26 de fev de 2013

A Igreja-instituição como “casta meretriz”

Quem acompanhou o noticiário dos últimos dias acerca dos escândalos dentro do Vaticano, trazidos ao conhecimento pelos jornais italianos “La Repubblica” e o “La Stampa”, referindo um relatório com trezentas páginas, elaborado por três Cardeais provectos sobre o estado da cúria vaticana deve, naturalmente, ter ficado estarrecido. Posso imaginar nossos irmãos e irmãs piedosos que, fruto de um tipo de catequese exaltatória do Papa como “o doce Cristo na Terra” devam estar sofrendo muito, pois amam o justo, o verdadeiro e o transparente e jamais quereriam ligar sua figura a notórios malfeitos de seus assistentes e cooperadores.
O conteúdo gravíssimo destes relatórios reforçaram, no meu entender, a vontade do Papa de renunciar. Ai se comprovava uma atmosfera de promiscuidade, de luta de poder entre “monsignori”, de uma rede de homossexualismo gay dentro do Vaticano e desvio de dinheiro do Banco do Vaticano. Como se não bastassem os crimes de pedofilia em tantas dioceses que desmoralizaram profundamente a instituição-Igreja.
Quem conhece um pouco a história da Igreja – e nós profissionais da área temos que estuda-la detalhadamente- não se escandaliza. Houve épocas de verdadeiro descalabro do Pontificado com Papas adúlteros, assassinos e vendilhões. A partir do Papa Formoso (891-896) até o Papa Silvestre (999-1003) se instaurou segundo o grande historiador Card. Barônio a “era pornocrática” da alta hierarquia da Igreja. Poucos Papas escapavam de serem depostos ou assassinados. Sergio III (904-911) assassinou seus dois predecessores, o Papa Cristóvão e Leão V.
A grande reviravolta na Igreja como um todo, aconteceu, com consequências para toda a história ulterior, com o Papa Gregório VII em 1077. Para defender seus direitos e a liberdade da instituição-Igreja contra reis e príncipes que a manipulavam, publicou um documento que leva este significativo título “Dictatus Papae” que literalmente traduzido significa “a Ditadura do Papa”. Por este documento, ele assumia todos os poderes, podendo julgar a todos sem ser julgado por ninguém. O grande historiador das idéias eclesiológicas Jean-Yves Congar, dominicano, considera a maior revolução acontecida na Igreja. De uma Igreja-comunidade passou a ser uma instituição-sociedade monárquica e absolutista, organizada de forma piramidal e que vem até os dias atuais.
Efetivamente, o cânon 331 do atual Direito Canônico se liga a esta compreensão, atribuindo ao Papa poderes que, na verdade, não caberiam a nenhum mortal, senão somente a Deus: ”Em virtude de seu ofício, o Papa tem o poder ordinário, supremo, pleno, imediato, universal” e em alguns casos precisos, “infalível”.
Esse eminente teólogo, tomando a minha defesa face ao processo doutrinário movido pelo Card. Joseph Ratzinger em razão do livro “Igreja:carisma e poder” escreveu um artigo no “La Croix” (8/9/1984) sobre o “O carisma do poder central”. Ai escreve:”O carisma do poder central é não ter nenhuma dúvida. Ora, não ter nenhuma dúvida sobre si mesmo é, a um tempo, magnífico e terrível. É magnífico porque o carisma do centro consiste precisamente em permanecer firme quando tudo ao redor vacila. E é terrível porque em Roma estão homens que tem limites, limites em sua inteligência, limites em seu vocabulário, limites em suas referencias, limites no seu ângulo de visão”. E eu acrescentaria ainda limites em sua ética e moral.
Sempre se diz que a Igreja é “santa e pecadora” e deve ser “sempre reformada”. Mas não é o que ocorreu durante séculos nem após o explícito desejo do Concílio Vaticano II e do atual Papa Bento XVI. A instituição mais velha do Ocidente incorporou privilégios, hábitos, costumes políticos palacianos e principescos, de resistência e de oposição que praticamente impediu ou distorceu todas as tentativas de reforma.
Só que desta vez se chegou a um ponto de altíssima desmoralização, com práticas até criminosa que não podem mais ser negadas e que demandam mudanças fundamentais no aparelho de governo da Igreja. Caso contrário, este tipo de institucionalidade tristemente envelhecida e crepuscular definhará até entrar em ocaso. Os atuais escândalos sempre houveram na cúria vaticana apenas que não havia um providencial Vatileaks para trazê-los a público e indignar o Papa e a maioria dos cristãos.
Meu sentimento do mundo me diz que estas perversidades no espaço do sagrado e no centro de referencia para toda a cristandade – o Papado – (onde deveria primar a virtude e até a santidade) são consequência desta centralização absolutista do poder papal. Ele faz de todos vassalos, submissos e ávidos por estarem fisicamente perto do portador do supremo poder, o Papa. Um poder absoluto, por sua natureza, limita e até nega a liberdade dos outros, favorece a criação de grupos de anti-poder, capelinhas de burocratas do sagrado contra outras, pratica largamente a simonía que é compra e venda de vantagens, promove adulações e destrói os mecanismos da transparência. No fundo, todos desconfiam de todos. E cada qual procura a satisfação pessoal da forma que melhor pode. Por isso, sempre foi problemática a observância do celibato dentro da cúria vaticana, como se está revelando agora com a existência de uma verdadeira rede de prostituição gay.
Enquanto esse poder não se descentralizar e não outorgar mais participação de todos os estratos do povo de Deus, homens e mulheres, na condução dos caminhos da Igreja o tumor causador desta enfermidade perdurará. Diz-se que Bento XVI passará a todos os Cardeais o referido relatório para cada um saber que problemas irá enfrentar caso seja eleito Papa. E a urgência que terá de introduzir radicais transformações. Desde o tempo da Reforma que se ouve o grito: ”reforma na Cabeça e nos membros”. Porque nunca aconteceu, surgiu a Reforma como gesto desesperado dos reformadores de fazerem por própria conta tal empreendimento.
Para ilustração dos cristãos e dos interessados em assuntos eclesiásticos, voltemos à questão dos escândalos. A intenção é desdramatizá-los, permitir que se tenha uma noção menos idealista e, por vezes, idolátrica da hierarquia e da figura do Papa e libertar a liberdade para a qual Cristo nos chamou (Galatas 5,1). Nisso não vai nenhum gosto pelo Negativo nem vontade de acrescentar desmoralização sobre desmoralização. O cristão tem que ser adulto, não pode se deixar infantilizar nem permitir que lhe neguem conhecimentos em teologia e em história para dar-se conta de quão humana e demasiadamente humana pode ser a instituição que nos vem dos Apóstolos.
Há uma longa tradição teológica que se refere à Igreja como casta meretriz, tema abordado detalhadamente por um grande teólogo, amigo do atual Papa, Hans Urs von Balthasar (ver em Sponsa Verbi, Einsiedeln 1971, 203-305). Em várias ocasiões o teólogo J. Ratzinger se reportou a esta denominação.
A Igreja é uma meretriz que toda noite se entrega à prostituição; é casta porque Cristo, cada manhã se compadece dela, a lava e a ama.
O habitus meretrius da instituição, o vício do meretrício, foi duramente criticado pelos Santos Padres da Igreja como Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e outros. São Pedro Damião chega a chamar o referido Gregório VII de “Santo Satanás” (D. Romag, Compêndio da história da Igreja, vol 2, Petrópolis 1950,p.112). Essa denominação dura nos remete àquela de Cristo dirigida a Pedro. Por causa de sua profissão de fé o chama “de pedra”mas por causa de sua pouca fé e de não entender os desígnios de Deus o qualificou de “Satanás”(Evangelho de Mateus 16,23). São Paulo parece um moderno falando quando diz a seus opositores com fúria: "Oxalá sejam castrados todos os que vos perturbam”(Gálatas 5.12).
Há portanto, lugar para a profecia na Igreja e para a denúncias dos malfeitos que podem ocorrer no meio eclesiástico e também no meio dos fiéis.
Vou referir outro exemplo tirado de um santo querido da maioria dos católicos brasileiros, por sua candura e bondade: Santo Antônio de Pádua. Em seus sermões, famosos na época, não se mostra nada doce e gentil. Fez vigorosa crítica aos prelados devassos de seu tempo. Diz ele: “os bispos são cachorros sem nenhuma vergonha, porque sua frente tem cara de meretriz e por isso mesmo não querem criar vergonha”(uso a edição crítica em latim publicada em Lisboa em 2 vol em 1895). Isto foi proferido no sermão do quarto domingo depois de Pentecostes ( p. 278). De outra vez, chama os prelados de “macacos no telhado, presidindo dai o povo de Deus”(op cit p. 348). E continua:” o bispo da Igreja é um escravo que pretende reinar, príncipe iniquo, leão que ruge, urso faminto de rapina que espolia o povo pobre”(p.348). Por fim na festa de São Pedro ergue a voz e denuncia:”Veja que Cristo disse três vezes: apascenta e nenhuma vez tosquia e ordenha… Ai daquele que não apascenta nenhuma vez e tosquia e ordena três ou mais vezes…ele é um dragão ao lado da arca do Senhor que não possui mais que aparência e não a verdade”(vol. 2, 918).
O teólogo Joseph Ratzinger explica o sentido deste tipo de denúncias proféticas:” O sentido da profecia reside, na verdade, menos em algumas predições do que no protesto profético: protesto contra a auto-satisfação das instituições, auto-satisfação que substitui a moral pelo rito e a conversão pelas cerimônias” (Das neue Volk Gottes, Düsseldorf 1969, p. 250, existe tradução português).
Ratzinger critica com ênfase a separação que fizemos com referencia à figura de Pedro: antes da Páscoa, o traidor; depois de Pentecostes, o fiel. “Pedro continua vivendo esta tensão do antes e do depois; ele continua sendo as duas coisas: a pedra e o escândalo… Não aconteceu, ao largo de toda a história da Igreja, que o Papa, simultaneamente, foi o sucessor de Pedro, a “pedra” e o “escândalo”(p. 259)?
Aonde queremos chegar com tudo isso? Queremos chegar ao reconhecimento de que a igreja- instituição de papas, bispos e padres, é feita de homens que podem trair, negar e fazer do poder religioso negócio e instrumento de autosatisfação. Tal reconhecimento é terapêutico, pois nos cura de toda uma ideologia idolátrica ao redor da figura do Papa, tido como praticamente infalível. Isso é visível em setores conservadores e fundamentalista de movimentos católicos leigos e também de grupos de padres. Em alguns vigora uma verdadeira papolatria que Bento XVI procurou sempre evitar.
A crise atual da Igreja provocou a renúncia de um Papa que se deu conta de que não tinha mais o vigor necessário para sanar escândalos de tal gravidade. “Jogou a toalha” com humildade. Que outro mais jovem venha e assuma a tarefa árdua e dura de limpar a corrupção da cúria romana e do universo dos pedófilos, eventualmente puna, deponha e envie alguns mais renitentes para algum convento para fazer penitência e se emendar de vida.
Só quem ama a Igreja pode fazer-lhe as críticas que lhe fizemos, citando textos de autoridade clássicas do passado. Quem deixou de amar a pessoa um dia amada, se torna indiferente à sua vida e destino. Nós nos interessamos à semelhança do amigo e de irmão de tribulação Hans Küng, (foi condenado pela ex-Inquisição) talvez um dos teólogos que mais ama a Igreja e por isso a critica.
Não queremos que cristãos cultivem este sentimento de de descaso e de indiferença. Por piores que tenham sido seus erros e equívocos históricos, a instituição-Igreja guarda a memória sagrada de Jesus e a gramática dos evangelhos. Ela prega libertação, sabendo que geralmente são outros que libertam e não ela.
Mesmo assim vale estar dentro dela, como estavam São Francisco, dom Helder Câmara, João XXIII e os notáveis teólogos que ajudaram a fazer o Concílio Vaticano II e que antes haviam sido todos condenados pela ex-Inquisição, como De Lubac, Chenu, Congar, Rahner e outros. Cumpre ajuda-la a sair deste embaraço, alimentando-nos mais do sonho de Jesus de um Reino de justiça, de paz e de reconciliação com Deu e do seguimento de sua causa e destino do que de simples e justificada indignação que pode cair facilmente no farisaísmo e no moralismo.
Mais reflexões desta ordem se encontram no meu Igreja: carisma e poder (Record 2005) especialmente no Apêndice com todas a atas do processo havido no interior da ex-Inquisição em 1984.
Leonardo Boff
No Brasil de Fato
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Eis o Homem

A mais forte frase do Evangelho é a de Pilatos, ao exibir Cristo, ensangüentado e humilhado ao extremo pelos seus algozes, à multidão enfurecida: “eis o homem”. Como outras passagens dos textos que a fé autentica – mais do que as provas históricas – as duas palavras ditas em latim, pronunciadas por um romano, são, em si mesmas, todo um enunciado teológico. Pilatos não mostrava um criminoso, nem um inimigo de Roma, mas o homem. Cristo não era um homem qualquer, em sua individualidade, mas O Homem como ser coletivo e único no conjunto da vida, dotado da consciência do bem e do mal.
Pilatos, evidentemente, não tinha essa clareza do significado. Queria dizer apenas que se era Cristo quem eles queriam, ali estava o homem, para que decidissem entre ele e Barrabás. Em um só homem frágil, açoitado e vilipendiado, estava todo o Mistério e todo o poder da Vida.
O Cristianismo se funda na absoluta fragilidade dos seres humanos. Um poema anônimo espanhol do século 16 vai à mesma verdade. O poeta desdenha o oportunismo medieval que, em nome de Cristo, ameaça com o inferno e promete o céu, e vai ao núcleo da sua fé: “tú me mueves, Señor, muéveme el verte / clavado en una cruz y escarnecido,/ muéveme ver tu cuerpo tan herido/ muévenme tus afrentas y tu muerte”.
Sobre essa emblemática fragilidade física, que chega a comprometer a resistência do espírito nos momentos finais, em que o Crucificado se queixa do Pai, por tê-Lo abandonado aos carrascos, é que deviam fundar-se todas as igrejas cristãs – a Católica e as que, em protesto pelos seus desmandos no alvorecer do século 16, surgiram como falsas restauradoras da fé primitiva.
Instituição política, estabelecida na velha associação entre o poder temporal e o senso do Absoluto, a Igreja se pretende eterna. Ora, os 16 séculos de sua existência não são tanto tempo assim na História. O Cristianismo não é seita judaica, nem religião monoteísta como as outras. Sua mensagem é mais do que o alento à consciência de mortalidade dos homens: é necessária para que possamos construir aqui – e agora – o nosso pleno destino. Nesse mandamento, esquecido, está a salvação da espécie humana e, provavelmente, a salvação de toda a vida no planeta.
A Igreja se encontra, nestes dias, como o pecador junto ao confessionário – e o sacerdote que a ouve é a consciência do mundo. Para purgar os seus pecados não bastam as preces de contrição. Reunidos no próximo conclave, os Cardeais apenas escolherão o novo Pontífice: não serão capazes de salvar a Igreja. Só os cristãos autênticos, aqueles que entenderam a frase enigmática de Pilatos, poderão salvá-la, participem ou não da Hierarquia. Para isso é preciso voltar ao Concílio Vaticano II e ir muito além; é preciso retornar à fraternidade primitiva dos cristãos. Cristo, dizem-nos os Evangelhos, recomendou, ao moço que queria segui-Lo, que antes se desfizesse de seus bens, distribuindo-os aos pobres.
É um conselho, a ser seguido pelo Vaticano e pelas ricas dioceses espalhadas na Terra. E por todas as outras confissões que também se dizem cristãs e da mesma forma se afastaram do Nazareno.
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Crise e síndrome de Estocolmo (*)


 

O conservadorismo gostaria de impor a Dilma no Brasil a mesma receita adotada por Mário Monti na Itália.
Equivalente a que os republicanos querem enfiar goela abaixo de Obama nos EUA.
A mesma purga que o comissariado do euro aplica contra as populações da Espanha, Portugal, Grécia, Bélgica etc.
Com as consequências sabidas.
As urnas revelaram nesta 2ª feira que os italianos preferem Berlusconi ao tecnocrata querido dos mercados.
Na zona do euro, à exceção da Alemanha, a economia tornou-se uma usina de pobreza, êxodo, despejos, fome e demissões.
Nos EUA as grandes corporações tem quase US$ 1 trilhão em caixa, mas o desemprego não encoraja investimemtos.
Antes da implosão neoliberal, o fluxo financeiro das corporações somava um déficit equivalente a 3,7% do PIB.
Agora, acumula um superávit de aproximadamente 5% dele.
O dinheiro ocioso queima como batata quente.
Não há muito o que fazer com ele.
A taxa de juros é negativa; as bolsas de commodities andam de lado.
A mais lenta recuperação do nível de emprego da história das recessões norte-americanas faz o resto.
Não há razões para ampliar capacidade produtiva quando a demanda rasteja sob o peso de 8% de taxa de desemprego.
Uma anemia que promete resistir por muito tempo.
Mesmo quem trabalha empobreceu.
O patrimônio das famílias perdeu mais de um terço do valor na recessão.
Quase 90% das riquezas geradas no período seguinte foram drenadas para 1% da população.
Para o caixa das grandes corporações,em especial, onde ardem como batata quente.
A queimadura pode se agravar.
A ortodoxia republicana dobra a aposta no veneno: cobra de Obama o corte de US$ 100 bi em gastos fiscais.
A partir de março.
Outro facão deve decepar mais US$ 1,2 trilhão até o final da década, 'para ajustar as contas do Estado'.
Na jaula pequena da estagnação o que mais prospera é o canibalismo.
A onda de fusões e aquisições em marcha reflete o estreito repertório de opções para o dinheiro graúdo.
Grandes corporações se vampirizam na luta de conquista pela liderança dos mercados quando a crise acabar.
Os avanços tecnológicos compõem a outra jugular em disputa.
Invenções e saltos tecnológicos permitem roubar demanda velha no mercado estagnado. E capturar demanda fresca nas nações em desenvolvimento.
No euro ou nos EUA, o cachorro morde o próprio rabo.
Obama quer regenerar o tônus da economia injetando-lhe alguma expansão de demanda.
Elevando o salário mínimo, por exemplo, dos atuais US$ 7,25 por hora para US$ 9/h.
Há razões sólidas para isso:
a) nos últimos 40 anos de supremacia neoliberal, o piso salarial norte-americano foi corrigido abaixo da inflação;
b) a atual capacidade de compra do salário mínimo nos EUA é inferior a que existia nos anos 60.
Entende-se por que a crise escava o fundo do abismo. Ele já havia se instalado no metabolismo da sociedade há décadas.
Falcões republicanos dão de ombros e insistem: a chave é o corte do gasto público.
Como se os mercados pudessem se erguer pelos próprios cabelos.
À margem da demanda agregada; sem consumo ou investimento.Público ou privado.
O ambiente internacional carrega assustadora transparência.
Serviria como antídoto ao clamor ortodoxo que prescreve o mesmo óleo de rícino para os desafios do Brasil.
Mas a vacina não age.
Os canais de transmissão do debate seccionam as interações entre o noticiário internacional e os acontecimentos locais.
A economia brasileira emite sinais contraditórios.
Vive-se um momento decisivo.
O investimento ainda se arrasta.
Mas o vigor persistente da demanda e as medidas de incentivo do governo esboçam uma retomada que o jogral conservador quer abortar.
A qualquer preço.
Como se o país que arrastou mais de 50 milhões de cidadãos para fora da pobreza e criou um dos mercados de massa mais pujantes do planeta, pudesse se desfazer desse trunfo agora e dizer:
"Senhoras e senhores, a viagem acabou; aguardem no meio-fio até passar o próximo bonde da história”.
A viabilidade política dessa baldeação regressiva é zero.
Mas falta o debate consequente que liberte o próprio governo dos termos da equação imposta pela ortodoxia: ou mais inflação, ou menos crescimento.
Falta o governo livrar-se da 'síndrome de Estocolmo' em relação à mídia dominante. E entender que a informação (plural) é um ingrediente tão importante de um ciclo de desenvolvimento quanto a queda dos juros.
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(*) A expressão 'Síndrome de Estocolmo' designa um tipo de perturbação psicológica desenvolvida por vítimas de sequestro, que passam a nutrir sentimento de lealdade em relaçao a seus algozes.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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A "gastança" pública dez anos depois

Em 2009, o PSDB soltou uma nota em que afirmava: “o Palácio do Planalto promove uma gastança…”. Em qualquer dicionário, gastança significa excesso de gastos, desperdício. A afirmação feita na nota somente tem utilidade midiática, mas não é útil para a produção de análises e discussões sérias em torno da temática das finanças públicas brasileiras.
A dívida pública deixada para o presidente Lula era superior a 60% do PIB. O déficit público nominal era de 4,4% do PIB. Esses são os números referentes a dezembro de 2002, o último mês de Fernando Henrique Cardoso na presidência.
Gasto social total per capita
De forma ideal, a administração das contas públicas deve sempre buscar a redução de dívidas e déficits. Deve-se buscar contas públicas mais sólidas. A motivação para a busca desta solidez não está no campo da moral, da ética, da religião ou do saber popular que diz “não se deve gastar mais do que se ganha”.
A motivação está no aprendizado da Economia. Aprendemos que o orçamento é um instrumento de combate ao desaquecimento econômico, ao desemprego e à falta de infraestrutura. Contudo, o orçamento somente poderá ser utilizado para cumprir estas funções se houver capacidade de gasto. E, para tanto, é necessário solidez e robustez orçamentárias.
A ideia é simples: folgas orçamentárias devem ser alcançadas para que possam ser utilizadas quando a economia estiver prestes a provocar problemas sociais, tais como o desemprego e a redução de bem-estar. Portanto, a solidez das contas públicas não é um fim em si mesma, mas sim um meio para a manutenção do crescimento econômico, do pleno emprego e do bem-estar.
A contabilidade fiscal feita pela equipe econômica do governo do presidente Lula mostrou como essas ideias podem ser postas em prática. Houve melhora substancial das contas públicas que resultaram da boa administração durante o processo de aceleração das taxas de crescimento. O presidente Lula entregou à presidenta Dilma uma dívida que representava 39,2% do PIB. Ao final de 2012, a dívida foi reduzida ainda mais: 35,1% do PIB. O presidente Lula entregou para a sucessora um orçamento com déficit de 2,5% do PIB. Ao final de 2012, este número foi mantido.
Foi essa administração fiscal exitosa que deu ao presidente Lula autoridade política e solidez orçamentária para enfrentar a crise de 2009, evitando que tivéssemos uma profunda recessão e uma elevação drástica do desemprego. No ano de 2009, a relação dívida/PIB aumentou para 42,1% e o déficit público nominal foi elevado de 2% para 3,3% do PIB. Em compensação, naquele ano de crise, foram criados mais de 1,7 milhão de empregos formais e o desemprego subiu apenas de 7,9%, em 2008, para 8,1%, em 2009.
Dívida líquida do setor público
Dívida líquida do setor público
Em paralelo à consolidação fiscal, os governos dos presidentes Lula e Dilma promoveram ampliação dos gastos na área social. A área social engloba: educação, previdência, seguro desemprego, saúde, assistência social etc. O investimento social per capita cresceu 32% em termos reais entre 1995 e 2002. De 2003 a 2010, cresceu mais que 70%. Cabe ser destacado que mesmo diante da fase mais aguda da crise financeira internacional de 2008-9 os investimentos sociais não foram contidos – a partir de 2009, houve inclusive uma injeção adicional de recursos nessa área.
Os números não são refutáveis. São estatísticas oficiais organizadas por milhares de técnicos competentes. O Estado brasileiro está consolidado em termos de responsabilidade com a geração de estatísticas. No Brasil, não há maquiagem ou ocultação de dados. Portanto, temos elementos para fazer análises consistentes das finanças públicas que dispensam a utilização de termos midiáticos jogados ao ar: gastança! Nos últimos dez anos não houve gastança, houve organização fiscal. Houve também aumento significativo de gastos na área social. Essa é a radiográfica precisa dos números.

A distribuição da renda dez anos depois

O índice de Gini foi reduzido. Este índice mede a distribuição da renda e varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade e quanto mais próximo de zero, maior a igualdade. O Gini brasileiro caiu de 0,585, em 1995, para 0,501, em 2011. Contudo, este é um número que ainda está distante dos índices de países tais como França (0,308) ou Suécia (0,244). 
Fonte: IBGE
No início dos anos 1960, o Brasil possuía um Gini inferior a 0,5. Entretanto, os governos militares (1964-1985) adotaram um modelo de crescimento econômico com concentração de renda. O Gini subiu. Em meados dos anos 1990, com a queda da inflação, o índice de Gini sofreu uma redução.
O índice de Gini é calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Mais de 96% das rendas declaradas na Pnad correspondem às remunerações do trabalho e às transferências públicas. Sendo assim, a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro. O índice de Gini não revela a participação das rendas do trabalho e do capital como proporção do Produto Interno Bruto (o PIB, que é o valor de todos os serviços e bens que são produzidos).
Além do Gini, é preciso analisar a distribuição funcional da renda: capital versus trabalho. O processo de desconcentração da renda que está em curso no Brasil vai além da redução do índice de Gini. Ocorre, principalmente, devido ao aumento da participação dos salários como proporção do PIB.
Fonte: IBGE
Houve uma trajetória de queda da razão salários/PIB de 1995 até 2003, quando caiu a um piso de 46,23% (incluindo as contribuições sociais dos trabalhadores e excluindo a remuneração de autônomos). A partir de então, houve uma inflexão na trajetória, que se tornou ascendente. O último dado divulgado pelo IBGE é de 2009. Neste ano, a participação dos salários alcançou 51,4% do PIB superando a melhor marca do período 1995-2003, que foi 49,16%.
São variadas as causas do movimento positivo de aumento da participação dos salários no PIB. O rendimento médio do trabalhador teve um aumento real significativo entre 2003 e 2012. Houve um vigoroso aumento real do salário mínimo nos últimos dez anos. E houve redução dos juros pagos pelo governo aos proprietários de títulos públicos e redução dos juros cobrados das famílias pelos bancos.
O índice de Gini/Pnad e a participação percentual das remunerações dos trabalhadores no PIB são medidas complementares. Ambas representam dimensões da desigualdade e do desenvolvimento socioeconômico do país. As duas medidas mostram que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro está em trajetória benigna desde 2003-4. Elas mostram também que no período anterior (1995-2003) as rendas do trabalho perdiam espaço no PIB para as rendas do capital.
A recuperação do poder de compra dos salários foi o principal pilar da constituição de um imenso mercado de consumo de massas que foi constituído no Brasil nos últimos anos. Foi a formação desse mercado que possibilitou ao Brasil sair apenas com pequenos arranhões da crise de 2008-9. O desenvolvimento econômico e social brasileiro depende, portanto, do aprofundamento do processo distributivo em curso. Não existirá desenvolvimento sem desconcentração de renda.
João Sicsú, Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do IPEA entre 2007 e 2011.
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Nota Pública sobre o assassinato de Denilson Barbosa – Guarani-Kaiowá

http://1.bp.blogspot.com/_8QXXAu1Avsk/S2BlbEYWo9I/AAAAAAAAAWI/aiEeRpmjMx8/s400/ASF+Brasil.JPG
ADVOGADOS SEM FRONTEIRAS
NOTA PÚBLICA SOBRE O ASSASSINATO DE DENILSON BARBOSA, INDÍGENA DO POVO KAIOWÁ
ADVOGADOS SEM FRONTEIRAS, integrante da Rede ASF – presente em 16 países, organização que trabalha pelo acesso à justiça e pela proteção dos direitos humanos no mundo, em defesa dos grupos mais vulneráveis, diante das violações de direitos perpetradas contra o povo Guarani-Kaiowá, no Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil, e, especialmente no que diz respeito ao recente homicídio do Kaiowá Denilson Barbosa, 15 anos, da aldeia Tey’ikue, vem, por meio desta NOTA PÚBLICA, manifestar-se nos seguintes termos:
 No dia 17 de fevereiro deste ano de 2013, Denilson Barbosa foi encontrado morto no município de Caarapó (MS), em uma estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano da cidade, vítima de disparos de arma de fogo.
Segundo relatos das duas testemunhas e sobreviventes, o crime ocorreu quando Denilson, seu irmão de onze anos e seu cunhado foram pescar no córrego Mbope’i, cuja nascente fica dentro do tekoha (“espaço onde se vive” em guarani) e cujo curso se dá por entre fazendas do entorno. As testemunhas relatam ainda que viram Denilson, o único que não conseguira fugir ante a aproximação dos três homens armados, ser espancado por esses três homens. O irmão e o cunhado da vítima identificam os três indivíduos que os atacaram como funcionários do fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, que detém a Fazenda Sardinha, vizinha ao tekoha em Caarapó.
É importante notar que os Guarani-Kaiowá vivem confinados no Mato Grosso do Sul em pequenas extensões territoriais. No caso de Caarapó, em 3.594 hectares de terra para um total de cinco mil pessoas.
Registra-se que não há acesso a recurso pesqueiro necessário para garantir a segurança alimentar das comunidades confinadas. Lideranças indígenas contam que os índios costumam pescar na área porque ali está o único riacho da região da reserva onde moram, motivo pelo qual muitos indígenas recorrem a ele como garantia e manutenção de sua própria subsistência. A Advogados Sem Fronteiras lembra que esses territórios podem configurar a extensão do território tradicional, pois trata-se de áreas imprescindíveis a seu bem-estar e a sua reprodução física e cultural, amparado pelo art. 231, §1º da Constituição Federal e arts. 7, 14 e 15 da Convenção n. 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais (promulgada no Brasil pelo Decreto n. 5.051 de 2004).
Após o enterro do jovem Kaiowá, na tarde de 18 de fevereiro, familiares do indígena assassinado ocuparam o território reivindicado como tradicional, denominado por eles de Tekoha Pindo Roky. Em seguida, cerca de 200 famílias da aldeia Tey’ikue retomaram área onde se encontram até o presente momento. A Advogados Sem Fronteiras expressa a sua preocupação pela segurança das centenas de indígenas que se encontram sob ameaça nesse território e necessitam a imediata proteção por parte das autoridades federais e estaduais.
A Advogados Sem Fronteiras entrou em contato com diversas autoridades do Mato Grosso do Sul a fim de apurar o ocorrido, dentre elas, a delegacia estadual na qual foi aberto inquérito para investigação de homicídio. Nesse contato, foi informada de que o crime foi classificado como crime comum e, portanto, de competência da Justiça Estadual. A Advogados Sem Fronteiras considera essa classificação um equívoco, pois nega o fato de que o crime se insere no contexto mais amplo do conflito por demarcação das terras que os Guarani-Kaiowá ocupam tradicionalmente. Entendemos que o crime deve ser julgado pela Justiça Federal. Recebemos também relatos de representantes da Aty Guasu (“Grande Assembleia” dos Guarani-Kaiowá) de que Denilson Barbosa integrava uma família conhecida há anos por defender reivindicações de terras, o que é mais um indício do caráter político do assassinato, indício este que não pode ser ignorado pelas autoridades policiais ao classificarem o crime como crime comum.
A Advogados Sem Fronteiras, ao acompanhar as denúncias de violações de direitos humanos ocorridas no Mato Grosso do Sul, constata que há uma prática frequente de descaracterização de crimes ocorridos contra indígenas: ameaças das lideranças indígenas, que são defensores de direitos humanos dos povos indígenas, não são tipificadas como tais, como se percebeu no caso do cacique Ládio Veron, em que uma ameaça de morte foi classificada como “violência doméstica”. Ao mesmo tempo, assassinatos de indígenas, como o caso em questão, são classificados como “crimes comuns”. Nesse sentido, a Advogados Sem Fronteiras entende que classificar esse crime como homicídio comum, não reconhecer a existência há décadas de um conflito fundiário no Mato Grosso do Sul e o histórico genocídio do povo Guarani-Kaiowá, não reconhecer que o crime está relacionado ao conflito por demarcação de terras dos povos indígenas, não reconhecer a natureza racista da violência e sua relação com a etnia da vítima, configura certamente uma forma de omissão por parte do Estado Brasileiro e do Governo Estadual do Mato Grosso, que nega, assim, justiça aos Guarani-Kaiowá.
 A despeito de o fazendeiro perpetrador do crime já ter assumido a autoria do fato, o seu depoimento é contraditório com os fatos relatados pelas testemunhas, uma vez que afirma que a morte teria sido acidental e nega os espancamentos perpetrados contra Denilson Barbosa. Além disso, relatos de um indígena que pediu para não ser identificado afirmam que a polícia não teria feito uma perícia ou exame de corpo de delito adequado. A Advogados Sem Fronteiras teme que a ausência uma perícia adequada possa impedir que os fatos sejam devidamente investigados, culminando na impunidade.
O homicídio de Denilson Barbosa, ocorrido em 17 de fevereiro deste ano de 2013, é a mais recente evidência da omissão do Estado Brasileiro na proteção dos direitos humanos dos povos indígenas, que permite a impunidade dos muitos assassinatos já ocorridos contra os Guarani-Kaiowá e que não garante a proteção à vida e à integridade física desses povos.
Frente a todo o exposto, a Advogados Sem Fronteiras vem, por meio desta NOTA PÚBLICA, ratificar o compromisso já assumido para a defesa dos direitos do povo Guarani-Kaiowá. Requer que se reconheça, no caso do assassinato de Denilson Barbosa: a natureza de crime hediondo, por tratar-se de prática qualificada e sistemática e o reconhecimento do contexto de conflito fundiário e de racismo quanto à identidade indígena da vítima. Requer, também, a devida proteção das centenas de Guarani-Kaiowá que se encontram na Tekoha Pindo Roky e, ainda, que o crime seja investigado pela Polícia Federal com intervenção do Ministério Público Federal.
A Advogados Sem Fronteiras exige a observância da Constituição Federal de 1988, da Convenção n. 169 da OIT, da Lei n. 8.072 de 1990 (Lei de Crimes Hediondos) e normas correlatas. Exige, ainda, a efetivação da segurança dos povos indígenas confinados nas várias partes dos tekoha que habitam, precariamente. O Estado Brasileiro deve agir, sob pena de omissão, para a urgente demarcação das terras indígenas reivindicadas e, até que ela ocorra, deve garantir a segurança desses povos.
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Tucanato retoma bordão que já o levou três vezes à derrota

O tucanato, pela voz do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, repete o bordão que o levou à derrota três vezes em eleições nacionais (2002-2006-2010): que nós do PT não temos projeto e que copiamos o dele. Em Belo Horizonte, nesta 2ª feira (ontem), no primeiro dos seminários que o PSDB programa realizar este ano pelo país, o ex-presidente da República foi capaz de repetir que o PT não tem projetos para o Brasil e "usurpou" as ideias tucanas.
O tucanato e seu principal líder em ação agora, o ex-presidente FHC, fazem um jogo de cena, como se a opinião pública, a sociedade, o povo, fossem bobos. E, ainda por cima, dizem que não fazem exatamente o que estão fazendo: anteciparam em quase dois anos a campanha eleitoral (a eleição é em outubro de 2014), com grande apoio dos donos da mídia.
FHC negou que sua ida à capital mineira tenha sido para lançar a candidatura de Aécio Neves à Presidência - o que ele já fez no início do ano -, mas se contradisse em seguida. "Não é momento de lançar uma candidatura, mas temos que ter uma", disse. E desandou a fazer elogios ao colega de partido que ele lançou candidato: "Aécio Neves é renovação. Até no estilo de falar, na leveza. Uma candidatura mais dinâmica, jovem".
Essa precipitação da campanha eleitoral é um despropósito para o país, mas para eles do tucanato e da oposição tem um objetivo claro: fazer de tudo para o governo não dar certo e abrir mais uma frente de combate. O problema é que a presidenta Dilma Rousseff tem um partido que tem uma liderança popular e nacional como o ex-presidente Lula. O PT e o ex-presidente podem e farão frente a essa manobra diversionista.
Este 2013 é o ano da retomada do crescimento econômico e de enfrentar os gargalos de nossa economia. Mas, ao mesmo tempo que buscaremos e conquistaremos essa meta, temos que expor ao país como os tucanos governam seus Estados, começando por São Paulo e Minas Gerais, para que o povo compare com os governos Dilma e Lula.
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O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

Ingratidão ele recebeu foi de Serra, e não falou nada.
Ingrata por quê?
Ingrata por quê?
Entendi, mas não compreendi, como dizia um programa de humor do passado.
Entendi que FHC acusou Dilma de ingrata, mas não compreendi.
Que Dilma deve a FHC para que ela possa ser classificada como ingrata? Lula teria o direito de se queixar dela, se achasse haver motivos. Ele a fez presidenta.
Mas FHC?
Dilma foi elegante com ele quando ele completou 80 anos ao reconhecer, justificadamente, seu grande papel na estabilização do país com o Plano Real.
Havia ali uma tentativa aparente de pacificar os ânimos entre PT e PSDB. FHC respondeu a isso com a estapafúrdia tese da “herança maldita” que Lula teria deixado a Dilma, contrariada pelas estatísticas e pelas urnas. E destruiu com isso o aceno de pacificação.
FHC teve uma grande chance, no passado, de falar em ingratidão. Foi quando Serra, na campanha de 2002, o tratou como um embaraço, como um tio velho do interior, numa humilhação pública inesquecível. Era uma vingançazinha de Serra, que jamais engoliu não ter sido colocado na posição de czar da economia por FHC. Foi, aliás, um dos maiores acertos de FHC não dar poder a Serra, amplamente detestado  então no governo tucano.
Tivesse FHC enfrentado Serra quando este lhe deu o troco mesquinho em 2002  o PSDB não teria talvez, nestes últimos anos, se transformado num partido desconectado das ruas, dos brasileiros simples e das vitórias eleitorais.
Mas não.
FHC se calou quando tinha que falar, pelo bem de seu partido e do próprio Brasil, e fala agora, quando deveria silenciar.
De outro ataque de FHC não vou falar: da “usurpação” por Lula de sua obra. O que tem havido claramente é o oposto: um esforço de FHC em usurpar as ações sociais de Lula. Já lamentei a velocidade aquém do desejado dos avanços sociais promovidos no Brasil nos últimos dez anos, com o PT no poder. Ainda assim, por comparação, eles foram gigantesco diante de todos os governos pregressos do Brasil contemporâneo, excetuado o de Getúlio Vargas.
Bem ou mal, o tema da vergonhosa desigualdade social brasileira — calado pela mídia tão entretida em campanhas autobenerentes como a redução dos impostos — veio ao centro dos debates com Lula. Isso dará a ele, perante a história, uma estatura francamente maior que a de FHC, a despeito de sua vitória sobre a inflação. FHC estava demasiadamente envolvido com o 1% para pregar justiça social para os 99%.
Ingratidão? Usurpação? Pausa para rir.
Começa muito mal, conforme o esperado, a louca cavalgada do PSDB rumo a 2014.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo 
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FHC ataca PT, Lula e Dilma e ofusca Aécio

foto  FHC ataca PT, Lula e Dilma e ofusca Aécio
Foto: Alessandro Carvalho / PSDB-MG / Divulgação
A vinte meses das eleições presidenciais, começou a guerra da sucessão de 2014, com tiro para tudo quanto é lado, como se já estivéssemos na reta final da campanha.
Em seminário promovido pelo PSDB nesta segunda-feira em Belo Horizonte, para "discutir os rumos do partido" e turbinar a candidatura do senador Aécio Neves, quem roubou a cena e ganhou as manchetes foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A pretexto de responder às críticas feitas ao seu governo na festa dos 10 anos do PT no poder, FHC saiu de seus cuidados e despejou um caminhão de melancias no partido, em Lula e Dilma, dando o tom da campanha que nos espera.
"Eles tinham duas grandes metas, uma ligada ao socialismo e outra ligada à ética. Do socialismo nunca mais ninguém falou. E de ética? Meu Deus, não sou eu quem vai falar sobre o que está acontecendo", disparou o ex-presidente.
Aos 81 anos, depois de ser esquecido pelas campanhas presidenciais de José Serra e Geraldo Alckmin, FHC voltou com a corda toda. Chamou a presidente Dilma Rousseff de "ingrata" por ter afirmado no evento do PT que não herdou nada do governo tucano. "O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu. Meu Deus!"
Duas referências a Deus no mesmo discurso, o que não é habitual, podem dar uma pista sobre as dificuldades que o principal líder do PSDB está encontrando para unir o seu partido e fazer desencalhar a campanha de Aécio Neves, o ex-governador mineiro lançado por FHC ainda em 2012, e  que até agora reluta em se assumir candidato.
Por falta de alternativa, FHC resolveu jogar todas as suas fichas em Aécio Neves - e vice-versa - transformando-se no principal cabo eleitoral do senador mineiro. Ao final da sua fala em Belo Horizonte, o ex-presidente procurou deixá-lo mais animado:
"Vamos percorrer o Brasil, senador. Vamos plantar a semente do PSDB, a semente da vitória. Nós vamos ganhar!".
Claro que se trata mais de entusiasmo de torcedor do que previsão de cientista político, mas o fato é que o ex-presidente se empolgou tanto que Aécio acabou sendo ofuscado e virou coadjuvante no evento em que deveria se apresentar como a nova estrela dos tucanos.
Nova é modo de falar, já que o ex-presidente propôs como estratégia de campanha para 2014 levantar a bandeira da ética, o que já não deu certo em 2006 e 2010. Até o redator do discurso de Aécio Neves na semana passada sobre "os 13 fracassos do PT" é o mesmo jornalista que escrevia os textos para José Serra nas suas duas derrotas em campanhas presidenciais.
O problema é que Aécio prometeu anunciar "um projeto para os próximos 20 anos no Brasil", mas não conseguiu até agora elaborar e apresentar nenhuma proposta nova. Tanto Aécio quanto FHC se limitaram a atacar seus tradicionais adversários petistas.
Do jeito que as coisas vão indo, o clima da campanha de 2014 poderá ser uma repetição daquelas de 1994 e 1998, em que FHC e Lula se enfrentaram diretamente, com vitórias do tucano no primeiro turno.
Nestes quase vinte anos, porém, foram grandes as mudanças no quadro político nacional. Para começar, Lula deixou o governo com mais de 80% de aprovação popular, enquanto FHC saiu do Palácio do Planalto com menos de 20%.
Lula elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff, agora franca favorita à reeleição, a bordo de uma aliança de mais de 10 partidos, o que lhe garante metade de todo o tempo na propaganda eleitoral na televisão.
FHC, por sua vez, que perdeu as últimas três eleições presidenciais em que os candidatos tucanos o esconderam nas campanhas, quer resgatar o legado do seu governo.
Por isso, agora transformados em grandes cabos eleitorais, os ex-presidentes assumem a ofensiva em mais uma guerra entre petistas e tucanos, o Fla-Flu de sempre.
A próxima batalha está marcada para quinta-feira, em Fortaleza, onde o ex-presidente Lula dará início a um road-show pelo país para comemorar os 10 anos do PT no poder e garantir a fidelidade da base aliada para a reeleição de Dilma Rousseff.
Ricardo Kotscho
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Novos papéis vazados pelo Wikileaks mostram ações americanas contra Chávez

Em emails, Venezuela é chamada de ‘piada’ e venezuelanos de ‘retardados’.
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Quando você estiver desanimado com o que lê nos jornais e revistas, e estiver a ponto de desistir do jornalismo como algo destinado a tentar mudar para o melhor o mundo, lembre-se de uma palavra: Wikileaks.
Você vai dar uma segunda chance ao jornalismo, e não sou eu quem haverá de recomendar a você que nesta nova tentativa insista em ler os jornais e as revistas de sempre.
Agora mesmo, novos documentos vazados pelo Wikileaks jogam luzes sobre os esforços dos Estados Unidos em desestabilizar, minar e derrubar o governo democraticamente eleito de Hugo Chávez.
Nos documentos, duas empresas de inteligência (e espionagem) aparecem discutindo maneiras de demover Chávez.
A principal delas é a americana Stratfor. Seus agentes narram, nos e-mails vazados, encontros com conhecidos oposicionistas venezuelanos, como Henrique Caprilles, o candidato derrotado por Chávez nas eleições de 2012.
A Stratfor, mostram os papéis vazados pelo Wikileaks, foi buscar consultoria na Canvas, uma empresa de direita sérvia que obteve sucesso na desestabilização de um antigo governo de seu país com estratégias como a manipulação de estudantes para promover passeatas de protesto pré-fabricadas.
É até engraçada a maneira como a Canvas se refere à Venezuela e aos venezuelanos. O país é uma “piada total”, e os venezuelanos são “retardados”. Uma mente mais cínica poderia dizer que os autores dos e-mails da Canvas estivessem pareciam estar olhando para si próprios, e não para a Venezuela e seus habitantes.
Desanimado com o jornalismo?
Pense no Wikileaks e em seu fundador, o bravo Julian Assange.
Mas sim: talvez seja a hora de desistir do noticiário envenenado que a mídia tradicional oferece a você.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Senador em campanha ao cargo de Grão-Mestre Geral do GOB


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O senador Mozarildo Cavalcanti, pelo Estado de Roraima, chega a São Luís na próxima quarta-feira (27). A vinda do parlamentar a capital maranhense faz parte da programação de sua campanha por todo o Brasil, como candidato ao cargo de Grão-Mestre Geral do GOB – Grande Oriente do Brasil, cuja eleição acontece no dia 9 de março.
Nesse dia, Cavalcanti será recepcionado na Loja Maçônica Renascença Maranhense (rua das Paparaúbas, São Francisco), às 17h. Consta ainda na agenda, uma visita ao Asilo de Mendicidade, que tem o apoio da referida Loja Maçônica.
Complementando os compromissos agendados, o candidato a Grão-Mestre Geral do GOB participará de uma sessão no Templo da Loja Renascença Maranhense, onde divulgará o seu programa para a administração do GOB, juntamente com o candidato ao cargo de Grão Mestre Adjunto, o paulista Sérgio Soares. Na explanação serão apresentadas aos maçons das lojas de São Luís e demais lojas do Maranhão, as propostas para os próximos cinco anos.
Mozarildo Cavalcanti e Sérgio Soares seguem em comitiva na quinta-feira (28), para Cuiabá, dando prosseguimento à campanha.
Grande Oriente do Brasil( GOB) - é a maior instituição maçônica da América Latina, com 200 anos de atuação no Brasil e que já teve como Grãos Mestres vultos históricos como D. Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva, Deodoro da Fonseca.
No BNC
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Charge online - Bessinha - # 1706

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"Lincoln" dá aula de política

 
No Brasil, país onde a atividade parlamentar tem sido sufocada por um debate de tom moralista, o filme "Lincoln", de Steven Spielberg, equivale a uma aula magna sobre o tema.
Debruçado na luta parlamentar do mais importante presidente dos Estados Unidos para aprovar a emenda constitucional que aboliu a escravidão, Spielberg não tem receio de mostrar a política como ela é – com seus ideais e suas ambições, compromissos sociais e visões diversas, mas também com seu jogo de bastidores, a troca de favores e benefícios que permitiram um avanço que mudou a história americana e abriu novas perspectivas de prosperidade mundialmente.
O filme não idealiza um momento épico com frases de efeito e lições pedantes. Pelo contrário. Ajuda a recordar que os homens travam seu combate político a partir de condições dadas.
As condições reais da luta política nos EUA daquele período não tinham nada de um convento de freiras carmelitas. Para quem acredita que a política americana tem outra “cultura”, com um maior apego “à ética” e aos “valores morais”, o filme serve como um banho de realidade.
O choque entre as verdades que o filme exibe e as crenças estabelecidas a respeito da história dos EUA é tão grande que ajuda a explicar porque Steven Spielberg perdeu o Oscar de Melhor Diretor. Sem exagerar na sociologia de botequim, meu palpite é que “Lincoln” exibe verdades inconvenientes demais para receber tamanha consagração.
“Lincoln” se passa num momento histórico preciso, quando a derrota militar do Sul escravocrata está definida e é preciso negociar como o país irá sair de uma Guerra Civil que já fez 60.000 mortos. Com um roteiro bem estruturado, o filme mostra qual é o debate daquele momento.
De um lado, com imenso apoio popular, mas isolado junto à elite americana e dentro de seu próprio governo, Lincoln está convencido de que é preciso aproveitar aquela conjuntura favorável como uma oportunidade única para abolir a escravidão. Em vez de reconstruir os velhos acordos de sempre, que permitiriam a manutenção do cativeiro, coloca a abolição como condição para a paz. Já seus adversários querem o contrário. Garantir a paz em primeiro lugar para, em posição mais confortável, negociar o destino dos escravos – com resultados previsíveis.
Entre os dois lados do conflito, há um Congresso onde Lincoln tem uma leve maioria, insuficiente para aprovar uma emenda constitucional. O enredo do filme consiste na luta de um presidente politicamente resoluto, socialmente progressista e quase um fanático religioso, que avança a passos largos pelos escombros de um pacto social inviável, mas protegido por homens de força, tradição e muito poder.
Spielberg faz justiça aos operadores políticos que se dedicam a buscar os votos que faltam. Não esconde seu papel decisivo em vários momentos, inclusive numa situação insólita, minutos antes da votação, quando uma pequena manobra conservadora pode colocar tudo a perder.
Os operadores se mostram incansáveis no trabalho de convencer deputados em fim de mandato, que não conseguiram reeleger-se no último pleito – e, às vésperas de tomar o rumo de casa, podem mudar de lado se ouvirem bons argumentos, em alguns casos, ou receberem uma boa oferta material, em outros, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Estas conversas e negociações ocupam o centro dramático do filme – e terão um peso decisivo no desfecho dos acontecimentos. Spielberg não foge da discussão, não embeleza nem esconde os fatos. Mostra como eles se passaram.
Baseado numa obra respeitada pela pesquisa histórica, o filme exibe o presidente em reunião com seus operadores, discutindo técnicas de abordagem dos indecisos. Quando um dos presentes comenta que alguns votos vão sair mais caros, sugerindo que seria recomendável que se fizesse oferta em dinheiro, o presidente reage em silêncio – o filme deixa a cada um o direito de imaginar o que ele queria dizer com isso.
Numa das cenas finais, um veterano das campanhas abolicionistas chega a definir a abolição, explicitamente, como uma das mais belas e mais corruptas decisões do Congresso americano.
Num país atingido por esforços sucessivos de criminalização da atividade política, Lincoln é um instrumento útil para se refletir como uma mudança desse vulto foi operada num dos regimes de democracia mais ampla daquele período. Antes e depois da abolição, a política norte-americana conviveu com esquemas variados de corrupção.
A pergunta honesta e difícil que o filme evoca consiste em saber qual a melhor opção: manter o regime do cativeiro ou jogar as regras do jogo para fazer o país avançar?
Fica claro que, sem o pacote de empregos, benefícios e favores distribuídos por seus operadores – e sem uma postura política irredutível de eliminar o cativeiro – Lincoln teria entrado para a História como um presidente de ótimas intenções e péssimos resultados.
A luta contra o cativeiro não se resumiu aos bastidores de Washington nem à guerra de parlamentares republicanos e democráticos. Incluiu revoltas, fugas em massa e outros atos de insubordinação conduzidos pelos próprios escravos, que terminaram por colocar o fim do cativeiro na ordem do dia, como se vê em Django, que se passa na mesma época. Mas a abolição precisava de uma emenda constitucional e esta mudança só poderia ser feita pelos métodos usuais da política.
Eu acho importante que Spielberg não tenha querido embelezar a história, fingindo que ela aconteceu de forma mais edificante.
Ao exibir os fatos em sua verdade e feiura, o filme em nada diminui a grandeza de uma mudança decisiva para o conjunto da humanidade. Spielberg mostra que Lincoln estava determinado a aproveitar cada brecha, cada oportunidade, para empurrar a roda da história. Esta é a lição do filme.
Paulo Moreira Leite
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Científicos muestran el mayor fragmento recuperado del bólido de Cheliábinsk

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Em janeiro, desemprego foi de 5,4%

A taxa de desocupação foi estimada em 5,4%, a menor para o mês de janeiro desde o início da série (março de 2002), 0,8 ponto percentual acima do resultado apurado em dezembro (4,6%). Em comparação a janeiro de 2012 (5,5%), a taxa manteve estabilidade. A população desocupada (1,3 milhão de pessoas) teve uma elevação de 17,2% em comparação com dezembro e se manteve estável em relação a janeiro do ano passado. A população ocupada (23,1 milhões) teve queda de 1,2% em relação a dezembro. No confronto com janeiro de 2012, verificou-se aumento de 2,8%, o que representou elevação de 631 mil ocupados no intervalo de 12 meses. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,6 milhões) não registrou variação na comparação com dezembro. Na comparação anual, houve alta de 4,1%, o que representou um adicional de 459 mil postos de trabalho com carteira assinada em um ano.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.820,00) foi considerado estável em comparação com dezembro. Frente a janeiro do ano passado, o poder de compra dos ocupados cresceu 2,4%. A massa de rendimento real habitual dos ocupados (R$ 42,5 bilhões) apresentou queda de 1,4% em relação a dezembro. Em comparação com janeiro de 2012, a massa cresceu 5,6%. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 54,4 bilhões), estimada em dezembro de 2012, subiu 16,5% no mês e 8,3% no período de um ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/
Taxa de desocupação registra estabilidade em quatro regiões em relação a dezembro
Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação registrou variação em São Paulo (de 5,2% para 6,4%) e Belo Horizonte (de 3,5% para 4,2%) e manteve um quadro de estabilidade nas demais regiões. No confronto com janeiro de 2012, a taxa recuou em Salvador (2,0 pontos percentuais) e no Rio de Janeiro (1,3 ponto percentual). Registrou alta em São Paulo (0,9 ponto percentual) e não variou nas demais regiões.
O contingente de desocupados (pessoas sem trabalho que estão tentando se inserir no mercado) foi estimado em 1,3 milhão de pessoas no agregado das seis regiões investigadas, refletindo elevação de 17,2% frente a dezembro último e estabilidade ante o resultado de janeiro do ano passado.
A análise regional assinalou variação no contingente de desocupados em relação a dezembro passado em São Paulo, 23,3% e Belo Horizonte, 17,9%. Em relação a janeiro de 2012, houve declínio nesse contingente nas Regiões Metropolitanas de Salvador e Rio de Janeiro (23,3% e 21,8%, respectivamente) e, em São Paulo, ocorreu acréscimo nesse período (22,3%).
Nível da ocupação fica em 54,4%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em janeiro de 2013 em 54,4% para o total das seis regiões investigadas, registrando queda de 0,7 ponto percentual (de 55,1% para 54,4%) frente ao resultado de dezembro último. No confronto com janeiro do ano passado houve alta de 0,9 ponto percentual (de 53,5% para 54,4%). Regionalmente, na comparação mensal, esse indicador apresentou queda em Salvador (1,3 ponto percentual), Belo Horizonte (1,1 ponto percentual) e em São Paulo (0,8 ponto percentual). Frente a janeiro de 2012, duas regiões mostraram acréscimos: Recife (1,4 ponto percentual) e São Paulo (1,3 ponto percentual).
Na comparação anual, rendimento médio aumenta em quatro das seis regiões
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, na análise regional, em relação a dezembro de 2012, aumentou nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre (2,0%) e de São Paulo (0,5%). Caiu em Salvador (3,9%), Rio de Janeiro (0,8%) e Recife (0,7%), e ficou estável em Belo Horizonte. Frente a janeiro de 2012, o rendimento registrou alta em Belo Horizonte (5,2%), São Paulo (4,1%), Rio de Janeiro (2,8%), Porto Alegre (2,6%) e ficou estável em Recife. Apenas na Região Metropolitana de Salvador foi verificada queda (10,9%).
Em relação aos grupamentos de atividade, na comparação com dezembro de 2012, foram registradas variações negativas apenas nos grupos de Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (-3,1%) e Construção (-1,8%). Na comparação anual, apenas a Construção teve queda (-0,9%).
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, houve aumento no rendimento médio real habitualmente recebido, em comparação com dezembro, apenas para os trabalhadores por conta própria, de 2,5%:
No IBGE
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Eliooo, o Heitoor!!

Elio Gaspari - Eremildo, O Idiota!
Secretárias pressurosas emitiam a convocação em sustenidos de urgência pelos corredores da revista 'Veja', nos anos 70: 'Eliiooooo, o Heitor!. Era algo religioso. O telefonema-chave chegava invariavelmente um ou dois dias antes do fechamento da edição semanal.
 'Heitor', mais especificamente, o coronel Heitor de Aquino Ferreira, acumulava credenciais do outro lado da linha. Elas justificavam a ansiedade incontida no trinado das secretárias. 
Sua ficha corrida incluía o engajamento, cadete ainda, na conspiração para derrubar Juscelino, em 1955; a ativa participação golpista para derrubar Jango, em 64; a prestação de serviços para injetar músculos no SNI; a ação lubrificante à passagem de Daniel Ludwig, o bilionário do projeto Jari, pelos corredores do poder militar. 
E assim por diante. Um quadro das sombras. Um farejador dos bons ventos. Na conspiração golpista de 64, o capitão Ferreira de Aquino preferia usar um codinome pretensioso: 'Conde de Oeiras'. Nos telefonemas ao jornalista Elio Gaspari , sim, Gaspari era o destinatário dos pressurosos arrulhos das secretárias de Veja, o já coronel Heitor considerava desnecessário o anonimato. 
Vivia-se um tempo em que pertencer a certos círculos fazia bem ao currículo e ao ego. Dava prestígio e holerite. Ademais de alimentar uma sensação de impunidade quase cínica. Quando seus telefonemas ordenavam a rotina das pautas e fechamentos de Veja, Heitor servia como homem de confiança, um guarda-papéis de sigilos (as famosas 25 pastas) e porta-recados do general Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil do ditador Geisel. 
Era essa a carga simbólica que seus chamados propagavam pelos corredores da Veja, um ou dois dias antes do fechamento. Às vezes no mesmo dia; não raro mais de uma vez ao dia. 
O destinatário Elio Gaspari, a exemplo de outros protagonistas desse enredo à espera de um filme, agora oferece lições de ética à democracia brasileira e se avoca o posto de vigilante da moral e dos bons costumes na política. 
Sobre esse mesmo assunto, leia o artigo do governador gaúcho, Tarso Genro: 'O alto comissário do Golbery não toma jeito'
No O Broguero
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