19 de mar de 2013

O Papa e os filhos de si mesmos

É significativo que o novo papa tenha falado tanto em perdão. Essa insistência coloca em dúvida a defesa que dele fazem diante das acusações de que teria colaborado com o regime militar argentino e com o sequestro de filhos dos militantes de esquerda, feitos prisioneiros uns e assassinados outros. Essas crianças, das quais roubaram a identidade, foram entregues a casais ligados ao sistema. Esse mesmo crime, com a hipócrita justificativa da caridade, foi também praticado pelos bispos espanhóis da Opus dei, durante o franquismo. Ao não conhecerem sua verdadeira origem, as vítimas dos sequestros se tornam filhos de si mesmos. Renegam, e com razão, os que os adotaram, e não têm onde ancorar o seu afeto.
Qualquer seja a verdade, o papa foi eleito conforme as regras tradicionais, e não há poder na Terra que o destitua. As leis canônicas não prevêem o impeachment do bispo de Roma. Resta esperar que o novo pontífice – título vindo do sincretismo do catolicismo com o paganismo romano – erga realmente uma ponte entre o cristianismo primitivo, que era dos pobres, e o mundo moderno. Se isso ocorrer, os seus pecados, se os houve, esmaecerão, e ele cumprirá o seu dever de católico e de cristão. O perdão, ele só poderá obter de sua própria consciência, onde Deus costuma habitar, se nela houver lugar para essa presença.
O mais importante não é o passado do papa. Depois de Pio XII, Wojtyla e Ratzinger, de nítidos laços com os poderosos deste mundo, o que os verdadeiros cristãos esperam do papa é que ele seja fiel ao Evangelho e conduza a Igreja ao reencontro com o homem de Nazaré que, em sua vida, martírio e morte, encarnou toda a fragilidade da espécie humana. A grande lição de Cristo, que a Igreja nunca assumiu, é a de que a vida só é alegria e paz na solidariedade para com os nossos semelhantes.
Quando dividimos as dores do sofrimento alheio, as nossas próprias dores se aliviam, e o trânsito por este “vale de lágrimas” se faz mais suportável. A Igreja se associou aos poderosos de cada tempo e, como lhe era conveniente, manteve instituições de caridade. Como alguns ricos, ela consolou sua consciência com a esmola. Os primeiros a receber o título de santos foram homens poderosos, que compraram a santidade com as sobras de suas riquezas.
Ao escolher o nome de Francisco, e de confirmar que buscava no poverello de Assis a inspiração de seu pontificado, Bergoglio dá um sinal importante de seu propósito, ou de sua astúcia. Não sabemos se, sendo sincero, ele será capaz de escapar ao acosso conservador e oportunista da Cúria Romana. Cabe-lhe, na hipótese da sinceridade - como chefe de uma instituição política - por mais herege pareça o conselho, seguir a orientação de Maquiavel, e agir com maior energia logo no início, a fim de preservar o principado conquistado. Isso significa reformar, de alto abaixo, a administração do Vaticano, com a convocação de prelados do mundo inteiro, de forma a conter o apetite de poder do clero italiano, identificado com a história peninsular, construída nas conhecidas intrigas políticas europeias.
Os grandes líderes se legitimam na ação. Forma-se, até mesmo alimentado de esperança, o consenso de que a Igreja terá que demolir seus alicerces milaneses e retornar às catacumbas romanas, para que possa sobreviver. Seus pecados repetidos, da simonia à luxúria, não a levaram ao Inferno, ainda que muitos de seus dirigentes tenham lá chegado, na visão profética de Dante. É da teologia prática que a contrição absolve os pecadores. Se Francisco conduzi-la ao caminho de Damasco, é possível que, como Paulo, ela se desfaça da cegueira voluntária e atenda ao chamado de Cristo. É possível, mas pouco provável.
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A mídia e a disputa pela hegemonia

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Avança o consenso nas esquerdas políticas e sociais de que a mídia exerce hoje papel central na disputa pela hegemonia na sociedade. Não há como avançar nas lutas dos trabalhadores, na radicalização da democracia e na própria superação da barbárie capitalista sem enfrentar o poder altamente concentrado e manipulador dos latifundiários da mídia. A luta pela democratização da comunicação, com o fim dos monopólios privados e com o estímulo à pluralidade informativa, passa a ser encarada como estratégica na atualidade.
Antonio Gramsci, intelectual e revolucionário italiano, já havia alertado para esta questão no início do século passado. Como apontou na época, principalmente nos momentos de crise da representação partidária das classes dominantes, a imprensa ocuparia a função de “partido do capital”. Ela se tornaria o principal “aparelho privado de disputa da hegemonia”. Hoje, com a construção dos gigantescos impérios midiáticos – menos de 30 no planeta e apenas sete no Brasil –, este papel nefasto ficou ainda mais proeminente.
Na América Latina, que de laboratório do neoliberalismo transformou-se em vanguarda na luta pela superação das teses destrutivas e regressivas do capital, esta distorção é ainda mais visível. A mesma mídia que apoiou os golpes e as ditaduras militares na região e que disseminou as teses do desmonte do estado, da nação e do trabalho, hoje substitui os partidos em crise das classes dominantes como a principal força opositora e desestabilizadora dos governos progressistas democraticamente eleitos pelo povo.
Mesmo no Brasil, onde a luta de classes ainda não atingiu maior radicalização, os barões da mídia tentam agendar a política, definir as prioridades e enquadrar os governos. A própria ex-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, executiva do Grupo Folha, confessou recentemente que a mídia desempenha a “posição oposicionista” em função da “fragilidade da oposição”. Em vários episódios, a velha imprensa tem se comportado como a principal força opositora ao que ela mesma batizou de “lulopetismo”.
Nas eleições de 2010, esta postura ficou explícita. Cito três episódios grotescos para ilustrar. Ainda quando se definia a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff como sucessora de Lula, a Folha de S.Paulo publicou na capa uma ficha policial falsa da postulante. Já na campanha, a TV Globo transformou uma bolinha de papel quase num míssil contra a careca do tucano José Serra. A mídia também fez um baita escarcéu com a questão do direito do aborto, reproduzindo frase de Mônica Serra de que Dilma “matava criancinhas”.
Um quarto episódio se deu nas eleições municipais do ano passado. Durante três meses, a mídia explorou ao máximo o julgamento do “mensalão do PT”. De forma seletiva, esbanjando alto padrão de manipulação, ela omitiu os escândalos envolvendo políticos da direita para interferir no processo eleitoral. O julgamento chegou a ser cronometrado. Não por coincidência, a condenação do núcleo político por “corrupção passiva” ocorreu na véspera do primeiro turno; já o da “formação de quadrilha” se deu na reta final do segundo turno.
A mídia perseguiu dois grandes objetivos no julgamento – num jogo combinado com o Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro foi tático, imediato, visando impedir o definhamento dos partidos da direita. O plano não obteve êxito completo, como atesta a derrota de José Serra na capital paulista. Mas em outras capitais e centros urbanos, a tática surtiu efeito ao alavancar candidaturas do bloco liberal-conservador. O segundo objetivo, mais estratégico, foi o de desmoralizar as esquerdas. A mídia tentou levar ao banco dos réus não apenas os chamados “mensaleiros”, mas todas as forças políticas e sociais que deram sustentação aos governos Lula e Dilma.
A partidarização da imprensa fica mais escancarada nos momentos decisivos das eleições. Mas ela não se manifesta somente nestes períodos. Ela se dá no cotidiano, tentando interferir nos rumos do governo. Agora mesmo a mídia concentra a sua artilharia contra as tímidas mudanças no “sagrado” tripé neoliberal. A mídia, que também é poder econômico, não esconde os seus vínculos com o capital, principalmente o financeiro, contrapondo-se à queda dos juros, ao controle do cambio e à maior flexibilidade nas políticas fiscais. Ela também fez terrorismo contra a redução das tarifas de energia elétrica, numa defesa implícita dos interesses dos ricos acionistas.
Os movimentos sociais já conhecem esta prática dos barões da direita. Historicamente, eles sempre foram criminalizados e satanizados em suas lutas. As greves de trabalhadores ou não são notícia ou são tratadas como atos de vandalismo, que congestionam o trânsito e prejudicam a sociedade. As ocupações de terra são rotuladas de invasões e os seus autores são taxados de bárbaros, que destroem a sacrossanta propriedade privada. As lutas estudantis são estigmatizadas como ações de minorias desocupadas e viciadas – coisa de “quadrilha”, como ocorreu na recente ocupação do prédio da reitoria da USP.
Exatamente por isso, os movimentos sociais têm avançado na consciência sobre o papel estratégico da luta pela democratização dos meios de comunicação, contra a ditadura midiática, e têm investido nos seus próprios veículos de informação e formação. Há ricas experiências de jornais sindicais, de rádios comunitárias, da construção de tevês alternativas – como a TVT. Neste esforço, eles contam hoje com novas ferramentas derivadas da brecha tecnológica aberta pela internet. O ativismo digital tem se convertido num poderoso contraponto à mídia hegemônica. Ainda é uma guerrilha diante dos exércitos regulares, mas tem avançado nas suas trincheiras.
O Brasil, inclusive, vivencia uma interessante experiência de organização destes ativistas digitais. Zelando pela unidade na diversidade, o chamado movimento dos blogueiros progressistas – batizado de Blogprog – já realizou três encontros nacionais e um fórum mundial em apenas três anos de existência. Além de participar da luta pela democratização da comunicação, unindo-se a outras entidades da sociedade civil – como o FNDC –, este movimento tem ajudado a dar maior visibilidade às lutas dos trabalhadores, contrapondo-se à criminalização patrocinada pelos barões da mídia. A direita nativa já sentiu a sua presença, tanto que os rotulou de “blogs sujos”.
Todo este esforço, porém, ainda não foi suficiente para pressionar o governo no sentido de enfrentar os monopólios da mídia. O Brasil permanece como um dos países mais atrasados na implantação de uma regulação democrática dos meios de comunicação. Até nas chamadas democracias ocidentais, tão badaladas pela velha imprensa, existem regras para evitar a concentração no setor e garantir mais diversidade e pluralidade na mídia. Na América Latina, a vitória de governos antineoliberais tem resultado na adoção de políticas públicas e de novas leis que estimulam a verdadeira liberdade de expressão – que não se confunde com a liberdade dos monopólios.
No Brasil, os governos oriundos das lutas democrática e populares firmaram pactos de não agressão com os barões da mídia. Como demonstra o professor Venício A. de Lima, no livro “Política de comunicações: um balanço dos governos Lula”, o ex-presidente optou por não enfrentar esse grave problema da democracia nativa. Algumas iniciativas até foram tomadas, como a constituição da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a redefinição da distribuição das verbas oficiais de publicidade. Mas elas foram muito tímidas. Já a atual presidenta, Dilma Rousseff, recuou ainda mais neste terreno minado, estabelecendo um curioso “namorico” com a mídia.
O governo não entendeu que “nas batalhas pela hegemonia, a centralidade dos meios de comunicação torna-se decisiva, visto que eles elaboram e disseminam informações e ideias que concorrem para a formação do consenso em torno de determinadas concepções de vida” – segundo definição do professor Dênis de Moraes, no livro “Vozes abertas da América Latina”. A ausência de convicção política sobre o caráter estratégico da mídia faz com que o governo se acovarde diante do tema, o que aumenta a responsabilidade dos movimentos sociais e dos ativistas digitais na luta pela conquista da verdadeira liberdade de expressão no Brasil.
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Compra de votos que permitiu reeleição de FHC vira livro

FHC
Livro é uma biografia não-autorizada do ex-presidente do Brasil
Está próxima de se tornar pública a identidade do ‘Senhor X’, codinome de um político que ficou conhecido por revelar, em 1996, a compra de votos que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Nitroglicerina
Documentos e depoimentos transformam em pura nitroglicerina um livro que está sendo rodado em uma gráfica de Brasília. “Honorários Bandidos 2”, de Palmério Dória, é uma biografia não autorizada do ex-presidente FHC.
Biografia de FHC
O livro mostra a reação dele ao saber que seria o suposto pai de um filho em um possível relacionamento extraconjugal. Segundo o autor, até mesmo agressões físicas teriam sido cometidas pelo ex-presidente contra mulheres.
Tutu da reeleição
Detalhes do esquema de compra de votos devem esquentar mais as eleições de 2014, que já estão nas ruas. No livro, o parlamentar confessa ter recebido propina da base governista, para votar a favor do projeto que permitiu a reeleição de FHC.
Amaury Ribeiro Jr. e Rodrigo Lopes
No Hoje em Dia
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O vídeo de Feliciano e a desonestidade intelectual

O pastor Marco Feliciano completará na próxima quinta-feira duas semanas à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Até o momento não deu qualquer sinal de que entende, ou pretende entender, o que afinal significam direitos humanos ou direitos das minorias.
O deputado Marco Feliciano, o novo líder das minorias da Câmara. Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara
O deputado Marco Feliciano, o novo líder das minorias da Câmara.
Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara
Quando assumiu o posto, em meio à gritaria diante de tantos absurdos propagados contra quem pretende representar, pediu um voto de confiança. O barulho continuou e ele resolveu revidar. Nesta semana, publicou em seu perfil no Twitter um vídeo, produzido pela WAP TV Comunicação, em que criminaliza abertamente líderes do movimento LGBT, religiões afrodescendentes e militantes que defendem, entre outras bandeiras, a regularização da prostituição e o casamento igualitário.
O narrador, que não aparece, tem a voz distorcida – como são distorcidas as ideias contidas em som e imagem. A música ao fundo sugere terror e suspense. Numa espécie de bricolagem de argumentos sobre defesa da família, apresenta cenas isoladas de tensão durante protestos organizados por ativistas em reação a Feliciano. Por exemplo: um estranhamento entre o líder da ABGLT no Brasil, Toni Reis, durante uma discussão na Câmara, virou “agressão a idosos”. Outro alvo é o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), ferrenho opositor de Feliciano, a quem o vídeo tenta atacar mostrando à exaustão uma declaração do ativista: “Os orixás me colocaram neste mandato”. Como se tivesse dito: “sou Diabo 100% e não abro”. Para Feliciano, talvez seja a mesma coisa, a se observar a exibição de um protesto de menções afrodescendentes, classificado no vídeo como “ritual macabro”.
A aparente reação do deputado aos protestos assusta pela precariedade dos argumentos e a oposição maniqueísta assumida. O tom é sempre “nós” contra “eles” – sempre atribuindo a “eles” o monopólio da truculência e um suposto projeto para garantir privilégios, dinheiro público e perverter a sacralidade da chamada “família”, entendida sempre como uma estrutura única, indissociável, intocável.
Para reforçar os argumentos, usa títulos de reportagens sobre violência contra gays do tipo “Lésbica mata companheiro a facada” e “Travesti mata deficiente”. É a esquina frutífera da ignorância midiática com a má fé religiosa – como se, do outro lado, fosse possível ler notícias como “Hétero e madrasta jogam criança de prédio em SP” ou “Hétero se junta a namorado hétero para matar os pais, de família estruturada, a machadadas”.
Ao fim do vídeo, Feliciano avisa que renunciará: à sua privacidade, às noites de paz e sono e aos momentos de família para não renunciar à comissão e preservar a sua (nossa?) família.
O perfil no Twitter em que o pastor posta o vídeo em sua defesa
O perfil no Twitter em que o pastor posta o vídeo em sua defesa
Não faltou um único argumento para mostrar que o deputado é, provavelmente, a pessoa menos capacitada a assumir o desafio da comissão: o desafio de ajudar a garantir a livre manifestação de quem tenta viver sem traumas, sem o ônus da exclusão, sem perseguições, piadinhas ou vergonha de ser o que é sem que alguém diga como e com quem deve se relacionar para ter paz. Mas Marco Feliciano faz de sua obsessão uma cruzada sob um argumento invertido: a de que não é aceito pelo simples fato de ser cristão. Como se fosse impossível ser cristão e estar em paz com o que se é; como se em alguma passagem da Bíblia houvesse um manual de uso correto do próprio corpo, da própria expressão; como se, ao subir aos Céus, Cristo tivesse orientado a amar ao próximo como a ti mesmo com um asterisco: não vale amar homem com homem nem mulher com mulher.
Falta alguém explicar ao pastor, possivelmente com um vídeo mais didático, que um líder na Câmara, de qualquer comissão, pode ser cristão, judeu, budista, agnóstico. Só não pode ser desonesto. E desonestidade não é só empregar no gabinete funcionário fantasma. Ou ser acusado de estelionato. Ou reclamar quando algum fiel de boa fé entrega um cartão de crédito sem a senha. A desonestidade intelectual é a mais danosa das agressões praticadas por quem tenta criminalizar grupos vulneráveis com sofismas e trilha sonora de terror. Nada pode ser mais sintomático sobre as bandeiras representadas pelo deputado – longe, muito longe da paz e a unidade tão clamadas na Bíblia sobre a qual Feliciano se senta para espalhar o ódio e o apelo à exclusão.
Matheus Pichonelli
No CartaCapital
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Bonobos Não São Bobos

Esses são Bonobos, parecem chimpanzés, mas não são, são a prova viva de que, o que quer que tenha criado o universo e a vida, colocou a homossexualidade como opção para as espécies.
Eles são macacos, fodem adoidado
e Feliciano não os representa!
René Amaral
No Blog do Amoral Nato
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STF maquia o mensalão. “Domínio do fato” vai sumir

Os advogados e os historiadores devem requisitar, imediatamente, as gravações da TV Justiça dos votos do mensalão. O processo de maquiagem está em curso.
Luiz Fux, Vergonha nacional
O Conversa Afiada tem a informação de que o emprego da teoria do “domínio do fato”, aquele turbante da Carmen Miranda em que o STF transformou uma tese original alemã, vai desaparecer na hora em que os votos escritos estiverem publicados.
Foram essa e outras barbaridades que levaram a Hildegarde Angel a chamar a condenação sem provas do Dirceu e do Genoíno em “Mentirão”.
Quanto ao Ministro Fux, marcha a passos acelerados para um processo inexorável de impeachment.
A revelação da conversa com o Ministro Gilberto Carvalho é estarrecedora.
Sem falar que confessou não saber que havia 3.200 vetos na frente da MP dos royalties do petróleo.
E parou o Brasil, até que o Supremo, constrangido, revisse seu erro.
Os advogados e os historiadores devem requisitar, imediatamente, as gravações da TV Justiça dos votos do mensalão.
O processo de maquiagem está em curso.
Viva o Brasil!
Paulo Henrique Amorim
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Populista

A morte de Hugo Chávez serviu, entre outras coisas, para mostrar quão maleável é o uso do conceito de "populismo" entre nós.
Normalmente utilizado como uma injúria, "populismo" deve ser inicialmente visto como a expressão do medo de alguns quando veem mobilizações populares nas ruas. Só assim pode-se explicar como vários de nossos livros de história descrevem o período entre 1945 e 1964, o primeiro momento de forte densidade popular na política brasileira, erroneamente como "República populista".
Fala-se muito da fragilidade institucional e da forte presença de lideranças carismáticas como características diferenciais do populismo.
No entanto nenhum desses dois pontos devem ser vistos como excludentes em relação a um conceito substancial de democracia.
Primeiro, porque a democracia tem uma fragilidade institucional constitutiva, já que ela não ignora a plasticidade das formas e processos de governo. Acorrentar o futuro por meio de arranjos institucionais criados para referir-se a situações passadas, acostumando a sociedade a instituições e dinâmicas que funcionam mal, não tem relação alguma com a realização de uma sociedade democrática.
Segundo, uma questão importante a ser levantada, mas, entretanto, muito pouco pensada, consiste em perguntar pelo lugar da liderança no interior de uma sociedade democrática. Talvez estejamos muito marcados por um certo weberianismo que vê o carisma como a explosão do irracional no interior da política, sendo que ele é, muitas vezes, a condição para que identificações e investimentos libidinais se realizem.
A personalização de um processo histórico não é algo necessariamente ruim, como já dizia Hegel. Ao contrário, muitas vezes ela é a astúcia necessária para que tais processos ganhem força. Vários movimentos de transformação perdem força por não terem lideranças capazes de fornecer a imagem que leva a sociedade a atravessar seus medos. Ou seja, a democracia e sua inventividade política não exclui a função da liderança.
Mas a crítica do uso do conceito de populismo não implica, necessariamente, recusar toda sua força crítica. Há um uso restrito do conceito que talvez deva ser conservado, por retratar um risco de bloqueio em processos de transformação social. Ele se refere aos arranjos nos quais o poder converge para o fortalecimento de um polo altamente centralizado e personalizado, normalmente o Poder Executivo.
Quando isso ocorre, como foi o caso na Venezuela, a transferência do poder em direção a instâncias autônomas de democracia direta não se completa. No entanto nem nas democracias que conhecemos isso ainda ocorre.
Vladimir Safatle
No fAlha
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Investimentos no Paraná

O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) lançou um site para que os leitores possam acompanhar em tempo real os investimentos do Governo Federal no Paraná. A ferramenta permite ao usuário pesquisar recursos para obras, programas sociais por ano e município. Atualizado semanalmente, o link direciona o internauta à página do Portal da Transparência”.


Com transparência, assim não dá...
No Blog da Gleisi Hoffmann
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Aécio P36, de novo

Aécio P36, de novo 
Desesperado porque sua candidatura segue emborcando, em face dos ataques especulativos que sofre de seus “colegas” concorrentes (Marina Silva, José Serra e do quase candidato Eduardo Campos), nosso AécioP36 resolveu insistir na inexistente quebra da Petrobrás.
Veja sua síntese: “queda brutal no valor de mercado, baixo retorno dos investimentos, descumprimento de metas, aumento dos custos operacionais e administrativos e perda de posição nos rankings internacionais, entre outras mazelas.”
O blog “Petrobrás: Fatos e Dados” já desmentiu cabalmente tal falácia.
E se compararmos a situação da Petrobrás, aos tempos de FHC, com a de hoje, aí seria covardia: mesmo com a queda momentânea de ações em bolsa de valores (em processo de recuperação), a Petrobrás hoje vale 7 ou 8 vezes mais do que em 2002. Comparando os investimentos em 2002 (FHC) e os de 2012 (Dilma), a diferença foi “só” de 446%! Que prosa é essa de Petrobrás quebrada?
Mas o que salta aos olhos de quem trata seriamente o tema é o cinismo, mediado pela desfaçatez, com o que Aécio Neves se pronuncia. Primeiro ele faz um elogio ao sentimento nacionalista que permeou a construção da Petrobrás em 1953. Segundo, ele defende uma “reestatização” da empresa. Cômico, se não fosse trágico.
Usamos aqui o termo cinismo, com o sentido que lhe é atribuído pelo intelectual Vladimir Safatle: como algo que vai além de uma distorção da realidade em relação a princípios morais, tendo como veículo a ironia, para se chegar a uma crítica social contundente. Porém, bem diferente disso, o cinismo contemporâneo, aquele praticado pelos tucanos, procura inverter papéis e discursos, com a única finalidade de escapar à crítica que introduziria seu real programa de governo.
Ou seja, desde quando Aécio Neves estaria preocupado com a genérica privatização da Petrobrás? Portanto, sua divergência seria apenas com a suposta privatização petista, que ele enxerga. Eis porque Aécio critica o que chama de “PTbrás”, para se colocar como o defensor da melhor e mais ampla privatização possível, ainda que não o diga: a alienação de bens e direitos a particulares, sem quaisquer escrúpulos. Exemplo concreto do que Safatle chama de falência da crítica, antes orientada para a indicação de déficits de adequação entre situações concretas e uma visão de mundo a ser reabilitada.
Para Aécio Neves vale tudo, seja para ganhar as eleições, seja para derrotar o PT, seja para privatizar a Petrobrás.
É por isso que ele se apega ao tal “valor de mercado” (da empresa) que caiu.
Apesar dele ser economista, formado pela PUC-MG, sendo um aluno frequente, pontual e verdadeiro exemplo para seus colegas, vamos desenhar para entimento do senador:
a) Valor de “mercado” refere-se aos preços de ações, que sobem e descem, em função de humores especulativos na economia nacional e internacional.
b) Valor patrimonial é muito mais que preço de ações em bolsa de valores. Comecemos pelo exemplo mais simples: valor contábil é igual a patrimônio líquido. Ambos medidos pela subtração: ativo total contábil menos passivo exigível contábil. Numa prosa mais simples: bens e direitos reais, menos dívidas e pendências.
Ora, a Petrobrás é uma empresa sólida, que atua nas atividades de exploração e produção, comercialização, refino, transporte, petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, biocombustíveis e energia elétrica. Tudo isso de forma integrada.
E tem mais de 100 plataformas de produção, 16 refinarias, 30 mil quilômetros em dutos e mais de seis mil postos de combustíveis. Suas reservas provadas estão em torno de 14 bilhões de barris de petróleo, mas a perspectiva é de que esse número, no mínimo, dobre nos próximos anos. Com a descoberta de petróleo e gás na região do pré-sal, o Brasil pode ser o 4º maior produtor de petróleo do mundo em 2030.
Ou seja, a Petrobrás, se estivesse a leilão, não seria vendida por seu efetivo valor patrimonial. Para ter preço de venda “atraente” no mercado, ela tem que ser desvalorizada. Todos os manuais dizem que “para uma empresa ser negociada por um valor menor do que o seu valor contábil deve existir uma expectativa real de ocorrência de prejuízos, a qual absorveria uma parte considerável dos recursos próprios.”
Eis a verdade de AécioP36: é preciso “produzir” uma crise na Petrobrás, desvalorizar suas ações, atrair potenciais compradores internacionais, que por sua vez financiariam sua campanha etc etc etc. Ele está, portanto, tentando produzir uma expectativa real de ocorrência de prejuízos, para viabilizar seus objetivos.
Evidentemente que isso seria possível se não houvesse os números reais de suas potencialidades econômicas. E se não houvesse resistência. Além de seus quase 90 mil funcionários (diretos e indiretos), de seus aposentados e aposentadas e de seus familiares, a Petrobrás tem milhões e milhões de defensores na sociedade. AécioP36 arrumou uma confusão maior do que poderia pensar!
Para falar da Petrobrás dos brasileiros, AécioP36 terá de resgatar das profundezas do oceano a plataforma que ele e FHC afundaram.
No Minas Sem Censura
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IBOPE da Dilma bate record. Bye-bye Tucanuardos!

Tarifa de energia, redução de impostos, redução dos juros – ela dá olé !
Saiu no G1:

Aprovação do governo Dilma atinge recorde de 63%, diz Ibope

Última pesquisa indicava aprovação de 62%; índice está dentro da margem. Aprovação pessoal entre janeiro e março oscilou de 78% para 79%.
Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília
A aprovação do governo Dilma Rousseff passou de 62% de 63% entre janeiro e março, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta terça-feira (19). É o maior índice já alcançado pelo governo. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O percentual de 63% é o dos entrevistados que consideram o governo “bom” ou “ótimo”, de acordo com o levantamento. O Ibope ouviu 2.002 eleitores com mais de 16 anos em 143 municípios entre os últimos dias 8 e 11 de março.
O índice dos que consideram o governo “regular” se manteve em 29%. O percentual dos que classificam o governo como “ruim” ou “péssimo” também permaneceu o mesmo (7%).
A aprovação pessoal de Dilma passou de 78% para 79%, dentro da margem de erro. O índice de quem desaprova Dilma se manteve em 17%, o mesmo percentual da pesquisa passada, realizada em dezembro.
Índice de confiança
O índice de confiança na presidente Dilma Rousseff aumentou de 73% paras 75%, variação dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.Não confiam em Dilma, segundo a pesquisa, 22% da população mesmo percentual registrado na última pesquisa.
Dois últimos anos do governo
De acordo com o levantamento, aumentou o otimismo com relação aos próximos dois anos de governo da presidente. Consideram que o restante do mandato de Dilma será “ótimo” ou “bom” 65% dos entrevistados, três pontos percentuais a mais que o verificado na última pesquisa. Aumento, portanto, que ultrapassa a margem de erro.
Passou de 25% para 24% o índice dos que consideram que o restante do governo será regular, e foi de 7% para 8% o percentual dos que acreditam que os próximos dois anos serão ruins ou péssimos.
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O Mensalão, com recibo, do senador Randolfe no Amapá

 
Pré-candidato do seu partido à presidência da República em 2014, como "candidato da ética", o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) é denunciado por ter recebido mesada de R$ 20 mil durante seis meses como deputado estadual do Amapá justamente pelo parlamentar que presidia a Assembleia, e que também recebeu os recursos no governo do hoje senador João Capiberibe (PSB-AP); Randolfe deixou até recibos assinados da complementação ilegal de salário; ao noticiar o escândalo, Folha decide proteger Randolfe e acusa o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que apenas encaminhou o caso à procuradoria-geral da República, comandada por Roberto Gurgel, de perseguir desafetos
A carreira do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) como "mosqueteiro da ética", num lugar que já foi do ex-senador Demóstenes Torres, pode estar chegando ao fim. Neste papel, que constuma gerar alguns segundos de fama, Randolfe alimentava até a esperança de disputar a presidência da República, em 2014. Mas antes ele terá de explicar um mensalão, muito bem documentado.
Antes de ser senador, eleito em 2010 pelo Amapá, Randolfe foi deputado estadual em Macapá, ajudando a dar sustentação ao governo de João Capiberibe (PSB-AP), que também se elegeu para o Senado na última eleição. Ambos foram recentemente denunciados à Comissão de Ética do Senado Federal pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, Fran Soares Nascimento Junior, numa peça gravíssima. Fran acusa Capiberibe de ter pago, durante seis meses, um mensalão de R$ 20 mil/mês a vários parlamentares, para garantir a sustentação de seu governo. Diz que ele próprio recebeu os recursos e afirma que Randolfe Rodrigues também colocou no bolso o dinheiro ilegal. Mais: Fran diz ainda que Randolfe chegou até a assinar recibos, que ele apresenta na denúncia.
Tais recursos faziam muita diferença para os parlamentares estaduais, uma vez que o salário de um deputado no Amapá, naquele momento, era de R$ 5.274,87. Randolfe elevou em R$ 20 mil seus rendimentos, de forma ilegal, nos meses de julho a dezembro de 1999. Na denúncia, Fran apresenta também gravações, em que o ex-governador Capiberibe fala claramente que "vinte mil fica com o deputado". Graças a este mensalão, Capiberibe conseguiu cooptar a Assembleia, que lhe fazia oposição e aprovou suas contas. Naquele ano, o relator que garantiu essa aprovação foi justamente Randolfe Rodrigues.
A denúncia, enviada pelo deputado Fran ao conselho de ética do Senado Federal, foi apenas encaminhada pela casa ao lugar de direito, que é a Procuradoria-Geral da República, de Roberto Gurgel. No entanto, ao noticiar o caso, a Folha de S. Paulo protege Randolfe e acusa o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de enviar à PGR uma denúncia contra seus desafetos (leia mais aqui).
Quem tem que se explicar, agora, são os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP). Ambos são apontados na denúncia do deputado Fran Nascimento como integrantes de uma quadrilha que sonegou impostos, cometeu os crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, peculato, quebra de decoro parlamentar e, claro, formação de quadrilha.
Ao contrário da denúncia encaminhada por Gurgel na Ação Penal 470, o mensalão do Amapá é extremamente bem documentado. No comprovante de pagamento, Randolfe Rodrigues atesta que recebeu da Assembléia o valor complementar ao seu salário, que não tinha nenhuma previsão legal. Ou seja: é um caso de cooptação de parlamentares, com recibo.
No 247
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Pesquisa aponta Maduro com 14,4 pontos de vantagem sobre candidato opositor

 
Al menos 14,4 puntos de ventaja tiene hasta ahora el candidato socialista a la Presidencia de Venezuela, Nicolás Maduro, con respecto a su principal rival, el opositor Henrique Capriles; reveló este lunes la firma privada Barclays, tras un estudio comprado a la encuestadora venezolana Datanálisis.
Con los resultados publicados por la compañía mundial de servicios financieros Barclays, el sondeo revelado este lunes el candidato del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Nicolás Maduro, tiene un 49.2 por ciento mientras que Capriles alcanza el 34.8 por ciento.
Según datos de la encuestadora, el sondeo inició el 11 de marzo, día de la inscripción formal de los candidatos presidenciales antes el Consejo Nacional Electoral (CNE), y se extendió hasta el 13 de este mes.
Además de los datos de aceptación,el economista Asdrúbal Oliveros, director de la empresa Ecoanalítica sostuvo que 65 por ciento de las personas consultadas piensa que ganará Nicolás Maduro, mientras que 15 por ciento da como ganador a Capriles Randoski.
Este es el primer sondeo publicado con miras a las elecciones presidenciales del próximo 14 de abril, luego de la partida física del presidente democraticamente electo, el líder de la Revolución Bolivariana, Hugo Chávez.
Al inscribir sus candidaturas, ambos políticos dijeron que sostendrían las mismas propuestas que plantearon en las pasadas elecciones del 7 de octubre, en el que resultó electo el Plan de la Patria con más del 55 por ciento de los votos.
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O plano da Usaid para acabar com o governo de Chávez

William Brownfield, atual secretário anti-narcóticos do Departamento de Estado, na época em que era embaixador na Colômbia. Foto: Departamento de Estado 
Documento secreto do WikiLeaks detalha como o embaixador William Brownfield, hoje secretário-assistente do Departamento de Estado, planejava acabar com o chavismo
Após o fracasso do golpe contra Hugo Chávez em 2002, a embaixada americana em Caracas resolveu tomar para si a tarefa de reorganizar a oposição venezuelana, apostando em uma estratégia de longo prazo que minaria o poder do governo. Em agosto de 2004, mesmo mês do referendo revocatório promovido pela oposição com amplo apoio da missão americana, o texano William Brownfield chegou a Caracas, nomeado por George W. Bush, para assumir o posto de embaixador no país. Pragmático e sucinto, William Brownfield elaborou um plano de 5 pontos para acabar com o chavismo em médio prazo, como revela um documento do WikiLeaks analisado pela Agência Pública.
O documento secreto, enviado por Brownfield a Washington em 9 de novembro de 2006, relembra as diretrizes traçadas dois anos antes. “O foco da estratégia é: 1) Fortalecer instituições democráticas, 2) Infiltrar-se na base política de Chávez, 3) Dividir o Chavismo, 4) Proteger negócios vitais para os EUA, e 5) Isolar Chávez internacionalmente”, escreveu Brownfield, hoje secretário anti-narcóticos do Departamento de Estado – órgão que cuida do treinamento de forças policiais estrangeiras pelos EUA, incluindo em dezenas de países latinoamericanos.
Entre 2004 e 2006, a Usaid realizou diversas ações para levar adiante a estratégia divisada por Brownfield, doando nada menos de US$ 15 milhões a mais de 300 organizações da sociedade civil. A Usaid, através do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI) – criado dois meses depois do fracassado golpe – deu assistência técnica e capacitação às organizações e colocou-as em contato com movimentos internacionais. Além disso, explica o documento, “desde a chegada da OTI foram formadas 39 organizações com foco em advocacy (convencimento); muitas dessas organizações são resultado direto dos programas e financiamentos da OTI”.
Um dos principais objetivos da Usaid era levar casos de violações de direitos humanos para a corte interamericana de Direitos Humanos com o objetivo de obter condenações e minar a credibilidade internacional do governo venezuelano. Foi o que fez, segundo o relato do ex-embaixador, o Observatório das Prisões Venezuelanas, que conseguiu que a Corte emitisse uma decisão requerendo medidas especiais para resolver as violações de direitos humanos na prisão ‘La Pica’, no leste do país. Outra organização, a “Human Rights Lawyers Network in Bolivar State” (rede de advogados de direitos humanos no estado de Bolívar), apresentou à Corte Internacional um caso de massacre de 12 mineiros pelo exército Venezuelano no estado de Bolívar. O grupo foi criado, segundo Brownfield, “a partir do programa da Freedom House, e um financiamento da DAI distribui pequenas bolsas no programa”.
A empresa DAI – Development Alternatives Inc – foi de 2004 a 2009 a principal gerente da verba da Usaid no país, tendo distribuído milhões de dólares a diversas organizações a partir da estratégia do governo norte-americano. (Clique aqui para ler mais sobre a DAI)
Ela desembolsou, por exemplo, US$ 726 mil em 22 bolsas para organizações de direitos humanos, segundo o documento do WikiLeaks. Também ajudou a criar o Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela. “Eles têm tido sucesso em chamar a atenção para o Direito de Cooperação Internacional e à situação dos direitos humanos na Venezuela, como uma voz nacional e internacional”, explica o texano Brownfield no despacho diplomático.
Outras áreas nas quais financiamento para ONGs ajudaria a concretizar a estratégia americana incluíam tentativas de neutralizar o “mecanismo de controle Chavista”, que utiliza “vocabulário democrático” para apoiar a ideologia revolucionária bolivariana, nas palavras do diplomata. “A OTI tem lutado contra isso através de um programa de educação cívica chamado ‘Democracia entre nós’, cujo princípio era ensinar ao povo venezuelano o que, de fato, significava democracia. Programas educacionais dirigidos, como tolerância política, participação e direitos humanos já atingiram mais de 600 mil pessoas”, diz o documento.
Dividindo o Chavismo
William Brownfield acompanha Hillary Clinton durante visita a Bogotá. Foto: Departamento de Estado 
Em seguida, o documento detalha as estratégias para “dividir o chavismo”, baseadas na concepção de que Chávez tentava “polarizar a sociedade venezuelana usando uma retórica de ódio e violência”. O remédio, na cabeça de Brownfield, seria dar auxílio a ONGs locais que trabalham em “fortalezas Chavistas” e com os “líderes Chavistas” para “contra-atacar a retórica” e “promover alianças”. Os esforços da Usaid neste sentido custaram US$ 1,1 milhão para atingir 238 mil pessoas em mais de 3 mil fóruns, workshops e sessões de treinamento, “transmitindo valores alternativos e dando oportunidade a ativistas de oposição de interagirem com Chavistas, obtendo o desejado efeito de tirá-los lentamente do Chavismo”.
Exemplos são o grupo “Visor Participativo” composto por 34 ONGs formadas e supervisionadas pela OTI, para trabalhar no fortalecimento das municipalidades. “Enquanto Chávez tenta recentralizar o país, a OTI, através do Visor, está apoiando a descentralização”, escreve Brownfield.
Outra iniciativa, a custo superior a US$ 1,2 milhões, promoveu a criação de 54 projetos sociais em toda a Venezuela “permitindo visitas do Embaixador a áreas pobres do país e demonstrando a preocupação do governo dos EUA com o povo venezuelano”, detalha Brownfield. “Esse programa confunde os bolivarianos e atrasa a tentativa de Chávez usar os EUA como um ‘inimigo unificador’”.
Com o objetivo de “isolar Chávez internacionalmente”, o embaixador gaba-se de que a USAID, através das ONG americana Freedom House, financiou viagens de membros de organizações de direitos humanos da Venezuela ao México, Guatemala, Peru, Chile, Argentina, Costa Rica e Washington. “Além disso, o DAI trouxe dezenas de líderes internacionais à Venezuela e também professores universitários, membros de ONGs e líderes políticos para participarem de workshops e seminários, para que eles voltassem aos seus países de origem entendendo melhor a realidade da Venezuela, tornando-se fortes aliados da oposição venezuelana”.
Brownfield termina o documento, escrito em 2006, com um alerta: “Chávez deve vencer a eleição presidencial de 3 de dezembro e a OTI espera que a atmosfera para o trabalho na Venezuela se torne mais complicada”. De fato, o embaixador saiu do país no ano seguinte, assumindo o mesmo posto na Colômbia antes de ser designado pelo governo Obama para cuidar de cooperação policial com outros países.
Antes de Brownfield assumir a política dos EUA para a Venezuela o escritório de Iniciativas de Transição (OTI) focava sua atuação no fortalecimento dos partidos políticos de oposição – como mostra outro documento do WikiLeaks, de 13 de julho de 2004 – incluindo um projeto de US$ 550 mil destinado a promover consultorias de especialistas latinoamericanos em liderança política e estratégia aos partidos, e um projeto de US$ 450 com o International Republican Institute (IRI) – do Partido Republicano - para treinar os partidos de oposição a “delinear, planejar e executar campanhas eleitorais” em “escolas de treinamento de campanha”.
Em 2010, sob crescente pressão do governo venezuelano, o escritório da OTI no país foi fechado, e suas funções foram transferidas para o escritório para América Latina e Caribe da Usaid.
No Pública
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