28 de fev de 2013

A presença da Opus Dei na politica no Brasil e na América Latina

A presença da Opus Dei na politica no Brasil e na América Latina. 17510.jpeg
Bento XVI saúda D. Javier Echevarría Rodríguez, 
Bispo titular de Cilibia, Prelado da Prelazia Pessoal do 
Opus Dei, 
Foto Flickr (Escritório de informação do Opus Dei
A Opus Dei atua também no monopólio da imprensa. Controla o jornal "El Observador", de Montevidéu, e exerce influência sobre órgãos tradicionais da oligarquia como "El Mercurio", no Chile, "La Nación", na Argentina e "O Estado de São Paulo", no Brasil.
O elo com a imprensa é o curso de pós-graduação em jornalismo da Universidade de Navarra em São Paulo, coordenado por Carlos Alberto di Franco, numerário e comentarista do "Estadão" e da Rádio Eldorado.
O segundo homem da Opus Dei na imprensa brasileira é o também numerário Guilherme Doring Cunha Pereira, herdeiro do principal grupo de comunicação do Paraná ("Gazeta do Povo").
Os jornalistas Alberto Dines e Mário Augusto Jakobskind denunciam que a organização controla também a Sociedade Interamericana de Imprensa - SIP (na sigla em espanhol).
************
Analisando a estrutura de classes dos países latino-americanos, Darcy Ribeiro identificava como segmento hegemónico dentro das classes dominantes o corpo de gerência das transnacionais. Ponta de lança do imperialismo, é ele quem dita ordens e impõe ideologias às demais fracções e, em muitos casos, organiza-as politicamente. A desnacionalização das economias latino-americanas na década de 90 agravou este quadro. A alteração de mais relevo no perfil da classe dominante verificada no bojo deste processo é o crescimento da influência da Opus Dei. Sustentada pelo capital espanhol, a organização controla jornais, universidades, tribunais e entidades de classe, sendo hoje peça chave para se compreender o processo político no continente, inclusive no Brasil, onde quer eleger Geraldo Alckmin presidente da República.
Mas o que é afinal, a Opus Dei (em latim, Obra de Deus)?
Em seu campo original de atuação, é a vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica. "Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo" teria dito seu fundador, Josemaria Escrivá de Balaguer, sobre o Vaticano II, no relato do jornalista argentino Emilio J. Corbiere no seu livro "Opus Dei. El totalitarismo católico".
Fundada na Espanha em 1928, a organização foi reconhecida pelo Vaticano em 1947. Em 1982, foi declarada uma prelatura pessoal, o que, sob o Direito canónico, significa que só presta contas ao papa e que seus membros não se submetem à jurisdição dos bispos. "A relação entre Karol Wojtyla e a Opus Dei" conta o teólogo espanhol Juan José Tamayo Acosta "atinge seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível ascensão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio altivamente, primeiro no esboço e depois na colocação em prática do processo de restauração da Igreja católica sob o protagonismo do papa e a orientação teológica do cardeal alemão Ratzinger."
Fontes ligadas à Igreja Católica atribuem o poder da Obra à quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982.
Obscurantismo e misoginia são traços que marcam a organização. Exemplos podem ser encontrados nas denúncias de ex-adeptos como Jean Lauand, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - Universidade de São Paulo (USP), que recentemente escreveu junto com mais dois ex-membros, o juiz Márcio Fernandes e o médico Dário Fortes Ferreira, o livro "Opus Dei - os bastidores". Em entrevista ao programa Biblioteca Sonora, da Rádio USP, Jean Lauand conta que a Obra tem um "Index" de livros proibidos que abrange praticamente toda a filosofia ocidental desde Descartes. Noutra entrevista, à revista Época, Jean Lauand denuncia as estratégias de fanatização dos chamados numerários, leigos celibatários que vivem em casas da organização: "Os homens podem dormir em colchões normais, as mulheres têm de dormir em tábuas. São proibidas de segurar crianças no colo e de ir a casamentos". É obrigatório o uso de cinturões com pontas de ferro fortemente atados à coxa, como prática de mortificação que visa refrear o desejo. Mas os danos infligidos pelo fanatismo não se limitam ao corpo.
No site que mantém com outros dissidentes (http://www.opuslivre.org/), Jean Lauand revela que a Obra conta com médicos especialmente encarregados de receitar psicotrópicos a numerários em crise nervosa.
A captação de numerários dá-se entre estudantes de universidades e escolas secundárias de elite. Centros de estudos e obras de caridade servem de fachada. A Opus Dei tem forte presença na USP, em especial na Faculdade de Direito, onde parte do corpo docente é composta por membros e simpatizantes,como o numerário Inácio Poveda e o diretor Eduardo Marchi. Outro expoente da organização na USP é Luiz Eugênio Garcez Leite, professor da Faculdade de Medicina e autor de panfletos contra a educação mista. A Obra atua também na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).
Fazendo a América
Mas a Opus Dei é mais que um tema de saúde pública. Ela tem, desde a origem, uma clara dimensão política. Durante a ditadura de Franco, praticamente fundiu-se ao Estado espanhol, ao qual forneceu ministros e dirigentes de empresas e órgãos governamentais. No fim da década de 40, inicia sua expansão rumo à América Latina. Não foi difícil conquistar adeptos entre oligarquias como as da Cidade do México, Buenos Aires e Lima, que sempre buscaram diferenciar-se de seus povos apegando-se a um conceito conservador de pretensa hispanidade. Um dos elementos definidores desse conceito é exatamente o integralismo católico.
Alberto Moncada, outro dissidente, conta em seu livro "La evolución del Opus Dei": "os jesuítas decidiram que seu papel na América Latina não deveria continuar sendo a educação dos filhos da burguesia, e então apareceu para a Opus Dei a ocasião de substituí-los - ocasião que não hesitou em aproveitar".
No Brasil, a organização deitou raízes em São Paulo no começo da década de 50, concentrando sua atuação no meio jurídico. O promotor aposentado e ex-deputado federal Hélio Bicudo conta que por duas vezes juízes tentaram cooptá-lo. Seu expoente de maior destaque foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)por Médici em 1972 e tio do atual governador de São Paulo. Acontece que nos anos 70, o poder da Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (T.F.P.) as simpatias dos católicos de extrema-direita.
Era natural, da mesma forma, que, alguns quadros dos regimes nascidos dos golpes de Estado de 1966 e 1976, na Argentina, e 1973, no Uruguai, fossem também quadros da Opus Dei. Mas segundo se lê no livro de Emilio J. Corbiere , sua atuação era ainda dispersa, o que não os impediu de controlar a Educação na Argentina durante o período Onganí (1966-70).
Já no Chile, a Opus Dei foi para o pinochetismo o que havia sido para o franquismo na Espanha. O principal ideólogo do regime,Jaime Guzmá, era membro activo da organização, assim como centenas de quadros civis e militares.
No México, a Obra conseguiu fazer Miguel de la Madrid presidente da República em 1982, iniciando a reversão da rígida separação entre Estado e Igreja imposta por Benito Juárez entre 1857 e 1861.
Internacional reacionária
A Opus Dei não criou o reacionarismo católico, antes, teve nele sua base de cultura. Mas sistematizou-o doutrinariamente e organizou politicamente seus adeptos de uma forma quase militar. Hoje, funciona como uma espécie de Internacional reaccionária, congregando, coordenadamente, adeptos em todo o mundo.
Concorrem para isto, nos anos 90, o ápice do poder da Obra no Vaticano e a invasão da América Latina por transnacionais espanholas.
A Argentina entregou suas estatais de telefonia, petróleo, aviação e energia á Telefónica, Repsol, Iberia e Endesa, respectivamente. A Telefónica controla o sector também no Peru e em São Paulo. A Iberia já havia engolido a LAN, do Chile, onde a geração de energia também é controlada pela Endesa. Bancos espanhóis também chegaram ao continente neste processo.
No Brasil, o Santander comprou o Banespa e o Meridional, enquanto que o BBVA recebeu os ativos do Excel através do Proer, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
"A Opus Dei tem sido para o modelo neoliberal o que foram os dominicanos e franciscanos para as cruzadas e os jesuítas frente à Reforma de Lutero" compara José Steinsleger, colunista do diário mexicano "La Jornada".
A organização atua também no monopólio da imprensa. Controla o jornal "El Observador", de Montevidéu, e exerce influência sobre órgãos tradicionais da oligarquia como "El Mercurio", no Chile, "La Nación", na Argentina e "O Estado de São Paulo", no Brasil. O elo com a imprensa é o curso de pós-graduação em jornalismo da Universidade de Navarra em São Paulo, coordenado por Carlos Alberto di Franco, numerário e comentarista do "Estadão" e da Rádio Eldorado. O segundo homem da Opus Dei na imprensa brasileira é o também numerário Guilherme Doring Cunha Pereira, herdeiro do principal grupo de comunicação do Paraná ("Gazeta do Povo"). Os jornalistas Alberto Dines e Mário Augusto Jakobskind denunciam que a organização controla também a Sociedade Interamericana de Imprensa - SIP (na sigla em espanhol).
Sedeada na Espanha, a Universidade de Navarra é a jóia da coroa da Opus Dei no negócio do ensino. Sua receita anual é de 240 milhões de euros. Além disso, a Obra controla as universidades Austral (Argentina), Montevideo (Uruguai), de Piura (Peru), de Los Andes (Chile), Pan Americana (México) e Católica André Bello (Venezuela).
Dentro da igreja católica, a Opus Dei emplacou, na última década, vários bispos e Cardeais na América Latina. O mais notável é Juan Luís Cipriani, de Lima, no Peru, amigo íntimo da ditadura de Alberto Fujimori. Em seu estudo "El totalitarismo católico em el Peru", o jornalista Herbert Mujica denuncia que quando o Movimento Revolucionário Tupac Amaru tomou a embaixada do Japão, em 1997, Juan Luís Cipriani, valendo-se da condição de mediador do conflito, instalou equipamentos de escuta que possibilitaram à polícia invadir a casa e matar os ocupantes.
Na Venezuela, a Obra teve papel essencial no fracassado golpe de 2002 contra Hugo Chávez. Um dos articuladores da tentativa foi José Rodríguez Iturbe, nomeado ministro das Relações Exteriores. Também participou da articulação à embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP).
Após os reveses na Venezuela, as esperanças da Opus Dei voltaram-se para Joaquím Laví, no Chile, e Geraldo Alckmin, no Brasil, hoje seus quadros políticos de maior destaque. Joaquím Laví foi derrotado nas últimas eleições presidenciais chilenas em Dezembro. Resta o Brasil, onde a Obra tenta fazer de Geraldo Alckmin presidente e formar um eixo geopolítico com os governos Álvaro Uribe (Colombia) e Vicente Fox (México), aos quais está intimamente associada.
Entranhas mafiosas
Além das dimensões religiosa e política, a Opus Dei tem uma terceira face: a de sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e publicados em 1986 pelo jornal italiano "L´Expresso", a Obra determina que "os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem à Opus Dei."
Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos.
Entre os católicos, a Opus Dei é conhecida como "Santa Máfia", Emilio J. Corbiere lembra os casos de fraude e remessa ilegal de divisas nas empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, onde parte dos activos desviados financiaram a Universidade de Navarra. Bancos espanhóis são suspeitos de lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. A Opus Dei também esteve envolvida nos episódios de falência fraudulenta dos bancosComercial (Uruguai, pertencente à família Peirano, dona de "El Observador") e de Crédito Provincial (Argentina).
Na Argentina os responsáveis pelas desnacionalizações da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por empresas espanholas, em dois dos maiores escândalos de corrupção da história do país, tiveram sua impunidade assegurada pela Suprema Corte, onde pontificava António Boggiano, membro da Opus Dei.
No Brasil, as pretensões de controlo sobre o Judiciário esbarram no poder dos Maçons.
A Opus Dei controla, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo através da manipulação de promoções. Segundo fontes do meio jurídico paulista, de 25 a 40% dos juízes de primeira instância no estado pertencem à organização - proporção que se repete entre os promotores, no tribunal, a proporção sobe para 50 a 75%.
Recentemente, o tribunal, em julgamento secreto, decidiu pelo arquivamento de denúncia contra Saulo Castro Abreu Filho, braço direito de Geraldo Alckmin, acusado de organizar grupos de extermínio desde a secretaria de Segurança, e contra dois juízes acusados de participação na montagem desses grupos.
A fusão dos tribunais de Justiça e de Alçada, determinada pela Emenda Constitucional n.º 45, foi uma medida da equipe do ministro da Justiça, Mácio Thomaz Bastos, para reduzir o poder da Obra no judiciário paulista, cuja orientação excessivamente conservadora, principalmente em questões criminais e de família, é motivo de alarme entre profissionais da área jurídica.
Henrique Júdice Magalhães
No Pravda
Veja também Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação
Leia Mais ►

Bento XVI seria gay enrustido

Georg Gänswein com Bento 16
Georg Gänswein, o Belo, continua morando com Bento XVI
O que já circulava nas redes sociais, onde vale tudo, acabou sendo publicado no site americano de jornalismo sério Huffington Post: há suspeita de que papa Bento XVI seja gay enrustido.
O site reproduziu as especulações do blogueiro católico gay Andrew Sullivan segundo as quais é no mínimo estranho que dom Georg Gänswein (foto),  56, continue sendo secretário de Bento XVI (foto), indo morar com ele, continuando a exercer a mesma função no pontificado do novo papa.
“Dois papas, um secretário”, escreveu Sullivan, acrescentando com malícia que Gänswein de dia ficará com um papa e, de noite, com outro. “Realmente há algo muito estranho acontecendo.”
O secretário foi apelidado pela imprensa italiana de “Georg, o belo”, por se destacar no Vaticano no quesito  beleza. Recentemente, ele foi capa da revista Vanity Fair, que colocou em manchete: “Padre Georg: não é pecado ser bonito”.
Huffington Post transcreveu Sullivan: “Esse companheiro macho e bonito do Bento 16 vai continuar a viver com ele, enquanto trabalhará para outro papa durante o dia. Será que podemos aceitar que se trata de um arranjo normal?”
Para reforçar suas suspeitas, Sullivan publicou em seu blog um relato de Gänswein sobre sua convivência diuturna com Bento XVI, de acordo com o livro “O papa não é gay”, de Angelo Quattrocchi.
Gänswein foi
capa de revista
Diz o livro: “Quando questionado se sentia nervoso na presença do Santo Padre, Gänswein espondeu que às vezes sim. E acrescentou: ‘Também é verdade que o fato de um conhecer ao outro e de estarmos juntos todos os dias cria uma sensação de familiaridade, o que me faz sentir menos nervoso. Obviamente que eu sei que estou diante do Santo Padre e, por isso, me comporto adequadamente. Contudo, há sempre algumas situações em que o coração bate um pouco mais forte do que o habitual’”.
Para Sullivan, “parece bastante óbvio” que “o atual papa é gay”, ainda que não tenha “explorado a sua sexualidade”.
Ultimamente, Bento XVI vinha pegando pesado com os homossexuais. Disse, por exemplo, em várias ocasiões que o casamento entre eles representa uma ameaça ao futuro da humanidade.
Agora, ao que parece, ele está recebendo o troco. Também pesado.

Leia Mais ►

As asneiras do DEMo contra o PT na Câmara

Leia Mais ►

Por que causa lutam as Farc na Colômbia

Confira o curta metragem produzido pelas Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) e entenda por que causa lutam seus guerrilheiros no país. Além de destacar as belezas da América Latina, o vídeo denuncia o genocídio contra todos os lutadores que defenderam a soberania a independência desde o início do processo de colonização do continente.

Leia Mais ►

Casamento civil homoafetivo passa a valer sexta em São Paulo

A norma que determina a realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em todos os cartórios do estado de São Paulo, sem a necessidade de decisão judicial, entra em vigor na sexta-feira (1º). Ela estabelece que o casamento civil homoafetivo respeitará as mesmas regras existentes para o casamento heterossexual, assim como dará os mesmos direitos e benefícios sociais a ambos os cônjuges.
Segundo o advogado especializado em direito homoafetivo e membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual, Paulo Iotti, nenhum cartório pode descumprir a determinação. “Por estar amparada em uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que cria jurisprudência, não é necessário uma lei específica. A norma tem poder de regulamentação da função dos cartórios e nenhum destes pode recusar a habilitação do casamento civil homoafetivo, como não pode recusar a união heterossexual”, explica.
Desse modo, não será mais preciso aos casais homossexuais registrar a união estável para depois solicitar a conversão em casamento. Também não haverá necessidade de recorrer à Justiça para garantir o casamento ou converter a união. Basta ir ao cartório de registro de pessoas naturais, na região onde o casal vive, e solicitar a habilitação para o casamento.
O advogado explica que, embora não esteja tratado na normativa, a realização de eventuais divórcios é uma consequência natural do direito de se casar. “Como em qualquer casamento sempre se considerou a possibilidade do divórcio, agora não será diferente. Valem as mesmas regras”, completa.
A normativa, promulgada no Diário Eletrônico da Justiça de São Paulo em 18 de dezembro do ano passado, deveria ter entrado em vigor em 18 de fevereiro, mas foi adiada para dar tempo aos cartórios se adequarem. Desde 2011, com o reconhecimento da união civil homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal, que equiparou as uniões entre heterossexuais ou homossexuais, milhares de casamentos já foram realizados em todo o país. Bahia, Alagoas e Piauí já possuem legislações semelhantes à que entrará em vigor em São Paulo.
Leia Mais ►

Eduardo Galeano: “A Suprema Corte do Uruguai foi indigna”

O Uruguai e um retrocesso vergonhoso
Suprema Corte de Justiça do Uruguai declarou inconstitucionais dois artigos de uma lei de 2011 que terminava com a impunidade assegurada aos que praticaram terrorismo de Estado durante a ditadura (1973-1985). Os protestos foram imediatos, inclusive nas ruas. “A Suprema Corte foi indigna”, disse Eduardo Galeano, que participou de uma manifestação.
Buenos Aires – No meio da tarde da sexta feira, 22 de março, a Suprema Corte de Justiça do Uruguai conseguiu uma façanha surpreendente e nem um pouco louvável. Por quatro votos a um, declarou inconstitucionais dois artigos de uma lei aprovada pelo Congresso em 2011 e que terminava com a impunidade assegurada aos que praticaram terrorismo de Estado durante a ditadura que durou de 1973 a 1985.
Essa lei, agora declarada inconstitucional, impedia a prescrição dos delitos cometidos por funcionários civis e militares da ditadura, por serem considerados crimes de lesa humanidade.
O falaz argumento dos senhores juízes da Suprema Corte uruguaia seria risível se não fosse indigno. Disseram eles que uma lei penal não pode ser aplicada de forma retroativa. Ou seja, vale uma lei retroativa, de 1986, tempos do então presidente Julio Sanguinetti, anistiando crimes cometidos durante a ditadura, mas não vale a outra lei que não fazia outra coisa além de acatar decisões de cortes internacionais indicando que crimes de lesa humanidade são imprescritíveis.
Trata-se de um retrocesso tão dolorido como absurdo. Em termos práticos, significa que todos os processos em andamento serão arquivados. Para isso, basta que os advogados dos réus recorram à sentença, já que eles teriam sido processados com base em uma lei inconstitucional. Além disso, abre-se a possibilidade de que os militares que já estão presos recorram da sentença que os condenou e voltem, pimpões, à liberdade.
Pelo menos dois desses presos são figuras notórias do breve período (pouco mais de um ano) em que a impunidade esteve suspensa. O coronel Tranquilino Machado foi condenado e preso em junho de 2011, como responsável direto pela morte de um estudante de veterinária em julho de 1973, logo depois do golpe militar de 27 de junho. O policial civil Ricardo Zabala foi mandado para a cadeia em março de 2012, como cúmplice do assassinato do professor e jornalista Julio Castro, figura emblemática da esquerda uruguaia.
Esses dois assassinos podem agora pedir para serem soltos, contando com o firme apoio nascido da decisão da Suprema Corte. Poderão dizer que foram condenados por uma lei inconstitucional.
Os protestos foram imediatos. Ainda na sexta-feira, a senadora pela Frente Ampla Lucia Topolanski, figura histórica da esquerda uruguaia, disse que pretende abrir um julgamento político contra os juízes da Suprema Corte. Ou seja, ela quer pedir o impeachment dos magistrados.
Lucia Topolanski, que amargou anos de prisão e torturas, além de senadora é a primeira-dama do Uruguai. Seu marido se chama Jose Mujica e é o presidente do país.
Na segunda-feira seguinte à decisão, houve uma manifestação silenciosa na Plaza Cagancha, no centro de Montevidéu, diante do prédio da Suprema Corte.
Não houve gritos, palavras de ordem, discursos. Ao longo de uma hora, tempo que durou a manifestação, houve apenas um silêncio estrondoso, intercalado por declarações de alguns manifestantes aos jornalistas. Depois dessa hora, as milhares de pessoas cantaram o hino uruguaio e foram embora.
Um dos manifestantes era o escritor Eduardo Galeano. Ao falar com os jornalistas, ele disse que aprendeu, há muitos anos, que a vida consiste em escolher entre indignos e indignados, e que sempre esteve com os indignados. ‘Acho que a Suprema Corte foi indigna, pratica a injustiça e, além disso, proíbe a memória e castiga a dignidade’, disse.
Houve, claro, os que defenderam esse gigantesco passo atrás dado pelos juízes da Suprema Corte. Um deles foi o ex-presidente Julio Maria Sanguinetti, que governou o Uruguai em dois períodos – entre 1985 e 1990, e depois entre 1995 e 2000. Ao criticar os protestos e defender o retorno da impunidade, ele foi bastante coerente com sua história pessoal. Afinal, foi durante seus governos que se decretaram leis de anistia a torturadores, violadores, seqüestradores e assassinos, e se fez de tudo para impedir qualquer investigação que levasse aos que praticaram terrorismo de Estado.
E assim o Uruguai, que havia conseguido a duras penas avançar na luta pela busca da verdade, o resgate da memória e a aplicação da justiça, retrocede de maneira formidável. Se afasta da Argentina e até mesmo do Chile, e volta a se aproximar do Brasil, onde perambulam, livres, altaneiros e intocáveis, torturadores, seqüestradores, violadores, assassinos.
Uma das vozes que protestaram contra a decisão da Suprema Corte foi a de Macarena Gelman. Neta do poeta argentino Juan Gelman, ela é a própria imagem do horror. Seus pais, Maria Claudia e Marcelo Gelman, foram presos na Argentina. Marcelo foi morto pouco depois. Maria Claudia, grávida, foi levada para o Uruguai. Macarena nasceu num hospital militar. Tinha menos de dois meses de vida quando foi dada de presente a um chefe de polícia. Da mãe, nunca mais se teve notícia.
Gelman, um dos mais respeitados poetas do idioma espanhol do nosso tempo, levou décadas de desespero buscando a neta.
Um dos que prometeram ajuda e depois fez de tudo para impedir que essa busca avançasse foi justamente Sanguinetti. Macarena só soube sua verdadeira identidade aos 21 anos.
Ao conhecer a decisão da Suprema Corte, que de fato assegura impunidade aos assassinos de sua mãe, ela disse que o Uruguai merece outro tipo de Justiça.
No ano passado, e cumprindo uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Estado uruguaio reconheceu sua responsabilidade no caso de Macarena Gelman, e se comprometeu formalmente a suprimir todos os obstáculos para esclarecer o caso.
Com sua decisão, a Suprema Corte de Justiça – que, como disse Galeano e vale a pena repetir, foi indigna e pratica a injustiça ao assegurar a impunidade – garante que esses obstáculos permanecerão, como uma nódoa pegajosa, sobre o país de José Artigas.
Eric Nepomuceno
No Carta Maior
Leia Mais ►

Mensagem da presidenta da República, Dilma Rousseff, a Bento XVI

Santo Padre,
Ao findar o seu Papado, manifesto o meu respeito pela decisão de Vossa Santidade de renunciar à Cátedra de S. Pedro.
Nesta oportunidade, recordo os gestos de apreço com que o meu país foi distinguido nesses últimos anos. São marcos históricos no relacionamento entre a Santa Sé e o Brasil a escolha de Aparecida do Norte para sediar a V CELAM, que ensejou a sua visita ao país, a canonização do primeiro Santo brasileiro, Dom Antonio Galvão de França, assim como a histórica decisão de realizar a Jornada Mundial da Juventude na cidade do Rio de Janeiro.
Desejo que essa nova fase de recolhimento o encontre com saúde e paz.
Respeitosamente,
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
Leia Mais ►

“A homossexualidade é uma bomba relógio na igreja”

A visão de um ex-frei dominicano, abertamente gay, sobre a crise no Vaticano que levou à renúncia do papa.
Mark Dowd, ex-dominicano, ativista gay
Mark Dowd, ex-dominicano, hoje ativista e jornalista
Um ex-frei dominicano deu uma entrevista à veterana jornalista Christane Amanpour, da CNN. Disse ele que a homossexualidade é uma bomba relógio na igreja. Seu nome é Mark Dowd.
Dowd é gay assumido. Expulso de sua congregação, trabalha como jornalista free lancer e documentarista. Tem uma coluna no jornal inglês The Guardian. Segundo ele, os homossexuais são “amplamente representados na igreja. Cerca de metade das pessoas que entram em seminários são gays”.
Dowd falou depois que, na segunda-feira, o Vaticano anunciou a renúncia do arcebispo da Escócia, Keith O’Obrien, na esteira de denúncias de que ele havia tido relacionamentos impróprios com outros colegas. Jornais italianos vem dando matérias sobre uma rede de chantagens envolvendo uma certa “cabala gay”. Ela é um dos itens citados nos Vati-leaks, os documentos que mostram corrupção, disputas entre cardeais, transações financeiras mal explicadas e o diabo. Seria uma das causas de Bento XVI ter saído. Em seu último pronunciamento na Praça São Pedro, Ratzinger declarou que enfrentou “águas agitadas e vento contrário”, mas que tem fé que Deus não vai deixar “a igreja afundar”.
É claro que a história não contada da aposentadoria do papa envolve muito mais do que uma grande conspiração homossexual. Mas, numa instituição que vive do segredo e da culpa, segundo Dowd, você tem as condições ideais para o crescimento da extorsão e da manipulação.
O papa em seus dias de glória: "Metade dos seminaristas é homossexual", diz Dowd
O papa em seus dias de glória: “Metade dos seminaristas é homossexual”, diz Dowd
A igreja tem uma expectativa absurda dos padres no que tange ao sexo. O celibato foi sacramentado no Quarto Concílio de Latrão, de 1215 e no Concílio de Trento, entre 1545 e 1563 (antes disso, conta-se que no Concílio de Constança, em 1418, 700 prostitutas atenderam os clérigos que debatiam o assunto). Alguns conseguem lidar com ele. Um bom pedaço – como se tem visto – não consegue.
Dowd é um militante da causa. Fez um documentário, Queer and Catholic, em que entrevistou dois sacerdotes que se apaixonaram e tentaram levar adiante essa questão com seus superiores. Foram rechaçados sumariamente. Um deles revelou que seus chefes mais homofóbicos eram os mesmos que procuravam parceiros no Monte Capitolino, famoso parque em Roma. (O cardeal O’Brien, antes de dar o fora, afirmou que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era “uma tentativa de agradar um pequeno grupo de ativistas em detrimento de toda a sociedade. Eliminaria a ideia básica de que toda criança precisa de um pai e de uma mãe”.)
A homofobia não é exclusividade do Vaticano (vide, para ficar num exemplo recente, o nosso querido pastor Malafaia). Agora, a pressão para que seus líderes finjam ignorar sua sexualidade é injusta, sem sentido – e tem consequências. Como a igreja católica é medieval e pequenas e eventuais mudanças ocorrem a cada 500 anos, é altamente improvável que algo vá acontecer. Enquanto isso, os seminários continuarão cheios. Como diria Libaninho, o beato de O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, com as mãos na cabeça: “Nossa Senhora das Dores, que até pode cair um raio!”.
Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
Leia Mais ►

Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - IX - (final)

Opus Dei nas finanças do Governo e com força na banca
Críticos dentro da Igreja não desviam obra do 'Caminho'
Altos dirigentes portugueses da Igreja Católica não acreditam que exista um projeto oculto de poder no Opus Dei para controlar a Igreja Católica. Admitem, porém, que a obra tem críticos e que há opções tomadas que podem não estar de acordo com o direito canónico. Vigário regional garante que não passa por cima de bispos das dioceses.
"O Opus Dei faz parte da Igreja Católica." Esta foi a frase mais repetida e dita com mais ênfase pelos membros da obra ao longo deste trabalho, como quem quer marcar bem uma posição. Mas qual é afinal o papel do Opus Dei na Igreja Católica? Altos responsáveis portugueses da Igreja Católica - que não pertencem à obra - consideram que o Opus Dei tem um papel importante na formação católica e que tem vindo a afirmar-se, mas admitem a existência de vários críticos dentro da própria Igreja.
O cardeal José Saraiva Martins, o mais influente português do Vaticano, explica ao DN que o papel do Opus Dei é "servir a Igreja", algo que considera que a obra faz com "uma total fidelidade e lealdade". Enquanto observador privilegiado da realidade do centro de poder da Igreja Católica, José Saraiva Martins considera "infundadas" as críticas de que o Opus Dei procura controlar a Igreja.
Apesar disso, a prelatura ainda não tem uma aceitação unânime na Igreja Católica. O bispo emérito de Aveiro, D. António Marcelino, admite que "como acontece com outros movimentos eclesiais existentes, há diversidade na sua aceitação. Porém, depostos preconceitos existentes, a aceitação vai crescendo".
O Opus Dei é a única prelatura pessoal da Igreja, o que faz que a obra goze de uma influência na Igreja Católica superior a qualquer outro movimento eclesiástico. Os críticos referem o facto de os sacerdotes do Opus Dei não responderem hierarquicamente aos bispos da diocese, mas apenas ao prelado (Javier Echevarría) em Roma como um dos privilégios da obra. O líder do Opus Dei em Portugal, José Rafael Espírito Santo, considera esta fórmula hierárquica natural: "Um sacerdote da Guarda em Lisboa responde ao bispo da sua diocese e não ao bispo de Lisboa." José Rafael Espírito Santo reconhece que "as licenças ministeriais são dadas pelo vigário regional, mas, ao mesmo tempo, o bispo de cada diocese onde estão os sacerdotes do Opus Dei tem de reconhecer o sacerdote". Além disso, garante o vigário regional, "tudo o que o Opus Dei faz na diocese passa sempre pelo bispo diocesano, como a abertura dos centros".
O bispo emérito de Aveiro explica, porém, que "em relação à prelatura há ainda muitas críticas, pois é considerada como uma igreja no seio das Igrejas Diocesanas". D. António Marcelino diz ainda que "a decisão de Roma não foi devidamente refletida pelos bispos diocesanos, o que criou maiores dificuldades de aceitação. Foi como que uma decisão 'clandestina' como pude verificar, que os responsáveis negavam, mesmo quando já existiam documentos que mostravam as démarches existentes". O sacerdote recorda que viveu "já bispo este acontecimento" e conta a impressão com que ficou: "Considerei-o uma decisão à revelia do Vaticano II, por influências da Cúria Romana, que sempre defendeu a autoridade exclusiva do Papa, esquecida do valor da colegialidade episcopal, mormente em tema que afetava toda a Igreja." E lamenta: "Foi pena que assim tenha acontecido e a verdade é que não se criou nenhuma outra prelatura pessoal."
O bispo emérito de Aveiro revela, por outro lado, que o Opus "mantém ainda, em algumas atividades, dificuldade em se situar, com normalidade, na comunidade eclesial, dando para isso razões ligadas com a sua estrutura. É o caso dos colégios que não aceitam ser escolas católicas segundo o direito canónico e as orientações do episcopado". O bispo emérito considera este "um assunto não resolvido e que obriga a conferência episcopal, por via de um diálogo aberto, a não desistir, pois trata-se de um tema de grande relevância pastoral".
Sobre a aceitação do Opus Dei na Igreja, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (órgão que congrega todas as dioceses do País), Manuel Morujão, questiona: "Há algum espaço no mundo em que todos vivam a bater palmas de aplauso mútuo, sem crítica alguma? Estaríamos no paraíso... É natural que haja pessoas que gostem do estilo do Opus Dei, como é perfeitamente aceitável que haja pessoas que tenham outros critérios e gostos." Na opinião de Manuel Morujão, "o importante é não tornarmos dogmático o perfil do movimento ou obra a que aderimos, dentro do espaço comum que é a Igreja ou mesmo a sociedade. Por mais encantador que achemos o som do violino, não vamos pretender que uma orquestra não admita outros instrumentos".
D. António Marcelino sintetiza o papel da obra, classificando-a como "um movimento de espiritualidade que visa dar aos membros uma formação que lhes permite ser cristãos no mundo, preocupados em orientar a sua vida segundo o Evangelho".
Maçonaria da Igreja?
Os altos responsáveis da Igreja contactados pelo DN rejeitam também a ideia do Opus Dei ser a "maçonaria da Igreja". D. António Marcelino considera que o Opus Dei "não se deve considerar uma forma de maçonaria" e atribui esta ideia ao facto de a obra, "no início e durante longo tempo, [ter] um secretismo exagerado e desnecessário". O bispo emérito diz ainda que "é natural que os membros do Opus, com a sua formação, tenham uma ação positiva, que não julgo de toupeira, na sociedade". Manuel Morujão também rejeita o rótulo de "maçonaria", pois o Opus "cultiva certa discrição, o que é muito diferente de ocultismo".
Rui Pedro Antunes
No Diário de Notícias
Veja também: Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - I - II - III - IV - V - VI - VII - VIII
Leia Mais ►