1 de mar de 2013

É o fim de um mundo?

Quinhentos degraus, se não me engano, separam o chão de São Pedro do terraço circular que cerca a cúspide da cúpula de Michelangelo. Galguei-os aos 8 anos de idade conduzido por minha avó paterna, Adele, romana de Roma. Escalada audaciosa e jamais repetida, e lá do alto me pareceu contemplar o Universo.
Santa Maria del Fiore. A cúpula mais bela, sem ostentação e jactância. Foto: Cosmo Condina /Tips /Photononstop /AFP
Santa Maria del Fiore.
A cúpula mais bela, sem ostentação e jactância.
Foto: Cosmo Condina /Tips /Photononstop /AFP
À de São Pedro prefiro a cúpula de Santa Maria del Fiore, em Florença, obra de Filippo Brunelleschi, remonta aos começos do século XV e é a primeira erguida pelo homem. Esta me ficou na memória na mocidade, e minha emoção foi puramente estética. Já não cursava o primário no colégio das Marcelinas, as boas freiras com suas toucas graciosas a despeito dos acabamentos em renda negra.
Estudei no colégio das Marcelinas porque meu pai, anticlerical convicto, via ali um reduto antifascista. E era, clara e corajosamente. Não obrigavam os alunos a participar nas manhãs de sábado dos desfiles organizados em praça pública, a reunirem uma patética garotada de uniforme não bélico, belicoso. E, em pleno vigor das leis raciais que mancomunaram Mussolini a Hitler, abrigavam meninos e meninas judeus em classes mistas, isentando-os das aulas de catecismo, quando iam ao jardim para brincar entre as árvores. Para minha inveja.
Não duvidava, então, a despeito da ojeriza irreversível ao catecismo, da condição do papa na qualidade de vigário do Altíssimo. Meu pai permitia-se insinuar brandas dúvidas, sem êxito. Eu mostrava talento para coroinha e voltava miradas luzidias na direção de uma coleguinha judia de olhos amendoados e sobrenome Avigdor.
A respeito do papa, como númeno e como fenômeno, tenho lido até a fartura nos últimos tempos e não nego que haja razões para tanto. Ocorre, porém, que Bento XVI não é, na minha visão, aquele que os analistas pretendem. Trata-se de um ancião alquebrado, envelhecido apressadamente no mister, e isso é inegável. Que a imponência dos problemas a enfrentar o tenha levado à renúncia é admissível, e até provável. Certo é que apareceu o homem comum, frágil e impotente, obviamente incapaz de representar o Criador, como supunha eu ao encarar o Universo do alto de São Pedro.
A renúncia de Ratzinger, empedernido, irredutível conservador, não é um sinal inesperado de modernidade, é a confissão da derrota, pessoal e da anacrônica monarquia por direito divino que se mantém impávida desde a oficialização do cristianismo como religião de Estado pelo imperador Constantino, pouco além do ano 300 d.C.
Cada vez mais entregue a Terra à prepotência das oligarquias do poder pelo poder, e de tudo que as favorece, não deixará de haver empenho  fervoroso em perpetuar o quanto  aí está para ver como fica. Mais ou menos como se dá no enfrentamento da crise econômica que abala a humanidade em peso. Em vez de combater quem a provoca, as soluções postas em prática visam a lhe facilitar a vida. Em lugar de produzir bens, ou saber e conhecimento, multiplicam-se mentiras grosseiras e grana para poucos, empulhações vulgares (como a arte contemporânea, insisto neste ponto, como sinal da imbecilização do planeta) e os privilégios dos emires, autênticos ou recém-construídos.
Bento XVI desistiu de sua habitual arrogância, que o conduziu intocada até o papado, e entregou os pontos. Aplastado, deu as pancadas de praxe no tablado. Ganha um futuro em sossego, sem exclusão dos pés metidos em pantufas marrons. Prada, é o caso de apostar. Espero que o assaltem os pesadelos noites adentro, e mesmo ao longo do dia. No mais, não vou arregalar os olhos se o futuro papa for igual a Ratzinger na confirmação da insustentável medievalidade da Igreja Católica Apostólica Romana.
Reveste-se o momento da força avassaladora e imponderável dos símbolos, manifestada inclusive na capacidade de anexar situações aparentemente diversas, de aprisioná-las em um único contexto, atadas à circunstância, agrilhoadas sem perceber, vítimas do destino fatídico. Estaríamos diante de mais uma encruzilhada global? Não se trataria do fim do mundo, mas do fim de um mundo, e talvez seja aprazível figurar na assistência. Quem resiste, perderia. Ou ganharia, para ser ainda poder dentro dele, largo tempo de sombra espessa.
Mino Carta
No CartaCapital
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“Raciocinar” ou “assassinar” na Escola Base, no Bar Bodega

A condenação da Dra. Virginia – sem provas – incriminará milhares de médicos e enfermeiros que trabalhem em UTIs.
Virginia recebia por "leito ocupado" - ocupado por pobre ou rico
Saiu na Folha, pag C1:

Prisão de chefe de UTI se baseou em ‘análise de inquérito, não em verbo’, diz polícia

Polícia troca “raciocinar” por “assassinar” na fala da médica Virginia Souza, acusada de provocar a morte de pacientes na UTI de um hospital em Curitiba.
Foi esse erro na transcrição de uma gravação que levou ao pedido de prisão.
A frase dela, no original, é: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila para raciocinar, pra tudo, né!”
Além da acusação de praticar eutanásia, há também a suspeita de que sacrificasse pacientes do SUS para que a UTI recebesse pacientes que pudessem pagar.
Na verdade, a remuneração dela era por “leito ocupado” por pobre ou rico.
Assim como será muito difícil provar a materialidade da prática da eutanasia.
A condenação da Dra Virginia implicará na condenação automática de milhares de médicos e enfermeiros brasileiros que trabalham em UTIs.
Como se sabe, porém, Virginia está irremediavelmente condenada.
Condenada pelo “domínio do fato” é o que se presume.
Domínio do fato aplicado pela Polícia do Paraná e por jornalistas.
A propósito, recomenda-se relembrar o episódio da Escola Base, que dignifica a imprensa brasileira, e ler o excelente livro de Carlos Dornelles sobre o Bar Bodega.
Viva o Brasil!
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New York Times e Washington Post recusaram o material que o Wikileaks publicou

O primeiro dia do julgamento de Bradley Manning é devastador para a imagem da mídia americana.
Um heroi
Um heroi
“Comprovado: Bradley Manning é heroi”.
Foi essa a reação imediata do cineasta Michael Moore quando foi revelado no primeiro dia de seu julgamento em corte marcial o recruta Manning admitiu oficialmente ter feito os aqueles célebres vazamentos para o Wikileaks. Entre os vazamentos o destaque foi o vídeo do helicópteto Apache a partir do qual, por engano, soldados americanos mataram civis iraquianos.
Manning aceitou dez das 22 acusações, mas negou a principal delas: ter ajudado o inimigo. É um crime passível de prisão perpétua. As acusações que ele admitiu podem lhe dar 20 anos de cadeia. Mas ainda haverá muitos movimentos. A promotoria deve insistir na tese de que o inimigo foi ajudado.
Com os vazamentos, afirmou, seu objetivo foi “estimular o debate público” entre os americanos sobre a política externa de seu país.
O objetivo foi amplamente alcançado, como se pode ver. E ultrapassado, uma vez que o debate rompeu as fronteiras americanas e ganhou o mundo.
O depoimento de Manning no primeiro dia do tardio julgamento – iniciado depois de mil dias de prisão – trouxe revelações sensacionais sobre o jornalismo que se faz hoje nas grandes corporações de mídia.
Antes de entregar o material ao Wikileaks, Manning fez o percurso clássico.
Tentou o New York Times. Ninguém o ouviu. Tentou o Washington Post. Nada. Tentou o Wikileaks. E foi feita história.
A mídia americana já começa a debater este fiasco extraordinário.
Manning é um heroi, como disse Michael Moore. Ajudou a ver um dos horrores do mundo contemporâneo, a Guerra do Iraque.
E Assange também é, por ter publicado os documentos valiosíssimos que o Times e o Post desprezaram.
No Diário do Centro do Mundo
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O ceticismo de Leonardo Boff sobre o futuro da Igreja


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Revoltados online

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Barbara Gancia saiu do armário com classe

A colunista foi corajosa ao assumir sua homossexualidade sem proselitismo.
Barbara
Barbara
Na semana passada, a colunista da Folha Barbara Gancia saiu do armário. Foi num artigo sobre a renúncia do papa. “Do jeito que esses senhores colocam, ou bem se é católico ou se é humano”, escreveu. “Bem, pessoalmente, opto por ser fiel a mim, da forma mais digna e transparente possível, caminhando no sentido contrário das farsas, da impostura e das trevas que me foram impostas pela herança de uma educação católica. O que significa impedir que esses malucos de batina queiram me afastar de Cristo sentenciando que minha homossexualidade não se encaixa no conceito que eles fazem de amor”.
Você pode dizer: eu já sabia. Ok. Mas o fato de Barbara se abrir desta maneira é um avanço. E o fato de isso não virar uma revolução é outro. Barbara comentou sobre sua sexualidade de uma maneira clara e sensível, sem se martirizar ou transformar essa revelação num factoide. Fez diferença na argumentação? Sim. Ela tinha a obrigação moral, como figura conhecida, de assumir? Não. Embora hoje não exista mais privacidade, o que ela faz em casa continua não sendo da conta de ninguém, a menos que você acredite no capítulo 487, versículo 7463 do Livro de Miguelito, que diz que toda pessoa que gosta de cupcake arderá no inferno.
Barbara dá um recado importante ao comentar o tema com naturalidade. Como no caso de Jodie Foster, que saiu do armário de maneira elegante no Globo de Ouro, ela deve ser julgada por sua obra. Nada além disso interessa (a não ser no submundo da fofoca, que é onde se arrastam as almas penadas de subjornalistas como a que “insinuou” que Rafinha Bastos é gay).
O Brasil ainda tem poucos exemplos de gente famosa que saiu do armário. Cauby Peixoto morrerá dizendo que gosta de mulheres. É direito dele. Só é bobo e inútil porque ninguém leva a sério. Ao embutir a confissão sobre sua sexualidade num texto sobre religião, Barbara não está fazendo proselitismo. Ela mesma disse para a ombudsman da Folha, Suzana Singer, que não quer ter apenas essa dimensão. “Tenho outros defeitos”, afirmou.
Recentemente, um amigo me contou que a filha, recém-saída da adolescência, é homossexual. Ele estava tendo algumas conversas com ela. Não para convencê-la a mudar de ideia — o que, de resto, não daria em nada –, mas que ficasse tranquila porque ele estava tranquilo. Ajudaria a menina se uma das 97 cantoras gays de MPB assumissem? Talvez. Mas a maior preocupação de pai e filha, na verdade, era outra: que ela passasse na faculdade e pudesse seguir com o plano de virar veterinária. Enfim, como todo pai, que ela fosse feliz e que ele a apoiaria diante das forças do mal, se elas aparecerem. E vida que segue.
Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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O homem por trás dos constantes boatos de que Chávez está morto

Um panamenho adepto de teorias conspiratórias tem-se dedicado a trolar os chavistas.
hugo-chavez-dead
Não é difícil forjar uma foto como esta
O artigo abaixo, de Adam Clark Estes, foi publicado originalmente no site Atlantic Wire.
Na quarta-feira à noite, um dos postos mais obscuros do império CNN informou que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tinha morrido, citando uma fonte panamenha, Guillermo Cochez. A CNN Chile relatou muito claramente: “Hugo Chávez está morto.” A notícia em si, se for verdade, não é inacreditável. O político vem lutando com o câncer já há algum tempo e está fora dos olhos do público por meses. Chávez não pôde nem comparecer a sua posse própria. Menos de uma semana atrás, o governo venezuelano deu a má notícia de que Chávez não estava melhorando. Ele sofre de problemas respiratórios depois de voltar de Cuba, onde foi submetido a uma cirurgia contra o câncer pela terceira vez.
Chávez está realmente doente, e todo mundo sabe disso. Mas Guillermo Cochez também é indiscutivelmente um teórico da conspiração. Mais cedo nesta quarta-feira, Cochez – e apenas Chochez – informou que Chávez tinha tido morte cerebral em 30 de dezembro. Cochez disse que Chávez estava sendo mantido em suporte de vida e, mais tarde, citando fontes do governo venezuelano, acrescentou que suas filhas haviam finalmente decidido desligar os aparelhos. Cochez vem, essencialmente, trolando os venezuelanos. “Desafio o governo venezuelano a provar que estou errado, e apresentar o presidente Chávez para que se saiba se o que eu digo é a verdade ou uma mentira”, disse à CNN chile Cochez.
Devemos acreditar no cara que está desafiando o governo venezuelano a provar que ele está errado?
A foto que aparentemente mostra Chávez lendo um jornal de 14 de fevereiro sugerem que não. Nela o líder bolivariano aparece deitado na cama, sorrindo, com suas duas filhas a seu lado. Claro, não é tão difícil com um photoshop botar um novo jornal em uma foto antiga de Chávez, e o governo venezuelano não é totalmente inexperiente com propaganda. Mas, novamente, isso nos leva para o território da teoria da conspiração. De resto, esta não é a primeira vez que um rumor sobre a morte de Chávez irrompe na internet. Por ora, a coisa mais segura é assumir que Chávez está realmente muito doente.
É, naturalmente, possível que ele tenha morrido, e que o governo esteja mantendo em segredo, como Cochez sugere. Mas é também possível que Cochez esteja encharcado de teorias conspiratórias. Um indício sério disso é que – até o momento em que este texto é escrito – nenhum dos outros escritórios da CNN ao redor do mundo tinha comprado a história. Como este blogueiro, provavelmente eles estão esperando por uma segunda fonte para confirmar o rumor.
No Diário do Centro do Mundo
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E Waldvogel, no Entre Caspas, engasgou atônita e surpresa com vida inteligente na Globo

A jornalista Monica Waldvogel intermediava, aspas, as opiniões conflitantes entre Breno Altman, editor do site Opera Mundi, e Sandro Vaia, ex-diretor do Estadão. Uma surpresa: Altman é um jornalista articulado, inteligente, bem preparado e elegante ao debater. Com todos estes atributos, deu um monumental baile em Sandro Vaia e Monica. Breno defendeu o óbvio: o direito à livre expressão dos que vaiaram Yoani em Feira de Santana.
Não houve agressão física, e sim vaias – a meu ver merecidas e previsíveis, dada a antipatia que Yoani desperta entre praticamente todas as pessoas que não sejam de direita.
Democracia é assim: você pode vaiar e pode aplaudir. Onde, em Feira de Santana, as pessoas que aplaudem Yoani?

No OniPresente
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O catastrofismo durou pouco

Um dos pressupostos essenciais do noticiário econômico é a busca da objetividade, e basta um pequeno desvio de método para que o resultado seja jornalismo de qualidade discutível. O risco maior é sempre dos diários, condicionados por um limite de tempo que nem sempre coincide com a possibilidade de uma boa análise.
No entanto, nesta semana, uma revista de informações que hipoteticamente tem mais tempo para elaborar seus conteúdos, e com isso oferecer um produto mais denso aos seus leitores, produz o efeito contrário. Em tom de profecia, a reportagem de capa de Época anuncia o apocalipse: “O eclipse do Brasil: A festa acabou. A economia empacou. O investidor fugiu. E agora?”
Acontece que a blague sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade durou poucos dias. Na edição de quinta-feira (28/2), o insuspeito Estado de S.Paulo traz resultado de consulta a representantes do mercado financeiro e outras fontes para afirmar exatamente o contrário: “Mercado prevê alta de 3% no PIB em 2013, mas já há quem aposte em 4%”, diz o título no alto da página.
A contradição evidente entre a notícia do Estadão e o cenário apocalíptico apresentado por Época levaria o leitor distraído a considerar que, como tem mais tempo para a apuração e análise dos dados, uma revista semanal estaria mais próxima da verdade quanto aos fatos da economia. Mas uma leitura mais crítica revela que a revista fez uma aposta errada, baseada em opiniões comprometidas.
 
A reportagem de capa da revista Época se desmanchou no ar: já na segunda-feira (25), portais noticiosos e sites especializados traziam previsões de queda da inflação e retomada do crescimento; no dia seguinte, a boa notícia era sobre a preservação dos índices de emprego; na terça-feira, sinais de retomada de atividades na indústria; na quarta, indicadores parciais do IBGE sobre o fraco desempenho da economia em 2012 conviviam com previsões de mais crescimento para este ano.
Na quinta-feira (28), a reportagem do Estadão sobre perspectivas otimistas para 2013 é complementada por registro da Folha de S.Paulo sobre o superávit mensal recorde nas contas públicas e reportagem do Globo,mostrando que os investimentos se recuperam nos dois primeiros meses do ano.
A besta do apocalipse
Qual teria sido a trajetória da ideia por trás da reportagem de Época? Como a revista chegou à conclusão de que o Brasil estaria à beira do abismo, com seu futuro comprometido por um “eclipse econômico”?
Contrariando a prática deste observador, de evitar a personalização da análise da mídia, é preciso andar para trás e registrar que o autor da reportagem, muito ativo nas redes sociais digitais, não faz questão de parecer isento – pelo contrário, suas iniciativas e intervenções demonstram claramente sua posição política, manifestamente em oposição ao atual governo.
Diferente de outros repórteres e editores de economia, que em geral preservam um perfil mais discreto, embora sempre críticos com relação à condução da economia nacional, o autor da reportagem de Época é um ruidoso militante no campo político. Tal característica não pode ser condenada a priori, uma vez que o jornalista deve ser transparente em suas escolhas, mas é de se questionar se esse ativismo não poderia afetar a credibilidade do seu trabalho.
Vejamos, então, de onde o autor tirou a ideia de que o Brasil vai a pique.
Uma leitura cuidadosa da reportagem, aliada à análise de sua linguagem, indica que ele tirou a conclusão que justifica a manchete ao manipular opiniões muito marcadas por interesses específicos: suas fontes centrais são, entre outros, o veterano investidor Mark Mobius, o financista Armínio Fraga e o economista e diplomata Rubens Ricúpero.
De Mobius pode-se dizer que se trata de um investidor com apetite para riscos em países emergentes, que em várias ocasiões se mostrou contrariado com a decisão do governo brasileiro de desestimular o ingresso de capital especulativo. Ricúpero e Fraga são carimbados como ex-colaboradores do governo do PSDB.
Ainda assim, Mobius afirma na reportagem que “mesmo com a queda dos juros e o IOF, os ganhos no Brasil continuam atraentes” e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, entende que o pessimismo de alguns investidores estrangeiros é exagerado.
Dos demais entrevistados, como Carlos Langoni, também ex-presidente do BC, e outros economistas e investidores, não saiu a palavra eclipse ou outra justificativa para o catastrofismo que caracteriza a reportagem.
Não há, nas citações, razões para acreditar que a besta do apocalipse está solta. Tudo saiu direto da cabeça do repórter (José Fucs) para a capa de Época.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Charge online - Bessinha - # 1708

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Cuba: 50 verdades que Yoani Sánchez ocultará

UESLEI MARCELINO: Cuba's best-known dissident, blogger Yoani Sanchez, addresses a news conference at the auditorium of the Chamber Executives of shopkeepers in Feira de Santana February 19, 2013. Sanchez is on an 80-day tour, after she was granted a passport two weeks ago  
Blogueira faz turnê mundial de 80 dias em cerca de 12 países do mundo para falar sobre Cuba. Mas não dirá tudo...
A famosa opositora está realizando uma turnê mundial de 80 dias em cerca de doze países do mundo para falar sobre Cuba. Mas não dirá tudo...
1. O artigo 1705 da Lei Torricelli, de 1992, adotada pelo Congresso norte-americano, estipula que: “Os Estados Unidos fornecerão apoio a organizações não-governamentais apropriadas, para apoiar indivíduos e organizações que promovam uma mudança democrática não-violenta em Cuba”.
2. O artigo 109 da Lei Helms-Burton, de 1993, aprovada pelo Congresso, confirma essa política: “O Presidente [dos EUA] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para apoiar os esforços com vistas a construir a democracia em Cuba”.
3. A agência espanhola EFE fala de “opositores pagos pelos EUA” em Cuba.
4. Segundo a agência britânica Reuters, “o governo norte-americano proporciona abertamente apoio financeiro federal para as atividades dos dissidentes”.
5. A agência de notícias norte-americana The Associated Press reconhece que a política de financiar a dissidência interna em Cuba não é nova: “Há muitos anos, o governo dos EUA vem gastando milhões de dólares para apoiar a oposição cubana”.
6. Jonathan D. Farrar, ex-chefe da Seção de Interesses Norte-americanos em Havana (SINA), revelou que alguns aliados dos EUA, como o Canadá, não compartilham da política de Washington: “Nossos colegas canadenses nos perguntaram o seguinte: Por acaso alguém que aceita dinheiro dos EUA deve ser considerado um preso político?”
7. Para Farrar, “Nenhum dissidente tem uma visão política que poderia ser aplicada em um futuro governo. Ainda que os dissidentes não admitam, são muito pouco conhecidos em Cuba fora do corpo diplomático e midiático estrangeiro […]. É pouco provável que desempenhem um papel significativo em um governo que sucederia ao dos irmãos Castro”.
8. Farrar afirmou que “os representantes da União Europeia desqualificaram os dissidentes nos mesmos termos que os do governo de Cuba, insistindo no fato de que não representam a ninguém”.
9. Cuba dispõe da taxa de mortalidade infantil (4,6 por mil) mais baixa do continente americano – incluindo Canadá e EUA – e do terceiro mundo.
10. A American Association for World Health, cujo presidente de honra é Jimmy Carter, aponta que o sistema de saúde de Cuba é “considerado de modo uniforme como o modelo preeminente para o terceiro mundo”.
11. A American Association for World Health aponta que “não há barreiras raciais que impeçam o acesso à saúde” e ressalta “o exemplo oferecido por Cuba, o exemplo de um país com a vontade política de fornecer uma boa atenção médica a todos os cidadãos”.
12. Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total), Cuba é, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a nação melhor dotada do mundo neste setor.
13. Segundo a New England Journal of Medicine, a mais prestigiada revista médica do mundo, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito […]. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA.
14. Segundo o Escritório de Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano sobre três critérios, expectativa de vida, educação e nível de vida durante a última década.
15. Segundo a Unesco, Cuba dispõe da taxa de analfabetismo mais baixa e da taxa de escolarização mais alta da América Latina.
16. Segundo a Unesco, um aluno cubano tem o dobro de conhecimentos do que uma criança latino-americana. O organismo enfatiza que “Cuba, ainda que seja um dos países mais pobres da América Latina, dispõe dos melhores resultados quanto à educação básica”.
17. Um informe da Unesco sobre a educação em 13 países da América Latina classifica Cuba como a primeira em todos os aspectos.
18. Segundo a Unesco, Cuba ocupa o décimo sexto lugar do mundo – o primeiro do continente americano – no Índice de Desenvolvimento da Educação para todos (IDE), que avalia o ensino primário universal, a alfabetização dos adultos, a paridade e a igualdade dos sexos, assim como a qualidade da educação. A título de comparação, EUA está classificado em 25° lugar.
19. Segundo a Unesco, Cuba é a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional à educação, com cerca de 13% do PIB.
20. A Escola Latino-americana de Medicina de Havana é uma das mais prestigiadas do continente americano e já formou dezenas de milhares de profissionais da saúde de mais de 123 países do mundo.
21. O Unicef enfatiza que “Cuba é um exemplo na proteção da infância”.
22. Segundo Juan José Ortiz, representante da Unicef em Havana, em Cuba “não há nenhuma criança nas ruas. Em Cuba, as crianças ainda são uma prioridade e, por isso, não sofrem as carências de milhões de crianças da América Latina, que trabalham, são exploradas ou caem nas redes de prostituição”.
23. Segundo o Unicef, Cuba é um “paraíso para a infância na América Latina”.
24. O Unicef ressalta que Cuba é o único país da América Latina e do terceiro mundo que erradicou a desnutrição infantil.
25. A organização não governamental Save the Children coloca Cuba no primeiro lugar entre os países em desenvolvimento no quesito condições de maternidade, à frente de Argentina, Israel ou Coreia do Sul.
26. A primeira vacina do mundo contra o câncer de pulmão, a Cimavax-EGF, foi elaborada por pesquisadores cubanos do Centro de Imunologia Molecular de Havana.
27. Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, cerca de 132 mil médicos cubanos e outros profissionais da saúde colaboram voluntariamente em 102 países.
28. Ao todo, os médicos cubanos atenderam mais de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas em todo o planeta.
29. Atualmente, 38.868 colaboradores sanitários cubanos, entre eles 15.407 médicos, oferecem seus serviços em 66 nações.
30. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “um dos exemplos mais exitosos da cooperação entre cubana com o Terceiro Mundo tem sido o Programa Integral de Saúde América Central, Caribe e África”.
31. Em 2012, Cuba formou mais de 11 mil novos médicos: 5.315 são cubanos e 5.694 são de 69 países da América Latina, África, Ásia… e inclusive dos Estados Unidos.
32. Em 2005, com a tragédia causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, Cuba ofereceu a Washington 1.586 médicos para atender as vítimas, mas o presidente da época, George W. Bush, rejeitou a oferta.
33. Depois do terremoto que destruiu o Paquistão em novembro de 2005, 2.564 médicos cubanos atenderam as vítimas durante mais de oito meses. Foram montados 32 hospitais de campanha, entregues prontamente às autoridades do país. Mais de 1,8 milhões de pacientes foram tratados e 2.086 vidas foram salvas. Nenhuma outra nação ofereceu uma ajuda tão importante, nem sequer os EUA, principal aliado de Islamabad. Segundo o jornal britânico The Independent, a brigada médica cubana foi a primeira a chegar e a última a deixar o país.
34. Depois do terremoto no Haiti, em janeiro de 2012, a brigada médica cubana, presente desde 1998, foi a primeira a atender a população e curou mais de 40% das vítimas.
35. Segundo Paul Farmer, enviado especial da ONU, em dezembro de 2012, quando a epidemia de cólera alcançou seu ápice no Haiti com uma taxa de mortalidade sem precedentes e o mundo voltava sua atenção para outro lado, a “metade das ONG já tinham se retirado, enquanto os Cubanos ainda estavam presentes”.
36. Segundo o PNUD, a ajuda humanitária cubana representa, proporcionalmente ao PIB, uma porcentagem superior à media das 18 nações mais desenvolvidas.
37. Graças à Operação Milagre, lançada por Cuba e Venezuela em 2004, e que consiste em operar gratuitamente as populações pobres vítimas de cataratas e outras doenças oculares, mais de dois milhões de pessoas procedentes de 35 países puderam recuperar a visão.
38. O programa de alfabetização cubano "Yo, sí puedo", lançado em 2003, já permitiu que mais de cinco milhões de pessoas de 28 países diferentes, incluindo da Espanha e da Austrália, aprendessem a ler, escrever e a somar.
39. Desde a criação do Programa humanitário Tarará, em 1990, em resposta à catástrofe nuclear de Chernobil, cerca de 30 mil crianças 5 e 15 anos foram tratadas gratuitamente em Cuba.
40. Segundo Elías Carranza, diretor do Instituto Latinoamericano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente, Cuba erradicou a exclusão social graças “a grandes conquistas na redução da criminalidade”. Trata-se do “país mais seguro da região, [enquanto que] a situação em relação aos crimes e à falta de segurança em escala continental se deteriorou nas últimas três décadas com o aumento do número de mortes nas prisões e no exterior”.
41. Em relação ao sistema de Defesa Civil cubano, o Centro para a Política Internacional de Washington, dirigido por Wayne S. Smith, ex-embaixador norte-americano em Cuba, aponta em um informe que “não há nenhuma dúvida quando à eficiência do sistema cubano. Apenas alguns cubanos perderam a vida nos 16 furacões mais importantes que atingiram a ilha na última década, e a propabilidade de se perder a vida em um furacão nos EUA é 15 vezes maior do que em Cuba”.
42. O informe da ONU sobre “O estado da insegurança alimentar no mundo 2012” aponta que os únicos países que erradicaram a fome na América Latina são Cuba, Chile, Venezuela e Uruguai.
43. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), “as medidas aplicadas por Cuba na atualização de seu modelo econômico com vistas a conseguir a soberania alimentar podem se converter em um exemplo para a humanidade”.
44. Segundo o Banco Mundial, “Cuba é reconhecida internacionalmente por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maioria dos países em vias de desenvolvimento e, em alguns setores, é comparável ao de países desenvolvidos”.
45. O Fundo das Nações Unidas para a População salienta que Cuba “adotou, há mais de meio século, programas sociais muito avançados, que permitiram ao país alcançar indicadores sociais e demográficos comparáveis aos dos países desenvolvidos”.
45. Desde 1959, e da chegada de Fidel Castro ao poder, nenhum jornalista foi assassinado em Cuba. O último que perdeu a vida foi Carlos Bastidas Argüello, assassinado pelo regime militar de Batista em 13 de maio de 1958.
47. Segundo o informe de 2012 da Anistia Internacional, Cuba é um dos países da América que menos viola os direitos humanos.
48. Segundo a Anistia Internacional, as violações de direitos humanos são mais graves nos EUA do que em Cuba.
49. Segundo a Anistia Internacional, atualmente, não há nenhum preso político em Cuba.
50. O único país do continente americano que não mantém relações diplomáticas e comerciais normais com Cuba são os EUA.
Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.
Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.
Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel
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