23 de jan de 2013

Cinco lugares para visitar em Balneário Camboriú

Este é um mini guia para turistas que pretendem visitar Balneário Camboriú (SC) e não sabem por onde andar na cidade. Selecionamos os cinco principais pontos turísticos da cidade para você conhecer
Entre as opções de lazer, cinco paradas são obrigatórias: nos mirantes Camboriú, Oceano e Laranjeiras, todos com vista cinematográfica
Este é um mini-guia para turistas que pretendem visitar Balneário Camboriú (SC) e não sabem por onde andar na cidade. Acompanhe:
UNIPRAIAS
Inaugurado em agosto de 1999, o complexo de turismo do Unipraias possui 85 mil metros quadrados e é um dos maiores investimentos turísticos de todo o Brasil. O empreendimento une, através de 47 bondinhos, três dos mais belos pontos naturais de Balneário Camboriú: Barra Sul, Morro da Aguada e Praia de Laranjeiras.
Na estação "Barra Sul", onde é o ponto de partida, há um centro de lazer e compras de 8 mil metros² com praça de alimentação, lanchonetes, local para eventos, lojas comerciais, etc. Durante o percurso que passa pela segunda estação, a "Mata Atlântica", há um parque ambiental com 60 mil m² no alto do Morro da Aguada que oferece belas trilhas e passeios ecológicos. O Parque de Aventuras possui dois circuitos de arvorismo acrobático com 120 metros de percurso e 12 atividades em trilhas suspensas cada.
Entre as opções de lazer do local, cinco paradas são obrigatórias: nos mirantes Camboriú, Oceano e Laranjeiras, todos com vista cinematográfica; no anfiteatro, que durante o verão abriga exposições de artistas catarinenses; e no oratório natural, onde está localizada a estátua de Santo Antônio da Aguada. O destino final é a estação de "Laranjeiras", uma das mais belas vistas do litoral catarinense.
PARQUE CYRO GEVAERD
O parque reúne várias atrações, dentre as quais um zoológico que reproduz com fidelidade aspectos da Mata Atlântica que abriga tucanos, jaguatiricas, jacarés, pássaros e onças.
Há também o Aquário Marinho (galeria com grande diversidade de peixes e crustáceos), Tartarugário, Horto Botânico (formando um dos mais ricos acervos da flora catarinense) e Museus Oceanográfico e de Aves, Mamíferos e Répteis. Além disso, a cultura e a civilização também estão presentes nas vilas com casas típicas nos estilos alemão, italiano e açoriano.
CRISTO LUZ
Localizado no alto do Morro da Cruz, o Cristo Luz é uma estátua com 33 metros de altura (cinco a menos que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro), que simboliza os 33 anos de vida de Jesus Cristo e os 33 anos de emancipação política de Balneário Camboriú. Na mão esquerda, ele segura um disco irradiando a cidade com dezenas de feixes luminosos que se movimentam num ângulo de 180 graus. O disco simboliza o sol e os raios representam as sementes que são lançadas pelo Salvador.
Do monumento Cristo Luz é possível ter uma vista panorâmica de todo o centro da cidade. As luzes que iluminam o Cristo ficam acesas durante a noite, impressionando os visitantes. Há ainda lanchonetes, restaurantes, lojas de souvenirs e um mirante. No alto do Morro da Cruz encontra-se o Complexo Turístico Carlos Rosa, um parque perfeito para se passar um dia diferente. Com cabanas individuais com churrasqueira, campo de futebol, piscinas para adultos e crianças, tobogã, parquinho, salão de festas e bares.
Balneário Camboriú
Balneário Camboriú - Foto: Mariana Heinz
PARQUE RIO CAMBORIÚ
A riqueza da biodiversidade está exposta no Parque Ecológico Rio Camboriú, localizado no bairro dos Municípios. Suas principais atrações são as trilhas ecológicas da Figueira, do Caranguejo, da Gamboa, do Graxaim, entre outras ramificações.
BETO CARREIRO WORLD
Embora esteja localizado no município de Penha, a 32 quilômetros de Balneário Camboriú, o parque Beto Carrero World, um dos maiores parques de diversão do país, seguindo os mesmos conceitos e padrões apresentados pelos complexos famosos Disneyworld, Universal Studios e Busch Gardens deve estar incluído no roteiro de quem passa as férias em Camboriú.
Com uma área construída de cerca de 2 milhões de metros², o parque se divide em sete áreas temáticas: Avenida das Nações, Aventura Radical, Ilha dos Piratas, Mundo Animal, Terra da Fantasia e Velho Oeste. Os brinquedos mais procurados são a "Star World Mountain", montanha-russa com dois loopings vencidos pelo carrinho a uma velocidade de até 86 km/h, a "Torre do Terror", a qual sete elevadores despencam em queda livre de uma altura equivalente a um prédio de 18 andares, o "Tapete Mágico", além de simuladores e outros equipamentos.
Além das áreas temáticas, o parque conta com brinquedos tradicionais como carro de choque, roda gigante, teleférico, praça de alimentação, fraldário e berçário, lojas, banco, telefones, guarda-volumes, lanchonetes, além de outros serviços.
Agora é só arrumar as malas e se preparar para conhecer essa maravilha de cidade que se chama Balneário Camboriú.
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A inquestionável partidarização da imprensa

 
Se o leitor (a) ainda precisa de alguma comprovação sobre o comportamento partidário dos jornalões brasileiros, sobretudo nos períodos eleitorais, recomendo a leitura do excelente A Ditadura Continuada – Fatos, Factoides e Partidarismo da Imprensa na Eleição de Dilma Rousseff, resultado de uma cuidadosa pesquisa realizada por Jakson Ferreira de Alencar, recentemente publicado pela editora Paulus.
O livro se concentra na cobertura política oferecida pelo jornal Folha de S.Paulo e parte da divulgação da falsa ficha “criminal” dos arquivos do Dops da militante da VAR-Palmares Dilma Rousseff, em 4 de abril de 2009, então pré-candidata à Presidência da República.
Jakson Alencar faz um acompanhamento minucioso de todo o caso, ao longo dos três meses seguintes, registrando a “semirretratação” do jornal, em matéria antológica para o estudo da ética jornalística, na qual se reconhece como erro “tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada” (p. 67).
Chama a atenção no episódio a “condução”, pela repórter da Folha, da entrevista – que mais parece um interrogatório – realizada com Dilma. Há uma indisfarçável tentativa de comprovar a hipótese do jornal de envolvimento da entrevistada não só com o sequestro (não realizado) do então ministro Delfim Netto, mas também com a luta armada. A entrevista de outro militante, Antonio Espinosa, usada como suporte à tese do jornal, jamais foi publicada na íntegra, apesar de os trechos publicados haverem sido reiteradamente desmentidos pelo entrevistado.
Jakson Alencar mostra, com riqueza de detalhes, o comportamento arrogante do jornal, ao tempo em que a própria Dilma tratava de comprovar a falsidade da ficha, além do descumprimento sistemático de seu próprio Manual de Redação. Fica clara a “tese central de toda a reportagem, segundo a qual a resistência à ditadura é criminosa, e não o regime totalitário e violento, implantado de maneira ilegal” (p. 95) e, mais ainda, que essa tese “continuou sendo difundida em muitos veículos da imprensa brasileira durante todo o período da campanha eleitoral de 2010”.
A segunda parte do livro trata do período da campanha eleitoral, de abril a agosto de 2010. Aqui o ponto de partida é o 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, promovido pelo Instituto Millenium, em março. Como se sabe, essa ONG é um dos think tanks da direita conservadora brasileira, financiado, entre outros, pelos principais grupos da grande mídia. Segundo Jakson Alencar, teria surgido nesse fórum a “Operação Tempestade no Cerrado”, que orientaria a cobertura política dos jornalões e teria como objetivo impedir a eleição de Dilma Rousseff (p.105).
Concentrado na Folha de S.Paulo, o livro mostra o então esforço cotidiano para ressuscitar escândalos passados e a busca de novos escândalos do governo do PT, além de tropeços e temas negativos relativos a Dilma. Paralelamente, o tratamento leniente e omisso dispensado ao candidato do PSDB.
Na terceira e última parte, o livro aborda a Operação segundo turno e cobre o período que vai de 26 de agosto a 3 de outubro. A partir do momento em que as pesquisas de intenção de voto confirmam a tendência de eleição de Dilma, tem início “uma maciça ação da imprensa contra a candidata às vésperas da eleição e uma chamada ‘bala de prata’, com o intuito de alterar os rumos da campanha” (p. 145).
Destacam-se nesse período “acusações, ilações e insinuações que viraram condenações sumárias” (p. 147), sobretudo o caso do suposto “dossiê” preparado pelo PT sobre dirigentes tucanos, com dados fiscais sigilosos, e o “escândalo” envolvendo a então substituta de Dilma na Casa Civil (registro: o Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou o processo contra Erenice Guerra por suposto tráfico de influência, depois de acatar recomendação do Ministério Público Federal e por decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em 20 de julho de 2012).
Nas suas conclusões, Jakson Alencar afirma que “a cobertura (da Folha de S. Paulo) (...) misturou frequentemente fatos com opiniões e boatos, somando-se a isso outros elementos, como torcida, manifestação de desejos travestidos de informação, argumentação frágil e com pouca lógica, estratégias óbvias e já desgastadas pelo uso repetitivo em diversas eleições, incapacidade de analisar processos econômico-sociais para construir posicionamentos e críticas com um mínimo de sofisticação; teses e hipóteses furadas; narrativas e entrevistas enviesadas; fontes de baixíssima credibilidade” (p. 252).
Curiosamente (ou não?), na mesma época em que a Paulus publicava o livro de Jakson Alencar, a PubliFolha lançava na Coleção “Folha Explica” o livro sobre a própria Folha, escrito por Ana Estela de Souza Pinto, ela mesma jornalista da casa desde 1988. Neste, o “erro” do episódio da ficha falsa de Dilma no Dops merece registro em função do “fato de a Folha ter voltado sua bateria investigativa para todos os governantes, de diferentes partidos”. Segue-se um parágrafo que reproduz a “retratação” que a Folha ofereceu, já citada, na qual, apesar de todas as evidências em contrário, se afirma que a autenticidade da ficha do Dops “não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada”. Nem uma única observação sobre a cobertura partidária das eleições de 2010.
O resultado de tudo isso, como se sabe, é que Dilma Rousseff – apesar da grande mídia e do seu partidarismo – foi eleita presidenta da República.
A Ditadura Continuada – Fatos, Factoides e Partidarismo da Imprensa na Eleição de Dilma Rousseff, de Jakson Alencar, demonstra e confirma o que já sabemos: os jornalões brasileiros, além de partidarizados, não têm compromisso nem mesmo com seus manuais de redação.
Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros
No Teoria e Debate
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Pronunciamento sobre a redução da tarifa de energia elétrica

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Empresário brasileiro não acredita na imprensa

forum economico mundial 1g 20120125 Empresário brasileiro não acredita na imprensa
"Presidentes de empresas brasileiras ficam em 4º lugar em ranking de otimismo", revela o sempre bem informado e competente Clóvis Rossi, enviado especial da "Folha" ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça.  
Só posso chegar à conclusão de que os empresários que enfrentam a vida real da nossa economia não acreditam no que é publicado pela imprensa brasileira, que deixa o país sempre à beira do abismo esperando pelo pior, apostando em previsões pessimistas.
O próprio Rossi mostra esta contradição: "Fatia substancial do empresariado brasileiro não compartilha o catastrofismo que, nos últimos meses, acompanha as análises sobre as perspectivas da economia do país".
Talvez esteja na hora dos editores da grande mídia brasileira trocarem seus analistas ou recomendarem aos seus profetas de plantão que busquem outros oráculos além dos habituais.
Sem dar bola para a urubologia reinante, 44% dos empresários brasileiros estão muito confiantes no crescimento das receitas das suas companhias, segundo a 16ª pesquisa anual feita pela PricewaterhouseCoopers, que entrevistou 1.330 executivo - chefes em 68 países, no último trimestre do ano passado, justamente quando começaram a aparecer críticas sobre os rumos da economia brasileira.
O otimismo dos basileiros só perde para o dos russos (66%), indianos (63%) e mexicanos (62%).
Quando lhes foi perguntado sobre qual país parece o mais importante para o crescimento futuro de suas empresas, 15% indicaram o Brasil, à frente da Índia (10%), atrás apenas da China (31%) e dos Estados Unidos (23%).
A América Latina foi a região em que o empresariado mostrou maior otimismo: 53% esperam um crescimento das receitas, ao contrário do que acontece no resto do mundo, que está menos confiante a curto prazo do que no ano passado.
De Davos, pelo menos, chegam boas notícias para o Brasil.
Ricardo Kotscho
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Charge online - Bessinha - # 1662

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Dilma mata oposição de raiva ao anunciar redução maior na conta de luz

A presidenta Dilma Rousseff concluiu, nesta quarta-feira, o pronunciamento em rede nacional no qual anuncia a redução no preço da energia para os consumidores brasileiros, que deve ser de até 18% para as residências e de até 32% para as indústrias. A informação, que deixou a oposição ainda mais aborrecida, é do diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, que chegou para reunião no Ministério de Minas e Energia. Em setembro do ano passado, também em pronunciamento à nação, a presidenta havia anunciado uma redução de 16,2% para os consumidores residenciais e 28% para as indústrias. As novas tarifas começam a valer no dia 5 de fevereiro.
Segundo Rufino, o corte maior no preço da energia será possível por causa de um aumento do aporte de recursos do Tesouro Nacional. O Ministério da Fazenda já tinha anunciado que o Tesouro Nacional gastará de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões adicionais para assegurar a redução nas tarifas de energia. Nesta quinta-feira, a Aneel irá fazer uma reunião extraordinária para revisar as tarifas de distribuição, que serão aplicadas a partir do mês que vem.
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O Roberto Marinho da Venezuela

Gustavo Cisneros, bilionário venezuelano, ocupa uma posição semelhante à de Roberto Marinho e de Murdoch
"Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus talentos e demasiado inseguro para a sua fortuna."
“Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus talentos
e demasiado inseguro para a sua fortuna.”
O texto abaixo, reproduzido a pedido, é de autoria do jornalista e escritor inglês Robert Gutt, que foi correspondente em Caracas e hoje escreve artigos para jornais como Guardian e Independent.
Com uma fortuna de mais de 4 bilhões de dólares, Gustavo Cisneros gosta de promover-se como o homem mais rico da América Latina e o mais poderoso barão da mídia do continente, um equivalente latino a Murdoch ou a Berlusconi. Desde 1961 a Organización Cisneros possui a Venevisión, o principal canal comercial de TV da Venezuela — mais conhecida no estrangeiro pela sua raivosa oposição a Chávez durante o golpe de 2002 e pela denúncia incessante dos seus apoiadores como ‘arruaceiros’ e ‘macacos’.
A partir dos anos 80 ele estendeu seu império pela América Latina incluindo a Chilevisión do Chile e a TV Caracol da Colômbia, com uma grande participação na DirectTV latino-americana, cujo satélite emite programas de esportes, shows de jogos, telenovelas e notícias leves para 20 países latino-americanos. Ele também tem uma participação lucrativa na Univisión, o principal canal em língua castelhana dos Estados Unidos, e uma empresa conjunta latino-americana de conexão de internet com a AOL-TimeWarner.
Tal como muitos latino-americanos ricos, Cisneros é um camaleão no que se refere à nacionalidade. Nominalmente venezuelano — nasceu em Caracas em 1945, de um pai empresário cubano e de uma mãe venezuelana — foi educado e fez sua aprendizagem de mídia nos EUA. Mas também é cidadão da Espanha, a pedido pessoal do rei Juan Carlos, americano em Nova York, cubano em Miami e dominicano na República Dominicana, onde a sua principal base — a Casa Bonita, próxima à estância balneária de La Ramona — está no lugar dos refúgios de outros bilionários de origem cubana, enriquecidos com os lucros do açúcar, do rum e dos negócios imobiliários.
O estilo de vida cosmopolita de Cisneros permite-lhe escapar aos horizontes limitados de um país latino-americano que tradicionalmente joga na segunda divisão. Um venezuelano, de acordo com uma antiga e desrespeitosa piada latino-americana, é um panamenho que pensa que é argentino. Tal como muitos hispano-americanos ricos, Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus talentos e demasiado inseguro para a sua fortuna. Como uma das figuras sombrias que proporcionam aos americanos força local fora dos Estados Unidos, Cisneros está atado de pés e mãos a Washington, e tem sido bem pago por isso.
Sem esquecer a auto-promoção, Cisneros agora pode apregoar uma reluzente biografia escrita por Pablo Bachelet, acrescida de uma introdução panegírica do novelista mexicano Carlos Fuentes, morto em 2012. Os motivos de Bachelet neste projeto — ele é um meio-chileno, jornalista financeiro com base em Washington, ex-Dow Jones, atualmente Reuters — dificilmente podem ficar em dúvida. Bachelet teve acesso privilegiado à família Cisneros, e a maior parte do seu relato — uma leitura não exigente — é retirada literalmente das visões de Gustavo acerca de si próprio.
Gustavo foi o quarto filho de Diego Cisneros, um importante empresário em Caracas.  A fortuna dos Cisneros decolou no princípio da Segunda Guerra Mundial quando a família adquiriu o direito de engarrafar e distribuir a Pepsi. Segundo uma lenda local (Bachelet não menciona o episódio), homens de Diego empurraram caminhões da Coca Cola num despenhadeiro, privando assim o seu rival das suas inimitáveis garrafas com saias rodadas, impossíveis de obter até que fosse declarada a paz. A Pepsi moveu-se suavemente para o Número Um e — caso único na América Latina — permaneceu nesta posição na Venezuela nos anos seguintes.
Cisneros e o filho com o companheiro Roberto Marinho numa visita ao Brasil em 1995
Cisneros e o filho com o companheiro Roberto Marinho numa visita ao Brasil em 1995
Na década de 1950, Diego moveu-se para o rádio e para a embrionária indústria da televisão, e em 1961 fundou um novo canal, a Venevisión, que veio a tornar-se a preocupação especial de Gustavo. A companhia Cisneros das décadas de 1950 e 1960 estava centralmente colocada para atuar como uma representante do capital americano. Como tal, tornou-se parte de uma nova elite na Venezuela que floresceu através da distribuição liberal por meio do estado (mais propriamente, por meio dos partidos políticos) dos rendimentos crescentes do petróleo. A oligarquia agrária diminuía de riqueza e poder desde os princípios do século XX, pois a agricultura principiava um declínio acentuado.
Com a expansão da urbanização e do emprego no setor público, os lucros privados no período do pós-guerra estavam ligados ao crescente comércio em bens — sobretudo americanos — importados. O projeto dos Cisneros, como aqueles de outros empresários de famílias colonizadoras brancas em muitos países latino-americanos, era levar os confortos da civilização anglo-saxã — seus alimentos, sua cultura, suas formas de descanso, seus produtos de beleza — às camadas médias em crescimento na América Latina.
Diego Cisneros era um bom amigo de Rómulo Betancourt, líder fundador da Acción Democrática, partido que o ajudou a lançar a Venevisión. A família manteria contato estreito com os líderes seguintes da Acción Democrática quando eles se revezavam com os do Copei, o outro principal partido, nas rotações que constituíram a democracia venezuelana durante as quatro décadas pós 1958, e em particular com o notoriamente corrupto Carlos Andrés Pérez, presidente tanto nos anos de boom dos meados de 70 e nos de crise dos de 90, quando foi expulso do gabinete por apropriação indébita de fundos.
Outro aliado vital era o poderoso banqueiro da Acción Democrática, Pedro Tinoco, cujo papel era de conselheiro da família Cisneros nos seus negócios com companhias americanas. Tinoco atuaria como ministro das Finanças da Venezuela de 1969 a 1972, e como presidente do Banco Central no governo Pérez de 1989 a 1992. Ele morreu pouco antes da queda do Banco Latino, do qual fora presidente, desencadeada pela crise financeira venezuelana de 1994.
Com 25 anos, em 1970, Gustavo assumiu os negócios da família quando seu pai ficou incapacitado por um derrame cerebral. Ele havia se diplomado no Babson College em 1968, e a seguir passou dois anos trabalhando na ABC Television em Detroit, Chicago, Los Angeles e Nova York. Em 1970, numa ‘cerimônia simples’ na Catedral de St. Patrick, em Manhattan, fez um feliz casamento dinástico com Patty Phelps, cujo pai americano, tal como Diego Cisneros, tinha se estabelecido em Caracas como vendedor da Ford Motors, máquinas de costura Singer e máquinas de escrever Underwood. Os Phelps eram também os proprietários da Rádio Caracas, cujo ramo de TV, a RCTV, era o principal competidor da Venevisión.
Durante a década de 1970 a Venezuela foi inundada de petrodólares. As conexões políticas não podiam garantir suficientemente o ambicioso lance de Cisneros por uma série de fábricas petroquímicas, a serem financiadas parcialmente pelo estado. Bachelet, tristemente, relata que não foi suficiente ter convencido o presidente: apesar do apoio de Carlos Andrés Pérez, o projeto Pentacom de Cisneros foi bloqueado por uma forte oposição de deputados — cujos nomes não foram mencionados no opaco relato de Bachelet — os quais sentiram que isto entregaria uma indústria venezuelana estratégica a companhias transnacionais.
Mas casualmente, em 1976, o império dos supermercados latino-americanos da família Rockfeller foi rompido sob as regras do Pacto Andino. Com a ajuda de Tinoco, a família de Cisneros comprou rapidamente o ramo venezuelano, adquirindo 48 supermercados e uma dúzia de bares de soda de um só golpe. Eles agora era capazes de integrar os vários interesses Cisneros, utilizando um para promover o outro. Produtos disponíveis nos seus supermercados eram logo anunciados na Venevisión, nessa altura o principal canal de TV do país. Estrelas das telenovelas da Venevisión eram mobilizada para beber o champanhe de Cisneros e usar o shampoo de Cisneros.
Os casais Cisneros e Bush: conexões fortes com os Estados Unidos
Os casais Cisneros e Bush: conexões fortes com os Estados Unidos
Sempre moderna e americana, a família Cisneros foi uma das primeiras promotoras da pornografia suave, adquirindo a ‘Organização Miss Venezuela’ que cuidava das modelos aspirantes a competições nacionais e internacionais. As mulheres escassamente vestidas, todas estranhamente brancas num país de índios e negros, não só apareciam regularmente na Venevisión como também eram veículo para promover os produtos dos Cisneros disponíveis nos supermercados Cisneros. Como diria Carlos, sobrinho de Cisneros, ao comprar os direitos da Playboy TV: ‘Nós entendemos que [a Playboy] era o único grande tesouro que não fora levado dos Estados Unidos para a América Latina, porque todo mundo achava que este era um continente muito católico”.
Os maciços rendimentos do petróleo da década de 1970 haviam sustentado uma vasta rede de patrocínios para a elite da Venezuela, bem como a disseminação de projetos infraestruturais de fachada. Quando os preços do petróleo começaram a cair, o governo Pérez e depois o Herrera tomaram empréstimos no exterior. A dívida externa do país subiu dramaticamente após o aumento das taxas de juro americanas em 1979, atingindo 32 bilhões de dólares em 1982 — quase o dobro do número de 1978.
A economia contraiu-se agudamente, a inflação ascendeu e a fuga de capitais acelerou-se, criando pressões que o bolívar supervalorizado não podia aguentar. Os resultados foram os controles de câmbio e a desvalorização de 1983, que Bachelet discute apenas em termos do impacto — ‘um golpe duro’ — sobre as elites, cuja cupidez ajudara a provocar isto. Durante os seis anos em que houve controle de câmbio os salários reais caíram 20 por cento, os gastos públicos entraram em colapso, o desemprego aumentou para dois dígitos e a inflação atingiu 40 por cento. Em 1978 apenas 10 por cento dos venezuelanos viviam na pobreza; em 1998 o número era de 39 por cento.
A resposta de Cisneros foi, naturalmente, a fuga de capital. Citando com energia o lema de Cisneros  –‘as maiores e melhores oportunidades vêm das crises’ — Bachelet pormenoriza os investimentos dele fora do país. Em 1984 comprou a Spalding, a cadeia gigante de esportes, e a seguir as Galerías Preciados em Madri, outra rede importante.
Em 1988 os salários reais haviam caído 40 por cento, e o custo do serviço da dívida havia ascendido a 5 bilhões de dólares por ano. Em dezembro daquele ano Carlos Andrés Pérez foi reeleito presidente após uma campanha concebida para evocar os anos do boom com gastos desenfreados do seu mandato na década de 1970. Contudo, uma vez empossado, Pérez mudou o rumo, comprometeu-se com um Programa de Ajustamento Estrutural ditado pelo FMI e implementou uma série de medidas neoliberais, cortando subsídios a serviços públicos e liquidando os controles de preços.
Um ano depois a economia contraíra-se 8 por cento. A pobreza geral ascendeu dos 44 por cento de 1988 para 67 por cento em 1989, e a pobreza extrema de 14 para 30 por cento no mesmo período. Quando os preços dos carros dispararam a fim de refletir o custo crescente do combustível, em fevereiro de 1989, Caracas explodiu numa festa de saques e tumultos. Quatro dos supermercados de Cisneros foram saqueados. O protesto, conhecido como Caracazo, acabou por ser esmagado pelo exército, com mais de mil mortes.
O povo devolve Chávez ao poder em 2002: a emissora de Cisneros chamava os chavistas de "macacos"
O povo devolve Chávez ao poder em 2002: a emissora de Cisneros
chamava os chavistas de “macacos”
Defendendo o ‘sóbrio pacote de medidas’ de Pérez, Bachelet admite que ‘a Venezuela não fora preparada durante a campanha eleitoral para confrontar-se com a verdade’. Mas sua principal preocupação é a fortuna do seu herói. O Caracazo foi um ponto de viragem para Cisneros. Aquilo fê-lo perceber que a sua riqueza já não estava segura em Caracas. Seu simples e lucrativo papel como criado do capitalismo americano estava sob séria ameaça. O próprio estado venezuelano estava  entrando em colapso. Ele decidiu que teria de mudar o grosso da fortuna da família para fora do país.
Como a terapia de choque continuava, a economia contraía-se novamente e as taxas de pobreza continuavam a piorar. Em fevereiro de 1992 o então coronel Chávez lançou um golpe de estado sem êxito destinado a deter a força destruidora do modelo que Pérez pusera em movimento. Cisneros colocou a Venevisión à disposição de Pérez, e a transmissão do presidente no dia do golpe salvou sua vida política.
Mas era tamanha a impopularidade de Pérez que aquilo desgastou a estação de TV. Os números de audiência afundaram dramaticamente, com uma consequente perda de receita publicitária, e a estação só recuperou a posição dominante quando transmitiu a Copa do Mundo de futebol dos Estados Unidos em 1994.
Na primavera de 1993 o governo Pérez entrou em colapso em meio a acusações de que se havia apropriado indevidamente de 250 milhões de bolívares (2,8 milhões de dólares) de fundos governamentais.
Os movimentos de Cisneros para retirar os seus bens da Venezuela agora estavam à velocidade máxima. Desta liquidação, a Venevisión ficou dispensada. Ela havia provado seu valor através dos êxitos internacionais das suas telenovelas, as quais na década de 90 escaparam ao limitado mercado latino-americano e encontraram um nicho por todo o globo.
Sua fórmula pegajosa demonstrou-se irresistível: uma história, lágrimas com soluços, drama emocional e blocos de pornografia suave. Com base neste triunfo, Cisneros tinha grandes esperanças de se estabelecer no mercado americano de televisão, com sua audiência de milhões de latinos. Seu amigo Emilio Azcárraga, dono da Televisa do México, já havia feito uma entrada naquele mercado na década 80, montando uma companhia conhecida como Univisión. Quinze anos mais velho que Cisneros, Azcárraga era aliás uma figura semelhante a ele: filho de um magnata local, que consolidou e expandiu o negócio da família numa operação pan-latino-americana. Bachelet menciona as frequentes viagens em iate de Azcárraga para ver Cisneros na República Dominicana.
Cisneros agora propunha uma sociedade entre ele próprio, Azcárraga e um parceiro americano. O negócio foi rematado em 1992, e a Univisión começou a difundir para latinos nos EUA o cardápio — telenovelas, talk-shows vazios, ‘notícias’ — que se originara na Venezuela e no México.
Isto pode ser considerado imperialismo cultural em reverso, mas na prática a programação já estava altamente americanizada, e agora era simplesmente vomitada sobre uma audiência latina já familiarizada com a receita. Ironicamente, a Venevisión agora era obrigada a introduzir uma dimensão multiétnica nos seus programas — totalmente inabitual na atmosfera racista branca de Caracas, mas uma condição sine qua non na cultura contemporânea dos Estados Unidos.
Em 1996 o governo de Caldera foi forçado a virar-se para o FMI. O brutal ‘Acordo Venezuela’ eliminou controles de preços, entre outras coisas, e a inflação subiu para mais de 100 por cento. No fim do ano a pobreza generalizada era de 86 por cento e a pobreza extrema de 65 por cento. Foram dias de insegurança para Cisneros. Ele logo tomou o comando da Univisión partilhada com Azcarraga e, com os Estados Unidos na cintura, começou a comprar estações de TV na América Latina, nomeadamente a Chilevisión no Chile e a Caracol na Colômbia.
Em 1995 montou a DirectTV como uma joint venture com a Hughes Communications, um ramo da General Motors. Apesar de entrar no mercado ao mesmo tempo que a Sky de Rupert Murdoch, o qual já fizera um acordo com a Televisa e a Globo de Roberto Marinho, no Brasil, dentro de cinco anos a DirectTV tinha mais de uma milhão de assinantes.
No momento das eleições de 1998 a elite política venezuelana já estava totalmente desacreditada. Preso durante dois anos após o golpe fracassado, Chávez havia ganho considerável apoio popular devido à sua rejeição da ortodoxia neoliberal e defesa aberta dos pobres — nessa altura a massa da população. Ele ganhou o poder em dezembro de 1998, com 56 por cento dos votos. Cisneros estava entre os oligarcas financeiros do país com a esperança de que aquele oficial não experimentado pudesse ser curvado à sua vontade. Na noite das eleições eles encontraram-se de modo amistoso nos estúdios da Venevisión, e Bachelet relata conversações posteriores com o novo presidente nas quais Cisneros manifestou seu apego à solidariedade social. Numa reunião que Bachelet não menciona, Cisneros sugeriu que um dos seus homens tomasse conta da Comissão Nacional de Telecomunicações, um organismo regulador do Estado que podia fazer muito para ajudar os esquemas da Organización Cisneros.
Chávez recusou a oferta. Ele planejava impulsionar o seu programa para regenerar o país sem a assistência dos seus tradicionais dominadores, políticos ou financeiros.  Cisneros juntou-se logo à cada vez mais estridente oposição da elite, queixando-se que o país fora tomada por um populista autoritário, e prognosticando desgraças econômicas contínuas — provocadas, muito antes da eleição de Chávez, por uma série de governos que eles haviam apoiado.
Cisneros foi um membro central do grupo que planejou a derrubada de Chávez em abril de 2002. Na noite de 11 de abril, depois de Chávez ter sido removido do Palácio de Miraflores na ponta de armas, os principais conspiradores reuniram-se no apartamento de Cisneros. No princípio da manhã seguinte Pedro Carmona, chefe da confederação de empresários, anunciou na TV que era o novo presidente. Carmona comunicou o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal, bem como a supressão da Constituição.
Cisneros  sugeriu que a estratégia de comunicações do novo governo deveria ser deixada nas suas mãos. Carmona aceitou agradecido. Poucos minutos depois de a delegação de Cisneros deixar o Palácio, contudo, os soldados da Guarda Presidencial retomaram-no, detendo alguns dos líderes do golpe enquanto Carmona escapava.
Cisneros deu ordens aos seus canais para não apresentarem notícias do contra-golpe, nem mostrarem imagens das dezenas de milhares de pessoas a descerem dos morros para assegurar o retorno do ‘seu’ presidente. Durante todo o dia, a programação de Cisneros foi preenchida por velhos filmes e desenhos animados. As notícias dos eventos na capital eram apresentadas só pela CNN.
‘Chegará o dia’, declarou Chávez em maio de 2004, ‘em que teremos juizes sem medo que atuarão de acordo com a Constituição e aprisionarão estes senhores da máfia como Gustavo Cisneros’.  Visto através dos binóculos servis de Fuentes, Cisneros é um modelo de cidadão, um visionário e empreendedor ‘global’. O vendedor de novelas, loiras e shampoo é louvado por criar um negócio cultural na América Latina ‘comparável em profundidade e resiliência’ à estética e tradições literárias do continente. Seus prosaicos negócios imobiliários em Madri ‘aboliram o oceano’. Foi ‘um defensor da língua castelhana no coração da América anglófona’.
Em retrospectiva, o entusiasmo de Fuentes por Cisneros não é de todo surpreendente. Como filho de um diplomata mexicano, Fuentes pertenceu ao mesmo mundo transcultural do empreendedor venezuelano. Sua visão preconceituosa das tradições revolucionárias da América Latina tornou-se mais pronunciada com o passar dos anos e tingiu claramente sua atitude em relação a Chávez, muitas vezes com um toque abertamente racista ou elitista.  Tal antipatia é bastante comum entre a elite americanófica da América Latina e também entre alguns da sua esquerda intelectual.
A ameaça de Chávez sempre repousou na sua capacidade para apresentar uma alternativa ideológica ao Consenso de Washington. Suas medidas redistributivas mal tocaram as fortunas que Cisneros e seus afins colheram dos venezuelanos comuns, através de décadas de corrupção estatal. Em 2004, Cisneros combinou uma reunião com Chávez por intermédio de Jimmy Carter. Se Chávez organizasse uma entrada para Cisneros junto ao governo Lula no Brasil, a propaganda antigoverno da Venevisión seria acalmada.
Cisneros desde então avançou suas obras de semicaridade na Venezuela. E reduziu a campanha contra Chávez.
No Diário do Centro do Mundo
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Publican imagen de Hugo Chávez paseando por La Habana

Por el momento no se ha confirmado oficialmente cuándo fue tomada la foto
Publican imagen de Hugo Chávez paseando por La Habana 
Una fotografía en la que se ve al presidente de Venezuela, Hugo Chávez, caminando en La Habana ha aparecido en las redes sociales.
En Twitter se indica que la imagen es de este año, lo que confirmaría la versión del Gobierno venezolano de que Chávez se encuentra mejor y se está recuperando.
No obstante, por el momento no existen versiones oficiales que confirmen cuándo fue tomada esta fotografía.
El último informe médico detalló que la infección pulmonar que sufrió el jefe de Estado, tras la intervención quirúrgica, estaba controlada pero el paciente “todavía requería medidas específicas para la solución de la insuficiencia respiratoria”.
No RT
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Homenagem a Brizola

 
Militantes do PDT que desprezam Carlos Lupi reunidos na Cinelândia prestam homenagem a ex-governador do Rio e Rio Grande do Sul
Stédile lembra da figura de Brizola, de quem se considera também neto
O PDT, o melhor seria dizer, o verdadeiro PDT, que quer a volta às origens, prestou homenagem ao Governador Leonel Brizola, nesta terça-feira (22), que se vivo fosse completaria 91 anos. Foi um ato público tendo como palco a Cinelândia, onde anos atrás pontilhava a Brizolandia, movimento de militantes brizolistas que se reuniam na Cinelândia e promoviam intensos debates políticos.
E naquela mesma praça, o próprio Brizola mobilizava milhares de pessoas em defesa de reformas necessárias para a melhoria de qualidade de vida do povo e levantava a bandeira nacionalista desfraldada por Getúlio Vargas e João Goulart.
No ato público que contou com a presença, entre outros, do atual Ministro do Trabalho, Carlito Brizola, do vereador carioca Brizola Neto e de outra neta de Brizola, Juliana, que hoje milita como deputada estadual no Rio Grande do Sul, Arnaldo Murthé, Carlos Alberto de Oliveira e Paulo Ramos.
Stédile agradece ao governador Brizola
Entre os oradores vale destacar a figura de João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST, que fez questão de afirmar que se considerava também neto de Brizola, porque o movimento pela reforma agrária criado na época do governo Brizola no Rio Grande do Sul (1958 a 1962), o Mast (Movimednto dos Agricultores Sem Terra, era avô do MST. Stédile lembrou que depois surgiram as Ligas Camponesas e, finalmente, em 1984, o neto MST, que ele integra.
E apontando para o Ministro Brizola, que o convidou para prestar a homenagem ao avô, disse em tom enfático que não era só ele, Carlito, neto de Brizola.
Stédile lembrou também que Brizola no Rio Grande do Sul criou muitas escolas para quem necessitava e queria estudar. Ele mesmo, Stédile, admitiu que se não fosse Brizola talvez não conseguisse estudar e seguir adiante, até mesmo estar presente a este ato.
Importância de fazer política nas ruas
O representante do MST saudou o fato de a homenagem a Brizola estar sendo realizada em praça pública e se fosse em recinto fechado ele não viria. Explicou o motivo: “política se faz na rua e não em gabinetes fechados com ar condicionado onde se produzem políticos medíocres” .
Stédile exortou os militantes do PDT a seguirem as mobilizações nas ruas, pois desta forma o povo voltará a ser protagonista político.
Como não poderia deixar de ser, Stédile defendeu a reforma agrária, uma bandeira atual, exortando o Ministro Brizola a conclamar os colegas ministros reunidos em recintos fechados a não se atemorizarem diante das exortações em favor da reforma agrária. “Diga e pressione os ministros a não terem medo de defenderem a reforma agrária”.
No discurso do Ministro Brizola, o orador exortou os presentes a repudiarem os aventureiros, como Carlos Lupi, que tomaram conta do PDT e transformaram o partido criado por Brizola em uma legenda de aluguel.
Linchamento midiático e repúdio a uma camarilha
Nos folhetos distribuídos durante o ato público pelos militantes vale destacar o trecho afirmando que “vimos a mídia desconstruir a imagem do grande estadista da educação – Leonel de Moura Brizola e o mesmo está sendo feito em nossos dias com líderes da América Latina que combatem interesse poderosos, como é o caso de Cristina Kirchner, na Argentina, enfrentando a mídia oligopolizada, de Hugo Chávez na Venezuela, revertendo os recuresos do petróleo em favor das maioria pobres, de Evo Morales, na Bolívia, retomando as empresas privatizadqas, e Rafael Correa, no Equador, igualmente revertendo as privatizações e combatendo a mídia concentrada”.
Entre os cartazes podia se ver o que pedia a exclusão de Carlos Lupi do PDT e sua camarilha.
Mário Augusto Jakobskind
No Rede Democrática
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Enquanto mundo discute casamento gay, Brasil aprova "lei da moral"

 
O “moral”, dentro do estado democrático, é construir a igualdade

“Nossa jornada não estará completa enquanto nossos irmãos e irmãs gays não forem tratados como todas as outras pessoas perante a lei – pois, se somos verdadeiramente criados iguais, então com certeza o amor que dedicamos uns aos outros também deve ser igual”.
Em um discurso repleto de forte simbolismo, o presidente Barack Obama inaugurou nessa semana sua segunda gestão na Casa Branca, inserindo o casamento homoafetivo como um dos grandes débitos dos direitos civis.
Sofrendo riscos políticos, com uma popularidade que já não está alta e uma forte campanha contrária de grupos religiosos, o presidente François Hollande também impulsionou a questão apresentando projeto para o reconhecimento do casamento na França. E José “Pepe” Mujica, no Uruguai, incluiu o tema em um pacote anticonservador mais amplo, marca de sua passagem libertária pelo poder.
E o Brasil, por onde anda?
Na mesma semana da conclamação de Obama pela igualdade na orientação sexual, o outrora liberal Rio de Janeiro aprovava uma lei de “resgate de valores morais”, proposta pela deputada Myriam Rios, porta-bandeira da bancada religiosa.
Uma importante estratégia de combate à homofobia foi abandonada antes mesmo de começar nas escolas públicas em razão de críticas conservadoras e acabou virando tema de campanha eleitoral. Por incrível que possa parecer, deputados federais discutem, em pleno século 21, um projeto de lei que autoriza a “cura de gays”.
Onde foi que nos perdemos?
Como podemos estar trafegando tão abertamente na contramão?
Esse moralismo não é nocivo porque pretende simplesmente instaurar ou resgatar valores – mas porque quer fazer com que o Estado escolha alguns deles para impor ao conjunto de seus cidadãos.
Quando Myriam Rios fala em “valorizar a família”, como em geral ocorre com parlamentares da fé, vitamina o preconceito contra tudo o que entende por “anormal” ou o que desvia do seu “padrão cristão”. Não à toa, como outros integrantes da “bancada da moral” confunde expressa e maliciosamente pedofilia com homossexualidade.
Na democracia, o pluralismo impede que o Estado imponha um determinado comportamento moral ou que puna quem quer seja por praticar outros que não afetem terceiros.
O “moral”, dentro do estado democrático, é construir a igualdade.
A dignidade humana, que na Constituição é um valor fundante, iluminando direitos e obrigações, relações públicas ou privadas, impõe a consideração de todos como seres humanos com iguais direitos à sua realização pessoal – inclusive na busca da felicidade.
Mas a igualdade exige ainda uma firme luta contra o preconceito, que vitima cada vez mais homossexuais, em bárbaras e covardes agressões à luz do dia. Também isso faz parte da luta contra a desigualdade – país rico é país sem preconceito, deve dizer a propaganda oficial.
Governo e Congresso patinam no tema do casamento gay, que só foi reintroduzido pelo Judiciário, curiosamente o mais tradicionalista dos poderes.
É certo que não é pequena a distância entre o discurso e a prática de Obama – o aumento de deportações de imigrantes é uma entre tantas de suas contradições. O presidente norte-americano também tem uma situação partidária mais simples do que a brasileira – afinal, por lá, os republicanos não fazem parte da base de sustentação do governo.
Mas ainda assim, pela força do simbolismo, as portas que ele pode abrir e os comportamentos violentos que pode frear, já estava na hora de a presidenta Dilma fazer coro com seus parceiros democratas e socialistas nessa luta pela ampliação dos direitos civis.
A história certamente lhe dará razão.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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As palavras e os atos

 
Há um axioma da oratória política norte-americana, o de que os discursos de despedida são sempre mais importantes do que os de início de mandato, mesmo quando se trata de reeleição. Os dois melhores discursos de despedida, como projetos políticos para a nação, foram os de Washington, no início da República, e de Eisenhower, em 1961. Washington aconselha o seu povo a não intrometer-se nas guerras européias, e a aproveitar-se, ao máximo, do comércio pacífico com o mundo. Eisenhower adverte contra o “complexo industrial militar” que, depois de sua saída, assenhoreou-se do poder nos Estados Unidos.
Washington e Eisenhower, como chefes militares vitoriosos dos dois grandes conflitos internacionais do povo americano, a Guerra da Independência e a 2ª.Guerra Mundial, sabiam o que são as guerras.
Há, sem embargo, presidentes que, ao morrer durante o período de governo, não deixam as advertências do adeus. Foi o que ocorreu a dois dos mais importantes líderes do país: Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt. Os discursos inaugurais, que complementam o juramento constitucional conhecido, trazem a esperança e o compromisso do empossado; os de adeus revelam suas frustrações, ao lado das reflexões sobre as dificuldades da nação e as vicissitudes e limites do poder.
O que teria dito Lincoln, se, não fosse seu assassinato, e houvesse chegado ao fim de seu segundo mandato, com a nação reunificada depois dos imensos sacrifícios da Guerra Civil? Naturalmente ele teria retornado a seu pensamento clássico, de união nacional, da igualdade entre todos os americanos, entre eles os negros. Mas não deixaria de advertir contra os perigos de uma nova divisão interior que seria, na ordem de suas idéias conhecidas, a única forma de destruição do país.
Embora não se referisse diretamente a isso, as idéias e a ação de Lincoln sempre foram contra o imperialismo e o expansionismo. Assim, ele se opôs à guerra do Presidente Polk contra o México, exigindo que o chefe de governo provasse, sem nenhuma dúvida, a afirmação de que o território “invadido” pelas tropas do país vizinho era território americano, o que justificaria a guerra como sendo de defesa. Polk foi obrigado a admitir que se tratava de “território em disputa”.
Podemos também especular sobre o que diria Franklin Roosevelt, se, reeleito, como foi em 1944, chegasse ao fim de seu mandato, quatro anos depois. É provável que ele não tivesse, diante da União Soviética, a mesma postura bélica de Truman. Como são os homens que fazem a História, talvez o mundo houvesse tomado rumo diferente.
O discurso de Obama é cheio de emoção, com o apelo à unidade nacional, a fim de que se enfrentem, com coragem e êxito, os grandes desafios, entre eles, o da ameaça climática. Traz a mensagem de que, em seu segundo mandato, e com o apoio necessário dos adversários, cumprirá o que não pôde cumprir até agora.
Por enquanto, são apenas palavras, palavras e palavras. Só saberemos o que ele realmente pensa, hoje, e o que realmente enfrenta na Casa Branca, quando chegar o seu momento do farewell address.
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Por que o PT ganhou todas as eleições nos últimos 10 anos


Uma comparação simples entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula/Dilma Rousseff (PT), em torno de uma dúzia ou pouco mais de pontos - não precisa mais que isto - mostra o quanto é diferente o jeito de governar dos tucanos e dos petistas. A comparação em cima dos resultados obtidos por um e por outro prova, também, o quanto é sem sentido e se dá em cima de razões meramente políticas a insistência dos tucanos em dizer que os governos Lula, principalmente no campo econômico, foram continuidade dos dois mandatos do presidente FHC.
1) Taxa de inflação (IPCA):
FHC (1995-2002) - 100,6;
Lula (2003-2010) - 50,3%;
2) Taxa de Desemprego (IBGE):
FHC (Dezembro de 2002) - 10,5%;
Dilma (Dezembro de 2011) - 4,7%;
3) Taxa Selic (Banco Central):
FHC (Dezembro de 2002) - 25% a.a.;
Dilma (Agosto de 2012) - 7,5% a.a.;
4) Salário Mínimo (IBGE):
FHC (Dezembro de 2002) - R$ 200 (US$ 56);
Dilma (Agosto de 2012) - R$ 622 (US$ 306);
5) Investimentos Públicos (Banco Central):
FHC (2002) - 1,5% do PIB;
Lula (2010) - 2,9% do PIB;
6) Dívida Pública Líquida (Banco Central):
FHC (Dezembro de 2002) - 51,5% do PIB;
Dilma (Julho de 2012) - 34,9% do PIB.
7) Reservas Internacionais Líquidas (Banco Central):
FHC (Dezembro de 2002) - US$ 16 bilhões;
Dilma (Agosto de 2012) - US$ 372 bilhões;
8) PIB (Banco Central):
FHC (2002) - US$ 459 bilhões (2º da América Latina e 15º do mundo);
Dilma (2012) - US$ 2,4 Trilhões (1º da América Latina, 2º das Américas e 6º do mundo);
9) Exportações (Banco Central):
FHC (2002) - US$ 60 bilhões;
Dilma (2012) - US$ 256 bilhões;
10) Empregos Formais (Caged-Ministério do Trabalho):
FHC (1995-2002) - 5 milhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - 17 milhões;
11) Escolas Técnicas Federais (MEC):
FHC - 11;
Lula - 224;
12) Universidades Federais (MEC):
FHC - 1;
Lula - 14;
13) ProUni (MEC):
FHC - Não existia;
Lula-Dilma - 1 milhão de estudantes beneficiados;
14) Crescimento Econômico:
FHC (1995-2002) - 2,3% a.a.;
Lula (2003-2010) - 4,6% a.a..
15) Balança Comercial (Banco Central):
FHC (1995-2002) - Déficit de US$ 8,7 bilhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - Superávit de US$ 290 bilhões
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Trabalhadores em situação de escravidão são libertados em SC

Dez homens trabalhavam em fazendas de reflorestamento em Ituporanga.
Trabalhadores viviam em um barracão (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Trabalhadores viviam em um barracão
(Foto: Polícia Civil/Divulgação)
A Polícia Civil de Santa Catarina libertou na manhã desta terça-feira (22) dez pessoas que viviam em situação análoga à de escravidão em Ituporanga, no Vale do Itajaí. De acordo com os policiais, dois eram menores de idade. O caso foi denunciado na segunda-feira (21). Um homem foi preso em flagrante, acusado de ser o responsável por recrutar os trabalhadores.
Fazenda onde ocorreu a prisão fica no bairro Vila Nova, em ituporanga (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Fazenda onde ocorreu a prisão fica
no bairro Vila Nova, em ituporanga
 (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Segundo as investigações, os homens eram obrigados a morar no local, tinham péssimas condições trabalho e a jornada diária era de 10h a 12h. Eles trabalhavam em fazendas de reflorestamento. Eram recrutados por Valdecir Antunes Rodrigues, conhecido como 'Marrom' e chamado de 'Gato' pelos policiais. Ele é acusado de contratar os trabalhadores em Pinhão (PR) e levá-los até Santa Catarina.
Um dos delegados responsáveis pela investigação informou que a operação envolveu oito policiais, que identificaram as evidências de trabalho semelhante ao escravo. "Nós falamos com todos os trabalhadores e confirmamos a denúncia, que foi registrada em vídeo e fotos. As investigações vão continuar, porque acreditamos que dois empresários da região estão envolvidos, inclusive cobrando resultados dos trabalhadores ", destacou Nelson Vidal.
Os trabalhadores viviam em péssimas condições (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Os trabalhadores viviam em péssimas condições
(Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Na tarde desta terça (22), equipes do Ministério do Trabalho e Polícia Federal passaram a atuar junto nas investigações. O objetivo é garantir os direitos trabalhistas e a liberação dos paranaenses. Até 14h, os trabalhadores permaneciam na delegacia de Ituporanga para prestar depoimento às equipes de investigação.
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“Eu não me arrependo do cuspe, porque eles também não se arrependem do que fizeram na ditadura”

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Felipe Garcez está sendo processado
pelo Clube Militar por “constrangimento
ilegal”. Ele foi flagrado cuspindo em um
militar que comemorava o golpe de 64.
Foto: Ana Helena Tavares
29 de Março de 2012 foi um daqueles raros momentos em que a esquerda se uniu. Centenas de militantes das mais variadas tendências, em sua maioria jovens, se reuniram em frente à sede do Clube Militar, no Rio de Janeiro, para protestar contra o que ocorria lá dentro. Algumas dezenas de militares, em sua maioria idosos, celebravam os 48 anos do dia 31 de Março de 1964. Dia em que, para eles, ocorreu uma “revolução”.
“Eu milito na área dos Direitos Humanos e, quando a gente ficou sabendo que os militares iam festejar o golpe, eu me senti na obrigação pessoal de estar lá e protestar. Aí, nós combinamos pelo Facebook, e não imaginávamos que seria o que foi. Não houve organização prévia. Eu chamo essas atividades de “Flash Móvel”, foi espontâneo: um contou pro outro, que contou pro outro e, assim, aconteceu. Cresceu mais do que a gente.”, relatou, em entrevista exclusiva para o “Quem tem medo da democracia?”, o jovem de 22 anos Felipe Garcez.
Flagrado cuspindo
Garcez foi fotografado, naquele dia, cuspindo na direção de um militar que participava da comemoração. A foto, da Agência Estado, foi publicada, na época, no site da Veja, por Reinaldo Azevedo, que chamou Garcez e seus colegas de “baderneiros”. O fato de o cuspe ter sido registrado lhe rendeu um processo na Justiça, onde aparece como autor.
cuspe-na-cara-de-militares
 “Eles alegam tipificação de “constrangimento ilegal”. Também pelo cuspe, mas não só por isso. Por todo o ato. Pelos ovos que jogaram. Pelos xingamentos que eles alegam que tiveram. Por toda a situação, que eles dizem que eu sou o responsável. O que é uma insanidade dizer que eu sou o responsável. Outras pessoas estão arroladas junto, mas só estão sendo investigadas. O Clube Militar, que foi quem pediu a abertura de inquérito, me coloca como autor. Eu e mais quatro pessoas, se não me engano. Alguns meus amigos. Posso citar o Ádio, Eduardo Beniacar, Matheus Aragão, que conheço só de vista, e o Silvio Tendler (cineasta, que nem estava presente).”
Sem arrependimentos
“A nossa idéia nunca foi ir para lá agredir eles. A nossa idéia foi protestar mesmo. Porque é uma situação em que os caras debocham. Eles dizem assim: ‘Não matamos comunistas, matamos porcos. Tinha que matar mesmo. Fizemos pelo Brasil’. Eram frases ditas para a gente. É claro que eu não queria que tivesse chegado a isso, mas eu não me arrependo (do cuspe), porque eles também não se arrependem do que fizeram (na ditadura). O pessoal levou fotos (dos desaparecidos políticos) e eles (os militares) apontavam para elas e diziam: ‘Matei! Matei mesmo!’ Então, no dia que eles disserem que se arrependem disso, eu direi que me arrependo do cuspe.”
O militar em quem Garcez foi fotografado cuspindo é o Coronel-aviador Juarez, presidente do Ternuma, grupo de extrema-direita chamado “Terrorismo Nunca Mais”. “É um grupo que defende a ditadura. Não é ele quem está me processando. Eles se utilizaram do Clube Militar para isso, mas ele está relacionado como uma das vítimas. Como também o Coronel Batista, do Exército, e o cara que matou Lamarca (General Cerqueira). Eles estavam todos lá e estava também a família Bolsonaro, que é toda estranha. Muita gente cuspiu e vários deles foram cuspidos. Eles nunca tinham passado por aquilo.”
“Ele disse que devia ter matado o meu pai”
“No Cel. Juarez eu nem cheguei a cuspir. O que eu tentei foi evitar que ele chegasse a mim. Ele veio para me agredir. Ele disse que devia ter matado o meu pai. Tinha um monte de gente dizendo para ele: ‘Você matou comunistas’. E ele me disse: ‘Devia ter matado o seu pai’. Então, para mim, foi uma reação, legítima defesa.” O pai do jovem estava presente à entrevista e, paradoxalmente, se diz um homem de direita.
Garcez conta que não estava em casa quando a polícia levou intimação para ele depor na 5ª DP, em 10 de Janeiro de 2013, e que se impressionou com a forma de abordagem: “Eu senti que a própria polícia queria me intimidar, pois não fazia sentido nenhum eles mandarem 3 viaturas para me entregar um papel. E bateram de casa em casa dos meus vizinhos. E trataram eles mal, falando com eles de fuzil na mão. Foram brutos. Mas, na delegacia, o inspetor de polícia que me recebeu estava bem tranquilo, me tratou muito bem e me deixou bem à vontade.”
Um caso de política
“Ele próprio me disse: ‘o caso de vocês não é caso de polícia, é caso de política. Até o governador já ligou para cá querendo saber que processo é esse que envolve o Silvio Tendler.’ Então, creio que eles se acalmaram depois da repercussão à intimação do Tendler. Porque, segundo o inspetor que me interrogou, depois que o processo dele (do Tendler) chegou à delegacia, até o Comando Militar do Leste, militares da ativa, passaram a acompanhar o caso. E houve uma repercussão nacional.”
“Nós recebemos muitas ameaças e alguém, não sei quem, mandou um e-mail para o senador Eduardo Suplicy falando sobre essas ameaças. O senador enviou um ofício para o ministro da Justiça. E o ministro abriu um processo na Polícia Federal em proteção à gente. Este processo foi anexado ao nosso, com parecer do ministro e do senador Suplicy em defesa da gente. Então, o próprio inspetor me disse: ‘O caso de vocês é muito preocupante. Isso deu uma merda em Brasília, estão fazendo reuniões e acho que isso vai ser arquivado”.
“Constrangimento ilegal”
O Clube Militar processa por “constrangimento ilegal”, mas, segundo o advogado de Felipe, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, uma instituição não pode processar ninguém por “constrangimento ilegal”. Só quem pode se sentir “constrangida” é uma pessoa física. Segundo Felipe, o advogado acredita que “o processo foi feito para aterrorizar, porque juridicamente eles não vão conseguir nada”. “O patrimônio do Clube não foi depredado, a instituição não foi invadida. Os militares puderam entrar e sair livremente. Alguns alegam que (o protesto) os atrapalhou, mas o evento ocorreu tranquilamente. Eles ficaram lá tomando o seu coquetelzinho e chamando de ‘Revolução de 64’…”
Ao que tudo indica, o “coquetelzinho” pode se repetir em 2013, quando o golpe completará 49 anos. “Há depoimentos dos militares, que foram depor como vítimas, em que eles dizem que farão de novo a comemoração e que neste ano o Comando Militar do Leste fará a segurança do Clube Militar. A gente vai contestar isso na justiça. Porque a Dilma proibiu a comemoração. Se a Dilma proibiu, os militares da ativa não podem se meter nisso. Só os reformados”.
A união da esquerda
Para Garcez, o protesto de 29 de Março do ano passado “superou as expectativas em todos os sentidos. Até na participação heterogênea. Participaram desde o PSTU e anarquistas às alas mais de direita da esquerda, alas mais conservadoras. Eu milito no movimento estudantil, conheço muita gente da política e vi lá pessoas de vários partidos: PT, PDT, PCdoB, PSOL, PSTU… Gente que não milita dentro de partido, mas milita dentro de ONG, que também tava lá… Todo mundo misturado. Tinha umas 400 pessoas, mas havia uma diferença para outros protestos: eram 400 militantes, 400 pessoas que tinham algum envolvimento com a causa, algum histórico de luta. Então, era um clima diferente. Você via gente que nunca tinha se unido para nada. A esquerda estava unida ali.”
400 é um número que hoje impressiona para manifestações no Brasil, mas na América Latina e Europa é comum ver centenas de milhares e até mais de um milhão de pessoas nas ruas. Por que no Brasil é diferente? Para Garcez, “há uma alienação muito grande da juventude e isso tem a ver com a melhoria do poder de compra. Eu faço o raciocínio de que quando o país teoricamente melhora a juventude se aliena. O que acontece nos países da América Latina é que os países são menores, a população é menor.” Além disso, Felipe lembra que as ditaduras de Argentina e Chile foram “derrubadas”. “Aqui foi feita uma concessão. Aqui é meio mormaço, há sempre um acordão. Daí que a gente vive um refluxo no movimento como um todo. Mas eu acho que, desde 2009, a coisa está mudando. Eu tenho visto cada vez mais o movimento aumentar.”
“Praça de guerra”
Garcez considera que aquele evento “abriu a praça de guerra”, abrindo caminho para outros ‘escrachos’ e ‘esculachos’ que viriam depois. “A Comissão da Verdade foi um super avanço, mas o problema é que ela precisava ter caráter deliberativo. Ela não pode incriminar ninguém, é como se fosse um estudo para levantar documentos. Ela precisava poder intimar e processar. Porque tem muito militar que assume que matou, torturou, e a justiça não faz nada. Eu defendo julgamento e prisão, caso condenados. Porque a ditadura não legalizou a tortura. Nunca houve tortura legalizada no Brasil. Mesmo durante aquele período, torturar era ilegal.”
“Como é hoje a ação da polícia nas favelas. Mas tem os ‘autos de resistência’, aí ninguém é condenado. E, se não condenarmos os da ditadura, o recado que a gente está dando é: façam ditadura, deem golpe e torturem que vocês vão ser reformados e ter pomposas aposentadorias até o fim das suas vidas. Isso está errado! Claro que há exceções, há militares que lutaram contra o golpe e, por isso, foram cassados e presos. Mas as novas gerações que entram para o Exército ainda são treinadas contra a ‘ameaça vermelha’, contra o inimigo comunista. Isso está errado! O Exército tem que defender a Pátria e não ser contra um regime político. Eles têm uma educação arcaica.”
“O MST vindo para a cidade”
Para Garcez, “o governo é muito recuado ainda (na luta pelo esclarecimento dos crimes da ditadura), mas é muito mais avançado do que a gente já foi um dia. A partir dela (da Comissão da Verdade), os militares foram para a mídia dizer que é ‘revanchismo’ e dizem que os crimes da esquerda também têm que ser investigado. Mas não têm! Porque não é a mesma relação. O que precisa ser investigados são os crimes de Estado. Porque a esquerda estava combatendo uma ilegalidade, então não houve crime, houve resistência. Vamos investigar resistência? Eu acho que não. Então, começou-se a criar um clima de enfrentamento. Aquele ato não inicia, ele é o ápice do enfrentamento. Deixou marcas duras.”
O Levante Popular da Juventude foi recentemente condecorado pelo Governo Federal com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos por promover protestos em frente às residências e locais de trabalho de pessoas acusadas de terem sido torturadoras durante a ditadura.  O Levante, segundo nos conta Felipe, “é um movimento social criado pelo MST, é o MST vindo para a cidade”. Mas, para ele, os chamados ‘escrachos’, que têm ocorrido no Brasil todo, “ultrapassaram a barreira do próprio Levante e se tornaram uma ferramenta de combate da esquerda.”
“Escrachos”
Garcez já participou de diversos “escrachos”. Por exemplo, em frente ao prédio do Museu da Polícia, próximo à 5ª DP, no Centro do Rio. Ali funcionava o antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). A Polícia Civil reivindica o prédio para uso comercial, enquanto os movimentos sociais querem fazer ali um memorial da ditadura. Garcez conta que “está também nessa luta.”
Além disso, revela ter participado de um ‘escracho’ em Niterói direcionado ao Coronel (Alberto) Fajardo, do Exército. O ‘escracho’ foi em dezembro do ano passado e, nesse dia, houve escrachos no Brasil inteiro. “No Rio, ‘pegaram’ o Curió (major acusado de crimes na guerrilha do Araguaia)”, relata Garcez que diz estar afastado desse tipo de atividade por proteção. “Na verdade, o meu grupo político optou por me colocar ‘na geladeira’, alegando que estou visado e posso estar sendo vigiado.”
Seguidos de perto
A suspeita de estar sendo vigiado tem fundamento. No site “A verdade sufocada”, mantido pelo coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que é declarado pela Justiça como torturador, foram publicadas fichas com informações de Felipe e de outros manifestantes que participaram do ato no Clube Militar. Mas, segundo o jovem, “foi feito um dossiê ainda mais detalhado. O inspetor que me interrogou disse até que deve ser aberto um processo para averiguar como eles têm acesso a essas informações. Eu trabalhei no Circo Voador, mas não tinha carteira assinada, não há registro. E eles sabem. Eles descobriram coisas minuciosas como o local onde um dos manifestantes trabalhou em Israel. Nem ele lembrava. Chega a ser assustador.”
Apesar do engajamento na causa, Garcez tem uma relação longínqua com a ditadura. “A minha mãe conta a história do meu tio-avô, que era do Partidão (PCB), que ele se escondia na casa do meu avô, pulava janela, mas nada muito próximo. A minha ligação com esse tema é a militância política. Desde os meus 14 anos. Desde que eu comecei a organizar o grêmio da escola onde eu estudava em Nova Iguaçu, Escola Estadual Mestre Hiran, ligada à Congregação Maçônica. Então, naquela época, eu já militava.” Depois disso, estudou no CEFET e foi fazer faculdade no Instituto Federal do Rio de Janeiro. Produção Cultural. Agora, passou para a UFF, também para produção cultural.
Militância política
Foi Secretário-geral da União Estadual dos Estudantes. Já se candidatou a cargos dentro do movimento social, mas se candidatar dentro da política partidária diz não ter vontade. “Porque eu entendo que da forma que a gente da esquerda faz política, a pessoa se entrega. É um missionário quase. E eu não sei se eu tenho essa disposição de dar a minha vida para ser candidato.”
“A minha vida é a política. Vivo disso, trabalho disso, participo disso, mas eu só seria candidato se o meu grupo político me obrigasse a isso. Porque eu entendo que o candidato é o melhor que há para se oferecer. Se algum dia, eu for a melhor coisa do meu grupo para ser candidato eu serei. Mas não tenho vontade pessoal. É uma entrega muito grande.”
Corrupção
“A sociedade é corrupta. Então, em todos os níveis do nosso sistema, em todos os poderes, você vai ter algum nível de corrupção. O problema é que a política hoje é muito carreirista. Eu falei que, para mim, a política é uma entrega, mas isso é para quem é realmente de esquerda. Porque, para quem faz política como negócio, a política é um balcão. E, para combater essa galera que faz política como balcão, você tem que se entregar.”
“Eu acho que a maioria das pessoas que hoje exercem cargos públicos não conseguem mais entender a função social. A pessoa acha que o cargo é dela. Há uma correlação de forças muito grande do empresariado com os políticos. É a força do poder econômico. Por isso que a gente luta por financiamento público de campanha.”
Ana Helena Tavares, editora do site “Quem tem medo da democracia?
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