2 de fev de 2013

O Mundo Segundo A Monsanto

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Charge online - Bessinha - # 1677

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Uma imagem e um “desaparecimento”

As imagens acima são de uma foto feita no dia 24 de janeiro no gabinete do governador Beto Richa no Palácio Iguaçu, durante a visita do cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Dennis Hanrins. 
A do meio é um detalhe da primeira foto. Mostra dois personagens que estão conversando no fundo da sala. Um deles, o de camisa social com mangas arregaçadas, segundo confirmaram duas fontes que o conhecem, é Luiz Abi Antoun, primo do governador e tido e havido como a mais poderosa eminência parda do governo do Estado. 
Na imagem abaixo, que é a mesma da primeira, bastando para isso conferir gestos e posições dos personagens, Abi e o interlocutor desapareceram. 
As duas fotos estavam publicadas nos endereços de Beto Richa no Facebook, conforme comprovam os links abaixo. 
O curioso quem as captou não entende porque os personagens foram apagados da fotografia. 
Pode ser tudo.
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No Blog do Mario
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Imagina na Copa

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Charge online - Bessinha - # 1676

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Miro no Debate #Anula STF

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Gurgel para iniciantes

As motivações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao denunciar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) duas semanas antes das eleições para a presidência do Senado Federal e, em seguida, vazar o relatório da mesma denúncia pelo site da revista Época, no dia da eleição, nada tem a ver com preocupações morais ou funcionais.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel: Fellipe Sampaio/ SCO/ STF
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel
Fellipe Sampaio/ SCO/ STF
A máscara de servidor exemplar com a qual tem se apresentado ao país desde a micareta do mensalão não resiste a uma chuva de carnaval, basta lembrar da atuação do chefe do Ministério Público Federal no caso do arquivamento da Operação Vegas da Polícia Federal, de 2009, a primeira a pegar as ligações do ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O sempre tão diligente e cioso dos bons costumes procurador-geral escondeu as informações da Justiça e obrigou a PF a realizar outra operação, a Monte Carlo, no ano passado – esta, afinal, que se tornou impossível de ser novamente engavetada por Gurgel.
O que Roberto Gurgel pretendeu ao denunciar Renan Calheiros às vésperas das eleições do Senado foi viabilizar a eleição do também procurador da República, o senador Pedro Taques (PDT-MT), praticamente um representante do procurador-geral dentro do Parlamento. Mas não se trata apenas de um movimento corporativista. Uma vez presidente do Senado, Taques teria nas mãos o poder de definir o que deve ou não ser colocado em votação no plenário.
Dadas as ligações viscerais estabelecidas, desde o julgamento do mensalão, entre a PGR e a oposição, sem falar no apoio irrestrito dos oligopólios de mídia, não seria pouca coisa ter um preposto num cargo tão importante.
Mas como Gurgel não entende nada de política e Taques é apenas um neófito no Senado, as campanhas de um e de outro foram só tiros n’água.
Mas é bom que se diga, não há nada a comemorar.
Sai José Sarney, o Kim Il-sung do Maranhão, entra Renan Calheiros, o adesista das Alagoas.
Nem ética, nem interesse público. As eleições das mesas diretoras do Congresso Nacional continuam sendo o resultado da baixa política de alianças entre o Executivo e o Legislativo, onde grassam como moedas de troca as indicações de cargos, os favorecimentos regionais, as mesquinharias paroquiais e a blindagem mútua.
Leandro Fortes
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Dilma em Ação

O comportamento de nossas oposições é, às vezes, francamente infantil.
Parecem-se com as crianças pequenas que gostam de atazanar os coleguinhas maiores com chutes, beliscões e xingamentos. E que choram quando os grandes reagem e lhes dão um chega pra lá.
Acabamos de presenciar uma dessas situações. Desde a semana passada, o que mais se ouve são as queixas oposicionistas contra o protagonismo que Dilma adotou em seu pronunciamento a respeito das questões energéticas e da redução das tarifas de eletricidade.
As oposições não gostaram do discurso. Seja na nota oficial do PSDB, nos editoriais da imprensa oposicionista ou nas “análises” dos entendidos recrutados por ela, disseram-se indignados com o conteúdo e a forma da manifestação.
O mínimo que afirmaram é que, ao convocar cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar as posições do governo, a presidenta havia se aproveitado das prerrogativas do cargo e feito campanha em favor da reeleição.
Supor que Dilma tenha resolvido se pronunciar buscando dividendos eleitorais é ignorar quem ela é. Os que a conhecem sabem que, em condições semelhantes, ela diria exatamente o mesmo, ainda que não cogitasse em se candidatar a nada.
Sabem, também, que seria improvável que ela permanecesse indefinidamente calada, ouvindo o que andou ouvindo.
Quando o grande plano das oposições para voltar ao Planalto fez água, elas passaram a se dedicar a outra estratégia. A espetacularização do julgamento do “mensalão” não causou os danos que esperavam na imagem do PT, como ficou evidente à luz de seu desempenho na última eleição e perante o favoritismo dela e de Lula nas pesquisas sobre a sucessão em 2014.
O antipetismo teve que mudar o alvo.
As oposições parlamentares e extraparlamentares dirigiram suas baterias contra Dilma, querendo desmoralizar o governo. Tudo se tornou pretexto para acusá-lo.
A elas, a rigor, nunca importou a razão de cada crítica, se o avaliavam mal por considerá-lo ignorante, incompetente, corrupto ou qualquer outra coisa. O que buscavam era sempre ter uma denúncia para incomodá-lo.
Bateram no governo sem parar. Os articulistas e comentaristas da “grande imprensa” fizeram a festa, espicaçando-o pelo que fazia, pelo que deixava de fazer e pelo que nem estava em seus planos.
O retardo das chuvas de verão veio a calhar. Sentiram o gosto da vitória que poderiam ter sobre a presidenta, que se orgulha de conhecer o setor elétrico.
E acreditaram que se desforrariam: após o vexame do apagão tucano, o PT amargaria o seu.
A presidenta cumpriu com seu dever falando diretamente ao País. Depois de três meses de bombardeio negativo, em que os esclarecimentos dos responsáveis mereceram espaço minúsculo na imprensa, cabia a ela apresentar a versão do governo.
O pronunciamento foi em tom político, coisa que não é comum para Dilma, que prefere falar de maneira técnica.
Dá-se o caso que o tema já estava politizado e que seria difícil tratá-lo de outra maneira. Para esclarecer o que pensava, ela tinha que dizer porque discordava da oposição.
Não deixam de ser curiosas as expectativas que alguns setores da sociedade têm em relação ao PT e suas lideranças. O que consideram normal nos políticos da oposição torna-se pecado quando vem de um petista.
Os pesos e as medidas são completamente diferentes para os dois lados.
Receber e não declarar recursos para fazer campanha? Nomear correligionários para cargos públicos? Indicar aliados para funções na administração? Tudo isso é regra no sistema politico brasileiro. Mas estaria proibido ao PT, que deveria amarrar as mãos e assistir aos adversários fazer o que apenas a ele é vetado.
Dar a outra face quando atacado? Nenhum faz isso, a começar por alguns dos mais ilustres representantes do oposicionismo, que são incensados quando se mostram duros e até vingativos (ou alguém se esqueceu de quem é e como atua José Serra?). Mas Dilma teria a obrigação de apanhar calada.
O fato é que ela não é assim. E é bom que deixe isso claro desde o início do ano, que deve ser parecido a janeiro no denuncismo. Com sua grande popularidade e o apoio quase unânime do País, é bem provável que tenha que voltar aos meios de comunicação. Quando a provocarem além do normal. E não vai adiantar ficar fazendo beicinho.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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A imbecilização do Brasil

Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Claudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…
Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.
Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.
Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa da Operação Deserto
Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa
da Operação Deserto
E houve, decerto, algo pior, o esforço concentrado dos senhores da casa-grande no sentido de manter a maioria no limbo, caso não fosse possível segurá-la debaixo do tacão. Neste nosso limbo terrestre a ignorância é comum a todos, mas, obviamente, o poder pertence a poucos, certos de que lhes cabe por direito divino. Indispensável à tarefa, a contribuição do mais afiado instrumento à disposição, a mídia nativa. Não é que não tenha servido ao poder desde sempre. No entanto, nas últimas décadas cumpriu seu papel destrutivo com truculência nunca dantes navegada.
Falemos, contudo, de amenidades do vídeo. De saída, para encaminhar a conversa. Falemos do Big Brother Brasil, das lutas do MMA e do UFC, dos programas de auditório, de toda uma produção destinada a educar o povo brasileiro, sem falar das telenovelas, de hábito empenhadas em mostrar uma sociedade inexistente, integrada por seres sem sombra. Deste ponto de vista, a Globo tem sido de uma eficácia insuperável.
O espetáculo de vulgaridade e ignorância oferecido no vídeo não tem similares mundo afora, enquanto eu me colho a recordar os programas de rádio que ouvia, adolescente, graciosas, adoráveis peças de museu como a PRK30, ou anos verdolengos habitados pelos magistrais shows de Chico Anysio. Cito exemplos, mas há outros. Creio que a Globo ocupe a vanguarda desta operação de imbecilização coletiva, de espectro infindo, na sua capacidade de incluir a todos, do primeiro ao último andar da escada social.
O trabalho da imprensa é mais sutil, pontiagudo como o buril do ourives. Visa à minoria, além dos donos do poder real, que, além do mais, ditam o pensamento único, fixam-lhe os limites e determinam suas formas de expressão. O alvo é a chamada classe média alta, os aspirantes, a segunda turma da classe A, o creme que não chegou ao creme do creme. E classe B também. Leitores, em primeiro lugar, dos editoriais e colunas destacadas dos jornalões, e da Veja, a inefável semanal da Editora Abril. Alguns remediados entram na dança, precipitados na exibição, de verdade inadequada para eles.
Aqui está a bucha do canhão midiático. Em geral, fiéis da casa-grande encarada como meta de chegada radiosa, mesmo quando ancorada, em termos paulistanos, às margens do Rio Pinheiros, o formidável esgoto ao ar livre. E, em geral, inabilitados ao exercício do espírito crítico. Quem ainda o pratica, passa de espanto a espanto, e o maior, se admissível a classificação, é que os próprios editorialistas, colunistas, articulistas etc. etc. acabem por acreditar nos enredos ficcionais tecidos por eles próprios, quando não nas mentiras assacadas com heroica impavidez.
O deserto cultural em que vivemos tem largas e evidentes explicações, entre elas, a lassidão de quem teria condições de resistir. Agrada-me, de todo modo, o relativo otimismo de Alfredo Bosi, que enriquece esta edição. Mesmo em épocas medíocres pode medrar o gênio, diz ele, ainda que isto me lembre a Península Ibérica, terra de grandes personagens solitárias em lugar de escolas do saber. Um músico e poeta italiano do século passado, Fabrizio de André, cantou: “Nada nasce dos diamantes, do estrume nascem as flores”. E do deserto?
Mino Carta
No Carta Capital
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A eleição no Senado e as lições da conjuntura

http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/files/2013/01/senado-renan-calheiros-pmdb-al-40047.jpg 
Eleição para presidente do Senado em si mesmo é algo que pouco interfere na conjuntura, muito menos na luta de classes. Apesar disso, as movimentações e opções que os partidos fazem é sintomática de posições que, essas sim, têm importância na conjuntura.
A eleição de Renan mostra o obvio: a força que a direita fisiológica tem no Brasil. (Vale lembrar que provavelmente o presidente da Câmara será também do PMDB). O que não é obvio é: como o PT conseguirá avançar nas mudanças dependente que o governo é do parlamento e estando o governo preso a partidos como o PMDB?
Para refletir sobre isso, vale destacar um trecho da entrevista de André Singer ao Brasil de Fato: “Veja o que foi o papel do PMDB na campanha eleitoral de 2010: foi de brecar as medidas mais radicais que o PT tinha proposto em seu IV Congresso, como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho e a taxação das grandes fortunas. O PMDB brecou essas duas coisas, que no final não entraram no programa da presidente Dilma”.
Qual é o problema? O problema é que criticar a política de alianças do PT é fácil, sobretudo quando a crítica é no varejo. É fácil criticar o apoio a Renan eleição. Qualquer um critica. O problema é que crítica séria tem de ser no atacado – ou seja, o problema não é apoio, eleição, mas a estratégia do PT. E aí a coisa complica. Porque a estratégia que prevê alianças com a direita, que fortalece o agronegócio, que financia a imprensa golpista com publicidade etc., é a mesma que está aumentando o emprego e a massa salarial, diminuindo a pobreza e a desigualdade, viabilizando a expansão do ensino, cotas nas universidades etc.
É possível jogar fora alianças com a direita, e seguir avançando? É possível jogar fora a “governabilidade”, e seguir avançando? É possível corrigir os erros, mudar tudo o que tem de atraso na política do governo, e seguir avançando no que tem de bom, sem “governabilidade”, sem maioria no Congresso? Para a esquerda, essa é a questão central, ou uma das questões centrais. Não tenho resposta pronta no bolso. O que eu sei é que não dá para se acomodar, como se a estratégia de conciliação e de composição fosse boa, como também não dá para dar uma resposta simplista, como uma parte da esquerda faz.
A oposição (PSDB, DEM, PPS) não tem discurso. O governo FHC foi um fiasco e onde eles governam as coisas vão mal. Mas eles precisam fazer oposição, pois esses partidos representam o capital financeiro, que não apenas está insatisfeito com o governo, mas sabe que o desenvolvimentismo do governo fere seus interesses de classe. E como esses partidos não têm o que falar, qual é o discurso? Ética na política, moralidade, corrupção. Já vimos esse filme antes: UDN, Jânio, vassorinha…
Renan é sujo igual a todos os outros – inclusive o outro candidato – mas a diferença é que todo mundo (inclusive a classe média) sabe que Renan é sujo. Como o candidato do governo foi um candidato descaradamente sujo, a oposição aproveitou a oportunidade para posar de preocupada com a Ética e a moralidade pública. A imprensa ajudou, e eles de certa forma conseguiram o que queriam. O que eles queriam não era ganhar a eleição. O objetivo era alimentar, na classe média, a ideia de que eles são éticos, preocupados com a moralidade. E de fato saíram com pontos positivos junto à classe média. Graças a Deus, o povo não se preocupa com eleição de presidente do Senado.
O que falar do PSOL? Não surpreende a posição do PSOL, de apoiar a candidatura de Pedro Taques. Afinal, para quem o PSOL fala? Para a classe média. O povo nem liga para o PSOL, exceto em Belém e no Rio. Que ideias o PSOL alimenta? De que o grande problema do Brasil é a corrupção e de que o PT é corrupto. Portanto, não surpreende. Mas… ao embarcar na candidatura alternativa organizada pelo PSDB (sim, para os ingênuos que não sabem, a candidatura de Pedro Taques foi organizada pelo PSDB), o PSOL não fez outra coisa senão ajudar o PSDB a posar de arauto da Ética e da moralidade. Posição coerente nessa eleição teria sido votar nulo.
Em tempo: o grande problema do Brasil não é a corrupção, mas a desigualdade.
Antônio David, mestrando em filosofia na FFLCH
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A Monsanto, além da Justiça

 
Agricultores brasileiros estão em litígio contra a Monsanto, que lhes cobrou royalties pelo uso de uma tecnologia cuja patente expirou em 2010, de acordo com a legislação brasileira. As leis nacionais estabelecem que o início da vigência de uma patente é a data de seu primeiro registro. A Monsanto invoca a legislação norte-americana, pela qual a patente passa a vigorar a partir de seu último registro. Como sempre há maquiagem dos processos tecnológicos, a patente não expira jamais.
Os lobistas da Monsanto não tiveram dificuldades em negociar acordo vantajoso, para a empresa, com os senhores do grande agronegócio, reunidos em várias federações estaduais de agropecuária, e com a poderosa Confederação Nacional da Agricultura, comandada pela senadora Kátia Abreu. Pelo cambalacho, a Monsanto suspenderia a cobrança dos royalties até 2014, e os demandantes desistiriam dos processos judiciais.
"Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética"
Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética, substituindo o mundo natural por outro que, sendo por ele criado, poderá, na insolência da razão técnica, ser mais perfeito. Essa busca, iniciada ainda na antiguidade, continuou com os alquimistas, e se intensificou com as descobertas da química, a partir do século 18. O conluio entre a ciência, mediante a tecnologia e o sistema capitalista que engendrou a Revolução Industrial, amparada pelo laissez-faire, exacerbou esse movimento, que hoje ameaça a vida no planeta.
A Alemanha se tornaria, no século 19, o centro mais importante das pesquisas e da produção industrial de novos elementos a fim de substituir a matéria natural, construída nos milênios de vida no planeta, por outra, criada com vantagens para o sistema de produção industrial moderno.
Não há exemplo mais evidente desse movimento suicida do que a Monsanto. A empresa foi fundada em 1901 a fim de produzir sacarina, o primeiro adoçante sintético então só fabricado na Alemanha. Da sacarina, a empresa foi ampliando seus negócios com outros produtos sintéticos, como a vanilina e corantes, muitos deles cancerígenos. Não deixa de ser emblemático que o primeiro grande cliente da Monsanto tenha sido exatamente a Coca-Cola. É uma coincidência que faz refletir.
Não é só a Monsanto que anda envenenando as terras e as águas com seus produtos químicos. Outras empresas gigantes da química com ela competem na produção de agrotóxicos mortais. Com o controle da engenharia genética aplicada aos vegetais de consumo humano e de consumo animal, no entanto, ela tem sido a principal responsável pelos danos irreparáveis à natureza e à saúde dos animais e dos seres humanos.
Vários países do mundo têm proibido a utilização das sementes transgênicas da Monsanto, entre eles a França, que interditou o uso das sementes alteradas. No Brasil, ela tem vencido tudo, com a conivência das autoridades responsáveis, ou irresponsáveis. A Comissão Técnica de Biossegurança e o Conselho Nacional de Biossegurança vêm dando sinal verde aos crimes cometidos pela Monsanto e outras congêneres no Brasil.
Essa devia ser uma preocupação prioritária do Parlamento, que só se movimenta com entusiasmo quando se trata das articulações internas para a eleição bianual de suas mesas diretoras.
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Muito Tony Kushner

“Lincoln” é a segunda colaboração do Steven Spielberg com o dramaturgo Tony Kushner. A primeira foi “Munich”, em que o roteiro de Kushner e de um coautor incluía crises de consciência dos agentes de Israel encarregados de vingar o massacre de atletas judeus por palestinos na Olimpíada de Munique de 1972 e impediu que o filme fosse apenas uma glorificação da vingança.
Kushner é judeu, como Spielberg, mas é um conhecido critico do sionismo e da política de Israel em relação aos palestinos, e um esquerdista ativo e combativo. Spielberg é um dos “liberais”, no sentido anglo-saxão da palavra, de Hollywood, que votam nos Democratas, fazem filmes sobre causas nobres como a dos direitos civis de minorias e podem ser definidos como da esquerda confortável.
A parceria Spielberg/Kushner é insólita em outro sentido. Spielberg faz cinemão — bom cinemão, mas cinemão — e Kushner é o mais notório autor de vanguarda do teatro americano, com previsível desdém pelo teatro convencional e pelas grandes produções do cinema comercial.
Uma curiosidade: no final da primeira parte da sua peça “Anjos na America” (as duas partes encenadas juntas têm mais de sete horas de duração) desce no palco um anjo mensageiro para anunciar a vinda do novo milênio e, supõe-se, a purgação dos pecados da América.
Sua chegada, numa nuvem colorida, derrubando cenários e acompanhado de raios e música bombástica, é espetacular. Tanto que um dos personagens comenta:
— Muito Steven Spielberg.
Do filme “Lincoln” pode-se dizer que é muito Tony Kushner. São espetaculares as atuações de Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones e Sally Fields, mas há pouco espetáculo do Spielberg. Kushner concentrou-se na capacidade política de Lincoln e no fim a abolição da escravatura é apresentada como um triunfo das suas palavras e da sua personalidade — com um pouco de ajuda de propinas a congressistas.
Há só uma cena, curta, de guerra, no começo do filme. E é tão reticente a direção de Spielberg que não se vê nem o assassinato de Lincoln, uma cena que presumivelmente permitiria ao diretor dar o seu show. Mas Kushner não deixou. Ficamos sabendo da morte do presidente de ouvir dizer.
Nos Estados Unidos discute-se se “Lincoln” é de esquerda ou de direita. A esquerda reclama que o filme reforça a ideia de que a Historia é feita por lideres e heróis excepcionais, a direita reclama que outras causas da Guerra Civil, como a dos direitos estaduais diante da prepotência da União, foram mais importantes do que a escravatura e nem são citadas.
Eu acho que o filme seria melhor se o Spielberg estivesse mais solto. Ou então se o Kushner enlouquecesse. Um anjo mensageiro descendo no meio da bancada antiabolicionista do Congresso e anunciando a vinda do Obama, por que não?
Luis Fernando Veríssimo
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Dia do Quadrinho Nacional

 
Esperamos todos no Memorial da América Latina, em São Paulo, a partir das 14h00. Auditório da Biblioteca do Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo - SP (Próximo ao metrô Barra-Funda)
PREMIADOS:
Desenhista: Danilo Beyruth
Roteirista: Petra Leão
Cartunista: Jean Galvão
Lançamento: "O Astronauta, Magnetar" (Panini)
Lançamento independente: "Last RPG Fantasy"
Prêmio Jayme Cortez: Gibicon Curitiba
Fanzine: Quadrante Sul (RS)
Mestres: Marcos Maldonado, Júlio Emílio Braz, Jô Fevereiro.
PROGRAMAÇÃO
13h30 - Abertura do espaço "Banca da Comix" e Exposição "Trapalhões Estudio Ely Barbosa".
14h00 - Abertura da solenidade com João Batista de Andrade (Presidente do Memorial) e Gonçalo Jr (Gerente de Comunicação do Memorial).
14h30 - Mesa redonda "Os Quadrinhos dos Trapalhões no Estudio Ely Barbosa" com Otávio Barbosa, Eduardo Vetillo, Bira Dantas, Alexandre Silva e Cidão Norberto.
16h00 - Novidades nos Quadrinhos
16h30 - Inicio da Premiação
18h00 - Confraternização geral na Lanchonete do Memorial.
ENTRADA FRANCA
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