13 de jan de 2013

Imagem da oposição a Chávez

 
A imagem do opositor de Chávez é por demais emblemática. Prescinde de maiores conhecimentos semióticos. Está tudo aí. Quem faz a cabeça? Os óculos escuros, que funciona como tapa-olhos iguais aos cavalos que puxam carroça nas ruas, a boca de tapado e não tapada, já que não impede de falar, mas apenas para passar recado que já vem escrito e, por isso dispensa o cérebro. Por fim, entalado na garganta, o nome de quem deu um golpe que conduziu Pedro Carmona a ocupar o poder da Venezuela por dois dias. Tempo suficiente para fechar o Congresso e a Suprema Corte e, de lambuja, receber o reconhecimento dos EUA em tempo recorde.
Quem conhece o mundo pela Veja não precisa pensar, mas também não consegue ver. Como o tapado da foto.
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Sociedade merdiática

O ruído destemperado é o alfa e o ómega do espectáculo. Nos últimos dias, talvez premonitoriamente, o debate público, o debate dos poucos que vão escrevendo sobre isto, e isto é o Portugal troikado, concentrou-se em fait-divers descoroçoantes, com direito a uma entrevista digna de uma sessão espírita macarthista. O Portugal de agora é um país falho, gasto, arruinado, moralmente esgotado, politicamente falido. Um país que se entretém com o nada enquanto os pobres de espírito e pecúlio esgatanham à procura do emprego inexistente. Estes não-tópicos de debate pouco ou nada me interessam. Como dizia o Samuel numa posta na rede social especificamente votada à perseguição de sofá, o facebook, vivemos numa sociedade merdiática. Tristes tempos estes, em que o panorama noticioso é ocupado pela sanha persecutória espectacular em detrimento do desnudamento do Poder. De facto, o jornalismo contemporâneo é o expoente máximo da mentira organizada. Em nome do Poder.
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O que acabou continua

Nem a permanência de Celso de Mello no STF garante a inexistência de suspense na Ação Penal 470
Com a provável aposentadoria voluntária do ministro Celso de Mello já nos primeiros meses deste ano, a Ação Penal 470 volta a prometer muito mais suspense do que o esperado para sua etapa final. E com muito maior abertura para novidades do que admitiram, até aqui, os convictos de que "o julgamento está encerrado e nada mais se altera nele".
No ano a decorrer ainda com a tramitação da 470, segundo prevê o procurador-geral Roberto Gurgel, o desejo de Celso de Mello resultaria em três votos novos entre os ministros do Supremo Tribunal Federal. O primeiro deles, com a revelação de suas tendências jurídicas, depende apenas de tornar-se público: o ministro Teori Zavascki já está empossado, embora ainda silencioso, no tribunal.
A vaga já existente, com a aposentadoria compulsória de Carlos Ayres Britto, permanece em razão de uma surpresa feita por Dilma Rousseff. Seu comentário de que a demora das substituições dá oportunidade à ação dos pedintes e lobistas de candidatos, como se deu antes da nomeação de Luiz Fux, insinuava o rápido preenchimento do lugar de Ayres Britto.
Aqui mesmo registrei a esperada presteza da nomeação, no entanto não confirmada sem nenhum motivo conhecido para isso. Mas não deverá tardar quando encerrado o recesso do Judiciário, em fevereiro, porque prejudica o funcionamento do tribunal.
Por fim, haveria a nomeação do substituto de Celso de Mello, se ele confirmar o desejo de encerrar a carreira iniciada com sua nomeação pelo então presidente Sarney, por indicação do consultor-geral da República à época, o jurista Saulo Ramos, do qual era assessor.
É notório que poucas votações, no julgamento da 470, deram-se sem caracterizar duas tendências muito nítidas no tribunal. Houve até empates, quando eram dez ministros, e decisões por diferença de um voto, quando eram nove. Bastará que um dos novos ministros, em certas questões, ou dois se mostrem juízes mais rígidos, na exigência de segurança das razões para o seu voto, e a corrente quase sempre derrotada pode tornar-se maioria. Possibilidade bastante para que Celso de Mello seja pressionado a desistir da sua manifesta vontade de aposentar-se em futuro próximo.
Mas nem a permanência de Celso de Mello, o produtor de socorros teóricos para muitas condenações, garante a inexistência de suspense e novidades. Três novos as tornam quase inevitáveis em vários quesitos, mas dois já as tornam prováveis.
MOITA
O que mais interessa na entrevista do procurador-geral, Roberto Gurgel, à Folha, é o motivo que o levou a querer dá-la. Ele já dissera que "o mensalão era muito maior" do que o julgado pelo STF. Também quase todo o restante foi, digamos, entrevista de reiterações. Mas o motivo indeclarado pode ser novo.
CRIMINAL
A Agência Nacional de Saúde (ANS) e o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar cometem um insulto a 48,7 milhões de brasileiros, ao designá-los como "beneficiários de planos de saúde". Beneficiários são os planos, que recebem e têm lucros. Os 48,7 milhões pagam. São pagadores e nem se pode dizer que sejam clientes: pagam e, apesar fazê-lo, a tal agência, quando desperta de sua distração, suspende 225 planos de saúde por maus ou irrealizados atendimentos. São casos de estelionato judicialmente impune. Com a colaboração da ANS, ou os planos condenados não chegariam ao número absurdo de 225.
Janio de Freitas
No fAlha
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Será que Batman e Robin dormiam na mesma cama?

Nos anos 30, reagindo a uma onda de protestos contra a “licenciosidade” nos filmes de Hollywood, a indústria cinematográfica americana criou um código determinando o que o público podia e não podia ver na tela. Nudez nem pensar, beijo de boca aberta esquece, sexo só sugerido e assim mesmo dentro de certos limites específicos.
Homem e mulher, mesmo casados, não podiam aparecer na mesma cama. Durante os anos de vigência do código puritano, cama de casal, e tudo que ela implicava, era proibida, a não ser que fosse ocupada por uma só pessoa.
Com uma exceção, como sacou o Ruy Castro numa das suas colunas recentes na “Folha”: o Gordo e o Magro. Há várias cenas nos filmes do Gordo e o Magro em que os dois dormem juntos na mesma cama de casal — isso quando o sono não é interrompido por um fantasma ou uma briga pelo cobertor.
E ninguém, que se saiba, jamais protestou contra os dois homens numa cama só. Talvez porque a ideia do Gordo e o Magro fazendo sexo não tenha ocorrido nem à mente mais suja ou mais puritana. Ou talvez se concedesse a uma dupla humorística, cujo fato de ser inseparável fazia parte da sua graça, uma licença que outros casais da tela não tinham.
O curioso é que justamente nessa fase em que o puritanismo reinou, alerta contra qualquer alusão sexual, por menos explícita que fosse, ninguém prestava atenção, por exemplo, no estranho relacionamento do Batman com o Robin.
Nunca se soube se os dois dormiam juntos, mas essa seria uma especulação natural numa época tão fixada em sexo e seus subterfúgios.
Mas só se começou a fazer este tipo de interpretação — o Zorro e o Tonto representando o colonialismo branco e a submissão do índio, mas certamente dormindo agarradinhos no frio das planícies — tempos depois, quando o ridículo código já tinha acabado, e as camas de casal podiam ser ocupadas por três ou quatro de sexos diferentes.
Mas entende-se. O puritanismo é uma espécie de inocência. Concentra-se tanto no rabo do vizinho que não vê mais nada.
Luis Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 1646

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