22 de mar de 2013

Fatiamento foi manobra para ocultar a verdade

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Num momento em que a integridade dos vídeos do Julgamento da AP 470, está ameaçada, seria de bom tom que os ministros preocupados com suas reputações e, portanto, interessados em sumir com os vídeos, garantissem, por outro lado, a permanência, no Youtube, dos vídeos que, ao contrário de conter aberrações proferidas por V. Exas, guardam passagens, sensacionais, da luta em defesa do Estado de Direito e, sobretudo, a senha para o entendimento, definitivo, do que estava ocorrendo nesse julgamento.
Obviamente, refiro-me ao vídeo em que o Ministro Ricardo Lewandowski, apresenta ao Brasil a Fábula do Elefante e os cegos. A partir dali, estavam esclarecidos não só os fundamentos do “fatiamento” como também e, principalmente, a explicação para a dificuldade das defesas, tanto técnicas quanto políticas.
Não só cada magistrado estava focado em alguma parte ou partes, como cada réu vinha pendurado numa delas; como consequência, cada defesa agarrada a seu próprio réu (fatia) e militantes e simpatizantes fazendo o mesmo.
Todos os grupos interessados em entregar alguma parte para salvar o todo, desde que a parte a ser sacrificada não fosse a sua. Um grupo oferecia patas para salvar a tromba, outro o rabo para salvar as patas, sem, contudo, perceberem que, ao fim e ao cabo, independente do resultado para um réu específico, o elefante restaria morto ou mutilado, o que parecia pouco importante, uma vez que, até aqui, sequer se vislumbrava o elefante.
A partir desse voto e, só aí, as defesas nas redes sociais, saíram em conjunto na busca do que seria o “corpo” do elefante, ou seja, a parte que unia os retalhos dispersados nas fatias e que mantinham a unidade do bicho.
Na busca pelo tronco que unia os membros (rabo, tromba e patas), chega-se ao corpo e aí, a surpresa; a própria AP é o corpo do elefante; é dentro dos autos que ocorre a tentativa de ocultação do que deveria ser o elo entre as partes; não por acaso, o tronco encontrava-se diluído na parte onde o entendimento da maioria de nós fica prejudicado, ou seja, aspectos financeiros; apesar das defesas já haverem descartado o corpo como parte integrante daquele bicho, o próprio Tribunal, valendo-se do desconhecimento do público acerca do assunto, assume o lugar do corpo, forjando a entrada de dinheiro público no esquema e daí para frente, não havendo mais caminho de volta, forjar-se-iam, todas as demais situações.
Nesse ponto, é importante ressaltar o excelente trabalho do jornalista Raimundo Pereira e parabenizar todos os grupos, militantes e simpatizantes das redes sociais que tiveram a coragem de largar os membros a que vinham agarrados há quase oito anos para partir na missão em busca do todo, bem como jornalistas e blogueiros sem os quais, chegar até aqui teria sido impossível.
O Blog que mais se aprofundou na discussão acerca da existência de dinheiro público na AP 470, foi o do jornalista Luis Nassif. Talvez, por ser um especialista, nessa área, tenha tido a visão clareada, antes da maioria de nós e, portanto, mais dificuldades para ser enganado. O fato é que os debates ali foram intensos e abriram a possibilidade para uma discussão mais bem elaborada e fundamentada, ganhar a rede. Com o aprofundamento dos debates e a publicação dos documentos da defesa que constam dos autos, pelo Blog Megacidadania, o corpo do elefante, foi enfim, ganhando contornos nítidos. E, hoje, o que temos é, um elefante com bico no lugar da tromba, asas no lugar das patas e nadadeiras no lugar do rabo.
Para injetar dinheiro público no esquema, o MPF, transformou uma multinacional americana em empresa pública. O dinheiro que essa multinacional investiu em publicidade, foi transformado em dinheiro para compra de votos da base aliada para aprovação de projetos do Governo; os empréstimos que o PT fez para saldar dívidas de campanha tiveram que ser decretados fraudulentos para que o dinheiro da multinacional assumisse o seu lugar, como dinheiro público (??? ) na compra de votos (???), para que, afinal, ficasse caracterizado o tal de Mensalão. Ou seja, criaram um monstro para depois construir um processo, desenvolver teorias, encomendar jurisprudência e doutrina para pode dar-lhe sustentação, apesar de farta documentação nos autos, atestando, a não ocorrência de quaisquer dessas situações, como constatamos, depois, nos blogs que divulgaram os documentos.
O esquartejamento do elefante, explica, então, o não desmembramento do processo e a necessidade de sua manutenção em instância única. Quaisquer dos réus, sem foro privilegiado, em instâncias inferiores, estaria, automaticamente, absolvido; porque o monstro só funciona como um todo. É como um carro alegórico cuja movimentação depende do manobrista em seu interior e da equipe de apoio que o empurra pela Avenida. O PGR, o Relator e demais ministros do STF, são os responsáveis pelo movimento da alegoria. Além disso, como toda a alegoria, ela só faz sentido dentro do enredo e nesse sentido, a mídia fez o seu papel. De qualquer forma, essa alegoria parada, isolada, fora da Avenida, não faz qualquer sentido e é essa a razão para que nenhum operador do Direito esteja entendendo nada do que está acontecendo. O tal de Mensalão é uma rainha de bateria arrastando um funeral.
Apesar das defesas terem provado que não houve compra de votos, que os empréstimos foram legais, que não houve dinheiro público e que não havia quadrilha nenhuma, um elefante com bico, asas e nadadeiras segue, tranquilamente, seu curso pelas principais avenidas do país causando muito pouco espanto.
Os réus do núcleo político dessa AP, não por acaso, são REPRESENTANTES da sociedade brasileira e, mais uma vez, estão ali, representando NOSSOS direitos e garantias. Portanto, o que estamos defendendo NÃO SÃO os direitos dos réus mas os NOSSOS próprios direitos. Não estamos fazendo favor aos réus e sim eles estão nos prestando um enorme favor, que é o de fazer com que possamos ter a exata noção de nossa fragilidade democrática e a dimensão de onde as forças conservadoras do país podem chegar na guerra pela manutenção de seus privilégios.
A cada Ato ou debate sobre esse julgamento, ouvimos dos réus do núcleo político a mesma coisa; não confrontar, não fulanizar, não agredir, fazer o bom combate porque a disputa é política e a luta por justiça será árdua e se dará a médio e longo prazo... O contraste entre a serenidade dos réus e a sanha condenatória e agressividade dos magistrados é desconcertante. Mas, sim, concordo com os companheiros que a luta por Justiça é longa e árdua mas, no caso específico, estamos pedindo justiça a quem? Quem fará justiça aos réus e a nós se o monstro que nos assombra foi criado nos laboratórios do MPF e STF? Recorrer a Cortes Internacionais? Mas então é isso mesmo? Vivemos num país onde os direitos do cidadão só estão garantidos por força de Pactos Internacionais?
Gostaria de lembrar aos demais réus remanescentes dessa AP, que essa luta também deveria ser deles. O resultado do empenho dos militantes e simpatizantes, se positivo, beneficiará a todos. Estou falando de banqueiros e publicitários, ou seja, dinheiro e marketing ( o objeto dessa AP, financiamento de campanhas políticas ), se chegamos até aqui sozinhos, poderíamos já ter encerrado esse assunto, caso os demais interessados tivessem feito a sua parte como os militantes e simpatizantes vem fazendo a sua. Por certo que, conhecendo nossa justiça, sabemos que aguardam o apagar das luzes para saírem de fininho e sem alarde midiático em torno disso. Afinal, são apenas figurantes nessa AP. De qualquer forma, por uma questão de caráter, poderiam ajudar. Muito mais do que qualquer um de nós, eles sabem onde essa farsa começa e onde ela pode terminar.
Ao STF, uma sugestão para auxiliar no problema com os vídeos dos julgamentos. Daqui para frente, coloquem as togas nas cabeças, alterem a rotação do áudio para 16, 45 ou 78 e projetem, apenas as sombras na tela. Assim, será impossível identificar quem está falando e evitaremos o trabalho de salvar vídeos não editados pela rede.
Cristiana Castro
No Megacidadania
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Charge online - Bessinha - # 1733

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Índios são expulsos da Aldeia Maracanã pelo governo do RJ

As defensorias públicas do Estado e da União, o Ministério Público da União e parlamentares que participaram da negociação de saída dos ocupantes do antigo Museu do Índio, na zona norte do Rio, anunciaram que vão entrar com medidas legais contra o governo fluminense por abuso de poder e violência.
De acordo com depoimentos à Agência Brasil (veículo informativo da Empresa Brasileira de Comunicação, do Governo Federal), autoridades públicas, índios e simpatizantes da causa foram agredidos durante a operação policial. O defensor público federal Daniel Macedo disse que foi pego de surpresa pela tropa de choque, “que saiu atirando para cima e jogando gás de pimenta de maneira indiscriminada”.
O defensor adiantou a estratégia jurídica do processo. “Primeiramente, entraremos com provas documentais para apurar as responsabilidades,” informou. “Sem necessidade, atiraram em mim, o gás de pimenta acertou no procurador, nos defensores, não faz sentido isso, a negociação era frutífera”, denunciou Macedo.
Enquanto, do lado de dentro, os últimos índios e apoiadores eram retirados à força por policiais, do lado de fora, bombas de efeito moral e gás de pimenta foram usados contra os manifestantes que haviam obstruído a principal via da região.
A imprensa também foi atingida e alguns repórteres passaram mal com o gás. O fotógrafo de O Globo, Pablo Jacob, foi ferido por uma bomba de efeito moral na perna e teve a calça queimada. Alguns militares reagiram com força física aos insultos de manifestantes.
O porta-voz da Polícia Militar, o coronel Frederico Caldas, negou que tenha havido truculência na operação policial, e argumentou que o uso da força foi feito para evitar um incêndio dentro do prédio. “Os índios saíram e os que ficaram lá alegaram que estavam fazendo uma resistência cultural. Um discurso ideologizado e político. Percebemos claramente que não haveria mais negociação, principalmente quando eles colocaram fogo no prédio”, declarou.
O coronel disse também que houve a utilização de força necessária para desobstruir as ruas, fechadas, segundo ele, por um “bando de agitadores”. Alguns manifestantes foram presos, mas o coronel não soube informar o número de detidos.
O índio Kaiah, da etnia Waiwai, do Pará, estava dentro da propriedade quando a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou. “A gente estava batendo o maracá, fazendo um canto de despedida da Aldeia Maracanã. Foi quando a polícia entrou dando tiro para cima, usando spray de pimenta, a gente já ia sair, era o último canto, para sairmos sentindo os espíritos que existem aqui dentro”.
A Avenida Radial Oeste ficou interditada durante cerca de uma hora. O edifício, antes ocupado por cerca de 30 pessoas, agora está sob a guarda do 4º Batalhão, por tempo indeterminado. Alguns índios foram enviados para o Hotel Acolhedor Santana 2, no Centro.
Segundo a Secretaria Estadual de Assistência Social, está prevista uma visita dos índios a três locais de moradia temporária: Jacarepaguá, Bonsucesso e Visconde de Niterói. Pela proposta do governo do estado, os índios podem decidir pelo recebimento do benefício do aluguel social, no valor de R$ 400, ou podem voltar para a aldeia de origem, com ajuda para o transporte.
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Atriz Fernanda Torrres reconhece: JN perdeu

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Atriz global e colunista da Folha de S. Paulo resume fenômeno de esvaziamento de audiência da TV aberta; "O público não está trocando de canal, mas de mídia", assinala; ela reconhece que a internet está ainda mais avançada que as televisões pagas; "A TV por demanda aponta um futuro em que o espectador monta a sua própria grade. Algo já praticado na internet, onde os comerciais são destinados a um público alvo e os navegadores trocam indicações entre si"; tempo de Cid Moreira já passou; mas publicidade é concentrada em mais de 60% nas tevês abertas; e a maior parte das verbas, na Rede Globo; força do hábito ou do jabá?
A atriz global Fernanda Torres tocou em texto numa ferida aberta dentro do principal jornal da Rede Globo de Televisão. Em coluna publicada nesta sexta-feira 22 no jornal Folha de S. Paulo, Fernandinha, como é conhecida entre seus amigos, lembra na abertura do artigo Vale-TV que em seu tempo de menina – ela é nascida em 1965 – se acostumou a saber a hora do jantar por ouvir a voz de Cid Moreira no Jornal Nacional. Mas conta que, hoje, seus filhos já não têm mais essa referência. Eles não se guiam pela entrada no ar de William Bonner e Patrícia Poeta. Nem os escutam nem os assistem. Estão atentos a outras mídias, ligados nas tevês por assinatura e conectados à internet.
A propósito de discutir a suspensão, pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, do direito de uso do chamado Vale-Cultura para a feitura de assinaturas de tevês fechadas, Fernanda aborda com precisão o tema do esvaziamento da audiência na tevê aberta. A referência inicial ao Jornal Nacional, neste sentido, é emblemática. Apesar de ter um dos espaços publicitários mais caros da mídia brasileira, o JN já não é mais aquele. Nos últimos tempos, perdeu nada menos do que 40% de sua audiência histórica. Ainda se sustenta, no entanto, nas preferências dos muitos responsáveis pela indicação de anúncios nas agências de publicidade, os chamados 'mídias'.
Nos anos 1960, quando fundou a Rede Globo, o empresário Roberto Marinho criou um sistema único de remuneração das agências de publicidade. Em troca de veiculação, ele estabeleceu o B.V. – Bônus de Veiculação. Trata-se de um instrumento existente até hoje, aprimorado através dos tempos, e disseminado entre outras emissoras. Por ele, as agências recebem de volta parte do dinheiro investido em publicidade. O B.V. também é conhecido por jabá.
Boa parte da explicação na insistência na concentração publicitária no Jornal Nacional, apesar das perdas de audiência e, consequentemente, de repercussão, está no B.V. O que Fernanda Torres defende é a reabertura das negociações para se incluir a possibilidade de uso do Vale-Cultura – um avanço para o consumo de produtos culturais e de entretenimento no País – poder vingar, também, para assinatutas para tevês pagas. Ela não diz com todas as letras, mas deixa clara, em sua coluna, que, hoje, as tevês fechadas – e os sites de internet – são realmente muito mais interessantes que o Jornal Nacional.
No 247
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Ninho tucano está cada vez mais alvoroçado

As últimas notícias que chegam do cada vez mais alvoroçado ninho tucano dão conta de um encontro secreto de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e possível candidato presidencial do PSB, com o ex-governador paulista José Serra, desafeto histórico do senador mineiro Aécio Neves no PSDB.
Não se trata da única novidade que deve deixar Aécio mais preocupado ainda com o PSDB paulista. O governador Geraldo Alckmin, que também teve dois encontros reservados com Campos, mais preocupado com a própria reeleição, decidiu abrir novos espaços para o aliado PSB, por sua vez em busca de um palanque forte em São Paulo.
Alckmin e Serra estão se movimentando para devolver a Aécio o que ele fez quando os dois se candidataram à Presidência da República e ficaram sem o apoio do então governador mineiro. O nome mais popular que se dá a isso é vingança.
Já se fala até numa improvável chapa Eduardo Campos- José Serra. É difícil imaginar Serra, duas vezes candidato derrotado a presidente da República, em 2002 e 2010, ser vice de alguém, mas é fato que ele não esconde mais seu desntentamento com os rumos do PSDB e no partido se fala abertamente na sua saída.
Para onde? O ex-governador paulista anda de conversas com o presidente do PPS, Roberto Freire, que ele fez deputado federal por São Paulo, depois de abrigá-lo em dois conselhos municipais quando foi prefeito da capital.
Desaparecido do noticiário, Freire ressurgiu nas últimas semanas como grande articulador político nacional ao se aproximar de Eduardo Campos e sinalizar apoio à sua candidatura. Os dois são pernambucanos e críticos da hegemonia PT-PMDB.
Aécio também esteve reunido com Alckmin e Serra, esta semana em São Paulo, mas a divisão dos tucanos teima em ficar do mesmo tamanho. O virtual candidato do PSDB até ofereceu cargos no comando do partido, que ele deve presidir a partir de maio, mas Serra continua fazendo beiço e só pensa em se vingar do senador mineiro.
É neste clima de animosidade explícita que os tucanos vêem Eduardo Campos avançar cada vez mais em seus redutos no empresariado e nos partidos de oposição, enquanto a presidente Dilma Rousseff, já lançada por Lula à reeleição, bate recordes de popularidade, em especial no Nordeste.
Repete-se, desta forma, a cristianização das candidaturas do PSDB nas últimas três eleições presidenciais. A única certeza que resta para Aécio em São Paulo é o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou o nome dele ainda no ano passado, depois de ser mantido à distância das campanhas tucanas.
Pelo que conheço dele, se Aécio Neves perceber que a sina tucana pode se repetir nas eleições de 2014, ele vai agradecer a lembrança do seu nome, mas dirá que prefere se candidatar novamente a governador de Minas Gerais, um vôo mais seguro.
E aí fica a dúvida: caso isso aconteça mesmo, quem o substituirá nas eleições presidenciais? Alckmin ou Serra de novo?
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Quando um parlamentar contrário aos direitos dos homossexuais assume que é gay

http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/10067379.jpeg 
Todo esse debate sobre homofobia e política me lembrou casos que  aconteceram nos Estados Unidos, bem como em outros países. E que – talvez, um dia – pipoquem forte pelo Congresso Nacional tupiniquim.
O senador estadual da Califórnia, republicano e conservador, Roy Ashburn votou durante 14 anos contra propostas para aumentar os direitos dos homossexuais. Alguns anos atrás, aos 55, divorciado e pai de quatro filhas, assumiu em entrevista a uma rádio que era gay. A revelação ocorreu após circularem rumores em torno de sua prisão por dirigir embriagado: parado pela polícia, ele havia saído de uma boate gay em um carro oficial.
Não foi a primeira vez que um representante eleito adotou um comportamento público contra sua própria orientação sexual, atendendo aos desejos de sua base conservadora e de olho no impacto em sua carreira. Nem será a última.
Alguns podem dizer que essa hipocrisia deriva da falta de coragem para assumir quem é e lutar por seus direitos. Ou do sentimento que varia entre o medo dos outros e a raiva que algumas pessoas sentem de si mesmas. Prefiro acreditar que isso também é influenciado por um cálculo político bastante racional. Ainda mais sociedades como a norte-americana ou a nossa, encobertas pelo véu de valores religiosos, para os quais a homossexualidade é pecado, influência do capeta e todo aquele blablablá religioso.
Durante os acalorados debates causados pelo 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, setores da Igreja Católica reclamaram das propostas contidas no documento que questionavam a presença de símbolos religiosos em prédios públicos. O que as pessoas não entenderam é que a retirada de santinhas e crucifixos de tribunais e parlamentos não era o objetivo final, mas um primeiro passo simbólico no processo de tornar o Estado de fato laico nas decisões que devem ser tomadas.
Em 2007, ao arquivar a denúncia de um jogar de futebol contra um dirigente, o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho sugeriu que se o jogador fosse homossexual, “melhor seria que abandonasse os gramados”. Disse também que “quem se recorda da Copa do Mundo de 1970, quem viu o escrete de ouro jogando (…) jamais conceberia um ídolo ser homossexual”. Também proferiu que: “Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas forme seu time e inicie uma Federação”. Por fim, arrematou o seu naco de besteiras dessa forma: “Cada um na sua área, cada macaco no seu galho, cada galo em seu terreiro, cada rei em seu baralho. É assim que penso”.
Uma pessoa com um cargo público com poder de decisão (que deveria garantir que os direitos fossem válidos a todos os cidadãos e proteger as minorias ameaçadas) não poderia nunca construir uma imbecilidade dessas. Age, dessa forma, não para fazer valer o Estado de Direito, mas sim para incentivar a intolerância, empurrando a sociedade para o precipício, baseado em uma formação individual extremamente deficiente.
Um outro caso bizarro: um juiz de Sete Lagoas (MG), há alguns anos, rejeitou uma série de pedidos de medidas, baseadas na Lei Maria da Penha, contra homens que agrediram e ameaçaram suas parceiras. Edilson Rumbelsperger Rodrigues disse que: “Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”
O eleito para  presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, pastor Marco Feliciano, como já disse aqui antes, não está sozinho. Ele representa não apenas uma parcela da população (o que assusta), mas também do poder público (o que deprime).
O pior não é encontrar peças jurídicas com um grau de estupidez, machismo e ignorância como essas. Ou mesmo declarações como aquela famosa do então senador Demóstenes Torres sobre a escravidão no Brasil, culpando os africanos por sua própria desgraça – rasas e historicamente deturpadas. Se elas fossem apenas distorções, vá lá, uma instância superiora célere, competente e honesta seria capaz de desconsiderá-las como argumento ou revertê-las como decisão. O problema é saber que, infelizmente, essas análises refletem um naco da sociedade brasileira formado por ricos e pobres, letrados ou não.
Não é uma questão educacional pura e simples. É consciência. E isso não se aprende na escola, nem é reserva moral passada de pai para filho nas famílias ricas. Mas sim na vivência comum na sociedade, na tentativa do conhecimento do outro, na busca por tolerar as diferenças. Os Três Poderes são frutos do tecido social em que estão inseridos. Sim, a esbórnia que ganha as páginas policiais, digo, de política, é sim um reflexo de nós mesmos. Muitos assumem em suas decisões políticas ou judiciais o mesmo preconceito das piadas maldosas contra gays, lésbicas, transsexuais ou transgêneros ou dos pequenos machismos em que nós (e não me excluo disso) nos afundamos no dia-a-dia.
O que difere é o tamanho, não a dor que proporciona.
Coloquemos a culpa no processo de formação do Brasil, na herança do patriarcalismo português, nas imposições religiosas, no Jardim do Éden e por aí vai. É mais fácil atestar que somos frutos de algo, determinados pelo passado, do que tentar romper com uma inércia que mantém cidadãos de primeira classe (homens, ricos, brancos, heterossexuais) e segunda classe (mulheres, pobres, negras e índias, homossexuais etc.) Tem sido uma luta inglória, mas necessária. Que inclui uma profunda reflexão sobre nossos próprios comportamentos e a exposição daqueles que, em cargos públicos, rasgam os preceitos básicos dos direitos fundamentais.
Agnaldo Timóteo recebeu 12.009 votos e não se reelegeu vereador em São Paulo no ano passado. Há quase seis anos, em um discurso na Câmara dos Vereadores, ele disse que o visitante que vem ao país atrás de sexo não pode ser considerado criminoso. “Ninguém nega a beleza da mulher brasileira. Hoje as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem uma saia curta e provocam. Aí vem o cara, se encanta, vai ao motel, transa e vai preso? Ninguém foi lá à força. A moça tem consciência do que faz”, declarou. “O cara [turista] não sabe por que ela está lá. Ele não é criminoso, tem bom gosto.”
Como já disse aqui, alguns colegas jornalistas desprezaram análises mais profundas sobre o caso, dizendo que ele não pensa sobre o que fala, sendo um conservador caricato apenas. Não dispenso a ele a complacência que se dá aos parvos do Auto da Barca do Inferno. Pessoas como Feliciano e Timóteo simbolizam os que não vêem o Estado como espaço de efetivação da cidadania, mas sim de batalha. Em que o mais forte, esperto, rápido ou peludo vence.
Timóteo se beneficia de sua imagem como cantor, da mesma forma que Feliciano como pastor, o que leva parte da população a votar neles. Têm o dom da palavra, conseguem falar com um público amplo e colocam soluções fáceis na mesa que são consumidas rapidamente.
Convenhamos, quem quer pensar depois de um dia cheio de trabalho? Preconceito empacotado é muito mais confortável e quentinho do que preparar tolerância.
Mas os dois  não são causa e sim consequência. Verbalizam a visão de uma parte da sociedade que, mal informada e com medo de si mesma, reproduz processos que mantém a opressão, a dor e o preconceito.
O tempo é implacável. Timóteo, provavelmente, gastou o seu capital de imagem. Contudo, as posições que ele defende não se vão com ele, porque não pertencem a ele. Da mesma forma, a (justa, imprescindível, necessária, fundamental, urgente) queda de Marco Feliciano não levará embora as posições que ele defende, porque elas também não pertencem a ele. Os nossos representantes nos parlamentos municipal e federal, quer gostemos ou não, são um espelho de parte de São Paulo e esses posicionamentos continuarão incorporados por outros eleitos ou reeleitos.
Todos os pontos de vista relevantes merecem ter representação no Poder Legislativo. Mas não aqueles que atentam contra o princípio básico dignidade humana. A tristeza é que, alguns representantes, são provas que falta muito para sermos uma sociedade em que se respeita os direitos fundamentais.
Tenho esperança de que, um dia, com muito diálogo e paciência, a composição dos parlamentos mostre um reflexo melhor. Um do qual não sintamos tanta vergonha.
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Datafolha: Dilma é reeleita

A presidente Dilma Rousseff lidera a mais nova pesquisa Datafolha de intenções de voto para a Presidência da República. Se a eleição fosse hoje, a petista teria 58%, seguida pela ex-senadora Marina Silva (Rede), com 16%.
Logo atrás estão o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 10%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que aparece com 6% das intenções de voto. Neste cenário, 6% declararam voto nulo ou em branco, e 3% disseram não saber em quem votar.
Na pesquisa anterior, realizada em dezembro do ano passado, Dilma tinha 54%, Marina aparecia com 18%, Aécio, 12%, e Campos, 4%.
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 21 de março e ouviu 2.653 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No fAlha
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Dilma tem potencial de votos de 76%, diz Ibope

: BRASÍLIA, DF - 11.03.2013: DILMA/JOHN KEY/DF - A presidente Dilma Rousseff recebe o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda (11). (Foto: Pedro Ladeira/Frame/Folhapress)
Segundo pesquisa Ibope feita em parceria com o Estadão, 52% dos entrevistados dizem que votariam na presidente Dilma Rousseff em 2014 com certeza, enquanto outros 24% poderiam votar; o índice de preferência da presidente é 2 vezes maior que o da ex-senadora Marina Silva, 3 vezes maior que o do senador Aécio Neves (PSDB-MG), e 7 vezes superior ao do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), seus possíveis concorrentes em 2014
Se a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira indicou crescimento da presidente Dilma Rousseff na cotação para a sucessão presidencial de 2014, levantamento realizado pelo Ibope em parceria com o jornal O Estado de S.Paulo indica quadro ainda mais animador para a petista. Segundo a pesquisa Ibope,  Dilma tem 76% de potencial de voto no País. Desses, 52% dizem que votariam nela com certeza, enquanto outros 24% dizem que poderiam votar.
O potencial da presidente é quase o dobro do de sua adversária mais próxima, a ex-senadora Marina Silva, que chegou a 40%. Já o potencial do senador Aécio Neves (PSDB) é três vezes menor que o de Dilma, e o do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), sete vezes menor.
Como 20% dos eleitores disseram que não votariam na presidente de jeito nenhum, seu saldo ficou em 56% -- o único positivo entre os presidenciáveis. Nesse cálculo, Marina Silva fica zerada, pois 10% dizem que votariam nela com certeza  e 30% que poderiam votar, enquanto outros 40% afirmam que não votariam na ex-senadora de jeito nenhum.
Já Aécio Neves poderia receber votos de um total de 25% dos eleitores entrevistrados, contra 36% que rejeitam seu nome. Eduardo Campos também fica no negativo, com 10% que admitem votar nele contra 35% que não votariam de jeito nenhum. Neste caso, é preciso destacar que grande parte do eleitorado entrevistado não os conhece o suficiente para opinar: 39% desconhecem Aécio; 54% desconhecem Campos.
Serra e Barbosa
O ex-governador José Serra (PSDB) também aparece na pesquisa, e só é conhecido por 14% dos eleitores brasileiros, mas tem saldo negativo de 15 pontos -- 35% admitem poder votar nele, contra 50% que afirmam que não votariam de jeito nenhum. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e o ex-deputado Fernando Gabeira (PV) são outros nomes sondados pelo Ibope.
Barbosa atingiu um potencial de 17%: 4% dos eleitores dizem que votariam nele com certeza, e 13% afirmam que poderiam votar. Gabeira chegou a 7% de potencial, mas apenas 1% votariam nele com certeza. O Ibope entrevistou 2.002 eleitores pessoalmente em 142 municípios de todas as regiões do Brasil entre os dias 14 e 18 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.
No 247
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Mundo avança para combater monopólio na comunicação. Brasil fica parado

Enquanto a grande imprensa brasileira ataca qualquer iniciativa de debate sobre a regulação da mídia, o resto do mundo segue avançando. Nesta semana, já falamos da Grã-Bretanha , que decidiu adotar um órgão regulador independente para a mídia escrita. Mas temos também o recente exemplo do México.
É um fato importantíssimo, mas que passou batido na nossa mídia, obviamente de propósito. Há cerca de dez dias, o governo do presidente mexicano Enrique Peña Nieto apresentou uma proposta de reforma das telecomunicações para reduzir a hegemonia de gigantes como a América Móvil e a Televisa. Há alguns dias, a proposta foi aprovada numa comissão da Câmara.
Ela prevê a criação de um novo regulador de telecomunicações, com mais poderes para supervisionar o setor. O México vive hoje um monopólio nas telecomunicações. A América Movil, do empresário Carlos Slim, controla 70% das linhas de telefonia fixa e 75% dos celulares e da banda larga. A Televisa, de Emilio Azcárraga, e a TV Azteca, de Ricardo Salinas, têm juntas 96% desse segmentos. Sozinha, a Televista tem 70% do mercado. Esse monopólio é apontado como um dos fatores que impedem o crescimento econômico por falta de competitividade.
O novo órgão poderá ordenar a venda de ações de companhias dominantes, com mais de 50% do mercado, além de multas e regulações nos preços para beneficiar empresas menores.
Existe um apoio sem precedentes entre os principais líderes políticos para a aprovação no Congresso.
A proposta também prevê, na televisão, a chegada de duas novas redes de transmissão digital para competir com a Televisa e a TV Azteca, além de um canal estatal nacional com programas educacionais e culturais.
E as redes de TV existentes seriam obrigadas a oferecer sua programação gratuita para operadoras de TV a cabo, sem custo. Também está prevista a eliminação a restrições ao investimento estrangeiro (hoje em 49%).
E também haveria uma rede de infraestrutura estatal de telecomunicações para sustentar a expansão de acesso à internet para 70% das casas e 85% dos negócios no país.
Ou seja, são mudanças bastante ambiciosas e significativas. Mexem com o monopólio de telefone, de internet e de televisão.
E isso tudo está ocorrendo sem histeria, diferentemente do que ocorre na nossa imprensa quando se fala em regulação da mídia.
E vejam: tudo isso ocorre no início do governo de Penã Nieto, cuja campanha foi apoiada indisfarçavelmente pela Televisa. Os críticos viam com ceticismo qualquer mudança significativa levada a sério nas telecomunicações. Não é o que está ocorrendo.
E é bom lembrar: muitos outros países democráticos do mundo contam com algum tipo de regulação da mídia. Com tudo isso, agora só falta o Brasil enfrentar o monopólio eletrônico. Até quando vamos ter medo de encarar essa questão?
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“O poder capitalista na Comunicação é contrário à dignidade humana”, diz Comparato

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Foto: André Freire
 Unidade entrevistou o jurista Fábio Konder Comparato, professor doutor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, doutor em Direito pela Universidade de Paris e doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra sobre os meios de comunicação brasileiro.  
Unidade - Qual a sua análise sobre o poder dos meios de comunicação no Brasil. O senhor acredita que a Justiça brasileira tem atuado em benefício dos grandes veículos de imprensa?
Fábio Konder Comparato – Evidentemente, em todos os países capitalistas, os grandes meios de comunicação de massa se tornaram um poder concorrente ao poder estatal. E, de acordo com o espírito do capitalismo, este poder é exercido de modo oculto e dissimulado. Os grandes jornais, rádios, televisões nunca dizem que tem algum poder sobre o mercado ou sobre a esfera política. Mas, na verdade, este poder é exercido e a apresentação dos veículos de comunicação de massa como órgãos que obedecem a lei e que não fazem censura é profundamente falsa. Mas quem foi que aprovou a lei? Não foram aqueles que obedecem ao poderio dos grandes meios de comunicação de massa? E estes meios de comunicação empresariais de massa são contrários à censura? Eles mesmos exercem uma censura brutal em seu âmbito de atuação.
Unidade – Como o sr. vê o fim da Lei de Imprensa. Que consequências esta decisão do STF tem para a sociedade brasileira?
FKC  - A meu ver, todos os poderes públicos estão hoje submetidos à influência dominante dos grandes meios de comunicação de massa. O Poder Judiciário, em especial, teme muito os grandes jornais, as grandes televisões. E eu mesmo fui vítima de um caso paradigmático. Em fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo, publicou um editorial no qual, comparando o regime militar brasileiro com outros regimes militares da América Latina, sobretudo do Cone Sul, afirmava que no Brasil havíamos tido uma “ditabranda”. Como eu não leio editoriais, eu só tomei conhecimento dele no dia seguinte, por que um leitor do jornal, de Minas Gerais, mandou uma carta onde se dizia indignado com este neologismo. Eu, então, cedendo a meu impulso siciliano, enviei uma carta ao jornal na qual dizia claramente que o diretor de redação e o jornalista que redigiu o editorial deveriam ambos pedir desculpas ao povo brasileiro de joelhos em praça pública. É que eles ofenderam gravemente a consciência do povo brasileiro. Eles poderiam publicar ou não publicar a minha carta. Hoje esta possibilidade de não publicar se tornou muito forte. Por que, desde 2009, é que não existe mais Lei de Imprensa no Brasil.
Unidade – O sr. sofreu alguma represália por ter escrito esta carta à Folha de S. Paulo?
FKC - Sim. O jornal publicou a minha carta. Mas publicou embaixo da carta uma nota da redação dizendo que “o professor Fábio Konder Comparato é cínico e mentiroso, por que nunca criticou outros regimes ditatoriais como o cubano”. Para grande infelicidade do jornal, o então ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins e Silva, publicou uma nota em que dizia que aquela nota da redação continha um “equívoco”, por que o professor Comparato, em uma edição da mesma Folha, tinha publicado uma carta criticando o regime cubano. Evidentemente que o ombudsman foi convidado a se retirar. Confesso que fiquei muito abalado. Mas, uma publicação dessas, na época o jornal de maior circulação, dizer que eu era cínico e mentiroso me abalou muito. Então, eu movi uma ação por danos morais. Eu perdi em primeira instância e perdi no Tribunal por unanimidade. 
Unidade – O sr. acredita que tenha perdido por qual motivo. Pelo temor dos juízes de confrontar um veículo de comunicação?
FKC – Eu acho que sim, mas há também o fato do jornal ter se utilizado de um ex-desembargador para convencer os seus antigos pares de que deveriam votar contra mim. Eu entendo que esta posição do Tribunal foi de grande fraqueza. Eu não fiz a defesa pessoal no meu caso. Mas, se tivesse feito, subiria à tribuna e começaria dizendo: “Senhores desembargadores. Vossas Excelências são cínicos e mentirosos. E, diante do tumulto que isso ocasionaria, eu diria: foi exatamente esta reação que tive quando recebi estes epítetos.
Unidade - Como o sr. analisa o papel da imprensa no Brasil? Alguns colegas chegam a chamar a imprensa como Partido da Imprensa Golpista (PIG). O sr. acredita que a imprensa se preste a este papel?
FKC – Eu não tenho opinião sobre isso. Eu tenho uma convicção. Tanto que eu tomei a iniciativa da propositura de uma Ação de Inconstitucionalidade por omissão no Supremo Tribunal Federal. E a razão é simples: a nossa Constituição Federal foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988 e até hoje, passados mais de 24 anos, o Congresso Nacional não regulamentou dispositivos fundamentais da Constituição como, por exemplo, a proibição do monopólio e do oligopólio. Para dar um exemplo, a Rede Globo é a quarta maior rede de televisão mundial. O Congresso Nacional deixou de regulamentar o artigo 221 da Constituição que determina que a programação das emissoras de TV e de rádio obedeça alguns princípios fundamentais como preferência às matérias de conteúdo cultural, educativo e artístico. Essa ação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal em nome do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)e também da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade. E eu quero assinalar o fato que a Presidência da República, por meio do advogado geral da União, deu parecer contrário a esta ação, ou seja, confirmou que os poderes da República são submetidos à influência dominante dos meios de comunicação de massa. Mas a Procuradoria Geral da República deu parecer favorável. E nós estamos aguardando a decisão.
Unidade – O sr. chegou a acompanhar o que acontece na Argentina e no Equador em relação às empresas de comunicação. Os países da América Latina estão mais evoluídos em relação à regulamentação da mídia?
FKC – Isso corresponde à diferença de caráter entre os brasileiros e os demais povos hispano-americanos. O brasileiro tem caráter dúplice. Ele é fundamentalmente ambíguo. Ele tem uma aparência de respeito à Democracia, aos poderes constituídos. E, na verdade, há uma dominação capitalista dos empresários sobre os poderes públicos. Já no caso dos povos hispano-americanos, eles são muito mais claros e definidos nas suas opções. Inegavelmente, os regimes militares argentino, uruguaio e chileno foram mais cruéis que o regime brasileiro, o que não significa que tivemos uma “ditadranda”. Durante o regime militar daqueles países do Cone Sul, o Poder Judiciário foi afastado. Ele entrou em hibernação. E nós mantivemos o Poder Judiciário funcionando sob o tacão e a espada do Poder Militar. Isso é realmente uma vergonha nacional. Pois bem, terminados os regimes militares no Brasil e no Cone Sul, nós promulgamos uma Lei de Anistia e até hoje os assassinos, torturadores e estupradores do regime militar não foram sequer indiciados, sem falar em condenação penal. Enquanto que nesses outros países, por exemplo, como na Argentina, mais de 100 militares já foram condenados. E antigos chefes de Estado estão na cadeia até hoje. 
Unidade – Quais as alternativas que o sr. aponta para que a sociedade brasileira possa fazer frente ao grande poderio que as empresas de comunicação possuem no nosso país?
FKC – Eu acho que a principal missão hoje de todos aqueles que querem resgatar a honra deste país e instituir um regime claramente republicano e democrático, consiste em lutar contra o oligopólio empresarial dos meios de comunicação de massa. E isso tem que ser feito de forma organizada. Por exemplo, existe um setor da Comunicação Social que não foi oligopolizado pelo capitalismo, que é a internet. E nós temos que trabalhar neste setor para mostrar a generalidade da opinião pública e, sobretudo, aos jornalistas e às novas gerações, que este poder capitalista sobre os meios de comunicação de massa é absolutamente contrário à dignidade da pessoa humana. No momento em que desmoralizamos os titulares do poder, eles começam a cair. Não se trata de fazer revoluções. Trata-se simplesmente de mostrar como eles são sujos, da cabeça aos pés. E eu acho que isso deve ser feito. E eu acho que vocês jornalistas têm muito mais capacidade do que nós, não jornalistas, para organizar isso.
No SJSP
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As notáveis semelhanças entre Rupert Murdoch e Roberto Marinho

Os dois têm muito mais que as iniciais em comum.
Roberto Marinho à esquerda com o general João Figueiredo e à direita com o político baiano Antonio Carlos Magalhães: relações estreitas com o poder.

Rupert Murdoch e Roberto Marinho têm muito mais que as iniciais em comum. Ambos perderam o pai cedo, uma tragédia pessoal que, paradoxalmente, acabou por empurrá-los vigorosamente na indústria da mídia.
Os dois herdaram, jovens ainda, um jornal, Murdoch em sua Sydney, na Austrália, Marinho no Rio de Janeiro. Isso foi determinante para estabelecer nos dois um amor invencível pelos jornais. Mesmo quando já tinham construído, cada qual do seu jeito, um império de mídia diversificado, o jornal continuaria no centro da atenção dos dois.
A língua foi determinante para estabelecer a maior diferença. O inglês facilitou a Murdoch montar um grupo mundial: da Austrália foi para a Inglaterra, nos anos 1960, e acabaria depois incluindo espetacularmente os Estados Unidos no mapa de seus negócios. Sua News Corp, baseada em Nova York, onde Murdoch mora, é dona de marcas como a Fox e o Wall Street Journal. Roberto Marinho, até por não falar inglês, ficou essencialmente restrito ao Brasil até morrer, em 2003, aos 98 anos. Por isso a influência de Murdoch – ainda vivo e ativo, aos 81 anos — é global, e a de Marinho foi nacional.
Como típicos barões da imprensa, deixaram sempre evidente que a voz de seus jornais e demais mídias era a deles e de mais ninguém. “Se alguém quer saber minhas opiniões, basta ler os editoriais do Sun”, diz Murdoch. Sun é seu tablóide londrino, um campeão de vendas e de controvérsias. Marinho não disse isso, mas nem precisava: estava patente.
Cercaram-se de jornalistas que sabiam que jamais deveriam brilhar tanto a ponto de ofuscar o dono. Quando Murdoch comprou o lendário Times na década de 1960, um passo essencial no seu ganho de poder na Inglaterra, sabia-se que os dias do grande editor Harold Evans no jornal estavam contados. O editor Evandro Carlos de Andrade, que dirigiu o Globo por longos anos e depois o telejornalismo do grupo, fez questão desde o início de deixar claro a Roberto Marinho que era “papista”. Fazia o que o Papa mandava. Muito mais que o talento, foi esse traço de pragmática servilidade que explicou a duração da carreira de Evandro nas Organizações Globo.
Murdoch e Marinho sempre disseram ter em vista, acima de tudo, o interesse público. Mas jamais deixaram de ser objeto de suspeita de que, fora da retórica, colocaram invariavelmente seu interesse pessoal acima de quaisquer outros. Por isso acabaram sendo amplamente detestados pela opinião pública que eles, paradoxalmente, tentaram moldar com sua mídia.
Em torno deles se construiu a imagem – exagerada —  de homens capazes de fazer ou destruir governos. Ninguém acreditou mais nisso que os politicos no Brasil e na Inglaterra, e por isso adularam Murdoch e Marinho para além da abjeção. Buscavam sempre apoio, o que às vezes receberam – acompanhado, quase sempre, de uma merecida dose de desprezo.  No código de etiqueta e de poder de Murdoch e Marinho, competiu sempre aos políticos ir atrás deles, e não o inverso.
Lutaram, como todos os barões da imprensa, por estabelecer uma dinastia. As chances de êxito de Murdoch, nisso, são pequenas. Três filhos seus – uma mulher e dois homens – já estiveram na condição de herdeiros aparentes. O último deles, James, 39 anos, renunciou a seu posto depois que sua reputação foi destruída no escândalo das escutas ilegais telefônica de um tablóide do grupo, o News of the World. Murdoch tem dois filhos pequenos de Wendi, sua bonita mulher chinesa, mas é  difícil imaginar que Murdoch vá estar vivo quando os dois estiverem em condições de tocar uma empresa.
Roberto Marinho teve mais sorte aí. Seus três filhos, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, conseguiram até aqui manter o vigor – econômico, pelo menos — da Globo. São discretos, têm noção de suas limitações e, juntos, estabeleceram uma maneira de trabalhar em conjunto com a qual a Globo se manteve competitiva sem Roberto Marinho. Diferentemente do pai, parecem menos interessados em influenciar presidentes e mais focados no negócio em si. Não inovaram, mas já mostraram entender que o futuro é digital e saber que, se a Globo não transferir sua potência para a internet, o declínio é inevitável. Todos os três estão na faixa dos 50 anos, o que significa que a Globo não enfrentará tão cedo um novo teste de troca de geração. O que os três irmãos não conseguiram foi desfazer a imagem negativa da Globo perante a opinião pública qualificada. A Globo é vista — menos que antes, é certo –, mas está longe de ser admirada pelos formadores de opinião.
Pessoalmente, Murdoch e Marinho compartilharam uma vaidade que os fez claramente ficar incomodados com algumas características físicas. Murdoch durante boa parte da vida tentou esconder a calvície com um penteado em que fios longos eram estrategicamente dispostos de um lado ao outro da cabeça. Apenas recentemente desistiu do expediente. Roberto Marinho não se orgulhava de sua estatura, ampliada por saltos, e de sua tez mulata, na qual passava pó de arroz.
Em suas vidas paralelas, Murdoch e Marinho dividiram, acima de tudo,  o amor pelo poder, pela influência, pela manipulação – por todas aquelas coisas, enfim, advindas da propriedade de um império de mídia.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Yoani desmoraliza cineasta brasileiro

Yoani Sánchez com Ileana Ros-Lehtienen, em Washington
A visita da dissidente cubana Yoani Sánchez ao Brasil, no mês passado, teve como justificativa o lançamento do filme “Conexão Cuba-Honduras”, do cineasta Dado Galvão, ativo colaborador do Instituto Millenium. Ela virou estrela da mídia colonizada, foi ciceroneada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), teve como guarda-costas o fascistóide Jair Bolsonaro (PP-RJ), recebeu beijos dos demotucanos, paralisou uma sessão ordinária da Câmara Federal e até pediu “ajuda” ao mineiro Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB.
Agora, porém, surgem novos detalhes sobre a turnê mundial da bajulada “blogueira” cubana. Poderosas empresas, como a Telefônica da Espanha, ligada à seita Opus Dei, aparecem como financiadoras da sua viagem. ONGs manietadas pelo governo dos EUA também ajudam a pagar sua conta. Grupos vinculados à máfia cubana de Miami recebem a dissidente em vários países. O mais curioso, porém, foi a recepção a Yoani Sánchez nos EUA nesta semana. Uma notória apoiadora do golpe em Honduras esteve sempre ao seu lado.
O atento blogueiro cubano Iroel Sánchez registrou o fato inusitado no seu blog “La Pupila Insomne”. Irônico, ele mandou um recado ao cineasta brasileiro Dado Galvão. Reproduzo abaixo seu texto e fico no aguardo da resposta do colaborador do Instituto Millenium, o antro que reúne os barões da mídia nativa.
Enviar, por favor, a @DadoGalvao
O cineasta brasileiro Dado Galvão fez um documentário intitulado Conexão Cuba Honduras.
A obra de Galvão faz uma polêmica entre a liberdade de expressão em Cuba – centralizada na blogueira Yoani Sánchez – e a situação vivida pelos jornalistas em Honduras após o golpe de estado protagonizado por Roberto Micheletti.
Como é conhecido, uma das figuras que mais apoiou Micheletti e as suas atrocidades foi a congressista cubano-americana Ileana Ros-Lehtienen, do partido Republicano. Na ocasião, ela era a presidenta do Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes dos Estados Unidos.
Gostaria de saber o que pensa agora o senhor Galvão, quando vê a sua protagonista junto à mesma pessoa que viajou explicitamente a Honduras para apoiar o golpe de Micheletti, enquanto os jornalistas hondurenhos eram reprimidos e assassinados.
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"Irã vai destruir cidades de Israel se for atacado"

 
 
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou nesta quinta-feira que seu país vai destruir as cidades israelenses de Tel Aviv e Haifa caso a infraestrutura nuclear iraniana seja alvo de um ataque israelense.
Israel duvida de uma solução diplomática para o impasse que cerca o programa nuclear iraniano e diz repetidamente que poderia realizar ataques preventivos para impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares, o que Teerã diz não ter intenção de fazer.
O Irã e seis potências globais mantêm atualmente negociações na busca para uma solução. Em sua atual visita a Israel, o presidente norte-americano, Barack Obama, reiterou o compromisso dos Estados Unidos com a segurança israelense, mas disse também que é preciso confiar numa solução diplomática.
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que não confiaria a segurança nacional a outros países, por mais aliados que sejam, e afirmou que o Estado judeu tem "o direito e a capacidade" de se defender sozinho.
Em discurso pela televisão por ocasião do ano novo persa, Khamenei disse que "às vezes autoridades do regime sionista (Israel) ameaçam lançar uma invasão militar, mas eles próprios sabem que se cometerem o mais ligeiro erro a República Islâmica vai destruir Tel Aviv e Haifa".
Porém, Khamenei, principal figura do regime islâmico, minimizou a ameaça israelense, dizendo que esse país "não é grande o suficiente para se destacar entre os inimigos da nação iraniana".
No discurso proferido diante de milhares de fiéis na mesquita do Imã Reza, em Mashhad, Khamenei dirigiu-se aos Estados Unidos para dizer que "já afirmamos numerosas vezes a vocês que não estamos atrás de armas nucleares".
Estados Unidos e Irã romperam relações diplomáticas após a Revolução Islâmica de 1979 e Khamenei reagiu com frieza a recentes sugestões de Washington para um diálogo bilateral.
"Não estou otimista com tais negociações. Por quê? Porque nossas experiências passadas mostram que as discussões com as autoridades norte-americanas não significam sentarmos e alcançarmos uma solução lógica ..., o que elas significam para eles é sentarmos e conversarmos até que o Irã aceite o ponto de vista deles", afirmou o líder xiita.
"Não estou otimista com os comentários deles, mas tampouco me oponho", acrescentou o aiatolá, para quem a solução para a questão nuclear estará "próxima e fácil" caso os Estados Unidos desejem.
Tocando na questão central da reivindicação iraniana, Khamenei disse que o mundo precisa reconhecer que o Irã tem "direito natural" de enriquecer urânio para fins civis.
Potências ocidentais suspeitam, no entanto, que a atual atividade de enriquecimento do Irã seja parte do desenvolvimento de armas atômicas.
No Literatura Clandestina Revolucionária
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Editora Abril e Sírio-Libanês escondem câncer de Civita*


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Roberto Civita está afastado das atividades desde que foi internado para colocar stent no abdômen
(Imagem: Reprodução/Grupo Abril)
O Grupo Abril e o Hospital Sírio-Libanês mantêm sigilo sobre o estado de saúde de Roberto Civita. Internado na capital paulista, o executivo deixou, temporariamente, o comando da empresa de comunicação.
Em nota, o grupo informou apenas que Civita se recupera de uma operação para colocar um stent (prótese metálica expansível) no abdômen. Por isso, ele deve permanecer “afastado de todas as suas atividades no período em que estiver de repouso”.
Procurada pela reportagem do Comunique-se, a equipe de comunicação do Sírio-Libanês limitou-se a dizer que as informações relacionadas a Civita serão divulgadas apenas pela Abril.
Filho do dirigente e vice-presidente executivo do Grupo Abril, Giancarlo Civita ocupa interinamente o cargo do pai, passando a responder pelos conselhos editorial e administrativo da Editora Abril e pela presidência do grupo.
Leia íntegra da nota divulgada pela Abril:
Giancarlo Civita assume interinamente as funções de Roberto Civita no comando do Grupo Abril.
O Grupo Abril informa que Roberto Civita está internado no Hospital Sírio-Libanês, onde se recupera de uma operação para colocação de um stent abdominal. Por recomendação médica, ele fica afastado de todas as suas atividades no período em que estiver de repouso.
Durante sua ausência, Giancarlo Civita assume interinamente as funções de Roberto Civita.

* O título deste post usa o mesmo critério da revista Veja.
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Malan é a ponte entre oposição e mídia global

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Já foi identificado, em Brasília, o personagem que conecta interesses oposicionistas a publicações internacionais, como a revista The Economist e o jornal Financial Times; trata-se do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, atual membro do conselho de administração do Itaú Unibanco, que desfruta de prestígio junto aos meios financeiros internacionais; periódicos ingleses têm feito críticas constantes à condução da economia por Guido Mantega e, neste fim de semana, a Economist passou a defender a eleição de Aécio Neves
Os aparatos de inteligência em Brasília – e, que fique bem claro, não têm qualquer relação com a Abin – já identificaram o nome do personagem que mais tem trabalhado para conectar os interesses da oposição ao governo federal a grandes publicações internacionais. Trata-se do economista Pedro Sampaio Malan, que foi ministro da Fazenda nos oito anos do governo FHC (1995-2002) e hoje faz parte do conselho de Administração do Itaú Unibanco.
O exemplo mais recente dessa costura está publicado neste fim de semana, na revista britânica The Economist. Trata-se de uma reportagem sobre o processo político no Brasil, em que a publicação defende a "receita mineira" e o nome de Aécio Neves para o Palácio do Planalto. Malan é um dos principais conselheiros econômicos de Aécio, assim como o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Antes dessa reportagem, a mesma Economist que havia feito uma capa sobre a decolagem do Brasil, no início do governo Dilma, já havia dado outras demonstrações de uma guinada em sua política editorial. Recentemente, a revista pediu, com todas as letras, a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como única medida capaz de garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
A Economist foi também seguida pelo jornal inglês Financial Times, que, além de pedir a cabeça de Mantega, também abriu espaço para que o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, reclamasse da política econômica no Brasil e de supostas mudanças constantes nas regras do jogo.
Ministro da Fazenda num momento em que o Brasil tinha poucas reservas internacionais e foi três vezes ao Fundo Monetário Internacional, Malan conquistou muito prestígio junto aos círculos financeiros internacionais. A aproximação com o Unibanco se deu quando o banco dos Moreira Salles obteve autorização para incorporar a chamada parte boa do extinto Nacional. E quanto o Unibanco se fundiu com o Itaú, Malan foi guindado ao conselho de administração.
Discreto, o ex-ministro da Fazenda pouco fala com a imprensa, mas suas movimentações internacionais já dispararam o alarme em Brasília. Já sabe, por exemplo, que a agenda da oposição rumo ao Planalto passa por questões como a suposta estagflação (crescimento baixo e inflação alta), o desempenho da Petrobras e a estratégia do BNDES de fomentar "campeões nacionais".
Novos ataques virão. Com a assinatura de Malan.
No 247
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Carta Maior entrevista Slavoj Žižek

O filósofo esloveno Slavoj Žižek veio recentemente ao Brasil para o lançamento de seu novo livro, Menos que nada, Hegel e a sombra do materialismo dialético, editado pela Boitempo Editorial. O livro, já tratado como sua obra-prima, apresenta, em suas mais de 600 páginas, a retomada do legado hegeliano que Žižek há anos sugere em suas entrevistas. A Carta Maior entrevistou o autor, que falou, entre outras coisas, de suas opiniões sobre os governos latino-americanos e os últimos filmes da série James Bond.

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Como o PSDB foi se tornando irrelevante

Os tucanos não captaram o espírito do tempo. Por isso caíram no desprezo dos eleitores.
Carismático
Carismático
Alguma surpresa com o esfacelamento do prestígio do PSDB dramaticamente exposto numa pesquisa do Ibope?
No sudeste do Brasil, sua maior base, o número de pessoas que disseram votar no PSDB caiu pela metade entre 1995 e 2012. Situa-se hoje na esquálida faixa de 7%. É uma marcha rumo à insignificância.
Basta o PSDB olhar para o espelho para identificar a culpa da derrocada: ele próprio. A inércia de FHC pós-presidência permitiu que Serra tomasse o comando tucano e conduzisse o partido para uma direita predatória que vai completamente contra o zeitgeist — o espírito do tempo.
O PSDB, transformado numa mistura de UDN e Arena, ganhou um estrepitoso apoio da mídia, mas perdeu votos, influência e sentido. Hoje, o PSDB é basicamente apenas contra Lula e o PT. Foi patético, na última campanha municipal em São Paulo, ver Serra tentar atacar Haddad ao vinculá-lo a Dirceu como se este fosse satã. Ele repetiu Mônica Serra quando disse a eleitores pobres, sem saber que um repórter a ouvia, que Dilma era a favor da morte de criancinhas por sua posição diante do aborto.
O espírito do tempo é a luta contra a iniquidade social que varreu o mundo nos últimos anos.
Acaba de ser divulgado um relatório da Oxfam, uma prestigiosa organização filantrópica baseda na Inglaterra e presente em dezenas de países. O estudo foi destaque em toda parte. Seu título é autoexplicativo: “O Custo da Desigualdade: Como a Riqueza e a Renda Extremas Fazem Mal a Todos”.
Segundo a Oxfam, o patrimônio somado das 100 pessoas mais ricas do mundo — 240 bilhões de dólares — seria capaz de acabar quatro vezes com a pobreza global.
“Não podemos mais fingir que a criação da riqueza para poucos beneficiará inevitavelmente a todos”, diz Jeremy Hobbs, diretor executivo da Oxfam. “Frequentemente o contrário acontece. A concentração dos recursos nas mãos de uma minoria deprecia a atividade econômica e dificulta a vida de todo o resto, particularmente dos que estão na parte de baixo da pirâmide social. Em um mundo em que até mesmo os recursos básicos como terra e água estão se tornando escassos, não podemos permitir que a riqueza se concentre nas mãos de poucos, enquanto muitos lutam pelas sobras.”
Continuemos com Hobbs.
“Dos paraísos fiscais às leis frágeis trabalhistas, os ricos se beneficiam de um sistema econômico global que é regido em seu favor. É hora de os líderes políticos reformarem este sistema e fazerem com que ele trabalhe para os interesses de toda a humanidade, e não apenas da elite global.”
(Atenção: a menção às “leis frágeis trabalhistas” se aplica exemplarmente ao caso Dornelles x Globo, relatado por este Diário.)
Apenas para registro, a Oxfam citou o Brasil como um exemplo de país que conseguiu conciliar crescimento e combate à pobreza. Não sei se o estudo será divulgado no Brasil, mas é quase certo que, caso algum jornal o divulgue, o elogio ao país seja simplesmente obliterado.
O PSDB, nos últimos anos, falou em justiça social? Propôs alguma coisa relevante? Alguém do partido parece incomodado com os extremos de riqueza e pobreza nacionais?
Não, não, sempre não.
Sendo assim, como imaginar que a pesquisa do Ibope pudesse ter resultado diferente?
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Os Conselhos de Medicina e a defesa do direito de abortar

A maioria dos conselheiros federais e dos presidentes dos 27 Conselhos Regionais de Medicina aprovaram um entendimento para apoiar mudanças no Código Penal ampliando os casos de aborto legal até a 12ª semana de gestação em qualquer situação. “Defendemos o caminho da autonomia da mulher”, afirmou Roberto D’Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina, à repórter Johanna Nublat, do jornal Folha de São Paulo. “Não estamos liberando o aborto. Vamos continuar julgando os médicos que praticam o aborto ilegal, até que, um dia, o Congresso Nacional torne o aborto não crime.”
Aproveito o ensejo para resgatar uma discussão que travei aqui com os leitores e rendeu boas análises. Perdoem a cara de figurinha repetida, mas é preciso reafirmar que defesa do direito ao aborto é diferente de defesa do aborto.
Na minha opinião, o novo entendimento comunicado pelo CFM é um golaço dos representantes dos médicos brasileiros. Não há defensora ou defensor do direito ao aborto que ache a interrupção da gravidez uma coisa fácil e divertida de ser feita, equiparada a ir à padaria para comprar um Chicabon. Também não seriam formadas filas quilométricas na porta do SUS feito um drive thru de fast food de pessoas que foram vítimas de camisinhas estouradas. Também não há pessoa em sã consciência que defenda o aborto como método contraceptivo. Aliás, essa ideia de jerico aparece muito mais entre as justificativas daqueles que se opõem à ampliação dos direitos reprodutivos e sexuais do que entre os que são a favor. A interrupção de uma gravidez é um ato traumático para o corpo e a cabeça da mulher, é sim a decisão sobre a interrupção de uma futura criança, tomada após uma reflexão sobre uma gravidez indesejada ou de risco.
Defender o direito ao aborto não é defender que toda gestação deva ser interrompida (nem sei porque estou gastando pixels explicando algo que deveria ser óbvio, mas vá lá). E sim que as mulheres tenham a garantia de atendimento de qualidade e sem preconceito por parte do Estado se fizerem essa opção.
É uma questão bastante prática. O aborto hoje é legal para quem é rico. Oito entre cada dez colegas jornalistas paulistanos, por exemplo, sabe onde fica uma clínica particular. Por ter usado os serviços, por conhecer alguém que tenha recorrido a elas.
Hoje, o “direito” ao aborto depende de quanto você tem na conta bancária. Afinal de contas, mulher rica paga R$ 4 mil e pronto. Mulher pobre se vale de objetos pontiagudos ou remedinhos vendidos a torto e direito sem controle e que podem levar a danos permanentes. A discussão não é quando começa a vida, sobre isso dificilmente chegaremos ao um consenso, mas as mulheres que estão morrendo nesse processo. Negar o “direito ao aborto” não vai o diminuir o número de intervenções irregulares, eles vão acontecer legal ou ilegalmente – gastando, inclusive, preciosos recursos do sistema público de saúde. Abortos mal feitos causam 9% das mortes de mulheres grávidas, 25% dos casos de esterilidade e são a quinta causa de internação hospitalar de mulheres, e acordo com dados da  Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Mas aborto é mais do que um problema de saúde pública. Negar a uma mulher o direito a realizá-lo é equivalente a dizer que ela não tem autonomia sobre seu corpo, que não é dona de si. “Ah, e o corpo do embrião/feto que está dentro dela, seu japonês endemoniado do capeta?” Na minha opinião – e na de vários outros países que reconheceram esse direito, ela tem sim prevalência a ele.
Ou podemos entregar a questão da saúde pública aos cuidados da Igreja Católica. Certamente, ela terá a coragem de pôr em prática ações que o Estado não toma. Os problemas sociais serão resolvidos com base no Código de Direito Canônico e, por que não, na reedição da bula Cum ad nihil magis, do Santo Ofício. Por exemplo, condenar médicos que fizerem abortos, mesmo que nos raros casos hoje previstos em lei, a uma eternidade de privações no limbo – já que não se fazem mais fogueiras em praças públicas como antigamente – vai por um ponto final na questão.
Revolucionário, nesse sentido, foi o então arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho, que comunicou a excomunhão dos médicos envolvidos no aborto legal feito por uma menina de nove anos, 1,36 m e 33 quilos, grávida de gêmeos do padrastro que a estuprava desde os seis anos de idade. “Os adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender”, disse em 2009. Não consigo deixar de lembrar, nessas horas, dos atores do Monty Python gritando alucinados “queimem a bruxa, queimem a bruxa!” Isso seria engraçado, apenas fait divers se, em épocas de eleições, os candidatos não vendessem sua alma à igreja na busca por votos, prometendo em troca a manutenção do controle simbólico sobre o corpo dos cidadãos. E se muitos médicos não levassem esse discurso a sério.
Defendo incondicionalmente o direito da mulher sobre seu corpo (e o dever do Estado de garantir esse direito). É uma vergonha ainda considerarmos que a mulher não deve ter poder de decisão sobre a sua vida, que a sua autodeterminação e seu livre-arbítrio devem passar primeiro pelo crivo do poder público e ou de iluminados guardiões dos celeiros de almas, que decidirão quais os limites dessa liberdade dentro de parâmetros. Parâmetros estipulados historicamente por…homens, veja só.
É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista. Mas o Estado brasileiro, laico, não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública ou que não garantam direitos individuais. A justificativa de que o embrião tem os mesmos direitos de uma cidadã nascida é, no mínimo, esquisito. Dá vontade de fazer cafuné em quem defende isso e explicar, pausadamente, que não se pode defender que minhas crenças, físicas ou metafísicas, se sobreponham à dignidade dos outros.
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O Globo descobre que Merval Pereira escreve receitas de miojo desde 2005

O Globo descobre que Merval Pereira escreve receitas de miojo desde 2005
Como dedicatória, Merval escreveu uma receita de bolo para Aécio Neves

CIDADE NOVA - Depois de encontrar erros em redações do Enem, os repórteres Lauro Neto e Leonardo Vieira foram promovidos ao cargo de Ombusdman do jornal O Globo. "Agora estou seguro de que meu sobrenome sempre será digitado corretamente", desabafou o diretor de Redação, Ascânio Seleme.
Após passar um rápido pente fino nas edições de arquivo, Neto e Vieira descobriram que Merval Pereira vem publicando receitas variadas nos penúltimos parágrafos de seus textos desde 2005. "Há indicações detalhadas de como fritar lulas, preparar tucanos à belle meunière, chucrutes, saladas, pizzas e até dicas de como se portar à mesa", informaram os intrépidos repórteres. Indagado sobre o ocorrido, Merval ficou escandalizado e disse que teria que checar, pois também não chegava ao penúltimo parágrafo de seus textos.
No final da tarde, foi descoberto que Renato Maurício Prado insere a palavra "Zico" a cada quatro linhas desde que começou a escrever para O Globo. "O chato é que temos que ler o jornal e depois reler as mesmas coisas no blog do Noblat. O trabalho é dobrado", revelou Vieira.
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Dia Internacional da Síndrome de Down

Brasília – Pelo menos seis propostas que asseguram direitos a portadores da síndrome de Down tramitam atualmente no Congresso Nacional: uma no Senado e cinco na Câmara dos Deputados, de acordo com levantamento feito pela Agência Brasil. Quando o assunto diz respeito à legislação para pessoas com a alteração genética, as opiniões são divergentes.
As propostas vão desde a reserva de vagas em concursos públicos para esse grupo à isenção de Imposto de Renda. Há também uma proposta que prevê o pagamento de pensão por morte no caso de pessoas com a síndrome e outra que estabelece a realização de ecocardiograma para recém-nascidos portadores da alteração. Além desses projetos, há outras mais abrangentes que tratam da questão, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Segundo o deputado federal Romário (PSB-RJ), pessoas com a síndrome de Down têm os mesmos direitos das portadoras de deficiência. “Acredito que um dos maiores problemas, ainda hoje, é o preconceito. Por isso, faço campanha para mostrar como o estímulo correto pode garantir a essas pessoas uma vida normal. Elas podem trabalhar, estudar, namorar e tudo mais que uma pessoa faz”, disse. Romário tem uma filha de 7 anos com a síndrome.
Para o deputado, um dos problemas graves é a resistência das escolas em aceitar alunos com a síndrome de Down. “Temos de fiscalizar: a lei garante a plena inclusão dessas pessoas no ensino regular, embora algumas famílias prefiram o ensino especial”. Para Romário, a consequência, é a judicialização do problema: pais e mães recorrem ao Ministério Público para terem o direito garantido.
O senador Wellington Dias (PT-PI) defende que é preciso um marco legal mais unificado para a síndrome de Down, a exemplo do Estatuto do Idoso e da Criança e do Adolescente. O senador é favorável à aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Ele explicou que a norma, se aprovada, vai unificar a legislação. A proposta já foi aprovada no Senado, mas há sete anos está parada na Câmara, pronta para ir a plenário (PL 7.699/2006).
Segundo Wellington Dias, a dificuldade de aprovação na Câmara tem a ver com divergências geradas por conflitos de concepção. Um exemplo, de acorco com ele, é a questão de surdos e autistas. Para o senador, antes de frequentar a escola regular, essas pessoas precisam passar por uma preparação específica. Há quem defenda que essa preparação é desnecessária.
Na visão da consultora jurídica do Movimento Down, Ana Cláudia Corrêa, o maior avanço nos últimos anos em termos de legislação foi a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Promulgada em 2009, pelo Senado, ela deu status de emenda constitucional à Convenção Internacional sobre o tema e seu protocolo facultativo, firmados pelo Brasil em Nova Iorque, em março de 2007.
“Ela (a convenção) conseguiu reunir em um documento tudo o que havia sobre o direito de pessoas com deficiência. A convenção é a nossa bíblia, nosso norte a seguir”, explicou. Apesar disso, Ana Cláudia ressalta que apesar de a norma ser completa, a falta de regulamentação de alguns artigos acaba inviabilizando a aplicação da lei.
“Educação é um dos temas complicados. Você sabe que as pessoas não podem negar matrícula, podem e devem estudar em escola regular e que as escolas têm de fornecer os meios necessários para que essas crianças possam estudar, mas não há uma lei que diga que o não cumprimento é crime. Não há uma lei que regulamente como isso vai se dar. Aí vem o discurso de que a escola não está preparada”, argumenta.
Ela destaca que na legislação em debate há um projeto (PLS 112/2006) do senador José Sarney (PMDB-AP), desarquivado pela Casa, que considera polêmico. O texto pretende alterar as regras sobre a reserva de vagas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência, previstas no Artigo 93 da Lei 8.213/91. A proposta diz que deve ser observada, entre outros aspectos, a ideia de compatibilidade da deficiência em relação à educação e às funções a serem exercidas.
O desarquivamento da proposta foi alvo, nesta semana, de uma nota de repúdio divulgada pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. O documento diz que o projeto é um retrocesso político e está em desacordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Na opinião da advogada do Movimento Down, o Brasil tem o que comemorar no avanço das leis de proteção às pessoas com a síndrome, especialmente no que diz respeito à educação. “Pouco se sabe sobre o universo das pessoas com deficiência". Para Ana Cláudia Corrêa, o Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado nesta quinta-feira (21), é importante para que as pessoas possam parar, conhecer e reconhecer as pessoas que têm a alteração genética com seus direitos, ou seja, o de ter uma vida normal.
Confira o especial sobre síndrome de Down do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibido em agosto de 2012.
Karine Melo
No Agência Brasil
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