo abordado logo após sair de um ônibus. Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais foram até o interior de São Paulo para prender o jovem. Ele chegava de uma viagem à Capital paulista. Com Donato, foram encontradas duas facas, um facão e um soco inglês. A namorada dele também foi levada para a delegacia. Ela prestou depoimento e foi liberada.
Donato já está em Belo Horizonte e ficará detido durante pelo menos 30 dias. A prisão preventiva do jovem foi determinada pela Justiça durante o fim de semana. Ele será indiciado por apologia ao crime, com os agravantes de racismo e nazismo, e formação de quadrilha. Durante a última semana, a Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos começou a investigar atuação de grupo neonazista de BH nas redes sociais. Outras três pessoas foram presas na Capital mineira.
O grupo prega intolerância e ataca moradores de rua, usuários de drogas, homossexuais, punks, skatistas e negros. Donato já responde a dois processos por agredir gays em Belo Horizonte.
donato mauro nazista
Donato se diverte ‘enforcando’ mendigo em imagem divulgada na sua página pessoal do Facebook. Jovem é acusado por agressões a negros e gays (Foto: Facebook)
O caso ganhou destaque na mídia mineira após Donato compartilhar um texto que surgiu de uma apuração do Centro de Mídia Independente (CMI) e da coluna do historiador Matheus Machado, que escreve para o portal Bhaz. Na ocasião, o neonazista criticava o estudante de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gabriel Spínola. Nos comentários em seu perfil, ele dizia que conhecia o jovem e insinuava que o trote na instituição de ensino teria desencadeado investigações contra o grupo do qual faz parte.
No perfil de Antônio Donato, que foi deletado logo após a repercussão do caso, havia várias fotos de apologia ao nazismo, incluindo imagens de uma criança com acessórios que fazem referência ao regime.
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Capriles es responsable de muerte de dirigente

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Twitter de Nelson Bocaranda desata violencia contra CDI y médicos cubanos

El Tweet escrito por el periodista generó ataques simultáneos contra los centros de salud / Tareck 
El Aissami refutó la actitud de Capriles Radonski al no reconocer los votos
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Un mensaje Tweet del periodista Nelsón Bocaranda en el que dijo que en el Centro de Diagnóstico Integral (CDI) de La Paz en el estado Zulia, estaban escondiendo actas de votación, desató los ataques contra diversas instalaciones de ese tipo en todo el país, denunció el gobernador del estado Aragua, Tareck El Aissamí, en el programa “La Hojilla”, que transmite Venezolana de Televisión.
“Informan que en el CDI de La Paz en Gallo Verde, Maracaibo, hay urnas electorales escondidas y los cubanos de allí no las dejan sacar”, redactó Bocaranda en Twitter.
Poco después de su mensaje, comenzaron ataques simultáneos en varias partes del país contra este logro de la Revolución Bolivariana que forma parte de la Misión Barrio Adentro.
Bocaranda borró ese mensaje, pero ya el moderador del espacio televisivo, Mario Silva, le había hecho una captura de imagen.
Aissamí rechazó que Capriles no asuma la derrota con dignidad. “Ellos tienen las actas, máquina por máquina y mesa por mesa y saben cuáles son los resultados”, expresó.
Vicente Díaz tiene las actas de votación, los testigos del comando de la derecha tienen las actas de votación y saben que están derrotados, por eso Vicente Díaz dijo lo que dijo”, amplió.
Finalmente aseguró que en Venezuela hay un Golpe de Estado en marcha por lo que llamó a estar alerta a las instituciones del Estado y al pueblo.
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Ola de violencia caprilista causa daños a centros de salud y vías publicas

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“No es quemando casas de partidos, no es agrediendo a médicos cubanos, no es trancando e impidiendo el libre tránsito de centenares de venezolanos y caraqueños que ayer sufrieron los embates de esta arremetida fascistas”.
Así manifestó este martes el canciller de la Republica, Elías Jaua, quien se pronunció sobre los actos violentos y desestabilización que realizó el candidato de la MUD, Henrique Capriles Radonski, al llamar a sus seguidores a salir a la calle para protestar en contra de la proclamación del Presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro.
Durante su reunión con embajadores de diferentes naciones, el ministro de para Relaciones Exteriores mostró un video de 7 minutos, donde se observan a seguidores de la oposición arremeter contra instituciones sociales y políticas, ubicadas en diferentes estados del país.
En las imágenes mostradas se puede visualizar la quema de un par de vehículos en la sede del Partido Socialista Unidos de Venezuela (Psuv) en Barinas y las agresiones que sufrieron las casas de esta misma organización en Táchira y Anzoátegui.
También la toma de vías públicas en el municipio Chacao en Caracas, donde manifestantes quemaron cauchos y lanzaron objetos contundentes contra los cuerpos de seguridad
"No queremos Cuba, queremos Venezuela", gritaban los manifestantes que expresaron en distintos escenarios muestras de xenofobia; y que luego tomaron las inmediaciones del distribuidor Altamira para quemar basura en las calles.
Jaua alertó que existen sectores vinculados a la delincuencia que fueron contratados por dirigentes de la derecha para acometer estas acciones de violencia.
"Hago la diferencia porque hay militantes de organizaciones fascistas, especialmente de jóvenes vinculados a las universidades privadas que se han organizado para la violencia", aclaró, "pero también se contratan a sectores vinculados a la delincuencia criminal para promover las desordenes y disturbios".
Denunció que en el estado Carabobo estos grupos fascistas cercaron durante casi toda la noche el Centro Médico Integral (CDI) del Remanso, deteniendo adentro a médicos cubanos y venezolanos que laboran allí y también hicieron destrozos a instalaciones del Centro Médico Integral La Trigaleña, donde resultaron detenidos de forma preventiva 63 personas.
Explicó que el suceso más grave se produjo en la urbanización la Limonera, en Baruta, estado Miranda, donde falleció por arma de fuego José Luis Ponce de 45 años y resultó gravemente lesionada durante un incidente que ocurrió a las 9:00 de la noche Rosiris Reyes, de 44 años, quien está recluida en el hospital Domingo Luciani en El Llanito.
"En una entrevista sostenida con la ciudadana Eloisa Guevara y familiares, manifestaron que se encontraban en la entrada de la urbanización, gritando consignas a favor del triunfo del presidente Nicolás Maduro, cuando pasó una caravana opositora y se efectuaron disparos", relató Jaua.
"¿Cuál es el pecado de este compañero que murió y la señora que resultó herida?", preguntó Jaua, "que el presidente Chávez construyó un urbanismo para los más pobres en una zona del este de Caracas, donde los sectores sociales pudientes creen que es un privilegio territorial de ellos, exclusivamente, de vivir en esa zona. Por eso se desató el odio contra esa comunidad, porque son pobres y viven en Baruta", exclamó.
También denunció la ausencia de cualquier actividad de prevención para prevenir estas acciones violentas por parte de los cuerpos policiales del estado Miranda y de la alcaldía de Baruta.
Desde la Cancillería, Jaua invitó a sectores opositores a formar parte de una Venezuela sin violencia y con tolerancia.
“A esos venezolanos que, oponiéndose a la revolución bolivariana, quieren vivir en paz y en democracia los llamamos a que con su opinión, con su firmeza y con su conciencia nos ayuden a derrotar, en el marco de la Constitución y la ley, a los violentos”, enfatizó.
Asimismo, indicó a simpatizantes de la oposición a llamar a su dirigente principal Capriles Radonsky a la mesura. “ustedes pueden, ustedes votaron por él. Así como votaron por él pueden exigirle, que cesen los llamados a la violencia y a la desestabilización del país, destacó.
No VTV
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Venezuela: a direita ataca nas ruas

Barricada erguida por partidários de Capriles: democratas?
Interessa aos partidários de Henrique Capriles criar um clima de confrontação. Para os chavistas, o melhor seria aguentar provocações, sem permitir que a situação desande para a confrontação nas ruas. É isso o que me explica, por telefone, um amigo que conhece muito bem a Venezuela e o chavismo.
Acontece que falta combinar com os russos! Nas últimas horas, chegam notícias preocupantes sobre a beligerância na Venezuela. Tanto é que o próprio presidente decidiu falar claramente: prepara-se um Golpe de Estado no país, como em 2002.
Alguns dados:
- na noite de segunda para terça, a turma de Capriles atacou carros e prédios do Governo de Barinas (Estado onde nasceu Hugo Chavez);
- cercou casas de autoridades, ateando fogo em algumas delas;
- atacou centros de saúde onde se concentram médicos cubanos;
- cercou a sede da VTV e da TeleSur – duas emissoras simpáticas ao chavismo;
- atacou integrantes da Guarda Nacional que faziam segurança no bairro nobre de Altamira (Caracas), dominado por antichavistas.
A impressão é de uma ação coordenada da direita.
Os chavistas, há pouco, decidiram ir para as ruas, defender a sede da TeleSur e outros pontos estratégicos sob ataque da direita venezuelana. A tensão é enorme, e no momento em que escrevo os ataques de parte a parte tornam-se ainda mais violentos também nas redes sociais – inclusive com ameaças de morte contra um apresentador de TV chavista.
Dias antes da eleição, o governo da Venezuela prendeu mercenários colombianos e salvadorenhos, que haviam entrado no país com armas e explosivos. As pistas indicam que os “rapazes” da CIA podem estar atuando na terra de Bolívar.
Capriles não reconhece o governo eleito de Nicolás Maduro. Com a votação obtida (49% dos votos), ele poderia perfeitamente comandar uma oposição institucional, elegendo mais parlamentares no próximo pleito, e preparando-se para derrotar Maduro mais à frente – no voto.
Mas o núcleo duro de Capriles parece ter escolhido o atalho do golpismo. Foi esse o caminho adotado em 2002 – quando derrubaram Chavez e colocaram no poder (por dois dias) Pedro Carmona – um líder empresarial que foi prontamente reconhecido como presidente pelo governo dos Estados Unidos (sem falar na imprensa brasileira, que comemorou o golpe).
O DNA golpista parece atuar de novo. A turma de Capriles passou anos falando em riscos para a liberdade de imprensa, sob Chavez. E agora, cerca emissoras de TV. Passou anos defendendo a “volta à normalidade democrática”, e agora aposta na instabilidade.
Não é exagero imaginar que, mantido o clima de confrontação que se vê hoje, a Venezuela possa caminhar para Guerra Civil. Seria mais um país rico em petróleo a enfrentar a instabilidade fomentada por Washigton.
Os chavistas cometeram erros nos últimos anos. Há muito o que se criticar na administração que agora está sob o comando de Maduro. Mas do outro lado há o fantasma de uma direita que parece não ter aprendido nada com a história.
O Brasil precisa agir, rapidamente. Não podemos aceitar a desestabilização de um país membro da UNASUL e do Mercosul. Os Estados Unidos e a extrema-direita venezuelana (não falo da direita civilizada, democrática, que tem todo direito de se opor ao chavismo, pela via institucional) vão cometer um grave erro, se apostarem que a Venezuela vai cair feito o Paraguai ou Honduras.
Maduro falou claramente: prepara-se um golpe de Estado na Venezuela. Maduro não é Chavez. Mas a multidão chavista tem força para resistir. E as Forças Armadas, ao contrário de 2002, estão livres dos golpistas.
Os próximos dias serão decisivos. Se Capriles não fizer um chamado consistente para a calma e a ordem, as consequeências podem ser dramáticas não só para a Venezuela, mas para toda a América do Sul.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Violencia opositora deja cuatro muertos en Venezuela

venezuela violencia 
Al menos cuatro personas murieron este lunes en Venezuela debido a la violencia desatada por la oposición que no reconoce los resultados de las elecciones celebradas el pasado domingo 14 de abril, en la cual resultó electo el candidato socialista Nicolás Maduro con más del 50 por ciento de los votos.
En la ciudad capital, una persona fue asesinada y otra resultó herida cuando un grupo de opositores antichavistas abrieron fuego contra simpatizantes del presidente Nicolás Maduro, quienes se encontraban celebrando en la urbanización La Limonera, en el municipio Baruta, al sureste de Caracas.
El corresponsal de teleSUR en la nación suramericana, William Parra, entrevistó a algunos testigos presenciales del suceso, quienes denunciaron que motorizados y sujetos con capuchas cubriendo su rostro los atacaron con armas de fuego.
Dos personas habrían sido también asesinadas en El Valle por un grupo de motorizados opositores, según se denunció en el programa La Hojilla de VTV. En el hecho resultó herido Emir Fernández, camarógrafo de la unidad de Barrio TV de El Valle y trabajador de Radio Alí Primera de la localidad.
Fernández recibió un tiro en la clavícula pero fue prontamente trasladado a un centro asistencial y se encuentra fuera de peligro.
Otro partidario del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) fue asesinado la noche del lunes en las adyacencias de la sede del Consejo Nacional Electoral de la ciudad de Maracaibo, en el estado Zulia (oeste).
Según testigos, en medio de las protestas de los opositores que solicitan el reconteo de todos los votos de los comicios de este domingo, se registró un tiroteo en el que resultó fallecido un joven de 24 años que trabajaba en el departamento de mantenimiento del Hospital Universitario de Maracaibo y era miembro del PSUV.
El ministro de Comunicación e Información, Ernesto Villegas, indicó la noche del lunes que el Gobierno Nacional responsabiliza al candidato perdedor de la derecha, Henrique Capriles “por los destrozos que se han venido sucediendo y por cualquier otro escenario de violencia que puede presentarse en el país”.
Desde el Cuartel de la Montaña, tras la reunión del Comando Antigolpe, el ministro Villegas reiteró el llamado a la oposición para que acepten la voluntad popular expresada a través del voto y destalló que se han producidos destrozos en diversos Centros de Diagnóstico Integral, casas del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) en varios estados del país y un mercado en la parroquia Coche, Caracas.
El Gobernador de Carabobo Francisco Amelilach denunció el ataque a numerosos CDI de la entidad así como el intento de quemar un grupo de Petrocasas.
Asimismo, se han registrado agresiones a medios de comunicación públicos, comunitarios y alternativos que conforman el Sistema Bolivariano de Información y Comunicación (SiBCI), como Venezolana de Televisión y Telesur.
No CubaDebate
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Quando envolve um correligionário, a fAlha faz isso aí, ó

Dona Judith Brito não brinca em serviço. Para proteger Carlinhos Cachoeira, o melhor amigo da Veja e do Policarpo junior, e também seus correligionários do PSDB, a Folha resume em dois parágrafos envergonhados a participação escabrosa no maior escândalo de corrupção que este Brasil já teve. Como se sabe, Carlinhos Cachoeira faz parte de um grupo seleto por onde transitam Gilmar Mendes, Demóstenes Torres, Policarpo Junior. Tudo gente boa…

CASO CACHOEIRA

Conselho de Ética vai analisar pedido de cassação de deputado
DE SÃO PAULO O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pautou para quarta-feira abertura do processo que analisará pedido de cassação do mandato do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).
A ação tem como base relatório do deputado Jerônimo Georgen (PP-RS) sobre a relação de Leréia com o empresário Carlinhos Cachoeira.
Leréia admitiu no ano passado ser amigo do empresário e foi flagrado numa escuta telefônica feita pela Polícia Federal pedindo dinheiro a um operador de Cachoeira.
A CPI criada no ano passado para investigar os negócios de Cachoeira e suas relações com políticos e empresários foi encerrada sem indiciar suspeitos. Se o pedido de cassação de Leréia for aprovado no conselho, ele ainda terá que passar pelo plenário da Câmara.
No Ficha Corrida
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Corpo amputado querendo se recompor

Era pancada pra todo lado. Estava diante de um corredor polonês. Batiam com ódio, sem dó, nem piedade. E com gosto. Eu não os via. O capuz só me permitia ouvir os gritos de raiva. Comunista filho da puta! A cobra vai fumar! Eu sabia: caiu, o pau come. Eu caíra nas malhas da repressão. Existisse inferno, era ali. Agora, seria eu e eles, não havia choro, nem vela. Ou agüentava ou agüentava: não havia outra opção. O corredor polonês era só aperitivo, nem me incomodava, embora doesse pra burro, murros, pontapés, e ao final o corpo estava quase anestesiado. Fosse só isso e nada tirariam de mim, nada. Podia morrer na porrada com certa tranqüilidade. Mas, sabia que a tortura mesmo, vejam só que ironia, nem considerava aquilo tortura, a tortura mesmo viria logo em seguida, eu já esperava, e aí a coisa iria engrossar, teria que me preparar para o pior. E nos minutos da surra no corredor polonês eu tentava me fortalecer para o que viria a seguir…
Procuradoria volta a denunciar torturadores
Rostos de militantes desaparecidos durante a ditadura.
Foto: Agência Brasil
Renato Afonso de Carvalho tinha apenas 21 anos naquele fevereiro de 1971, prestes a completar 22 anos no dia 12 de março. O corredor polonês dava-se no quartel da Barão de Mesquita, centro conhecido de torturas no Rio de Janeiro, onde o filho chorava e a mãe não via. Militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Renato Afonso tinha certeza de que jamais esqueceria o ano de 1970. Estar ali na Barão de Mesquita lhe era particularmente penoso. Sabia que ali fora morto Mário Alves, empalado, no início de 1970,  principal dirigente do BR, como se denominava o PCBR nos círculos de esquerda. Baiano, comunista desde a juventude, dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por longo período, ao lado de Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender, entre outros, Mário Alves funda o PCBR, em abril de 1968. A perda do dirigente Alves foi profundamente sentida por todos os militantes do BR.
Quando senti a angústia do pau-de-arara, a força tenebrosa dos choques, o terror do afogamento, pensei em Mário Alves. Todos nós, quando caíamos, militantes do BR, tínhamos a pretensão de apenas dar o nosso nome, revelar nossa condição de militante comunista, e nada mais dizer. Como fizera Mário Alves, trucidado, morto da forma mais covarde por aqueles filhos-da-puta. E esta foi a minha primeira atitude. Nessa etapa da tortura, me desculpem falar assim, sentia saudades do corredor polonês. Ali, ao menos, você não está inteiramente imobilizado, nem está nu, nem está de cabeça pra baixo, nem está sentindo aqueles choques que penetram não o corpo, mas a alma, os choques trespassam a alma, sacodem sua existência mais íntima, que quem nunca passou por isso jamais há de imaginar o que se sente. E os torturadores iam num crescendo, sem contemplação. Pareciam enlouquecidos. Não sei se simulavam ou se sentiam ódio mesmo. Parecia que a tortura lhes dava um estranho prazer.
O ano de 1970 seria de fato um ano para nunca ser esquecido. Com a linha militarista adotada pelo Comitê Central do BR, cujo principal dirigente era Mário Alves e que segundo Renato Afonso, defendia aquela linha, a repressão cresce violentamente para cima do partido. O BR, sob o cerco intenso da ditadura, paradoxalmente, só fez aprofundar a concepção militarista, abandona a política, e planeja ações armadas. Pensou em várias delas em Salvador, na Bahia, onde Renato nasceu e desenvolveu sua militância.
Em maio daquele ano, o partido assalta o Banco da Bahia, na Liberdade, que se não chegou a ser um fracasso completo, foi uma ação bastante limitada: a polícia chegou no decorrer do assalto, um dos sacos de dinheiro ficou pelo meio da rua e, o que é pior, a partir daí a repressão começou a rastrear a presença do partido na capital baiana.
No final de outubro, prende Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes, no Dique do Tororó. Theodomiro reage e mata o sargento Walder Xavier de Lima. Vários outros militantes são presos, e Renato Afonso é encarregado, então, de retirar os militantes importantes que estavam em Salvador.
Eu fui pensar muito no que significava a tortura depois que saí da prisão. Ali, naquela situação-limite da existência, você está numa guerra, a quente, onde a morte súbita pode até ser bem-vinda.  Só que ela não vinha, e a tortura prosseguia, e meu corpo resistia, só experimenta a dor, e é o corpo que quase pede a você que dê um jeito de parar com aquilo, é a carne que grita, que clama ao espírito, e você ali, dividido, querendo resistir, e sentindo o grito, o clamor de seu corpo. Ainda tentei, já disse, manter a linha Mário Alves. Depois, tanta a violência, adotei outra estratégia e outra tática, é a guerra, não é? Há que se pensar em tática e estratégia. Pensei: o importante é não entregar ninguém – esta a estratégia. A tática seria confirmar o que eles evidentemente já sabiam, pois isso não traria quaisquer prejuízos a nenhum dos companheiros ou à organização. Agi assim no final daquelas infernais 48 horas quase ininterruptas de tortura na Barão de Mesquita.   
Renato começara cedo a militância e já em 1968 é recrutado pelo BR. Na Faculdade de Direito, entre aquelas tantas lutas do ano mágico de 68, participa da que tentou expulsar da escola três estudantes, que a maioria considerava agentes infiltrados, entre os quais o tenente da Polícia Militar da Bahia, Átila Brandão de Oliveira. Isso está registrado em documento do SNI, agência de Salvador, número 36/16, 12/2/1973, prontuário de Rosalindo de Souza, morto na guerrilha do Araguaia em outubro de 1973, e desaparecido politico. Em 1968, Rosalindo era o presidente do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, da Faculdade de Direito da UFBA, e principal liderança da luta para expulsar os três estudantes. Mais tarde, Renato Afonso vai se defrontar novamente com Átila Brandão de Oliveira, que irá torturá-lo pessoalmente.
A mudança de postura diante da tortura veio da compreensão de que ela era muito mais devastadora do que eu imaginava. Em alguns momentos, inclusive, perdi parcialmente a consciência. Ora, eu detinha informações essenciais: eu tinha o endereço, no Rio de Janeiro, dos companheiros do Comando Militar Nacional da organização, todos evidentemente previamente condenados à morte pela ditadura. Era uma informação que não poderia ser dada, qualquer que fosse a hipótese. Daí a minha escolha: em vez de apostar tudo num desafio, correndo o risco de não resistir e falar, adotei a tática de sondar o inimigo, invertendo o jogo, tirando dele as informações e passando a impressão de não ter resistido. Um jogo perigosíssimo, até porque realizado sob tortura.
No final de 1970, diante daquela conjuntura de várias prisões de vários militantes, Renato Afonso retira de Salvador os principais dirigentes do Comando Político Militar (CPM) que estavam em Salvador: Getúlio Cabral, Suzana Maranhão, José Adeildo, Fernando Sandália, Bruno Maranhão e Antônio Prestes de Paula, distribuindo-os entre Maceió, Propriá e Aracaju, zonas de recuo do BR. Quando volta, dá um jeito de guardar o que se chamava arsenal da organização: duas pequenas metralhadoras, algumas escopetas e pistolas. O arsenal foi bem guardado: Renato convence um desembargador que a casa dele era o melhor lugar para as armas. Lá, descansariam em sossego, ninguém desconfiaria. Prefere não revelar o nome. O desembargador já morreu, mas a família poderia não gostar. O arsenal nunca chegou a ser utilizado novamente e ninguém sabe do destino das armas.
A repressão intensificou o trabalho em Salvador, prendeu um militante do BR, Carlos Henrique Leal Nascimento, e este acabou entregando tudo sem tomar um tapa, segundo a informação de Renato Afonso. Carlos Henrique passa a colaborar com a repressão logo após a prisão de Theodomiro. É isso, na opinião de Renato Afonso, que explica o acompanhamento que a polícia passa a fazer de pessoas que não tinham antecedentes políticos, como Maria da Glória Midley (Goia), com quem Renato namorava então, e Roberto Albergaria, militante do movimento estudantil – as informações tinham sido dadas por Carlos Henrique. A repressão demorou a prendê-los porque eram o fio condutor que permitiria que Renato Afonso fosse alcançado, como foi, só que no Rio de Janeiro.
Essa estratégia e tática diante da tortura, num primeiro momento, provoca em mim um estranho sentimento de solidariedade: desejava ter morrido, ter acompanhado os companheiros que não haviam sobrevivido. Não era propriamente um sentimento de culpa, era mais um sentimento de corpo amputado que quer se recompor… Não foi tampouco por muito tempo que esse sentimento me acompanhou. A convivência com outros companheiros presos me ensinou duas coisas: que a tortura é algo absolutamente pessoal, que o comportamento sob a tortura é inteiramente seu, as escolhas são inteiramente suas, intransferíveis, e sob condições que só você conhece plenamente. Como diz o Ray Bradbury: “a morte é uma transação solitária”. E a convivência com os companheiros presos, em segundo lugar, me fez redescobrir a luta. Ela prosseguia, com outros parceiros, em outras condições, o que provoca em você uma espécie de reelaboração da militância revolucionária.  
Renato saiu de Salvador para o Rio de Janeiro. Ligou de lá para Goia, e combinaram como ela chegaria lá. O telefone dela estava grampeado. No Rio, prenderam-na ao chegar à Rodoviária – um agente a acompanhou no ônibus sem que ela soubesse –, ao próprio Renato e, também, Marco Antônio, irmão de Renato e militante do BR. Ela, também, foi muito torturada. Na Bahia, Roberto Albergaria foi preso, depois de levar Goia à Rodoviária.
Quando esteve preso no Campo dos Afonso, Renato insistia muito com um oficial para encontrar-se com o irmão, de quem ele não tinha notícias. O militar fez a seguinte proposta a Renato: trazer Marco Antônio à sua presença e ele, Renato, pediria ao irmão que dissesse tudo o que sabia. Renato concordou.
Quando se encontraram, tirados os capuzes, Renato percebeu que o irmão estava bem. O oficial então pediu a Renato que cumprisse o trato. Pois é, conversei com esse oficial, e expliquei a ele que você estava de férias no Rio, que não tinha nada a ver com a organização, mas ele não acreditou.   Tomou um murro tão forte, que foi ao chão.  E aí foi submetido a uma nova sessão de torturas, violenta. Tinham se sentido logrados.
Nessa noite, Renato Afonso viveu a experiência que antes só conhecera no cinema: a simulação de fuzilamento. Foi tirado da cela, de madrugada, encapuzado, levado para uma área que parecia externa, pelo frio intenso que sentia, amarrado num poste e induzido a achar que seria de fato fuzilado, que a vida terminaria ali, inclusive com o mis en scène do preparar, apontar… Confessa: diante de toda a simulação, o frio na espinha foi muito maior do que o frio que efetivamente fazia naquela área externa à cela.
Eles insistiam que insistiam, queriam mais e mais, além de minhas confirmações, e tome-lhe choque, tome-lhe pau-de-arara, tome-lhe afogamentos, tome-lhe pancadaria. Tinham consciência de minha estratégia e de minha tática. Desse caminho, eu estava disposto a não me afastar. E de repente, me tiraram do pau-de-arara, mandaram que eu vestisse a roupa, e me levaram de volta para a cela. Esmola quando é demais, o santo desconfia. Eu não entendi. Foi algo assim súbito. Como se tivesse vindo uma ordem de cima. E fora de fato isso: é que meu pai, Orlando Afonso de Carvalho, procurador de Justiça em Salvador, acionou seus contatos na Igreja Católica, e conseguiu com que o cardeal do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, viesse à Barão de Mesquita, falasse com o general, e pedisse a preservação da minha vida. A partir disso, não fui mais torturado, e tenho convicção de que se não fosse isso seria morto lá. 
Com a entrada em cena de dom Eugênio, fui transferido para Salvador. No Quartel dos Dendezeiros, da Polícia Militar, já recuperado, é que reapareceu o torturador Átila Brandão, o mesmo que os estudantes quiseram expulsar da universidade em 1968. Chegou ao quartel com uma equipe de tortura, Renato foi retirado de sua cela, e ele logo começou a comandar a pancadaria. Não contava com a chegada súbita da mãe de Renato, dona Yaiá (Maria Helena Rocha Afonso de Carvalho, que faleceu recentemente, com mais de 90 anos), que teve uma espécie de premonição de que o filho estava passando por alguma dificuldade e apareceu subitamente no quartel, que visitava constantemente, e foi direto para a sala onde o filho estava sendo torturado, como se soubesse exatamente o local. Não entrou, barrada pelo sentinela.
Mas, este avisou o oficial, que se retirou com a equipe que o acompanhava e com o pau-de-arara e outros equipamentos de tortura. Não gostou, se irritou, pois mal havia começado a sessão.  O antigo torturador hoje se autodenomina bispo de uma igreja que outros pastores batistas dizem que ele criou para si só próprio: Igreja Batista do Caminho das Árvores, em Salvador.
Todo militante, claro, quando das discussões políticas que fazíamos, já tinha ouvido falar de tortura, ouvira sobre os procedimentos dos torturadores e da interferência norte-americana. Foi possível pra mim constatar isso in loco: um instrutor americano ficava ao lado assim como  uma espécie de mestre de tortura, que dizia de que modo era melhor agir para tirar informações. E mais: durante a tortura um médico acompanhava tudo. Quando a barra pesava muito, quando meu corpo dava sinais de muito desgaste, de muita fraqueza, mandavam me descer do pau-de-arara, e ele me auscultava, olhava daqui, dali, e sempre dizia que tudo bem, eles podiam continuar, que eu estava bem pro pau, quase inacreditável. Era uma atividade metódica, planejada. Tenho convicção, no entanto, que com médico ou sem médico, eles acabariam por me matar, não fosse dom Eugênio.
Renato não foi mais torturado. Cumpriu pena na Penitenciária Lemos de Brito em Salvador. Hoje é professor de História em cursinhos pré-vestibulares. Marco Antônio morreu num assalto à sua casa, no Rio de Janeiro.
Emiliano José
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Por falar em assassinos impunes

 
Tudo leva a crer que o julgamento do Massacre do Carandiru terminará com a absolvição dos acusados. Torço para estar errado, mas não parece haver solidez técnica nas acusações, em particular a necessária “individualização da conduta”, por falta de provas periciais suficientes. Coisa antiga, armada para chegar a esse exato resultado, como todos já sabiam à época.
A imprensa tucana pavimenta o caminho ao politizar o assunto com suas espertas pesquisas de opinião, que repetem outros apelos oportunistas ao suposto clamor popular. Sempre com os avais daqueles “especialistas” que há pouco não faziam muita questão de rigores probatórios. É como se os veículos tentassem deixar os jurados à vontade para tomarem decisões indigestas, fornecendo-lhes o alívio de consciência que a absolvição de fuziladores costuma solicitar.
O dissimulado esforço pelo engavetamento da chacina vergonhosa remete à política local. A punição dos assassinos fardados poderia forçar a constatação de que seus herdeiros corporativos ainda estão em atividade, escrevendo com sangue inocente a história oficial da competência administrativa peessedebista. A Geraldo Alckmin nada interessa menos que uma gritaria de advogados e familiares dos réus lembrando que eles obedeceram a ordens superiores e que estas contaram pelo menos com a omissão da cúpula do governo estadual.
Mas existem outros embaraços no ar. Os elos do PSDB paulista com o quercismo são antigos, variados e amiúde comprometedores. Aqui eles se materializam no senador Aloysio Nunes Ferreira, vice-governador de Luiz Antônio Fleury na época do massacre. O então secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, é promotor do Ministério Público do Estado, em tese responsável por investigar denúncias contra a ruína administrativa demotucana que, como sabemos, tem sido um primor de lisura.
A ausência desses três personagens do banco dos réus e do noticiário sobre o julgamento antecipa o desfecho do novo teatro midiático.
Guilherme Scalzilli
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