10 de mar de 2013

Estadão convenientemente mente; governo desmente

http://www.aprovaconcursos.com.br/noticias/wp-content/uploads/2013/02/ministerio-planejamento.jpeg 
NOTA À IMPRENSA EM RESPOSTA À MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão esclarece que são equivocadas as informações contidas na matéria "Dilma reduz repasses para Estado de Eduardo Campos" (10/03), pelos motivos que se seguem:
É incorreto analisar o volume de recursos investidos pelo Governo Federal em qualquer Estado brasileiro, considerando estritamente as transferências voluntárias, definida pela reportagem como aquelas que "compreendem recursos por meio de convênios ou acordos, mediante solicitação dos estados".
Investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das estatais são recursos destinados aos Estados também por acordo ou mediante solicitação dos próprios entes federados. Além disso, parcela considerável desses investimentos é executada pelos Estados. Os recursos de transferências voluntárias representam um pequena parcela do total dos recursos do Governo Federal nos Estados.
No caso de Pernambuco, a média anual de execução dos investimentos do PAC em 2011/2012 é 22% superior à média anual do período 2007/2010, se consideramos apenas os investimentos em rodovias, portos, recursos hídricos e metrô. As áreas de habitação e saneamento os investimentos são igualmente crescentes.
Entre as obras estruturantes do PAC realizadas no estado as BRs 204 e 408, a dragagem do Porto de Suape, a mobilidade urbana, a barragem de Serro Azul, dentre outras, estão sendo executadas pelo próprio Estado com recursos transferidos pela União.
Além desses recursos, os investimentos, por exemplo, da Petrobrás em Pernambuco cresceram muito no governo Dilma Rousseff. Esse investimento foi de menos de R$ 49 milhões entre 2003 e 2006; R$ 12,7 bilhões entre 2007 e 2010; e de R$ 24,8 bilhões nesses últimos dois anos. O maior investimento anual da Petrobras em Pernambuco ocorreu em 2012, quando alcançou R$ 13,4 bilhões. A média de investimento da Petrobras quase quadruplicou se comparados os períodos 2007/2010 e 2011/2012. Entre os anos de 2007 e 2010 a média dos investimentos foi R$ 3,2 bilhões e entre 2011 e 2012, R$ 12,3 bilhões.
A reportagem também se equivoca na série história de transferências voluntárias ao desconsiderar a especificidade do ano de 2010, quando houve a enchente do Rio Una que levou os estados de Pernambuco e Alagoas à calamidade. Os recursos destinados à Pernambuco, R$ 466 milhões, para mitigar essa tragédia elevam consideravelmente as transferências de 2010 que por conseqüência também aumentou a média do período 2010.
Retirada essa transferência, relativa à Defesa Civil, os investimentos do governo dos presidentes Lula e Dilma Rousseff se encontram nos mesmos patamares.
O Governo Federal trabalha de forma republicana, investindo indistintamente um volume crescente de recursos, em todos os Estados brasileiros, para melhorar a qualidade de vida de toda a população. É falsa a conclusão da reportagem de que haveria algum tipo de discriminação do Governo Federal com qualquer estado brasileiro.
Cabe destacar que, em nenhum momento, a reportagem do jornal Estado de S. Paulo solicitou dados ou esclarecimentos junto aos órgãos federais responsáveis, o que evitaria a publicação de informações incorretas que induzem o leitor ao erro e não refletem o real investimento do Governo Federal no Estado de Pernambuco.
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Chávez é o político mais eleito do planeta!

 Imperdível 

SENSACIONAL este vídeo de George Galloway ativista e parlamentar britânico na Universidade de Oxford em 29/10/2012. SENSACIONAL!
Ele responde ao um aluno que parece que foi educado por Olavo de Carvalho sobre os direitos dos homossexuais e a eleição presidencial de 07/10/2012 na Venezuela.

Dica de Elizeu Beckmann
No Maria Frô
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Eitha Cabral

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Ditadura Sanguinária!


"Ditadura Sanguinária! Os Castros perseguem, prendem e matam os opositores. Não há espaço para jornalismo em Cuba." É assim que a mídia brasileira e a blogueira (gusana) cubana Yoani Sánchez retratam o cotidiano do Estado socialista cubano.
De acordo com a organização "Press Emblem Campaign" (PEC) com sede em Genebra, Suíça, em 2012 foram assassinados 141 jornalistas em 29 países.
Por suposto, um desses jornalistas deve ser de Cuba, onde a mídia e Yoani dizem que há uma ditadura sanguinária
De acordo com a PEC, os países onde mais assassinatos ocorreram foram México, com 11; Brasil, com 11, e Honduras, com seis. Seguem outras nações como Colômbia, Panamá e Haiti, além das 17 pessoas na Ásia e 10 na África.
Bom! Mas em Cuba? Quantos jornalistas foram mortos?
ZERO! Mas como? Não ouvimos diariamente que em Cuba não há liberdade de expressão? Yoani não diz no blog Generacíon Y que vive sob constante assédio dos agentes de segurança? Como não há jornalistas mortos?
No Porra Serra
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50 verdades sobre Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana

Razões pelas quais o chefe de Estado venezuelano marcou para sempre a história da América Latina
O presidente Hugo Chávez, que faleceu no dia 5 de março de 2013, vítima de câncer, aos 58 anos, marcou para sempre a história da Venezuela e da América Latina.
1. Jamais, na história da América Latina, um líder político alcançou uma legitimidade democrática tão incontestável. Desde sua chegada ao poder em 1999, houve 16 eleições na Venezuela. Hugo Chávez ganhou 15, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012. Sempre derrotou seus rivais com uma diferença de 10 a 20 pontos percentuais.
2. Todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter, mostraram-se unânimes ao reconhecer a transparência das eleições.
3. Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, inclusive declarou que o sistema eleitoral da Venezuela era “o melhor do mundo”.
4. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais. Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de alfabetização denominada Missão Robinson I.
5. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado.
6. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%.
7. A Missão Robinson II foi lançada para levar a população a alcançar o nível secundário. Assim, a taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011.
8. As Missões Ribas e Sucre permitiram que dezenas de milhares de jovens adultos chegassem ao Ensino Superior. Assim, o número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.
9. Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito à atenção médica para todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela.
10. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%.
11. A Missão Bairro Adentro I permitiu a realização de 534 milhões de consultas médicas. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas 1,7 milhão de vidas entre 2003 e 2011.
12. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%.
13. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.
14. Graças à Operação Milagre, lançada em 2004, 1,5 milhão de venezuelanos vítimas de catarata ou outras enfermidades oculares recuperaram a visão.
15. De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011.
16. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado.
17. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011.
18. Segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.
19. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.
20. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%.
21. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%.
22. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões.
23. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.
24. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país.
25. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.
26. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional.
27. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999.
28. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil.
29. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012.
30. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.
31. A nacionalização da empresa de petróleo PDVSA, em 2003, permitiu que a Venezuela recuperasse sua soberania energética.
32. A nacionalização dos setores elétricos e de telecomunicação (CANTV e Eletricidade de Caracas) permitiu pôr fim a situações de monopólio e universalizar o acesso a esses serviços.
33. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia.
34. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho.
35. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 2.047,52 bolívares (330 dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina.
36. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.
37. Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo.
38. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo.
39. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.
40. A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas.
41. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo.
42. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.
43. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha.
44. A Venezuela oferece um apoio direto ao continente americano mais alto que os Estados Unidos. Em 2007, Chávez ofereceu mais de 8,8 bilhões de dólares em doações, financiamentos e ajuda energética, contra apenas 3 bilhões da administração Bush.
45. Pela primeira vez em sua história, a Venezuela dispõe de seus próprios satélites (Bolívar e Miranda) e é agora soberana no campo da tecnologia espacial. Há internet e telecomunicações em todo o território.
46. A criação da Petrocaribe, em 2005, permitiu que 18 países da América Latina e do Caribe, ou seja, 90 milhões de pessoas, adquirissem petróleo subsidiado em cerca de 40% a 60%, assegurando seu abastecimento energético.
47. A Venezuela também oferece ajuda às comunidades desfavorecidas dos Estados Unidos, proporcionando-lhes combustíveis com tarifas subsidiadas.
48. A criação da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), em 2004, entre Cuba e Venezuela, assentou as bases de uma aliança integradora baseada na cooperação e na reciprocidade, agrupando oito países membros, e que coloca o ser humano no centro do projeto de sociedade, com o objetivo de lutar contra a pobreza e a exclusão social.
49. Hugo Chávez está na origem da criação, em 2011, da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), agrupando, pela primeira vez, as 33 nações da região, que assim se emancipam da tutela dos Estados Unidos e do Canadá.
50. Hugo Chávez desempenhou um papel chave no processo de paz na Colômbia. Segundo o presidente Juan Manuel Santos, "se avançamos em um projeto sólido de paz, com progressos claros e concretos, progressos jamais alcançados antes com as FARC, é também graças à dedicação e ao compromisso de Chávez e do governo da Venezuela".
No Causa-me espécie!
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‘Dilma e Cristina devem erguer muro contra golpistas’

À Carta Maior, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães fala sobre as incertezas políticas no continente após a morte de Hugo Chávez. Para ele, Brasil e Argentina desempenharão papel fundamental nesse processo. É importante que esses países estejam vigilantes, desestimulando eventuais movimentos golpistas. Juntas, Dilma e Cristina podem influir poderosamente.
 
Brasília – Hugo Chávez citava frequentemente Samuel Pinheiro Guimarães para defender a aliança vital com o Brasil ou repudiar as tentativas de anexação por parte dos Estados Unidos sob o manto da Alca.
Chávez conhecia os bastidores do Itamaraty e quando citava Samuel talvez procurasse fortalecê-lo frente aqueles que tentavam afastá-lo da secretaria geral da Chancelaria para reestabelecer a diplomacia do Consenso de Washington. O diplomata também foi mencionado pela embaixada dos EUA para quem ele é um “antiamericano virulento”, segundo documento divulgado pelo Wikileaks.
A morte de Chávez, mas sobretudo a tensão estratégica entre Venezuela e Estados Unidos, e o “muro” que Dilma e Cristina Kirchner estariam formando para abortar tentativas golpistas contra Nicolas Maduro foram os temas tratados pelo diplomata nesta enciclopédica entrevista à Carta Maior.
Carta Maior – Washington considerou absurda a suspeita de que Chávez tenha morrido vítima de uma enfermidade inoculada. Certamente a hipótese soa algo exagerada, mas você a descartaria por completo?
Samuel Pinheiro Guimarães – Não estou em condições de falar sobre o que ocorreu concretamente, mas o presidente Maduro falou do tema, segundo ouvi, e prometeu investigar. Ele deve saber porque disse isso e se houver alguma desconfiança por parte do governo venezuelano este pode adotar a decisão que lhe pareça mais conveniente. Os estados têm soberania para decidir o que fazer. Não afirmou nada, estou especulando.
Os que colocaram em dúvida o que causou a morte de Arafat (suposto assassinato com substâncias radioativas) foram desqualificados em 2004, quando ele morreu. Passados alguns anos, isso que parecia um absurdo hoje não é mais e os que foram ridicularizados não estavam tão equivocados. O passar do tempo às vezes acaba revelando algumas coisas. Que se investigue.
CM – Maduro falou de um plano sedicioso com participação estadunidense... O jornalista Kennedy Alencar informou que Dilma e Cristina se articulam para frear eventuais golpistas...
SPG – Não tenho informação, mas imagino que haja uma grande preocupação por parte das presidentas para que não haja um golpe de estado. Isso sempre pode ocorrer, como em 2002. De repente veio o golpe. Um golpe se articula discretamente. Estão corretas em se preocupar se têm informações. Mas creio que isso seja difícil no curto prazo. No médio ou longo prazo, aí já não sei. É importante que Brasil e Argentina estejam vigilantes.
Desestimular eventuais movimentos golpistas é importante. Juntas, elas podem influir poderosamente. O apoio delas ao governo democrático é necessário. Igualmente acredito que a transição para as eleições está assegurada. Haverá estabilidade no curto prazo, o problema é o longo prazo.
CM – Se tiveram coragem de tentar um golpe contra Chávez, porque não tentariam de novo agora, sem ele?
SPG – Claro, isso é lógico. É preciso levar em conta que a sociedade venezuelana está fraturada, os programas sociais levaram à conscientização das massas e, ao mesmo tempo, provocaram uma reação das classes altas e médias altas. As minorias sabem que pelas urnas é difícil chegar ao poder e aparece aí a tentação permanente de fazê-lo por fora das urnas.
Não sei com certeza se há setores militares fortes com planos golpistas, mas se há militares que não gostam do chavismo isso não me surpreenderia. Isso ocorre com todas as elites. Por isso, considero importante que existam milícias populares dispostas a defender o governo para compensar o poder dos militares.
CM – O novo secretário de Estado, John Kerry, se veste de pomba. Será ele menos hostil do que Hillary?
SPG – Parece-me quase impossível ser mais hostil que Hillary, mas a política externa dos EUA transcende a característica pessoal de seus funcionários. Há um princípio permanente que é castigar, ainda que muitos anos depois, os países que não se enquadram nos desígnios de Washington. Quando algum país não obedece a esse enquadramento, e a Venezuela fez isso, será vítima de uma política que eu chamaria de vingativa. Lembro quando Bush invadiu o Iraque por muitas coisas. Para ele, havia um sentimento pessoal. Bush chegou a dizer que Saddam quis matar seu pai. O mesmo ocorre com o Irã, porque eles invadiram a embaixada e, pior, os iranianos tiveram a audácia de dar os nomes dos informantes iranianos que trabalhavam com a CIA. Isso, Washington nunca perdoou. O mesmo se aplica a Venezuela. Creio que Washington nunca perdoará as atitudes de Chávez.
CM – Soberania equivale e irreverência...
SPG – A Venezuela foi uma província petroleira dos EUA durante décadas. Na II Guerra foi maior fornecedora de petróleo dos aliados. Tudo isso deu origem a uma classe dominante muito ligada ao negócio petroleiro e a Washington. Colômbia e Venezuela são fundamentais para o sistema norteamericano, no Mediterrâneo americano. Chávez acabou com tudo isso. Deu às costas aos Estados Unidos e se voltou ao Brasil, ingressou no Mercosul e rechaçou a ALCA. Isso, para os EUA, é imperdoável.
CM – Para a direita, o chavismo morrerá com ele.
SPG – A dimensão de Chávez foi imensa, mas não considero adequado dizer que tudo era fruto do carisma dele. Um autor alemão que viveu nos EUA dizia que as pessoas não chegavam ao poder porque tem carisma, o poder é que lhes dá carisma. Quando Chávez chegou ao poder em 1999, não tinha a grande dimensão internacional que chegou a ter, na medida em que foi desenvolvendo seu projeto. Agora, é preciso ver com Maduro amadurece (risos).
CM – O cesarismo, talvez inevitável, do modelo bolivariano agrava o vazio causado pela morte do líder?
SPG – Os meios de comunicação dão muito valor à atuação do presidente ou do primeiro ministro, supervalorizam a pessoa, como se ela fosse imprescindível. É falso, Ninguém governa sozinho, governa-se porque se representa um conjunto de setores. Isso ocorre nas democracias liberais e nas ditaduras. Por tanto, é um equívoco achar que o chavismo é só a presença de Chávez e não ver que esse fenômeno teve um respaldo enorme dos setores populares.
Dizer que Chávez era tudo foi mentira desses meios, que também inventaram que a revolução não é democrática. Na Venezuela de Chávez houve mais eleições que aqui no Brasil, como Lula observou. Não há notícias de jornalistas ou opositores presos. Se houvesse, seria notícia permanente. Essa imprensa criou a fantasia de que a revolução é um sistema baseado numa pessoa e isso é falso.
CM – A longa agonia de Chávez permitiu que Maduro se afiançasse como seu sucessor?
SPG – Espero que sim. Não é fácil saber qual será sua habilidade para manter dentro do projeto os setores populares, partidos e forças armadas.
CM – Sendo Alto Representante do Mercosul (até julho de 2012), você pode conversar em profundidade com Chávez?
SPG – Com Chávez falei poucas vezes. Ele citava constantemente um livro meu que ele considerava muito importante.
CM – Parece estar em marcha um ataque preventivo contra Maduro quando os conservadores anunciam que deverá haver um “inevitável” ajuste do gasto público.
SPG – A mídia internacional e os organismos financeiros internacionais repetem em coro que é preciso fazer um ajuste, controlar a inflação ou então virá uma catástrofe. Tudo isso é falso. Basta olhar para os EUA onde nunca se fala disso e onde há déficits comerciais e fiscais absurdos. Lá não se pede isso, aqui sim. É uma religião disfarçada de discurso econômico global onde toda a política social é chamada de populismo. No Brasil falam do lulopetismo.
CM – As políticas sociais destes 14 anos de Chávez são conquistas irreversíveis?
SPG – Não creio. No Chile havia um processo avançado e, com o golpe de 73, se retrocedeu até na reforma agrária. Na Argentina ocorreu o mesmo com o golpe de 1976. Se a direita volta é para retomar o poder e terminar com as políticas públicas, com a redistribuição de renda. Tudo começa com as campanhas nos meios de comunicação, dizendo que chegou a modernidade, que está tudo melhor, que o populismo está dizendo adeus.
Na Venezuela esse discurso pode começar a ser utilizado com a volta das classes abastadas, para desqualificar os programas de saúde, os gastos do Estado com alfabetização, para retirar recursos da Universidade das Forças Armadas, das missões (programas sociais do governo).
Capriles (principal opositor nas eleições de outubro de 2012) teve mais de 40% dos votos. Esses votos não são só das elites. Há pessoas pobres beneficiadas pelos programas sociais que são ideologicamente conservadoras. Eu creio que essas conquistas não possam ser entendidas como irreversíveis. Por isso as classes dominantes querem voltar ao governo, para reverter esses avanços.
Dario Pignotti
No Carta Maior
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A escolha é sempre sua

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Homenagem ao pastor

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A sentença de morte da maior revista semanal de informações do mundo

A empresa que é dona da mítica Time se desfaz de sua divisão de revistas para impedir que ela afunde a área de entretenimento.
TIME+Magazine+front+cover+-+Oscar+Pistorius
Na semana passada, o Diário publicou um texto do colunista de assuntos digitais do New York Times, David Carr, sobre as negociações em torno da maior editora de revistas dos Estados Unidos. Decidimos republicá-lo agora por causa da decisão oficial da Time Warner de se desfazer de suas revistas, para preservar a área saudável do grupo, o entretenimento.  O dramático fim de vida da Time é provavelmente o símbolo maior, até aqui, da espantosa diminuição da importância das revistas como mídia, diante do avanço da internet.
POR DAVID CARR
Na quarta-feira, a Time Inc., a maior editora de revistas dos Estados Unidos, ficou do lado errado de uma vala profunda. Sua empresa controladora, a Time Warner, que tem uma ampla e lucrativa gama de ativos de entretenimento, estava fazendo planos para desmembrar boa parte do que sobrou da unidade de mídia impressa em um casamento forçado com a Meredith, companhia do Midwest.
Ao fazer a ruptura com sua divisão de impressão, a Time Warner está seguindo um caminho estabelecido pela News Corporation, que anunciou no ano passado que suas ações de entretenimento e de impressão seriam separadas. As ações atingiram a maior alta em cinco anos quando o plano foi lançado em junho passado, e, em algum momento do próximo verão (no Hemisfério Norte), as duas companhias – Fox Group e News Corporation – permitirão que os ativos de rápido crescimento de cinema e televisão crescerão livres do legado da mídia impressa.
A mídia impressão pode ter perdido seu valor entre consumidores e anunciantes em uma era digital, mas os investidores têm uma motivação mais profunda. Eles vêem pouca possibilidade de que o negócio como um todo se endireite, ainda mais se comparado à televisão a cabo e aos filmes, que estão agora no epicentro do negócio da mídia.
A Time Inc. pode ter batizado a Time Warner, mas há muito tempo perdeu importância. O lucro da Time Inc. caiu 5% no ano passado e sua fatia agora contribui com menos de 12% das vendas totais da empresa. O edifício da Time & Life, em Midtown, Manhattan, foi muito reverenciado como um totem do negócio editorial. Para as pessoas da indústria que cresceram quando as coisas estavam boas, a Time Inc. era uma lenda, tendo crescido não apenas com a força de seu jornalismo, mas com as histórias de editores com salas do tamanho de quadras de squash e carrinhos de bebidas alcoólicas que espalhavam pela redação alegria e uma aura de privilégio.
Mas a notícia de uma possível venda de sua divisão de revistas veio em um momento em que a Time Inc. está demitindo cerca de 6% de sua força de trabalho global, e muitos dos que permaneceram se perguntam se seus empregos, se continuarem a tê-los, poderão obrigá-los a mudar-se para Des Moines, a sede da Meredith.
Foi um momento um pouco dramático para as pessoas na Time Inc. e para o mercado editorial como um todo. Mesmo que a Time Warner tenha afirmado que vai ficar com Fortune, Time, Sports Illustrated e Money, os lucros desses títulos olímpicos são escassos, menos de 10 por cento da divisão. A Time Warner vai mantê-los, em parte, porque eles podem fazer parte de uma reformulação da rede de televisão CNN e, bem, porque ninguém os queria.
Muitos querem saber o que isso significa para as revistas atuais e ninguém sabe a resposta. Fortune, Time, Sports Illustrated e Money, todas para um público masculino, deveriam ficar com a marca-mãe. As pessoas são particularmente interessadas ​​na Time por causa de seu duradouro status cultural, sua capacidade de lembrar eventos ou tendências com suas capas, e seu papel ocasionalmente grande na cobertura das notícias. Agora ela será parte menos importante de uma divisão de notícias com a CNN.
A migração para o digital: futuro que não chega nunca
A migração para o digital: futuro que não chega nunca
A relação ruim entre a Time Inc. e a CNN sempre tornou difíceis as colaborações, mas Jeff Zucker, o novo chefe da CNN, é muito interessado no conteúdo dessas revistas, especialmente a Time. Por exemplo, nos últimos anos, a Time anunciou sua edição das Personalidades do Ano no programa “Today” com muito barulho e seria natural ter uma franquia na televisão. Apesar de sua falta de receitas reais – ganhar dinheiro como um semanário gigante é uma tarefa difícil -, a revista Time tem uma marca significativa e valor sentimental para a empresa. Sua longa história, o recente fechamento da Newsweek, e o fato de que a CNN e a Time são duas das marcas principais de notícias do planeta pode significar que, a longo prazo, a divisão será boa para o semanário.
A nova empresa vai se apoiar na People, a experiência mais próxima que a indústria de revistas criou de uma máquina de fazer dinheiro, com lucro de quase US $ 1 bilhão no ano passado. Mas mesmo esse rolo compressor encoheu: no ano passado, as vendas da People em bancas caíram 12,2% no segundo semestre de 2012 em comparação com o ano anterior.
A jóia da coroa da mídia impressa de Manhattan, a Time Inc., foi cambaleando, com três editores em três anos, salários caindo e um futuro digital que é muito alardeado, mas parece nunca chegar. A divisão ainda faz dinheiro, fazendo US$ 460 milhões no ano passado, mas a tendência tem sido de queda nos últimos cinco anos, com mudanças seculares na indústria – em particular, as receitas de publicidade em declínio.
As outras duas grandes empresas de revistas de Manhattan – Hearst e Condé Nast – são de capital fechado e podem se dar ao luxo de mirar no longo prazo, na esperança de que as marcas ​​encontrem um apoio através de aplicativos novos para tablets e extensões digitais. Não é o caso da Time Inc., em que o contraste entre o impresso e o resto da empresa cresceu de forma mais gritante.
Jeffrey L. Bewkes, o executivo-chefe da Time Warner, sempre disse coisas boas sobre a divisão de revista, mas suas atitudes sugerem que ele não está mais interessado em esperar uma reviravolta. Bewkes surgiu através da HBO, um canal a cabo que conseguiu continuar crescendo e lucrando, apesar das mudanças no cenário da mídia, e ele claramente prefere torcer pela Time Inc. de longe.
Bewkes fez a mesma coisa por alguns dos mesmos motivos quando projetou uma divisão entre a controladora e a Time Warner Cable em 2008. Na época, como agora, a companhia estava tentando abrir um espaço entre a empresa-mãe e os chamados negócios maduros.
Quando a empresa de cabo foi desmembrada, pagou um dividendo para a mãe de 10,9 bilhões dólares, assumindo uma grande parte da dívida; uma jogada semelhante deve render perto de 1,75 bilhões dólares se o acordo para uma nova joint venture com a Meredith passar.
O CEO do grupo Time Warner, Bewkes: torcendo para as revistas. De longe
O CEO do grupo Time Warner, Bewkes: torcendo para as revistas. De longe
O acordo para abandonar a parte das revistas pode levar semanas ou meses, os detalhes estão longe de ser definidos e, no final, a Time Warner poderia explorar outras opções. Mas a decisão de largar a divisão de revistas tinha sido tomada há anos. As dificuldades têm sido difundidas na indústria como um todo – revistas pequenas de fantasias de gato e gigantes como Readers Digest foram desmontadas pela economia e pelos novos hábitos de consumo.
Havia muitos outros sinais ao longo dos últimos anos. A Gourmet foi desativada pela Condé Nast, uma empresa que nunca tinha apertado o cinto Gucci em sua história. Em seguida, a Newsweek, um jogador de destaque na consciência americana, foi vendida por um dólar e desistiu do impresso.
Rupturas em vários setores econômicos ocorrem ao longo de anos com a ascensão de insurgentes e o desmoronamento de ex-titãs, mas seus efeitos muitas vezes se tornam mais claros em um momento emblemático. O espectro da Time Inc., que emprestou seu nome a uma das maiores empresas de mídia do mundo, sendo empurrado para fora como um convidado que ficou tempo demais na festa, é um lembrete austero de como, fundamentalmente, o jogo mudou.
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Água mole em pedra dura

A morte de Hugo Chávez recebeu registro quase unânime da mídia brasileira. Unanimidade criada pela animosidade ao presidente venezuelano que entrou agora na história. Embutido nas entrelinhas brotou um sentimento de alegria pelo fim do líder político que, a partir da Venezuela, abriu no continente o conflito entre governos progressistas e os grupos jornalísticos conservadores, que, articulados, estão em guerra contra a democratização da informação.
Recordação. Em 2006, ele defendia a necessidade de enfrentar os barões
Recordação. Em 2006, ele defendia
a necessidade de enfrentar os barões
“Nada muda sem choque.” Com essa frase, Chávez alertou para o problema, em entrevista a CartaCapital, realizada na embaixada venezuelana, em Brasília, em 2006. É impossível evitar confrontos quando se pensa em mudanças. E o confronto proposto por Chávez, repetido na Argentina e no Equador, tinha apenas começado. Ele acreditava que Lula, Kirchner e Evo Morales, entre outros que viriam, formavam “uma corrente”. O embate com a mídia está adormecido, porém, na maioria dos países latino-americanos.
Vai despertar, no entanto, ora acolá, ora aqui no Brasil. Nas entranhas do governo Lula, nasceu uma proposta de regulamentação dos meios de comunicação. Ela foi, e ainda é, bombardeada pela mídia – que se movimenta entre o conservadorismo e o reacionarismo – sob o pretexto de evitar intenções de amordaçamento dos meios de comunicação.
Pura vilania. O objetivo da proposta não vai além da simples regulamentação de artigos da Constituição de 1988, mais precisamente no capítulo 5º. Os objetivos dos constituintes, nesse ponto, foram abandonados por se chocarem com a lógica do monopólio da informação e da concentração de poder no seleto grupo dos “Barões da Mídia”.
A proposta de mudança no Brasil ainda não saiu do papel. Ou melhor, sobre o papel está sentado o digníssimo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Que conta, diga-se como atenuante para ele, sem melhor juízo, com a concordância silenciosa da -presidenta Dilma Rousseff.
Por quê? In dubio pro Dilma. Talvez seja falta de oportunidade e não falta de coragem política. Mas é possível, também, que ela esteja orientada por maus conselheiros. A propósito, o que pensa a ministra Helena Chagas sobre tudo isso? É contra, a favor ou muito pelo contrário?
Dilma contorna o confronto com a mídia. Fogo que a assessora para essa questão não apaga. A presidenta suporta. Seu silêncio sufoca reações mais fortes. Ela sofre o cerco da mídia conservadora. Esse cerco é muito diferente da tarefa democrática de vigilância ao poder.
A presidenta às vezes reage com estocadas elegantes dos espadachins. Fez assim ao decretar luto oficial de três dias e ao divulgar nota sobre a morte de Chávez, comemorada pela mídia. Ela lamentou: “Uma grande liderança (…) e, sobretudo, um amigo do Brasil, um amigo do povo brasileiro (…), deixará um vazio na história e nas lutas da América Latina”. A mídia brasileira, por unanimidade, não gostou disso. Nunca antes se juntou tão firmemente como agora.
A francesa Anne Marie Smith, no livro Um  Acordo Forçado – O consentimento da imprensa à censura no Brasil, sobre situações dos tempos da ditadura, registra: “Havia considerável falta de solidariedade na imprensa. Em vez de aliar-se para enfrentar o regime, com frequência se ocupavam em atacar-se e criticar-se mutuamente”. Ela põe o dedo na ferida: “Concorrência empresarial”. Ou seja, tudo vale a pena se a grana não é pequena.
Agora, os barões, na democracia, estão unidos como nunca dantes. Foram apanhados de surpresa com a ascensão de Lula e com a vitória de Dilma. Enfim, une-os a animosidade contra governos petistas. E, desta vez, transformaram a próxima disputa presidencial em guerra para a qual adotaram claramente um princípio militar: em 2014, só não vale perder.

Andante mosso

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Barbosa. Basta um livro de 1.500 páginas
para passar aos pósteros.
Versão oficial
Na calada, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, procura um editor bem-disposto. Quer publicar um livro de, aproximadamente, 1.500 páginas sobre a Ação 470, batizada de “mensalão do PT”, da qual foi relator.
Para ajudá-lo na tarefa busca um penalista e um constitucionalista de truz.
Derrota de Gurgel
Sem a proteção de José Sarney no comando do Senado, o castelo do procurador-geral da  República, Roberto Gurgel, começa a ruir. Na quarta-feira 6, o Senado aprovou a recondução do advogado Luiz Moreira ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Renan Calheiros chegou a ser procurado por um assessor de Gurgel com o recado: “Moreira não era simpático ao procurador-geral”. Uma clara tentativa de interferência na deliberação do Senado.
Canibalismo eleitoral
Há quem projete a disputa presidencial de 2014 com cinco candidatos mais importantes. São eles, pela ordem de entrada em cena: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (Rede, em formação), Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Campos (PSB).
Vejamos: Eduardo tira votos essencialmente de Aécio e Gabeira canibaliza preferencialmente
os verdes de Marina.
Do arsenal de Dilma (58% das intenções de voto hoje, pelo Ibope) podem, naturalmente, vazar votos para todos os adversários.
Os concorrentes esperam, assim, levar a eleição para o segundo turno.
Procura-se I
Desde o dia 14 de novembro de 2011, a Justiça brasileira tenta, em vão, citar o delegado Ângelo Gióia, denunciado por Ação de Improbidade Administrativa. Ele responde a processo no Brasil e, mesmo assim, foi nomeado Adido Policial em Roma.
A nomeação atropelou a proibição de policiais que respondem a processo trabalharem no exterior, conforme o Regimento Interno do Departamento de Polícia Federal.
Procura-se II
Recentemente, um oficial de Justiça tentou citá-lo, por Carta Precatória, via Ministério das Relações Exteriores. O documento foi encaminhado ao chanceler Antonio Patriota.
Um funcionário da Chancelaria declarou-se incompetente para assinar a documentação, sob
a alegação de que Gióia não era funcionário da Casa. Gioia foi Superintendente da PF no Rio e não deixou saudades no Ministério Público Federal.
Flor do Cerrado
Em campanha para substituir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a vice dele, Deborah Duprat, apresentou proposta interna com um conteúdo apetitoso para os eleitores, ou melhor, para os procuradores.
Duprat. Heroína da corporação. Foto:Valter Campanato/ ABr
Duprat. Heroína da corporação.
Foto:Valter Campanato/ ABr
Propõe pagamento de 500 reais por plantões aos sábados, domingos, feriados e durante
o recesso forense. Embora a remuneração não esteja em questão, é bom lembrar que os procuradores recebem os maiores salários da República.
Por essa e outras razões são privilegiados nos quadros da administração pública com férias de 80 dias: 60 dias de férias, mais 20 no recesso de Natal.
E assim floresce o corporativismo no Cerrado do Planalto Central.
Sucessão: Aqui e acolá
Na Venezuela, o Judiciário tentou impedir a ascensão do vice, Nicolás Maduro, com a morte, antes da posse, do presidente eleito Hugo Chávez. O Judiciário entendia que a Constituição assegurava a vez do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Diante da indefinição, prevaleceu a vontade dos militares. Maduro é mais confiável.
Esse episódio parece cópia, revista e ampliada, da história ocorrida no Brasil quase 30 anos atrás, na transição da ditadura para o que foi chamado de “Nova República”. Diferem os casos nesse ponto: a eleição de Hugo Chávez foi pelo voto popular direto e a de Tancredo Neves, por eleição indireta no Congresso.
José Sarney era o vice. Tancredo morreu antes de assumir. Ulysses Guimarães, presidente do Congresso, foi o Diosdado sem cabelo. Não era confiável.
O problema era galho fraco. Com alguns murros na mesa o general Leônidas Pires Gonçalves assegurou que o sucessor seria Sarney. Tornou-se, após isso, ministro do Exército e passou a ser identificado com ironia  como o grande “constitucionalista” brasileiro.
Maurício Dias
No CartaCapital
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A crise é do jornalismo

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O declínio da imprensa tradicional não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Mesmo que seus resultados não sejam desastrosos em uns poucos países onde algumas mudanças econômicas colocam na cena social novos protagonistas, ampliando o mercado, a imprensa é decadente por toda parte, e mais evidentemente onde ela contribuiu para construir sociedades mais democráticas.
Embora os analistas e observadores sejam levados a abordar essa questão a partir de pontos específicos, como a dificuldade dos meios tradicionais em se adaptar às novas tecnologias de informação e comunicação, há indícios para se afirmar que a crise da imprensa vai muito além do modelo de negócio.
Trata-se de uma crise do jornalismo, e basta uma pergunta básica: se o jornalismo é parte essencial da vida democrática, provendo a sociedade de informações que ajudam a formar a consciência da cidadania, pode-se dizer que a imprensa está cumprindo bem esse papel em algum lugar do mundo?
Antes que se diga que é impossível responder, de imediato, essa questão, podemos reduzi-la ao contexto mais próximo: a imprensa ajuda os brasileiros a construir um Brasil melhor?
Uma resposta, longa ou sucinta, exige algum paradigma: por exemplo, um país melhor teria uma população mais educada e menores índices de violência, para ficar em dois aspectos básicos das sociedades mais desenvolvidas. Um jornalismo de qualidade poderia contribuir para isso oferecendo conteúdos que convidassem – o ideal seria o verbo compelir – à reflexão. Para tanto, a imprensa precisaria se colocar como uma instituição aberta ao contraditório, o que justificaria seu papel de mediadora entre visões de mundo diversas ou divergentes.
O aprendizado da convivência democrática não se faz exclusivamente pela leitura de jornais ou pela audiência passiva de noticiários da televisão: ele se consolida nos relacionamentos sociais, onde são testadas as convicções e a capacidade de cada um de lidar com a diversidade de opiniões e interesses.
Nas sociedades arcaicas, onde as necessidades básicas de sobreviver e criar a prole limitavam ambições individuais, as opiniões eram harmonizadas pela figura do sacerdote. Na sociedade moderna, o sacerdote foi substituído pelos agentes da indústria cultural, que se movem basicamente pelo interesse econômico.
Alimentando radicais
Essa é uma das origens da submissão de todas as relações à questão econômica: embora pareça que a imprensa discute política, religião, futebol ou a moralidade pública, o que define cada opinião é a visão particular sobre como deve ser organizada a economia. Toda pauta jornalística é submetida a esse crivo central, e quanto mais urgente é a decisão editorial, mais reta essa linha entre o fato e a matriz ideológica que condiciona a interpretação.
Como a sociedade contemporânea projeta uma realidade mais complexa, essa visão condicionada a um eixo central se torna imprecisa e tende a distorcer a visão de mundo. Vejamos, por exemplo, como a imprensa viu o caso em que o disparo – eventualmente acidental – de um artefato naval de sinalização provocou a morte de um adolescente na cidade de Oruro, na Bolívia, durante uma partida de futebol.
Claramente, não apenas as reações dos analistas esportivos, mas os comentários de leitores e protagonistas das redes sociais formaram um conjunto assombroso de irracionalidades e radicalismos.
A imprensa em peso considerou que o ato foi premeditado. E ponto final. O fato em si ficou nas sombras – as opiniões se impuseram, impedindo qualquer reflexão mais elaborada e resultando numa condenação generalizada a todo torcedor de futebol – essa gentinha diferenciada que ulula nos estádios, diria uma senhora paulistana de Higienópolis.
O mesmo se pode observar sobre a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez: parte da imprensa e muitos leitores descambaram para o achincalhe, esquecendo as mais básicas regras da convivência social. Até mesmo a morte do cantor Alexandre Abrão, conhecido como “Chorão” – ao que tudo indica provocada pelo abuso de drogas –, acaba sendo usada nesse contexto, no blog de um jornalista, que escreveu: “Chávez vai tarde, Chorão vai cedo”.
A imprensa estimula a radicalização na sociedade brasileira, simplesmente porque não consegue lidar com as sutilezas da realidade contemporânea. O resultado é mais irracionalidade.
Quando o jornalismo resvala para o aviltamento, não há mais jornalismo.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Caros Amigos em greve!

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Bolívar seria fã

O baseball é aquele esporte em que os jogadores passam mais tempo ajustando o boné do que jogando. E o críquete consegue ser ainda mais chato. Claro, esta é a opinião de um preconceituoso assumido, que prefere a plasticidade e a ação contínua do futebol.
E, mesmo sendo jogos aborrecidos, o baseball e o críquete têm histórias curiosas, num contexto que tem menos a ver com esporte do que com política, imperialismo e os paradoxos do colonialismo cultural.
Os dois países americanos em que o baseball é mais popular, além dos Estados Unidos, são Cuba e Venezuela. Fidel foi jogador de baseball, Chávez não sei se jogou, mas era fã. Nos dois países mais anti-Estados Unidos da região, o esporte nacional é o mais típico dos esportes dos Estados Unidos.
É verdade que o gosto pelo baseball antecede os acidentes históricos que deram no antagonismo de hoje. O baseball de Cuba teve origem na ocupação do país pelos americanos no fim do século dezenove.
Sobreviveu ao fim da ocupação e, mais tarde, ao fim da influência americana, com a expulsão de Batista e a ascensão de Fidel.
O baseball cubano nunca ligou para a História. Na Venezuela não houve ocupação americana, mas houve anos de intenso colonialismo cultural numa elite e numa classe média voltadas para exemplos e hábitos americanos, parte da mentalidade desafiada pelo bolivarismo chavista. Mas a popularidade do baseball permaneceu intocada. Bolívar, presume-se, também seria fã.
O críquete e o futebol são — simplificando — os esportes da aristocracia e do proletariado inglês. Era de se esperar que em todo o “commonwealth” que restou do imperialismo britânico o críquete fosse execrado como símbolo da presença imperial e da prepotência do homem branco. Mas por toda a Ásia e a Oceania, até em lugares em que o império nunca esteve, o críquete é popular.
Seus melhores jogadores são ídolos nacionais. Suas regras e excentricidades, como partidas que duram uma tarde inteira com intervalo para o chá, são as mesmas da ex-metrópole. E os times do ex-império constantemente humilham times ingleses, e ninguém chama de vingança. Vá entender.
Luis Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 1717

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