27 de fev de 2013

A agonia da mídia impressa e a Time Out

Até a Time Out?
Sim, até a Time Out, a gloriosa revista que foi leitura de qualquer pessoa interessada em desfrutar do melhor que Londres pode oferecer em cultura, comida, passeios e o que mais for.
Na tentativa desesperada de sobreviver, a Time Out, a partir de agora, passa a ser distribuída de graça. A esperança é que a receita de publicidade pague as contas. A circulação, evidentemente, aumentará – e com ela, espera a empresa que edita a Time Out, o dinheiro vindo dos anunciantes.
É um capítulo dramático na agonia da mídia impressa, dado o prestígio da Time Out – provavelmente a melhor revista de cidade da história do jornalismo.
Na Inglaterra, a mesma receita está sendo testada pelo jornal The Evening Standard, cujo dono é o magnata russo Alexandre Levedeb – um daqueles homens oriundos da KGB que enriqueceram espetacularmente quando ruiu a União Soviética e empresas estatais foram vendidas em circunstâncias nebulosas.
O Standard é hoje distribuído de graça nas portas de estações de metrô por entregadores esforçados que tentam fazer os londrinos pegar um jornal que não lhes interessa.
A Time Out cumpriu todas as etapas de uma revista assolada por uma mudança externa – a internet — que ela não tem como evitar. Circulação cadente, influência decrescente, papel pior, menos páginas editoriais, demissões na redação, borderôs reduzidos. Há excelentes sites sobre Londres pelos quais o leitor não paga nada. Por que ele pagaria por um exemplar da Time Out?
Com a distribuição gratuita, a revista pode, eventualmente, ganhar tempo para se tornar relevante também na internet e disputar a verba publicitária que tende a se concentrar no mundo digital: os anunciantes acabam inevitavelmente por seguir seus consumidores. E eles estão na internet.
A mídia impressa está na situação das carroças quando surgiu uma coisa chamada carro. Primeiro, veio a negação: isso é moda e jamais vai dar certo, pois não existem estradas e cavalos são mais confiáveis que motores.
Depois, a aceitação relutante, e enfim a luta épica por sobreviver na era dos motores. Os prognósticos não são bons: nenhum fabricante de carroças resistiu, com o tempo, aos automóveis. É uma situação darwiniana: um produto melhor mata o outro, ou o torna irrelevante.
A atitude dos donos da Time Out ao dá-la de graça se enquadra neste capítulo – o do combate duríssimo por uma sobrevivência improvável.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo 
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Tentativa de difamar Nicolelis às vésperas de pesquisa revolucionária

Às vésperas da divulgação pela revista Nature de uma mais uma pesquisa revolucionária do grupo do professor Miguel Nicolelis — é a segunda em 15 dias — um grupo de sete pesquisadores brasileiros tenta difamá-lo.
Na madrugada de 23 de fevereiro, o professor John Araújo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), postou no blog da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento o manifesto Eu apoio a ciência Brasileira.
Assinam, por alfabética: Antônio Carlos Roque da Silva Filho (USP-RP), Cláudia Domingues Vargas (UFRJ), Dráulio Barros de Araújo (UFRN), Márcio Flávio Dutra Moraes (UFMG), Mauro Copelli Lopes da Silva (UFPE), Reynaldo Daniel Pinto (USP-SC) e Sidarta Ribeiro (UFRN).
Os sete são ex-integrantes do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia  “Interfaces Cérebro-Máquina”, (InCeMaq), coordenado pelo professor Miguel Nicolelis, da Duke University (EUA) e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (RN, Brasil).
No manifesto, eles insinuam que a ideia da pesquisa de Nicolelis, Eric Thomson e Rafael Carra, publicada na edição de 12 de fevereiro da revista Nature Communications, teria sido desenvolvida originalmente por um dos signatários, Márcio Flávio Dutra Moraes. Diz o manifesto (aqui, na íntegra):
A pauta do primeiro encontro, realizado nos dias 1 e 2 de julho de 2010, se restringiu à apresentação de projetos em andamento pelos laboratórios vinculados ao InCeMaq. Todos os que assinam este manifesto estavam presentes àquela reunião. Durante as apresentações individuais, representando o Núcleo de Neurociências da UFMG, o Prof. Dr. Márcio Flávio Dutra Moraes apresentou resultados preliminares de um novo experimento realizado pelo seu grupo, incluindo imagens de um rato implantado com um receptor de infra-vermelho (I-V) acoplado a um estimulador cerebral. O sensor captava ondas de I-V emitidos por LEDs, de forma que a intensidade do sinal detectado era proporcional ao alinhamento da cabeça do animal com o emissor. Esses sinais eram enviados a um computador para controlar um estimulador elétrico, que por sua vez estava conectado a um eletrodo bipolar implantado no cérebro do animal. A proposta, em andamento, é o tema central de uma tese de doutorado e foi submetida a congressos locais, exames de qualificação, e defesa de trabalhos finais de graduação (ver imagens e documentos anexados).
……………
Passados quase três anos desde a primeira reunião do Comitê Gestor, nos deparamos há poucos dias com o artigo publicado na revista científica Nature Communications e assinado pelo Prof. Nicolelis. No artigo é apresentado um implante craniano com um detector de infravermelho (I-V) acoplado a um sistema de estimulação elétrica intra-cerebral.
“Uma acusação oportunista, leviana, irresponsável”, rebate Rômulo Fuentes, diretor científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), no documento Nós também apoiamos a Ciência Brasileira em resposta ao manifesto dos sete pesquisadores. “Uma série de documentos comprova que, desde 2006, o grupo de Nicolelis vinha desenvolvendo esse trabalho.”
“O discurso malicioso, ignorando informações vitais, é criminoso”, prossegue Fuentes. “Uma combinação de infâmia, difamação e má-fé.”
De fato, os arquivos anexados ao documento do dr. Fuentes demolem as acusações feitas contra Nicolelis.
Acompanhem a linha do tempo:
1. O comitê gestor do InCeMaq reuniu-se duas vezes. Na primeira, em 1 e 2 de julho de 2010, quando o professor Márcio Moraes teria apresentado a sua proposta de pesquisa aos membros do grupo, entre os quais Nicolelis, coordenador do projeto.
2. Só que, 4 anos antes da apresentação do professor Moraes,  o laboratório do professor Miguel Nicolelis, na Duke University, já estava trabalhando no projeto de um rato com sensores infravermelhos acoplados a um estimulador cerebral.
E-mail de 17 de novembro de 2006, de Mikhail Lebedev para Nicolelis, mostra que o grupo havia acabado de concluir que um “novo sentido” poderia ser incorporado no rato, colocando um sensor infravermelho na cabeça de um animal:
Oi, Miguel.
Nós discutimos aqui no laboratório de macacos, e parece que o novo sentido mais fácil seria “visão infravermelha”. Um sensor para a luz infravermelha seria apenas um diodo sensível à luz que pode ser montado na cabeça do rato. Fontes de infravermelho podem ser facilmente criadas, assim como a tarefa comportamental.
3. Em e-mail de 6 de fevereiro de 2009, o dr. Eric Thomson, primeiro autor do trabalho, disse para Mikhail Lebedev:
Estive pensando sobre como usar o estimulador com os ratos no paradigma de percepção extrassensorial de Miguel. Acho que algum tipo de canalização mediante localização de recompensa seria um bom ponto de partida.
 4. Em 19 de novembro de 2009, técnicos do laboratório do professor Nicolelis criaram o diagrama de fiação para hardware experimental desse estudo.
5. Em janeiro de 2010, após a conclusão da instalação do hardware, os experimentos começaram. E-mails de 11 de janeiro (de Thomson para Lebedev ) e 8 de março de 2010 (de Jim Meloy para Thomson) relatam isso.
No de 8 de março de 2010, Jim disse para Thomson:
Eu instalei indicadores infravermelhos para a instalação experimental dos ratos de percepção extrassensorial. Os grampos se fixam na borda do vidro. Se você precisar de outra localização ou posição, podemos resolver alguma coisa com fita/parafusos/outros.
6. O livro Beyond Boundaries (no Brasil, Muito Além do Nosso Eu), do professor Nicolelis, lançado em 2011 e amplamente divulgado aqui e no exterior, descreve em detalhes toda a estratégia usada por seu laboratório para construir uma neuroprótese cortical. Está no capítulo 10.
Em 4 de novembro de 2009, Nicolelis concluiu o livro e enviou-o para a editora americana.  Na primeira semana de maio de 2010, a revisão final, que não alterou em nada a descrição desse paradigma, foi finalizada. Essas datas podem ser confirmadas pela editora americana e o agente literário nos EUA.
Em outras palavras: o livro de Nicolelis estava pronto e revisto dois meses antes da reunião do comitê gestor do comitê gestor do InCeMaq, em julho de 2010, onde o professor Márcio Moraes teria apresentado a sua ideia.
Por que nesses dois anos em que o livro de Nicolelis esteve disponível nas livrarias do Brasil, esse grupo que agora o acusa não fez nenhuma insinuação leviana ao trabalho relatado?
Por que só após a repercussão mundial da publicação do estudo pela Nature e às vésperas de sair outro, também pela Nature, esse grupo vem a público questionar a paternidade das ideias que o nortearam?
7. A propósito, de 2006 a 2013, o grupo de Nicolelis publicou vários trabalhos usando a técnica de microeestimulação elétrica cortical, essencial para o sucesso da pesquisa divulgada na semana passada. Sem adquirir competência para empregá-la, nenhum laboratório seria capaz de realizar os experimentos demonstrados no estudo publicado pela Nature Communications.
E os trabalhos do professor Márcio Moraes?
No manifesto Eu apoio a ciência Brasileira há um link ( aqui que leva a documentos e imagens dos seus trabalhos relacionados a ratos com sensores infravermelhos.
Sobre eles, Fuentes faz estas observações:
1. Correspondem a propostas e instalação experimental, não apresentam resultados nem dados.
2. A intenção do professor Moraes é usar a estimulação elétrica da amígdala e não a porção tátil do córtex cerebral como foi feito pelo grupo de Nicolelis.
3. O professor Moraes não publicou nenhum trabalho sobre ratos com sensores infravermelhos em jornais com peer review, ou seja, revisado por pares. É o que revela busca no Pubmed, a base de publicações mais conhecida no mundo.
“É, no mínimo, desonestidade intelectual alguém insinuar que qualquer informação abordada em julho de 2010 possa ter influenciado o nosso trabalho”, revolta-se  Nicolelis. “É uma tentativa de assassinato de reputação.”
“Infelizmente essa denúncia sem fundamento faz parte da infindável sequência de atos de calúnia, sabotagem e difamação liderados pelo professor Sidarta Ribeiro”, observa Fuentes.  “Desde que ele e seus colegas da UFRN decidiram romper com a parceria com o IINN, atacam sistematicamente Nicolelis.”
O QUE O MANIFESTO DOS SETE PESQUISADORES NÃO DISSE
Tem quase dois anos que o professor Sidarta e o seu grupo resolveram voluntariamente interromper a parceria com o Instituto Internacional de Neurociências de Natal. O desfecho, porém, só se deu julho de 2012, quando foram desligados InCeMaq por Nicolelis.
“Curiosamente, o manifesto dos sete pesquisadores salta da reunião de julho de 2010 para julho de 2012”, atenta Fuentes. “Passa por cima de importantes fatos acontecidos nesse período.”
Por exemplo, após decidir abandonar a parceria com o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, o professor Sidarta Ribeiro, seus colaboradores e membros do comitê gestor do InCeMaq tentaram derrubar Nicolelis.
Eles protocolaram no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pedido para tirar Nicolelis da coordenação do projeto,  embora ele fosse o único especialista em interfaces cérebro-máquina do grupo e o idealizador da proposta do primeiro Instituto de Interfaces Cérebro Máquina.
Em carta, supostamente assinada pela maioria do comitê gestor InCeMaq, Ribeiro listou uma série de razões para justificar tal pedido.
Só que, enquanto preparava a resposta aos questionamentos feitos, o grupo de Nicolelis teve uma grande surpresa. Dois dos signatários do pedido de sua destituição – o professor Manoel Jacobsen e o dr. Erich Fonoff —  escreveram carta à direção do CNPq, informando que não apoiavam a demanda de outros colegas do comitê gestor do InCeMaq.
Nesse período, mais precisamente em 29 de julho de 2011, o professor Sidarta Ribeiro publicou o artigo “Cross-modal responses in the primary visual cortex encode complex objects and correlate with tactile dis-crimination” na prestigiosa revista Proceedings of the National Academy of Sciences USA (PNAS).
“Era fato notório que os dados experimentais descritos nesse artigo tinham sido todos obtidos nos laboratórios da Duke e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal”, conta Fuentes. “Porém, na versão final dos manuscritos foram ignorados tanto uma das fontes de financiamentos do trabalho — o National Institutes of Health, o NIH dos EUA — como a afiliação do professor Sidarta ao IINN no período em que o estudo foi realizado.”
Na época, já em litígio com IINN, Sidarta indicou apenas a sua afiliação ao recém-criado Instituto do Cérebro da UFRN, que ainda não tinha produção científica. Porém, ignorar fontes de financiamento e afiliações é conduta inapropriada.
Sidarta Ribeiro foi obrigado a se retratar publicamente do seu artigo. Tanto a sua afiliação verdadeira na época do estudo (com o IINN) bem como as fontes de financiamento tiveram que ser explicitamente reveladas.
– E  por que, em julho de 2010, o professor Nicolelis não contou aos membros do comitê gestor do InCeMaq sobre os trabalhos no projeto de rato infravermelho? – quem leu o manifesto dos sete ex-integrantes do grupo talvez tenha mais essa pergunta.
Nenhum cientista é obrigado a revelar pesquisas em andamento antes de estarem concluídas e as descobertas exaustivamente confirmadas e validadas. Devido ao caráter revolucionário desse projeto, o grupo de Nicolelis preferiu esperar a publicação do trabalho para oficialmente comunicar os achados.
“Nesses últimos dois anos, o professor Sidarta Ribeiro e seus colaboradores têm repetidamente me difamado, inclusive pela imprensa. Agora, foram longe demais”, indigna-se Nicolelis. “Os sete signatários do manifesto serão chamados em juízo para revelarem as provas concretas que supostamente dão subsídio a mais esse absurdo.”
Conceição Lemes
No Viomundo
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O triste papel de Eduardo Suplicy

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) construiu a sua trajetória política na luta em defesa da democracia e dos direitos humanos. No ano passado, por exemplo, ele se destacou ao apoiar a luta dos moradores do Pinheirinho, expulsos pela tropa de choque de Geraldo Alckmin. Não dá para esconder seus méritos. Mas também não dá para amenizar seus defeitos, que são muitos e já lhe renderam alguns apelidos jocosos. Na semana passada, ele ganhou os holofotes da mídia por ser o cicerone da dissidente cubana Yoani Sánchez.
Com ou sem intenção, Eduardo Suplicy montou um palanque para a direita nativa atacar a revolução cubana – que ela sempre odiou - e a política externa dos governos Lula e Dilma. Na visita de Yoani Sánchez ao Congresso Nacional, o senador petista desfilou ao lado de tucanos, demos e até do fascista Jair Bolsonaro – todos “democratas” convictos! Na entrevista ao Estadão, ele ouviu as arrogantes críticas da cubana – similares às do governo dos EUA - à postura do Itamaraty de respeito à soberania dos povos.
Segundo o jornal, “a blogueira e ativista cubana Yoani Sánchez cobrou do governo Dilma Rousseff em São Paulo um ‘posicionamento mais enérgico’ e ‘duro’ ao abordar o tema de direitos humanos com o governo Raúl Castro. ‘Tem faltado dureza ou franqueza na hora de falar do tema de direitos humanos na ilha. Tem havido silêncios demais. Os povos não esquecem’, afirmou Sánchez, que participou de uma conversa com jornalistas e leitores do jornal O Estado de S.Paulo”. Suplicy acompanhou a dissidente na visita ao jornalão.
A direita midiática e partidária, que estava acuada com as comemorações dos dez anos do PT no governo, explorou ao máximo a visita da cubana – que foi articulada pelo senador petista. Num gesto inusitado, Yoani Sánchez interrompeu uma sessão ordinária do parlamento brasileiro. Como se jacta o colunista João Domingos, no Estadão, “os partidos de oposição levaram ampla vantagem sobre o governo na obtenção de resultados políticos durante a passagem da blogueira cubana e colunista do Estado pelo Congresso”.
“PSDB, DEM e PPS mandaram ao Congresso militantes para abafar o ruído dos manifestantes pró-Cuba... A ida de Yoani ao Congresso foi proposta pelo deputado Otávio Leite e pelo senador Alvaro Dias, ambos tucanos. O DEM, por intermédio do deputado Mendonça Filho (PE), requereu proteção da Polícia Federal à blogueira, enquanto o PPS prestou a ela solidariedade”, relata o jornalista do Estadão. Eduardo Suplicy, apelidado de “Dom Quixote” pela blogueira, cumpriu o triste papel de apêndice da oposição de direita.
Ainda teve a cena constrangedora do encontro de Yoani Sánchez com Aécio Neves, o principal adversário da presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2014. Segundo relato do repórter Gerson Camarotti, da Rede Globo, ela teria feito um apelo ao senador mineiro: “Não nos deixe sós em Cuba. Muitas vezes nos sentidos abandonados lá”. Com a ajuda involuntária do petista, o cambaleante presidenciável tucano agora usa o episódio para atacar o governo e defender a “liberdade de expressão” – logo ele que censura a imprensa mineira.
Mas não foi só a direita partidária que explorou a visita da dissidente cubana. A mídia hegemônica também tirou a sua casquinha. Sem explicitar que Yoani Sánchez é “diretora” do antro golpista da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), que reúne os barões da mídia do continente, jornalões, revistonas e emissoras de rádio e tevê usaram a blogueira para criticar qualquer tipo de regulação dos meios de comunicação no Brasil. Atacaram Cuba para defender os seus privilégios. E Yoani Sánchez cumpriu a risca o seu papel.
Na mesma entrevista exclusiva ao Estadão, a correspondente da famiglia Mesquita – ninguém sabe se ela recebe algum salário e qual o seu valor – criticou a proposta do novo marco regulatório para o setor. “Quando se fala em regular a comunicação há que ter muito cuidado porque há uma linha tênue entre chamar a responsabilidade dos meios e a censura. É preciso ser muito cuidadoso e acredito que a regulação de meios deva ocorrer a nível de leis, da legalidade e não de governos, porque cada governo tem seus interesses”.
Em síntese, a visita da dissidente cubana serviu aos intentos da direita nativa. O circo midiático foi montado com esmero. Sobraram minutos de fama e muitos holofotes para Eduardo Suplicy. Até os “calunistas” que adoram ridicularizá-lo elogiaram o senador petista. Esta exposição talvez o ajude nas suas pretensões eleitorais para 2014 – quando pretende disputar novamente o Senado. Mas o custo político foi elevado. O jornalista Raymundo Costa, do Valor, chegou a especular que ele pode perder a vaga no PT:
“O PT até aceitou a presença de Suplicy no lançamento da Rede, o partido de Marina Silva. Afinal, ela é uma ‘ex-companheira’, como se diz entre petistas. O que a cúpula considera inadmissível é o senador ficar de ‘abraços e beijos’ com uma dissidente do regime que, nos anos de chumbo no Brasil, ‘abrigou’ boa parte dos líderes que viriam constituir o PT. ‘Somos eternamente gratos’, diz um petista de alto coturno”. Pode ser mais uma intriga da mídia, mas é fato que a postura de Suplicy gerou constrangimentos no PT e no governo.
Suplicy pode até não perder a vaga na disputa ao Senado. Este decisão cabe ao PT. Mas o meu mísero voto ele já perdeu! Há anos faço panfletagens e voto no petista – algumas vezes até por falta de alternativas. Desta vez, porém, ele passou da conta!
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Collor para Gurgel: Por qué no te callas?

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Argentina acusa al Reino Unido de enviar armas nucleares a las Malvinas

Argentina acusa al Reino Unido de enviar armas nucleares a las Malvinas
Argentina acusa al Reino Unido de enviar armas nucleares a las Malvinas
El Gobierno argentino acusó a Londres de enviar armas nucleares a las Malvinas, desafiando el Tratado de Tlatelolco de 1969 que prohíbe la presencia de tal armamento en América Latina y el Caribe.
El secretario de Relaciones Exteriores de la República Argentina ante la Conferencia de Desarme de la ONU, Eduardo Zuain, citado por la prensa sudamericana, afirmó en Ginebra que el Reino Unido sigue potenciando su presencia militar en el Atlántico Sur, incluidos los “desplazamientos de submarinos con capacidad de portar armamentos nucleares en la zona desnuclearizada”
El diplomático lamentó que Londres “no haya brindado hasta la fecha clarificaciones (…) ni haya ofrecido hasta el momento información alguna que permitiera corroborar o desmentir recientes desplazamientos de submarinos nucleares con capacidad de portar armamento atómico”.
Recordó que la presencia de más de 1.500 efectivos militares británicos con una población civil de 3.000 hace de las Malvinas uno de los territorios más militarizados del planeta.
Las Islas Malvinas, situadas a unas 250 millas de la costa argentina, fueron ocupadas por el Reino Unido en 1833. El 2 de abril de 1982 las fuerzas militares argentinas retomaron la soberanía de las islas dando lugar a un conflicto bélico que culminó el 14 de junio del mismo año, con la derrota de Argentina.
El Mercosur (Mercado Común del Sur), la CELAC (Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños), la Unasur (Unión de Naciones Suramericanas) y el ALBA (Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América) brindan su apoyo a Argentina en este diferendo.
No RIANovosti
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Blogueira da CIA toma xeque-mate na TV Cultura

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Cabra marcado para morrer

Um jornal australiano obteve um documento do governo americano em que Julian Assange e o Wikileaks são classificados como “inimigos do Estado”.
Assange no terraço da embaixada equatoriana em Londres
Assange no terraço da embaixada equatoriana em Londres
“Inimigos do Estado” é a mesma categoria em que estão catalogados o Talibã e a Al-Qaeda, por exemplo. Na prática, pela legislação de segurança americana, significa que eles podem ser presos sem processo formal por tempo indeterminado.
Podem também ser executados. Mortos. Eliminados. Como se estivéssemos vivendo o seriado 24 horas.
Onde, no Brasil, o repúdio à perseguição movida pelo governo americano a Assange? Ninguém se importa com ele? Algum colunista brasileiro o defendeu? Assange foi alvo de um único editorial? Ou, por criticar os Estados Unidos, ele não pode ser defendido?
Não só a perseguição americana já passou dos limites. Também a intransigência inglesa em não dar a ele salvo conduto para que pegue um avião rumo ao Equador vai passar para a história como um dos maus momentos da história recente do Reino Unido, em seu alinhamento com a política externa americana.
Assange está confinado na modesta embaixada equatoriana em Londres. Ontem, numa fala na ONU, o ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patiño, alertou para os riscos físicos que Assange enfrenta em sua presente situação. Lembremos que o pretexto para isso é o sexo que duas suecas fizeram consensualmente com ele.
Por teleconferência, Assange também falou ontem num fórum da ONU. Como sempre, num gesto de elegância, falou menos de si mesmo e mais do soldado Bradley Manning. (Também numa atitude admirável, Assange recusou um prêmio de “liberdade de expressão” concedido pela editora argentina Perfil — que no Brasil é sócia da Abril na Caras — quando soube que também estava sendo homenageado um jornalista do Equador que recebe subvenções americanas e trata a patadas o governo constitucional de Rafael Correa.)
Manning é acusado de ter passado ao Wikileaks os documentos americanos que, entre outras coisas, mostravam a Guerra do Iraque como ela era e é, não como os Estados Unidos fingiam que era.
Manning está preso à espera de julgamento, e pode ser condenado à morte por traição. Até que ativistas fizessem pressão, ele foi submetido a condições degradantes numa cadeia militar americana. Estava privado de qualquer contato com outros presos, e durante boa parte do tempo era impedido de vestir qualquer roupa. Tecnicamente, como lembraram os ativistas, estava sob tortura contínua.
E agora: o mundo vai esperar o quê para gritar pela libertação de Assange? Que ele morra?
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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MPF deve apurar caso de espionagem em Belo Monte

Desde seu anúncio, em meados de 2007, a construção da hidrelétrica de Belo Monte gerou debates entre diversos setores da sociedade civil e do próprio governo sobre os impactos ambientais do empreendimento e modelo de desenvolvimento representados pela obra na região Norte. Três anos após a obra ser licitada, as tensões entre os diferentes movimentos – contrários ou a favor da construção – se agravaram. Nesta segunda-feira 25, o Ministério Público Federal recebeu uma representação do Movimento Xingu Vivo Para Sempre com informações sobre um suposto esquema de espionagem, financiado pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) com o apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), contra os movimentos sociais e sindicais que se opõem à construção da hidrelétrica na bacia do Xingu.
Trecho do rio Xingu (foto), onde está sendo construída a usina de Belo Monte. Foto: NYT
Trecho do rio Xingu (foto), onde está sendo construída a usina de Belo Monte.
Foto: NYT
O caso veio à tona após um empregado do consórcio ser flagrado espionando e gravando uma reunião de planejamento do grupo, realizada no domingo 24, com uma caneta espiã. Chama a atenção a suposta participação de uma agência do governo federal no esquema.
Após ser pego, o empregado concordou em gravar um depoimento para a ONG Repórter Brasil, no qual diz ganhar cerca de 5 mil reais por mês para repassar informações de dentro das reuniões dos movimentos sociais. Ele se identifica como funcionário do consórcio.
Por meio de sua atuação, diz o empregado, o consórcio conseguia subsídios para pedir a prisão de líderes sindicais ou demitir funcionários descontentes a fim de evitar mobilizações e greves que poderiam impedir o ritmo das obras.
O agente, que apresentou crachá e carteira profissional na qual consta o registro do CCBM, acredita que seu trabalho foi decisivo para a prisão dos cinco acusados de terem comandado a última revolta de trabalhadores nos canteiros de Belo Monte, ocorrida em novembro do ano passado, e na demissão de cerca de 80 trabalhadores. O funcionário espião repassava informações para o consórcio construtor desde o segundo semestre do ano passado e se diz arrependido.
A suspeita foi encaminha para o Ministério Público Federal pelo advogado do Movimento Xingu Vivo, Marco Apolo Santana Leão. O MPF, no entanto, disse a CartaCapital não ter tido tempo para analisar o documento e se pronunciar. O empregado do CCBM havia concordado na noite de domingo 24 em prestar depoimento ao MPF, mas depois voltou atrás, segundo informações da ONG Repórter Brasil.
De acordo com o movimento Xingu Vivo, após recorrer da decisão de depor ao MPF, o funcionário enviou uma ameaça em uma mensagem por celular para um dos integrantes: “vocês me ameaçaram, fizeram eu entrar no carro, invadiram minha casa sem ordem judicial. Isso é que é crime. Vou processar todos do Xingu Vivo. Minha filha menor e minha mulher são minhas testemunhas. Sofri danos morais e violência física. E vocês vão se arrepender do que fizeram comigo”.
Até o momento, a única resposta do consórcio frente à denúncia foi dada por meio da nota divulgada na segunda-feira 25: “O Consórcio Construtor Belo Monte, que até o momento não foi informado sobre o suposto fato, não tem como prática o envio de observadores a eventos promovidos por outros órgãos ou instituições”.
A Abin e o governo federal não se pronunciaram a respeito do tema.
O movimento afirmou, em nota, que “apesar da atitude criminosa” e de “não eximi-lo (o empregado) de sua responsabilidade”, “entende que o maior criminoso neste caso é o Consórcio Construtor Belo Monte, que usou de seu poder coercitivo e financeiro para transformar um de seus funcionários em alcaguete”.  O grupo cobra a responsabilização da empresa e do governo federal devido à participação da Abin e diz que considera “inadmissível que estas práticas ocorram em um estado democrático de direito”.
Os movimentos sociais contrários à construção da hidrelétrica reclamam, principalmente, dos impactos socioambientais previstos, do desmatamento e de problemas técnicos no planejamento e execução do projeto. Segundo a ONG Repórter Brasil, os opositores defendem a interrupção da construção da barragem e têm seguidamente apresentado denúncias de problemas graves decorrentes da obra.
No CartaCapital

Flagrado durante reunião do Movimento Xingu Vivo para Sempre usando caneta espiã, funcionário do Consórcio Construtor Belo Monte confessa que recebia 5 mil reais para passar informações ha mais de 2 meses sobre atividades do movimento. Estas seriam analisadas pela ABIN, segundo o alcagoete.
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Só depois da posse de Haddad, a Veja percebeu que a cidade de São Paulo está um lixo

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Imagem publicada por André Borges Lopes no Facebook
É muito curioso como a “grande mídia” trata os problemas das cidades administradas pelos demotucanos e as governadas pelo partido do governo federal.
Não leio a revista [da] marginal, digo, a Veja – nem para saber as estratégias dos inimigos do povo –, há mais de 12 anos, mas pelas redes sociais é possível constatar como os “arautos do bom jornalismo e paladinos da ética” agem para “informar” seus leitores.
Na imagem acima, postada no Facebook por André Borges Lopes, é possível perceber a “isenção” do jornalismo praticado pelos militantes do Instituto Millenium. Pois observem: em março de 2005, o secretário municipal de Serviços de 2005 a 2006, na gestão (sic) de José Serra, Andrea Matarazzo, com uma fisionomia angelical, foi capa da Vejinha São Paulo com um texto que dizia que ele possuía “ideias para que o coração de São Paulo recupere o brilho e volte a ser um orgulho dos paulistanos”. Não se perca pelas datas: 2005.
Já em outubro de 2012, com a mesma fisionomia angelical aparece Gilberto Kassab para tentar turbinar a candidatura de seu padrinho José Serra, que já estava no limbo. A revista (sic) perguntava: “Será que estamos sendo justos com ele?” E manda o texto: “Uma radiografia da gestão Kassab que após sete anos deixa a prefeitura com avanços em algumas áreas importantíssimas, mas com a popularidade em baixa”. Volto a insistir, não se perca pelas datas: outubro de 2012.
Na edição da semana de 13 de fevereiro de 2013, a capa da Vejinha São Paulo percebe – passados apenas quatro meses dos elogios a Kassab/Serra – que as calçadas da cidade estão uma vergonha. Com certeza, a famiglia Civita quer incutir na cabeça de seus leitores incautos que a culpa é do poste do Lula, digo, de Fernando Haddad, que em dois meses não conseguiu resolver o problema, além de as calçadas não estarem entre os “avanços em algumas áreas importantíssimas” de Kassab.
Não é de se estranhar que, daqui a poucos dias, os jornalistas (sic) da Editora Abril comecem a dizer – e a pautar os correligionários do Millenium – que a ruindade do transporte coletivo é culpa do Haddad; que as enchentes são culpa do Haddad etc. etc.
É assim que a “grande mídia” informa seus leitores. Não é curioso?
Em tempo 1: Depois de sete anos, cadê as ideias brilhantes de Andrea Matarazzo para melhorar o Centro de São Paulo? Isso é uma boa pauta.
Em tempo 2: Notaram como os incêndios em favelas pararam de acontecer? É muito estranha essa coincidência, para não dizer sinistra.
Miguel Baia Bargas
No Limpinho&Cheiroso
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Gurgel cede ao PSDB e blinda Andréa e Aécio Neves

Gurgel impõe sua vontade no CNJ evitando que fosse apurado o favorecimento de rádios e outros veículos de imprensa pertencentes aos irmãos Neves
Para integrantes da Procuradoria Geral da República, Gurgel, além de comprovadamente favorecer políticos de oposição ao governo de Dilma, encontra-se refém do PSDB e da base de oposição junto ao Congresso Nacional, que além de determinar ao TCU que o investigue, está perto de instalar seu Impeachment.
Segundo seus assessores, se o CNMP determinasse o prosseguimento das investigações contra o favorecimento, através de verbas milionárias do Governo de Minas, à Radio Jovem Pan e outros veículo de imprensa pertencente ao senador Aécio Neves e sua Irmã, Gurgel perderia o apoio do PSDB, que vem tentando impedir que o mesmo seja investigado pelo Senado Federal.
“Nota-se claramente que Gurgel tornou-se refém do PSDB,devido às irregularidades que cometeu e agora, mesmo a custa do desgaste da imagem da instituição que dirige, tenta salvar a própria pele”, informa um procurado aposentado.
Por unanimidade, o Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) julgou improcedente, nesta terça-feira (26/2), reclamação ajuizada pelo promotor de Justiça de Minas Gerais João Medeiros Silva. Ele pediu a anulação de ato do procurador-geral de Justiça do MPMG que havia avocado inquérito civil público instaurado para investigar repasses do governo de Minas à empresa de comunicação de propriedade do senador Aécio Neves e sua irmã Andrea.
“Aécio já não é mais governador, demonstrando que a decisão está coberta de ilegalidade e o voto do conselheiro Almino Afonso na verdade foi feito pelo conselheiro Jarbas Soares”, informa um ex-integrante do CNMP. Concluindo: “Utilizaram uma argumentação não cabível à questão, pois em momento algum não estava em discussão o conflito de atribuição”.
Lavando as mãos, o CNMP, utilizando-se de um artifício, decidiu que não cabe ao Conselho rever decisões em conflito de atribuição ou qualquer ato relativo à atividade-fim do Ministério Público. Evitando desta forma que o CNMP examinasse o mérito da decisão de avocação e de arquivamento. Para os procuradores consultados por Novojornal, “este foi o canto do cisne de Gurgel e do modelo que ele representa”.
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Confessionário

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Denúncias contra Chalita nasceram no comitê de campanha de José Serra

http://el.imguol.com/2012/08/02/2ago2012---sao-paulo---o-candidato-do-psdb-a-prefeitura-de-sao-paulo-jose-serra-aborda-pontos-de-sua-administracao-em-sao-paulo-durante-o-debate-ao-lado-esta-ao-candidato-gabriel-chalita-1343957873034_956x500.jpg 
Segundo jornal O Estado de S.Paulo, assessor que trabalhava na campanha do tucano encaminhou e acompanhou depoimento de denunciante ao Ministério Público
São Paulo – Matéria publicada na edição de hoje (27) do jornal O Estado de S.Paulo mostra que as denúncias contra o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) – de que teria recebido irregularmente R$ 50 milhões quando era secretário estadual de Educação – nasceram no comitê de campanha do então candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), no ano passado. Leia abaixo o texto do site do Estadão, assinado pelos repórteres Bruno Boghossian e Julia Dualibi:
***********
Brasília - Um assessor da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012 levou o analista de sistemas Roberto Grobman ao Ministério Público para que ele apresentasse denúncias de corrupção contra o deputado Gabriel Chalita (PMDB), acusado de receber R$ 50 milhões de empresários quando era secretário paulista de Educação.
Grobman foi levado aos promotores pelo jornalista Ivo Patarra, que fazia “assessoria política” para a campanha tucana, em outubro do ano passado, quando Serra disputava o 2.º turno da eleição municipal paulistana. Patarra seguiu orientações do deputado Walter Feldman (PSDB), um dos coordenadores da campanha do PSDB.
O adversário de Serra naquela ocasião era o atual prefeito Fernando Haddad (PT), que tinha o apoio de Chalita - responsável por verbalizar as mais duras críticas ao tucano em debates, depoimentos e entrevistas.
Procurado pelo Estado, Patarra admitiu que, enquanto trabalhava na campanha de Serra, levou Grobman ao MP. “Eu estive lá e acompanhei os quatro depoimentos iniciais dele. De certa forma, fez parte do meu trabalho na época”, disse o jornalista. “Não vou te negar isso: a gente estava na campanha”, completou.
Grobman esteve no Ministério Público ao lado de Patarra duas vezes na disputa do 2.º turno. As informações não vieram a público durante a campanha porque os promotores não avançaram na investigação. Como deputado federal, Chalita desfruta de prerrogativa de foro, perante o Supremo Tribunal Federal.
“A gente acabou não fazendo qualquer uso eleitoral do que a gente descobriu. Os primeiros depoimentos ainda foram no período antes do 2.º turno, mas já com a decisão de que não se faria uso disso na eleição, para que a denúncia não fosse prejudicada por essa acusação de ser eleitoreira”, justificou Patarra.
O jornalista disse que levou Grobman ao MP por orientação de Feldman. O deputado confirma ter pedido que a denúncia fosse levada aos promotores.
“Essa informação nos chegou na campanha. O Chalita candidato, nós na campanha do Serra... Nós colocamos que eram denúncias que nos pareciam que deveriam ser investigadas, então eu sugeri, juntamente com o Ivo, que fizesse o encaminhamento ao Ministério Público”, declarou o tucano.
Grobman afirma ter trabalhado como assessor informal de Chalita na secretaria de Educação. Ele diz que presenciou, pelo menos seis vezes, momentos em que Chalita recebeu malas e caixas com “pilhas de notas de dinheiro”. Grobman afirma que Chalita cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos com sua pasta.
Pagamento
Patarra diz que trabalhou formalmente na campanha de Serra e afirma que o comitê tucano fez pagamentos por seus serviços de “assessoria política”. Ele declarou, no entanto, que não emitiu nenhuma nota fiscal que comprovasse o pagamento.
Em novembro de 2012, no mês seguinte à eleição, Feldman pediu reembolso à Câmara dos Deputados pela prestação de serviços da empresa Ivo Patarra Comunicações Ltda., que emitiu a nota fiscal no valor de R$ 9 mil. O deputado disse que o pagamento era por outro serviço de comunicação prestado por Patarra. “Era totalmente outro serviço. Não tinha nada a ver”.
Questionado sobre a falta de pagamentos a Patarra na prestação de contas da campanha, Feldman disse: “Não sei. Não tinha nenhuma relação desse caráter”.
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Fidel Castro: No luchamos por gloria ni honores; luchamos por ideas


Fidel Castro durante la sesión constitutiva de la VIII Legislatura de la Asamblea Nacional del Poder Popular eln 24 de febrero de 2013.

Queridos compañeros:
Agradezco profundamente el noble gesto del pueblo al elegirme como diputado a la Asamblea Nacional del Poder Popular de Cuba.
No será mucho el tiempo que ocupe en la intervención de hoy, ni tampoco el espacio de este honroso escaño como diputado, y no por falta de voluntad, sino por imperativo de la naturaleza.
Jamás pensé que mi existencia se prolongara tanto, y que el enemigo fuera suficientemente torpe en su odioso oficio de eliminar adversarios decididos a luchar.
En esa desigual lucha, nuestro pueblo demostró su asombrosa capacidad de resistir y de vencer. ¡Sí, porque cada año de resistencia entre 1959 y 2013 fue una victoria que nuestro pequeño país tiene derecho a proclamar!
No luchamos por gloria ni honores; luchamos por ideas que consideramos justas, a las que, como herederos de una larga lista de ejemplos, millones de cubanos han consagrado su juventud y su vida. Una cifra lo expresa todo: a ochocientas mil personas se eleva el número de los cubanos que han cumplido abnegadas misiones internacionalistas. Si al triunfo de la Revolución en el año 1959 no llegábamos a 7 millones de habitantes, se puede medir el significado de tales esfuerzos.
Esto sin embargo no lo expresa todo. En octubre de 1962, la nación estuvo a punto de convertirse en campo de batalla nuclear. Un año y medio antes, en abril de 1961, una expedición mercenaria entrenada, armada y escoltada por la Marina de Estados Unidos, desembarcó en Bahía de Cochinos y estuvo a punto de provocar una sangrienta guerra que habría costado a los invasores norteamericanos cientos de miles de vidas -lo afirmo sin exageración – y a nuestro país, destrucción y pérdidas humanas realmente incalculables. Poseíamos entonces alrededor de cuatrocientas mil armas y sabíamos como usarlas. En menos de 72 horas el fulminante contraataque revolucionario evitó aquella tragedia, tanto a Cuba, como al pueblo de Estados Unidos.
Fuimos víctimas de la “guerra sucia” durante mucho tiempo, y 25 años después de la Crisis de Octubre, tropas internacionalistas defendían Angola de los invasores racistas sudafricanos, provistos ya en esa época de varias armas nucleares con tecnología y partes esenciales suministradas por Israel con la aprobación de Estados Unidos. En aquella ocasión la victoria de Cuito Cuanavale, y el posterior avance resuelto y audaz de las fuerzas cubanas y angolanas, equipadas con los medios aéreos, antiaéreos y la organización adecuada para liberar territorios todavía ocupados por los invasores, disuadieron a Sudáfrica, de que no le quedaba otra alternativa que abandonar sus ambiciones nucleares y sentarse en la mesa de negociaciones: El odioso sistema racista dejó de existir.
Entre todos hemos llevado a cabo la modesta proeza de una Revolución profunda que, partiendo de cero, nuestro pueblo fue capaz de realizar. A los primeros núcleos revolucionarios se fueron sumando otros. Nos unía el deseo de luchar y el dolor por la tragedia del país ante el golpe brutal. Mientras unos tenían esperanzas en un futuro al que veían todavía muy lejano, otros meditábamos ya en la necesidad de dar un salto en la historia.
Entre el golpe de Estado del 10 de Marzo de 1952 y el 1 de Enero de 1959 transcurrieron solo 6 años y 296 días; por primera vez, en nuestra Patria, el poder había quedado totalmente en manos del pueblo.
La batalla comenzó entonces contra la ignorancia política y los principios antisocialistas que el imperio y la burguesía habían sembrado en nuestro país. La lucha de clases desatada a pocas millas de la sede del imperio fue la escuela política más eficiente que ha tenido nunca un país; hablo de una escuela que abrió sus puertas hace más de 50 años. Hombres y mujeres, desde los pioneros hasta las personas que posean muchos más años, hemos sido alumnos de esa escuela.
Sin embargo la gran batalla que, de acuerdo a lo que me contaba Raúl hace unos días, se impone, es la necesidad de una lucha enérgica y sin tregua contra los malos hábitos y los errores que en las más diversas esferas cometen diariamente muchos ciudadanos, incluso militantes.
La humanidad ha entrado en una etapa única de su historia. Los últimos decenios no guardan relación alguna con los miles de siglos que la precedieron.
En el año 2011 la población mundial arribó a 7 mil millones de habitantes, lo que constituye una cifra alarmante. En solo dos siglos la población del mundo se multiplicó por siete, alcanzando un ritmo de necesidades alimentarias vitales que la ciencia, la tecnología y los recursos naturales del planeta están muy lejos de lograr.
Pueden hacerse decenas de cálculos, hablar de Malthus o del Arca de Noé, basta saber lo que es un gramo y lo que produce una hectárea de cualquier alimento y sacar sus conclusiones.
Tal vez el Primer Ministro inglés o el presidente Obama sepan la respuesta que prolongue unos días más la vida humana, la multiplicación de los panes y los peces, y las palabras mágicas para persuadir a los africanos, los habitantes de la India, América latina y todos los países del Tercer Mundo, que no tengan hijos.
Hace dos días una agencia internacional recordaba que un multimillonario estadounidense, Dennis Tito, había gastado 20 millones de dólares para pagar su viaje a la Estación Espacial Internacional, donde permaneció varios días en el año 2001. Ahora Tito, que parece ser de verdad un fanático de la exploración espacial, estaba discutiendo los detalles para incursionar al planeta Marte. El viaje durará 501 días. ¡Eso sí es disfrutar la plusvalía! Mientras los polos se derriten velozmente, el nivel de los mares sube por el cambio climático, inundando grandes áreas en unas pocas decenas de años, todo lo cual supone que no habrá guerras y las sofisticadas armas que se están produciendo a ritmo acelerado no se usarán nunca. ¿Quién los entiende?
Concluyo para cumplir mi promesa de ser breve en estas palabras de saludo a nuestra Asamblea Nacional.
En el 118 Aniversario del Grito de Baire y el 160 del nacimiento de nuestro Héroe Nacional, me complace rendir tributo al revolucionario, antiimperialista y bolivariano que sembró en nuestros jóvenes las primeras semillas del deber.
¡Muchas gracias!

No ISLAmía
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Uma mentira conveniente: por que “Argo” é uma fraude histórica

O filme de Ben Affleck  inverte e distorce os fatos em sua tentativa frenética de apresentar um agente da CIA como heroi.
A cena em que os fugitivos são parados no aeroporto: isso nunca aconteceu
A cena em que os fugitivos são parados no aeroporto: isso nunca aconteceu
Durante o stalinismo, a história foi reescrita com freqüência em conformidade com a ortodoxia soviética. O protagonismo de Leon Trotsky, um dos principais arquitetos da Revolução Russa de 1917, foi minimizado ou apagado – até mesmo fotos de Trotsky em pé ao lado de Lenin, Stalin e outros membros do comitê central foram desajeitadamente retocadas para remover vestígios de sua existência.
Com “Argo”, um exercício desenfreado de ufanismo americano e imperialismo cultural, Ben Affleck cometeu uma forma similar de fraude. Essa é a opinião de Ken Taylor, o ex-embaixador canadense no Irã que realmente arquitetou a fuga dos seis reféns que ele e o primeiro-secretário da embaixada John Sheardown haviam escondido em suas casas, em situação de risco pessoal considerável.
“Foram três meses de preparação intensiva para a fuga”, explica Taylor. “Eu acho que o meu papel foi um pouco mais importante do que abrir e fechar a porta da frente da embaixada.” (Essas são essencialmente as imagens que comprovam a existência de Taylor no esquema criacionista de Argo.)
Affleck fez um filme de propaganda, uma auto-felação que inverte e distorce os fatos em sua tentativa frenética de apresentar o agente da CIA Tony Mendez (interpretado por ele mesmo) como a pessoa que trabalhou nos bastidores para realizar a retirada. O roteiro se baseia em documentos confidenciais da CIA, abertos ao público nos anos 80, que revelaram como Mendez desenvolveu um disfarce para os seis americanos – o de uma equipe de cinema que queria fazer um filme de ficção científica no Irã.
Essa é a única parte do filme de Affleck que possui alguma verdade. Praticamente todo o resto é uma mentira para satisfazer um público americano faminto de heróis.
O embaixador do Canadá, Ken Taylor: "concierge de luxo" na visão de Affleck
O embaixador do Canadá, Ken Taylor: “concierge de luxo” na visão de Affleck
“Tony Mendez ficou um dia e meio no Irã”, diz Ken Taylor. Em vez de apresentar um relato honesto de uma missão de resgate histórico, que o embaixador canadense tinha em grande parte planejado e que a CIA apenas ajudou a executar, Affleck se entrega a uma pirotecnia mal disfarçada que corrompe a verdade, dando primazia ao envolvimento dos EUA.
Na sexta passada, a frustração de Taylor atingiu o limite. “Não haveria filme sem os canadenses. Abrigamos os seis sem que nos fosse solicitado”. Argo tem recebido vários prêmios nos últimos meses. Embora Affleck tenha sido supostamente “esnobado” por Hollywood ao não ser apontado na lista de melhor diretor no Oscar, seu longa recebeu várias indicações.
Além de “Argo” ter sido canonizado por ligas e premiações de diferentes setores nos meses passados, a questão mais ampla é como Affleck conseguiu enganar tanta gente em seu caminho para a glória da crítica, apesar das enormes distorções, invenções e fabricações que o filme comete para defender a CIA como um grupo de espiões inteligentes. Como a Grande Mentira tomou conta da imaginação limitada de Affleck?
“Argo” se situa no Irã, logo após a queda do Xá em 1979, quando a Guarda Revolucionária invadiu a embaixada americana. Seis funcionários conseguiram escapar e se esconderam por vários dias até que dois deles entraram na residência do casal Pat e Ken Taylor. Outros quatro foram para a casa de John Sheardown e de sua mulher Zena depois que o funcionário consular Robert Anders telefonou para o amigo Sheardown pedindo que ele o recebesse com seus três colegas fugitivos. “Por que você demorou tanto?”, foi a resposta do Sheardown.
(Nada disso aparece na versão de Affleck. Sheardown sequer é mencionado.)
Os fugitivos passaram três meses no limbo das duas residências até que Taylor finalmente convenceu um reticente departamento de estado americano de que as autoridades iranianas estavam começando a farejar as casas.
Em seu zelo para contar a história do agente Tony Mendez, Affleck reescreveu boa parte da história e enxugou radicalmente o papel do embaixador. Não foi só ele que deixou clara sua discordância. Em uma entrevista para o jornalista Piers Morgan na semana passada, o ex-presidente americano, Jimmy Carter,  afirmou que “90% do plano foi dos canadenses”, mas o filme “dá crédito quase completo à CIA”.
Affleck defende sua selvageria autoral dizendo que uma TV canadense já havia feito um filme em 1981. De acordo com ele, “Argo” foi concebido para revelar o “papel secreto da CIA” – que basicamente se resume à criação de uma equipe de cinema a fim de enganar os funcionários da alfândega no aeroporto de Teerã. “Este filme mostra um maravilhoso espírito de colaboração e cooperação. É um grande cumprimento para o Canadá”, afirmou Affleck para mim.
(Taylor tinha originalmente planejado que eles se passassem por engenheiros, apenas para ter sua ideia rejeitado pela CIA, que de alguma forma bizarra pensou que o approach hollywoodiano fazia mais sentido.)
Os seis fuitivos são recebidos na Casa Branca em 79: a CIA foi coadjuvante
Os fugitivos são recebidos na Casa Branca em 79: a CIA foi coadjuvante
Não havia absolutamente nenhuma necessidade de transformar o papel central do embaixador num “concierge” de luxo, que basicamente servia bebidas e canapés e seguia ordens. Taylor, que é interpretado pelo canadense Victor Garber, declarou que “‘Argo’ faz parecer que os canadenses estavam ali apenas a passeio”.
Affleck respondeu um tanto irritado: “Eu admiro Ken por seu papel no resgate. Estou surpreso que ele continue a ter problemas com o filme”. Em outubro, quando Argo estava sendo lançado na América do Norte, Affleck soube que Taylor estava começando a falar publicamente sobre sua decepção com seu trabalho. Ben Affleck organizou às pressas uma exibição e, depois de ouvir suas objeções, concordou em inserir um texto no início dos créditos: “O envolvimento da CIA complementou os esforços da embaixada canadense”.
A verdade é outra: Taylor planejou a fuga, enquanto a CIA e seus homens, Mendez à frente, simplesmente ajudaram a preparar o estratagema esquisito que serve como um contraponto cômico para o drama subjacente no Irã. Tony Mendez era uma espécie de assessor técnico. Mas, na narrativa falsificada de Affleck, todo o heroísmo é reservado para seu alter ego.
A história real por trás da fuga evoluiu de outra forma. Durante os quase três meses em que os seis fugitivos estiveram escondidos, o governo canadense em Ottawa preparou documentos oficiais – passaportes, carteiras de motorista, até mesmo alfinetes com a bandeira –, enviados a Teerã via mala diplomática.
O papel da CIA foi forjar os vistos de entrada – mas até isso eles conseguiram ferrar. Os selos falsos continham um erro catastrófico feito por um agente, que se equivocou na data de entrada. Um membro da embaixada canadense, Roger Lucey, apontou a burrada (ele podia ler farsi, em oposição ao apparatchik da CIA). Lucey passou várias horas debruçado sobre uma lupa, forjando os passaportes e torcendo para que seu trabalho penoso passasse despercebido pelas autoridades.
Outro ato flagrante de omissão de Argo é que a CIA contou com Taylor para fornecer informações sobre o caos da tomada de reféns em curso na embaixada dos EUA, onde 52 americanos ainda estavam sendo mantidos em cativeiro pela Guarda Revolucionária. Taylor pediu a um sargento canadense, Jim Edwards, que saísse e monitorasse, com seu time, a área ao redor da embaixada dos EUA durante várias semanas, para uma possível missão dos Estados Unidos.
Edwards foi detido e interrogado por cinco horas, até ser liberado por volta da uma da manhã. “Nós bebemos um monte de uísque juntos”, Taylor recordou. “Ele poderia facilmente ter sido preso como um espião.”
Mark Lijek, um dos dois americanos que passaram 79 dias na casa de Sheardown, confirma o relato. “Toda a embaixada canadense passou a se concentrar em nossa sobrevivência e eventual saída, o que é praticamente sem precedentes na história diplomática”, Lijek explicou. “É triste que Argo ignore tudo isso.”
O passeio no bazar: só na cabeça do cineasta
O passeio no bazar: só na cabeça do cineasta
Argo também inventa três cenas-chaves que nunca aconteceram. A primeira é quando Affleck-Mendez leva os fugitivos a um local e atravessa um bazar iraniano. “Isso teria sido suicida,” diz Lijek. A segunda instância da imaginação fantasiosa de Affleck é a sequencia do aeroporto, no final, em que a Guarda Revolucionária interroga o grupo – o que simplesmente nunca aconteceu.
Finalmente, “Argo” inventa o clímax em que um jipe militar cheio de soldados armados persegue o avião na pista. “É tudo ficção”, conta Taylor. “Foi bom ir ao aeroporto – exceto por nossos nervos”.
Affleck é um homem cujo coração está normalmente no lugar certo. Ele apoia causas liberais, defende a liberdade de expressão, é delicado nas entrevistas e frequentemente crítico da direita republicana. Mas ele ou é terrivelmente ingênuo ou estúpido quando se trata de sua leitura do registro histórico. Ele achou que seu bolo fofo de entretenimento lhe dava a “licença artística” para cortar, ajustar e mentir. Em uma entrevista ao Hollywood Reporter, afirmou que era um ex-estudante de assuntos do Oriente Médio da Universidade de Vermont e que escreveu um artigo sobre a revolução iraniana.
Mas, como um crítico frequente da política externa americana e da administração Bush, por que Affleck decidiu cantar os louvores da CIA, que projetou a queda de Mossadegh e a subsequente substituição pelo Xá?
Ele deveria checar os fatos. Podemos perdoar a adição de um jipe ​​carregado de metralhadoras perseguindo um jato comercial. Podemos perdoar a adição de um tour suicida em um bazar lotado. Podemos até perdoar “Argo” por fazer John Sheardown desaparecer. Mas não há como desculpar uma visão manipuladora e irremediavelmente distorcida da realidade para maquiar uma peça de propaganda.
Harold Von Kursk

A história real por trás de Argo

Argo, de Ben Affleck, foi o grande vencedor do Oscar: aqui, os motivos que levaram os iranianos a fazer o que fizeram.
Ben Afleck em Argo
Ben Afleck em Argo

O filme descreve o empenho de agentes da CIA para retirar americanos de Teerã no curso da Revolução Iraniana de 1979. O movimento varreu a ditadura do xá Reza Pahlevi, marionete ocidental, e instalou uma república islâmica, chefiada pelo aiatolá Khomeini. Khomeini logo declarou que os americanos eram o “grande satã” do mundo.
Por quê?
A notoriedade de Argo é uma boa oportunidade para discutir o caso.
Você tem que recuar um pouco mais para entender a crise Estados Unidos-Irã. Para 1953, quando o Irã experimentava uma democracia secular sob um líder popular, Mohammed Mossadegh. O Irã enfim se livrara de um regime manipulado pelo Ocidente, e Mossadegh acabaria virando primeiro-ministro. Ele tinha as credenciais necessárias: era um político íntegro, prático, honesto, competente e comprometido com os interesses do povo. Mossadegh de fundamentalista nada tinha. Chegou ao poder democraticamente, e era respeitado e admirado pelos iranianos.
Eram tempos particularmente complexos na geopolítica, o início da Guerra Fria que opunha Estados Unidos e União Soviética e ameaçava a humanidade de extinção, dadas as armas de cada parte.
Mossadegh nacionalizou a Anglo-Persian Oil Company (atual British Petroleum, ou BP), controlada pelos ingleses desde o início do século XX. Uma tentativa de renegociar o contrato original e dividir os lucros meio a meio fracassou. Mossadegh entendia que era hora de os recursos naturais do Irã, a começar pelo petróleo, serem usados para reduzir a pobreza enorme dos iranianos. Os iranianos vibraram com a nacionalização.
Os ingleses nem tanto. Um líder britânico de então – o ministro das relações exteriores, Ernst Bevin — comentou candidamente que, sem o petróleo do Irã seria impossível alcançar o padrão de vida a que “aspiramos” para os ingleses.
A solução era derrubar Mossadegh. Os ingleses convenceram os americanos de que o Irã sob Mossadegh poderia passar para a órbita soviética. Mossadegh, educado na França, não tinha simpatia nenhuma pelo socialismo. Mas isso não importava muito, ou nada, na realidade. A questão era o petróleo.
Os Estados Unidos entenderam que era importante, para seus interesses, derrubar a jovem democracia iraniana. A tarefa de minar Mossadegh foi entregue à CIA. Surgiria a Operação Ajax, cujos pormenores estão registrados em documentos da CIA que depois do número protocolar de anos deixaram de ser considerados confidenciais e estão abertos ao público.
Mossadegh acabaria derrubado em 1953.  Foi restalecida, pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, a dinastia Pahlevi, extremamente impopular entre os iranianos pela subserviência ao Ocidente e pela ganância ilimitada com que enriquecera ostensivamente no poder enquanto o povo arrastava sua miséria sem esperanças.
O modelo vitorioso da Operação Ajax seria usado muitas vezes depois pela CIA. Logo em 1954, na Guatemala. Em 1973, no Chile. As digitais da CIA apareceriam, menos nítidas mas igualmente marcantes, no golpe militar que derrubou o presidente João Goulart, no Brasil, em 1964.
Os iranianos foram obrigados a suportar o clã Pahlevi por 26 anos. Em 1979, mais ou menos como ocorreu agora em país como Tunísia e Egito, o povo disse basta. Pahlevi encontrou abrigo nos Estados Unidos. A embaixada americana em Teerã foi invadida por estudantes iranianos que mantiveram as pessoas ali retidas por 444 dias. Havia um simbolismo nisso. A Operação Ajax fora tramada exatamente ali.
Esse o contexto de Argo.
O que os iranianos pensam dos americanos
O que os iranianos pensam dos americanos

Alguns historiadores, vistas as coisas em retrospectiva, consideram que o preço pago pela Operação Ajax acabaria se tornando extraordinariamente caro para os Estados Unidos. A desastrosa presença americana no Oriente Média – um horror para invadidos e invasores – conheceu na Operação Ajax um marco de consequências piores do que qualquer previsão pessimista que se fizesse então.
Teria sido melhor para os Estados Unidos recusar o convite inglês para minar Mossadegh, mas o fato é que a resposta, depois de uma breve relutância, foi sim.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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TV digital: a importância da faixa dos 700 mhz

http://jornalmontesclaros.com/wp-content/uploads/2013/02/TV-20120724165509-300x200.jpg 
A faixa de 700 mhz tem sido objeto de grande controvérsia no âmbito da Anatel e Ministério das Comunicações. Embora o governo já tenha decidido que a faixa será destinada à TV digital, ainda não há uma estratégia definida e alinhada com as emissoras para a migração a esta nova tecnologia. Vale salientar que a migração implica para as emissoras em um alto investimento na substituição de todos seus equipamentos, transmissores, antenas, etc...
Por parte do consumidor, implica na compra de televisores digitais, que o governo federal estuda subsidiar o preço para população de baixa renda. O maior desafio é a acomodação de todos interessados - sendo que esse processo de substituição de equipamentos, denominado como “Limpeza do Espectro“, ainda é uma incógnita para todos. Quando começa? Qual o prazo para desativação do sinal analógico? Nada disso foi anunciado por enquanto.
O primeiro desafio do governo é alinhar com as emissoras um cronograma para ativação do sinal digital, havendo aqui uma dicotomia entre os grandes centros, que operam em VHF e as localidades rurais e pequenos municípios, que operam em UHF - realidades técnicas e socioeconômicas bem diferentes. Para que a transição ocorra sem deixar a população sem o serviço, a ativação do serviço por parte das emissoras, bem como a substituição dos aparelhos por parte dos telespectadores deve ocorrer concomitantemente.
http://tecnologia4gbr.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/09/banda-larga-internet-4g.jpeg 
Além da TV digital, a faixa de 700 mhz é a melhor, em termos técnicos, para outra aplicação importante, o 4G das operadoras de telefonia móvel, cuja demanda é altíssima e sinaliza que vai crescer exponencialmente nos próximos anos, não só no Brasil, mas mundialmente. A nova tecnologia implantada em 700 mhz, permitirá as torres proporcionar melhor qualidade em áreas maiores de território, otimizando a quantidade de infra estrutura.
Ademais, outros serviços de natureza pública também necessitam da faixa para aprimoramento da qualidade dos atuais serviços. Refiro-me aqui a aplicações utilizadas pela segurança pública, como transmissão de dados em tempo real em alta resolução, soluções de gerenciamento de imagens e processamento de dados para empresas ferroviárias, companhias de engenharia de tráfego de grandes cidades, entre outros.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a faixa de 700 mhz, possui em âmbito nacional um substancial número de canais reservados para a segurança pública, que constituem uma importante ferramenta estratégica no combate e prevenção ao crime.
Já a sociedade brasileira espera que o governo federal tenha sensibilidade, em conjunto com outras pastas, como o Ministério da Justiça e o Ministério das Cidades de reservar uma quantidade razoável do espectro destinada às atividades responsáveis pelos relevantes serviços prestados pelo estado brasileiro. É a tecnologia a serviço do cidadão.
Dane Avanzi, é advogado e empresário de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações e diretor presidente do Instituto Avanzi, ONG de Defesa do Consumidor de Telecomunicações.Sobre o Grupo Avanzi: www.grupoavanzi.com.br

No Convergência Midiática
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Charge online - Bessinha - # 1707


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Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - VIII

Opus Dei nas finanças do Governo e com força na banca
"Cilício e chicotadas não são nada comparados com a violência psicológica"
Membros da obra utilizam cilício (corrente com pontas de arame que se cravam na pele) duas horas por dia e, uma vez por semana, flagelam as nádegas. Beber café sem açúcar ou não fumar são outro tipo de ações que são 'oferecidas' a Deus. Porém, ex-membros dizem que pior eram as obrigações e a falta de liberdade.
João (nome fictício) levantou-se depois de ter relações sexuais com a namorada e pegou nos seis bagos de milho que trazia num estojo de camurça. Colocou-os em forma de triângulo e ajoelhou-se sobre eles a rezar qualquer coisa parecida com o ave-maria. A mortificação corporal, como esta contada ao DN, é dos rituais do Opus Dei mais contestados por algumas fações da Igreja Católica e aquele que mais choca a sociedade.
Ajoelhar-se sobre o milho não é, no entanto, a prática mais comum. E muito menos depois do sexo, até porque os numerários, as numerárias e os agregados são celibatários. As penitências são incentivadas de forma que os membros da obra sofram como Jesus sofreu, sendo o ato entendido como uma dádiva a Deus.
Por norma, os membros, principalmente os numerários, são incentivados a utilizar o cilício duas horas por dia (exceto ao domingo). Ou seja: enquanto fazem as simples tarefas do quotidiano, utilizam uma espécie de cordão de arame preso à volta da coxa, cujos espigões se cravam na pele. Quando retirado, o sangue encarrega-se de tatuar a perna. A prática não é obrigatória, mas é aconselhada e bem-vista no seio do Opus Dei.
Outro polémico ritual é massacrar as nádegas (a chamada "disciplina") com um pequeno chicote de cordas com nós cegos nas pontas - prática realizada uma vez por semana. O responsável pelo Gabinete de Comunicação do Opus Dei, Pedro Gil, desvaloriza as penitências dizendo que "não são obrigatórias e nada têm a ver com as chicotadas relatadas no livro e no filme de Dan Brown". "Os membros certamente que se riem quando ouvem essas descrições", acrescenta, confirmando a existência destes rituais.
O contabilista do Porto João Pinto - que "apitou" com 22 anos e foi agregado do Opus entre 1976 e 1992 -, aceitou dar a cara para dizer que praticava a mortificação corporal, que diz não ser "uma coisa do outro mundo", admitindo, no entanto, que era incentivada.
Um outro ex-membro, que não se quis identificar, explicou ao DN que saiu do Opus Dei por perceber que "o que era praticado dia a dia chocava com os direitos fundamentais da pessoa humana".
No entanto, o antigo numerário considera que "quaisquer chicotadas ou cilícios não eram nada comparados com a violência psicológica a que os membros são sujeitos". E conclui: "Sentíamos que éramos uns zero à esquerda com todas as obrigações que tínhamos e com a liberdade que não tínhamos" (ver texto na página ao lado). O mesmo ex-membro utiliza uma metáfora para explicar como são tratados os membros numerários nos centros: "São como os alimentos no supermercado que são colocados em câmaras com pouco oxigénio para se aguentarem mais."
Os chicotes e os cilícios podem ser pedidos aos membros da obra ou comprados, por exemplo, no Convento de Santa Teresa em Coimbra. A irmã Lúcia praticava este tipo de mortificações, que continuam a ser incentivadas entre as carmelitas coimbrãs. Podem ainda ser adquiridos na Internet e custam entre 31 e 101 euros.
A mortificação corporal não se fica, no entanto, pelo cilício e a disciplina. Há pequenas mortificações praticadas no dia a dia, como por exemplo beber o café sem açúcar, não comer entre as refeições ou não pôr manteiga no pão. Messias Bento, atual membro supranumerário, defende que a mortificação corporal "é um ato voluntário que cada um quer oferecer a Deus" e considera que "ninguém se devia impressionar com este tipo de práticas". E questiona: "Se ninguém se impressiona que se façam dietas e sacrifícios para que se fique elegante, porque se hão de impressionar que se façam coisas similares como ofertas a Deus?" Messias Bento dá ainda outros exemplos de mortificação: "Para um fumador, pode ser não fumar durante a manhã ou não beber vinho a uma das refeições." O antigo juiz ressalva ainda que "as mortificações não são feitas por puro masoquismo, são uma oferta a Deus".
Estas práticas de mortificação estão longe de ser consensuais na Igreja Católica e, mesmo no Opus Dei, nem todos as defendem. O deputado Mota Amaral confessou ao DN que, embora as compreenda, não é adepto deste tipo de práticas: "Sou mais pela alegria. Pela manhã de Páscoa."
Rui Pedro Antunes
No Diário de Notícias
Veja também: Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - I - II - III - IV - V - VI - VII
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