27 de mar de 2013

Os Direitos Humanos em Cuba

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A receita de Rousseau para uma sociedade harmoniosa é extremamente atual

Ei-la: “Não tolerem opulência e nem mendicância”.
Rousseat
Rousseau
“QUEREM DAR consistência ao Estado? Aproximem os extremos. Não tolerem nem a opulência nem a mendicância.”
A frase de Rousseau em seu Contrato Social me ocorre ao refletir sobre o projeto de Bill Gates e Warren Buffett de convencer bilionários como eles a destinar, no testamento,  parte de sua fortuna para a filantropia.
É mais marketing que outra coisa. O problema na sociedade americana é o abismo entre bilionários (pouquíssimos) e o resto (muitíssimos). Essa desigualdade é maquiada pela fantasia de que qualquer um pode se tornar Bill Gates. É lorota. Veja quantos iguais a Bill Gates existem e quantos sonham, na fronteira cabulosa entre a esperança e o desespero, com a proteção do Projeto de Saúde de Obama, inspirado nos países mais desenvolvidos da Europa.
Uma digressão: ri comigo mesmo ao imaginar o que Jorge Paulo Lehman teria dito a seu amigo Buffett caso este o tivesse  convidado a entrar no grupo dos filantropos blionários.
A melhor coisa que li sobre o projeto estava num editorial do Global Times, da China. Antes de perguntar por que os bilionários decidiram ser generosos, dizia o editorial, você deve perguntar por que eles têm tanto dinheiro.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Perseguidos

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O apoio absurdo que a mídia americana deu à Guerra do Iraque

Quem pediu perdão por acreditar nas mentiras atrozes de Bush — e quem não se arrepende até hoje.
"Missão cumprida"
“Missão cumprida”
O jornalista Greg Mitchell é autor de um livro sobre os erros da mídia na cobertura da guerra do Iraque. Chama-se So Wrong For So Long (Tão Errada Por Tanto Tempo). Há poucos dias, Mitchell teve um artigo sobre os 10 anos da guerra recusado pelo Washington Post. A justificativa foi que o trabalho não oferecia análise ou insights mais amplos.
Mitchell não engoliu o motivo da recusa. Em seu lugar, entrou outro colunista, defendendo o papel da imprensa durante o conflito. O Washington Post, como toda a grande mídia dos EUA, apoiou a ofensiva e comprou toda a lorota das armas de destruição em massa de Saddam Hussein. Agora, muitos meios de comunicação, além de jornalistas, estão passando a limpo seu papel nessa história.
Mitchell resolveu postar o artigo em seu blog e ele rapidamente se tornou viral. “O New York Times, ao menos, clamou por cautela em editoriais em 2003. Já o Washington Post fez ao menos 27 editoriais a favor da guerra no mesmo período”.
Aqui vão alguns trechos do artigo de Mitchell que o WP não quis colocar em suas páginas. É um balanço curto e didático da embrulhada em que os Estados Unidos se meteram, tendo à frente um presidente mentiroso.
Durante algum tempo, em 2003, a palavra Iraque significava nunca ter de pedir perdão. A ofensiva da primavera havia produzido uma vitória em menos de três semanas, com uma taxa de mortalidade relativamente baixa entre americanos e civis iraquianos. Saddam fugiu e George W. Bush e sua equipe receberam elogios esmagadores, pelo menos aqui em casa.
Mas espere. Onde estavam as multidões saudando-nos como “libertadores”? Por que os iraquianos agora estão atirando uns nos outros – e explodindo nossos soldados? E onde estavam as armas de destruição em massa e materiais nucleares? A maioria dos americanos apoiou a invasão, por isso ainda era muito cedo para mea culpas.
Em 2004, ficou claro que as armas de Saddam nunca seriam encontradas, mas com uma nova eleição a caminho, “desculpe” ainda era a palavra mais difícil de falar. Mas alguns lampejos muito limitados de prestação de contas começaram a aparecer.
Bush e muitos outros – incluindo dezenas de democratas – que afirmaram que as provas de armas de destruição em massa eram batata agora admitem que essa inteligência de guerra estava abaixo da média. Mas não os culpo! Eles simplesmente tinham sido enganados. Judith Miller, do New York Times, talvez a primeira fabulista no período de preparação para a guerra, explicou que era tão boa quanto suas fontes, que tinham nomes como “Guy Red Cap” e “Curveball”.
Saddam é capturado pelo exército
Saddam é capturado pelo exército
Mas os meios de comunicação, que na maior parte haviam engolido toda a história das armas, não apoiaram a reeleição e, portanto, algumas autocríticas, pelo menos, aconteceram.
A Mini Culpa: esta expressão foi cunhada por Jack Shafer, da Slate, após o New York Times publicar uma “nota dos editores”, em maio de 2004, admitindo que tinha “publicando artigos problemáticos” (não mencionou nenhum dos autores) sobre o Iraque, mas salientando que foi “enganado”, como a maioria, no governo Bush. Ao contrário do Times, os editores do Washington Post não produziram sua própria explicação, mas permitiram ao editor de mídia Howard Kurtz escrever um longo artigo. Editores e repórteres admitiram ter trabalhado mal, mas ofereceram uma desculpa atrás da outra, com frases como “é sempre fácil julgar em retrospectiva”, “dificuldades de edição”, “problemas de comunicação” e “há espaço limitado na primeira página.” Um repórter top disse: “Nós somos, inevitavelmente, porta-vozes da administração que está no poder.”
No ano passado, a carnificina no Iraque se intensificou, mas aceitar a culpa por isso na América ainda era muito difícil. O presidente Bush e o vice-presidente Cheney disseram que, mesmo sabendo que a ameaça era falsa, ainda fariam novamente o que fizeram. Motivo: eles depuseram um “ditador” – ou você preferiria ter Saddam ainda no poder?
Agora vamos dar um Flash Forward para estas últimas duas semanas, quando o Iraque (lembra-se do Iraque?) ressurgiu nas seções de notícias e opiniões. Primeiro, aqueles que aceitaram alguma culpa.
David Frum, autor dos discursos de Bush, escreveu mais de mil palavras no Daily Beast descrevendo várias razões para promover a guerra antes de concluir muito brevemente: “aqueles de nós que estavam envolvidos, de qualquer maneira, devem assumir a responsabilidade.” Acrescentou: “Eu poderia ter me ateado fogo em protesto no gramado da Casa Branca e a guerra teria prosseguido sem mim”. Jonathan Chait, da revista New Yorker, se arrependeu por apoiar a guerra, mas defendeu a crença nas armas de destruição de Saddam e lembrou que “apoiar a guerra era cool e um sinal de seriedade. As pessoas que exigem desculpas hoje serão solicitadas a pedir desculpas amanhã “.
O então secretário de defesa Donald Rumsfeld
O então secretário de defesa Donald Rumsfeld
O jornalista Ezra Klein pediu desculpas em uma coluna do site da Bloomberg por apoiar a guerra – quando ele tinha 18 anos. O blogueiro Charles Pierce, da Esquire, respondeu: “É encorajador que ele não seja mais ‘jovem e burro’ para acreditar em contos de fadas”.
Thomas Friedman, famoso colunista do New York Times, admitiu que os EUA tinham “pago um preço muito alto” pela a invasão de 2003 (que ele apoiou, mas não menciona agora), mas, ei, ainda havia uma chance de que coisas boas aconteceriam – se apenas aqueles iraquianos ingratos parassem de explodir uns aos outros e criassem uma democracia estável.
Agora, aqueles que não pediram perdão:
Paul Wolfowitz, ex-vice-chefe do Pentágono, em entrevista negou que ele foi o arquiteto do desastre. Afinal, “eu não encontrei com ele [Bush] tão frequentemente.” O New York Times, em um editorial, apontou o dedo para os protagonistas que ajudaram a causar a guerra, mas de alguma forma não reconhece qualquer papel na “bagunça”. O jornalista Peter Beinart, no The Daily Beast, chamou a guerra de “arrogância “, mas não revelou que ele (arrogantemente?) apoiou a guerra assim mesmo.
Dick Cheney, em um novo documentário, disse que faria tudo de novo. “Eu me sinto muito bem com isso. Se eu tivesse de fazer tudo de novo, faria isso em um minuto”. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair concordou. Donald Rumsfeld tuitou (sim) sobre o fato de ter “libertado” 25 milhões de iraquianos. Ele não conseguia se lembrar de quando disse que a guerra duraria, no máximo, seis meses. Richard Perle, ex-presidente do Conselho Político de Defesa do Pentágono, disse, ao ser questionado se a guerra valeu a pena: “Não é uma questão razoável. O que fizemos na época foi na crença de que aquilo era necessário para proteger esta nação”.
Kenneth Pollack, ex-analista da CIA e um dos apoiadores mais influentes da guerra, agora diz que tinha uma guerra diferente em mente e a ocupação foi tratada de forma incompetente, afirmando que “não tinha de ser assim tão ruim”.
Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Também o México põe em marcha sua reforma na mídia

Objetivo é evitar monopólios para, com isso, beneficiar a sociedade, e não os grandes grupos.
O novo presidente mexicano, Peña Neto, está reformando a mídia e as teleconunicações
O novo presidente mexicano, Peña Neto, está reformando a mídia e as telecomunicações
A reportagem abaixo, produzida pela Reuters, foi publicada na Yahoo News.
A Câmara dos Deputados do México aprovou preliminarmente, dias atrás, a tão esperada reforma das telecomunicações e meios de comunicação, destinada a aumentar a concorrência e acesso a mercados dominados por empresas dos bilionários Carlos Slim e Emilio Azcárraga.
A Câmara aprovou por larga maioria as bases do projeto que o governo enviou no início de março, e alguns pontos específicos continuarão a ser debatidos nos próximos dias. O passo seguinte, agora, é a provável aprovação também  do Senado.
Esta é a primeira grande reforma econômica do presidente Enrique Peña Nieto. Ela estipula que  nenhum grupo pode mais de 50% do mercado de telecomunicações e mídia, para barrar monopólios e oferecer preços mais baixos e melhores serviços para os consumidores.
Pelo projeto presidencial, as grandes empresas terão que se desfazer de negócios para se ajustar às novas regras. O projeto amplia também os limites de investimento de grupos estrangeiros no mercado de telecomunicações mexicano. Também estão previstas licitações para a abertura de dois novos canais de televisão.
A gigante das telecomunicações  América Móvil, coração do império de Slim, controla 70% do mercado sem fio do México e cerca de 80% do da linha fixa.
Fora isso, o grupo de mídia Televisa, da família Azcarraga, tem 70% da audiência na televisão aberta e é também um dos líderes em tevê por assinatura.
“Em nosso país existe apenas um território e ele não é uma propriedade de qualquer empresa, e não podemos continuar  reféns de monopólios”, disse durante o debate Julio Cesar Moreno, deputado do Partido da Revolução Democrática (PRD),  de esquerda e de oposição.
As ações da Televisa, da TV Azteca  (segunda maior emissora de televisão do país) e da América Móvil caíam desde a apresentação do projeto.
Apesar do apoio dos principais partidos à reforma proposta de Peña Nieto, há divergências em alguns assuntos.
Parlamentares da oposição dizem que o ponto central da discórdia é que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) procurou alterar a parte do projeto que diz respeito à televisão via satélite.
Também houve divergências quanto a se o presidente da república deve ou a não emitir um parecer sobre a outorga de concessões. Faltou consenso, igualmente, na forma de nomeação dos integrantes de um novo órgão, o Instituto Federal de Telecomunicações, que terá poder para ordenar a venda de ativos para evitar monopólios.
O projeto de reforma também propõe a criação de tribunais especializados para resolver litígios de telecomunicações e de mídia  – setores caracterizados por longas e complexas disputas legais.
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Serra contra os mineiros

Os dois maiores problemas do homem são o mistério da morte e a ambição do poder. Lucrécio, em De rerum natura, associa uma coisa à outra, ao dizer que do medo da morte nasceram a fome do ouro e a ambição da glória – e glória, direta ou indiretamente, é poder.
A ambição do poder é legítima, mas quando não se submete à razão, costuma perder-se. Há dois paradigmas históricos clássicos sobre a conduta na busca e no exercício do poder. Um é o do Cardeal de Richelieu, o outro, o de Nero. O tutor e todo poderoso ministro de Luís 13 foi o modelo de todos quantos submeteram o poder à razão de Estado.
O imperador romano foi o mais enlouquecido dos tiranos. E há aqueles que, em sua paranóia, supõem que agem com lógica em sua insensatez, como Hitler. Entre nós, e em episódio menor e grotesco, tivemos o comportamento de Jânio Quadros, que chegou ao Planalto, e o de Lacerda, que ficou no caminho.
José Serra é um caso de estudo político. O jovem, filho de trabalhadores imigrantes, destacou-se na adolescência como líder estudantil. Era, na identificação ideológica do tempo, homem de esquerda. A formação, no exílio, que lhe não foi difícil, graças à solidariedade dos meios acadêmicos, fez dele um economista. Ao retornar, depois do exercício eventual do jornalismo, integrou-se no MDB e, assim, ocupou a Secretaria de Planejamento do governador Franco Montoro.
Serra, pelo que dizem as folhas, e ele não desmente, está se unindo ao governador de Pernambuco contra Aécio Neves. A menos que haja uma explicação psicanalítica, não se trata de um problema pessoal. Os dois sempre se deram bem, não obstante os 20 anos a mais de Serra. O que está em jogo, e não se confessa, é o interesse de parcelas, minoritárias, das elites econômicas de São Paulo, que, sem qualquer razão objetiva, sempre viram, em Minas, a linha de resistência contra a hegemonia política e econômica dos bandeirantes sobre a Federação. Os mineiros não querem sobrepujar São Paulo, embora isso fosse natural e legítimo, porque uma nação só cresce na sadia competição regional. Os mineiros querem crescer em uma nação que cresça por igual. Qualquer um que conversar com o homem comum de Minas dele receberá essa certeza.
A meio caminho entre o Norte e o Sul históricos, e entre o litoral e o Oeste que eles, mineiros conquistaram em parceria com os paulistas, os montanheses, formados pelos povos de todas as procedências, não conseguem pensar fora do Brasil. O Brasil é o seu destino inafastável. Longe do mar e sem fronteiras com o Exterior, Minas sempre será o Brasil, mesmo na desgraçada hipótese de alguma secessão.
José Serra, desde o seu retorno, buscou o poder. Ao formar seu Ministério, Tancredo se viu compelido a não aproveitá-lo, nem aproveitar Fernando Henrique, mais por resistência do próprio PMDB de São Paulo do que pelo seu próprio arbítrio. Como todos sabem, o partido, em São Paulo, estava dividido entre Montoro e Ulysses, e os dois estavam ligados indissoluvelmente ao governador.
Para não desagradar uma ou outra ala, em momento difícil de conciliação nacional, o presidente eleito buscou personalidades estranhas a esse dissídio interno do partido, convocando Setúbal, Roberto Gusmão e Almir Pazzianoto para o Ministério. Talvez não fosse a equipe dos sonhos de Tancredo, mas era a que as circunstâncias permitiam.
A partir de então, foi notável a idiossincrasia de Serra contra os políticos mineiros. Itamar, logo depois de ter escolhido um paulista para seu sucessor – o que demonstra o espírito público nacional dos mineiros – passou a ser olhado com desprezo por Serra, por Fernando Henrique, pela avenida Paulista e seus arredores.
Em 2010, os mineiros se movimentaram para que Aécio fosse candidato à sucessão de Lula. O PSDB de São Paulo impediu essa candidatura, embora Aécio houvesse proposto consulta formal às bases nacionais do partido. Houve quem defendesse a candidatura de Serra sob o argumento da precedência etária, como se os idosos tivessem preferência constitucional ao poder. Aécio renunciou à postulação, elegeu-se senador e elegeu seu sucessor no Palácio da Liberdade.
Agora, a sua candidatura à presidência de seu partido – de que foi fundador – é claramente sabotada pelo ex-governador José Serra e pelos seus aliados do PSDB de São Paulo. Com franciscano exercício de paciência, Aécio esteve ontem, à noite, em São Paulo, buscando, como é de seu dever, o entendimento improvável.
Depois do último encontro entre os dois, houve a aproximação entre Serra e Eduardo Campos e se tornaram públicos os elogios recíprocos entre o paulista e o pernambucano.
Eduardo é neto de Miguel Arrais, um dos mais fiéis defensores do povo brasileiro. Ao ouvir o discurso de Tancredo, no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, o grande brasileiro disse que a vitória do mineiro estava além de seus sonhos. A aliança entre Pernambuco e Minas era vista como natural, na defesa da igualdade federativa no Brasil, como já ocorreu na História. Mas, ao que parece, ela está impedida pela ambição do poder de Serra, potencializada pela aspiração de Eduardo Campos à Presidência – sob o apadrinhamento interessado de Roberto Freire, esse outro renegado dos ideais juvenis.
Há nascidos em Minas que, pelas mesmas e insanas ambições, traíram a honra de seu povo, como foi o caso dos que se somaram aos americanos no golpe de 1964. Os autênticos mineiros, vindos de seu solo ético, já recolheram ofensas semelhantes e guardarão mais essa nos embornais de montanheses.
Se o PSDB de São Paulo, com os recursos conhecidos, impedir a marcha de Aécio, ele pode retornar às suas inexpugnáveis montanhas, e ao Palácio da Liberdade. Ali, com os braços livres, ele poderá, e sempre tendo em mente as razões nacionais, escolher o seu caminho na sucessão presidencial.
Minas, com sua História e seus valores, é a sólida patriazinha de que fala Guimarães Rosa.
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Trabalharíamos 18 horas por dia de segunda a segunda se dependesse de Danuza

Ir contra as conquistas trabalhistas das empregadas domésticas desafia qualquer lógica.
Mais um fora
Mais um fora
Danuza mais uma vez vacilou.
Não havia um editor na Folha para conversar com ela antes que o texto das empregadas domésticas fosse publicado?
Em certo momento, ela fala que não existe país com direitos trabalhistas iguais aos do Brasil. Ora, onde ela foi arrumar uma informação tão descabida?
Os direitos trabalhistas brasileiros, comparados aos da Escandinávia, por exemplo, são primitivos. Na Noruega, as mulheres têm um ano de licença maternidade, e os pais têm dez semanas de folga remunerada para ajudar a cuidar dos bebês.
Na Suécia, creches governamentais que parecem hotéis cuidam durante a noite de crianças cujas mãe tenham trabalho noturno.
E a economia escandinava é florescente. Mídia nenhuma se atreve lá a fazer campanhas contra o “Custo Escandinávia”.
Mas o pior do artigo de Danusa não está na informação errada, e sim na lógica tortuosa.
Se a seguíssemos, os trabalhadores teriam jornadas de sete dias por semanas e de 16 horas, como foi nos primórdios da era industrial.
Estaríamos assim se dependesse de Danusa
Estaríamos assim se dependesse de Danusa
Não haveria férias, não haveria aposentadoria, e as crianças de famílias pobres iriam direto não para a escola mas para o trabalho.
Foi a Alemanha de Bismarck, na segunda metade do século 19, que criou proteção aos trabalhadores. Não por espírito filantrópico, mas porque havia uma intensa pressão dos sindicatos dos trabalhadores, e também porque o governo temia uma revolução de esquerda.
Mais direitos para as empregadas domésticas é uma excelente notícia para elas e para a sociedade.
Quem não puder pagar vai aprender a cuidar das próprias coisas, e encontrará saídas alternativas. Em Londres, o recurso às cleaners, diaristas, é um fato da vida da classe média.
Você acerta com uma cleaner uma ou duas visitas por semana de duas ou três horas cada, e paga cerca de 35 reais a hora.
Fora disso, você mesmo lava a roupa, passa o aspirador e faz a louça. Há máquinas boas e baratas.
As inglesas que no passado já remoto trabalhavam como domésticas têm hoje ocupações mais sofisticadas e mais bem pagas. Ninguém ficou ao relento, como parece temer Danusa.
Assim como, na Alemanha bismarquiana, a indústria não se destruiu – longe disso, como se vê hoje – porque os trabalhadores conquistaram direitos.
Já é mais que hora de a classe média brasileira lavar a própria roupa suja. É fácil, como aprendi em Londres.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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A entrevista completa de Lula para o Valor Econômico

http://www2.valoronline.com.br/sites/default/files/imagecache/media_library_300_197/gn/13/03/foto27pri-101-e-lula-a1_0_196_755_494.jpg 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o Valor num hotel na zona sul de São Paulo depois do seminário “Novos Desafios da Sociedade”, promovido pelo jornal.
Valor: Como está sua saúde?
Luiz Inácio Lula da Silva: Agora estou bem. Há um ano vou à fisioterapia todos os dias às 6h da manhã. Minha perna agora está 100%. Estou com 84 quilos. É 12 a menos do que já pesei mas é oito a mais do que cheguei a ter. Não tem mais câncer, mas a garganta leva um bom tempo para sarar. A fonoaudióloga diz que é como se fosse a erupção de um vulcão. Tem uma pele diferenciada na garganta que leva tempo para cicatrizar. Quando falo dá muita canseira na voz. Já tenho 67 anos. Não é mais a garganta de uma pessoa de 30 anos.
Valor: O senhor deixou de fumar e beber?
Lula: Não dá mais porque irrita a garganta.
Valor: Dois anos e três meses depois do início do governo Dilma, qual foi seu maior acerto e principal erro?
Lula: Quando deixei a Presidência, tinha vontade de dar minha contribuição para a Dilma não me metendo nas coisas dela. E acho que consegui fazer isso quando viajei 36 vezes depois de deixar o governo. Fiquei um ano imobilizado por causa do câncer. Estou voltando agora por uma coisa mais partidária. Sinceramente acho que no meu governo eu deixei muita coisa para fazer. Por isso foi importante eleger a Dilma, para ela dar continuidade e fazer coisas novas. O Brasil nunca esteve em tão boas mãos como agora. Nunca esse país teve uma pessoa que chegou na Presidência tão preparada como a Dilma. Tudo estava na cabeça dela, diferentemente de quando eu cheguei, de quando chegou Fernando Henrique Cardoso. Você conhece as coisas muito mais teóricas do que práticas. E ela conhecia por dentro. Por isso que estou muito otimista com o sucesso da Dilma e ela está sendo aquilo que eu esperava dela. Foi um grande acerto. Tinha obsessão de fazer o sucessor. Eu achava que o governante que não faz a sucessão é incompetente.
Valor: A presidente baixou os juros, desonerou a economia, reduziu tarifas de energia e apreciou o câmbio. Ainda assim não se nota entusiasmo empresarial por seu governo ou sua reeleição. A que o senhor atribui a insatisfação? Teme-se que esse governo não tenha uma política anti-inflacionária tão firme ou é pela avaliação de que o governo Dilma seja intervencionista?
Lula: Não creio que haja má vontade dos empresários com a presidente. Passamos por algumas dificuldades em 2011 e 2012 em função das políticas de contração para evitar a volta da inflação. Foi preciso diminuir um pouco o crédito e aí complicou um pouco, mas Dilma tem feito a coisa certa. Agora tem conversado mais com setores empresariais. Acho que os empresários brasileiros, e eu vivi isso oito anos assim como Fernando Henrique também viveu, precisam compreender que uma economia vai ter sempre altos e baixos. Não é todo dia que a orquestra vai estar sempre harmônica. O importante é não perder de vista o horizonte final. O Brasil está recebendo US$ 65 bilhões de investimento direto. Então não dá para se ter qualquer descrença no Brasil nesse momento. Nunca os empresários brasileiros tiveram tanto acesso a crédito com um juro tão baixo. Vamos supor que a Dilma não tivesse a mesma disposição para conversar que eu tinha. Por razões dela, sei lá. O dado concreto é que, de uns tempos para cá, a Dilma tem colocado na agenda reuniões com empresários e partidos políticos.
Valor: Os empresários acham que ela é ideológica demais…
Lula: O que é importante é que ela não perde suas convicções ideológicas, mas não perde o senso prático para governar o país. Ela não vai governar o país com ideologia. Se alguém ainda aposta no fracasso da Dilma, pode começar a quebrar a cara. Ela tem convicção do que quer. Esses dias liguei para ela e disse para tomar cuidado para não passar dos 100%. Porque há espaço para ela crescer. Vai acontecer muito mais coisa nesse país ainda. Não adianta torcer para não ter sucesso. Não há hipótese de o Brasil não dar certo.
Valor: A queixa é de que tudo que eles [os empresários] precisam têm que falar com a presidente porque os ministros não têm autonomia para decidir, ela não delega. É isso?
Lula: Se isso foi verdade, já acabou. Sinto, nos últimos meses, que a Dilma tem feito muito mais reuniões. Tem soldado muito mais o governo. A pesquisa mostra que o governo vem crescendo e vai chegar perto dela nas pesquisas. E os ajustes vão acontecendo. É a primeira vez que a gente tem uma mulher. O papel dela não é tão fácil quanto o meu porque 99% das pessoas que recebia eram homens, e homem fala coisa que mulher não pode falar, conta piada. Não há hábito do homem ainda perceber a mulher num cargo mais importante. Mas os homens vão ter que se acostumar. Uma mulher não pode se soltar numa reunião onde só tenha homem. Então acho que as pessoas têm que aprender a gostar das outras pessoas como elas são. A Dilma é assim e é assim que ela é boa para o Brasil. A mesma coisa é a Graça [Foster]. É uma mulher muito respeitada também. Não brinca nem é alegre, mas cada um tem seu jeito de ser.
Valor: Seu governo viabilizou projetos essenciais para o rumo que a economia pernambucana tomou, como o polo petroquímico e a fábrica da Fiat. A pré-candidatura Eduardo Campos, que agrega adversários fidagais de seu governo, como Jarbas Vasconcelos e Roberto Freire, e anima até José Serra, é uma traição?
Lula: Não. Minha relação de amizade com Eduardo Campos e com a família dele, que passa pela mãe, pelo avô e pelos filhos, é inabalável, independentemente de qualquer problema eleitoral. Eu não misturo minha relação de amizade com as divergências políticas. Segundo, acho muito cedo pra falar da candidatura Eduardo. Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Me parece que não tem vontade de ser senador da República nem deputado. O que é que ele vai ser? Possivelmente esteja pensando em ser candidato para ocupar espaço na política brasileira, tão necessitada de novas lideranças. Se tirar o Eduardo, tem a Marina que não tem nem partido político, tem o Aécio que me parece com mais dificuldades de decolar. Então é normal que ele se apresente e viaje pelo Brasil e debata. Ainda pretendo conversar com ele. A Dilma já conversou e mantém uma boa relação com ele.
Valor: O Fernando Henrique teve como candidato um ministro e o senhor também. O senhor acha que ainda é possível demover Eduardo Campos com a proposta de que ele se torne um ministro importante no governo Dilma e depois seu candidato? É possível se comprometer com quatro anos de antecedência?
Lula: Somente Dilma é quem pode dizer isso. Não tenho procuração nem do Rui Falcão [presidente do PT] nem da Dilma para negociar qualquer coisa. Vou manter minha relação de amizade com Eduardo Campos e minha relação política com ele. Até agora não tem nada que me faça enxergá-lo de maneira diferente da que enxergava um ano atrás. Se ele for candidato vamos ter que saber como tratar essa candidatura. O Brasil comporta tantos candidatos. Já tive o PSB fazendo campanha contra mim. O Garotinho foi candidato contra mim. O Ciro também. E nem por isso tive qualquer problema de amizade com eles. Candidaturas como a do Eduardo e da Marina só engrandecem o processo democrático brasileiro. O que é importante é que não estou vendo ninguém de direita na disputa.
Valor: Já que o senhor tem uma relação tão forte de amizade com ele, vai pedir para Eduardo Campos não se candidatar?
Lula: Não faz parte da minha índole pedir para as pessoas não se candidatarem porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganho. Precisei perder três eleições para virar presidente. Eu não pedirei para não ser candidato nem para ele nem para ninguém. A Marina conviveu comigo 30 anos no PT, foi minha ministra o tempo que ela quis, saiu porque quis e várias pessoas pediram para eu falar com ela para não ser candidata e eu disse: “Não falo”. Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças. O que acho grave é que os tucanos estão sem liderança. Acho que Serra se desgastou. Poderia não ter sido candidato em 2012. Eu avisei: não seja candidato a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio acho que ele está concorrendo agora. E o Aécio não tem a performance que as pessoas esperavam dele.
Valor: Quem é o adversário mais difícil da presidente: Aécio, Marina ou Eduardo?
Lula: Não tem adversário fácil. O que acho é que Dilma vai chegar na eleição muito confortável. Se a gente trabalhar com seriedade, humildade e respeitando nossos adversários e a economia estiver bem, com a inflação controlada e o emprego crescendo, acho que certamente a Dilma tem ampla chance de ganhar no primeiro turno.
Valor: Como vai ser sua atuação na campanha de 2014? Vai atuar mais nos bastidores, na montagem das alianças, ou vai subir em palanque em todos os Estados?
Lula: Eu quero palanque.
Valor: Vai subir em Pernambuco e pedir votos para Dilma?
Lula: Vou. Vou lá, vou em Garanhuns, vou no Rio, São Paulo, na Paraíba, em Roraima…
Valor: Seus médicos já liberaram?
Lula: Já. Se eu não puder eu levo um cartaz dela na mão (risos). Não tem problema. Acho que ela vai montar uma coordenação política no partido e eu não sou de trabalhar bastidores. Eu quero viajar o país.
Valor: Nem às costuras de alianças o senhor vai se dedicar?
Lula: Não precisa ser eu. O PT costura.
Valor: Quais são as alianças mais difíceis? Como resolver o problema do Rio?
Lula: No Rio tem uma coisa engraçada porque nós temos o Pezão, que é uma figura por quem eu tenho um carinho excepcional. Nesses oito anos aprendi a gostar muito do Pezão, um parceiro excepcional. E tem o Lindbergh.
Valor: Ele disse que vai fazer o que o senhor mandar…
Lula: Não é bem assim. Eu não posso tirar dele o direito de ser candidato. Ele é um jovem talentoso, um encantador de serpentes, como diriam alguns, com uma inteligência acima da média, com uma vontade de trabalhar, como poucas vezes vi na vida. Ele quer ser. Cabe ao partido sempre tratar com carinho, porque nós temos que ter sempre como prioridade o projeto nacional. Ou seja: a primeira coisa é a eleição da Dilma. Não podemos permitir que a eleição da Dilma corra qualquer risco. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB. Acho que o PT trabalha muito com isso e que Lindbergh pode ser candidato sem causar problema. Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele, certamente, vai ser uma candidatura forte. Obviamente Pezão será um candidato forte, apoiado pelo governador e pela prefeitura. Na minha cabeça o projeto principal é garantir a reeleição de Dilma. É isso que vai mudar o Brasil.
Valor: Aqui em São Paulo o candidato é o Padilha?
Lula: Olha, acho que a gente não tem definição de candidato ainda. Você tem Aloizio Mercadante, que na última eleição teve 35% dos votos, portanto ele tem performance razoável. Tem o Padilha, que é uma liderança emergente no PT, que está em um ministério importante. Tem a Marta que eu penso que não vai querer ser candidata desta vez. Tem outras figuras novas como o Luiz Marinho, que diz que não quer ser candidato. Tem o José Eduardo Cardozo, que vira e mexe alguém diz que vai ser candidato e você pode construir aliança com outros partidos políticos. Para nós a manutenção da aliança com o PMDB aqui em São Paulo é importante.
Valor: Isso passa até pelo PT aceitar um candidato do PMDB?
Lula: Se tiver um candidato palatável, sim. Nós nunca tivemos tanta chance de ganhar a eleição em São Paulo como agora. A minha tese é a mesma da eleição de Fernando Haddad. Ou seja, alguém que se apresente com capacidade de fazer uma aliança política além dos limites do PT, além dos limites da esquerda. Como é cedo ainda, temos um ano para ver isso. Eu fico olhando as pessoas, vendo o que cada um está fazendo. E pretendo, se o partido quiser me ouvir, dar um palpite.
Valor: Em 2012, em São Paulo, o senhor defendeu a renovação do partido, com um candidato novo. Essa fórmula será mantida para o governo do Estado?
Lula: Hoje temos condições de ver cientificamente qual é o candidato que o povo espera. Por exemplo, quando Haddad foi candidato a prefeito, eu nunca tive qualquer preocupação. Todas as pesquisas que a gente trabalhava, as qualitativas que a gente fazia, toda elas mostravam que o povo queria um candidato como ele. Então era só encontrar um jeito de desmontar o Russomanno, que em algum lugar da periferia se parecia com o candidato do PT. Na época eu não podia nem fazer campanha direito. Estava com a garganta inchada. Eu subia no caminhão para fazer discurso sem poder falar, mas era necessário convencer as pessoas de que o candidato do PT era o Haddad, não era o Russomanno. Quando isso engrenou, o resto foi mais tranquilo. Para o governo do Estado é a mesma coisa. Não é quem sai melhor na pesquisa no começo. É quem pode atender os anseios e a expectativa da sociedade.
Valor: E quem pode?
Lula: Não sei. Temos que ter muito critério na escolha. A escolha não pode ser em função só da necessidade da pessoa, de ela querer ser. Tem que ser em função daquilo que é importante para construir um leque de aliança maior. Temos que costurar aliança, temos que trazer o PTB, manter o Kassab na aliança e o PMDB. Precisamos quebrar esse hegemonismo dos tucanos aqui em São Paulo, porque eles juntam todo mundo contra o PT. Precisamos quebrar isso. Acho que temos todas as condições.
Valor: Desde que deixou a Presidência, o senhor tem sido até mais alvejado que a presidente. Foi acusado de tentar manter a chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Agora foi acusado de ter suas viagens financiadas por empreiteiras. Como o senhor recebe essas críticas e como as responde?
Lula: Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder. Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem. É que nem apelido: se eu coloco um apelido na pessoa e a pessoa fica nervosa e começa a xingar, pegou o apelido. Se ela não liga, não pegou o apelido. Tenho 67 anos de idade. Já fiz tudo o que um ser humano poderia fazer nesse país. O que faz um presidente da República? Como é que viaja um Clinton? A serviço de quem? Pago por quem? Fernando Henrique Cardoso? Ou você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora? Algumas pessoas são mais bem remuneradas do que outras. E eu falo sinceramente: nunca pensei que eu fosse tão bem remunerado para fazer palestra. Sou um debatedor caro. E tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste país. Contam-se nos dedos quantos presidentes podem falar das boas experiências administrativas como eu. Quando era presidente, fazia questão de viajar para qualquer país do mundo e levar empresários, porque achava que o presidente pode fazer protocolos, assinar acordo de intenções, mas quem executa a concretude daquilo são os empresários. Viajo para vender confiança. Adoro fazer debate para mostrar que o Brasil vai dar certo. Compre no Brasil porque o país pode fazer as coisas. Esse é o meu lema. Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho nenhuma vergonha de continuar fazendo isso. Se for preciso vender carne, linguiça, carvão, faço com maior prazer. Só não me peça para falar mal do Brasil que eu não faço isso. Esse é o papel de um político que tem credibilidade. Foi assim que ganhei a Olimpíada, a Copa do Mundo. Quando Bush veio para cá e fomos a Guarulhos, disse a ele que era para tirarmos fotografia enchendo um carro de etanol. Tinham dois carros, um da Ford e um da GM, e ele falou: “Eu não posso fazer merchandising”. Eu disse: “Pois eu faço das duas”. Da Ford e da GM. E o Bush tirou foto com chapéu da Petrobras. Sem querer ele fez merchandising da Petrobras. Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.
Valor: O senhor acha que São Paulo corre risco de perder a abertura da Copa porque o Banco do Brasil não vai liberar dinheiro sem garantias?
Lula: Sinceramente não acredito que as pessoas que fizeram o sacrifício para chegar onde chegaram vão se permitir morrer na praia agora. A verdade é que o Corinthians precisa de um estádio de futebol independentemente de Copa do Mundo. São Paulo não pode ficar fora da Copa. Acho que seria um prejuízo enorme do ponto de vista político e simbólico o Estado mais importante da Federação, com os times mais importantes da Federação – com respeito ao Flamengo – esteja fora da Copa do Mundo. É impensável. Eles que tratem de arranjar uma solução.
Valor: O senhor voltará à política em 2018?
Lula: Não volto porque não saí.
Valor: Voltará a se candidatar?
Lula: Não. Estarei com 72 anos. Está na hora de ficar quieto, contando experiência. Mas meu medo é falar isso e ler na manchete. Não sei das circunstâncias políticas. Vai saber o que vai acontecer nesse país, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada.
Valor: Que análise o senhor faz do julgamento do mensalão?
Lula: Não vou falar por uma questão de respeito ao Poder Judiciário. O partido fez uma nota que eu concordo. Vou esperar os embargos infringentes. Quando tiver a decisão final vou dar minha opinião como cidadão. Por enquanto vou aguardar o tribunal. Não é correto, não é prudente que um ex-presidente fique dizendo “Ah, gostei de tal votação”, “Tal juiz é bom”. Não vou fazer juízo de valor das pessoas. Quando terminar a votação, quando não tiver mais recursos vou dizer para você o que é que eu penso do mensalão.
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Lapsus Linguae do César Tralli

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Decisões de olho no Ibope?

Até o momento me abstive de comentar o julgamento do Mensalão. Muito já foi dito sobre o tema e novos comentários só terão sentido após a publicação do acórdão e o exame mais detalhado das razões de decidir de nossa Suprema Corte.
Mas se fazem necessárias algumas considerações sobre os julgamentos do STF após o mensalão. A intensa polêmica que envolveu este julgamento trouxe, uma vez passada a cobertura midiática que sem dúvida não teve paralelo na história mundial, toda uma série de contestações que põem em xeque a qualidade mesma do julgamento. Raimundo Pereira , um dos mais notáveis jornalistas do Brasil impugnou a existência de dinheiro público no esquema com farta documentação e não foi contestado. Paulo Moreira Leite apontou em livro best-seller diversas inconsistências e não foi respondido. O professor de Direito Alaor Leite, em conferência na FGV, criticou a aplicação da hoje famosa “teoria do domínio do fato” em crimes do grupo de delitos de dever, como é a corrupção, e não foi contrariado.
É claro que “juiz fala nos autos” (ou pelo menos deveria ser assim….) e justamente se aguarda a publicação do acórdão para ver as justificativas do STF quanto a estas impugnações jurídicas. Mas enquanto este não é publicado, no lento tramitar de nosso Judiciário, o STF tem tirado do armário julgamentos que aguardavam há bastante tempo e parece que tem buscado manter a empatia com a opinião pública decidindo pela tese que é mais simpática no Ibope…
São os melhores exemplos recentes a ADIN da Emenda 62, a PEC do Calote, relativa ao pagamento dos precatórios e o Recurso Extraordinário que tratava da obrigatoriedade das estatais justificarem os atos de demissão de seus empregados. Ambas as teses vencedoras são altamente simpáticas, seja a defesa das “velhinhas tricoteiras”, credoras dos precatórios, seja a garantia do emprego dos funcionários que fizeram concurso público para entrar nas estatais. A opinião pública aplaude e o Bonner dá a notícia com um belo e amplo sorriso no Jornal Nacional. Mas será mera coincidência que ambos eram processos que se arrastavam há anos , com seguidos pedidos de vista, e foram trazidos à pauta de uma hora para outra ? Será mera coincidência que foram agora julgados numa só sessão, sem novas interrupções , como seria , feliz ou infelizmente, o normal em julgamentos tão complexos e com tantas conseqüências para o país?
Aliás, examinando estes casos ora em concreto, não restem dúvidas de que o STF acertou ao exigir que as estatais e sociedades de economia mista sejam obrigadas a motivar os atos de demissão de seus empregados que fizeram concurso público para serem admitidos. Ao permitir a “ despedida imotivada” nestes casos, autoriza-se o administrador público a agir de forma que na prática frauda a seleção pública e lhe concede um poder de escolher quem trabalha na empresa .
Mas em relação à Emenda Constitucional nº 62, a decisão do STF criou uma situação gravíssima. A Emenda permitiu o avanço dos pagamentos dos precatórios nos últimos anos, já que vinculou um determinado percentual do orçamento ( entre 1 e 2% da receita corrente líquida) ao seu pagamento. Poderia ser lento, mas vinha sendo pago. Agora, voltamos ao estágio anterior. A obrigação é “pagar no próximo orçamento” : 87 bilhões? Com que dinheiro? Mas nem um só centavo é vinculado a este pagamento, chancelando, na verdade, a inadimplência. Teria feito melhor o Supremo se pensasse mais um pouco, se tivesse mais uns dois pedidos de vista para refletir…
Decidir pela tese mais simpática não significa, a priori, decidir certo ou errado. Mas pode uma Corte Suprema de Justiça, que é a guardiã da Constituição num pais, ter esta motivação para decidir?
O mensalão colocou o STF na roda viva da opinião pública, da opinião publicada, dos editoriais de jornal, das demonstrações nas ruas. É da vida, é da política, dirão alguns, mas se o sorriso do Bonner passar a pautar o Supremo…
Antônio Escosteguy Castro
No Sul21
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A Rede

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Lula defende Constituinte para reforma política: 'Congresso não irá votá-la'

Caso contrário, o petista acredita que não haverá 'moralização' no sistema partidário e eleitoral brasileiro. 'Só não pode continuar do jeito que está', diz ex-presidente
Lula defende Constituinte para reforma política: 'Congresso não irá votá-la'
"Só não pode continuar do jeito que está", disse o ex-presidente
(Foto:Heinrich Aikawa/Instituto Lula)
São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (26) em São Paulo que, caso o Congresso não consiga votar uma reforma política, o sistema eleitoral e partidário do país deveria ser modificado por uma Constituinte. O petista afirmou ainda que o Brasil necessita urgentemente implementar o financiamento público de campanhas e transformar o financiamento privado em crime inafiançável. Caso contrário, continua, não haverá moralização na política.
"Acho que se, o Congresso não votar uma reforma política, teríamos de chamar uma Constituinte apenas pra fazê-la. Só não pode continuar do jeito que está", afirmou, defendendo a importância de que os partidos brasileiros sejam fortes e representantivos. "Não podemos mais ter legenda de aluguel, só pra disputar eleição, vender horário eleitoral ou fazer negociata no Congresso. Como o próprio nome diz, os partidos têm que representar uma parte da sociedade."
Lula participou do seminário "Novos Desafios da Sociedade", realizado pelo jornal Valor Econômico na zona sul de São Paulo. Na ocasião, ele lembrou que, quando exerceu a Presidência, enviou algumas propostas de reforma política para o Congresso – que nunca foram votadas. Algumas permanecem na pauta do Legislativo, mas, para o petista, a situação atual continua desfavorável. "Não acredito que votem porque as pessoas que estão lá querem continuar no status quo que existe hoje."
Em diálogo com o ex-premiê da Espanha Felipe González que também participou do evento, Lula avaliou que a Europa vive um momento de crise de representatividade dos partidos políticos em relação à sociedade. "Houve uma perda de referência em relação às demandas das pessoas", disse, em referência indireta aos pacotes de austeridade aplicados pelos governo apesar da intensa oposição social e dos prejuízos trazidos à população. "No Brasil, felizmente, temos avançado nesse sentido."
Nesse sentido, Lula advertiu que é preciso estar alerta com os candidatos que se arvoram no combate à corrupção e utilizam princípios morais como eixo de suas campanhas. "Cuidado, porque eles podem ser piores dos que estão acusando." O petista reconheceu que, desde a eleição de Fernando Collor, repleta de problemas, os sucessivos resultados das urnas representaram um avanço para a democracia do país.
"Acho que a eleição do Fernando Henrique Cardoso foi um avanço para a democracia do país. Em 1985, a elite paulista não votou nele pra prefeitura porque achava que ele era comunista", resgatou. "Depois veio minha eleição, e foi um passo importante. Houve uma alternância dos setores sociais que governam o país. E agora consagramos com a vitória da Dilma Rousseff. Muitos especialistas jamais imaginavam que o Brasil estivesse preparado para eleger uma mulher presidenta."
Lula vislumbra uma América do Sul repleta de governantes do sexo feminino. "Se Deus quiser, a Michelle Bachelet voltará à Presidência do Chile e então teremos também Dilma, Cristina Kirchner, e no Peru se insinua a candidatura da esposa do presidente Ollanta Humala", citou. "Logo teremos uma maioria de mulheres governando a região e será importante como experiência política."
Tadeu Breda
No Rede Brasil Atual
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Charge online - Bessinha - # 1739

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