23 de fev de 2013

A ilha, seu povo, seu sonho

Podemos discordar do regime político de Cuba, que se mantém sob o domínio de um partido único. Mas é preciso seguir o conselho de Spinoza: não lisonjear, não detestar, mas entender. Entender, ou procurar entender. A história de Cuba — como, de resto, de quase todo o arquipélago do Caribe e da América Latina — tem sido a de saqueio dos bens naturais e do trabalho dos nativos, em benefício dos colonizadores europeus, substituídos depois pelos anglossaxões.
E, nessa crônica, destaca-se a resistência e a luta pela soberania de seu povo não só contra os dominadores estrangeiros mas, também, contra seus vassalos internos.
Já se tornou luga-comum lembrar que, sob os governos títeres, Havana se tornara o maior e mais procurado bordel americano. A legislação, feita a propósito, era mais leniente, não só com o lenocínio, e também com o jogo, e os mais audazes gangsters de Chicago e de Nova York tinham ali os seus negócios e seus retiros de lazer. E mais: as mestiças cubanas, com sua beleza e natural sensualidade, eram a atração irresistível para os entediados homens de negócios dos Estados Unidos.
A Revolução Cubana foi, em sua origem, o que os marxistas identificam como movimento pequeno burguês. Fidel e seus companheiros, no assalto ao Quartel Moncada — em 1953, já há quase 60 anos — pretendiam apenas derrocar o governo ditatorial de Fulgencio Batista, que mantinha o país sob cruel regime policial, torturava os prisioneiros e submetia a imprensa a censura férrea. A corrupção grassava no Estado, dos contínuos aos ministros. O enriquecimento de Batista, de seus familiares e amigos, era do conhecimento da classe média, que deu apoio à tentativa insurrecional de Fidel, derrotada então, para converter-se em vitoria menos de seis anos depois. Os ricos eram todos associados à exploração, direta ou indireta, da prostituição, disfarçada no turismo, e do trabalho brutal dos trabalhadores na indústria açucareira.
Foi a arrogância americana, na defesa de suas empresas petrolíferas, que se negaram a aceitar as novas regras, que empurrou o advogado Fidel Castro e seus companheiros, nos dois primeiros anos da vitória do movimento, ao ensaio de socialismo. A partir de então, só restava à Ilha encampar as refinarias e aliar-se à União Soviética.
Os americanos, sob o festejado Kennedy — que o reexame da História não deixa tão honrado assim — insistiram nos erros. A tentativa de invasão de Cuba, pela Baía dos Porcos, com o fiasco conhecido, tornou a Ilha ainda mais dependente de Moscou, que se aproveitou do episódio para livrar-se de uma bateria americana de foguetes com cargas atômicas instalada na Turquia, ao colocar seus mísseis a 100 milhas da Flórida, no território cubano.
A solução do conflito, que chegou a assustar o mundo com uma guerra atômica, foi negociada pelo hábil Mikoyan: Kruschev retirou os mísseis de Cuba, e os Estados Unidos desmantelaram sua bateria turca, ao mesmo tempo em que assumiram o compromisso de não invadir Cuba — mas mantiveram o bloqueio econômico e político contra Havana. Enfim, ganharam Moscou e Washington, com a proteção recíproca de seus espaços soberanos — e Cuba pagou a fatura com o embargo.
O malogro do socialismo cubano nasceu desse imbróglio de origem. Tal como ocorrera com a Rússia Imperial e com a China, em movimentos contemporâneos, o marxismo serviu como doutrina de empréstimo a uma revolução nacional. O nacionalismo esteve no âmago dos revolucionários cubanos, tal como estivera entre os social-democratas russos, chefiados por Lenin e os companheiros de Mao.
Os cubanos iniciaram reformas econômicas recentes, premidos, entre outras razões, pelo fim do sistema socialista. Ao mesmo tempo tomaram medidas liberalizantes, permitindo as viagens ao exterior de quem cumprir as normas habituais. É assim que visita o país a dissidente Yoani Sánchez (que mantém seu blog na internet de oposição ao governo cubano) e é reverenciada pelos setores de direita. Ocorre que ela não é tão perseguida em Havana como proclama e proclamam seus admiradores. Tanto assim é que, em momento delicado para a Ilha, quando só pessoas de confiança do regime viajavam para o exterior, ela viveu dois anos na Suíça, e voltou tranquilamente para Havana.
É sabido que Yoani Sánchez mantém encontros habituais com o escritório que representa os interesses norte-americanos em Cuba, como revelou o WikeLeaks. Há mais, ela proclama uma audiência que não tem, como assegura o sistema de registro mais confiável, o da Alexa.com (citado por Altamiro Borges em seu site), em que ela se encontra no 99.944º lugar na audiência mundial, enquanto o modesto jornal O Povo, de Fortaleza, se encontra na 14.043ª posição, ou seja dispõe de sete vezes mais seguidores do que Yoani. Há mais: ela afirma que tem 10 milhões de acessos por mês, o que contraria a lógica de sua posição no ranking citado. O site de maior tráfego nos Estados Unidos é o do New York Times, com 17 milhões de acessos mensais.
Apesar de tudo isso, deixemos essa senhora defender o seu negócio na internet. É seu direito dizer o que quiser, mas não podemos tolerar que exija do Brasil defender os direitos humanos, tal como ela os vê, em Cuba ou alhures. Um dos princípios históricos do Brasil é o da não interferência nos assuntos internos dos outros países. O problema de Cuba é dos cubanos, que irão resolvê-lo, no dia em que não estiverem mais obrigados a se defender da intervenção dos estrangeiros, que vêm sofrendo desde que os espanhóis, ainda no século 16, ali se instalaram. Foram substituídos pelos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa de Washington contra o frágil governo da regente Maria Cristina, da Espanha. Enfim, o generoso povo cubano, tão parecido com o nosso, não teve, ainda, a oportunidade de realizar o seu próprio destino, sem as pressões dos colonizadores e seus sucessores.
Dispensamos os conselhos da senhora Sánchez. Aqui tratamos, prioritariamente, dos direitos humanos dos brasileiros, que são os de viver em paz, em paz educar-se e em paz trabalhar, e esses são os direitos de todos os povos do mundo. Ela, não sendo cidadã de nosso país, não deve, nem pode, exigir nada de nosso governo ou de nosso povo. Dispensamos seus avisos mal-educados e prepotentes, e esperamos que seja festejada pela direita de todos os países que visitará, à custa de seus patrocinadores (como o Instituto Millenium), iludidos pelo seu falso prestígio entre os cubanos.
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Joaquim amoleceu?

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou amolecido, cordato, compreensivo, após o generoso recesso do Judiciário. O tipo “malvadeza durão”, encarnado por ele ao longo do julgamento do chamado “mensalão” petista, esfumou-se. Talvez temporariamente ou, quem sabe, por força das circunstâncias.
Sob a presidência de Barbosa, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em reunião no dia 19, ao julgar o veto a patrocínios da iniciativa privada para festas de juízes, estabeleceu um nível porcentual de tolerância para a ética. É mais ou menos assim: eventos promovidos por conselhos de Justiça, tribunais e escolas da Magistratura podem ganhar incentivo privado de até 30%. Alguém poderá pensar: melhorou, só porque não havia limites.
Barbosa, Falcão e Calmon. Unidos pela mesma causa. Fotos: Fellipe Sampaio/ SCO/ ATF, Wilson Brasil/ ABr e Luiz Silveira/ Agência CNJ
Barbosa, Falcão e Calmon. Unidos pela mesma causa.
Fotos: Fellipe Sampaio/ SCO/ ATF, Wilson Brasil/ ABr e Luiz Silveira/ Agência CNJ
Embora tomado pelo espírito da discutida cordialidade brasileira, o ministro Barbosa ainda fez uma ponderação restritiva ao que chancelou: “É uma primeira tentativa de segregar o Poder Judiciário dessas relações duvidosas, senão promíscuas, às vezes, com o empreendimento privado”. Fez a concessão emoldurada por um discurso duro: “A minha posição, e de outros conselheiros, é no sentido de proibição total. Acho que isso virá em futuro próximo”.
Houve, no entanto, quem não cedeu. Os conselheiros do CNJ Jefferson Kravchychyn e Jorge Hélio, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, ficaram a favor da proibição de 100%. Não queriam deixar para depois.
Esses patrocínios são uma tradição equivocada no Judiciário brasileiro. Na falta de freio, tudo foi se agravando: houve congresso em resort de luxo patrocinado por instituições financeiras e a Associação Paulista de Magistrados recebeu brindes que foram distribuídos em uma festa na qual, por fim, foi sorteado um carro.
“É uma verdadeira vergonha esse evento”, condenou, na ocasião, o corregedor do CNJ, Francisco Falcão. Ele anotou a transgressão na sua lista de tarefas.
Quem ousa negar um “pedidinho” de ajuda para realizar um evento da Magistratura? O pedido por si só constrange, independentemente de outros problemas que possa criar.
Quando corregedora, a ministra Eliana Calmon, a favor do veto total ao patrocínio, tinha força na opinião pública, mas era fraca junto às forças ocultas. Não chegou a levar a questão a plenário. Isso foi feito pelo ministro Francisco Falcão, atual corregedor. Falcão apresentou a proposta de veto total, mas não manteve a posição. Aderiu ao porcentual aprovado.
No Conselho, a maioria votou seguindo a proposta apresentada pelos ministros Carlos Alberto de Paula e o próprio Falcão. O novo texto foi costurado no último fim de semana pelos dois.
A explicação oficial para o recuo foi político: não se formou consenso. A decisão final foi obtida por maioria de 10 votos a 5.
Há também explicação oficiosa. Fontes bem informadas garantem que o Instituto Innovare, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que conta com apoio do Sistema Globo, conseguiu demover vários integrantes do CNJ.
Não se sabe se houve proibição de brindes, prêmios e passagens aéreas, entre outras coisas condenáveis. Essa decisão, de manga curta, do CNJ prova, entre outras coisas, que a ética no Brasil, tão invocada, avança no ritmo da nossa história: lenta e gradualmente.
Seguimos com o estandarte da esperança, no qual se lê: Brasil, país do futuro.
Andante mosso
Intenções de voto do brasileiro para as eleições presidenciais de 2014
Intenções de voto do brasileiro
para as eleições presidenciais de
2014

Marina e Eduardo
Entre os possíveis candidatos à eleição de 2014, Marina Silva tem maior porcentual de intenção de voto. Embora todas as candidaturas, em eleição ainda distante, estejam sujeitas a chuvas e trovoadas, ela se beneficia do recall de 2010 (quadro).
Para tentar se fortalecer, lançou a semente do Rede Sustentabilidade. Evitou, no entanto, definir a identidade do partido: “Não é de oposição ou de situação, é de posição”, explicou.
Explicou? O ex-prefeito carioca Cesar Maia decifrou a charada: “Será o primeiro partido conservador à esquerda”.
Marina impôs discutíveis valores morais no programa: nem aborto nem homossexualismo. Eduardo Campos, governador de Pernambuco, existe muito mais na opinião publicada.
Os jornais conservadores forçam o nome dele para 2014 com a intenção de formar um “mutirão” que empurre a eleição para o 2º turno.
2013 não é 2014
As aparências deste início de 2013 provocam a ilusão de que o grid de largada da corrida presidencial de 2014 está montado. Essa falsa sensação acompanha a história da República.
Os últimos dois anos, das administrações de quatro, sempre giraram em torno da sucessão. A reeleição, em virtude da vantagem de quem busca o segundo mandato, acelerou esse sentimento.
Dilma e Aécio
Em 2010, houve nove candidatos na disputa. Entre os partidos nanicos, Marina, no PV, surpreendeu.
Para 2014, fora os imprevistos, há dois nomes certos que, mais uma vez, podem manter o conflito entre o PT e o PSDB. Além de Dilma, em busca da reeleição, o mineiro Aécio Neves faz aquecimento.
Se o confronto for esse, vai pôr fim ao sentimento, de quase 20 anos, de que o País é dominado pelo confronto de duas espécies: paulistas e brasileiros. Aécio, além de representar o segundo maior colégio eleitoral do País e integrar um partido ainda forte, é um veterano aspirante à Presidência.
Revisão provável
Fortalece no meio jurídico o sentimento de que, com a nova composição, o Supremo Tribunal Federal pode derrubar a punição por crime de “formação de quadrilha”, imposta a alguns dos envolvidos no chamado “mensalão petista”. Há quatro votos iniciais contra essa decisão.
Plano “B” de Chávez
Hugo Chávez antecipou o retorno à Venezuela previsto para o dia 27 de fevereiro. Ele tem pressa. Fontes brasileiras com trânsito junto ao líder venezuelano divulgam a versão de que, após tomar posse, Chávez convocará nova eleição presidencial.
Sem força pessoal para governar, pretende fazer o sucessor e dissipar dúvidas institucionais surgidas com o sistema adotado para preservar a vitória eleitoral dele.
Ex-senador. Tem fitas na manga para incomodar bastante um ex-colega. Foto: Valter Campanato/ ABr
Ex-senador. Tem fitas na manga para
incomodar bastante um ex-colega.
Foto: Valter Campanato/ ABr

Decifra-me
Há quem garanta, em Brasília, que o ex-senador Demóstenes Torres tem fita gravada de conversas comprometedoras para um senador.
O político grampeado é uma das figuras mais ambíguas da base do governo. Tanta gente já sabe disso que é possível dizer: é mistério público.
Carnaval: A verba e o verbo
A vitória de Vila Isabel no carnaval carioca foi sustentada pelo samba-enredo de Martinho da Vila, em parceria com Arlindo Cruz, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel.
Para traduzir o tema, Brasil Celeiro do Mundo – Bota Água no Feijão, era preciso cruzar duas delicadas questões: a reforma agrária e a verba de patrocínio generosa de uma empresa de agronegócio.
Martinho, cujo coração bate também politicamente à esquerda, é filiado ao PCdoB, forçou a referência à reforma agrária. Que, aliás, não tentou saber o que estava sendo produzido.
Os parceiros de Martinho, cautelosos, reagiram à citação explícita do tema. Venceram nesse ponto, mas cederam à criatividade dele, que traduziu o que o sentimento e a razão pediam com o verbo “partilhar”.
Ficou assim: A terra é abençoada/Preciso investir/ Conhecer/Progredir/Partilhar/Proteger
Martinho recebeu aplausos de João Pedro Stedile, a voz mais conhecida e o dirigente mais ativo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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O que Aécio faria do Brasil que temos hoje?


Encarregado de fazer o contraponto à la carte para a mídia, Aécio Neves sequer roçou a grande pergunta embutida no feixe de avanços sociais e econômicos reunidos pela Fundação Perseu Abramo, para o evento da última 4ª feira, '10 Anos do PT'.
A pergunta é:
'Se voltasse ao poder, o que o conservadorismo faria do Brasil que temos hoje?'
A omissão não deve ser debitada à superficialidade pessoal do provável candidato tucano em 2014.Colunistas da cota reservada a José Serra sibilam essa interpretação.
Maldade.
O fato de Aécio ter omitido preferências não significa que não as tenha.
Ele as tem.
São as mesmas dos seus rivais de partido; as mesmas dos vulgarizadores de seu credo na mídia.
As mesmas marteladas pelos professores-banqueiros encarregados de pavimentar a candidatura conservadora até 2014.
Fácil é defendê-las em artigos acadêmicos.
Palatável, discorrer sobre elas em colunas dirigidas aos iniciados da mesma igreja.
Complicado assumi-las em uma tribuna pública.
Quase inviável assoalhar um palanque presidencial com o seu conteúdo.
A tarefa consiste em desqualificar e desautorizar grandezas sociais de uma mutação histórica dificilmente reversível pelas urnas.
Para ir direto ao ponto mais agudo de uma dinâmica inconclusa mas incontrolável:
As favelas brasileiras reúnem 12 milhões de habitantes e formam hoje um mercado de R$ 56 bilhões.
O equivalente a uma Bolívia.
Não é propaganda do PT. É o resultado da pesquisa feito pelo Data Favela em 2011.
Ela mostra que 65% das populações faveladas pertencem agora ao que se convencionou denominar de nova classe média, ou classe C.
Em 2002 o percentual era de 37%.
Favela continua sendo favela.
Mas o recheio humano mudou. E aí reside o paradoxo de uma dinâmica infernal para aécios e assemelhados.
O mesmo ocorre nas periferias metropolitanas que continuam sendo periferias conflagradas.
Ou nos bairros distantes que continuam carentes de serviços essenciais.
E também nos conjuntos habitacionais, vilas e arruamentos rurais do resto do país.
Que continuam sendo tratados como resto do país.
A população aí residente saiu do rodapé da renda para o segmento do consumo popular. Representa agora 52% do Brasil.
O dado banalizou-se.
Mas não a completa extensão do paradoxo político que encerra.
Não o desconforto eleitoral que constrange o discurso do conservadorismo.
A ponto de Aécio recitar frases de efeito que não tem nenhum efeito.
A ponto de Lula, Dilma e o PT, de um modo geral, apostarem que esse impulso ainda pode encher as velas de mais uma vitória eleitoral. Guiada pela promessa do passo seguinte dessa história: a cidadania plena.
Mesmo difuso e ainda sem projeto - que cabe ao PT esclarecer - o aceno tem receptividade expressiva.
Milhões de brasileiros que formariam um país do tamanho da Argentina deixaram de ser meros sobreviventes de um naufrágio de 500 anos.
Chegara à praia.
Querem mais.
Como dizer-lhes: 'Não, o regime de metas de inflação não comporta vocês'.
Ou, como preferem os professores-banqueiros do PSDB:
'O populismo petista aqueceu a demanda para além do hiato do produto (potencial produtivo acionável na economia; que eles interpretam como um grandeza inelástica)'.
A receita para reverter o desmando é a plataforma que os tucanos e assemelhados hesitam em explicitar em palanque.
Um lactopurga feito de choque de juros e cortes no salário real; a começar pelo salário mínimo.
Quase tão simples assim.
A dificuldade reside no fato de que o 'voluntarismo petista' consumou um colégio eleitoral que hoje elege sozinho um presidente da República, se quiser.
De modo que o problema não é Aécio.
Um Aécio careca enfrentaria a mesma dificuldade.
O balanço reunido pelo PT (http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/Folheto_PT_10anos_governo_Net.pdf) envolve escolhas e desdobramentos que vão além das platitudes da má vontade conservadora.
A tal ponto que argui a zona de conforto da própria agenda progressista.
Para que o fim da miséria seja só o começo, como promete a provável bandeira da reeleição da Presidenta Dilma, há perguntas à espera de uma resposta.
Sobre uma delas o governo se debruça exaustivamente nesse momento.
Trata-se de viabilizar um novo ciclo de investimentos que redesenhe os contornos de um país previsto originalmente para acomodar apenas o terço superior da renda.
A nova cartografia escapa às receitas técnicas que seduzem uma parte do governo.
Reequilíbrios macroeconômicos são indispensáveis.
Mas as soluções imaginadas cobram um protagonista social que as legitimem e ferramentas que as executem.
A hegemonia numérica da chamada classe C sobreviveu à crise mundial do capitalismo porque, entre outras coisas, Lula e Dilma colocaram os bancos estatais a seu serviço.
No ano passado, o Banco do Brasil expandiu em 25% a sua carteira de crédito, à base de agressiva redução dos juros.
A Caixa Econômica Federal ampliou a sua em arrojados 42%.
Para desgosto da mídia que vaticinou prejuízos calamitosos, o BB e a CEF registraram lucros recordes em 2012.
As taxas de inadimplência foram inferiores às da banca privada que, exceto o Bradesco, viu seus lucros minguarem em relação a 2011.
Bancos estatais dominam agora 47% do mercado de crédito no país.
Dispor de ferramentas autônomas permitiu ao governo criar um fenômeno de consumo indissociável da aspiração por cidadania plena.
Isso mudou a pauta política do país ao dificultar sobremaneira o discurso conservador.
Qual seria o equivalente na batalha do investimento?
Por enquanto não existe.
Daí as dificildades dilacerantes que empurram o governo de concessão em concessão. Com resultados ainda imponderáveis.
Como compartilhar esse desafio com quem tem mais interesse num desenlace progressista e bem sucedido: milhões de brasileiros à procura de um país onde caiba a sua cidadania?
A cartilha dos '10 anos do PT' deixou esse capítulo em aberto.
Cabe ao V Congresso do partido escrevê-lo em 2014.
Mas é quase tarde. É preciso correr e começar já.
Saul Leblon
No Esquerdopata
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Partido e governo

A ideia do PT já se fixava na cabeça de Lula quando o entrevistei pela primeira vez no começo de 1978. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, representava a vanguarda de um movimento operário em plena mudança. A reforma partidária engendrada pelo Merlin do Planalto, Golbery do Couto e Silva, na segunda metade de 1979, facilitou-lhe a tarefa.
Discrepância. Os governantes foram fiéis aos planos iniciais. O partido nem tanto
Discrepância. Os governantes foram fiéis aos planos iniciais.
O partido nem tanto.
Foto: B. Salgado/ Estadão Conteúdo
Singular personagem, Golbery. Única, a seu modo. Fiel do maniqueísmo da Guerra Fria, inventou a ideologia destinada a sustentar o golpe de 1964, estranhamente impregnada por um pretenso, e de fato impossível, propósito democrático. Foi retirado da cena com o fim do curto mandato bienal de Castelo Branco, e só voltou ao governo no período de Ernesto Geisel. Partiu para a demolição do regime que contribuíra a criar, “lenta, gradual, porém segura”, sem que o próprio Geisel tivesse clara noção a respeito.
Enredo singular como a personagem. Mantido na chefia da Casa Civil por Figueiredo, Golbery deu prosseguimento ao seu plano, primeiro com uma anistia ardilosa que não foi “ampla, geral e irrestrita”, depois com a reforma partidária, cujo objetivo era estilhaçar a oposição reunida no MDB do doutor Ulysses, subitamente capacitado a se aproveitar daquelas pretensões democráticas e, a despeito de pressões, ameaças e riscos, a desempenhar um digno e importante papel.
De todo modo, a entrevista de Lula publicada na edição da primeira semana de fevereiro de 1978, deixou Golbery impressionado e muito interessado nos movimentos do astro nascente. Quando Lula ficou preso durante a greve do ABC de 1980, nas dependências do Dops, o mago planaltino enviou a São Paulo dois cavalheiros engravatados com a incumbência de entrevistar o preso no tom de uma conversa de amigos, peripatética, mas sutilmente inquisitiva. Apresentavam-se como subordinados do “cacique”, não melhor especificado, e queriam saber das ideias e tendências políticas do líder metalúrgico.
Golbery sairia do governo em agosto de 1981, em consequência das bombas do Riocentro e da tentativa de Figueiredo e de Octavio Medeiros de emperrar, se possível de vez, o processo de abertura. Da reforma eleitoral resultaram o PMDB de Ulysses, o PP de Tancredo Neves, o PDT de Brizola, a quem a legenda tradicional, PTB, fora sumariamente furtada para ser entregue a Ivete Vargas. E o PT de Lula, que dia 20 deste fevereiro celebrou dez anos de governo.
Longa caminhada, de êxito total. A busca do poder é o alvo de qualquer partido e se eleições fossem convocadas hoje, é mais do que certo que o PT continuaria folgadamente onde se encontra. Como dizia Raymundo Faoro, “eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. Referia-se aos senhores da casa-grande. O governo Lula e agora o de Dilma Rousseff empenharam-se e se empenham para que os milhões se multipliquem às dezenas. E, quanto ao eleitorado, colhem os frutos de sua ação.
É do conhecimento até do mundo mineral que o Brasil progrediu nos últimos dez anos como jamais se dera na sua história, e fique claro que na sua desfaçatez, na sua parvoíce, na sua hipocrisia, a mídia nativa situa-se, queira ou não, em estágio anterior ao mundo mineral. Quem sabe, o magma primevo.
Não evito a seguinte consideração. Uma peculiar discrepância instala-se, na minha visão, entre partido e governo. O PT nasceu à sombra de um ideário político de franco esquerdismo, afinado com os tempos, no Brasil e no mundo. Sobretudo no Brasil, entregue à ditadura. Ao amadurecer, o partido soube adaptar-se às mudanças globais. Hoje pergunto aos meus meditativos botões se os avanços dos últimos dez anos se devem ao PT ou aos governos Lula e Dilma.
Governos do PT? Meus botões não são de cautelas, afirmam: mérito dos governantes, além do mais forçados a alianças nem sempre aprazíveis, a bem da governabilidade. Lula, divisor de águas. Dilma, firme continuadora. À época do surgimento do PT, imaginei um grande, versátil, inteligente partido de esquerda, capaz de produzir mudanças profundas sem maiores conflitos, como se deu em outros cantos do mundo, onde anéis saem dos dedos graúdos somente sob pressão.
O PT não foi essa agremiação ideal, e muitas vezes portou-se como as demais. E muitas vezes ofereceu munição de graça à feroz obsessão da casa-grande. E muitas vezes exibiu inúteis divergências intestinas, a lhe exibirem a fragilidade, quando não a má-fé. E muitas vezes levou a cargos de governos quem não merecia. É a voz dos meus botões.
Mino Carta
No CartaCapital
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O funk e a mercadoria ostensiva e estridente

O vídeo "Funk Ostentação" mostra o universo urbanoide das classes populares em ascensão social e envolvidas com a música funkeira, especialmente de São Paulo.
Confesso, para mim estamos diante de uma incógnita. Como categorizar o fenômeno sociológico? Classes populares ostentam a mercadoria de forma estridente e espetaculosa embalados por um ritmo monótono, sem música, num simulacro de música, e aparentemente fruindo o ascenso social de forma debochada e frívola, numa pauta ideológica originada do mundo da publicidade mais prostituída.
O vídeo-documentário dura 36 minutos.


No Diário Gauche
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Cenas cubanas

http://p2.trrsf.com.br/image/fget/cf/407/305/images.terra.com/2013/02/22/mundo-geral-yoani-brasil.JPG 
A visita da dissidente Yoani Sanchez merece um minuto de reflexão e debate.
Conheço militantes com uma história respeitável e uma postura de coragem confirmada que defendem a tentativa de boicotar a visita da blogueira.
Mas discordo dessa visão.
Mesmo no Palácio do Planalto de Dilma Rousseff já se define a perseguição de militantes da juventude do PC do B e de fatias do PT contra Yoani Sanchez como uma nova edição da Operação Tabajara, aquele quadro trapalhão que fez história entre os Cassetas & Planetas.
Vejamos o enredo da história:
1. O conselheiro político da embaixada de Cuba convoca uma reunião secreta, para organizar uma espécie de boicote contra aquela que se tornou a mais conhecida dissidente do regime cubano;
2. Entre os presentes, encontra-se um funcionário do Planalto que tinha ido à embaixada para outro compromisso, mas é colocado de improviso num encontro reservado;
3. Outro convidado só estava ali para espionar e fornecer informações supostamente secretas para o inimigo – como se veria mais tarde, quando a revista de maior circulação do País publicou uma detalhadíssima reportagem sobre o evento;
4. Mesmo com a divulgação de toda a história com antecedência, a operação foi mantida, transformando-se num show de constrangimentos;
5. Ativistas e militantes que tentavam boicotar os eventos marcados para recepcionar Yoani foram obrigados a justificar por que achavam que tinham o direito de atazanar a liberdade de expressão da dissidente e, ao mesmo tempo, defender sua própria liberdade de expressar-se contra ela;
6. Candidata a fazer uma visita em situação de semi-obscuridade, Yoani tornou-se protagonista destacada no debate político. Em condições normais, dificilmente se poderia imaginar que fosse capaz de polarizar uma discussão política no País. Mas Yoani até se sentiu no direito de dar pito no governo brasileiro, reclamando que ele não dá importância aos direitos humanos em Cuba.
Não vamos ser ingênuos. Yoani Sanchez é uma adversária das conquistas da revolução cubana e, de uma forma ou de outra, recebe sustentação de instituições estrangeiras que pretendem estimular uma transição socialmente regressiva em seu país.
Compreendo, então, que se queira debater a atuação de Yoani Sanchez e seus aliados. Por trás dela, há uma operação de vulto, capaz de mudar a relação de forças no continente, mais favorável a Washington. Perfeito.
O debate não é este, porém.
Dilma e Lula têm mantido uma política correta de não-intervenção em assuntos internos da vida cubana. Seu governo tem feito o possível para construir uma liderança alternativa a Washington no continente – com resultados inegáveis, mesmo para observadores adversários.
Essa atuação implica em respeitar as decisões internas de todos os países, inclusive do governo cubano e tratá-las no plano das relações entre estados soberanos.
Lula e Dilma não param de tomar porrada da oposição conservadora por causa disso.
Imagine quantos pontos Dilma perdeu junto a essa turma ao lembrar que quem lhe pedia para falar de direitos humanos em Cuba deveria, antes, perguntar a Washington sobre a masmorra de Guantánamo.
Mas a postura do governo brasileiro só é defensável porque implica em respeitar os direitos democráticos dos dissidentes.
Por essa razão Brasília deu a Yoani autorização para vir ao Brasil e não colocou nenhum obstáculo a sua visita.
Desse ponto de vista, pouco importa o que o governo do Raul e Fidel Castro pensa de Yoani.
Importa garantir que, em visita ao País, ela possa usufruir das liberdades asseguradas pelas leis brasileiras. Soberania é um conceito de mão dupla. Vale para Cuba e também para o Brasil.
O bullying contra Yoani só ajuda os adversários de Dilma e de Lula a dar verossimilhança à permanente campanha para apontar supostos traços autoritários num governo que respeita a liberdade como poucos, ampliou direitos dos fracos e necessitados e jamais modificou a constituição para atender a interesses próprios.
A experiência política universal ensina que os governos que pretendem falar em nome do cidadão comum devem ter uma postura exemplar de respeito à democracia e à liberdade. A razão é simples: os mais fracos e desprotegidos são os primeiros a serem feridos quando os direitos democráticos são atingidos. Cedo ou tarde, são os principais prejudicados. É uma questão de relação de forças, vamos combinar.
Não custa lembrar que essas comédias cubanas não são inéditas.
Nos anos 60, o governo Goulart teve uma postura corajosa de resistência às pressões do governo John Kennedy para que rompesse relações com o governo de Fidel. Enfrentou ameaças diretas do governo americano e, conforme o professor Muniz Bandeira, essa postura independente foi decisiva para que a Casa Branca resolvesse ajudar o golpe de 1964 com todos os recursos que possuía: dinheiro, publicidade milionária na mídia e auxílio militar.
Mas Jango também tinha adversários internos.
Aliados de Fidel Castro chegaram a montar campos de guerrilha no País, num radicalismo que levou o próprio Goulart – adversário resoluto das pressões americanas contra a revolução cubana – a denunciar o fato a Havana, como uma traição. Chato, né...
A queixa de Jango é que em Washington lhe arrancavam o couro por ajudar a revolução cubana e, em troca, era golpeado por quem deveria demonstrar um pouco mais de consideração.
(Curiosidade: Che Guevara, a caminho de se tornar o mito, discordava dos guerrilheiros brasileiros, por considerar que a luta armada era inviável contra um governo democrático.)
Nós sabemos quem ganhou com isso, utilizando cada um desses episódios em sua propaganda, para assustar e confundir o cidadão comum, aquele que compreende o valor da liberdade e o respeito às regras democráticas e é capaz de se mobilizar em sua defesa. Embora fosse um defensor da democracia, os adversários acusavam seu governo de preparar um golpe – tentando, por isso, justificar a conspiração militar de 64.
Este é o ponto. Defender a mais ampla democracia é obrigação – eu diria privilégio – de quem fala em nome da maioria.
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Lobby gay no Vaticano pode ter levado Papa a abdicar

No momento de sua iminente despedida, voltam à tona os escândalos que marcaram o pontificado de Bento XVI. De acordo com o diário italiano de centro-esquerda La Repubblica, no dia 17 de dezembro de 2012, quando deitou os olhos sobre o dossiê elaborado por três cardeais octogenários incumbidos de investigar o chamado caso Vatileaks – o escrutínio de documentos papais –, Bento XVI tomou a decisão de que renunciaria.
Foto: Stefano Rellandini/ Reuters/ LatinStock
Foto: Stefano Rellandini/ Reuters/ LatinStock
Em miúdos, o relatório de 300 páginas se baseia no não cumprimento de dois mandamentos, o sexto e o sétimo. O sexto mandamento proíbe o adultério, mas, como esse ato não é realizável no mundo dos prelados, fala-se em proibição da pederastia.
Por sua vez, o sétimo mandamento refere-se a casos de corrupção, também identificados pelos cardeais liderados pelo espanhol Julián Herranz. Os outros dois cardeais, responsáveis pela investigação realizada entre abril e dezembro do ano passado, são o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Jozef Tomko.
Segundo o inquérito, baseado em entrevistas com dezenas de bispos, cardeais e laicos, uma série de sacerdotes da Santa Sé teriam pecado, e, até prova em contrário, esses graves pecados poderão se transformar em delitos.
O quadro piora quando o La Repubblica revela o seguinte: oficiais do Vaticano teriam, por conta de suas atividades mundanas, sofrido “influências externas” de laicos.
Tradução: os oficiais do Vaticano estão sendo chantageados.
O escândalo, contudo, não pode ser visto como um complô de um diário de centro-esquerda, visto que o Corriere della Sera, prestigiado diário de centro-direita, também reportou sobre a gravidade do dossiê em 11 de fevereiro, data em que Bento XVI anunciou sua renúncia.
Difícil mesmo é saber se esse último escândalo foi, de fato, a gota d’água para o atual Papa.
Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, revelou que não haverá “nem desmentidos, nem comentários” sobre as “informações e opiniões” feitas pela imprensa às vésperas da resignação de Bento XVI.
O La Repubblica, é verdade, pode deixar o leitor por vezes perplexo. Por exemplo, diz que esta foi a primeira vez que a palavra “homossexualidade” foi pronunciada nos aposentos de Bento XVI.
O diário revela que os cardeais identificaram villas, saunas, e residências usados por um arcebispo italiano com seus amantes.
No entanto, casos gays não são novidades no Vaticano – e é difícil acreditar que a palavra “homossexualidade” nunca tenha sido citada pelo atual Papa. Angelo Balducci, um dos Cavalheiros de Sua Santidade, não foi afastado do cargo em 2010 porque tinha várias relações com homens, inclusive com o nigeriano Chinedu Thomas Ethiem, cantor de capela da basílica de São Pedro?
Bento XVI, diga-se, não permite gays ativos a estudar para o sacerdócio. Seria, portanto, interessante saber os termos utilizados pelo Papa ao tratar o caso Balducci.
A corrupção no relatório dos cardeais também parece endêmica, inclusive no Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Ettore Gotti Tedeschi, ex-presidente do IOR, foi despedido em maio de 2011. Seu crime: tentava, há mais de dois anos, limpar as finanças da Igreja. Tedeschi, que após sua demissão temia ser assassinado, escreveu um documento oficial para que sua luta fosse  continuada pelo seu sucessor. O cargo deixado por Tedeschi só foi preenchido nove meses mais tarde…
E, é claro, são numerosos os casos de pedofilia não resolvidos – e vítimas, por tabela, não conseguem processar padres culpados.
Devido “à idade avançada”, Bento XVI renunciará dia 28 de fevereiro. Até a Páscoa um novo Papa deverá ser escolhido. Ele terá de lidar com o dossiê de 300 páginas sobre os podres da Igreja que talvez tenham levado Bento XVI a abdicar.
Gianni Carta
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1704

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Mil dias de cadeia sem julgamento

“Yoani denuncia Cuba e está livre. Bradley Manning denunciou atrocidades dos EUA e pode ser condenado à morte”
— Roberto Locatelli


O calvário de Bradley Manning, o recruta acusado de ter vazado documentos para o Wikileaks.
1000 dias preso sem julgamento
1000 dias preso sem julgamento
A Personalidade do Ano, segundo os leitores do Guardian, foi Bradley Manning.
Clap, clap, clap. De pé.
Só que Manning está na cadeia há mil dias, completados hoje, sob a acusação de ter vazado os célebres documentos com os quais o Wikileaks mostrou ao mundo a natureza da Guerra do Iraque.
Sem julgamento, além de tudo.
Um leitor do Guardian expressou assim sua escolha por Manning: “Ele se manteve firme em sua batalha pelo uso democrático da informação, a despeito da imensa pressão física, moral e psicológica posta sobre ele por seus superiores bas Forças Armadas, incluído o presidente dos Estados Unidos.” Palavras do editor do Guardian que coordenou o projeto: “Aprendemos um bocado sobre nossos leitores e sobre nossos herois “.
Manning, se fez mesmo o vazamento, o que é provável, combateu o bom combate. Não é à toa que muitas pessoas o indicaram para o Nobel da Paz. Mas o que ele ganhou mesmo foi um regime de prisão solitária capaz de destruir a sanidade rapidamente. Manning só saiu da solitária por pressão de ativistas, entre os quais se destaca o jornalista americano Glenn Greenwald. Greenwald foi a primeira voz a denunciar as condições desumanas em que vivia Manning.
Graças ao vídeo vazado, o mundo pôde ver o que era a Guerra do Iraque. Pôde ver, também, o caráter das guerras movidas no Oriente Médio pelos Estados Unidos em nome da civilização e da democracia. Pôde ver, ainda, o terror da Guerra ao Terror.
Os iraquianos viviam melhor sob Saddam Hussein do que sob os americanos. Da mesma forma, os afegãos viviam melhor sob o Talibã do que sob os americanos.
Manning contribuiu para que todos pudéssemos entender melhor as coisas.  Você não resolve um problema se não consegue enxergá-lo. Manning nos ajudou a todos a enxergar o problema.
Pessoas nas ruas comemoram a
chegada das tropas americanas
A humanidade como que acordou depois dos vazamentos atribuídos a Manning. A Primavera Árabe é, em boa parte, fruto dos documentos que foram publicados. A corrupção e a violência de governos de países como o Egito e a Tunísia ficaram dramaticamente expostas. E isso foi essencial para que as pessoas tomassem as ruas e varressem administrações predadoras — apoiadas, aliás, pelos Estados Unidos.
A Primavera Árabe acabou contagiando até os americanos. O movimento Ocupe Wall St foi inspirado nela.
Com tudo isso, a agenda planetária mudou. Foi numa atmosfera internacional de protesto e inconformismo que emergiram estatísticas que mostram a espetacular concentração de renda ocorrida nos países ricos nos últimos trinta anos. Bradley Manning está na origem dessa mudança formidável que vai se operando no mundo.
Por isso é um herói, como reconheceram os leitores do Guardian. Leia mais: ‘Estava certo de que ia morrer naquela cela animalesca’ Leia mais: “Peço ao presidente Obama para fazer a coisa certa”
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Mesmo com protesto, Yoani falou em evento em SP

Diferentemente do que foi difundido pela mídia, a blogueira Yoani Sánchez falou por 30 minutos durante o relançamento de seu livro “Para Cuba, com carinho”, denunciou Juliane Furno, presente no evento: “já a organização não deixou que os manifestantes fizessem perguntas ou expressassem uma opinião contrária a da blogueira”. Exercendo a democracia, grupos pró e contra Yoani Sánchez protestaram em frente à Livraria Cultura, nesta quinta-feira (21).

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Nota pública: governo federal rompe compromisso com a sociedade no tema da comunicação

 
A declaração do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, no último dia 20, de que este governo não vai tratar da reforma do marco regulatório das comunicações, explicita de forma definitiva uma posição que já vinha sendo expressa pelo governo federal, seja nas entrelinhas, seja pelo silêncio diante do tema.
A justificativa utilizada – a de que não haveria tempo suficiente para amadurecer o debate em ano pré-eleitoral – é patética. Apesar dos insistentes esforços da sociedade civil por construir diálogos e formas de participação, o governo Dilma e o governo do ex-presidente Lula optaram deliberadamente por não encaminhar um projeto efetivo de atualização democratizante do marco regulatório. Mas o atual governo foi ainda mais omisso ao sequer considerar a proposta deixada no final do governo do seu antecessor e por não encaminhar quaisquer deliberações aprovadas na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009. O que fica claro é a ausência de vontade política e visão estratégica sobre a relevância do tema para o avanço de um projeto de desenvolvimento nacional e a consolidação da democracia brasileira.
A opção do governo significa, na prática, o alinhamento aos setores mais conservadores e o apoio à manutenção do status quo da comunicação, nada plural, nada diverso e nada democrático. Enquanto países com marcos regulatórios consistentes discutem como atualizá-los frente ao cenário da convergência e países latino-americanos estabelecem novas leis para o setor, o Brasil opta por ficar com a sua, de 1962, ultrapassada e em total desrespeito à Constituição, para proteger os interesses comerciais das grandes empresas.
Ao mesmo tempo em que descumpre o compromisso reiterado de abrir um debate público sobre o tema, o governo federal mantém iniciativas tomadas em estreito diálogo com o setor empresarial, acomodando interesses do mercado e deixando de lado o interesse público.
No setor de telecomunicações, na mesma data, foi anunciado um pacote de isenção fiscal de 60 bilhões para as empresas de Telecom para o novo Plano Nacional de Banda Larga em sintonia com as demandas das empresas, desmontando a importante iniciativa do governo anterior de recuperar a Telebrás, e encerrando o único espaço de participação da sociedade no debate desta política – o Fórum Brasil Conectado. Somando-se ao pacote anunciado de benesses fiscais, o governo declara publicamente a necessidade de rever o texto do Marco Civil da Internet que trata da neutralidade de rede, numa postura totalmente subserviente aos interesses econômicos.
Na radiodifusão, faz vistas grossas para arrendamentos de rádio e TVs, mantém punições pífias para violações graves que marcam o setor, conduz a portas fechadas a discussão sobre o apagão analógico da televisão, enquanto conduz de forma tímida e errática a discussão sobre o rádio digital em nosso país. Segue tratando as rádios comunitárias de forma discriminatória, sem encaminhar nenhuma das modificações que lhes permitiriam operar em condições isonômicas com o setor comercial.
Diante desta conjuntura política e do anúncio de que o governo federal não vai dar sequência ao debate de um novo marco regulatório das comunicações, ignorando as resoluções aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, manifestamos nossa indignação, ao mesmo tempo em que reiteramos o nosso compromisso com este debate fundamental para o avanço da democracia.
De nossa parte, seguiremos lutando. A sociedade brasileira reforçará sua mobilização e sua unidade para construir um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações.
Coordenação executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC:
Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub)
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária - Abraço
Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões – Aneate
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Conselho Federal de Psicologia – CFP
CUT - Central Única dos Trabalhadores
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações - FITTEL
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão - Fitert
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
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Vaticano terá Ficha Limpa em próximo conclave

Vaticano terá Ficha Limpa em próximo conclave
"Precisamos de um Papa forte, jovem e santo que não passe a vida sentado no trono", declarou Bento
LIMBO - Estupefato com as revelações de que a Igreja Católica é administrada por seres humanos, o futuro ex-Papa Bento XVI anunciou que abrirá os arquivos da Santa Sé e divulgará todos os documentos parcialmente vazados pelo Vatileaks. "Estamos negociando com José Simão e com o jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro", revelou Bento em um confessionário, observando, porém, que não autorizará sequer a divulgação de uma simples bula papal pela Rede Record.
Rumores sugerem a existência de um conjunto de malfeitos infinitamente mais nefando do que o já trazido à luz pelo jornal La Reppublica, que nesta quinta-feira publicou denúncias sobre corrupção e redes de meretrício dentro do Vaticano. "Isso é café pequeno”, revelou uma fonte próxima às investigações, “membros da guarda suíça disseram que José Dirceu, em pessoa, fazia visitas mensais a cardeais e sacerdotes".
Em nome da transparência religiosa, dezenas de parlamentares do PSDB partiram em romaria para o Vaticano, acompanhados de Yoani Sánchez. "Vamos fazer uma petição online para que a eleição seja através do voto aberto", informou Otávio Leite.
Agindo nas sombras e alheio ao espetáculo público da oposição, Michel Temer articula a indicação de José Sarney e Renan Calheiros para, respectivamente, os cargos de camerlengo-vitalício e supervisor geral dos tesouros do Vaticano. Se eleito, a primeira medida de Calheiros será transferir os afrescos da Capela Sistina para o teto da Associação de Aleitamento Materno Renildo Calheiros, entidade social administrada por sua esposa Renane Calheiros na cidade de Murici, Alagoas.
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Chávez se reúne con su equipo de gobierno

maduro y otros dirigentes venezolanos 
El presidente Hugo Chávez sostuvo una sesión de trabajo – que se extendió por más de 5 horas - con el equipo de trabajo del Gobierno Bolivariano. Así lo dio a conoce el vicepresidente Nicolás Maduro, desde el Salón de Mármoles del Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo.
Maduro acompañado de Diosdado Cabello, presidente de la Asamblea Nacional (AN), así como de los ministros Jorge Arreaza y Rafael Ramírez, informó que la reunión se dividió en tres sesiones donde se abordaron temas, económico, político y la seguridad nacional.
Planes para consolidar la economía nacional
El vicepresidente Maduro aseguró que uno de los temas fundamentales, fue económico. “ha sido un tema donde se han entregado propuestas para mantener el combate contra la inflación, la especulación para seguir garantizando los recursos para todos los planes sociales como: las grandes misiones: Vivienda, En Amor Mayor, Barrio Adentro, misiones de salud, educativas.
Asimismo el Presidente ha hecho un seguimiento a la generación de recursos en bolívares y divisas para garantizar la producción y desarrollo comentó el Vicepresidente.
Maduro anunció que en los próximos días se estarán tomando decisiones para fortalecer las áreas agrícola, industrial, tecnológica todo con el firme objetivo de hacer frente a la guerra económica que la burguesía pretende llevar a cabo para desestabilizar el país. “El equipo del Gobierno Bolivariano seguirá trabajando en función de los interés la patria para favorecer los internes nacionales, del Pueblo”.
Sobre el lanzamiento de la Televisión Digital Abierta, el presidente Chávez se siente feliz, y felicitó al ministro Jorge Arreaza por el acto que se realizó en el Sector El Nazareno, del municipio Libertador de Caracas.
Gobierno vigilante ante planes desestabilizadores
Durante la reunión con el presidente Chávez también se analizó el tema de la Seguridad Nacional. Maduro afirmó que el Gobierno Bolivariano se mantiene vigilante “estamos atentos a todo lo que hace la gente por ahí, que se mueve para hacer planes en contra de la patria pero ahí estamos vigilantes”.
(Información de Prensa Presidencial de Venezuela)
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Operação Abaixo a Rede Globo - #OpRedeGlobo

Neste sábado, dia 23 de fevereiro!

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