16 de jan de 2013

Lula visita Haddad e destaca parceria entre os três níveis de governo

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Charge online - Bessinha - # 1651

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Garotinho, réu, foge da 'guilhotina' de Joaquim Barbosa

Garotinho, réu,  foge da 'guilhotina' de Joaquim Barbosa
Frente às dificuldades, o deputado apela ao expediente do PSDB com o 
mensalão: ataca para fugir da reta
 (Foto: Renato Araújo. Agência Brasil)
O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) anda sumido da mídia. Talvez por estar na "fila da guilhotina" do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é réu na Ação Penal 640 no STF, relatada pela ministra Cármen Lúcia.
O Ministério Público Federal acusa os réus de corrupção passiva, crimes contra a paz pública, quadrilha ou bando, "lavagem" ou ocultação de bens, direitos ou valores. Esta ação parece relacionada ao escândalo de propinas ligado a caça-níqueis. Isso quando Garotinho comandava a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Diante do andamento deste processo, Garotinho quer imitar a turma do "mensalão tucano", ligada ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Espalha boatos para colocar a faca no pescoço direcionada a outros processos, uma maneira de fugir da fila.
Garotinho andou espalhando o boato de que na Operação Porto Seguro, desencadeada no fim do ano passado, haveria a história de um caixote diplomático que teria sido usado para levar a estratosférica quantia de € 25 milhões para Portugal em uma viagem oficial da Presidência da República. Óbvio que a estória era fantasiosa demais para alguém acreditar. Ontem, em audiência na Câmara dos Deputados, o superintendente da PF em São Paulo, delegado Roberto Troncon, que conduziu a operação, desmentiu essa história espalhada na internet.
http://www.redebrasilatual.com.br/blog/helena/imagens-helena/garotinho_ap_640.png
Agora, o ministro Joaquim Barbosa, egresso do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, onde atuou quando Garotinho foi governador, terá oportunidade de demonstrar independência e ser apartidário se colocar esse julgamento e o do "mensalão" tucano em pauta, com a agilidade pelo menos próxima da que teve na Ação Penal 470.
O ministro Luiz Fux, também egresso do Judiciário fluminense, havia sido sorteado para relatar o processo de Garotinho. Declarou-se impedido por motivo de foro íntimo, segundo consta na movimentação do processo.
Helena Sthephanowitz
No Rede Brasil Atual
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Resposta do Presidente da Infraero ao Jornalista Artur Xexéo


Brasília-DF, 08 de janeiro de 2013
Caro Artur Xexéo,
Como milhares de brasileiros, tomei conhecimento da sua coluna publicada no Jornal O Globo, edição do dia 2 de janeiro, intitulada “O Pior Aeroporto do Mundo”, e gostaria, igualmente, de tecer algumas considerações a respeito do que foi nela abordado.
Desconheço a quantidade de vezes que o senhor esteve no Aeroporto Tom Jobim (não concordo com o “coitado do Tom Jobim”, já que vincular o nome do homenageado ao objeto da homenagem não me parece muito correto, mas isto é apenas a minha opinião) nos últimos meses, mas o que lá aconteceu recentemente parece não ser do seu conhecimento.
No período de 2011/12, das nove esteiras existentes no Terminal 1, as quatro destinadas ao tráfego internacional foram substituídas e as cinco domésticas, revitalizadas; dos 35 elevadores, a totalidade foi substituída e estão todos em funcionamento, além de mais 35 que serão implantados ainda em 2013. Existem em funcionamento 30 lojas de serviços, sendo 13 por 24 horas, e sete lanchonetes, sendo quatro delas por 24 horas, conforme atestam diversos passageiros, uma vez que cessaram as reclamações neste sentido. O sistema automatizado de transporte e triagem de bagagens foi contratado em novembro de 2012, com investimento de R$ 59 milhões e a instalação está prevista para o início de 2014.
Efetivamente, o terminal 1, por ser um terminal ainda da época da inauguração do aeroporto na década de 1970, teve mesmo a ocorrência de goteiras, mas garanto que com a reforma que já se iniciou pela ala A, e posteriormente nas alas B e C, os problemas desta natureza estarão definitivamente sanados (se o senhor tiver a oportunidade de visitar o citado terminal, poderá atestar as obras, hoje na ala A).
Quanto ao terminal 2, ainda neste mês de janeiro será inaugurada a parte nova do terminal (cerca de 40% da ampliação prevista), para onde será transferido o check-in de parte das companhias que operam voos internacionais no aeroporto.
A necessidade de prestar esses esclarecimentos reside na intenção de demonstrar que a sua afirmação “o que autoridades dizem não é para ser escrito” não é verdadeira. Além disso, demonstra que as expressões “caiu aos pedaços”, “faz mal à saúde” (ainda não descobrimos ninguém que contraiu alguma doença no aeroporto) e “deveria ser interditado” (tenho certeza de que o senhor não pensou nem um minuto nos 50 mil passageiros que lá transitam todos os dias e nas 30 mil pessoas que lá trabalham para sustentar suas famílias, mas isso não é mesmo sua obrigação) são situações que saíram de sua brilhante imaginação, não condizendo nem um pouco com a realidade do aeroporto.
Me permita também discordar das razões que o levaram a considerar o Aeroporto do Galeão como o pior aeroporto do mundo (prefiro acreditar que ele seja o pior dentre os que o senhor conhece, pois imagino que o senhor não conhece todos). Escreveu o senhor que o Galeão tornou-se o pior aeroporto do mundo porque “a Infraero não se preocupou em dar uma única explicação ou um pedido de desculpas aos usuários do aeroporto”.
As suas premissas não são verdadeiras, o que permite concluir que a sua conclusão também não o seja.
Todas as explicações sobre o ocorrido foram dadas ainda na noite de quarta-feira, bem como durante toda a quinta-feira, explicações estas reproduzidas por todos os noticiários do país, inclusive no jornal para o qual o senhor escreve. Como talvez o senhor não tenha tomado conhecimento, permita-me esclarecê-lo:
1) Às 20h55 um estabilizador de energia, ligado à linha principal de fornecimento de energia do aeroporto, localizado na subestação que o abastece, de propriedade e responsabilidade da Infraero, incendiou, desligando automaticamente a luz em todas as dependências do aeroporto;
2) As luzes de emergência do terminal 2 se acenderam imediatamente, mas infelizmente tal fato não aconteceu no terminal 1;
3) Os geradores que fornecem energia emergencialmente ao sistema de pistas e pátios funcionaram imediatamente (todas as aeronaves que se destinavam ao aeroporto pousaram normalmente), mas infelizmente os que abastecem os terminais só entraram em funcionamento às 21h05;
4) Nos sistemas de emergência de qualquer aeroporto, inclusive os melhores do mundo, só funcionam a iluminação e as entradas de energia (tomadas) – nenhum sistema alternativo comporta o funcionamento de todos os equipamentos existentes. Essa foi a razão do senhor não ter encontrado as escadas rolantes funcionando em sua trajetória até a sala vip da British Airways, que por sinal fica na ala B do Terminal 1, não no Terminal 2. Destaque-se que as lojas fechadas nessa ala serão mantidas dessa forma em virtude da reforma que ocorrerá no local, não havendo interessados em alugá-las por curto período;
5) A linha de energia auxiliar, situada na mesma subestação da linha principal, somente pôde ser ligada pela concessionária de energia elétrica às 23h, devido à interdição do local pelo Corpo de Bombeiros;
6) Tendo voltado a energia pela linha auxiliar, os equipamentos do aeroporto foram sendo reativados, com supervisão da própria concessionária de energia elétrica, de forma paulatina, de maneira que à 1h de quinta-feira estavam todos funcionando normalmente.
Com relação ao pedido de desculpas, novamente o senhor não deve ter tomado conhecimento, mas em entrevista a diversos veículos da imprensa brasileira, na manhã de quinta-feira, o superintendente do aeroporto se desculpou pelos contratempos enfrentados pelos usuários. Eu mesmo, na manhã de sexta-feira, em entrevista coletiva no próprio aeroporto, pedi desculpas aos passageiros dos 19 voos que partiram com atraso (nenhum superior a uma hora e não tivemos nenhum voo cancelado) e a todos os que estavam no aeroporto naquele momento.
Evidentemente, estamos reavaliando todo o sistema de redundância do aeroporto, para impedir que tal fato aconteça novamente, numa eventual ocorrência de falta de energia elétrica no futuro.
Lamento que o senhor não tenha recebido nenhuma explicação da Infraero naquela oportunidade, mas a sua informação de que deixamos os passageiros agirem por conta própria, não condiz com o fato de que todos embarcaram em seus voos e partiram, com pequenos atrasos, é verdade, mas partiram e chegaram em segurança aos seus destinos.
Se o senhor me permite uma discordância adicional, gostaria de abordar a sua opinião a respeito da eficiência da Infraero. Evidentemente, não conheço todas as empresas públicas brasileiras e não tenho condições de avaliar as suas eficiências. Como o senhor parece ter (a comparação pressupõe o conhecimento dos entes comparados, sob pena de ser uma comparação irresponsável, o que me parece não ser característica de sua pessoa), mas considerar a Infraero “a mais ineficiente das empresas públicas brasileiras”, pelas razões expostas na sua coluna, é, no mínimo, uma tremenda injustiça para com essa empresa que construiu e administra os aeroportos brasileiros há 40 anos.
A minha opinião, apesar de ser apenas uma opinião (como a sua também o é), se baseia no trabalho desenvolvido por todo o corpo funcional dessa empresa na administração de 63 aeroportos, 22 torres de controle (orientação de aproximação de voos), 24 gerências de navegação aérea (algumas localizadas em regiões de difícil acesso, como Iauaretê, no norte do Amazonas), 38 unidades técnicas de navegação aérea (operação de radares e equipamentos de orientação ao voo), cinco estações meteorológicas de altitude (responsáveis pelo lançamento de 10 balões meteorológicos diários e da análise dos dados coletados, para orientação das aeronaves), que trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, permitiram em 2012 o transporte de mais de 180 milhões de passageiros e de 1,3 bilhão de toneladas de carga, em 3 milhões de pousos e decolagens, com absoluta segurança.
A mim pareceria mais adequado se sua crítica se voltasse à administração da Infraero, da qual faço parte, e não à empresa como um todo, mas isto também é apenas uma opinião, que não me parece que será levada em conta pelo senhor.
Por fim, como não tenho a tribuna de O Globo para levar ao conhecimento de milhares de brasileiros minhas considerações a respeito do assunto, como o senhor a tem, informo que, por uma questão de lealdade para com os empregados da Infraero, os verdadeiramente atingidos por sua injusta (é só mais uma opinião) manifestação, esta correspondência será reproduzida nos canais internos da empresa.
Cordialmente,
Antonio Gustavo Matos do Vale
Presidente da Infraero
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Charge online - Bessinha - # 1650

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"STAR FODS" fazer oposição no Brasil

Ênio Barroso Filho
No PTrem das Treze
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Caravanas: há uma pedra no meio do caminho

 
Antes que o PT esboçasse o roteiro das caravanas que Lula planeja realizar este ano o dispositivo midiático iniciou a sua.
Reportagens publicadas nos últimos dias pelo 'Estadão' e 'O Globo' revisitaram marcos do governo petista.
Alguns títulos pinçados desse primeiro arranque:
'Dez anos depois, população pobre do Brasil permanece refém de programas de renda';
'Berço’ do Fome Zero não muda com programas sociais';
'Em Guaribas, 87% da população vive do Bolsa Família';
'PT tira milhões da pobreza, mas abandona responsabilidade fiscal'
Vai por aí a coisa.
As referências de partida às cidades pobres de Guaribas (PI) e Itinga (BA), recheiam o propósito de alvejar por antecipação os símbolos previsíveis de um roteiro petista.
Ambas estão associadas ao Fome Zero, o primeiro programa lançado por Lula no primeiro ato, do primeiro dia, do seu primeiro governo, em 3 de janeiro de 2003.
Emerge dos textos a ordem unida que deve afinar a desconstrução desse ciclo incômodo.
Na superfície, benevolência: milhões deixaram a pobreza, mas...
Na costura, a lógica desidrata a dinâmica social negando a emergência de qualquer sujeito histórico capaz de afrontar o veredito do fracasso irremediável.
'O modelo é insustentável' , arremata em pedra e cal o sociólogo tucano Bolívar Lamounier, na última linha do texto do O Globo.
Foi nisso que deu a luta contra a miséria.
Para todos os efeitos, o Brasil é reduzido a uma fila de seres vegetativos alimentados pela sonda infatigável do populismo.
O fato de a demanda colecionar 16 trimestres seguidos de expansão, num momento em que o planeta estrebucha em anemia, é um acidente de percurso.
A caravana conservadora tira isso de letra. Literalmente.
É só ouvir 'especialistas' especializados em alvejar o PT.
No atacado ou no varejo? O cliente é quem manda.
A varredura atinge por extensão o 13 de fevereiro próximo, quando o partido comemora 33 anos de fundação, ademais de acumular munição para 2014 e cumprir a missão imediata: colocar uma pedra no meio do caminho da mobilização de resistência acenada pelos dirigentes.
Não qualquer pedra.
Mas aquela capaz de suscitar a dúvida: de que adianta Lula afrontar a pauta da criminalização e da desqualificação se a narrativa da nova caravana da cidadania caberá ao monopólio midiático?
Nos anos 90, as redações foram pegas de surpresa pela iniciativa original. Num primeiro momento, cederam à repercussão diante do efeito contagiante por onde comitiva petista passava.
Organizadas entre 1993 e 1996, as Caravanas da Cidadania percorreriam mais de 40 mil quilômetros. Ao todo, foram seis expedições que vasculharam os quatro cantos do território nacional.
A primeira, de 24 dias, partiu de Garanhuns, interior pernambucano; finalizou em Vicente de Carvalho (SP).
Reeditou o percurso de um pau de arara que em 1951 levaria Lula, a mãe e irmãos até São Paulo e daí para o litoral, fugindo da seca, da fome e da pobreza.
A imagem de um novo 'cavaleiro da esperança' a escancarar a realidade do país como o seu melhor argumento, rapidamente acendeu o farol vermelho nas redações.
A tolerância inicial cedeu lugar então às cobranças. Duras. Repórteres escalados para cobrir as viagens eram intimados a entregar a encomenda.
Às favas com fatos, pessoas e paisagens.
O jornalista Ricardo Kotscho acompanhou de perto aquela aventura como assessor de imprensa de Lula.
Em depoimento à Fundação Perseu Abramo, em 2006, revela detalhes da operação desmonte acionada pelas chefias de redação para sufocar o comício ambulante do líder metalúrgico.
Telefonemas irados chegavam do Rio e de São Paulo cobrando recheio para manchetes prontas.
Lembra Kotscho:
"Vocês têm que dar pau, é demagogia, é populismo do Lula, não sei o quê" -, o mais jovem repórter que estava lá foi cobrado também. Aí ele falou no telefone na frente de todo mundo, porque só tinha um telefone na portaria do hotel, era uma promiscuidade telefônica, todo mundo sabia de tudo. Ele disse para o chefe dele o seguinte: "Olha, eu vou continuar mandando as matérias com aquilo que eu vejo, eu não vou mentir, eu não vou entrar nessa, se vocês quiserem, vocês me demitam (...)" O Mário Rosa (da Veja) me disse, com todas as letras: "Eu escrevo para 3 mil leitores da Veja". "Como 3 mil? São 700 mil", eu perguntei. "O resto não interessa", ele falou. "Escrevo para o top, o top da elite. Vim aqui fazer uma análise psicológica do Lula." Depois que saiu a matéria sobre a caravana na Veja, o Lula ligou para o Roberto Civita, apontou as mentiras que a revista tinha publicado e pediu informalmente um espaço para resposta. O Civita negou, dizendo que isso não era um hábito da publicação..."
Dezesseis anos e três governos petistas depois, chega a ser desconcertante que o gargalo da comunicação permaneça intacto - no partido e no país.
A caravana preventiva do dispositivo conservador mostra o quanto a batalha da comunicação continua atual, decisiva e mal resolvida pelo PT.
Não por acaso, os adversários creditam à mídia a tarefa de desqualificar a maior conquista progressista deste ciclo, sem o quê tudo o mais fica um tanto difícil: a redução superlativa da fome, da miséria e da pobreza.
É um osso duro de roer.
Os avanços acumulados desde 2003 são inegáveis. Em certa medida, épicos.
A desigualdade brasileira ainda grita alto em qualquer competição mundial.
Mas, exceto no caso da China, foi a que registrou o maior queda em plena crise do capitalismo, quando dois terços das nações viram crescer a distancia entre ricos e pobres.
No Brasil deu-se o inverso.
A linha da exclusão que antes figurava como o eletrocardiograma de um morto passou a se mexer.
Inquieta, alterou o metabolismo de toda a nação.
Chega a ser paradoxal. A narrativa conservadora desconsidera a dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.
Mas incendeia as manchetes com o esgotamento (real) da infra-estrutura, a saturação dos aeroportos, a pressão da demanda sobre a oferta elétrica.
Ou isso, ou aquilo. Ou se reconhece os novos aceleradores do desenvolvimento ou o alarde dos gargalos é descabido.
Ambos são reais.
A década do PT tirou da miséria e propiciou a ascensão na pirâmide de renda a uma população equivalente a da Argentina.
Dados do IPEA ignorados pelo jornalismo conservador fornecem detalhes preciosos de um país em mutação inconclusa, mas dificilmente reversível a frio. É em torno do passo seguinte desse processo que se trava a guerra politica atual.
Fatos:
a) de 2003 a 2011, a economia brasileira cresceu a uma taxa acumulada de 40,7%; o PIB per capita aumentou 27,7%; mas a renda nos domicílios cresceu mais de 40%. A diferença evidencia o peso das transferências sociais - Bolsa Família, aposentadorias e benefício de prestação continuada, como a aposentadoria rural;
b) a renda per capita dos 10% mais pobres avançou 91,2% em termos reais nesse período - e 16,6% entre os 10% mais ricos;
c) a dos 10% mais pobres cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos.
d) os 20% mais ricos tiveram um aumento de renda inferior ao de seus pares dos BRICS.
e) mas o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China.
f) a renda do Nordeste cresceu 72,8% entre 2003 e 2011 - variou 45,8% no Sudeste.
g ) similarmente, cresceu mais nas áreas rurais pobres, 85,5%, contra 40,5% nas metrópoles e 57,5% nas demais cidades.
g) a dos pretos e pardos teve um salto de 66,3% e 85,5%, respectivamente - ficou em 47,6% no caso dos brancos.
h) a renda das crianças de 0 a 4 anos avançou mais de 60%.
i) sem as políticas redistributivas do Estado, a desigualdade teria caído 36% menos que os 57% efetivamente registrados.
j) a renda média precisaria ter aumentado quase 89%, em vez dos 32%, para que a pobreza tivesse a mesma evolução, sem a intervenção direta do Estado.
Ao contrário do que assevera o balanço da mídia isenta, portanto, o modelo não é insustentável.
Ele é avassalador por conta das massas de forças que despertou, sacudiu, agregou e conflitou.
Seu principal impulso, ao contrário do que pontifica a tese do assistencialismo insustentável, decorre predominantemente da renda do trabalho.
Ela representa mais de três quartos da renda total que lubrifica a economia - e é preciso impedir que o seu efeito multiplicador vaze para fora, nutrindo-se de importações que geram empregos e investimentos de qualidade lá e não aqui.
A constatação não altera a essência política do jogo em andamento: o Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população. Isso, graças às políticas públicas deliberadamente voltadas ao mais pobres, entre elas a decisão de elevar o poder de compra do salário mímimo em 60% em termos reais.
Não é propaganda eleitoral do PT.
É o que afirma um levantamento feito pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), que comparou indicadores econômicos e sociais de 150 países, nos últimos cinco anos.
Sua conclusão:
"Se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, os ganhos sociais obtidos no período são equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13%. O desempenho brasileiro deve ser creditado principalmente à distribuição de renda.
O Brasil diminuiu consideravelmente as diferenças de rendimento entre ricos e pobres na década passada, o que permitiu reduzir a pobreza extrema pela metade."
Não é algo que se despreze,como teimam as manchetes conservadoras. Mas há uma pedra no meio do caminho.
Ela infantiliza o debate dos desafios reais - que não são pequenos - inscritos nas escolhas que devem orientar o passo seguinte da história do desenvolvimento brasileiro.
Emergências e alarmes soam para avisar que um tempo se esgotou; outro range, ruge e pede para nascer.
A inexistência de uma estrutura de comunicação progressista, capaz de substituir o monólogo conservador por uma discussão plural das escolhas intrínsecas a esse parto, ameaça abortar o novo.
Se algo se tornou insustentável foi isso.
Fortuitamente, o PT está prestes a renovar um cargo cujo ocupante pode - deve - ter uma participação significativa na tarefa de afastar essa pedra do caminho.
Ao novo secretário de comunicação do PT caberá em alguma medida a tarefa de criar condições que pavimentem vias e abram clareiras por onde devem circular a caravana de Lula e os projetos que ela catalisa.
Um dos nomes cogitados para essa tarefa é o do deputado Emiliano José (PT-BA).
Doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor aposentado da Faculdade de Comunicação, onde lecionou por 25 anos, Emiliano é jornalista de carreira e escritor com nove livros publicados.
Paulista de nascimento, mas baiano de coração,lutou contra a ditadura militar em São Paulo, como vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (UBES).
Perseguido, viveu clandestino na Bahia até ser preso, torturado e condenado a quatro anos de prisão.
Sua a carreira jornalística começou na Tribuna da Bahia; depois, passou pelo Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo e pelas revistas Afinal e Visão. Escreveu para os alternativos Opinião, Movimento e Em Tempo. Tem peso e medida para sacudir a omissão histórica do PT numa questão que ameaça agora devorá-lo.
Saul Leblon 
No Carta Maior
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PF prende sete ex-prefeitos do Espírito Santo por suspeita de corrupção

 
3 do PSDB, 2 do PMDB, 1 do PPS e 1 do PDT, segundo a reportagem do Jornal Nacional desta terça-feira (15)
"Eles são acusados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual de terceirizar ilegalmente a cobrança de impostos - e de desviar parte do dinheiro arrecadado."
A amostra não é grande, apenas 7 prefeitos presos. Mas novamente PSDB e PMDB são os campeões, como foram em setembro de 2012, quando o TSE divulgou a relação de candidatos a prefeitos barrados por "ficha suja".
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Reduzir maioridade penal é equívoco jurídico e político

 

Talvez seja o momento de educar os homens para não punir as crianças

Cada vez que a imprensa noticia um crime do qual tenha participado adolescente, voltam à tona apoios a propostas oportunistas para a redução da maioridade penal.
O sensacionalismo seduz, mas não responde à lógica: o fato de os adultos já serem processados criminalmente não tem evitado que pratiquem crimes. Por que isso aconteceria com os adolescentes?
A ideia de que a criminalidade está vinculada a uma espécie de “sensação da impunidade” jamais se demonstrou, tanto mais que a prática de crimes tem crescido junto com a encarcerização.
A tese oculta uma importante variável: o fator altamente criminógeno do ambiente prisional, que é ainda maior quando se trata de jovens em crescimento.
Há uma série de empecilhos jurídicos à proposta para reduzir a maioridade penal.
O primeiro deles repousa na proibição de votar qualquer emenda constitucional para abolir direitos e garantias individuais.
É difícil crer que a inimputabilidade de adolescentes, e sua expressa sujeição à lei especial, tal como determina o art. 228, da Constituição Federal, não seja considerado pelo STF como uma cláusula pétrea.
Se garantias processuais como o direito à defesa, assistência de um advogado e o juiz competente estão tuteladas, como supor que o direito de não ser julgado criminalmente esteja fora do alcance desta proibição?
A Convenção Americana de Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, ratificada pelo país há mais de duas décadas, também insere entre os direitos civis dos habitantes do continente, que menores devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado (art. 4º, 5).
A falsa ideia de impunidade vem sendo disseminada na sociedade, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que o país se torna um dos maiores encarceradores do mundo.
Mais de meio milhão de almas já entopem esse precário e depauperado sistema prisional, dentro do qual se pretende introduzir ainda os adolescentes. As facções criminosas, organizações que nasceram e se fortaleceram com a recente hiper-prisionalização, agradecem sensibilizadas mais esse reforço em seus exércitos.
Encarcerar adolescentes não vai nos trazer paz ou segurança. Vai apenas armar outra de tantas bombas-relógios montadas no sistema penitenciário, que alguns supõem, por um desvio exagerado da lógica, que jamais retornarão para explodir em nossos próprios colos.
E a tal “impunidade” também ignora que já há milhares de jovens internados no país, além de tantos outros respondendo por seus atos infracionais com medidas socioeducativas previstas na lei especial. A reincidência tem se mostrado menor, inclusive, nos que cumprem medidas em meio aberto.
Enxergar genericamente a impunidade por via de um ou outro exemplo – e mudar a lei por causa deles - é o retrato mais candente do populismo, que se fundamenta, quase sempre, nas prioridades da própria mídia. Algumas vezes em coincidência com a opinião pública, outras apenas condicionando-a.
O curioso é que os primeiros a levantar bandeiras pelo aumento da punição, costumam ser aqueles que em geral se perfilam contra políticas de desarmamento – contraditoriamente, eis que as maiores perdas são decorrentes justamente da banalização de armas de fogo. Onde, então, o apelo sincero à segurança da sociedade?
Educar as crianças seria uma boa estratégia para não punir os homens, como dizia Pitágoras. Talvez seja o momento de educar os homens para não punir as crianças.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Contração da economia alemã é novo golpe para eurozona

Londres - A contração econômica da Alemanha no último trimestre de 2012 e a redução oficial das projeções de crescimento para este ano são um novo golpe para a zona do euro. Segundo o Escritório Federal de Estatísticas da Alemanha a contração foi de 0,5%. Segundo o Banco Central alemão, a economia crescerá 0,4% este ano, muito menos do que o 1,6% previsto em cálculos anteriores. Na primeira metade do ano passado o crescimento alemão evitou uma recessão do conjunto da eurozona. É óbvio que as coisas estão mudando.
A crise dos países do sul da zona do euro está alcançando a Alemanha e apagando a ilusão de um desacoplamento graças à mítica eficiência produtiva germânica. Em 2009, a Alemanha sofreu uma contração de 5% como consequência da crise mundial, mas em 2010 e 2011 teve uma rápida recuperação com um crescimento de 4,2% e 3% respectivamente. A queda foi abrupta na segunda metade do ano passado e deixou o Produto Interno Bruto (PIB) alemão com um anêmico aumento de 0,7%. Em declarações ao Financial Times nesta quarta-feira o presidente do governo da Espanha, mariano Rajoy, que aceitou o plano de ajuste em seu país, pediu às nações credoras da eurozona que ponham em marcha políticas de estímulo ao crescimento. “Este é o momento de colocar em marcha essas políticas. Está claro que não se pode pedir a Espanha que adote políticas de expansão, mas sim aos países da zona do euro que estão em condições de fazê-lo”, afirmou.
Um dado deveria favorecer esta mudança. Segundo o mesmo Escritório de Estatísticas, a Alemanha obteve um superávit fiscal de 0,1%, o primeiro desde 2007. Mas o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schauble reafirmou, terça-feira à noite, a posição de austeridade de seu governo.
As duas eurozonas
Desde o estouro da crise da dívida na Grécia em 2010, a zona do euro vem apresentando uma história de realidades paralelas. Enquanto os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) afundavam na recessão, a Alemanha, segundo exportador mundial depois da China, crescia graças suas vendas ao exterior. Segundo Marie Dirone, economista sênior da consultora internacional Ernest and Young, os novos dados provam que a Alemanha não pode se desvencilhar do destino de seus vizinhos. “Durante um certo tempo causou assombro a capacidade alemã para resistir à debilidade do sul da Europa com a diversificação de suas exportações para a China e outros mercados emergentes. Está claro que isso tem limites. A Alemanha está sentindo a queda da demanda nos outros países da zona do euro”, assinalou à Carta Maior.
Não chega a surpreender. A metade das exportações alemãs tem como destino os países da zona do euro. O dado se reflete nas estatísticas oficiais. O setor exportador, que representa mais da terça parte do PIB alemão, sofreu uma queda abrupta no último trimestre do ano passado. Esta queda arrastou a zona do euro que terminou 2012 em recessão (dois trimestres consecutivos de contração).
Os novos dados oficiais mostram também que o euro segue sofrendo do desequilíbrio estrutural entre economias muito distintas, o que vem colocando em perigo o projeto da moeda única europeia. Entre Alemanha ou França e Grécia ou Portugal sempre houve um abismo de produtividade e competitividade. Estas diferenças não eram incorrigíveis. No coração do projeto pan-europeu estava a ideia de homogeneizar economias diversas por meio do investimento público nas zonas mais atrasadas.
Mas o euro nasceu em meio à grande festa financeira. Graças à moeda única, os países da periferia, os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), tiveram uma taxa de juro muito baixa que financiou bônus de investimento e consumo pagos com um crescente endividamento. O resultado foi que os países do norte europeu exportaram e os do sul consumiram com base em um déficit de conta corrente. O ajuste decidido pelo governo alemão socialdemocrata de Gerhard Schroeder em 2003 aprofundou o desequilíbrio: os salários alemães tiveram uma estagnação relativa aos do Sul que encareceu os produtos que vinham dos PIGS.
O ajuste unidimensional
Segundo uma escola de pensamento, sendo a zona do euro uma unidade, o desequilíbrio não deveria importar tanto: a queda de uma região seria compensada pelo crescimento de outra. Mas o especialista alemão da London School of Economic, Henning Meyer, opina que a unidade da zona do euro é uma ficção sem mecanismos concretos que compensem os desequilíbrios. “A zona do euro não tem transferências fiscais que compensem a queda de uma região. E a política que está sendo impulsionada no conjunto da região é exatamente a contrária a um mecanismo desta natureza. Há um ajuste assimétrico pelo qual os países que têm déficit estão adotando políticas recessivas enquanto que os países que apresentam superávit não estão adotando políticas expansivas”, disse Meyer à Carta Maior.
A chanceler alemã Angela Merkel é a grande papisa da austeridade na zona do euro em meio a uma contração que começa a afetar os interesses do poderoso setor exportador alemão. Estes programas de ajuste, que o jornal espanhol El País batizou como “austericídio”, são uma corda no pescoço que o governo alemão segue apertando. É preciso reconhecer que o fundamentalismo alemão é coerente. Há duas semanas, o ministro de Finanças, Wolfgang Schauble assinalou que a própria Alemanha necessita de um ajuste fiscal.
Isso dependerá muito do que ocorrer com sua economia. O fantasma que começa a rondar entre os analistas é a possibilidade de uma recessão alemão. A este fantasma econômica se somam as eleições de setembro, nas quais a chanceler Merkel tem que renovar seu mandato. “A Alemanha tem vivido em um mundo paralelo no qual a crise da zona do euro era uma coisa que se via pela televisão. Se a economia alemã se deteriorar, isso pode ter um forte impacto no resultado das eleições, na política adotada e no conjunto da eurozona”, disse Meyer à Carta Maior.
Marcelo Justo
Tradução: Katarina Peixoto
No Carta Maior
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Crise do euro minou crescimento alemão em 2012

A economia alemã registrou forte desaceleração em 2012 por causa da recessão na zona do euro, em particular no quarto trimestre do ano, e esta pode se prolongar em 2013.
O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,7% segundo dados ajustados às variações sazonais, segundo dados provisórios anunciados nesta terça-feira pelo escritório federal de estatísticas Destatis, em coletiva de imprensa em Wiesbaden (oeste).
O crescimento do ano passado é muito inferior ao de 2011 (+3%) e de 2010 (+4,2%) e mais baixo que o previsto pelo governo alemão, que esperava um avanço de 0,8%.
A economia alemã foi gradualmente afetada pela crise que atinge alguns de seus sócios, como a Itália e a Espanha. No primeiro trimestre, registrou um crescimento de 0,5%, no segundo, de 0,3% e de 0,2% no terceiro.
No quarto trimestre, o PIB se contraiu 0,5%, mas os economistas esperam uma melhora nos três primeiros meses de 2013, o que permitirá evitar a recessão da principal economia europeia.
Prudente, o governo alemão revisou para baixo suas previsões para 2013 de 1% a 0,4%, segundo fontes ministeriais, que preveem um crescimento de 1,6% para 2014.
O Ministério da Economia alemão divulgará nesta quarta-feira suas previsões de crescimento quando publicar seu relatório anual.
Para 2013, o economista da Natixis, Christian Ott, acredita que a economia alemã vai se recuperar "gradualmente" ao longo do ano, enquanto Carsten Brzeski, da ING, mais otimista, considera que o país conta com os "fundamentos econômicos para um novo ano de crescimento sólido em 2013" e que deverá ser um dos "primeiros beneficiários da recuperação econômica mundial".
Segundo Andreas Rees, economista da UniCredit, "o desempenho da economia alemã foi notável", dado o contexto atual da recessão na zona do euro e a fragilidade do quarto trimestre.
Essa também é a opinião do diretor do Destatis, Roderich Egeler, para quem a economia alemã se mostrou "resistente em 2012, apesar do entorno difícil", apesar da conjuntura no país ter "esfriado muito" no segundo semestre.
Aumento das exportações
As exportações cresceram 4,1% no ano passado, mais que as importações (+2,3%), segundo Destatis, o que indica que a "queda das exportações aos países da União Europeia foi compensada com o aumento das exportações fora da Europa".
Contudo, o panorama é um pouco diferente em relação à demanda interna. O consumo das famílias, sustentado pela boa saúde do mercado de trabalho, aumentou 0,8% no ano passado, mas diante do aumento da incerteza os investimentos caíram fortemente, em particular nos bens de capital (-4,4%).
A chanceler alemã, Angela Merkel, grande defensora do saneamento das finanças públicas na zona do euro, também recebeu boas notícias sobre as contas públicas.
Esse resultado é explicado pelo bom comportamento do mercado de trabalho alemão, que beneficiou as receitas fiscais, e pelos esforços de consolidação orçamentária realizados por todos "os governos territoriais", disse o Ministério da Economia.
O déficit orçamentário do Estado é de 5,6 bilhões de euros, abaixo das previsões em 2012, de 22,5 bilhões, segundo o Ministério da Economia.
Por outro lado, a dívida pública do país aumentou, chegando a 81,7% do PIB contra 80,5% em 2011, muito superior ao limite de 60% fixado pelo Tratado de Maastricht.
No IstoÉ
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Expansão do Brasil gera debate sobre postura imperialista

Em sua trajetória de ascensão no cenário internacional, país encontra-se sob ameaça de desenvolver uma imagem neocolonialista em países da América Latina e África.
No início, os uruguaios ainda gostavam da cerveja brasileira. As filiais do Banco Itaú na capital Montevidéu tampouco eram um problema. Porém, em 2006, quando as firmas brasileiras passaram a comprar os armazéns frigoríficos do país, muitos ficaram desconfiados. De uma hora para outra o grosso dos negócios com a carne bovina, campeã de exportações do país, encontrava-se em mãos brasileiras.
Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul. E com cifras de impor respeito. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o total das exportações nacionais para o restante da América Latina e o Caribe saltou de 11,5 bilhões para 57 bilhões de dólares, entre 2002 e 2011. Isso situa a região como segundo mais importante mercado para o comércio externo brasileiro, depois da Ásia.
Admiração e rejeição
Porém os demais latino-americanos observam com ceticismo a ascensão econômica do país. "Em muitos aspectos, os países veem o Brasil com um olhar semelhante ao que a América do Sul tinha sobre os Estados Unidos", expõe Oliver Stünkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em entrevista à DW Brasil. "É uma mistura de admiração e rejeição."
Ex-presidente paraguaio Fernando Lugo
O clima político é especialmente tenso no Paraguai. A atitude brasileira após a posse do então presidente Fernando Lugo, em junho de 2012, ainda é encarada como uma intervenção descabida. "Quando o Brasil pressionou para que o Paraguai fosse suspenso do mercado comum Mercosul, voltou a aflorar o sentimento de que o país se comporta como uma potência colonial", explica Stünkel.
O ex-ministro brasileiro do Exterior Luiz Felipe Lampreia também classifica como uma gafe diplomática o comportamento de seu governo na época. "Essa decisão política despertou um grande mal-estar no Paraguai", admitiu em entrevista à DW.
No entanto, o diplomata considera absurda a acusação de que o Brasil estaria se comportando de forma colonialista. "Os brasileiros pagam impostos, exportam mercadorias e criam postos de trabalho, tanto no Paraguai como no Uruguai ou na Bolívia", contra-argumenta Lampreia.
África como alvo preferencial
Quer como amigo, quer como inimigo, a expansão econômica e política do Brasil segue a passos largos. A mineradora Vale S.A. pretende investir no exterior, até 2014, um total de 9,6 bilhões de dólares, em especial em países africanos como Moçambique, Angola e Zâmbia. Com 17 mil funcionários, a multinacional Odebrecht é a maior empregadora privada de Angola. E a semiestatal Petrobras explora petróleo em Angola e na Nigéria.
Chefes de Estado Lula (esq.) e
José Eduardo dos Santos, de Angola,
em 2010
A expansão brasileira no continente africano é fruto de uma intenção política. Lá, o gigante sul-americano está representado com, no mínimo, 37 embaixadas. E, ao oferecer créditos acessíveis, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também ajuda a financiar grandes projetos domésticos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os países ao sul do Saara mais de uma dezena de vezes durante seus dois mandatos, de 2003 a 2011. Também sua sucessora Dilma Rousseff segue apostando na cooperação sul-sul. Com resultados palpáveis: de 2000 até agora, o volume anual de negócios Brasil-África cresceu de 4,2 bilhões para mais de 20 bilhões de dólares.
Mais uma nação imperialista?
Entretanto também na África lusófona a expansão brasileira gera tensões. Em julho de 2010, manifestantes enfurecidos invadiram a mina de ferro da Vale S.A. na Guiné, por violações dos direitos dos trabalhadores. Também em Moçambique, no leste africano, pequenos agricultores protestaram no último ano contra a empresa mineradora, por desalojá-los, a fim de dar lugar à exploração de carvão mineral em Moatize.
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
"Em Moçambique, a relação da Vale com a população local é tão ruim que, para muitos, a atual imagem do Brasil é pior do que a de Portugal da época colonial", escreveu Carlos Tautz para O Globo. Se o governo não lembrar as firmas brasileiras do respeito às normas internacionais, no futuro o Brasil será percebido "como mais uma nação imperialista", advertiu o jornalista.
O professor Oliver Stünkel, contudo, não partilha essa opinião. "A reputação do Brasil na África é muito boa. Para o país, ainda se desenrola o tapete vermelho", afirma o perito econômico.
Astrid Prange de Oliveira (av)
No DW
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Israel assassinou Yasser Arafat, admite Shimon Peres

Yasser Arafat foi assassinado pelos sionistas de Israel. Shimon Peres, presidente de Israel, assumiu publicamente que o governo israelense é responsável pela morte do líder palestino
A notícia de que os sionistas são os responsáveis pela morte de Arafat foi dada por ninguém menos do que Shimon Peres, presidente de Israel. Na sexta feira, 11 de janeiro, dia em que a resistência palestina entrou numa nova fase de luta contra a ocupação – a das ações diretas não violentas para tentar retomar suas terras, roubadas pelas autoridades israelenses –, Peres veio a público revelar que sim, os sionistas assassinaram o líder palestino Yasser Arafat.
yasser arafat assassinado israel
AdicPresidente de Israel confessa que Yasser Arafat foi assassinado.
(Foto: AFP)ionar legenda
Mais surpreendente do que a confissão foi o silêncio dos governos do mundo em relação a ela. Não houve nenhuma condenação formal, nenhuma indignação expressa em discursos diplomáticos, nada. Nem mesmo os grandes partidos palestinos se pronunciaram oficialmente, ao menos até agora. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), chefiada durantes seus anos mais difíceis por Arafat, teve um fim de semana muito atarefado para emitir algum comunicado sobre o assunto: tentava convencer a União Europeia a trabalhar pelo fim imediato da ocupação militar israelense, depois que palestinos foram arrancados pela polícia sionista da vila de Bab Al-Shams, em seu próprio país.
Tem-se a impressão de que o assassinato da maior autoridade de uma nação pelo governo de um país estrangeiro é fato comum, sem nenhuma importância. Ou talvez os governantes do mundo não se tenham surpreendido com a confissão de Peres porque já sabiam do fato.
Mas exatamente por isso as condenações deveriam ser efetivas, como as sanções econômicas que o Conselho de Segurança da ONU gosta de impor a países escolhidos a dedo por sua independência em relação às políticas econômicas dominantes, gestadas em grandes centros financeiros mundiais, e à agenda das guerras: às drogas, ao narcotráfico, ao terrorismo, guerra sem fim. Todas destinadas a alimentar o caixa do complexo industrial militar do eixo Estados Unidos-Europa-Israel.
A confissão de Simon Peres não teve nem mesmo algum sinal de arrependimento pela trama sórdida que levou à morte de um ser humano. O presidente limitou-se a dizer que a decisão foi um erro estratégico por dois motivos: porque com Arafat era possível conversar e porque sua eliminação levou a uma situação “mais difícil e complexa”.
As declarações do presidente de Israel não teriam sido feitas, porém, se a rede de mídias Al-Jazeera, financiada pelo Qatar, não tivesse enviado para exame alguns pertences pessoais de Arafat. Realizado pelo Instituto de Radiofísica de Lausane, na Suíça, o exame revelou “uma elevada, inexplicável e insuportável quantidade de polônio 210 nos fluidos biológicos encontrados nos objetos pessoais do sr. Arafat”, como explicou François Bochud, diretor do instituto à Al-Jazeera. O polônio 210 é um elemento radioativo potente, capaz de matar em pouco tempo, e provoca os mesmos sintomas que Arafat começou a sentir em 25 de outubro de 2004. Em 11 de novembro, ele estava morto.
O programa que a Al-Jazeera levou ao ar em 3 de julho de 2012 rompeu o pacto de silêncio que havia em torno da morte do líder palestino. Por insistência de Suha, viúva de Arafat, seu corpo foi exumado por especialistas suíços e franceses em novembro do ano passado e amostras seguiram para análise. Os resultados confirmaram o envenenamento.
Esse fato, e as provas documentais de que Ariel Sharon, primeiro-ministro israelense à época da morte de Arafat, havia mandado assassiná-lo, trouxeram à tona aquilo que todo palestino já sabia e vem falando abertamente em conversas nas ruas, nas lojas, nos ônibus da Palestina. Faltavam apenas as provas, conseguidas agora, nove anos depois do crime.
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Dinheiro para compra e demolição do Museu do Índio custearia reforma, diz professor


Rio de Janeiro - O dinheiro investido na compra e na demolição do prédio do antigo Museu do Índio, na zona norte do Rio, que ultrapassa R$ 60 milhões, pagos pelo governo do estado, dava para investir na recuperação do imóvel. Atualmente ocupado por cerca de 20 índios, o local será esvaziado e demolido assim que o governo estadual tiver um mandado judicial.
“O governo esta comprando esse imóvel do governo federal para poder demoli-lo. Depois, vai pagar pela demolição. Ou seja, juntando essas duas quantias, é dinheiro suficiente para recuperar o imóvel, [a demolição] não faz sentido”, declarou o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Anderson Magalhães.
Segundo a Casa Civil do estado do Rio, foram pagos R$ 60 milhões pelo imóvel e estão previstos mais R$ 586 mil pela demolição, contratada pela Secretaria Estadual de Obras.
Na avaliação do professor, a desculpa do governo para justificar a demolição - de facilitar a mobilidade dos frequentadores do Estádio Jornalista Mario Filho, o Maracanã - encobre a intenção de construir um estacionamento no terreno.
“O argumento de que tem que demolir para dar vazão [aos torcedores] é furada”, disse Magalhães. “Digamos que essa é a desculpa escondida, porque o governo alega que precisa de espaço no solo para dispersão do público a pé. Mas os cálculos, dizem que não [que o prédio não atrapalha]”.
De acordo com o especialista, que fez um estudo sobre o escoamento dos torcedores para a Defensoria Pública da União (DPU) no Rio de Janeiro, é “tranquilamente” possível dispersar o  público “com folga” do estádio. Ele lembra  que a arena, que já recebeu 190 mil pessoas na final da Copa do Mundo de 1950, terá capacidade reduzida para 76 mil torcedores após a reforma, em maio.
A demolição do prédio pode ser decida a qualquer momento pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), que julga um recurso contrário à demolição apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. Na ação, o procurador alega que o imóvel tem valor inestimável e deveria ser protegido.
“O prédio tem solução, as paredes foram construídas com espessura grossa e nenhuma está abalada. As lajes se assentam sobre via metálicas, coisas bastante forte. Está tudo tranquilo, o que há é uma deterioração da cobertura e esquadrias”, descreveu Magalhães, sobre o prédio, em ruínas.
Perguntado sobre a decisão do  prefeito Eduardo Paes de autorizar a demolição do antigo Museu do Índio, contrariando parecer do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio, o arquiteto da UFRJ, diz que o que chama de “canetada” tem interesse políticos e é um contrassenso. Segundo ele,  mesmo sob pressão, o conselho “tomou uma decisão corajosa” de manter o prédio em pé.
“É uma afronta porque o conselho tem representantes de diversos  órgãos e entidades sérias, como o Instituto dos Arquitetos [do Brasil] e pessoas nomeadas pelo prefeito. Quando ele convida essas pessoas [para o conselho do patrimônio], está confiando na capacidade deles, não são técnicos recém-reformados, são pessoas com larga história na área de patrimônio”, criticou
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse hoje (15) que a decisão levou em conta o desenvolvimento no entorno do estádio e a melhoria no fluxo de pessoas. “Conselho é para aconselhar. No meu despacho, colocamos o dilema da preservação do prédio que tem algum valor histórico e o interesse da cidade. O chamado Museu do Índio é um espaço que nem preservado é”, argumentou.
Construído há 147 anos, o prédio do antigo Museu do Índio abrigou a sede do Serviço de Proteção ao Índio, antecessor da atual Fundação Nacional do Índio (Funai). De 1953 a 1977, o museu, criado pelo antropólogo Darcy Ribeiro, funcionou no local até ser transferido para outro bairro.
Isabela Vieira
No Agência Brasil
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Exemplo de manipulação da informação

O Globo está cada vez mais extremado em matéria de pensamento único. Continua inconformado com a decisão da Suprema Corte de Justiça da Venezuela confirmando que o Presidente Hugo Chávez não precisava tomar posse necessariamente no último dia 10. Mas é impressionante, o jornal da família Marinho a cada dia se supera em matéria de jornalismo ideologizado.
Para se ter uma ideia a que ponto chegaram os editores, na quinta-feira (10), página 28, apareceu uma foto de uma mulher cozinhando e a legenda dizia o seguinte: “Desabastecimento. Uma mulher cozinha sob a vigilância de um poster de Chávez - população já enfrenta problemas de escassez de produtos alimentícios na Venezuela”.
Seria uma legenda digna de humor ao estilo de O Pasquim se o texto não fosse criado de forma realmente séria. O sério virou ridículo
O Globo, claro, como impresso, tem o direito de fazer o que quiser, até mesmo em matéria de jornalismo de baixa qualidade, como tem demonstrado em suas edições diárias. Mas o que não pode ser aceito é transferir a manipulação da informação para os canais de televisão controlados pela família Marinho. E colocar, por exemplo, Arnaldo Jabor dando o recado do Instituto Millenium, para criticar de forma ignorante o Presidente Hugo Chávez, com o claro objetivo de demonizá-lo.
Televisão é uma concessão pública e não pode ser utilizada pelos proprietários para o esquema de lavagem cerebral, como acontece também diariamente nos informativos das emissoras da família Marinho.
O desespero das Organizações Globo em relação ao que acontece na Venezuela chega as raias do absurdo. Convocam os colunistas de sempre, que seguem a pauta do Departamento de Estado e do Instituto Millenium. Qualquer crítica ao que acontece em matéria de manipulação da informação é geralmente respondida, quando respondida, como restritiva à liberdade de imprensa e de expressão.
As Organizações Globo convocaram também figuras do espectro ideológico do grupo, como Ives Gandra e Ophir Cavalcanti, presidente da OAB, para criticar a decisão da Justiça da Venezuela.
E o governo de Dilma Rousseff também não foi poupado por sua posição admitindo que a Venezuela adotou uma solução democrática na questão da posse de Chávez.
Como se todo esse exemplo de jornalismo absolutamente parcial não bastasse, as Organizações Globo até anteciparam a morte do Presidente Hugo Chávez. Torcem visivelmente para que isso aconteça. E aí se perdem também, pois se Chávez incomoda vivo, morto vai ser incomodar ainda mais a direita carcomida.  
Mas detrás de tudo isso se esconde o fato de as Organizações Globo, o Departamento de Estado, os colunistas de sempre, regiamente pagos, e as oligarquias latino-americanas temerem um fato real, qual seja, o caráter irreversível da Revolução Bolivariana. Eis aí a causa principal do comportamento aético das Organizações Globo, ou seja, o temor que mesmo se Chávez não puder completar o novo mandato designado pelo povo, a Revolução Bolivariana continuará. Não tem mais volta.
A direita venezuelana, que continua jogando todas as suas cartas em Enrique Capriles, perde eleição e quer aproveitar a atual situação para ver se consegue reverter o fato histórico do novo tempo que representou a ascensão de Hugo Chávez.
E, como prova ainda da maior parcialidade das Organizações Globo, em um dos editoriais desesperadores, o jornal tenta comparar os acontecimentos atuais na Venezuela com um episódio ocorrido na vigência da ditadura no Brasil, quando o vice Pedro Aleixo foi impedido pelos militares de assumir no lugar do general de plantão Costa e Silva. O Globo conta com a falta de memória de parte dos seus leitores e omite o fato de que sempre apoiou a ditadura e, como diria Leonel Brizola, ”engordou na estufa da ditadura”.
Em relação ao que acontece em matéria de manipulação de informação nas emissoras de televisão e rádio das Organizações Globo, mais do que nunca é preciso que o Brasil retome a discussão sobre o controle social da mídia, para que a democracia avance neste país, porque, sem isso, não se pode afirmar que no Brasil a democracia é cem por cento.
Esse debate não pode ser jogado para debaixo do tapete, como querem as poucas famílias que controlam as emissoras de televisão do país.
Nesse sentido, espera-se que a Presidenta Dilma Rousseff siga o exemplo de Cristina Kirchner e aceite enfrentar a questão. Primeiro, a continuidade do debate amplo pela sociedade brasileira, por sinal já iniciado. Depois, um posicionamento do Congresso e, finalmente, vontade política do Executivo para não evitar que haja avanço no setor.
Resta saber o que pensa sobre o tema o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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