6 de abr de 2013

Serra/Kassab: 8 anos de desprezo por São Paulo

 
Oito anos de consórcio Serra/Kassab na cidade de São Paulo e, só agora, com a administração Haddad, vem à luz o resultado dramático de um abandono apenas intuído.
Ele não explica sozinho a deriva em que se encontram os serviços e espaços públicos da cidade. Obra meticulosa e secular de elites predadoras.
Mas ajuda a entender por que motivo a Prefeitura se consolidou aos olhos da população como uma ferramenta irrelevante, incapaz de se contrapor à tragédia estrutural e ao desastre cotidiano.
O artigo do secretário de educação, Cesar Callegari, publicado na Folha, nesta 5ª feira, faz o balanço das causas profundas desse estado de espírito na área da educação.
É arrasador.
Acerta a administração Haddad se fizer disso um compromisso: expor em assembleias da cidadania, organizadas pelas administrações regionais, a radiografia objetiva do que significou, em cada serviço, e em cada bairro, a aplicação da ‘excelência administrativa' daqueles que, de forma recorrente, avocam-se a missão de submeter o país a um ‘choque de gestão'.
Somente a compreensão de suas causas pode desfazer o feitiço da tragédia. E abrir espaço, outra vez, a esperança engajada de uma cidadania, há muito alijada das decisões referentes ao seu destino e ao destino do seu lugar.
O desafio na área da educação, em pinceladas:
a) São Paulo ocupa o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação, medida pelo Ideb;
b) 28% das crianças paulistanas concluem o 1º ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados;
c) em 2012, a rede municipal contabilizou 903 mil faltas de professores desmotivados e doentes;
d) há 97 mil crianças na fila, sem creche ;
e) a construção de 88 escolas foi contratada ‘criativamente', sem terrenos;
f) 50 mil alunos ficaram sem livros didáticos este ano, que não foram solicitados ao MEC, ‘por um lapso' da administração anterior.
Engana-se quem atribuir esse saldo à força de uma inépcia especializada na área educacional.
Troque-se a escola pela a saúde.
Reafirma-se o mesmo padrão.
A seguir, alguns números pinçados também de uma reportagem da Folha, desta 5ª feira, que,por algum descuido da Secretaria de Redação, deixou de figurar na manchete da 1ª página:
a) a Prefeitura de SP pagou, em 2012, R$ 2,2 bilhões a entidades privadas de saúde, ‘sem fins lucrativos' - elogiadíssimas por Serra na disputa eleitoral contra Haddad;
b) 530.151 consultas deveriam ter sido realizadas por esse valor; mas apenas 347.454 foram de fato executadas;
c) não foi um ponto fora da curva: em 2011, as mesmas entidades deixariam de realizar 41% dos atendimentos previstos;
d) apesar disso, receberam integralmente os repasses estipulados nos dois anos. Sem ônus, sem fiscalização, sem inquérito, sem arguição pelo descalabro.
Qual é o nome disso?
Leia, a seguir, a íntegra dos dois artigos mencionados:
Heranças e desafios da educação paulistana
04/04/2013 - Folha de S.Paulo
Inútil a tentativa do ex-secretário Alexandre Schneider de, em artigo recente ("Sobre parcerias e lealdades", em 29/3), fabricar uma "vacina" tardia contra avaliações negativas dos problemas deixados por seus sete anos de gestão à frente da Educação no município de São Paulo.
A eleição já passou, a população já fez a sua avaliação e já elegeu o programa de metas educacionais do prefeito Fernando Haddad. São elas que nos animam e mobilizam. Já dedicamos muito tempo e energia para solucionar os problemas que encontramos. São imensos os desafios à nossa frente.
É inaceitável que São Paulo ocupe o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação medida pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). As crianças paulistanas não merecem e precisamos avançar.
Ano após ano, os alunos foram automaticamente aprovados. Mas 28% deles terminaram o primeiro ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados. Isso não é normal. Daí o nosso esforço para a Alfabetização na Idade Certa: todos lendo e escrevendo até os oito anos.
Educação com qualidade, sabemos, depende das condições em que se realiza o trabalho dos professores. Encontramos muitos deles adoecidos e desmotivados. Em 2012, houve 903 mil faltas por motivo de saúde -uma média de 15 dias por professor.
Foi necessário criar uma força-tarefa entre as secretarias de Educação, Saúde e Gestão, ouvir os sindicatos e passar a tratar desse problema com urgência. Estamos determinados a valorizar todos os educadores, apoiar o seu trabalho e investir na sua formação com a criação de 32 polos da Universidade Aberta do Brasil, em parceria com 22 das melhores universidades do país.
Herdamos, no dia 1º de janeiro de 2013, uma fila com 97 mil crianças à espera de vagas em creche. Fora as 1.600 que foram matriculadas em unidades que não estavam prontas. Um problemão. Nossa meta é zerar o deficit herdado e abrir ainda mais vagas, com a construção de 240 novas escolas, ampliação de convênios e estímulos para que as empresas atendam às necessidades educacionais dos filhos de seus empregados.
Estamos trabalhando muito para conseguir os terrenos para construir as 88 escolas que foram criativamente contratadas (sem terrenos) pela gestão anterior. Da mesma forma, estamos reduzindo os atrasos na entrega de material e uniforme causados por problemas havidos no ano passado.
É verdade que educação com qualidade se faz com cooperação e parcerias. Não continuaremos desprezando os apoios dos governos federal e estadual como vinha acontecendo. Eles são necessários.
Não "esqueceremos" de pedir livros didáticos ao MEC (Ministério da Educação) -lapso que prejudicou 50 mil alunos neste ano. Em dois meses, 312 de nossas escolas já se cadastraram nos programas de educação integral do MEC contra apenas 33 dos últimos quatro anos. Logo no primeiro mês, já obtivemos a liberação de R$ 20 milhões do governo estadual para a construção de novas creches.
A educação não pode ficar à mercê de diferenças político-partidárias. Portanto, tudo que foi produzido de bom nos últimos anos é tratado com o devido zelo à causa pública.
E tudo que mereça ser auditado, avaliado, mudado e melhorado será feito em respeito ao compromisso maior assumido com a população de São Paulo: fazer dela uma cidade educadora.
Cesar Callegari, 60, sociólogo, é secretário de Educação do município de São Paulo
* * *
Prefeitura paga entidades da saúde por consultas não feitas
04/04/2013 - Folha de S.Paulo
Entidades privadas contratadas pela prefeitura para agilizar o atendimento médico na cidade de São Paulo deixaram de fazer três em cada dez consultas com especialistas pelas quais foram pagas pelo poder público.
O dado consta de levantamento da Folha sobre prestações de contas feitas à prefeitura pelas OSs (Organizações Sociais), instituições sem fins lucrativos pagas para cuidar de unidades e complementar serviços de saúde.
As entidades deveriam ter realizado 530.151 consultas nos Ambulatórios Especialidade e nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) Especialidade em 2012. Mas apenas 347.454 foram feitas.
O cenário repete o que aconteceu em 2011, quando as entidades deixaram de realizar 41% dos atendimentos previstos. Nesses dois anos, elas receberam todos os repasses do município normalmente.
As instituições também não cumpriram os contratos dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial), onde são atendidos, por exemplo, dependentes de drogas que não conseguem ser internados.
Em 2012, só 35% desses atendimentos intensivos (com acompanhamento diário de pacientes) foram feitos.
Entidades privadas de saúde receberam no ano passado R$ 2,1 bilhões da prefeitura. Cerca de 72% das consultas da rede hoje são feitas por elas (ao menos 34% por OSs).
A falta de realização de consultas tem reflexo na fila de espera da saúde. Em dezembro passado, 800.224 pedidos médicos aguardavam na fila na rede inteira (não só nas unidades administradas por OSs). Desses, 311.627 eram com especialistas.
PACIENTES
São casos como o do pedreiro José Cândido da Silva, 54, que só conseguiu uma consulta com um cardiologista ontem, após dois meses de espera, e da doméstica Maria de Assis, 59, que aguarda há sete meses para ser atendida por um reumatologista.
"Tenho osteoporose, estou com dor. Fazia um acompanhamento com uma médica, que deixou de trabalhar aqui em setembro do ano passado e até hoje não foi substituída. Sem a consulta, não consigo o remédio", dizia Maria, ontem, na porta da AMA Especialidade Isolina Mazzei, na Vila Guilherme (zona norte).
Uma das justificativas das OSs para o não cumprimento dos contratos é a dificuldade em contratar especialistas.
O principal argumento da prefeitura para adotar o modelo era justamente a facilidade que elas teriam para isso, já que têm liberdade para pagar melhores salários.
A não realização de consultas não implica em desconto dos repasses feitos às OSs.
Mesmo deixando de fazer o atendimento, elas continuam a receber a mesma verba.
"Elas são remuneradas pela capacidade operacional que disponibilizam. É um sistema ineficiente", diz Mauricio Faria, conselheiro da área de saúde do TCM (Tribunal de Contas do Município).
Saul Leblon
No Carta Maior
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Los hijos de Uribe y dos familias de Brasil y México tienen cuentas en paraísos fiscales

Los hijos de Uribe y magnates de Brasil y México tienen cuentas en paraísos fiscales
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Steinbruch, à direita
No solo se han revelado escándalos de sobornos a altos funcionarios de Venezuela en el nuevo Offshoreleaks, la investigación de 2,5 millones de archivos sobre fondos ocultos en paraísos fiscales que ha elaborado el Consorcio Internacional de Periodistas de Investigación (ICIJ, según sus siglas en inglés). En la lista de inversores en esos escondites para ahorros fuera de control de las agencias tributarias y de las investigaciones contra la corrupción y el lavado de dinero también figuran los hijos del expresidente colombiano Álvaro Uribe y empresarios de México y Brasil.
Tomás y Jerónimo Uribe son accionistas de una firma creada en las Islas Vírgenes Británicas en 2008, Asia America Investment Corporation. Un abogado de ellos, Jaime Lombana, dijo que esa empresa fue formada con la idea de exportar artesanías colombianas, pero jamás comenzó la actividad. Lombana justificó su creación en esas islas, unos de los más de 80 paraísos fiscales en el mundo, por el hecho de que un socio de los Uribe vivía allí.
Los dos hermanos fueron acusados durante el Gobierno de su padre (2002-2010) de presunto tráfico de influencias en dos escándalos, uno de los cuales se trataba de la compra de tierras cuyo valor saltó por los aires después de su adquisición gracias a que las autoridades les aseguraron un estatus de libres de impuestos, según publicó la ICIJ a partir la investigación de 15 meses que hicieron 86 periodistas de 46 países. Los hijos de Uribe fueron absueltos en ambos casos, pero los fiscales han iniciado otras indagaciones sobre compras de tierras.
Entre las 13.000 personas implicadas en cuentas descubiertas por el Offshoreleaks aparecen los empresarios brasileños Clarice, Leo y Fabio Steinbruch. Pertenecen a unos de los clanes familiares más ricos del gigante sudamericano, dueños del banco Fibra y de las empresas siderúrgica CSN y textil Grupo Vicunha. En 2007 crearon Peak Management en las Islas Vírgenes Británicas. “Peak Management existe, está activa, ha sido declarada por sus dueños en los formularios impositivos y ante el Banco Central de Brasil como inversión en el exterior”, respondió Leo Steinbruch al ICIJ.
El mexicano Dionisio Garza Medina abrió una cuenta offshore en Singapur en 2005 a nombre de Vercors Private Limited. Pertenece a una de las familias propietarias de una de las principales compañías de México, la química Alfa, con intereses también en alimentos y telecomunicaciones. Garza Medina no respondió a las llamadas del ICIJ, pero un portavoz de Alfa declaró que se trata de un asunto privado de quien fuera consejero delegado de ese grupo y no un asunto corporativo.
No El País
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Acúmulo de equívocos

 
Fosse ainda vivo, o teórico da propaganda política e da publicidade comercial Edward Bernays franziria o cenho diante das invectivas bélico-nucleares do governo norte-coreano contra o norte-americano.
Por outro lado, as reações de Washington à mobilização gigante e à declaração de guerra do país fundado por Kim Il-sung e dirigido por seu neto Kim Jong-un revelam inegável preocupação com uma das nove nações nuclearizadas do planeta.
Jamais se chegou a um consenso sobre a origem da divisão da península coreana durante a Conferência de Potsdam (1945): partira de Stalin ou de Truman? Curiosa proposta essa, de criarem-se duas áreas de ocupação num país não beligerante.
Na prática, a divisão territorial de um povo muito antigo acoplada às explosões atômicas de Hiroshima e Nagasaki e às invasões soviéticas da Manchúria e do Japão marcaram o início da Guerra Fria. Na prática, convém repetir, porque a tomada de Berlim e a mentalidade antianarquista e anticomunista reinante nos EUA não devem ser esquecidas nessa ontologia guerreira de disputas ideológicas em aparência, conquanto intrinsecamente estratégicas.
Os EUA se empenhariam desastradamente em "não perder a China", conceito vezeiro no Departamento de Estado, de modo que os ocupantes designados teriam de ser implacáveis. Até 1948, data oficial da desocupação, registraram-se massacres de mais de 200 mil pessoas. Os massacres de esquerdistas e social-democratas, já empregando "mão de obra" nacional, estão inscritos como ultrajes históricos dos coreanos. Já da ocupação soviética ao norte comenta-se pouco, salvo quanto ao treinamento de tropas e entrega de equipamento militar.
Os norte-coreanos, e também multidões no mundo inteiro, forçoso reconhecê-lo, acham justo que, no processo de desenvolvimento nuclear, suas forças armadas contem com armas e explosivos originados em tais pesquisas.
Em outras palavras, como os cinco do Conselho de Segurança das Nações Unidas não puseram cobro ao aperfeiçoamento de seus artefatos nucleares, outros países asiáticos -Índia, Paquistão, Israel e RPDC (República Popular Democrática da Coreia)- decidiram adotá-los. Com a saída da última do TNP (Tratado de Não Proliferação) em 2006, nenhum deles se vê obrigado a proibir os engenhos, mas só um é sancionado, a Coreia do Norte.
O problema central da questão coreana é o da sua reunificação: duas ocupações depois de 1945, uma guerra em que pereceram 2,5 milhões de civis, um armistício com o sul que acaba de ser denunciado e uma fronteira tida como "desigual" pelo norte, na verdade, tornaram-se empecilhos menores que o causado pela falta de negociações de Pionguiangue (Pyongyang, em grafia prosódica inglesa) com Washington. Não que inexistam contatos.
Há, porém, equívocos, que se acumulam nas incursões diplomáticas que houveram. A militarista RPDC tem opositores em Washington, e não apenas nas hostes mais acirradamente anticomunistas dos republicanos: o Pentágono, eis aí.
Se a China é crescentemente visada e a Rússia passou a dispor de prioridades nas pranchetas de planejamento militar dos EUA, não é difícil inferir-se que o regime sem par da RPDC, verificando que é, mais que abandonado, acuado com severíssimas sanções das Nações Unidas, reage conforme suas prementes necessidades de fazer-se valer perante o mundo.
A questão coreana é um tema que merece mediações, envolvendo Washington principalmente, Moscou, Pequim, Seul e Tóquio. Por que não encarregar do assunto emissários especiais de países não nuclearizados e fora dos esquemas de alianças defensivas? Por que não um membro do mecanismo Brics?
Afinal, o vienense Edward Bernays precisa do seu merecido descanso, após 104 anos de existência.
Arnaldo Carrilho, consultor de negócios com o Oriente Médio e Ásia. Foi o primeiro embaixador do Brasil (2009-12) na Coreia do Norte
No fAlha

Veja também: Videoentrevista: Ex-embaixador do Brasil na Coréia do Norte
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Coreia do Norte sabe o que faz

 
Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo
Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.
Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.
O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.
A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.
Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.
Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.
O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.
Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.
No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.
Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.
Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.
Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.
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Estadão respira por aparelhos

E lá vai o Estadão ladeira abaixo...
Travestido de "novo projeto gráfico", o jornalão anunciou na sexta-feira o maior passaralho* dos últimos anos. Ninguém sabe ao certo, mas dizem que cerca de 40 jornalistas foram demitidos.
Na redação, segundo informaram colegas, o clima era de velório.
"Nunca tinha visto algo assim em todo esse tempo em que estou aqui", contou uma das sobreviventes da chacina.
"Me lembrou a Gazeta Mercantil", resumiu, lembrando outro massacre histórico sofrido pela categoria.
A rádio peão informa que o jornal teve de fazer um empréstimo bancário para pagar o salário do mês.
Dizem ainda que, nos últimos dois anos, a circulação caiu 30% e a publicidade segue igual caminho.
Na notícia em que explica as mudanças, o diretor-presidente do grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, dá uma informação preciosa:
"Nossas pesquisas confirmaram o que já vínhamos detectando: as pessoas querem mais eficiência no consumo da informação, sem abrir mão do aprofundamento e da análise."
Em outras palavras: as pesquisas mostraram que nem o leitor do Estadão conseguia mais ler o Estadão.
Noutro trecho da nota, Mesquita Neto indica qual será o futuro do jornalão:
"Estamos evoluindo com nosso portfólio de produtos e processos em direção a um mundo mais veloz, mais digital."
Ou seja: o Estadão demorou uns 20 anos para descobrir a internet!
O novo Estadão praticamente acabou com os cadernos, recuando para um modelo gráfico que havia abandonado no fim da década de 80, quando criou o Caderno de Economia.
A "cadernização", diziam na época, era mais confortável para o leitor, pois permitia, por exemplo, que numa família assinante do jornal, cada um escolhesse a sua seção preferida para ler sem incomodar os outros.
Hoje, o mesmo argumento é usado para juntar todas as editorias num mesmo caderno.
O jornal deixará também de fazer o chamado "2º clichê", rodada que vai para os locais mais próximos, com as notícias mais quentes.
Assim, sinaliza que não poupará a gráfica dos cortes.
No ano passado, o passaralho visitou o prédio do bairro do Limão pelo menos três vezes, abocanhando dezenas de jornalistas.
Por enquanto, não há notícias sobre a visita da sangrenta ave à concorrente Folha de S. Paulo.
Mas nenhum jornalista tem esperanças de que ela poupará os ocupantes do edifício da Barão de Limeira.
É só uma questão de tempo: o tempo necessário para que os frios números dos relatórios dos tecnocratas mostrem que um jornal que é feito por 100 jornalistas pode muito bem ser feito por 50.
Principalmente com a qualidade desses que existem por aí.
*Demissões, na gíria jornalística
No Crônicas do Motta
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Estado de Minas coloca sua sede à venda

Jornal mineiro busca comprador para o edifício onde está sua redação; é mais um capítulo da crise da mídia impressa...
A exemplo do que está ocorrendo com o Washington Post, que colocou à venda sua sede nos Estados Unidos, o Estado de Minas, mais tradicional jornal mineiro, também busca um comprador para o edifício onde está instalada sua redação.
Trata-se de um edifício na Avenida Getúlio Vargas, num dos pontos mais valorizados de Belo Horizonte. De acordo com fontes do mercado imobiliário local, o jornal, que pertence aos Diários Associados, estaria pedindo R$ 50 milhões, mas teria ofertas de, no máximo, R$ 30 milhões.
A venda da sede do Estado de Minas é mais um capítulo da crise da mídia impressa. Ontem, o jornal Estado de S. Paulo anunciou uma reestruturação editorial, com o fechamento de diversos cadernos e a demissão de vários jornalistas – 20 profissionais já foram cortados, mas as demissões podem chegar a 50.
Assim como o Estadão, o Estado de Minas também enfrenta custos crescentes, queda de circulação e diminuição da receita publicitária. A direção do grupo deve transferir a redação para a sede da TV Alterosa, retransmissora do SBT em Minas Gerais.
No Sintonia Fina

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George Galloway nos EUA (2005)

Muitos no Brasil questionaram quem é Galloway. Por esse motivo, dispomos um exemplar da sua atuação pelo mundo, neste caso dando uma sova nos senadores dos Estados Unidos.
George Galloway, um dos mais atuantes parlamentares da Grã-Bretanha, sempre foi alvo da mídia reacionária mundial, que vê nele, um representante das minorias oprimidas, dos povos de terceiro mundo, do ativismo político, e justamente por isso, considera-o como um dos principais opositores criticando-o ferozmente.
Mas quando se há espaço midiático, Galloway impressiona por sua contundência, altruísmo e inteligência, acabando com qualquer argumento mesquinho corporativista.
Nesse vídeo ele aparece como convidado no Senado estadunidense sobre uma CPI de proprinas ao Iraque, rebatendo de forma elegante, mas ácida, as acusações de seu principal rival nos EUA, dando-lhe uma grande lavada, que ficará gravada para sempre na infame história imperialista desse país.
No DocVerdade
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2001 - Uma Odisséia no Espaço

Por que “2001″ é um marco na história do cinema

Aproveitamos o aniversário de 45 anos do lançamento da maior obra de Stanley Kubrick para dizer o que torna esse filme tão especial.
2001 uma odisseia no espaço
Até hoje, o longa gera discussões e teorias sobre o seu final
A maior obra de um dos grandes gênios da história do cinema. Esse é 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, que hoje completa 45 anos desde seu lançamento.
O filme, que começou dividindo opiniões e crítica (como a maioria das produções de Kubrick em seu lançamento), acabou ganhando um status cult e, por fim, tornou-se a maior bilheteria de 1968 nos Estados Unidos.
Atualmente, é considerado o maior feito do diretor, tendo ficado em 6o lugar na lista dos 10 maiores filmes da história pela renomada revista Sight and Sound, do British Film Institute, e em 2o na lista feita pelos diretores, atrás apenas de Tokyo Story, de Yasujiro Ozu. Além disso, o longa é tido como o maior filme de ficção científica, influenciando posteriormente diretores como Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scott. O último, que dirigiu clássicos do sci-fi como Alien e Blade Runner, classificaria 2001 como “um filme impossível de ser batido, ironicamente matando o gênero de ficção científica, tornando-o obsoleto.”
Independentemente da polêmica e discussões que gera – e que acabam por só reafirmar sua grandeza –, levando alguns a o considerarem uma verdadeira obra prima e outros a o rotularem como chato e insosso, é inegável que o filme foi um divisor de águas na história do cinema. E, por isso, prestamos aqui nossa homenagem a seu aniversário de lançamento citando alguns dos pontos que tornam 2001: Uma Odisséia no Espaço o ícone revolucionário que é.
Linha narrativa
Diferentemente do que vemos na maioria dos filmes, 2001 não possui uma linha narrativa clara a ser seguida – na verdade, o filme é dividido em quatro sequências distintas com personagens diferentes em cada uma delas, que têm em comum apenas a presença de um misterioso monólito, que acaba se tornando o fio condutor da trama.
Outro aspecto inusitado é o fato de Kubrick ter optado pelo pouco uso de diálogo (no total, há 88 minutos do filme sem fala). Essa escolha se deu já que o diretor não queria que tudo fosse explicado, deixando o filme muito mais ambíguo. Kubrick queria que o filme fosse uma experiência principalmente visual, visceral e subjetiva e usou como principal influência na hora de arquitetar a estrutura da história A Odisseia, de Homero, pois acreditava que o mar representava para os gregos antigos o mesmo fascínio e mistério que o espaço representa para a nossa geração.
Música
Exatamente pelo fato do filme não ter muitos diálogos – e de grande parte deles serem banais, diga-se – a música teve um papel fundamental no filme. Destoando do que se é feito na maioria das vezes desde aquele tempo até hoje, Kubrick usou pouca trilha sonora original em 2001, dando destaque para músicas clássicas que dariam o tom épico que o filme merecia ter, como a valsa mais conhecida de Johann Strauss II, Danúbio Azul, e Assim Falou Zaratustra, poema sinfônico composto por Richard Strauss e inspirado no tratado filosófico de mesmo nome de Friedrich Nietzsche, que combinava com os temas do filme, principalmente a ideia do filósofo do Super-Homem, que aceita a natureza caótica da vida e do universo.
Efeitos Especiais
Visionário que era, Kubrick inovou na época nas formas de atingir visualmente os efeitos que queria, principalmente para simular o espaço. 2001 foi o primeiro filme a usar o efeito de projeção frontal para combinar uma ou mais imagens em um só frame; também construiu um centrifugador gigante abaixo do set para simular a falta de gravidade; e emprestou outras técnicas vindas da fotografia para poder produzir a psicodélica sequência final do filme.
Temas
Mas, acima de tudo, o que mais chama atenção em 2001 são seus temas. Kubrick, como na maioria de seus filmes, foi muito ousado nas discussões geradas durante a trama. O roteiro aborda profundamente temas como o início da civilização na seção inicial que apresenta uma briga por poder entre duas tribos de homens-macaco; inteligência artificial, com a participação de HAL 9000 (considerado o 13o maior vilão da história do cinema pela mesma revista Sight & Sound), computador que comanda a aeronave em uma missão secreta a Júpiter – e que, ironicamente, é o personagem que mais esboça sentimentos durante o filme; e vida alienígena de uma maneira bem densa – o diretor, junto com Athur C. Clarke, que colaborou no roteiro, chegou a consultar Carl Sagan para saber como seria a forma de vida extraterreste. Assim, o diretor fugiu dos clichês de aliens que lembram de alguma forma a aparência humana, chegando a um conceito mais amplo, transformando-os numa espécie de vida tão evoluída que se resumiria basicamente em uma forma de energia. Eles, inclusive, são apenas sugeridos graças à presença do monólito, que liga desde o começo da civilização até o presente.
Mas, mais do que isso, 2001 aborda a natureza humana e uma de suas essências: a busca pelo poder; o próprio salto no tempo que o filme dá de sua primeira sessão para a segunda só enfatiza que, por maior o avanço que a civilização tenha conseguido, a briga continua sendo a mesma.
O fim abstrato e ambíguo pode incomodar algumas pessoas, mas a intenção de 2001, como próprio Kubrick declarou, não era de trazer explicações, mas discussões – além de ser uma experiência altamente sensorial e subjetiva. Isso gera discussões e teorias que duram todos os 45 anos desde o lançamento do filme. O romance indica que o fim do longa seria o começo de uma nova era, mas não há certeza de que essa tenha sido a intenção do diretor inglês, que preferiu deixar as interpretações abertas ao público.
Mas o fato é que 2001 foi, no mínimo, um divisor de águas na história do cinema em termos narrativos e visuais. E isso, diferentemente do filme, não é passível de discussão.

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Diego Marques
No Diário do Centro do Mundo
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