2 de mar de 2013

Merval Pereira é o lobisomem de capa e fardão

Merval gosta de lançar livros, contanto que o protagonista seja o ex-presidente Lula. O “imortal” não é bobo. Lula vende. E o FHC só vende mesmo o Brasil
Merval Pereira é um homem crédulo. Digamos até que por sê-lo, o “imortal” é considerado pelos seus semelhantes um cidadão de inocência ímpar e de propósitos que fogem a razão e a compreensão dos seres mortais. O empregado e porta-voz da família Marinho é um virtuoso, de caráter inflexível e personalidade admirável para as pessoas que o leem e o ouvem. Somente por isto e por causa disto, Merval se dá ao luxo de acreditar no que escreve e em revistas e jornais, a exemplo de o O Globo e de Veja, aquele pasquim de extrema direita, que enlameia a atividade de jornalismo e debocha da inteligência alheia.
Merval Pereira é assim: crédulo e virtuoso. É o seu jeito de ser, e contra esta realidade nada pode ser feito, porque é impossível impedi-lo de ser tão perfeito e... crédulo! O “imortal”, por exemplo, volto a repetir, acredita no que diz, bem como crê na imprensa de negócios privados, autora de reportagens tão sérias e voltadas ao jornalismo em prol dos interesses de cidadania do povo brasileiro. Ele acredita piamente, sem ter qualquer dúvida, que o presidente mais popular da história do Brasil é o chefe do "mensalão", e que a copilação de seus artigos, que o Merval tem a mania de transformá-los em livro, poderá ter consequência para o fundador do PT e da CUT, que, em apenas oito anos, fez uma revolução silenciosa no Brasil.
Merval Pereira age dessa forma, por se tratar de um gênio do jornalismo, talvez incompreendido. Tal capataz da família Marinho somente não lidera as massas porque ele sente tédio, que, irreversivelmente, causa-lhe profunda melancolia ou desgosto, como ocorria com os poetas românticos do século XIX, além de sentir também uma incomensurável preguiça para se meter com questões populares, como, por exemplo, permitir o acesso dos brasileiros menos premiados pela vida — a exemplo do Merval, à saúde, à educação, à segurança, à moradia, ao lazer, ao emprego, ao consumo, e, quiçá, sem exageros, a um pouquinho de felicidade. Se o Merval concordar, evidentemente...
Merval Pereira adora as capas da Veja ou de qualquer publicação que afronte os governantes trabalhistas, como, por exemplo, ocorreu há poucos meses com uma foto do Marcos Valério em um ambiente avermelhado, sombrio e demoníaco, pois o “mensalão” do PT é coisa do diabo e por isto a imprensa corporativa, comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) tem de rotineiramente denunciá-lo desde 2004, porque é o único “trunfo” que a direita herdeira da escravidão tem para fazer frente a governantes trabalhistas, como Lula e Dilma, que tiraram da miséria e da pobreza mais de 30 milhões de brasileiros, além de não permitirem que a crise neoliberal dos europeus e dos estadunidenses e do FHC, que foi três vezes ao FMI pedir esmolas de joelhos e com o pires na mão prejudicasse o projeto econômico e social do Brasil de crescer e garantir empregos à população brasileira, o que, sobremaneira, foi feito.
Merval Pereira deu a senha, e foi acompanhado por Ricardo Noblat, blogueiro de alma tucana e colunista de O Globo, e Cristiana Lôbo, uma das “meninas” do Jô, jornalista de perfil conservador e que, na verdade, sempre opina “em cima do muro” talvez para dar uma (falsa) impressão que ainda se mantém como uma profissional imparcial, o que, evidentemente, não convence nem a um recém-nascido. O trio “global” espera que matérias pérfidas e de má-fé como as de Veja sobre Marcos Valério se desdobrem por toda mídia de forma incessante e sistemática até o ano das eleições, em 2014, apesar de que as declarações e opiniões dos “entrevistados” da imprensa de mercado contra Lula, José Dirceu, José Genoíno e outros membros do PT serem, geralmente, em off, ou seja, o jornalismo imprudente, maledicente, meramente declaratório, de conotação golpista e por isso sem a gravação do entrevistado, que comprove as palavras de quem falou com a imprensa. Para resumir: o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto.
Matérias que não explicitam e evidenciam os nomes dos seres falantes, que, de acordo com o pasquim de extrema direita e de péssima qualidade editorial como o é a Veja, são amigos e parentes do publicitário considerado o gerente do “mensalão”. Lembro que na época o advogado de Marcos Valeiro, Marcelo Leonardo, negou ao Portal Terra que seu cliente tenha dado entrevista, bem como informou que ele não fala com a imprensa há sete anos. Esse caso é apenas um exemplo, somente para ilustrar, pois inúmeras matérias alarmistas e de conteúdo escandaloso foram publicadas ou veiculadas, sem, no entanto, haver preocupação em ouvir o acusado e muito menos foi considerada a veracidade dos fatos. Esta foi a tônica, inclusive no decorrer do julgamento do “mensalão”, que, para mim, foi uma farsa de propósitos totalmente políticos e partidários. O "mensalão" para mim é o Mentirão.
Até hoje juridicamente e oficialmente o tal “mensalão”, que deveria, volto a repetir, ser chamado de mentirão, não foi comprovado mesmo a ser denunciado pelo procurador geral da República e opositor ao Governo, Roberto Gurgel, que prevaricou durante quase três anos sobre o escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus aliados do PSDB e do DEM, e que um dia poderá responder no Senado e no STF pelos seus atos. No momento, tal procurador está a ser pressionado severamente pelo senador Fernando Collor (PTB/AL). Muitos dos punidos e dos que ainda serão punidos não tiveram observados — é o caso de Dirceu — a presunção da inocência. Seria terrível para a democracia brasileira, que se baseia no estado democrático de direito, ter a Constituição rasgada, principalmente no que diz respeito ao seu artigo 5.°, inciso LVII: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".
Merval foi nomeado pelas Organizações Globo na ABL, e se comporta como um cafeicultor do século XIX.
A presunção da inocência é, talvez, a mais importante garantia constitucional. Se ela é desrespeitada, voltamos à barbárie. Acontece que José Dirceu foi cassado politicamente e por causa da pressão da mídia alienígena e golpista sua cabeça foi oferecida pela Câmara dos Deputados, pois se não conseguiram dar um golpe branco, de estado, no presidente trabalhista Lula, em 2005, pelo menos, momentaneamente, matariam a sede de sangue da imprensa burguesa que há dez anos tenta desconstruir a moral e a imagem de Lula, que saiu às ruas naquele ano e evitou o golpe, porque a direita recuou. E isto é inadmissível e imperdoável para o baronato carcomido por suas ideias reacionárias e retrógadas e que sente uma imensa nostalgia da ditadura militar.
José Dirceu foi considerado culpado pelos guardiões do establishment, que é a maioria dos juízes que compõe o STF, porque não houve condições e nem clima para absolvê-lo. Dirceu, juntamente com Lula, é o político brasileiro mais combatido pela oligarquia escravagista brasileira. Sofre um linchamento moral e sem direito à presunção da inocência há oito anos. Até o seu apartamento em hotel de Brasília foi invadido por repórter da revista Veja, que se deixou levar por sua índole duvidosa e mesmo assim até hoje não foi punido, apesar de eu não saber se ele foi processado, o que, sobremaneira, deveria acontecer. A presunção da inocência é uma prerrogativa conferida ao acusado e no Brasil não está a ser respeitada, porque temos uma imprensa suja que distorce os fatos, mente sobre as realidades e, de tão audaciosa por saber de sua impunidade, tenta derrubar governantes constitucionalmente eleitos pela maioria do povo brasileiro. É o fim da picada.
Depois “temos” de aguentar o tal do Merval Pereira, que, do alto de sua pose pseudointelectual, deita falação e se nega a observar os fatos e os ditames constitucionais, por ele ser um dos porta-vozes de uma das seis famílias que controlam o sistema midiático comercial e privado, que tem a ousadia de fazer da vida brasileira uma novela terrível e de má qualidade, onde as pessoas são moídas moralmente sem ter o direito de se defender, porque a imprensa de negócios privados não se subordina à Constituição e ao Direito. A imprensa imperialista e as mídias de direita não são regulamentadas, porque no Brasil não foi efetivado um marco regulatório para esse setor da economia, apesar de estar previsto na Constituição. Alô, presidenta Dilma, cadê o projeto de regulamentação das mídias elaborado pelo jornalista Franklin Martins? Não sabe onde está? Então fale com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e pergunte em qual gaveta do Ministério ele escondeu o projeto, que deve estar todo empoeirado.
Merval Pereira é assim: acredita no que é injusto e se torna um algoz com a faculdade de escrever o que lhe vem na telha, ao ponto de ter previsto que certas reportagens patrocinadas pela velha mídia de direita vão ter desdobramentos terríveis contra o Lula e muitos de seus aliados políticos. Para o Merval, o setor midiático empresarial é completamente verossímil, e, portanto, uma ferramenta de combate aos governantes trabalhistas. Apesar dos offs, das distorções e das manipulações. Merval gosta de lançar livros, contanto que o protagonista seja o ex-presidente Lula. O “imortal” não é bobo. Lula vende. E o FHC só vende mesmo o Brasil. Ele sabe disso.
Merval Pereira é o lobisomem de capa e de fardão. É isso aí.
Davis Sena Filho
No 247
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Candidatura e aventura

O governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) tem o direito e o caminho aberto para disputar a Presidência da República, em 2014. Tem, também, um partido em fase de crescimento, tem pressões internas e externas para romper, apoio da mídia para se projetar, simpatia de empresários preocupados com o PT, de políticos órfãos, e uma relação de conflitos com o governo capaz de produzir a crise necessária para explicar o rompimento com a candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.
Campos, Aécio, Gabeira, Marina. Os riscos da guinada à direita. Fotos: Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo, José Cruz e Rodrigues Pozzebom/ ABr e Leonardo Soares/ Estadão Conteúdo
Campos, Aécio, Gabeira, Marina. 
Os riscos da guinada à direita. 
Fotos: Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo, 
José Cruz e Rodrigues Pozzebom/ ABr 
e Leonardo Soares/ Estadão Conteúdo
Campos, no entanto, hesita. Está tomado por dúvidas pessoais e políticas. Negaceia. Faz que vai, mas até agora não foi, e assim se expõe às ironias como, por exemplo, a do senador Aécio Neves, virtual presidenciável do PSDB, para quem Eduardo Campos precisa de um divã para saber se é de oposição ou governista.
Nesse momento, ele tornou-se um exemplo que permite perceber a diferença entre uma aventura eleitoral e uma candidatura efetiva, vigorosa, possível de ser vitoriosa. No primeiro caso, o caminho é largo, mas ilusório. No outro, a passagem é estreita e com possibilidades de consequências danosas. Talvez irreversíveis.
Eduardo Campos, 47 anos, neto de Miguel Arraes, tem o sangue do avô nas veias, mas não tem o mesmo compromisso político. É uma “cara nova” atrás da qual todos andam, em nome de suspeita renovação.  Ele tem uma expectativa natural de superar Arraes, político dos anos 1960, com liderança nacional e eleitorado restrito a Pernambuco. Esse é o dilema que persegue Campos. Seria a hora de romper com essa amarra? As circunstâncias não são favoráveis.
Campos terá de juntar-se à estratégia da oposição de tradição conservadora para derrotar um governo de natureza progressista e rachar o partido.
Como candidato, integrará o “mutirão de candidatos” possíveis na tentativa de levar a eleição para o segundo turno. Neste caso, a candidatura dele se somaria à de Aécio Neves (PSDB), Fernando Gabeira (PV), Marina Silva (sem partido formalizado) e o candidato do PSOL, cujo objetivo é marcar posição.
Nas últimas semanas, o governador de Pernambuco tem feito críticas a alguns pontos da administração de Dilma. Marca posição e pode se valer dela para, eventualmente, explicar no futuro o afastamento de um governo que apoiou e elogiou ao longo do tempo. O PT vestiu essa “saia-justa” na campanha para a eleição municipal de 2012, em Belo Horizonte.
Há informações de que alguns empresários estariam dispostos a “oxigenar” a campanha de Campos. Os recursos são importantes. Mas onde ele arranjaria espaço-tempo suficiente para montar um bom programa no horário eleitoral? O PSB tem 1 minuto e 40 segundos. Aliança? Só com partidos nanicos, que dispõem de 20 segundos ou pouco mais?
Em 2010, Dilma, com nove aliados, contou com 10 minutos. O tucano José Serra, com cinco aliados, obteve pouco mais de 7 minutos. Houve cinco candidatos dos nanicos, afora Marina, do PV, que viraram fenômeno e arrastaram quase 20 milhões de votos. Campos fará acordo com uma oposição sem programa?
Por enquanto, à direita, só há esperança. Ela espera o aumento da inflação, da taxa de juros, do desemprego, da inadimplência, da falta de investimentos e, por consequência, de um crescimento medíocre do País. Sem esse cenário, em 2014, as chances de qualquer opositor a Dilma são nulas. Isso mostra que no fundo do peito de cada candidato da oposição o coração bate em tom sinistro: quanto melhor pior.
Maurício Campos
No CartaCapital
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Ayres Britto chega ao Céu: à Globo!

A palavra aberta passa pelo filtro da Globo e da Souza Cruz!
A Globo faz mal à saúde
Saiu na Folha:
Ayres Britto toma posse no Instituto Palavra Aberta
O ministro aposentado do STF Carlos Ayres Britto e o jornalista e empresário Roberto Muylaert foram empossados membros do Conselho Consultivo do Instituto Palavra Aberta, entidade criada em 2010 pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). O objetivo do conselho é promover e defender a liberdade de imprensa e de expressão.
http://img.youtube.com/vi/qtT7MIEKm3s/0.jpg

O Instituto Palavra Aberta é uma operação conjunta do Estado Maior do PiG:
A ANJ, associação dos jornais pigais e a Abert, das emissoras de teve, controlada pela Globo.
Faz parte da Alta Direção da Palavra a famosa Judith Brito, que entrou para a História como presidente da ANJ e abriu o armário: como a oposição não existe, o PiG é A oposição no Brasil.
Todo mundo sabe, mas não precisava confessar.
Duas instituições que fazem bem à Saude do brasileiro são as principais incentivadoras das palvaras ali abertamente emitidas: a Souza Cruz (!) e as Organizações (?) Globo.
A atual presidente ocupa a “cadeira” antes de Evandro Guimaraes, que, por décadas, foi o principal lobbista da Globo em Brasilia, quando era conhecido por e tratado como ” Senador Evandro”.
Num gesto inútil, o ansioso blogueiro e o presidente do Barão de Itararé, Miro Borges, almoçaram com a direção do Palavra Aberta para tratar da “judicialização da censura” aos blogueiros sujos – o que poderia ser um interessante tema de debate ou estudos do Palavra Aberta.
O Miro espera uma notícia dos gentis diretores até hoje…
Aos 44′ minutos de seu madato à frente do STF e do CNJ, Conselho Nacional de Justiça, o "Big Ben de Propriá" criou um fórum para discutir, no ambito do CNJ , a judicialização da censura.
Excelente!
Mas, com um pequeno detalhe, quase irrelevante.
Os convidados de fora do CNJ ao Fórum são representantes da ANJ e da ABERT, que preferem os blogueiros a arder na fogueira do Inferno!
Como se sabe, o "Big Ben de Propriá", que condenou o Dirceu na hora exata em que o eleitor de São Paulo votava no Haddad, escreveu o prefácio do livro do "Ataulfo Merval de Paiva".
Mas, ele vai esperar no Céu – fora do globo terrestre: estará entre as estrelas globais.
Quem sabe não será entrevistado no “Entre Caspas”, que tem audiência cativa no Palavra Aberta?
O entrevistado tratará de Poesia!
Ele acaba na Academia!
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Polícia de Santa Catarina mata 53% a mais entre 2010 e 2012

Policiais catarinenses participam de operação durante onde ataques de facção criminosa (foto: Jaqueline Noceti / SECOM)
Governo catarinense diz que ação do crime
organizado e do tráfico ajudam a explicar o aumento
Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Santa Catarina indicam que o número de pessoas mortas pela polícia do Estado aumentou 53% em um período de dois anos, entre 2010 e 2012.
O balanço mostra que as polícias militar e civil mataram 69 pessoas em 2012, em casos classificados como "resistência seguida de morte". O número é 19% maior que o registrado em 2011 (58 casos) e 53% mais elevado que o de 2010 (45).
A elevação da letalidade policial ocorre em um momento em que o Estado enfrenta ondas de ataques da facção criminosa PGC (Primeiro Grupo Catarinense) e recorre à ajuda de tropas da Força Nacional de Segurança para tentar conter a violência.
O governo de Santa Catarina afirmou, por meio de nota, que tal elevação se explica pela ação do crime organizado, pelo crescimento do tráfico de drogas e pelo aumento populacional. "Não lidamos mais com pessoas que cometem pequenos delitos ou crimes contra a honra, armadas com navalhas ou revólveres calibre 38. Os bandidos têm acesso a armas de grosso calibre, o que obriga a polícia (civil ou militar) a ter uma reação à altura", diz o texto.
Uma base de dados diferente, tabulada trimestralmente pela SSP, também sugere que as ações da polícia no Estado se tornaram mais letais. Ela mostra que ao mesmo tempo em que aumenta o número de assassinatos cometidos pela polícia catarinense, diminui o número de feridos em operações policiais. Foram 30 vítimas feridas em 2012 contra 54 no ano anterior – uma queda de 44%¨.
Atentados e vandalismo
Santa Catarina sofreu desde o último dia 30 de janeiro ao menos 113 atentados e atos de vandalismo supostamente realizados por membros do PGC. A maioria das ações registradas foram incêndio de veículos e disparos contra edifícios públicos e órgãos da polícia.
A presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-SC, Cynthia Pinto da Luz, afirmou à BBC Brasil que o aumento da letalidade policial pode contribuir para o aumento da violência relacionada ao crime organizado, em especial ao PGC, no Estado.
Ela disse também que ainda não é possível fazer uma conexão direta entre as ondas de ataques no Estado e o fato da polícia estar matando mais.
Os atentados, entre outros fatores, estariam ligados a supostos maus tratos de agentes do Estado contra detentos do sistema prisional catarinense.
Os policiais militares da Força Nacional de Segurança ajudaram no processo de transferência de lideranças do PGC para presídios federais.
Mortes suspeitas
Cynthia Pinto da Luz afirmou que a comissão de direitos humanos da OAB suspeita que nem todos os assassinatos praticados por policiais nos últimos dois anos tenham ocorrido com o objetivo de defesa, como alega o governo.
Segundo ela, o órgão tem recebido denúncias de que entre os casos de "resistências seguidas de morte" podem ter ocorrido casos de abuso da violência e até eventuais execuções de suspeitos.
A secretaria de comunicação do governo do Estado afirmou que a corregedoria das polícias militar e civil "investiga e pune qualquer desvio de conduta".
Um dos mais recentes casos investigados pela comissão de direitos humanos da OAB – a partir de uma suspeita de abuso de violência por parte de policiais militares – é o do assassinato do auxiliar de produção Jean de Oliveira, de 22 anos, na cidade de Joinville, no dia 3 de fevereiro.
Ele foi morto com um tiro na cabeça, disparado por policiais militares, enquanto andava de moto com um amigo. Segundo a OAB, ele não estava armado e pode ter sido confundido por PMs com um criminoso ligado aos ataques do PGC.
"O meu filho foi morto como um bandido e enterrado como um bandido, mas ele não era. Podem me matar, mas eu vou provar que ele era inocente", disse à BBC Brasil a mãe da vítima, a auxiliar de serviços gerais Sueli Messias Onofre, de 42 anos.
Outro lado
No mesmo período em que registrou aumento da letalidade da polícia, Santa Catarina teve uma queda no número geral de homicídios. Em 2012 foram registrados 728 casos – uma redução de 5% em relação ao ano de 2010.
O governo catarinense (Raimundo Colombo, ex-DEMo, atual PSD) afirmou por meio de nota que o aumento dos assassinatos cometidos por policiais deve ser contextualizado em um cenário de explosão demográfica no Estado, que acontece acompanhado pelo aumento do trabalho informal e do tráfico de entorpecentes. Segundo o governo, “se hoje os indicadores de letalidade das polícias civil e militar crescerem é por conta do crime organizado”.
"O policial é obrigado a agir de forma estratégica para enfrentar um criminoso que tem uma arma de alto poder bélico e que está despreparado para usá-la. Dificilmente um criminoso morre num confronto com a polícia portando uma arma de calibre 22 ou 38. Normalmente são pistolas, submetralhadoras, fuzis", diz a nota.
O governo catarinense afirmou ainda que mantém um sistema de corregedorias para identificar e penalizar eventuais abusos comedidos por suas forças de segurança.
"Quaisquer excessos cometidos por policiais civis ou militares são investigado e punidos com rigor por suas corregedorias", afirma a nota.
Especificamente sobre a morte de Oliveira, o governo afirmou que "quando um policial se envolve em alguma ação que suscite qualquer dúvida sobre a legalidade de sua atuação, imediatamente é instaurado inquérito policial. Se comprovado algum desvio de conduta, há punição prevista em lei. Este inquérito ainda não está concluído".
Luis Kawaguti
No BBC Brasil
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Cristina Kirchner fará reforma judicial, mas nega mudar Constituição

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, proporá ao Congresso uma iniciativa para "democratizar" o Poder Judiciário, mas não promoverá uma reforma constitucional - opção que seus adversários temiam que fosse usada para permitir que ela concorresse a um terceiro mandato.
Cristina tem criticado vários juízes por frearem leis consideradas cruciais por seu governo, especialmente uma reforma que limita a propriedade dos meios de comunicação e que obrigaria o maior conglomerado do setor, o poderoso Grupo Clarín, a abrir mão de algumas concessões.
Ela também acusa o Judiciário de trabalhar a favor de "corporações" que, assegura ela, buscam desestabilizar seu governo.
Em um discurso de mais de três horas para abrir o novo ano legislativo, Cristina disse que enviará ao Congresso três projetos, incluindo um que institui eleições diretas para o Conselho da Magistratura, órgão de controle do Judiciário. Atualmente, seus 13 integrantes são nomeados pelo Congresso, pelo governo, pelo Judiciário, por sindicatos de advogados e pelo âmbito acadêmico.
"A proposta é que a totalidade dos membros do Conselho da Magistratura sejam eleitos pelo povo", disse a presidente, acrescentando que nunca teve a intenção de reformar o Judiciário por meio de uma mudança na Constituição.
Nas últimas semanas, a oposição vinha dizendo que os apelos governistas pela democratização da Justiça eram um pretexto para reformar a Constituição e permitir à presidente exercer um terceiro mandato.
"Não vai se reformar Constituição nenhuma, fiquem todos tranquilos. Então, quem achava que isso da democratização da Justiça era uma desculpa, que esqueçam", afirmou.
Ela também anunciou que, pelo projeto da reforma, o preenchimento de postos de trabalho no Judiciário (exceto para cargos de juízes) ocorrerá por sorteio, para evitar favorecimentos. "Ingressar no Poder Judiciário não pode ser um privilégio, devem poder fazê-lo todos que reunirem os requisitos."
Outra proposta de Cristina é regulamentar as medidas cautelares, um recurso com o qual vários juízes frearam algumas reformas do seu governo.
O Clarín, por exemplo, recorreu à Justiça contra partes da nova regulamentação dos meios de comunicação, por considerar inconstitucionais algumas exigências. Esses recursos geraram medidas cautelares que serviram para congelar um processo de desinvestimento, num caso que pode chegar à Corte Suprema.
Cristina disse que as medidas cautelares são uma "distorção do direito".
Parlamentares de oposição disseram que a proposta de reforma do Judiciário buscará "submeter" a Justiça aos desejos do Poder Executivo. A deputada Elisa Carrió disse, pelo Twitter, que a presidente "quer uma Justiça kirchnerista, submetida ao seu mando".
Guido Nejamkis
No Reuters
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Andante mosso

Guegel. Os riscos da malemolência. Foto: Fellipe Sampaio/ SCO/ STF
Guegel. Os riscos da malemolência.
Foto: Fellipe Sampaio/ SCO/ STF

Impeachment de Gurgel I

Ganhará vida, nos próximos dias, ação de impeachment do procurador-geral Roberto Gurgel.
Aderson de Carvalho Lago Filho, primo do ex-governador Jackson Lago, protocolará o pedido no Senado, com o relato de três ações contra a governadora Roseana Sarney,
do Maranhão.
Sobre elas Gurgel sentou-se com o seu volumoso peso.
Em 18 de fevereiro, Aderson encaminhou ao
próprio Gurgel uma representação “por crime de responsabilidade” contra o procurador-geral. Ele anexou espelhos da “movimentação processual”. Melhor traduzindo, “paralisação processual”.
Gurgel, por exemplo, abafa notícia-crime contra Roseana desde julho de 2010.

Impeachment de Gurgel II

Há uma aberração nessa história onde se pede a cassação de Roseana.
O relator foi o advogado Arnaldo Versiani. Gurgel segurou o processo até a conclusão do mandato de Versiani. Após isso, redistribuiu o caso, que “caiu” no colo da ministra Luciana Lóssio.
Luciana foi advogada de Sarney por oito longos anos.
O ex-presidente da República, gentil homem, compareceu à posse dela no dia 26 de fevereiro.

Impeachment de Gurgel III

Outro caso expressivo dessa, digamos, malemolência de Gurgel é o recurso, de novembro de 2011, contra a “expedição de diploma” de posse a Roseana.
A relatoria coube à vice-procuradora Sandra Cureau.
Sandra já tinha a decisão quase pronta. Foi surpreendida, porém, pela redistribuição do caso que, por coincidência, passou às mãos do procurador-geral. E assim já se passaram quase dois anos.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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A máquina da notícia pode virar sucata

Nos anos de 1970 e de 1980, o Jornal Nacional da TV Globo se orgulhava de ter uma média de 80% de audiência. Oscilava entre o primeiro e o segundo lugares no ranking de popularidade junto ao público da emissora. Hoje, o JN patina nos 27% de audiência e está no quinto lugar na lista dos programas mais vistos na Globo, atrás até mesmo do pouco expressivo seriado Pé na Cova.
Esta brutal mudança de status não pode ser atribuída a alguma defasagem técnica ou concorrência de outro telejornal. A Globo continua usando o que há de mais moderno em matéria de tecnologia, mantém o maior e mais bem pago plantel de jornalistas da tevê brasileira e nenhuma outra emissora consegue bater a Vênus Platinada em matéria de coberturas internacionais, de temas políticos ou econômicos, e na mobilidade das equipes de reportagem. Só enfrenta alguma concorrência da TV Record na cobertura de crimes, tragédias e escândalos sociais.
Pode-se alegar que a concorrência do canal fechado GloboNews – e seus similares na Band e Record – tenha levado os públicos A e B para um nicho informativo mais exclusivo, deixando a tevê aberta como um reduto das classes C e D, supostamente menos interessadas em jornalismo. Mas acontece que tanto o Jornal Nacional como seus similares na tevê paga seguem estritamente o mesmo modelo jornalístico, a mesma fórmula para lidar com a audiência.
A explicação para a perda de audiência do Jornal Nacional está fora da emissora. Está nos quase 150 milhões de brasileiros que todas as noites ligam a tevê. Este público perdeu a atração quase mística pelo noticiário na televisão, como acontecia entre os anos de 1970 a 1990, passando para um posicionamento desconfiado, distante e cético. A narrativa telejornalística deixou de ser discursiva para ganhar ares menos ufanistas, menos formalista e mais próxima da realidade, mas nem isso fez com que o telespectador baixasse a guarda.
Esse comportamento não é exclusivo do telespectador, pois também o leitor de jornais e de revistas é, sobretudo, um cético quando se trata de avaliar publicações. Em qualquer conversa sobre o noticiário impresso ou audiovisual, o número de críticas sempre supera – por larga margem – a quantidade de elogios.
Há 20 ou 30 anos, as pessoas discutiam os fatos, dados e eventos noticiados na tevê e nos jornais. Hoje, o leitor e o telespectador se mostram mais preocupados em identificar quem está por trás da notícia, quem são os beneficiários e os prejudicados. Ao longo dos anos, o público, de maneira geral, começou a perceber que os entrevistados e protagonistas do noticiário estavam mais preocupados com sua imagem pessoal do que com a informação. Que os eventos cobertos estavam ligados a interesses políticos, comerciais ou econômicos.
Como a imprensa raras vezes questionou esse tipo de comportamento, as pessoas assumiram, consciente e inconscientemente, que era necessário ter um pé atrás ao receber sua dose diária da realidade filtrada pelas redações. A sofisticação crescente do marketing pessoal, social, político e corporativo torna inevitável que celebridades, parlamentares, governantes e executivos tentem projetar para o público percepções que lhes sejam favoráveis. Pode ser eticamente nebuloso, mas é a regra do jogo.
O erro está no papel da imprensa que, em vez de questionar esse tipo de postura marqueteira, ou pelo menos identificar os interesses ocultos, simplesmente passou a publicar tudo o que recebia como informação, desde que fosse fornecido por fontes respeitáveis. A confiabilidade de dados e fatos deixou de estar atrelada a uma checagem jornalística para ficar pendente do status da fonte. Os jornais, revistas e telejornais se preocuparam mais com os formadores de opinião e tomadores de decisões do que com o público, que foi aos poucos perdendo a confiança naquilo que lhe era oferecido como sendo a verdade dos fatos.
A imprensa está pagando caro por esse erro estratégico porque a crise no modelo de negócios provocada pelas novas tecnologias de comunicação e informação fez com que ela se tornasse mais dependente do consumidor de notícias, justo no momento em que cresce o ceticismo e desconfiança do público em relação ao noticiário corrente. Ceticismo que assume proporções endêmicas no público jovem, com menos de 35 anos e que em breve estará na liderança dos governos, das organizações sociais e das empresas.
A solução para esse problema não está em tecnologias mais sofisticadas, mas na revisão das estratégias editoriais que priorizam os interesses das fontes e das empresas jornalísticas. O jornalismo tem em seu DNA a prestação de serviços ao público, e é aí que ele pode encontrar novas fórmulas de relacionamento com leitores, ouvintes, telespectadores e internautas.
Trata-se de uma escolha histórica porque, se ela não for feita, corremos o risco de desperdiçar toda a experiência e sabedoria de várias gerações de jornalistas que têm muito a transmitir para os novos profissionais e amadores. Estes inevitavelmente vão mudar a imprensa porque já nasceram com um chip digital embutido em sua cultura informativa. Mas também inevitavelmente passarão por muitas decepções e revezes porque a experiência é única e insubstituível.
Se as atuais empresas jornalísticas ignorarem o público como seu parceiro para continuar a vê-lo apenas como comprador de notícias, elas não sobreviverão e serão substituídas por outras. O preço a ser pago é o desperdício de quantidades imensas de informação acumuladas ao longo dos anos e que podem virar sucata junto com marcas jornalísticas centenárias.
Carlos Castilho
No Limpinho&Cheiroso
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Chávez está de buen ánimo y batallando

..
El vicepresidente de Venezuela, Nicolás Maduro, dijo que el presidente venezolano, Hugo Chávez, se encuentra de buen ánimo y batallando por su salud. "El presidente está batallando por su salud, hay que dejarlo descansar porque él ha dado todo por la patria".
No teleSUR
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Sobre a queda de audiência da Globo

Sugestão de Teresa Barbosa
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"Odeio o PT e Estou Começando a te Odiar Também"

http://fc03.deviantart.net/fs71/f/2010/311/a/6/bemvindo_sequeira_by_davisales-d32ckto.jpg 
"Bom dia querido Bemvindo, sou teu fã a décadas porém de tempos pra cá estou gostando menos de ti, não pelo seu trabalho na TV e sim pelo seu envolvimento politico nas redes sociais. Eu odeio o PT e estou começando a te odiar tambem, espero que você mude um pouco suas atitudes. Abraços"

Recebi este comentário de um leitor no meu blog Portal R7. Para evitar exposição que possa a vir ser constrangedora não cito o nome do leitor. Mas é um bom gancho para uma boa conversa.
"Estimado: talvez você não conheça a minha história: Ganhei consciencia política aos 16 anos. Entrei então para o Partido comunista em 1963. Aos 17 anos estava combatendo a Ditadura Militar pelo estupro da Costituição democrática que as Forças Armadas juraram defender. Aos 22 estava na luta armada contra o Regime de exceção.
Aos 25, derrotados que fomos na luta armada retornei ao Partido Comunista de onde saí muito depois, quando dirigente Municipal e Estadual do Rio de Janeiro vi o PPS (sucedâneo do PC) transformar-se em valhacouto de oportunistas e perdedores.
Durante a Ditadura fui preso 5 vezes.
Este ano completo 50 anos de luta política, sempre ao lado do que, por lembrança oportuna, João XXIII chamava de "O Povo de Deus", os excluídos, os perseguidos.
Por esta luta sacrifiquei minha carreira no show business, ao tempo que tenho orgulho por ser um dos que ajudaram a fazer a Lei que regulamentou a nossa profissão e por ter o registro profissional nº 01, das Fls. 01 do Livro 01 da DRT. Gosto de perceber que sou muito querido e respeitado pela minha categoria.
De saber que os jovens atores muito me honram todos os dias pelos ensinamentos que lhes trago.
Então estimado, fica difícil neste momento, aos 65 anos, deixar toda esta história de vida para corresponder á sua expectativa. Talvez, segundo os espíritas, quem sabe...numa outra encarnação...
Além do mais nenhum de nós nasceu para corresponder á expectativa do outro. Somos diversos e devemos viver respeitando a diversidade.
Também não creio que artistas que não se metem em política não tenham posição política. Tem sim. Ao ficarem quietinhos estão na verdade defendendo seus interesses , e quando não estiver bom para eles estarão na linha de frente das batalhas políticas também.
Por enquanto, a maioria fica em cima do muro, só que como diz um sábio, o muro já tem dono.
Mas peço-lhe: não odeie. Embora o ódio seja o amor não amamentado, não odeie.
Busco amar. E quando não consigo, busco perdoar, mais por compreensão que por bondade.
Relembro que perdoar não é desculpar. Desculpar é isentar de culpa quem merece ser punido. Como aqueles servidores públicos que torturaram e mataram durante a Ditadura e que pela Lei dos homens ainda não foram punidos.
E toda a política que faço procuro fazer sempre com muita Alegria, pois esta é Dom benfazejo.
O ódio é compreensível expressão infantil, mas que nas mãos de adultos gera a Morte.
Hitler odiou os judeus; por ódio Ghandi foi morto a tiros; o mesmo se deu com John Lennon;o Oriente Médio explode em ódios e mortes;por ódio a Al Qaeda mata civis inocentes; o ódio religioso nega a Deus; o ódio assassina homossexuais; não odeie , faça uma revisão e veja se consegue afastar este sentimento de seu coração.
Não se deixe levar pela paixão que cega; não deixe seu coração mandar na sua cabeça. Use da razão, busque o amor na sua mente, pois o coração é enganoso tanto para amar quanto para odiar.
Agradeço muito o quanto me admira, e gosta de mim para chegar ao ponto de começar a odiar-me. Agradeço a leitura que faz do meu blog e a atenção que me dispensa ao enviar seu comentário.
Um grande abraço de quem por ser diferente de ti reafirma que em cada família cada irmão é diferente do outro, sem deixar de serem irmãos. E apesar disto, por ódio, Caim matou o irmão Abel"
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Charge online - Bessinha - # 1709

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Principais programas da Globo têm queda de ibope; veja lista

Aos poucos vão fazendo sentido as profundas mudanças que a Globo fez em vários de seus escalões neste ano. 
Uma análise de ibope de seus principais produtos fixos (não incluídos os sazonais como "BBB", "F1", futebol etc.) aponta que a emissora vem sofrendo queda sistemática de audiência na maioria de seus produtos. E não adianta usar a desculpa de que "oh, boa parte das pessoas está assistindo à Globo na internet", porque isso não é verdade.
Os números de visualizações de atrações na internet ainda são muito pequenos para afetar a conta toda. Nem a TV paga ainda conta. O produto importante ainda é, e continuará a ser por um bom tempo, a TV aberta. Vejamos as quedas nas tabelas abaixo, obtidas com exclusividade pela coluna:
DRAMATURGIA DAS 21h
Das três novelas no biênio 2011/2012, a única que teve algum ganho foi "Avenida Brasil", com inexpressivo crescimento de 1% no ibope e 5% no share. Mas, certamente, esse ganho já será consumido pela má performance da atual "Salve Jorge".
DRAMATURGIA DAS 18H e 19H
As novelas das 18h e 19h, por sua vez, tiveram marcantes quedas. Entre 2011 e 2012, a novela das 18h perdeu 12% de ibope e 5% de share (share é a participação do programa no número de TVs ligadas; ou seja, do tanto de TVs ligadas àquela hora, X% estavam assistindo a novela tal...). Já a novela das 19h perdeu 10% de audiência e 5% de share. Cada ponto vale por 60 mil domicílios na Grande SP.
AFUNDA! AFUNDA!
De longe, o produto fixo que mais ibope perdeu no último biênio foi o veterano "Esporte Espetacular", que caiu 16% no ibope e 10% no share. Esse seria um motivo da reação do público à presença de Tande que, como excelente jogador de vôlei, é um insosso apresentador.
OUTRO EM QUEDA
Outra atração fixa que chama a atenção por estar tendo má performance é o "Caldeirão do Huck". O programa perdeu entre 2011 e 2012 cerca de 12% de índice de audiência e 6% de share. As mudanças promovidas no "Bom Dia Brasil" também não parecem ter surtido muito efeito: caiu 12% em ibope e 7% em share. Está perdendo fôlego para o "Fala Brasil" da Record, tudo indica. 
E TEM MAIS
Fátima Bernardes
Fátima Bernardes
Ninguém parece ter ficado muito surpreso com a transferência do programa de Fátima Bernardes para o núcleo de Boninho. Já era esperada uma guinada ainda maior rumo à popularização do programa - para alguns, com ar elitista demais.
Pode esperar a partir de agora cada vez mais sambistas e quadros-reality no matinal da Globo. Não se espantem se "Encontro com Fátima" virar uma espécie de cover do "Esquenta", de Regina Casé.



Ricardo Feltrin
No fAlha
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Analistas vendendo gato por lebre

Apesar dos esforços em contrário de alguns comentaristas, o noticiário político do mês passado foi dos menos emocionantes dos últimos tempos. Bem que quiseram torná-lo interessante, tentando enxergar novidades onde nenhuma havia, mas não funcionou.
O que terminaram por fazer foi vender gato por lebre.
A tese inventada é que, em fevereiro, o sistema político deu a largada para a corrida eleitoral de 2014, algo que, se tivesse efetivamente acontecido, seria um fato relevante. Implicaria duas coisas: que não havia começado antes e que estaríamos em campanha desde então.
Na opinião desses analistas, PT e PSDB, cada um a seu modo, teriam “precipitado” a eleição. Ao fazê-lo, levaram outras forças políticas a antecipar seus movimentos tendo em vista a próxima sucessão presidencial.
Só que nada realmente significativo aconteceu.
Do lado do PT, a tal antecipação viria de Lula ter afirmado, na reunião de comemoração dos dez anos de governos populares, ser Dilma candidata. Ela teria todo o direito de disputar a reeleição e seria a favorita para vencer.
Como diria Mino Carta, até o mundo mineral sabia disso.
Desde a posse de Dilma, ninguém ouviu Lula afirmar algo diferente. Mais especificamente, nunca manifestou a vontade ou a intenção de ser o candidato de seu partido no ano que vem.
Está claro: isso não significa que seria impossível que o fosse, na hipótese de Dilma não querer ou não poder se reapresentar. Contando com a preferência de dois terços do eleitorado, o ex-presidente era, é e continuará a ser forte candidato em potencial. Só se surpreendeu com a sua declaração quem apregoou o oposto, que Lula cultivava o “desejo secreto” de ser o candidato do PT em 2014. Esses, supostamente capazes de conhecer suas “motivações íntimas”, se esquecem do óbvio.
Na cultura política desenvolvida após adotar a reeleição, nunca é demais lembrar que por iniciativa dos tucanos, que pretendiam permanecer no poder por muitos anos, apenas o administrador fracassado deixa de disputar o segundo mandato. Com a exceção de Itamar Franco, apto a fazê-lo em 2002, mas que se absteve por razões filosóficas (e assim abriu caminho para a primeira eleição de Aécio Neves ao governo de Minas), todos os minimamente bem-sucedidos o buscaram.
Tirar de Dilma essa possibilidade equivaleria a considerar que faz um péssimo trabalho e que não merece sequer a chance de pleitear a recondução.
Vendo como as pessoas a avaliam e quão elevada é a sua aprovação, a ideia não faz sentido. Ainda mais para quem conhece minimamente como pensa Lula. Negar a ela o direito de se reeleger seria assumir um erro cometido ao indicá-la e a apresentá-la ao País como gestora competente.
Ou seja, a declaração de Lula de que Dilma é a candidata do PT em 2014 é apenas a reiteração do evidente. Nela não houve qualquer “antecipação” da próxima eleição.
O segundo fato de fevereiro que nada teve de extraordinário foi o discurso do senador Aécio Neves, com críticas ao governo e ao PT. Inusitado seria se tivesse subido à tribuna para elogiá-los.
O desafio do ex-governador de Minas não é afirmar-se como candidato. Por seus méritos e muitos deméritos de seus correligionários, é a escolha natural do PSDB.
Mas ele não dispõe, como seus antecessores, do direito de determinar o conteúdo e os discurso de sua candidatura. Ninguém disse a Covas, Fernando Henrique, Serra ou Alckmin o que deveriam falar, como e para quem. Ninguém escalou seus assessores e consultores.
A candidatura de Aécio nasce com dois problemas. De um lado, precisa se libertar dos radicais de direita, que na política, na sociedade e na mídia querem fazer dele o porta-voz. De outro, precisa se livrar do engessamento do passado e da obrigação de carregar o fardo da defesa do “legado de FHC”.
Os paradoxos de Aécio não foram resolvidos no pronunciamento. Nele voltou a ser o novo que o velho pretende manter sob tutela.
Resta o terceiro não fato de fevereiro: o lançamento da “Rede” de Marina Silva.
Como todo projeto individualista, esse é outro cuja relevância só será estabelecida pelo tempo. Hoje parece que será pequena. Com até o PV a relutar em apoiá-la, quantos parlamentares se disporão a segui-la? Sem eles, terá, na eleição, a mídia de qualquer nanico.
À distância, Eduardo Campos ficou vendo essas movimentações, rezando para que não o esquecessem. Tampouco tinha algo a dizer.
Mas nem Aécio, nem Marina, nem ele precisam se preocupar. Mesmo que nada façam, sempre terão a nossa “grande imprensa” para fazer marola.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi.
No CartaCapital
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Os irmãos Neves

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Censura à Falha, tiro no pé da Folha

 

“Tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura.” [1] Tais Gasparian, advogada da Folha que assina o processo contra o blog Falha de S. Paulo, comentando o caso jurídico envolvendo Juliana Paes e o colunista da Folha de S. Paulo, José Simão, em 2009).
Uma definição clássica de paródia é a de que esta se trata de um texto (entendendo texto aqui como qualquer manifestação discursiva, seja ela verbal ou não verbal) que repete outro texto-base, contudo o faz promovendo algumas diferenças, as quais caracterizarão este “novo” texto como depreciativo ou como uma homenagem àquele que está sendo parodiado [2]. Para poder proceder este seu intento, o principal o mecanismo em que a paródia se apoia é a ironia. Enunciando esta breve explanação de como se constituem as paródias, passemos a comentar o caso envolvendo o blog Falha de S. Paulo e o jornal Folha de S. Paulo, o qual teve seu mais recente episódio jurídico transcorrido no dia 20 de fevereiro de 2013. Nesta oportunidade o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a proibição ao blog de utilizar o seu domínio (www.falhadespaulo.com.br), bem como o logo com o qual parodiava o logo do jornal.
O principal argumento do periódico é de que a Falha estava utilizando indevidamente a marca da Folha, podendo com isto, inclusive, confundir os seus leitores e leitoras que, por ventura, acessassem por engano o endereço eletrônico da Falha. Quanto a esta última afirmação, Julian Assange, criador do Wikileaks, em entrevista concedida no final do ano de 2010, comentou cirurgicamente que:
“[...] o blog não pretende ser o jornal e acho que deve ser liberado. A censura é um problema especial quando ocorre de forma camuflada. Sempre que haja censura, ela deve ser denunciada.” [3].
Pois é, o blog se valia da relação explícita e direta existente entre texto-paródia e texto-base-parodiado, contudo a ofensiva por parte do jornal, o qual em outras oportunidades, como no caso de nossa “epigrafe”, defendeu seu direito de zombar, parodiar ou satirizar outrem através de seus colunistas e quadrinistas, se associa àquele cinismo contemporâneo de que Slavoj Žižek sintetiza com a frase parodiada de Marx: “eles sabem muito bem o que estão fazendo, mas mesmo assim o fazem” [4].
Provavelmente, mesmo com a ciência de que o blog não apenas não tencionava ser o jornal, como seguramente teria pouca expressividade para tirar qualquer vantagem econômica da propalada confusão que se provocaria pela tipografia e endereços eletrônicos similares, o periódico, ainda assim, fundamentou sua acusação neste cínico alicerce de uso indevido da marca.
A Falha de S. Paulo foi criada com o intento de escarnecer a cobertura pretensamente parcial, no entender dos criadores do blog, da Folha de S. Paulo nas eleições presidenciais de 2010. Para tal, se valeu de foto montagens envolvendo os colunistas e os donos do jornal, um simulador de manchetes, dentre outros recursos. Ao retomarmos a definição de paródia, é compreensível que o blog se valesse de deformações irônicas referentes ao conteúdo estético e de estilo da Folha de S. Paulo, se não fosse assim, não haveria sequer uma paródia, apenas cópia – o que aí sim poderia se caracterizar como algum uso indevido de marca.
Salientamos que o interessante nesta situação toda é que a crítica suscitada pela paródia se deu graças ao seu caráter humorístico reflexivo. Deste modo, podemos dizer que esta atitude intempestiva do grupo Folha corrobora com a ideia de que se a Falha não se valesse de um humor crítico e reflexivo (e, em nossa perspectiva, todo humor calcado na crítica é motor para ocasionar reflexões), muito provavelmente não teria recebido atenção alguma por parte do jornal.
Em outros termos, se o blog visasse tão somente gracejar de forma pueril e light com o jornal alvo, enfocando em questões menores, como somente os nomes dos cadernos, por exemplo, repetimos: o jornal, muito provavelmente, não daria atenção alguma ao pequeno sítio paródia.
O escárnio propagado pelo blog, porém, teve uma ressonância quase que imediata, uma vez que questionava algo caro aos veículos jornalísticos de comunicação: a tão propalada (e diríamos até ilusória) isenção total. E, mais do que isto, pela via do humor debochado e crítico, promoveu certo desmonte no discurso proferido e tão defendido pela própria Folha de S. Paulo de que esta sempre tivera uma linha editorial pautada, principalmente, pela imparcialidade.
Gostaríamos neste ponto de esclarecer que, a nosso ver, não há problemas em uma publicação impressa, como um jornal de circulação diária, adotar determinadas posturas políticas, desde que o faça de forma clara e direta ao seu público leitor, até porque, em diversos países do mundo, há mídias que explicitam abertamente suas posições frente às mais variadas questões. Além disso, vale pontuarmos que julgamos pouco crível a existência de uma total imparcialidade em uma cobertura jornalística, ainda mais neste caso que estamos analisando, em que o objeto da mesma fora uma eleição presidencial.
Por mais que os profissionais envolvidos (repórteres, editores, âncoras dos telejornais, etc.) busquem completo distanciamento ou certa isonomia ao tratar dos candidatos, sempre há o fator humano envolvido, o qual, estando embainhado na ideologia e forjado pelos fatores sócio-históricos, se traduz nas mais mínimas trivialidades – o enquadramento escolhido para a foto do político, as palavras utilizadas para descrever um ato de campanha, dentre outras.
Retornando ao caso Folha X Falha e finalizando, diríamos que os criadores do blog através de suas charges e apontamentos mordazes com relação às manchetes e às capas do jornal, desnudavam posições e intenções do periódico em cobrir favoravelmente um candidato, preterindo os outros postulantes.
Assim, se o jornal quisesse estabelecer algum diálogo com as críticas ou com o deboche vinculado pelo blog paródia, este (jornal) poderia questioná-lo, tentando demonstrar que sua cobertura ao pleito presidencial não estava sendo parcial. Ou, simplesmente ignorar a existência da crítica, visto que ao perpetrar o processo ainda em curso, a Folha acabou por dar “um tiro no pé”, pois, de alguma forma, se não amplificou a crítica realizada pela Falha enquanto esta esteve no ar, demonstrou pouca habilidade em lidar com o fato de se tornar alvo de zombaria.
Até porque, como denunciado pelos criadores da Falha em seu outro blog, montado para dar visibilidade ao caso [5], a MTV utilizou o mesmo logo paródia presente na Falha de S. Paulo em um dos seus programas humorísticos em 2011, entretanto, a emissora não recebeu o mesmo tratamento jurídico dado ao blog. Embora, valha comentar que o canal televisivo tenha realizado uma paródia tão somente com o logotipo do jornal, sem criticá-lo, o que pode se configurar com uma paródia inofensiva e de tipo homenagem, como descrevemos inicialmente.
Todavia, mesmo no caso do blog Falha de S. Paulo que se trata de uma paródia depreciativa e crítica, isto não lhe imputa a premissa de ser prontamente proibida pela via judicial, ainda mais quando tal proibição se respalda em um argumento cínico (o jornal não soube lidar com uma crítica certeira e debochada acerca de sua linha editorial, mas ao invés de assumir tal postura, alegou uma razão de outra ordem para silenciar aqueles que formularam a crítica). Isto posto, temos de concordar com a advogada do grupo Folha, quando esta diz que tratar o humor (sobretudo, aquele que critica o status quo, tal qual neste caso Folha versus Falha) como ilícito é de fato proceder a censura do mesmo. 
Notas
[1] FOLHA ONLINE – Ilustrada. “Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes” – 17/07/2009. Disponível em:. Acesso em: 25 fev. 2013.
[2] HUTCHEON, Linda. Uma teoria da paródia: ensinamentos das formas de arte do século XX. Trad. Teresa Louro Pérez. Lisboa: Ed. 70, 1989.
[3] ASSANGE, Julian. ‘Ainda a material de impacto sobre os EUA’, diz fundador do WikiLeaks. O Estado de S. Paulo, edição de 23 de dezembro. 2010. Disponível em: . Acesso em: 25 fev. 2013.
[4] ŽIŽEK, Slavoj. Cinismo e objeto totalitário. In:______. Eles não sabem o que fazem: o sublime objeto da ideologia. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1992, p. 59-73.
[5] DESCULPE A NOSSA FALHA. Disponível em: . Acesso em: 25 fev. 2013.
Mateus Pranzetti Paul Gruda – Doutorando em Psicologia pela UNESP-Assis, no qual desenvolve pesquisa sobre o discurso humorístico na contemporaneidade com bolsa da FAPESP.
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