27 de jan de 2013

A luz que queima os olhos da imprensa não deixa o povo cego

Estou aqui a pensar o que leva os megaempresários da imprensa, dos meios de comunicação comerciais e privados a nadar contra a maré ou a dar tiros em seus pés quando se trata de favorecer não somente o povo brasileiro, mas também a classe empresarial, dona e responsável pelo setor produtivo e que tem importantíssimo papel no que tange ao desenvolvimento da sociedade brasileira em todos os sentidos.
A presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, anuncia a queda nos preços da luz, da energia, com o apoio quase unânime da população e dos empresários da Fiesp e da Fierj, além de outras federações do País. De forma incoerente e inconsequente, os donos de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão publicam editoriais contrários à diminuição dos preços de energia, fato este essencial para que o chamado custo Brasil tão criticado pelas famílias midiáticas e seus especialistas de prateleiras durante anos a fio, e que agora, de maneira oportunista e raivosa, questionam a decisão do Governo trabalhista e publicam palavras tão ridículas e sem sentido que até setores ideologicamente conservadores do mundo empresarial estão literalmente de saco cheio dos barões da imprensa de tradição golpista, pois os considero a categoria do empresariado mais reacionária e atrasada — a verdadeira lástima.
Como se percebe, tal empresariado midiático é e sempre vai ser contra os interesses do Brasil, porque eles são parte de uma plutocracia mundial que não tem pátria e muito menos sentimento de brasilidade. Eles são alienígenas e como tal não comportam em suas ações e atitudes a busca ou a luta para que o Brasil e seus cidadãos tenham acesso a uma vida de melhor qualidade, que propicie a conquista plena da cidadania e, consequentemente, sua emancipação.
Por isto e nada mais do que isto são publicados artigos e editoriais despidos de coerência e inteligência, porque essas palavras não fazem parte do dicionário da direita reacionária e herdeira da escravidão, que, de forma soberba e, por conseguinte, intolerante, negam o que pregavam e não se importam sequer com o que seus leitores pensam a respeito de tanta desfaçatez. Os barões da imprensa, realmente, querem ver o circo pegar fogo e assim darem continuidade a seus atos de oposição irada e feroz, porque eles sabem muito bem que o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e ter de ver seus candidatos de direita derrotados pela quarta vez pelos trabalhistas é pior do que cortar os punhos.
Essa gente rancorosa e ressentida, que não desiste nunca vai fazer o possível e o impossível para derrotar o PT e seus aliados. Não importa se seus candidatos do PSDB ou de outro partido que o valha incorram em erros politicamente graves, a exemplo do mais recente, como no caso da queda dos preços da luz e da energia. Os líderes do PSDB e os barões da imprensa optaram por defender, evidentemente, os interesses das multinacionais e de seus rentistas, acionistas de empresas retransmissoras de energia que foram privatizadas, como ocorreu com o alter ego de FHC — o Neoliberal —, o senador tucano Aécio Neves, pré-candidato a presidente.
Não importa também para os editorialistas da imprensa de negócios privados se os governadores do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e de Goiás, todos eles tucanos, e o de Santa Catarina, do PSD, boicotaram e ainda boicotam o programa do Governo Federal para baixar os preços das tarifas de energia elétrica. O que importa, sobremaneira, é fazer oposição sistemática e por isso irracional e perversa, mesmo se a energia custar menos para as empresas midiáticas familiares, monopolizadas, que, obviamente, vão ser beneficiadas.
Agora, a pergunta que teima em não calar: os empresários da mídia de mercado vão abrir mão das tarifas a preços mais baixos para o consumo de energia? Respondo: não! E por quê? Porque empresário de imprensa e seus áulicos não dão ponto sem nó, apesar de seus imensos complexos de vira-latas e de suas mentes colonizadas e alienígenas. Contudo, e apesar de tudo, o Governo trabalhista de Dilma Rousseff vai continuar a efetivar programas e projetos para que a economia brasileira se fortaleça e continue a ofertar o pleno emprego, o que não acontece na Europa e nos EUA, coisa que a imprensa burguesa há alguns anos tentou esconder — censurar.
A economia vai crescer este ano, porque as bases para isso foram implementadas pelo Ministério da Fazenda cujo ministro, Guido Mantega, tornou-se alvo da imprensa conservadora que quer sua saída, como se o Mantega não fosse um dos principais responsáveis pelo Brasil estar a viver um ciclo formidável de desenvolvimento social e econômico. A caravana passa e a oposição grita. É seu direito de se expressar, inclusive direito constitucional. A luz que queima os olhos dos barões da imprensa não deixa o povo cego. É isso aí.
Davis Sena Filho
No Palavra Livre
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"Velha Imprensa se casou com FHC e naufragou com o projeto dele"

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Dilma Rousseff visita familiares das vítimas de acidente em boate no Rio Grande do Sul

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O dia em que mataram FHC

Obra de Gil Vicente
A meta fundamental dos estrategistas da oposição, concentrados nas redações do Instituto Millenium, ia além da divisão da base de sustentação do governo Dilma. O objetivo era mais amplo. Através de factoides, que ignoravam os desmentidos das lideranças partidárias, a estratégia consistia em criar um cenário de ficção onde partidos do campo progressista abandonariam o governo em nome de projetos próprios, criando um céu de brigadeiro para o tucanato em 2014.
Não se pode subestimar o desespero contido na empreitada. Desde 2001, quando o neoliberalismo alcançou o máximo de sua hegemonia, dando início à sua decadência, os valores morais, políticos e jurídicos que o sustentaram começaram a fazer água.
Natural que setores políticos associados a ele fossem levados de roldão pela própria dinâmica desencadeada. Quando a festa acabou, o prestígio do consórcio demotucano rastejava, sua base parlamentar estilhaçou e os convidados começaram a se retirar ou a brigar pelos ossos que sobraram. Com FHC paralisado, a equipe econômica e seus consultores em pânico, encerrava-se a aventura da direita que, em nome de um projeto sócio-liberal, promoveu a mais ampla liquidação do patrimônio público de que se tem notícia na história do país.
A partir de 2003, o governo petista conseguiu dar consequência prática à formação da base social de um projeto democrático e popular. Setores médios e pequenos do empresariado, embora refratários inicialmente, se agregaram em torno da nova proposta de poder. Além do amplo apoio da maioria da classe média - que não pode ser confundida com suas frações ressentidas e raivosas - a gestão de centro-esquerda, por suas políticas inclusivas, conseguiu se enraizar nos setores assalariados de baixa renda.
E o que sobrou dos parlamentares, professores e analistas que viram nos anos FHC o anúncio da modernização das relações entre o Estado e o capital, com o fim do "Estado cartorialista" e do "populismo econômico”? Quando morre um homem representativo, três hipóteses se afiguram: sua época já havia morrido, morre com ele, ou lhe sobrevive. Na primeira hipótese, o homem representativo era uma relíquia, um dinossauro e suas "qualidades" passam a balizar o juízo do senso comum. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um morto político com o projeto que implantou, é um exemplo significativo da justeza desta hipótese.
A asfixia interna que se seguiu no campo liberal-conservador provocou uma redução vertical dos quadros do PSDB que, na origem, ainda resistiam à avalanche reacionária e eram vozes mais ponderadas em um partido que desde sempre foi marcado pela conciliação e por vacilações. As possibilidades de renovação são mínimas e as alianças possíveis só podem ser feitas com setores oligárquicos e atrasados. Não por acaso mídia e judiciário adquiriram centralidade no jogo político.
Passados dez anos da devassa tucana, o Brasil encontra-se como alguém que, após uma longa caminhada numa floresta completamente escura, conseguiu vislumbrar uma clareira, com vários caminhos à frente. Na verdade, a diversidade de rotas é uma ilusão, porque há apenas dois destinos. O primeiro caminho - o proposto por articulistas, redatores, consultores e analistas do "antigo regime" - levaria ao esmagamento de todos os avanços conquistados nos últimos dez anos.
Por essa rota, que ainda levaria ao esmagamento de toda a acumulação industrial feita a duras penas e à custa do sacrifício de várias gerações de trabalhadores, o Brasil voltaria aos primórdios da década de 1930. A outra - a que não aparece sequer como possibilidade nas páginas e telas das classes dominantes - nos conduzirá à continuidade de transformações jurídico-institucionais que, constituindo direitos a partir da relação direta com o Poder Público, faça emergir uma nova cidadania.
Com a reação negativa à determinação do governo federal em reduzir as tarifas de energia elétrica, a oposição matou Fernando Henrique e foi ao cinema. Mas, ironicamente, prestou o primeiro serviço à nação. Mostrou o mapa oculto na grande imprensa.
Gilson Caroni Filho
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Esquecer nunca, perdoar jamais

 
Em 1984, quando a esmagadora maioria do povo brasileiro se havia cansado da ditadura militar, as Organizações Globo da família Marinho queriam mais. E trataram de abduzir um dos maiores movimentos cívicos que este país já viu: a campanha Diretas Já.
Chegou ao cúmulo de pôr no ar o repórter Ernesto Paglia para transformar um comício pelas Diretas, com 300 mil manifestantes na Praça da Sé, em mera festa dos 430 anos de São Paulo, a 25 de janeiro de 1984.
Numa reportagem de cerca de 3 minutos, em que não se menciona uma só vez a palavra de ordem “Diretas Já”, Ernesto fez duas menções curtas a um comício que ali se realizava, com uma fala de 8 segundos do governador Franco Montoro, depois de citar todos os artistas que estavam no palanque e nenhum nome de político.
O histórico movimento foi homeopaticamente diluído na proporção de 1 para 1.000 – para a Globo, eleições diretas naquela proporção só chegariam lá pelo século 22.
Palmério Dória
No Esquerdopata
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Aécio e o bafômetro do Serra


 

Pelo jeito, o eterno candidato José Serra incomodará Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, mais do que os bafômetros da polícia do Rio de Janeiro. Na próxima segunda-feira, ele fará o discurso de abertura do congresso estadual do PSDB de São Paulo e já anunciou que defenderá a realização de prévias internas para a escolha dos candidatos do partido. A proposta abala a falsa unidade em torno do senador mineiro e pode lhe causar mais algumas ressacas!
A iniciativa de José Serra parece pura provocação. Afinal, ele nunca foi partidário das prévias partidárias e sempre agiu como dono do PSDB. A própria escolha dele como estrela do congresso também cheira a provocação dos tucanos paulistas. Como observa a Folha serrista, em sua edição de hoje, “a escolha dele como principal palestrante do evento provocou reclamações. Em 2010, quando disputou com o hoje senador Aécio Neves a preferência da sigla para a disputa presidencial, Serra operou contra prévias”.
Como é sabido, os tucanos paulistas se acham donos do partido e nunca se deram muito bem com os tucanos mineiros. O congresso da legenda em São Paulo e a proposta das prévias sinalizam que as bicadas estão cada vez mais sangrentas. “São Paulo tem um peso muito grande dentro do partido. O PSDB só existe para valer em São Paulo. Mesmo em Minas Gerais, de onde veio o Aécio Neves, o partido não é muito estruturado”, provoca o presidente estadual da sigla, Pedro Tobias.
E as provocações de José Serra, famoso por sua postura vingativa, não param por aí. A sua turma também decidiu brigar pela escolha do líder da legenda no Senado. A bancada já havia indicado Cássio Cunha Lima (PB), ligado a Aécio Neves, para o posto. Mas, segundo Josias de Souza, blogueiro bem próximo ao ninho tucano, os serristas decidiram bagunçar o jogo. “Súbito, Cássio passou a ouvir ‘murmúrios’ sobre o suposto interesse de José Serra em acomodar na poltrona um senador do seu grupo, Aloysio Nunes Ferreira (SP)”.
O senador paraibano não gostou dos “murmúrios”. Para ele, “o nosso objetivo é um só: demonstrar que partido está unido em torno de Aécio. Quem quiser ter um projeto político no PSDB terá que compreender que Aécio hoje tem de fato o comando do partido. Isso se exerce em todos os planos, inclusive na liderança do Senado... O PSDB fez uma opção clara pelo Aécio, é a vez dele. Se o Serra não aceitar isso, se quiser continuar fazendo esse embate interno, o melhor é ele repensar sua vida partidária”. Haja bafômetro para evitar trágicos acidentes no ninho!
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Dilma emociona-se perante tragédia em Santa Maria

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Contra o desejado

Janio de Freitas pede volta do Mobral para seus colegas
Os juros em alturas imorais eram acusados de impedir a retomada efetiva do crescimento e a capacidade da indústria de competir com a produção estrangeira. Os juros foram baixados. E as correntes que os culpavam entregaram-se a intensas e extensas críticas à sua redução. A energia cara era há muito acusada de obstruir o crescimento econômico e a capacidade de competição da indústria brasileira. Foi reduzida em 32%, um terço, para a produção industrial. E as correntes que a culpavam se entregam a criticá-la e desacreditá-la.
Esse jogo de incoerências proporciona noções importantes para os cidadãos, mas de percepção dificultada pela próprio jogo.
Está evidente na contradição das atitudes o quanto há de política no que é servido ao público a respeito de assuntos econômicos. Na maioria dos assuntos dessa área, o direcionamento é predominantemente determinado por política, e não pela objetividade econômica.
É assim por parte dos dois lados. Mas não de maneira equitativa. Os economistas mais identificados com o capital privado do que abertos a problemas sociais, ou a projeções do interesse nacional, fazem a ampla maioria dos ouvidos e seguidos pelos meios de comunicação.
É esse o desdobramento natural da identificação ideológica e política e das conveniências mútuas, entre empresas capitalistas e "técnicos" do capitalismo. Mas não necessariamente, como supõem certas interpretações ditas de esquerda, um desdobramento forçado aos jornalistas. Também entre os comentaristas e editores há, é provável que em maioria, identificação com os economistas do capital. E, em certos casos, com o capital mesmo. O que vai implicar tratamento político -de apoio ou de oposição- a decisões econômicas e respectivos autores.
Foi a essas críticas políticas que, a meu ver, Dilma Rousseff respondeu junto com a comunicação do corte maior no preço da energia. Nada a ver com o lançamento de campanha reeleitoral que lhe foi atribuído pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, logo seguido pelos porta-vozes, assumidos ou não, do PSDB e dos remanescentes do neoliberalismo.
Do alto de sua aprovação pessoal e da aprovação ao seu governo, o que de menos Dilma Rousseff precisa é precipitar a disputa eleitoral. Essa necessidade não é dela, é dos oposicionistas -como se viu, há pouco, Fernando Henrique propondo o início imediato de um périplo eleitoreiro de Aécio Neves pelo país afora.
Dilma Rousseff fez a promoção de seu governo como Fernando Henrique fazia do seu, e todos os presidentes fizeram e fazem. A afirmação de que falou como candidata leva a uma pergunta: se não a favor do seu governo e da novidade que lança, nem há algo grave, como é que um/uma presidente deve falar?
A redução do preço da energia e a queda dos juros agravam o aturdimento da oposição representada pelo PSDB. Se nela não brota nem uma ideiazinha nova, para contrapor à queda de juros, desoneração da folha de pagamento, redução do IPI, ampliação do crédito para casa própria, só lhe resta dizer que isso não passa de um amontoado de medidas de um governo sem rumo. Mas não ver nesse amontoado, ainda que para criticar, uma coerência e um sentido de política a um só tempo industrial e social, aí já é problema para quem organiza o Enem.
Janio de Freitas
No fAlha
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Marilena Chauí e a mídia brasileira

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O humor do poeta

“O fantasma é um exibicionista póstumo.”
“Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.”
“Os verdadeiros crimes passionais são os sonetos de amor.”
“A coisa mais solitária que existe é um solo de flauta.”
“A verdadeira couve-flor é a hortênsia.”
“A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta.”
“A vista de um veleiro em alto-mar remoça a gente no mínimo uns cento e cinquenta anos.”
“Atenção! O luar está filmando.”
“A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”
“Os clássicos escreviam tão bem porque não tinham os clássicos para atrapalhar.”
“‘Le penseur’ do Rodin... Coitado. Nunca se viu ninguém fazendo tanta força para pensar.”
“A natureza é barroca, o sonho é barroco... O que teriam vindo fazer neste mundo as colunas gregas?”
“O mais triste da arquitetura moderna é a resistência dos seus materiais.”
“O crítico é um camarada que contorna uma tapeçaria e vai olhá-la pelo lado avesso.”
“A expressão mais idiota que existe é ‘adeusinho’.”
“Não sou mais que um poeta lírico,/Nada sei do vasto mundo.../Viva o amor que eu te dedico,/Viva Dom Pedro Segundo!”
As frases e os pensamentos acima não são nem do Millôr Fernandes nem do Ivan Lessa, são de outro humorista brasileiro que também já morreu: Mario Quintana.
Estão no livro “Do caderno H”, que a Alfaguara está publicando junto com toda a obra poética do Quintana, uma compilação do que ele escreveu, durante anos, na sua seção do “Correio do Povo” de Porto Alegre.
Quem já gostava do Quintana poeta vai gostar de descobrir que ele era um dos melhores humoristas do seu tempo.
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A Alice é um encanto, mas não posso deixar que o Zuenir Ventura monopolize o gênero crônica-vovô. Também tenho histórias para contar da Lucinda.
No outro dia o pai e a mãe dela brigavam com ela (alguma ela tinha feito) e ela respondia à altura — e terminou, dramaticamente, perguntando aos céus:
— Onde estão meus verdadeiros pais?!
Luis Fernando Veríssimo
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