8 de jan de 2013

@pereio1: A maior trollagem de todos os tempos do Twitter?

E a grande polêmica no Twitter é o recém desativado (não se sabe por quanto tempo) perfil @Pereio1 . Ele foi o que mais brilhou em 2012. Disse o que quis e bem entendeu. Botou a boca no trombone, sem censura e sem juízo. Falou o que todo mundo queria e não tinha coragem. Foi bravo, foi o herói da vez. Sobretudo à época do julgamento do Mensalão pelo STF. Desacatou, esbravejou, vociferou. Audacioso, corajoso, estrepitoso, feroz, audaz, sagaz. Encantador!
Falou, disse e escreveu não leu o pau comeu! Enfim, a TL de @Pereio1 brilhou como superstar do microblog de 140 caracteres. A ponto de ser levantada uma proposição para um prêmio na rede ao @Pereio1 de “Melhor Twitter 2012″.
Mas eis que, meus amores, no auge desse entusiasmo e euforia, quando todos já apoiavam a ideia, num verdadeiro “fã-clube de @Pereio1″ espontaneamente formado, deu-se a ducha gelada: O perfil Pereio1 não era o Paulo Cesar Pereio. Era um fake fazendo-se passar por ele!
Até que começaram as postagens preocupantes… O perfil @roteirodecinema, na verdade o Fernando Marés, que tem o telefone do Pereio, teria ligado perguntando e ele negara tudo. E mais: dissera que está revoltado com o que ouviu que disseram que ele disse!
Ai que babado! Este sim é o verdadeiro Tuitaço, aço, aço…
O perfil @ZehdeAbreu, amigo de fé irmão camarada do Paulo César Pereio, veio endossar a afirmação dizendo que seria inimaginável o Pereio real passar horas do dia diante de uma tela de computador.
Há quem estranhe essa reviravolta e a classifique como “a maior trollagem de todos os tempos do Twitter”. Até porque há registros (pelo menos de memória) de diálogos de @ZehdeAbreu com @Pereio1.
Há também quem especule que Pereio, o real, esteja sofrendo algum tipo de pressão devido a alguma postagem feita…
Mas no mundo virtual tudo é virtualidade, o real pode ser fantasia, somos só o eventual, o medo nos reduz ao nada, o sonho é o real…
Daí que, para encerrar este capítulo, Pereio Zero, isto é, o Pereio Real, fez-se fotografar com um cartaz, que eu aqui publico para vocês, colocando um ponto final nas especulações e pondo uma pá de cal em @Pereio1…
pereio 
Paulo Cesar Pereio, o Real, nega que ele seja @Pereio!, e só nos resta acreditar!
Hildegard Angel
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FHC, construtor de uma ‘realidade irreal’

 
FHC, construtor de uma ‘realidade irreal’, enganou a opinião pública por mais de 40 anos. Fingiu ter sido preso de cassado. Na última entrevista de 2012, mais falsidade.
Sobre alguns desses fatos escrevi fartamente nos 8 anos em que FHC foi presidente. Outros são inteiramente novos, extraídos dessa entrevista falsa, absurda, ridícula, indigna de um ex-presidente, mesmo sendo ele.
Durante toda a ditadura, FHC foi complacente com ela, complacente e envergonhado, constrangido, fervoroso participante da condição de “cassado que se manteve com todos os direitos”. Por várias vezes, com ele no Poder, desafiei-o a exibir o ato de cassação. O ato e a data.
Viajava para o Chile onde estavam amigos verdadeiramente cassados. Quando o Chile foi vítima do ditador-perseguidor-torturador Pinochet, passou a ir para Paris, ficando na casa de um amigo intelectual, verdadeiramente exilado.
Fui conselheiro da ABI (a pedido de Barbosa Lima Sobrinho) por 18 anos. Quando o grande jornalista foi embora, saí também. Um dia, o secretário-geral da ABI, jornalista Mauricio Azedo (hoje, excelente presidente), lia um ofício que seria enviado ao presidente FHC, pedi um aparte e contestei o ofício, dizendo que a ABI não podia se dirigir a FHC naqueles termos. Justifiquei as restrições. Democraticamente, Azedo colocou em votação o envio do ofício, foi amplamente recusado, a história da ABI ficou imune e intocável.
FHC, o único cassado que
disputou eleição na ditadura
O tempo correu, em 1978 o próprio FHC se encarregou de comprovar os fatos, desmoralizar a sua “verdade” sem corroboração (termo policial) e sem constrangimento. Em plena ditadura, se lançou candidato a senador, em chapa com Franco Montoro. Este teve 3 milhões de votos, FHC não chegou a 10 por cento. Mas por falha da legislação, ficou como suplente, começando a carreira política, surpreendentemente chegando a presidente.
Nesse mesmo 1978, dois episódios que provam a falsidade e a falsificação de FHC. José Serra, com quem só falei uma vez, num momento doloroso, se lançou candidato a deputado estadual, por SP. Foi vetado, a explicação: “Ainda estava cassado”. E a aprovação de FHC, tinha que base e justificativa?
Nesse mesmo 1978, o meu partido (MDB) tentou lançar minha candidatura ao Senado. Em 1966 fui cassado por 10 anos, o que deveria terminar logicamente em 1976. Resposta do ministro Gama e Silva: “Agora a cassação não é mais por 10 anos, é para toda a vida”.
Quase no fim da ditadura, apavorado, Gama e Silva enganou também os generais ditadores, pediu para ser embaixador. Como era monoglota, foi para Portugal.
O suplente que chegou a presidente
Em 1982, Montoro se elegeu governador, FHC assumiu a suplência, se transformou em titular. Em 1986 acaba o mandato (?), precisava se reeleger. Fez então todas as patifarias político-eleitorais. Apoiou Maluf, candidato a governador, e Antonio Ermírio de Moraes (também candidato), desde que não lançassem nomes para o Senado. O de Maluf era esse José Maria Marin (que já fora governador), o de Ermírio era o maior amigo de FHC, retirado. Ficaram então só ele e Covas, eleitos cada um com 3 milhões de votos. Mas não elegeram o governador. Orestes Quércia, que não tinha relações com eles, era invencível, ganhou.
Manobrou e manipulou o ingênuo Itamar, que ficara no lugar de Collor. Ganhou 2 ministérios, foi lançado presidenciável contra Lula em 1994. Mas não acreditava que fosse eleito, reduziu para 4 anos o mandato que era de 5. Lógico, quem acreditava na vitória não reduziria o mandato. Principalmente FHC, que na primeira oportunidade rasgou a Constituição (perdão, comprou) para se reeleger, fato único na História republicana.
Tentando se comparar com Marx, teve um filho com uma doméstica (hoje funcionária do Senado), mas Marx era Marx, único e indiscutível. FHC deveria ter sido julgado pelo Supremo ou investigado por CPI. Em dois episódios gravíssimos: 1 – Toda a Comissão de Desestatização, barbaramente enriquecida. 2 – O mensalão que possibilitou a reeleição de FHC. O dinheiro era entregue de uma vez só, imaginem quanto custou o voto de 513 deputados e 81 senadores, pelo menos a maioria.
A “compra” da Vale e dezenas de empresas se deu pelo “valor de face”. Que geralmente era de 5 cruzeiros, mas no mercado “valiam” míseros 10 centavos.
As duas últimas entrevistas
Uma para jornal impresso, outra para televisão. Na primeira, perguntaram se “estava namorando”, hesitou. O repórter insistiu, respondeu: “Estou, mas é ridículo estar namorando aos 82 anos”. Nada a contestar, FHC se definiu com inteira propriedade.
Quem FHC levaria, homem e
mulher, para uma ilha deserta
Na segunda entrevista, na televisão, novamente ridículo, com aquelas perguntas tolas e idiotas, com mais de 50 anos de existência e repetição. Por exemplo:
“Com quem o senhor gostaria de ir para uma ilha deserta?”. A resposta deveria ser logicamente uma mulher. A bobagem da pergunta, exatamente igual à bobagem da resposta.
Seguindo no mesmo rumo, qual o “intelectual” que levaria para conversar também numa ilha deserta. Escolheu e indicou José Sarney, tentou explicar mas nem precisava.
Ivan Lessa e Millôr Fernandes
Na televisão, um dos entrevistadores arriscou ou afirmou: “Nesse ano de 2012, o senhor perdeu dois grandes amigos, Ivan Lessa e Millôr Fernandes. Como senhor se sentiu?”
Estavam mortos, FHC não teve a menor hesitação, “chutou” para valer. Sobre Ivan: “Não era amigo dele, o relacionamento não era profundo, mas estive com ele várias vezes”.
A verdade indiscutível e indestrutível: nunca esteve com Ivan Lessa. Nos tempos do Pasquim, Ivan não ia a Brasília, FHC não vinha ao Rio. E quando vinha ficava bem longe do Pasquim, amaldiçoado pela ditadura.
Depois do Pasquim, enojado, Lessa foi para Londres, onde morou e trabalhou na BBC, mantendo a colaboração com o Pasquim. Veio uma vez ao Brasil, mas não foi para conversar com FHC. Alguém me diz que foram duas viagens, não confirmei, mas publico.
Com Millôr Fernandes, a mesma pergunta, e a resposta de FHC: “Estive com o Millôr várias vezes, entendia e respeitava suas críticas ao meu governo”. Impressionante a capacidade de inventar ou falsear fatos.
A verdade: jamais falou com o Millôr, frustração total. Um dia, pediu ao jornalista Rodolfo Fernandes, com quem mantinha relacionamento jornalístico: “Pergunte ao seu tio Millôr se ele aceita almoçar ou jantar comigo no Alvorada. Se ele aceitar, telefone para ele”.
Rodolfo perguntou ao Millôr, este nem hesitou: “Não, Rodolfo, como presidente, de jeito algum. Quando ele deixar o governo, podemos examinar novamente a questão”. O Millôr era assim e não mudava.
PS – Tudo o que está escrito aqui é rigorosamente verdadeiro. Os fatos políticos são públicos e notórios, as datas, conhecidíssimas. O resto, conto como personagem e como o maior opositor, por 8 anos seguidos, do precário e medíocre (e também corrupto) governo FHC.
Helio Fernandes
No Olhos do Sertão
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Dia do Fotógrafo

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Serra não vai sair do PSDB. E quer a Presidência

Saiu na Folha:

Serra avalia deixar o PSDB para disputar a Presidência

"Cerra" pode deixar o PSDB por 2014.
Ele se queixa do isolamento dentro do PSDB e não descarta deixar o partido para viabilizar sua candidatura à Presidência em 2014.
Ele fundaria uma nova legenda com Roberto Freire, o campeão de votos que preside o PPS, o partido comunista que se converteu à Carta de Vinhos do FHC.
Freire reconhece que "Cerra" sonha com a Presidência:
“Serra continua ativo”, ele disse.
Como é que ele sabe?
O Conversa Afiada torce entusiasticamente para que isso aconteça.
Assim, a Dilma abateria dois tucanos de uma cajadada só, em 2014: Aécio pelo PSDB e "Cerra" pelo Partido Comunista do Roberto Freire.
Só que, lamentavelmente, isso não vai acontecer.
O Aécio, como se sabe, não passa de Juiz de Fora.
E não tem o PiG nem a grana do "Cerra".
Assim, os tucanos terão que decidir entre o "Cerra" e o Luciano Huck.
Numa chapa só.
Quem vai na cabeça… isso a Globo escolhe.
Em tempo: Ronaldo, o Fenômeno, está fora de cogitações, embora participasse do brain-storm no apartamento do Aécio (no Rio). (Clique aqui para ler “FHC agora é o guru do Aécio”.) Ronaldo vai estudar Propaganda e Marketing em Londres e, assim, provisoriamente, desfalca a equipe tucana para 2014. Já imaginaram a chapa Luciano-Ronaldo?
Em tempo2: na mesma Folha, Alckmin desmente que tenha convidado "Cerra" para ser Ministro da Saúde. Foi um pedido do PiG a Papai Noel e mais nada.
Paulo Henrique Amorim
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Carta de Antonio Candido a Genoino

S. Paulo, 31.12.12
Prezado companheiro José Genoino
Neste último dia de um ano tão tormentoso, quero dizer-lhe que tenho pensado muito em ti e
na rede de destino que o colheu de maneira tão injusta. No entanto, todos os que o conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida quanto à sua integridade de caráter e quanto à limpidez de sua trajetória de vida. Entre eles estou eu, admirador que sempre o considerou um militante exemplo pela sua dignidade, a coragem e a lucidez, bem como pela clarividência na evolução ideológica, registrada em livro que li faz anos e é notável como prova de percepção política.
Com os melhores votos, receba a expressão do constante apreço e o abraço cordial de
Antonio Candido
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O fim do mensalão

O retorno de José Genoino à Câmara dos Deputados é sintoma de uma bizarra compulsão de seu partido em relação ao chamado mensalão.
É compreensível levantar discussões sobre a extensão e a profundidade das penas, assim como sobre a necessidade de punir com o mesmo rigor a vertente tucana do escândalo. Não é aceitável, porém, agir como se nada tivesse ocorrido, como se o julgamento fosse simplesmente um complô urdido contra a esquerda brasileira.
Ao afirmar que os condenados no mensalão não seriam desligados do partido, ao aceitar organizar uma contribuição para auxiliar tais condenados a pagarem as multas aplicadas pelo STF e, agora, ao achar normal que alguém condenado em última instância assuma uma vaga no Congresso, o PT age como um avestruz que coloca a cabeça na terra e erra de maneira imperdoável.
O mínimo a ser feito depois do julgamento era apresentar uma autocrítica severa para a opinião pública. Tal autocrítica não deveria ser apenas moral, embora ela fosse absolutamente necessária.
Ela deveria ser também política, pois se trata de compreender como o maior partido de esquerda do Brasil aceitou, em prol do flerte com as práticas mais arcaicas de "construção da governabilidade", esvaziar completamente as pautas de transformação política do Estado e de aprofundamento de mecanismos de democracia direta.
Desde que subiu ao poder federal, planos interessantes, como o orçamento participativo, sumiram até mesmo da esfera municipal do PT, o que dirá a discussão a respeito da superação dos impasses da democracia parlamentar.
No seu lugar, setores do partido acharam que poderiam administrar a política brasileira com os mesmos expedientes de sempre e, ainda assim, saírem ilesos. Agora, mostram-se surpresos com o STF.
Para que todos não paguem por isso diante da opinião pública, há de se dizer claramente que não é a esquerda brasileira que foi julgada no mensalão, mas um setor que acreditou, com uma ingenuidade impressionante, poder abandonar a construção de novas práticas políticas sem, com isso, se transformar paulatinamente na imagem invertida daquilo que sempre criticaram.
Se uma autocrítica fosse feita, o Brasil poderia esperar que certos atores políticos começassem, enfim, uma reflexão sobre a necessidade do aprofundamento da participação popular como arma contra a corrupção do poder.
Ao que parece, no entanto, precisaremos de muito mais escândalos para que tal pauta seja, um dia, colocada em cena.
Vladimir Safatle
No fAlha
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Barrigada da Cantanhêde! Outra!

A reunião de "emergência" do setor elétrico que motivou a manchetona da Folha desta segunda-feira era apenas 124ª reunião ordinária já prevista no calendário anual de 2013 desde o ano passado. Eita jornalismo abestado!
A manchete da Folha de ontem [7/1]:
• "ESCASSEZ DE LUZ FAZ DILMA CONVOCAR SETOR ELÉTRICO"
O texto da Folha:
• "Reunião de emergência...
• "riscos de racionamento...
• "acende o sinal amarelo...
• "Participantes tiveram que cancelar agendas...
• "Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã [dia 9], em Brasília...
• "A reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que a presidirá...
• "estarão presentes ao encontro de quarta-feira os integrantes do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico)...
O informe do portal do Ministério de Minas e Energia:
• "CMSE FAZ REUNIÃO ORDINÁRIA DE AVALIAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO"
O texto do Ministério:
• " O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realizará, na próxima quarta-feira, 09 de janeiro de 2013, a partir das 14h30, sua 124ª reunião ordinária...
• "reunião, prevista no Calendário Anual do Comitê, aprovado pelo Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na reunião de dezembro de 2012...
• "Segue abaixo o calendário das reuniões ordinárias do CMSE no ano de 2013:
MÊS DIA
Janeiro 09
Fevereiro 06
Março 06
Abril 03
Maio 08
Junho 05
Julho 03
Agosto 07
Setembro 04
Outubro 02
Novembro 06
Dezembro 04
Augusto Ferreira
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Moralismo ajuda a esconder a lei

Os ataques a José Genoíno chegaram a um ponto escandaloso e inaceitável.
Vários observadores se colocam no direito de fazer uma distinção curiosa. Dizem que a decisão de Genoíno em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas é imoral.
Me desculpem. Mas é uma postura de ditadorzinho, que leva a situações perigosas e inspira atos violentos. Também permite decisões arbitrárias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso é imoral.
Não surpreende que essa visão tenha produzido grandes tragédias, na história e na vida cotidiana.
Isso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.
Você pode achar que aquele livro sobre não sei quantos tons de cinza é uma obra imoral mas não pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de expressão como um valor absoluto.
Para ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi às aulas de mini saia muito mini também se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral. Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.
Para começar, quem acha muita imoralidade da parte de Genoíno deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indignação.
Em seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais alta corte do país, tenta licença para processar governadores e não consegue avançar na investigação. Não consegue nem apurar as acusações que o STJ considera sérias.
Por que? Porque as Assembleias Legislativas não autorizam. Curiosidade: não há ”petistas aparelhados” envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco são tucanos e um é do PMDB. Quantos são imorais nesse time? E os ilegais? Vai saber.
O que está em jogo, nos Estados? O princípio do artigo 55 da Constituição, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassação (ou não) de deputados e senadores. São os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo – e apenas eles.
Mas é curioso que ninguém fala em imoralidade neste caso.
Pergunto: cadê o abaixo assinado, uma denúncia contra “esse políticos” ? Cadê as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde estão os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da “imagem” dos políticos?
Será que voltamos (ou nunca saímos?) à lógica dos dois mensalões, o do PT e o do PSDB-MG?
A Constituição reconhece os três poderes e não reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.
E aí cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investigação sobre governadores, por que o Congresso não tem o direito de decidir, como manda a Constituição, o destino de quatro deputados? Há uma diferença de princípio, uma visão de mundo?
Ou é a velha paróquia política do país ?
No caso dos governadores e deputados, a preferência é tão descarada que nem se abre uma investigação. Não vamos julgar e depois absolver. Não. Nem se começa o jogo. Não custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado só pode ser cassado por decisão do Congresso. Não é interpretação. Não é princípio genérico.
É texto da lei. É tão claro como dizer que o Brasil não pode fabricar bomba atômica. Ou que o racismo é crime e é inafiançável. Ou que a licença-maternidade deve durar quatro meses.
O jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa é um dos elementos básicos da separação entre os poderes, definição que separa a República da Monarquia.
Embora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados à Constituição do Império – entre outros traços típicos, ela tratava os escravos como coisas – desde 1899 o país vive sob um regime republicano. O retorno à monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?
Teve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o país, na esperança de que algum fantasma do passado contribuísse para melhorar o marketing eleitoral da monarquia.
Mas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensalão. Muitos juristas – os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa — consideram que foi uma decisão que atravessou essa divisão entre poderes.
Num plenário que em situações normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo explícito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decisão.
Em qualquer caso, não custa lembrar que, como está estabelecido, a Constituição só pode ser modificada por uma emenda constitucional, com o voto de dois terços – e não maioria simples – dos parlamentares, que são os representantes eleitos do povo. Não é debate moral. É determinação legal.
Por que ela diz isso? Porque esse artigo 55 é coerente com o artigo 1, aquele que diz que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”
Uma decisão do Supremo deve ser cumprida e tem força de lei, diz o Ministro da Justiça.
Mas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferença clamorosa, uma contradição com a própria Constituição?
Não é possível ser simplório nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista.
Seria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Benário por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.
Em 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presidência da República ficara vaga depois que Jango deixou o país e deu posse à ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?
Em 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que só o Congresso poderia modificar a Lei de Anistia. Com isso, as investigações sobre torturas e execuções perderam uma base legal importante.
Pergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas operações esculacho, e não se rendem a uma decisão que – sem entrar no debate se correta ou não – envolve uma opção pela impunidade?
Vamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela não estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que é legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repressão, até sem base legal).
Mais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os responsáveis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constituição diz que a tortura não é passível de anistia ou graça?
Os 7 a 2 do Supremo deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?
Queremos a Submissão à autoridade, título de um livro antológico sobre técnicas de tortura?
Colocar a questão moral à frente da legal só ajuda a despolitizar um debate, a encobrir questões sérias e a impedir uma avaliação consciente do que está em jogo. No saldo, quem perde é a democracia.
Quando Genoíno se diz com a “consciência limpa dos inocentes” deveríamos dedicar alguns minutos de reflexão ao assunto.
Você pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sessões do julgamento, achar que ele é mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.
Mas você poderia pensar o contrário.
A grande acusação é que ele assinou “empréstimos fraudulentos” que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos comentários de sabichões que frequentam o rádio e a TV.
Mas: veja só. A própria Polícia Federal, que investigou o caso e as contas do mensalão, concluiu que os empréstimos não eram uma fraude. Em seu relatório, a PF diz que os empréstimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT. A Justiça, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empréstimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?
Em todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?
O que houve com quem referendou o acordo? Alguém foi punido por ser ilegal? Ou não se julgou moralmente conveniente?
Muitos ministros condenaram Genoíno porque “não era plausível” que ele “não soubesse” do que eles dizem sobre o que seria o “maior escândalo da história.” Uniram o papel político óbvio de Genoíno no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na “compra de votos” no Congresso. Não conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.
Enquanto não se provar que Genoíno cometeu uma ilegalidade, estamos, mais uma vez, numa visão moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribuição de atitudes e valores, mas não consegue reunir provas robustas – indispensáveis no direito penal — para sustentar o que diz.
O que é imoral, neste caso?
Embora o Supremo tenha condenado Genoíno, a lei dá ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso está encerrado. Junto com a liberdade, é a história de uma vida que está em jogo.
Ao contrário do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei não lhe dá essa possibilidade por acaso. O necessário, para o esclarecimento de qualquer dúvida, de qualquer ponto de vista, é que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso é preservando seu mandato.
Vou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da Câmara. E vou adorar ouvir os argumentos contrários.
Será uma grande novidade. Em sete anos de investigações, o mensalão transformou-se no discurso de um lado só, uma única voz, uma única verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que dúvidas importantes, sobre Genoíno e sobre o mensalão, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extraídos do Banco do Brasil. Não há sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as agências de Marcos Valério. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.
É por isso que o Congresso tem razão em debater suas prerrogativas e nossos moralistas de plantão erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a platéia. Se o artigo 55 não foi abolido – o que só os parlamentares tem o direito de fazer – é mais do que razoável que sua aplicação seja discutida. Um pouquinho de história, para quem tem a memória selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensalão Congresso não moveu um dedo mínimo para atrapalhar a investigação. Tampouco cometeu qualquer gesto em direção ao STF que pudesse ser interpretado como ação indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribuições de cada um. E é natural que queira ser respeitado, agora.
O ministro que decidiu a votação por 5 a 4 teve um voto oposto, em situação muito parecida.
Juízes não são obrigados a votar de modo identico a vida inteira.
Mas a democracia é um regime coerente.
Por isso a Constituição diz que o povo exerce o poder através de seus representantes eleitos. Esta frase não é enfeite, certo? O voto da maioria da população é o começo e o fim de tudo.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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EE.UU. posee arma para producir tsunamis

Archivos militares confidenciales de Estados Unidos hablan del "Proyecto Foca", que durante la II Guerra Mundial buscaba crear una alternativa a la bomba atómica, con un arma que pudiera generar tsunamis para barrer localidades costeras.
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Noblat e os golpistas da Venezuela

A mídia colonizada torceu pela morte de Hugo Chávez antes das eleições presidenciais de outubro passado. Frustrada, ela apostou na vitória do ricaço Henrique Capriles, mas também se deu mal. Na sequência, ela previu que o chavismo seria derrotado nas eleições locais de dezembro, mas os partidários da “revolução bolivariana” venceram em 20 dos 23 estados. Agora, ela volta a torcer pela morte de Chávez, que se trata de um câncer em Cuba. Um dos mais histéricos neste coro macabro é Ricardo Noblat, do jornal O Globo.
Em seu blog hoje, ele afirma que “tem golpe em marcha na Venezuela”. Noblat garante que Hugo Chávez já era! “São aparelhos que ainda o mantém vivo. A hipótese de sua recuperação é remota. Só cogitam dela os que acreditam em milagres”, afirma o colunista, talvez com base em informes do serviço secreto dos EUA. Metido a constitucionalista desde o julgamento do “mensalão petista”, Noblat prega, então, que sejam convocadas novas eleições presidenciais no país vizinho. “É o que manda a Constituição”, esbraveja.
A Constituição da Venezuela, uma das mais democráticas do mundo – que prevê até referendo revogatório do mandato presidencial –, afirma que na “impossibilidade” de posse do mandatário, novas eleições deverão ser convocadas num prazo de 30 dias pelo Congresso Nacional. Os chavistas informam que o líder bolivariano está em recuperação e que nada impede que a sua posse seja adiada por alguns dias. A própria oposição direitista já admite o adiamento. Noblat, porém, não concorda. É mais realista do que o rei.
Para o serviçal da família Marinho, Chávez é um “presidente que governa como ditador” e um “ditador que governa como presidente”. Daí sua torcida macabra. “Chávez estaria destinado a se eternizar na presidência se não fosse o câncer descoberto em meados do ano passado”. Por isto ele exige que a posse deve ocorrer na próxima quinta-feira, dia 10. Caso contrário, garante, estará em marcha “um golpe na Venezuela”, que “nada tem a ver com a oposição. Que é fraca, fraquinha, e sem imaginação. Como a nossa”.
A “revolução bolivariana” já enfrentou e derrotou vários “golpes midiáticos” – como o de abril de 2002 e o locaute patronal de 2003. Hugo Chávez foi eleito e reeleito com consagradoras votações. Mesmo assim, Ricardo Noblat e outros “calunistas” amestrados da mídia colonizada insistem em chamá-lo de “ditador” e “caudilho”. Agora, o serviçal da famiglia Marinho acusa os chavistas de golpistas. Haja “imaginação”. Na falta de votos para as suas teses elitistas, a mídia golpista torce pelo câncer.
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Gobierno venezolano da informe sobre salud de Chávez

El Gobierno de Venezuela informó que el presidente Hugo Chávez se encuentra en "situación estacionaria" con respecto al último boletín informativo que daba parte de una insuficiencia respiratoria detectada tras la operación del 11 de diciembre. El ministro de Comunicación e Información, Ernesto Villegas, indicó que el tratamiento que sigue el mandatario venezolano "viene siendo aplicado en manera permanente y rigurosa" por el equipo médico que lo atiende en La Habana, Cuba y que el paciente lo está asimilando.
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A Musa da Febre Amarela agora quer ser a Musa do Apagão?

Os boatos sobre o apagão de energia


Na Folha de ontem, a jornalista Eliana Cantanhede forneceu a manchete, ao anunciar uma reunião de emergência do setor elétrico. Segundo a matéria, “a reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão”.
“Dirigentes de órgãos do setor tiveram que cancelar compromissos para comparecer”, dizia a matéria. Mais: “Dez dias depois de dizer que é "ridículo" falar em racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã, em Brasília.
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Segundo a jornalista, “oficialmente, estarão presentes ao encontro de quarta-feira os integrantes do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), que é presidido pelo ministro das Minas e Energia e é convocado, por exemplo, quando há apagões de grandes proporções, como ocorreu mais de uma vez em 2012”.
Existe um órgão denominado de Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que reúne-se mensalmente para analisar o setor. Participam da reunião o Ministro, o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Agência Nacional de Águas (ANA), entre outras.
As reuniões são mensais e agenda do ano é definida sempre no mês de dezembro do ano anterior. Portanto, desde o mês passado a tal reunião “extraordinária” estava marcada.
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O mercado de energia elétrica é dividido em dois segmentos. Há os contratos de longo prazo, firmados entre grandes consumidores (entre os quais as distribuidoras) e fornecedores; e o chamado mercado spot, com compras de curto prazo.
Uma informação incorreta, como esta, poderia provocar oscilações de monta nas cotações do mercado spot. Poderia fazer empresas suspenderem planos de investimento, montarem planos de contingência.
Não afetou o mercado porque as grandes empresas, os grandes investidores dispõem de canais de informação específicos. E a própria Internet permitiu a propagação do desmentido do MME acerca do caráter “extraordinário” da reunião.
Mas a falsa notícia levantou até o argumento de que os problemas eram decorrentes da redução da conta de luz – que sequer ocorreu ainda.
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De concreto, existe a enorme seca que assola o nordeste, que reduziu as reservas do sistema. Atualmente os reservatórios da Região Nordeste operam com 31,6% da sua capacidade, e os da Região Norte com 41,24%.
Limitações ambientais, além disso, obrigaram a uma mudança na arquitetura das novas usinas hidrelétricas, substituindo os grandes lagos pela chamada tecnologia de “fio d’água”.
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Mas o modelo prevê um conjunto de usinas termoelétricas de reserva. Sempre que há problemas no fornecimento, elas são autorizadas a operar até que o sistema convencional volte a dar conta do recado.
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O episódio mostra, em todo caso, a dificuldade, hoje em dia, de se dispor de informações objetivas. Na Internet, há um caos informacional; nos jornais, uma sobreposição diária das intenções políticas sobre a objetividade das matérias.
Luis Nassif
No Advivo
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08/12/2011

A cobertura da febre amarela pela Folha

 
Lembra da campanha da Folha, Eliane Cantanhêde, "a favor" de uma epidemia de febre amarela em 2007 e 2008? Quer a Folha insistia que haveria uma epidemia da doença. Agora, uma pesquisadora da USP desmacara aquele absurdo:

Pesquisadora da USP desconstrói discurso epidêmico da cobertura jornalística sobre febre amarela

Analisar o discurso veiculado pelo jornal Folha de S. Paulo durante a epizootia de febre amarela silvestre, que atingiu também seres humanos, foi o objetivo da dissertação de mestrado “Epidemia midiática: um estudo sobre a construção de sentidos na cobertura da Folha de S.Paulo sobre a febre amarela, no verão 2007- 2008” , defendida pela jornalista e pesquisadora Cláudia Malinverni, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
Foram analisadas 118 matérias veiculadas pelo jornal, entre 21 de dezembro de 2007 e 29 de fevereiro de 2008, recorte temporal que permitiu localizar a notícia que deu início ao fenômeno de agendamento midiático, a evolução do grau de noticiabilidade do tema e o seu desgaste como pauta de relevância. Para apoio à análise, foram selecionados 40 documentos institucionais sobre a doença, emitidos pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, no mesmo período.
Os achados indicam que as estratégias discursivas da cobertura jornalística relativizaram o discurso da autoridade de saúde pública; enfatizaram o “aumento progressivo” do número de casos; colocaram a vacinação como o limite entre a vida e a morte, omitindo riscos do uso indiscriminado da vacina antiamarílica; e propagaram a tese de uma iminente epidemia de febre amarela de grandes proporções. Essas estratégias deram novos sentidos à doença, deslocando o evento de sua forma silvestre, espacialmente restrita e de gravidade limitada, para a urbana, de caráter epidêmico e potencialmente mais grave.
Secundariamente, a análise permitiu identificar os riscos a que a população foi exposta em função dos sentidos produzidos pelo discurso midiático, com a ocorrência de óbitos diretamente relacionados ao noticiário veiculado pela imprensa, de modo geral, e seus impactos sobre o sistema público de saúde brasileiro. Como resultado da “epidemia midiática”, houve uma explosão da demanda pela vacina, que obrigou o Ministério da Saúde a distribuir, entre dezembro de 2007 e 22/02/2008, 13,6 milhões de doses da vacina antiamarílica, mais de 10 milhões de doses acima da distribuição média de rotina, para o período. Em menos de dois meses, mais de 7,6 milhões de doses foram aplicadas na população, 6,8 milhões só em janeiro de 2008, ápice do agendamento midiático. Em razão do aumento exponencial do consumo de vacina, o Brasil, um dos três fabricantes mundiais do antiamarílico, suspendeu a exportação do imunobiológico e pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) mais 4 milhões de doses do estoque de emergência global.
Além disso, a omissão da cobertura jornalística quanto aos riscos inerentes ao uso indiscriminado da vacina expôs a população brasileira a riscos letais. Em 2008, a vigilância de eventos adversos pós-vacinal do Ministério da Saúde registrou 8 casos de reação grave à vacina, dos quais 6 foram a óbito, 2 deles por doença viscerotrópica (DV), a forma mais rara e grave de reação ao vírus vacinal. Ressalte-se que, no Brasil, em nove anos (1999-2007) foram registrados 8 casos de DV, com 7 óbitos.
As matérias produzidas pelo jornal deram intensa visibilidade (saliência) às informações que visavam relativizar a instância discursiva oficial, que, por sua vez, não conseguiu impor-se ao fluxo discursivo midiático. Os sentidos produzidos pela cobertura jornalística tiraram de perspectiva as complexidades dos processos do adoecimento humano e os limites do conhecimento no tratamento das doenças. Nesta luta simbólica, perdeu o sistema público de saúde, mas, sobretudo, perdeu a população brasileira: mortes ocorreram.
Mais informações com a pesquisadora Claudia, pelo e-mail: Claudia.malinverni@usp.br
Evanildo da Silveira
No Advivo
No Grupo Beatrice
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Os impasses do lulismo

Após o recente 
ciclo de ascensão social dos mais pobres, seria preciso recuperar o ímpeto para grandes transformações.
Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press
O governo Dilma alcançou a metade de seu mandato. Eis um bom momento para colocar questões a respeito dos rumos que o Brasil tomou desde o primeiro governo Lula. Rumos próprios à mais longa experiência de continuidade programática dos períodos democráticos.
Há tempos, procuramos o tom adequado para avaliações dessa natureza. A experiência do PT no poder suscita reações muito apaixonadas e pouco analíticas. Por um lado, vemos aqueles que não se cansam de assumir um tom laudatório, insistindo na genialidade política de Lula, no novo protagonismo brasileiro na cena internacional, no caráter bem-sucedido de seu “capitalismo de Estado” e na inegável constituição de uma nova classe média. Por outro, temos a negação absoluta na qual as conquistas do governo seriam meros fenômenos “naturais” advindos de decisões tomadas por governos anteriores, as negociações políticas teriam alcançado um nível de corrupção “nunca visto”, assim como o aparelhamento do Estado. Tais análises usam, na maioria das vezes, esquemas liberais que, em plena crise econômica global, continuam a ver o Estado como “mau gerente” (como se empresas como Citibank, Lehman Brothers e GM, salvas pelo Estado, fossem bem gerenciadas) e ter uma perspectiva, no mínimo, seletiva a respeito das indignações causadas pela corrupção.
Essas avaliações parciais nos impedem de tentar compreender o modelo representado por aquilo que o cientista político André Singer chamou de “lulismo” com seus resultados concretos e suas limitações. Compreendê-lo é tarefa importante neste momento, porque talvez estejamos assistindo, com o governo Dilma, ao esgotamento do lulismo. Um esgotamento cujo sintoma mais evidente é o fato de Dilma Rousseff parecer encaminhar-se para ser a gerente de um lulismo de baixo crescimento.
Talvez a pergunta que mais se coloque atualmente é: o que significam esses dois últimos anos de baixo crescimento? Um erro de dosagem nas políticas macroeconômicas, uma inflexão sem maiores significados resultante do mal cenário internacional ou a prova de que o modelo em vigor no panorama brasileiro chegou a um impasse?

Sabemos o que foi o acordo que produziu o lulismo. Ele consistiu na transformação do Estado em indutor de processos de ascensão por meio da consolidação de sistemas de proteção social, do aumento real do salário mínimo e incentivo ao consumo. Na outra ponta do processo, o governo Lula autocompreendeu-se como estimulador da reconstrução do empresariado nacional em seus desejos de globalização. Para tanto, a função do BNDES como grande financiador do capitalismo nacional consolidou-se de vez.
No campo político, o lulismo baseou-se, por um lado, na transformação de grandes alianças heteróclitas em única condição possível de “governabilidade”, retirando da pauta dos debates políticos toda e qualquer modificação estrutural nos modos de gestão do poder. Ele ainda referendou um modo de gestão de conflitos políticos que encontra suas raízes brasileiras na Era Vargas. Trata-se da transposição dos conflitos entre setores da sociedade civil para o interior do Estado. Assim, durante o governo Lula, o conflito entre os monetaristas e desenvolvimentistas encontrou guarida na briga entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. A luta entre ruralistas e ecologistas incrustou-se nos embates entre o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente. Do mesmo modo, as querelas entre os militares e os defensores dos direitos humanos expressaram-se na colisão entre o Ministério da Defesa e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O que seria, em situações normais, sintoma de esquizofrenia política foi, graças à posição de Lula como “mediador universal”, uma oportunidade para o governo “ganhar em todos os tabuleiros”, sendo, ao mesmo tempo, o governo e sua própria oposição. Assim, por “fagocitose de posições” o governo Lula conseguiu o feito de esvaziar tanto as oposições à direita quanto à esquerda. Contribuiu para isso a inanição intelectual completa da oposição à direita (PSDB, DEM e PPS) com seus acordos tácitos com os setores mais atrasados do debate de costumes e suas cruzadas moralizadoras feitas por frequentadores de escândalos de corrupção.
Mas como o governo Dilma administrou tal nova situação? No plano -econômico, tudo se passou como se o governo acreditasse que a continuidade bastasse. No entanto, a despeito dos avanços ligados à ascensão social de uma nova classe média, o Brasil continuava um país de níveis brutais de desigualdade. Por isso, seu crescimento só poderia trazer problemas como os que vemos em outros países emergentes de rápido crescimento (como Rússia, Angola etc.).
Como uma larga parcela da nova riqueza circula pelas mãos de um grupo bastante restrito com demandas de consumo cada vez mais ostentatórias, como o governo foi incapaz de modificar tal situação por meio de uma rigorosa política de impostos sobre a renda (impostos sobre grandes fortunas, sobre consumo conspícuo, sobre herança etc.), criou-se uma situação na qual a parcela mais rica da população pressiona o custo de vida para cima. Não por acaso, entre as cidades mais caras do mundo encontramos atualmente: Luanda, Moscou e São Paulo. Ou seja, o governo parou de pensar a desigualdade como o problema central da sociedade brasileira.
Acrescenta-se a isso o fato de os salários brasileiros continuarem baixos e sem previsão de grandes modificações. A maioria absoluta dos novos empregos criados nos últimos dez anos tem salários de até um e meio salário mínimo. Uma opção para a melhoria dos salários seria a diminuição dos itens que devem ser pagos pelas famílias. Uma família da nova classe média brasileira deve gastar, porém, quase metade de seus rendimentos com educação e saúde privada. Se o governo tivesse um programa para a universalização da educação e saúde pública de qualidade, poderia contribuir, por meio do fortalecimento do serviço público, para a minimização dos efeitos perversos da desigualdade. Mas o governo Dilma será lembrado, em 2012, pela sua desconsideração soberana com os professores em greve por melhores condições de trabalho e infraestrutura. Diga-se de passagem, é notória a relação problemática do governo com os sindicatos.
Em 2012, o governo será lembrado por sua desconsideração soberana com os professores em greve por melhores condições de trabalho.
Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Como se não bastasse, a política lulista de financiamento estatal do capitalismo nacional levou ao extremo as tendências monopolistas da economia brasileira. O capitalismo brasileiro é hoje um capitalismo monopolista de Estado, onde o Estado é o financiador dos processos de oligopolização e cartelização da economia. Exemplo pedagógico nesse sentido foi a incrível história da transformação do setor de frigoríficos em um monopólio no qual uma empresa comprou todas as demais se utilizando de dinheiro do BNDES. Em vez de impedir o processo de concentração, o Estado o estimulou. Como resultado, atualmente não há setor da economia (telefonia, aviação, produção de etanol etc.) que não seja controlado por cartéis, com seus serviços de péssima qualidade e seus preços extorsivos.
Ou seja, economistas pagos regiamente por bancos e consultorias entoam, de maneira infinita, o mantra do alto custo da produção por causa dos impostos, do alto custo da mão de obra em razão dos direitos trabalhistas e da intervenção estatal (como se esquecessem de que as nações que mais crescem, como China, Rússia e Índia, são países de forte intervenção estatal na economia). Melhor seria se eles se perguntassem sobre o impacto da desigualdade e dos processos de oligopolização no baixo crescimento brasileiro.
No plano político, a situação é também digna de profunda preocupação. Por não poder encarnar o papel de “mediadora universal”, Dilma optou por um governo com menos bipolaridade e mais centralizado. Com isso, selou-se de vez a incapacidade do governo em formular e discutir alternativas. Todos falam em uma única voz, mas ela não diz muito mais do que se espera na gestão cotidiana. Por isso, os quadros do governo são marcados por uma tendência a certo “gerencialismo”, onde grandes modificações saíram completamente do debate. Contribuiu para isso a trajetória do PT de afastamento definitivo dos núcleos de debate da sociedade civil (universidades, movimentos sociais etc.).
Essa saída de cena das grandes modificações encontra, na vida partidária brasileira, sua expressão mais bem-acabada. No governo Dilma consolidaram-se dois partidos que têm, como grande característica, não ter característica alguma. PSD e PSB são “partidos-curinga”, ou seja, podem estar em qualquer jogo, fazer qualquer tipo imaginável de alianças, até porque não representam, de maneira estruturada, setor algum da sociedade civil. Eles parecem indicar o futuro da política brasileira, isso enquanto não ocorrer uma radicalização paulatina dos extremos, talvez a única condição para que voltemos a pensar politicamente.
Vladimir Safatle
No CartaCapital
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FHC, Aécio e o jogo político de 2014

 
A insistência de Fernando Henrique Cardoso para que Aécio Neves se lance, desde já, como o candidato tucano à Presidência, nas eleições de 2014, suscitou inicialmente suspeitas as mais diversas. Em um partido com um histórico de ataques internos que incluem dossiês e notas plantadas nos jornais, marcado pela rivalidade entre caciques paulistas e mineiros e acostumado a definir seus candidatos em restaurantes da moda, com a cúpula reunida em torno de um vinho caro, o gesto de FHC tanto poderia significar um endosso efetivo quanto uma manobra dissimulatória.
Pouco a pouco, porém, começou a ficar claro que a dobradinha FHC-Aécio é para valer: ante a fadiga de material evidente do eterno derrotado José Serra e a imobilização forçada imposta pelo PT a Geraldo Alckimin – que, se decidir disputar a Presidência, franqueia também o estado de São Paulo à hegemonia petista -, FHC viu a chance de reapossar-se do poder no interior do partido, associando-se a um político que, embora dê mostras seguidas de imaturidade, é relativamente jovem, de um estado importante, herdeiro da mística de Tancredo Neves, e, mais importante, disposto a tirar FHC e seu legado do limbo em que foram mantidos pelos próprios candidatos peessedebistas nas últimas eleições presidenciais.
Reforça a impressão de que a candidatura Aécio pode ser mesmo para valer a articulação, nos últimos dias, de economistas historicamente ligados ao PSDB – ou seja, a serviço de grandes bancos e do capital especulativo internacional – para que elaborassem um discurso econômico estratégico para o candidato tucano.
Como seria de se esperar, não há nada de novo ou de surpreendente na plataforma elaborada por tais economistas, cujos nomes, de triste memória, pertencem ao tempo em que, segundo os jornais, não havia mais inflação e a economia ia bem, embora, detalhe desimportante ignorado pela imprensa, o país fosse muito mal: na vida real, a pobreza ostentava índices alarmantes. o desemprego era da ordem de 20%, e o Brasil, à beira da falência a cada ano e meio, recorria de pires à mão ao FMI, endividando-se cada vez mais e perdendo paulatinamente a soberania para tomar decisões na área econômica.
O tempo passou, a situação econômica do Brasil – e, mais importante, do povo brasileiro -, embora não deixe de apresentar desafios de monta, encontra-se em outro patamar, se comparada à do outono neoliberal de FHC, com o maior programa de combate à pobreza do mundo reestruturando o o edifício social brasileiro, com a perspectiva real de extinção da miséria bem antes do prazo estipulado, com pleno emprego, promoção de acesso de amplos segmentos ao crédito e ao consumo, recuperação da capacidade de investimento do Estado, redução substancial dos juros reais e o atual redesenho das bases econômicas do país, de modo a privilegiar o investimento direto em detrimento da especulação financeira das últimas décadas.
Mas as ideias defendidas pelos economistas convocados pelo tucanato ignoram não só todas as conquistas acima elencadas, mas os graves danos à economia e à sociedade que o neoliberalismo vem causando, atualmente, em diversos países da Europa. A impressão que temos, ao lê-las, é que o receituário neoliberal é o dernier cri do planejamento econômico, uma panaceia recente e bem-sucedida burramente ignorada pelos toscos governos petistas. Naturalmente, não há menção a povo ou ao que exale atenção ao social na bula econômica tucana para as eleições do ano que vem.
Ainda assim – e por paradoxal que pareça -, é um avanço que o PSDB arrisque defender uma plataforma econômica marcada por tamanho atraso. Pois, não obstante inepta, anacrônica e elitista, representa um primeiro esboço concreto de proposta programática, uma novidade em se tratando de um partido que se caracterizou, nas três últimas eleições presidenciais, por lançar candidatos mas não lançar projetos, valendo-se unicamente do apoio que a mídia corporativa lhe dá, ocultando suas mazelas e supervalorizando as das forças políticas que se lhe opõem, e do uso de táticas políticas extremamente agressivas, preocupadas em difamar e em gerar insegurança e terror – como a manipulação da questão religiosa por José Serra, em 2010, exemplifica de forma cabal.
A realidade não permite ilusão quanto ao grau de manipulação midiática que veremos nas próxímas eleições, e a ausência de José Serra nas cédulas de votação não significa, necessariamente, que os métodos serristas estarão ausentes da disputa. Mas quanto mais projetos e ideias a oposição lançar, e mesmo se tais projetos e ideias estiverem em desacordo com os avanços sociais ou se mostrem atrasados e retrógrados, voltados às elites, mais democrático será o debate político, mais possibilidades terá o petismo de contrapor propostas e, assim, melhor será para o país.
Daí conclui-se que, por incrível que pareça, o retorno de FHC ao palco político nacional pode vir a ser benéfico até mesmo para o PT – e para além da ironia implícita em tal afirmação.
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Charge online - Bessinha - # 1640

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