5 de mar de 2013

Alguma dúvida, companheiro?

Em seu discurso de posse (1/2/2013), o novo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não deixa dúvida de que considera inadmissível qualquer alteração no status quo legal das comunicações (ver, “Carta aberta ao senador Renan Calheiros“).
Três dias depois, na tradicional “Mensagem” enviada ao Congresso Nacional por ocasião da abertura do ano legislativo (4/2/2013) – a terceira de seu governo –, a presidenta da República, Dilma Rousseff, não faz qualquer menção a um marco regulatório para o setor.
Duas semanas se passam e o secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cesar Alvarez, na abertura do Seminário Política de (Tele) comunicações, em Brasília (20/2/2013), disse com todas as letras que neste governo não se colocará em consulta pública uma proposta de marco regulatório (ver “Minicom descarta novo marco legal das comunicações neste governo“ e “Governo decide não enviar proposta sobre mídia eletrônica“).
Para “fechar o círculo”, o próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, declarou em Barcelona, Espanha (26/2/2013), que a regulamentação das comunicações só poderá ser discutida quando estiver “madura” e que admitia não ser esta uma prioridade do governo.
Quase simultaneamente foi assinado o Decreto 7.921, de 15 de fevereiro, que atende demanda das operadoras de telecomunicações: suspende a contribuição de PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre máquinas, equipamentos e materiais de construção de obras civis de projetos envolvidos no Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações (Repnbl-Redes). Estima-se que essas isenções alcancem o valor total de 60 bilhões de reais.
E no dia 18 de fevereiro, o informativo Televiva, apoiado em números divulgados pela Ancine, calculou que as programadoras internacionais que operam na TV paga remeteram ao exterior um total de R$ 1,317 bilhão em 2012, contra R$ 1,085 bilhão em 2011 e R$ 857 milhões, em 2010. Registre-se que esses valores não representam o lucro dos canais, de vez que “muitos dos custos são pagos diretamente no exterior e há recursos que não são remetidos. O valor também não inclui a receita das joint-ventures internacionais que têm sede no Brasil, como o Telecine” (cf. “Canais internacionais remeteram R$ 1,311 bilhão ao exterior em 2012“).
Nada mal, não é?
Pode haver alguma dúvida sobre qual é a posição do governo?
Existe outro lado da moeda?
Diante de tais afirmações e ações, os não-atores – setores organizados da sociedade civil representados pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) – distribuíram nota pública com o título “Governo Federal rompe compromisso com a sociedade no tema da comunicação“. Prometem, todavia, prosseguir na elaboração do que deverá se transformar em projeto de lei de iniciativa popular de marco regulatório que, após debate público, será encaminhado ao Congresso Nacional.
Paralelamente, o presidente nacional do PT, partido da presidenta da República, deputado Rui Falcão (SP), em artigo publicado no dia 15 de fevereiro na Folha de S.Paulo, afirmou:
“Vamos também manter nossa luta pela ampliação da liberdade de expressão, focando principalmente na regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto”.
O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do mesmo PT, ao participar das comemorações de 30 anos de fundação da CUT, em São Paulo (27/2), questionou:
“Por que a gente não organiza o nosso espaço? Por que a gente não começa a organizar a nossa mídia?”
No dia seguinte (28/2), em longa entrevista divulgada no site do PT, o presidente Rui Falcão reiterou que “o que nós queremos do alargamento da liberdade de expressão no Brasil é justamente regulamentar o que está previsto na Constituição Federal de 1988”.
Respondendo especificamente sobre as declarações do secretário executivo do MiniCom e a nota púbica do FNDC, Rui Falcão afirmou:
“Acho que é um direito dessas entidades e a crítica quando ela é feita politicamente, não em termos rasteiros ou pessoais, ela ajuda avançar, ela corrige erros, ela retifica caminhos. Acho que o FNDC está no seu direito. Ela esperava outro ritmo, não ocorreu. O governo deve ter suas razões, mas nós como partido... 
Como partido vai resgatar essa bandeira? 
“Rui Falcão – Isso.”
E, por fim, o Diretório Nacional do PT, reunido em Fortaleza, divulgou na sexta-feira (1/3) uma resolução inédita que “decide”:
“I. Conclamar o governo a reconsiderar a atitude do Ministério das Comunicações, dando início à reforma do marco regulatório das comunicações, bem como a abrir diálogo com os movimentos sociais e grupos da sociedade civil que lutam para democratizar as mídias no país;
“II. No mesmo sentido, conclamar o governo a rever o pacote de isenções concedido às empresas de telecomunicações, a reiniciar o processo de recuperação da Telebrás; e a manter a neutralidade da Internet (igualdade de acesso, ameaçada por grandes interesses comerciais);
“III. Apoiar a iniciativa de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, proposto pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), pela CUT e outras entidades, conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha;
“IV. Convocar a Conferência Nacional Extraordinária de Comunicação do PT, a ser realizada ainda em 2013, com o tema “Democratizar a Mídia e ampliar a liberdade de expressão, para Democratizar o Brasil” [cf. “Democratização da mídia é urgente e inadiável“].
No domingo (3/3), por outro lado, a convenção nacional do PMDB aprovou uma moção de “defesa intransigente da liberdade de imprensa”.
Pode haver alguma dúvida de que existe um conflito de posições entre o governo da presidente Dilma (incluindo seu aliado, o PMDB) e o PT, em relação à regulamentação das comunicações?
O que resta a ser feito
A política pública de comunicações, por óbvio, não pode ser considerada isoladamente. Sua formulação, como, aliás, a de qualquer outro setor, depende de uma série de fatores, inclusive a governabilidade – adverte o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, da qual “o PMDB tem sido um pilar”, em nome da democracia (sic).
Alguém poderá lembrar também que o partido da presidenta Dilma é o PT, mas que o governo – no “presidencialismo de coalização” que temos – é de um conjunto de partidos, não é do PT.
Ponderações anotadas, o que resta, então, a ser feito?
Em julho de 2011, diante da insensibilidade crítica da grande mídia brasileira em relação aos acontecimentos que envolveram o tabloide News of the World e a News Corporation na Inglaterra, publiquei artigo com o título “As mudanças virão das ruas“.
Na época, afirmei:
“Para além do entretenimento culturalmente arraigado – simbolizado pelas novelas e pelo futebol – cada dia que passa, aumenta o número de brasileiros que se dão conta do imenso poder que ainda está nas mãos daqueles que controlam a grande mídia e que, historicamente, sonega e esconde as vozes e os interesses de milhões de outros brasileiros.
“É o aumento dessa consciência que vem das ruas que explica as pequenas e importantes vitórias que a sociedade civil organizada começa finalmente a construir em níveis estadual e local. (...) Esse parece ser o único caminho possível para a democratização da comunicação no nosso país: a consciência da cidadania. Esse caminho independe da vontade da grande mídia e de seus parceiros e defensores. Esses continuarão encastelados na sua arrogância, cada dia mais distantes das vozes excluídas que vem das ruas e que, felizmente, não conseguem mais controlar.”
Pode haver alguma dúvida de que a alternativa que resta àqueles que acreditam na necessidade de um marco regulatório para as comunicações é convencer mais e mais brasileiros de que o controle de uns poucos grupos – que não admitem a ampliação da participação popular e muito menos a formação de uma opinião pública republicana, plural e democrática – permanecerá enquanto não houver liberdade de expressão e acesso universal ao debate público?
Quem sabe o apoio e o engajamento efetivo de partidos políticos ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular, proposto pelo FNDC, não dinamizará a campanha que já está nas ruas?
Não há mais nada o que dizer. Só resta fazer.
Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros.
No Observatório da Imprensa
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O jovem velho que é a cara do PSDB

O novo assessor pessoal de Alckmin é, aos 37 anos, ideologicamente senil.
Jovem velho
Jovem velho
O mundo é dominado, hoje, por uma crescente irritação com a assombrosa desigualdade social surgida nos últimos trinta anos.
Reagan, de um lado do Atlântico, e Thatcher, do outro, comandaram políticas que se espalharam em escala planetária e levaram ao célebre 1% versus 99%.
Era uma situação insustentável, como sempre acontece nos extremos de iniquidade. E então as respostas começaram a aparecer.
Sarkozy foi chutado na França. Romney deixou de ganhar uma eleição fácil, dada a crise econômica americana, por causa da indignação dos americanos em relação aos privilégios que ele tem e defende abertamente. Protestos varrem as principais cidades do mundo.
Isto é o que se chama, enfim, Espírito do Tempo. Na célebre palavra alemã, Zeitgeist.
Feito este introito, então observemos o que se passa no PSDB. Como um partido que teve algum tipo de sensibilidade social se ajusta aos ventos que empurram o mundo para a frente?
A resposta é: Ricardo Salles.
Alckmin consegue, neste momento, fazer o exato oposto do que deveria, como um líder influente dentro do PSDB.
Ele se junta a Serra e empurra com Salles, seu novo assessor particular, o PSDB rumo à direita selvagem da qual o universo está se despedindo com fanfarras. A humanidade repudia o que se plantou na década de 1980. O PSDB parece estar vivendo naqueles dias.
Salles é um jovem velho como uma daquelas senhoras de Santana. Defende, por exemplo, a ditadura militar. Ora, passado meio século do Golpe Militar, é fácil ver o que ele trouxe.
A ditadura destruiu a educação pública, o maior fator de mobilidade social. Extirpou conquistas trabalhistas, como a estabilidade no emprego depois de dez anos, e ao mesmo tempo proibiu greves. Isso levou a uma brutal concentração de renda.
O Brasil sofreu, sob os militares, uma política econômica parecida com a que Reagan e Thatcher espalharam internacionalmente.
O horror do legado de Reagan e Thatcher se estampou nos últimos anos. No Brasil, isso já ficara claro muito antes: o país se favelizou.
A ditadura defendeu os interesses de uma ínfima minoria – e os dos Estados Unidos, naturalmente.  A CIA não participou ativamente da conspiração por amor incondicional a figuras como Carlos Lacerda, Roberto Marinho e Golbery.
E então,  em pleno 2013, Alckmin se cerca de um secretário que é a negação do Zeitgeist.
E que por isso mesmo é um fracasso prematuro e irremediável: tentou em vão se eleger deputado estadual em 2010. Postou na campanha um vídeo com seu jingle no YouTube que arrebanhou, nestes anos todos, 951 exibições até esta amanhã.
É um número similar ao angariado habitualmente por Reinaldo Azevedo e amigos nos debates sobre o Mensalão no canal da Veja no Youtube.
FHC deve estar muito ocupado com a namorada 50 anos mais nova para se dar conta do melancólico, funéreo curso dado ao PSDB.
O PSDB, no qual votei a maior parte de vezes em minha vida adulta,  não é mais um partido, mas uma morgue de homens e ideias.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Venezuela expulsa adido militar aéreo dos EUA

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Força Armada venezuelana continuará lutando pelo ideal de Chávez

El ministro para la Defensa de Venezuela, Diego Molero, dijo que la Fuerza Armada venezolana insta a los ciudadanos para "continuar luchando por el ideal que impulsó el presidente venezolano, Hugo Chávez". El Alto Mando Militar venezolano, estuvo reunido en el Hospital Militar "Carlos Arvelo" de Caracas (capital) acompañando al vicepresidente Nicolás Maduro, luego de anunciarse el fallecimiento del jefe de Estado, Hugo Chávez Frías.

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Morre Comandante Hugo Chávez

http://www.feemjesus.com.br/sites/default/files/Hugo-Ch%C3%A1vez1.jpg

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Regular o mercado de comunicação não é censura

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Mídia exerce censura ao vetar debate sobre regulação

A volta do tema da regulação da mídia continua marcada pela frente única de todos os jornais contra qualquer discussão democrática e transparente sobre o tema. É uma espécie de censura que exercem a partir do controle que, de fato, os donos dos órgãos de comunicação têm sobre o conteúdo a ser publicado em seus jornais, rádios TVs, sites e outros meios da web.
Tratam o tema como “controle social da mídia”, como se a regulação fosse o controle do conteúdo, uma espécie moderna de censura exercida pelo Estado por meio da legislação. Escondem do leitor que a regulação existe em todos os países democráticos e que ela só pode ser feita no Brasil a partir da Constituição e aprovada pelo Congresso Nacional.
O pretexto para a nova ofensiva foi a aprovação, pelo PT, de uma campanha a favor de uma lei que regulamente a mídia , como já existe para a TV a cabo – aliás, com o apoio das emissoras, já que as protegia das empresas de telecomunicações e do capital estrangeiro. Há até mesmo uma agência reguladora (a Anatel) e um fundo para financiar produções independentes e o conteúdo nacional, que agora passam a ter uma cota obrigatória.
Outro fato escandaloso é a censura imposta às posições expressas no país pela Unesco com base num estudo sobre regulamentação da mídia e da liberdade de expressão em todo o mundo. Tal estudo defendeu abertamente não somente a regulação no Brasil, como também a aprovada pelo Congresso argentino . Mais uma vez a nossa imprensa fez de conta que o representante da Unesco não passou pelo Brasil, como raras exceções.
Agora, tal postura da imprensa se repete quando o PT reitera sua posição em defesa da regulação da mídia.
Defesa, aliás, feita com base na Constituição. Em seu artigo 222, parágrafo 3º, a Carta é muito clara: "Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridades de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais".
A Constituição, pois, em especial o artigo 221, diz que será aplicada não apenas às rádios e televisão abertas, mas também à TV por assinatura, à internet e talvez até mesmo, ao menos em alguns casos, às plataformas móveis. Mas dois anos depois de o ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) ter anunciado que legaria ao atual governo um anteprojeto de regulamentação, continua falando a lei específica. Até quando? Dezembro de 2014?
ZéDirceu
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O cúmulo da babaquice

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O ódio insano a Lula, uma neurose a ser catalogada pela psicanálise

Em viagem de trabalho ao Rio na semana passada, peguei um taxista muito simpático, que durante o trajeto expunha reclamações pertinentes sobre a falta de educação no trânsito de alguns motoristas, como por exemplo usar excessivamente a buzina. Também fazia comentários bacanas sobre a futura Copa do Mundo na cidade, uma raridade diante do pessimismo geral. “Será um sucesso, não tenho dúvida. Se houver algum problema os turistas vão estar tão felizes de estarem aqui que nem vão dar importância”, disse.
Enfim, era alguém que parecia de bem com a vida. Até que… O assunto recaiu sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tal qual dr. Jekyll ao tomar a poção, o taxista se transformou de homem cordial em uma pessoa absolutamente enfurecida, à beira de um ataque de nervos. “Ele é o cara mais rico do Brasil hoje, é um milionário, um ladrão!”, vociferava. “Eu leio a revista Veja, eu vejo a Globo! Eu sei das coisas!” De nada adiantou nós lhe comunicarmos que integramos a imensa parcela da população que gosta de Lula. O homem não se acalmava, praticamente espumava pela boca.
No dia seguinte, já em Brasília, encontrei uma senhora muito fofa que também mostrou sua face menos afável ao falar de Lula. “Sabe, eu sou católica praticante. E quando vou me confessar, digo para o padre: ‘Padre, eu odeio o Lula! Eu odeio o Lula! Não posso nem vê-lo na televisão que começo a passar mal, padre! O que eu devo fazer? Posso comungar mesmo assim?’ E o padre sempre tenta me acalmar, responde que isso não é bom, que não é cristão, e me passa não sei quantas ave-marias e pais-nossos como penitência. Mas o que posso fazer? Eu odeio o Lula!!!” Confesso que achei hilário, meio bizarro.
Nas redes sociais, então, perdi a conta de quantas vezes tive minha página invadida por anti-lulistas fanáticos que não estão nem aí para as regras de boas maneiras na internet ou de respeito ao pensamento alheio. E não vou nem mencionar aqueles que desejaram a morte de Lula quando seu câncer foi revelado ao país. Insanidade a toda prova.
Entendo que o ex-presidente Lula, homem carismático que é, desperte amores e ódios. Entendo perfeitamente que muitas pessoas não gostem dele. Mas esse sentimento que vejo em alguns anti-Lula não me parece normal, mesmo porque a recíproca não é verdadeira. Nunca vi alguém ficar tão alterado ao falar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Bufando pelas ventas e gritando como se estivesse louco, perdendo completamente a noção do que pode ser dito sobre uma figura pública, cruzando todos os limites do desrespeito. Nunca vi, nunca. E olha que conheço bem mais gente que não gosta de FHC do que quem gosta.
Fiquei pensando: será natural o ódio a Lula? Ou será que isto acontece porque o ódio a Lula é estimulado pela mídia e o ódio a FHC, não? Pelo contrário, a mídia tenta, com todo empenho e ao arrepio dos fatos e da memória coletiva, convencer os brasileiros de que o governo Lula foi péssimo, e o de FHC, ótimo. Obviamente não podemos esperar que as pessoas bufem ao falar do tucano. Mas com Lula a neurose é alimentada, até porque existem odiadores insanos do petista dentro das próprias redações, sobretudo nas esferas mais altas. Um ódio patológico que, diferentemente do que ocorre com outras enfermidades mentais, é transmissível – via jornais e revistas e pela televisão. Curioso que seja Lula quem é acusado de “disseminar o ódio”, embora nove entre dez colunistas dediquem a vida a falar mal dele.
Às vezes me dá vontade de, como nos filmes, sacudir uma pessoa dessas e falar para que se controle. É ofensivo com quem admira o presidente Lula (e somos maioria) que exista gente disposta a agredi-lo desta maneira ensandecida, típica de quem está com síndrome de abstinência de medicamentos para controle do humor. O que há com Lula para causar tal reação? Ou seria mais correto perguntar: o que há com estas pessoas para reagir dessa forma a um político? Seria só oposição ao ex-presidente ou é algo mais profundo, talvez inconfessável? Não sei dizer, esta neura só um psicanalista ou psiquiatra é capaz de resolver.
Tenho certeza que algum dia um profissional da área irá catalogar, ao lado do transtorno obsessivo compulsivo, do transtorno bipolar e demais neuroses do mundo moderno, o “ódio insano a Lula”. Sinceramente, se eu sentisse um só destes sintomas em relação ao ex-presidente – ou a qualquer outro personagem da política –, procuraria ajuda médica imediatamente. É doentio.
Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Endireita, São Paulo: o depoimento de um pessedebista histórico sobre o governo Alckmin

A nomeação de Ricardo Salles, criador do Movimento Endireita Brasil, é só mais um sintoma da falta de rumo do partido.
Salles, do Endireita Brasil, agora secretário particular do governador de São Paulo
Salles, do Endireita Brasil
Um pessedebista histórico, ex-presidente de diretório em São Paulo, escreveu para o Diário um depoimento sobre a guinada à direita do PSDB e do governado Geraldo Alckmin. Ricardo Salles está na companhia de outros conservadores que têm cada vez mais espaço em um governo que tucanos amigos classificam de “feijão com arroz” e tucanos inimigos de “medíocre”.
O advogado Ricardo Salles, criador do movimento Endireita Brasil, é a mais recente aquisição do governador de São Paulo no balaio da direita, mas não é a única e não será a última. Nomeado secretário particular do governador, Salles defende o regime militar, é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra o aborto, abomina o Estado e se define o único direitista assumido do Brasil, seja lá o que isso quer dizer. Geraldo já havia imposto na presidência do diretório estadual um deputado obscuro que brilha no papel de mascate, na base de promessas, tapinha nas costas e benesses às lideranças de pequenas e médias cidades do interior. O libanês Pedro Tobias, médico radicado em Bauru e que ganhou notoriedade fazendo consultas e partos gratuitos, é conhecido no meio político por sua visão estreita de mundo e nenhum compromisso ideológico. Mas quem se importa com isso se a massa de prefeitos quer mais é saber de verbas para a Santa Casa ou a reforma das praças com fonte luminosa?
Salles, de 38 anos, é o terceiro secretário particular de Alckmin desde a posse, em janeiro de 2011. Antes dele, passaram pela função o ex-deputado Marco Antônio Castello Branco e Fábio Lepique, este oriundo da Juventude Tucana, hoje instalado no Comitê Paulista da Copa do Mundo e na tesouraria do diretório do PSDB na capital. Conservador, raso intelectualmente e cheio de formalidades, é natural que Alckmin, diferentemente da maioria dos líderes populares do país, faça questão de manter um secretário para cuidar da sua agenda (o prefeito Fernando Haddad, por exemplo, não tem essa figura).
Ignorando a base partidária e vendo Serra nos estertores da aposentadoria após a humilhante derrota na corrida para a prefeitura do ano passado, Geraldo (é assim que ele é tratado nas internas) está finalmente livre para agir por conta própria, levando seu grupo e mais o que restou do partido aonde lhe convier. Desde 2006, quando ele e Serra digladiaram nos bastidores pela candidatura à presidência, os dois vivem às turras, um puxando o tapete do outro e ambos dando sinais cada dia mais claros de que caminham para o abraço dos afogados. No comando do partido na capital, o escolhido foi o deputado federal licenciado e atual secretário Estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Júlio Semeghini. Semeghini tirou licença médica durante o fogo-cruzado da campanha municipal de 2012 – chegou a ser chamado de covarde por membros do partido, menos por virar as costas para a campanha de Serra (o que para estava longe de ser uma exceção) e mais por evitar reuniões e se omitir nos permanentes embates por espaços de poder dentro da sigla.
Geraldo
Geraldo
Chefe de um governo que os tucanos amigos classificam de “arroz com feijão” e os tucanos inimigos de “medíocre”, Geraldo aposta que, na hora do vamos ver, em 2014, vai sair às ruas e fazer prevalecer a sua fama de bom moço, o famoso picolé de xuxu. Na base da camaradagem, visitando pequenos comércios, tomando café em boteco, falando com os populares, indo a missas dia sim, outro também, garante que ninguém tira dele a chance de dirigir pela quinta vez o estado mais rico e mais importante do país. 
Para dar visibilidade e, principalmente, dinamismo à sua gestão, convenceu o veterano João Carlos Meirelles, que já ocupou a secretaria de Ciência e Tecnologia e coordenou sua campanha em 2006, a devolver o pijama à gaveta e voltar para o front, agora na condição de assessor especial de assuntos estratégicos. Legítimo representante dos quatrocentões paulistas, Doutor Meirelles, como Alckmin faz questão de tratá-lo, ostenta um bigodão impecável, usa abotoaduras douradas e uma bengala de madeira de lei e de cabo prateado. Certamente uma figura de referência para o jovem Ricardo Salles.
Agora livre da sombra de Serra, mas também sabendo que não vai contar com os serristas no ano que vem, o governador está testando sua capacidade de liderança e de estrategista. Nas duas últimas vezes em que tentou isso, em 2006 e 2008, o resultado não foi lá grande coisa, com a derrota para Lula no segundo turno da eleição presidencial e o vexame do terceiro lugar na corrida pela prefeitura com Kassab e Marta. Geraldo se considera ungido e não ouve ninguém. O staff que está sendo montado com a chegada do reacionário Salles é uma amostra de que não ouve nem Fernando Henrique Cardoso, que criticou as alianças do partido com “setores conservadores”.
Meirelles: bengala de madeira de lei com cabo prateado
Meirelles: bengala de madeira de lei com cabo prateado
Educado à moda antiga, do tipo que sempre inicia uma conversa perguntando da família, o governador de São Paulo é um adepto das historinhas de salão. Principalmente aquelas relacionadas à ascensão e queda das antigas e tradicionais famílias de São Paulo. Narra com brilho nos olhos, e riqueza de detalhes, coisas como a teia de intrigas dos herdeiros de Luiz Dumont Villares na antiga gigante metalúrgica. Também gosta de se divertir lembrando da maior vaia que já presenciou na sua vida pública. Foi no Primeiro de Maio da Força Sindical de 2005, quando 1,5 milhão de trabalhadores não deixaram o então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, concluir o discurso. “O eco batia na serra da Cantareira e voltava num barulho ensurdecedor”, conta, rindo. “Uma coisa de louco”.
É notória sua amizade com Campos Machado, dono do PTB e cacique do conservadorismo mais anacrônico. Campos Machado, autointitulado herdeiro de Jânio Quadros, foi candidato a vice na aventura fracassada de Alckmin de tornar-se prefeito de São Paulo em 2008 e foi também quem iniciou o colega na leitura da obra de Jânio. (Ele guarda com carinho os livros de JQ na sua estante pessoal em seu apartamento no Morumbi). Geraldo também gosta de convidar o comediante Sérgio Mallandro para visitar sua chácara em Pindamonhangaba, para divertir a família. Mallandro confidenciou a amigos que, na verdade, é ele quem ri dos Alckmin.
Mallandro: ele faz visitas à chácara do governador
Mallandro: ele faz visitas à chácara do governador
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Charge online - Bessinha - # 1712

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A Globo não engana ninguém. Nem em Los Angeles

latimes.com
Reportagem do jornal Los Angeles Times menciona boa aprovação da presidente por parte da população, mas não pela imprensa; "Nenhum grande veículo a apoia, sendo que alguns jornais e revistas são particularmente duros em suas críticas", diz o texto; enquanto isso, a presidente aprendeu a lidar com os ataques, segundo a matéria, reafirmando periodicamente sua crença na liberdade de expressão...
Quando o presidente esquerdista João Goulart foi deposto pelos militares brasileiros, em 1964, a maioria da mídia nacional, controlada por poucas famílias, comemorou. [...]
Mas, durante a ditadura de 21 anos que se seguiram, o governo censurou os jornais e estações de televisão das famílias operadoras [...]
As coisas são diferentes agora. Desde 2003, o Brasil tem sido gerido pelo partido à esquerda da Centro dos Trabalhadores Popular, conhecido como PT, que deixou a mídia só [...]
Mas as publicações e emissoras de TV, ainda controladas pelas mesmas famílias, têm sido críticos do partido, apesar de uma taxa de aprovação pública para a presidente Dilma Rousseff tão alta quanto 78% [...] (sic).

Brazil's Dilma Rousseff is popular, but not among news media

Rich and powerful newspapers and TV networks have been critical of the left-leaning president despite her hands-off approach toward them.
Brazil President Dilma Rousseff not popular among news media
Brazilian President Dilma Rousseff helps mark
10 years in power of the Workers' Party, or PT,
during a celebration in Sao Paulo last month.  
(Yasuyoshi Chiba / AFP/Getty Images / February 20, 2013)

SAO PAULO, Brazil — When left-leaning President Joao Goulart was deposed by the Brazilian military in 1964, the nation's major news media, controlled by a few wealthy families, celebrated.
But during the 21-year dictatorship that followed, the government censored the newspapers and television stations the families operated.
Things are different now. Since 2003, Brazil has been run by the popular left-of-center Workers' Party, known as PT, which has left the news media alone.
But the publications and TV stations, still controlled by the same families, have been critical of the party, despite a public approval rating for President Dilma Rousseff as high as 78%. Not a single major news outlet supports her, with some newspapers and magazines particularly harsh in their criticism.
"It's an extremely unique situation now in Brazil to have such a popular government and no major media outlet that supports it or presents a left-of-center viewpoint," says Laurindo Leal Filho, a media specialist at the University of São Paulo.
The opposition to the Workers' Party has been present since former left-wing metalworker Luiz Inacio Lula da Silva, once imprisoned by the dictatorship, was elected president in 2002. Lula quickly moved to the center and accommodated business elites, and the following decade saw an economic boom in which 40 million people rose out of poverty.
Telenovela 'Avenida Brasil' speaks to Brazilians
Telenovela 'Avenida Brasil' speaks to 
Brazilians
"Brazilian society was based on slavery for over 300 years, and has almost always been run by the same social strata," Leal Filho says. "Some parts of the upper class have learned to live with other parts of society that were previously excluded … but the media still reflect the values of the old-school elite, with very, very few exceptions."
The critical news media have been widely praised for hard-hitting investigations of corruption that have led eight members of Rousseff's Cabinet to be replaced, and 25 high-level officials to be sentenced for a vote-buying scandal dating to Lula's administration.
But government supporters often say the news media pay much less attention to evidence of corruption involving other political parties.
Brazil rethinks its rule-breaking attitude after club fire
Brazil rethinks its rule-breaking 
attitude after club fire
Reporters Without Borders recently issued a report criticizing media concentration in Brazil and recommending an overhaul of laws pertaining to the media. But unlike elsewhere in Latin America where governments openly battle with private media critics, the Brazilian government has taken a relaxed attitude.
Even if there were a concerted effort to take action, it would be politically impossible, analysts say. The Reporters Without Borders report details close ties between parts of the media and members of Congress, some of whom even vote to grant licenses to outlets they own, especially outside the bigger cities. To run the country, Rousseff must navigate the complicated waters of the Brazilin congressional system and work with more than 20 other parties.
"It's unfortunate, but to govern this country you have to establish alliances," says Mino Carta, editor of Carta Capital, the only publication of any size that supports the government. It sells 60,000 copies a week in a country of almost 200 million.
Meanwhile, Rousseff, who was tortured by the dictatorship for her left-wing activities in the 1970s, has taken criticism from the news media in stride, periodically reaffirming her belief in freedom of speech.
Attempting to build a large-scale news outlet that presents a different point of view would be extremely difficult, Carta says, because of the need for advertising revenue.
In Brazil's <i>cracolandias</i>, roving hordes of lost souls
In Brazil's cracolandias, roving 
hordes of lost souls
"That would be a very slow and long-term goal indeed," says the Italian-born septuagenarian.
Most Brazilian media chiefs say their journalism is neutral and objective.
Sergio Davila, managing editor of Folha de Sao Paulo, Brazil's highest-circulation newspaper, says, "When Fernando Henrique Cardoso was in office, [his party] the PSDB said we were against them and pro-PT."
Davila points to a report published in the paper at the time detailing votes purchased to ensure Cardoso's reelection. "Now we're just seeing the other side of the coin."
But many PT supporters see the major newspapers, including Folha and O Estado de Sao Paulo, as anti-Rousseff, as they do the television network and newspaper run by the dominant Globo group.
"The big media have always defended powerful interests," says Jose Everaldo da Silva, a retired port worker and PT voter in the country's traditionally poor northeast, which has benefited especially from PT rule. "Everyone remembers what Globo did in Lula's first election."
When Lula first ran for president in 1989, the Globo TV station heavily edited his final debate with Fernando Collor de Mello, giving Lula less time and showing all of Collor's best moments. The polls turned in favor of Collor, who was elected and later impeached for corruption.
The episode became the subject of a British documentary titled "Beyond Citizen Kane."
Globo TV later acknowledged having made a mistake but denies there is now any bias. "Globo is absolutely nonpartisan. It doesn't offer opinions on governments and seeks neutrality in its news programs," a spokesman said.
TV stations are relatively moderate and a more important source of news than print for Brazilians, most of whom don't regularly read newspapers or magazines, says David Fleischer, a political scientist at the University of Brasilia.
"TV stations don't blast [Rousseff] like the press does," Fleischer says.
In stark contrast to much of the world, the printed word is growing in Brazil, as literacy and news consumption rise. Folha's circulation increased 2% in print and 300% online last year.
"More diversity in the media would be good for the country," Davila says. "I just really don't know why it's not happening."
For now, neither Rousseff nor retired port worker Da Silva seems worried.
"Everyone who travels around here can see clearly that Brazil has changed. Globo distorts the truth, yes. But it's not so bad. Who cares? They can say whatever they want," Da Silva says in a phone interview, and then breaks into laughter. "Actually, I'm watching Globo right now."
By Vincent Bevins, Los Angeles Times
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