1 de fev de 2013

É cor-de-rosa choque

Na falta de uma “crise no setor elétrico”, a oposição brasileira decidiu enveredar por uma nova vertente: a crítica de moda. Os estilistas do PSDB gastaram horas para decidir se era ou não vermelho o terno que a presidenta Dilma Rousseff usou durante o pronunciamento em cadeia de rádio e televisão no qual anunciou o corte nas tarifas de luz.
A representação do PSDB faz alusão aos tons da campanha presidencial de 2010, mas erra: o terno usado na tevê não era rubro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A representação do PSDB faz alusão aos tons da campanha presidencial de 2010,
mas erra: o terno usado na tevê não era rubro.  
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Até o meio da semana, os tucanos tinham certeza de que Dilma usara vermelho. Em consequência, protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República sob o argumento de que o objetivo subliminar seria promover o partido da mandatária do País, o PT. “A presidenta Dilma usou roupas vermelhas no pronunciamento oficial em uma clara referência às roupas vermelhas utilizadas na campanha de 2010 e nos programas partidários, fazendo alusão à cor do seu partido”, acusa o documento.
Já seria risível, mas ficou pior. A roupa não era vermelha, mas cor-de-rosa. “Inclusive combinava perfeitamente com o batom, da mesma cor”, disse uma fonte do Palácio, tão interessada nas últimas tendências do mundo fashion quanto o tucanato. O cabeleireiro da presidenta, Celso Kamura, foi taxativo. “Sem dúvida, rosa chiclete Ping-Pong.” Um conhecedor profundo de paletas de cores talvez batesse o martelo sobre a nuance exata do terninho: goiaba. Uma cor em voga neste verão. Dilma, pelo visto, está por dentro.
Petistas? Na internet, a pergunta: o PSDB também vai interferir nos figurinos de Michelle Obama e Angela Merkel? Fotos: Maria Tama/ Getty Images/ AFP e Bertrand Langlois/ AFP
Petistas? Na internet, a pergunta: o PSDB também vai interferir
nos figurinos de Michelle Obama e Angela Merkel?
Fotos: Maria Tama/ Getty Images/ AFP e Bertrand Langlois/ AFP

Coube ao novo líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, a incômoda tarefa de ir à Procuradoria, na terça-feira 29, entregar a representação contra as roupas de Dilma. “Entendemos ser vermelho, mas é um detalhe pequeno que faz parte de um contexto. Ela pode usar a cor que bem entender, só quisemos mostrar a mudança no comportamento dela. É a primeira vez que aparece nessa cor, porque em pronunciamentos anteriores, como no último, ela vestiu preto com uma renda branca por cima”, disse o deputado, aparentemente um conhecedor do guarda-roupa presidencial.
Além do terno de Dilma, o PSDB protestou contra as letras utilizadas no programa, “parecido”, segundo o partido, com a tipologia usada na campanha presidencial de 2010. A oposição cita em particular a “grafia do sobrenome” Rousseff. E contra o que viu como abuso na utilização da rede nacional de rádio e tevê. “A convocação de redes obrigatórias de rádio e de televisão somente pode ser realizada quando necessária para preservação da ordem pública, da segurança nacional ou no interesse da Administração”, diz a representação, amparada no Regulamento dos Serviços de Radiodifusão.
Para Sampaio, houve “mudança de padrão” no pronunciamento em relação às falas anteriores. “A presidenta Dilma fez clara antecipação da campanha eleitoral. Agiu de maneira a condenar a existência da oposição e tratou a oposição como sendo pessoas que não amam o País”, queixou-se o deputado. “O conceito de República foi abandonado”, bradou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.
Não bastasse o daltonismo, a amnésia dos tucanos é flagrante: o apelo ao “republicanismo” é discurso fácil, mas em junho de 2002, em pleno ano eleitoral, o então presidente Fernando Henrique Cardoso convocou rede nacional para anunciar o pagamento da reposição das perdas que os trabalhadores brasileiros tiveram no FGTS em razão dos planos Verão e Collor, o que beneficiou 35 milhões de cidadãos.
“Assim como o Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, os avanços na saúde e na educação, a reposição do Fundo de Garantia é mais uma realização que outros governos não conseguiram e este governo conseguiu”, vangloriou-se FHC, a cinco meses da eleição presidencial, aquela que levou Lula à Presidência.
Exaltar as virtudes do Plano Real era frequente nos pronunciamentos de FHC em cadeia nacional durante seu governo. “Nós cuidamos primeiro do real, para que agora o real possa cuidar das pessoas”, afirmou, em 1997. Por causa desse pronunciamento, a oposição, representada pelo PT, PDT, PSB e PCdoB, recorreu à época ao Tribunal Superior Eleitoral. A alegação era idêntica: finalidade “eleitoreira”. A diferença, como de costume, está no posicionamento da mídia. À época de FHC, ninguém via desvios ou intenções ocultas em seu comportamento. Já hoje… A representação do PSDB ancora-se em editoriais e textos da Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Veja com críticas ao pronunciamento “eleitoreiro” e “partidário” de Dilma Rousseff.
Os tucanos, ecoados pela mídia e vice-versa, criticaram o fato de Dilma se “vangloriar” da redução na conta de luz e, ao mesmo tempo, “atacar” os que fizeram previsões sem fundamento. Vale ainda a comparação: em seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e tevê, em 1995, FHC fez o quê? Vangloriou-se do sucesso do Plano Real e atacou os “pessimistas”. “Muitos apostaram que o real iria desmoronar”, disse FHC. “Pois se enganaram.”
A queixa à Justiça parece uma tentativa de minimizar os efeitos (esses ainda não mensuráveis) do corte nas tarifas de energia sobre a escassa simpatia popular ao partido. Antecipada pelo governo para 24 de janeiro e fixada em 18% no caso das residências e 32%, no da indústria e comércio, o corte nas tarifas foi uma boa notícia da qual o PSDB não só não participou como tentou sabotar. Três estados governados pelo partido – Paraná, Minas Gerais e São Paulo – decidiram não aderir à Medida Provisória que reviu os contratos das concessionárias, mesmo sob as críticas dos industriais, os maiores beneficiados. Mas a redução na conta de luz também ocorrerá nessas áreas.
No Palácio do Planalto, a notícia de que os tucanos tinham entrado com a representação virou motivo de comemoração. A avaliação geral era de que a oposição vestiu a carapuça ao se identificar como alvo das críticas veladas da presidenta, que em nenhum momento citou nomes ou legendas. E deu a chance de o PT criticar diretamente o principal rival em seu programa eleitoral na televisão, em maio. Uma possibilidade é apresentar o PSDB como o partido “a favor da conta de luz cara”.
Nas redes sociais, a chacota era mesmo sobre a tentativa de “proibir” Dilma de usar vermelho. A cada aparição de uma celebridade em cores rubras, como a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, no baile da posse, estonteante num longo vermelho, ou a bem menos vistosa chanceler alemã Angela Merkel, repetia-se a piada: “O PSDB vai proibir também?”
Cynara Menezes
No CartaCapital
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O que Hugo Chávez ensinou ao mundo e ao Brasil?

Liberdade de imprensa na Venezuela? Jornalista brasileira relata: “Pedi ao jornaleiro imprensa de oposição ao Chávez. Ele apontou para toda a sua banca e disse-me. Minha filha, isso aí tudo é contra o governo, pode escolher à vontade”
Desde que foi eleito em 1998, o presidente Hugo Chávez vem estimulando uma série de debates, seja em razão das amplas transformações sociais que promove na Venezuela, seja em razão do medo pânico que causa nos governos imperiais e nas oligarquias de cada país, vassalas e zeladoras dos interesses deste imperialismo em cada país. Certamente, sobre cada um destes aspectos é possível retirar profundas lições.
No caso brasileiro, a mídia do capital que jamais se preocupou em oferecer um mínimo de informação objetiva sobre as mudanças em curso na Venezuela, agora, em razão do infortúnio da enfermidade de Chávez, esta mídia supera-se. Promove uma comunicação necrológica, havendo inclusive comentarista de veículos das Organizações Globo, que chega mesmo ao grotesco de torcer pela desaparição do mandatário venezuelano.
Sobre isto devemos tirar lições, seja aquelas amargas , a partir do comportamento medieval da mídia empresarial sobre a trágica enfermidade de Chávez, enfermidade que, óbvio, pode alcançar a qualquer um de nós, mas também sobre o que este mandatário já realizou mudando a face de seu país e ajudando a mudar a face da América Latina. Por um lado, fica claro que para aqueles comentaristas globais, a ideologia está por cima de qualquer conceito básico de humanidade ou solidariedade, que sustentariam desejos de restabelecimento e de superação deste azar pessoal.
Mas, o que se observa é ainda mais grave: para além do desejo pessoal da morte alheia, as concessões de serviço público de radiodifusão estão a ser utilizadas para a propagação destes desejos mórbidos em grande escala de difusão, violando a Constituição Brasileira, que, em seu artigo 221, estabelece como princípio a ser observado, “o respeito aos valores éticos e sociais, da pessoa e da família”, sem qualquer manifestação da autoridade responsável.
É como se fosse autorizado aos concessionários de serviços públicos de abastecimento de água, distribuir água contaminada e suja à sociedade.
Para que serve a mídia?
Será que isto estaria se tornando uma tendência? Há alguns meses, quando cientistas iranianos foram assassinados em atentados que, segundo o noticiário da época, teriam sido organizados por comandos israelenses – os mesmos que assumem agora terem participado na eliminação de Yasser Arafat – num programa televisivo, Manhattan Conexion , também veiculado por empresa das Organizações Globo, comentaristas chegaram a defender que aqueles cientistas iranianos mereciam mesmo ser assassinados. Apologia do homicídio!
Tanto num caso, como em outro, Venezuela e Irã são países com os quais o Brasil possui relações de amizade e cooperação, aliás crescentes, em benefício mútuo notório. Qual seria a reação do Itamaraty, do Governo Federal, caso emissoras de TV da Venezuela ou do Irã passassem a hostilizar autoridades brasileiras, e, chegassem a torcer pela reincidência do câncer em Dilma ou em Lula, e para que eles não resistissem? Ou se estas emissoras defendessem a morte de cientistas brasileiros, pois, como sabemos, o Brasil também possui – de modo soberano – seu próprio programa nuclear, como EUA, Rússia, China, Israel e Irã?
Pra que servem os meios de comunicação social, afinal de contas? Para hostilizar e desejar o pior, de modo incivilizado, embrutecido, desumano e antidemocrático, a personalidades de outros países, com o que se desrespeitam povos com os quais temos relações de cooperação e amizade? Será mesmo admissível que concessões de serviço público sejam utilizadas para insuflar, propagandear e celebrar o desejo de morte de seres humanos, simplesmente por não comungar de suas ideias? Esta prática não seria equiparável àquelas que Goebels denominava de “razões propagandísticas”, e que precederam os ataques nazistas a outros povos?
Estranho “ditador”
As notas que a mídia brasileira divulgam sobre Hugo Chávez atentam contra a prática basilar do jornalismo. Críticas e discordâncias são absolutamente normais e devem ser praticadas. Mas, desinformação, distorção e inverdades grotescas são atributos rigorosamente alheios ao jornalismo.
Um dos aspectos mais utilizados nesta cruzada midiática de anos é a tentativa de rotular Hugo Chávez como ditador. Estranho “ditador” este que chegou ao poder pelas urnas e, em 14 anos, promoveu 16 eleições, referendos e plebiscitos, dos quais venceu 15 pelo voto popular e respeitou, democraticamente, o resultado do único pleito em que não foi vencedor. Estranhíssimo “ditador” esse Chávez que introduziu na Constituição Bolivariana – ela também referendada pelo voto popular – o mecanismo da revogabilidade de mandatos, utilizado pela oposição que, no entanto, não conseguiu a vitória nas urnas.
Auditoria eleitoral
Na Venezuela, para dar ainda mais segurança às eleições, estas não são julgadas pela mesma autoridade que as organiza. Além disso, as urnas possuem mecanismo de impressão do voto, possibilitando ao eleitor conferir se o voto que teclou foi realmente o voto registrado pelo computador. De posse deste voto impresso, o eleitor, no mesmo momento da votação, o deposita em urna anexo. Isto possibilita que haja plena auditoria do voto, o que não ocorre no Brasil, onde, conforme já demonstraram especialistas da UnB, as urnas eletrônicas são vulneráveis a interferência externa sobre seus programas, além do que, na existe a possibilidade do voto material em papel para eventual necessidade de recontagem.
Estranho “ditador” este Chávez, que ampliou a segurança eleitoral dos cidadãos, lembrando que lá na Venezuela o voto não é obrigatório, tendo sido registrada, na eleição de outubro de 2012, uma participação superior a 86 por cento do colégio eleitoral. O revelador aqui é que as Organizações Globo, tão empenhada em rejeitar e criticar a democracia venezuelana, é aquela que apoiou o a supressão do voto popular no Golpe de 1964, apoiou a Proconsult contra a eleição de Brizola em 1982 e foi contra a Campanha Diretas-Já, em 1984, uma das mais belas páginas da consciência democrática do povo Brasil. E, ainda hoje, a Globo insiste em difamar e combater a instituição do voto impresso na urna eletrônica brasileira, cuja vulnerabilidade tem lhe causado a rejeição por mais de 40 países, exceção para o Paraguai, a quem o TSE regalou tais equipamentos……
Povo ignorante?
Esses comentaristas da Globo tentam passar a imagem de que a Venezuela é um país de atraso cultural, para o que se valem , novamente, do expediente corriqueiro da desinformação massificada, repetida sistematicamente. Vamos aos fatos: enquanto a Venezuela já foi declarada oficialmente, pela UNESCO, como “Território Livre do Analfabetismo”, o Brasil ainda não tem sequer uma meta segura para erradicar esta mazela social, apesar de terem nascido aqui os geniais Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.
Lá, para a erradicação do analfabetismo, além da utilização de um método super-revolucionário elaborado em Cuba, o “Yo Si Puedo”, houve uma tremenda mobilização do governo, das massas, das instituições, mas também dos meios de comunicação públicos, que, existem, informam e possuem uma programação cultural educativa elevada ao contrário daqueles sintonizados com os ditames prepotentes do Consenso de Washington.
Aliás, vale lembrar que foi exatamente por meio deste método que o Deputado Tiririca foi alfabetizado em prazos relâmpagos e foi capaz superar as ameaças elitistas da autoridade eleitoral que queria lhe cassar o mandato. Tiririca aprendeu a ler e escrever em poucas semanas. Com também foram alfabetizados campesinos, índios, povo pobre na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Em breve será a Nicarágua a ser declarada também, oficialmente, pela Unesco, Território Livre do Analfabetismo.
Como contraponto, vale lembrar que o programa Telecurso Segundo Grau, produzido pela Fundação Roberto Marinho, é exibido em horário da madrugada pelas emissoras que empregam esses comentaristas, apesar dos volumosos recursos públicos despendidos para a sua produção e veiculação. A escolha do horário é apenas demonstração da baixa preocupação e vontade dos concessionários de serviços públicos de radiodifusão em contribuir para a elevação do nível educacional e cultural do nosso povo. Contrariando a Constituição.
O que é notícia?
Aqueles comentaristas são incapazes de informar sobre tudo isto, bem como sobre o papel dirigente de Hugo Chávez ao formar com estes países e outros a ALBA – Aliança Bolivariana para o Progresso, numa iniciativa em que colocou o petróleo com instrumento da elevação das condições de vida não apenas dos venezuelanos, mas também do progresso social conjunto destes povos. A isso chamam de ingerência, trocando solidariedade por intromissão. Graças aos recursos do petróleo, milhares de latino-americanos, estão recuperando a plena visão, por meio de cirurgias gratuitas realizadas pela Operación Milagro, um esforço comum entre Cuba e Venezuela.
Esta operação humanitária, jamais divulgada adequada pelas Organizações Globo, nasce quando a OPAS alertou para a possibilidade de que pelo menos 500 mil latino-americanos perdessem a visão à curto prazo, vítimas de catarata, uma tragédia perfeitamente evitável. As cirurgias são feitas tanto em Cuba, como na Venezuela, e agora também na Bolívia, no Equador, seja por médicos cubanos, ou locais. Isto não se informa, mas um dia destes , fiquei tomei conhecimento, pelo Jornal Nacional, da edificante informação de que a esposa do Príncipe Willians, a tal duquesa de Cambridge, está sofrendo muito enjoo na sua gravidez. Cuba e Venezuela decidiram operar 6 milhões de latino-americanos, gratuitamente, em 10 anos. O que é notícia?
Índios leem “Cem anos de solidão”
Aí temos outra lição de Chávez: depois de erradicar o analfabetismo, Chávez criou a Universidade Bolivariana, pública e gratuita, a Universidade das Forças Armadas, e um programa para elevar a taxa de leitura do povo venezuelano. Por meio deste programa foram editados, dando apenas alguns exemplos, a obra “Dom Quixote”, com uma tiragem de 1 milhão de exemplares que foram distribuídos gratuitamente nas praças públicas, e também a obra “Contos”, da Machado de Assis, pelo mesmo programa, com uma tiragem de 300 mil exemplares, tiragem que o genial escritor do Cosme Velho jamais mereceu aqui no Brasil, onde não apenas o analfabetismo persiste , mas a tiragem padrão de nossa indústria editorial arrasta-se na melancólica marca de 3 mil exemplares.
Além disso, algumas tribos indígenas da Amazônia venezuelana, que, até Chávez, ainda desconheciam a escrita, já tiveram seu idioma sistematizado, e, como primeira obra publicada no novo sistema de escritura, tiveram o belíssimo “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. No entanto, apesar de tudo isto, para estes comentaristas da Globo, que agridem Chávez no leito de um hospital, na Venezuela há um “povo ignorante”, dirigido por um “ditador”…. Como explicar, então, a realização destas mudanças marcantes?
Vale contar um caso: o senador Cristovam Buarque, ex-Ministro da Educação de Lula, foi à Venezuela para a solenidade de Declaração de Território Livre do Analfabetismo. Escreveu num papelucho um endereço e saiu pelas ruas perguntando ao acaso aos transeuntes, que lhe orientassem como chegar ao destino marcado. “Falei com pessoas indistintamente, camelôs, donas-de-casa, jovens ou não, ninguém me disse que não sabia ler e davam a informação”, contou. São as lições de Chávez que a Globo não possui aptidão para aprender….
Petróleo a preço de água
Antes de Chávez, quando 80 por cento dos venezuelanos viviam na miséria absoluta, o petróleo era regalado aos EUA, enquanto a burguesia local era conhecida por ser a maior consumidora de champanhe do mundo, depois da francesa, e pela elevadíssima importação de caviar para pequenos círculos oligarcas.
Eleito, Chávez cumpriu promessa de campanha de acabar com a farra imperialista com o petróleo venezuelano regalado. Recuperou gradativamente o controle sobre a PDVSA e também fez uma cruzada internacional para acordar a OPEP de seu sonho colonizado. Na época, o preço do petróleo estava em 7 dólares o barril – ou seja, muito mais barato que água mineral ou Coca-Cola – e hoje, avança pela casa dos 100 dólares. Eis a razão do ódio dos EUA a Chávez.
Evita Perón e Vargas
Este ódio imperial se expressa como uma ordem, uma sentença de morte, dada pelos falcões norte-americanos para que seja alcançada, por meio do câncer, aquela meta mórbida contra qualquer mandatário que não seja talhado para vassalagem, para submissão. Não é a primeira vez na história que isto ocorre. Quando Evita Perón foi acometida por um câncer, este jornalismo mortífero se expressou sem qualquer escrúpulo. O ódio que os círculos imperiais nutriram por Evita fez com que ele saltasse das páginas da imprensa portenha para os muros de Buenos Aires, nos quais a oligarquia festejava sua podridão moral escrevendo “Viva el Câncer!”.
Os imperialistas jamais perdoaram Evita por ter armado os trabalhadores da CGT para resistir aos golpes que frequentemente se organizavam contra Perón. Chegou mesmo a advertir Perón, que lhe criticou pela distribuição de armas, da qual ela nunca se arrependeu, que ele estava preparando as condições – desmobilizando os trabalhadores – para não ter capacidade de resistir ao golpe, que chegou em 1955, 3 anos depois da morte de Evita. Ela bem que avisou.
Depois foi contra Getúlio Vargas, quando sua saída da vida para entrar na história foi comemorada em círculos manipulados pelo capital externo, que não suportavam a criação da estatal Petrobrás, dos direitos laborais inscritos na CLT e da lei da remessa de lucros ao exterior. Não por acaso, o povo expressou sua tristeza e sua fúria, pranteando Vargas, mas também empastelando os símbolos daquele ódio contra o popular presidente, entre os quais os jornais Tribuna da Imprensa, Globo, e, até mesmo do jornal do PCB, Tribuna Popular, que no dia do suicídio de Vargas trazia desorientada entrevista de Prestes pedindo sua renúncia.
Assustados e envergonhados, os dirigentes comunistas recolhiam os exemplares do jornal que ainda estavam nas bancas. Mas, não tiraram conclusões históricas do porquê também foram alvo da fúria popular contra seus inimigos, sobretudo porque Vargas havia convidado Prestes para ser o chefe militar da Revolução de 30, aquela que em apenas 24 horas alistou mais de 20 mil voluntários para pegar em armas e combater a República Velha. Prestes inicialmente aceitou o convite, mas a ordem stalinista foi para que se afastasse de Vargas, enquanto que, na mesma época, em sentido contrário, Leon Trotsky escrevera que tanto Vargas como o mexicano Cárdenas, eram expressão de um bonapartismo sui generis, com potencial revolucionário, e que deveriam receber o apoio tático dos revolucionários.
O Levante de 4 de Fevereiro de 1992
Processos revolucionários começam sob formas mais inesperadas, normalmente com rupturas da legalidade instituída quando esta acoberta iniquidades, sob a forma de insurreições, armadas ou não. A partir das revoluções outra legalidade é constituída. Assim foi a Revolução de 30. Assim havia sido a Revolução Francesa, Assim foi a revolução em Cuba, na Nicarágua ou na Argélia. A Revolução Iraniana, por exemplo, desde 1979, de quatro em quatro anos promove eleições diretas, o que ainda não foi conquistado pelo povo dos EUA, onde o voto é indireto e apenas os candidatos que podem pagar aparecem na mídia para defenderem suas ideias.
A Revolução Bolivariana começa com um levante insurrecional – o 4 de fevereiro de 1992 – destinado a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, cujo objetivo era retirar a Venezuela da condição de colônia petroleira. Evidentemente, os comentaristas que seguem orientação imperial não suportam qualquer forma de rebeldia contra hegemonias colonizadoras. Na prisão, Chávez se transforma no homem mais popular da Venezuela, aquele capaz de traduzir e promover a identidade de seu povo com a sua história, com Bolívar, com a sua identidade cultural, sua mestiçagem negra e índia, como são os venezuelanos.
A Revolução Bolivariana começa com um levante armado e transforma-se em processo institucional por meio da aprovação do voto popular. Mas, diante das constantes ameaças golpistas imperiais e também das provocações desestabilizadoras da oligarquia, Chávez mesmo declarou que “esta é uma revolução pacífica, pero armada” , como a expressar a consciência do golpismo que sempre esmagou processos democráticos de transformação social na América Latina. Não lhe sai da lembrança que Allende morreu de metralhadora na mão…
Jornalismo de desintegração
As lições de Chávez estão aí aos olhos do mundo, mesmo que esta mídia golpista, praticando o mais vulgar jornalismo de desintegração, queira ocultar. A parceria Brasil-Venezuela multiplicou em mais de 500 por cento o comércio bilateral em poucos anos e hoje estão atuando na pátria de Ali Primera a Embrapa, a Caixa Econômica e muitas empresas brasileiras. Realizam obras de infra-estrutura indispensáveis para que o país dê um salto em seu desenvolvimento, o que sempre foi sabotado pelas oligarquias do período pré-Chávez.
Agora Venezuela constrói ferrovias, metrôs, teleféricos, estradas, hidrelétricas, pontes, e a participação brasileira nisto, com financiamento estatal, via BNDES, traduz bem o pensamento de Lula de que integração significa “todos os países crescendo juntos”. Os comentaristas da Globo não informam nada disso, até porque apoiaram quando o Brasil, na era da privataria neoliberal, demoliu um terço de suas ferrovias, além de ter destruído sua indústria naval, que agora, recuperada, tem inclusive 27 encomendas para a construção de navios petroleiros da PDVSA, a serem feitos aqui.
Solidão do uniforme
Além da integração, Chávez recuperou para o centro do debate o conceito de socialismo, além de propor a organização de uma nova Internacional, indignando-se com a cruzada da morte que o imperialismo organizou contra o Iraque, a Líbia e também contra Síria. Muito longe de resolver o desemprego galopante que assola a França, o governo de Hollande lança-se em mais uma empreitada imperial contra. Só sabem guerrear.
Chávez recupera o debate sobre uma nova função social para os militares, retirando-os da solidão do uniforme, unindo-os ao povo e às causas mais preciosas para viver com dignidade, com soberania e como democracia e justiça social. Recuperou até mesmo a função histórica do General José Ignácio de Abreu e Lima, pernambucano que lutou ao lado de Bolívar e que foi o primeiro a escrever sobre O Socialismo na América Latina, o que, em boa medida era desconhecido até mesmo pelas esquerdas brasileiras. Hoje os militares venezuelanos cumprem função libertadora e resgatam a função das correntes militares progressistas e antiimperialistas na história e seus representantes como Velasco Alvarado, Torres, Torrijos, Perón, Prestes, Nasser, Tito, a Revolução dos Cravos…..São lições de Chávez.
Os comunicadores que ignoram os fatos objetivos alardeiam a existência de desabastecimento alimentar quando a Unicef comprova que a Venezuela teve reduzida drasticamente a desnutrição e sua mortalidade infantil. O que há é boicote da indústria alimentar, o que levou o governo a montar uma rede estatal de mercados, fixos e móveis, que chegam a vender alimentos ao povo a preços até 70 por cento mais baratos, já que supera a especulação dos oligopólios.
Na semana que passou, para as autoridades venezuelanas confiscaram 3 mil toneladas de alimentos que estavam escondidos pelos oligopólios, numa operação casada com a mídia para fazer a campanha de que “falta alimento”, operação da qual participam, vergonhosamente, os comentaristas globais e sua grotesca desinformação. Segundo estatísticas da FAO, o consumo de alimentos na Venezuela aumentou em 96 por cento no período de 2001 a 2011, Era Chávez, enquanto a Cepal atesta que este país é hoje o menos desigual da América Latina, além de pagar o maior salário mínimo do continente, o equivalente a 2440 reais, informação que a Globo jamais noticiará.
MST, sem veneno
Antes de Chávez, a Venezuela não possuía economia agrícola, ou melhor, tinha apenas uma “agricultura de portos”, todo alimento era importado, até alface vinha de avião de Miami. Hoje o país, graças à integração e à cooperação promovidas incansavelmente por Chávez, já tem uma pecuária leiteira, já produz metade do arroz que consome e recebeu até a solidariedade do MST que lhe doou toneladas de sementes criollas de soja não transgênica. Aliás, Chávez organizou convênio com o MST, o então governador Roberto Requião e a Universidade Federal do Paraná para montar escolas de agroecologia aqui no Brasil, abertas à participação de estudantes de toda a América Latina.
Jornais populares e diversidade
Essas são algumas das generosas lições de Chávez, atacado pela Globo daqui, como pela de lá, exatamente porque existe plena liberdade de imprensa na Venezuela. Ou, como disse Lula, “o problema da Venezuela é excesso de democracia”. Vale contar episódio de jornalista brasileira que antes de viajar para lá me perguntou como poderia ter acesso a imprensa não controlada pelo governo, segundo frisou. Eu lhe disse, vá às bancas de jornal. Ela desconfiou, mas foi. E me contou; “pedi ao jornaleiro imprensa de oposição ao Chávez. Ele apontou para toda a sua banca e disse-me. minha filha, isso aí tudo é contra o governo, que poderia escolher á vontade”, relatou-me surpreendida.
A diferença é que essas grosseiras distorções e manipulações que se lançam aqui contra Chávez, lá têm respostas pois foi constituído um sistema público de comunicação, inclusive com jornais populares distribuídos gratuitamente ao povo nos metrôs e rodoviárias, o que ainda não temos aqui. O povo brasileiro eleva seu padrão de consumo, mas não tem um jornal com o qual possa dialogar e refletir sobre as mudanças sociais em curso aqui. Continua “dialogando” com as xuxas da vida….
Caminhando e cantando e seguindo a lição….
Diante de tantas lições civilizatórias, democráticas, transformadoras e marcadas pelo humanismo que está sendo aplicado pelo governo bolivariano da Venezuela, a conclusão de um comentarista global de que Chávez iria tomar o poder no além, é apenas e tão somente confissão de um desejo golpista macabro e atestado da estatura moral desta mídia teleguiada de Washington. O que desejamos é que Chávez possa se recuperar, concluir a sua obra, na qual está a meta de construir e entregar 380 mil novas moradias em 2013, equipadas com móveis e eletrodomésticos, em terrenos localizados também em bairros nobres, e não numa periferia longínqua ou à beira de precipícios que desmoronam com as chuvas.
Quanto a nós, que aprendamos algumas destas lições, especialmente quanto à necessidade de fortalecer, expandir e qualificar um sistema público de comunicação, para que tenhamos acesso ao que está em nossa Constituição, a pluralidade e a diversidade informativas, e um jornalismo como construção de cidadania e de humanidade.
Beto Almeida, membro da Junta Diretiva de Telesur
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Nostalgias interesseiras

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Estamos assistindo a uma nova sessão de nostalgia em torno da candidatura de Renan Calheiros à presidência do senado.
O negócio é dizer que nossos políticos chegaram ao fim da linha, uma espécie de fim de raça que poderia até justificar... (não vamos falar isso em voz alta porque tem criança acordada, né?)
O costume é sentir saudade. Já vi gente com saudades coletivas, de uma geração inteira. Mas também temos saudades individualizadas.
O nome sempre lembrado é Ulysses Guimarães, o que é um tremendo problema, considerando que o patrono da Constituição cidadã nos deixou em 1992. Sou admirador de Ulysses, mas pergunto: não apareceu nada de bom na política brasileira depois dele, que estaria com 95 anos se não tivesse sido levado por uma tragédia de helicóptero no litoral de São Paulo?
Ulysses era uma raridade raríssima.
Mas o esforço para apresentá-lo como uma espécie de santo do consenso nacional inclui apagar uma campanha sórdida contra sua liderança no Congresso durante a Constituinte.
Depois que Ulysses passou a resistir a entregar o poder aos conservadores, teve início uma campanha despudorada para tentar desmoralizá-lo, que incluiu até médicos dispostos a produzir diagnósticos telepáticos que questionavam sua saúde mental por meio da imprensa –apenas porque ele não queria entregar direitos e obrigações aos senhores de sempre.
As nostalgias coletivas são mais complicadas. Fica feio falar bem de João Goulart e Getúlio, que os salões chiques – alguns com convidados de esquerda – chamam de populistas.
Sobra quem? Eurico Dutra, representante da ala “germânica” do Estado Novo que assumiu a presidência e abandonou o padrinho, como gostariam que Dilma tivesse feito com Lula? Jânio Quadros, o breve?
Também não se pode falar bem de Juscelino para plateias maiores porque logo aparece alguém para dizer que ele ficou rico em Brasília.
Nada se provou contra JK, mas antes mesmo do Inquérito Policial Militar contra Juscelino nós já sabíamos que as provas, contra determinados demônios, não têm importância, vamos combinar.
Fernando Henrique foi um presidente de méritos, mas depois que nem os tucanos quiseram assumir sua defesa na hora certa...
Sobra, a rigor, uma geração de golpistas ligados à UDN. Muitos tinham diploma universitário, alguns haviam até estudado fora.
Eles ajudaram a colocar o PCB na ilegalidade, proibiram os trabalhadores de formar uma central independente e, a cada piscar, de olhos tentavam revogar a CLT.
Forçaram a crise que levou Getúlio ao suicídio e em seguida tentaram impedir a posse de Juscelino. Articularam o golpe contra Goulart com ajuda inestimável da imprensa, que se encarregou de mobilizar os empresários e a classe média contra um presidente constitucional.
A ideia de que os jornais apenas “apoiaram” o golpe é falsa. Muitos foram além. Estiveram dentro dele, antes e depois da derrubada de Goulart. Debateram listas de cassações.
É dessa turma que temos saudade?
“Canalhas!”, gritou Tancredo Neves para colegas de Congresso que, em 1 de abril de 64, participaram da farsa ao decretar que a presidência da República se encontrava vaga – o que permitia empossar um boneco de ventríloquo do PSD em seu lugar, até que Castello Branco, o preferido do governo americano, fosse escolhido para o posto. Nem o chefe do golpe aquela turma da saudade escolheu.
Qualquer manual de sociologia ensina que se costuma embelezar o passado como uma forma de cobrir o presente de feiura. Mas é difícil. O desemprego é o mais baixo da história. A renda continua sendo distribuída, apesar do crescimento baixo.
A turma da direita que usava argumento de esquerda – como o juro nas alturas – para bater no Planalto agora tem de ficar quieta ou procurar outro argumento.
As histórias que rondam Renan merecem uma explicação que ele não ofereceu. Concordo.
Mas ninguém se preocupava com dramas semelhantes quando ele era ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso. Isso aí. Ministro da Justiça. Tinha a Polícia Federal na mão.
Ou, mais atrás, quando Fernando Collor era o queridinho da turma da saudade, feliz porque conseguira emplacar o candidato conservador na primeira eleição direta depois da ditadura. Renan estava ali, no jantar de Pequim onde aquela aventura começou.
É quando se torna aliado de Lula e Dilma que Renan se torna inaceitável. Leva nossos observadores a sentir saudade.
Deve ser pura coincidência, vamos combinar.
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Empossado, Renan pode dar o troco em Gurgel

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Depois de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentar denúncia ao STF contra o peemedebista a uma semana de sua eleição para a presidência do Senado, Renan Calheiros tem a chance de dar o troco: como presidente do Senado, ele tem em mãos uma representação feita pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) que pede a abertura de processo de impeachment contra Gurgel no caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não chegou a impedir a eleição do peemedebista à presidência do Senado nesta sexta-feira, mas foi motivo de grande constrangimento. Antes mesmo de assumir oficialmente sua candidatura, nesta quinta-feira, o senador teve de se explicar sobre um caso que estava há dois anos nas mãos do procurador-geral e foi encaminhado por ele a apenas uma semana da eleição. Pois, se Renan guarda algum rancor, tem uma boa oportunidade de dar o troco.
Enquanto novo presidente do Senado, o peemedebista terá a atribuição de colocar sob apreciação do Senado uma representação contra Gurgel. A representação foi apresentada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e pede a abertura de impeachment contra o procurador-geral no caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
O pedido de impeachment foi apresentado no ano passado, durante a CPI do Cachoeira, e se baseia na recusa do procurador-geral em comparecer ao Senado para explicar por que não encaminhou a denúncia da organização criminosa, apesar das provas colhidas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo. Nesta sexta-feira, Collor voltou a fazer duras críticas ao trabalho de Gurgel à frente da Procuradoria Geral da República.
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Collor acusa Gurgel, de novo

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Charge online - Bessinha - # 1675

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Os auxiliares da imprensa

Quem lê jornal encontra com bastante frequência nas notícias as expressões “segundo auxiliares do governo”, “de acordo com interlocutores do governo” ou “informou uma fonte do governo”. É o que se chama de “off”, quando a informação é atribuída a uma fonte não revelada.
O problema é que isso, muitas vezes, serve apenas para veicular informações que interessem a determinadas pessoas ou grupos.
Hoje, no Estadão, lemos que “auxiliares do governo” dizem que a presidenta Dilma Rousseff pretende deixar na gaveta a proposta de regulação da mídia brasileira.
Ora, quem vaza esse tipo de informação em off para imprensa não são auxiliares da presidenta. São auxiliares da imprensa, da política dos donos dos jornais, seja qual for a posição da presidenta e do governo sobre o assunto.
É um direito de Dilma tomar a decisão que julgar mais adequada.
O que não se pode aceitar é essa tática da imprensa – que resiste por todos os meios a qualquer tipo de regulação, algo já existente em diversos países democráticos do mundo, tanto desenvolvidos quando em desenvolvimento – de tratar as informações de modo não transparente.
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Ban Ki-moon guarda silencio tras ofensiva aérea israelí sobre Siria

El alto funcionario no ha condenado el ataque de Israel a su vecino país
 El secretario general de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), Ban Ki-moon, guarda silencio tras la ofensiva aérea que emprendieron las Fuerzas Armadas de Israel contra un centro de investigación científica, el pasado 30 de enero, violando la soberanía y el espacio aéreo sirio e incitando a acciones de guerra.
Al ser consultado por la prensa internacional, este jueves, al máximo representante de la ONU se limitó a expresar su “grave preocupación” por el ataque, absteniéndose de condenar la acción unilateral del régimen de Tel Aviv.
El Secretario justificó su silencio alegando que “en este momento, la ONU no tiene detalles sobre lo sucedido, ni está en condiciones de verificar los hechos de manera independiente”.
Este mismo jueves, Damasco exigió al Consejo de Seguridad y al mismo Secretario General pronunciarse en rechazo y condena al ataque bélico que atentó contra la paz y la seguridad del pueblo sirio, como ya lo han hecho otras naciones, entre ellas Rusia, China, Egipto e Irán.
En lugar de condenar el hecho, Ban Ki-moon hizo un exhorto al régimen de Israel y a Siria, igualmente, “a prevenir tensiones y evitar una escalada de violencia en la región”.
El Secretario obvio el hecho trascendental, denunciado por Moscú, de que Tel Aviv violó la Carta de las Naciones Unidas, en la cual se exige respetar la integridad territorial y la soberanía de todos los países.
Por su parte, el Consejo de Seguridad tampoco ha reaccionado de la misma manera, guardando silencio al respecto. El presidente pro témpore del ente, el paquistaní Masud Jan, sólo precisó que recibió una comunicación de la misión permanente de Siria sobre lo sucedido.
En la madrugada del miércoles, aviones de combate israelíes bombardearon un centro de investigaciones en la zona de Jamraya, a menos de 20 kilómetros al noroeste de la ciudad capitalina de Damasco; dejando como saldo dos fallecidos y cinco lesionados.
Hasta ahora, un gran número de países y organizaciones internacionales, entre ellos, Irán, Rusia, China, el Movimiento de Resistencia Islámica de El Líbano (Hezbolá) y la Liga Árabe (LA), que agrupa a 22 países árabes, han rechazado la agresión israelí contra Siria.
Siria responde
El embajador sirio en el Líbano, Ali Abdul Karim Ali, manifestó este jueves que su país tiene la opción de responder al ataque israelí. Sin embargo, detalló que “Damasco tomará una decisión sorpresa para responder a la agresión de los aviones de guerra israelíes".
En una carta leída por el diplomático, el Gobierno de Bashar al-Assad destacó que como Estado tiene derecho pleno de defender su territorio y su soberanía. "Siria está comprometida en la defensa de su soberanía y de su tierra", enfatizó.
Por su parte, el viceministro de Relaciones Exteriores de Irán para Asuntos Árabes y Africanos, Hossein Amir-Abdollahian, puntualizó que “el ataque demuestra claramente que los grupos terroristas en Siria e Israel persiguen los mismos objetivos”.
Asimismo, resaltó que el asalto tendrá consecuencias graves para el régimen de Tel Aviv, motivo por el cual también exigen al Secretario General de la ONU adoptar una medida práctica y eficaz contra el ataque.
"Los que siempre han tenido posturas duras contra Siria son quienes deben ahora tomar medidas serias contra esta invasión de Tel Aviv, colocando la seguridad regional en su lista de prioridades", señaló.
* * *

Consejo de DD.HH. condena ocupación ilegal de Israel en Palestina

El Consejo denunció violaciones de derechos fundamentales
 del pueblo palestino

El Consejo de Derechos Humanos (DD.HH.) de la Organización de Naciones Unidas (ONU) condenó este jueves la edificación de asentamientos ilegales por parte del régimen de Israel en los territorios ocupados de Palestina, porque son violatorios de múltiples derechos fundamentales del pueblo palestino.
El Consejo envió una misión internacional hasta los territorios ocupados para investigar el impacto de las colonias israelíes en tierras palestinas y sus conclusiones fueron divulgadas este jueves en la sede del ente, ubicada en Ginebra, Suiza.
El equipo determinó que esas unidades habitacionales son “establecidas y desarrolladas para el beneficio exclusivo de judíos israelíes”, quienes promueven un sistema de segregación total sobre el resto de la población residente en el lugar.
“Se trata de transgresiones interrelacionadas que forman parte de un patrón general de actos caracterizados por la negación diaria del derecho a la autodeterminación y la sistemática discriminación contra la población palestina”, precisa el informe.
El texto agrega que dicho esquema de discriminación está sustentado y propiciado por un fuerte y estricto control militar, en detrimento de los derechos de los habitantes locales.
En relación a las violaciones cometidas por Israel, la Misión destacó los desahucios, desalojos, demoliciones y desplazamiento forzado de personas de sus lugares de residencia.
El organismo expone que, desde 1967, los gobiernos israelíes "dirigieron abiertamente, participaron y tuvieron un control pleno sobre la planificación, construcción, desarrollo, consolidación y promoción de los asentamientos" en Palestina.
En el documento no sólo se responsabiliza al Gobierno de Israel por sus acciones colonizadoras, sino también a entidades privadas que permiten, facilitan y obtienen beneficios -directos e indirectos- de la construcción de esas instalaciones ilegales.
Por último, la presidenta de la comisión internacional, la francesa Christine Chanet, exigió que, “en cumplimiento del artículo 49 de la Cuarta Convención de Ginebra, Israel debe poner fin a todas las actividades de asentamiento, sin condiciones previas".
En tanto, el régimen de Tel Aviv consideró "desafortunadas y contraproducentes" las conclusiones de la comisión internacional, desestimando todas las acusaciones y condenas morales que pesan en su contra por su colonización.
"El Consejo de Derechos Humanos se distinguió, tristemente, por su aproximación sistemáticamente sesgada y unilateral hacia Israel. Este último informe es otro desafortunado recordatorio de ello", afirmó a través de un comunicado el Ministerio de Relaciones Exteriores israelí.
No teleSUR
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Curitiba recebe encontro de Blogs, Redes Sociais e Cultura Digital

http://blogdotarso.files.wordpress.com/2013/01/2801paranablogs.jpg 
Para os debates, já estão confirmados nomes de expressão nacional e regional
Liberdade de expressão, jornalismo na web, democracia digital, marco civil da internet e democratização da comunicação. Estes e outros temas estarão em debate no II Encontro de Blogs, Redes Sociais e Cultura Digital do Paraná, também conhecido como #2ParanaBlogs, de 12 a 14 de abril em Curitiba.
O evento, na nova sede do SISMUC, vai reunir blogueiros, ativistas digitais, jornalistas, comunicadores populares, estudantes e internautas do Paraná e outros estados.
Para os debates, já estão confirmados nomes de expressão nacional e regional, como o do teólogo Leonardo Boff, do comunicador Vito Gianotti e da blogueira Conceição Oliveira, do Blog da Maria Frô. Nos próximos dias a organização do evento pretende divulgar novas confirmações de convidados.
Entre os paranaenses, estarão nas mesas de debate os jornalistas Esmael Morais, do Blog do Esmael, Joice Hasselmann, do Blog da Joice, Ronildo Pimentel, do Boca Maldita, o deputado federal João Arruda, presidente da Comissão do Marco Civil da internet, o advogado Tarso Cabral, do Blog do Tarso, o senador Roberto Requião, entre outros.
As mesas de debate, temas e convidados ainda podem ser sugeridos através do blog oficial do evento (blogoosfero.com/paranablogs).
Além dos temas relacionados, o #2ParanáBlogs pretende discutir uma série de temas que interessam a todos os internautas, como as novas legislações de internet, que alteram a forma como os cidadãos tem acesso à rede.
#ParanaBlogs
A primeira edição do Encontro de Blogs, Redes Sociais e Cultura Digital do Paraná aconteceu no ano de 2011, em Curitiba. Na oportunidade, mais de 60 internautas compareceram. Eles tiveram oportunidade de manterem contato, durante o evento, com ativistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O #ParanáBlogs é a etapa preparatória estadual para o Encontro Nacional de Blogueiros, que em 2014 chegará à sua quarta edição, e para o II Encontro Mundial de Blogueiros, que tem data prevista para acontecer em outubro de 2013, na cidade de Foz do Iguaçu, sede permanente do evento.
O II Encontro de Blogueiros, Redes Sociais e Cultura Digital do Paraná conta com o apoio do SISMUC, Sindijor, Sindjus, TIE Brasil, Poolblique, Blogoosfero e do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé.
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De valentão a pianinho - O destino de todos os Trolls

 
Os mascus sanctos voltaram a dar as caras esta semana, quando abriram uma comunidade no orkut para rir da tragédia de Santa Maria. Não vou por o link, e peço a vocês, encarecidamente, que vocês não divulguem uma página quando querem denunciá-la. Sei que as intenções são as melhores possíveis, mas acabamos viralizando um blog/site/comunidade etc que quer exatamente isso – chamar a atenção antes de ser deletado. Basta denunciar individualmente, sem espalhar o link pra todos os seus contatos. Denuncie pra Safernet e pra Polícia Federal, e aguarde.
Bom, pros mascus sanctos chamarem a atenção até num espaço moribundo como o orkut, quer dizer que o negócio foi brabo. Entre outras “gracinhas”, eles colocaram imagens de dois de seus ídolos, ambos masculinistas, o atirador norueguês e Wellington, responsável pelo massacre de Realengo, no Rio, em 2011, barrando a saída das vítimas da boate Kiss. Entre muitas outras barbaridades. No Twitter, perfis sanctos também atacaram. Vamos ver por quanto tempo eles fazem isso, agora que a Polícia Federal anunciou que irá atrás desses comentários ofensivos.
Se tem alguém que sabe do que a PF é capaz, esse alguém são os mascus sanctos. No final de março fará um ano que dois dos maiores líderes sanctos, Engenheiro Emerson e Marcelo, foram presos. E eles continuam na cadeia. Três habeas corpus para responder a seus crimes em liberdade já foram negados.
Se você não lembra, no final de 2011 os mascus sanctos, através do blog Silvio Koerich (o blog mais popular que os mascus já tiveram, e eu já disse que a única diferença entre as várias facções mascus é na intensidade do ódio), aterrorizaram a internet através de ameaças de morte a várias pessoas (eu inclusa), imagens e textos tenebrosos do tipo “Faça você mesmo: Estupre e mate uma mulher”, e a promessa de que iriam cometer um atentado no prédio de Ciências Sociais da Universidade de Brasília.
Durante muito tempo eu pensei que os mascus sanctos eram apenas valentões da internet, covardes demais para cometer qualquer crime longe da tela de um monitor. Eu estava enganada. Quando a PF prendeu Emerson e Marcelo, em Curitiba, encontrou com eles mapas da UnB e outros indícios de que iriam concretizar a ameaça. Mesmo com os dois presos, os rumores de que haveria um atentado na UnB estavam tão fortes que a universidade não abriu as portas numa sexta-feira 13, em abril. Sabemos que não há tantos mascus sanctos, mas vários continuam à solta. Poucos meses atrás houve um rumor grande que mais um tinha sido preso. Um outro, um menor de idade, foi preso e solto. Ele alcançará a maioridade este ano, e vamos ver se ele seguirá com o mesmo discurso e arriscará ir pra cadeia.
O legal é como, antes de serem presos, todos eles são corajosos e audazes. Mas na prisão, ou diante de um juiz, tudo muda de figura. No YouTube tem um vídeo com o termo de transcrição dos depoimento de Marcelo, Emerson e testemunhas. A descrição do vídeo diz que os dois “são integrantes da quadrilha neo-nazista intitulada Homens Sanctos” e cita os codinomes de demais integrantes, entre eles Mó Humirde e Cobra, velhos conhecidos de fóruns mascus “Guerreiros da Real” (facção que alega não ser misógina nem ter conexão com os sanctos).
 
Vale lembrar que Marcelo já havia sido condenado em 2009, por crime de racismo. Mas ele foi considerado semi-imputável por ser portador de “transtorno de personalidade”. Há também um boletim de ocorrência contra ele da própria mãe, em quem ele batia. Emerson também respondeu a processo por violência doméstica. Ou seja, tudo gente da melhor estirpe.
De quando eles estavam soltos, do blog SK
Entre as testemunhas de defesa, num gesto de pura trollagem, foi chamado o proprietário da agência Afropress, site que os sanctos tentaram derrubar. Durante meses, Dogival Vieira Santos, que é negro, foi ameaçado pelos sanctos! E aí ele é arrolado como testemunha de defesa...
 
As outras testemunhas de defesa todas falam a mesma coisa: que não conheciam o lado racista de Emerson ou Marcelo. Como apenas racismo é crime (misoginia e homofobia ainda não são), é só disso que eles estão sendo acusados, além de incitação ao crime e publicação de material com pedofilia. Um amigo de Emerson diz: “ele sempre foi um rapaz muito culto, educado principalmente [...], sempre foi uma criança e adolescente tranquilo, nunca apresentou nenhum tipo de desvio assim grave a esse ponto que tô vendo agora”.
 
O vídeo começa a esquentar a partir do segundo minuto, com a transcrição do depoimento de Emerson. Primeiro, sobre o vídeo da Índia (em que ele diz que "o estado inerente do preto é a sujeira, o estado inerente da mulher é a prostituição"), Emerson alega que recebia provocações da ex-namorada, que havia chegado “a enviar um vídeo mantendo relações com negros e menosprezando a minha capacidade sexual. […] Sei que nada se justifica, uma coisa da qual me envergonho e me arrependo profundamente porque ofendeu não somente aos meus amigos, mas também não expressa aquilo que eu penso”.
 
Quanto ao blog SK, Emerson diz que fazia apenas comentários e que é contra a pedofilia. “Esse site na verdade eu passei a conhecer através do Marcelo, enfim por fora, pra comentar, enfim, certas provocações porque, não somente através do site, mas a própria internet, o meu nome estava saindo em todos os, ah...”.
Emerson diz que contratou Marcelo pra dar uma chance a ele, que havia sofrido bullying na infância e sido injustiçado por uma condenação por racismo. E fala que não sabe quem era o administrador do site. Neste trecho ele confirma que os rumores que ouvimos (que Marcelo foi estuprado na cadeia) podem ser verdadeiros.
 
E aqui o ato falho:
 
No depoimento de Marcelo, ele nega as acusações, e afirma que está preso por “Emerson já estar sendo investigado e eu estar junto dele”. Ele diz que foi “contratado por pessoas na internet pra hospedar o site”. Quando perguntado porque, a princípio, o site estava hospedado nos EUA, Marcelo responde que era por ser mais barato. E que recebia o dinheiro do Ministro Claudio. Ele nega ter sido administrador do site, só administrador do servidor. “Sou o empresário”. A maior cara de pau de todas as transcrições está aqui:
Ele afirma que não sabia o conteúdo do site que hospedava!
Em seguida faz uma defesa à la Veja: ele não é racista porque não existem raças.
O advogado de defesa pergunta se ele tem algo contra os alunos da UnB. Marcelo responde que não, e que se considera injustiçado.
Aqui, o sujeito que, muito antes da prisão, já era uma celebridade entre o pessoal dos Chans (fóruns anônimos), porque nunca saía de lá, diz que não tinha tempo pra brincadeira, pois trabalhava demais.
 
Agora eles são todos inocentes cordeirinhos que não tinham nada a ver com o site de ódio. Na época do site, todo dia tinha post dizendo “Vocês nunca vão nos pegar”, “Não temos medo”, “Temos um blog que está humilhando o Brasil”, “Não tenho nada a perder”. Pelo jeito, todo mundo tem algo a perder. Até os maiores perdedores do Brasil, os mascus.
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Revolta ou fascismo online?

Chegou por e-mail parte do quebra-cabeças que está sendo montado em esforço colaborativo para desvendar o grupo que, há algum tempo, espalha através das redes calúnias e banners de péssimo gosto, quando não caluniosos, contra figuras públicas de esquerda.
O grupo parece ter muitos membros e, alguns deles, por publicarem posts em consonância com a opinião de alguns colunistas e blogueiros de direita, em sites da grande imprensa, conseguem facilmente que suas infâmias sejam referenciadas, reproduzidas ou linkadas por esses senhores. Assim a 'brincadeira' ganha ar de notícia, num evidente esquema de destruição de reputações.
A tática cheira a mofo, mas ainda consegue mover uma engrenagem que consegue adeptos. Foi o que aconteceu segunda à noite com o deputado Paulo Pimenta, conforme reportamos aqui. Mas há outros casos, já mapeados, como o reportado neste post, vindos do mesmo blogueiro que difundiu a calúnia contra o @DeputadoFederal.
Leia o texto abaixo e, se o estômago estiver bem, acesse os links.

Grupo Revoltados Online defende “ditadura”, chicotada para presos e é suspeito de desviar recursos de doações na internet 
O Grupo Revoltados Online é conhecido como um dos principais grupos de extrema-direita em atividade na internet brasileira. Sob o argumento de “limpeza ética na política”, seus fundadores, na verdade, são pessoas ligadas a grupos anti-PT. Eles recrutam muitos jovens com o argumento de que é preciso transformar a política - o que todos concordam. Entretanto, por trás disso, está uma rede articulada que espalha boatos, a qualquer custo, sem qualquer comprovação, e pede doações em dinheiro.
Segundo denúncias na internet, a arrecadação de dinheiro serve para promover eventos ligados à direita, como os R$ 100 mil gastos em uma atividade em São Paulo, na Praça Roosevelt, às vésperas do segundo turno. Dias depois, descobriu-se que o evento era pró José Serra e contra o candidato do PT, em São Paulo, Fernando Haddad. Além disso, o Revoltados Online se nega a prestar contas dos recursos que recebe.
Quando colocada à prova, a isenção do Grupo Revoltados Online cai como um castelo de areia, já que é muito difícil encontrar em suas publicações críticas a governos de direita no Brasil, especialmente ao PSDB. Quando o jornalista Amaury Jr lançou o livro “A Privataria Tucana”, internautas cobraram uma posição do Grupo Revoltados Online, mas segundo ex-simpatizantes da comunidade que se dizia combater a corrupção, os membros do Revoltados Online vetavam ou excluíam os comentários, e inclusive a página ficou sem fazer qualquer postagem durante alguns dias.

Quem é Marcello Reis, o fundador do Revoltados Online
Antes de iniciar o Revoltados OnLine, o fundador Marcello Reis criou diversos sites com oportunidades de negócio "incríveis". Desde ofertas de precatórios federais, créditos de ICMS e até mesmo vendas de apartamentos no exterior. Marcello Reis possui extensa "ficha corrida" de tentativas de golpe pela Internet.
Observando esses sites, é possível verificar diversos indícios de fraude. Em todos eles, Reis utiliza símbolos de órgãos do Governo tentando vincular sua imagem a instituições reguladoras, como Banco Central, CVM e Receita Federal. Além disso, alega fazer parte de uma organização formada por "renomados" profissionais, que jamais produziriam sites com tamanho indícios de picaretagem. Os blogs que Marcello Reis administra têm algo em comum: todos têm a palavra online, assim como o Revoltados Online.
A falta de responsabilidade de Marcello Reis em divulgar notícias falsas busca aumento de acessos em seus sites. O post “O mito Lula, A era do Fascismo” obteve cerca de 200 mil acessos. Segundo especialistas, para cada mil acessos 2 dólares são depositados na conta do proprietário do site. Portanto, estima-se que com apenas esse post, Marcello tenha faturado 400 dólares, além de lucrar ainda com os cliques nos anúncios que exibe em sua página, algo em torno de 35 centavos de dólares por clique.
Além de Marcello Reis, outro membro do Grupo Revoltados Online é Bruno Toscano, conhecido na rede por sua ligação com o blog União Pela Ética e Cidadania (UPEC). Nesse blog, é possível encontrar mensagens de apoio à ditadura, e imagens em que os generais Castelo Branco e Garrastazu Médici são referenciados como ídolos. Em outra foto-montagem, o blog UPEC reúne todos os generais da ditadura, com a inscrição “eu era feliz e não sabia”.
Denise Queiroz
Do Tecedora
No Terra Brasilis
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A relação incestuosa entre a mídia e o judiciário

O livro Mensalão, de Merval Pereira, traz um prefácio de Ayres Britto, por incrível que pareça.
Merval, o livro e o juiz
Merval, o livro e o juiz
O pior livro de 2013 está prestes a ser lançado: Mensalão, de Merval Pereira.
Cuidado, pois.
Tratando-se de Merval, não poderia ser outra coisa que não a reunião de seus artigos maçantes e previsíveis ao longo do julgamento. Conteúdo novo? Talvez na próxima.
O livro é revelador, não obstante.
Ele mostra a relação incestuosa entre a Globo (e a grande mídia) e o STF. O prefácio é de Ayres Britto, que presidia o Supremo durante o Mensalão.
Pode? Pode.
É legal? É.
É eticamente aceitável? Não. Exclamação.
O pudor deveria impedir o conúbio literário entre Merval e Britto.
Mas o pudor se perdeu há muito tempo. Em outra passagem amoral desse caso de amor entre mídia e justiça, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro do príncipe dos escaravelhos Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.
Ali estava já a sentença de Gilmar.
Pilhados por uma câmara indiscreta, Azevedo se gabou da presença ilustre, aspas, do companheiro Gilmar, e este seguiu em seu caminho de defensor da justiça e da causa do 1%.
A decência e o interesse público mandam distância entre os dois poderes, a mídia e a justiça. Na Inglaterra, se o juiz Brian Leveson, que comandou as discussões sobre a mídia e seus limites, confraternizar com um jornalista, a carreira de ambos estará encerrada.
No Brasil, é pena, isso não é bem assim.
Conheço Merval há anos. Quando eu começava carreira na Veja, ele foi, durante algum tempo, editor da seção de Brasil. Não virou manchete, porque não tinha elegância ao escrever, o que naquela época era um requisito na Veja.
De lá voltou a seu habitat, o Rio. Seu tento mais espetacular, nestes anos todos de regresso ao Rio, foi ter matado Hugo Chávez numa coluna que, não gozasse ele da imunidade de porta-voz do patrão, podia ter lhe custado a mensalidade que recebe. Seu mensalão, enfim.
Reencontrei-o quando fui integrante do Conedit, Conselho Editorial das Organizações Globo.
Rapidamente, nas reuniões semanais de terça-feira no Jardim Botânico conduzidas por João Roberto Marinho, me impressionei com Merval e Ali Kamel.
Não pelo talento, não pelo brilho. Mas pela capacidade de reproduzir, alguns tons acima, tudo que a família Marinho pensava. Pareciam competir entre si, como se dissessem: “Eu concordo com o João mais do que você!” (Acho graça quando atribuem poder ideológico a Kamel: se seu patrão fosse progressista, ele seria progressista e meio. Ele não articula intelectualmente, e sim executa jornalisticamente o que os Marinhos desejam. Embora seus amigos da Veja dediquem espaço monumental à resenha de seus livros, nenhum deles tem qualquer valor literário.)
Aquilo tudo no conselho evidentemente me incomodou. Uma vez, depois de uma reunião, fui almoçar com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho, acionista minoritário do Globo e integrante do Conselho Editorial.
O cardápio, olhando para trás, foi suicida, para mim. Não conversei, desabafei. Disse a Luiz Eduardo, um bom sujeito aliás, que me chamava a atenção na reunião o fato de todos os participantes repetirem, basicamente, as ideias da família Marinho.
Onde alguma diversidade, onde algum esboço de pluralismo?
Alguns macaqueavam mais discretamente, outros com exuberância e estridência retórica. Era este o caso de Merval e de Kamel. Minha solidão naquele grupo era imensa, era universal, e não apenas por eu ser de São Paulo.
Merval, em seus artigos, se coloca como um Catão. Talvez um dia nosso Catão possa vir à luz do sol para explicar por que, trabalhando há tantos anos para todas as mídia da Globo, é um PJ – um artifício pelo qual ele e seu empregador pagam menos impostos do que deveriam, e ainda se concedem o direito de fazer sermões sobre moral.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Andrea Neves em conflito com Marcio Lacerda

Para confirmar a situação de queda de prestígio (ou conflito em alta) da irmã de Aécio Neves, reproduzo, abaixo, matéria publicada pelo Estado de Minas. A matéria, publicada hoje, revela um episódio envolvendo cabeçada de Andrea Neves no prefeito (cotado para ser candidato a governador de MG) Marcio Lacerda (PSB).
Gente experiente não entra em tanto conflito sem causa, por esporte. Há, portanto, fundamento nas análises informais que se reproduzem na capital mineira que dariam conta de um desgaste crescente de Andrea e seu irmão, senador, com governos de Anastasia e Marcio Lacerda.

Atrito entre Lacerda e PSDB atrasa anúncio dos nomes do secretariado

Ainda sem acordo sobre as indicações do PSDB, prefeito empurra a complexa e lenta definição do secretariado e do segundo escalão da prefeitura para depois do carnaval
Em evento no Palácio da Liberdade, Lacerda e Anastasia tentaram amenizar o embate em torno de cargos
 (Breno Pataro/divulgação/PBH)
Em evento no Palácio da Liberdade, Lacerda e Anastasia tentaram amenizar o embate em torno de cargos
O embate entre Marcio Lacerda (PSB) e o PSDB por causa das indicações para o primeiro escalão de seu segundo mandato obrigou o prefeito a adiar o anúncio dos nomes para depois do carnaval. Em encontro com o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB), Lacerda tentou amenizar o atrito com os tucanos. O clima, no entanto, ainda é tenso, mesmo depois de almoço com a participação dos dois e do senador Aécio Neves, na terça-feira. O prefeito já vetou uma indicação do partido, “desestimulou” outra e colocou uma terceira em banho-maria. Todas os pedidos foram feitos por Aécio para cargos na área de obras. Já há quem defenda que o filho do prefeito, Tiago Lacerda, seja exonerado da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo.
O prefeito, que participou ontem, ao lado do governador Anastasia, do lançamento de projeto para terminais de integração metropolitana de ônibus, disse que as negociações são longas. “Precisamos encontrar um equilíbrio político e administrativo para que haja melhor governabilidade no trabalho interno da prefeitura, na relação com a Câmara, com o governo do estado e a sociedade. É uma engenharia política complexa e lenta e só vai ser concluída no primeiro e segundo escalões depois do carnaval”, afirmou, no evento no Palácio da Liberdade.
Anastasia seguiu a mesma linha. “Muitas vezes, os jornais gostam de criar fatos onde eles não existem. A relação pessoal entre o governador do estado e o prefeito, e do senador Aécio com o prefeito, é a melhor possível. Inclusive, almoçamos ontem (terça-feira) num clima totalmente amistoso. Do ponto de vista político, também é natural que, muitas vezes, a imprensa goste de dar uma pitadinha, um tempero, mas neste caso, obviamente, isso é inexistente”, disse.
A verdade, no entanto, é que os tucanos estão nervosos, sobretudo pelas respostas que Lacerda vem dando às indicações feitas pelo partido em conversas cara a cara com os indicados. Em uma, com o deputado estadual João Leite (PSDB), indicado por Aécio para a Secretaria de Obras e Infraestrutura, o prefeito afirmou que o parlamentar não ocuparia o cargo porque ele estava gostando muito de quem responde atualmente pela pasta, José Lauro Nogueira Terror, ex-funcionário de empresa no setor de telefonia que Lacerda tinha antes de entrar para a vida pública.
A outra “indelicadeza” do prefeito, segundo os tucanos, foi com Paulo Bregunci, pai do secretário-geral adjunto da Governadoria do Governo de Minas, Thiago Bregunci, indicado para a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel). Ao receber Breguci, o prefeito disparou: “O senhor pode assumir, mas devo avisá-lo que vamos passar para a Secretaria de Obras boa parte das atribuições da empresa. E mais: sou exigente, cobro muito, e se não atenderem as minhas expectativas, eu mando embora”.
A terceira indicação de Aécio Neves foi a do diretor de Irrigação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Reinaldo Alves Costa, para a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). O nome não foi vetado nem destratado diretamente por Lacerda mas, segundo tucanos, o prefeito não dá qualquer sinal de que chamará Costa. Ao contrário, estaria “queimando” o indicado de Aécio em conversas com interlocutores.
A previsão inicial da própria base de Lacerda na Câmara era de que o secretariado fosse anunciado dias antes do carnaval. Até o momento, é certo apenas que os tucanos serão mantidos na Secretaria de Saúde e na BHTrans. A avaliação do PSDB, porém, é de que o partido merecia mais. “Aécio Neves foi o responsável pela retirada de Délio Malheiros (deputado estadual do PV) e de Eros Biondini (deputado federal do PTB) da disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Além disso, muitas empresas só contribuíram para a campanha de Lacerda porque Aécio apoiou o PSB na disputa”, afirma um integrante do grupo de articuladores próximos ao governador Anastasia. Délio virou vice de Lacerda. Já Biondini assumiu a Secretaria de Estado de Esportes e Juventude.
Fatura paga
O prefeito Marcio Lacerda exonerou ontem a responsável na Regional Oeste pela fiscalização de alvarás e documprimento do Código de Posturas do município, Márcia Curvelano de Moura. A demissão está sendo avaliada na Câmara de BH como a primeira fatura paga pelo prefeito ao seu novo líder na Casa, Preto (DEM), que teria imposto a saída de Márcia para aceitar o cargo. O parlamentar tem base eleitoral na região. Com a indicação do vereador, o prefeito tenta aumentar sua base na Câmara.
Leonardo Augusto | Flávia Ayer
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A morte dos jornais

protesto-jornais-paris-Foto Reuters 
Há meia dúzia de anos, Francis Gurry, então cabeça da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, anunciava essas profecias e falou: “Os jornais no formato como os conhecemos hoje, vão desaparecer até 2040. Até essa data, todos os países do mundo devem fazer a transição do papel para o meio digital”. Gurry dizia que os sinais da mudança já então se faziam presentes, como no fato de que as vendas de versões digitais de jornais superavam as ocorridas em bancas”.
Outro necrólogo dos jornais, Philip Meyer, professor da Universidade da Carolina do Norte, em seu livro The Vanishing Newspaper, prevê mais 30 anos de vida para os jornais. Ele preconiza que de todos os meios antigos, os jornais são os que têm mais a perder para a internet, e acredita, diferente de Francis Gurry, que o primeiro trimestre de 2043 é que será o momento em que o jornal impresso morrerá nos Estados Unidos, “quando o último leitor estiver cansado de colocar de lado a última edição amarrotada”.
O modelo de negócios da imprensa escrita está implodindo, prevê a necrologia dos jornais impressos, na medida em que os leitores jovens vão atrás de notícias nos tablóides gratuitos e na mídia eletrônica. E a internet, com sua vastidão, energia e imediatismo, parece mesmo capaz de derrubar o velho e sonolento jornal impresso.
No Brasil, à parte jornais influentes assassinados pela ditadura militar implantada em 1964, como o sólido Correio da Manhã, por exemplo, a mortandade impressa por motivos naturais já chegou. Um dos mais importantes jornais do país, o Jornal do Brasil, antes de estrebuchar de uma vez por todas promoveu, inutilmente, uma radical reforma gráfica, que trouxe como grande novidade um novo formato, o berliner, meio termo entre o tablóide e o tamanho convencional, o standard. Seguia receita usada por tradicionais periódicos europeus. Prático de manusear e carregar, mais agradável aos olhos das novas gerações, esse tratamento intensivo ao paciente terminal não deu sobrevida nem a jornais bicentenários pelo mundo, que acabaram fechando.
Outro cadáver, o do Jornal da Tarde, do Grupo Estado, em São Paulo, foi sepultado no final de 2012. O motivo de sua morte, segundo seu criador, Mino Carta, é que perdeu a sua própria razão de ser. “Toda a imprensa brasileira decaiu, mas a morte do jornal há de ser vista como conseqüência fatal da decadência do jornalismo impresso, cercado por forças novas, encaradas com perplexidade por este velho profissional, incapaz de imaginar o desfecho disso tudo”.
Uma das “forças novas” por enquanto ainda imperceptível, a cercar o jornalismo impresso e a minar suas forças, não é digital e sim ideológica. Para o professor Perseu Abramo, em “Padrões de Manipulação da Grande Imprensa”, Editora Fundação Perseu Abramo, o jornalismo precisa se libertar de seu pior inimigo, que é a própria imprensa, tal como ela existe hoje. O que é um jornal? Um punhado de cidadãos com dinheiro para comprar impressoras e montar infraestrutura de redação e distribuição para publicar o que eles querem que o público leia, e não publicar o que eles não querem que o público leia, para o bem de seus próprios interesses econômicos, políticos e ideológicos. Em uma palavra, manipulação das consciências. Perfeitamente democrático. Perfeitamente amoral. Aí está porque o presidente Lula dizia sentir náuseas ao ler jornais. Eu também sinto, meio século depois de iniciar minha carreira no jornalismo impresso.
Abramo profetiza uma tendência histórica futura, na verdade pressentida atualmente, estando já nestes novos tempos a vampirizar as jugulares dos jornais. Ninguém é bobo para sempre. A tendência é a de que as classes dominadas não mais teriam motivos para acreditar ou confiar na imprensa, em papel ou digital, e seguir suas orientações. “Passariam a intensificar sua postura crítica, sua análise de conteúdo e forma, diante dos órgãos de comunicação. Por meio de seus setores mais organizados, contestariam as informações jornalísticas, fariam a comparação militante entre o real acontecido e o irreal comunicado, fariam a denúncia sistemática da manipulação e da distorção. Tomariam como uma de suas principais tarefas de luta a desmistificação organizada da imprensa e das empresas de comunicação”.
Enquanto isso, ao redor das tumbas dos jornais finados, ecoam os sussurros da fascinante história da imprensa escrita. Começamos com a invenção do papel, pelos chineses, no ano 106. Passamos pela prensa de Gutenberg em 1438 e tivemos na Revolução Francesa o maior impulso de um dos mais antigos métodos de impressão, a tipografia, com a publicação de 1.500 títulos na época, duas vezes mais que nos 150 anos anteriores a 1789. Inventamos, durante passados 575 anos, desde o surgimento da prensa, velocíssimos, nítidos e econômicos métodos de impressão em superfícies lisas ou não, chamados, entre outros, de off-set, flexografia, rotogravura, litografia, tampografia, xerografia.
Chegamos no ano de 2006 e resolvemos diminuir o tamanho do velho jornalão, que ora xingamos de mastodonte. Os primeiros de menor tamanho circularam e ainda circulam pelo mundo e também no Brasil, denominados padrão berliner, imagens e textos curtos pipocando em seu formato de 47 x 37,5 centímetros, um pouco menor que o tablóide.
Ingressamos na era do plasma, um pedaço de papel eletrônico, espécie de plástico dobrável, para pôr no bolso. Uma tela portátil, denominada e-reader, de 12,2 por 16,3 centímetros. Impresso e alimentado via internet sem fio, a rotatividade das notícias é monitorada via digital. Encostamos a ponta da unha e pronto, temos sempre novas e novas notícias. Não há jornal impresso que resista ao furacão de avanços tecnológicos a que chegamos neste século 21 e das tempestades eletrônicas que se avizinham. Os avanços ideológicos nas classes dominadas, esses igualmente carregam a alça do esquife dos jornais impressos rumo ao cemitério.
Apollo Natali, jornalista, formado aos 71 anos, depois de 4 décadas atuando na imprensa. É colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Desabafos de um ancião”.
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