4 de abr de 2013

Maconha incentiva a geração de neurônios e tem propriedades ansiolíticas e antidepressivas

 
Parece delírio, mas é a conclusão de uma pesquisa realizada por psiquiatras, neurologistas e biólogos das universidades de Saskatchewan (Canadá), Xian (China) e Maryland (EUA). Os resultados do estudo, em inglês e com ricas ilustrações, está disponível aqui.
Eis um trecho da introdução: “Nós demonstramos que, após um mês de tratamento continuado com HU210 [um canabinóide sintético], os ratos apresentaram aumento de neurônios recém-nascidos no hipocampo e reduções significativas nos comportamentos típicos de ansiedade e depressão. Assim, os canabinóides parecem ser as únicas drogas ilícitas cuja capacidade de aumentar a neurogênese no hipocampo está possivelmente ligada aos seus efeitos ansiolíticos e antidepressivos.”
A constatação acrescenta pouco aos muitos argumentos favoráveis à descriminalização da maconha, cujos benefícios medicinais já foram comprovados de diversas maneiras, inclusive pelo uso ancestral. Mas ajuda a afastar certas mistificações produzidas pelo poderoso lobby proibicionista brasileiro, ultimamente disposto a frear os avanços da sensatez que se multiplica no planeta. Se depender dessas forças do atraso, o país ficará isolado num arcaísmo jurídico próprio das sociedades mais obtusas e repressivas.
No Guilherme Scalzilli
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O deputado que fala com o Espírito Santo

Recife (PE) - O deputado ou pastor Marco Feliciano, todos sabem,  preside até agora, contra a grita geral do Brasil, a Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados. Resta saber como o deputado/pastor possui uma linha exclusiva, de ligação direta com o Espírito Santo. Em mais de uma oportunidade, ele aparece como o Ele maior, pois declara no púlpito, no microfone, diante da câmera ou da câmara, tanto faz, pois tudo é instrumento para a Sua voz, de feliz Feliciano: “pela primeira vez na história desse Brasil, um pastor cheio do Espírito Santo conquistou o espaço que até ontem era dominado por Satanás". É como se o deputado fosse o próprio Espírito Santo.
Não vem ao caso aqui lembrar os pecados de corrupção e de abuso de mandato cometidos por Feliciano, quando não está em uma das pessoas da Santíssima Trindade. Ou quando Lhes dá as costas, porque a ligação esteve interrompida. No momento, o que mais desperta a piedade, em toda a gente impura da terra, é o desequilíbrio  do deputado Marco Feliciano. Em uma entrevista, o divino pastor caído em desgraça para a maioria confessou:
“Eu sou filho de uma mulher que, por causa da pobreza... minha mãe houve um tempo na vida dela em que ela tinha uma pequena clínica de aborto. Uma clínica clandestina. Eu cresci no meio disso. Eu vi mulheres perderem os seus bebês assim e eu fiquei traumatizado por isso. Eu vi fetos serem arrancados de dentro de mulheres”.
A isso, respondeu a mãe do pecador que é Deus, dois dias depois, em reportagem da Folha de São Paulo: que o filho jamais viu um aborto feito por ela. Que na época, quando ela recebia adolescentes para lhes fazer abortos, Feliciano era um recém-nascido. Pois dona Lúcia Maria Feliciano, a mãe do homem que fala com o Espírito Santo, era então uma doméstica de 20 anos, mãe solteira de um filho pequeno, o próprio bebê Marco Feliciano.
Observe o leitor que o nobre deputado das duas uma: ou é um Ser Superdotado de visões anteriores à sua primeira consciência, ou se encontra muito fora do lugar na presidência da Comissão de Direitos Humanos. Com mais propriedade, deveria estar em uma comissão de outros direitos: dos superfariseus, dos guardiões dos templos antes de Cristo, ou numa hipótese mais caridosa, na comissão de frente dos pacientes que vagam insones em um sanatório. Por reconhecimento a todos os seus direitos, que Ele merece a cada entrevista que comete.
Sem prejuízo dos crimes contra os direitos das pessoas, Marco Feliciano tem se mostrado um caso de enlouquecimento em público. Na melhor das hipóteses, ele deveria estar na presidência de um sanatório de exclusões, onde não entrassem os pecadores mais equilibrados. A saber: na presidência de um hospício onde fossem barrados os homossexuais, os negros, os ateus, os socialistas, os democratas, as feministas, os jornalistas, os trabalhadores, os intelectuais, enfim, toda a mancha escura que nos dá prazer e orgulho de viver na terra.     
Com o seu louco fundamentalismo, na sua modalidade mais terrível, da que tem visões saneadoras, ele é a antipropaganda dos evangélicos, dos cristãos, e, acima de tudo, do  Congresso Nacional. No tempo da Comissão da Verdade, da recuperação do Brasil para  uma democracia que encare a memória, o louco deputado Marco Feliciano é mais que ridículo, é trágico e perigoso. Pois ele possui todas as características dos fascistas, que se exibem puros, falsos puros, religiosos, na verdade fariseus, enquanto excluem os homens sujos – todos os homens que não sejam conforme o seu credo.
Consultando a wikipédia, conhecemos algumas pérolas de Marco Feliciano:
"Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polemica (sic). Não sejam irresponsáveis twitters. A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas...
Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos...”  
Se um louco assim se diz repleto do Espírito Santo, penso que caberia processo de calúnia e difamação movido por todas as igrejas na terra. E nos céus,  quando por engano bater à porta de Deus, uma justa expulsão para o inferno ao lado.
Urariano Mota
No Direto da Redação
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Ao citar ditadura em discurso, Aécio fala em 'revolução de 64'

 
Em discurso no Congresso Paulista de municípios nesta quinta-feira, em Santos (SP), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tratou o golpe que instalou a ditadura militar no Brasil como 'revolução de 64'.
O termo é normalmente utilizado por militares que negam ter havido ditadura militar no país de 1964 a 1985.
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Pré-sal, Petrobras e o futuro do Brasil

Dizem que a Petrobras não terá condições de ser operadora única no pré-sal. É um claro sinal de miopia e defesa do interesse de poucos
Muito mais rápido do que outras experiências internacionais, o desenvolvimento da produção do pré-sal é a prova da pujança, capacidade operacional, experiência e liderança da Petrobras. Sete anos após a descoberta, já são extraídos mais de 300 mil barris/dia e ela terá sete novas unidades de produção ainda em 2013.
Até 2020, apenas nas áreas já concedidas e da cessão onerosa, serão 2,1 milhões de barris/dia -marca que já supera toda a produção nacional atual.
Só para comparar, para alcançar a marca dos 300 mil barris/dia, foram necessários 17 anos na porção americana do golfo do México e nove anos no mar do Norte.
Os números superlativos do pré-sal só foram possíveis graças à experiência acumulada pela Petrobras na bacia de Campos, pelo extensivo conhecimento geológico das nossas bacias sedimentares e pela sua capacidade de utilizar as mais avançadas soluções tecnológicas em situações tão difíceis como no pré-sal.
O desafio agora é desenvolver mais eficientemente a capacidade de produção, apropriar-se socialmente de seus benefícios, minimizar os impactos negativos e gerar fluxos que permitam criar mais empregos e estimular outras áreas da economia.
O investimento na cadeia produtiva de serviços, materiais e equipamentos de petróleo e derivados é parte fundamental para a expansão. Aí também o tamanho da Petrobras é fator decisivo.
Hoje praticamente tudo é desenvolvido no Brasil -reafirmando a indústria nacional- e não existe mais limites de tecnologia. A empresa está pronta e atuando na plenitude do que uma petrolífera pode fazer, sempre priorizando o Brasil: 98% dos investimentos e 95% da produção da companhia estão no país.
Somente a Petrobras pode apresentar um plano com a instalação de 38 plataformas de 2013 a 2020 e US$ 107 bilhões em desenvolvimento da produção. Só ela tem 69 sondas flutuantes de perfuração em operação para a construção e manutenção de seus poços.
Somente a Petrobras tem ainda força de trabalho treinada e capaz de dar respostas rápidas aos desafios do pré-sal. A empresa construiu nos últimos dez anos parcerias com mais de 120 universidades e centros de pesquisa no Brasil. Sem alta tecnologia -e uma rede com milhares de especialistas espalhada por todo o país-, não seria possível produzir com tamanha eficiência.
O novo marco regulatório também dá à Petrobras um papel estratégico fundamental: será a operadora única, investindo um mínimo de 30% dos novos campos do pré-sal e ficando responsável pela formulação dos projetos, gestão de implantação, operação dos empreendimentos e proposta de soluções técnicas.
Investimentos, conhecimento e capacidade produtiva que se traduzem em resultados financeiros para seus acionistas nos últimos dez anos. O valor de mercado da companhia, mesmo depois da crise global de 2008 e a queda do preço internacional do barril de petróleo, é hoje mais de dez vezes maior se comparado com 2003.
O marco regulatório também foi sábio na utilização das parcelas de lucro-óleo que o governo receberá com o modelo de partilha. Os recursos serão alocados em um fundo social que investirá em projetos nas áreas de educação, cultura, ciência e tecnologia e ambiente.
As novas regras foram aprovadas pelo Congresso depois de um amplo debate na sociedade. Foi objeto de grande resistência por parte daqueles que se beneficiavam do modelo das concessões. Agora esses interesses se reaglutinam e formam a base do ataque atual à empresa.
Dizem que a Petrobras não terá condições de ser operadora única no pré-sal. Querem desacreditar a liderança da companhia em conduzir o desenvolvimento da produção e fazem um feroz ataque político à companhia e à sua gestão nos últimos dez anos.
É um claro sinal de miopia e defesa do interesse de poucos. Além de negar a realidade, em uma falsa transmutação de uma empresa pujante em uma empresa em crise, colocam em segundo plano o potencial que os 30 bilhões de barris descobertos até aqui representam para nossa sociedade: a capacidade de ajudar na melhoria da vida do brasileiro, o que tanto incomoda a oposição e a coloca em alerta com a proximidade das eleições de 2014.
José Sérgio Gabrielli de Azevedo, 63, ex-presidente da Petrobras (2005-2012), é secretário de Planejamento da Bahia
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As outras sepulturas

Sempre é bom começar citando Hegel. Porque dá uma certa classe ao texto e porque, a partir de Hegel, você pode ir para qualquer lado, para a esquerda e ou para direita. Marx afiou suas teses criticando e às vezes assimilando Hegel, e Hegel, ao mesmo tempo em que sacudia o pensamento conservador europeu, era o exemplo mais acabado do que Marx abominava, o filósofo que explicava o mundo em vez de tentar mudá-lo.
Mas minha citação de Hegel não tem nada a ver com esta divisão, mesmo porque é uma que todo o mundo — a partir da redescoberta da peça no século 18 — endossaria. Hegel disse que a “Antígona” de Sófocles era o mais sublime produto da mente humana, e sua heroína a mais admirável personagem da História.
Escrita 400 anos antes de Cristo, a peça conta a história da filha de Édipo. Rei de Tebas, com a sua mulher (e mãe, lembra?) Jocasta. Antígona quer enterrar seu irmão, morto num ataque a Tebas, contrariando as ordens do rei Creonte, para quem o corpo do traidor, que permanecerá insepulto, pertence ao Estado, e não à sua família.
Antígona rouba o corpo do irmão para que sua alma, sem os ritos fúnebres, não se perca no mundo dos mortos, e o sepulta no meio da noite. Para punir sua desobediência, Creonte a condena a ser enterrada viva.
Muitos conflitos são desnudados na peça, mas o principal deles é entre o estado e o indivíduo, entre a lei fria e costumes antigos, entre o direito do soberano e o direito do sangue comum. O fascínio da peça para Hegel e outros tem muito a ver com o renascente interesse pela cultura grega na Europa de então, mas também com a revolução que acontecia nas relações estado/cidadão no explosivo começo do século 19.
A história de Antígona se adapta ao momento no Brasil, quando se tenta investigar o que permanece simultaneamente enterrado e insepulto no nosso passado, tantos anos depois do fim da ditadura. Os corpos ainda não foram devolvidos às suas famílias, os direitos do sangue ainda não se impuseram aos direitos do Estado algoz, os ritos fúnebres de muitos continuam restritos à imaginação de novas Antígonas, tão trágicas quanto a Antígona grega.
Os arquivos da ditadura estão sendo aos poucos desenterrados. Já passou da hora de abrir as outras sepulturas.
Luis Fernando Veríssimo
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Exige-se uma retratação

Nesta semana, na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS-SP digitalizados, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, apareceu com o novo secretário particular, o advogado Ricardo Salles, um provocador que já disse coisas como “felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil”.
Salles já concorreu duas vezes, a deputado federal e estadual, pelo PFL e depois pelo DEM, mas não conseguiu se eleger.
Meus colegas do ESTADÃO, Júlia Duailibi e Bruno Lupion lembraram ontem no jornal: Salles é fundador do radical Instituto Endireita Brasil, que, na rede social, entre outras pérolas, como criticar o casamento gay e a Comissão da Verdade, já publicou que Dilma é uma terrorista.
Comentou o analista Glauco Cortez: “Salles cuidará de toda a agenda do governador do estado mais rico do País. Aparentemente uma função burocrática, mas o fato é que, com essa nomeação, o político tucano instala, dentro do Palácio dos Bandeirantes, um movimento que exala obscurantismo.”
Mas a declaração mais chocando de Salles embrulha o estômago de muitas famílias vítimas da Ditadura, como a minha.
Segundo o assessor do governador de SP, “não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram.”
Sim, esses crimes ocorreram.
Nem precisamos citar a extensa biografia à respeito, nem os testemunhos colhidos há décadas, no projeto TORTURA NUNCA MAIS, da Igreja. Nem depoimentos de gente do partido do governador, como FHC e José Serra, cassados e exilados pela ditadura, ou de gente da liderança e base tucana que foi torturada.
Sou testemunha viva. Eu e minhas irmãs. Vimos nossa casa no Rio de Janeiro ser invadida por militares armados com metralhadoras em 20 de janeiro de 1971.
Vimos meu pai, minha mãe e irmã Eliana serem levados.
Minha mãe ficou 13 dias presas no DOI/Codi, sem que o Exército reconheça ou tenha feito qualquer acusação.
Meu pai entrou no quartel do Exército e não saiu vivo de lá. Também não sabemos o motivo da prisão, a acusação. Não entendemos as negativas posteriores de que estivesse preso.
Abaixo, documentos que provam que, sim, crimes ocorreram.
Em nome da decência, exigimos uma retratação do secretário e um pedido de desculpa do Governo do Estado.
Que está onde está graças aos que lutaram, foram torturados ou deram a vida pela redemocratização do País.
Brasileiros que merecem mais respeito.

DOCUMENTO DE ENTREGA À MINHA TIA RENNÉ PAIVA DO CARRO QUE MEU PAI DIRIGIU ESCOLTADO ATÉ A PRISÃO


DOCUMENTO DA ENTRADA DELE NO DOI, DESCOBERTO RECENTEMENTE EM ARQUIVO DO EX-CHEFE, CORONEL REFORMADO JOSÉ MIGUEL MOLINA


ATESTADO DE ÓBITO DE 1996, 25 ANOS DEPOIS DO DESAPARECIMENTO, POSSÍVEL GRAÇAS À LEI DE RECONHECIMENTO DOS DESAPARECIDOS POLÍTICOS, ENVIADA PELO PRESIDENTE FHC AO CONGRESSO

Marcelo Rubens Paiva
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Historiadora Virgínia Fontes analisa particularidades da burguesia brasileira

Em entrevista a Carta Maior, a historiadora Virgínia Fontes, que faz uma das mais importantes pesquisas sobre o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, discute as particularidades históricas da nossa burguesia e dá um panorama da atual condução que os detentores de poder dão à política.
Com doutorado em filosofia pela Université de Paris X, Nanterre, em 1992, Virgínia atua na pós-graduação em história da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde integra o Niep-Marx (Nucleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o marxismo). É autora de "O Brasil e o capital-imperialismo - teoria e história" (Editora da UFRJ, 2010) e de "Reflexões Im-pertinentes - história e capitalismo contemporâneo" (Bom texto, 2005).
Em virtude do evento "Marx: a criação destruidora", Carta Maior realizará uma série de entrevistas em torno de temas ligados à leitura e assimilação de Marx no Brasil com os intelectuais presentes, como Paul Singer, Chico de Oliveira e David Harvey. Esta entrevista com Virgícia se insere neste ciclo.
Programação do evento
Etapa 3. IV Curso Livre Marx-Engels
De 07 a 15 de maio de 2013
O curso, com curadoria de José Paulo Netto, contará com aulas de alguns dos principais nomes do marxismo brasileiro em uma apresentação temática e cronológica da obra de Karl Marx e Friedrich Engels.
07/05
15h30 | Aula 01 | A crítica do Estado e direito: forma política e forma jurídica
Com Alysson Mascaro (USP/Mackenzie).
19h00 | Aula 02 | A crítica ao idealismo II: política e ideologia
Com Antonio Rago (PUC-SP).
08/05
15h30 | Aula 03 | A relevância e atualidade do Manifesto Comunista
Com José Paulo Netto (UFRJ).
19h00 | Aula 04 | Análises concretas da luta de classes
Com Osvaldo Coggiola (USP).
14/05
15h30 | Aula 05 | A crítica ao idealismo: o proletariado e a práxis revolucionária
Com Ricardo Antunes (Unicamp).
19h00 | Aula 06 | A crítica ontológica do capitalismo
Com Mario Duayer (UERJ).
15/05
15h30 | Aula 07 | Trabalho e crítica da economia política
Com Jorge Grespan (USP).
19h00 | Aula 08 | Democracia, trabalho e socialismo
Com Ruy Braga (USP).
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Nota à imprensa

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República repudia veementemente matéria publicada hoje no Estado de S.Paulo insinuando que o governo faça vigilância sobre movimentos sindicais dos portuários no estado de Pernambuco.
É mentirosa a afirmação de que o GSI/Abin tenha montado qualquer operação para monitorar o movimento sindical no Porto de Suape ou em qualquer outra instituição do país. O GSI lamenta ainda a utilização política do tema, questionando a quem interessa tal tipo de interpretação neste momento.
Todo o trabalho do GSI e da Abin está amparado pelas Leis 9.883, de 1999, que criou o Sistema Brasileiro de Inteligência e a Abin como seu órgão central, e 10.683, de 2003, que estabelece ser do GSI a coordenação da inteligência federal. Sua atuação vem se pautando por uma ação institucional e padronizada, como ocorre em todos os sistemas democráticos.
Em nenhum momento o governo determinou ao GSI/Abin qualquer ação relativa ao tema referido na irresponsável reportagem do jornal.
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
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Julgamento do mensalão: sentenças exemplares? Tenho dúvidas

Foto: U.Dettmar/STF
Já escrevi aqui que não considero que a condenação dos réus do chamado mensalão tenha sido apenas “perseguição”, que “não havia nada errado”, como defendem alguns petistas. Há, sim, inúmeras irregularidades ali e, se o julgamento não conseguiu comprovar o pagamento de mesada a parlamentares, pelo menos um crime, o de caixa 2, foi cometido. Então é positivo que haja punição, pela primeira vez na história do País. “Mas por que só o PT?”, perguntam. Ora, alguém tinha dúvidas de que se algum dia um partido iria pagar por cometer deslizes seria o PT? Bastava agir de forma distinta dos demais, como sempre prometeu, que nada disso teria acontecido.
Mas, passados quatro meses do final do julgamento e às vésperas da publicação do acórdão, tenho algumas caraminholas na cabeça sobre o desfecho do episódio. Não são questionamentos propriamente jurídicos, como tantos articulistas fizeram, e com mais propriedade do que eu –a aplicação pelo STF, meio no “jeitinho brasileiro”, da teoria do domínio do fato, por exemplo, foi bastante explorada. O que quero questionar aqui é a finalidade “exemplar” do julgamento, tão alardeada pela mídia; a perspectiva de que sirva de modelo de conduta para os políticos no futuro. Será mesmo que a condenação dos réus do mensalão representa esta lição toda de que falam? Não acho.
O ministro relator Joaquim Barbosa, hoje presidente do Supremo, foi implacável? Agiu como um juiz moderno ou arcaico? Tomou a decisão mais acertada? O STF pronunciou a melhor sentença possível? Tenho cá minhas dúvidas:
– A dosimetria exagerada irá aumentar a fé dos cidadãos no Judiciário ou diminuir?
Em minha opinião, Joaquim Barbosa pesou claramente a mão no final do julgamento. Exagerou. Aplicou aos réus do mensalão, acusados de corrupção, peculato e outros crimes, penas muitas vezes superiores a de assassinos confessos. O publicitário Marcos Valério, por exemplo, pegou mais de 40 anos, uma pena que supera em dez anos à de Alexandre Nardoni, que matou a própria filha. Recentemente, o goleiro Bruno, acusado de mandar matar uma moça e jogar o corpo para ser devorado pelos cachorros, foi sentenciado a 22 anos, 18 a menos que o publicitário. Quantos anos, porém, Valério ficará preso de fato? Se ele ficar preso apenas um ano ou dois destes 40, isso vai melhorar a imagem da Justiça ou piorar? O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi condenado a mais de 10 anos de prisão, mas calcula-se que ficará preso durante 1 ano e oito meses até ter direito à progressão. Há quem diga que ficará na cadeia “no máximo seis meses” destes 10 anos. Isso recupera a credibilidade da Justiça ou aumenta a descrença nela? Não seria mais significativo perante a opinião pública que eles fossem condenados a penas realistas e de fato as cumprissem? Ou o objetivo não era dar exemplo algum e sim atender à sanha midiática?
– Penas de prisão em casos de crimes financeiros são mais exemplares do que as penas alternativas?
Imagine se a banqueira Kátia Rabello, sentenciada a 18 anos de prisão, fosse, em vez disso, condenada a uma pena alternativa (o juiz fixaria a quantidade de tempo) e tivesse que, por exemplo, varrer uma rua da periferia de Belo Horizonte diariamente. Imagine se todos os políticos envolvidos fossem condenados a cuidar do asseio de pacientes internados em hospitais da rede pública. Imagine se todos os réus do mensalão fossem obrigados a esfregar o chão e limpar os banheiros de uma instituição (creches; escolas; albergues; uma penitenciária, por que não?) em lugar de serem encarcerados e simplesmente esquecidos por algum tempo. O que seria mais exemplar para eles e para o País? Você faz realmente questão de mantê-los detrás das grades, trancafiados, longe da sua vista? Ou preferia ter, diante de seus olhos, a prova de que estão pagando um preço alto pelo erro? Nossas cadeias estão superlotadas. Estas pessoas não oferecem risco à sociedade. Vê-las do lado de fora prestando serviços à comunidade seria muito mais eficiente em termos de exemplo. E sabe o que é irônico? Acho que vários deles iam preferir ser presos do que fazer algo assim.
– Não teria efeito mais educativo se as multas fossem mais altas e pagas pelos partidos diretamente, não pelos indivíduos?
25 pessoas foram condenadas no mensalão. Mas, entre os políticos envolvidos, os culpados são também suas legendas, diretamente beneficiadas com a articulação considerada criminosa pelo Supremo. Eles agiram em nome dos partidos aos quais pertencem, mas absurdamente as siglas (PP, PTB, PT e PR) não sofreram sanção nenhuma diretamente. Só poderiam ser imputadas se a denúncia fosse considerada crime eleitoral, caixa 2 – como fez o procurador-geral, aliás, com o mensalão tucano. Já a ação 470, o “mensalão petista”, é uma ação penal, visa punir indivíduos, não instituições. Em termos de exemplaridade, o ideal seria que fosse possível punir também os partidos, não? Acho que as multas poderiam ter sido mais altas e deveriam ser pagas pelas legendas. Paralelamente, as penas para os indivíduos seriam menores. Ou seja, em vez de anos e anos de penas que não serão cumpridas em sua totalidade (aposto com vocês), a Justiça poderia ter fixado às legendas multas dificílimas de pagar. Para quebrar partidos, levá-los à bancarrota. Para fazê-los fechar as portas de vez ou para forçá-los a mobilizar seus militantes, como nunca antes, a fim de quitar as vultosas quantias. Obrigaria os partidos, pelo bolso, a refletir e a dar uma guinada histórica. Isso, sim, serviria de lição para que não achassem de novo, no futuro, que vale a pena nivelar a política por baixo. Não apenas condenar dirigentes, que foi o que ocorreu.
E na opinião de vocês, quais das decisões seriam mais duras e exemplares para o País: as que proponho acima ou as tomadas por Joaquim Barbosa e seus colegas do STF?
Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Anonymous convida usuários do mundo todo para protesto contra censura no FB

Alguns usuários da rede social disseram ter sido injustamente censurados - e punidos com bloqueio temporário à conta - pela rede social
Um post no Anonnews.org, um site associado ao movimento hacktivista Anonymous, apelou para uma nova "Op", desta vez convocando os usuários do Facebook para protestar contra a alegada censura da gigante das redes sociais.
O grupo convocou um protesto para o dia 6 de abril - mesma data que Mahatma Gandhi desafiou os britânicos e liderou a Marcha do Sal em 1930, e quando ativistas egípcios planejaram uma greve contra o governo em 2008.
"Todos os Anons no mundo atinjam o Facebook com material não-censurado. Vamos continuar esse bombardeio de material até onde pudermos - de preferência 24 horas", dizia o post da convocação. "Nós vamos inundar o sistema deles - seus administradores não serão capazes de mantê-lo. Eles não podem banir a todos nós de uma única vez."
Alguns usuários do Facebook disseram ter sido injustamente censurados pela rede social.
O museu Jeu de Paume, na França, foi recentemente impedido de usar o Facebook por 24 horas depois de ter publicado uma fotografia de uma mulher nua, como parte da exposição sobre o fotógrafo francês Laure Guillot Albin. A fotografia ainda está no Facebook, mas foi censurada.
O museu escreveu em sua página na rede que ele não postará mais fotografias de nus "mesmo acreditando que o seu valor artístico é alto, e que não há nada de pornográfico nestas fotografias, o que está de acordo com 'o direito de publicar conteúdo de natureza pessoal'".
Facebook diz em seus Padrões das comunidade que respeita "o direito das pessoas de compartilhar conteúdo de importância pessoal, quer estas fotos sejam de uma escultura como David de Michelangelo, quer sejam fotos de família de uma criança sendo amamentada".
Outro usuário do Facebook teria sido censurado recentemente depois de ter publicado um documento público do Tribunal de Missouri nos Estados Unidos - ele foi bloqueado e impedido de utilizar o site por sete dias. "Não é legal o Facebook impedi-lo de publicar um conteúdo por simplesmente compartilhar informações públicas de Tribunais do Missouri", disse o usuário em um vídeo do YouTube.
Em dezembro passado, o Natural News também foi suspenso do Facebook depois que postou uma citação de Mahatma Gandhi. A citação, que a rede social considerou como violação das regras da comunidade, foi: "Entre as inúmeras arbitrariedades do domínio britânico na Índia, a História mostrará que a pior foi privar uma nação inteira de armas".
O Natural News disse que a remoção da citação "é semelhante à queima de livros online e à destruição da história".
ContrariedadeEntre os dias 21 e 22 de março, o Facebook deixou um vídeo de pornografia infantil se tornar viral na rede - registrando 32 mil compartilhamentos e 5 mil likes.
Segundo a mesma regra de Padrões para comunidades, a rede social afirma ter "um política rígida contra o compartilhamento de conteúdo pornográfico e qualquer conteúdo sexualmente explícito onde um menor de idade está envolvido". No entanto, demorou quase 8 horas para que o vídeo fosse retirado do ar, segundo o YouPix.
Rebecca Merrett, Computerworld / Austrália
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