18 de mar de 2013

Da vanguarda ao atraso

Está na pauta do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) a proposta para a criação do auxílio-moradia e o pagamento de verbas indenizatórias em relação ao auxílio-saúde recebido pelos membros do Ministério Público da União e dos estados.
Aprovado, o benefício alcançará cerca de 20 mil procuradores e, por discutível isonomia, beneficiará os juízes em número igual ou superior. Esse privilégio se soma ao vale-alimentação e ao plano de saúde já existentes.
A criação do auxílio-moradia, no valor aproximado de 3 mil reais mensais, trará embutido o princípio da retroatividade de cinco anos.
Quem estiver interessado faça as contas. Antes, porém, sente-se para suportar o susto provocado por essa retroatividade: 3 mil reais por mês viram 36 mil anuais; multiplicado pelos 60 meses referentes aos cinco anos retroativos, o resultado se transforma em 180 mil, sem contar a correção. Agora basta multiplicar pelos integrantes do MP. E não se pode esquecer, posteriormente, de fazer a mesma conta para a Magistratura. Esse princípio de equiparação, segundo a ministra Eliana Calmon, foi estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Justiça, neste caso, em causa própria.
A enaltecida ministra, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recebeu, em setembro, 84 mil reais do citado auxílio-alimentação. Naquele mês, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o contracheque dela registrou salário de R$ 113.009,50.
Com a mesma coragem com que denunciou juízes corruptos ou, segundo ela, “bandidos de toga”, a ministra respondeu publicamente ao jornal: “O Ministério Público já recebe esse vale-alimentação sem questionamento algum. O Conselho Nacional de Justiça entendeu o processo de equiparação e isso levou ao pagamento”.
Data venia, a magistrada não se saiu bem quanto a esse privilégio. Sobre esse ganho, cerca de mil reais por mês, não incide Imposto de Renda. O Leão é manso. Não ruge  nem morde essa gente.
O procurador-geral da República paga vale-alimentação a todos os membros do Ministério Público da União, sem que haja lei prevendo tal benefício. A Constituição fixa a remuneração dos integrantes do MP como “parcela única”, o subsídio. O pagamento seria, portanto, ilegal.
Eliana Calmon. Desta vez, justiça em causa própria. Foto: Luiz Silveira / Agência CNJ
Eliana Calmon. Desta vez, justiça em causa própria.
Foto: Luiz Silveira / Agência CNJ
Tudo indica que isso se transformou numa artimanha para contornar as decisões da Presidência e do Congresso. Ou seja, inconformados com o aumento oficial que recebem, articulam aumento sobre o aumento. Tudo em causa própria.
A ministra Eliana Calmon errou também quando disse que o MP vem recebendo o vale, isso sem questionamento algum. Há quem questione, sim.
Luiz Moreira Lima, conselheiro do CNMP, que travou e venceu, praticamente isolado, a luta com Gurgel e asseclas para ser reconduzido à função, tenta fazer prevalecer a lei. Ele pediu vista e, ao avaliar a instituição auxílio-moradia, desmontou esse sistema alternativo criado para driblar o aumento oficial.
Essa situação mostra mais um retrocesso nos princípios republicanos. O Ministério Público ganhou vida nova com a Constituição de 1988. Tornou-se uma instituição de vanguarda do Estado brasileiro na luta contra velhos vícios da República. Há exceções, mas a regra não durou muito.
O corporativismo renasce recrudescido numa das mais importantes instituições da República.
Andante mosso
O belo e a fera I
A sucessão para o governo do Rio de Janeiro é uma das principais indicações das dificuldades da formação da aliança partidária da candidatura Dilma Rousseff em 2014.
Pezão e Lindinho. Disputa talvez acirrada, mas a estética pesa
Pezão e Lindinho. Disputa talvez acirrada, mas a estética pesa
Pesquisa do Vox Populi, feita na primeira semana de março – a primeira pós-eleição municipal –, mostra que o petista Lindberg Farias, jovem político chamado de Lindinho, é o nome mais forte na disputa. O mais provável opositor dele é Luiz Fernando Pezão, do PMDB, apoiado pelo governador Sérgio Cabral.
Figura amável, sem os dotes estéticos do adversário, Pezão é um homem fisicamente desconjuntado que briga com a balança, em torno dos 100 quilos, e calça 45.
O belo e a fera II
Mas, obviamente, essas razões não definirão a disputa que ainda nem chegou ao ponto certo de largada.
A competição, entretanto, ressalvadas as hecatombes, será entre os dois, segundo a competitividade apontada pelo Vox Populi.
Lindberg, hoje, tem intenções de voto entre 30% e 27%. Pezão gira em torno de 11%.
É preciso ponderar, no entanto, que Pezão tem um nível de conhecimento de cerca de 30% entre os eleitores. Lindberg tem 70%. A rejeição a Pezão é de 5%. Alta em relação ao conhecimento dele junto ao eleitorado. A rejeição de Lindberg é de apenas 3%.
Sujeito oculto
Não se sabe por quais razões a imprensa carioca escondeu o economista Sérgio Besserman como nome alternativo do PSDB para candidato ao governo do Rio. Ele virou um “intelectual tucano” com 1% das intenções de voto, na pesquisa Vox Populi, por pura caipirice. Talvez idiotice.
Besserman, ex-presidente do IBGE no governo FHC, é muito mais do que isso. Se for realmente dos quadros do PSDB, certamente é um dos melhores. O porcentual que obteve significa apenas que não é um nome conhecido do eleitor fluminense.
Al mare
Marcio Rocha Mello, presidente da petroleira HRT, surpreendeu o mercado: reforçou o time de advogados externos.
Mello, cuja empresa enfrenta problemas, segundo relatórios do Banco Itaú, contratou Francisco Mussnich, chefe de uma das bancas mais caras do País. Ex-desafeto de Mello, o advogado notabilizou-se como consultor do banqueiro Daniel Dantas.
A Petrobras interpretou o movimento como um sinal de tempos turbulentos para o empresário, com o qual, por sinal, firmou parceria em outubro de 2012.
Gurgel sob fogo
Crime de responsabilidade é a base do pedido de impeachment do procurador-geral da Republica, Roberto Gurgel, protocolado dia 11 de março no Senado.Entre os fatos juntados na representação há três processos distintos contra a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
A documentação lista os recursos contra a expedição de diploma a governadores eleitos em 2010 (tabela). A praxe do Tribunal Superior Eleitoral é a de encaminhar os pedidos ao vice- -procurador-geral eleitoral. No caso, a subprocuradora Sandra Cureau. As duas únicas exceções, como se vê, são os dois processos contra Roseana sobre os quais Gurgel repousa em paz há quase dois anos.
Justiça: Tarda e falha
A Justiça brasileira é historicamente dominada pela lerdeza e pelos interesses.
Não é obra do acaso. Favorece isso a lentidão dos magistrados (que dispõem de um generoso período de férias) e um Código de Processo Penal que, manejado por bons advogados, pode ser driblado infinitamente. Bom advogado exige muito dinheiro. Acesso exclusivo dos ricos. Nesse caso, só os pobres vão para o inferno. Ou seja, as prisões brasileiras. Isso não é retórica. Eis uma prova:
Um dos mais hediondos crimes praticados no Brasil faz 40 anos.
No dia 18 de maio de 1973, o corpo de Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, foi achado nos fundos do Hospital Infantil de Vitória (ES).
Assassinada, sofreu abuso sexual e foi desfigurada com ácido para dificultar a identificação do corpo. Os responsáveis eram integrantes de famílias capixabas influentes e, pelo menos, outras duas pessoas morreram por denunciar os criminosos.Identificados, sim. Punidos, não.
A data da morte de Araceli tornou-se oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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Inglaterra aperta Ley de Medios

E não é uma ameaça à liberdade de imprensa dos donos da imprensa
Saiu no Globo:

Partidos britânicos chegam a acordo para regular imprensa Favoritar
Será criado um órgão regulador independente com poderes de impor multas de até 1 milhão de libras aos veículos
LONDRES - Os três principais partidos do Reino Unido chegaram a um acordo sobre um novo sistema para regular a imprensa depois de uma última rodada de conversações que durou até as primeiras horas da manhã desta segunda-feira. Será criado um órgão regulador independente, com poderes de impor multas de até 1 milhão de libras (US$ 1,5 milhão) e obrigar jornais a imprimir desculpas proeminentes quando apropriado. A medida vem em resposta ao escândalo de grampos telefônicos que levou ao fechamento do tabloide News of the World, do magnata Rupert Murdoch, e deu início a uma série de denúncias contra outros veículos de comunicação no Reino Unido.
Na tarde desta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico David Cameron apresentou o escopo do projeto aos legisladores, que estabelecerá os poderes do órgão. O sistema será voluntário, mas haverá fortes incentivos financeiros para encorajar os jornais a adotá-lo. Segundo Cameron, a proposta prevê multa de um milhão de libras, um organismo de autorregulação com compromissos e financiamento independentes, um código de normas robusto, um serviço de arbitragem livre para as vítimas e um sistema de reclamação rápido.
- É certo que vamos colocar em prática um novo sistema de regulação de imprensa para garantir que esses atos terríveis nunca possam acontecer novamente. Devemos fazer isso rapidamente - disse Cameron.
O premier não conseguiu na última semana chegar a um acordo para estabelecer as linhas gerais de um órgão com capacidade para regular o setor que não dependesse do poder político nem das empresas jornalísticas, como propunha o chamado relatório Leveson, em novembro de 2012. Parte dos parlamentares queria uma carta régia respaldada pela legislação, enquanto o premier apoiou uma carta sem lei.
Em troca, o primeiro-ministro ofereceu uma carta, sem status de lei, acordada com o vice-primeiro-ministro Nick Clegg e com o líder do partido Trabalhista Ed Miliband, de oposição, em um acordo de última hora para evitar um confronto na Câmara dos Lordes, a Câmara alta do Parlamento.
A proposta foi voluntariamente aceita pela mídia e ofereceu garantias suficientes de não interferência do Estado na liberdade de imprensa. O acordo inclui várias emendas dos partidos Trabalhista e Liberal-Democrata sobre a carta.
Não é uma lei de imprensa
Cameron disse que estava satisfeito com o resultado:
- O que queríamos evitar, e o que temos evitado, é uma lei de imprensa - disse. - Em nenhum lugar diz o que este órgão é, o que ele faz, o que ele não pode fazer, o que a imprensa pode e não pode fazer. Isso justamente foi mantido fora do Parlamento, para não ter embasamento legal nenhum, mas sim uma salvaguarda que diz que os políticos não podem no futuro brincar com este acordo.
Ed Miliband afirmou que o compromisso atingiu o equilíbrio certo.
- Eu realmente acredito que defende a liberdade de imprensa e também satisfaz os termos que as vítimas de rastreamento (de telefone) estabeleceram - disse ele, acrescentando que o jornalismo investigativo não seria restringido pelo novo arranjo.
Outros ficaram menos felizes. O Index on Censorship, um grupo que faz campanha pelo discurso livre, disse que era um dia triste para a liberdade de imprensa na Grã-Bretanha.
- Os políticos agora assumiram o papel de mestre de cerimônias e nossa democracia ficou manchada como resultado - afirmou Kirsty Hughes, CEO do grupo.
O grupo 'Hacked Off', dirigido pelo ator Hugh Grant, participou indiretamente das negociações representando as 800 vítimas do escândalo das escutas telefônicas. Evan Harris, ex-deputado liberal-democrata e porta-voz do grupo, havia adiantado que as vítimas estavam dispostas a aceitar um acordo.
Em novembro passado, a comissão liderada pelo juiz Brian Leveson recomendou expressamente a criação de um órgão para controlar os abusos da imprensa. Os grandes meios de comunicação - como The Daily Mail e The Daily Telegraph - fizeram campanha para protestar contra a maior tentativa de acabar com a liberdade de imprensa nos últimos 300 anos.
O governo ficou sob pressão para criar um novo sistema de regulamentação depois que um inquérito liderado por juízes e uma série de detenções revelaram uma cultura perturbadora de rastreamento de telefone e imperícia em algumas partes da imprensa. A maneira que alguns tabloides relataram o desaparecimento e morte de duas crianças atraiu críticas particulares.
Mas as preocupações de que qualquer acordo colocaria em risco a liberdade de expressão adiaram um acordo, com alguns barões da imprensa ameaçando boicotar um novo regime regulatório e ativistas cobrando por uma regulamentação mais severa acusando Cameron de ser influenciado pela imprensa.
No Conversa Afiada
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As barbaridades cometidas em nome da liberdade de imprensa

Regular a mídia é vital para torná-la melhor, e falar em ‘censura’ é cinismo paralisador.
JN
JN
E eis que o mundo  todo discute os limites da mídia.
A discussão mais rica se dá no Reino Unido. O juiz Brian Leveson fez recomendações depois de ficar mais de um ano ouvindo pessoas de alguma forma envolvidas com a mídia. Políticos, jornalistas, donos de empresas de jornalismo, celebridades cuja privacidade desapareceu, cidadãos comuns cuja vida a imprensa transformou num inferno – Leveson teve material para publicar um relatório de 2 000 páginas, divulgado esta semana.
A recomendação principal: a formação de um órgão regulamentador independente. A auto-regulamentação foi um fracasso, e as provas disso estão no comportamento da própria mídia britânica.
Para ficar num só caso. A ex-rainha dos tabloides, Rebekah Brooks, a queridinha de Rupert Murdoch, está escrencadíssima na justiça britânica. Rebekah está sendo processada sob duas acusações: a) esconder provas no caso de invasão de caixas postais; b) subornar policiais.
Fiscais não se auto-fiscalizam. Exclamação.
Dias depois de divulgado o relatório, o premiê David Cameron se reuniu com editores de jornais.
Cameron, basicamente, disse a eles que se mexam. Se têm alguma proposta a fazer, eis a hora, porque “o relógio está correndo”.
Cameron deixou claro seu apoio à essência das recomendações de Leveson.
1) A independência do  novo órgão regulador em relação às empresas de jornalismo. A independência deve ser estendida, naturalmente, a outros centros de poder. O órgão não pode estar sob a tutela nem do Parlamento e nem do governo. Mas de novo: também não pode estar sob o controle das empresas de mídia.
2)  Multas na “casa do milhão de libras”, quando for o caso.
3)  Retificações rápidas e em lugar de grande destaque.
É mais ou menos o que se tem na Dinamarca, conforme já escrevi neste Diário. As reparações são feitas na primeira página dos jornais.
A opinião pública britânica apoia maciçamente o Relatório Leveson. Os ingleses já estavam enojados dos excessos da mídia. Cameron esboçou fazer reparos a Leveson e a voz rouca das ruas se levantou: o senhor tem que defender o povo da mídia, e não a mídia do povo. Cameron então deixou claro que está com Leveson.
No Brasil, vigora a auto-regulamentação.
Funciona?
As próprias empresas colocam freios? Discutem, debatem, prestam contas para a sociedade? Num caso particularmente rumoroso, um repórter tentou invadir o quarto de um político em Brasília. Pode? Não pode? O assunto foi ao menos discutido pela mídia, ainda que fosse para aprovar a conduta do repórter e da publicação?
Liberdade de expressão não é algo que possa ser invocado para garantir que a mídia esteja acima da sociedade – e da lei.
Um juiz americano, numa comparação que ficaria célebre, escreveu que alguém que gritasse fogo num ambiente lotado e fechado não poderia depois invocar a liberdade de expressão para escapar das consequências da tragédia que possivelmente provocaria.
Depois de ver o debate britânico, é lastimável ouvir platitudes como as pronunciadas – sob ampla cobertura – dias atrás pelo juiz Ayres Britto.
Britto, que acaba de se aposentar do STF aos 70 anos, fez a defesa da liberdade de imprensa, mas com uma superficialidade que é chocante, primária, infantil quando contrastada com a mesma defesa da liberdade de imprensa feita pelo seu colega britânico Brian Leveson. “É um direito pleno”, afirmou ele.
Sob Pinochet, ou mesmo sob Geisel, Britto mereceria aplausos. Mas, numa democracia em que uma imprensa livre é um fato da vida, eis uma frase superiormente tola, e que esconde a real pergunta: qual o padrão ético da mídia tradicional brasileira, se é que existe algum?
No Reino Unido, Leveson não caiu na falácia de que liberdade de imprensa significa licença para matar. A sociedade tem que ser protegida dos excessos da mídia. Ou então a mídia presta um formidável desserviço ao interesse público.
O que leva Britto a fugir do real debate – não a liberdade de imprensa, a favor da qual somos todos, vertebrados e invertebrados, mas a melhor maneira de evitar seus excessos?
Britto tem uma história complicada na família.
Em 2009, um genro seu foi flagrado numa conversa comprometedora com um político corrupto. Britto seria um dos juízes no julgamento do político, e o genro usou seu nome.
O caso virou manchete, justificadamente. E Britto, também justificadamente, disse que não podia responder pelo genro.
Britto teria ficado intimidado?
É uma possibilidade. Ele foi o principal responsável pelo fim da Lei da Imprensa, editada na era militar, e diz que aquela é sua maior contribuição ao país. Um instante: ao país? Que Leveson diga mais ou menos o mesmo na Inglaterra — não fará por modéstia e decoro — se compreenderia. Ele enfrentou a ira e o poder de Murdoch, por exemplo.
Britto não é Leveson.
Com o fim da ditadura, a Lei da Imprensa já não causava cócegas a nenhuma empresa jornalística, e também a nenhum jornalista. Era um cadáver jurídico.
Para lembrar: a Lei da Imprensa vigorava quando Paulo Francis caluniou diretores da Petrobras. Mas estes, sabendo o quanto ela era inoperante, foram processar Francis na justiça americana, uma vez que ele fizera as acusações em solo dos Estados Unidos. Francis ficou desesperado ao lidar com uma justiça que exigia provas para assassinato de caráter, e que cobrava pesado pela ausência delas. Morreu disso, segundo os amigos.
A morte de uma lei já morta trouxe um efeito colateral nocivo à sociedade. Sumiu, com a Lei da Imprensa, o direito de resposta. O que significa que a sociedade ficou desprotegida.
Britto se despediu da ativa com esse passivo enorme no currículo, e repetindo lugares-comuns que não reforçam a imagem da justiça brasileira e de seus mais elevados expoentes – a despeito do espaço generoso que os jornais dedicam a seu palavrório oco.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Elefante Branco

O padre Julián e o padre Nicolás trabalham ajudando os menos favorecidos na favela de Villa Virgen, periferia de Buenos Aires. O local é um antro de violência e miséria. A polícia corrupta e os próprios sacerdotes da Igreja nada fazem para mudar essa realidade e os dois sacerdotes terão de por suas próprias vidas em risco para continuar do lado dos mais pobres.
Elenco: Ricardo Darín, Martina Gusman, Jérémie Renier.
Direção: Pablo Trapero.
Gênero: Drama.
Duração: 106 min.
Distribuidora: Paris Filmes.
Classificação: 16 Anos.

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Charge online - Bessinha - # 1727

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Visita de Cristina Kirchner ao papa Francisco

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Anvisa suspende fabricação e venda de diversos lotes de produtos Ades

http://extra.globo.com/incoming/7837772-81d-5d3/w640h360-PROP/ades-maca-recall.jpg 
Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspende a fabricação, a distribuição, a comercialização e o consumo, em todo o território nacional, de lotes de produtos da marca Ades de uma linha de produção da fábrica da Unilever, em Pouso Alegre (MG).
De acordo com a Anvisa, a medida foi tomada por suspeita de que os lotes não atendam a exigências legais e regulamentares do órgão. A resolução foi publicada hoje (18) no Diário Oficial da União.
Na última quinta-feira (14), a agência informou que estava acompanhando o recall de um lote da bebida Ades Maçã 1,5 litro que foi envasado com solução de limpeza.
De acordo com a fabricante Unilever Brasil, houve falha no processo de higienização das máquinas, o que resultou no envasamento de embalagens com a solução de limpeza. Cerca de 96 embalagens foram distribuídas em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná com o produto impróprio para consumo.
No Agência Brasil
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Papa deve respeitar 'opções diferenciadas das pessoas', diz Dilma

Foto: Roberto Stuckert Filho
Dilma desembarca em Roma
A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, elogiou nesta segunda-feira a aproximação da Igreja Católica dos pobres defendida pelo papa Francisco, mas lembrou que "opções diferenciadas das pessoas" devem ser compreendidas.
"Eu acho que ele tem um papel a cumprir. (O discurso sobre a aproximação da Igreja aos pobres) É uma postura importante. É claro que o mundo pede, hoje, além disso, que as pessoas sejam compreendidas e que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas", disse ela, após ser cercada pela imprensa na Scuderia Del Quirinale, museu onde foi ver uma exposição dedicada ao pintor renascentista Ticiano.
A presidenta não deixou claro a que "opções diferenciadas" ela se referia.
Questionada pela BBC Brasil se a eleição de um papa latino-americano poderá ter impacto na discussão, no Brasil, de temas como a Lei do Aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ela respondeu que "não parece que (Francisco) seja um tipo de papa que vá defender esta posição".
Antes de ser papa, o cardeal Jorge Bergoglio tinha se manifestado contra o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo.
A presidenta se disse feliz pela eleição de um papa latino-americano, mas afirmou não saber qual será o impacto político de Francisco para a região.
"Em qualquer hipótese, um papa latino-americano é uma honra para a América Latina. Acho que é uma afirmação da região".
Dilma lembrou também que a Igreja brasileira foi "extremamente combativa contra a ditadura".
Ela recordou a atuação de padres dominicanos na defesa de direitos humanos no período em ela militou contra o regime militar no Brasil.
Amante das artes
Dilma saiu cedo nesta segunda-feira do hotel onde está hospedada em Roma por uma porta lateral, sem falar com a imprensa.
Depois de descobrir que ela tinha ido à exposição de Ticiano, os jornalistas entraram na mostra como visitantes e a abordaram no fim do passeio.
Dilma reclamou do assédio, mas ao fim falou com os jornalistas - e confirmou a ida para o Brasil da exposição do pintor renascentista Lorenzo Lotto.
A presidenta deve aproveitar a presença de chefes de Estado em Roma e manter contatos bilaterais com alguns governantes, embora não tenha citado nomes.
O encontro com o papa Francisco deverá ocorrer durante os cumprimentos após a missa de posse de novo pontífice, nesta terça-feira.
O papa Francisco deverá conversar com a presidenta sobre a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio de Janeiro.
Francisco já confirmou presença no evento; o Vaticano informou que o papa fala português.
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Duas Venezuelas, duas verdades

A Venezuela está nas primeiras páginas há sete anos consecutivos. Sempre acompanhada por sua mídia. Mas a mídia brasileira ainda não se animou a oferecer um relato amplo e contextualizado sobre uma crise que se alastra pelo continente e transborda perigosamente para outras esferas.
Mesmo na condição de protagonista a mídia não pode ignorar que também é observadora e mediadora. Sem mediação e intermediação, um conflito, qualquer conflito, corre o risco de explodir. O drama venezuelano torna-se cada vez mais premente na medida em que o demorado confronto fechou todos os acessos ao diálogo. Os rancores correm soltos e nestas circunstâncias é imperioso soar os alarmes para evitar uma ruptura incontornável.
Este Observatório da Imprensa foi criado dentro do pressuposto de que a liberdade de expressão é um direito fundamental, inalienável, intocável, cláusula básica do regime democrático. Mas o dever de informar com isenção é a sua decorrência obrigatória, imediata.
Nosso compromisso com a busca da paz e o entendimento reforça a nossa convicção de que guerras e confrontos não são soluções, só provocam outras guerras e confrontos. Este compromisso levou-nos a enviar a Caracas uma equipe especial: o experimentado jornalista e autor Claudio Bojunga e o diretor José Araripe Jr.
Ouvimos as partes mas não somos juízes, abdicamos da tentação de apontar quem tem razão. Nos contentamos apenas em mostrar as razões de cada grupo, certos de que a mídia não pode ser convertida em campo de batalha.

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Maduro acusa EUA de planear matar Capriles

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Desembargador é condenado por envolvimento com grupo de Cachoeira

 
O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18) condenou na quinta-feira (14) o desembargador Júlio César Cardoso de Brito à aposentadoria compulsória. O desembargador foi julgado pelo seu envolvimento com o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que, entre outras atividades, é acusado de comandar pontos de jogo do bicho.
O desembargador foi investigado pela quebra de deveres de magistrado, agravada pelos crimes de tráfico de influência, improbidade administrativa, advocacia administrativa, corrupção passiva e exploração de prestígio.
Durante oito meses de investigação, o relator do processo, o desembargador Paulo Pimenta, analisou as conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF) entre o desembargador e integrantes do grupo de Cachoeira nos período de abril a agosto de 2011 e também mantidas em fevereiro de 2012.
O relator fez uma descrição minuciosa de todas as provas colhidas durante o processo. Ele analisou 130 ligações telefônicas e 339 mensagens de celulares utilizados pelos envolvidos, além de outras provas.
Condenação
A defesa do investigado alegou cerceamento de defesa e pediu que as gravações telefônicas não fossem tidas como provas no processo. Ele alegou que as gravações foram obtidas através da interceptação de linhas telefônicas de terceiros, sem qualquer autorização judicial em relação ao desembargador Júlio César.
Após a leitura do voto do relator do processo, que durou mais de seis horas, a corte do TRT julgou procedentes as acusações feitas ao desembargador, e, por unanimidade, o condenou por seu envolvimento com o esquema do bicheiro.
Júlio César foi condenado à aposentadoria compulsória, e receberá salário proporcional ao tempo de serviço. O processo será encaminhado agora para a Advocacia Geral da União (AGU), ao Ministério Público Federal (MPF), que podem tomar outras medidas contra o desembargador. Cópias também serão enviadas para a Corregedoria Nacional de Justiça, a Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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Pastor Marco Feliciano acessa área gay do site UOL, vê homens com o pênis ereto e chama a polícia

Isso aí querido Pastor Marco Feliciano, não podemos deixar essas coisas baratas, TEMOS QUE ACIONAR O GOVERNO MESMO!!
Meu ex-marido e ex-homossexual Wandersson também acessava a área gay do UOL apenas para verificar a iniquidade que aquele site promovia. Ele ficava horas olhando aqueles homens pelados com seus pênis eretos e depois de averiguar bem, chamava a polícia. Que não fazia nada, lógico! Por que vivemos no país da impunidade!!
Fica aqui o protesto do pastor e o meu prostesto. Pois nós crentes temos o direito de clicar na sessão gay de qualquer site, é uma falta de respeito nós clicarmos e nos depararmos com vários pênis eretos em nossos róstos!! CADÊ O GOVERNO?
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El lugar donde descansa Chávez

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Foto: @jorgerpsuv
El presidente Hugo Chávez reposa en el Cuartel de la Montaña, donde permanecerá sobre la llamada Flor de los Cuatro Elementos, tras una larga batalla contra el cáncer que le quitó la vida el pasado 5 de marzo.
El diseño del monumento, realizado por el arquitecto Fruto Vivas, representa fuego, viento, tierra y agua; emulando la metáfora del “renacer de la patria”. A la izquierda de la flor está una imagen de Simón Rodríguez y a la derecha una de Ezequiel Zamora.
El fuego representa “la intensidad de los ideales de Chávez, sustentados en el Libertador Simón Bolívar”, explicó el orador de la ceremonia.
El segundo es el viento, que “corre libre por el espacio, que vio crecer el proceso de la revolución, el 4 de febrero de 1992 y que viene desde Miraflores, lugar donde se hicieron realidad los sueños de Chávez”.
“La tierra refleja la firmeza de la roca, ideales inculcados en la patria“; mientras el agua que brota en la fuente del sarcófago representa “el amor irrenunciable que entregó el presidente Chávez hasta el último minuto”.
El presidente encargado de la República, Nicolás Maduro, expresó poco antes de que un sacerdote bendijera el féretro: “le juramos lealtad en esta vida y lo estamos trayendo a su puesto de mando a que repose cristianamente como jefe y comandante en jefe de la Fuerza Armada venezolana”,
El ataúd fue colocado sobre el sarcófago, mientras la bandera nacional que lo cubría fue entregada a Maduro, quien la llevó a las manos de la madre del fallecido Presidente, Elena, durante la emotiva ceremonia en el Museo de la Revolución, ubicado en el barrio 23 de enero -bastión del chavismo-, y que antes fue un cuartel militar desde donde Chávez lanzó su fallido golpe de Estado del 4 de febrero de 1992.
La televisión, en cadena nacional, interrumpió en ese momento la transmisión y en su lugar difundió las imágenes que ilustran el himno nacional.
“Aquí vendremos a rendir la tareas, a reflexionar sobre los errores, a recibir sus bendiciones”, dijo Maduro previamente, quien también prometió regresar exactamente dentro de un mes, el 15 de abril, un día después de las elecciones presidenciales en las que enfrentará al opositor Henrique Capriles.
“Estaré aquí, ya no como Presidente encargado, sino como presidente constitucional de la República Bolivariana de Venezuela”, manifestó.
Miguel Rodríguez Torbes, general de división, había anunciado pocos minutos antes “la inhumación del cuerpo de nuestro eterno comandante en el Cuartel de la Montaña”.
Chávez murió el 5 de marzo, víctima de cáncer contra el que luchó desde mediados de 2011, y fue llevado este viernes al antiguo cuartel, tras estar nueve días en capilla ardiente en la Academia Militar de Caracas.
Foto: Prensa  Miraflores.
Foto: Prensa Miraflores.
Fotos: Prensa Miraflores
No CubaDebate
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No conclave...

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O retorno a Diderot

Este deveria ser, em todas as universidades do mundo, o Ano de Diderot. Em outubro fará 300 anos de nascimento do pensador que, mais do que qualquer outro de seus contemporâneos, acendeu as velas do Iluminismo e ajudou a dar autonomia à razão dos homens. Diderot morreu cinco anos antes da Revolução Francesa. Sem ele, ela teria sido inviável.
Voltar a Diderot não é fuga de cronista político de atualidades, entediado, como tantos outros que sofrem com a mediocridade de nossos tempos chochos, mas convite à reflexão. Estamos em pausa, não obstante a turbulência aparente. A História cochila no mormaço de uma tarde que se alonga, enquanto as universidades, as grandes editoras de livros, e o meio estridente da internet — em que ainda se depositam esperanças — se encontram, a cada dia mais, sob o domínio das instituições financeiras. A moeda, ficção útil à sociedade dos homens, se tornou, manipulada por seus guardiões, instrumento de dissimulada tirania. E essa tirania limita a liberdade de pensar e de criar.
Diderot, filho de um mestre cuteleiro de Langres, estava destinado ao sacerdócio, de onde escapou ainda cedo. Educado pelos jesuítas, levou algum tempo para abandonar a crença católica. Dedicou-se ao estudo das artes. Aos 19 anos, obteve o mestrado na Universidade de Paris. Depois de breve incursão no campo do direito, passou a viver aleatoriamente. Dava aulas eventuais e, como ghost writer, redigia sermões para missionários. Ao frequentar os cafés da moda, conheceu Rousseau, um ano mais velho, e os dois, que se identificavam na inquietação filosófica e na sedução pessoal, tornaram-se o centro de um grupo que daria motor ao Iluminismo. Durante anos, ele, Condillac e Rousseau se reuniam para jantar e pensar em comum, no Panier Fleuri, singular restaurante da cidade naquele tempo.
Era senhor de um talento universal. Seu conhecimento ia da alta matemática de então aos ensaios em biologia — que o fez antecipar-se a Darwin, ao discutir a capacidade da adaptação ao ambiente dos cegos, mediante o tato, e inspirar Braille. E ainda havia a sua surpreendente literatura de ficção. Diderot, no entanto, foi, antes de tudo, homem de ação.
Ao ser convidado pelo editor André Le Breton para traduzir a discreta enciclopédia britânica de Chambers, em dois volumes, e, diante da recusa do seu autor em permitir a edição francesa, Diderot encontrou sua pólvora. Ele, Rousseau, Condillac e outros só viam uma saída para a Humanidade: a universalização do conhecimento. Decidiu-se, então, pelo ambicioso projeto da Encyclopédie e trouxe para a empreitada o químico — mas também grande humanista — D´Alembert.
Durante 21 anos, de 1751 a 1772, Diderot — sem abandonar suas múltiplas atividades e intensa vida social — empenhou-se na execução dos 17 extensos volumes da Enciclopédia. Além de rever todos os artigos e de fazer o que chamaríamos hoje “a lincagem” entre os vários verbetes para o melhor entendimento dos temas, Diderot administrou todo o processo editorial e comercial do projeto. Enfrentou a censura, e, mais do que ela, a reação da Igreja e dos aproveitadores das injustiças sociais e do obscurantismo que temiam o conhecimento da verdade pelas massas. Para não deixar dúvida de seu objetivo, Diderot deu à grande obra o subtítulo de Dictionnaire Raisonné: não se tratava de uma coleção de verbetes mas de uma incitação à liberdade de pensar sem os dogmas castradores da Igreja e seus teólogos.
Entre todos os depoimentos da grandeza de Diderot — que vendeu sua biblioteca para Catarina II da Rússia e dela ganhou uma pensão para viver seus últimos anos — está a de uma mulher da nobreza russa, princesa de Dachkov, que o conheceu em Paris. Disse ela, em suas memórias: “O mundo não conheceu bem esse homem extraordinário. Sua paixão dominante e seus estudos só visavam a contribuir para a felicidade de seus semelhantes”.
Se André Maulraux fosse hoje o ministro da Cultura da França, provavelmente editaria nova edição raisonnée, da Enciclopédia: os verbetes científicos podem estar superados pelas novas descobertas, mas o gênio insuperável dos enciclopedistas, Diderot à frente, poderia despertar a inteligência universal da modorra em que letargia. É uma dívida da França com seu grande homem de pensamento e ação e para com a Humanidade em crise.
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Por que jornalistas e juízes não podem ter — e muito menos ser — amigos

O grande editor Joseph Pulitzer dizia que jornalista não podia ter amigo; no Brasil tem — e o pior é que entre as amizades estão juízes.
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Merval, com Gilmar Mendes e Ayres de Britto no lançamento do livro
Já falei de Mensalão, o livro de Merval.
Volto ao assunto, depois de ver fotos do lançamento em Brasília. Figuras eméritas da Justiça Nacional correram, sorridentes, a prestigiar a cerimônia..
O pudor, se não a lei,  deveria impedir este tipo de cena. Veja as expressões de contentamento e cumplicidade. Que isenção se pode esperar da Justiça brasileira em casos relevantes que porventura envolvam Merval e, mais ainda, a Globo?
Mas o pudor se perdeu há muito tempo. Em outra passagem imoral desse  interesseiro caso de amor entre mídia e justiça, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.
Ali estava já a sentença de Gilmar.
O grande editor Joseph Pulitzer escreveu, numa frase célebre, que “jornalista não tem amigo”. Ele próprio viveu em reclusão para evitar que amizades influenciassem os rumos do jornal que comandou.
Para que você tenha uma ideia da estatura de Pulitzer, foi ele quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete,  bem como a primeira página.
Era um idealista. “Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”, escreveu.
Tinha uma frase que me tem sido particularmente cara na carreira: “Jornalista não tem amigo.”
Como a “Deusa Cega da Justiça”, afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. “O World [seu jornal], por isso, é absolutamente imparcial e independente.”
Merval tem muitos amigos, como se vê na foto deste artigo. Não é bom para o jornalismo que ele faz. E pior ainda é que ele é correspondido no topo da Justiça brasileira.
Juízes, como os jornalistas, não deveriam ter amigos, como pregou Pulitzer. Pelas mesmas razões.
Os nossos têm, e parecem se orgulhar disso, como se vê na foto acima.

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A estratégia do PiG (Merval) para o 2º turno

A estratégia subterrânea é o Golpe no jornal nacional, legitimado no Supremo.
Como se sabe, 'Ataulfo Merval de Paiva' é a biruta do aeroporto da Casa Grande, o Aeroporto Internacional Dr Roberto.
Se ele aponta pra lá, é pra lá que a Casa Grande já foi.
Como se sabe, o PiG, seus notáveis 'colonistas' e o PSDB não passam de expressão física e moral da Casa Grande.
(Com uma certa boa vontade se pode dizer que o mesmo raciocínio se aplica ao Supremo …)
Como diz o Mino, no romance “O Brasil”, ler o 'Ataulfo' dispensa saber o que pensam os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio.
É mais rápido.
Em duas 'colonas' consecutivas, o 'Ataulfo' estimula a propagação de candidaturas de oposição:
- estimula a 'Bláblárina', como fez em 2010; o 'Ataulfo' foi um dos primeiros, então, a esverdear;
- supõe que o 'Cerra' se deixará conquistar pelo charme e a simpatia do Aécio; 'Cerra' gentilmente cederia o posto ao mineiro, em nome da unidade dos tucanos; faltou combinar com o 'Cerra', que quer a Presidência ou nada;
- segundo 'Ataulfo', Eduardo já avisou à Presidenta que é candidato, que a ligação com o PMDB está infectada, que ele não quer se contaminar; e ela disse que, um dia, ele, Eduardo, será Presidente.
É o cenário perfeito.
Igual a 2002.
Cristovão Buarque (outra traíra), Heloisa Helena (traíra, também) e um tucano (o 'Cerra') não deixam Lula ganhar no primeiro turno.
Em 2006 quem levou a eleição para o segundo turno foi o Gilberto Freire com “ï” – clique aqui para ler “O primeiro Golpe já houve; falta o segundo”.
Como se sabe, no segundo turno, o candidato tucano, Alckmin, teve menos votos – sem o jornal nacional – que no primeiro.
Em 2010, a bolinha de papel do Freire com “i” e a 'Bláblárina' levaram a eleição ao segundo turno, quando ainda não se sabia que a Dilma daria certo como Presidenta.
Agora, a estratégia do 'Ataulfo', a estratégia explícita, é abrir o leque, pulverizar o voto e, depois, no segundo turno, unir todos contra Dilma.
Essa, a estratégia explícita.
A submersa, subterrânea, é o Golpe.
Primeiro, no jornal nacional.
Depois, diante de um impasse, no Supremo.
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Marconi Perillo corrompeu a mídia?

 
Nesta semana, o jornal Diário de Anápolis divulgou que o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) acaba de processar mais um jornalista. É o nono profissional da imprensa conduzido ao banco de réus desde a descoberta do esquema mafioso de Carlinhos Cachoeira, que enlameou todo o governo de Goiás. Além dos jornalistas, o tucano também já processou blogueiros, tuiteiros, sítios e veículos de comunicação em 16 ações judiciais que tratam de supostas ofensas à honra do chefão do Palácio Pedro Ludovico.
A maioria dos processos foi formalizada na Justiça à época da CPI do Cachoeira, no ano passado. Na mira do censor estão reportagens e artigos críticos à gestão de Marconi Perillo e às suas íntimas relações com a quadrilha. As ações exigem indenizações e pedidos de retratação. Apenas a interpelação judicial contra a jornalista Fabiane Pulcineli, do jornal O Popular, foi arquivada. Já o mais recente processo foi movido no início deste ano contra a jornalista Lênia Soares, que mantém um blog no jornal digital Diário de Goiás.
Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Cláudio Curado, a atitude do governador tucano fere a liberdade de expressão e avilta a democracia. “Homens públicos precisam prestar contas ao público, pois além dos votos que os consagraram, a população mantém a eles e aos seus projetos administrativos... O sindicato vê com preocupação o excessivo número de ações patrocinadas pelo governador. Até, por que, cabe à imprensa, em um país livre e democrático, cobrar respostas e soluções”, argumenta.
Apesar desta truculência, a mídia nacional quase nada fala sobre Marconi Perillo. Ele virou uma não notícia! Se fosse um governante de esquerda, o escândalo seria brutal e as entidades dos barões da mídia, como a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), já teriam exigido providências em escala planetária. Mas o tucano não mantém boas relações apenas com a máfia de Cachoeira. Ele é conhecido pelas práticas de cooptação dos donos da mídia e também de jornalistas, via anúncios publicitários e outros expedientes mais sinistros.
No início de março, Marconi Perillo foi a principal estrela num evento ocorrido em Goiânia para alavancar a candidatura de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano. Alguns jornalões deram capa para a foto dos dois juntinhos no seminário. O curioso é que eles não fizeram qualquer menção à ligação do governador do PSDB com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. A mídia “privada” é seletiva e sobrevive graças a vários tipos de “mensalão”. Assis Chateaubriand, o "mercenário", fez escola no jornalismo nativo!
Altamiro Borges
No Justiceira de Esquerda
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Responsabilidade de quem?

A discussão a respeito do prolongado silêncio do atual Papa em relação os crimes de terrorismo de Estado na Argentina, cometidos durante o regime empresarial-militar de 1976 a 1983, merece uma reflexão à luz da história do cristianismo.
São Paulo, ele próprio cidadão romano e grande propagador da fé cristã no vasto território do império dos Césares, em carta dirigida justamente aos cristãos residentes em Roma (capítulo 13, versículos 1 e 2), ordenou:
“Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. De modo que aquele que se revolta contra a autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus. E os que se opõem atrairão sobre si a condenação.”
Esse mandamento tem sido incessantemente observado pelas autoridades eclesiais nas várias igrejas cristãs, em todos os tempos e lugares, qualquer que seja o regime político, ainda que altamente criminoso. No século XX, por exemplo, a Igreja Católica colaborou oficialmente, por meio de concordatas ou mesmo da união política, com o fascismo italiano e espanhol, com o Estado nazista na Alemanha e em outros países por ela dominados. As inúmeras ditaduras latino-americanas, desde o século XIX, salvo raríssimas exceções, contaram com o apoio oficial do Vaticano.
Ora, na Argentina existe de há muito a união política oficial da Igreja com o Estado. O atual papa lá foi o provincial (ou seja, o chefe local) dos jesuítas, entre 1973 e 1979, antes de ser nomeado arcebispo e depois Cardeal de Buenos Aires. Ou seja, exerceu a autoridade eclesiástica durante todos os anos tenebrosos do regime de terrorismo de Estado, durante os quais foram exterminados pelo menos 30.000 opositores políticos, e exiladas cerca de um milhão e duzentos mil pessoas.
Pois bem, não se trata de saber se, alguma vez, Dom Bergoglio, agora Papa Francisco, colaborou explicitamente com atos hoje qualificados como crime contra a humanidade; tais como o assassínio de opositores políticos (com ou sem desaparecimento do cadáver), as sessões de tortura (com ou sem mutilações), ou o seqüestro e a entrega a estranhos de recém-nascidos, cujos pais foram exterminados. O que importa, perante a consciência ética universal, é saber se alguma vez o atual Sumo Pontífice manifestou publicamente o seu protesto contra todos esses horrores.
Durante o governo dos dois Kirchner, o então Cardeal de Buenos Aires não deixou de condenar duramente a oficialização do aborto, do casamento de homossexuais e das medidas de controle da natalidade. Tais atos seriam, porventura, mais imorais do que aquele conjunto de atrocidades cometidas durante sete anos pelos sucessivos governos do regime empresarial-militar?
Uma coisa, porém, é incontestável. Se a Igreja Católica estava oficialmente unida ao Estado durante aquele regime – assim como permanece unida até hoje –, as vítimas dos atos de terrorismo estatal têm o direito de agir em juízo, conjuntamente contra o Estado e a Igreja Católica, pleiteando a justa indenização pelos terríveis danos sofridos.
Fábio Konder Comparato
No Conversa Afiada
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Quem ganha e quem perde

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A capela sistina sempre foi palco de litígios e puxadas de tapete. Nela existe a “câmara das lágrimas”, onde o vencedor troca os panos cor púrpura de cardeal pelos brancos de papa, antes de, na solidão, debulhar-se em lágrimas por causa da grande emoção. Na Sistina, o então jovem Rafael, insuflado pelo seu mestre Bramante, tentou tomar o lugar de Michelangelo. Rafael não se contentava em afrescar os quartos dos papas. Aproveitava-se do atraso de Michelangelo para espalhar que o concorrente nunca afrescara paredes e não dominava as técnicas de aplicar tinta em reboco molhado. Michelangelo venceu o embate.
Depois de 25 horas de votações, venceram os reformistas da Cúria. A disputa estava polarizada entre esses e os antirreformistas liderados pelo camerlengo Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado (chefe da Cúria e uma espécie de primeiro-ministro). O candidato de Bertone era o brasileiro Odilo Pedro Scherer, integrante da comissão de fiscalização do apelidado Banco do Vaticano, eufemisticamente denominado Instituto para as Obras Religiosas (IOR).
Nos últimos conclaves, o grande embate ocorria entre os reformadores da doutrina, incluindo o saudoso Carlo Maria Martini, e os conservadores. Venceram os últimos, cujos principais símbolos foram Karol Wojtyla e o seu delfim Joseph Ratzinger. Por evidente, perdia a Igreja com o conservadorismo, destacando a redução de fiéis na Europa. A propósito, e como demonstrou o vaticanista Marco Politi, Ratzinger foi o grande teólogo do obscurantismo. É contra a camisinha em tempos de Aids, manteve a proibição de Paulo VI ao uso de pílulas anticoncepcionais, opõe-se à ordenação de mulheres para o posto de sacerdotisas, condena o homossexualismo e a lei alemã de “despenalização” do aborto, é contrário ao casamento de padres e à oferta da eucaristia, nas celebrações, aos divorciados, entre outras.
A escolha de Jorge Mario Bergoglio, que na eleição de Ratzinger ficou em segundo lugar ao entrar nos escrutínios depois da baixa votação e da desistência do cardeal Martini, foi costurada pelos norte-americanos, à frente Timothy Dolan, de Nova York. Os primeiros candidatos apresentados eram Angelo Scola e Odilo Scherer. O reformista entrou na Sistina com cerca de 50 votos e o antirreformista Scherer com quase 25. Como não passavam desse número e jamais atingiriam os dois terços previstos na Constituição apostólica, acabaram substituídos. Então, pelo resultado da urna, percebeu-se que não emplacariam os cardeais canadense, húngaro, australiano, mexicano e o outsider e cultíssimo Gianfranco Ravasi. Para os vaticanistas, Scola pediu a transferência dos seus votos para Bergoglio, de 76 anos. O outro argentino, Leonardo Sandri, estava fechado com os antirreformistas.
As articulações de Dolan, o apoio de diversos cardeais sul-americanos engasgados com a Cúria (Scherer nunca foi unanimidade entre os brasileiros votantes) e a migração de votos do italiano Scola deram a vitória a Bergoglio, que entrou sem nenhuma aspiração e zero de apetite. Como as questões terrenas, nada teológicas, prevaleceram no conclave, os reformistas curiais Scola e Dolan devem indicar o novo secretário de Estado. Aquele que cuidará da limpeza e das defenestrações. A respeito fala-se de um cardeal com prestígio entre políticos italianos, capaz de manter a contribuição do governo da Itália ao Vaticano, equivalente a 9 bilhões de euros por ano.
Scherer saiu chamuscado ao defender o escandaloso Banco do Vaticano. Segundo Paolo Rodari, vaticanista do jornal La Repubblica, “o ataque duríssimo na congregação-geral feito por muitos cardeais e contra a ‘corrupção’ romana, numa Cúria que apontava no candidato Odilo Scherer, cardeal brasileiro e integrante da Comissão Cardinalícia do IOR, ecoou de maneira dramática durante o conclave… Um conclave que assistiu, gradualmente, aos sul-americanos e norte-americanos escolherem uma figura independente”.
Com Bergoglio, jesuíta, esperam-se ações de moralização na Cúria, com o vigor de Inácio de Loyola. Perderam os fiéis brasileiros: o maior país católico do mundo não teve um candidato, entre os reformistas da Cúria, capaz de empolgar. E fica a impressão, por exigência dos cardeais norte-americanos, de estar com os dias contados a lavanderia do IOR, que não atende a todas as regras internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro criminoso ou sem causa.
Wálter Maierovitch
No CartaCapital
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