26 de mar de 2013

Lula: “Não se preocupem, não é um câncer”

O que foi isso?
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Durante o seminário "Novos Desafios da Sociedade", promovido pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo, ex-presidente Lula comenta boatos de que câncer teria voltado, desta vez nos seus pulmões, e brinca a respeito de rouquidão de sua voz: "Não é a volta do câncer"; durante o seminário, que contou com a participação do ex-presidente espanhol Felipe González, Lula disse que faltam lideranças políticas na Europa para enfrentar a crise: "É preciso equilibrar o poder de decisão política na União Europeia".
"Me desculpem a garganta. Estou falando muito e estou cansado. Mas não se preocupem, não é um câncer", disse nesta terça-feira, no seminário "Novos Desafios da Sociedade", organizado pelo jornal Valor Econômico em São Paulo,, o ex-presidente Lula, procurando esvaziar os rumores de que teria voltado a apresentar um quadro de câncer, desta vez nos pulmões, segundo os boatos. "Embora eu tenha deixado a Presidência, eu não perdi o hábito de falar muito", brincou.
Após a declaração de Lula, o ex-presidente espanhol Felipe González, que participa do evento, entrou na brincadeira: "Estou falando muito, estou poupando a sua garganta, amigo Lula". Durante o encontro, Lula disse ainda que Estado e mercado funcionam melhor quando não extrapolam seus papéis na economia. O ex-presidente brasileiro lembrou ainda que, na crise de 2008, seu governo liberou compulsório e os bancos usaram dinheiro para comprar título público. "Era mais rentável", explicou Lula.
No último sábado, Lula participou da inauguração das novas alas do Hospital Infantojuvenil Luiz Inácio Lula da Silva, em Barretos (SP), administrado pela Fundação Pio XII, também responsável pelo Hospital de Câncer de Barretos. Após a visita, Lula disse que saía dali com mais orgulhoso de ser brasileiro e disposto a ser um parceiro, para incentivar que outros hospitais como esse sejam criados no Brasil. "Não há no país nenhum hospital [privado ou público] com o senso de humanismo que vimos aqui", comentou.
Regulação
Durante o seminário, Lula e González concordaram que é preciso regular o sistema financeiro global para evitar a especulação, principalmente no mercado futuro de ações.O brasileiro lembrou que, logo após a crise do subprime com as hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, ocorreu uma alta dos alimentos e do petróleo, levando todo mundo a culpar o consumo chinês. "E aí a gente descobre que o problema é que tinha mais petróleo na bolsa de futuro do que na China, e o mesmo ocorria com a soja", completou.
Baseado nessa análise, Lula cobrou a criação de uma organização global para atuar nessas negociações. "Temos que criar regulação para o sistema financeiro. Sem isso, todos estaremos muito vulneráveis", defendeu. Já González advogou em favor da "taxa Tobin", proposta nos anos 1980, para incidir sobre as movimentações financeiras internacionais. "Não estou contra a especulação de mercados futuros. Estou contra a especulação gratuita, que arruína a colheita de milhões de pessoas no mundo", disse.
Sem liderança
Lula também disse que faltam lideranças políticas na União Europeia para enfrentar a crise econômica. "O sistema financeiro assumiu um papel tão importante por ausência de regulação política. É coisa gravíssima e não está acertada ainda", disse Lula durante seu discursar. O ex-presidente destacou que faltam "mais decisões políticas do que econômicas" no enfrentamento da crise europeia. "Político precisa existir para resolver crise. Há problemas políticos para serem resolvidos. É preciso equilibrar o poder de decisão política na União Europeia. Tudo está subordinado às eleições", disse.
No 247
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PSDB: ou Serra usa ou desocupa a moita

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O fato novo do PSDB é o velho Aécio

Só um milagre parece capaz de salvar os tucanos de um fiasco em 2014.
A esperança tucana
A esperança tucana

A boa notícia para o PSDB é que o partido enfim se livrou de Serra como candidato à presidência.
A má é que o substituto é Aécio.
Em tempos que exigem conduta espartana, para não dizer franciscana, Aécio projeta a imagem do playboy para o qual a prioridade são as festas e a capital eterna é a noite carioca.
Foi na volta de uma daquelas festas que ele se recusou a se submeter ao bafômetro. Mais recentemente, um vídeo o pilhou cambaleante dando uma gorjeta de 100 reais a um balconista no Rio.
Por essas coisas, e muito mais, visão social, para ele, parece estar mais ligada às colunas sociais do que aos problemas do povo.
Ele vai conseguir mudar essa imagem até as eleições? Tentará?
O PSDB precisa de um choque de renovação: ideário novo, pregação nova, prática nova. Nomes novos.
Num paralelo para o qual peço licença, a Igreja Católica precisava – precisa – das mesmas coisas.
E eis que surge o Papa Chico, andando de avião na classe econômica para o Conclave, e já como papa pegando o telefone para cancelar, ele mesmo, os jornais que reservava numa banca em Buenos Aires. E falando o óbvio: o maior problema do mundo é a desigualdade social.
Mas a vida é o que é, e a novidade tucana é Aécio.
Um brinde, então, ao mineiro carioca.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Broncas de William Bonner no ‘JN’ são cada vez mais frequentes

 
William Bonner vem se irritando muito com a produção do "Jornal Nacional". Segundo informação do blog de Fabiola Reipert, do "R7", publicada nesta segunda-feira (25), os berros e broncas do jornalista são cada vez mais frequentes.

Segundo a blogueira, o apresentador constantemente grita com a produção a cada erro que eles cometem. Em um programa recente, por poucos segundo não foi ao ar o jornalista nervoso, de cabeça baixa, depois de dar um sermão na redação, segundo o site.
A blogueira também conta que quando Bonner está circulando pela redação, os funcionários não podem falar diretamente com ele, somente por meio do seu braço direito, que ela não revela quem é.
Na última semana um erro durante a escalada do "JN" surpreendeu os espectadores. Devido a um problema técnico, as imagens da abertura, que são gravadas previamente, foram repetidas algumas vezes e depois retrocederam, fazendo com que o telejornal entrasse no ar sem as manchetes do dia.
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Haddad evita um Pinheirinho em São Paulo

Haddad mostra a Alckmin e à Justiça como resistir a grandes brasileiros (como Naji Nahas).
Tropa de choque usou bombas para dispersar moradores (Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Haddad intervém para impedir desocupação de área com 750 famílias

Ação da tropa de choque, a mando da Justiça, começou na manhã desta terça-feira (26); prefeitura promete declarar terreno na zona leste de utilidade pública
Por: João Paulo Soares, da Rede Brasil Atual
São Paulo – O prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) informou hoje (26), durante o anúncio do Plano de Metas de seu governo, que a prefeitura está intercedendo para reverter a reintegração de posse de um terreno na zona leste da cidade onde vivem 750 famílias de sem-teto. A desocupação, por ordem judicial a pedido do proprietário, começou hoje de manhã com homens da tropa de choque da Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral para dispersar moradores que protestavam na frente do terreno.
Segundo Haddad, o secretário de Habitação do município, José Floriano de Azevedo Marques Neto, foi instruído a procurar o dono da área, Heráclides Batalha, para tentar uma solução negociada, que passaria pela desapropriação amigável do local. Batalha, porém, não teria aceito a proposta.
Diante disso, a prefeitura diz que irá publicar um decreto nos próximos dias declarando a área de utilidade pública. Ao mesmo tempo, segundo o secretário de Assuntos Jurídicos, Luís Massonetto, a administração entrou com uma petição no Tribunal de Justiça de São Paulo para suspender a reintegração.
O terreno fica no Jardim Iguatemi e tem 132 mil metros quadrados.
Em tempo: quem será o poste que o Lula vai esolher para o lugar do Alckmin em 2014?
(Clique aqui para ler o que aconteceu em Pinheirinho e aqui para ver o vídeo em que a Juiza enaltece o trabalho da Polícia em Pinheirinho.)
Em tempo 2: saiu na Folha:

Reintegração de posse na zona leste de SP é suspensa

A reintegração de posse do terreno no Jardim Iguatemi, na zona leste de São Paulo, foi suspensa no começo da tarde desta terça-feira (26). A ordem foi dada pelo Comandante Geral da PM, Benedito Meira, por volta das 13h. Segundo a PM, a operação foi suspensa após um acordo entre moradores, prefeitura e proprietários do terreno.
A área já estava controlada pela PM. De acordo com policiais, moradores e membros da prefeitura devem se reunir na tarde de hoje no Fórum de Itaquera, na zona leste de São Paulo.
HADDAD
O prefeito Fernando Haddad (PT) cancelou a agenda do início da tarde de hoje para acompanhar a tentativa de reverter a reintegração de posse. Às 16h30, o prefeito tem um encontro com o presidente do TJ, Ivan Sartori.
Durante a apresentação do plano de metas do governo, na tarde de hoje, o prefeito disse que iria publicar um decreto de utilidade pública para suspender a remoção das famílias e desapropriar o terreno.
O prefeito disse também que já havia pedido a suspensão da reintegração de posse para o juiz, mas o magistrado decidiu que fosse feita hoje.
(…)
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As mulheres de Pombal devolvem o Bolsa Família

Como é que o Gilberto Freire com "i" deixou passar essa?
O amigo navegante já conhece a história de D Joana, que devolveu o cartão do Bolsa Familia, porque passou a criar galinhas. (leia abaixo)
E mandou a equipe da Globo correr.
Por isso, ela não aparece nesse trecho de um Globo Repórter, sempre sob a batuta elegante e carismática do Sergio Chapelin.
Desatento, o Gilberto Freire com "ï" deixou passar.
Devia estar às voltas com um novo livro best-seller.

Em 2009 eu participei de um seminário em BH sobre os ODM (http://www.portalodm.com.br/).
A então prefeita de Pombal-PB, contou a história de dona Joana. Um dia, dona Joana encontrou a prefeita e disse que queria devolver o cartão do Bolsa Família.
A prefeita perguntou o motivo. Ela: não preciso mais. Com o dinheiro do cartão fui comprando pintinhos. Hoje tenho 600 galinhas, vendo ovos e ganho mais do que o cartão me dá.
Disse mais, a dona Joana: “Esse cartão o Lula emprestou para quem precisa. Agora eu não preciso mais eu quero devolver para que ele dê para outra pessoa”. A prefeita disse: Você vai devolver, mas vai devolver no rádio.
Dito e feito. Depois de algum tempo, quase 300 pessoas devolveram o cartão, miradas no exemplo de dona Joana. O próprio Ministério do Desenvolvimento Social achou que algo estava errado e foi verificar o por que de tantas devoluções.
O bonito vem agora: Um repórter da Globo se bandeou para Pombal. Foi atrás de algum furo no programa. Foram procurar a dona Joana. Ao ver o carro da Globo, dona Joana tascou: “se vocês vieram aqui para falar mal do Lula podem ir embora já!”
Ary
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FHC está vivendo na Versalhes dos Bourbons

Uma entrevista à revista Época mostra uma mente desconectada inteiramente da realidade.
Enquanto isso, em Versalhes ...
Enquanto isso em Versalhes …

I rest my case, como o detetive particular Philip Marlowe disse num romance de Raymond Chandler.
Desisto.
Desisto da possibilidade de que FHC e o PSDB se reconectem com a realidade.
A entrevista que FHC concedeu esta semana à revista Época revela um caso perdido.
Os entrevistadores poderiam ter exigido mais dele? Acho que sim. Mas a minha impressão, ao terminar a leitura, é que o entrevistado não tinha nada mais a dar.
Essencialmente, FHC vive num mundo que já não existe. É como se ele, 200 anos atrás, falasse de Versalhes e da corte dos Bourbons, e não da Marselhesa, de Napoleão e de Robespierre.
O modelo de FHC é, ainda, os Estados Unidos, isso quando os americanos vivem um declínio sem precedentes em todos os aspectos – econômico, financeiro, militar, corporativo e moral.
Pior: as loas aos Estados Unidos aparecem na mesma semana em que se completam dez anos da invasão do Iraque.
O mundo vai ficando, você percebe pela cobertura dos dez anos, com o mesmo sentimento de culpa parecido com o que emergiu pós-segunda guerra em relação aos judeus: como nós pudemos deixar isso acontecer?
Um país destruído, milhares de crianças mortas mortas por bombas ou por falta de medicamento, casos crescentes de má formação congênita em bebês como efeito colateral – e todo esse martírio com base em informações comprovadamente mentirosas segundo as quais o Iraque tinha armas de alto poder destrutivo.
Como deixamos isso acontecer com as crianças iraquianas?
Como deixamos isso acontecer com as crianças iraquianas?

Não tinha, e mesmo ali, no fragor da decisão de invadir, os serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Inglaterra – as duas potências que comandaram o extermínio dos iraquianos – tinham já dados que colocavam sob imensa dúvida a existência de tais armas.
Ainda nestes dias, um veterano americano tornado inválido no Iraque também comoveu o mundo ao anunciar o suicídio: uma bala lhe tirou todos os movimentos.
E FHC evoca os Estados Unidos, o exaurido, sinistro modelo americano que levou destruição a virtualmente todas as partes até que não restasse outra vítima que não eles mesmos.
É só ver o que o modelo americano está fazendo, hoje, dentro dos próprios Estados Unidos: as neofavelas (acampamentos precários de gente que perdeu a casa), o desemprego, as constantes chacinas de desequilibrados armados porque a indústria das armas alimentada a paranoia de que sem revólveres ou rifles você está perdidamente desprotegido.
O mundo fala em desigualdade social, do novo papa ao novo presidente da China. O mundo entende que reduzi-la é fundamental para o futuro da humanidade.
E FHC fala com enlevo do país que disseminou as bases do 1% versus 99%, a pátria em que um candidato à presidência foi pilhado falando que não liga para metade da população – 47% — porque são pobres.
Fala ainda em “sentimento mudancista”, mas não em relação ao universo e sim a um ambiente interno que traria as sementes do triunfo de Aécio 10% Neves em 2014.
I rest my case.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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O banco imobiliário da Cabralândia

Charge especial de Latuff para a Pública

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Aécio e as mulheres

Custa a crer que senador tucano, pré-candidato a presidente da República, assine um texto pior que medíocre, sobre um tema tão caro e relevante: o papel das mulheres no desenvolvimento econômico e social no mundo, além da reflexão sobre os rankings de avanços ou retrocessos, em termos de direitos conquistados.
Mas, o fez. Seu artigo semanal tem como título “Mulheres”. E diz que reviu “os dados do Fórum Econômico Mundial ("The Global Gender Gap Report 2012") que apontam os avanços que o Brasil vem alcançando na diminuição das diferenças entre a participação feminina e a masculina na sociedade.” Para então tecer frivolidades a respeito da questão de gênero.
Infelizmente o relatório por ele citado só foi um pretexto. Ele, solenemente, ignora o documento do Fórum Econômico. Nenhum dado substantivo do mesmo foi usado, seja para exaltar os tempos de FHC, seja para criticar os tempos de Lula e Dilma. Nada.
Até porque comparar avanços nas questões de gênero, dos oito anos de FHC, com os 10 anos de Lula/Dilma, na presidência do Brasil, é covardia.
Aécio Neves ignora, por exemplo, que o Brasil salta da 82ª posição mundial (2011) para a 62ª (2012), dentre 200 países, em termos de avanços políticos, econômicos e sociais das mulheres.
E mais: ele omite uma referência explícita, forte e positiva ao papel que o governo Dilma Rousseff teve nesse avanço.
Os critérios utilizados para tal avaliação são quatro:
a) participação econômica e oportunidades;
b) avanços educacionais;
c) saúde e expectativa de vida;
d) empoderamento político (participação em ministérios e espaços de poder).
Todos são referenciados na comparação com o gênero masculino.
Vejam só a síntese do estudo citado por Aécio e que o mesmo, por razões óbvias, ignorou:
“Brazil (62) follows next in the rankings just before Colombia (63), with an increase in the overall ranking (from 82nd to 62nd position). This is the result of improvements in primary education and in the percentage of women in ministerial positions (from 7% to 27%). The tenure of President Dilma Rousseff further boosts Brazil’s overall score. Brazil is one of the three countries from the region that have closed the gender gap in both the education attainment and health and survival subindexes. “
No mais, o senador mineiro usa subterfúgios para se desviar do próprio estudo que cita: que o BID investe num programa junto a bancos privados brasileiros, que ele é amigo do presidente do BID, que FHC determinou que o pagamento do Bolsa Escola fosse feito às mães e dá-lhe blá-blá-blá.
Para concluir, temos mais uma de sua platitudes, com ares de frases de efeito:
“Mas existe uma verdade que, porém, não pode ser dimensionada pelas estatísticas oficiais: há um valor ético diferenciado agregado à contribuição que a mulher dá à nossa sociedade, e que merece mais atenção e reconhecimento. E respeito.”
Piada pronta. Ou será que ele está pedindo sinceras desculpas às mulheres?
No Petistas na Luta
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Tucana quer revogar homenagem a Serra!

“Quis ser simpática, acolhedora e tentar tirar esse ar inacessível que muitas vezes ele passa” – foi a frase da vereadora Marcia Pacheco,  do PSDB de Piracicaba (SP). Ela queria ajudar Serra. Propôs uma homenagem ao tucano: o título de “Cidadão Piracicabano”.
Márcia explica que a cidade é um “reduto tucano”. E é mesmo. Barjas Negri (velho conhecido de Serra, da época do Ministério da Saúde – governo FHC)  era o cacique tucano de Piracicaba.
Aliás, o Azenha já contou uma história curiosa sobre Barjas Negri, a Globo e o Serra. Leia aqui. A Globo, sob comando de Ali Kamel, não quis publicar a reportagem de Azenha sobre o Barjas Negri e certas ambulâncias. Ah, era véspera de eleição. 2006! Mas deixemos isso pra lá, senão o Ali Kamel resolve abrir outro processo contra o Azenha, contra mim…
Voltemos a Piracicaba. A vereadora do PSDB, coitada, apresentou a proposta de homenagem a Serra. E o que aconteceu? O Serra ignorou. Que simpático. O que fez a vereadora? Retirou a proposta! 
Acima,  a matéria no jornal de Piracicaba, a terra do Barjas Negri. A Globo amava Serra, que amava Barjas Negri, que amava a vereadora Marcia, que também amava Serra, que não amava ninguém…
É a primeira vez que ouço falar nisso: vereadora retirar homenagem a um líder de partido. Esses tucanos… (Rodrigo Vianna)
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Charge online - Bessinha - # 1738

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Renato Rabelo fala sobre os 91 anos do PCdoB

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Documentário sobre a visita de Yoani Sánchez


LANÇAMENTO DE DOCUMENTÁRIO SOBRE A VISITA DA BLOGUEIRA CUBANA YOANI SÁNCHEZ À BAHIA.
Acontece na próxima quarta feira, dia 27 de março às 19h00, no Espaço Cultural Raul Seixas do Sindicato dos Bancários da Bahia (Av. Sete de Setembro, 1.001, Mercês, Centro) a homenagem ao "Comandante" Alírio, da ACJM- BA (Associação Cultural José Martí), falecido recentemente e grande amigo da Cuba revolucionária e a primeira exibição do documentário "Yoani Sánchez, conexão Cuba - EUA, sua passagem pela Bahia" (20 min.) do diretor Carlos Pronzato, que foca os dois dias (18 e 19 de fevereiro de 2013) em que a blogueira cubana passou pela Bahia, iniciando uma badalada viagem de 80 dias por 12 países. Entrada Livre!
UMA MULHER CUBANA QUE REPRESENTA O QUE?
Foi aqui no Brasil que ela começou sua jornada programada para 80 dias viajando por diversos países e, segundo o que a grande mídia divulgava, falar sobre liberdade de expressão e de comunicação em Cuba. É estranho verificar que os maiores meios de comunicação que apoiaram, legitimaram e inclusive investiram nessa empreitada da blogueira que tampouco representa seu povo são os grandes meios que fazem parte da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Essa organização não é a reunião de jornalistas que visam dialogar quanto a liberdade dos meios de comunicação. Como muitos sabem o que é bem verdade, é que esses grupos se reúnem visando manter o controle empresarial dos meios de comunicação da América sob seus poderes e se unem no intuito de evitar espaços para que mídias contra hegemônicas comecem a ocupar espaços de diálogo com o povo.
É também bem verdade que, começando sua saga pelo Brasil, especificamente na Bahia (18 e 19 de fevereiro), a blogueira teve uma recepção tal que não foi o real resultado de suas expectativas. O povo veio lhe responder. Respostas tais sobre seu posicionamento que não é só contra a luta pela preservação de um Estado Socialista no mundo, como o de seu país, como também pelo seu olhar favorável à abertura do mercado cubano e a intervenção estadunidense que foi distanciada desde a Revolução Cubana com muita luta e empenho.
Neste curta - documentário, seguimos os seus passos na Bahia e buscamos apresentar quem é Yoani Sánchez e porque diversas organizações sociais brasileiras se opuseram a sua apresentação no país como a grande defensora da liberdade de expressão. (texto de Laís Bellini).
Duração: 20 minutos
Ano de produção: 2013
Direção e Roteiro: Carlos Pronzato
Edição: Laisa Ferreira
Apoio: Faculdade da Cidade do Salvador
Realização: La Mestiza Audiovisual
— com Dirceu Regis, Olivia Santana, Denis de Souza e outras 67 pessoas.
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Feliciano não me representa

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Charge online - Bessinha - # 1737

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Um homem pra chamar de seu

Penso que um dos grandes embrulhos ideológicos do pessoal da direita passa pela sua absoluta convicção de que o individual vale mais do que o social. Essa tese despreza o coletivo como agente, mas adora vê-lo como paciente - alienado e inerte. A direita cultua personalidades, valorizando os “que se fazem por si mesmos”, os “empreendedores”, os “que fazem diferença”. Ela precisa disso para justificar os bilionários, os especuladores, os banqueiros e todos os que, no mundo do capital, são apresentados como pessoas únicas, diferenciadas, até beneméritas. Afinal, o que seria desse bando de empregados sem essa elite de empregadores?
Na ânsia de se promover o sucesso individual a uma categoria paradisíaca, não raro se elevam nulidades à condição de mitos, privilegiando – bem ao gosto dos tempos que correm – narcisismos e egocentrismos, que fogem do social como o diabo, se existisse, fugiria da cruz...
Acontece que os ídolos, esses super-heróis que povoam os noticiários do cotidiano, podem ter – e não raro têm , porque sua natureza é humana – momentos de “pés de barro”. Aí, é preciso um esforço incrível da turma para desconstruir o que construiu, às vezes com sofismas, meias verdades, manipulações e omissões. Quem conhece bem a história recente da terra do Super-Homem, do Batman, do Homem-Aranha, do Homem de Ferro, do Indiana Jones, do Rambo, do Rocky e similares sabe das alianças que o império estadunidense manteve , ao sabor de conveniências econômicas, com diversos ditadores que, não mais que de repente, de grandes líderes mitificados foram transformados em agentes do mal. Para ficar apenas em dois exemplos marcantes, é só estudar a trajetória de um Saddam Hussein , de um Bin Laden, e suas ligações com os EUA.
Quando estava pensando nesse tema, me veio à lembrança uma canção entoada pela Marina (a cantora, não a Silva) e de autoria do Erasmo Carlos, chamada “Mesmo que seja eu” ( Veja o vídeo ) O contexto da letra da composição nada tem a ver com meu assunto aqui, mas um dos seus versos (“Um homem pra chamar de seu”) me pareceu um bom título para este artigo. A direita, nacional ou planetária, precisa sempre de um homem – às vezes uma mulher – para chamar de seu (sua). E é tal essa sua “crença”, que mitifica a torto e a direito. A ironia é que faz isso até para denegrir. Entre nós, ela quer que se acredite que o Brasil recente só trilhou os caminhos que trilhou porque um homem cheio de defeitos , mas “carismático”, conduziu os brasileiros. Não acredita em forças sociais. Por isso, atribuiu à Dilma (que não tinha “carisma”) a condição de “poste”, e está se dando mal, pois o que o povo valoriza hoje no país, queiram ou não, é muito mais uma política voltada para o combate às injustiças , mesmo com eventuais desacertos, do que esta ou aquela personalidade. Os índices de popularidade da Presidenta vêm de um continuado trabalho de muitos e que atende a anseios coletivos, mas nunca do exercício solitário de um comando.
A direita repete, agora, esse mantra do “poste” no caso da Venezuela. Convenientemente cega diante dos índices de redução das desigualdades naquele país, atribui o “bolivarismo” ao fato de um “populista demagogo” ter empalmado o poder. Para ela, não há conquistas a garantir, o povo é uma abstração, e como Maduro não é um Chávez, será fácil à turma do capital recuperar o comando. Será? É o que vamos ver. Nada como os fatos para contrariar os desejos...
A “metodologia do endeusamento” adora criar falsos heróis, amplificados pela mídia, para esconder o sistema que os cerca ou que eles representam. É por isso que as eleições na pátria do individualismo, por exemplo, não se definem pelas ideias , mas pelas pessoas. Uma cara simpática, uma família bonita e aparentemente bem constituída, coisas assim elegem presidentes... E aí está Obama - cheio de aparentes boas intenções, mas imobilizado por forças bem superiores às de um indivíduo - que até agora não foi para frente nem pra trás, muito pelo contrário...
O caso da eleição do Papa é emblemático. Como não consegue , ou não quer conseguir, enxergar o estrutural, o coletivo, a mídia que representa esse pensamento repercute, amplia e supervaloriza os mais simples atos do novo mito, para muitos um jogo para a plateia alienada, como ensina a boa e velha demagogia. É como se quisessem impregnar nas mentes a ideia de que, agora sim, temos (?) Papa... Mas será que um homem (falível ou infalível, não entro nessa) conseguirá, com suas quebras de protocolo, reverter os tortuosos caminhos de uma Igreja que tem, hoje, muitos de seus mais altos representantes envolvidos em diversos pecados capitais? Implantará a “ficha limpa” no Vaticano? Estão aí, nesse festival de “malfeitos” que hoje não dá mais para esconder, escândalos de luxúria (pedofilia), ganância (Banco do vaticano), inveja (disputas pelo poder), etc.
A direita assanhada já tenta emplacar o novo Papa como “um homem pra chamar de seu”. Imagina-o como contraponto ao que chama de “governos populistas”. Acho que, para variar, está dando um tiro no pé. O ídolo pode ter os pés de barro. Outros, que ocuparam o seu posto, já tiveram... Muitas mudanças já se fizeram na Igreja...para deixar tudo igual. E aí se desconstruirá mais um mito. Mas, por outro lado, pode ser que o simpático Papa resolva efetivamente fazer com que a Igreja se volte para os pobres do mundo. Se isso acontecer, ele não poderá jamais trilhar o mesmo caminho dos adoradores do mercado, dos especuladores, dos exploradores do povo. E a direita terá que buscar, mais uma vez, um representante para chamar de seu...
Rodolpho Motta Lima
No Direto da Redação
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Fantasmas que assombram o país


Senhoras e senhores senadores, venho hoje a esta tribuna para fazer uma confissão: eu confesso que tenho medo de fantasmas. Esse pavor acentuou-se em minha recente viagem à Polônia e à Suécia. Longe do Brasil, sob o frio europeu, com temperaturas nunca acima do zero, frequentando ambientes já antigos antes que Cabral aqui aportasse, elevou-se-me o terror às almas penadas.
A cada notícia do Brasil, especialmente as notícias sobre a economia nacional, sobressaltava-me com o desfile dos espectros que emergiam da tela do computador, da tela da televisão, da tela do celular, das páginas dos jornais, dos boletins e releases dos bancos, corretoras e empresas de consultoria, que a nossa gloriosa mídia usa como fonte primária.
Como no filme “Poltergeist”, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições.
E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses .
Ainda dando de dedo na presidente, vi esfumar-se o Mendonção, e dá-se o aparecimento de José Roberto. Suas apóstrofes dirigem-se ao “modelo do setor elétrico” do atual governo.
As reprimendas foram tão incisivas que, assustado, vieram-me à lembrança aqueles anos, entre 1995-2002, quando o Brasil quebrou três vezes, e não foi possível ver todos os estragos da débâcle porque houve um apagão, tão denso que jornais, televisões, rádios não puderam noticiar, por falta de luz e, certamente, também para não espalhar o medo antipatriótico entre os brasileiros. Afinal o patriotismo é um recurso à mão, quando faltam razões, como nos exemplifica aquele jornal a serviço do Brasil.
Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores.
Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Pela janela do hotel em Varsóvia via a neve cair e aquela chuva branca produzia a ilusão de novos fantasmas.
Agora vinham em cortejo, esvoaçando, voltejando, rodopiando, bailando na noite fria, de fraque e cartola, pois era um cortejo de banqueiros, embora, embaçando-se no fundo da cena, parecia-me que alguém vinha a cavalo, pelo porte um puríssimo árabe. Banqueiros, corretores, financistas, ex-presidentes do Banco Central. Enfim, uma finíssima coleção de espectros.
Não consegui identificar todos. Goldfarb? Arida? Lara Rezende? Gustavo Franco? Bacha? Ou aquele lá poderia ser Salvatore Cacciola?
Seja como for, como um jogral ou o coro sinistro de uma tragédia grega, invectivavam contra o ministro Mantega, a presidente Dilma, o PT, o Lula acusando-os de não entender nada de economia, de” ignorantes dos fundamentos macro-econômicos”, de remendões pretensiosos que ultrapassaram os limites dos chinelos, de perdulários, dissipadores da burra pública.
Um deles, não consegui identificar quem, embora uma vozinha miúda o traísse, gritava: “E a inflação? O que é que o PT tem a me dizer da inflação? Hein, hein?”. A que outro fantasma atalhou: “E a inadimplência? E a inadimplência? Não esqueça a inadimplência”.
Quando é que vai parar essa gastança dos trabalhadores? As famílias já estão muito endividadas!”.
E eis que ouço um “oh!” extasiante, comovedor. Os espectros financeiros apartam-se reverentes e, no centro da fantasmagoria, surgem Milton Friedman e Eugênio Gudin, uma visagem tão inesperada que me paralisa. De que profundezas, de que ideias tão fossilizadas ergueram-se?
Pontificais, recitam a litania: corte dos gastos públicos, redução do consumo, enxugamento do crédito e elevação dos juros como mecanismos de combate à inflação, contenção dos aumentos salariais, flexibilização das leis trabalhistas, abertura ilimitada ao capital estrangeiro e à remessa de lucros para o exterior, privatizações, terceirizações, concessões… …e, recitando a chorumela, apagaram-se na noite tenebrosa.
Enquanto Friedman e Gudin se desmancham, o coro financeiro, agora encorpado por notáveis da oposição, pelos “especialistas” ouvidos todos os dias pela GloboNews e pela CBN, a cada meia hora, por colunistas multiuso que nada entendem de tudo, o coro de novo extasia-se, deleita-se, inebriado.
À medida que se produz a esfumação, revelasse-me certa confusão, transparece-me que os fantasmas inquietam-se e vejo, tenho a ilusão de ver, que uma nova assombração, toda esbaforida, quer se incorporar ao cortejo, talvez querendo ser o filho nessa trindade. Não deu tempo. Chegou atrasado. E vejo toda a frustração no rosto mal delineado de Mailson da Nóbrega.
Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante. São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição.
Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, “contabilidade criativa”.
O coro eleva o tom, vocifera protestos, vergasta o lombo do ministro Mantega com adjetivos contundentes, pontiagudos. Deploram o que chamam de fraude, desonestidade, falta de transparência. Enquanto o pobre ministro e a própria presidente vêem-se na roda, espetados por tanta indignação, eis que surge um estraga-prazeres para espantar os fantasmas. É o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, ele faz voltas em torno dos abantesmas com um cartaz, onde se lê: “Lembrem-se dos anos 90”.
Curioso pela advertência do economista, acuro os ouvidos para entender o que ele diz. Mas o vozerio das assombrações é muito forte, o tom elevado. A muito custo distingo parte do que ele diz. E ele diz: “Não é novidade o uso de receitas não recorrentes para engordar o superávit primário. Assim foi feito nos anos 1990, na “era das privatizações”. Isso não impediu a escalada da dívida pública entre 1995 e 1999. Nesse período a dívida saltou de 29 por cento por cento do PIB para 44,5 por cento”.
Estarreço-me com a revelação. “Contabilidade criativa” nos dois períodos do governo tucano? O PSDB também fez isso? Não posso acreditar”.
Mas, sendo verdade, o editorial do “Estadão”, afirmando que a presidente Dilma, ao fazê-lo, deu “mais uma prova do firme compromisso com o atraso e o subdesenvolvimento” também se aplica ao presidente Fernando Henrique Cardoso? Seria Sua Excelência também vanguarda do atraso e do subdesenvolvimento como os Mesquitas, ou seja lá quem hoje é o dono do jornal, disseram?
Doem-me ainda nos ouvidos os agudos da exasperação, da santa fúria do jornalão: “As bases de uma economia saudável, promissora e atraente para empreendedores de longo prazo estão sendo minadas por uma política voluntarista, imediatista, populista e irresponsável, embalada num mal costurado discurso desenvolvimentista”.
Senti pena do couro dos senhores Pedro Malan, Gustavo Franco e outros criativos condutores da política econômica no governo FHC; com que marteladas foram agraciados pelos barões paulistanos.
O constrangimento provocado pelo economista palmeirense, reavivando fatos tão recentes, opera como exorcismo, pulverizando o cortejo fantasmático.
As assombrações, no entanto, não se aquietam. Deixo a Polônia, despeço-me de Varsóvia que, tão coberta de neve, parece-me ilusória, irreal, fictícia para quem acostumado aos trópicos. Na Suécia não faz menos frio. Também Oslo envolve-se na neve.
As noites ermas, frias e escuras são um convite à visitação das almas penadas.
E elas não se fazem de rogadas e logo me assombram, espantam-me, assustam-me. Vejo ajuntamentos de pessoas, desfiles. São imagens muito antigas. Os pelotões passam, os marchadores erguem o braço direito, gritam uma saudação indígena; no alto das mangas de suas camisas, um símbolo, uma letra, o sigma, a décima oitava letra do alfabeto grego, também usada como símbolo matemático, representando somas ou variáveis estatísticas.
Tenho a ilusão de que o sigma desgruda das camisas verdes, gira em um caleidoscópio, e compõe como que uma coroa de letras e transforma-se, agora, em símbolo da mais poderosa usina da idéias conservadoras do Brasil, o think thank Instituto Millenium. A visagem deságua em pesadelo quando o subconsciente trás à memória siglas como IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, GPMI, Grupo Permanente de Mobilização Industrial, usinas de idéias antipopulares, antitrabalhistas, antissociais, antidemocráticas, antibrasileiras, anti-humanas.
IPES, IBAD, GPMI, anauê, sigmas… que pesadelo!
Na derradeira noite sueca, fria, nebulosa, inóspita, os fantasmas se divertem em me pespegar outra pantomima. De novo, um imenso cortejo espectral. Não me é muito difícil distinguir as fisionomias dessas almas aflitas que flutuam entre os fantasmas dos terríveis vikings e o espírito inquieto de Gunnar Myrdal, desolado com o afastamento de suas idéias.
Furando as brumas polares, penso ver plataformas de exploração de petróleo, espalhando-se mar adentro; tenho a ilusão de navios, imensos petroleiros; desorientam-me, em seguida, nova dança de símbolos, logotipos que se sobrepõem, dissolvem-se, anulam-se .
E das águas glaciais, das geleiras tão áridas quanto o ardente Saara ilumina-se um dístico, heráldico: Petrobrax.
À medida que a marca toma conta do campo visual de meu pesadelo, ouço vozes, discursos indignados, e leio manchetes de genuíno e antigo verde-amarelismo em defesa da estatal. E fico confuso com essa troca de papéis entre os fantasmas da pátria tão distante.
Teria ocorrido alguma revolução? Alarmei-me.
Esses foram os últimos espectros que me rondaram e me assombraram no velho continente. Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos.
Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário.
Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental.
Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities.
Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infra-estrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União.
De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?
Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
Argh!!!
Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos.
Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais.
A oposição, a direita sabe o que quer. Não se apoquenta com dúvidas, receios ou escrúpulos; quando muito, disfarça o tom para não assustar, e açucara o óleo de rícino com que, no poder, trata as crises e os interesses conflitantes.
São dessa ordem, são dessa qualidade os meus espantos, os espectros que me assombram, assustam e inquietam. E até quando viveremos nesse tormento, sem rumo, sem qualquer garantia, sem nenhuma segurança?
E a única segurança é um Programa para o Brasil.
Quem se habilita?
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