13 de fev de 2013

Um purê de sonhos esfacelados chamado Espanha

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Até um ou dois anos atrás, seria impensável. Mas aconteceu, no domingo 10 de fevereiro. Na final do torneio nacional de basquete espanhol, a Copa del Rey, o rei em pessoa foi vaiado. E muito vaiado. O Barcelona derrotou o Valencia por 85 a 69. Mas o jogo não será lembrado por esse resultado: será lembrado pela primeira vaia pública ao monarca que foi considerado, por décadas, uma espécie de guardião da democracia reconquistada após a morte do sinistro Francisco Franco, ‘caudillo de España por la gracia de Dios’, em 1975.
Vaiar um rei não é comum nos países que têm reis e rainhas. Questão de educação, de boa conduta. Na Espanha, nunca tinha acontecido. Agora aconteceu, e não por um súbito surto de má educação dos súditos de sua majestade real (que, aliás, gastam milhões de euros por ano para manter a família do monarca). Aconteceu numa demonstração cabal de que o desencanto e a desesperança alcançaram seu limite máximo no país de Pablo Picasso e de Joan Miró.
Há dois anos, quando explodiu em seu esplendor na Espanha o movimento dos ‘indignados’, o país tinha quatro milhões de desempregados e todos diziam que estavam vivendo uma crise tremenda. Pois bem: hoje, os desempregados superam a marca dos seis milhões. Isso quer dizer que 26% da força de trabalho do país estão desempregados. Entre os jovens com menos de 30 anos, o panorama é ainda mais desolador: 55% deles não têm esperança alguma de conseguir um emprego. Jovens recém formados em universidades falsificam a própria condição para disputar um posto de lixeiro ou entregador de correios. Dizem ter educação secundária. É que o que restou da legislação trabalhista, dizimada pelo governo direitista do Partido Popular, ainda prevê certas regalias para quem tem curso superior – progredir na carreira, por exemplo.
A saúde pública, que já foi considerada uma das melhores da Europa, foi para o brejo. Médicos da rede pública pedem demissão e buscam emprego em outros países. Eles se negam a restringir a atenção à população, conforme determina o governo.
A educação pública está virando mingau. As famílias passaram a vender o que têm ou tinham: a quantidade de ouro, joias familiares passadas de geração a geração, que a Espanha exporta para mercadores internacionais ganhou vulto em 2012, a ponto de chamar a atenção dos especuladores do mundo. E como se tudo isso fosse pouco, pipocam, com intensidade cada vez maior, as denúncias de corrupção.
O rei Juan Carlos I foi vaiado pelo que fez e pelo que fizeram membros da família real. Seu genro Iñaki Urdangarín, por exemplo, está sendo acusado de ter desviado pelo menos oito milhões de euros de recursos públicos. O próprio rei foi pilhado numa viagem clandestina (dizem as leis que quando quiser sair do país o monarca tem que pedir autorização aos parlamentares) para caçar elefantes na África, em companhia de sua jovem amiga alemã. Pois o desastrado rei caiu, quebrou a bacia, e foi um deus-nos-acuda, já que, formalmente, ele estava em casa e não num safári ilegal. A rainha Sofia fechou a cara, os súditos espanhóis abriram sorrisos: afinal, não é todo dia que se pega um rei safado numa escapadela conjugal – e matando elefantes, justo ele, que presidia várias organizações de defesa da natureza e do reino animal.
O esfacelamento maior da Espanha, porém, se dá na descoberta de um sistema de compra de parlamentares, por grandes empreiteiras, grandes empresas e pela banca, que atinge, entre outros, o puritano galego Mariano Rajoy, primeiro-ministro e estrela até agora fulgurante do Partido Popular, de direita.
Na verdade, e pensando bem, Rajoy até que era baratinho: 25 mil euros anuais. Uns 6 mil reais por mês. Para tentar se defender e negar a lambança, ele divulgou suas declarações de renda dos últimos dez anos. Pior a emenda que o péssimo soneto: ficou claro que ele não pagava a devida contribuição da previdência social. E mais: que ganhou 30% de aumento enquanto os salários do funcionalismo público eram recortados em 25%.
Conforme crescem as denúncias contra o Partido Popular, fica mais claro que os instrumentos de fiscalização e controle da Espanha são de uma ineficácia formidável. E assim, o que agora caiu em descrédito foi a própria Justiça espanhola.
Enquanto isso, os espanhóis desassossegados se perguntam quando e como tudo aquilo que havia sido conquistado e consolidado desde o fim da ditadura franquista começou a virar purê. Considerada, por anos, como exemplo de uma transição entre ditadura cruel e democracia promissora, a Espanha de hoje é o pálido reflexo de uma imagem que se esfumou.
Eric Nepomuceno
No Carta Maior
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Eliane Cantanhêde, a rainha do “Erramos” da Folha

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Concorrente de peso ao “Prêmio Jornalista Imaginativo”.
A jornalista (sic) e comentarista (sic) de política, de economia e de tucanagem da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, vai entrar para o Guiness. Em sua coluna, de terça-feira, dia 12, ela deu mais um furo – não uma notícia bombástica… uma notícia furada – de reportagem. Segundo ela, enquanto o mau aluno, o Brasil, tende a reeleger sua presidente Dilma Rousseff; o mesmo não ocorre com o Chile, melhor aluno da classe. “No simpático e aplicado país sul-americano, a economia vai bem, mas a reeleição do presidente Sebastián Piñera vai mal. No melhor país do mundo, que é o nosso, a economia não está lá essas coisas, mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 vai de vento em popa”, afirma a “colonista” (clique aqui para ler a “barriga” completa).
Só que a antenadíssima e informadíssima jornalista, não se ateve a um mero detalhe: a Constituição chilena não permite dois mandatos seguidos para presidente. Aqui no Brasil é possível a reeleição graças a Fernando Henrique Cardoso, que ao comprar o Congresso, possibilitou que fosse aprovada emenda para que ele se reelegesse.
Na quarta-feira, dia 13, o “Erramos” da Folha teve de corrigir a informação (sic). Em 2013, a jornalista (sic) da massa cheirosa, da febre amarela, do apagão, dentre outros “furos”, já passou com grande destaque na coluna “Erramos”. Na época em que a presidente Dilma anunciava a redução na conta de energia elétrica – que os defendidos por Cantanhêde eram contra –, ela publicou um artigo em que afirmava a existência de uma reunião de emergência do setor elétrico, “acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia Edison Lobão” para discutir os apagões (sic) que aconteciam no País. Elaine defendeu a informação até os 45 minutos do segundo tempo, mas depois teve de dar o braço a torcer: a tal da reunião foi marcada em 12 de dezembro de 2012 e não tinha nada de emergencial. Era uma reunião rotineira do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (clique aqui).
Se continuar nesse ritmo, um por mês, Eliane Cantanhêde entrará para o Guiness como a jornalista que publicou mais “furos” com sua imaginação fértil. Taí uma ideia para o Portal Comunique-se, que gosta de premiar os jornalistas (sic) da mídia empresarial: o “Prêmio Jornalista Imaginativo”. Ricardo Noblat, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Eliane Cantanhêde concorreriam palmo a palmo pelo prêmio.
Eliane_Cantanhede12_Erramos
Amadeu Leite Furtado
No Limpinho&Cheiroso
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Papa: Um forte candidato; o resto é poste!

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Oligarquias familiares no Judiciário

Coluna de Felipe Patury na Revista Época. Elogio? http://goo.gl/f1iHP
Imaginem uma jovem filha de um senador, deputado ou político, sem muitas credenciais nos meios jurídicos, entrar na lista de indicações da OAB para ser desembargadora do Rio de Janeiro. Iriam crucificar o político no noticiário, não é?
Pois a jovem Marianna Fux, filha do ministro do STF, Luiz Fux, concorre a uma vaga de desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Se tivesse feito carreira por concurso público, nada haveria a questionar, mas ela se candidata através da vaga reservada para indicação pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), onde vale muito o prestígio e a rede de relacionamentos com os poderosos ou com a própria classe.
Seu currículo, mostrado no escritório de advocacia Sérgio Bermudes, onde trabalha, diz que bacharelou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), no Rio de Janeiro; é Pós-Graduada em Teoria das Obrigações e Prática Contratual pelo programa de educação continuada da Fundação Getúlio Vargas (FGV); indica seu número de inscrição na OAB e só. Um currículo modesto para quem aspira ser desembargadora.
A família Fux não é a única nesta situação. A filha do ministro Marco Aurélio de Mello, também concorre, também via vaga da OAB, mas uma não atrapalha a outra, pois é em outro tribunal, o Tribunal Regional Federal.
Não é nada proibido pela lei e, de certa forma, é mais ou menos assim que a banda toca no preenchimento desse tipo de vaga, mas é o que costuma se chamar de "peixada", "pistolão", não é mesmo?
Se a advogada deseja ingressar na carreira pública, por que não fazer um concurso ou para juíza, ou para procuradora, ou para defensora pública? E, se destacar no cargo, aí sim almejar os postos mais altos.
Se fosse filha de político, diriam que não é republicano, haveriam indignados vociferando nas redes sociais. Mas o vício de querer passar o poder de pai para filho no judiciário é o mesmo de oligarquias políticas que se perpetuam no poder ao longo de gerações. Os políticos, pelo menos, bem ou mal, tem que passar pela prova das urnas de 4 em 4 anos.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Até onde vai o vôo de Eduardo Campos?

O que muda com a decisão do governador de Pernambuco de concorrer em 2014.
Um fato novo
E então alguma coisa nova parece ganhar estatura na política brasileira: Eduardo Campos, governador de Pernambuco pelo PSB. Não surpreende que ele tenha anunciado a decisão de concorrer à presidência em 2014.
FHC falou em troca de gerações, numa alusão à longa permanência de Serra no topo do PSDB. Curiosamente, FHC se refere ao PSDB como se fosse o porteiro da sede do partido, numa impotência miserável. Ou melhor: como se fosse um acadêmico, trancado no ar refrigerado de uma sala numa universidade.
O fato novo não veio do PSDB, a não ser que se considere Aécio um fato novo. Veio  do PSB.
Neto de Miguel Arraes, lendário homem da esquerda brasileira, Campos, 47 anos, nasceu na política. Tem uma qualidade essencial para um líder político moderno:  parece compreender o zeitgeist.o espírito do tempo.  Projeta a imagem de um homem com visão social.
Quanto há de conteúdo ou de marketing nisso, o tempo haverá de dizer.
Contra Eduardo Campos pesa o fato de ser, pelo menos até aqui, uma figura regional. Campos é pernambucano como Lula, mas Lula virou personagem nacional em São Paulo, 30 anos atrás, como líder metalúrgico de São Bernardo. É verdade que seu PSB teve um desempenho brilhante nas eleições municipais de 2012: elegeu 440 prefeitos, 42% mais que em 2008. Isso quer dizer alguma coisa, mas ninguém sabe exatamente ainda o quê, em termos de 2014.
Tempo ele tem para se tornar nacionalmente conhecido. Anunciou uma caravana pelo Brasil, e é presumível que a mídia lhe dará ampla cobertura caso fique claro que repousam nele as maiores chances de derrotar o PT. Nesta hipótese, Aécio tende a ficar à deriva, abandonado pela mídia e sem eleitores que lhe permitam ser mais que governador de Minas.
Campos em algum momento vai ter que fazer uma escolha de Sofia, provavelmente.  O apoio das grandes empresas jornalísticas se consolidará se e apenas se ele for considerado “gente de confiança”, como Serra. Mas os eleitores, como temos visto, desconfiam barbaramente de “gente de confiança” da mídia.
Caiu na simpatia de Merval, Noblat, Azevedo etc? É inevitável que caia na antipatia de quem, afinal, faz um presidente, o eleitor. O que eles defendem são bandeiras de uma minoria eleitoralmente insignificante.
Não dá para você ter as duas coisas, votos e mídia generosa, como o PSDB duramente percebeu nos últimos dez anos. A opção tucana foi pelo afago da mídia, e deu no que deu. A “plataforma” da mídia é tão ultrapassada, tão contrárias aos tempos, que mata qualquer candidatura.
Veremos como se comportará Eduardo Campos.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Tucanos castram Legislativo de SP

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Em 15 de março haverá eleição para a direção da Assembleia Legislativa de São Paulo. Nada de novo é esperado, já que o parlamento paulista é uma terra arrasada pela longa hegemonia dos tucanos no estado. Nos últimos anos, a Alesp virou um apêndice do executivo estadual. Não fiscaliza o poder público, sabota qualquer comissão parlamentar de inquérito e abusa dos privilégios. A mídia tucana, que adora criticar as mazelas do Congresso Nacional, evita mostrar a inoperância do Legislativo castrado pelo PSDB.
Em entrevista hoje à Folha, o próprio presidente da casa, o tucano Barros Munhoz, reconhece a fragilidade da Alesp. “O esvaziamento do Poder Legislativo no Brasil é brutal. Há um predomínio do Executivo”. Ele também confessa que a maioria governista evita apurar as irregularidades do governo estadual. Para ele, CPI “não adianta nada... Em todo país do mundo [barrar CPIs] faz parte do jogo político. Quem tem maioria segura. Por isso que aqui o PT quer CPI, e em Brasília não. É um instinto de preservação”.
Diante deste quadro lastimável, dois deputados se apresentaram como candidatos à presidência da Alesp: Major Olímpio (PDT) e Carlos Giannazi (PSOL). Mas as candidaturas são apenas para marcar posição. Já é dada como certa a vitória dos tucanos – possivelmente de Samuel Moreira, atual líder do governo Geraldo Alckmin. Ele deverá suceder Barros Munhoz e manter o parlamento sob as rédeas curtas do PSDB. Como seus 22 deputados, dos 92 existentes, o PT negocia ocupar espaços na mesa diretora da Alesp.
Com este desfecho, a Assembleia Legislativa de São Paulo permanecerá totalmente inoperante. Para compensar o seu servilismo, os deputados governistas deverão manter alguns privilégios. Recentemente, a direção da Casa foi denunciada por renovar a frota de 150 carros sem licitação pública – a um custo estimado de R$ 6 milhões. Ela também pagava um auxílio-moradia de R$ 2.250 mensais aos parlamentares, inclusive aos 26 que moram na capital – o que foi suspenso no início de fevereiro por ordem da Justiça.
Tanta bondade ajuda a explicar a postura passiva dos deputados paulistas. A própria Folha tucana reconheceu recentemente que “os indicadores da Assembleia Legislativa de São Paulo em 2012 mostram uma Casa alinhada com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e que exibe sua menor produção nos últimos quatro anos. Detentora da maioria folgada – dos 94 deputados, só 24 fazem oposição –, a bancada governista impediu o funcionamento de todas as CPIs propostas por parlamentares que não são da base”.
A Alesp só aprova CPIs de fachada, sem qualquer relevância. “Dos 20 pedidos da atual legislatura, 17 são de deputados da situação, 13 dos quais do próprio PSDB. Como só cinco comissões podem funcionar ao mesmo tempo, forma-se uma ‘fila de espera’... Os pedidos sobre temas sensíveis ao governo – como a crise que levou à troca do comando da Segurança Pública – nem alcançaram as assinaturas necessárias”, aponta a reportagem. Os tucanos, que adoram CPIs em Brasília, sabotam qualquer investigação do executivo estadual.
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Charge online - Bessinha - # 1692

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Rádio está presente em 88% das residências e número de emissoras dobra em 10 anos

Apesar do avanço de novas mídias e da expansão do acesso à internet, o rádio continua sendo um dos principais veículos de informação dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert),o rádio - que comemora hoje seu dia mundial - está presente em 88,1% dos domicílios do país, perdendo apenas para a televisão, que tem penetração de cerca de 97%.
O país tem aproximadamente 9,4 mil emissoras de rádio em funcionamento, incluindo emissoras comerciais AM e FM e rádios comunitárias. O número é mais que o dobro do registrado há dez anos, segundo dados do Ministério das Comunicações. Nos estados de São Paulo e Minas Gerais estão concentrados os maiores números de emissoras, com 1,4 mil e 1,3 mil, respectivamente.
O número de aparelhos de rádio convencionais passa de 200 milhões no Brasil, além de 23,9 milhões de receptores em automóveis e do acesso por aparelhos celulares, que somam  cerca de 90 milhões. Isso sem falar no acesso às emissoras pela internet, por meio de computadores e smartphones. Aproximadamente 80% das emissoras do país já transmitem sua programação pela rede mundial de computadores.
O presidente da Abert, Daniel Slaviero, destaca que o rádio está se adaptando às novas tecnologias para disputar o mercado altamente competitivo da informação e do entretenimento. “Acreditamos no futuro do rádio, não como nossos pais e avós o conheceram, mas inovador, ágil, interativo e com a mesma importância social, eficiência comunicativa e proximidade com as comunidades e os ouvintes. Aos 90 anos, não há dúvida de que o rádio está em plena reinvenção”, avalia.
Para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o rádio faz parte da cultura dos brasileiros e não perderá espaço porque está acompanhando a evolução do setor. “Neste momento especial de transformações tecnológicas e do aparecimento de outras mídias, o rádio segue firme no nosso dia a dia porque também se transformou. Hoje é comum, corriqueiro, ouvirmos a transmissão da programação também pela internet, direto das redações das emissoras”, diz. O ministro garante que o governo trabalha para dar à radiodifusão a flexibilidade e pujança necessárias para continuar a crescer.
Emissoras de rádio no Brasil
Rádio
FM
Comunitárias
Ondas Médias (AM)
Ondas Tropicais
Ondas Curtas
FM Educativa
Outorgas
2.664
4.421
1.785
74
66
469
 Fonte: Ministério das Comunicações – dezembro 2012
Sabrina Craide
No Agência Brasil
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Zé de Abreu: "Ódio do Civita ao povo não tem limites"

:
Ator José de Abreu diz ter sido "desconvidado" para um camarote no Sambódromo do Rio de Janeiro e reclama que fotos suas foram vetadas na revista Contigo!. "O motivo? Você está batendo demais no patrão", escreveu em sua conta no Twitter, referindo-se ao dono do Grupo Abril, Roberto Civita, que publica a revista. "Fui censurado por Médici, Geisel, Figueiredo e Civita, os grandes ditadores do Brasil", lamentou o ator
'Desconvidado' para um camarote na Marquês de Sapucaí e com fotos vetadas na revista Contigo!, o ator José de Abreu disparou contra o dono do Grupo Abril, Roberto Civita, em sua conta no Twitter. "Fui gentilmente 'desconvidado' para ir a um camarote (não iria mesmo, tenho vários outros para ir) por não poder ser 'muito' fotografado", escreveu o ator.
No 247
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Por dentro do mundo decadente do qual Bento 16 desistiu

A realidade áspera de uma Igreja que, de dominante, vai passando a minoritária.
papa
O artigo abaixo, de autoria do jornalista e escritor católico italiano Vittorio Messori, foi publicado no Brasil originalmente no site do Instituto Humanitas Unininos. Messori, um dos mais respeitados especialistas em Vaticano, descreve o mundo turbulento e declinante que cercou o papado de Bento 16. É relativamente fácil, lido o artigo, entender por que o papa decidiu renunciar.
Nestes tempos, acompanhar certas crônicas vaticanas nada edificantes pode ser saboroso ou entristecedor, dependendo do humor anticlerical ou clerical. Na realidade, o católico que não só conhece a história da sua Igreja, mas que também não se esqueceu das advertências do Evangelho, não deveria se perturbar mais do que isso. Isto é, essa Igreja é um campo onde o grão bom e a cizânia venenosa crescerão sempre juntos; é uma rede lançada ao mar em que peixes bons e ruins sempre vão conviver.
Palavra do próprio Jesus, que exorta a não se escandalizar com isso e a não tentar nem mesmo dividir o são do corrompido, reservando a si essa tarefa no dia do Grande Juízo. Exemplo primeiro dessa situação é, obviamente, o centro e o motor da “máquina” eclesial: a Cúria vaticana, isto é, a administração central daquela que a Tradição chama de “a Igreja militante”.
Bem, quanto a essa, não foi um herege ou um comedor de padres, mas sim uma santa que Paulo VI quis proclamar “Doutora da Igreja”, a padroeira da Itália, Catarina de Siena, que constatou: “A corte do Santo Padre Nosso parece-me, às vezes, um ninho de anjos, outras, uma cova de víboras”. Bem e mal, portanto, unidos na mesma realidade, assim como todas as coisas humanas: e a Igreja também é uma instituição humana, é um invólucro histórico (com os limites que derivam disso) para conter um Mistério meta-histórico.
Mas acenaremos a uma avaliação moral mais abaixo. Há, antes, um aspecto “organizacional” a considerar. Deve ser lembrado, de fato, que, do Vaticano atual, não vêm apenas ecos de “escândalos” de negócios, sexo, poder. É a própria máquina da administração que, há anos, já parece falhar com inquietante frequência; são os equívocos, as distrações, as gafes diplomáticas, até mesmo os erros – às vezes em documentos solenes – naquele latim que ainda é a sua língua oficial, mas que é conhecida cada vez menos e sempre pior.
Concordo, a Cúria, assim como a própria Igreja, semper reformanda est. Mas aqui não parece possível uma “reorganização empresarial”, porque parecem faltar as forças novas e de qualidade. Os infinitos escritórios vaticanos são regidos, desde os tempos da Contrarreforma, por pessoal eclesiástico que vem de todas as dioceses e de todas as ordens religiosas do mundo. Mas é um mundo, este nosso, onde a maioria das dioceses e das congregações fecharam seminários por falta de frequentadores, e o seu problema certamente não é o de enviar a Roma, a serviço da Igreja universal, os jovens mais promissores. Esses jovens não existem e, se existir algum, é defendido zelosamente por bispos e superiores gerais.
No entanto, depois daquele Vaticano II que queria emagrecer a estrutura eclesial, o Anuário Pontifício quase triplicou as suas páginas, a expansão burocrática não teve descanso. Aumentam funções, postos, responsabilidades, enquanto diminuem, ano após ano, os recursos humanos. E os poucos reforços não parecem capazes de portar aquela esmagadora responsabilidade que é gerir na terra nada menos do que a vontade do Céu.
Assim, o realismo católico parece impor um drástico redimensionamento da estrutura de uma Catholica que, de massa como era, está se tornando ou já se tornou comunidade minoritária. Querer manter o imponente aparato barroco, quando as forças vêm a faltar (e as poucas que ainda restam às vezes não são adequadas), leva inevitavelmente aos desvios e aos erros que são constatados na gestão eclesial.
Levar a sério, portanto, aqueles que propõem um retorno ao primeiro milênio, confiando à Unesco, como lugares artísticos e turísticos, os palácios na colina do Vaticano e voltar à “verdadeira” catedral do bispo de Roma, a de São João de Latrão, com uma estrutura institucional ao mínimo? Não é o caso de se refugiar em tais extremos, mas o problema existe e deverá ser enfrentado, embora longe de ideologias de 1968, de demagogia pauperista.
Mas, dizíamos, parece haver também uma falha moral que não é só sexual (a questão dos pedófilos, mas não só, docet), mas é também o retorno, quase como nos tempos do Renascimento, de palácios vaticanos reduzidos a nós de intrigas e de luta por carreiras, poderes, dinheiro, interesses ideológicos e políticos. Pois bem, aqui, não há reforma que esteja à altura, aqui não há remédio apenas humano. Aqui, toda técnica de reorganização empresarial é ridiculamente impotente e deve se abrir ao “escândalo” da oração.
Palavra do Papa Bento XVI, mas, durante décadas, palavra também do cardeal Joseph Ratzinger. Se a Igreja está em crise, ele sempre repetiu, é porque a fé dos homens da Igreja está em crise. Sem excluir a hierarquia. Ele chegou a me dizer, uma vez: “No ponto em que estamos, eu confesso: a fé, a fé plena, a que não hesita, parece ter se tornado tão rara que, ao encontrá-la, ela me assombra mais do que a incredulidade”.
Por isso, ele voltou às raízes de tudo, com os seus três volumes sobre o Jesus da história; por isso, ele quis um órgão especial para a nova evangelização; por isso, ele proclamou este 2012 como o “Ano da Fé”.  L’intendance suivra, dizia Napoleão: antes a conquista, depois os funcionários da administração.
A Igreja – o Papa Bento XVI está certo disso – também tem que fazer uma conquista, ou melhor, uma reconquista, a da fé na historicidade dos Evangelhos, no Deus que se encarnou em uma mulher, em um Jesus que, ressurgindo, mostrou ser o Cristo.
A Igreja já tem poucos homens, e às vezes pouco adequados. O despedaçamento, para a instituição, seria certo se quem ainda está “trabalhando na vinha do Senhor” (assim o papa gosta de dizer) perdesse a perspectiva de se empenhar não por um prêmio humana, mas sim divino. Se a fé vacila ou se apaga, se não é mais a razão cotidiana de vida, a preguiça dissimulada do burocrata está à espreita, o velho monsenhor, assim como o jovem, estão prontos para se transformar em funcionários do ministério clerical e, como tais, sujeitos a toda tentação.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Como o diabo gosta

Capa do jornal Meia Hora 
As edições dos jornais de terça-feira (12/2) devem ser guardadas como lembrança e material de estudo por quem ainda se interessa pela imprensa. O anúncio da renúncia do papa Bento 16, na manhã da segunda-feira de carnaval, quebra a estrutura dos jornais e expõe a inadequação do formato com que o noticiário precisa ser organizado nos diários de papel.
Surpreendidas pela decisão do pontífice, as sonolentas redações foram obrigadas a rever o planejamento feito para os dias de folia e a encontrar espaço para o inusitado acontecimento. O resultado é o retrato da esquizofrenia que se tornou característica da mídia tradicional.
O papa pode renunciar à representação oficial da divindade, mas a imprensa não pode abrir mão de mediar os festejos carnavalescos. O caráter esquizofrênico do noticiário fica exposto pela obrigatoriedade de agrupar as narrativas em espaços específicos, o que eventualmente implica colocar o fato histórico relevante lado a lado com as banalidades dos foliões.
Não é fácil conciliar duas temáticas tão controversas entre si, mesmo no formato digital, muito mais versátil do que o meio físico. No papel, o produto dessas escolhas vira uma espécie de Frankenstein.
Curiosamente, o jornal que encara esse desafio com mais leveza é o Globo, cuja sede fica na cidade onde o carnaval é uma razão de viver para milhões de pessoas. Na primeira página do jornal carioca, a renúncia do papa vem como tema principal, com manchete de lado a lado: “Trono vazio no Vaticano”. Abaixo da dobra, quase no rodapé, o assunto oficial da semana vira um título subalterno.
Os leitores são avisados de que o interior do jornal foi dividido em dois campos inconciliáveis. Sobre a manchete, vai uma chamada: “O sagrado”. Encimando o noticiário do carnaval, a antítese: “O profano”.
O conflito entre sagrado e o profano está presentes quase todo dia na imprensa, mais ou menos dissimulado nos assuntos que os editores consideram representativos da realidade do dia anterior. Trata-se de um aspecto do maniqueísmo que marca a visão de mundo da imprensa. No entanto, são raros os dias em que essa dicotomia se apresenta assim, de maneira tão explícita, como na terça-feira (12).
Tudo muito mundano
Para uma “edição de feriado”, como avisa a Folha de S. Paulo no alto da primeira página, até que os diários reagiram bem ao insólito acontecimento. Dadas as circunstâncias, com as redações em ritmo de plantão e jornalistas trocando o dia pela noite, a cobertura não decepciona. Mas boa parte desse mérito cabe ao protagonista principal: Bento 16 poderia ter deixado para fazer seu anúncio mais tarde, diante do balcão que dá para a Praça de São Pedro, falando diretamente às centenas de fiéis que ali costumam se aglomerar, o que deixaria a imprensa com menos tempo para absorver o impacto da notícia. Mas ele preferiu falar aos seus pares, em latim, numa cerimônia discreta testemunhada por apenas quatro jornalistas presentes à sala de imprensa do Vaticano.
Com a vantagem do fuso horário, foi possível aos jornais brasileiros digerir a informação, mobilizar especialistas e reverter o espaço de cadernos planejados para o noticiário sobre o carnaval. Por essa razão central, os leitores dos jornais puderam conhecer já no dia seguinte as causas prováveis da renúncia, partilhar detalhes de teorias conspiratórias e apreciar os perfis apressados sobre a figura do papa renunciante.
Os estudiosos do catolicismo e do poder clerical tiveram espaço para fazer suas análises, antigos correspondentes foram convocados a dar sua visão sobre os bastidores da igreja católica, e as inevitáveis especulações sobre o sucessor ganham espaço: como sempre, há os que sonham com um papa brasileiro, os que esperam o papa africano e os saudosos da Teologia da Libertação, que celebram o fim do reinado de um pontífice ultraconservador.
Curiosamente, alguns textos permitem dar uma olhada no interior da vetusta organização religiosa e observar sinais de conflitos tipicamente mundanos: querelas políticas, eminências pardas, pecados encobertos, como os milhares de casos de pedofilia, e disputas de poder. Tudo muito mundano.
Quem aprecia a leitura sutil deve observar que, no Globo, a cobertura da renúncia do papa vem dentro do caderno de Economia. E termina com uma reportagem que mistura samba com religião, registrando as primeiras anedotas sobre o fim do reinado de Bento 16 publicadas nas redes sociais. Com a foto de um cidadão de nome Goldzweig fantasiado de papa num bloco carnavalesco, o jornal carioca capricha no título: “Agora o carnaval está como o diabo gosta”.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Bento XVI: Crise e exaustão conservadora

http://blog.cancaonova.com/sms/files/2011/02/Papa-Bento-XVI-268x300.jpg 
Dinheiro, poder e sabotagens. Corrupção, espionagem, escândalos sexuais.
A presença ostensiva desses ingredientes de filme B no noticiário do Vaticano ganhou notável regularidade nos últimos tempos.
A frequência e a intensidade anunciavam algo nem sempre inteligível ao mundo exterior: o acirramento da disputa sucessória de Bento XVI nos bastidores da Santa Sé.
Desta vez, mais que nunca, a fumaça que anunciará o 'habemus papam' refletirá o desfecho de uma fritura política de vida ou morte entre grupos radicais de direita na alta burocracia católica.
Mais que as razões de saúde, existiriam razões de Estado que teriam levado Bento XVI a anunciar a renúncia de seu papado, nesta 2ª feira.
A verdade é que a direita formada pelos grupos 'Opus Dei' (de forte presença em fileiras do tucanato paulista), 'Legionários' e 'Comunhão e Libertação' (este último ligado ao berlusconismo) já havia precipitado fim do seu papado nos bastidores do Vaticano.
Sua desistência oficializa a entrega de um comando de que já não dispunha.
Devorado pelos grupos que inicialmente tentou vocalizar e controlar, Bento XVI jogou a toalha.
O gesto evidencia a exaustão histórica de uma burocracia planetária, incapaz de escrutinar democraticamente suas divergências. E cada vez mais afunilada pela disputa de poder entre cepas direitistas, cuja real distinção resume-se ao calibre das armas disponíveis na guerra de posições.
Ironicamente, Ratzinger foi a expressão brilhante e implacável dessa engrenagem comprometida.
Quadro ecumênico da teologia, inicialmente um simpatizante das elaborações reformistas de pensadores como Hans Küng, Joseph Ratzinger escolheu o corrimão da direita para galgar os degraus do poder interno no Vaticano.
Estabeleceu-se entre o intelectual promissor e a beligerância conservadora uma endogamia de propósito específico: exterminar as ideias marxistas dentro do catolicismo.
Em meados dos anos 70/80 ele consolidaria essa comunhão emprestando seu vigor intelectual para se transformar em uma espécie de Joseph McCarty da fé.
Foi assim que exerceu o comando da temível Congregação para a Doutrina da Fé.
À frente desse sucedâneo da Santa Inquisição, Ratzinger foi diretamente responsável pelo desmonte da Teologia da Libertação.
O teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos intelectuais mais prestigiados desse grupo, dentro e fora da igreja, esteve entre as suas presas.
Advertido, punido e desautorizado, seus textos foram interditados e proscritos. Por ordem direta do futuro papa.
Antes de assumir o cargo supremo da hierarquia, Ratzinger 'entregou o serviço' cobrado pelo conservadorismo.
Tornou-se mais uma peça da alavanca movida por gigantescas massas de forças que decretariam a supremacia dos livres mercados nos anos 80; a derrota do Estado do Bem Estar Social; o fim do comunismo e a ascensão dos governos neoliberais em todo o planeta.
Não bastava conquistar Estados, capturar bancos centrais, agências reguladoras e mercados financeiros.
Era necessário colonizar corações e mentes para a nova era.
Sob a inspiração de Ratzinger, seu antecessor João Paulo II liquidou a rede de dioceses progressistas no Brasil, por exemplo.
As pastorais católicas de forte presença no movimento de massas foram emasculadas em sua agenda 'profana'. A capilaridade das comunidades eclesiais de base da igreja foi tangida de volta ao catecismo convencional.
Ratzinger recebeu o Anel do Pescador em 2005, no apogeu do ciclo histórico que ajudou a implantar.
Durou pouco.
Três anos depois, em setembro de 2008, o fastígio das finanças e do conservadorismo sofreria um abalo do qual não mais se recuperou.
Avulta desde então a imensa máquina de desumanidade que o Vaticano ajudou a lubrificar neste ciclo (como já havia feito em outros também).
Fome, exclusão social, desolação juvenil não são mais ecos de um mundo distante. Formam a realidade cotidiana no quintal do Vaticano, em uma Europa conflagrada e para a qual a Igreja Católica não tem nada a dizer.
Sua tentativa de dar uma dimensão terrena ao credo conservador perdeu aderência em todos os sentidos com o agigantamento de uma crise social esmagadora.
O intelectual da ortodoxia termina seu ciclo deixando como legado um catolicismo apequenado; um imenso poder autodestrutivo embutido no canibalismo das falanges adversárias dentro da direita católica. E uma legião de almas penadas a migrar de um catolicismo etéreo para outras profissões de fé não menos conservadoras, mas legitimadas em seu pragmatismo pela eutanásia da espiritualidade social irradiada do Vaticano.
Saul Leblon
No CartaMaior
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Saúde, cansaço e política: o que levou o papa a descer da cruz?


http://forum.antinovaordemmundial.com/attachment.php?aid=1548 

Da cruz não se desce, disse o cardeal polonês Stanislaw Dzinisz, lembrando uma frase de seu conterrâneo Carol Wojtila, o papa João Paulo 2º. Mas o sucessor de Wojtila, Bento 16 (que, depois de 28 de fevereiro voltará ao nome “civil” de Joseph Ratzinger), desceu, e é difícil acreditar nas razões que alegou na carta que distribuiu nesta segunda feira (11) anunciando a decisão.
Bento 16 certamente ficará na história como o tenaz combatente contra o marxismo, responsável por desmontar a Teologia da Libertação desde o tempo em que esteve à frente da Congregação para a Doutrina da Fé (nome dado à antiga Santa Inquisição desde meados da década de 1960). E que, como papa, teve seu período marcado por uma sucessão de escândalos, acusações de pedofilia, corrupção, falcatruas financeiras, lavagem de dinheiro pelo Banco do Vaticano e por aí vai.
Conservador até a medula, Bento 16 confrontou-se com católicos mundo afora e recusou toda a agenda modernizante que envolve os costumes (do aborto ao casamento homossexual e ao uso da camisinha) ou as demandas internas da Igreja (como o fim do celibato ou o direito de mulheres celebrarem a missa).
Ele fez a opção pela direita ainda jovem. Diz-se que foi durante o levante popular de maio de 1968 que o então sacerdote que, no Concílio Vaticano 2º, havia partilhado de algumas ideias renovadoras, transformou o marxismo em alvo principal, numa virada conservadora que levaria ao papado.
Esse conservadorismo deu a Bento 16 a glória duvidosa de ser o primeiro papa vaiado em cidades europeias (como Barcelona e Londres, em 2010, e Berlim, em 2011) e na própria Praça de São Pedro, em Roma (2012), por jovens católicos indignados com o silêncio pontifical sobre o destino da jovem católica Emanuela Orlandi, assassinada em 1983, com suspeitas de envolvimento de hierarcas do Vaticano.
Há uma rede de intrigas em torno do papa, que resulta das disputas pelo poder entre grupos de extrema direita que ele próprio fomentou e prestigiou, desde os tempos de Karol Wojtila. Há um ano, o “diário oficial” do Vaticano, L'Osservatore Romano, descrevia o papa como “cercado por lobos”.
Os lobos eram, tudo indica, desses grupos de direita da alta burocracia católica, alimentados pelo anticomunismo de Ratzinger. E que disputam, palmo a palmo, o poder dentro da instituição. Lá está a todo-poderosa Opus Dei (ligada ao secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone), em choque mortal com organizações como Legionários de Cristo, Caminho Neocatecumenal, Comunhão e Libertação (ligada ao papável cardeal Angelo Scola, de Milão, similar e rival da Opus Dei ligada à direita italiana e ao berlusconismo).
A luta que as consome envolve desde querelas palacianas típicas de monarquias absolutas como o Vaticano, herdeiro contemporâneo deste anacronismo político, até vazamentos de informações sobre escândalos e irregularidades que, no ano passado, levaram à cadeia o próprio mordomo do papa, Paolo Gabriele. O arranca-rabo envolve altas autoridades vaticanas, como cardeais em postos chave de comando na hierarquia católica. E revela uma fidelidade maior a interesses empresariais e materiais do que à defesa da fé.
Há fortes sinais de que, mais do que à saúde ou à debilidade para enfrentar o desafio de administrar o catolicismo, a opção de Bento 16 (reconhecidamente um político atento) deva ser atribuída à decisão de ter um papel proeminente em sua própria sucessão, dando a ele - que, tudo indica, permanecerá em Roma até a escolha do novo papa - o papel de grande eleitor.
Pela regra canônica, só votam os cardeais com menos de 80 anos de idade; eles são 117 - todos nomeados por João Paulo 2º (50) e pelo próprio papa renunciante (67). Entre liberais, conservadores e o grupo que o elegeu em 2005 para o papado, Bento 16 tem forte chance de manobrar e influir na eleição de um sucessor que dê prosseguimento à orientação conservadora que marcou sua passagem pelo trono de São Pedro. Sucessor que vai gerir uma Igreja cada vez mais alheia aos anseios do mundo moderno e que, logo no primeiro ano sob Bento 16, foi ultrapassada em número de fiéis pelo islamismo. Em 2005 havia 1,3 milhões de muçulmanos no mundo, contra 1,1 milhão de católicos. E quase 800 milhões de pessoas que se declararam sem religião. No Brasil, maior país católico, esse decréscimo vem preocupando a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil: ao passar de 93% da população em 1960 para 65% em 2010 - isto é, em nosso país a Igreja Católica perdeu cerca de um cada três de seus seguidores.
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Tucanhede faz papel de palhaça de novo

Oposição cega leva Folha a mais um erro primário
Em sua coluna desta terça-feira, a jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha, apontou um suposto paradoxo da América Latina: enquanto o mau aluno, Brasil, tende a reeleger sua presidente Dilma Rousseff, o bom aluno, Chile, deve rejeitar a reeleição de Sebastian Piñera. Ocorre que, no Chile, Piñera não poderá ser reeleito por uma razão muito simples: a constituição do país não permite dois mandatos consecutivos e o atual presidente só cogita voltar em 2018; na disputa deste ano, a favorita é a ex-presidente Michelle Bachelet.
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Uma patifaria chamada O País dos Metralhas

O gibi vai entrar para a história como um retrato dos tempos cinzentos que vivemos.
   a11
A posteridade terá num simples gibi um exemplo perfeito dos dias mentalmente turbulentos e desgovernados que vivemos. O gibi, da Abril, é uma compilação de histórias dos Irmãos Metralhas.
É um triunfo da raiva, do recalque e do jogo sujo. Não há nada que desculpe, que atenue, que explique o absurdo que este gibi representa.
É um insulto mesmo a não petistas como eu.
Estranhamente, uma vez que será lido por crianças que não atinarão com a brutalidade boçal e reacionária da revista, tudo ali foi feito para agredir os petistas. Há tantas formas inteligentes de criticar o PT, e eis que aparece um gibi transformado num panfleto inútil e obtuso em sua agressividade delirante.
O título remete a um livro em que o blogueiro Reinaldo Azevedo compila parte de sua verborreia ultradireitista, o País dos Petralhas.
Dentro, “nasty” foi traduzido por “petralha”. Nasty é repulsivo. O termo “petralha” é, em si, outro símbolo destes dias intelectualmente tenebrosos no campo da direita.
Pausa. Fui — rapidamente — ver o que Azevedo dizia sobre isso. Acabei topando com uma sucessão de agressões dele a Flavio Moura por ter cometido o crime de escrever um artigo no Valor em que critica alguns colunistas reacionários. Moura é tratado como “empregadinho” de Luiz Scharcz porque é editor da Companhia de Livros. Me lembrou o caso de um conservador inglês que recentemente foi estraçalhado pela mídia por ter chamado policiais de “plebeus”. Para encerrar: Moura não escreveu, mas o declínio daquele tipo de colunista se manifesta, mais que tudo, nas sistemáticas surras eleitorais que tomam. Não estão convencendo ninguém, ou porque são simplesmente ineptos, ou porque a causa é ruim, ou por uma mistura de ambos os pontos.
Bem, de volta a petralha.
O gibi
O gibi
É um neologismo de Reinaldo Azevedo, e ninguém o usa tanto quanto o próprio autor, com evidente e infantil ufanismo. (Tolstoi não se ufanava de Guerra e Paz, e nem Shakespeare de Hamlet, mas Azevedo parece achar que merece reconhecimento internacional por petralha). Em escala muito menor, uns poucos conservadores falam em petralhas para diminuir petistas.
Note: petistas, e não delinquentes, em geral. É uma palavra com um alvo único: os petistas. Nenhum torcedor apaixonado chama um juiz de futebol, por exemplo, de petralha.
Mas o gibi consagrou, aspas, esta acepção inexistente de petralha. Quem optou por isso? Algum tradutor teria cometido essa barbaridade, ou um fundamentalista anônimo fez o ajuste na edição?
O responsável por isso, seja ele quem for, vai entrar para a história como o autor anônimo de uma pequena patifaria que não é grande senão por mostrar a falta de decência no debate entre os conservadores nacionais.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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