20 de jan de 2013

PT o partido mais querido do País; PSDB o partido associado a ricos e em queda na preferência

Pesquisa Ibope revela que o Partido dos Trabalhadores tem a preferência de 24% dos brasileiros, a léguas de distância do PMDB, que desponta com 6%, e do PSDB, que tem 5% dos eleitores; identificação com o partido demonstra que efeito de escândalos como o mensalão é relativamente limitado, o que confere à presidente Dilma uma boa vantagem na largada para 2014; cresce, no entanto, número de apartidários.
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O Terror e o Terror

 
Em 26 de abril de 1937, aviões da Legião Condor, da Alemanha Nazista, com o apoio da aviação italiana, a serviço de Franco, bombardearam Guernica, a capital milenar do povo basco, matando centenas de civis e ferindo outras centenas. Esse ato contra um povo desarmado, em dia de feira, se tornou o símbolo da brutalidade dos nazistas e franquistas, mas não foi a primeira, nem a última agressão ao povo basco. Causou uma revolta mundial, pelo fato de que Guernica é a capital milenar e mítica do povo basco, onde se encontra a árvore de carvalho, que renasce de suas próprias sementes, e sob cuja sombra os chefes bascos se reuniam ao longo dos séculos.
Menos de um mês antes, em 31 de março, a Legião Condor já havia bombardeado a bela cidade basca de Durango, com a morte de 294 civis. Mais tarde, outras cidades espanholas foram atacadas pela aviação, com a chacina da população inerme. Havia dois objetivos nesses ataques: o treinamento de aviões para bombardeios concentrados em áreas urbanas, e a disseminação do terror nas zonas em que os republicanos resistiam. Os nazistas e franquistas que promoveram essa matança não são considerados hoje terroristas. Eram combatentes por uma causa, a causa do anticomunismo e do anti-semitismo. A causa de Hitler, Goebbels, Mussolini e dos quatro generais (Franco, Sanjurjo, Mola e Queipo de Llano), que se reuniram para invadir a Espanha com tropas de suas colônias do norte da África, e iniciar a cruzada católica e nazista contra a soberania republicana.
A história do grande povo basco, que ocupa os Montes Pirineus, suas encostas e sopés, na Espanha e na França, e no litoral do Golfo de Biscaia, é um dos enigmas históricos da Europa. Quando os romanos chegaram à região, já os encontraram. Resistiram bravamente contra as legiões e os outros invasores - godos, visigodos, gauleses e francos.
Se há um povo que tem todo o direito histórico, étnico e cultural à plena independência, é o de Euzkadi, o lendário país dos bascos. É certo que uma de suas regiões, a de Navarra, por ter sido sede de um reino cristão, não é tão afirmativa na busca da plena soberania quanto as outras regiões. A causa da independência do País Basco tem apoio, como demonstra a presença, há apenas alguns dias, de milhares de manifestantes, em Bilbao, para pedir que os prisioneiros do ETA presos em outras regiões da Espanha sejam repatriados para o território basco (foto).
Ao contrário de como foi apressadamente classificado pelo representante da Polícia Federal que se manifestou sobre a sua captura no Brasil, o ativista do ETA preso no Rio é um patriota, não um terrorista. Ele foi combatente contra um estado ocupante que usou durante anos grupos terroristas para-oficiais e da extrema-direita, que usaram os mesmos métodos violentos contra os independentistas, e sequer foi condenado por isso, até agora.
Joseba Vizán é, a partir de sua detenção, a ser explicada pela Polícia Federal - que acompanhou agentes da Polícia Espanhola em sua captura, aparentemente sem conhecimento prévio do Ministério da Justiça, do Itamaraty, ou do Judiciário - um prisioneiro político sob a custódia do Estado Brasileiro, que passou a ser responsável pela sua segurança.
Como ele não foi oficialmente requerido pela Espanha, no Brasil, onde é réu primário, ele só pode ser acusado de falsidade ideológica. Aconteça o que acontecer, só o STF pode autorizar a extradição do militante basco, e só a Presidente da República pode, ou não, ordená-la.
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Condor

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Carros novos terão etiqueta de consumo energético

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Lula volta e muda a agenda política

Lula ocupa espaço que a Casa Grande, os que aspiram à Casa Grande e o PiG querem ocupar
Saiu na Carta Maior:

Lula volta. E muda a pauta do país


O ex-presidente Lula está volta. Na primeira semana de atividade depois das férias, mostrou que o espaço vazio na política brasileira, ocupado nos últimos meses pelo conservadorismo, agora tem agenda e contrafogo de peso. Na 4ª feira, Lula reuniu-se com o prefeito de São Paulo e secretários municipais. E foi ao ponto: a gestão Haddad deve ser marcada pela participação popular. Cravou: a prefeitura deve organizar grandes conferências da cidadania para a população discutir as suas urgências e se organizar em torno delas. Na próxima segunda-feira, Lula encontra membros do governo federal, autoridades de oito países latinoamericanos e intelectuais para debater a integração regional — um dos eixos de atuação do Instituto que leva o seu nome. O tema do encontro rebate na discussão do passo seguinte da agenda do desenvolvimento em meio à desordem neoliberal: “Caminhos progressistas para o desenvolvimento”. Estarão presentes entre outros, Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia,Luciano Coutinho, Ricardo Carneiro, Antônio Prado, Aldo Ferrer, Fander Falconi e Alberto Couriel. Ainda em janeiro ele vai a Brasília para discutir a aceleração do investimento com a Presidenta Dilma e integrantes do primeiro escalão. No fim do mês, desembarca em Cuba para uma conferência. A partir de fevereiro, Lula inicia caravanas pelo país.
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A vitória do medo

O premier martela a respeito do perigo iraniano, mas de fato pretende desviar a atenção da questão palestina. Foto: Menahem Kahana/AFP
O premier martela a respeito do perigo iraniano, mas de fato
pretende desviar a atenção da questão palestina.
Foto: Menahem Kahana/AFP
Nas eleições legislativas de terça-feira 22, há apenas uma certeza: Benjamin Netanyahu, o atual primeiro-ministro, será reeleito. Impossível prever por ora o tipo de ­coalizão que o premier de direita vai formar. Carlo Strenger, psicanalista clínico, filósofo e professor na Universidade de Tel-Aviv, diz não ter certeza se Netanyahu vai incluir em seu governo Naftali Bennett, o líder do Lar Judaico, um partido religioso ultranacionalista que não esconde as suas intenções de anexar a Cisjordânia a Israel, ou se ele vai tentar dividir o bloco de centro-esquerda, convidando um ou dois partidos moderados. De qualquer maneira, Strenger, que escreve um blog intitulado Strenger Than Fiction, sobre Israel e o Oriente Médio, para o diário de esquerda ­Haaretz, ­acredita, como escreveu recentemente, que “Netanyahu está levando Israel ­para o abismo”.
CartaCapital: Em recente artigo, o senhor indagou se, sob Netanyahu, Israel não poderia se tornar um regime de extrema-direita como os governos fascistas na Europa do século XX.
Carlo Strenger: Há uma série de razões pelas quais eu não acho que Israel seguirá esse caminho. Em primeiro lugar, as forças de centro-esquerda são ainda bastante fortes em Israel. Representam cerca de um terço do Knesset. E os liberais estão em perigo por outra razão. A direita e o bloco religioso têm visões diferentes. Portanto, se obtiverem o controle do Knesset, não chegarão a ter uma agenda comum.
CC: Por que a esquerda está tão fragmentada?
CS: É preciso diferenciar entre a atual formação de centro-esquerda e a esquerda histórica. A esquerda histórica tem uma imagem negativa porque os israelenses dizem que em vez de paz somos alvos de mísseis e do terror. Os israelenses sentem que pagaram um preço muito pesado com o fracasso da segunda Cúpula para a Paz de Camp David em 2000, pela subsequente segunda Intifada e pela retirada de Israel da Faixa de Gaza. Quanto ao atual bloco de centro-esquerda, com sua agenda distante da realidade, ele não é diferente de outros mundo afora. Meu medo é de que Netanyahu divida o bloco de centro-esquerda ao incluir em sua coalizão uma ou duas legendas moderadas. Isso é realmente contra os interesses de Israel porque precisamos de uma oposição.
CC: Como garantir um futuro melhor para os árabes residentes em Israel?
CS: Todos os partidos de centro-esquerda assinaram uma declaração comum em que afirmam compartilhar o objetivo de estabelecer a igualdade entre os árabes israelenses e judeus israelenses. Devo dizer, porém, que os partidos árabes em Israel têm sido extremamente ineficazes em relação às necessidades concretas dos árabes israelenses. A longo prazo, será importante que os partidos árabes e judeus tenham uma agenda comum.
CC: Segundo pesquisas, dois terços do eleitorado são favoráveis à solução de dois Estados e à partição de Jerusalém. E 57% dos eleitores da agremiação de Netanyahu, Likud-Beiteinu, são a favor da fórmula de dois Estados. Isso significa que votam em legendas de direita por medo, não por ideologia. Estariam os israelenses atravessando uma crise existencial?
CS: Esse é o paradoxo da política israelense. A maioria dos israelenses acredita que não há outra solução, exceto a de dois Estados. Mas estão com medo. Não confiam nos palestinos. E essa enquete foi formulada de forma muito específica. Fizeram a pergunta supondo que os palestinos cumprirão as suas obrigações em termos de segurança e assumindo que as necessidades de segurança de Israel também estarão sob controle.
CC: A líder do Partido Trabalhista disse que não participará de uma coalizão com Netanyahu. Portanto, uma coalizão com o ultranacionalista Naftali Bennett significaria o fim da solução de dois Estados?
CS: Netanyahu acredita que o fracasso da solução de dois Estados é efeito colateral da não aceitação de Israel pelo mundo árabe. Por isso não quer correr riscos com a assinatura de um acordo de paz com os palestinos. Essa visão pessimista tem a ver com a instabilidade no Oriente Médio e, assim, Netanyahu continua ganhando tempo. Essa visão do premier é muito prejudicial para este país.
CC: Por que Naftali Bennett é tão popular nas pesquisas de intenção de voto?
CS: Ele é muito carismático. As pessoas de direita, mas que não são necessariamente fundamentalistas na sua abordagem religiosa, estão dizendo “ok, agora temos alguém para votar”. Mas elas não devem se iludir, Bennett é um extremista e quer que Israel controle 60% da Cisjordânia.
CC: O senhor sustenta que as divisões entre as diferentes comunidades em Israel não são, necessariamente, baseadas em linhas étnicas. Mas não foi a recente disputa entre o ex-ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, líder do Yisrael Beiteinu (partido direitista e secular), e o Shas (agremiação ultraortodoxa) também sobre etnia e com tons racistas?
CS: A questão étnica é muito forte em Israel. Escrevi que as rixas não ocorrem “apenas” por causa das diferenças étnicas. Temos de ter cuidado com o que chamamos de racismo. Sim, em alguns casos há tons racistas assim como nos Estados Unidos, na Europa e em todo lugar. O que as pessoas tendem a esquecer é que ­Israel é uma democracia muito jovem. Este país tem de lidar com as relações entre grupos étnicos, religiosos e seculares. O problema é que Israel não tem espaço e tempo para realizar esse debate, porque as pessoas têm de lidar com os problemas existenciais sobre o futuro do país.
CC: Recentemente, Netanyahu disse que a ameaça iraniana é tão perigosa como o foi a Alemanha nazista. Ele está usando o Irã como um bode expiatório ou realmente o Irã representa uma ameaça existencial para Israel?
CS: A situação do Irã representa uma ameaça para Israel. Aliás, os países árabes do Oriente Médio têm mais medo de um Irã nuclear do que Israel. Diante de um Irã nuclear haverá uma corrida armamentista na região. A Arábia Saudita vai querer ter armas nucleares, assim como o Egito. Mas Netanyahu martela sobre o perigo iraniano para desviar a atenção da questão palestina. Esta tem sido a sua estratégia nos últimos quatro anos.
CC: Qual é o impacto da Primavera Árabe sobre as eleições?
CS: Uma razão que os israelenses pensam que não há potencial para um processo de paz é porque o Oriente Médio é tão instável que não querem correr riscos.
CC: Como o senhor, um acadêmico liberal, se sente sobre o atual cenário político e como ele é interpretado no exterior?
CS: Israel trata os perigos que tem de enfrentar de forma errônea. Mas os europeus costumam falar sobre Israel como se estivéssemos localizados no meio da Europa Ocidental. Os problemas abordados pelos partidos de direita não são inventados. Aqui não há encontros sociais nos quais não venha à tona a seguinte questão: este país vai existir daqui a 30 anos?
Gianni Carta
No CartaCapital
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Um bode no Congresso

As denúncias contra o deputado Henrique Alves podem ser as mais importantes deste século, mas ocorrem numa hora curiosa.
Com 41 anos de Congresso, Henrique Alves parece enquadrar-se na categoria de parlamentar típico, que habita a fronteira daquela zona cinzenta das finanças políticas, onde nem sempre é possível separar o legal do ilegal – mas é sempre possível dizer que é tudo imoral e quase tudo é suspeito.
Nada se provou contra o parlamentar até agora, embora ele já tenha sido denunciado há mais de uma década. Em 2002, sua ex-mulher denunciou que Henrique Alves possuía um cartão de crédito milionário, que não poderia ser quitado com o salário de deputado. Henrique Alves fora escolhido para ser companheiro de José Serra na campanha presidencial daquele ano, mas perdeu a vaga.
A mais nova denuncia envolve uma possível empresa fantasma de um assessor, e tem até um bode na sede, no Rio Grande do Norte, chamado Galeguinho. Também se informa que Henrique Alves recebeu uma verba de campanha de R$ 10.000 do dono de um posto de gasolina onde gastou R$ 50.000 para abastecer o carro oficial.
Tudo isso deve ser apurado e investigado.
Mas é sempre bom perguntar se não há um bode político nesta discussão. As denuncias contra Henrique Alves não caíram do céu. Têm a impressão digital de seus adversários internos no PMDB, que gostariam de ocupar sua vaga.
Convém advertir: são flores que exalam o mesmo perfume. Freqüentam os mesmos ambientes e os mesmos coquetéis.
Candidato a presidente da Câmara de Deputados, até agora sem adversário real, Henrique Alves tomou uma posição política importante, a respeito de um fato decisivo da legislatura que se inicia em fevereiro.
Procurado para dizer o que pensava da ideia da Câmara decretar a perda de mandato dos quatro parlamentares condenados pelo mensalão, sem passar pelo ritual definido pelo artigo 55 da Constituição, Henrique Alves disse que em sua opinião o Congresso não deveria abrir mão de suas prerrogativas.
Ou seja: os deputados até poderiam perder o mandato, mas a Câmara não deveria deixar de cumprir aquilo que define a Lei Maior. Isto quer dizer: levar o debate para plenário e submeter a decisão a voto direto e secreto. A perda do mandato, diz a Constituição, será definida por maioria absoluta. E quem tem a palavra final são os parlamentares.
Pode até ser um "vexame," como diz o professor Oscar Vilhena, da FGV, mas a Constituição definiu assim.
Não conheço a biografia de Henrique Alves para fazer um balanço de suas atitudes políticas. Tenho certeza, no entanto, que poucas vezes ele teve a oportunidade de manifestar-se sobre um assunto tão relevante.
Do ponto de vista da separação de poderes e da preservação das garantias democráticas, o deputado com o assessor do bode Galeguinho fez a coisa certa.
E por isso eu acho justo perguntar por que só agora, quando ele completa 40 anos de Congresso, é que todos se lembram de investigar o que se sabe e o que se assopra a seu respeito.
Deve ser tudo coincidência, vamos combinar. O Galeguinho deve estar rindo de tudo, concorda?
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Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais de Míriam Rios


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A serviço da Playboy, no meio de um terremoto

Engraçado como, de repente, por acidente, descobrimos nossas prioridades.
Eu tinha acabado de chegar à Cidade do México para minha primeira Copa, a de 86 (eu sei, eu sei, estou numa fase de reminiscências, talvez consequência de ter quase morrido recentemente). Estava, dizia eu, no México para cobrir a Copa. Como correspondente da revista “Playboy”.
Meu crachá atraía olhares espantados e sorrisos maliciosos. O que a revista “Playboy” estava fazendo numa Copa do Mundo de futebol? Era a pergunta que eu mesmo me fazia.
A “Playboy” era uma revista mensal. Quando eu mandasse minha matéria a Copa ainda não teria terminado. Eu seria obrigado a comentar o que ainda não tinha acontecido. Ou poderia escrever sobre generalidades, com ênfase no sexo (“O que realmente se passa nos vestiários de uma Copa do Mundo”) ou partir para a solução suicida: adivinhar o resultado e mandar um texto entusiasmado festejando o campeão — o Brasil, obviamente.
Como todos se lembram, em 86 ganhou a Argentina, pela mão do Maradona. Acabei, se me lembro bem, escrevendo sobre a possível origem do futebol entre os astecas. Enfatizando o sexo, claro.
Bom: estava eu recém-chegado na Cidade do México. Como havia algum problema a ser resolvido quanto à minha reserva num hotel na cidade, passei a primeira noite num hotel perto do aeroporto. Recém tinha me deitado quando o quarto começou a tremer. Terremoto!
Depois da dor de barriga, o terremoto era o segundo maior temor de quem chegava ao México. E eu estava no meio de um terremoto na minha primeira noite! Saltei da cama, botei as calças e olhei em volta, me perguntando “O que mais?” Corri para o banheiro e peguei um chumaço de lenços de papel. No meio do cataclismo, tinha instintivamente resolvido que nada era mais importante do que ter com que limpar os óculos.
O quarto parou de tremer antes que eu chegasse à porta. Me dei conta de que não tinha sido terremoto, mas um avião decolando do aeroporto ao lado. O episódio pelo menos valeu para que eu me conhecesse melhor. Ou para que minha autoestranheza aumentasse.
Ah, também tive dor de barriga. Mas isso todo o mundo teve.
Luis Fernando Veríssimo
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Walmor Chagas, em Guaratinguetá

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Merval Pereira: o exterminador do passado

É difícil dizer o que mais impressiona: se a grande imprensa ter perdido a importância que detinha até os anos 1990 – quando ainda tinha relativa influência no cenário político -, ou a desfaçatez com que seus jornalistas, amadurecidos no tapa na arte de reescrever a história, sonegam dados e fatos, Rei dos instrumentos, por sua extraordinária capacidade de reproduzir os sons orquestrais do reacionarismo brasileiro, realizando recitais a pedidos do Instituto Millenium, Merval Pereira personifica a figura paradigmática do teclado da grande mídia corporativa.
Em 9/1/2013, declarou ele em sua coluna de O Globo que “a imprevidência dos governos petistas no setor energético acabou por neutralizar as críticas feitas à época do apagão de FHC.” O PT tanto politizou o racionamento de energia ocorrido no Brasil em 2001 que passou a não ter direito de adotá-lo em caso de necessidade, como pode vir a ser o caso proximamente. O problema é que a presidente Dilma, quando ministra, garantiu que o que não ocorrerá mais no Brasil é racionamento de energia, chamando o episódio de “barbeiragem”.
O que Merval, aquele que tanto preza a tese do “domínio do fato” quando se trata de legitimar simulacros de julgamento no STF, faz em sua coluna é submeter, por ação e omissão, os fatos aos desígnios dos que promoveram o festim neoliberal no país durante oito anos. Se até o início dos anos 1990, o Brasil dispunha de um sistema energético limpo, renovável, barato, capaz de estocar combustível para cinco anos, apto a transferir grandes blocos de energia do Sul para o Norte, do Nordeste para o Sudeste, gerenciando de forma integrada bacias hidrográficas fisicamente distantes milhares de quilômetros, a partir da fronda tucana, tudo isso se desfez.
Ao contrário do que afirma o imortal por encomenda da família Marinho, não só o PT tem plenas condições de continuar criticando a estratégia político-econômica que tanto fragilizou o estado e a economia brasileira, como podemos atribuir o termo “barbeiragem” a uma incompreensível benevolência da presidente aos que se deixaram levar pelo canto das sereias que habitam os mercados financeiros.
Desde o consórcio demotucano, bloquearam-se os investimentos em expansão do setor de geração de energia. Primeiro em nome do combate à inflação, depois apostando numa chuva de dinheiro decorrente das privatizações e na elasticidade (real) do sistema hidrelétrico. O descaso, é sempre bom lembrar, andou de braços dados no governo incensado pelo prolixo colunista de O Globo.
Adílson de Oliveira e Edmar de Almeida, professores da UFRJ, em artigo publicado no boletim Petróleo de Gás (abril de 2001) lembravam que a capacidade instalada tinha aumentado apenas 25,3% nos últimos seis anos, enquanto o consumo de energia elétrica cresceu 31,3%, no mesmo período. A defasagem, decorrente de investimentos aquém da necessidade foi, por algum tempo, suprida com o uso da água acumulada nos reservatórios.
Ambos alertavam para a situação especialmente grave no Sudeste e Nordeste, onde os níveis estavam abaixo de 35% da capacidade total. O racionamento anunciado era resultado de uma política deliberada: entregar a infraestrutura aos “agentes privados” que nunca ganharam tanto, tão fácil e tão rápido em tão pouco tempo. Como não politizar essa ida ao pote com tanta sede de lucro?
Como ignorar a gravidade da situação? Os reservatórios foram imprudentemente baixados a um nível tão crítico que, como alertou à época o professor Antônio Dias Leite, ex-ministro das Minas e Energia, “não seria possível seu reenchimento em um ano, mesmo que chovesse muito”.
Cortar em 20% o consumo como o governo havia decidido, além de deteriorar a qualidade de vida da população, acarretaria a redução do crescimento, desorganização da cadeia produtiva e desemprego. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) projetava que um racionamento de energia por em 15% por seis meses para as casas e 22% para as empresas provocaria uma perda de R$ 15 bilhões na produção de bens e serviços além da perda de 17 mil postos de trabalho.
Onde estavam Merval, Catanhede, Noblat, Miriam Leitão e Ricardo Noblat, entre tantos outros milicianos das redações partidarizadas? Por que nunca questionaram o que viam? Diante da imprevidência dos banqueiros, o governo de FHC criou o Proer, pagando a conta dessa imprevidência. Com relação à questão energética, por que os consumidores teriam que pagar pela incúria da gestão tucana? E, pior, pagariam duas vezes para que as concessionárias, tal como estava nos contratos, não tivessem prejuízos.
Por que os jornalões não contam a história toda? O motivo é simples. A partir do momento em que optou por fazer as vezes da direita – ou até assumir papéis e funções que caberiam aos seus partidos – a grande imprensa passou a ter que blindar o passado. Assim como faz com Serra, Aécio, Álvaro Dias e outros aliados/colaboradores. Frustradas, até agora, as tentativas de ressuscitar eleitoralmente o tucanato esfacelado, cabe às antigas oficinas de consenso exterminar o passado.
Parafraseando Shakespeare, com a pobreza típica das paráfrases, só resta dizer: “ambivalência, teu nome é redação partidarizada”.
Gilson Caroni Filho colabora com “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna Traço de Mestre
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O que é o 'xoque de jestão' do Aécio ? Isso: um 'xoque'

Aécio não passa de Juiz de Fora
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