23 de mar de 2013

Denúncia: Policial atira covardemente em militante no protesto da Aldeia Maracanã

Policial militar despreparado psicológica e emocionalmente atira em militante que trafegava com uma companheira na calçada próximos à Aldeia Maracanã. Tinha havido um protesto no cruzamento ao lado Maracanã e o militante retornava da aldeia com uma companheira pela calçada junto à linha do trem, quando o policial o avistou de longe, comentou com os outros guardas que havia mandado o militante tirar o lenço do rosto e como ninguém deu importância ele seguiu em direção ao casal atirando, errando o militante e acertando sua companheira.
No Maria Frô
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Por que os Estados Unidos combateram a ajuda de Chávez ao Haiti

Papéis vazados pelo Wikileaks revelam que Washington teme perder controle sobre ‘quintal’.
Chávez visita o Haiti em 2007
Chávez visita o Haiti em 2007

O texto abaixo foi publicado originalmente pelo site Green Left.
Dezenas de milhares de haitianos espontaneamente saíram às ruas da capital Porto Príncipe, na manhã de 12 de março de 2007. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, acabara de chegar ao Haiti.
Uma multidão, gritando e cantando com alegria, se juntou a ele ao lado da comitiva do presidente do Haiti, René Préval, a caminho do Palácio Nacional (mais tarde destruído no terremoto de 2010).
Lá, Chávez anunciou que a Venezuela iria ajudar a pobre ilha caribenha com a construção de usinas de energia, de aeroportos, com o fornecimento de caminhões de lixo e de equipes médicas.
Mas a peça central dos presentes de Chávez ao Haiti foi 14 000 barris de petróleo por dia. Foi uma dádiva de Deus para um país assolado por apagões e falta de energia há décadas.
O petróleo era parte de um acordo que a PetroCaribe Venezuela assinara com o Haiti um ano antes. O Haiti teve de pagar apenas 60%. Os 40% restantes puderam ser pagos ao longo de 25 anos a juros de 1%.
Com iniciativas como aquela, a Venezuela fornece agora mais de 250 000 barris por dia, a preços drasticamente baixos, a 17 países da América Central e do Caribe. O custo do programa é estimado em 5 bilhões de dólares ao ano.
Caracas está ajudando a maioria das economias do Caribe e da América Central. Mas os Estados Unidos não estão felizes com isso, pois pela primeira vez em mais de um século é desafiada sua hegemonia em seu “quintal”. Vazamentos do Wikileaks revelam a hostilidade de Washington à PetroCaribe.
Os papéis vazados mostram que a então embaixadora dos Estados Unidos no Haiti, Janet Sanderson, repreendeu Preval por “dar espaço para os slogans antiamericanos de Chávez” durante sua visita de 2007.
Como mostram os vazamentos, Janet não estava sozinha entre os diplomatas americanos incomodados com a PetroCaribe. “É incrível que estejamos sendo superados em ajuda externa por dois países pobres: Cuba e Venezuela”, observou o embaixador dos EUA no Uruguai Frank Baxter em 2007. “Oferecemos um modesto programa Fulbright; eles oferecem milhares de bolsas de estudos para médicos. Oferecemos meia dúzia de programas breves para “futuros líderes”; eles oferecem milhares de cirurgias oftalmológicas para as pessoas pobres. Oferecemos acordos de livre comércio complexos para o futuro; eles oferecem petróleo hoje. Não é de surpreender que Chávez esteja ganhando amigos e influenciando pessoas.”
Crianças haitianas
Crianças haitianas
Com a morte de Chávez, é previsível que a pressão de Washington sobre a Venezuela vá aumentar dramaticamente. Os americanos vão tentar tirar proveito da vulnerabilidade do governo bolivariano durante a transição de poder.
O presidente interino, Nicolas Maduro, já fez soar o alarme. Maduro anunciou em rede nacional “que o adido da embaixada americana estava sendo expulso por se reunir com militares para desestabilizar o país”, informou a Associated Press. Um adido da Força Aérea também foi expulso.
Em suma, assim como o imperativo de assegurar petróleo levou os Estados Unidos a múltiplas guerras, golpes e intrigas no Oriente Médio nos últimos 60 anos, agora deve conduzir a um novo confronto importante na América Latina. Com a morte de Chávez, Washington vê uma oportunidade há muito esperada para reverter a Revolução Bolivariana e programas como os da PetroCaribe.
Nos últimos anos, Chávez nacionalizou empreendimento de dezenas de empresas, incluídas Exxon Mobil, Chevron Texaco e outras grandes corporações americanas. O futuro das reservas de hidrocarbonetos da Venezuela, as maiores do mundo, em breve deve ser um tema quente em disputas políticas e econômicas no hemisfério.
No caso do Haiti, foi o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide quem primeiro desafiou o domínio americano na região depois de vencer as eleições de dezembro de 1990. Mas ele foi derrubado por um golpe em setembro de 1991.
Chávez, eleito em 1998, foi o próximo líder da América Latina a enfrentar os americanos. Os Estados Unidos tentaram derrubá-lo em abril de 2002, mas o povo venezuelano devolveu Chávez ao poder em dois dias.
Devido a sua perspicácia estratégica, a seu apoio popular, e à boa vontade criada com a PetroCaribe, o prestígio de Chávez cresceu na Venezuela e em várias partes do mundo em seus 13 anos no poder. Sua morte trouxe uma enorme maré de luto na América Latina.
Os elogios a Chávez se multiplicaram. Uma declaração feita em janeiro pelo antigo procurador geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark, que conhecia pessoalmente e trabalhou com Chávez, parece presciente. “Na minha opinião, a história julgará as contribuições de Hugo Chávez para a América Latina como maiores do que as de Simon Bolívar.”
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À sombra de Dilma

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PSDB e PSOL se unem contra blogosfera


Tucano cobra explicações sobre gasto oficial na internet
O Globo – 20/03/2013
BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), protocolou ontem pedido de informações para que o governo explique o aumento de gastos com publicidade na internet, de 483%, no período de 2000 a 2011, segundo o partido. De acordo com o líder tucano, os gastos informados pelo governo não permitem saber a razão do aumento dessas despesas, passando de R$ 15 milhões, em 2000, para R$ 90 milhões, em 2011.
Aloysio quer que a Secretaria de Comunicação da Presidência explique se há financiamento público dos chamados “blogs sujos”, que são, segundo ele, sites de jornalistas contratados para atacar opositores do governo.
- Muitos dados que temos não são suficientemente pormenorizados. É impossível saber o que é gasto com empresas que concorreram no mercado, e as que não são. É um exército, uma milícia no “cyberespaço”. Eu quero saber onde e como esse dinheiro está sendo gasto – disse Aloysio.
O líder do PSOL, senador Randolfe Rodrigues (AP), que disse que irá subscrever o requerimento do tucano, afirmou que um site que veicula publicidade de uma empresa estatal teria “massacrado” o senador Pedro Taques (PDT-MT), um dos mais críticos ao governo no Senado:
- Se recebe verbas públicas para isso, mais do que ameaça à liberdade de expressão, é uma ameaça à democracia. É o financiamento do achincalhamento de quem tem alguma divergência – disse Randolfe.
A “denúncia” de Aloysio Nunes é antes de tudo burrice. Em 2000, a internet quase não existia no Brasil. Eu, que fui um dos primeiros blogueiros do país, entrei por aqui em 2004. Essa é a explicação óbvia porque o aumento da publicidade estatal na internet cresceu 483%.
Mais grave que a burrice, porém, é que Nunes na verdade está tentando perseguir a blogosfera. O Cafezinho já identificou que mais de dois terços da publicidade federal vai para UOL, Globo, Abril. Até o site da Fox recebe dinheiro. A blogosfera não ganha nada. Alguns blogs de grande circulação recebem anúncios de estatais. É triste sobretudo ver um senador de esquerda, como Randolfe Rodrigues, adotar uma postura tão mesquinha, apenas porque viu ataques de um blog ao senador Pedro Tacques. E daí? A grande mídia não ataca diariamente políticos e instituições, e não é justamente por isso que é considerada “crítica” e “independente”? Quer dizer que o senhor Randolfe Rodrigues, que nunca abriu a boca para reclamar contra a concentração midiática no país, e contra uma lógica de direcionamento de verbas estatais que apenas beneficia os grandes, agora vai entrar na turma dos que querem asfixiar financeiramente os dois ou três blogs que receberam uns caraminguás? E por que? Porque um blog (deve ter sido o 247, que nem é blog exatamente, ou o Conversa Afiada) publicou uma denúncia feita por um jornalista que trabalha no mesmo estado que Pedro Tacques? Ora, se houvesse um blogueiro ou jornalista em Goiás que denunciasse Demóstenes Torres, o Brasil não teria sido pautado, por anos, por um cupincha de Carlinhos Cachoeira que fazia dobradinha com a revista Veja.
Na verdade, o ataque do senador Aloysio Nunes reflete o medo crescente que eles tem da blogosfera, uma vez que sabem que suas ideias apenas podem ganhar eleitores se estes se informarem exclusivamente pela grande mídia conservadora. Sabendo disso, eles querem não somente asfixiar financeiramente os dois ou três blogs que recebem alguma publicidade estatal, mas sobretudo:
  1. intimidar o governo, para que não se torne mais plural e democrático na distribuição da publicidade federal;
  2. constranger os próprios blogueiros a não lutar por seus direitos;
  3. atacar moralmente os blogueiros, que não escreveriam por ideal, mas por “dinheiro”.
Eu, como blogueiro, não quero nenhum recurso federal. Meu blog vive de assinaturas, não preciso de nenhuma publicidade estatal. Mas das duas, uma. Ou o governo não dá para ninguém, ou dá para todos. Não acho certo o governo, que tem compromissos com a disseminação de valores democráticos, ou seja, com o pluralismo e o debate, entregar tantos recursos para poucos grupos de comunicação, colaborando para a manutenção de uma lógica que já se mostrou terrivelmente nociva para a democracia brasileira.
A luta por uma comunicação social mais democrática e mais plural inscreve-se na luta pelos direitos humanos, pela cultura e pelo desenvolvimento, de maneira que os partidos políticos que, por medo da mídia corporativa, silenciam-se sobre um dos temas mais urgentes da pauta política nacional, são covardes e representam, mesmo que posem para as câmaras de progressistas e inovadores (como a rede marinista), a continuidade do atraso, com nova e engandora roupagem.
É um escárnio que os mesmos grupos que deram o golpe de Estado em 64, e apoiaram a ditadura, hoje recebam milhões de reais de publicidade estatal, e os setores que representam as ideias daqueles que lutaram contra a ditadura, desde o início, não apenas não recebam nada, como sejam alvos de ataque das mesmas mídias que recebem grandes somas de recursos públicos. O patrimônio financeiro dos donos da mídia foi construído, em boa parte, sobre os escombros da democracia.
O escárnio se torna insuportável quando eu vejo um senador do PSDB acusando a blogosfera de receber um dinheiro que na verdade vai para os barões. E com apoio do senador do PSOL!
No Cafezinho
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Os dilemas do poder e o projeto nacional

 
Atribui-se ao controvertido general Golbery do Couto e Silva a máxima de que só os incompetentes perdem o poder. A frase, em si, pode ser inteligente, mas deve ser submetida a uma investigação da lógica. Devemos antes entender de que poder se trata. Há os que consideram o poder como exercício do hedonismo puro; outros, a colheita da bajulação ou da adoração. Outros ainda, de pragmatismo canalha, dele fazem o meio de enriquecimento pessoal.
E há os que buscam o poder a fim de realizar projeto político honrado. Na raiz da ideia milita a discussão entre os meios e os fins. Sendo assim, o poder é apenas um meio. A ética aconselha não fazer distinção entre uma coisa e outra; a prática vulgar da política faz dela uma regra, quando o objetivo é o do poder pelo poder. O meio já encerra, em si mesmo, o fim, como ocorre com qualquer caminho.
O governo da Presidente Dilma Rousseff está diante desse dilema. Ministros defenestrados entram pelos portais palacianos, inflados de insolência, a fim de indicar seus sucessores. E, entre os ministros atuais, há os que, com arrogada autonomia, sabotam projetos do governo, agindo na contramão dos fins anunciados, como é o caso do Ministro Paulo Bernardo, no caso da Banda Larga e da Telebrás, e em suas concessões às empresas estrangeiras.
Uma das grandes dificuldades do atual governo é a falta de coordenação entre os seus integrantes. A boa prática administrativa recomenda reuniões ministeriais periódicas e, no intervalo entre elas, consultas bilaterais, sempre que for o caso. No governo atual elas são quase inviáveis: como reunir 40 ministros, com a frequência recomendável? Argumenta-se que a chefe do poder executivo federal é refém do parlamento e, para governar, tem que dar a cada partido, conforme sua representação, fatias do poder. É verdade, mas um governo, com a aprovação popular da atual presidente, pode virar a mesa, se quiser, e reduzir o número de ministérios ao patamar da razoabilidade.
É difícil administrar sem projeto nacional que se apoie em programa de ações coordenadas, como ocorreu, com seus acertos e erros, durante os governos de Vargas e Juscelino. Vargas defrontou-se com a prolongada crise econômica dos anos 30, agravada pela ascensão das potências do Eixo, mas, ainda assim, iniciou a ocupação racional do território, estabeleceu as bases de uma política social mais justa e, no momento certo, fez a opção internacional que mais nos convinha, ao aliar-se aos Estados Unidos. No segundo governo, avançou no desenvolvimento econômico, o que lhe custou a vida – mas não se afastou do seu objetivo de construir a grandeza nacional. Juscelino prosseguiu no mesmo caminho, e governou de acordo com o seu programa de metas.
Os dois sofreram, tanto quanto o atual governo, da pressão dos interesses antinacionais, exercida mediante parcela comprometida dos meios de comunicação. A situação internacional, hoje, é mais favorável. Não estamos submetidos ao maniqueísmo da Guerra Fria, e isso nos possibilitou aproximação com países emergentes como o nosso – a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul. Não estamos aproveitando bem essa aliança natural com os BRICS.
Estamos agora construindo submarinos movidos a energia nuclear em parceria com a França, quando nos teria sido muito mais vantajosa parceria com a Rússia, de tecnologia melhor. E, mais: nada explica nossas relações desiguais com a Espanha, que tem retirado do Brasil, por intermédio de suas empresas aqui, alguns dos recursos com que vai engambelando os seus credores. O BNDES tem sido mais do que generoso com instituições espanholas, como o Banco Santander e a Telefônica.
Terça-feira os países do BRICS se reúnem novamente em Durban, na África do Sul, com a presença de seus líderes maiores. É um bom momento para que o Brasil aprofunde as parcerias econômicas com a China, a Índia e a Rússia, que dispõem de recursos e tecnologia que ainda nos faltam – a fim de que possamos retornar ao Grande Projeto Nacional de Vargas. Mas é também necessário que coloquemos a administração nacional sob o jugo da racionalidade.
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Obscenidades Catarinenses

 
Noite quente, casa lotada. A luz vai trocando de lugar com a fumaça, sinal de que em poucos minutos o show começa. Com suas longas orelhas de coelho, ela rebola, grita, canta, ri e bebe ao som de música eletrônica. Ela desce do palco, conversa com todos os presentes em um inglês tão apertado quanto as suas vestes fetichistas.
E assim segue o espetáculo Kassandra, produzido pela La Vaca Productora de Arte, com a atriz Milena Moraes e direção de Renato Turnes. A temporada de estreia foi financiada pelo Prêmio Myriam Muniz, da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE) de Teatro. Até então inédito no Brasil, o texto de Kassandra é do dramaturgo franco-uruguaio Sergio Blanco, que escreveu a peça propositadamente em um inglês precário para representar um idioma de sobrevivência. Outra exigência do autor é a de ser encenada em espaços não-convencionais. Em Florianópolis, Kassandra ganhou vida no Bokarra Club, a mais conhecida casa de “diversão adulta” da cidade.
O local de apresentação nunca foi um problema, até uma gravação de uma festa promovida pela prefeitura de Palhoça no Dia Internacional da Mulher com a participação de um gogo boy aparecer na mídia. Este fato levou o Governo Catarinense a condicionar a liberação dos recursos do Funcultural para a Maratona Cultural à mudança de local de apresentação de Kassandra, já que o espetáculo havia sido convidado a integrar a programação do evento.
O que o ânus tem a ver com as calças, ou melhor, com as orelhas? Só a mentalidade exótica dos governantes catarinenses e dos moralistas de plantão pode fornecer algum tipo de pista.
Além da decisão dos produtores de Kassandra de cancelar o espetáculo, o veto do governo catarinense provocou várias retiradas de outros espetáculos da programação da Maratona Cultural por parte dos produtores em solidariedade e protesto aos rumos da política cultural no Estado. Também se reproduzem a cada dia as manifestações de repúdio, como da Federação Catarinense de Teatro (Fecate), do Centro de Artes da Udesc e o do Fórum Setorial de Teatro.
Além da sociedade civil organizada, outras manifestações de protesto partem de indivíduos conectados à internet, como a “Maratona Cultural Livre”, uma plataforma colaborativa de mapeamento de atividades culturais independentes e a “Ocupação Coelho de Troia”, na qual os artistas, produtores e público são convocados a aderir ao movimento de protesto comparecendo aos eventos utilizando uma máscara de coelho, em alusão à personagem Kassandra.
O espetáculo Kassandra é inspirado na personagem mítica da Guerra de Troia: Uma princesa com o dom da vidência que é considerada louca e não consegue convencer seu povo do massacre iminente. Ao que parece, mais uma vez Kassandra encontrou seu trágico destino na ignorância dos homens.
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Redação, em prova do Enem, só complica

fOTO: WIKIPEDIA ENEM 
As últimas notícias sobre a prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em que alunos escreveram receitas de miojo e o hino do Palmeiras só reforçam a ideia de que a prova de redação é desnecessária.
É evidente que a avaliação de produção de texto é importante, mas essa opção deveria ser reavaliada em uma prova ampla, que tem abrangência nacional e conta com 6 milhões de inscritos.
Desde o início do Enem, a prova de redação é usada por interessados em destruí-lo. Além disso, a redação tem sido um foco de problemas, inclusive jurídicos, para o exame, que é de fundamental importância para o país e estabelece igualdade entre jovens ricos e pobres, de norte a sul do país.
A prova de redação é provavelmente o item mais caro para a correção, visto que exige um batalhão de corretores para avaliar 6 milhões de redações. E qual é realmente sua eficácia? A avaliação da escrita deve ser feita nas escolas, em salas com poucos alunos, em que o professor acompanha de forma individualizada cada aluno.
Num grande exame nacional, essa avaliação poderia ser substituída por respostas curtas ou por uma boa prova de literatura, em que o aluno deveria demonstrar conhecimento de romances e poesia brasileira, com livros pré-estabelecidos. Se o aluno tem uma bola leitura, certamente ele também terá uma boa escrita. Isso é um conhecimento redundante na prática educacional. Quem não lê, não escreve, diz o ditado.
No Educação Política
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Plantando maconha para a vitória

O cartaz da campanha de 1942
Nos anos 1980, um filme de 14 minutos começou a circular entre os ativistas norte-americanos pró-liberação da maconha: nele, o Departamento de Agricultura do governo dos Estados Unidos pedia ao país que plantasse cânhamo (a mesma planta da maconha) para ajudar na guerra, em 1942. “Cânhamo para amarrar navios, cânhamo para toas, cânhamo para rebocar e atrelar, cânhamo para incontáveis usos navais tanto a bordo quanto em terra!” Nada poderia ser mais patriótico, sugeria o filme, do que plantar maconha.
Antes de o algodão dominar o setor e o lobby dos plantadores acabar com as lavouras de cânhamo sob o pretexto de proibir a droga, a fibra era largamente utilizada em várias partes do planeta. Inclusive os cordames e velas das caravelas de nossos descobridores eram feitos de cânhamo. O Novo Mundo já nasceu ligado de alguma forma à planta… Eu sempre me perguntei, aliás, por que não plantar cânhamo oficialmente no Nordeste brasileiro, onde cresce tão bem, mesmo em solo árido –plantas com baixo teor de THC, o princípio ativo da maconha, que seriam utilizadas somente para extrair a fibra e fabricar de roupas, por exemplo. O óleo também é super-nutritivo e seu uso está sendo estudado como biocombustível. Qual o problema?
Enfim, é muito curioso descobrir que o plantio da proibidíssima maconha já foi incentivado nos EUA. Quando o filme foi descoberto, o governo negou, disse que se tratava de um embuste. Não havia registro oficial sobre a produção em lugar algum, mas os ativistas não desistiram. As autoridades americanas só não contavam com um detalhe: embora o registro tenha desaparecido do catálogo eletrônico, as velhas fichas da Biblioteca do Congresso não haviam sido incineradas, e estava lá: Hemp for Victory (Cânhamo para a Vitória), Departamento de Agricultura dos EUA, 1942. Bingo.
“Podemos apenas especular sobre o autor da decisão de ‘apagar’ Hemp for Victory dos vários arquivos oficiais. Ao que parece, a ‘reescrita’ da História Oficial, algo que supomos só ter acontecido na Rússia comunista e em outros Estados não democráticos, acontece também nos Estados Unidos”, escreveu Rowan Robinson em O Grande Livro da Cannabis (Jorge Zahar), que conta a história.
Em 2010, o pessoal do blog O Imperador Está Nu legendou em português e disponibilizou no youtube o filme, em duas partes. Assista. Você vai ver como as visões sobre a maconha variam de acordo com a ocasião. Uma hora heróica, outra hora banida da sociedade até como fibra.
Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Charge online - Bessinha - # 1734

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