29 de mar de 2013

Repórter fanático da Veja quer se tornar deputado federal

Gabriel Castro, repórter-plagiador da Veja em Brasília, quer se tornar deputado federal. Sua plataforma: regulamentar a agenda de trabalho dos assessores parlamentares da Câmara Federal.
É isso que se supõe a partir de uma “”"”"matéria”"”"” – “Atos contra Feliciano têm apoio de servidores da Câmara” – assinada pelo aspirante a parlamentar que já foi flagrado no frívolo ato de “copiar e colar” textos de outros autores e veículos, sem reconhecer a autoria original.
A Cynara Menezes demonstrou a fraude da Veja, na qual o intrépido Gabriel Castro estava envolvido, sendo um dos signatários da “”"”"reportagem”"”"” feita na base do “Copy+Paste”, em episódio que virou piada nacional na Internet.
No texto do fiscal de Veja, publicado na quinta-feira (28), assessores parlamentares são denunciados por estarem “insuflando” atos contra o pastor racista Marco Feliciano, em nome de seus chefes, deputados do PT e do PSol.
O raciocínio de Gabriel Castro, fundamentalista religioso e ardoroso defensor da “Revolução de 1932″ (adiante demonstro isso), é tacanho: na opinião dele e dos seus editores, deputados atuantes em temas de direitos humanos não poderiam ter funcionários acompanhando ou participando dos protestos contra Feliciano.
Para o chauvinista da Abril, os deputados devem se resignar em ser informados pela Veja sobre os acontecimentos relacionados à luta pela saída do pastor racista da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.
Enviar assessores “pagos com dinheiro público” para acompanhar atos relacionados a temas ligados diretamente à sua atuação parlamentar não pode ser uma aividade normal de deputados, na ótica do “”"”"repórter”"”"” de Veja, que deve se candidatar à Câmara em 2014 para acabar com essa pouca vergonha.
“Os assessores têm a função de acompanhar as ações da sociedade civil em relação à atuação dos seus parlamentares. Não houve e não há nenhuma infração regimental nisso”, me disse a deputada Erika Kokay (PT-DF), atacada na “”"”"matéria”"”"” de Gabriel Castro.
Foto de Gabriel Castro no Twitter (29/03/2013) mostra quem são seus heróis
Foto de Gabriel Castro no Twitter (29/03/2013) mostra quem são seus heróis
A primeira proposta legislativa do fundamentalista da Veja, caso se eleja deputado, será um projeto de resolução determinando que assessores parlamentares deverão trabalhar dentro do gabinete pelo menos seis horas por dias e, no caso de saída do local de trabalho, não poderão estar perto de qualquer aglomeração com mais de cinco pessoas.

A última trincheira [da ultra-direita fascista]

Gabriel Castro (no Twitter: @_gabrielcastro ) é titular do blog “A última trincheira” (http://ultimatrincheira.wordpress.com), no qual destila loas à “Revolução de 1932″ de São Paulo e expõe seu pensamento fanático-fundamentalista-cristão-ultraconservador sem pudores ou freios, em vários temas e campos sociais, da religião ao futebol, da política ao aborto, entre vários outros.
Gabriel, botafoguense, considera George W. Bush “uma figura subestimada”, debocha da morte de torcedores flamenguistas na final do Brasileiro de 1992 e não se envergonha de declarar explicitamente o fanatismo mórbido em relação aos adversários:
“Que morram todos: eles, as prostitutas e os torcedores do Flamengo”, publicou o “”"”"jornalista”"”"” num texto de fevereiro de 2010, após vitória do seu time sobre o rubro-negro.
Perfil de Gabriel Castro no Gravatar: "Esta é a trincheira que não se rendeu".
Perfil de Gabriel Castro no Gravatar: “Esta é a trincheira que não se rendeu”.
Esse é o tipo de carreirista que se dá bem na Veja. Igual a ele há muitos outros “monstrinhos de redação”, como bem definiu o Leandro Fortes, prontos para ser o Kissinger do Nixon.
Algumas das elevadas frases (grifos meus) do plagiador-fanático – que chama os críticos dos EUA de “símios” – causariam inveja a Marco Feliciano, Silas Malafaia, Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Diogo Mainardi:
(…)
É notória a superioridade do Cristianismo como fonte de inspiração para a música e a literatura. A beleza da história de Jesus não se compara à de Maomé, um pedófilo assassino, ou a de Buda, uma espécie de Paulo Coelho do Japão imperial Nepal agrícola.
Há quem se contente com isso: o Ocidente foi mais longe porque tem em Cristo seus marcos civilizacionais.
Mas a história da divindade onipotente que se faz homem só merece ser lembrada por um motivo: ela é verdadeira. É tão real que, dos apóstolos de Cristo, só João morreu naturalmente: martirizados, os outros entregaram a própria vida para propagar a poderosíssima mensagem trazida pelo Salvador.

(…)
Qualquer crime cometido em nome do Cristianismo não pode ser atribuído à pregação de Jesus, mas à distorção de suas palavras.o Islamismo nasceu como uma religião expansionista e militarista; um exército cruel, comandado por ninguém menos do que Maomé em pessoa. Os muçulmanos ocuparam por séculos a Península Ibérica, depois de varrer povos inteiros do mapa no Oriente Médio. Só foram chutados de lá depois de uma reação  tardia dos europeus. Hoje, os cristãos são o grupo mais perseguido do mundo, numa comparação com qualquer outra religião ou etnia. E os principais algozes dos cristãos são justamente os islâmicos. Mas ninguém fala em “cristofobia”.
(…)
George Bush, o sujeito que fez o histórico discurso acima nos escombros do Ground Zero, é uma figura subestimada. Foi à guerra porque era coisa certa a se fazer. E, se os Estados Unidos estão há 10 anos sem sofrer um atentado, se bin Laden e Saddan Hussein foram para o inferno, há pouco o que criticar. Talvez a demora em enviar mais tropas para pacificar o Iraque quando os locais começaram a mandar tudo pelos ares. Os símios antiamericanos ainda hoje dizem que a invasão do Iraque se deu porque os Estados Unidos queriam petróleo. (…)

(…)
A burrice bem intencionada hoje se divide em várias frentes. Duas delas são o pacifismo infantil e a glorificação de revolucionários criminosos, como se qualquer revolução legitimasse a si mesma.
O levante constitucionalista de 1932 se situa num ponto que lhe dá autoridade moral sobre ambas as visões de mundo.

(…)
É perfeitamente possível e lógico não acreditar que Deus existe. O problema passa a existir quando alguém acredita cegamente que Deus não existe.

(…)
Falar da Revolução de 1932 é uma experiência curiosa. Sempre que tento escrever sobre este assunto, o texto soa como ufanista. Mas é um tom apropriado para uma história memorável. Composta sobretudo de histórias individuais de coragem.
(…)
Os vagabundos que enfrentaram o regime militar com armas lutavam por uma ditadura pior. Nos obrigam a sustentá-los com nosso dinheiro. E passaram a vida brigando para por as patas no poder.

(…)
Simplificando a coisa, existem duas formas de lidar o estado: a do caipira americano, que anda com um rifle embaixo do braço e vê com desconfiança qualquer iniciativa que venha do governo, e a do agricultor francês, que não planta um pé de alface sem subsídio.
Eu fico com a primeira opção. Só falta o rifle.

(…)
A sociedade ocidental só é moralmente superior (um abraço, relativistas) porque resulta da maior revolução que já existiu: a sacralização da vida. Abrir mão desse valor é regredir na escala civilizacional.
Par[a] os amiguinhos aborteiros, a melhor solução já inventada é a do bom Olavo de Carvalho: apliquem o auto-aborto retroativo.
Ao que eu acrescento: ou vão convencer as suas mães primeiro.

(…)
Ê balancê balancê
Escute o que eu vou te dizer
A festa da Raça está em extinção
Vocês viram na televisão
Coitadinha da raça,
A raça do urubu (tomou no c…)
Tentou voar no Maraca legal
E caiu na geral
A canção acima foi composta em 1992, depois da morte de 3 torcedores do Flamengo. Parte da arquibancada do Maracanã caiu e eles foram pro saco.
Crueldade? Desumanidade? Delinquência? De maneira alguma. Futebol é pra isso. Nesta noite, esta bela canção voltou a soar no Maracanã. A minoria alvinegra se impôs. É o fim de uma era.
Favela! Favela! Favela!
Silêncio na favela!
(…)
A Vila Belmiro nos deixa perto o suficiente dos adversários para que eles possam ouvir nossos xingamentos, e vice-versa. Pois no último Botafogo x Santos, passei duas horas trocando os mais graves insultos com desconhecidos, que nada haviam feito de mal a mim.
(…)
Faz sentido? De maneira alguma. Mas o futebol serve para que nós, homens (as mulheres não compreendem a essência da coisa), extravasemos tudo de ilógico que carregamos, sei lá, desde as cavernas.
(…)
Assim como é simbólico que nosso ataque, com uma dupla abnegada, formada por um argentino e um uruguaio, tenha se sobressaído ao ataque flamenguista, formado por dois cariocas malandrões que um dia antes do jogo estavam curtindo o carnaval com uma (não a mesma!) prostituta qualquer.
Que morram todos: eles, as prostitutas e os torcedores do Flamengo.

PS: Gabriel, não se preocupe em apagar o blog, já fiz o PrintScreen de todos os posts citados.
Rogério Tomaz Jr
No Conexão Brasília Maranhão
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Para se manter na Comissão, Feliciano sai do armário

Para se manter na Comissão, Feliciano sai do armário
Parlamentares e celebridades responderam com criatividade aos protestos contra Feliciano
BRASÍLIA - Pressionado a renunciar à presidência da Comissão de Desrespeitos Humanos, o pastor Marco Feliciano resolveu tomar uma atitude drástica: pediu Silas Malafaia em casamento, ao vivo, ao abrir a sessão de hoje. Após longos minutos de expectativa, Feliciano recebeu um papel de carta da Moranguinho com a resposta: "Ele aceitou", disse o pastor, secando as lágrimas com um lenço bordado para não produzir uma língua negra de rímel. "As long as I know how to love, I know I´ll be alive", completou, emulando os trejeitos de Liza Minelli em Cabaret.
Saltitantes, os pombinhos anunciaram a realização de um culto para arrecadar fundos para a lista de presentes. "Eu quero um aparelho de fondue do Philip Stark e uma capinha de veludo para Bíblia desenhada pelo Tom Ford no tempo que ele estava na Gucci. Nada é mais vintage!", revelou Feliciano, enquanto ungia as axilas com cera quente de Jerusalém. A lua de mel será um culto hedonista na ilha de Mykonos. No convite, além do RSVP, constará um lembrete para os convidados não esquecerem as senhas de seus cartões.
Convidados para padrinhos, Jair Bolsonaro e o blogueiro Ronaldo Azevedish tomaram para si, decididas, a organização de uma festa ultraconservadora com shows de Cher, Barbra Streisand e Lady Gaga.
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Capa honesta

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Ligações Perigosas

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Nova Pesquisa, Velhas Frustrações

Nada dá certo para as oposições faz tempo. Elas tentam, se esforçam, mobilizam seus vastos recursos e as coisas não acontecem. Seu pior pesadelo parece prestes a se materializar. A tomar pelo que dizem os eleitores, quando perguntados sobre como pretendem votar na próxima eleição, Dilma Rousseff se reelegerá sem grandes problemas. Prognosticar sua vitória não é difícil para quem conhece um mínimo da sociedade brasileira. Ela tem tudo para vencer:
a) a “inércia reeleitoral”, que beneficia até governantes mal avaliados (quem não se lembra dos muitos governadores e prefeitos que, apesar de enfrentarem sérias dificuldades, terminaram vencendo?).
b) faz um governo bem avaliado, aprovado por quatro em cada cinco brasileiros (quem preferiria mudar, estando satisfeito com o que tem? Se há uma coisa em que o eleitor acredita é que mais vale um pássaro na mão do que dois voando).
c) tem uma imagem pessoal muito positiva, é querida pela ampla maioria dos eleitores, que gostam de seu jeito de ser e se portar como presidenta (algum de seus possíveis adversários chega sequer perto do que ela alcança no julgamento da atuação pessoal?)
d) é conhecida e aprovada pela quase totaltidade do eleitorado, não precisa perder tempo para se apresentar ao País (qual de seus oponentes em potencial pode dizer o mesmo, uma vez que todos existem em nichos regionais ou ideológicos?).
Confirmado o favoritismo, Dilma será a quarta chefe de governo eleita pelo PT em sequência. Ao cabo de seu segundo mandato, chegaremos a 16 anos de hegemonia petista na política brasileira.
O que será da atual geração de lideranças oposicionistas em 2018? Quantas estarão ainda em condições de atrair a atenção dos eleitores? Quantos de seus jovens terão envelhecido? Quantos dos atuais “formadores de opinião”, na mídia conservadora, estarão ainda na ativa? (a maioria é tão velha que, entre aposentados e falecidos, é possível que restem poucos).
A gravidade do quadro que as oposições enfrentam voltou a ser confirmado na semana passada, quando uma nova pesquisa do Datafolha a respeito da sucessão presidencial foi divulgada. Ela não trouxe novidade em relação ao que se sabia desde o início de 2012. Exatamente por isso, foi uma ducha de água fria no ânimo dos partidos da oposição e nos segmentos “antilulopetistas”da opinião pública.
Apesar dos esforços diários e da militância radicalizada na mídia de direita, Dilma fica cada vez melhor na corrida eleitoral. Enquanto isso, seus adversários patinam ou retrocedem. Entre dezembro de 2012 e março deste ano, ela foi de 54% a 58%, na vizinhança dos 60%, patamar onde outras pesquisas já a haviam colocado. Marina Silva (sem partido) e Aécio Neves (PSDB-MG) perderam 2% cada um, ela de 18% para 16% e ele de 12% para 10%. Mais frustrante para a mídia foi, no entanto, o modesto crescimento do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Depois de “bombado” incessantemente na mídia, foi de escassos 4% a escassos 6%.
Uma simples aritmética mostra que os três não mudaram seu tamanho total: Somavam 34%, em dezembro, e foram a 32%, em março. No máximo, o que teria ocorrido seria uma pequena reacomodação no terço do eleitorado que não pretende votar na presidenta: Campos tirou uma lasquinha de Marina e de Aécio.
Em votos válidos (a conta relevante para especular sobre vitórias em primeiro turno), Dilma teria, hoje, perto de 64%. Muito próximo de alcançar, sozinha, o dobro da soma dos demais.
Significa que “já ganhou”, que vencerá no primeiro turno? Claro que não, e seria um equívoco se sua assessoria interpretasse assim a pesquisa. Mas que os resultados do Datafolha foram uma decepção para as oposições, disso não há dúvida.
O que lhes resta fazer?
O circo armado em torno do julgamento do “mensalão” foi inútil do ponto de vista eleitoral. O PT não perdeu espaço em 2012 e nada indica que será afetado em 2014.
A tese da incompetência gerencial da presidenta, à qual se dedicaram assim que perceberam o insucesso anterior, não tem adeptos na maioria da opinião pública. Ao contrário, os brasileiros se mostram cada vez mais satisfeitos com o desempenho do governo.
A valorização dos possíveis adversários não comove os eleitores de Dilma. Campos, seu mais dileto produto na atualidade, permanece com números de nanico.
Quando pesquisas como essa são publicadas, ficam tristes e devem pensar no “povinho” que Deus pôs no Brasil. O problema é que não podem trocá-lo. Ou será que vão procurar prescindir dele na hora de decidir quem vai mandar?
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Se o Estado é laico, por que é feriado na Sexta-Feira Santa?

 
Também chamada de Sexta da Paixão para os cristãos, a Sexta-Feira Santa marca a morte de Jesus Cristo e o seu sofrimento ao carregar a cruz e ser crucificado. A data é um feriado móvel no Brasil, assim como em outros países, porque segue o calendário da Páscoa. Assim, é definida como sendo a primeira sexta-feira após a primeira lua cheia de primavera no Hemisfério Norte, ou do outono no Hemisfério Sul. Mas por que essa e outras datas religiosas são feriados se o nosso País é um Estado laico?
De acordo com o advogado especialista em direito religioso Gilberto Garcia, essa tradição ainda existe na sociedade brasileira devido a questões históricas e culturais. Na época do Brasil Colônia, quando o nosso país era dependente de Portugal, a religião oficial era o catolicismo. No Brasil Império, em 1824 uma mudança na legislação permitiu a liberdade de crença, no entanto ela não poderia ser feita em espaços públicos. Foi somente em 1890, após a proclamação da República, que um decreto estabeleceu a liberdade de culto de todas as religiões, no entanto, manteve a Igreja Católica como oficial.
Um ano depois, a Constituição de 1891 instituiu, finalmente, a separação entre a igreja e o Estado, estabelecendo que não existe nenhuma religião oficial. Embora isso tenha ocorrido há mais de 120 anos, Gilberto Garcia afirma que a Igreja Católica foi oficial no Brasil por mais de 400 anos, o que causa reflexos tanto na definição de feriados, como na escolha de nomes religiosos para cidades, bem como na utilização de representações da crença em espaços públicos, como crucifixos em prefeituras, câmaras de vereadores e tribunais.
Outro fator determinante é a predominância da religião católica no Brasil. Embora o número de fiéis tenha caído nas últimas décadas. Segundo dados do Censo, divulgados no ano passado, o percentual de católicos caiu 12,2% entre 2000 e 2010. Mesmo assim, dois em cada três brasileiros declararam ser adeptos da religião no Brasil.
Gilberto Garcia, autor do livro O Novo Código Civil e as Igrejas (editora Vida), lembra que, além da Sexta-Feira Santa existem outros feriados ligados à religião, como o dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, Corpus Christi e o Natal, além de feriados regionais, como a celebração do dia de São Jorge, em algumas localidades.
O especialista em direito e religião lembra que a Constituição de 1988 reforçou a importância do Estado laico, sem igreja oficial, e ainda o respeito a liberdade de crença. "A constituição permanece dizendo que é laico, mas a tradição vem sendo mantida", afirma. Ainda de acordo com ele, outras religiões possuem suas datas de celebração, como a comemoração do Yon Kippur pelos judeus e o mês sagrado dos muçulmanos, o Ramadã, que não são feriados.
"Se a sociedade quisesse mudar essas datas, deixando de ser um feriado obrigatório para todas as religiões, isso deveria ser feito pelo Congresso Nacional ou pelo Supremo Tribunal Federal, mas não há espaço político para isso", completa.
No Terra
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Campanha contra a imagem de Lula

A obsessão da mídia e da oposição em desconstruir a imagem do ex-presidente Lula é tão grande e irracional que chega ao ponto de criticar iniciativas que só trazem benefícios para o Brasil. É o caso da recente série de reportagens sobre as viagens dele ao exterior.
Desde 2011, Lula já visitou 30 países com o objetivo de promover os interesses do Brasil, estabelecer a cooperação em políticas públicas e ampliar as relações internacionais. Logo, a favor do Brasil.
Nada mais natural para uma pessoa que deixou a Presidência da República com altíssimo índice de popularidade e cujo governo levou o país a uma posição de prestígio mundial nunca antes alcançada. A mídia e a oposição podem não gostar disso, mas, no cenário internacional, a imagem do Brasil e a imagem do ex-presidente Lula hoje em dia se confundem – e essa imagem é positiva!
É a imagem do Brasil do crescimento econômico, da redução das desigualdades, do combate à miséria. E é a maior liderança política deste novo Brasil que o restante do mundo quer conhecer.
As visitas e palestras de Lula mundo afora aproximam os outros países do Brasil, em uma relação que, além de confirmar nossa posição de nação relevante no mundo atual, é benéfica para nossa economia e cultura.
Mas, fazendo um contorcionismo lógico, a velha mídia nega-se a reconhecer o significado dessas viagens, fixando-se mesquinhamente no fato de 13 das 30 viagens de Lula terem sido patrocinadas por empresas privadas.
A prática é corriqueira e, como a própria imprensa reconhece timidamente nos textos publicados, não tem nada de ilegal. Ex-presidentes americanos são patrocinados por grupos particulares para realizar palestras e encontrar chefes de Estado em diversos países, inclusive o Brasil, e a nossa imprensa não encontra aí nenhum problema. Só vê a legítima defesa dos interesses estratégicos dos EUA.
O também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez viagens para o exterior pagas pelo banco Itaú e já deu uma palestra em solo nacional organizada pelo JP Morgan, mas nenhuma reportagem sobre o assunto apontou, na época, algum conflito de interesses.
Por que, então, o tom de denúncia ao registrar que há quem pague para ouvir o que Lula tem a dizer? Quem melhor para representar os interesses do Brasil no exterior do que aquele que é reconhecido como o maior líder na história recente do país? A quem interessa esse ar de suspeita permanente?
O que está sugerido nas reportagens, de forma subentendida, é que as empresas financiadoras das viagens esperam que Lula interceda a favor delas em seus encontros com autoridades estrangeiras, sem que haja, entretanto, qualquer evidência ou indício dessa possibilidade.
As matérias apenas registram grandes negócios feitos por empresas brasileiras nos países visitados por Lula – o que, por si só, também é vantajoso para o Brasil.
Outro personagem que não fosse Lula receberia da nossa imprensa, na mesma situação, tratamento de estadista. Mas a mídia conservadora brasileira está tão cega em sua perseguição ao nosso ex-presidente que não percebe o descrédito a que está se expondo.
A tentativa, por exemplo, de apontar algo de irregular no fato de que representantes diplomáticos nos países visitados por Lula tenham tido gastos com deslocamento e refeições para acompanhar a agenda do ex-presidente reforçam o vazio das reportagens com tom de denúncia.
Chamar essas questões de "picuinhas” seria um elogio. Há alguma dúvida de que, por exemplo, a viagem de Lula à África do Sul para um encontro com Nelson Mandela - reunião que acabou não ocorrendo, devido a problemas de saúde do líder sul-africano - era de interesse das relações internacionais brasileiras? Nossa diplomacia deveria ignorar o encontro, já que, afinal, Lula e Mandela são “apenas” ex-chefes de Estado? É óbvio que não.
Como é óbvio que o serviço diplomático de país nenhum ignoraria o encontro de um ex-presidente seu com um líder da estatura de Nelson Mandela.
Está cada vez mais evidente que o interesse de quem tece tais críticas infundadas é tentar afastar Lula da vida política nacional, como se um ex-presidente devesse recolher-se após seu mandato. Ora, e a experiência acumulada? E a contribuição a dar ao país, que tanto precisa de esforços para melhorar muito mais?
Em suma, o falso escândalo, além de atuar contra os interesses nacionais, revela a miopia de quem poderia contribuir com o debate de forma crítica, sem dúvida, mas com responsabilidade e consequência.
José Dirceu
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As viagens de FHC e Lula e a escandalização seletiva

Um ex-presidente brasileiro está rodando o mundo, em viagens patrocinadas por empresas e corporações que cresceram e ganharam muito dinheiro em seu período de governo. Nestas viagens, a presença do ex-presidente ajuda as empresas patrocinadoras a captar investimentos e ganhar mercados.
As empresas amigas também patrocinam palestras deste líder político no Brasil e contribuem com fundos milionários para o Instituto que leva seu nome e destina-se a preservar sua memória.
Se este ex-presidente se chamasse Luiz Inácio, suas atividades no exterior seriam manchete da Folha de S. Paulo, colocando-o sob suspeita de atuar como lobista de empresas sujas.
Mas estamos falando de Fernando Henrique Cardoso, que também viaja fazendo palestras, a convite de empresas, ONGs e instituições diversas.  A diferença mais notável entre eles (há muitas outras) é que FHC vai lá fora para falar mal do Brasil.
Nas asas do Itaú, seu patrocinador master, Fernando Henrique esteve no Paraguai em 2010, no dia em que o banco inaugurou a operação para tomar o mercado no país vizinho.
O Itaú também o levou a Doha e aos Emirados Árabes ano passado, como informou a imprensa financeira, com a intenção de morder parte dos 100 milhões de dólares que o Barwa Bank tem para investir no mercado imobiliário brasileiro.
Itaú Unibanco and Fernando Henrique Cardoso visiting Qatar and the UAE
A Folha estava lá (mas não diz quem pagou a viagem da colunista Maria Cristina Frias)  “FHC vai ao Oriente Médio com Itaú para atrair investimento”, ela escreveu.  Zero de suspeição ou malícia. O jornal  não se preocupou em saber se a embaixada brasileira alugou impressoras para apoiar o ex-presidente em sua missão, mas registrou direitinho o que ele disse lá sobre o governo brasileiro atual: Corrupção cresceu em relação a meu governo, diz FHC. Com esse papo, o ex deve ter atraído investimentos para o Chile.
FHC também falou mal do Brasil quando foi à China, em maio passado, de novo pelas asas do Itaú (nem parece que é um banco, deve ser uma agência de viagens). Reclamou do ajuste do câmbio, da falta de planejamento, e fez o comercial do patrocinador: “Baixar a taxa de juros (no Brasil) é importante, mas tem que olhar as consequências”, ele disse aos chineses. O Estadão resumiu no título a visão de Brasil que FH passou em Pequim: Não se pode crescer a qualquer a custo, diz FHC”. 
Em novembro  do ano passado, a casa americana  JP Morgan pagou FHC para falar do Brasil sem sair de casa: O Brasil está pagando o preço por não ter dado continuidade aos avanços implementados”, ele disse, numa palestra para investidores estrangeiros em São Paulo.
Na edição do último, a Folha sugere ao Ministério Público que promova uma ação para alguém devolver “gastos indevidos” com horas extras de motoristas e deslocamento de funcionários,  nas embaixadas por onde Lula passou. Mas não se comove com o fato de a estatal paulista Sabesp ter pingado R$ 500 mil na caixinha do Instituto FHC (ah se fosse o Visanet...).
Fernando Henrique ainda era presidente da República, em 2002, quando chamou ao Palácio da Alvorada os donos de meia dúzia empresas para alavancar o instituto que ainda ia criar: Odebrecht, Camargo Corrêa, Bradesco, Itaú, CSN, Klabin e Suzano. A elas se juntaria a Ambev. Juntas, pingaram 7 milhões no chapéu de FH. Mas foi o Tesouro que pagou o jantar, descrito em detalhes nesta reportagem da revista Época.
Todos à mesa eram gratos à FHC pelo Plano Real e não se duvide de que alguns tenham coçado o bolso por idealismo. Mas se a Folha utilizasse o mesmo relho com que trata Lula, teria registrado que os Itaú e Bradesco eram gratos pela maior taxa de juros do mundo; a Ambev deve seu monopólio ao CADE dos tucanos; a CSN é a primogênita da privataria e quase todos ali deviam algum ao BNDES.
FHC e seu instituto prosperaram. No primeiro ano como ex-presidente ele faturou R$ 3 milhões em palestras (“o critério é cobrar metade do que cobra o Bill Clinton”, explicou, modestamente, um assessor de FHC). A primeira palestra, de US$ 150 mil de cachê, que serviu de parâmetro para as demais, foi bancada pela Ambev. O IFHC já tinha R$ 15 milhões em caixa e planejava gastar o dobro disso nas instalações.
O IFHC abriga o projeto Memória das Telecomunicações (esqueçam o que ele escreveu, mas não o que ele privatizou), patrocinado naturalmente pela Telefónica de Espanha.
Todas as empresas citadas neste relato são anunciantes da Folha de S. Paulo e estão acima de qualquer suspeita enquanto anunciantes. Apodrecem, aos olhos do jornal, quando se aproximam de Lula.
Eis aí o segundo recado da série de manchetes: afastem-se dele os homens de bem. O primeiro recado, está claro, é: mãos ao alto, Lula!
A Folha também se considera acima de qualquer suspeita. Só não consegue mais disfarçar o ódio pessoal que move sua campanha contra o ex-presidente Lula.
Hugo Carvalho
No Advivo
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A auto-regulamentação fracassou espetacularmente no Brasil

Como descobriram os ingleses depois do escândalo dos tabloides, os fiscais também têm que ser fiscalizados.
Otávio Frias Filho no Instituto Millenium
Otávio Frias Filho no Instituto Millenium
Quais os limites do jornalismo e dos jornalistas?
Vejamos a Folha de S. Paulo, por exemplo. Ela procura se colocar, em editoriais e em publicidade, como uma espécie de fiscal sagrado dos governos. Tudo bem. Mas é preciso não perder de vista que ela não recebeu essa incumbência da sociedade.
Não foi votada. Não foi eleita.
Fora isso, existe fiscal que não é fiscalizado?
Jornalismo é, como todos os outros, um negócio. Em geral, quem investe em jornalismo não está atrás de dinheiro. Os lucros não costumam ser grandes. O que o jornalismo dá é prestígio, influência. Empresários interessados em recompensas mais palpáveis fazem suas apostas em outras áreas.
No começo da década de 2000, quando a internet já desaconselhava investimentos em papel no Reino Unido, um empresário russo comprou o jornal inglês The Evening Standard, em grave crise financeira, para ganhar respeitabilidade.
É um jogo antigo.
Na biografia semioficial de Octavio Frias de Oliveira, está publicado um episódio revelador. Nabantino, o antigo dono da Folha, estava desencantado porque se julgara traído pelos jornalistas que fizeram a greve de 1961. (Meu pai era um deles.) Decidiu vender o jornal. Um amigo comum de Nabantino e Frias sugeriu que ele comprasse. “Dinheiro você já tem da granja”, ele disse. “O jornal vai dar prestígio a você.”
Na biografia, a coleção de fotos de Frias ao lado de personalidades mostra que o objetivo foi completamente alcançado. Um granjeiro não estaria em nenhuma daquelas fotos.
Ao comprar a Folha, Frias comprou prestígio social — e adulação do mundo político
Sendo um negócio, o jornalismo não está acima do bem e do mal. É natural que prevaleçam, nele, as razões de empresa.  Essas razões podem coincidir com as razões nacionais – ou não. Observe o mais carismático – não necessariamente o melhor ou mais escrupuloso – empresário de jornalismo da história do Brasil, Roberto Marinho, da Globo.
Quem garante que o que era melhor para ele era o melhor para o país? Roberto Marinho era tão magnânimo a ponto de pôr os interesses nacionais à frente dos pessoais?
Como a sociedade não elegeu empresas jornalísticas, seus donos não têm que dar satisfação a ninguém sobre coisas como o uso dão ao dinheiro que retiram. Se decidem vender o negócio, nada os impede.
Essa é a parte boa de você não ter um vínculo ou uma delegação direta da sociedade. Não existem amarras burocráticas para seus movimentos. Mas você não pode ficar com a parte boa e dispensar a outra – a que não lhe garante tratamento privilegiado apenas por ser da imprensa.
No Reino Unido, este é um debate atualíssimo, depois que o tabloide News of the World, o NoW, de Rupert Murdoch, quebrou todas as barreiras da decência e da legalidade na busca de furos. O NoW invadia criminosamente caixas de mensagem de centenas de pessoas, a maior parte delas celebridades e políticos, para vender mais — e portanto ganhar dinheiro com isso.
Quando se soube das dimensões do escândalo, o governo britânico, sob pressão da opinião pública, montou um comitê independente para rediscutir a mídia — o que é aceitável e o que não é.
Os trabalhor foram comandados por Lorde Brian Leveson, um juiz de alto nível que sabatinou grandes personagens do universo da imprensa, sob câmaras de tevê, em busca de luzes. O premiê David Cameron, por exemplo, teve que explicar a Leveson a natureza de sua relação com o grupo Murdoch.
Murdoch, ele próprio, na idade provecta de 81 anos, foi interrogado duas vezes pelo comitê. Neste momento, a questão é se a auto-regulamentação do jornalismo deve ser mantida ou não. As empresas não gostam, naturalmente, da ideia de que a regulamentação seja tirada de seu controle.
O que muita gente se pergunta, no Reino Unido, é por que as pessoas deveriam confiar agora na auto-regulamentação depois de seu espetacular fracasso.
Em seu relatório de recomendações, Leveson defendeu a criação de um órgão regulador independente das empresas jornalísticas. É provável que seja este o desfecho no Reino Unido.
O Brasil terá que passar por uma discussão nos mesmos moldes, em nome do interesse público. Ninguém sabe com certeza dizer quais os limites do jornalismo no Brasil — nem, ao que parece, a própria Justiça, e muito menos as empresas jornalísticas.
A auto-regulamentação fracassou no Brasil. Um órgão regulador independente das companhias — e também, naturalmente, do governo e dos políticos — é tão necessário no Brasil quanto é na Inglaterra.
Na Dinamarca é assim. O Diário defende que se faça o mesmo no Brasil. O interesse público, este sim sagrado, deve prevalecer sobre o interesse das empresas jornalísticas. São interesses distintos. Coloquemos assim, para simplificar: nem tudo que é bom para a família Marinho é bom para o Brasil.
Numa democracia, para que a mídia exerça o vital papel de fiscal, ela tem que ser também fiscalizada.
Este é o ponto de partida para um debate urgente no país.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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O enigma

Leio o ensaio de Luiz Dulci, Um Salto para o Futuro, recém-publicado pela Editora Fundação Perseu Abramo. Destina-se a demonstrar que o governo Lula, do qual o autor participou ativamente, colocou o País no rumo do desenvolvimento. E demonstra. “Nem por isso os conservadores ressentidos – escreve Dulci – deixam de negar o óbvio. Democratizar a sociedade nunca será uma operação consensual. E já dizia Tocqueville que preconceitos de classe são antolhos formidáveis (…) Não espanta que se recusem a admitir o êxito deste plebeu impenitente.” E mais adiante: “Com efeito, o governo Lula inovou – e inovou profundamente. No conteúdo e na forma de governar. Implementou, na verdade, um novo modelo de desenvolvimento, inteiramente distinto do neoliberal, ainda que não se tenha preocupado em teorizá-lo, e outra modalidade de inserção no Brasil e no mundo”.
Luiz Dulci
Luiz Dulci.
Aconselhamos uma conversa com o ministro Paulo Bernardo.
Foto: Antônio Cruz/ABr
Observo que o governo de Dilma Rousseff seguiu pelo mesmo caminho, e de certos pontos de vista avançou mais ao desafiar os interesses das oligarquias financeiras, enquanto esboça, juntamente com os governos dos BRICS, a definição de uma área econômica e comercial livre das influências do ex-Primeiro Mundo. As pesquisas de opinião mais recentes provam com toda a nitidez que a presidenta iguala hoje a popularidade de Lula nos seus tempos de governo.
Dilma não é uma plebeia impenitente. Mesmo assim, as palavras de Luiz Dulci a respeito das reações dos “conservadores ressentidos” a Lula valem também para a sucessora. O substantivo conservadores me soa, contudo, muito condescendente, e até generoso. Há conservadores e conservadores, e sempre houve, alguns notáveis. No Brasil trata-se é dos senhores da casa-grande e dos aspirantes que vivem na mansarda. Qualquer tentativa de demolir de vez a senzala eles a encaram como ataque frontal. Aliás, segundo meus solertes botões, a demolição está apenas no começo.
Interessa-me sublinhar que o instrumento empregado pela casa-grande para manifestar suas resistências e ojerizas irreparáveis, quando não ódio no Luiz Dulci. Aconselhamos uma conversa com o ministro Paulo Bernardo estado puro, é a mídia nativa, única no mundo por sua capacidade de se unir de um lado só, qual fosse o Forte Apache, e de mandar às favas a verdade dos fatos, como lamenta Luiz Dulci. Penalizado, entretanto, sou forçado a experimentar amiúde a estranha sensação de que autoridades situacionistas, inclusive parlamentares, gostam, com indisfarçável sofreguidão, de aparecer no vídeo da Globo, nas páginas dos jornalões e nas amarelas da Veja.
Situação contraditória. Ou não? A mídia ataca noite e dia, se for o caso inventa, omite e mente, e nem por isso tem êxito junto à maioria dos brasileiros. Haja vista os tais índices de popularidade. Se eleições fossem convocadas hoje, Dilma levaria no primeiro turno. É de estranhar, portanto, que o malogrado apar to comunicador fascine graúdos alvejados e goze de mesuras, afagos e contribuições em matéria. Polpudas. Aconselho aos interessados a leitura da reportagem de capa desta edição, sem se esquecer de passar os olhos sobre os números da publicidade governista garantida aos maiorais da mídia nativa. À Globo, uma enxurrada de grana. Uma enchente.
CartaCapital, que não hesitou em criticar com a devida aspereza a presidência de Fernando Henrique Cardoso, definiu seu apoio, a exemplo do que acontece em países civilizados e democráticos, antes a Lula, depois a Dilma. Escolha sincera, voltada em boa-fé aos interesses do País e dos leitores, normal por parte de uma publicação que não vende a alma. Por causa disso, fomos apresentados à plateia da casa-grande como “revista chapa-branca”. Talvez fosse conveniente saber a opinião das damas e cavalheiros que se incumbem da distribuição das benesses publicitárias governistas. Aposto em surpresas. A categoria fecha com quem agride o governo, em nome de critérios “técnicos” habilitados a transformar os agressores, estes sim em autênticos chapas-brancas. Ao menos, desse específico ponto de vista, iluminado pelo brilho do dinheiro.
Neste ínterim, deletam-se alegremente os planos do ex-ministro Franklin Martins, democraticamente empenhado em limitar os alcances dos oligopólios midiáticos. Não falta à mudança o pronto aval das piscadelas do ministro Paulo Bernardo, personagem da capa.
Mino Carta
No CartaCapital
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Anna

Emma Bovary e Anna Karenina são as adúlteras mais famosas da literatura, e as duas tiveram o mesmo fim. Foram vítimas da sua época, da hipocrisia das sociedades em que viviam — mas também do moralismo disfarçado dos seus autores, que as criaram para se destruírem.
Flaubert e Tolstoi condenaram a hipocrisia, mas não deixaram de castigar as suas duas transgressoras, ou de permitir que elas se castigassem. Enfim, foram homens, com sua misoginia à mostra, antes de serem artistas defendendo a transgressão.
Ainda não fizeram, que eu saiba, um bom filme de “Madame Bovary” (o último que tentou sem sucesso foi o falecido Claude Chabrol), mas o filme definitivo de “Anna Karenina” está nas telas, deslumbrando todo o mundo.
A explicação talvez seja que Flaubert nunca encontrou um colaborador à sua altura para fazer o roteiro, enquanto Tolstoi encontrou o Tom Stoppard. E os dois contaram com um diretor aventureiro como Joe Wright, que conseguiu fazer um filme altamente estilizado, na sua redução dos cenários — até o de uma corrida de cavalos — a um teatro e seus bastidores, sem que isto parecesse preciosismo vazio ou atrapalhasse o drama.
O filme é teatro sem ser teatral, como escreveu o Xexeo. E se tivesse sido filmado de forma convencional não teria a metade do impacto visual que tem. Com pouquíssimas tomadas externas, sem sair dos confins de um teatro, o filme mostra a Rússia imperial em todo o seu esplendor e miséria. O vasto exterior só aparece como contraponto para o claustrofóbico pequeno mundo da corte.
Joe Wright, para quem não se lembra, é o diretor, entre outros, do filme “Atonement” (“Desejo e reparação”, se não me engano), baseado num romance de Ian McEwan. O filme contém o que é provavelmente o mais longo travelling ininterrupto da história do cinema, toda a confusão na praia de Dunquerque, onde tropas inglesas fugindo dos alemães no começo da guerra esperavam para serem retiradas, captada numa única e interminável tomada de tirar o fôlego. Podia ser exibicionismo técnico gratuito, mas mostrava a audácia de um diretor, que agora se confirma com este entusiasmante “Anna Karenina”. Olho nele.
Mesmo para quem acha que nunca haverá outra Anna como a Greta Garbo, ou faz restrições a um ou outro incisivo da Keira Knightley, o filme é uma experiência imperdível. Ganhou só um Oscar, o que também o recomenda.
Luis Fernando Veríssimo
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As crianças têm que ser protegidas da cafajestice do CQC

A gangue pseudocômica faz um garoto mentir, enganar e torturar psicologicamente José Genoíno.
Professor de cafagestice
Professor de cafajestice
Alguns meses atrás, a gangue do  CQC já descera à lama ao abordar José Genoíno de maneira cafajeste logo depois do trauma de uma absurda decisão da justiça que decretou prisão para ele.
Agora, a gangue conseguiu descer ainda mais.
Ao longo de um interminável, odioso filme de sete minutos os pseudo-humoristas submeteram Genoíno sessão de violência que degrada não quem a sofreu, mas quem a fez – os mentecaptos sorridentes liderados por Marcelo Tas.
O que eles fizeram não é nem comédia e nem jornalismo: é simplesmente um caso de polícia.
Um repórter-palhaço ficou trollando desvairadamente Genoíno, em Brasília, em busca de uma “entrevista”, aspas.
Louvo aqui o autocontrole de Genoíno,  porque pouca gente é capaz de suportar uma provocação tão baixa pelo que pareceu uma eternidade.
Depois, a gangue colocou um garoto pré-adolescente num papel que em algum momento haverá de envergonhá-lo, se ele tiver decência básica.
O menino enganou Genoíno. Se fez passar por admirador para entrar na sala de Genoíno e extrair algumas palavras.
Depois, em seguimento às mentiras que o fizeram contar, o garoto disse a Genoíno que seu tio estava fora da sala, esperando para cumprimentá-lo.
O tio era um dos integrantes da gangue.
Genoíno saiu da sala e deu de cara com o tio de mentira. E isso foi comemorado como um triunfo pela gangue.
Se há algum comitê de proteção à infância que funcione no Brasil, ele tem que cobrar satisfações de quem fez o garoto se submeter a uma infâmia dessa natureza. Dificilmente ele terá outra aula tão completa de canalhice.
Em poucos minutos, o menino foi obrigado a agir como um pequeno trapaceiro desprezível. O risco é que ele cresça e se torne um adulto tão asqueroso como Marcelo Tas e os integrantes da gangue.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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A Diarreia Mental daquela figura do SBT

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Charge online - Bessinha - # 1741

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