22 de fev de 2013

Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - VII

Opus Dei nas finanças do Governo e com força na banca
O 'padrinho' Queiroz, os negócios com Roma e um juiz contra a IVG
Existe uma multiplicidade de profissões entre os membros e cooperadores que integram as fileiras do Opus Dei. Desde a seleção nacional até ao Tribunal Constitucional, passando por professores universitários e empresários de sucesso, são vários os sectores que contam (ou contaram) com membros da organização. Todos rejeitam a ideia de uma entidade elitista, defendendo que há na prelatura gente de todas as classes sociais.
Durante os treinos do Sporting, Carlos Queiroz, então treinador dos leões, percebeu que o defesa Nélson não andava bem. No final de um treino chamou o jogador e, depois de ouvir as inquietações de Nélson Vieira Alves, apresentou-o a um amigo e membro do Opus Dei: António Montiel. A conversa do psicólogo (que confirmou esta história ao DN) foi um alívio para o jogador, que começou a aproximar-se do Opus Dei. Estávamos em 1995 e Nélson começava a receber ajuda espiritual da obra. Hoje, com 41 anos, é cooperador, frequentando os centros da cidade onde vive: o Porto. A maioria dos membros do Opus Dei em Portugal - e no resto do mundo - são cidadãos comuns. Mas Nélson, jogador da geração de ouro que se sagrou campeã mundial de sub-20, é um exemplo da diversidade de profissões das gentes do Opus Dei. Futebolistas, empresários, advogados, cientistas e professores universitários juntam--se a políticos e banqueiros.
Afonso Braga da Cruz é a prova de que não é incompatível devotar a vida à obra e ser um "homem de negócios". Um dos históricos do Opus Dei em Portugal (numerário desde 1955) foi durante muitos anos presidente e sócio da Sopragol, uma empresa de transformação de tomate. Já abandonou a sociedade, comprada em 2001 pela Cirio Finanziaria, Spa, que adquiriu 96,949% do capital. Esta financeira italiana era então presidida por Sergio Cragnotti, presidente da Lázio, clube do qual a Cirio também era um dos maiores acionistas. A Cirio chegou a ter igualmente nos seus quadros o italiano Gianmario Roveraro (assassinado em 2006), um conhecido membro do Opus Dei. Hoje, porém, a Cirio - entretanto falida - já nada tem que ver com a Sopragol (foi vendida ao grupo espanhol Conesa).
Mas haverá profissões incompatíveis com o Opus Dei? De acordo com os seus membros, não. Mas a Associação Sindical de Juízes Portugueses defende que a condição de membro da maçonaria ou do Opus Dei é incompatível com a condição de juiz. Porém, o juiz jubilado do Tribunal Constitucional (TC) e supranumerário do Opus Dei, Messias Bento, discorda "completamente" e diz que só pode defender esta posição "quem tiver um desconhecimento absoluto do que é o Opus Dei". Em declarações ao DN, Messias Bento diz que ser do Opus Dei até o ajudou enquanto juiz, pois os princípios da obra são a "santificação do trabalho, a competência e a honestidade". Membro da prelatura desde os 40 anos (tem hoje 72), Messias Bento nunca pediu escusa de um processo por pertencer à prelatura e garante nunca ter sido influenciado pela obra. Recorda ainda a vez em que teve de tomar posição num acórdão relacionado com a interrupção voluntária da gravidez no TC em que votou "de vencido por entender que estava em causa o direito à vida". Mas acrescenta prontamente: "Não votei dessa forma por ser do Opus Dei."
A ciência e a fé nem sempre estão de costas voltadas. Ricardo Mendes Ribeiro é físico e diretor da Licenciatura em Física da Universidade do Minho e chegou a admitir, numa entrevista reproduzida no site do Opus Dei, que "não existe qualquer contraposição entre a ciência e a fé [Católica]", considerando que estas são "complementares".
No rol dos professores universitários que pertencem ao Opus Dei está também Diogo Costa Gonçalves, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que pediu a admissão à obra em 1998. Diogo Gonçalves diz não se sentir "melhor ou pior católico por pertencer ao Opus Dei". E explica porque quis aderir: para "levar a vida de cristão mais a sério". Sobre o alegado elitismo do Opus Dei, o supranumerário diz que na obra "há pessoas de todas as classes e de todo o tipo de profissões". Recusa-se a especificar o tipo de mortificações corporais que faz ("só Deus precisa de saber"), mas admite fazer donativos à obra. Diogo Gonçalves refere ainda que o Opus Dei nunca procurou influenciá-lo em nenhuma decisão e que se algum dia a organização se intrometesse na sua vida profissional "era o primeiro a ir embora".
José Luís Simões, diretor executivo da transportadora Luís Simões, é cooperador e diz igualmente que a única influência que o Opus Dei tem no seu trabalho é ajudá-lo "a focalizar e a fazer as coisas bem feitas". Afirma que só não é membro por falta de disponibilidade, mas que "um dia mais tarde, quando tiver outro enquadramento, possivelmente passarei a essa condição". Apesar disso cumpre um plano de vida (conjunto de obrigações espirituais) tal como os membros da obra. É, porém, menos exaustivo. Admite que dá donativos pessoais ao Opus Dei, mas faz sempre questão que estes não sejam públicos. "Sou de uma aldeia onde a chave fica na porta para que o vizinho possa ajudar. Estou habituado a ajudar e não preciso que os outros saibam", ilustra.
Em matéria de cooperadores a diversidade também é grande. Desde um diretor de multimedia do Benfica (Tiago Silvério Marques) até um diretor de uma agência de viagens virada para o Turismo católico (João Paulo Reis), passando por um professor de Marketing da Lusófona (Jorge Bruno Ventura), uma farmacêutica (Filipa Cruz) ou um antigo diretor da revista Magazine - Grande Informação e atual general manager da empresa Limits (Otto Czernin). A lista é infindável. Apesar do sucesso profissional das pessoas aqui referidas, o líder do Opus Dei em Portugal garante que há pessoas na obra de todas as profissões e de todos os estratos sociais. José Rafael Espírito Santo diz mesmo que não existe distinções entre membros: "Não interessa a profissão. O importante é que procure fazer bem o seu trabalho."
Rui Pedro Antunes
No Diário de Notícias
Veja também: Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - I - II - III - IV - V - VI
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Em represália, Reinaldo Azevedo visitará Cuba

Em represália, Reinaldo Azevedo visitará Cuba
Ao saber das intenções de Reginaldo Aziago, Eduardo Suplicy alterou o tom de voz

BLOGOSFERA – Revoltado com as manifestações lulolenimarxistas contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, o dissidente brasileiro Rinaldo Azeredo anunciou que irá a Cuba denunciar o castropetismo que sufoca a ilha. "Puxarei os pelos no nariz de Fidel, arrancarei o charuto da boca de Fernando Morais, passarei geleia de amendoim na hóstia de Frei Beto e submeterei a escumalha guevaro-chavista às obras completas, e desafinadas, de Wilson Simonal”, declarou, em negrito, o destemido blogueiro.
O gesto venturoso e audaz foi saudado com petardos liberalizantes pela juventude tucano-ruralista. Na ocasião, foram privatizados dois parques estaduais, sete hospitais públicos e cinco crianças órfãs. Os recursos serão usados para financiar a viagem, que será feita numa balsa de 79 pés, com cabine refrigerada, ofurô e heliponto.
Minutos após o anúncio, Azualdo foi acusado por militantes do PC do C, Partido Comunista de Cuba, uma dissidência à esquerda do PCC, de manter seu blog graças ao apoio da Quarta Internacional Católica, uma dissidência à direita da Quarta Internacional. "É mais um cão trotskista a ser cooptado pelo ouro de Washington", denunciou o líder campesino José Dirceu.
Em apoio ao blogueiro brasileiro, Yoani Sánches sensualizou com uma garrafa de Coca-Cola, sendo prontamente apoiada pelo ex-governador de São Paulo, José Serra. “Estendemos nossa mão a Yoani em sua luta contra os horrores da ditadura de Fulgêncio Batista”, afirmou o tucano, com voz firme. Ao ser informado de que Batista já não estava no poder, Serra reagiu: “Ué, mudou?”
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O mapa dos grupos que desestabilizaram Bento XVI

Bento XVI descobriu tardiamente que não governava sozinho. 
Foto: CNBB
O cardeal alemão Joseph Ratzinger chegou a ser chamado de “rotweiller do papa”, nos anos 1980 e 1990. Era, então, o todo poderoso prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Santa Inquisição. Eminência parda de João Paulo II – a quem sucedeu, em abril de 2005 -, Ratzinger defendeu ferozmente a restauração do poder episcopal, a volta à ortodoxia.
Combateu a Teologia da Libertação e ajudou a dizimar a Igreja identificada com a opção preferencial pelos pobres, a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965), principalmente na América Latina. Ratzinger foi o algoz do brasileiro Leonardo Boff, seu ex-aluno. Calou o teólogo franciscano com o “silêncio obsequioso”, em 1985.
No comando da Santa Sé, já como o papa Bento XVI, cercou-se de cardeais conservadores, fortalecendo uma linha de ação delineada no pontificado de João Paulo II. Deu poder a movimentos católicos de inspiração autoritária e ultraconservadora.
Incrustados na Cúria Romana, esses grupos iniciaram uma acirrada disputa pelo poder. Vários auxiliares foram acusados de desvios financeiros e envolvidos em outros escândalos, como os casos de pedofilia.
Sem controle da situação, Bento XVI – agora às vésperas de sua renúncia -, descobriu tardiamente que não governava sozinho. Em meio a uma rede de intrigas, vaidades e ambição, perdeu o comando. Se viu sem forças.
Nomeações feitas por ele sem seguir preceitos e hábitos comuns no Vaticano também geraram fortes reações. Ao recrutar antigos colaboradores, colocando-os em postos-chave, contrariou interesses de esquemas enraizados na Santa Sé.
Até os anos 1990, só se falava na divisão interna na Igreja entre os chamados conservadores e progressistas. Hoje, são os integrantes dos grupos mais à direita, incensados por Bento XVI, que o sabotam.
O papa, após anunciar sua renúncia, criticou “a divisão no corpo eclesial” que deturpa “o rosto da Igreja”. Denunciou a “hipocrisia religiosa” e o comportamento daqueles que querem “aparecer”, que buscam o “aplauso e aprovação”. Bento XVI só não identificou quem seriam esses “hipócritas” que lutam desbragadamente em busca do poder na Santa Sé.
À frente, nessas disputas, estão fortes correntes conservadoras na Igreja Católica, como a Opus Dei, considerada um verdadeiro “exército do papa”. O outro grupo mais expressivo é a Fraternidade de Comunhão e Libertação, cujos membros, por causa da fervorosa devoção, chegaram a ser rotulados de “stalinistas de Deus” e “rambos do papa”. No pontificado de João Paulo II eram os “monges de Wojtyla”.
A Opus Dei e a Comunhão e Libertação são os dois grupos com mais força atualmente na Igreja Católica. Mas despontam ainda outros movimentos como os Focolares, o Neocatecumenal e os Legionários de Cristo.
A Opus Dei, fundada em 1928 na Espanha pelo sacerdote Josemaria Escrivá (canonizado em 2002), cresceu no país durante a ditadura de Francisco Franco, de 1936 a 1975. Hoje, está em 90 países, com 89 mil seguidores em todo o mundo.
Seu objetivo, segundo os líderes, é difundir a vida cristã. Certas práticas atribuídas aos seguidores são criticadas, como um suposto hábito de golpear costas e nádegas com chicote. Adeptos seriam obrigados ainda a relatar aos superiores até seus pensamentos.
Grande parte dos integrantes da Opus Dei ocupa cargos de liderança e destaque na sociedade. A organização conta em seus quadros com cardeais, bispos e, ao menos, dois mil sacerdotes. Mantém instituições de ensino como a Universidade de Navarra (Espanha), um seminário em Roma, 600 colégios e 17 escolas de administração e negócios.
Seu braço para a área empresarial é o IESE Business School (Instituto de Estudos Superiores de Empresa), instalado também no Brasil e com planos de oferecer cursos no País – entre eles um de gestão de mídia – a 500 alunos. No Brasil, são ligados à Opus Dei o jurista Ives Gandra Martins e o professor de Comunicação Carlos Alberto Di Franco, entre , entre outros.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, revelou em uma entrevista que seu livro de cabeceira é “Caminho”, de Josemaria Escrivá. Disse ser admirador das ideias do sacerdote espanhol, mas nega ser seguidor da Opus Dei.
Presente em 80 países e com cerca de 200 mil simpatizantes, o movimento Fraternidade de Comunhão e Libertação tem como seu maior expoente o cardeal de Milão, Angelo Scola, ligado a Bento XVI. Foi fundado em 1954 na Itália pelo monsenhor Luigi Giussani e hoje é dirigido pelo espanhol Julián Carrón. Seus integrantes propõem a cultura como “chave de leitura da história”. Os conflitos na sociedade, na visão deles, devem ser analisados a partir da cultura e não da luta de classes ou de questões econômicas.
Fundado em 1943, na Itália, por Chiara Lubich, o movimento Focolares reúne hoje 100 mil membros. Tem como um de seus principais representantes em Roma o cardeal brasileiro João Braz de Avis, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. É um nome bastante citado como papável. Ex-arcebispo de Brasília, Avis ainda integra o Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos.
O movimento Focolares é considerado uma “associação de fiéis de caráter privado e universal de direito pontifício” e seus integrantes se dizem “consagrados na pobreza, castidade e obediência”.
Presente em 15 mil comunidades de 105 países e com um milhão de seguidores hoje, o movimento Neocatecumenal surgiu em Madri, nos anos 1960. Foi criado pelo pintor espanhol Francisco Argüello. Seu objetivo era ajudar paroquianos a buscar a evangelização numa época de sociedade “descristianizada”.
Outra corrente religiosa, a Congregação dos Legionários de Cristo, foi criada em 1941, na Cidade do México. Seu fundador, o padre mexicano Marcial Maciel, foi acusado de abusar sexualmente de seminaristas menores de idade. Após denúncias e visitas de uma comissão nomeada pelo papa Bento XVI, a organização sofreu uma intervenção da Santa Sé.
Em meio a esse emaranhado de grupos, visões e interesses distintos, os conflitos na Cúria Romana se avolumaram. Na busca pelo poder, cargos são disputados ferrenhamente.
Ao nomear representante de um grupo para um posto importante, o papa desagrada outros. Tensões ocorreram, por exemplo, a partir de indicações como a do italiano Ettore Gotti Tedeschi, ligado à Opus Dei, para o Instituto de Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano. Tedeschi assumiu em 2009 e foi demitido no ano passado, por má gestão.
Amigo do papa, Tedeschi teria sido vítima de um complô armado por conselheiros da instituição financeira para desmoralizá-lo. Por trás, estaria o cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, segundo documentos vazados no chamado escândalo VatiLeaks. O banco, conforme denúncias, recebia dinheiro de origem duvidosa.
A nomeação do próprio Bertone para a Secretaria de Estado teria gerado insatisfações. O motivo seria o fato de Bertone não vir da área diplomática, o que seria uma tradição na Cúria Romana nas indicações para tal cargo. Ex-secretário de Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, Bertone é salesiano.
Bento VXI também removeu do cargo de porta-voz do Vaticano o espanhol Joaquim Navarro Valls, um quadro da Opus Dei bastante próximo de João Paulo II. Valls ocupava a função havia 22 anos e foi substituído pelo padre jesuíta Federico Lombardi.
Outra atitude considerada incomum foi a remoção, em 2011, do cardeal Angelo Scola, então primaz de Veneza e detentor de vários cargos na Cúria Romana, para o posto de arcebispo de Milão.
Scola, do movimento Comunhão e Libertação, é apontado como um dos favoritos para a sucessão de Bento XVI. Sua ida para Milão pode ter sido um indicador, segundo vaticanistas, de que seja o nome preferido pelo papa para sucedê-lo. O papa também transferiu um bispo brasileiro, Filipo Santoro, de Petrópolis para uma diocese da Itália, a fim de que ele pudesse servir mais de perto ao movimento Comunhão e Libertação.
Ex-assessor da CNBB e estudioso dos assuntos do Vaticano, o padre Manoel Godoy, diretor-executivo do Instituto Santo Tomás de Aquino (de Belo Horizonte), alerta que o próximo papa deverá fazer mudanças profundas na Cúria Romana para não virar refém das atuais estruturas de poder. Segundo Godoy, cardeais eméritos que continuam na Santa Sé acabam formando grupos de conspiradores capazes de desestabilizar o papado. “Os cardeais aposentados ficam lá. Têm muito tempo para arquitetar planos e propostas e não deixam o papa governar”, constata.
Alguns desses cardeais, como os italianos Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, e Giovanni Batista Ré, o eslovaco Josef Tomko e o colombiano Dario Castrillón Hoios, seriam simpáticos a interesses defendidos pela Opus Dei.
Gilberto Nascimento
No Viomundo
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Ao alinhar "fracassos" petistas, Aécio se mira é nos erros do PSDB

Ao denominar de "13 fracassos petistas" o discurso com que saiu, ontem, em campanha ao Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) bem poderia chamá-lo, também, de "13 erros tucanos", já que seu pronunciamento não passa de um amontoado de equívocos em relação à realidade brasileira nestes 10 anos de governos federais petistas. É, ao mesmo tempo, miragem-confissão da maioria das falhas cometidas, de fato, pelos próprios tucanos nos oito anos em que estiveram no poder.
Tão fácil rebater ponto por ponto as colocações do senador que eu chego a ficar em dúvida se ele quis mesmo, com esse discurso, sair em campanha para o pleito do ano que vem. E, principalmente, rebater as comparações que temos feito entre governos tucanos e os nossos. O senador fala de um comprometimento do desenvolvimento, responsabilizando-nos por isso.
Aos fatos. Na era Lula o PIB cresceu em média o dobro da era FHC: 4,06% X 2.29%. Mesmo com o biênio 2011-2012, inicial do governo Dilma Rousseff, o país cresceu mais 3,6%. Mas, aqui, o indicador que interessa é o PIB per capita. Vejam, era R$ 8,4 mil na era tucana, saltou para R$ 19,5 mil na era Lula e com a presidenta Dilma já chega a R$ 21,2 mil.
Paralisia no país? Onde?
O senador insiste em ver uma paralisia no país. Esquece, de propósito como estavam as estradas, os portos, os aeroportos e as ferrovias em 2003 quando assumimos. Esquece que aumentamos em 50% a produção de energia do país e que tocamos o PAC. Apenas um dos nossos programas, como o Minha Casa Minha Vida, que já tem nada menos que 1 milhão de casas construídas e mais 1,3 milhão já contratadas. E esquece o pré-sal, as concessões e o que já reconstruímos em estradas e ferrovias, portos e aeroportos...
E essa história dele, de "tempo perdido, a indústria sucateada..."? A indústria foi sucateada na era FHC, quando era proibido falar em política industrial nacional e o câmbio era fixo: 1 dolar = 1 real. Talvez ele fale de "tempo perdido" porque os tucanos querem apagar essa época e agora esconder que o governo Dilma faz política industrial e defesa comercial, reduzindo os juros, realinhando o câmbio, desonerando impostos e energia e investindo como nunca em educação e inovação.
Hoje os bancos públicos são instituições financeiras de fomento da indústria, da agricultura, da infraestrutura e da inovação e não candidatos, eles próprios, à privatização, ou instrumentos desta privatização - ou da privataria, como foi denominado aquele processo comandado pelos governos tucanos. Hoje os investimentos públicos são o dobro da era FHC e as estatais retomaram os investimentos paralisados nos governos do PSDB.
Uma piada de Aécio
Já essa história do parlamentar-presidenciável mineiro de inflação em alta e que a estabilidade econômica está ameaçada só pode ser uma piada. Eles, sim, deixaram o país quebrado, com uma dívida pública dobrada; inflação em alta; desemprego nas alturas; dólar descontrolado; e um Brasil quase sem reservas externas. Elas eram de US$ 37 bi e hoje são US$ 378 bi - dez vezes maior.
Deixaram o Brasil endividado com o FMI e com uma dívida externa alta. Hoje o pais é credor do Fundo. Já eles foram duas vezes de pires na mão pedir socorro ao FMI e ao governo norte-americano, que salvaram FHC nas vésperas da reeleição em 1998. E ainda têm a coragem de falar em estabilidade!

Uma grande bobagem tucana

A acusação que nos fazem os adversários pela voz do senador Aécio Neves (PSDB-MG), de termos provocado perda da credibilidade do país, é outra grande bobagem tucana. O 1º governo FHC (1995-1998) foi um desastre fiscal e o 2º (1999-2002) fez um superávit médio de 1,5%. Foi o governo Lula que reduziu a proporção dívida pública/PIB e fez superávit de 3% para consertar a irresponsabilidade fiscal tucana.
Tivemos que pagar alto preço nos anos 2003-04 com uma política monetária e fiscal para reduzir a inflação herdada e a dívida pública que dobrou na era tucana, mesmo com um aumento de imposto de 7% do PIB patrocinado por eles. Agora, francamente, a gente lê, mas não dá para acreditar que o senador-presidenciável de Minas teve a coragem de falar em "destruição do patrimônio nacional, a derrocada da Petrobras e desmonte das estatais..."
É muita cara de pau! Eles quiseram privatizar a Petrobras e, com as privatizações, desmontaram o setor elétrico até levar o país a um apagão (2001) e a uma queda do PIB nunca vista. De propósito - só pode ser -, agora escondem que nos governos do PT aumentamos em 50% a produção de energia e que a Petrobras é um sucesso como empresa.
Fingem-se de mortos ao escamotear que o pré-sal (a maior conquista do país em termos de fronteira energética e tecnológica), com o nosso modelo regulatório que destinará para a educação, inovação e meio ambiente os recursos da renda do petróleo (antes apropriado pelas empresas e capital estrangeiro), é uma fonte de recursos para o desenvolvimento do país.
A questão da autossuficiência
O senador Aécio Neves incursionou, também, pela questão da autossuficiência e a implosão do etanol. Esquecido de que o pais é e será autossuficiente em petróleo e que o etanol - abandonado no governo FHC como, aliás, abandonaram, também, a Petrobras - continua sendo uma prioridade nacional. Ele simplesmente evita afirmar que a crise econômica global, esta sim, em 2008-09, levou o setor do agronegócio do açúcar e álcool a uma crise sem precedentes.
O principal candidato presidencial da oposição hoje falou, também, de ausência de planejamento e risco de apagão. Pois bem, tinha que ser honesto e dizer que os problemas na área de energia precisam ser explicados lembrando, também, a tentativa tucana de sabotar a iniciativa do governo Dilma Rousseff, apoiada pela indústria e pela maioria esmagadora do povo, de reduzir os custos das contas de luz.
E essa história do senador de desmantelamento da Federação e que os interesses do país estão subjugados a um projeto de poder? Errado. Outro equívoco. Foi no nosso governo que os Estados receberam investimentos como nunca da União. Nós acabamos com a guerra dos portos e agora com a guerra fiscal. E a reforma tributária, do ICMS, não avança pela oposição dos governos tucanos nos Estados.
Nós estamos solucionando a questão federativa
Como "desmantelamento da Federação" se estamos equacionando a questão do Fundo de Participação dos Estados e Municípios (FPE e FPM) e da divida dos Estados, que os tucanos ignoraram? Aumentamos o teto de endividamento dos Estados, tocamos os PAC I e II, autorizamos investimentos nas áreas de habitação, saneamento, transportes, segurança pública, saúde e educação. E estamos solucionando a questão dos royalties do petróleo.
Somos, nós do PT, um partido municipalista e pró-federação, exatamente o contrário dos tucanos, que impuseram aos Estados um ferrolho de ajuste fiscal e de privatizações. Aécio fala de insegurança pública e flagelo das drogas. Fala de corda em casa de enforcado. O Estado de São Paulo governado pelos tucanos há 20 anos não é nenhum exemplo de segurança pública. Tampouco Minas Gerais.
Ao contrário dos governos FHC, na era petista o governo federal reconheceu que a segurança pública não é uma atribuição apenas dos Estados, como está na Constituição, mas de todos, das três instâncias institucionais de poder - municípios, União e Estados. A ação integrada e solidária no Rio de Janeiro - e que São Paulo e Minas não aceitaram - é um exemplo vivo e bem sucedido da cooperação e integração do governo federal e estadual na questão da segurança pública.

O presidenciável mineiro esquece que eles extinguiram a CPMF

Ao falar da tribuna do Senado, ontem, em saúde e educação o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez autopropaganda enganosa. Os tucanos foram contra a redução da conta de energia, o Bolsa Família, o ProUni, a política de cotas raciais e sociais no ensino superior e contra a expansão das universidades. Esquecem de propósito - eles e o senador Aécio principalmente - o piso nacional dos professores (que seus governos e o DEM contestaram no STF).
Esquecem, também, o Fundo para o Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB); a extraordinária criação do PRONATEC; a construção de quase 250 escolas técnicas; a expansão das matrículas no ensino superior; e a criação de novas universidades - as existentes foram sucateadas e abandonadas na era FHC.
Agora rejeitam e não acreditam nos programas de saúde do governo; nos de construção de creches; de unidades básicas de saúde (UBS); na farmácia popular; no SAMU - Serviço de Atendimento Médico de Urgência; nos programas de defesa da saúde da mulher; na expansão, como nunca, do programa médico da família; e na consolidação dos programas de combate à AIDS e da indústria de genéricos.
Justo eles, que tiraram da saúde os recursos da CPMF (R$ 40 bi no ano em que a extinguiram, 2007) na promoção de uma fraude que só favoreceu a sonegação fiscal e a uma minoria da população, a de alta renda que pagava a contribuição. Tiraram bilhões da saúde a partir daquele ano sem indicar uma nova fonte de recursos.
Aécio governou por leis delegadas, um sistema da ditadura
Pela voz do senador mineiro, os tucanos acusam o governo de mau exemplo, estímulo à intolerância e ao autoritarismo, de tornar o Congresso homologador de medidas provisórias (MPs), de limitarmos a criação de CPIs... Por falar em MPs, Aécio Neves governou Minas oito anos com leis delegadas (como na ditadura), enquanto em nosso governo as MPs foram regulamentadas segundo proposta da oposição.
Já quanto à liberdade de imprensa, disso o senador e ex-governador de Minas entende. Tanto que lá nas Minas Gerais a imprensa toda o apoia com a farta publicidade oficial que a alimenta. Realmente o cinismo do tucano falante não tem limites! Já sobre ódio e intolerância, dos quais ele também falou, somos as vítimas e os tucanos e sua mídia, os carrascos.
Basta ver como tratam o PT e nosso governos. A indignação e os protestos do parlamentar mineiro, jogo de cena, não escondem a realidade de que em Minas e em São Paulo as Assembleias Legislativas são dominadas pelos governadores tucanos e o rolo compressor palaciano garante suas maiorias em legislativos que não fiscalizam e nem têm CPIs.
O momento em que o senador mineiro se superou
E o senador das Minas Gerais conclui sua fala com a acusação de que o governo defende maus feitos e tem complacência com os desvios éticos. Aqui Aécio decididamente se supera. Eu não vi nenhum combate à corrupção nos oito anos em que ele governou Minas, e nem nos oito anos de FHC.
Foi no governo Lula e a partir daí que o Brasil construiu instituições para fiscalização, transparência e controle do poder público. Aliás, na era tucana o procurador-geral da República era chamado de engavetador-geral e a corrupção não era combatida. Era simplesmente negada. Isso sem falar que os tucanos continuam a se opor à reforma política...
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Mineiros se encontram

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Lula fala sobre os 10 anos de governo petista

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O general americano que queria derrubar Fidel a qualquer preço

A Operação Northwoods se baseava numa série de atentados terroristas que seriam atribuídos a Cuba.
O general entre Jack e Bob Kennedy
“Heroi de guerra”, “hábil diplomata”, “mestre em planejamento”.
Estes foram alguns dos elogios feitos pelo jornal New York Times em 1988 no obituário que dedicou ao general de quatro estrelas Lyman Lemnitzer, morto aos 89 anos.
Mas há um outro lado de Lemnitizer bem menos admirável.
Lemnitzer foi chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, o posto mais poderoso da hierarquia militar americana. Ele estava neste cargo quando Kennedy assumiu a presidência, em 1961.
Lemnitizer desprezava Kennedy. Achava-o um fraco, uma presa fácil para os soviéticos na Guerra Fria. Ele o comparava a Neville Chamberlain, o premiê britânico que fracassou ao lidar com Hitler e acabou trocado por Churchill.
Lemnitizer temia que o comunismo triunfasse nos Estados Unidos. Para ele, programas sociais advogados por Kennedy eram passos perigosos rumo à socialização da economia. (É mais ou menos o que pensa Mitt Romney.)
Cuba, sob a órbita soviética, era uma ameaça enorme para o general.
Então ele planejou uma ação que só se tornaria conhecida 40 anos depois, quando documentos secretos foram liberados.
Era a Operação Northwoods. Declarar guerra a Cuba era complicado interna e externamente. A invasão da Hungria pelos soviéticos, em 1956, estava fresca na memória do mundo. “Não podemos fazer de Cuba a nossa Hungria”, afirmava Kennedy.
Lemnitzer tinha uma saída. Com seus homens do Estado Maior, ele planejou um golpe perfeito. Os Estados Unidos realizariam uma série de atentados terroristas e os atribuiriam ao regime de Fidel Castro.
A base militar americana de Guantánamo seria atacada. Cubanos anticomunistas seriam mortos nos Estados Unidos. Um avião seria sequestrado e derrubado. Americanos morreriam, e assim estariam criadas as condições para uma guerra contra Cuba.
A opinião pública dos Estados Unidos clamaria por retaliação. E ficaria claro para o mundo que não se tratava de uma repetição da tragédia da Hungria.
Tudo isso é tema de um fascinante livro chamado Body of Secrets, Corpo de Segredos, do jornalista americano James Bamford. Foi Bamford quem descobriu os documentos nos arquivos dos serviços de inteligência americanos.
Não se sabe se o plano do general chegou até Kennedy. O que é certo é que ele foi passado para o secretário da defesa de Kennedy. O projeto foi, enfim, recusado. Ainda na gestão de Kennedy Lemnitzer foi afastado de sua posição. Pouco depois, ele assumiria o comando militar da Otan na Europa.
A descoberta do plano, quatro décadas depois de ser abortado, acabaria atiçando a imaginação dos adeptos da teoria conspiratória segundo a qual o 11 de Setembro foi tramado pelos próprios Estados Unidos.
Pessoalmente, entendo ser uma tolice essa teoria.
Mas Lemnitizer, o “heroi de guerra” saudado pelo NY Times, acabaria passando para a história como um símbolo do jeito americano de ver o mundo e cuidar de seus interesses.
Paulo Moreira Leite
No Diário do Centro do Mundo 
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Ecuador: Rafael Correa propone democratizar acceso a medios

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Paulo Moreira: com “mensalão”, orquestraram um golpe contra Lula

“O julgamento do ‘mensalão’ transcende. Implica em dar um golpe em um movimento histórico do povo brasileiro, que produziu líderes, que produziu expressões”, defendeu o jornalista Paulo Moreira Leite ao falar sobre a Ação Penal 470, apelidada pela imprensa de “mensalão”, na noite desta quarta-feira (19), em São Paulo.
Lançamento livro
Paulo Moreira Leite, concede entrevista coletiva a blogueiros,
sobre seu livro "A outra história do Mensalão"
Durante o lançamento do seu livro A outra história do Mensalão – As contradições de um julgamento político, o jornalista, que foi diretor da Época e redator-chefe da Veja, versou sobre as incômodas verdades do processo, a necessidade de democratizar a mídia e suas motivações pessoais para a prática do jornalismo.
O lançamento foi realizado com uma coletiva de imprensa para blogueiros, promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em parceria com a TV dos Trabalhadores (TVT) e a Editora Geração, com transmissão ao vivo pela internet. Geração Editorial também publicou o best-seller A Privataria Tucana.
Acompanhe os melhores momentos da coletiva:
Condenações sem provas
Eu resolvi fazer o livro depois que vi que terminou o julgamento e havia uma insatisfação muito grande com a falta de informações. Vi que na medida em que eu fazia os artigos no site da Época, eu tinha uma resposta muito grande. Descobri as verdades incômodas deste julgamento quando fiz um trabalho sério como repórter, falei com pessoas, que tinham investigado a denúncia do Ministério Público e da própria Polícia Federal. Então percebi que o que foi apresentado não é o que foi concluído tecnicamente.
O caso básico é o dos empréstimos do Banco Rural ao PT. A denúncia é que eram uma fraude, que não existiam. Esta questão é base para condenar gente do Banco Rural e também o José Genuíno. Para a minha surpresa, a Polícia Federal viu que os empréstimos foram assinados, caíram na conta e depois foram usados para saldar dívidas reais do PT. A justiça condicionou como esses empréstimos seriam pagos e eles finalmente foram pagos. Os empréstimos são reais, não são fraudulentos.
Criminalização da atividade política
O discurso que vem sendo utilizado é de criminalização da prática política. Não se debate que as eleições são disputadas de forma democrática e que nossa democracia precisa ser aperfeiçoada e nunca dispensou o Caixa 2, por exemplo.
O próximo passo agora seguramente é incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Temos pessoas que foram condenadas a mais de 40 anos – mais que a Suzana Von Richthofen, que matou o pai e a mãe em 2002 – então abriu-se uma situação que não sabemos até onde vai. Eu acho que os precedentes que este julgamento abriu são preocupantes. Temo que este precedente comece a ser utilizado para criminalizar os trabalhadores.
O que achei ainda mais preocupante foi o fato de o Supremo ter deliberado sobre o mandato dos deputados condenados. A Constituição é clara e reserva para a Câmara a deliberação sobre o mandato dos deputados e para o Senado o de senador. Isso me parece uma coisa que afeta a divisão de poderes, pode ter uma consequência política muito grande, porque temos um órgão que não é eleito pelo povo, um poder cuja fonte de poder não está no voto popular e toma medidas sobre a decisão do povo. Isso para mim é muito sério.
Articulação de um golpe
Acho que estamos assistindo a uma situação na qual é preciso entender que aquelas pessoas que foram derrotadas em 2002, 2006, 2010 e 2012, chegaram a um ponto em que elas consideram insuportável. Então estão irritadas, com ódio, estão procurando de todas as maneiras derrotar todo este processo. E são adversários que desaprenderam a ganhar pela via democrática. Eles sequer têm candidato a presidente para 2014.
Então acho que estão tentando criar um clima… Aquilo que essa burguesia educada brasileira aceitava, já não aceita mais. Mesmo as concessões que Lula fez, modestíssimas muitas delas, se tornaram insuportáveis. Isso cria um ambiente em que tudo é motivo para o achincalhe, para a desmoralização. Tem colunistas que leio que parecem Mussolini tamanho o ódio, tamanha a raiva. Estas pessoas não estão lidando com parceiros, não estão aprendendo a lidar com a democracia. Estamos vivendo uma situação em que tem parte das forças de oposição ao governo que não estão lidando com o jogo democrático, o que supõe ter que aceitar uma derrota. Acho realmente isso preocupante, mas não acho que estejamos na iminência de um golpe, justamente porque há muito apoio popular e a memória do povo está forte.
Reforma judicial
Não acho que seja possível uma reforma judicial nos moldes que alguns países da América Latina estão realizando. Para mim, este debate é igual à questão do terceiro mandato de Lula. Depois desta derrota [para os setores governistas, com o caso do “mensalão”], não dá para propor isso.
O erro o PT
A partida não está perdida, como ficou demonstrado na eleição de 2012, quando em pleno julgamento, quando foi votada a condenação de Dirceu e Genuíno, Lula carregou a vitória nas costas de modo inesquecível. Mas vamos pensar: no momento em que houve a denúncia do “mensalão”, ela teve mais credibilidade porque muitas pessoas falaram em refundar o PT, falaram que não reconheciam aquele partido… Não quero criminalizar ninguém, mas muita gente não estava entendendo o que estava acontecendo e não recebeu explicação suficiente na hora certa. Lula ganhou esta questão na política quando em 2006 houve a tentativa de emparedá-lo. Mas quando veio o debate jurídico, muitas pessoas estavam desarmadas.
Mensalão mineiro X petista
O que está em questão neste debate entre as diferenças entre os dois julgamentos é que ninguém acha que o Eduardo Azeredo é um lutador do povo brasileiro semelhante a Genuíno e Dirceu. Ele não tem esta ligação com a história. O que está em discussão aqui transcende um pouco. Implica em dar um golpe em um movimento histórico do povo brasileiro, que produziu líderes, que produziu expressões. E que não por acaso foram pessoas perseguidas pela ditadura, foram pessoas torturadas, que foram reprimidas, que tiveram seus direitos desrespeitados antes e depois da democracia. Porque estamos falando de pessoas que realmente têm uma ligação com a história. Por isso este ato que não terá reparação.
Estão cometendo uma grande injustiça e que terá consequências. O PSDB quer tirar o Azeredo do partido para não atrapalhar eleitoralmente. Enquanto que o debate aqui envolve a história do Brasil. O mesmo Tribunal que não quis julgar a tortura sofrida por Genuíno, depois o condena. Na boa: politicamente será que isso não quer dizer nada?
Posicionamento da mídia
A mídia expressa outra força. Tem interesses de classe, de manutenção de uma ordem. Por isso, o outro lado da sociedade tem que ter uma mídia, é preciso democratizar a comunicação. Ela tem que ter seu veículo próprio, que expresse seu ponto de vista, organize seus eleitores. Se aplicassemos o que a Constituição diz, acho que bastaria para regulamentar a comunicação. Mas é um péssimo momento para fazer isso na medida em que economicamente as empresas de mídia estão afundando.
A prática jornalística
Eu nunca quis ser jornalista para ficar rico. Sabe aquela coisa: vamos ser jornalista para ajudar o mundo a ficar melhor, que tudo mundo acha bobo? Eu não acho. Acho legal, acho bacana.
Eu não tenho medo das consequências da denúncia que estou fazendo. Estou conquistando uma coisa chamada liberdade e isso não tem preço. Fiz este livro e isso é bacana. Para quê eu queria ser jornalista? Porque eu achava bacana.
Serviço:
A outra história do Mensalão – As contradições de um julgamento político
Autor: Paulo Moreira Leite
Categoria: Reportagem
Formato: 16×23
Páginas: 352
ISBN: 9788581301518
R$ 34,90
Editora: Geração
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Livres e proibidos

De repente, há tanto o que celebrar entre os fatos marginalizados pela renúncia do papa, que só mesmo a conveniente bajulação ao Judiciário sugere por onde começar. É pela original proteção criada, para quem tenha ou venha a ter questões na Justiça, contra a influência de empresas e pessoas endinheiradas sobre as decisões de juízes.
Parte do Conselho Nacional de Justiça pretendeu proibir as comuns doações de dinheiro, passagens, hospedagens e brindes para congressos, outros eventos e turismo de magistrados. Não conseguiu. Mas os satisfeitos com a liberalidade fizeram uma concessão parcial e permitiram a adoção da proposta feita pelo presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa: os magistrados e seus eventos podem receber 30% do custo total.
Ou seja, empresas e endinheirados agora só podem influir 30% nas decisões dos magistrados influenciáveis. Ou também: 70% da ética dos magistrados estará protegida pela proibição, e 30% liberados para o quer e vier. Sobretudo o que der.
Por falar em Judiciário, os irmãos Cristian e Daniel Cravinhos, matadores do casal Richthofen, tiveram a esperteza de não encarar a bandidagem nem os agentes penitenciários onde estiveram presos. Assim cumpriram um sexto da pena de 38 anos. E em razão daquele "bom comportamento" estão livres, com a obrigação apenas de dormir em abrigo judiciário. É a Justiça que se faz mais uma vez, como um ato de celebração da igualdade de valores. Se as vidas de Marísia e Manfred von Richthofen valiam só três anos cada, conforme o estabelecido pelo Código Penal, celebremos nós outros o fato de estarmos vivos ainda, sendo nossas vidas brasileiras tão democraticamente baratas, sem distinção.
Código Penal, bem entendido, é nome fantasia. O nome verdadeiro, inusual como é próprio dos apelidos, é Código de Incentivo à Criminalidade. Elaborado pelo sentido de responsabilidade do Legislativo e praticado pelo sentido de justiça do Judiciário.
E quem no PT, PSOL, PSTU & cia. tiver um mínimo de lucidez, deixará de ser útil ao projeto que traz a também militante Yoani Sánchez, com as cenas estúpidas que a notabilizam. E a celebrará, recepcionando-a com faixas, por exemplo, de "Viva Yoani, símbolo da liberdade cubana de viajar", ou "símbolo da liberdade de criticar seu país no exterior". É, sem ser, o que é. Mas não pode parecer.
Janio de Freitas
No fAlha
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Chávez continúa con insuficiencia respiratoria


El tratamiento médico al que se somete el presidente de Venezuela, Hugo Chávez, para acabar con las células cancerígenas detectadas en diciembre pasado, continúa sin presentar efectos adversos, sin embargo, aún persiste la insuficiencia respiratoria que fue diagnosticada en La Habana.
“La insuficiencia respiratoria surgida en el curso del postoperatorio persiste y su tendencia no ha sido favorable, por lo que continúa siendo tratada", informó el ministro de Comunicación venezolano, Ernesto Villegas, al leer un nuevo comunicado sobre la salud del mandatario.
En cadena nacional, el titular detalló que pese a la complicación, "el tratamiento médico para la enfermedad de base continúa sin presentar efectos adversos significativos hasta el momento".
Resaltó que Chávez, quien se encuentra en el Hospital Militar de Caracas, se mantiene en comunicación y estrecha colaboración con su equipo de gobierno y agradece al pueblo venezolano por su muestras de apoyo.
"El Presidente se mantiene aferrado a Cristo, con máxima voluntad de vida y con la mayor disciplina en el tratamiento de su salud", dice el texto.
Villegas, en nombre del Gobierno, fustigó los gestos irrespetuosos realizados contra el Presidente por parte de la derecha venezolana.
"La sublime actitud (del pueblo) contrasta notablemente con la inhumanidad de los gestos y expresiones irrespetuosas de parte de la derecha hacia el líder revolucionario", criticó.
El presidente de Venezuela arribó en horas de la madrugada del pasado lunes a Caracas procedente de la La Habana, donde se recuperaba de una compleja intervención quirúrgica realizada el pasado 11 de diciembre, tras la reincidencia de células malignas en la zona pélvica, área donde le fue detectada una lesión cancerígena en el año 2011.
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Em fevereiro, IPCA-15 varia 0,68%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) teve variação de 0,68%, em fevereiro e ficou abaixo da taxa de 0,88% de janeiro. Para os dois primeiros meses do ano, a variação situou-se em 1,57%. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 ficou em 6,18%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (6,02%). Em fevereiro de 2012, a taxa havia sido de 0,53%.
Os dados completos do IPCA-15 podem ser acessados na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/ipca15/defaultipca15.shtm.
Destacam-se, no mês, as contas de energia elétrica, que ficaram 13,45% mais baratas, refletindo parte da redução de 18% no valor das tarifas em vigor a partir de 24 de janeiro. Em função disso, o item energia elétrica, cuja ponderação no índice é de 3,32%, exerceu o mais significativo impacto para baixo no IPCA-15 de fevereiro, com –0,45 ponto percentual.
Desta forma, mesmo com expressivos aumentos nos valores do aluguel (2,26%) e do condomínio (1,33%), as despesas com habitação diminuíram 2,17% em fevereiro, constituindo o grupo de menor resultado no mês, conforme a tabela a seguir.
Pelo lado das altas, o destaque ficou com o grupo educação, com 5,49%, que apresentou a maior variação, contribuindo com 0,24 ponto percentual no índice. Esse resultado reflete os reajustes praticados no início do ano letivo, especialmente os aumentos nas mensalidades dos cursos regulares, que subiram 6,92% e constituíram-se no item de maior impacto individual no mês, com 0,19 ponto percentual. À exceção de Fortaleza, que não apresentou aumento em virtude da diferença da data de reajuste, nas demais regiões os cursos situaram-se entre os 4,27% registrados na região metropolitana de Porto Alegre e os 9,28% de Belo Horizonte. Nas mensalidades dos cursos diversos (idioma, informática, etc.) a variação foi de 5,62%.
No entanto, entre os grupos, alimentação e bebidas exerceu o maior impacto no índice do mês, com 0,42 ponto percentual em função da alta de 1,74%. Sob influência de problemas climáticos, além de outros fatores, algumas lavouras foram prejudicadas e a diminuição da oferta provocou forte aumento de preços. Foi o caso do tomate (31,90%), farinha de mandioca (19,04%), cebola (15,92%), cenoura (15,36%), hortaliças (11,45%) e batata inglesa (11,00%).
Entre os itens não alimentícios, agrupamento que teve variação de 0,35% em fevereiro, ressaltam-se a gasolina e os cigarros. Com reajuste de 6,60% no preço do litro nas distribuidoras a partir do dia 30 de janeiro, o item gasolina, refletindo parte do aumento ao consumidor, apresentou variação de 1,96% no índice do mês. No item cigarros, a alta foi de 5,70%, por causa do aumento da incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI nos preços finais ao consumidor.
Além disso, outros itens também mostraram aumentos significativos no IPCA-15 do mês, a exemplo dos artigos de higiene pessoal (1,71%), eletrodomésticos (1,58%), empregado doméstico (1,12%) e automóvel novo (0,90%).
Dentre os índices regionais, o maior foi registrado em Recife (1,09%), em razão, da alta de 2,87% nos preços dos alimentos. O menor foi o índice do Rio de Janeiro (0,26%).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de janeiro a 14 de fevereiro e comparados com aqueles vigentes de 12 de dezembro a 15 de janeiro. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA; a diferença está no período de coleta dos preços.
No IBGE
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Dilma discursa na abertura da 3ª Cúpula América do Sul - África, em Malabo

Dilma Rousseff está em Malabo, na Guiné Equatorial, na manhã desta sexta-feira (22), para participar da 3ª Cúpula América do Sul - África. Dilma discursa na abertura do encontro de Chefes de Estado e de Governo e o evento é uma oportunidade para as duas regiões reforçarem a parceria estratégica. A Cúpula atua em diversas áreas, entre elas: paz e segurança, comércio e investimento, desenvolvimento de infraestrutura, ciência e tecnologia.

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Charge online - Bessinha - # 1702

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Brinquedo de corda

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Folha X Falha: Tribunal de Justiça concorda com a empresa e coloca propriedade acima da liberdade

Advogada da Folha defende o jornal no plenário do TJ-SP (foto: Fora do Eixo)
Advogada da Folha defende o jornal no plenário do TJ-SP (foto: Fora do Eixo)
“A discussão que se trava aqui não é sobre direito de livre expressão ou critica. A ação tem um viés patrimonial e é assim que deve ser julgada”. A frase do relator do julgamento de ontem, o desembargador João Francisco Moreira Viegas, dá bem o tom do que foi a decisão tomada no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta quarta-feira (20 de fevereiro), quando, em 2ª instância, ficou confirmado que o blog fAlha de S. Paulo deve continuar fora do ar. O juiz revisor do caso, Edson Luiz de Queiroz, endossou a interpretação de Moreira Viegas: “Não há discussão sobre liberdade. A questão é de natureza marcária, e o registro da marca Folha de S. Paulo está no Instituto Nacional de Propridade”. E finalizou: “a questão vital é: houve violação de uma marca. Então acompanho o voto do relator e tomo a liberdade de parabenizá-lo”.
Mário e Lino Bocchini, criadores da Falha, na porta do Tribunal (foto: Jennifer Glass)
Mário e Lino Bocchini, criadores
da Falha, na porta do Tribunal
(foto: Jennifer Glass)
A sustentação oral da Folha não foi feita por sua principal advogada, Taís Gasparian, que assina o processo que tirou a fAlha do ar. Coube a advogada Mônica Galvão ser a primeira pessoa ligada à Folha a, em mais de 2 anos após a censura da Falha, verbalizar a posição da empresa: “Quem vê o blog, claramente percebe a possibilidade de confusão. Tinha só a alteração de uma letra. A marca tem valor econômico, e há um ordenamento jurídico que garante de maneira ampla que seu uso seja feito exclusivamente pelo seu titular. Não se pode admitir nome de domínio com tamanha similitude, com expressa intenção de confundir. Existe uma apropriação do uso de marca, o que é inadmissível: a paródia em questão se trata de uma imitação”.
De nada adiantou o defensor da Falha, o advogado Luis Borrelli Neto, defender que, fosse essa a interpretação, “nomes como UOL, Bol e AOL, por exemplo, jamais poderiam conviver na internet”. Também não adiantou lembrar que o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, já havia afirmado que “nem mesmo um tolo apressado seria levado a crer que trata-se de um blog ligado ao jornal”. Também não foram dado ouvidos ao argumento de que programas de TV e tantos outros sites, jornais e revistas fizeram ou fazem o mesmo, no Brasil e no exterior, sem problemas. Borrelli Neto ainda lembrou que “a paródia não está apenas no conteúdo, mas também no domínio. Subtrarir do apelante o direito de utilizar o domínio significa atentar contra a liberdade de expressão ou, pelo menos, enfraquecer a paródia”. Vale lembrar que a Falha não tinha sequer banner publicitário ou fim comercial, o que também enfraquece – ou derruba – o argumento de “concorrência parasitária” utilizado diversas vezes pelo jornal.
Tampouco sensibilizou os desembargadores do TJ-SP toda discussão pública travada desde o primeiro dia de vigência da liminar, colocando como central a questão da liberdade de expressão, ponto defendido pela blogosfera nacional e entidades como a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), a Repórteres sem Fronteiras ou a relatoria especial da ONU para a Liberdade de Expressão. Não foi levado em consideração o apoio à Falha explicitado por 15 deputados federais de diferentes partidos em audiência pública no Congresso. Muito menos a opinião da mídia internacional ou de personalidades como Marcelo Tas, Rafinha Bastos, Gilberto Gil e até Julian Assange, que se manifestou publicamente contra a ação da Folha. Tudo isso foi deixado de lado em nome de uma alegada defesa da propriedade.
Manifestatnte faz performance na porta do tribunal (foto: Bruno Torturra)
Performance na porta do tribunal
(foto: Bruno Torturra)
E, sendo assim, ontem cedo ficou determinado que a Falha segue censurada. Pelo entendimento da Folha e dos desembargadores, está proibido o uso do endereço da internet falhadespaulo.com.br, do logotipo da Falha e a reprodução parcial de reportagens –mesmo que a finalidade original fosse a crítica. Mais: paira sobre o restante do conteúdo produzido uma ameaça um tanto subjetiva, a condenação do “uso indevido da marca”, com todas as nuances de interpretação que uma expressão vaga dessa carrega. O pior de tudo, conforme os advogados da Falha têm alertado, é a jurisprudência que foi aberta ontem pelo Tribunal de Justiça. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, não havia casos similares que pudessem basear a decisão. Nunca antes um grande veículo havia ido à Justiça para tirar um site do ar. Agora a jurisprudência existe, o precendente está aberto: pessoas e empresas interesadas em banir alguma página da internet acabam de ganhar uma arma poderosa.
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Íntegra do julgamento no TJ (transmissão da #posTV):
No Desculpe a nossa fAlha
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Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - VI

Opus Dei nas finanças do Governo e com força na banca
O passaporte de Lúcia e as desconfianças da PIDE
Fundador da obra tinha um plano expansionista e queria começar por abrir uma delegação na França, mas intervenção da irmã Lúcia fez que Portugal fosse o primeiro país, a seguir à Espanha, a contar com a presença do Opus Dei. O Estado Novo e o próprio patriarca desconfiaram da obra, que a PIDE nunca deixou de seguir de perto.
O fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer, saiu de Madrid num dia de inverno com um objetivo: "conquistar" Portugal, fundando a obra no País. Mas havia um problema: não tinha passaporte que lhe permitisse passar a fronteira. Contou, no entanto, com a ajuda de uma amiga: a pastorinha Lúcia. Foi a 29 de janeiro de 1945 (há 68 anos) que Josemaría conseguiu chegar à fala com Lúcia, e a empatia foi imediata, tendo a vidente de Fátima pedido ao beato espanhol para fundar a obra em Portugal. Para isso era preciso entrar no País e ter o aval do cardeal Cerejeira, nada que Lúcia não conseguisse.
Com um simples telefonema, a vidente de Fátima - que tinha influência junto das mais altas figuras do regime - conseguiu, em tempo recorde, um visto para Josemaría. E se até este ponto da história as várias conversas com membros do Opus Dei e os factos relatados na principal bibliografia sobre a obra são unânimes, quanto ao destinatário do telefonema de Lúcia já não há consenso.
Há quem defenda que a chamada terá sido feita diretamente ao presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que permitiu que o fundador da obra entrasse no País. Certo, certo é que sete dias depois de ter chegado à Galiza, Balaguer já estava em Fátima.
A irmã Lúcia chegou a confirmar parte da história ao bispo de Leiria e sacerdote do Opus Dei, Cosme do Amaral, a quem disse sobre Balaguer: "Conheci-o em Tuy. Vinha com ele D. Álvaro del Portillo [segundo líder do Opus Dei]. Pedi-lhe para fundar a obra. Mas ele não tinha passaporte e eu consegui fazer um jeitinho para que tudo se resolvesse e pudesse vir a Fátima."
O próprio fundador da obra viria a reconhecer mais tarde, numa carta enviada ao mesmo bispo, que "foi a irmã Lúcia o instrumento do Senhor que nos abriu as portas de Portugal". A 6 de fevereiro de 1945, Josemaría até se deixou fotografar com a mãe de Francisco e Jacinta, junto à casa onde nasceram os pastorinhos (foto 3). No dia seguinte, foi dado o passo mais importante para o início da obra em Portugal: o aval do cardeal Cerejeira, que mais tarde sentiria a sua liderança ameaçada pela obra.
Hugo de Azevedo, sacerdote do Opus Dei e maior especialista da história da obra no País, explica ao DN que "o primeiro passo previsto [para a expansão da obra] era a França. Sem a intervenção da irmã Lúcia, não seria tão rápida a extensão ao nosso país." Hugo de Azevedo salienta que a fundação em Portugal foi vantajosa para a obra, numa altura em que era "importante que se tornasse visível o seu carácter universal quanto antes, e Portugal foi o primeiro país, depois da Espanha, a dar-lhe essa visibilidade."
Depois da diplomacia, havia que começar a implementar a obra no terreno. O espanhol Francisco Martínez ficou encarregado de o fazer e assentou arraiais em Coimbra, em 1946. Começou por ficar hospedado no Hotel Avenida e em pouco tempo conseguiu alugar aquele que seria o primeiro edifício do Opus em Portugal (hoje nas mãos de uma cooperativa), numa rua a menos de dez minutos da Praça da República. É nesta pequena residência que começa a morar o primeiro numerário português da obra: o filósofo Mário Pacheco. Seguem-se o médico Óscar Candeias e os padres Nuno Girão e o padre Hugo de Azevedo.
As primeiras mulheres portuguesas da obra acabariam por sair do círculo familiar destes membros, nos quais se destaca a irmã de Nuno Girão: Maria do Céu - já falecida, mãe do antigo deputado do PS Manuel Maria Carrilho.
Pouco tempo depois, a prelatura começou a instalar-se na capital, na zona da Estefânia, onde funcionou uma residência de estudantes e, mais tarde, a sede da obra em Portugal (que atualmente é no Lumiar). É também nesta zona de Lisboa que a obra abre uma editora, a Aster, que inicia publicações culturais, como a revista Rumo, onde colaboram os numerários Mota Amaral, Adelino Amaro da Costa e Oliveira Dias (ver topo da página). Além de Lamego e da Régua, em 1962, já a obra chegara ao Minho, havendo centros da prelatura em Braga.
PIDE preocupada informa Salazar
De acordo com o livro Salazar e a Conspiração do Opus Dei, de António José Vilela e Pedro Ramos Brandão, foram vários os escritos que os agentes da PIDE dedicaram ao Opus Dei. Desde correspondência apreendida até constantes relatórios de vigilância, passando por descrições pormenorizadas de membros da obra (incluindo, naturalmente, a ideologia política), foram várias as preocupações da polícia política com a prelatura. O livro Caminho, a "bíblia" do Opus, conheceu a sua primeira versão portuguesa em 1946, sendo que, posteriormente, várias edições foram apreendidas pela PIDE.
Os ministros de Salazar Leite Pinto e Vieira Barbosa chegaram também a ser vigiados pela PIDE, que desconfiava da pertença destes políticos ao Opus Dei. A polícia política terá também enviado uma nota a Salazar dizendo: "Presume-se que o professor Marcello Caetano seja um dos filiados." O que nunca se confirmou.
Antes disso, Salazar também já havia sido informado - no documento "As Atividades do Opus Dei em Portugal" - que, através do Banco do Atlântico, o Opus Dei espanhol fizera entrar 18 milhões de pesetas (6,1 milhões de euros nos dias de hoje) no País para financiar a obra em Portugal.
Cerca de um mês antes do 25 de Abril, a desconfiança da PIDE leva mesmo um inspetor a escrever num relatório: "Todo aquele que tiver qualidades é levado aos postos mais altos da sua classe, mas, ali colocados, ficam com a missão de protegerem a organização, sendo possível contar já alguns ministros e outras altas patentes, colocadas nos postos de comando por aquela organização", conta o mesmo livro, que, juntamente com Primeiras Viagens de S. Josemaría a Portugal, de Hugo de Azevedo, e Opus Dei em Portugal, de José Freire Antunes, reconstituem a história da obra em Portugal.
Já depois de instituída a democracia, o Opus Dei continuou a crescer e na década de 80 contava já com 2000 membros em Portugal. Desde então tem conseguido manter a dimensão, embora nos dias de hoje se contem apenas 1550 membros (números de fevereiro de 2012).
Atualmente, existem vários centros espalhados pelo País, desde Braga, Porto, Miramar (junto a Vila Nova de Gaia), Viseu, Coimbra, Lisboa, Montemor-o-Novo e até Ponta Delgada, nos Açores.
Rui Pedro Antunes
No Diário de Notícias
Veja também: Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - I - II - III - IV - V
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