12 de fev de 2013

O lançamento de Serra-2014 através da 'trolagem' de terceiros

Captura da tela modificada com a imagem do maior interessado por trás dos ataques.
É claramente perceptível o estilo de campanha negativa, de desconstrução pessoal, tentada nas eleições de 2010, contra a presidenta Dilma, no artigo do "estoriador" Marco Antônio Villa no jornal Estadão.
O texto é irrelevante em seu conteúdo e nem justificaria perder tempo em comentá-lo, pois não passa de "trolagem" infantilizada, ou seja, agressões pessoais à presidenta, do tipo "feia, boba e malvada", para desestabilizar o bom debate político.
O que o torna interessante são as digitais do modus operandi inconfundível de José Serra fazer política: usar terceiros na imprensa demotucana para tentar desconstruir a imagem de adversários.
Villa é serrista até o último fio de cabelo. Há um ano atrás escreveu um artigo criticando, pasmem, FHC! O motivo? Acusava FHC de usar o "dedazo" para indicar Aécio Neves (PSDB-MG) como o candidato tucano a presidência em 2014. Villa agiu ali como um autêntico porta-voz de Serra, e na "trolagem" de agora parece repetir a dose.
Serra quer impor-se como "o mais preparado" candidato anti-Dilma e anti-Lula. Acha que larga na frente de Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE), pelo efeito "recall" das últimas eleições. E acha que o desempenho de Aécio deixa a desejar. A "trolagem" de Villa pode ser lida como Serra preparando o terreno, o lançamento "triunfal" de sua candidatura.
Alguém já disse: "Os sábios aprendem com os erros dos outros. Os inteligentes com seus próprios erros". Pois Serra não se encaixa em nenhum dos dois casos, repetindo velhas fórmulas das derrotas que sofreu.
Villa e o Estadão não conseguiram eleger Serra nem para prefeito de São Paulo, diante do "poste" Haddad lançado por Lula. A irrelevância dos dois é muito maior quando a disputa é nacional.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Pressões políticas podem ter influenciado Bento XVI

O anúncio da renúncia do Papa Bento XVI nesta segunda-feira 11 causou surpresa, mas não pode ser considerado um movimento tão inesperado. Em meio a um mandato marcado por tensões com outros líderes religiosos, novos casos de pedofilia envolvendo clérigos e a demanda por uma Igreja Católica mais aberta, Joseph Ratzinger vivia sob constante pressão. Algo que tornou-se mais evidente em delicados escândalos, como o do mordomo mandado para a prisão por revelar documentos que deixavam claro o jogo de poder nos corredores do Vaticano.
Papa Bento XVI no dia 25 de novembro de 2012 na Basílica de São Pedro. Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Papa Bento XVI no dia 25 de novembro de 2012 na Basílica de São Pedro.
Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Em uma carta, Ratzinger afirma ter refletido repetidamente até concluir não ter mais “forças, devido à idade avançada (…) para exercer adequadamente o ministério petrino”. Embora isso não seja novidade, uma vez que ele assumiu o posto aos 77 anos, em 19 de Abril de 2005, o pontífice não mencionou nos últimos anos nenhuma doença grave que poderia afasta-lo de suas funções. Realizou recentemente, inclusive, um longo discurso a cardeais sem grandes problemas.
É preciso, então, avaliar as forças políticas do Vaticano, um monastério absolutista sobre o qual o Papa tem mandato vitalício e controla sozinho os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. Sem mencionar alguns aspectos das diretrizes econômicas do Estado independente cravado no centro da Itália. É, portanto, um cargo sujeito a pressões de todos os tipos. Algo que pode ter contribuído para a renúncia.
“O Papa vinha enfrentando problemas políticos entre os grupos [da Igreja]. Basta ver no ano passado quando o mordomo vazou documentos secretos. Tudo isso cria um conjunto de fatores políticos sérios que o desgastaram ainda mais na idade dele”, diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Logicamente, isso não vai aparecer de maneira oficial.”
O Vaticano, comenta o desembargador aposentado Walter Mairovitch, colunista de CartaCapital, é notório por guardar bem seus segredos. “No caso do mordomo, há várias notícias de um movimento contrário ao Papa e até um carta com uma ameaça de morte. Houve ainda o escândalo do Banco do Vaticano, em que se viu que o Papa tinha muita dificuldade de impor as regras mínimas da União Europeia contra a lavagem de dinheiro.”
Segundo Silva, a Igreja está rachada em três grupos: o que levou Ratzinger ao poder, um mais liberal e outro conservador, que figuram no aspecto político e econômico do Vaticano. “O caso dos vazamentos mostra claramente que há um grupo totalmente contrário ao Papa atual. E isso desgasta qualquer agente político.”
Foto: Hermenpaca/Flickr
Pressões políticas podem ter influenciado decisão do Papa.
Foto: Hermenpaca/Flickr

Um desgaste capaz de fazê-lo tomar uma decisão quase sem precedentes na Igreja Católica. Bento XVI se tornará o primeiro Papa a renunciar nos últimos 600 anos. O último foi Gregório XII, que deixou o cargo em 1415. “Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. [...] É necessário também o vigor, quer do corpo, quer da mente; vigor este que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”, disse.
Na carta, Bento XVI afirma estar “consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade” e define a decisão como de grande importância “para a vida da Igreja”. E de fato será. Os cardeais, que devem anunciar um substituto até março, não poderão ignorar que o secularismo vem ganhando espaço no mundo e que a sociedade espera mudanças no posicionamento da Igreja sobre temas como o uso de preservativos. “Quando ele diz que não tem plenas forças para continuar, poderia se esperar que a igreja teria uma posição rumo À modernidade, com um sucessor mais jovem”, aponta Maierovitch.
O papado de Bento XVI, diz Silva, foi uma transição ao João Paulo II e a renúncia indica que já cumpriu seu papel. O que abre espaço para as especulações sobre o seu substituto. Pela primeira vez, a Igreja Católica poderia ser chefiada por um não-europeu. Entre os nomes cotados estão o dos brasileiros dom Odilo Pedro Scherer, arcebipso de São Paulo, e João Braz de Aviz, do departamento de Congregações Religiosas do Vaticano. O argentino Leonardo Sandri, do departamento de Igrejas Ocidentais, é outro cotado.
As mudanças poderiam ocorrer também na condução da Igreja, que não enfrenta uma “revolução” desde o Concílio do Vaticano II, entre 1962 e 1965. À época, o Papa João XXIII e bispos de todo o mundo modernizaram a igreja para estancar a perda de fieis. Como resultado, as missas deixaram de ser rezadas em latim com o padre de costas para o público, para acontecerem no idioma local. “A expectativa é ter um sucessor que siga o caminho de abertura pelo Vaticano II, algo que Paulo II e Bento XVI representaram um retrocesso”, acredita Silva.
Gabriel Bonis
No CartaCapital
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A Igreja e a reinvenção do Ocidente

Ao surpreender o mundo – menos alguns íntimos de sua fadiga – com a renúncia ao papado, Bento 16 revela a grande crise por que passa a Igreja Católica. Quando Gregório XII renunciou, em 1415, seu gesto unificou a instituição, então dividida sob três pontífices desde 1378. Ângelo Correr percebeu, com acuidade, que ele serviria melhor à sua própria posteridade ao servir à unidade da Igreja, e abandonar o trono papal.
Ele não era O Papa, mas a terceira parte de um poder que, dividido, enfraquecia-se cada vez mais diante do mundo e, o que é pior, diante da História. Os dois anos de vida que lhe sobraram – morreu em 1417 – lhe devem ter assegurado esse consolo. Ele tinha 90 anos ao renunciar – uma idade difícil de atingir naquela véspera do Renascimento – mas deu a seu gesto o claro caráter político, ao negociá-lo com o adversário mais forte, e influir na escolha – unânime, do sucessor, Martinho V – da poderosa família Colonna. Não alegou cansaço, mas, sim, responsabilidade política.
Mais longa do que o Grande Cisma dos séculos 14 e 15, que durou quase 40 anos, é a já duradoura crise do Ocidente, de que a Igreja foi fiadora e principal organização política, desde Constantino e Ambrósio. Depois da morte de ambos, a Igreja se proclamou herdeira do Império Romano, com base em um documento apócrifo, a Constitutum Constantini, segundo o qual Constantino legava ao papa Silvestre I – e, assim, à Igreja – todo o poder político e todos os bens do Império. O documento, forjado no século 8, foi desmascarado por Lourenço Valla, no século 15.
Um dos mais destacados latinistas e gramáticos da História, Valla provou que o latim usado para redigir o documento não existia no século 4. A inteligência lógica de Ambrósio arquitetou a construção política da Igreja, conduzida na sábia combinação entre a concentração da autoridade espiritual no Vaticano, exercida mediante os bispos, e a distribuição do poder temporal entre os reis e os senhores feudais, sem esquecer o domínio direto sobre os estados pontifícios, que garantiam a incolumidade dos papas.
Dessa forma foi possível, em esforço de séculos, domar a anarquia, conter e assimilar os bárbaros e dar estrutura política e social à Idade Média, com a consolidação da injustiça de sempre contra os pobres e os pensadores que os defendiam, quase sempre levados às inquisições e à fogueira, como ocorreu a Giordano Bruno, no auge do Renascimento, em 1600.
Ambrósio, nobre burocrata do Império, que pagão até ser eleito bispo de Milão, não agiu como teólogo, que não era, mas, sim, como um dos mais hábeis estrategistas políticos da História. Coube-lhe salvar os pontos basilares da idéia do Ocidente.
A Igreja sempre fez alianças com o poder temporal, algumas piores do que as outras, a fim de evitar a prevalência do verdadeiro Cristianismo sobre seus interesses políticos no mundo. É assim que o Vaticano de nossos dias – depois de tolerância criminosa com Hitler, sob Pio XII – mantém o acordo firmado entre Reagan e Wojtyla, há mais de trinta anos, com o objetivo, atingido, de destruir a União Soviética e combater o socialismo. É preciso lembrar que, para o êxito da conspiração, contribuíram o traidor Gobartchev, hoje garoto propaganda dos artigos de luxo da Louis Vuitton, e as operações do Banco Ambrosiano (valha a coincidência), para financiar o Solidarinost, o sindicato de direita da Polônia, liderado por Lech Walesa.
Mesmo que não a desejasse, Ratzinger seria compelido à renúncia, pelos mais eminentes membros da Cúria Romana, que se preocupam com a sanidade mental do Pontífice, cujo engajamento com os setores mais conservadores da Igreja tem comprometido o seu arbítrio. Acrescente-se o movimento, subterrâneo, mas vigoroso, da Igreja Latina – e mais perceptível no episcopado italiano – de encerrar o período de papas menos universais e empenhados em sua razão nacionalista, como o polonês e o alemão. Isso não significa que o clero italiano recupere a Santa Sé, mas anuncia uma campanha intensa durante o conclave em favor de um candidato com as chances de Ângelo Scola, atual arcebispo de Milão, e advogado de diálogo franco e aberto com o Islã.
Em seu pronunciamento de renúncia, o Papa associou seu gesto à crise do pensamento ocidental, no tempo de alucinantes mudanças: “… no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”.
Como anotou Gregório de Tours, no enigmático século 6, o mundo de vez em quando envelhece, encasulado na dúvida, e reclama a metamorfose. A Igreja Cristã (não só a Católica) e o Ocidente, xifópagos há 16 séculos, necessitam reinventar-se. Talvez a astúcia hoje dependa de pensadores abertos, como o arcebispo de Milão, sucessor de Ambrósio no episcopado. Talvez seja o tempo de se convocar não um Concílio da Igreja Católica, mas de organizar-se Concílio Ecumênico Universal, para salvar a idéia de um Deus comum, reunindo todas as crenças em nome da vida e da paz entre os homens de boa vontade.
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O declínio do jornalismo

http://www.midiatismo.com.br/wp-content/uploads/2011/11/teoria-do-espelho-jornalismo.jpg 
Em mais de 30 anos entrevistei dúzias de candidatos a emprego em jornalismo. Entre as perguntas que sempre faço, uma delas é esta: por que jornais são publicados? Até hoje, ninguém com formação numa faculdade de Jornalismo soube dar a resposta – que, naturalmente, é dar lucro ao publisher.
No ano passado, participei de um bate-papo com estudantes de Jornalismo da universidade local. Fiz a minha pergunta e recebi as mesmas respostas de sempre (“Para... hmmm... dar uma voz à comunidade?”) Quando disse a resposta aos estudantes, o instrutor discordou e repetiu a mesma besteira que os estudantes já haviam proporcionado. Minha resposta era uma observação de senso comum, dita com delicadeza. Como recentemente me escreveu um amigo, “se você quiser ver cabeças explodirem, tente explicar às pessoas que elas não são o cliente e o jornal não é o produto... Os anunciantes são o cliente e a atenção do leitor é o produto”. Se você fizesse essa experiência com uma faculdade de Jornalismo típica, as detonações cranianas que se seguiriam seriam registradas no sismômetro do departamento de Geologia.
E no entanto, é a verdade pura e simples, 100%.
Nós, na Redação, não deveríamos alimentar ilusões. Nosso objetivo total é preencher o “buraco das notícias”, que é o espaço que sobra depois que os anúncios tiverem sido colocados na página. Esse é o fato por trás da observação cômica do seriado de televisão Seinfeld: “É fantástico como a quantidade de notícias que acontece no mundo diariamente sempre se encaixa à perfeição no jornal.” É tudo decidido pela publicidade.
Preparando jovens para ‘salvar o mundo’
Se os jornais servem o público, isso é um feliz efeito colateral do principal objetivo de ganhar dinheiro. E, na verdade, servir o público depende completamente da condição de fazer dinheiro. Como estes simples fatos escapam à atenção dos estudantes de Jornalismo e professores de Jornalismo, é óbvio. Eles vivem numa Terra do Nunca onde os fatos da vida vêm em segundo lugar, depois do engajamento ideológico.
Ocupados, os professores preparam-se para enfrentar oralmente as injustiças do mundo, tais como definidas pelos professores do mundo. O resultado é aquilo que o colunista Jeff Jacoby, do Boston Globe, recentemente descreveu como uma “falta de diversidade ideológica” que se encontra na maioria das redações americanas. Jacoby listou os atributos mais comuns, incluindo “o apoio reflexivo aos democratas, a antipatia pela religião e pelos militares, o apoio ruidoso a entusiasmos liberais como controle de armas e casamento homossexual...”
Por que são necessários quatro anos para preparar jovens jornalistas para salvar o mundo – isto é, refazê-lo em sua imagem filosófica – é algo que não entendo. Nunca fiz um curso de Jornalismo, o que considero uma bênção para minha carreira e, em especial, para minha atividade de repórter. Eventualmente, um superior me diz: “Não é assim que se faz.” Quando pergunto por que, invariavelmente a resposta é: “Porque eu aprendi que não é assim que se faz.”
Regulação e legislação
Empresários podem recuar diante dessa frase. Espero que o façam. Afinal, nos negócios nenhuma frase é tão perigosa quanto “não é assim que fazemos aqui”.
Em parte, o resultado é um modelo estilístico que se recusa a envolver-se por completo com o leitor. Você sabe por que esta frase seria cortada por um copidesque? Porque usei a palavra “você”. O copidesque preferiria “os leitores poderiam se surpreender se soubessem que esta frase seria cortada pelo copidesque”.
Na atual era midiática, quando o exibicionismo por categoria é comemorado, nós, do ramo dos jornais, continuamos muito melindrosos para usar o enorme poder de envolvimento da segunda pessoa. É claro que todo mundo sobrevaloriza o treinamento acadêmico que recebeu. Torna o débito uma inconveniência e o tempo gasto, válido, ou menos fútil, pelo menos. E imagine a emoção de usar o “lede”, que é a nova forma de escrever lead [guiar, conduzir], como em frase de abertura de uma matéria. Seu uso proporciona a agradável sensação de possuir conhecimento especializado, um conhecimento bem para lá dos conhecidos do mediano zé ninguém.
Isso é particularmente agradável para aqueles que sabem tão pouco sobre todo o resto. Por exemplo, sempre pergunto aos candidatos a emprego uma segunda questão: “Qual é a diferença entre regulação e legislação?” Um único estudante graduado sabia a resposta. Timidamente, ele admitiu que sabia porque no verão anterior havia trabalhado como assessor legislativo.
Incompetência e corrupção
Diga-me, por favor. Como é que se prepara um estudante para uma carreira como “cão de guarda do governo” e não se dá a mais elementar instrução sobre como funciona um governo? Como convém à sua orgulhosa reputação e seu orgulhoso objetivo, os jornalistas trabalham sob o vínculo de uma orgulhosa construção ética. Infelizmente, ela é tão imperfeita e juvenil quanto sua proposta jornalística. De vez em quando, os imperativos éticos são simplesmente incompatíveis. Por exemplo: 1) salvar o mundo; e 2) objetividade jornalística. Isso ilustra à perfeição um fato importante: não foi filosófica ou acidentalmente que se chegou à ética jornalística.
Como é o caso com muitos códigos de ética, a ética na indústria do jornalismo tem como um de seus principais objetivos a manutenção do status quo, principalmente do status quo econômico.
Os leitores mais velhos se lembrarão que antigamente os advogados americanos evitavam a publicidade. Funcionava às mil maravilhas como forma de diminuir a concorrência, tanto em termos de preço quanto de atrair novos clientes. Para um equivalente em jornalismo, imaginemos que a maioria das redações dos jornais americanos funciona isolada dos aspectos “comerciais” da empresa. O suposto objetivo é o de garantir que os repórteres não sejam influenciados pela sujeira da troca de dinheiro que ocorre em algum outro lugar daquele prédio. Eles devem trabalhar como se os bancos locais não estivessem, de fato, comprando anúncios de página inteira e, com isso, ficam livres para fazer perguntas sobre a incompetência ou a corrupção dos bancos com a mesma frequência que o fazem àqueles que não anunciam.
Notícias insípidas
Na prática, a coisa não funciona tão bem.
Entretanto, bate na tecla – tão presente entre os moradores das redações – de que a maioria dos negócios é uma atividade corrupta, ou pelo menos questionável. Todos os donos de negócios são vistos como “gananciosos”. Os repórteres acham a ideia de maximizar os lucros um pouco perigosa. Lembre-se que os repórteres não estão trabalhando por recompensas semelhantes àquelas dos negócios. Eles querem salvar o mundo.
Há séculos que os donos de jornais usam essa propensão para pagar uma mixaria aos repórteres. Na realidade, a profissão dos repórteres é uma das que recebem pior pagamento entre as que exigem diploma universitário. Na maioria dos lugares, ganham de 40 a 50% menos que o bibliotecário local. Os donos dos jornais aproveitam-se, e muito, da ingenuidade do pessoal que está em suas redações. Eles não dizem uma palavra.
Depois temos a ideia de “objetividade”, outro conceito completamente ridículo e que também é altamente útil para gerar lucros. Objetividade jornalística é uma coisa que não existe. (Para uma explicação detalhada, veja “Why the News Makes You Angry”.)
Um pouco antes do final do século 19, toda a cidadezinha americana tinha um ou mais jornais e cada um atendia a leitores de determinada tendência religiosa, social ou política. Foi então que se introduziu a “objetividade”. O resultado não eram notícias objetivas, mas notícias que não sofriam objeções por parte de nenhum grupo. Notícias insípidas e comentários mostraram ser um ótimo modelo de negócios porque eram vendidos ao público como estritamente factuais, sem a suspeita de preconceito.
Magia negra
Os consumidores confiaram. E engoliram essas notícias.
As notícias objetivas foram e continuam sendo uma piada, mas os americanos continuam a acreditar que existem. As pessoas que assistem ao canal CNBC dirão que é objetivo. Os espectadores que assistem à Fox acreditam que escutam a verdade nua e crua. Como iriam essas mesmas pessoas penetrar o noticiário tendencioso, mas muito mais sofisticado, do New York Times?
A maioria dos consumidores de informação acredita que as notícias que recebe são “objetivas” simplesmente porque lhes disseram que são. É um fenômeno psicológico bastante conhecido, normalmente citado como uma “grande mentira”. A Sociedade dos Jornalistas Profissionais fornece uma interessante recapitulação de toda essa história de ética jornalística em seu website. Você verá que é exigido dos “jornalistas profissionais” – o que quer que isso signifique – que “descrevam na matéria a diversidade e magnitude da experiência humana com ousadia, mesmo quando não seja popular fazê-lo” – o que quer que isso signifique. E, finalmente, exige-se dos jornalistas que “exponham a conduta aética por parte de jornalistas e da mídia de informação”. Certo. Se porventura alguma vez existiu um argumento a favor do valor de jornalistas de pijama online, isto deveria acabar com ele.
Durante décadas, a grande mídia trabalhou numa bolha, completamente livre do controle de outros. Todos vimos os resultados disso. Diminuíram nossas vidas diárias. E foi tudo consequência de um acordo de cavalheiros: nós não iremos olhar para vocês se vocês não olharem para nós. E nunca deveremos, jamais, olhar criticamente para nossas próprias operações.
Agora, felizmente, aquele modelo foi destroçado – não por jornalistas profissionais, mas por amadores. Diletantes é como os chamariam meus condescendentes colegas – se seu vocabulário fosse suficiente. Pessoalmente, adoro essa gente. Eles estão finalmente conseguindo forçar a responsabilidade numa indústria singularmente poderosa que, por um tempo demasiado longo, às vezes praticou sua magia negra com o olhar do público.
Tradução de Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Artigo de Theodore Dawes “The Fall of Journalism”, American Thinker
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Charge online - Bessinha - # 1689

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Desmascarando a falsa imparcialidade da rede globo

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Promotora boquirrota

Não é caricatura; é natural!
O que mais me impressionou nessa história não foi o reacionarismo da promotora em questão - há muito venho dizendo que o Ministério Público, com seus quadros repletos de concurseiros profissionais oriundos da classe média, está se transformando num playground de jovens arrumadinhos absolutamente descolados da realidade.
O que me impressionou foi o ódio de classe e o baixíssimo nível de uma promotora responsável por um processo que envolve estudantes sob risco de privação de liberdade.
Em um dos tuítes, Eliana Passarelli diz que "o PT é bem pior que a ditadura (militar) brasileira, mais de (sic) Chavez e Cuba junto (sic)!".
Ou seja, trata-se de uma promotora de mais de 40 anos (a julgar pela foto) que é incapaz de fazer uma avaliação histórica minimamente plausível, sem falar no português bisonho.
E covarde. Flagrada em um acesso de verborragia no twitter, primeiro mentiu, dizendo que não tinha conta. Depois, sorrateiramente, tirou a conta do ar.
Vamos ver o que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), presidido pelo probo Roberto Gurgel, irá fazer a respeito, depois do carnaval.
Leandro Fortes
No Amoral Nato
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Aécio, turismo e turismo sexual

Aécio, turismo e turismo sexual 
E cá estamos a apartear o Senador Aécio Neves.
Desta vez ele escreveu sobre turismo e, especificamente, manifestou preocupações com o turismo sexual no Brasil. Com menos clichês do que no ano passado.
Como sempre, para criticar ele expõe números que indicam os déficits brasileiros para o setor. Sua fonte foram matérias em sites de notícias Brasil, que repercutiram, com a tradicional leveza jornalística, um relatório do “Fórum Econômico Mundial”: nosso país teria caído no ranking internacional no setor, na comparação 2011-2009.
Considerando que cada ponto de vista é a vista de um ponto, é bom lembrar que o citado Fórum representa governos e oligopólios que – hegemonicamente – levaram o mundo a sucessivas crises econômicas recentemente. Como a de 2008 e a atual na Europa, sem falar no crônico déficit fiscal dos EUA, que arrasta o mundo para “tsunamis” econômicos cada vez mais dramáticos.
E qual é a genial conclusão do relatório usado por Aécio Neves para desqualificar o Brasil? A alta carga tributária no setor de transportes seria uma das principais causas da referida “queda” brasileira. Pronto! Revelado o segredo do diagnóstico do Fórum de Davos. Eis o ponto de vista da turma do liberalismo sem limites, do estado mínimo e da privataria plena.
Números são números. Peguemos os dados da Infraero (aeroportos): em 2002 (FHC) os desembarques nacionais foram menos de 33 milhões; em 2010 (Lula), ultrapassaram os 68 milhões. Isso dá a dimensão da grandeza de nossos problemas. Que o nosso senador e a companheira Danuza Leão lamentam, compartilhando os mesmos valores: tem pobre demais nos aeroportos.
Infraestrutura é algo que deveria ter uma “herança bendita” de 30 ou 40 anos. Se os oito de FHC na presidência tivessem ajudado, certamente estaríamos melhores.
Basta pegar um item apenas, o da gestão, para mostrar o desprezo dos tucanos para o assunto. Com FHC, o turismo era um mero sobrenome de um Ministério mais amplo (primeiro , “... da Indústria, Comércio e Turismo”; depois como “... Esporte e Turismo”). E que teve seis titulares em seus oito anos de governo. Com Lula, o turismo ganhou pasta exclusiva e teve três ministros em oito anos.
Isso faz diferença para planejar e executar políticas. Sobretudo quando você pega uma área sucateada. Quase começamos do zero, pois o Plano Nacional de Municipalização do Turismo – PNMT - (FHC) revelou-se apenas como um artefato de transferência e pulverização de responsabilidades e não um instrumento de integração do setor. Infraestrutura e logística em turismo, ilustre senador, é – principalmente – assunto nacional.
Quanto ao segundo tema, concordamos com o senador: o turismo sexual deve ser uma preocupação constante. Se ele voltar ao assunto vamos também fazer comparações entre as estatísticas atuais e as do tempo de FHC.
Basta dizer que, além de ações repressivas, há também questões de ordem cultural e comportamental que devem ser observadas. Exemplo: a atriz Megan Fox, contratada para enfeitar um dos camarotes no desfile do Rio de Janeiro, disse que gostaria de “ter uma bunda brasileira”. Ela é apenas uma, dentre centenas de celebridades artísticas, empresariais e políticas que nos reservam tristes exemplos como esse. Não é mesmo senador?
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Gibi da Abril e “o país dos metralhas”

 
A Editora Abril envia às bancas nos próximos dias o gibi “O país dos metralhas”, reunindo 10 histórias dos famosos larápios de Wall Disney. O lançamento já agitou as redes sociais. Os que conhecem os truques sujos da famiglia Civita observam que o título da publicação é parecido com os dois livros do pitbull da Veja, Reinaldo Azevedo – “O país dos petralhas”. Também informam que gibi traz uma tradução escrota do termo “nasty” (sórdido), impresso como “petralha”. Há, ainda, a cor vermelha nas camisetas dos metralhas.
Em seu blog, o pitbull da Veja já desqualificou os críticos. Ele garante que o seu patrão não teve motivação política. Mas confessa que gostou do título. “Todos sabem que a palavra ‘petralha’ foi inspirada na turma? Eu fiz eco aos bandidos do gibi, e o gibi faz eco aos livros ‘O País dos Petralhas’. Não! Não foi conspiração. Eu nem sabia... Eu curtia, quando moleque, a história dos larápios ingênuos que sempre se davam mal no fim. Os petralhas acham que já triunfaram. Tanto é assim que agora resolveram dar início à caça às bruxas”.
Já o tradutor João Lucas Gontijo Fraga, em texto postado no blog de Luis Nassif, criticou a tradução do termo “nasty”, mas aconselhou os internautas a evitarem polêmicas desnecessárias. Reproduzo seu texto na íntegra:
*****
Sou tradutor e fui o primeiro a me enfurecer quando a Abril traduziu ‘nasty’ (termo pejorativo geral) por ‘petralha’ (termo pejorativo específico). O que a Abril fez na ocasião foi prostituir a minha profissão. Não aceito isso e levo essa questão MUITO a sério.
Então tenho autoridade para dizer que:
1- Não era uma tradução, pelo visto, e sim uma escolha. Uma escolha com agenda política, óbvio, mas, pelo menos dessa vez, a Editora Abril não prostituiu minha profissão.
2- Em termos de efeito, mudar a cor da camisa dos Irmãos Metralha e fazer auto-referência a um livro de RA tem mais ou menos a mesma eficiência de cuspir em um míssil que vem na sua direção na esperança de mudar sua trajetória.
3- O PSDB foi quem ficou enchendo a paciência quando Dilma vestiu vermelho. Se queremos ser diferenciados deles, convém não mordermos a isca.
4- Eles dizem mentiras bem piores, de formas bem mais grotescas, o tempo todo. Foco nas coisas sérias, não nas trivialidades”.
*****
Seja qual for a intenção da famiglia Civita – que deixou os EUA nos anos 1950 e desembarcou no Brasil com um estranho contrato de exclusividade para a publicação das histórias em quadrinhos de Wall Disney –, o lançamento do novo gibi serve para algumas indagações. Afinal, quem são os verdadeiros bandidos no país. Carlinhos Cachoeira, o mafioso que mantinha íntimas ligações com o editor-chefe da Veja, Policarpo Júnior, encaixa-se neste perfil? E o senador cassado Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da ética” da Veja?
Bob Civita, o chefão da Editora Abril, sempre esteve próximo dos poderosos. Tanto dos generais golpistas de 1964 como dos políticos fisiológicos que infernizam o país. Como os gatunos de rua, Civita nunca deu transparência às suas operações. Até hoje permanecem nebulosas as negociações com os governos tucanos para a compra de assinaturas das revistas da Abril e para a aquisição de milionários anúncios publicitários. Quem são os verdadeiros metralhas no Brasil – que não têm nada de ingênuos?
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Carnaval em São Paulo com segurança proativa

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