18 de fev de 2013

Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - III

Património de 50 milhões nas mãos do Opus Dei
Património de 50 milhões nas mãos do Opus Dei
Bens ultrapassam os 50 milhões de euros, impulsionados pelos quase 42 milhões da Fundação Maria Antónia Barreiro. Um hotel, uma escola superior, dezenas de imóveis, uma financeira e até uma escola de futebol fazem parte das estruturas controladas pela obra, através dos seus membros, embora legalmente não exista qualquer ligação.
O registo comercial é claro: o Opus Dei em Portugal só é dono de três jazigos. Porém, as ações da obra ocorrem num património muito mais vasto, controlado por membros da organização e superior a 50 milhões de euros. Colégios, prédios devolutos, terrenos, um hotel, uma escola superior e até uma sociedade de capital de risco fazem parte do universo patrimonial do Opus Dei.
No registo comercial não há qualquer fração deste património em nome do Opus Dei, mas os administradores confirmam a ligação à obra, que, aliás, foi assumida ao DN pela própria cúria do Opus Dei em Portugal. Os imóveis que servem de suporte à obra são propriedade de cooperativas, de associações e da Fundação Maria Antónia Barreiro, que detém os principais equipamentos. Juntando as dezenas de estruturas, prédios e palacetes de associações e cooperativas ao património declarado às Finanças pela fundação, o valor ultrapassa facilmente os 50 milhões de euros.
O facto de o património da obra estar disperso já levou a acusações públicas de tentativa de ocultação de riqueza. O líder do Opus Dei em Portugal, José Rafael Espírito Santo, garante que "ninguém nega" que estas atividades estão ligadas ao Opus Dei e que este tipo de modelo "é uma questão de princípio, não de estratégia" (ver entrevista nas págs. 34 e 35). Assume, portanto, que este património milionário é gerido por membros da obra , sendo, simultaneamente, o suporte material do Opus Dei.
A organização admitiu ao DN que, apesar de legalmente não haver ligação, "a nomeação de dirigentes para estas instituições conta habitualmente com o parecer da cúria do Opus Dei", não sendo, porém, "vinculativo". Mesmo sem esse parecer, o Opus Dei está presente na direção das mesmas, sendo a esmagadora maioria dos administradores membros da obra. É o caso da Fundação Maria Antónia Barreiro.
Fundação avaliada em 41,8 milhões
Só o património da fundação, de acordo com dados do Governo português, está avaliado em 41,85 milhões de euros, o que significa um acréscimo de quase 1200% do património desde que a instituição foi criada, há 27 anos. A entidade tem três administradores, todos membros do Opus Dei, sendo que dois deles são vitalícios: José Afonso Gil (o presidente) e José Alves Mendes. O terceiro é Jon Velasco (o número dois do Opus em Portugal), indicado por uma entidade também da órbita do Opus Dei: a Sociedade Lusitana de Cultura.
Ao DN, o presidente, José Afonso Gil, explicou que a fundação foi criada "por vontade de Maria Antónia Barreiro, que me incumbiu, enquanto testamentário, de formar esta fundação com os seus bens", mas "não entrou dinheiro nenhum de fora, eu é que rentabilizei o património, atualizei rendas, vendi coisas velhas e construí novas".
No entanto, reconhece que "a fundação é um mecenas que já emprestou vários milhões à atividade do Opus Dei". José Afonso Gil admite que todas as atividades da fundação "são deficitárias" e os "prejuízos de milhões são colmatados com donativos que são feitos por membros da obra".
O oratório de S. Josemaría Escrivá de Balaguer, no Lumiar, em Lisboa - que é um dos principais edifícios da obra em Portugal - é propriedade da fundação, bem como um dos mais importantes colégios do Opus Dei: o Montes Claros. A residência com o mesmo nome é igualmente propriedade da instituição.
O património será em breve enriquecido com um novo edifício. "Vou construir uma nova residência na Alameda da universidade em Lisboa. Só o terreno custou dois milhões de euros. Ainda tenho de arranjar 400 mil euros que faltam", explicou ao DN José Afonso Gil. Esta nova residência universitária a erigir em Lisboa, no Campo Grande n.º 189, será denominada de Colégio Universitário dos Álamos - mais uma residência que terá formação do Opus Dei.
Entre os vários imóveis detidos pela Fundação destacam-se os que se situam em Lisboa, na zona de Marvila, na Rua Fernando Palha, e no arruamento que tem o nome do avô de Maria Antónia Barreiro: Rua José Domingos Barreiros. Tudo começou quando José Domingos Barreiros fundou no Poço do Bispo a sua firma comercial de vinhos, por grosso e para exportação, e se tornou conhecido armazenista de vinhos da zona oriental da cidade. O negócio foi continuado pelo seu filho Acácio Domingos Barreiros (pai de Maria Antónia, que herdaria os imóveis). Hoje, a fundação mantém aí diversos edifícios, pretendendo vender alguns.
O Hotel Três Pastorinhos, em Fátima, é outro dos principais ativos da fundação. A sua importância não está relacionada com os lucros, mas com o facto de servir de base logística para ações da obra. Está também aberto ao público, mas nem por isso se torna lucrativo, embora signifique cerca de um milhão de euros anuais em receitas. "Fica ela por ela: as receitas são quase iguais aos custos", explica José Gil.
Processo de meio milhão de euros
Além dos donativos dos membros da obra, a fundação também procura financiar a atividade com negócios imobiliários, como a venda de património. Uma dessas ações valeu até um processo em tribunal.
O DN descobriu um processo judicial intentado contra a fundação, estando em causa um prédio na Rua dos Correeiros, na Baixa de Lisboa. Três estabelecimentos comerciais (Espingardaria Belga de José Nunes, Nunes Toucedo & Companhia e Marques e, ainda, Martinho e Marques) intentaram uma ação cível no valor de 528 962,22 euroeuros contra a Fundação Maria Antónia Barreiro.
O processo (1553/11.3TVLSB.l1) começou na primeira instância e está relacionado com a referida necessidade de venda de património antigo para obtenção de fundos de financiamento para as atividades da fundação, nomeadamente os prejuízos dos colégios e outras entidades do Opus Dei. "Em causa está o prédio onde funciona o restaurante João do Grão. Pus aquilo em propriedade vertical para que os inquilinos comprassem, mas eles queriam o prédio de borla", lamenta José Afonso Gil.
O presidente da fundação diz ainda que estabeleceu no contrato de compra e venda que o prédio só poderia ser vendido na totalidade, por um valor de 770 mil euros. Só que, de acordo com José Afonso Gil, os inquilinos só queriam ficar com algumas parcelas, daí terem levado a tribunal a instituição. A fundação ganhou o processo na primeira instância, encontrando-se agora no Tribunal da Relação de Lisboa.
Teia patrimonial do Opus Dei
Além dos administradores, o Conselho-Geral da Fundação Maria Antónia Barreiro também é composto por membros da obra, como o antigo presidente do Parlamento Francisco Oliveira Dias, o banqueiro Câmara Pestana ou Pedro Rosa Ferro. Por outro lado, foi a fundação que doou à AESE (a Escola Superior de Negócios do Opus Dei) o terreno no Lumiar onde foi construída a escola: um edifício envidraçado similar a qualquer polo universitário. José Afonso Gil, Osvaldo Aguiar e José Fontes (membros da obra e também administradores da fundação) fizeram - a par de figuras como ex-banqueiro Jardim Gonçalves - parte do rol de fundadores da AESE.
Sem surpresa, dado todas estas ligações, a direção da AESE assim como o corpo docente são maioritariamente compostos por membros da obra (ver infografia).
Uma Nave(s) financeira
A AESE é também a maior acionista da Naves - Sociedade de Capital de Risco, detendo 11,76% das ações. O atual secretário de Estado das Finanças e cooperador do Opus Dei, Manuel Rodrigues, foi nomeado em setembro de 2012 - menos de dois meses antes de tomar posse no Executivo de Pedro Passos Coelho - para diretor-geral desta sociedade que, por sua vez, tem participações em empresas ligadas às áreas da saúde e da energia.
A participação mais pequena da Naves é na empresa de energia Self Energy (1,96%), depois de ter vendido 57% da posição no dia 17 de dezembro de 2010 por 6,5 milhões de euros ao grupo Soares da Costa. A sociedade detém também 14,29% na Várzea da Rainha Impressores, empresa presidida pela ex-deputada do PSD e ex-dirigente do PCP, Zita Seabra. Contam-se ainda participações na consultora Human Talent e na empresa de consultadoria e gestão imobiliária In Time, que, por sua vez, é detentora da Superball - uma academia de futebol que funciona em Telheiras.
João Leite Machado, do Opus Dei e sócio gerente da In Time, é também administrador de uma das muitas cooperativas que são proprietárias de colégios do Opus Dei: a Socei/Colégios Fomento. Os colégios do Opus Dei são um dos pontos de conflito com outros membros da Igreja Católica. O bispo emérito de Aveiro, António Marcelino, considera anormal que o Opus Dei não aceite que "os colégios sejam escolas católicas segundo o direito canónico e as orientações do episcopado".
As cooperativas são um modelo tão usado pela obra que até a própria sede, no Palácio do Lumiar, está no nome da COFIC, que tem igualmente como administradores membros da obra. O próprio vigário regional, José Rafael Espírito Santo, reconhece que faria sentido a sede da obra estar legalmente vinculada à organização. "Optou-se por este modelo, mas não foi para esconder, foi uma mera opção, que acontece em parte porque o Opus Dei aqui em Portugal não tem ainda uma dimensão que possa justificar criar essa burocracia", clarificou ao DN.
Dos 35 centros/residências de numerários e dezenas de clubes recreativos que o Opus Dei tem dispersos pelo País, nenhum está em nome da obra ou da Igreja; estão espalhados por dezenas de cooperativas ou mesmo associações.
Há ainda variadíssimas instituições promovidas por membros da obra e que o próprio vigário regional invoca orgulhosamente. Destacam-se a Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Rural, a IPSS Emergência Social, a Associação Criança e Vida (Porto) e a Gaivotas da Torre (que cuida de crianças desfavorecidas), a Associação "Quantum Satis"(que dá apoio a pais de crianças portadoras de deficiência) e a ONG Atlas em Coimbra, que conta com várias atividades de ação social.
Financiamento da obra
Como estas estruturas não são lucrativas, o financiamento da obra está assente em donativos. De acordo com o líder do Opus Dei em Portugal, os membros da obra são incentivados a dar dinheiro em específico a uma associação ou atividade. Já os centros (residências de numerários) mantêm-se em funcionamento com o salário ganho pelos numerários nas suas atividades profissionais e que é dado, quase na totalidade, ao diretor do centro, que depois gere as despesas. Muitos dos supranumerários (membros casados) são abastados e dão à obra tanto quanto a um filho. Estes donativos ajudam também a sustentar os sacerdotes da organização.
O Opus Dei em Portugal garante ainda não receber financiamento estrangeiro, embora admita que possa haver empréstimos entre instituições congéneres. Por hipótese, a AESE poderia pedir dinheiro à sua homóloga de Navarra: a escola de negócios IESE.
Testamentos para a vida?
Outro dos pontos importantes de financiamento do Opus Dei e que ajudam a suportar este vasto património e as diferentes atividades são os testamentos. Os membros, em especial os numerários, são incentivados a fazer um testamento em que deixam tudo a uma das estruturas da obra, normalmente às cooperativas. A Fundação Maria Antónia Barreiro resultou disso mesmo, sendo o mais generoso donativo alguma vez feito à obra em Portugal e um dos maiores ao nível mundial. Hoje, se não existissem os imóveis da fundação (são mais de 80), a atividade do Opus Dei no País estaria francamente diminuída.
Assim, todos os numerários, pouco depois de aderirem à obra, fazem o seu testamento. Porém, vários ex-membros queixaram-se ao DN do facto de o documento não ter sido devolvido após abandonarem a instituição. Entre os vários testemunhos recolhidos pelo DN, só o economista do Porto João Pinto não se coibiu de dar a cara. "Saí da organização há 19 anos e ainda não me devolveram o testamento. Estou a tratar de uma forma jurídica do anular", lamenta o ex-numerário. João Pinto teme que caso lhe "aconteça algo, a herança vá para o Opus Dei e não para a família", isto porque, no documento, estava explícito que a decisão era inalterável e que deixaria tudo à obra.
O responsável pelo Gabinete de Comunicação do Opus Dei, Pedro Gil, formado em Direito, explicou que esta é uma não-questão porque "legalmente basta fazer um testamento para que o outro seja alterado". Mas este esclarecimento não descansa João Pinto, que em conjunto com um grupo de ex-membros está a estudar uma forma de anular o testamento deixado ao Opus Dei.
Rui Pedro Antunes
No Diário de Notícias
Veja também: Os segredos do Opus Dei - Grande Investigação - I - II
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Collor cobra do Senado julgar o Prevaricador

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Cair na rede

Movimento de Marina pode sistematizar a repulsa intuitiva do eleitor a tudo que leva o nome de partido
Dê no que der como resultado eleitoral, o movimento que Marina Silva começa para constituir um partido seu na disputa pela Presidência tende a cumprir um papel político e social de muita utilidade. A ideia de denominá-lo Rede já é sugestiva, nem tanto por sugerir internet, mas pela identificação com a repulsa tão difundida a tudo que leve o nome de partido.
Difuso e confuso, o movimento até já existe na população. Existe como opinião intuitiva e generalizada a respeito do desregramento vigente no Congresso, das chantagens partidárias por cargos, da dinheirama nas eleições, da corrupção generalizada, e de tanto mais. Existe, em suma, muito mais emocional do que racional, como um sentimento de traição dos políticos, assim vistos quase sem o reconhecimento das exceções.
Os princípios preliminares do regimento da Rede são satisfações dadas à opinião pública desencantada. Representam os desejos de restrição a determinados doadores de campanhas políticas, limitação do número de mandatos de um parlamentar, fidelidade dos seus políticos às posições básicas do programa partidário, renúncia ao mandato parlamentar caso aceite cargo em governo, e por aí vai.
Marina Silva tem audiência no país todo. Apesar da base partidária mínima, sua candidatura à Presidência em 2010 foi encorpada por cerca de um quinto dos votos totais. Com a já iniciada organização de ideias e propostas, a pregação da Rede para constituir-se e, se obtido o registro, para a campanha eleitoral, pode transmitir ao eleitorado alguma dose de sistematização, digamos, de racionalidade ao que até agora não passa de uma força emocional caótica e sem proveito.
O PT cumpriu essa função em vários segmentos sociais, mas deixou de cumpri-las. O PSDB nasceu com o projeto de tal função, mas se descaracterizou depressa. Não falta quem possa cair na Rede.
UM HOMEM DE BEM
Todos os que desejaram a vitória da oposição em 1985, resultante na eleição de Tancredo Neves, têm uma dívida de gratidão com Fernando Lyra. Foi o grande artífice político, desde os primeiros passos, daquela consagração do sonho de democracia sobre a vocação de ditadura.
Morto na quinta-feira, ao fim de longas e sucessivas doenças, Fernando Lyra só pôde cumprir seu enorme papel histórico em razão de duas características pessoais: a acuidade incomparável para a interpretação política, exposta sempre com brilho fascinante, e a integridade moral.
Deputado de repetidas legislaturas, ministro da Justiça no governo composto por Tancredo e encampado por José Sarney, Fernando Lyra afastou-se do centro da política no final dos anos 90. Muito por desencanto.
LATINA
A frase "Antes que o ano [2012] findasse, Bento XVI e a Cúria Romana restabeleceram o uso do latim", no artigo de quinta passada, gerou algumas estranhezas, a propósito de missa em latim desde 2007. Bem, não só de missas se fazem o catolicismo e o latim. A liberação de missa nessa obscuridade idiomática, já praticada pela oposição que o cardeal francês Lefèvre liderou contra o Concílio Vaticano II e o papa João XXIII, foi complementada pela criação, no final do ano passado, da Academia Pontifícia para o Uso do Latim. Como "idioma da Igreja Católica Apostólica Romana".
Daí, por exemplo, e exemplo definitivo, que Bento XVI comunicasse em latim a sua renúncia. Para aturdimento de muitos doutores da Igreja, que devem voltar aos bancos escolares para aprender seu idioma exclusivo.
Janio de Freitas
No fAlha
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UOL 89 FM e sua falta de credibilidade

Sinceramente, se eu tivesse uma banda de rock, nunca iria divulgar meu material na UOL 89 FM, como nunca teria divulgado quando a rádio se chamava apenas 89 FM. Pode ser uma atitude de que não quer fazer parte da "turma", e isso poderia parecer que eu esteja tomando uma postura "suicida".
Mas, na verdade, trata-se de prudência. Nem sempre as oportunidades fáceis demais podem significar grandes benefícios. Em Salvador, já recebi de terceiros, por duas vezes, conselhos para procurar a Rádio Metrópole para trabalhar como jornalista lá e não tomei qualquer iniciativa. Sabia que era cilada. Num dia, eu terei liberdade de atuação jornalística, de outro teria que desaprender tudo. Até mesmo a ética.
Afinal, era a rádio do "Paulo Maluf baiano", Mário Kertèsz, que por uma coincidência faz aniversário no mesmo dia que eu, 21 de março. Não dava para aceitar. Primeiro, porque meus princípios são muito opostos a ele, e compartilhar festas de aniversário com um cara desses, para mim, é constrangedor.
Se eu mandasse alguma demo para a 89 FM - hoje, se manda arquivo em MP3 para o programa "Temos Vagas" -  , meu sucesso seria imediato. Mas talvez não tivesse tanta liberdade artística assim. Se meu compromisso é fazer rock melódico, teria que fazer algo meio The Wonders, como Los Hermanos fizeram através de "Anna Júlia". Isso, para não dizer coisas realmente piores como Matchbox 20 e The Nixons.
Teria um sucesso imediato, e meses depois já estaria em programas de televisão, em capas de revistas, fazendo turnê com "minha turma", que tanto poderia ser Titãs, Capital Inicial e Ratos do Porão como poderia ser Charlie Brown Jr., Raimundos e CPM 22. Quanto a estes três últimos, sem chance.
Em se tratando em ser estrela no Brasil, isso no fundo não será uma boa ideia, porque vivemos na pior fase da ditadura midiática e, ser famoso no nosso país seria frequentar o Caldeirão do Huck, fazer luau na Ilha de Caras e namorar uma ex-BBB. Coisas que parecem um "privilégio", mas na verdade são humilhações constrangedoras.
O "Filme Queimado" da 89 FM
A volta da rádio 89 FM à programação dita "roqueira" não se deu, realmente, por um clamor popular. Ela voltou porque os donos da emissora e alguns de seus radialistas são bem relacionados com produtores e promotores de eventos de grande estrutura administrativa, como a Artplan de Roberto Medina, que realiza o festival Rock In Rio.
A 89 havia saído do rock em 2006 porque "queimou" demais seu "filme", levando às mais extremas consequências todas as diluições do formato de rádio de rock feitas a partir de 1988. A rádio chegou ao ponto de privilegiar o besteirol em detrimento do rock, mesmo o mais comercial. As pressões da Internet, sobretudo através de rádios estrangeiras ouvidas aqui, influíram bastante.
Só que a 89 voltou com boa parte desses erros. Até o coordenador Tatola adota um estilo de locução incompatível com rádio de rock, dentro daquele estilo enjoado das rádios de pop dançante. E o repertório chega a ser fraco, com apenas os sucessos do chamado "pop rock" dos anos 90 e 2000.
A emissora, depois do impacto de seu retorno - que fez com que muitos mauricinhos ou alguns roqueiros mais domesticados se deslumbrassem com a emissora, apelando para definições sem fundamento como "a única e verdadeira rádio rock" - , já começa a ter novamente seus defeitos expostos, e a ressaca que se seguiu depois da animada festa foi bastante dolorosa.
É só ver, na Internet, que os textos que questionam a UOL 89 FM já começam a se destacar mais, já que ninguém é bobo para acreditar que o formato da emissora é "realmente de rádio rock" se, tanto numa comparação com antigas rádios rock de verdade dos anos 70 e 80 no Brasil quanto com a de rádios rock estrangeiras, a UOL 89 leva uma vergonhosa desvantagem.
A rádio faz aquele tipo que, no primeiro dia, o ouvinte acha a programação legalzinha, no segundo dia já começa a se entediar e no terceiro dia já começa a ficar irritado com a mesmice da rádio. E nada indica que a rádio irá mudar isso e de repente virar uma rádio de rock "pra valer", apesar das promessas de que "nunca irá abandonar" o estilo.
Isso porque as restrições da 89 são muitas. Seus donos são conservadores. A UOL, sócia da rádio, é também de um dono conservador. A orientação da rádio, extremamente comercial, a impede de cometer maiores ousadias. E sua volta se deve mais ao fato dela ser alimentadora de um segmento de eventos internacionais do que de uma genuína representante da cultura rock brasileira.
Preferimos acreditar que o futuro da UOL 89 FM é incerto. O que sabemos é que aquele projeto de "rádio de rock dos sonhos" não será feito pela UOL 89, prisioneira de seus próprios erros, de sua deturpação da cultura rock, do perfil ultraconservador de seus donos.
Portanto, se eu tiver minha banda de rock, prefiro lançar meu vídeo no YouTube e ir para a BBC Brasil divulgar meu trabalho. Soa mais realista. Pelo menos não tenho risco de ter minhas músicas entrando em trilhas de novelas da Globo nem de namorar uma ex-integrante do Big Brother Brasil.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço
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Por que o Equador ama Rafael Correa

Correa colocou ordem na caótica economia equatoriana e inovou em políticas sociais.
Correa
Correa
O artigo abaixo, do jornalista Mark Weisbrot, foi publicado originalmente no Guardian, e atualizado hoje pela manhã depois de conhecida a vitória de Correa nas eleições presidenciais.
Rafael Correa terá mais quatro anos no poder. Não é difícil entender os motivos.
O desemprego caiu para 4,1% no final do ano passado – a menor taxa nos últimos vinte e cinco anos. A pobreza diminuiu 27% desde 2006. Os gastos em educação mais que dobraram em termos reais. Um maior investimento em saúde ampliou o acesso da população aos cuidados médicos. Outras despesas sociais também se ampliaram substancialmente, incluído o subsídio do governo à aquisição da casa própria.
Isso pode parecer insustentável, mas não é. O pagamento dos juros da dívida externa do Equador é menos de 1% do PIB, o que é muito pouco; e a dívida pública do país é 25% do PIB, o que também é bem pouco. A revista Economist, que não aprecia muito os governos de esquerda da grande maioria dos países da América do Sul, atribui o sucesso de Correa a “uma mistura de sorte, oportunismo e habilidade”, mas foi a habilidade que realmente fez a diferença.
Correa pode ter tido sorte, mas não foi boa sorte: ele tomou posse em janeiro de 2007 e no ano seguinte o Equador foi um dos países mais afetados na região pela crise financeira internacional . Isto porque havia uma forte dependência de recursos enviados do exterior (por exemplo, de trabalhadores nos Estados Unidos e na Espanha) e das exportações de petróleo, que respondeiam por 62% das receitas de exportação e 34% da arrecadação do governo naquele momento. O preço do petróleo caiu 79% em 2008 e o envio do dinheiro de fora também se reduziu drasticamente. O efeito disso tudo na economia do Equador foi comparável ao colapso do crédito imobiliário americano, que tanto contribuiu para a grande recessão mundial.
E o Equador também teve o azar de não possuir sua própria moeda (o dólar americano fora adotado em 2000), o que significa que o país não podia sequer imprimir dinheiro para enfrentar a recessão. A tempestade durou nove meses. Um ano depois, as coisas estavam de volta ao lugar, e Correa se transformou num dos presidentes mais populares do hemisfério.
Como isso aconteceu? Provavelmente o fator mais importante foi um grande estímulo fiscal em 2009, na casa de 5% do PIB (muito mais do que foi feito nos Estados Unidos). O governo também reformou e regulou o sistema financeiro. E aqui nós chegamos ao que é, provavelmente, a mais competente reforma financeira de qualquer país no século XXI.
O governo tomou o controle do banco central e o forçou a trazer de volta cerca de dois bilhões de reservas que estavam no exterior. O dinheiro foi usado pelos bancos públicos para fazer empréstimos  que beneficiaram a infraestrutura, o setor de construção e a agricultura.
O dinheiro que estava deixando o país foi taxado e os bancos foram obrigados a manter 60% do seu patrimônio líquido no país. Isso levou as taxas de juros para baixo. O governo renegociou contratos com companhias de petróleo estrangeiras quando os preços aumentaram. As receitas governamentais aumentaram de 27% do PIB em 2006 para mais de 40% no ano passado
O objetivo de todas as alteração foi dar ao sistema financeiro um caráter de interesse público, ao contrário do que acontece em países como os Estados Unidos. Para que isso acontecesse, o governo também separou o setor financeiro da mídia – os bancos eram proprietários da maior parte das empresas jornalísticas antes da eleição de Correa – e criou leis contra monopólios.
A visão convencional é que práticas “antinegócios”, como a renegociação dos contratos de petróleo e a ampliação da autoridade do governo, são um caminho seguro para um desastre econômico. O Equador também deixou de pagar um terço de sua dívida externa depois que uma comissão internacional concluiu que aquela porção tinha origem ilegal. E a “independência” do Banco Central que o Equador revogou é considerada sagrada pela maioria dos economistas. Mas Correa, um economista com Ph.D., soube escolher o momento certo para ignorar a maior parte de seus colegas.
Correa sofre críticas da mídia por ir contra a sabedoria convencional e – provavelmente o maior pecado aos olhos da imprensa da negócios – ter sucesso.  A maior agressão da mídia veio quando o Equador ofereceu asilo ao jornalista Julian Assange, do Wikileaks. Mas aqui, como na política econômica e na reforma financeira, Correa estava certo. Era óbvio, especialmente depois que o governo britânico fez uma ameaça sem precedentes de invadir a embaixada equatoriana, que se tratava de perseguição política. É raro, e animador, ver um político enfrentar tão firmemente forças tão poderosas – os Estados Unidos e seus aliados na Europa e na mídia internacional – em nome de um princípio. Mas a tenacidade e a coragem de Correa fizeram muito bem ao seu país.
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O gato de José Maria Marin

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Medalha, medalha, medalha, medalha!
Um respeitado cidadão brasileiro que prefere não ser citado, mas que certamente testemunhará na Justiça se for o caso, mora no mesmo prédio de José Maria Marin.
Um dia passou a estranhar o alto valor de sua conta de luz, em milhares de reais.
Solicitou então verificação da empresa fornecedora de eletricidade e descobriu que pagava, além seu consumo, o do vizinho futeboleiro.
Que, constrangido diante do gato flagrado, se prontificou a desfazer o cambalacho.
As relações de boa vizinhança foram preservadas e a vítima preferiu calar delicadamente, embora em pelo menos uma ocasião tenha contado o episódio para mais de uma pessoa — e confirmado depois para este que vos fala.
Reflita você sobre em que mãos estão a CBF e o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo no Brasil.
Pondere a presidenta da República se não há nada a fazer em relação a personagem tão bizarro.
Porque, se não houver, o planeta o verá abrindo a Copa do Mundo?
No Blog do Juca Kfouri
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Me satisface mucho que hayas podido regresar al pedazo de la tierra americana que tanto amas

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Texto de la Carta del Comandante en Jefe Fidel Castro al Presidente Hugo Chávez en ocasión de su regreso a Venezuela
Querido Hugo:
Me satisface mucho que hayas podido regresar al pedazo de la tierra americana que tanto amas, y al pueblo hermano que tanto te apoya.
Fue necesaria una larga y angustiosa espera, tu asombrosa resistencia física y la consagración total de los médicos como lo hicieron durante 10 años, para obtener ese objetivo.
Es absolutamente justo hacer mención a la insuperable constancia con que tus familiares más allegados, tus compañeros en la dirección revolucionaria, las Fuerzas Armadas Bolivarianas, rearmadas y reequipadas por ti, y las personas honestas del mundo, mostraron sus simpatías.
Especial mención merece el aliento que el pueblo venezolano te brindó con sus muestras diarias de apoyo entusiasta e irreductible. A eso se debe un regreso feliz a Venezuela.
Tú aprendiste mucho de la vida, Hugo, en esos duros días de sufrimientos y sacrificios. Ahora que no tendremos el privilegio de recibir noticias tuyas todos los días, volveremos al método de la correspondencia que durante años hemos utilizado.
Viviremos siempre luchando por la justicia entre los seres humanos sin temor a los años, los meses, los días o las horas, conscientes, humildemente, de que nos tocó vivir en la época más crítica de la historia de nuestra humanidad. Nuestro pueblo, que es también el tuyo, conocerá mañana por esta misma vía tu regreso a Venezuela.
Todo debió llevarse a cabo con mucha discreción, para no darle oportunidad a los grupos fascistas de planear sus cínicas acciones contra el proceso revolucionario Bolivariano.
Cuando el campo socialista se derrumbó y la URSS se desintegró, el imperialismo, con el puñal afilado de su bloqueo se proponía ahogar en sangre a la Revolución Cubana; Venezuela, un país relativamente pequeño de la dividida América, fue capaz de impedirlo. En aras del tiempo no menciono los numerosos países de las Antillas, Centro y Suramérica que Venezuela, además de sus grandes planes económicos y sociales, fue capaz de ayudar. Por ello, todas las personas honestas del mundo han seguido de cerca “la salud y las noticias sobre Chávez”.
¡Hasta la victoria siempre!
¡Un fuerte abrazo!
Fidel Castro Ruz
8 y 35 p.m.
Febrero 17 de 2013
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Equador fará ley de medios

Jurado:
Jurado: "Compreendemos a comunicação desde
uma ótica social, cultural e econômica".
Democratizar a comunicação e universalizar o acesso aos meios e às tecnologias da informação são os principais objetivos do Projeto de Lei Orgânica da Comunicação no Equador, afirma Romel Jurado, professor universitário, secretário da Comissão de Justiça e Estrutura do Estado da Assembleia Nacional e um dos assessores da Comissão de Comunicacão que elaborou a proposta. Em entrevista ao ComunicaSul, nesta sexta-feira (15), ele explicou que, apesar de a Constituição de 2008 já prever pontos que garantem o direito à comunicação, a oposição tem boicotado sistematicamente as tentativas de votação do projeto que regula o setor.
Segundo Jurado, o prazo inicial para a regulamentação era de um ano a partir de 2008. Desde então, o processo de debate tem sido reiteradamente postergado por “desobediência da oposição à construção democrática da lei”. “O projeto passou por longas sessões de debate e recebeu contribuições de toda a Assembleia Nacional, até chegar à decisão de que seria votado artigo por artigo, em 2012. No entanto, a direita e a grande mídia do país ignoram a necessidade constitucional de fazê-lo”, afirma.
O secretário destaca que, em 2011, ocorreu uma consulta popular (plebiscito) que resultou em ampla aprovação da regulação. “Entre as perguntas, questionamos aos equatorianos se queriam uma lei específica para a comunicação; se deveríamos criar um organismo regulatório específico; se deveríamos restringir conteúdos violentos, pornográficos e discriminatórios; e, por fim, perguntamos se as empresas de comunicação deveriam ser impedidas de terem vínculos com bancos e outras empresas”. O resultado foi sim para todas as perguntas.
Até a oposição, explica Jurado, reconhece que o projeto tem qualidade e amplia a liberdade de expressão na sociedade equatoriana. “No entanto, como estão alinhados à grande mídia privada, temem perder seus privilégios”, dispara. Ele explica que muitos proprietários midiáticos, embora não falem abertamente no tema, temem perder suas concessões. Em 2010 foi realizada uma auditoria de todos os processos de concessão e apurou-se que cerca de 500, das 1570 frequências, foram obtidas de forma ilegal ou fraudulenta. O Ministério Público, provocado a opinar sobre tal resultado, reconheceu que não eram 500, mas 330 concessões fraudulentas. A regulação prevê a devolução das frequências ilegais ou ilegítimas ao Estado, já que são bens públicos. A devolução das concessões atinge grandes grupos de mídia e emissoras de grandeaudiência
Democratizar a informação, democratizar a sociedade
Segundo o secretário da Comissão de Justiça e Estrutura do Estado, o projeto de Lei Orgânica de Comunicação não pretende apenas democratizar a comunicação, “mas universalizar o acesso material às tecnologias da comunicação”. Dentre os principais pontos do projeto, está a redistribuição do espaço radioelétrico. “Atualmente, 90% do espaço está na mão de veículos privados. Com a regulação, 33% do espaço será ocupado por estes meios, enquanto 33% serão destinados a veículos públicos e 34% aos comunitários”, explica.
Além disso, o financiamento da comunicação pública e comunitária também está em pauta. Em 1974, a ditadura praticamente vetou a existência dos meios comunitários, já que proibiu qualquer tipo de publicidade e impôs um cerco autoritário ao que consideravam “veículos potencialmente subversivos”. No projeto de lei, porém, estes meios têm garantido os direitos de vender publicidade pública e privada, de receber aportes de dentro do Equador ou estrangeiros, além de contarem com subvenção estatal. Os veículos públicos de abrangência nacional são os únicos que têm restrições: não podem circular publicidades comerciais. “Para suprir essa carência, estes meios já têm financiamento garantido no orçamento do governo”.
Como exemplo da necessidade de a comunicação ser democratizada no Equador, Jurado lembrou o papel da imprensa na tentativa de golpe de Estado ocorrida em setembro de 2010. “Na ocasião, alguns policiais se rebelarão contra o presidente. A TV Amazônia, porém, divulgou, sem revelar a fonte, que um setor das forças militares aderiram à insurreição e marchavam rumo aos quarteis policiais. O fato acabou criando um caos midiático e social, mas era uma mentira”, argumenta.
Assim como no Brasil, a grande imprensa e os setores conservadores da política acusam a regulação de “ferir a liberdade de expressão”, reação sintomática do risco de perderem a hegemonia da informação e da opinião em seus países. “É como uma mulher que entra numa loja, prova várias roupas e, ao tentar sair sem pagar, é abordada por um segurança e passa entáo a gritar que foi v[itima de uma tentativa de estupro. Toda vez que se tenta por uma mínima ordem no setor da comunicação, os poderosos bradam que a ‘liberdade de imprensa’ está morrendo”, analisa.
Sempre solicito aos interesses dos grandes conglomerados privados, o Comitê Interamericano de Direitos Humanos (CIDH), fez duras críticas ao projeto de lei equatoriano. “Em 2011, fomos até Washington e explicamos ao CIDH que eles interpretam a liberdade de expressão com uma ótica liberal, no sentido empresarial do termo. Nós optamos pela ótica social, cultura e econômica, para dar condições materiais à liberdade de expressão para todos e todas”, diz Jurado.
Calendário político e a votação da lei
Apesar de analisar com otimismo a conjuntura para o projeto ser aprovado, Jurado ressalta que é preciso ter paciência para votá-lo no momento político ideal, levando em conta as eleições do dia 17 de fevereiro. Ainda que os mandatos comecem apenas em maio, a configuração da Assembleia pode definir a disputa pela democratização da mídia. “Se a Alianza Pais (movimento do presidente Rafael Correa) conquistar muitas cadeiras na Assembleia, mesmo os parlamentares da oposi;ao podem decidir votar o projeto em tempo, para não serem ‘apagados da história’. O presidente da Assembleia, Fernando Cordero, também pode resolver convocar a votação ainda em seu mandato”.
O pior quadro, na avaliação de Jurado, seria uma vitória significativa da oposição, cujo candidato é o ex-banqueiro Guillermo Lasso. “Apesar de improvável, o triunfo da oposição, cujos interesses estão estritamente ligados aos dos impérios midiáticos equatorianos, poderia redundar até mesmo no fim do projeto”.
Felipe Bianchi, Leonardo Severo, Caio Teixeira e Érika Ceconi, do ComunicaSul
No CUT
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Correa é reeleito com ampla margem: “Seguiremos semeando a Pátria livre”


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O presidente do Equador Rafael Correa foi reeleito neste domingo (17) para mais um período de quatro anos. Com cerca de 70% das urnas apuradas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Correa conta com 56,7% dos votos. O mandatário concorreu com sete candidatos, entre eles o ex-banqueiro de Guayaquil, Guillermo Lasso, que obteve 23,3%, e o ex-presidente Lucio Gutiérrez, destituído em 2005, que ficou em terceiro lugar com 6,6%.
Informado da expressiva vitória, Correa foi até a sacada do palácio presidencial Carondelet e saudou a multidão que tomava a Praça da Independência com bandeiras equatorianas e do seu movimento, o Alianza País, que conforme projeções também elegeu a maioria da Assembleia Nacional.
“Esta revolução nada nem ninguém deterá. Estamos fazendo história. Estamos construindo a pátria pequena e a Pátria Grande [América Latina]”, destacou o presidente reeleito, sublinhando que “o melhor ainda está por vir”. “Não queremos nada para nós, somente deixar a nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos um país cada vez melhor”.
São inúmeros os avanços conquistados pelo povo equatoriano ao longo dos últimos seis anos. Do ponto de vista econômico, vale citar que o Produto Interno Bruto do país cresceu aproximadamente 5% em 2012, contra apenas 1% do Brasil, situando-se como um dos países com maior crescimento no continente. Além disso, a pobreza foi reduzida significativamente: antes da Revolução Cidadã, 16,9% da população estava na linha da miséria. Este número caiu para 9,4% e, pela primeira vez, está em um digito.
O desemprego registra uma taxa de 4,2%, a mais baixa da história do país. Os investimentos aumentaram de forma expressiva: foram mais de oito mil quilômetros de estradas e oito centrais hidrelétricas construídas, além da Refinaria do Pacífico, avaliada em cerca de US$12 bilhões e já em estágio avançado. No campo social, Correa quadruplicou os investimentos em saúde e educação.
Já os portadores de deficiência tiveram uma série de políticas públicas: mais de 200 mil equatorianos recebem auxílio individual por parte do Estado, tornando o país uma referência na assistência e na inclusão social. O “Bônus de Desenvolvimento Humano”, que beneficiou 1,8 milhões de pessoas, contempla uma série de medidas assistenciais aos idosos e mães solteiras chefes de família.
Festa em Quito
Mais tarde, na festa da vitória em frente à sede do Alianza País, Correa agradeceu mais uma vez o enorme apoio popular, lembrando que “este era um país onde um presidente era eleito com 23% dos votos”, e em que num período de apenas 10 anos passaram sete presidentes, três que o antecederam depostos por serem “traidores e entreguistas”.
Agradecendo o “resultado impressionante”, o presidente reeleito ressaltou que o recebia com “humildade”, mas também “com total responsabilidade e firmeza” para avançar o processo da Revolução Cidadã, defender a “Pátria livre e independente, com soberania e valentia”, e derrotar “os traidores”, “a direita ideológica”.
“O nosso compromisso é que o velho país jamais voltará aos anos de entreguismo, de terceirização e exploração laboral, de entrega do nosso patrimônio ao estrangeiro para pagar uma dívida imoral. Aqui já não manda o Fundo Monetário Internacional, os meios de comunicação, os países hegemônicos”, declarou. “Libertaremos o nosso país das amarras, transformaremos este Estado burguês e construiremos um Estado efetivamente popular”.
Correa reiterou o papel da ação coletiva para o êxito eleitoral, apontando que “era fácil fazer campanha” pela atuação da gestão governamental, pois floresceram nas diferentes regiões “rodovias, pontes, hospitais e unidades de polícia comunitária”.
Reafirmando seu “carinho, compromisso e entrega”, Correa citou nominalmente vários patriotas que tombaram para defender a sua vida, quando da tentativa de golpe em setembro de 2010. Emocionados, os presentes aplaudiam a cada nome caído na agressão, onde militares e guarda-costas foram assassinados a sangue frio por defenderem a ordem constitucional e o mandato presidencial. Diante do sangue derramado, recordou, os grandes conglomerados de comunicação usaram de caricaturistas, “piratas da tinta”, para fazer piada e abrandar o crime cometido.
“Expresso também minha gratidão aos migrantes”, frisou Correa, diante do mais do que expressivo apoio obtido no estrangeiro, onde a vitória do Alianza País foi de 8 por 1 e até 10 por 1. Milhares de famílias foram obrigadas a abandonar o país nos anos de neoliberalismo.
O presidente concluiu seu pronunciamento citando o libertador Simón Bolívar, Eloy Alfaro (líder nacionalista equatoriano), José Martí, Che Guevara e Dolores Cacuango, combatente indígena que lutou pelo direito à terra e à língua quíchua. “Fomos precedidos neste sonho de uma Pátria melhor. Que nos iluminem os exemplos destes heróis”.
Terminado o discurso, começou a verdadeira festa, com o presidente e vários ministros e parlamentares eleitos cantando e dançando no palanque, animando a celebração ao lado de conjuntos musicais. No repertório, clássicos da música popular latino-americana, incluindo Aquarela do Brasil, de João Gilberto, embalaram e aqueceram a fria noite quitenha.
Leonardo Wexell Severo, Felipe Bianchi e Érika Ceconi, direto de Quito-Equador
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Hugo Chávez está en Venezuela

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El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, arribó a las 02.30 horas locales (07.00 GMT) de este lunes a la ciudad de Caracas, procedente de La Habana. A través de su cuenta en twitter el propio mandatario anunció: "Hemos llegado de nuevo a la Patria venezolana. Gracias Dios Mio!! Gracias Pueblo amado!! Aquí continuaremos el tratamiento".
El vicepresidente del país Nicolás Maduro, detalló en contacto telefónico con la estatal venezolana VTV que el jefe de Estado se encuentra en el Hospital Militar de la capital acompañado de su familia y algunos miembros del gabinete ministerial. Aprovechó la oportunidad para reconocer y agradecer las muestras de apoyo del pueblo para con el presidente Chávez.
Comentó que en el transcurso de los días darán mayores detalles sobre el estado de salud del presidente venezolano "seguiremos informando a nuestro pueblo sobre la salud y la batalla del presidente" Chávez.
Más temprano el mandatario venezolano escribió en su cuenta @ChavezCandanga “Gracias a Fidel, a Raúl y a toda Cuba!! Gracias a Venezuela por tanto amor!!!”
Igualmente, el Mandatario expresó que “sigo aferrado a Cristo y confiado en mis médicos y enfermeras. Hasta la victoria siempre!! Viviremos y venceremos!!!”.
Desde el pasado 1° de noviembre su línea de tiempo no registraba ninguna actividad cuando saludó a los graduandos de un diplomado en saberes africanos.
Los mensajes de bienvenida a través de la red social no se hicieron esperar y el ministro de Comunicación , Ernesto Villegas, manifestó que el “Presidente Chávez llegó a Venezuela. Palante, Comandante!”.
En tanto, el ministro de Ciencias y Tecnología, Jorge Arreaza, también se manifestó para expresar que “que clase d guerrero y luchador por la vida es nuestro Presidente! Bienvenido a tu Patria Comandante! Venceremos! Tod@s somos Chávez!”.
Arreaza agregó que “ya el Presidente se encuentra en su habitación en el Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo en Caracas, dispuesto a seguir con sus tratamientos”.
Por su parte, el canciller Elías Jaua, escribió el siguiente mensaje: “El Comandante Chávez en la Cuna de Bolívar. Que buen despertar para el pueblo noble de Venezuela. Vamos a seguir batallando y a vencer!!”.
De igual manera, el presidente de la Asamblea Nacional, diputado Diosdado Cabello, resaltó que “hoy la Diana Carabobo suena con más alegría en todos los rincones de la Patria, nuestro Comandante regresó”.
El jefe de Estado se encontraba en La Habana recuperándose de una compleja intervención quirúrgica realizada el pasado 11 de diciembre, tras la reincidencia de células malignas en la zona pélvica, área donde le fue detectada una lesión cancerígena en el año 2011.
El pasado 9 de diciembre, antes de partir a la capital cubana, el Presidente explicó que sus médicos tratantes consideraron que era “absolutamente necesario e imprescindible someterme a una nueva intervención quirúrgica”.
Desde entonces, el Mandatario ha seguido, "en la medida de las posibilidades", las principales tareas de la nación suramericana y "otras áreas afines a su responsabilidad al frente del Estado, mediante la revisión de documentación y reuniones con los principales dirigentes del Gobierno Bolivariano, ejerciendo su liderazgo con la toma de decisiones de política interna y externa".
No teleSUR
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Agente da CIA já está no Brasil

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A luta pela alma da sociedade


 

A atividade política mesmo agindo no imaginário não dá conta de preencher o amplo universo da alma humana.
O aparato da religião ilustra o peso ordenador das demais instancias simbólicas na vida da sociedade.
Disputas de falanges no interior dessas corporações, como as que cercaram a renúncia de Bento XVI, não miram apenas a redivisão interna do poder.
Nem esgotam suas repercussões nos limites formais da fé.
O que se disputa hoje na Santa Sé extrapola os 44 hectares da Cidade do Vaticano.
O canibalismo em torno do 'Banco de Deus' ilumina um dos pontos de intersecção da fronteira divina com o inferno material.
Está longe de ser o único.
Prelazias como a Opus Dei mostram desembaraço em outras sinergias também.
Sua rede de instituições educacionais se especializa na formação de quadros que possam irradiar os interesses gêmeos da fé e do dinheiro na vida mundana.
A formatação de executivos encontra-se entre as prioridades.
Estima-se que 600 colégios e 17 escolas de administração e negócios estão conectados à Opus Dei em todo o mundo.
Bebem sua água benta também a Universidade de Navarra, na Espanha e a Pontificia Universidade della Santa Croce, em Roma.
Ali são formados quadros espirituais da Opus Dei para a tarefa difusora de valores nas áreas da teologia, direito canônico, filosofia, comuniação social e institucional.
As identidades entre a prelazia fundada em 1928 por Josemaría Escrivá (a imagem acima é dele) e o conservadorismo político e empresarial remetem aos laços estreitos do mestre com o franquismo.
Juntos, a cruz e a baioneta esgoelaram a voz e o espírito espanhol por 37 anos.
Mas não só.
Morto em 1975, o ideólogo persistou na faina: foi canonizado em tempo recorde para os padrões católicos.
Em 2002, diante de mais de 80 mil seguidores de todo o mundo, João Paulo II, de quem o Bento XVI foi o braço direito, anunciou a santificação:
"Em honra da muito Santa Trindade, para a exaltação da fé católica e promoção da vida cristã, com a autoridade de nosso senhor Jesus Cristo, dos santos apóstolos Pedro e Paulo e a nossa, depois de ter reflectido longamente, invocado muitas vezes a assistência divina e ter escutado os conselhos de muitos dos nossos irmãos sacerdotes, nós declarams e definimos como santo o bem aventurado Josémaria Escrivá de Balaguer e inscrevemo-lo no álbum dos santos”, informou o Sumo Pontífice.
Não foi um ponto fora da curva destes tempos de fé e costumes estritamente vigiados por Ratzingers e Bergonzines - o bispo do panfleto contra Dilma, em 2010.
Em junho do ano passado, uma estátua em bronze do santo Escrivá foi inaugurada na Catedral da Sé, em São Paulo.
A Catedral metropolitana, cujas escadarias no passado serviram de abrigo a manifestações contra a ditadura e em cujo interior se denunciou o assassinato de Vladimir Herzog, em 1975, agora tem um altar em honra da Opus Dei.
O episódio diz muito sobre o efeito regressivo dos últimos dois papados no universo do catolicismo brasileiro.
Na missa solene, com igreja lotada, em honra a 'São Josemaria Escrivá', foi lida a mensagem elogiosa de D. Odilo Scherer.
O cardeal de São Paulo recordou a passagem de Escrivá pelo país, nos tempos bicudos de 1974. Nenhuma menção aos tempos bicudos.
Coube à maior autoridade da Opus Dei no Brasil, demarcar o significado prático da presença simbólica de 'São Josemaría' na Catedral da Sé:
“É um forte apelo a todos os católicos: a sua mensagem era exatamente a santificação das estruturas civis da sociedade', sentenciou o monsenhor que atende pelo sugestivo nome de Vicente Anaconda.
Na 'santificação' das estruturas civis da sociedade' opera a rede de formação educacional que a extrema direita católica mantém mundo afora.
O Iese Business School, vinculado à Universidade de Navarra e à Opus Dei, faz esse link catequizador com o estratégico mundo empresarial.
É considerado uma das principais escolas de administração e formação e quadros do mundo.
Forma executivos para os negócios. Mas também lideranças associadas aos valores da ' santificação das estruturas civis da sociedade'.
A cepa anticomunista da Opus, sua esférica condenação à liberdade dos costumes, sinaliza o sentido dessa formação complementar.
No Brasil, o Iese atua desde 1996 através da escola de administração ISE, uma parceria desenvolvida com o mesmo "DNA" da matriz espanhola.
Na direção figuram nomes como o do jurista Ives Gandra Martins,reconhecido e assumido por suas ligações com a Opus Dei brasileira.
O responsável pelo curso de Ética da escola, Cesar Furtado de Carvalho Bullara, é mestre e doutor em filosofia pela Pontificia Università della Santa Croce – a usina de formulação e difusão da Opus Dei.
Vai bem, obrigado o braço brasileiro.
No ano passado, segundo o insuspeito jornal Valor Econômico, São Paulo foi escolhida para ser a primeira cidade fora da Espanha a receber o programa de MBA Executivo do Iese.
Além disso, o Iese quer chegar a 500 alunos em cursos de longa duração no Brasil (hoje são 300) . E aumentar o número de profissionais que recebem aulas "in company" de 600 para mil.
A partir de 2015, o Iese pretende trazer para São Paulo três programas já testados pela Opus Dei em outros países.
Sugestivamente, um deles versará sobre alta gestão para a área de mídia e entretenimento.
Ou seja, formação de quadros para orientar e dirigir o estratégico aparato de comunicação e produção cultural, hoje monopolizado por grupos que lideram a agenda conservadora brasileira.
Os apóstolos de São Escrivá não bricam em serviço.
Diante da exaustão conservadora estampada na desordem neoliberal, intensificam a formação de quadros de qualidade. Para setores estratégicos: a esfera do dinheiro; a difusão das notícias; a cultura e o entretenimento.
Sua estratégia para os dias que rugem é intensificar a receita apregoada por Ratzinger: conquistar poucos e bons; com eles, capturar a alma da sociedade.
Só há um antídoto à ofensiva: ampliar o espaço público da liberdade cultural, da comunicação e da democracia no país.
Isso se faz com políticas de Estado, que assegurem a diversidade indispensável à criatividade do espírito e à livre formação do discernimento social.
Se não contarmos as nossas próprias histórias, quem o fará por nós?
Eles.
Saul Leblon
No CartaMaior
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