6 de mar de 2013

O impacto da perda de Chávez para a diplomacia brasileira

É isso aí que está em jogo 
(foto LCA, na faixa do Orinoco)
Hugo Chávez nasceu da primeira revolta genuinamente popular contra o neoliberalismo na América Latina. Extraiu sua força política do Caracazo, a rebelião contra as medidas impostas pelo Fundo Monetário Internacional ao governo de Carlos Andrés Pérez, em 1989. Violentamente reprimido, deixando centenas de mortos, o Caracazo antecipou em quase 20 anos a implosão do modelo neoliberal que atingiu primeiro Wall Street e hoje derrete a zona do euro. Andrés Pérez era da AD, a Ação Democrática, um dos partidos da oligarquia que se revezavam no poder desde um acordo firmado em 1958 na cidade de Punto Fijo.
A ascensão de Chávez pôs fim simultaneamente a Punto Fijo e à influência dos Estados Unidos na política local, que tinha um aspecto mais sombrio: a Disip, serviço de inteligência venezuelano, era um braço da Central de Inteligência Americana para a desestabilização de Cuba e a manutenção de regimes pró-americanos na região. O terrorista cubano-venezuelano Luís Posada Carriles usou seus contatos na Disip para planejar a derrubada de um avião da Cubana de Aviación que matou 73 civis, em 1976.
Mais importante que isso, Hugo Chávez pôs fim ao domínio indireto que os Estados Unidos exerciam na estatal petrolífera PDVSA, que bancava a vida nababesca da elite local em Miami e gordas contas nos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos. Quando eu era correspondente da TV Manchete em Nova York, cobri o escândalo que envolveu uma funcionária brasileira do Citibank, acusada de desviar dinheiro de clientes latinoamericanos. A tarefa dela, segunda me contou em um presídio, era visitar os países da América Latina, dentre os quais a Venezuela, para conseguir clientes dispostos a depositar “com segurança” pelo menos um milhão de dólares na agência do Citibank que ficava no 666 da Quinta Avenida, em Manhattan.
[Para entender a importância do desvio da renda do petróleo para o sistema financeiro internacional leiam Poisoned Wells: The Dirty Politics of African Oil, do excelente Nicholas Shaxson]
[Clique aqui para ver uma série que eu, Azenha, gravei na Venezuela]
Eleito pela primeira vez em 1998, Chávez só assumiu de fato o poder quando destituiu a direção da PDVSA, o que levou a um locaute empresarial entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003. A greve petrolífera desnudou o que realmente sempre esteve em jogo na Venezuela: o controle sobre as imensas reservas de petróleo.
 
Não deixa de ser irônico que a revista Time já tenha dedicado uma capa ao verdadeiro ditador venezuelano, Marcos Pérez Jímenez, que governou a Venezuela com um misto de fraudes e mão de ferro, entre 1952 e 1958: “a golden rule”, um governo dourado, elogiou a revista, se referindo a investimentos promovidos pelo ditador com o dinheiro do petróleo.
Quem dominava a indústria petrolífera venezuelana, então, era a norte-americana Standart Oil.
Tanto Jiménez quanto Chávez são de extração militar. Este último frequentemente criticado por seu bonapartismo. Não se trata, no entanto, de um fenômeno desligado da História da Venezuela. Ao contrário do Brasil e de outros países da região, a Venezuela viveu uma guerra de independência devastadora e a reorganização do país se deu em torno da instituição que melhor resistiu à destruição: o exército.
Hugo Chávez abriu caminho, na América Latina, para o funeral da ALCA — a aliança comercial que os Estados Unidos pretendiam impor à região –, e o poder imperial do FMI com seu Consenso de Washington.
Os ventos que ele ajudou a soprar varreram do mapa latinoamericano desde a base aérea de Manta, controlada pelos Estados Unidos na costa do Equador, até Gonzalo Sánchez de Lozada, o Goni, boliviano que falava espanhol com sotaque gringo e infelicitou a Bolívia antes de ser botado para correr por uma rebelião popular contra reformas inspiradas… pelo FMI.
Chávez deixa mais que um legado de avanço social para milhões de venezuelanos, antes excluídos e fisicamente isolados nos morros que cercam Caracas: deixa um país extremamente politizado e uma mídia tão diversa que é um prazer sentar num quarto de hotel de Caracas e sintonizar as diferentes emissoras privadas ou estatais. As opiniões recolhidas ali formam um mosaico de um país polarizado mas que discute aberta e francamente seu destino político, muito longe do consenso bovino expresso de forma monocórdica pela mídia brasileira.
Finalmente, Chávez representa uma grande perda para a diplomacia brasileira. Era o biombo ideológico atrás do qual o Itamaraty operava o projeto que serve de formas múltiplas à economia, à soberania, à diplomacia e à segurança do Brasil. A adesão da Venezuela ao Mercosul levou o Brasil ao Caribe. Fortaleceu um projeto que poderíamos chamar de a América Latina para os latinoamericanos. E reduziu substancialmente a capacidade históricamente demonstrada dos Estados Unidos — nos golpes e intervenções militares, do Chile ao Panamá, do Brasil à Nicarágua, de Cuba à Venezuela — de usar a região, como fez desde a Doutrina Monroe, como um quintal para a Standart Oil, a United Fruit, a IT&T e suas equivalentes.
Abaixo, um vídeo sobre terrorismo Made in USA (siga o link do You Tube para as outras partes):
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Maduro está o fruto na terra que as Chaves abriram

 
As palavras me fascinam. A semântica, a semiologia, Lacan...
Para que servem chaves? Abrem portas, abrem caminhos, abrem oportunidades, abrem caixas de conteúdos que seriam inacessíveis sem elas, tornam públicos segredos...
E com a abertura um mundo novo se descortina. Um mundo ainda por fazer,por crescer fértil, próspero, a dar frutos.
Mas estes frutos para serem generosos precisam estar maduros.
Há tempo de abrir a terra para semear e há o tempo dos frutos amadurecerem.
Chavez e Maduro. Arquétipos.
É assim que os vejo.
Assim que vejo a Venezuela no luto de hoje.
A vida que segue.
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Lula vai a Caracas para velório de Hugo Chávez

Lula e Chávez em Recife, em 2008 (Foto: AFP)
Lula e Chávez em Recife, em 2008 (Foto: AFP)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá à Venezuela para participar do velório do presidente Hugo Chávez, que morreu na última terça-feira (5), vítima de um câncer na região pélvica. Lula viaja a Caracas nesta quinta-feira (7), acompanhado de assessores, e permanece na capital venezuelana até a sexta-feira (8), quando acontece a solenidade em homenagem a Chávez.
A presidente Dilma Rousseff também embarca nesta quinta-feira para a Venezuela e estende a agenda até a sexta-feira para acompanhar o funeral do presidente venezuelano.
O ex-presidente brasileiro era bastante próximo de Chávez e, na própria terça-feira (5), emitiu uma nota na qual afirmava ter "muito orgulho de ter convivido e trabalhado com ele pela integração da América Latina e por um mundo mais justo".
"Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela", completou Lula no texto.
Marina Dias
No Terra Magazine
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Charge online - Bessinha - # 1714

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Transmisión en directo desde Venezuela

El pueblo llora a Chávez
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Chávez no Roda Viva de 30 de setembro de 2005

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Declaración del Gobierno de Cuba

Cuba guardará eterna lealtad a la memoria y al legado del Comandante Presidente Chávez

Feliz junto a su pueblo, así lo recordaremos. Foto: AFP
Feliz junto a su pueblo, así lo recordaremos. Foto: AFP
HASTA SIEMPRE, COMANDANTE
Con hondo y lacerante dolor, nuestro pueblo y el Gobierno Revolucionario han conocido del deceso del Presidente Hugo Rafael Chávez Frías y se aprestan a rendirle sentido y patriótico homenaje en su entrada en la Historia como Prócer de Nuestra América.
Expresamos sinceras condolencias a sus padres, hermanos, hijas e hijo y a todos sus familiares que ya son nuestros, como Chávez es también hijo de Cuba y de la América Latina y el Caribe, y del mundo.
En este momento de profunda tristeza, compartimos los más entrañables sentimientos de solidaridad con el hermano pueblo venezolano al que acompañaremos en todas las circunstancias.
La Revolución Bolivariana tendrá nuestro resuelto e irrestricto apoyo en estas difíciles jornadas.
A nuestros compañeros de la Dirección Político-Militar bolivariana y del Gobierno venezolano reiteramos nuestro respaldo, aliento y fe en la victoria.
El Presidente Chávez ha protagonizado una extraordinaria batalla a lo largo de su joven y fecunda vida. Lo recordaremos siempre como militar patriota al servicio de Venezuela y de la Patria Grande; como honesto, lúcido, osado y valiente luchador revolucionario; como líder y comandante supremo que reencarnó a Bolívar para hacer lo que él no pudo terminar; fundador de la Alianza Bolivariana Para los Pueblos de Nuestra América y de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños.
Su heroica y denodada lucha contra la muerte es un insuperable ejemplo de firmeza. La admirable entrega de sus médicos y enfermeras ha sido una proeza de humanismo y consagración.
El regreso del Presidente a la Patria venezolana, que tanto quiso, cambió la historia. “Tenemos Patria”, exclamó Chávez con emoción el pasado 8 de diciembre, y regresó a ella para afrontar los mayores riesgos que imponía la enfermedad. Nada ni nadie podrá arrebatar al pueblo venezolano la Patria rescatada.
Toda la obra de Chávez aparece invicta ante nosotros. Las conquistas del pueblo revolucionario que lo salvó del golpe de abril del 2002 y lo ha seguido sin vacilación, son ya irreversibles.
El pueblo cubano lo siente como uno de sus más destacados hijos y lo ha admirado, seguido y querido como propio. ¡Chávez es también cubano! Sintió en su carne nuestras dificultades y problemas e hizo cuanto pudo, con extraordinaria generosidad, especialmente en los años más duros del Período Especial. Acompañó a Fidel como un hijo verdadero y su amistad con Raúl fue entrañable.
Brilló en las batallas internacionales frente al imperialismo, siempre en defensa de los pobres, de los trabajadores, de nuestros pueblos. Enardecido, persuasivo, elocuente, ingenioso y emocionante, habló desde las entrañas de los pueblos, cantó nuestras alegrías, y declamó nuestros versos apasionados con perenne optimismo.
Las decenas de miles de cubanos que laboran en Venezuela le rendirán homenaje con el ferviente cumplimiento del deber internacionalista y seguirán acompañando con honor y altruismo la epopeya del pueblo bolivariano.
Cuba guardará eterna lealtad a la memoria y al legado del Comandante Presidente Chávez y persistirá en sus ideales de unidad de las fuerzas revolucionarias y de integración e independencia de Nuestra América.
Su ejemplo nos conducirá en las próximas batallas.
¡Hasta la victoria siempre!
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O fim do chavismo?

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O segredo mantido pelo presidente Hugo Chávez sobre a natureza exata de sua doença sempre sugeriu que se tratava de um câncer de mau prognóstico. O anúncio da recaída e da quarta cirurgia em 18 meses indica que a esperança de um milagre não se realizou. A última operação foi bem-sucedida segundo os boletins oficiais e os cubanos certamente se empenharam pelo homem que tirou Cuba do isolamento e da crise a sufocá-la desde o colapso da União Soviética. A medicina tem limites e a recuperação seria “complexa, difícil e delicada”, admitiu seu vice e chanceler Nicolás Maduro.
Antes de partir para Havana, o líder bolivariano admitiu pela primeira vez que podederia ocorrer algo para “inabilitá-lo de alguma maneira” e pediu que nesse caso o povo venezuelano eleja Maduro.
Chávez, por fim, admite sua mortalidade.
Mas isso não significa necessariamente o
fim do Chavismo
Foto: Leo Ramirez/AFP
A notícia da recaída atropelou a campanha para as eleições dos governos e assembleias estaduais em 16 de dezembro. Depois da reeleição do presidente, o desfecho da disputa pelo governo do estado de Miranda, entre o ex-candidato presidencial da oposição Henrique Capriles e o ex-ministro e ex-vice chavista Elías Jaua, deveria ser o fato político mais importante, pois definiria se Capriles terá fôlego para liderar a oposição nos próximos seis anos. Agora, isso passou a segundo plano. Mais importante, para os analistas, -será sentir nas ruas e nas urnas se a doença do líder levou desânimo a seus eleitores e militantes ou os mostra dispostos a construir um chavismo sem Chávez.
Apesar das esperanças declaradas da oposição venezuelana e das direitas latino-americanas e estadunidenses, o falecimento de Chávez não significa a morte do chavismo. O varguismo permaneceu no poder por uma década após o suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e foi a principal referência da oposição até ser superado pelo PT em 1989. E o peronismo manda na Argentina de hoje, quase quatro décadas após a morte de Juan Perón em 1974.
Chávez já governou a Venezuela por quase 14 anos, pouco menos que a duração da primeira era Vargas (1930-1945) e bem mais que a soma dos dois governos de Perón (1946-1955 e 1973-1974), com a diferença de ter sido sempre escolhido em eleições livres e sem fraudes (com forte ajuda da máquina estatal, sim, mas é outra questão). Tanto quanto ambos, se não mais, transformou seu país de forma a deixar sua marca por muito tempo e influenciou mais os rumos das nações vizinhas que qualquer um deles. Pode não ser mais o sucessor aparente de Fidel Castro como porta-voz das esquerdas latino-americanas (e não é impossível que o idoso cubano lhe sobreviva), mas tudo indica que seu futuro como símbolo, ao menos, parece tão assegurado quanto o de Che Guevara, Salvador Allende ou o próprio Simón Bolívar. Mas símbolo do quê, exatamente?
O mundo ouviu falar do tenente-coronel Chávez pela primeira vez em 4 de fevereiro de 1992, quando liderou um golpe fracassado contra o governo de Carlos Andrés Pérez. Para os jornalistas de fora, soou como uma quartelada latino-americana como qualquer outra, mas tanto o líder como as condições de seu país eram muito peculiares.
O primeiro governo de Pérez, em 1974-1979, cumpriu o programa - oficialmente social - democrata de seu partido Ação Democrática e foi relativamente progressista. Reatou relações com Cuba, apoiou o retorno do socialista Felipe González à Espanha após a morte de Franco, combateu os regimes de Augusto Pinochet, no Chile, e Anastasio Somoza, na Nicarágua, e ampliou políticas sociais com base no aumento da renda das exportações proporcionado pelos choques do petróleo.
Mas ao mesmo tempo reprimia as guerrilhas comunistas no interior. E o então capitão Chávez, enviado a combater os guerrilheiros do partido Bandera Roja, de linha albanesa, veio a simpatizar com sua causa, embora não aprovasse seus métodos e se indignasse com a tortura no Exército e a corrupção visível nos meios militares tanto quanto nos civis.
Segundo o próprio Chávez, sua simpatia pelas esquerdas vinha de antes. Foi inspirado em especial pelo general e líder peruano Juan Velasco Alvarado, que conheceu como cadete ao participar no Peru das comemorações dos 150 anos da Batalha de Ayacucho, na qual Antonio José de Sucre, lugar-tenente de Bolívar, conquistou a vitória final sobre os espanhóis nas Américas. A partir de 1974, Chávez leu avidamente os livros e discursos de Velasco e fez amizade com o filho do coronel e líder panamenho Omar Torrijos, outro militar que promovia o nacionalismo, a reforma agrária e o combate aos privilégios das elites. Em 1977 criou uma organização clandestina, o Exército de Libertação do Povo da Venezuela e começou a buscar contatos com a esquerda civil. Ao se tornar organização cívico-militar, veio a se chamar Movimento Bolivariano Revolucionário 200 ou MBR-200, em homenagem aos 200 anos de Simón Bolívar (nascido em 1783), herói da América Latina e especialmente de Chávez, fascinado por sua vida e pensamento desde a juventude.
Enquanto isso, a guerra entre o Irã e o Iraque, o aumento da produção petrolífera fora da Opep e os conflitos internos do cartel derrubaram o preço da mercadoria e a Venezuela, como muitos outros integrantes da Opep, enfrentou dificuldades sérias.
Em 1988, Pérez candidatou-se de novo e fez campanha atacando o FMI como “uma bomba de nêutrons que mata as pessoas, mas deixa os edifícios de pé” e os funcionários do Banco Mundial como “genocidas a serviço do totalitarismo econômico”. Mas, ao vencer e tomar posse em 2 de fevereiro, de 1989, aceitou de imediato o pacote neoliberal imposto pelos EUA e pelo FMI em troca de um empréstimo de 4,5 bilhões de dólares. Isso incluiu a retirada súbita dos subsídios aos combustíveis, com um impacto brutal nos preços dos transportes e no custo de vida.
Não foi o único latino-americano da época a eleger-se com um discurso nacionalista e popular e aderir ao Consenso de Washington após a posse. Carlos Menem, na Argentina, foi outro exemplo notório. Mas a virada de Pérez foi mais chocante, por sua história e por governar um país mais desigual, onde os desfavorecidos eram ampla maioria. A frustração popular explodiu com uma revolta sem precedentes no país, o Caracazo de 27 de fevereiro. A repressão aos saques e depredações pelo Exército e pela polícia política (a Disip) deixou mais de 2 mil mortos, a grande maioria gente pobre dos chamados cerros, as favelas da periferia de Caracas, que foi sepultada anonimamente e em segredo, em valas comuns.
O evento tornou-se um divisor de águas na história da Venezuela, tanto quanto o Bogotazo, de 1948, na Colômbia. Perderam legitimidade tanto Pérez quanto o sistema político criado pelo chamado Pacto de Punto Fijo, quando, após a queda do ditador Pérez Jiménez, os principais chefes políticos se reuniram na povoação do mesmo nome na casa de Rafael Caldera, líder do democrata-cristão COPEI e acertaram um regime de eleições livres, mas limitadas na prática à alternância de seu partido com a social-democrata ACD e de Caldera, com o banimento dos comunistas.
Foi nesse contexto que Chávez e o MBR-200 tentaram o golpe de fevereiro de 1992. Mobilizaram-se em várias cidades, mas não conseguiram capturar Pérez nem pôr sua mensagem no ar para mobilizar apoio popular. Desistiram após confrontos que deixaram 14 mortos e 130 feridos. Rendido, Chávez falou à tevê e pediu a seus partidários para desistirem “por enquanto”. Tornou-se, porém, um herói. Manifestações populares foram apoiá-lo em frente à prisão. Em novembro, fracassou outra tentativa de golpe militar por simpatizantes de Chávez na Marinha e Aeronáutica que resultou em 172 mortos, 40 dos quais em execuções extrajudiciais de civis e rebeldes rendidos.
Sucessão. Maduro saberá ser um novo Chávez?
Entretanto, Caldera rompeu com a COPEI e aliou-se à oposição de esquerda (inclusive comunistas) na chamada Convergência Nacional, isolou Pérez e o derrubou com um impeachment por corrupção em maio de 1993. Caldera foi eleito em dezembro, pôs fim a 35 anos de bipartidarismo e cumpriu a promessa de anistiar os militares golpistas. Mas a crise piorou e, em 1997, apelou ao FMI, voltou a retirar o subsídio aos combustíveis e ensaiou a privatização do petróleo, o que desencadeou novos protestos e garantiu a eleição de Chávez pelo recém-fundado Movimento V República, em 1998.
A cobertura por The Economist destacava sua promessa de reduzir o déficit público – grande à época, devido à queda do preço do petróleo a meros 9 dólares por barril, um mínimo histórico – e sugeria que, como o argentino Carlos Menem, o novo presidente venezuelano nomearia um economista “independente” como Domingo Cavallo para tranquilizar os investidores. A partir daí, a revista nunca mais deixou de errar em suas avaliações sobre Chávez, cuja derrota previu praticamente a cada ano desde 2001. Errou ainda mais o presidente da Câmara de Comércio EUA-Venezuela, Antonio Herrera: descrevia Chávez como “um pragmático flexível que abandonou slogans de campanha e colaboradores inconvenientes com a maior facilidade”.
Como indicava o nome de seu partido, Chávez não se propunha apenas a fazer um governo de centro-esquerda, muito menos usar o populismo para alavancar reformas neoliberais. Queria refundar a república e foi o que fez. Tomou posse em fevereiro. Em abril, 88% dos eleitores aprovaram em referendo a convocação de uma Constituinte, formada em 95% por seus partidários, eleitos em julho.
Em dezembro, a nova Constituição foi aprovada com 72% dos votos. Além de rebatizar o país como República Bolivariana da Venezuela, aboliu o Senado, ampliou os poderes do presidente e das Forças Armadas e criou dois novos poderes independentes além dos três tradicionais: o Eleitoral e o Cidadão. A popularidade de Chávez continuou a aumentar, -tanto -pelas obras sociais promovidas pelas Forças Armadas quanto pela recuperação dos preços do petróleo que favoreceu ao acabar com a tradição venezuelana de burlar as quotas da Opep.
Por outro lado, começou a perder aliados de primeira hora, que o acusaram de “autocrata” e a ganhar a hostilidade da classe média e da Igreja. Mesmo assim, em 2000, foi reeleito sob a nova Constituição com uma maioria ainda mais ampla. Tratou de recuperar o controle estatal do setor de petróleo (minado pela abertura do setor a transnacionais desde Pérez e pela autonomia conferida à PDVSA pelo governo Caldera ao preparar sua privatização) e estabelecer a aliança com Fidel Castro, que lhe forneceu professores, médicos e assistência técnica em troca de petróleo.
A fúria da direita desembocou no fracassado golpe de abril de 2002. Chávez foi capturado e por um dia e meio, o empresário petroquímico Pedro Carmona, presidente da federação das indústrias, agiu como ditador com apoio da mídia, de Washington e do FMI, revogou a Constituição, anunciou a ruptura com Cuba e a Opep e anunciou a privatização do petróleo. Acabou expulso pelas massas populares mobilizadas pela militância chavista e pela ameaça de bombardeio pelos militares fiéis ao presidente, que também recebeu o apoio da maioria dos governos sul-americanos. Os antichavistas não se deram por vencidos. Apostavam no desgaste do governo ante a queda do preço do petróleo por efeito da crise estadunidense e promoveram um locaute nacional e a paralisação da PDVSA de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003.
Foi um duplo erro da oposição. O golpe revelou seu perfil intolerante, truculento e elitista e a greve deu a Chávez oportunidade e apoio popular para afastar executivos e sindicalistas hostis, demitir 18 mil (metade dos funcionários) e assumir o controle total da estatal no momento em que os preços do petróleo voltavam a disparar e a economia se recuperava, proporcionando uma enorme ampliação dos programas sociais.
Além disso, a tentativa de golpe queimou as pontes entre o governo e a oposição tradicional. Até então, o -discurso chavista mantinha-se próximo daqueles do peruano Velasco e do panamenho Torrijos (embora mais democrático que ambos), identificando o “bolivarianismo” como uma terceira via nacionalista e popular entre o capitalismo e o socialismo clássico. A partir de 2004, radicalizou-se e em janeiro de 2005, no V Fórum Social Mundial, Chávez adotou a palavra de ordem marxista do “socialismo do século XXI”, proposta pelo sociólogo e professor da Unam Heinz Dieterich Steffan, e formalizou acordo com Cuba na Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba). Em 2007, transformou seu movimento no Partido Socialista Unificado Venezuelano (PSUV).
Em 2004, Chávez derrotou nas urnas, sem dificuldade, a tentativa da oposição de tirá-lo do poder por meio do mecanismo de revogação de mandato criado por sua própria Constituição e, em 2005, a oposição cometeu outro grande erro ao boicotar as eleições parlamentares para tentar deslegitimá-las. Conseguiu apenas dar uma maioria esmagadora ao chavismo e lhe possibilitar aprovar o que quisesse.
O prestígio internacional de Chávez cresceu com a eleição de seu aliado Evo Morales, na Bolívia, em 2005, e de Rafael Correa, no Equador, e Daniel Ortega, na Nicarágua no ano seguinte, que se uniram à Alba e promoveram reformas sociais e constitucionais semelhantes. A rejeição das elites acentuou então sua face mais brutal e racista. Chávez não só foi classificado como “tirano” pela mídia conservadora de todo o continente, como regularmente ameaçado de morte e ofendido como “macaco”, “gorila”, “negro” e “zambo (cafuzo) de m…” nos meios de seu país, assim como Evo foi rejeitado por ser “índio” ou “colla”.
Quanto ao desempenho econômico, a era Chávez é medíocre, mas não desastrosa. O crescimento médio do PIB, desde a sua posse é de 2,75% ao ano, melhor que o do México (2,39%), e um pouco abaixo do Brasil (3,20%), Argentina (3,58%) e Chile (3,97%). Nunca houve um programa de estabilização e a inflação segue na casa dos 20% (era 36% no último ano de Caldera), similar à da Argentina (maquiagem à parte) e acima do resto da região. Mas a melhora dos indicadores sociais é clara: a população atingida pela fome (segundo a FAO) caiu de 20%, em 2002, para 2%, em 2012 e o índice Gini de concentração de renda caiu de 48,65, em 1992, para 39,28, em 2009 (o do Brasil foi de 60,02 para 54,27).
Chávez caminhava para ser um
novo Fidel Castro
A exasperação dos conservadores atingiu o auge após a não renovação da concessão para tevê aberta da arqui-inimiga e golpista RCTV (que continua a transmitir a cabo), mas foi fútil. Apesar das periódicas dificuldades econômicas e das previsões de analistas em contrário, Chávez venceu todas as eleições desde 1998, exceto (por margem minúscula) o plebiscito de 2007 sobre a reforma socialista da Constituição. Isso foi parcialmente compensado pela vitória no plebiscito de 2009, que lhe permitiu candidatar-se ao quarto mandato em 2012 e novamente vencer, apesar da oposição do ex-golpista Capriles ao recorrer a uma estratégia mais inteligente, se comparar a Lula e aceitar o discurso social do bolivarianismo.
E o que é o bolivarianismo? Apesar da ira das direitas latino-americanas e das esperanças de parte das esquerdas, não chega a ser socialismo no sentido que Che Guevara dava à palavra. Chávez teve o apoio de um círculo minoritário de empresários, a chamada “boliburguesia” e não parece cogitar de estatização em massa ao estilo stalinista. Latifúndios foram expropriados para a reforma agrária e algumas transnacionais hostis foram nacionalizadas, mas essas medidas só se destacam contra o fundo de extremismo neoliberal que as precedeu. Em outras épocas, teriam sido reconhecidas como reformistas, como foram as de governos nacionalistas da Índia, Egito, Peru e outros países do chamado “terceiro mundo” até os anos 1970. Em nenhum momento o chavismo censurou a imprensa ou rompeu com as práticas da democracia. Acatou sem discutir a derrota da proposta de mais “socialismo”, em 2007, e o ímpeto reformista arrefeceu à espera de condições políticas mais favoráveis.
O que não dá para negar foi seu caráter personalista e supercentralizado. A teimosia de Chávez em decidir sobre praticamente tudo, não designar sucessor, romper com ex-aliados que dele discordavam e conferir poder demais a incompetentes ou corruptos que mostrem fidelidade incondicional prejudicam visivelmente sua popularidade. Nem por isso ele mudou de atitude, mesmo ao saber da gravidade de sua doença. Assinou leis e decretos no leito do hospital e, como se pensasse ser imortal e insubstituível, não cogitou de um afastamento temporário e muito menos ceder a candidatura. Até o gesto simbólico de 10 de dezembro, no qual entregou a espada de Bolívar, símbolo do poder presidencial, a Maduro.
Apesar dos defeitos, Chávez permanecerá como um rosto – talvez não o mais bem-sucedido, mas certamente o mais ruidoso e expressivo – da virada histórica da América Latina deste início do século XXI, na qual as massas populares nativas e mestiças, após cinco séculos de marginalização, começam a conquistar a inclusão econômica e o protagonismo político e as elites a ceder parte do que sempre julgaram ser seu direito de nascença. Não se trata de ideias fundamentalmente novas, mas de dar conteúdo real a uma retórica nacionalista que é moeda corrente, mas sem lastro, desde o tempo de Bolívar – o que se mostra, para os privilegiados, muito mais assustador.
Por suas origens e pela coerência, embora rude e teimosa (e nem sempre perspicaz), com os próprios ideais declarados, o venezuelano conquistou um papel simbólico que líderes mais pragmáticos e ambíguos não podem ocupar inteiramente, mesmo se governam países maiores com índices de popularidade ainda mais altos. Seus esforços de cooperação e articulação ideológica internacional contra o imperialismo ganharam uma projeção que ultrapassa o continente: as esquerdas francesas e gregas, por exemplo, admitem sua influência. Com um rosto com o qual o povo pode se identificar, desafiou as elites e as potências com uma voz que o cidadão comum pode entender e esforçou-se por cumprir suas promessas e encorajar as massas a se apossar de fato da pátria que sempre lhe disseram ser sua, sem que isso saísse da teoria. É bem possível que, como outros líderes do passado, inspire gerações – e se falhar nisso, terá sido mais pela relutância em fortalecer discípulos e sucessores com luz própria do que por quaisquer outros erros.
Antonio Luiz M. C. Costa
Reportagem publicada por CartaCapital em dezembro de 2012
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A Morte e As Mortes de Hugo Chávez

O choro emocionado dos que ficam . Foto : AFP
Desde ontem pensando em escrever sobre Hugo Chávez, mas sem cair nas obviedades, pois, para mim, a sua morte não o torna maior ou melhor, muito menos menor ou pior, ele foi o que foi, é o que é, de acordo com a apreciação que possa fazer de sua figura história. Aliás, ele já era uma figura histórica, em vida, não precisou para sê-lo. Mais ainda, erros tolos como “morre o homem, nasce o mito” é típico de quem nem conhece o homem, menos ainda sobre, mito, mitologema ou formação de heróis.
A morte é apenas uma parte do rito do homem ou do herói, seus atos são em vida, seu reconhecimento se dará em vida, não em morte. Sobre esta questão, tão ampla e complexa temos vários escritos, para um entendimento melhor sobre o que são os heróis o texto A questão do Herói – Grécia sopra sobre nós, responde melhor. Apenas para localizar, a questão particular da morte, no contexto do herói, é seu último ato, não que ele saia da vida para se tornar mito, ele já é mito, aliás, suas exéquias, são dolorida, como o descrevi no referido artigo:
“Se o herói tem um nascimento difícil e complicado; se toda a sua existência terrena é um desfile de viagens, de arrojo, de lutas, de sofrimentos, de desajustes, de incontinência e de descomedimentos, o último ato de seu drama, a morte, se constitui no ápice de seu páthos, de sua “prova” final: a morte do herói ou é traumática e violenta ou o surpreende em absoluta solidão.
A imensa maioria dos heróis morre de forma trágica, como a completar um ciclo, que desde o nascimento até seu fechamento seu feitos são dolorosos e marcantes. Uns se matam, como Ájax Telamônio, Hêmon, Antígona, Jocasta, Fedra, Egeu. A guerra, as justas e as vinganças são as grandes ceifadoras. Basta abrir a Ilíada e o final da Odisséia,que se passa a nadar num mar de sangue. Da morte de Reso, Pátroclo e Heitor até o massacre dos pretendentes, no XXII canto da Odisséia, a cruenta seara do deus Ares produziu frutos em abundância”!
Hugo Chávez é um herói de seu povo, um homem que ousou enfrentar as adversidade de seu tempo. Do meu ponto de vista, ele foi um líder nacionalista e patriota, preocupado com seu povo, em particular os mais simples e pobres, desconfio que não tivesse clareza ideológica ou formação maior marxista, tinha um sentido prático e concreto do que precisava ser feito e, fez, na medida de suas forças e de seus enfrentamentos. Chávez não refugou ou contemporizou no propósito de aproximar a riqueza imensa do seu país aos mais necessitados, transformando a dura realidade de séculos.
Interessante ler as críticas que lhe fazem, de que usou o preço do petróleo e a estatal PDVSA para ser “populista”, de usar o dinheiro para reduzir a miséria e o analfabetismo, ora, nada se diz, de quando esta mesma estatal favorecia uma rica casta de burocratas da empresa e do estado, sem jamais usar a riqueza para melhorar a situação do país. Os milionários venezuelanos, os burocratas da PDVSA e do aparelho estatal viviam parcialmente no país, eram encontrados mais comumente em Miami ou nas ilhas paradisíacas do Caribe. Esta inversão de prioridades é o maior e mais ousado legado de Chávez.
Os índices sociais da Venezuela mudaram radicalmente durante o seu mandato, se o dinheiro saiu da PDVSA e do petróleo, muito que bem, o terceiro país mais rico em petróleo no mundo não poderia viver uma situação tão contraditório, com imensas favelas em Caracas e condomínios exclusivos às custas desta mesma riqueza. É fato também que durante todos estes anos, por diversas vezes os EUA e seus aliados internos tentaram tirar à força, Chávez do poder, sem justificativa, afinal havia eleições em todo o país, foram 14 pleitos e referendos desde 1998.
Reconhecido os seus feitos, ainda sob minha ótica, penso que Chávez ou qualquer líder tem que se preocupar com a transição, de incentivar outros líderes, os homens passam, precisam entender o seu papel, não cair na tentação de ficar no governo, mesmo que seja eleitos e reeleitos, continuo a não concordar com governo em cima de um homem e de um nome. Neste momento, de sua morte, fica-se na dúvida da continuidade do seu legado, muitos acreditam que era obra pessoal, o que é desastroso, com risco de retrocesso.
Minha visão sobre Chávez é de respeito ao que se propôs, mas ao mesmo tempo de crítica de não ter preparado sua saída, da busca incessante em se manter, o que, naturalmente dá argumentos aos raivosos, de que não há democracia no país. Neste aspecto, Lula, aqui no Brasil, é referência, soube o seu limite, poderia intentar mudar a Constituição e se reeleger mais vezes, preferiu abrir a agenda para os novos nomes, para o amadurecimento de um processo coletivo, não individual.
As mortes de Chávez, foram tantas, as desejadas e torcidas organizadas na mídia brasileira e mundial, o mataram tantas vezes e tantas vezes renasceu, neste particular, a cobertura odiosa da Veja, tem um mérito, foram boçais, mas coerentes com seus ódios. Passo os olhos nos diversos jornais, uma falsa ideia de equilíbrio, quando lhe devotaram o mesmo ódio daquela “revistinha” canalha, mas a morte parece ter o dom de suavizar, ou um certo remorso de falar o que se pensa. Assim como do outro lado, um oco endeusamento, que não contribui para um balanço justo e franco com aquele que partiu.
Foi embora um grande personagem, com acertos e defeitos, mas um homem do seu tempo, viveu longamente sua breve história, pois morre ao 58 anos, o que hoje é pouco, mas agora é cuidar para que seu legado e luta não tenha sido em vão. Para frente Venezuela, para frente com sua rebeldia e força. Simón Bolívar e Chávez, presentes.
No Política, Economia e Cultura
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O porquê do ódio a Chávez

Ele cumpriu a promessa de governar para as maiorias e mostrou que História não tinha terminado. Por isso (não por seus erros) oligarquias o detestam…
Hugo Chávez é, sem dúvida, o chefe de Estado mais difamado no mundo. Com a aproximação das eleições presidenciais de 7 de outubro, essas difamações tornam-se cada vez mais infames, em muitos países. Testemunham o desespero dos adversários da revolução bolivariana frente à perspectiva (que as pesquisas parecem confirmar) de uma nova vitória eleitoral de Chávez.
Um líder político deve ser valorizado por seus atos, não por rumores veiculados contra ele. Os candidatos fazem promessas para ser eleitos: poucos são aqueles que, uma vez no poder, cumprem tais promessas. Desde o início, a proposta eleitoral de Chávez foi muito clara: trabalhar em benefício dos pobres, ou seja – naquele momento – a maioria dos venezuelanos. E cumpriu sua palavra.
Por isso, este é o momento de recordar o que está verdadeiramente em jogo nesta eleição, agora que o povo venezuelano é convocado a votar. A Venezuela é um país muito rico, pelos fabulosos tesouros de seu subsolo, em particular o petróleo. Mas quase toda essa riqueza estava nas mãos da elite política e das empresas transnacionais. Até 1999, o povo só recebia migalhas. Os governos que se alternavam, social-democratas ou democrata-cristãos, corruptos e submetidos aos mercados, privatizavam indiscriminadamente. Mais da metade dos venezuelanos vivia abaixo da linha de pobreza (70,8% em 1996).
Chávez fez a vontade política prevalecer. Domesticou os mercados, deteve a ofensiva neoliberal e posteriormente, graças ao envolvimento popular, fez o Estado se reapropriar dos setores estratégicos da economia. Recuperou a soberania nacional. E com ela, avançou na redistribuição da riqueza, a favor dos serviços públicos e dos esquecidos. Políticas sociais, investimento público, nacionalizações, reforma agrária, quase pleno-emprego, salário mínimo, imperativos ecológicos, acesso à moradia, direito à saúde, à educação, à aposentadoria… Chávez também se dedicou à construção de um Estado moderno. Colocou em marcha uma ambiciosa política de planejamento do uso do território: estradas, ferrovias, portos, represas, gasodutos, oleodutos.
Na política externa, apostou na integração latino-americana e privilegiou os eixos sul-sul, ao mesmo tempo que impunha aos Estados Unidos uma relação baseada no respeito mútuo… O impulso da Venezuela desencadeou uma verdadeira onda de revoluções progressistas na América Latina, convertendo este continente em um exemplo de resistência das esquerdas frente aos estragos causados pelo neoliberalismo.
Tal furacão de mudanças inverteu as estruturas tradicionais do poder e trouxe a refundação de uma sociedade que até então havia sido hierárquica, vertical e elitista. Isso só podia desencadear o ódio das classes dominantes, convencidas de serem donas legítimas do país. São essas classes burguesas que, com seus amigos protetores e Washington, vivem financiando as grandes campanhas de difamação contra Chávez. Até chegaram a organizar – junto com os grandes meios de comunicação lhes que pertencem – um golpe de Estado, em 11 de abril de 2002.
Estas campanhas continuam hoje em dia e certos setores políticos e midiáticos encarregam-se de fazer coro com elas. Assumindo – lamentavelmente – a repetição de pontos de vista como se demonstrasse que estão corretos, as mentes simples acabam acreditando que Hugo Chávez estaria implantando um “regime ditatorial no qual não há liberdade de expressão”.
Mas os fatos são teimosos. Alguém viu um “regime ditatorial” estender os limites da democracia em vez de restringi-los? E conceder o direito de voto a milhões de pessoas até então excluídas? As eleições na Venezuela só aconteciam a cada quatro anos, Chávez organizou mais de uma por ano (catorze, em treze anos), em condições de legalidade democrática, reconhecidas pela ONU, pela União Europeia, pela OEA, pelo Centro Carter, etc. Chávez demonstrou que é possível construir o socialismo em liberdade e democracia. E ainda converte esse caráter democrático em uma condição para o processo de transformação social. Chávez provou seu respeito à vontade do povo, abandonando uma reforma constitucional rejeitada pelos eleitores em um referendo em 2007. Não é por acaso que a Fundação para o Avanço Democrático [Foundation for Democratic Advancement] (FDA), do Canadá, em um estudo publicado em 2011, colocou a Venezuela em primeiro lugar na lista dos países que respeitam a justiça eleitoral.
O governo de Hugo Chávez dedica 43,2% do orçamento a políticas sociais. Resultado: a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade. O analfabetismo foi erradicado. O número de professores, multiplicado por cinco (de 65 mil a 350 mil). O país apresenta o maior corficiente de Gini (que mede a desigualdade) da América Latina. Em um informe em janeiro de 2012, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal, uma agência da ONU) estabelece que a Venezuela é o país sulamericano que alcançou (junto com o Equador), entre 1996 e 2010, a maior redução da taxa de pobreza. Finalmente, o instituto estadunidense de pesquisa Gallup coloca o país de Hugo Chávez como a sexta nação “mais feliz do mundo”.
O mais escandaloso, na atual campanha difamatória, é a pretenção de que a liberdade de expressão esteja restrita na Venezuela. A verdade é que o setor privado, contrário a Chávez, controla amplamente os meios de comunicação. Qualquer um pode comprovar isso. De 111 canais de televisão, 61 são privados, 37 comunitários e 13 públicos. Com a particularidade de que a parte da audiência dos canais públicos não passa de 5,4%, enquanto a dos canais privados supera 61%… O mesmo cenário repete-se nos meios radiofônicos. E 80% da imprensa escrita está nas mãos da oposição, sendo que os jornais diários mais influentes – El Universal e El Nacional – são abertamente contrários ao governo.
Nada é perfeito, naturalmente, na Venezuela bolivariana – e onde existe um regime perfeito? Mas nada justifica essas campanhas de mentiras e ódio. A nova Venezuela é a ponta da lança da onda democrática que, na América Latina, varreu os regimes oligárquicos de nove países, logo depois da queda do Muro de Berlim, quando alguns previram o “fim da história” e o “choque de civilizações” como únicos horizontes para a humanidade.
La Venezuela bolivariana es una fuente de inspiración de la que nos nutrimos, sin ceguera, sin inocencia. Con el orgullo, sin embargo, de estar del buen lado de la barricada y de reservar los golpes para el malévolo imperio de Estados Unidos, sus tan estrechamente protegidas vitrinas del Cercano Oriente y dondequiera reinen el dinero y los privilegios. ¿Por qué Chávez despierta tanto resentimiento en sus adversarios? Indudablemente porque, tal como lo hizo Bolívar, ha sabido emancipar a su pueblo de la resignación. Y abrirle el apetito por lo imposible.
A Venezuela bolivariana é uma fonte de inspiração da qual nos nutrimos, sem fechar os olhos e sem inocência. Com orgulho, no entanto, de estar do lado bom da barricada e de rerservar nossos ataques ao poder imperial dos Estados Unidos, seus aliados do Oriente Médio, tão firmemente protegidos, e qualquer situação onde reinem o dinheiro e os privilégios. Por que chávez desperta tanto rancor em seus adversários? Sem dúvida, porque, assim como fez Bolívar, soube emancipar seu povo da resignação. E abrir o apetite pelo impossível.
Ignacio Ramonet e Jean-Luc Melenchon | Tradução: Daniela Frabasile
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Slavoj Žižek sobre Hugo Chávez


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“Todos amam as favelas e os marginalizados, mas poucos querem vê-los mobilizados politicamente. Hugo Chávez entendia isso, agiu nesse sentido desde o começo e, por este motivo, deve ser lembrado.”
Slavoj Žižek, direto de Porto Alegre, onde acontece a primeira conferência do filósofo esloveno no Brasil.
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Assim falou Chávez


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Venezuela enaltece espíritu de Chávez con múltiples expresiones de amor


 

Una caravana que recorrerá las principales avenidas de Caracas, vigilias en las plazas Bolívar de todos los municipios del país, honores militares con cañonazos de salva, un desfile honorífico por el monumento de Los Próceres (Caracas), una Capilla Ardiente y la visita de presidentes de la región; son algunas de las expresiones de amor que Venezuela y el mundo ofrecerán al líder de la Revolución Bolivariana, Comandante Hugo Chávez, para enaltecer su espíritu patrio.
Los restos del Dignatario se encuentran en el Hospital Militar “Dr. Carlos Arvelo” de la capital, donde falleció en horas de la tarde de este martes, y el Gobierno Bolivariano decretó siete días de duelo nacional y la instalación de una Capilla Ardiente durante los próximos tres días, hasta el viernes, para que el pueblo pueda despedirse de su líder.
El cuerpo del Comandante será trasladado a partir de las 10.00 horas locales (14.30 GMT), de este miércoles, hasta la sede de la Academia Militar, ubicada dentro del complejo Fuerte Tiuna; en una caravana que será acompañada por miles de venezolanos.
El cortejo recorrerá algunas de las principales vías de Caracas, partiendo del nosocomio y dirigiéndose por la avenida San Martín, sector El Silencio, las avenidas Lecuna, Fuerzas Armadas y Nueva Granada, pasando por el terminal La Bandera, el Paseo Los Próceres y finalmente la Academia Militar.
Asimismo, el canciller Elías Jaua adelantó que, al momento de su llegada al recinto militar, se realizará un desfile honorífico por el monumento de Los Próceres, pasaje predilecto del Mandatario para presidir sus acostumbrados desfiles cívico-militares, en fechas importantes e históricas para la nación.
Previo a este recorrido, específicamente a las 08H00 (12.30 GMT), todas las unidades de artillería y navales de la Fuerza Armada Nacional Bolivariana, en todo el territorio nacional, sonarán 21 cañonazos de salva, en honor a su Comandante en Jefe.
El ministro de Defensa, Diego Molero, añadió que tras estos honores militares “que lo llenaban (a Chávez) de fortaleza y de vida por la Patria", cada hora sonará un cañonazo, hasta el momento de su sepultura.
Capilla Ardiente
Por su parte, el vicepresidente Nicolás Maduro invitó a todo el pueblo de Bolívar a concentrarse durante los próximos días en las plazas Bolívar de cada municipio y mantenerse en vigilia permanente, no sólo para recordar y homenajear a Chávez, sino también para estar atentos frente a cualquier intento de alteración del orden público.
El canciller Jaua también confirmó que las exequias oficiales se extenderán durante los días miércoles, jueves y viernes, en Capilla Ardiente, abierta en el salón de Honor de la Academia Militar para todos los venezolanos.
“Vamos a desarrollar la logística para que el mayor número de venezolanos puedan ver a su padre, a su libertador y a su protector”, enfatizó.
Respecto a la visita de distintos líderes latinoamericanos, el Ejecutivo tiene previsto realizar el día viernes, a las 10H00 (14.30 GMT), la ceremonia oficial de Estado, a la cual están invitados los Jefes de Estado, Presidentes y representantes de naciones que tengan a bien visitar el país para despedir al Comandante.
Solidaridad internacional
De momento, los presidentes de Uruguay, José Mujica, de Argentina, Cristina Fernández, y de Bolivia, Evo Morales; ya arribaron al país. Sin embargo, el Canciller anunció que esperan en las próximas horas la llegada de al menos otros 10 presidentes latinoamericanos, que ya confirmaron su asistencia.
Adicionalmente, se espera la visita de jefes de Gobierno de Estados parte de organismos impulsados y creados bajo el ala y con la visión de Hugo Chávez: la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA), Petrocaribe, la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) y la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC).
Durante estos días, el llamado de la Revolución Bolivariana es colmar las calles de Venezuela con muestras de amor, cánticos de esperanza en su nombre y en defensa del proceso revolucionario, para desde este mismo miércoles continuar sin descanso el legado que dejó Chávez, para mantenerlo vivo en todos los corazones.
El presidente de Ecuador, Rafael Correa, se solidarizó con el pueblo bolivariano tras enterarse de la muerte de su amigo y consideró propicia la ocasión para recordar unas líneas del reconocido cantautor venezolano Alí Primera, en su canción “Los que mueren por la vida”.
“Los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos. Y Hugo Chávez murió por la vida, por la vida de su Venezuela adorada, de la patria grande, de un planeta más justo y mas humano”, puntualizó.
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Chávez: frases para la historia


Cuando asumió el cargo, en 1999
- Juro delante de Dios, juro delante de la patria, juro delante de mi pueblo, sobre esta constitución moribunda, que impulsaré las transformaciones democráticas que sean necesarias.


Al expresidente de EE UU George Bush
- (En las Naciones Unidas en 2006) Ayer estuvo aquí el diablo. En este mismo lugar, huele a azufre todavía.


- Si algún día se te va a ocurrir la locura de invadir Venezuela, te espero en esta sabana, Mr. Danger. Cobarde, asesino, genocida... Eres un alcohólico, eres un borracho, eres un inmoral. Eres de lo peor... un hombre enfermo psicológicamente. (...) Eres un burro, Mr. Danger.


Sobre Israel, en 2006

- Israel critica mucho a Hitler, pero ellos han hecho algo parecido, incluso peor que lo que hicieron los nazis.

Sobre la "revolución bolivariana"
- El 28 de julio de 2012, en su 58 cumpleaños: "El hombre del futuro se llama Chávez, porque además Chávez ya no soy yo, Chávez somos todos (...) Chávez es Miranda, es Venezuela, ya no soy yo".


Al entonces primer ministro británico Tony Blair, en 2006
- No sea sinvergüenza, no sea inmoral... ¡Váyase largo al cipote, señor Blair!


En una cumbre de Naciones Unidas, en 2006

- Creo que sufrimos impotencia política. Necesitamos Viagra política.

Sobre Estados Unidos, en 2009

- Lamentablemente Obama no tiene el poder para frenar la máquina imperial. La máquina imperial va a seguir avanzando ... algún día caerá, el tiempo ... como dice el dicho 'a cada cochino le llega su sábado' ... a cada imperio le llega su sábado.

Sobre España, en 2007
- Durante la XVIII Cumbre Iberoamericana celebrada en Santiago de Chile: Chávez llamó "fascista" al expresidente español José María Aznar, a lo que el rey Juan Carlos I respondió con la que se convirtió en frase más famosa de la reunión: "¿Por qué no te callas?". El día anterior, Chávez advertía con una canción mexicana: "No soy monedita de oro pa' caerle bien a todos".


Amenaza a Coca-cola, en 2011
- Y si la coca cola no quiere cumplir con la constitución y las leyes, bueno, ¡uno puede vivir sin Coca-Cola!


Al líder opositor Henrique Capriles, en 2012
- Una de mis tareas, majunche, perdón señor majunche, va a ser (...) quitarte la máscara, majunche, porque por más que te disfraces, tienes rabo de cochino, orejas de cochino, roncas como un cochino, entonces eres cochino.
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¡Gloria al bravo Chávez!


Custa muito assimilar a dolorosa notícia do falecimento de Hugo Chávez Frías. Impossível não maldizer o infortúnio que priva Nossa América de um dos poucos “imprescindíveis”, no dizer de Bertolt Brecht, na luta ainda em curso por nossa segunda e definitiva independência.
A historia dará seu veredicto sobre a tarefa que Chávez cumpriu, e não se duvida de que será veredicto muito positivo. À parte qualquer discussão que se possa travar legitimamente no interior do campo antiimperialista – nem sempre suficientemente sábio para distinguir com clareza entre amigos e inimigos –, é preciso começar por reconhecer que o líder bolivariano virou uma página da história da Venezuela e, por que não?, também da história da América Latina.
A partir de hoje se falará de uma Venezuela e de uma América Latina antes e de outras depois, de Chávez, e não seria temerário conjecturar que as mudanças que impulsionou e que protagonizou como bem poucos em nossa história levam a marca da irreversibilidade. Os resultados das recentes eleições na Venezuela – reflexo da maturidade da consciência política de um povo – dão base a esse prognóstico. Talvez haja regressões na trilha das nacionalizações e se privatizem empresas públicas, mas é infinitamente mais difícil conseguir que um povo que afinal conheceu a própria liberdade e a própria potência, volte atrás e se deixe outra vez submeter.
Em sua dimensão continental, Chávez foi o protagonista na derrota que o continente impusemos ao mais ambicioso projeto do Império para a América Latina: a ALCA. Bastaria isso para instalá-lo na galeria dos grandes de Nuestra América. Mas fez muito mais.
Líder popular, representante genuíno de seu povo, com o qual se comunicava como nenhum governante antes dele soubera fazer, sentia desde jovem o mais visceral repúdio pela oligarquia e o imperialismo. Esse sentimento evoluiu até tomar a forma de projeto racional: o socialismo bolivariano, socialismo do século 21.
Chávez foi quem, em plena noite neoliberal, reinstalou no debate público latinoamericano – e, em grande medida, também no debate internacional – a atualidade do socialismo. Mais que isso, a necesidade do socialismo como única alternativa real, não ilusória, ante o inexorável desmonte do capitalismo, denunciando as falácias das políticas que procuram solucionar sua crise integral e sistêmica preservando os parâmetros fundamentais de uma ordem econômico-social historicamente já desencaminhada.
Como recordávamos acima, foi Chávez, também, o comandante-em-campo que impôs ao imperialismo a histórica derrota da ALCA em Mar del Plata, em novembro de 2005. Se Fidel foi o general estrategista dessa longa batalha, aquela vitória teria sido impossível sem o protagonismo do Chávez bolivariano, cuja eloquência persuasiva precipitou a adesão do anfitrião da Cúpula de Presidentes das Américas, Néstor Kirchner; de Luiz Inacio “Lula” da Silva; e da maioria dos chefes de Estado ali presentes e, de início, pouco propensos – quando não abertamente contrários – a desagradar o imperador bem ali, nas barbas dele.
Quem, senão Chávez, teria podido virar aquela mesa?
O instinto de sobrevivência dos imperialistas explica a implacável campanha que Washington lançara contra seu governo, desde antes do primeiro dia. Cruzada que, ratificando uma deplorável constante histórica, contou com a colaboração do infantilismo ultraesquerdista que, dentro e fora da Venezuela, pôs-se objetivamente a serviço do Império e da reação.
Por isso, a morte de Chávez deixa um vazio difícil, senão impossível, de preencher. Àquela excepcional estatura como líder de massas unia-se a clareza de visão de que, como poucos, sobre decifrar e agir inteligentemente na complexa trama geopolítica do Império que visa a perpetuar a subordinação da América Latina.
Àquela trama só se poderia dar combate se se fortalecesse – alinhado às ideias de Bolívar, San Martín, Artigas, Alfaro, Morazán, Martí e, mais recentemente, de Che e de Fidel – a união dos povos da América Latina e Caribe.
Força livre da natureza, Chávez “reformatou” a agenda dos governos, partidos e movimentos sociais da região, com uma interminável torrente de iniciativas e de propostas integracionistas: da ALBA à Telesur; da Petrocaribe ao Banco do Sul; da UNASUR e do Conselho Sulamericano de Defesa à CELAC. Iniciativas, todas essas, que têm um mesmo indelével código genético: o fervente, firme, jamais vacilante anti-imperialismo de Chávez.
Chávez já não estará entre nós, irradiando essa transbordante cordialidade; o rico, fulminante senso de humor que desarmava os arranjos de protocolo; sua generosidade, o altruísmo que o faziam tão querido. Martiano até a medula, sabia que, como disse o Apóstolo cubano, nenhum homem sem leitura será jamais livre. Foi homem de curiosidade intelectual sem limites.
Em tempos em que praticamente nenhum chefe de Estado lê coisa alguma – o que leriam os seus detratores, Bush, Aznar, Berlusconi, Menem, Fox, Fujimori? – Chávez foi o leitor com que todos os autores sonham para seus livros. Lia muito, apesar das pesadas obrigações e responsabilidades de governo. E lia com paixão, tendo sempre a mão lápis, canetas, marcadores de texto de várias cores, com que ia marcando e anotava as passagens que o interessavam, as melhores frases, os argumentos de mais peso, de tudo que lia.
Esse homem extraordinário, que me honrou com sua amizade, está morto.
Deixou-nos um legado imenso, inapagável, e os povos de Nuestra América, inspirados por seu exemplo continuarão a andar pela trilha que leva à nossa segunda e definitiva independência.
Acontecerá com ele o que aconteceu ao Che: a morte, em vez de apagá-los da cena política, agigantará sua presença e sua gravitação nas lutas de nossos povos e de nosso tempo. Por um desses paradoxos que a história reserva só aos grandes, a morte o converte em personagem imortal. Parafraseando o hino nacional venezuelano:
¡Gloria al bravo Chávez!
¡Hasta la victoria, siempre, Comandante!
Atilio A. Boron
No DemocraciaYa
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