5 de fev de 2013

Charge online - Bessinha - # 1679

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As verdades científicas de Silas Malafaia

O show de obscurantismo e loucura na entrevista do pastor com Marília Gabriela.


Eu nunca fui fã de Marília Gabriela. Acho-a uma espécie de Jô Soares de calças. Celebridades e subcelebridades são recebidas em seu programa com perguntas do tipo: “E esse coração, como vai?” Ao que o cidadão ou cidadã responde: “Ah, Gabi, eu tô me namorando”. E segue daí.
Mas Gabi brilhou em seu encontro com o pastor Silas Malafaia. O homem ajuda em sua verborreia alucinada, mas as pontuações da apresentadora foram certeiras. Se ela se aplicasse assim com todos os entrevistados, seria melhor que Piers Morgan. Ainda que Malafaia seja um alvo fácil, ela conseguiu manter uma tensão permanente, sem descambar, respondendo a boa parte das bobagens inacreditáveis que ele repete todo dia a seus fiéis, algumas das quais mostradas pelo SBT.
O pensador inglês Bertrand Russel ilustra o caso de Malafaia perfeitamente:  “O grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos são sempre cheios de certeza, enquanto os sábios são cheios de dúvidas”.
Malafaia é uma besta apocalíptica preenchida de certezas absolutas. Daqui a 40 ou 50 anos, diz ele, vamos ver como vai ficar o mundo depois de tantos casais homossexuais adotarem crianças. A homofobia de Malafaia é apenas o pedaço mais visível de uma montanha de idiotices. O fato de ele ter uma igreja lhe dá autoridade divina para versar sobre todas as questões fundamentais.
Ele não inventou nada. Isso é da natureza das religiões organizadas (que são, na definição de Christopher Hitchens em seu livro Deus Não é Grande, “violentas, irracionais, intolerantes, aliadas do racismo, do tribalismo e do ódio, investidas de ignorância, hostis ao questionamento e às mulheres e coercivas com as crianças”).
O Silvio Santos da intolerância
O Silvio Santos da intolerância
Malafaia, um homem rico, cuja organização não recolhe impostos, se apoia na Bíblia para espalhar sua diatribe. Disse que “nenhuma verdade cientifica da Bíblia até hoje foi derrubada”. Era uma oportunidade de entender a ciência por trás de dilúvios e arcas com casais de animais, mares divididos ao meio por um senhor com cajado, pessoas que viram pedra ao olhar para trás, água transformada em vinho, ressuscitamentos, gente que anda sobre a água, virgens que têm filho etc etc etc.
Não é à toa que Serra se aliou a Malafaia, como escreveu o blogueiro Guy Franco aqui no Diário. É um obscurantismo sem freios, um reacionarismo tacanho, envelopado na “defesa da família”. Ele fala muito bem. Ele fala alto. Ele é ignorante e autocondescendente (“islamismo é de um radicalismo muito horroroso para o que a gente chama de religião”, mandou ver. Então ficamos combinados que ele não é radical).
O ponto alto da noite foi seu ideário homofóbico (“Ninguém nasce gay. É um comportamento; “se houver pastor homossexual, ele perde o cargo”; “a minha questão é o direitos que eles querem em detrimento da sociedade”; e por aí vai). Mas Malafaia é maior do que isso. Sua igreja enche, seus livros vendem, seus cofres ficam cada vez mais cheios. Não há sinal de que, a alturas tantas de um de seus sermões, seus seguidores vão cair em si, parar de dar dízimo e cuidar da vida. Como o próprio diz, vamos ver como vai ficar o mundo, daqui a 40 ou 50 anos, quando as besteiras de Silas Malafaia terão virado verdades científicas para milhares de pessoas.
Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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A matemática esperta da ‘Folha’

Capa do jornal Folha de São Paulo
Manchete da Folha deste domingo estampa 'grave denúncia':
"Programa social consome a metade dos gastos federais".
Só profissionais da dissimulação conseguem vender como jornalismo manipulações grosseiras como essa, feitas para alimentar o alarido da agenda conservadora.
A saber:
a) que a política econômica do governo do PT não passa de uma bolha de consumo atrelada à enorme 'bolsa esmola', ao custo de R$ 405,2 bi;
b) que o consumo de massa é mantido de forma artificial, com gastos assistencialistas - e reajuste abusivo do salário mínimo, a pressionar o sistema previdenciário;
c) que tudo isso é inflacionário porque desprovido da expansão dos demais ingredientes que sustentam a oferta (como se o hiato do investimento fosse um fato cristalizado);
d) que o conjunto subtrai recursos ao sagrado superávit primário, impedindo o Estado de canalizar maiores fatias aos rentistas da dívida pública;
e) que a solução é restaurar a agenda do Estado mínimo, com política salarial que desguarneça o núcleo desequilibrador da pirâmide de renda: o ganho real de 60% do salário mínimo no governo Lula.
Em resumo: PSDB na cabeça em 2014.
Dois disparos à queima-roupa denunciam a pistolagem atirando deliberadamente contra os fatos no alerta domingueiro da Folha.
A 'grave denúncia' apoia-se, de um lado, num truque contábil.
Ele pode ser pinçado de dentro de uma única e miserável linha do texto:
'Foram excluídos da conta os encargos da dívida pública'.
A partir daí até camelo passa no buraco da agulha.
A pequena confissão subtrai do conjunto das comparações algo como R$ 200 bilhões.
Média do que custou o pagamento dos juros da dívida pública nos últimos anos.
Só os juros.
Não estão computadas aqui as despesas com amortizações e rolagens, que elevam o fardo rentista a quase 50% do gasto orçamentário federal, engessando-o para investimentos em saúde, educação etc.
São 'pequenas' elipses.
Mas são elas que tornam possível entregar o percentual encomendado pela manchete domingueira: 'programa social consome a metade dos gastos federais'.
O segundo desvão da calculadora dos Frias engole aspectos cruciais da previdência social urbana.
No texto, ela é a ante-sala do inferno fiscal: equivale a 60% dos tais 'gastos sociais' do Estado brasileiro.
Um buraco de R$ 245,5 bi. (O Bolsa Família soma modestos 5% do total, R$ 20,5 bi, o que o impediria de sustentar a 'grave denúncia' da 'Folha')
A rigor tampouco a previdência o permite, exceto manipulada no liquidificador do jornalismo esperto.
Aos fatos.
A previdência urbana é superavitária desde 2007, graças à criação de 16 milhões de empregos com registro em carteira nos governos Lula e Dilma.
Em 2012, ela teve o melhor resultado de sua história: um superávit de R$ 25 bi.
O saldo cobre quase 35% do déficit da previdência rural, que estendeu o salário mínimo aos idosos do campo, privados de direitos trabalhista pelos mesmos interesses que hoje reclamam equilíbrio fiscal.
A transferência de uma renda mínima aos sexagenários rurais teve os seguintes desdobramentos:
a) a renda rural nos últimos seis anos cresceu 36% a mais do que o próprio PIB;
b) a previdência rural - que a agenda ortodoxa quer extinguir ou desvincular dos ganhos do mínimo - tornou-se um dos principais fatores de dinamização dos municípios no interior do país;
c) a década do governo Lula foi a primeira, em 60 anos, em que o êxodo rural no Brasil se estabilizou.
É uma pequena reviravolta histórica.
Deveria ser aprofundada, melhor debatida, retificada em suas lacunas, pesquisada e fortalecida em seus desdobramentos virtuosos.
Mas quem o fará?
Por certo, não a matemática esperta da Folha.
Por precaução eleitoral, ela cuida também de desqualificar os desdobramentos efetivos da 'gastança social' que condena.
A mensagem do conjunto reflete a mentalidade regressiva de um conservadorismo incapaz de se renovar.
Exceto em seu repertório de truques e traques, entre os quais se abriga o recado domingueiro da Folha:
'Devolvam o país aos mercados; eles sabem como fazer a coisa certa'.
Saul Leblon
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MPF: Aécio utilizou recursos ilegais também na campanha para senador

Aécio repetiu em 2010 irregularidades praticadas em 1998, 2002 e 2006 ao receber doações ilegais. MPF recorre e ele poderá perder o mandato e ficar inelegível
Enquanto o STF condena à prisão deputados por terem recebido recursos de fonte ilícita e a justiça eleitoral cassa e impede a posse de vereadores e prefeitos de todo País por erros em suas contas de campanha eleitoral, em Minas Gerais a elite política comandada pelo atual senador Aécio Neves, além de não serem punidos, permanecem recebendo recursos e financiamentos ilícitos sob a proteção da “aprovação com ressalva” do TRE-MG.
Aécio consta da lista existente no Relatório da Polícia Federal, (pag.-14), como um dos beneficiados pelo esquema ilícito denominado “Mensalão do PSDB”, em 1998, com a importância de R$ 100.000,00. Em 2002, sua primeira eleição para o Governo de Minas Gerais, conforme prestação de contas encaminhada por Danilo de Castro à Dimas Fabiano, sua campanha recebeu R$15.861.548,00 originária da arrecadação ilícita denominada “Lista de Furnas”. Em 2006, o MPF descobriu em sua prestação de contas na justiça eleitoral o recebimento de recurso ilícito de R$ 1.400.000,00.
Agora, em 2010, segundo o MPF, ele recebeu novamente de fonte ilícita recursos para sua campanha a senador.
Críticos da situação por que passa o Poder Judiciário de Minas Gerais, principalmente o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), já discutem a possibilidade de formalizar denúncia perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra os integrantes dos dois tribunais que se encontram atrelados às vontades do Governo de Minas e envolvidos em procedimentos executados no intuito de burlar a lei e manter a impunidade dos detentores de Poder em Minas Gerais. Segundo os denunciantes, a situação beira o absurdo.
Constata-se que a revolta é enorme segundo juristas, promotores e procuradores que militam na justiça eleitoral ao afirmarem que: advogar contra o Palácio da Liberdade é derrota certa. Diante do narrado, Novojornal consultou outros juristas, além de funcionários e ex-funcionários do Tribunal, e apurou anos de uma relação perniciosa entre o Executivo e Judiciário, que criaram uma cultura de protecionismo e impunidade aos políticos apoiados pelo Governo de Minas.
Percebe-se que integrantes do tribunal convivem com naturalidade e até mesmo com deboche diante da condenação de ex-integrantes da Corte por corrupção, permitindo que práticas ilícitas e irregularidades cometidas nas eleições por candidatos, que deveriam ser combatidas, repitam-se sucessivamente como se institucionalizando a ilegalidade.
Constatou-se ainda que, embora descrente, continuam lutando contra esta realidade integrantes do Ministério Público Federal de Minas Gerais, alguns do Ministério Público Estadual e da própria Corte Eleitoral.
Em 2006, a Procuradoria Regional Eleitoral recorreu da decisão do Tribunal, que aprovara com ressalvas as contas do governador eleito Aécio Neves, considerando lícitas as doações feitas ao candidato pela Mineração Urucum, no valor de R$ 1 milhão de reais, e pela TNL Contax, no valor de R$ 400 mil.
A decisão da Corte contrariou parecer do seu próprio órgão técnico, responsável pela análise das contas dos candidatos. A Lei nº. 9.504/97, em seu artigo 24, inciso III, veda expressamente o financiamento de campanhas eleitorais feitas direta ou indiretamente por concessionário ou permissionário de serviço público.
A Mineração Urucum é subsidiária integral da Companhia Vale do Rio Doce, uma concessionária de serviço público de transporte ferroviário. A TNL Contax é subsidiária integral da Telemar Participações, por sua vez, concessionária de serviços de telefonia.
Subsidiárias integrais são aquelas sociedades formadas sob a espécie de sociedades anônimas, cuja totalidade das ações pertence a um único sócio, no caso, as próprias empresas detentoras das concessões. Para a Procuradoria Regional Eleitoral, tratava-se de claro financiamento de campanha, comprovadamente realizado por concessionárias de serviço público, de forma indireta, por meio de suas subsidiárias integrais.
“Esse procedimento contraria frontalmente a lei eleitoral e o recebimento das doações pelo candidato representa inegável captação ilícita de recursos”, razão pela qual o Ministério Público pediu ao TSE a rejeição das contas.
O recurso encontra-se até hoje parado pendente de julgamento devido à chincana jurídica praticada pelos advogados de Aécio Neves que apresentaram recurso, e o STF o recebeu sob a alegação da existência de “Repercussão Geral”, não existindo previsão para seu julgamento.
Em 2010, o MPF deu início a outra luta na tentativa de punir a mesma prática ilícita cometida por Aécio Neves nas eleições de 2006, pois ele obtivera novamente doações financeiras ilícitas de outra concessionária, desta vez de Arcelor Mittal Brasil. A referida empresa passou a ser concessionária através do contrato, nº. 161/1998 da ANEEL.
O Ministério Público Federal (MPF) destacou o voto divergente proferido pelo Juiz Ricardo Machado Rabelo no acórdão recorrido, que consignou a importância de interpretar o termo, "concessionário de serviço público" previsto no inciso III do art. 24 da Lei nº. 9.504/97 de acordo com os princípios do Direito Eleitoral, e não exclusivamente sob a ótica do Direito Administrativo, para englobar "nesta acepção toda espécie de contrato de concessão celebrado entre o Poder Público e a iniciativa privada".
Houve ainda na prestação de conta eleitoral de Aécio, em 2010, a omissão de receitas e despesas, além de irregularidades em recibos eleitorais, devolução de doação e doação extemporânea entre candidatos.
Os advogados de Aécio e integrantes da Corte do TRE-MG tentaram repetir a chincana jurídica adotada em 2006, só que nova lei entrara em vigor em 10.12.2010 e o TSE entendeu que a mesma seria aplicável à Justiça Eleitoral, determinando a devolução dos autos ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais para que procedesse a respectiva juntada do agravo à Prestação de Contas nº. 9551-86, com a remessa ao TSE do recurso completo.
Segundo integrantes do MPF, esta decisão sinaliza claramente o desejo do TSE em moralizar, resgatar a imagem e acabar com o comportamento de encobrir as ilegalidades através da “aprovação de contas com ressalvas”, adotadas no TRE-MG.
“Este comportamento sinaliza que para o TRE-MG as prestações de contas de campanha, que são justamente o principal instrumento para o controle da legalidade do pleito, são vistas e tratadas como uma mera formalidade. Desatrelada da preocupação com a realidade dos gastos, desvirtuando-as em um verdadeiro "faz-de-contas", informa um dos promotores consultados.
Porém, segundo fontes do TSE, o atual entendimento da maioria do tribunal é que sem a percepção geral de que o processo de prestação de contas pode se constituir em mais um importantíssimo instrumento de coibição de ofensas do processo eleitoral, de modo a permitir o combate ao abuso de poder econômico e a outras formas indevidas de interferência na vontade popular e a consectária deslegitimação democrática dos eleitos.
Logo após a edição da Lei 11.300/2006, o Ministro Marco Aurélio de Mello, no discurso de posse na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, declarou:
"Esqueçam a aprovação de contas com as famosas ressalvas. Passem ao largo das chicanas, dos jeitinhos, dos ardis possibilitados pelas entrelinhas dos diplomas legais. Repito: no que depender desta cadeira, não haverá condescendência de qualquer ordem. Nenhum fim legitimará o meio condenável".
A descrença é tão grande que diversos juristas, juízes, promotores e procuradores, consultados por Novojornal, foram unânimes em afirmar; “Vocês estão perdendo tempo, processar e cassar prefeito e vereador e até mesmo deputado é fácil, porém, Governador, ex-governador e senador a conversa é outra”.
Para estes juristas, pensar diferente seria novidade que instâncias superiores do judiciário agem independente de nomes e de siglas partidárias. Integrantes do PT prometem acompanhar de perto o julgamento.
Se reprovadas as contas eleitorais de Aécio Neves, ele perderá seu mandato, além de ficar inelegível.
Documentos que fundamentaram a matéria:
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Um Parlamento imutável

Os argumentos dos que contestam a eleição dos presidentes do Senado federal e da Câmara dos Deputados podem ser outros — e não nos cabe analisá-los. O que incomoda a consciência dos mais bem informados é a permanência dos mesmos atores políticos no poder ao longo dos lustres e dos decênios. Como lamentava o jornalista José Aparecido durante o período da Ditadura, o único consolo é que podemos contar com a inexorável sucessão biológica.
Dois fatores, um mais antigo, e outro mais recente, contribuíram para a situação atual: a Ditadura, que impediu, mediante todos os artifícios do poder, a renovação dos quadros políticos, e o instituto da reeleição para os cargos executivos. A ministra Carmen Lúcia disse, com acuidade, que a reeleição quebra o equilíbrio que deve haver, nas disputas políticas, entre o governo e a oposição. Podemos entender, no sentido lato, dentro de nossa língua e da nossa visão de Estado, que, como governo, compreende-se o Poder Executivo e a maioria parlamentar que o apoia. Com a reeleição, a vantagem dos que se encontram no poder esmorece e dificulta a ação dos opositores.
A Ditadura impediu a renovação dos quadros políticos e o instituto da reeleição para os cargos executivos
Entre 1926, quando houve a última eleição regular da República Velha, com a vitória de Washington Luís (a de 1930 foi politicamente espúria, com a quebra das regras federativas e a fraude explícita) e a morte de Getulio, em 1954, passaram-se 28 anos, sendo que oito deles sob o Estado Novo. Não obstante isso, houve notável renovação dos quadros políticos, conforme a composição do Congresso e da Assembleia Nacional Constituinte de 1946. Se examinarmos a história dos últimos 28 anos — de 1983, com a posse dos governadores eleitos no ano anterior, e este início de ano de 2013, podemos verificar que o comando do Poder Legislativo sofreu poucas alterações. É certo que novos partidos surgiram, como o PT, mas o comando efetivo continua com as velhas oligarquias, em uma aliança entre os senhores de engenho, os capitães do agronegócio, os controladores do capital financeiro e os grandes empresários, nacionais e estrangeiros, com seus escritórios em São Paulo. Repete-se, de alguma forma, o que havia no Império, com a aliança entre os exportadores de açúcar do Nordeste e os comerciantes da praça do Rio de Janeiro.
Contribui também para isso a deformação do sistema representativo, com o superdimensionamento das bancadas dos pequenos estados e a redução das bancadas dos maiores. Deveríamos obedecer à lógica federativa, que determina a representação proporcional legítima dos estados na Câmara dos Deputados, conforme sua população e eleitorado, e a representação paritária dos estados no Senado. A essa deformação se acrescenta outra, ainda mais teratológica — os suplentes dos senadores.
Outros males, como a corrupção, existem em todos os países do mundo, mas esses aleijões republicanos são peculiares ao nosso sistema, e só deixarão de existir quando a nação exigir e obtiver a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte originária, com o mandato único para redigir nova Carta, sem a intervenção dos atuais partidos.
Para isso, é preciso que os cidadãos honrados deixem de protestar, que arregacem as mangas, se organizem e participem diretamente da luta política.
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Folha quer cortar o pescoço do povo

Capa do jornal Folha de São Paulo
No curso de direito, quando se estuda a Constituição, um dos primeiros princípios abordados diz respeito à independência e harmonia entre os poderes. Subordinação, como quer a Folha, é regra gramatical, não constitucional. Não se aplica quando se trata da tripartição dos poderes, na clássica elaboração de Montesquieu. Está lá, logo no início da Constituição, no art. 2º da Constituição Federal de 1988, que são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Como diria o pintor Apeles, “que o sapateiro não vá além das sandálias”. Quem interpreta quer saber mais do quem fez a Constituição?! O Congresso é a voz povo; o Supremo, hoje, do PIG!
Parece mentira, mas o art. 2º é pequeno, de clareza meridiana, o que causa perplexidade a matéria de capa da Folha:
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
A imagem escolhida pela Folha é uma metáfora que traduz também com clareza o propósito, intenção ou desejo dos golpistas: cortar o pescoço do Congresso, e, por extensão, na garganta do povo.
Para a Folha, independência e harmonia virou desobediência.
No Ficha Corrida
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A sensacional trolagem em cima de FHC

Quando você pode imaginar que um amigo de décadas vai dizer uma verdade inconveniente? Mas acontece.
Trolado
Trolado
Tenho por vezes a sensação de que FHC, o político em quem mais votei em minha vida, é uma criança octogenária.
Li sua coluna hoje no Estadão.
Ele relata um jantar entre velhos amigos. Eram ele, o crítico literário Roberto Schwarz e Serra, e mais, pelo que entendi, as mulheres dos três.
A conversa acabou em política, naturalmente. Não sei se FHC esperava tamanha franqueza de Schwarz, mas ouviu dele a frase mortal: Lula fez mais que ele, FHC, na área social.
Isso significa, dada a importância da área social num país tão brutalmente iníquo como o Brasil, que Schwarz estava dizendo algo mais ou menos assim: “Camarada, sinto informar, mas o Barba foi melhor que você.”
Bem, tenho a sensação de que FHC prefere tudo a ser posto atrás de Lula. E reconheçamos: Schwarz deve saber disso melhor que nós todos. Não sei por que ele, num jantar de amigos, disse o que disse, como se fosse um autêntico troll.
Teria sentido que ali estava a derradeira oportunidade?
Mas o mais curioso foi a reação infantil de FHC. Ele fez questão de dizer que os avanços começaram em seu governo. O imperador filósofo Marco Aurélio recomendava vivamente que você fugisse da autodefesa e da autolouvação, mas FHC não parece versado em Marco Aurélio.
Trolador
Trolador
A trolagem continuou. Schwarz fez o que me pareceu ser uma concessão retórica com um “tudo bem” obsequioso, mas depois reforçou seu ponto. Fez questão de deixar claro, segundo o relato de FHC no Estadão, que os avanços sociais “inegáveis” se deram com o PT.
Você pode estar perguntando: e Serra, a célebre vítima do Atentado da Bolinha de Papel, onde estava?
Calado, reflexivo? Jamais. Nunca se deixará de ouvir a voz de Serra num ambiente em que ele esteja presente. Só o caixão parece forte o bastante para silenciá-lo.
FHC disse que Serra tecia aparentemente deslocadas críticas à “desindustrialização” do Brasil. Note. Questões sociais não fazem parte do rol de interesses de Serra. Ainda assim, por piedade, ou por solidariedade ao velho companheiro tucano, ele poderia ter defendido a herança social de FHC, e dito a Schwarz que ele estava enganado.
Mas não.
Serra, dos píncaros de sua ignorância econômica, trouxe à conversa a “desindustrialização”, um tema que ele arranhou levemente no final de sua última campanha presidencial, depois de ter prometido aos eleitores, espetacularmente, dobrar o Bolsa Família.
Serra não era o centro da conversa, ou alguém poderia ter lembrado que, se houve desindustrialização no Brasil moderno, ela se deu em São Paulo, governada há muitos anos por tucanos.
Em seu artigo, FHC afirma ter aplicado um “xeque mate” no trolador ao falar no Mensalão, mas francamente: quem acredita que Roberto Schwarz ficou abalado com a menção ao Grande Circo do Mensalão, dirigido por eminências como JB, Gilmar e Ayres de Britto, acredita em tudo. Acredita até que Scwhwarz assina a Veja, admira a verve de Jabor e, bem, vota em Serra.
A vantagens de jantares indigestos de octogenários é que a natureza tende a impedir que eles se repitam. Mas ficou, no artigo de FHC, o registro da memorável reunião entre a vaidade atormentada de um octogenário infantil, a monomania recente de um eterno candidato presidencial em torno da “desindustrialização” e a trolagem perfeita de um amigo que, pelo visto, deve ter sido na juventude um mestre nesta disciplina.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Patranha tucana

Enquanto, em público, Aécio 'Canabrava' 'Cambaleante' Neves encenava um pedido de renúncia da candidatura à presidência do Senado ao pemedebista Renan Calheiros, até ameaçando apoiar o falso moralista Pedro Taques, à sorrelfa, tucanos fizeram campanha por Renan, inclusive o ex-detento Flexa Ribeiro, que disputava com outro tucano a 1ª Secretaria da Casa, cargo a que que só teria acesso caso o PSDB votesse com o PMDB.
Fora toda essa hipocrisia conservada em cachaça mineira, existe um orçamento de R$3,6 bilhões do Senado Federal, que é administrado por aquela secretaria e deixou Flexa com os olhinhos revirando de ternura, pensando em bolinar toda aquela bolada. Enquanto o PIG carrega no colorido tosco do moralismo degenerado dessa ópera-bufa, na vã tentativa de mostrar que os tucanos são zelosos e sérios no trato da coisa pública. Até hoje fazem de conta que A Privataria Tucana não existiu. Égua!!
No Ilharga
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